Um Manifesto Punk - Greg Graffin

March 25, 2018 | Author: Julio Tomé | Category: Cerebrum, Punk Rock, Homo Sapiens, Emotions, Self-Improvement


Comments



Description

UM MANIFESTO PUNK – GREG GRAFFIN.Eu nunca fui dono de uma gravadora, nem dirigi empresas de merchandising, então não me considero um expert em marketing. Eu evoluí através de minha habilidade como compositor, mas outras pessoas rotularam e mercantilizaram esse trabalho, tornando-o agradável para consumo. Embora eu tenha ganhado dinheiro através do Punk, esse dinheiro é uma quantia modesta se comparada aos lucros de empresas que promovem o Punk como um produto a ser digerido. Sempre busquei desvalorizar os traços de impulsividade e superficialidade desprovidas de emoção que as pessoas geralmente associam com Punk. O Punk é muito mais que isso, tanto mais que esses elementos tornam-se triviais diante da experiência humana que todos os punks partilham. Já que o Punk tem sido parte de mim desde mais da metade da minha vida acho que chegou a hora de tentar definir, e ao mesmo tempo defender, esse persistente fenômeno social. É impressionante que algo com tamanha profundidade emocional e transcultural tenha ficado tão vagamente definido por tanto tempo, pois as raízes do Punk são mais profundas e antigas do que muitos imaginam. Mesmo nas últimas duas décadas, é difícil achar análises aprofundadas e abrangentes da influência do Punk Rock na música pop e na cultura jovem. E são ainda mais escassos documentos ou ensaios detalhando as causas intelectuais e emocionais que geram as definições mais exageradas e distorcidas que a maioria das pessoas atribui ao Punk. Esses foram os motivos que me levaram a escrever tudo isto. Se minha tentativa ofende os puristas, destrói os segredos de uma pequena sociedade fechada, provocam pensamentos mais aprofundados, então eu cumpri minha tarefa e aqueles que se sentirem atingidos possam reconhecer a banalidade de suas posições. Afinal, eu não tenho nada a declarar além de minhas observações de uma sub- cultura que vem crescendo em proporções globais, e visitando e conhecendo muitos dos participantes desse fenômeno, eu encontrei traços comuns de pensamento em todos os lugares. Os processos de pensamento determinam as ideologias que unem as pessoas em comunidade. Existe entre punks o desejo de formar comunidades, mas é preciso definir as formas e a origem dos fundamentos da ideologia Punk. O estereótipo atual do Punk é escarrado por um marketing massivo e uma infeliz ênfase na aparência em vez do conteúdo. Mas esses problemas não afetam o sentimento Punk. Eles apenas confundem a educação das novas gerações de punks, que não sabem o que isso significa. Para compreender o que é Punk, o caminho é longo. Este texto é parte do processo. PUNKS NÃO SÃO FERAS? Punk é um reflexo do que significa ser humano. O que nos separa dos outros animais? Nossa capacidade de reconhecer a nós mesmos e expressar nossa unicidade genética. Ironicamente, a visão comumente aceita, entre formadores de opinião destaca a natureza animal, primitiva dos punks e sua música. Eles concluem que a violência é um elemento-chave na música Punk, e essa conclusão é facilmente aceita e perpetuada porque é fácil vender violência e notícias sobre esse tema sempre ganham espaço destacado na mídia. Este foco na violência ignora um verdadeiro elemento-chave do que o Punk significa. PUNK É: a expressão pessoal da individualidade que vem da experiência de crescer em contato com nossa capacidade humana de raciocinar e formular questões. A violência não é comum, única ou exclusiva do Punk. Quando ela se manifesta, é devido a fatores não relacionados ao ideal Punk. Considere o exemplo clichê da briga de escola entre o aluno punk e o capitão do time de futebol. O esportista e sua turma não aceitam ou valorizam o punk enquanto pessoa. Ao contrário, eles o têm como alvo diário de insultos e provocações, o que nada mais é do que um reflexo de suas próprias inseguranças. Um dia, o punk se cansa daquilo e dá um empurrão no capitão do futebol bem no meio do corredor cheio de colegas. Os professores expulsam o punk da escola e se baseiam em seu corte de cabelo e roupas para defini-lo como um mau elemento, violento e incontrolável. Os jornais locais dizem: “Briga escolar reafirma que a violência é o modo de vida dos punks”. Raiva espontânea por não ser aceito enquanto pessoa não é exclusiva dos punks. Esta reação se deve a sermos humanos, pois qualquer um reagiria com raiva, independente da nossa cultura ou filiação social, se nos sentíssemos desvalorizados e inúteis. Infelizmente, há muitos exemplos de violência entre punks. Também há evidentes casos de pessoas desorientadas que se consideram punks. Mas raiva e violência não são traços Punks, na verdade elas não têm lugar no ideal Punk. Raiva e violência não são a cola que mantém unida a comunidade Punk. NA INDIVIDUALIDADE ESTÁ A PRESERVAÇÃO DA HUMANIDADE A Natureza nos deu o embasamento genético do que o Punk significa. Há aproximadamente 80000 genes no genoma humano, e há cerca de seis bilhões de pessoas no planeta carregando essa dádiva genética. A chance de haver duas pessoas carregando o mesmo genoma é tão pequena que chega a ser incompreensível (a proporção é de 80 mil vezes o número de pessoas que você conhece em toda a sua vida – na prática, se torna impossível!). Os genes que carregamos têm um papel fundamental em nosso comportamento e nossa visão de mundo. É por isso que existe a dádiva da individualidade, pois ninguém pode ter o mesmo grupo de genes que você controlando sua visão da vida. O outro grande fator que molda nossa visão de mundo são os aspectos culturais. Estes têm um efeito homogeneizador no nosso comportamento adulto. Por exemplo: um grande bairro só de operários pode contar com 15 mil pessoas que cresceram com os mesmos ideais, trabalharam nas mesmas fábricas, vão às mesmas escolas, compram nas mesmas lojas e torcem pelo mesmo time. Conforme as gerações mais novas se confrontam com suas antecessoras, há uma constante interação de forças opostas entre o cunho social que sua cultura impõe e a expressão genética da individualidade. Aqueles que perdem o contato com sua natureza se tornam robôs da sociedade, assim como aqueles que demonstram um desenvolvimento individual diferenciado se tornam animais errantes. O Punk defende o desejo de caminhar na linha fina entre esses dois extremos com total maestria. O Punk quer expressar sua natureza própria e única, e ao mesmo tempo quer abraçar os aspectos comunais de seu desenvolvimento. A conexão social que punks têm é baseada no desejo de entender a visão de mundo única de cada um. “Movimentos” punks são estruturas sociais onde essas visões são aceitas, às vezes adotadas, às vezes descartadas, mas sempre toleradas e respeitadas. PUNK É: um movimento que serve para refutar atitudes sociais que são perpetuadas através de propositada ignorância coletiva da verdade sobre a natureza humana. Justamente porque depende da tolerância e rechaça a negação, o Punk é aberto a todas as pessoas. Há um elegante paralelo entre a dependência do Punk de visões e comportamentos únicos e nossa própria predisposição genética à individualidade. A BATALHA DO MEDO E DA RACIONALIDADE A compulsão à conformidade é um poderoso efeito secundário da vida civilizada. Somos ensinados a respeitar as visões de mundo de nossos pais e quando percebemos que elas são apenas opiniões dogmáticas, somos instruídos a não fazer alarde, a parar de fazer perguntas difíceis. Muitos apenas seguem a correnteza das noções pré-estabelecidas e nunca se expressam o que equivale a uma morte em vida. Nossa espécie é única na sua capacidade de reconhecer e expressar a si mesma, e o não-exercício dessa função biológica é uma negação do próprio grau de seleção natural que a criou. Esta complacência é um refúgio seguro contra o medo do fracasso. É fácil admitir que se todos os outros estão fazendo algo, não há como errar se você apenas seguir o exemplo. Isso é vantajoso para gado e aves migratórias, mas pessoas com essa mentalidade podem provocar o fracasso de toda a raça humana. Pensar e agir na direção contrária à opinião corrente é um fator fundamental para o avanço humano, e é também uma potente manifestação do Punk. Se certo assunto é considerado verdade só porque outros assim o dizem, então cabe ao Punk procurar uma solução melhor, ou pelo menos achar uma variável independente que acabe confirmando a visão sacramentada (porque às vezes a opinião popular é apenas um reflexo da natureza humana, e o Punk não nega este fato). Esta capacidade de ir contra o modelo de pensamento corrente foi fator fundamental dos maiores avanços do pensamento humano através da história. Todo o Renascimento foi marcado por idéias que desafiaram os dogmas da época, e acabaram revelando verdades naturais e existenciais que qualquer um pode observar hoje, e que sempre nos acompanharão. Galileu Galilei desafiou a Igreja Católica e perdeu a batalha, ficando preso numa masmorra pelo resto da vida. No final, ele venceu a guerra – quase ninguém acredita hoje que o Sol orbita a Terra e que Deus nos colocou no centro do Universo. Francis Bacon insistiu que o destino da raça humana está na compreensão. “Se negarmos este princípio fundamental do significado de ser humano, então descemos até as profundezas do mero barbarismo”, ele escreveu. Charles Darwin, muito tempo depois do Renascimento, admitiu ter sido influenciado por sua tradição, tanto que foi treinado para ser um teólogo, mas não se afastou do desejo de estudar a ordem implícita que conectava todas as espécies que ele observava em suas viagens. Suas idéias questionaram muitas doutrinas Bíblicas, mas seu raciocínio foi ouvido, e num processo de auto-evolução (a luta em sua mente para alcançar um entendimento maior), ele evoluiu a humanidade ao criar um novo alicerce do conhecimento humano. O dogma da Igreja foi marginalizado com o tempo. O medo que o Clero tinha da repercussão dos trabalhos de Darwin foi vencido pela onda de entendimento que suas idéias criaram nas pessoas e pela verdade natural revelada em suas observações. O processo de pensamento do Punk, controlado por este desejo de entendimento, é uma cópia das tradições Renascentistas. O fato de haver tantos exemplos históricos que demonstram o desejo de destruir dogmas nos leva a um poderoso princípio: é um traço natural do ser humano civilizado ser original. A certeza de que a individualidade é tão rara revela que nossa natureza é sufocada por uma força opositora igualmente poderosa: medo. PUNK É: um processo de questionamento e compromisso com o entendimento que resulta em progresso individual e por extrapolação pode levar ao progresso social. Se um número suficientemente grande de pessoas se sente livre, e são encorajadas a usar suas habilidades de observação e raciocínio, grandes verdades vão emergir. Estas verdades são reconhecidas e aceitas não porque foram transmitidas à força por alguma entidade totalitária, mas porque todos nós experimentamos algo semelhante quando as observamos. O fato de punks poderem se relacionar entre si em relação aos problemas sociais que sofrem devido a suas escolhas vêm de experiências de vida comuns a todos eles, de terem sido maltratados por pessoas que não os querem por perto. Cada um tem a sua experiência com não-aceitação e pode se relacionar com a história do outro sem aderir a um código de comportamento. A verdade da perda, do prejuízo pessoal, é derivada dessa experiência que todos compartilham, e não de uma fórmula ou Constituição à qual eles têm que se submeter. Os punks aprendem da experiência que o prejuízo pessoal é errado, e isso se torna um princípio de vida. Não foi tirado de algum livro- texto. Sem lutar para melhor compreender, e sem enfrentar as crenças sacramentadas, a verdade permanece escondida atrás do hábito, da inatividade, da ideologia prescrita. O QUE É VERDADE? Os filósofos distinguem entre Verdade com „V‟ e verdade com „v‟. Os punks negam essa fórmula. Verdade com „V‟ representa a ordem prescrita por algum ser transcendental. Isto significa dizer que a verdade vem, em última instância, de Deus, que tinha um plano para o Universo quando de sua criação. Verdade com „v‟ é a que descobrimos por nós mesmos, e com a qual todos podem concordar devido a experiências e observação do mundo. Também é chamada de verdade objetiva, de dentro de nós, revelada nesta Terra em oposição à Verdade, que vem de fora e é projetada sobre nós, especificamente para nós seguirmos. A moral não precisa ser um produto da Verdade. A verdade objetiva se presta igualmente bem a uma cultura espiritual e moral. PUNK É: uma crença de que este mundo é o que nós fazemos dele, a verdade vem do nosso entendimento de como as coisas são, e não da aceitação cega de prescrições sobre como elas deveriam ser. A dependência do Punk na verdade objetiva vem da experiência comunal de ir contra o molde. Qualquer um que tenha discordado da multidão percebe a verdade nessa experiência. Ninguém precisou escrever uma doutrina para ensinar ao rejeitado o que significa ser diferente. A verdade era suficientemente óbvia, e essa verdade pode ser compreendida e aceita por todos que já partilharam dessa experiência. O QUE É MEDO? Os medos que levam as pessoas a se conformar geraram períodos sombrios na história humana. A Idade Média, também chamada de Idade das Trevas, foi um período tranqüilo, sem revoltas ou levantes populares, mas ao mesmo tempo sinistramente silencioso e pestilento, sem espaço para opiniões contrastantes. A pseudo-paz e tranqüilidade que a humanidade experimentou na Idade Média, conformando-se a uma rígida burocracia imposta pelo Rei e pela Igreja, mascarava um dia-a-dia de terrível miséria. A vida se torna fácil, sem direção, sem objetivo, para o camponês que apenas produz mercadorias e prole para o benefício do Rei. Mas usar o medo para controlar os camponeses (ou, por comparação, os operários) é uma enganação de curto prazo, pois camponeses têm a mesma capacidade mental da Realeza. Os traços biológicos de auto-reconhecimento e o desejo de se expressar não podem ser contidos por muito tempo. Eventualmente, os camponeses percebem que a vida sem a prática do raciocínio é tão válida quanto a vida de um animal da fazenda. Ser controlado pelo medo é tornar-se biologicamente inerte, incapaz de subir ao palco do Teatro da Vida, apenas existir e sumir sem deixar herança. O medo controlador do comportamento humano é adquirido, não é um traço natural. Ele difere do medo por auto-reflexo, a “fuga do desagradável” que todas as criaturas possuem para se manter vivas. Humanos têm reflexos motores como esses, mas o medo do fracasso, de se posicionar diante de uma crise, de dizer o que pensa, vem do Sistema Límbico. O Sistema Límbico é uma rede de neurônios que controla nossas emoções mais profundas. Ele conecta duas partes do cérebro: o mesencéfalo, para onde vai a informação sensorial (estímulos visuais e auditivos), e o cérebro frontal, onde essa informação é processada. Embora o cérebro frontal tenha se desenvolvido há 480 milhões de anos, desde o surgimento dos primeiros vertebrados, ele adquiriu funções especiais e únicas na raça humana. Uma porção específica dele, o Córtex Cerebral, é mais desenvolvido em humanos do que em qualquer outro animal. 95% do nosso córtex cerebral é responsável por atividades mentais associativas como contemplação e planejamento. Os outros 5% processam as informações motoras e sensoriais. Por comparação, um rato (assim como nós, um mamífero avançado) tem essa relação invertida: seu córtex é 5% associativo e 95% motor. Nosso superdesenvolvido sistema límbico é o âmago biológico do que significa ser humano. Nós nos destacamos dos outros animais pelo tempo que empregamos planejando, contemplando e nos expressando. O sistema límbico é poderoso o bastante para anular emoções primitivas e suprimir os desejos mais profundos. Se você já segurou suas lágrimas ao assistir um filme triste porque não queria que seus amigos o vissem chorando, você usou o poder de seu sistema límbico. Você contemplou as repercussões de ser visto chorando e fechou a cascata emocional que causaria as lágrimas. Assim como a racionalidade, o medo também é um produto do sistema límbico. Medo é geralmente um comportamento racional baseado em pensamentos irracionais, e pode anular totalmente o poder processual do córtex cerebral. Negação e medo andam de mãos dadas, e ambos são exemplos de como o sistema límbico pode suprimir estímulos óbvios e provocar comportamentos seguros e confortantes. O sistema límbico é como qualquer outro órgão no sentido de que pode operar independentemente da nossa vontade para produzir resultados prejudiciais. Cuidar do corpo resulta em saúde geral, mas o sistema límbico requer constante atenção para ser dominado. Para superar o medo, você precisa se aproximar de seu sistema límbico e reconhecer quando ele está suprimindo o óbvio. Regras de etiqueta e “ser agradável” são formas clássicas de repressão do sistema límbico, às vezes necessárias, mas que em última instância desvalorizam a originalidade humana. Mentir é a forma mais completa de repressão do sistema límbico. É a negação do óbvio. Pessoas sinceras, autênticas e confiáveis são aquelas que aprenderam a serem mestres de seu sistema límbico. Elas conhecem o desejo de mentir, não são imunes a ele, mas racionalizam que é futilidade pura defender o que não é a verdade. Os mentirosos, por sua vez, são escravos de seu sistema límbico, sem contato com suas capacidades mentais mais básicas. Seu comportamento é reservado e astuto porque eles permitem que seu raciocínio falho, que esconde o óbvio, controle e construa sua máscara. Eventualmente se rendem à verdade, mas só depois de defenderem seus medos secretos até a última possibilidade de distorção da lógica e enganação. Políticos, Clérigos, Empresários e Juízes são mestres em distorcer a lógica e promover o medo. Eles são os alvos primários do Punk porque não respeitam pessoas que controlam seu sistema límbico. E isso é óbvio para o punk, que denuncia a obviedade desses atos mesmo sob o risco de perder seu status social. PUNK É: a luta constante contra o medo das repercussões sociais. O MOVIMENTO PUNK Eu tentei enumerar alguns fatores que fazem do Punk um movimento, no sentido cultural. O estereótipo de um imbecil desalmado vandalizando, destruindo, roubando, brigando ou discutindo em nome de alguma causa vazia não é mais punk que as carinhas bonitas e superproduções de seus astros pop favoritos. Como sexo, violência e auto-afirmação são extremamente vendáveis para a indústria do disco, muitas bandas mordem essa isca e se rotulam como punks, sem perceber que ao fazê-lo desse modo, estão perpetuando um estereótipo conformista que é totalmente não-Punk. A atitude “junte-se a nós”, que busca atrair seguidores, resulta num bando de cabeças fracas que pensam que sua força está no grande número de clones padronizados que eles são. Porém, não há força nos números se o que une as pessoas é um mantra míope, subserviente e coercitivo que cria facções e promove princípios exclusionários. Ideologias fortes não precisam de uma máfia para pregá-las. Elas sobrevivem através do tempo e nunca desaparecem porque estão intimamente ligadas à nossa biologia. São parte do significado de existir enquanto Homo Sapiens. O Punk tipifica-se nesta tradição. É um movimento de proporções épicas, que transcende o imediatismo do aqui-e-agora, porque está, esteve e sempre estará presente enquanto homens caminharem sobre a Terra. Entramos hoje numa nova era na voraz marcha cultural humana. Graças à Internet, as pessoas podem se comunicar diretamente de novo. Na rede mundial de computadores, o comportamento humano é interativo, como era antes do “advento” da comunicação de massa. As pessoas buscam discussões ideológicas e de modos de vida, em oposição ao comportamento típico do século XX, do indivíduo isolado das companhias e preso a códigos ditados por redes de comunicação e/ou de comércio. As mentiras e segredos das elites vão se desfazer rapidamente conforme a conversação global que se forma na rede arregimenta mais pessoas dia após dia. A população mundial se tornará mais receptiva a ideologias alternativas porque elas serão suas criações. Seremos menos receptivos a ideologias vindas de instituições ultrapassadas porque os buracos e falhas em sua lógica serão mais amplificados do que nunca ao serem divulgados mundialmente assim que forem revelados. Os princípios de “Força no Entendimento” e “Conhecimento é Poder”, defendidos pelo Punk, se tornarão regra. A rigidez, brutalidade e futilidade de agendas secretas se tornarão óbvias, abrindo caminho para uma maior apreciação da individualidade humana e uma nova era de originalidade. QUEM É PUNK? Todos nós temos o potencial para ser punks. É mais complicado para aqueles que vêm de uma criação plácida, não-desafiadora e ignorante. Essas pessoas não vêem valor algum em questionar ou provocar as instituições que lhes deram essa tranqüilidade. Mas tais exemplos de existência sem consciência são raros no mundo encolhido de hoje. Questões eternas ainda ardem nas mentes da maioria de nós. O que significa ser humano está ficando mais claro a cada década. Ás vezes, nós somos levados a seguir o caminho seguro para um túmulo em vida pelo consumo e repetição dos dogmas de uma aristocracia amedrontada. Por outro lado, o espírito humano é duro de matar. O Punk é um microcosmo do espírito humano. Os punks triunfam usando suas mentes, não força bruta. Eles aperfeiçoam a sociedade com sua diversidade, não conformidade. Eles motivam outros por inclusão, não dominação. Os punks estão na linha de frente do aperfeiçoamento individual, e, por extrapolação, podem melhorar a complexidade da raça humana. Eles seguem princípios universais não-escritos de emoção humana, óbvios para qualquer um, e recusam códigos elitistas de comportamento. Eles representam a esperança do futuro e revelam as falhas do passado. Não lhes diga o que fazer, eles já estão nos liderando!
Copyright © 2024 DOKUMEN.SITE Inc.