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March 22, 2018 | Author: Danielle Rocha | Category: Death, Medicine, Poetry, Nursing, Life


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1UESB-UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA DEPARTAMENTO DE SAUDE II MEDICINA DANIELLE ROCHA SANTOS DE SANTANA RELATÓRIO TÍTULO: ANALISE DO FILME WIT-UMA LIÇÃO DE VIDA, de MARGARET EDSON COM DIREÇÃO DE MIKE NICHOLS JEQUIÉ/BA 03/10/14 2 Relatório desenvolvido como parte da nota do 1º MODULO DE HABILIDADES CLÍNICAS. Sobre Orientação Prof.ª Drª Ana Carolina JEQUIÉ/BA 03/10/14 3 SUMÁRIO 1.INTRODUÇÃO 4 2.DESENVOLVIMENTO 5 3.CONSIDERAÇÕES FINAIS 7 4 Introdução: O filme “Wit-uma lição de vida” retrata a história de Vivian Bearing, uma renomada professora universitária de literatura inglesa, que devido a alguns sintomas e alterações, procura sua ginecologista para a realização de exames e análise, posteriormente é encaminhada para o Dr. Kelekian, um conceituado médico oncologista, que diagnostica um câncer metástico nos ovários, o adenocarcinoma encontrava-se em estágio avançado e devido à gravidade de seu caso, lhe é sugerido por seu médico um tratamento quimioterápico agressivo, com muitos efeitos colaterais e poucas chances de cura. A personagem aceita o tratamento com resignação, assim como em sua vida jamais teve medo de enfrentar os problemas. Durante o filme, a personagem narra a sua história através de um diálogo com o espectador, o qual assume uma posição de proximidade e confidencialidade. A história possui uma linearidade cronológica, que é o período em que a personagem se encontra no hospital em tratamento e é intercortado diversas vezes por cenas não-sequenciais e em diferentes contextos, que retratam o passado da personagem. O Dr.Kelekian é auxiliado pelo médico residente Dr. Jason, ex-aluno da personagem, ambos se importam mais com a pesquisa, o resultado do tratamento experimental do que em compreender e amenizar os sentimentos e tristezas da personagem frente a doença. A personagem passa pelo difícil tratamento contra o câncer, convive com o dia-a-dia hospitalar e faz reflexões sobre aspectos da sua própria vida e da forma como está sendo tratada. Quando jovem, descobriu desde cedo que dedicaria sua vida as palavras, decidida e focada nos estudos se formou como professora de poesia do sec.XVII, e se destacou com o estudo dos sonetos e poemas sacros do poeta metafísico John Donne. Poemas vibrantes cheios de metáfora que falam também sobre a angústia das pessoas diante da morte, porém o eu-lírico dos poemas de forma desafiadora diminui o caráter trágico e temoroso da morte uma vez que a recebe sem desespero como um passo para eternidade, o fim das angústias e sofrimentos humanos. Com o agravamento de seu caso, a paciente recebe a visita de sua ex-professora que a acalenta em seus últimos momentos de vida. Sua professora afirma que estava na cidade pois fora visitar seu neto mostrando que escolhera construir uma família, o que Vivian não o fez. Vivian falece, o médico ao perceber seu estado tenta reanima-la, porém é advertido pela enfermeira Susie que a paciente escolheu pela não reanimação em casos de paradas cardíacas. No fim do filme, a morte é retratada como um passo para eternidade que liberta o indivíduo de uma vida de sofrimento. Assim como nos poemas de Donne a morte é reduzida, destituída de sua temerosidade e determinada pelos desígnios superiores. 5 Desenvolvimento Ao se descobrir o câncer, o médico de Vivian poderia ter explicado de forma mais detalhado seu diagnóstico e repensado se realmente valeria a pena para paciente passar seus últimos dias de vida de forma dolorosa e em um hospital para um tratamento. Atualmente os médicos são desafiados a repensar sobre até que ponto é válida a utilização da tecnologia para prolongar a vida de pessoas em estado terminal e sem chances de cura. Deve- se pensar no melhor para o paciente, não deve ser levado em conta os benefícios para fins científicos e sim em proporcionar a paciente um fim de vida com dignidade e sem sofrimento. Antes do desenvolvimento das tecnologias e aparatos de diagnostico, os médicos tinham que utilizar de uma boa relação com seu paciente para recolher todos os dados que pudessem levar a um diagnóstico. Com o desenvolvimento da tecnologias de diagnóstico, a relação médico paciente foi colocada em segundo plano. E a criação das especialidades apesar dos enormes benefícios contribuiu ainda mais para a construção desse modelo biomédico, em que se deixa de considerar o indivíduo como um todo e os aspectos biopsicossociais que interferem no processo saúde-doença. Durante o período de internação ela sofre com o mal-estar, irritações no sistema digestório e alterações devido aos efeitos colaterais do tratamento quimioterápico. E em todo esse período no hospital até nos momentos mais constrangedores e dolorosos a paciente sempre ouvia dos médicos a mesma pergunta” você está bem?”, demonstrando que não se tratava de um real interesse em saber em como a paciente se encontrava e sim em um algo feito de forma automática por ser parte do procedimento. A personagem percebe porém que o tratamento caloroso e humanístico, que ela tanto procura agora enquanto paciente, foi o mesmo que ela como professora não transmitiu aos seus alunos, o que demonstra que esse aspecto reflete- se em outras profissões e não apenas na prática médica. Seu ex-aluno e também médico irá colher seus dados e realizar um exame invasivo. Conduzindo o tratamento de forma indelicada, demonstrando inabilidades de comunicação com o paciente, o médico realiza o exame sem explicar o procedimento, tornando o constrangedor e humilhante contribuindo para que a paciente sentisse invadida e desrespeitada. Nas visitas de rotinas, a paciente é examinada pelos médicos residentes e sente- se como “a capa de um livro”, um objeto de estudo como se seu tratamento fizesse parte de uma experiência pois os médicos parecem estar mais interessados no estudo do seu problema do que em seu estado e dilemas. Conhecida com uma exigente e rígida professora, demonstrou a mesma frieza em sua vida do que médicos ao trata-la, preferindo mais a investigação e o conhecimento cientifico do que em solidificar os laços interpessoais e em se solidarizar e colocar- se no lugar do outro. 6 Entretanto, encontra na enfermeira Susie a consideração, humanidade e o cuidado que desejava receber. Percebe-se nas atitudes da enfermeira o cuidado em informar a paciente sobre a natureza dos procedimentos a serem realizados, e sobre a possibilidade da paciente em ter a autonomia de decidir entre ser ou não reanimada em casos de paradas cardíacas devido as complicações referentes ao seu caso, enquanto para os médicos tudo valia enquanto a paciente permanecesse viva, para dar continuidade ao tratamento e o estudo da evolução da doença. Susie tem uma atitude ética que deve fazer parte das atitudes de todos os profissionais de saúde que é a valorização da qualidade de vida da paciente. A paciente percebe que deveria ter compreendido melhor o tratamento que deixou a sua saúde tão debilitada. Hoje, os pacientes não ocupam mais uma posição passiva agora se informam facilmente, buscam conhecer as causas, sintomas e tratamentos nos meios de informação. Percebe-se que a decisão do paciente baseada no real conhecimento de seu diagnóstico e possíveis tratamentos é essencial, pois ele deve ter a autonomia de decidir os caminhos de sua própria vida e o médico não deve ocultar-lhe nenhuma informação. A atuação do médico deve estar pautada no respeito a autonomia do paciente e na elaboração de propostas que visam uma melhor orientação e tratamento de pacientes. O médico deve ser técnico e cientista porém sem que precise abrir mão da própria humanidade, nem da dignidade humana de seus próprios pacientes. A rotina difícil, o elevado de número de atendimentos por dia, uma visão formativa mais técnica do trabalho médico-hospitalar podem também ser apontados como possíveis causas para esse fenômeno. Percebe- se a necessidade atual de um atendimento mais ético e humanístico. A relação médica não deve ser pautada apenas na objetividades das tecnologias. É imprescindível uma boa comunicação entre o médico e o paciente para que através da construção de um relacionamento de confiança, o médico possa conhecer o paciente, perceber os determinantes biopsicossociais que podem vir a intervir na saúde do indivíduo bem como orientar a partir do exame clínico e a anamnese os exames complementares necessários para a confirmação do diagnóstico daquele paciente. Atitudes como olhar nos olhos do paciente, o contato físico, demonstrar interesse pela pessoa e ouvi-la atentamente e explicar de forma simples os procedimentos e exames médicos, são essenciais para que o paciente sinta-se calmo, liberte-se de seus medos e responda melhor ao tratamento. 7 Considerações finais O filme Wit-uma lição de vida traz uma reflexão sobre a desumanização da prática médica e a importância de se resgatar os princípios éticos médicos visando um tratamento integral, humanístico e a compreensão dos aspectos biopsicossociais que influenciam nos processos de saúde e doença. Ao analisar a postura dos médicos e da professora frente a vida, se traz também uma reflexão acerca de pessoas que vivem de forma rígida e centrada no trabalho, priorizando mais o conhecimento e o sucesso profissional do que o cuidado e as relações interpessoais. Há uma necessidade de conciliar o trabalho e a vida pessoal, pois não se pode desconsiderar a importância dos laços de amizade e da vida pessoal para a felicidade do indivíduo, pois são aspectos essenciais para que o indivíduo no fim da vida tenha o sentimento de que viveu plenamente e que colha não só o prestígio, independência e sucesso financeiro mas também momentos especiais repletos de amor e perceba que deixará não só um legado profissional mas também que com a sua vida influenciou de forma positiva muitas outras pessoas. O apoio de seus familiares e a presença de amigos é de suma importância para o enfrentamento da doença e sua superação. Cabe aos profissionais de saúde tratarem os pacientes de forma personalizada, humanizada, eles não devem ser identificados por números, mas tratados pelo nome, os profissionais devem se adaptar a individualidade, aos hábitos dos pacientes visando transformar o ambiente hospitalar em um espaço mais acolhedor. Pequenas atitudes que podem contribuir para a promoção da saúde e o resgaste de um modelo de atendimento mais humanitário. . 8
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