Texto Expositivo-Argumentativo Com Exemplos Práticos

March 29, 2018 | Author: Telmo Martins | Category: Time, Argument, Life, Cognitive Science, Psychology & Cognitive Science


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TEXTO EXPOSITIVO-ARGUMENTATIVOA produção de um texto expositivo-argumentativo visa avaliar competências como a compreensão de enunciados escritos e a expressão escrita, visíveis na construção de um texto que pressupõe a compreensão da tese formulada no enunciado, a exposição de uma opinião e a selecção de argumentos, bem como a produção de um discurso correcto e bem estruturado. Este texto deverá revelar uma análise crítica e pessoal do enunciado da pergunta, reflectindo o conhecimento que possui da obra, do autor, do período literário ou do tema em causa. COMO ELABORAR UM TEXTO EXPOSITIVO ARGUMENTATIVO? - Ler atentamente o enunciado contido na questão formulada (normalmente é a citação de uma obra ou uma simples afirmação) e identificar de imediato o autor, a obra e o movimento literário que servirá de base à argumentação, ou o tema genérico a explorar; - Planear a estrutura do texto: clarificar o ponto de vista, seleccionar os tópicos a desenvolver ao longo do texto a produzir, devidamente encadeados, para evitar repetições e incoerências; - Comprovar cada argumento com exemplos concretos e bem fundamentados na obra do autor ou com exemplos significativos relacionados com o tema em reflexão; - Proceder à redacção do texto, começando por uma breve introdução do tema, desenvolver a argumentação, articulando bem os parágrafos e, no final, como conclusão, sintetizar as ideias centrais apresentadas; - Utilizar um vocabulário diversificado e preciso e um correcto registo de língua. COTAÇÃO (exame nacional) Na prova de exame, o texto expositivo-argumentativo é avaliado, tendo em conta as seguintes competências:  Estruturação de um texto com recurso a estratégias adequadas à defesa de um ponto de vista, sem desvios ao tema proposto; • O carpe diem e a mágoa profunda. sintáctico. Singularidades de uma Literatura Ocidental. resultante dessa consciência. • Aceitação e consciência da subordinação do Homem face ao fatum. Redija um texto expositivo-argumentativo bem estruturado. EXERCÍCIO PRÁTICO 1 “Reis […] manifesta uma aguda mas estóica sensibilidade em relação ao tema da passagem do tempo. . • Consciência do poder implacável do destino (fatum). ortográfico e de pontuação. fundamentando-o na sua experiência de leitor.  Redacção de um discurso bem estruturado (introdução. desenvolvimento. com marcação correcta dos parágrafos e respeito pelo limite de palavras. Tópicos a desenvolver: • Dor da efemeridade da vida. com argumentos lógicos bem articulados e devidamente suportados por exemplos significativos (deve atentar-se no número de argumentos pedidos e respectivos exemplos). Elaboração de um texto coerente e coeso. com recurso a conectores frásicos adequados e diversificados. 2001 Considere o juízo crítico apresentado e comente-o. conclusão). Asa. • Defesa de uma filosofia de vida estóico-epicurista. de duzentas a trezentas palavras. morfológico.” Maria Alzira Seixo.  Produção de um discurso correcto nos planos lexical. mas serena. com um mínimo de duzentas palavras e um máximo de trezentas palavras. Para tal. deixando fluir o tempo. transfigura-se a emoção em indiferença «sem amores. a tendência é para as pessoas passarem cada vez mais tempo sozinhas e fechadas dentro das suas casas. Reis revela na sua poesia a profunda e serena mágoa. transformadas em verdadeiras «torres de marfim». cuja passagem é simbolizada pela passagem das águas do rio. “Ao longo da vida. capaz de conduzir o homem numa existência sem inquietações e sem angústias. ilustrando cada um deles com. cabe ao homem viver esse momento (carpe diem) e. Vivendo o momento presente e acreditando no poder da razão.«passamos como um rio» -. Reis é defensor de uma filosofia de vida estóico-epicurista. 2002 . um exemplo significativo. tendo plena consciência da dor provocada pela natureza efémera do homem. tendo como fim a morte . Para fundamentar o seu ponto de vista. Como só o momento presente nos pertence. (226) EXERCÍCIO PRÁTICO 2 Num texto bem estruturado. resultante da consciência do poder devorador do tempo. e aceita o destino que lhe é imposto. por esse motivo.Produção de um texto expositivo-argumentativo Ricardo Reis reconhece a inexorabilidade da passagem do tempo. A maneira como se acumulam bens físicos e se procura melhorar os espaços domésticos reflecte um cada vez maior alheamento em relação ao espaço público colectivo. salvo o desejo de indif’rença / E a confiança mole / na hora fugidia». sem ódios. Dado que «Amanhã não existe». nem paixões que levantem a voz». Consciente do poder implacável do Destino (fatum). a dois argumentos.«mais vale saber passar silenciosamente / e sem desassossegos grandes» . que raramente é pensado como um bem comum.e pela aceitação da morte e do destino . “Territórios do Nada entre a Esperança e a Utopia”. que condiciona a existência humana como uma mera passagem. contentando-se em gozar a vida moderadamente e através do exercício da razão. Ricardo reis consegue a felicidade pela ataraxia . apresente uma reflexão sobre as ideias expressas no excerto a seguir transcrito. no mínimo.” Teresa Alves. sugere um esforço de autocontrolo que evite as paixões que acarretam sofrimento. relativas à tendência para se investir no espaço pessoal e se esquecer o espaço público. pelo menos.«nada. recorra. o largo. que brincavam em conjunto nos parques infantis ou nos campos de jogos deixaram de o fazer. passou a ser auto-suficiente. o que resultou num afastamento. simplesmente porque não o utiliza. todas as casas foram tendo o seu próprio aparelho. O serão já não era passado na colectividade. um suporte.Produção de um texto expositivo-argumentativo A tendência para se investir no espaço pessoal em detrimento do espaço público tem vindo a aumentar nas sociedades modernas. Em suma. (289) . não cuida. Todos se conheciam e o outro funcionava como um escape. porque ficam confinadas. sozinhas. onde temos todo o sossego e conforto. logo. a par do crescimento tecnológico. pelas exigências da vida moderna. cada vez mais as pessoas vivem entregues a si próprias: recheiam-se as casas com o mais moderno dos equipamentos. Antigamente. Gradualmente. mas na individualidade de cada lar. fazia com que todos se encontrassem no café mais abastado para visionarem os programas emitidos pela «caixinha mágica». frente ao computador ou à Playstation. porque eles foram substituídos pela nossa casa. A televisão. a igreja. já ninguém reivindica a criação ou a melhoria dos espaços públicos. Até mesmo as crianças. não investe nele. Com o êxodo rural e com a migração para as grandes cidades. E assim tem sido. o tempo que passavam em conjunto era muito maior e existia o café. as pessoas viviam mais abertas ao outro. tudo se foi alterando. E isto reflectiu-se em alheamento relativamente aos espaços públicos colectivos: cada um deixou de sentir como seu um espaço que já não frequenta. como pontos de encontro de final de dia para todos conviverem e se encontrarem. há um investimento consumista para optimizar o espaço individual. Cada um. por exemplo. porque deixou de haver tempo e necessidade de estar com outras pessoas.
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