Seicho No Ie

March 24, 2018 | Author: Denise Lopes | Category: Shinto, Japan, International Politics, China, Culture (General)


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Universidade São MarcosGILBERTO BAPTISTA CASTILHO A SEICHO-NO-IE DO BRASIL NO CONTEXTO RELIGIOSO DAS NOVAS RELIGIÕES JAPONESAS: CULTIVO E DIVULGAÇÃO DA PALAVRA São Paulo 2006 Universidade São Marcos GILBERTO BAPTISTA CASTILHO A SEICHO-NO-IE DO BRASIL NO CONTEXTO RELIGIOSO DAS NOVAS RELIGIÕES JAPONESAS: CULTIVO E DIVULGAÇÃO DA PALAVRA Dissertação apresentada ao Programa Interdisciplinar em Educação, Comunicação e Administração da Universidade São Marcos, sob a orientação da Prof.ª Dra. Marília G. Ghizzi Godoy com vistas à obtenção do título de Mestre. São Paulo 2006 i Dedicatória Ao meu pai, Darcy Gilberto Castilho ( in memoriam), que foi mestre da vida e legou-me o amor aos livros. ii Agradecimentos No primeiro contato com a Seicho-No-Ie muitos se admiram pelo valor dado ao agradecimento. A frase “Muito obrigado” toma um sentido profundo de reverência a todas as coisas e pessoas. Dentro desse sentimento, desejo agradecer a todos que direta e indiretamente colaboraram para a execução deste trabalho. Em primeiro lugar, agradeço a meu pai Darcy (in memoriam) e à minha mãe, Alzira, os quais me proporcionaram a oportunidade de conhecer a Seicho-No-Ie, dando-me suporte emocional, e estendo à família e, em especial, aos amigos que a vida me deu, meus filhos, Gabriel, Daniel e Eduardo pela compreensão da ausência neste período de trabalho. Agradeço ao apoio e incentivo nesta empreitada ao amigo Marsil R. R. Marcondes. Na Seicho-No-Ie sou imensamente grato ao professor Junji Miyaura, que juntamente com Cíntia Alencar foram pessoas primordiais no levantamento de informações. Agradeço a Eduardo Nunes, João Vieira, Fábio Dummer e aos funcionários da livraria da sede central da Seicho-No-Ie pela disponibilidade em fornecer dados para a pesquisa. Sou grato aos professores da Seicho-No-Ie,Osvaldo Murahara pelo incentivo inicial e Heitor Miyazaki pelas informações sobre a história deste movimento religioso no Brasil. Em relação às informações sobre a pedagogia Seicho-No-Ie, devo agradecimento à professora Belisa Ribeiro, da sede central, e à professora Josefa Aparecida Néri Guido, a seu esposo e aos funcionários da Escola Infantil Branca de Neve, de Indaiatuba. Agradeço à atenção e colaboração dos adeptos, preletores e funcionários da Regional Rio Bonito, onde foi nosso local de estudo. Ao final desejo expressar o meu profundo agradecimento à minha orientadora, professora Marília G.G. Godoy. Agradeço-lhe pela confiança, incentivo e exigência para a superação de meus limites. Minha admiração e amizade ficam registradas no meu “Muito obrigado.” iii RESUMO A partir do final do século 19 na abertura do Japão ao mundo e sua conseqüente modernização, e imediatamente após a Segunda Guerra Mundial surgiram movimentos religiosos que os estudiosos denominaram de Novas Religiões Japonesas. Esses movimentos religiosos, que resgatam antigas crenças e costumes japoneses dentro de seu cenário religioso com manifestação de traços ocidentais e com caráter universal, expandiram-se e chegaram ao Brasil onde se desenvolveram não somente na colônia japonesa, mas alguns, destacadamente, entre os não-descendentes japoneses. Esses movimentos trazem não só seus conceitos religiosos, como também a cultura e o modo de ser japonês. Entre as Novas Religiões Japonesas este trabalho faz uma reflexão mais aprofundada na Seicho-No-Ie (Lar do Progredir Infinito ou Casa da Plenitude). O poder da palavra torna-se para o fiel o meio de expressão de sua religiosidade e fonte de obtenção de sua realização. Leituras, práticas recitativas, meditação e discurso otimista formam o cenário onde racionalidade e intuição convivem formando um panorama religioso no qual o adepto se insere e se realiza como ser consciente de sua perfeição divina ( Jisso). A SeichoNo-Ie marca suas particularidades por enfatizar a palavra que se expressa em suas práticas religiosas, num contexto pedagógico e na sua dinâmica de difusão. Tornou-se única entre as Novas Religiões Japonesas em relação à sua inserção na mídia virtual, além de a representação brasileira ter liderança destacada no movimento mundial desta religião. O estudo aqui apresentado reflete a produção da palavra, sua originalidade, e contextualizações moderna e pós-moderna expressivas do movimento religioso. Palavras-chave: Novas Religiões Japonesas; Seicho-No-Ie; palavra; orientalização; religião. under a pedagogical context and in its dynamics of diffusion. had expanded and arrived in Brazil where they had not only developed in Japanese colony. The study here presented reflects the word production. Among the New Japanese Religions this work makes a more deep reflection about Seicho-No-Ie (Home of the Infinite Progress or House of the Fullness). . religion. meditation and optimistical speech form the scenery where rationality and intuition coexist forming a religious handscape where the follower inserts himself and is realized as a conscientious being of his divine perfection (Jisso). as well as the Japanese culture and the way of being.iv ABSTRACT Since the end of the 19 century. These religious movements. Readings. and immediately after World War II. recitation practices. in the opening of Japan to the world and its consequent modernization. These movements bring not only their religious concepts.. appeared religious movements that the scholars had called of New Japanese Religions. besides the Brazilian representation to have detached leadership in the world-wide movement of this religion. its originality and modern and postmoderns expressive contextualizations of the religious movement. The Seicho-No-Ie marks its particularities by emphasizing the word that is expressed in its religious practices. The power of the word becomes for the faithful the way of expression of his religiosity and source of attainment of his realization. standing out. but some. among the no descending Japanese. orientalization. Keywords: Japanese New Religions. that rescue old beliefs and Japanese practoces inside their religious scenery with manifestation of occidental traces and universal character. In relation to its insertion in the virtual media it became unique among the New Japanese Religions. Seicho-No-Ie. word. 38 Quadro 3: Movimentos que se formam no Brasil. não seguem uma filiação direta com o Japão e têm formação com raízes japonesas ---------------------------------------.151 Quadro 5: Associações em japonês (divulgação) externas à Regional Rio Bonito --.v LISTA DE TABELAS.151 Figura 1: Emblema da Seicho-No-Ie ------------------------------------------------------Figura 2: Site oficial da Seicho-No-Ie do Brasil -----------------------------------------Figura 3: Visão Administrativa da Sede Central -----------------------------------------Figura 4: Visão Administrativa e Doutrinária na Sede Central ------------------------Figura 5: Visão Administrativa e Doutrinária da Regional -----------------------------Figura 6: Estrutura e Divulgação pela Sede Central -------------------------------------128 141 153 153 154 155 . QUADROS E FIGURAS Tabela 1: Número de adeptos das NRJ no Censo 2000 ---------------------------------Tabela 2: Registros e participantes das Festividades do Santuário Hoozo ------------Tabela 3: Santuário Hoozo – Registros obtidos e metas da Regional Rio Bonito ---Tabela 4: Média mensal de revistas adquiridas para doação na Regional Rio Bonito Tabela 5: Visitas ao site oficial da Seicho-No-Ie do Brasil -----------------------------Tabela 6: Preletores da Regional Rio Bonito ---------------------------------------------- 37 97 97 117 143 161 Quadro 1: Movimentos transplantados do Japão e formação antes da 2ª Guerra Mundial ----------------------------------------------------------------------------------------.38 Quadro 4: Associações em português (divulgação) externas à Regional Rio Bonito .37 Quadro 2: Movimentos transplantados do Japão e formação depois da 2ª Guerra Mundial ----------------------------------------------------------------------------------------. 4 – Cosmovisão espiritualista ------------------------------------------------. – Novas Religiões Japonesas (Shin-Shûkyô) -----------------------------------.vi SUMÁRIO INTRODUÇÃO ----------------------------------------------------------------------------.33 2.75 3.1 – Xintoísmo (Shintô): a mais antiga religião -----------------------------.4.26 2. FUNDAMENTOS E EXPANSÃO DA SEICHO-NO-IE ---------------------------------------------------------------------------------------. – Nova Era: a porta de entrada das religiões orientais ------------------------.63 2.72 3.2 – Meditação Shinsokan: o caminho para o despertar--------------------.1 – Bases hegelianas da doutrina --------------------------------------------.4 – As NRJ e o contexto religioso brasileiro -------------------------------.75 3.19 1.5 – Cristianismo (Kirisutokyô) -----------------------------------------------.68 2.45 3.4 – Crenças Populares (Minkan-Shinkô) ------------------------------------.66 2.11 1.1 – A natureza sagrada do poder divino da palavra ------------------------1.82 5.70 2.85 CAPÍTULO III – A PALAVRA E SUA DIREÇÃO ESPIRITUAL --------------1.71 2.25 2.53 3. – Subjetividade e valores religiosos ---------------------------------------------.1 – O sentido da gratidão -----------------------------------------------------.44 3.4 – Nova Era no Brasil --------------------------------------------------------.24 2.3 – Confucionismo (Jukyô) e Taoísmo (Dôkyô) ---------------------------.2 – Visões da Nova Era -------------------------------------------------------.3 – Erro e moralidade: a inexistência do pecado ---------------------------.2 – Entendendo o fenomêno -----------------------------------------.3 – Culto aos antepassados: o elo eterno ------------------------------------. – Fundamentos da religiosidade -------------------------------------------------.4. – Desenvolvimento da Seicho-No-Ie no Brasil --------------------------------.20 1.15 1.58 2.02 CAPÍTULO I – AS NOVAS RELIGIÕES JAPONESAS---------------------------. – A palavra e o sagrado -----------------------------------------------------------1.64 2.41 3.2 – A palavra e as cerimônias ------------------------------------------------88 90 92 95 .3 – Marcos da Nova Era no mundo------------------------------------------.2 – Budismo (Bukkyô) --------------------------------------------------------.48 3.1 – Origens e influências -----------------------------------------------------.53 3.57 1.55 CAPÍTULO II – ORIGENS.1 –A estrutura do homem --------------------------------------------.1 – Origem das NRJ no Japão e suas propostas de transformação do mundo ----------------------------------------------------------------------------------------.81 4 – Tendências universalistas da Seicho-No-Ie -----------------------------------.77 3.15 1.2 – Expansão e caracterização do contexto religioso das NRJ -----------.3 – Desenvolvimento das religiões japonesas no Brasil-------------------.29 2. – A vida de Masaharu Taniguchi: a revelação da palavra e a formação das bases religiosas -------------------------------------------------------------------------------.2 – O caráter de unicidade e diversidade no pensamento religioso ------.23 1. – Influências religiosas na cultura japonesa: panorama histórico ------------.5 – Nova Era e as Novas Religiões Japonesas -----------------------------. – A palavra e a televisão ---------------------------------------------------------.1.1 – No universo das revistas--------------------------------------------------2.2 – Aprimoramento espiritual num processo educacional ----------------CAPÍTULO IV – O PATRIMÔNIO ESCRITO--------------------------------------1. – Canções da Seicho-No-Ie------------------------------------------------------VI.1 – Literatura infantil -------------------------------------------------2.1 – Revista Fonte de Luz --------------------------------------------2.144 4. – Representações e ordenações das obras --------------------------------------2. – Palavras de Sabedoria para a Educação das Crianças ---------------------V.136 3. – Obras de Masaharu Taniguchi -------------------------------------------------1.1 – Estrutura para divulgação ------------------------------------------------. – A religião e a rede virtual ------------------------------------------------------. organização e difusão --------------------------------------------------. – Glossário -------------------------------------------------------------------------II.vii 2.2 – Literatura jovem --------------------------------------------------2. – Normas Fundamentais dos Praticantes da Seicho-No-Ie ------------------IV.1.143 4.2 – A Verdade da Vida: a obra fundamental -------------------------------2.2 – Revista Pomba Branca -------------------------------------------2.1 – Revista Seicho-No-Ie: o início-------------------------------------------1.3 – Literatura segmentada ----------------------------------------------------2.---------------------------------------------------------------------------I.157 4. – Leituras do caminho sagrado --------------------------------------------------3.1.139 4.3 – Preletor: a presença da pedagogia e do professor ---------------------. – Espaço da mídia oral------------------------------------------------------------.165 BIBLIOGRAFIA ---------------------------------------------------------------------------. – Emissoras de TV que transmitem o programa da Seicho-No-Ie ---------176 176 188 191 192 193 210 .2 – Imprensa -------------------------------------------------------------------2.4 – Temas doutrinários --------------------------------------------------------2. – Poder. – Expansão da palavra: A imagem pública -------------------------------------3.158 CONCLUSÃO ------------------------------------------------------------------------------.1.1.1 – A palavra na educação infantil ------------------------------------------3.2 – O humano na palavra: a preparação do recurso------------------------. – Depoimentos --------------------------------------------------------------------III.5 – Outros meios de divulgação ---------------------------------------------3.2 – Projeção pública da marca religiosa ------------------------------------100 101 102 103 106 107 107 112 115 116 117 120 121 121 122 122 123 124 124 126 126 127 128 129 CAPÍTULO V – A PALAVRA E O SEU PODER NA ATUALIDADE: NOVOS HORIZONTES ----------------------------------------------------------------------.135 2.3 – Literatura feminina -----------------------------------------------2.134 1. – A palavra e a educação ---------------------------------------------------------3.1 – O Emblema da Seicho-No-Ie --------------------------------------------3.3 – Revista Mundo Ideal ---------------------------------------------2.1.4 – Literatura sagrada ------------------------------------------------2.169 ANEXOS---------.1. – Sutra Sagrada “Chuva Néctar da Verdade” ---------------------------------XI. – Coleção A Verdade da Vida (Seimei no Jisso) ---------------------------IX.viii VII. – Fotos ----------------------------------------------------------------------------212 221 223 224 240 . – Locais de Reuniões da Seicho-No-Ie---------------------------------------VIII. – Livros Infantis -----------------------------------------------------------------X. Academia Espriritual de Ibiúna A SEICHO-NO-IE DO BRASIL NO CONTEXTO RELIGIOSO DAS NOVAS RELIGIÕES JAPONESAS: CULTIVO E DIVULGAÇÃO DA PALAVRA Quadro do Jisso (Imagem Verdadeira) Emblema da Seicho-No-Ie . como um som sublime e suave.Não é possível conhecer a Verdade através da inteligência cerebral. no leve sussurro da alma. que sentimos na quietude. discutindo. Masaharu Taniguchi . Não é algo que possamos obter buscando intelectualmente. Ela se manifesta do fundo da alma. quase inaudível. A Verdade não se encontra numa violenta tempestade nem numa chama que arde com furor. debatendo sobre isso. pesquisando. acentuando-se imediatamente após a 2ª Guerra Mundial. Este estudo não está voltado somente ao registro dos aspectos de religiosidade e das crenças que fazem sentido no contexto de valores religiosos de origem japonesa. e de forma marcante retrata a presença de adeptos nãodescendentes de japoneses. Esta dissertação está voltada a entender como as NRJ constroem um espaço de aceitabilidade para pessoas não descendentes de japoneses na criação de um universo expressivo de comunicação. Esta idéia recusa as antigas visões de ver o sincretismo cultural um universo de natureza essencialista da cultura dando prioridade ao universo relacional em que os enfrentamentos sociais ocorrem. oriundos do mundo cultural oriental.NRJ. este trabalho baseia-se nas idéias deste conceito conforme Ferretti. também denominadas Shin-Shûkyô. igualmente. Deve-se considerar que neste cenário encontram-se culturas contrastantes: religiões de procedência oriental japonesas e seu público que. As NRJ surgiram no Japão nos meados do século XIX. Este crescimento destaca-se a partir da década de 1970. Em relação ao sincretismo.2 INTRODUÇÃO Este trabalho visa a refletir sobre um fenômeno que vem sendo evidenciado nos censos demográficos. Este universo tem-se ampliado e atraído um público simpatizante cada vez maior em razão dos temas tratados. tornam-se um atrativo para apoiar uma adesão de religiosidade e permitem compreender a dinâmica do sincretismo. Para esse autor a noção de sincretismo apóia-se num universo de significação e compreensão simbólico com que o grupo social incorpora valores. Integrando-se à diversidade religiosa no Brasil. via de regra. . As NRJ. abrangendo a era Meiji (1868-1912) e. Este grupo de religiões japonesas foi denominado por estudiosos como Novas Religiões Japonesas . Pretendese. aparece um grupo de religiões de origem japonesa que se expande cada vez mais. verificar como tais valores. expressam um movimento de renovação de valores de espiritualidade tradicional no momento de modernização da nação japonesa. é de egressos do catolicismo brasileiro. em contraposição às religiões tradicionais do Japão.3 O caráter de modernização que caracterizou a época do surgimento destas novas religiões indica uma tendência para aspectos da vida material. aliadas ao sincretismo próprio das NRJ.que permeia suas doutrinas e uma posição conciliatória com as demais religiões . O perfil do fundador ao permear seu movimento religioso. As influências sobre Masaharu Taniguchi. esse sentido étnico está voltado aos valores tradicionais. em 1º de março de 1930. com recursos próprios. Para realizar este estudo escolheu-se. imprimiu-lhe uma postura religiosa educativa em que práticas espirituais convivem numa atmosfera de estudo através de uma gnose que procura conciliar razão e religião. a valorização das crenças tradicionais e a edificação das NRJ ganharam um sentido étnico no Japão moderno. Nesta dinâmica. dentro desse grupo. visto como aquele que possui o poder de criar no mundo as . o fato de seu fundador ter tido influências religiosas e culturais tanto de seu país como do Ocidente. das influências técnicas e do estilo de vida marcado pelo consumo e pelo individualismo. uma das religiões que têm grande aceitação entre os brasileiros: a Seicho-No-Ie. e deste modo o sincretismo . Tornou-se marcante.permite a assimilação dos novos valores e a universalização de seus ensinamentos. A Seicho-No-Ie foi fundada no Japão por Masaharu Taniguchi em 1929. Foi esta a demanda que ocorreu no Brasil. Assim. Nesta perspectiva há uma ênfase na natureza divina do homem. sobretudo em seu expansionismo. dando-lhe características filosóficas e científicas. Neste trabalho. Trata-se de uma visão universalista que acompanha as NRJ. na força desse movimento religioso. as NRJ expandem fronteiras para locais onde as raízes culturais possam estimular novas adesões num processo de transnacionalização da religião. que começou a ser redigida em 1929. mas adaptados e não conflitantes com os modernos. mobilizado para esclarecer a essência de todas as religiões. da revista “Seicho-No-Ie”. filho de Deus. à cultura de outros países do Ocidente. tendo projeção social no lançamento. características de um processo de ocidentalização peloqual o Japão passou ao abrir-se. ao criar a visão do homem. Os estudiosos da Seicho-No-Ie também registram o caráter fundamental desta religião. A dinâmica do movimento ficou seriamente comprometida. em sua modernização. fizeram com que a Seicho-No-Ie abrangesse vários assuntos dentro de uma linha doutrinária. como hoje o termo é conhecido. encontros.4 melhores condições de expressão do modelo divino.toda uma cultura japonesa. algo como seu fundador sempre a definiu. O pólo representado por uma forma específica de educação complementa o caráter pedagógico expresso. é um caminho de transmutação e de veneração de idéias para aqueles que se vêem na prática da palavra. Derivando do tema palavra-educação. a coleção “A Verdade da Vida” (Seimei no Jisso). A origem universalista da Seicho-No-Ie e seu caráter de essencialismo unindo as religiões impõem-se como o tema de ser essa religião “uma filosofia”. cursos e reuniões de estudos. O significado do termo Jisso constitui na doutrina de Masaharu Taniguchi a sua premissa básica. como prática e estudo. No Brasil o processo de expansão religiosa ocorreu inicialmente no interior da colônia japonesa. Estas formas de concentração engendram muita atenção e exercício intelectual dos membros que se vêem irmanados no ambiente das leituras e de exercícios espirituais. encontra mais que um universo religioso . no qual o homem também se insere. revela-se a questão conhecida como orientalização da cultura. Ele consiste no aspecto real ou na imagem verdadeira. através de discurso. valores e costumes de uma realidade diferente da sua. quando aumentou a afluência de descendentes não-japoneses. A principal obra literária de Masaharu Taniguchi. Destaca-se como representação da compreensão religiosa o uso da palavra. e expressa a verdadeira essência do homem e de todos os seres. Assim se processa a orientalização que perspassa costumes e valores e tem na palavra. participação e leitura. Teve sua maior divulgação a partir da década de 1970. ao entrar em contato com uma NRJ. Sua busca religiosa volta-se para o entendimento dos símbolos. Os estudiosos consideram valiosa esta representação para elucida as questões a ser discutidas. Tem-se mesmo a impressão de uma dimensão pedagógica que se insere na demanda religiosa. Há uma programação intensa de seminários. chamado de Jisso. mas após a década de 1950 difundiu-se entre os brasileiros. O novo adepto. o seu grande foco de identificação e inserção neste novo mundo cultural-religioso. Ao lado dessas tendências é notável uma aproximação da Seicho-No-Ie com seus adeptos. . trazem suas características que. como serão analisados. capacidade de ação comunitária. segundo a visão culturalista de antropologia indica caminhos para esclarecimento do modo japonês que é absorvido e aceito por adeptos não-japoneses. elaborada durante a Segunda Guerra Mundial. tornam-se atrativas aos brasileiros. reverência à natureza. obediência. A obra literária de Masaharu Taniguchi. apreço à educação. Diante desses valores. Acredita-se que um processo educacional focado nas possibilidades e aplicabilidades do uso da palavra possa situar os adeptos num universo religioso pretensamente oriental. valores morais. os quais formam a maioria dos crentes. valores da cultura japonesa são cultivados nas NRJ. conseguindo ser efetivo numa proposta de transformação da pessoa. Sabe-se através de estudos realizados por Ruth Benedict e Leila Marrach Bastos de Albuquerque.seu patrimônio escrito no qual estão valores de sua origem japonesa. supremacia da mente sobre o corpo. ao se adaptarem ao novo meio. preparando-a para uma cultura em que se insira mediante uma convicção de verdade. A Seicho-No-Ie apesar do seu forte sincretismo. que a cultura japonesa tem como centro: hierarquia. Ruth Benedict é um importante referencial para situar o caráter e o pensamento que são visíveis no uso da palavra. ser um elemento que “ameaçasse” as bases dessa doutrina. mantém intacta a base que sustenta sua identidade e doutrina. ao fazerem parte do cenário religioso e cultural do Brasil. ao estudar essa religião é pertinente abordar como esse universo envolve e se impõe aos brasileiros. adeptos da cultura japonesa pela via religiosa descrita. que é o legado de Masaharu Taniguchi . sacralizada junto aos fiéis pela atribuição de seu caráter revelador e divino. A obra. As Novas Religiões Japonesas. A questão central deste trabalho é entender como a Seicho-No-Ie e as NRJ criam um espaço onde os não-descendentes de japoneses assimilam novos valores através do uso da palavra. O sincretismo poderia. e suas iniciativas de aproximação da cultura e religiosidade brasileiras. mantém a doutrina da Seicho-No-Ie permeada pela cultura e religiosidade do Japão. de paciência. quando exprime elementos como a crença na perfeição divina . mas. constância e dedicação ao trabalho. onde a Seicho-No-Ie se inclui. numa primeira análise. ao contrário. contribui adicionando elementos num “corpo” que se mantém íntegro.5 Nesta perspectiva de acolhimento do adepto. próprio das NRJ. permitiu a conquista de adeptos e o fortalecimento desse centro para a difusão desse movimento religioso. a purificação. retrata dados fundamentais e esclarecedores sobre outras NRJ. A comissão para a construção foi instalada em 9 de junho de 1984 e a inauguração da regional aconteceu em janeiro de 1986. Desde essa época esse local serviu de meio de congregação de fiéis e simpatizantes da Seicho-No-Ie. Hiranclair Rosa Gonçalves. Escolheu-se a Regional Rio Bonito. Neste contexto. campanhas de divulgação na região. quando os responsáveis pelas reuniões para descendentes de japoneses e no idioma japonês da Regional Santo Amaro compraram o terreno onde hoje é a sede. Durante dois anos o autor desta pesquisa observou sistematicamente as práticas religiosas empregadas nesse local. seminários. é importante e esclarecedora a obra de Ronan Alves Pereira. O histórico deste local remonta a 22 de maio de 1981. e principalmente. As dinâmicas próprias e conjuntas destes dois grupos . No tocante à transmissão da cultura japonesa pelas religiões e ao estudo do perfil do adepto. o modelo de perfeição. em que a palavra se torna meio e fim a serem preservados. Quanto às religiões japonesas. ele reconheceu que o trabalho ficou mais comprometido com a freqüência às reuniões voltadas à divulgação em português.6 (Jisso). Sabedor de que os eventos desenvolvidos valorizam o idioma e representações próprias do meio originário japonês e que foi preciso criar adequações para o novo público. em primeiro lugar. a supremacia da mente sobre o corpo e o ambiente. a Messiânica e a Perfect Liberty (PL). festividades e atendimento individual aos que procuravam ajuda para solução de seus problemas . poderão ser mais bem compreendidas a partir de um local de referência para estudo deste movimento religioso. uma pesquisa bibliográfica sobre o tema. As explicações sobre a forma como as NRJ e a Seicho-No-Ie criam um espaço cultural de religiosidade e envolvimento dos adeptos. cursos. que contemplou trabalhos acadêmicos e a literatura confessional. entre descendentes e não-descendentes de japoneses. em suas duas teses de mestrado defendidas na PUC. trata-se de um núcleo gerador da própria autenticidade religiosa. a atribuição de poder no uso da palavra. Este estudo levou em conta. o valor do sentimento de gratidão. que possui uma grande e conceituada produção sobre o assunto.com reuniões. será . um dos lugares de reuniões e eventos da Seicho-No-Ie situado na região sul da cidade de São Paulo. que trata da relação de poder existente na Seicho-No-Ie do Brasil em “Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil”. onde analisa o modelo de poder familiar. publicação de censos e sites na Internet. os meios de reprodução e perpetuação do legado do fundador desse movimento religioso. com seu estudo sobre os padrões da cultura japonesa. A segunda dissertação foi a da profª Leila Marrach Basto de Albuquerque que. patriarcal. Tomita e Geraldo José de Paiva. Em relação à cultura japonesa. Teve-se que recorrer à Superintendência de Comunicação da sede central da Seicho-No-Ie para a obtenção dos dados relativos à inserção religiosa na mídia. S. O professor Koichi Mori e seus estudos também são fontes importantes para o estudo proposto. fundamentalmente. ao dar continuidade ao trabalho de Mayeama. carismático e burocrático que tem.7 utilizada a produção de Andréa G. Ferretti e Roberto Da Matta. em 1967. Edmond Rochedieu. que abordou o pensamento japonês. Através da sociologia da religião o autor classificou a Seicho-No-Ie e mostrou-a como um movimento religioso que preserva o patrimônio étnico-cultural. Até o momento desta pesquisa. e Ruth Benedict. no discurso e na retórica. Em seguida foram coletadas informações estatísticas e de produção variada concernentes ao tema em diversas fontes. No estudo acadêmico sobre a Seicho-No-Ie existem poucos trabalhos desenvolvidos. sendo que a pioneira foi a de Takashi Mayeama. obediência e salvação. abordando o imigrante japonês com suas dificuldades de adaptação e a religião dentro da colônia. tais como: periódicos. para entendimento da visão nipônica do mundo destacam-se: Hitoshi Oshima. baseou-se nas obras de Sérgio F. é dela o único livro acadêmico sobre esse movimento religioso: “Seicho -No-Ie do Brasil: agradecimento. além de abordar a tensão entre “derrotistas” e “vitoristas” sobr e a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial. com sua obra sobre o xintoísmo. . Em temas relativos à religiosidade ressaltou-se um autor destacado e que constará deste estudo: Mircea Eliade e. abordou a visão dessa religião na sociedade brasileira em “Seicho-No-Ie: um estudo da sua penetração entre os brasileiros”. No Brasil só foram encontradas três dissertações de mestrado. em especial ao sincretismo religioso.” A terceira dissertação é de Ediléia Mota Diniz. coleções. A participação do pesquisador nos cursos. Atualmente a produção em língua portuguesa está em torno de 200 itens. além da difusão da doutrina. periferia de São Paulo. A importância dada a essa obra literária. e assim eles compartilhavam e aprendiam sobre a palavra tendo presente um universo de valores que se configuravam em suas experiências. com o objetivo de entender como os adeptos constroem os significados da religiosidade. na periferia. dentro do contexto da doutrina e na dinâmica da inserção do adepto a esse meio religioso. Nesta abordagem metodológica devem-se mencionar as experiências da vida pessoal do pesquisador. na zona leste. constitui por si motivo de análise. a Regional Rio Bonito. Como resultado elaborou-se um capítulo relativo à mídia. A quarta iniciativa indica uma observação participante.8 Esta pesquisa conseguiu informações sobre a atuação desse movimento religioso no rádio. Esse local se destaca pela intensa rotina de trabalhos religiosos compreendida por pautas de reuniões. Realizaram-se entrevistas com membros e seguidores desta religião no lugar de pesquisa acima citado. incentivar a criação e manutenção de locais de divulgação denominados associações. . e tem como objetivo. cursos e discussões de obras. A aprendizagem e convívio disciplinado nos encontros tornaram rumos de uma reflexão contínua que agora pode ser traduzida em termos desta pesquisa. que começava a ter uma expansão significativa na sociedade brasileira. que em sua maioria são do fundador Masaharu Taniguchi. A terceira abordagem adotada foi o estudo dos livros da Seicho-No-Ie. seminários. Desde a adolescência na década de 1970. proveniente da classe média. televisão e Internet. Existe uma diversificação tanto na segmentação de público quanto de temas abordados. dando-lhes todo o apoio organizacional e doutrinário. em sua maioria. cerimônias e festividades constituiu experiências significativas que serviram de referencial para este trabalho. As experiências e os novos valores difundidos nesses encontros reverberavam em suas mentes. Trata-se do estudo das atividades e dinâmicas no local citado como referência. com uma população. da zona sul de São Paulo. Tal estrutura está implícita numa hierarquia complexa que completa a estrutura organizacional deste movimento. a matriz. É chamada de Regional na ordenação por responder diretamente à organização central. ele via seus pais com os demais vizinhos se dirigirem às reuniões da Seicho-NoIe. deu-se um rumo ao conteúdo dos capítulos a seguir. A partir do uso da palavra pretendeu-se exibir a ordenação de um universo de valores que se tornou central diante de uma projeção desta religião. pretendeu-se ordenar o histórico. e dentro deles. Simultaneamente à abordagem sobre as Novas Religiões Japonesas procurou-se mostrar a cultura e o pensamento japoneses que permeiam toda a manifestação religiosa deste povo. em particular aos não-descendentes de japoneses. o objeto de estudo constituiu nessas religiões em que se insere a Seicho-No-Ie. Mostrou-se como as obras literárias tornamse o foco principal de difusão e práticas espirituais. Neste sentido. o desenvolvimento. um movimento que começou na década de 1960 e facilitou o movimento de orientalização. Abordaram-se as suas práticas espirituais e a importância que dá à educação. No capítulo I – As Novas Religiões Japonesas. com sua formação e influências recebidas. presente nas publicações da Seicho-No-Ie. e o uso da palavra como objeto de poder transcendental e doutrinário. e posteriormente a difusão de ensinamentos no Brasil. aqueles que facilitam seu entendimento e aceitação pelos brasileiros. imprimiu como uma característica principal a sua posição pedagógica ao movimento. a Seicho-No-Ie: um movimento religioso japonês derivado da religião Oomoto. com destaque para as de Masaharu Taniguchi que. teve-se como finalidade caracterizar o objeto deste estudo. examinou-se a importância da palavra na doutrina da Seicho-No-Ie. O . Foram vistos os pontos principais de sua doutrina. Destacou-se a segmentação de público existente nas NRJ.9 Diante destas questões. Destaca-se também a compreensão da Nova Era. assim como mostrar os pontos relativos à religiosidade e à cultura japonesas. No capítulo IV – O Patrimônio Escrito. enfatizou-se a produção escrita da SeichoNo-Ie e a imagem pública por ela produzida. que foram e ainda são facilitadoras deste fenômeno religioso. No capítulo II – Origens. os elementos facilitadores da inserção das religiões deste grupo que tiveram sucesso na sua expansão em países ocidentais. Procurou-se abordar. evidenciada na pedagogia de Masaharu Taniguchi. e assim fornecer subsídios necessários à compreensão da Seicho-No-Ie e sua atuação. Fixou-se a atenção no panorama brasileiro e em suas particularidades. expansão e fundamentos da Seicho-No-Ie. No capítulo III – A palavra e a sua direção espiritual. dentro do histórico e características que lhe são inerentes. a ter tal visibilidade. que ficou expresso para os adeptos como uma filosofia. Seguindo sua própria gênese. Esta reflexão tomou o rumo de uma consideração filosófica.o último. Diante dessas considerações. lembrando ser ela a única em seu grupo. a atenção se voltou aos novos meios de comunicação que a Seicho-No-Ie passou a utilizar e que a deixaram mais visível e difusa no cenário religioso brasileiro. já que uma religião e sociedade estão sempre num processo dinâmico de mútua influência. pois os fiéis constantemente retratam-se como filiados a uma “filosofia de vida”. Eles definem um público moldado por uma das NRJ que conseguiram mobilizar um espaço de reflexão da palavra.10 caráter sagrado atribuído à obra de Masaharu Taniguchi dentro desse movimento religioso tornou-se um marco certo de reflexões. A projeção da palavra como marca da identidade coletiva e expressão da religiosidade foi um meio de esse movimento inserir-se na atualidade. a Seicho-No-Ie foi recriada para compreender a essência humana inserindo-a como reflexão para seus adeptos. o das NRJ. Nessa nova dinâmica foram abordados os efeitos das novas mídias em sua estratégia de divulgação e aspectos doutrinários. . No capítulo V – A Palavra e o Poder na Atualidade: Novos Horizontes . esta dissertação pôde-se refletir sobre o espaço de valores culturais orientais introduzidos na cultura brasileira. Ronan Alves Possessão por Espírito e Inovação Cultural. pp. 23-28. e para tanto há a necessidade de conhecer as principais tradições religiosas do Japão1. mas é necessário identificá-los em cada circunstância que se expressa e.AS NOVAS RELIGIÕES JAPONESAS Neste capítulo o intuito é entender as Novas Religiões Japonesas. Mescla (Mistura) (Junção) Hibridação (Junção) Correspondência Fusão Mistura = Ligação = Amálgama Paralelismo = Semelhança Justaposição Convergência Adaptação = Sobreposição = Reunião = Acordo Contigüidade (Junção) Confluência Concordância harmoniosa Entende-se. como Ferretti. 2 Junção = União Confluência Associação Fusão social Caldeamento Cruzamento Equivalência Lado a lado Aproximação Concentração Acomodação Aglutinação Simbiose. 90. O termo sincretismo surge para afirmar significados religiosos que são interpretados nos meios onde eles se manifestam.11 CAPÍTULO I . Ferretti faz um balanço dos principais usos e sentidos desse termo. Repensando o Sincretismo: Estudo sobre a Casa das Minas. para 1 2 PEREIRA. Ao analisar as NRJ vê-se que elas dentro das características da religiosidade nipônica. onde esse grupo se insere. p. que nem todos os significados acima estão sempre presentes. o entendimento deste fenômeno faz-se necessário para uma análise desses movimentos. Sérgio F. estabelecendo um sincretismo próprio do caráter religioso japonês. não foram contra nenhuma das religiões tradicionais. . Em relação ao sincretismo que existe de forma marcante neste grupo religioso. FERRETTI. 2 – paralelismo ou justaposição. como ainda modelaram sob muitos aspectos a alma japonesa.C. apesar de alguns historiadores discordarem desse fato. de acordo com Rochedieu. 3 – convergência ou adaptação. faz-se. que não só trouxeram ao Japão valores espirituais e artísticos incomparáveis. 1 – mistura. 4 Para contextualizar as NRJ no panorama religioso japonês. .C. 45-46. datado de 712 d. S. O documento escrito mais antigo da história japonesa é o Kojiki (Anais das Coisas Antigas). p. que. ROCHEDIEU. pp.. vindo da China. em particular o confucionismo e o taoísmo. F. b) o budismo. e que era um budismo fortemente impregnado pela cultura chinesa. 91.C. Edmond Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. Do Japão pouco se sabe antes dos séculos IV e V d. o primeiro imperador foi Jimmu Tennô. dentro de um período que possa dar o entendimento necessário. é importante iniciar este estudo sabendo.. junção. ainda na língua turaniana. a partir do século VI d. situando a fundação do Japão no século II a. c) a cultura chinesa. ou fusão. Na tradição oficial. Antes de mostrar as características principais das religiões estabelecidas no Japão. quais os fatores que exerceram papel preponderante no desenvolvimento das religiões japonesas: a) a antiga cultura indígena do povo japonês. Esta data é comemorada como festa oficial. Repensando o Sincretismo: Estudo sobre a Casa das Minas. ou no início da Era Cristã. penetrou no Japão através da Coréia. o autor estabelece três variantes 3 a partir de um caso hipotético de nãosincretismo: 0 – separação. um breve resumo sobre a história do Japão desde a sua origem até imediatamente após a 2ª Guerra Mundial. 3 4 FERRETTI.12 uma melhor análise. no século VII a.C. realizando a unidade política e fundando o império japonês em 660 a. com base em Rochedieu.C. Teria ele partido da ilha de Quixu e conseguido conquistar a planície de Yamato e a zona central do Japão. pertencente à família lingüística japonesa. Nesta época surgiu a escrita japonesa com os caracteres ideográficos chineses.C. não-sincretismo (hipotético). objetos e relações.13 Dados arqueológicos comprovam achados que permitem remontar ao ano de 500 a. A partir da necessidade de se ter menos caracteres. na adaptação à língua fonética japonesa a pronúncia teve uma grande importância. A hereditariedade não era só reservada à dinastia imperial. como resultado da disseminação da cultura chinesa no Japão foi adotada a escrita chinesa e deste modo. com seu centro difusor. têm-se de acordo com vasta documentação. Em relação ao período do antigo Japão é interessante saber que os soberanos que sucederam a Jimmu Tennô. essas famílias têm importância fundamental na compreensão da história do Japão. durante mil e duzentos anos se esforçaram para consolidar sua obra de unificação do Japão. o primeiro imperador foi chefe de um desses grupos. quando se fundou o antigo Japão tendo Nara como capital. surgiram dois sistemas de escritas para o idioma japonês. Neste período o regime social era patriarcal. mais provavelmente. mas indicando a pronúncia que faz distinguir a idéia ou objeto em questão. No período compreendido entre o século VI da Era Cristã e o fim da 2ª Guerra Mundial. O clã correspondia à forma da estrutura social que também ordenava seus próprios artífices e escravos. Desse modo. É válido ressaltar que enquanto os ideogramas chineses por si expressam as idéias.C. e estava incorporado a essa estrutura o kami (deus) do grupo. o seu chefe e o seu antepassado comum. existindo clãs e possuindo cada um. somente a partir dessa época é que o japonês pôde registrar em documentos a sua história e o seu pensamento. que descendam do povo autóctone do Japão. como também a esses clãs. Em documentos escritos existe a distinção entre várias épocas na história do Japão. seis períodos distintos na história japonesa: . como exemplo. a província de Yamato. em 710 a. no norte da ilha de Hocaido. Jimmu Tennô..C. Os ainus atualmente encontram-se dispersos na ilha de Hocaido (Japão) e ilhas Curilhas e Sacalina (Rússia). A primeira foi lendária e mítica e se encerrou com o aparecimento do primeiro imperador. considerados um ramo da raça branca ou. Existe um fato importantíssimo ocorrido nesse período e marcante na história do Japão: nos meados do século V.. A importância do clã era tão relevante que. quando o país estava ocupado pelos ainus.Em seguida houve a instauração do poder imperial. Essa atitude refletiu na reforma de administração e de instituições com base no modelo chinês. Este período terminou no final do século VIII e no florescimento da primeira capital do país. Hiroito. após sofrer com duas bombas atômicas a sua rendição. É dentro deste contexto histórico que se pode situar os principais movimentos religiosos no Japão. em 1853. vindo da China pela Coréia. O budismo entrou no Japão em 552. Este período caracterizou-se pela recuperação do poder pelo imperador Mutsuhito. o comodoro americano Perry foi autorizado a desembarcar e em 1859 foi assinado um tratado com os Estados Unidos. inaugurando o regime dos xóguns. que adotou o nome de Meiji (governo iluminado). sendo seu sucessor o imperador Hiroito. conseqüentemente. Em 3 de novembro de 1946 foi promulgada uma nova Constituição. que se tornou hereditário com a família Tokugawa. Neste período. O país enfrentava um regime feudal e adotou uma posição isolacionista cultural e comercial.14 De 552 a 794 denominou-se período budista. De 1615 a 1868 estabeleceu-se a era Iedo. Iniciou-se a modernização do Japão e. foi Shotoku Taichu (595-621). na época. Com a morte do imperador Meiji em 1912. Nesse período o Japão assumiu grande importância no cenário mundial. a sua abertura para as influências externas. em capital do país. que se encerrou quando de seu envolvimento na 2ª Guerra Mundial. Em 1868 ocorreu a restauração do poder imperial. assumiu o poder o imperador Taixô que faleceu em 1926. transformou Iedo. atual Tóquio. . As eras Taixô e Xôwa. De 794 a 1615 houve o estabelecimento do xogunado. sendo a Minamoto a que viria tomar o poder em 1815. O príncipe que favoreceu sua expansão. O fato mais relevante nesta Carta Magna japonesa foi a instauração do regime democrático e a perda das prerrogativas imperiais pelo imperador. Nara. e no decorrer do século IX e princípio do X houve um enfraquecimento da autoridade imperial em proveito das grandes famílias. os quais estão presentes nas raízes das novas religiões. O xogunado. Aconteceu neste período a transferência da capital para Quioto. bem como a própria cultura chinesa. Aconteceu a transferência da capital de Quioto para Tóquio. 8 ROCHEDIEU. Rochedieu elucida: “O termo xintô. Op. 7 OSHIMA.. a „via dos deuses‟. O xintoísmo pode-se apresentar sob vários aspectos8: 5 6 PEREIRA. e nem um livro sagrado próprio. taoístas. cujo significado é idêntico. no século XI. que se recria e enriquece numa dinâmica própria. Na sua constituição pode-se dizer que possui elementos nativos (cultos de elementos da natureza. H. ativo e contraditório. 1. acima citado. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. só tardiamente foi criado. Os próprios japoneses não deram grande uso ao termo e preferiram a expressão kami-no-michi. E. p. animismo) e de estrangeiros (budistas. para distinguir. na identidade de seu povo e na vida social desse povo. A. p. 5 é a mais antiga tradição religiosa do Japão e considerada uma religião autóctone e de origens obscuras.1. como disse Hitoshi Oshima7.15 1. do budismo importado da China e da Coréia. Esses componentes formam um universo diversificado. 55.cit. o conjunto dos cultos e crenças indígenas. ROCHEDIEU. fundador. Xintoísmo (Shintô): a mais antiga religião O xintoísmo. Influências religiosas na cultura japonesa: panorama histórico A religiosidade no Japão está presente em seus mitos de criação. nativas e estrangeiras. Possessão por Espírito e Inovação Cultural. R.” 6 A criação do termo Shintô. E. mas diferentemente de outras não possui data de fundação. é um exemplo que mostra. pp. 55. adaptado do chinês xin-tao. Como religião tem suas cerimônias e seus cultos. O pensamento japonês. conforme Ronan Alves Pereira. que o xintoísmo como religião apareceu depois da introdução do budismo no Japão. 23-24. O cenário religioso japonês é composto de diversas tradições religiosas. O termo Shintô começou a ser utilizado no Japão para distinguir crenças autóctones perante o budismo e o confucionismo. . confucionistas). A presença das entidades designadas kami. pp. as mais antigas fontes literárias. que foi absorvido pelas novas religiões em 1945. 30-31. que foi a religião da era anterior. R.16 a) O xintô do Estado ou oficial.. d) O xintô das seitas (Kyôha-Xintô). H. Deste modo. o governo tentou reviver o culto do imperador. O governo da era Meiji desejou separar o xintoísmo do budismo. e ao mesmo tempo desenvolver um xintoísmo nacionalista (Kokka Shintô). Op. o xintoísmo puro livre de influências externas. 11 ROCHEDIEU. c) O xintô acadêmico (Fukko-Xintô) é aquele pelo qual estudiosos procuram. quando contava com 160 seitas. e) O xintô popular (Minkan-Xintô). que compreende que os deuses. por pesquisas literárias ou filológicas. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. o Japão. mas o sentido mais profundo é o de expressar algo supremo. que ao mesmo tempo exibe um caráter monoteísta quando mostra que uma única divindade pode se manifestar de várias formas 10. elevado 11. as NRJ tiveram origem em meados do século XIX na era Meiji. Jinja-Xintô. E. o povo e o imperador são parentes por terem antepassados comuns.cit. 9 PEREIRA. Tokugawa. 45-46. com suas crenças e práticas ligadas às divindades tutelares e domésticas. que é o mais espontâneo e puro. que alguns traduzem equivocadamente como deus. que tem nos cultos e cerimônias celebradas pelo imperador o objetivo de este manter a harmonia com os deuses. OSHIMA. 63. mas esta separação não aconteceu de fato no meio do povo. 10 . Na mitologia de Kojiki existem oitenta mil deuses num mundo complexo politeísta. Nesta era o governo adotou o xintoísmo como religião oficial com o intuito de unificar Estado e Religião. e no Nihongi (Crônicas do Japão) em 720. os japoneses entendem como espíritos invisíveis e poderosos de seres da natureza ou de pessoas falecidas para as quais se prestam reverências. Em termos históricos. A. b) O xintô da Casa Imperial (Kôxitsu-Xintô). p. Possessão por Espírito e Inovação Cultural.9 As narrativas míticas da tradição xintoísta foram registradas por escrito nos livros Kojiki (Anais das coisas antigas) em 712. pp. que são as divindades que regem a natureza. ROCHEDIEU. como a lenda de Izanami e Izanagi. E. p. o mundo em seus primórdios era semelhante ao mar e chamado de jindaishi (idade dos deuses). passando seis gerações. “a natureza é bela e contemplá-la eleva a alma” . irmão e irmã. e então a mergulharam no caos de mar que se agitava por baixo deles. também chamado de Kunitokotachi-no-mikoto ou Ushitora no Konjin. 13 . A purificação no xintoísmo está totalmente vinculada à sua mitologia. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. é visto. sendo associada à própria natureza de determinados deuses. o destaque dado à purificação. marido e mulher. 14 GONÇALVES.12 Uma característica considerada essencial no xintoísmo é a purificação. p. após terem consultado os demais receberam desses uma lança celeste. no drama de Izanami e Izanagi.. e após vários deles terem surgido. 39-40. era fluida e os deuses ( kami) brotavam como plantas de seu solo. Amaterasu. Kamimusubi e o iniciador da epopéia da criação: Ame-no-minakunushi. pp. demiurgos femininos e masculinos. por sua vez. Izanagi representando o princípio masculino e Izanami. antepassada da dinastia dos imperadores e fundadora mítica do Japão13. 14 De acordo com o Kojiki.85.cit. sendo ambos. e deste modo criaram o mundo representado pelas ilhas que constituem o arquipélago (referência óbvia ao Japão). Izanami e Izanagi foram nele morar. furioso. 15 Izanagi. apareceu o casal Izanagi e Izanami. O Fascínio do Johrei: um Estudo sobre a Religião Messiânica no Brasil. ao mesmo tempo. segundo Kojiki. 62. de onde 12 Idem. o feminino. A purificação do corpo e da alma é condição essencial para se entrar em contato com os kami. E. Estes deuses. Hiranclair R. de comunhão com a natureza. 15 ROCHEDIEU. p.17 O xintoísmo expressa uma relação harmoniosa. sendo o mais reverenciado. cortou a cabeça do deus do Fogo. Entretanto. A terra. Pairavam sobre este mar três divindades que nasceram sós e depois se ocultaram. a deusa do Sol. Op. Eram Takamimusubi. Após criar esse arquipélago. sem dúvida alguma. Através da mitologia da criação do mundo. 65. Naquele momento o mundo era um grande caos primordial sendo terra e céu unos. respectivamente. e o casal lá teve dez filhos . aconteceu uma tragédia quando Izanami deu à luz o deus do Fogo: ela morreu queimada e foi para o mundo subterrâneo dos mortos. Nessa visão. teve de se lavar para se purificar das impurezas relativas à morte. Susano-o-Mikoto (a tempestade). 94. chocado. p. retrata-se na sua designação “religião de purificação. Permanecer no estado normal – e normal significa neste caso o comportamento que deveríamos ter. Além disso.com sua mitologia e seus inúmeros deuses em manifestações múltiplas de um único deus. o culto à natureza e a importância dada à purificação . que recebeu o império do oceano. Apesar disso ele a quis levar de volta. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. ao chegar à terra. o de reencontrar esse estado normal. obter ajuda e influência destes e alcançar a felicidade. a purificação. e foi atrás de sua esposa para trazê-la de volta. 93. Idem. O profundo sentido da purificação xintoísta é. e deste modo.”16 A relação desta purificação com a conduta humana expressa-se no esforço do homem em manter um comportamento próximo ao dos deuses. sua reverência aos kamis. Izanagi. A prática fundamental do xintoísmo.traduz mais do que a religião para mostrar o fundamento do pensamento mítico japonês. enquanto afastar-se do estado normal significa fazer o mal. e desse ritual de purificação nasceram outros deuses. das manchas existentes em várias partes do seu corpo nasceram muitos outros kamis (deuses). novos kamis. a norma que se impõe a cada um – representa o bem. viu Izanami com o corpo podre e totalmente infestado de vermes. 17 O xintoísmo . . O tema foi objeto de estudo de Hitoshi Oshima em seu livro O Pensamento Japonês: 16 17 ROCHEDIEU. indispensável a quem quer prestar aos deuses um culto que eles aceitem. por conseguinte. Tsukiyomino-Mikoto (deusa da Lua). A purificação. p. mas teve de fugir perseguido por ela e pelos espíritos infernais.18 nasceram dezesseis divindades. torna-se a necessária preparação para todo o ato de adoração. E. Trata-se de um pensamento em que a negação e a contradição não existem. desembaraçando os fiéis da influência perniciosa dos espíritos malignos que sem cessar labutam em volta do homem. Do seu olho esquerdo nasceu Amaterasu-o-Mikami (deusa do Sol). Neste contexto ele está fundamentado em bases diferentes do pensamento dito ocidental. do seu olho direito. mas lá chegando. do seu nariz. p. A.. De modo que.. Visa-se a atingir um estado de iluminação espiritual OSHIMA. não encontraremos nele um desenvolvimento dialético. como ocorre no Ocidente. O budismo foi praticamente erradicado após a invasão islâmica na Índia. O pensamento japonês. o budismo é definido como: [.C.] uma religião que propõe a salvação do ser humano de uma vida de sofrimentos. O budismo no Japão inicialmente esteve restrito à elite e foi um elemento de transmissão da cultura chinesa desde a sua entrada no século VI (538 ou 552) e em todo o período medieval.2. Possessão por Espírito e Inovação Cultural. Ele foi gradualmente se disseminando entre as camadas populares. De acordo com Hiranclair Rosa Gonçalves. p. Budismo (Bukkyô) Aprender o caminho de Buda é conhecer-se a si mesmo. p. 20 PEREIRA.19 Sabemos que a mentalidade mítica em geral não conhece a contradição nem a negação. mantras e meditação. conhecer-se a si mesmo é esquecer-se de si mesmo. sendo a prime ira majoritária no Japão. 18 1. se o pensamento japonês em sua forma tradicional é essencialmente mítico. 19 18 . H. e a partir daí se difundiu em outros países através de duas correntes principais: a Mahâyâna (“O Grande Veículo”) e a Hinayâna (“O Pequeno Veículo”). 18. nos ensinamentos de Sidarta Gautama. cumprimento de preceitos éticos.. tendo como objetivo do governo a sua utilização como meio de unificação do país. Idem. 26. R. como também de controle social20. recitação de sutras. esquecer-se de si mesmo é experimentar as leis. através da busca da sabedoria (dharma). no qual não há noção de tempo e no qual não existe o princípio da realidade. experimentar as leis é deixar cair o corpo e a alma do eu e do outro. É uma mentalidade comparável ao mundo inconsciente. 44. Na era Tokugawa (1600-1868) o budismo tornou-se religião oficial. DOGUEN19 O budismo teve sua origem na Índia no século V a. . 15. ou seja. procurar sempre o equilíbrio e fugir dos extremos. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. 50-51. Ficaram geralmente. o budismo. Se reis e príncipes assim fizessem. o qual possui em seu lar dois oratórios – um budista (Butsudan) e outro xintoísta (Kamidana).3. pp. p.. a cargo do xintoísmo os nascimentos e casamentos. Todas as coisas do mundo prosperariam por si mesmas 21 22 GONÇALVES. Este processo de adaptação ao modo de ser japonês é sintetizado. Possessão por Espírito e Inovação Cultural. R. 23 MAEYAMA. 45. o Ichi-jitsu Shintô (“Xintoísmo de Uma Realidade”) e outros. 1. p. tanto que há um dito popular que diz: “Todos os japoneses morrem como adeptos do budismo” ou outro que mostra esta “divisão de trabalho”: “o japonês nasce xintoísta e morre budista”. Esta justaposição apóia-se na teoria chamada Jonchi-suiyaku. Um ensinamento importante também é que se deve buscar o chamado “caminho do meio”. o nirvana. que combina Buda com os deuses japoneses. O pensamento japonês.R. mas em relação ao budismo e ao xintoísmo isso não aconteceu. 25. o confucionismo e o taoísmo tiveram de se misturar com o xintoísmo e as crenças populares. enquanto o budismo passou a atuar no culto aos antepassados e aos ritos fúnebres. p. E por esse não-agir tudo é feito. H. 24 OSHIMA.20 no qual cessa todo o sofrimento. como o Ryôby Shintô (“Xintoísmo Dual”). como distingue Pereira22. PEREIRA. O Fascínio do Johrei: um Estudo sobre a Religião Messiânica no Br asil. Nesse processo ocorreu uma divisão quanto à atuação no que se referia aos ritos de passagem. H. 23 A mentalidade mítica japonesa de não-contradição faz com que o sincretismo em relação ao budismo e ao xintoísmo tenha uma particularidade. Confucionismo (Jukyô) e Taoísmo (Dôkyô) O Tao não age. Para Oshima24. Em vez disso houve uma justaposição (shugo) que se exemplifica na religiosidade do japonês. Takashi. nos movimentos sincréticos medievais. 21 Para conseguirem manter-se no Japão. sincretismo geralmente é entendido como a fusão de elementos heterogêneos de culturas. A. Então apareceram cinco grandes deuses. seguindo-se o desenvolvimento de duas forças antagônicas. algumas influências. atitude compartilhada pelo xintoísmo. 106. compreendendo duas divindades isoladas e cinco casal divinos. Esta idéia sobre a gênese do mundo associa-se no xintoísmo àquilo que se expressa. p. Em segundo lugar vêse neste pensamento chinês a importância da atitude naturista. o Universo se regula por si mesmo. 25 O confucionismo e o taoísmo são ensinamentos de origem chinesa que enfatizam a ordenação na sociedade e no Universo. mesmo assim. OSHIMA. de onde tudo se originou. Onde não há desejos reina a paz. da inexistência de um criador do mundo. em sua mitologia. Por último. tendo o seu próprio termo. Em três pontos vêem-se paralelos entre essas manifestações religiosas. idéia existente no pensamento japonês e traduzido em sua mitologia. através do choque com outras religiões e culturas. Estes ensinamentos provavelmente tenham entrado no Japão na mesma época do budismo. Ambos os ensinamentos não se estabeleceram com a posição de uma religião organizada como o budismo. Tao os satisfaria pela simplicidade Do seu íntimo ser. mas tiveram um papel importante na formação dos valores morais e nas práticas religiosas. 48. como assinala Rochedieu: No início era o caos. No taoísmo existe o conceito do nada (mu). depois deu-se a separação do céu. Izanagui e Izanami. tem-se uma semelhança formal entre a teoria do Ying-yang sobre os termos opostos que complementam a unidade. E onde há a paz. H. .21 E se. uma ativa e outra passiva. p. Depois sucedem-se as sete gerações divinas. que constituem o último desses 25 26 LAO-TSE. teve. por ser um movimento religioso autóctone. originado a partir deste confronto cultural. os homens tivessem desejos. o aceite da natureza. O xintoísmo. A vinda da cultura chinesa obrigou a um posicionamento das idéias existentes no xintoísmo. Shintô. como exemplo. O nosso Eu não tem desejos. e destas a que mais contribui para a sua formação teórica foi o taoísmo 26. Tao Te King. O pensamento japonês. GAARDER.). macho e fêmea. voltado à passividade. Os conceitos mais importantes e ideais para todos os homens. 77-79. 27 O confucionismo é uma ideologia desenvolvida pelo filósofo Kúng-Fu-Tzu (na forma latina. que ele via como a suprema ordem do Universo a ser seguida pelo homem. Confúcio via o homem como um ser bom intrinsecamente. O confucionismo adota alguns conceitos chineses. que acreditava ter sido escolhido pelo Céu para revitalizar a moral e a cultura existentes. e entre amigo e amigo. dizem as lendas. acrescentando os de Confúcio. Confucius) (551-479 a. serão os demiurgos do mundo terrestre. que se traduz pela harmonia que predomina no Universo e com a qual o homem deve tentar viver sintonizado já que dela faz parte. O confucionismo abrange uma série de idéias sobre filosofia e política. como a via (tao). pp. são: piedade filial. foi escrito pelo filósofo Lao-Tse. Este casal representa certamente os dois princípios complementares. Dos conceitos chineses tem-se o tao. tendo na ignorância e na falta de conhecimento a raiz dos males. e Confúcio. O interesse por Confúcio e por questões religiosas e metafísicas era menor do que nos dois assuntos citados. respeito e reverência. que fundam a filosofia chinesa e explicam todas as transformações subseqüentes e o dinamismo do nosso mundo. Confúcio utilizou este livro dando-lhe suas próprias interpretações. O confucionismo estrutura a sociedade através de cinco relações: entre senhor e servo. entre mais velho e mais jovem. entre homem e mulher. As diferenças continuaram com Lao-Tse. 84-85.22 casais. os seus criadores. E. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. . entre pai e filho. segundo Confúcio. Neste contexto. o código de honra do guerreiro (samurai ou bushi).C. pp. O taoísmo baseia-se no livro Tao Te Ching que. O confucionismo formou. Joasten O Livro das Religiões. que influenciaram muito a China imperial. A diferença entre Confúcio e Lao-Tse é que este achava impossível o entendimento direto e racional sobre o tao. esta numa visão pragmática. 28 O confucionismo difundiu-se no Japão como uma filosofia de ética através da qual são enfatizadas as relações humanas hierárquicas e a harmonia social. juntamente com o zen-budismo. preferindo a ingenuidade e a simplicidade para o ser humano. o Bushidô. que via na 27 28 ROCHEDIEU. Para esses objetos eram feitas oferendas em altares. 1. pp. sempre foram caracterizadas por um conjunto complexo. venerando-os como a um kami. Na lição de Rochedieu31. 80-81. 25. tornou-se o invólucro de uma divindade e. pp. o que discordava da posição de Lao-Tse. Nesse processo de adoração dos objetos de geração em geração. por sua vez. J. R. as crenças populares. obtendo conhecimentos. Este lugar.. Crenças Populares (Minkan-Shinkô) Crenças populares. isto é. Possessão por Espírito e Inovação Cultural. por sua vez. Um exemplo disso é um edifício chamado tesouro da aldeia que tem seu objetivo em seu nome. 65-67. . Deste modo. chegou-se até a 29 30 GAARDER. como anais locais. com regras fixas na política. Além disso. O processo de santificação e depois de deificação se dava em muitas aldeias tanto para os objetos de uso pessoal como para aqueles coletivos. A. as religiões tradicionais para se difundir nas camadas populares se serviam das crenças populares. registros e livros de contas. E. existiria o meio de se conseguir formar uma sociedade justa.23 educação do homem. eram santificados e deificados. p. Em termos de ênfase. o meio para seu aprimoramento. tiveram suas raízes na vida entre os camponeses do Japão. são sagrados os sabres e espelhos lá existentes. Na vida desses habitantes os objetos que tinham suas relações com a aldeia. ficaram à mercê das influências das religiões estabelecidas. A princípio essas crenças por não terem uma estrutura organizada. 31 ROCHEDIEU. na sua formação. que acreditava que toda e qualquer administração é má 29. mas muitas vezes tal relação se dava ao contrário. enfatiza as vias da prática mística e ordem natural. o confucionismo tem sua atenção voltada às vias (Tao) da ação social e da ordem política. O Livro das Religiões. de acordo com Pereira 30. é idéia aceita que as crenças populares tenham sido a fonte comum da maioria das Novas Religiões Japonesas. diversificado e sincrético de rituais e crenças. a relação de uma casa com a vida da aldeia poderia santificá-la e deificá-la. Confúcio acreditava que. O taoísmo. PEREIRA. para os aldeões. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão.4. H. 1.5 % da população japonesa. o cristianismo no início da década de 1990 restringia-se a 0. como pano de fundo.5. e posteriormente o protestantismo. . o general Toyotomi Jideyoshi proibiu as missões católicas. mormente nessa época por não estarem sintonizadas com o xintoísmo do Estado. Apesar do progresso tecnológico. com inúmeras guerras civis. Cristianismo (Kirisutokyô) As religiões cristãs foram introduzidas no Japão em dois momentos. em vários níveis da sociedade japonesa persistem essas crenças populares com práticas como adivinhação. 32 A introdução oficial do cristianismo no Japão aconteceu em 1549 através do missionário espanhol (São) Francisco Xavier. acabando na batalha de Shimabara. de grande importância na vida dos aldeões. o xamanismo – a possessão de espíritos e o controle da comunicação destes com este mundo. 33 O cristianismo foi proibido no período compreendido entre 1639 e final do século XIX pelas autoridades japonesas. astrologia e crenças como possessão por divindade ou animal. Esta política de proibição foi seguida pelo seu sucessor. e outras mais. o que 32 33 OSHIMA. a unificação do país. Tokugawa Ieyasu. além de ser associado à bruxaria pelo povo comum. e dentre estes podemse incluir elementos da natureza como montanhas. Pelas vicissitudes históricas encontradas. na segunda metade do século XIX com os missionários anglo-saxões. porque o viam como um agente do imperialismo. Ao terminar as guerras civis e conseguir. O pensamento japonês. com os missionários jesuítas. sendo por isto classificadas como “supersticiosas”. o motivo deveu-se à crise que o país estava passando. que servia na época a Portugal. p. Desde a era Meiji (1868-1912) as crenças populares não foram apoiadas. Idem.24 perder o nome do deus ou deuses e o kami tornou-se o nome da aldeia. rios. que era o suporte ideológico do governo e vigorou do final do século XIX até o fim da Segunda Guerra Mundial. 55. Alguns destes kami foram personalizados e outros objetos ficaram no nível de adoração. fontes e cascatas. p. de acordo com Oshima. Dentre tais crenças aparece nas NRJ. 56. No primeiro século o proselitismo foi grande e. com os últimos católicos japoneses. em 1587. O primeiro foi o catolicismo no século XVI. mas. 36 PEREIRA. deste modo. Op. usa-se o conceito adotado por Ronan Alves Pereira36. vê-se em algumas das NRJ a abordagem da doutrina cristã em seus ensinamentos como. 35 Ao discorrer sobre as Novas Religiões Japonesas. o que não as restringiu à herança cultural do Japão. indicando. GONÇALVES. a Soka Gakai e a Arte Mahikari. Possessão por Espírito e Inovação Cultural. enquanto as novas são as “religiões modernas”. R. Este modo de pensar caracteriza-se por uma postura relativista que aceita várias concepções diferentes sem ter uma relação de negação ou 34 35 ROCHEDIEU. refere-se aos movimentos religiosos surgidos a partir do início do século XIX no Japão.. p. cit. elas se caracterizam por terem sabido incorporar elementos estrangeiros em suas doutrinas. de que o termo “Novas Religiões”. p. por exemplo.. Criadas em plena modernização do Japão. presentes no Brasil e em outros países. 35. surgidos no século XX: a Seicho-No-Ie. As primeiras man têm-se pela veneração do japonês a tudo que é antigo. 37 GONÇALVES. 49 . a Igreja Messiânica Mundial. em contraste com as novas religiões que praticam intenso proselitismo e muitas vezes apresentam caráter de religião universal. por outro lado.34 2. O Fascínio do Johrei: um Estudo sobre a Religião Messiânica no Brasil. pois como se expressou Rochedieu em relação às novas religiões japonesas: “( . ) a Bíblia cristã torna-se com freqüência uma fonte de inspiração”. são transmitidas quase somente de pais para filhos. O sincretismo religioso criado nas NRJ deriva do pensamento conjuntivo e nãocontraditório mencionado (xintoísmo). perpetuando-se entre as mesmas famílias por séculos e séculos. A. p. H. R. E. a Seicho-No-Ie. a Perfect Liberty (PL). 200. H. p. que existe uma influência ou utilização por algumas dessas religiões que não pode ser desprezada no seu estudo. 48.25 numa primeira análise mostra a pouca presença desta religião no panorama religioso japonês. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. e que não ficaram restritas aos descendentes de japoneses37. Destacam-se cinco movimentos religiosos das NRJ. shin-shûkyô. Novas Religiões Japonesas (Shin-Shûkyô) Pode-se classificar o xintoísmo e o budismo como as religiões tradicionais do Japão. R. 2. tomando o nome de Meiji (governo iluminado). Possessão por Espírito e Inovação Cultural. na sua formação. 40 ROCHEDIEU. Op. 51.1 mundo Origem das NRJ no Japão e suas propostas de transformação do Na concepção de Rochedieu38. transfere a capital (então Quioto) para Tóquio. da Tenrikyo. chegando a 1920. R. que. 41 e sofreu influência. podem-se estabelecer três períodos em relação ao surgimento e expansão das Novas Religiões Japonesas. o que permite a combinação de diferentes manifestações religiosas.. caracterizando assim o seu sincretismo singular.. É o princípio da era moderna e o Japão abre-se às influências exteriores. a Tokugawa. Neste período havia várias seitas com enorme aceitação popular. Neste ponto é interessante informar que da Oomoto surgiram outras seitas. O segundo período abrangeu o fim da 1ª Guerra Mundial. deixando uma época. tendo algumas delas uma aproximação com camponeses e outras com a população mais humilde das cidades. como a Oomoto que foi violentamente reprimida pelo governo. Este período foi caracterizado como de opressão às novas seitas. 191-192. 1918. e a Oomoto. e o final da 2ª Guerra Mundial em 1945. quando o Japão já era uma nação industrial e moderna: “A era Meiji marca a recuperação do poder pelo imperador Mutsuhito. 41 PEREIRA. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. R. O primeiro vai de meados do século XIX. PEREIRA. Op. E. p. tendo um cenário caracterizado por uma grande depressão econômica e com movimentos militares totalitários no Japão. onde se proibia as novas seitas. a Tenrikyo. cit. A. p. 155. A Oomoto (A Grande Origem ou A Grande Fonte) foi fundada em 1892 por Nao Deguchi (1936-1918). e dentre elas 38 39 ROCHEDIEU. A. final da era Tokugawa ou Edo (16001868). 35. pp. Deste período é importante destacar o surgimento de duas religiões: a mais antiga. cit.26 confronto. sendo uma religião sincrética com predominância de elementos xintoístas e com traços milenaristas. Completa esse pensamento o seu caráter aditivo. 39 período feudal. além de toda a era Meiji (1868-1912).” 40 Na era Meiji as novas religiões japonesas foram reconhecidas oficialmente como Xintô das Seitas. anos dos xóguns (líderes militares do Japão feudal). p. . Antes de 1946 a liberdade religiosa apesar de reconhecida desde 1889. e posteriormente com seu sucesso em outros países. o budismo na era Tokugawa e o xintoísmo na era Meiji. desenvolvido no trabalho de Ronan Alves Pereira Neste conceito os novos movimentos religiosos são entendidos como 42 GONÇALVES. foram perdendo sua capacidade vitalizadora. as NRJ irromperam num processo de solidificação e expansão de suas influências. Apud. Colaborando com a posição expressa por Wallace. Um exemplo desta perda foi o xintô do Estado. Após a Segunda Guerra Mundial. as novas religiões com sua ênfase em responder às necessidades do homem neste mundo e de valorizá-lo como criatura divina. O terceiro período iniciou-se imediatamente após a 2ª Guerra Mundial. não invalidam nem mostram que as antigas crenças se extinguiram. O Budismo Leigo da Sôka Gakkai no Brasil: da Revolução Humana à Utopia Mundial. A. O Fascínio do Johrei: um Estudo sobre a Religião Messiânica no Brasil. assim os fiéis afastaram-se procurando uma religião que os atendesse em seus problemas e lhes desse esperança. por si sós. Wallace. p. 14. 18. que se tornou na era Meiji uma escola de patriotismo e um meio de venerar o imperador e heróis nacionais. Em relação aos períodos citados. o xintoísmo “debilitado” e o budismo com sua postura de encarar todo desejo como fonte de sofrimento não traziam conforto ao povo nipônico. R.27 destaca-se a Mahikari. R. 43 . R. a Seicho-No-Ie e a Sekay Kyusei Kyo (Igreja Messiânica Mundial) 42. 77. p. elas sobrevivem nas novas religiões que as sucedem. tornaram-se. era habilmente controlada pelo governo. A. 44 Apud. Com direitos efetivamente garantidos na Constituição pós-guerra. com sua ascensão no cenário religioso do Japão após a 2ª Guerra Mundial. pelo contrário. estabelecida pela Constituição de 1946. um atrativo que as fortalecesse em sua expansão pós-guerra. p. e deste modo deixaram de dar resposta às necessidades dos adeptos. O Budismo Leigo da Sôka Gakkai no Brasil: da Revolução Humana à Utopia Mundial. derrotado e sofrido.”43. Nesse cenário. quando havia um novo alento às novas religiões. pode-se dizer que as religiões oficiais. As NRJ. Esta última foi fundada por Mokiti Okada em 4 de fevereiro de 1950. as antigas religiões mantêm suas influências através destes novos movimentos religiosos: “As velhas religiões não morrem. e uma expansão solidificada pela liberdade religiosa. em 1945. como cita Anthony C. PEREIRA. H. entende-se interessante inserir neste estudo o conceito de renovação do mundo de Reader44. PEREIRA.. e instituirá uma nova ordem de justiça e felicidade” . p.28 recriadores de temas. 45 . movimentos messiânicos. como ele mesmo diz. podem conceber uma salvação neste ou em outro mundo. em particular o urbano. “representa um ideal do bem. Antes de expor o complexo da renovação do mundo e contextualizar a Seicho-No-Ie dentro desta classificação. total. p. faz-se necessário expor os conceitos de messianismo. 45 Milenarismo. final e coletiva neste mundo. 46 Idem. 47 Idem. no dizer de Rosabeth M. R. milenaristas e utópicos como movimentos de renovação do mundo ou complexo da renovação do mundo. de acordo com Yonina Talmon. é definido como “a crença religiosa na vinda de um redentor que acabará com a ordem presente das coisas tanto universalmente quanto para um único grupo. A. para Hans Kohn. tentar criar ou esperar a implantação (por agentes humanos ou sobrenaturais) de um ideal de perfeição neste ou em outro mundo imaginado. em contra ste com os males e imperfeições das sociedades existentes”. 47 A partir dos conceitos apresentados.” 46 Utopia. Portanto. O Budismo Leigo da Sôka Gakkai no Brasil: da Revolução Humana à Utopia Mundial. Messianismo. milenarismo e utopia que integram a classificação citada existente no referido trabalho. p. A idéia de renovação de Wallace e a inspiração na religiosidade popular japonesa fez Pereira propor uma classificação importante como forma de entender as novas religiões japonesas: a de perceber. inserindo-os numa nova dinâmica que atrai e responde às expectativas e às necessidades do homem moderno.24. 27. injusta. crenças e mitologias existentes nas antigas crenças. é usado para “caracterizar movimentos religiosos que esperam uma salvação iminente. 23. imperfeita e/ou impura – para vislumbrar. Kanter. os movimentos de renovação do mundo podem ou não depender da figura de um messias ou de um profeta. centrada nas necessidades básicas Apud PEREIRA. universalmente ou para um grupo restrito. segue-se a idéia de Pereira: complexo de renovação do mundo: Concebo este complexo como sendo composto por movimentos que partem de uma avaliação negativa da ordem social vigente – tida como caótica. a exemplo de conceitos de psicologia e psicanálise. xintoísta e budista. Cristo e do fundador da seita. um salvador. como Ronan A. . Gonçalves e Mayeama em compreender as NRJ seguindo tanto suas características como os seus contextos sociológicos. justiça.) ou contar com os militantes do próprio movimento (que assumem coletivamente o papel de revolucionários e vanguarda da sociedade perfeita) 48 2. felicidade. o que exemplifica este caráter religioso japonês. Deste modo.) ou em valores tidos como superiores e espirituais (liberdade. podem pregar uma salvação universal ou restrita a um grupo de leitos. Esta questão está presente de forma muito antiga no budismo e no xintoísmo.). Há um acordo entre estudiosos. vistos através de sua história. elas rompem o quadro antigo das religiões mais arcaicas que estavam submersas no tradicionalismo religioso. portanto. Dentre as características fundamentais das NRJ. 31. etc. O Budismo Leigo da Sôka Gakkai no Brasil : da Revolução Humana à Utopia Mundial. 48 PEREIRA. p. primeiro aborda-se o sincretismo. e inclusive de ciências. um exército.2 Expansão e caracterização do contexto religioso das NRJ A caracterização das NRJ se evidencia pelo fato de marcarem uma nova era: a de inclusão na modernidade e a resposta a novas exigências. A. pureza. um rei. têm um gosto por aquilo que não tenha um caráter dogmático e possuem uma grande capacidade de adaptação. saúde. xintoístas ou cristãos ou. do cristianismo. R. não é de estranhar que eles façam suas devoções em templos budistas. Oshima. Nas novas religiões elas trazem para si elementos de crenças populares. Os japoneses. Pereira. os antepassados. etc. como já abordado que possuam em seus lares dois oratórios. Este sincretismo traduz um pensamento definido como Bankyô-Kiitsu (todas as religiões são unas). moradia. etc. um herói. exemplo da justaposição. podem depender de agentes externos (seres divinos.29 do homem (alimentação. Este proceder é também encontrado nas NRJ onde se poderá ouvir em uma reunião ou cerimônia os nomes de Buda. Rochedieu. A pessoa viva – que possui um corpo. Este fato marcou estas religiões no sentido de incorporarem elementos estrangeiros em suas doutrinas e ao se modelarem permitirem que uma influência cultural japonesa pudesse ser entendida pelos ocidentais. o xamã é um especialista mágico-religioso que.e deste modo são providos de uma dimensão própria do xamanismo: “Na visão de Kokan Sasaki. por vontade. 11. 51 PEREIRA. que é uma tradição ligada às primitivas religiões japonesas. Eles colocam-se como recebedores de revelações das entidades divinas. como a Seicho-No-Ie e a Igreja Messiânica Mundial.30 O processo de sincretismo ao ordenar-se nas raízes culturais do Japão indica tendências opostas e assinala três direções. Dentro da crença religiosa japonesa. R. a do xamanismo. conforme o autor citado: “1) o enfrentamento: o budismo ante a mentalidade mítica. o homem tem uma ligação grande com o sobrenatural podendo se ligar a um kami (divindade. terem surgido no século XX. 3) a incorporação: fazer do budismo e do xintoísmo dois termos de oposição dentro do mesmo sistema. Possessão por Espírito e Inovação Cultural. Os fundadores das novas religiões são entendidos como salvadores da humanidade. GONÇALVES. doutrina religiosa professada OSHIMA. 52. Após o sincretismo tem-se uma segunda característica. consegue comunicar-se com seres superiores num estado psicológico anormal do tipo extático para ajudar outras pessoas. época em que a influência ocidental já era grande no Japão.” 49 O pensamento mítico permite. O pensamento japonês. Por esse assunto estar intimamente relacionado ao espiritismo. p. chama atenção o fato de as novas religiões mais recentes. 2) o conflito ou a contradição: o budismo contra o xintoísmo. pode se “relacionar” com as entidades espirituais sendo possível ser “possuída” de modo a ter ou não controle sobre tal influência. H. Nesta perspectiva do sincretismo. R. espírito ou ser extraordinário). como disse Gonçalves 50. H. representantes vivos de Deus e de suas mensagens divinas. e no decorrer de sua vida chegar a se tornar um deles. p. 50 49 . compatibilizar conceitos metafísicos que outros sistemas de pensamento considerariam irreconciliáveis. O Fascínio do Johrei: um Estudo sobre a Religião Messiânica no Brasil. A. Desta forma o sincretismo japonês ganha originalidade para criar um espaço de coexistência de diferentes religiões. p. 53.” 51 O xamanismo distingue-se da possessão por espírito. e por fim. Sobre este caráter de 52 53 Apud. . em relação à mediunidade. o valor transcendental que elas destacam é o culto aos antepassados. Através do culto aos antepassados. envolve “fenômenos de comportamento anormal que são interpretados por outros membros da sociedade como evidência de que um espírito está controlando as ações de uma pessoa e provavelmente habitando seu corpo”. ROCHEDIEU. diz Firth. E. A. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. pp. „xamanismo‟ se aplica àqueles fenômenos em que a pessoa. A primeira é a visão de o homem possuir. 8. e o mal ser uma impureza. Com a orientação para a pessoa colaborar e esforçar-se para mudar suas atitudes e. que estando em locais. o foco concentra-se na comunicação que se processa com o meio. sendo médium espiritual ou não.31 também no Brasil e que influenciou Masaharu Taniguchi. podem ocorrer devido à influência maligna dos antepassados falecidos. no xamanismo existe a comunicação controlada com essas entidades. É conveniente esclarecer que se entende possessão como o poder dos espíritos sobre as pessoas. ou camadas mais baixas espirituais e necessitando de um aprendizado para uma elevação e compreensão espirituais. enviam vibrações negativas aos seus descendentes provocando fatos infelizes. por sua vez. p. Nesta característica pode-se destacar duas abordagens relevantes. R. as pessoas falecidas possuem o poder de influenciar positiva ou negativamente aqueles que aqui vivem. 209-223. em si. transformando as antes influências perniciosas em benéficas aos seus descendentes. uma natureza boa. o adepto pode chegar à solução de seus problemas de qualquer ordem. exercendo comando sobre eles por meios socialmente reconhecidos. Doenças e problemas diversos. Possessão por Espírito e Inovação Cultural. Possessão por espírito. segundo essa crença. conceito proveniente do xintoísmo. Conforme a crença Tama (alma) existente nas religiões primitivas japonesas. Existe uma característica sobre as NRJ que Rochedieu destaca em seu estudo53. a religião dispor de cerimônias de purificação. Na “mediunidade espiritual” a ênfase está na comunicação. estes teriam melhor possibilidade de ascensão a mundos espirituais mais elevados. é vista como tendo domínio sobre os espíritos. 52 Relacionado a esta questão e como tema comum às novas religiões. PEREIRA. Ele se refere à ênfase dada na cura pela fé ao ressaltar o pensamento positivo que transcende a matéria. Finalmente. através do seu mau procedimento. . os adeptos adoram esse deus apresentado como o Deus único. respectivamente. Além disso. a sua própria infelicidade. O conceito de purificação insere-se para o adepto numa conduta humana correta de proceder para alcançar a felicidade através dos deuses ( kamis). a presença de cerimônias xintoístas dá uma marca especial às novas religiões. Dentro da concepção de Deus. Ela visa a limpar as manchas provenientes de males cometidos pela pessoa. cita-se a cerimônia Ooharai (Grande Purificação)54. Este entendimento do divino através da unicidade e. por vezes. está inserido no já comentado pensamento mítico abordado na obra de Oshima 56.32 purificação. 94. como a presença de espíritos malignos. T. A organização adota um processo administrativo moderno: a comunidade religiosa é dirigida como uma empresa. Entre muitas líderes. Idem. representa através deles outras divindades. da Oomoto e da Tenrikyo. ao mesmo tempo da multiplicidade. 57 54 55 ROCHEDIEU. a maioria dessas NRJ não se preocupa em definir claramente seu objeto de adoração. 40. sendo incentivada a participação destes últimos. Ao surgirem no período de modernização do Japão. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. o que é possível constatar no livro Kojiki. 56 OSHIMA. H. não se predispõem a compartilhar a companhia daqueles que possuem máculas – impurezas. pp. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. p. a utilização da mídia para divulgar sua doutrina tornouse um dado cada vez mais abrangente. fundadoras. p. E. Rochedieu55 lembra. em seu espírito. Os kamis aos quais o homem procura ajuda na resolução de seus problemas. 57 MAEYAMA. O pensamento japonês. Há também o encorajamento da participação de mulheres. As máculas geradas pelo homem podem até atrair a ira dos deuses. Como exemplo. que acentua uma ordenação da contradição e da negação de forma coesa. O objeto ou deus de adoração não é colocado como único e. a bibliografia retrata Nao Deguchi e Miki Nakayama. 209-223. ocasionando. as NRJ incorporaram uma dimensão de organização e racionalidade assumindo um caráter empresarial. convivendo simultaneamente com concepções politeístas e monoteístas. Nas NRJ pode-se constatar que na atuação dos adeptos não existem nítidas divisões entre sacerdotes e leigos. Na prática. e assim não havia a possibilidade de serem enviados e sediados os religiosos. Enfocando-se não mais como vítima de uma circunstância. As NRJ destacam o esforço do adepto na mudança de comportamento com base em valores por elas difundidos. tinha uma situação econômica precária. É dada ao adepto uma gnose a ser seguida. E. Este período compreendeu um estado de crise na adaptação e integração dos japoneses. e 58 59 ROCHEDIEU. A vida religiosa tradicional dos japoneses compreendia o culto aos antepassados e às deidades da comunidade. As NRJ tomam um rumo de serem “religiões deste mundo e para este mundo”. Essas características são destacadas em consideração às propostas do catolicismo. . o fiel encontra na doutrina exposta meios de sobrepujar suas dificuldades.33 Um meio de crescimento e propagação da religião se faz através de atividades em pequenos grupos as quais contribuem para a formação de um vínculo entre os seguidores. e um suporte do grupo religioso para que atinja seus objetivos. 200. As NRJ põem seu foco na felicidade neste mundo. têm-se. quatro períodos. p. de acordo com Koichi Mori59. e era denominado ausência de religião. 2. Como o culto aos antepassados era de responsabilidade do primogênito. Nesta fase os japoneses eram colonos e a religião não foi ativa. O primeiro abrangeu o início da imigração em 1908 e a década de 1920.3 Desenvolvimento das religiões japonesas no Brasil Em relação ao desenvolvimento das religiões japonesas no Brasil. esforçando-se para dar uma solução imediata aos problemas daqueles que as procuram no presente. pp. MORI. o que se deveu a vários fatores.·58 a fim de dar atendimento às necessidades daqueles que estão nestas religiões há sempre um dirigente disponível para orientação. enfatizando sua força de vontade e fé. O Japão. sendo um elemento atrativo para aqueles que se aproximam dessas religiões. É desejável uma dedicação e mudança que se integram à visão religiosa e se tornam meio e objetivo para a criação de solução dos problemas apresentados pelos fiéis. 559-601. por sua vez. Koichi “Vida religiosa dos japoneses e seus descendentes residentes no Brasil e religiões de origem japonesa". numa abordagem individual. adicionando a isto a dificuldade de se sustentarem. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. Em 1931 Ishido mudou-se e iniciou a divulgação perto de Uberlândia. A organização em colônias aumentou. esses cultos não aconteciam.34 em sua maioria tinha ficado no Japão. A organização que controlava os seguidores e os templos foi implantada em 1941. Kondo começou o trabalho de divulgação em São Paulo60. A Butsuryushu iniciou-se pela pregação de Tomojiro Ibaragi. Em 1988 contava com 32 templos no Brasil. O segundo período incorporou as décadas de 1920 e 1930 e foi classificado como atividades religiosas na colônia. Esta seita possui templos nos Estados de São Paulo. Matsubara construiu um templo em sua propriedade e solicitou a sua vinda. e seus planos incluíam uma permanência mais longa no país. Nesta época os japoneses passavam de colonos para arrendatários. T. e a de Hirano. Yoneji Matsubara iniciou a divulgação em 1932 na Colônia União. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. p. e com adeptos tanto brasileiros como japoneses. começou a ter ”reunião de palestra budista”. imigrante que veio na primeira leva de imigrantes em 1908. Os colonos que antes tinham a estratégia de um período de curta duração no trabalho temporário mudavam para a de longa duração. . na região noroeste de São Paulo. Posteriormente a sede foi transferida para Bauru. situada na região oeste do Estado de São Paulo. A Tenrikyo teve sua divulgação iniciada quando da chegada em 1929 de quatro famílias de crentes que se estabeleceram na Colônia Tietê. Em 1983 a seita contava com 56 templos e 243 locais de divulgação no Brasil. a cerimônia se dava num processo de improvisação dos que ousavam fazer os rituais. isto aliado ao fato de que os imigrantes sonhavam em voltar ao país de origem. em 1930. Começaram a pregação e a instalação de seitas japonesas como a Butsuryushu. A Oomoto iniciou sua pregação em 1925 através de Tsuguo Ishido e seu cunhado Teiji Kondo em Araguari. em Lins. Em 1936. e quando havia a sua necessidade devido a algum falecimento. construiu o Templo do Amor a Deus. 60 MAEYAMA. sabendo de Ibaragi. a Tenrikyo (Tenri-kyô). Paraná e Rio de Janeiro. no Triângulo Mineiro. a Oomoto (Omoto-kyô). Por volta de 1930. a Seicho-No-Ie (Seichô-no-Ie). Em 1955 foi instalado em Bauru o Centro Brasileiro da Tenrykyo. 110. Desconhecendo a existência de Ibaragi. não via com bons olhos as colônias de estrangeiros. à lavoura do café. Após a guerra. por conta da boa conjuntura econômica da agricultura. e depois com eclosão da 2ª Guerra Mundial. Além disso. toda manifestação da colônia nipônica foi muito cerceada. sendo a principal razão desse êxodo a educação dos filhos. na metade da década de 1930. O terceiro período abrangeu a metade da década de 1930 e o início da década de 1950 e se tornou mais conhecido como hibernação das religiões pelo fato de as religiões japonesas. no Estado de São Paulo. pois nele se processou a migração urbana quando. A cidade de São Paulo é a que teve um maior foco de migração em virtude de as colônias japonesas se concentrarem no interior do Estado. quando de suas manifestações. Apesar desta intensificação da fixação dos japoneses em colônias agrícolas. Tais situações foram inserindo os japoneses nas cidades em uma nova estrutura que se formava na composição social brasileira: a classe média. como a Seicho-No-Ie e a Tenrykyo. foi nessa época que começou a migração para a cidade de São Paulo com o aparecimento de uma colônia na área urbana. os imigrantes japoneses viram que definitivamente deveriam fazer sua vida no Brasil. esses japoneses . A divulgação iniciou-se em 1934 com os irmãos Daijiro e Miyoshi Matsuda na região de Gália e Duartina. graças sobretudo. como São Paulo. e que teve um alto desenvolvimento econômico naquela época. e alguns se mudaram para as cidades.35 A Seicho-No-Ie nos idos de 1930 tinha publicações vindas do Japão para japoneses residentes nas colônias do Estado de São Paulo. O terceiro período também foi denominado êxodo rural e migração urbana. Aí aconteceram os primeiros trabalhos de missionários de igrejas cristãs como também das religiões de origem japonesa. com a derrota do Japão. Em 1953 foi autorizado seu funcionamento como entidade religiosa. Data desse período um primeiro convívio com o catolicismo: os japoneses o adotavam como forma de se integrarem ao meio brasileiro. muitos japoneses passaram de arrendatários a agricultores independentes. Ainda nesse período houve intensificação da imigração com subsídio do governo japonês para os gastos com passagem. terem sofrido restrições e ameaças do governo brasileiro. de preferência capitais. A política nacionalista de Getúlio Vargas. É uma das NRJ que mais se expandiram entre os não-descendentes de japoneses. onde a maioria desses imigrantes trabalhava. que se iniciaram na década de 1930 e se acentuaram no pós-guerra. Este período retratou uma ruptura com a pátria e uma expressão de novas dinâmicas nele se inseriu. para os quais a difusão das religiões japonesas tornou-se meta. 61“ Nesse momento é necessário abordar as novas características desse grupo religioso. que traziam no bojo de seus ensinamentos valores de que esse homem carecia como sua própria valorização. Andréa G. o que se evidenciava na procura de meios de construir um espaço de aceitação para esse grupo de novos adeptos. integrando-os a uma classe média urbana. onde havia bastante emprego. p. Esta expansão teve seu favorecimento pelas mudanças da sociedade brasileira. acreditamos que o contato entre as culturas brasileira e japonesa corresponde a um dos grandes desafios do processo de transplantação das NRJ no Brasil. e se expandiu principalmente nas décadas de 1960-70 entre os não-descendentes. . e por outro lado. com a entrada das Novas Religiões Japonesas (NRJ) em nosso país. começam a aparecer e a serem aceitas novas expressões de religiosidade.. S. obteve maior transparência na sociedade brasileira. mas também no campo da cultura. deixaram de ser étnicas para se tornarem universais. o povo brasileiro ganhou uma nova opção de conhecer um mundo diferenciado – não só no campo da fé. As Novas Religiões Japonesas como instrumento de transmissão de cultura japonesa no Brasil. que de acordo com dados dos censos de 1991 e 2000. 62 De acordo com dados dos censos de 1991 e 2000. Tomita interpreta: “A partir da realidade de que.36 independentes enviavam os filhos para estudar nas cidades. como a Seicho-No-Ie. 88. apesar da hegemonia do catolicismo. Este é o momento em que ocorreu a difusão das religiões japonesas e a sua expansão nos centros urbanos. Muitos desses movimentos religiosos japoneses. O quarto período iniciou-se a partir da década de 1950 e é conhecido como ressurreição das religiões japonesas e seu desenvolvimento posterior. havendo em seguida o próprio posicionamento das organizações dessas religiões em seu trabalho de difusão. algumas dessas religiões expandiram significativamente o 61 TOMITA. 62 Ademais. A industrialização e a urbanização nas zonas urbanas trouxeram também um outro indivíduo que necessitava de respostas aos novos dilemas que se apresentavam. a da estrutura familiar e uma relação ética com o trabalho. A princípio esse processo de disseminação aconteceu dentro da colônia. 2006. T. Tabela 1: Número de adeptos das NRJ no Censo 2000 Religião Adeptos Igreja Messiânica Mundial 109.105. Amor e Fraternidade no Brasil. A Expansão Internacional das Novas Religiões Japonesas: Um Estudo sobre a Igreja Messiânica Mundial no Brasil e na Austrália. e também adaptando seu discurso para atrair novos adeptos. 63 Vê-se que entre os grupos da tabela acima ocorre uma concentração maior de adeptos entre a Seicho-No-Ie. 3.310 Seicho-no-Ie 27.399 TOTAL Fonte: IBGE / Censo 2000 Podem-se aventar algumas razões para as novas religiões japonesas terem sua expansão e inserção no panorama religioso brasileiro. 64 MAEYAMA.786 Mahicari 3.784 Perfect Liberty 5. Regina Y. p. 63 MATSUE. a Instituição Religiosa Perfect Liberty (PL) e a Igreja Messiânica Mundial do Brasil. de modo que mais de 2% da população brasileira tenha já adotado a visão religiosa que tal grupo preconiza. Seicho-No-Ie Sociedade Religiosa Seicho-No-Ie do Brasil Fonte: Trabalho do autor. p.465 Tenrikyo 3. Os dados desta expansão fazem-se notar desde as décadas de 1970 e 1980.054 149. As novas seitas japonesas no País seguem denominações que são derivadas dos termos designados na nação de origem64: Quadro 1: Movimentos transplantados do Japão e formação antes da 2ª Guerra Mundial Denominação no Japão Tenri-Kyô Oomoto-Kyô Denominação no Brasil Tenrikyo do Brasil Oomoto ou Associação Universal. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. . tendo nessas características a Seicho-NoIe – um exemplo a ser estudado.37 seu número de adeptos utilizando intensivamente os recursos da mídia. 38 Quadro 2: Movimentos transplantados do Japão e formação depois da 2ª Guerra Mundial Denominação no Japão Sekai Kyuseu Kyô P. indepedentemente desta característica. Como foi mencionado.L. 2006. apesar de que.L. . 2006 Quadro 3: Movimentos que se formam no Brasil. existe claramente a tendência de aproximação à cultura brasileira. não seguem uma filiação direta com o Japão e têm formação com raízes japonesas Denominação no Japão Kaminoya YaoyorozuKyô Seikannon – Shu Hakkoku Kannondo Fudô Myo Inari Daimyôjin Shinreikyô Comunidade Budista Fudômyo Associação Religiosa e de Assistência Social Clube Kotobuki Denominação no Brasil Associação Religiosa Kaminoya-YaoyorozuKyô do Brasil Templo Budista de Kannon Fonte: Trabalho do autor. movimento surgido no Brasil com formação de raízes brasileiras e que segue a linha do Espiritismo e da Umbanda. Esta religião constitui exceção neste universo em que as demais adotam posturas de maior ou menor aproximação de suas fontes japonesas. Complementando os quadros acima tem-se a “Tenda Lua e Caridade”. Kyodan Nichiren Shôshu Denominação no Brasil Igreja Messiânica Mundial do Brasil Comunidade Religiosa P. há uma intenção clara de terem as NRJ criado um espaço de compreensão e cultivo de valores que supõe uma troca simbólica e de interesse em relacionamentos próprios. com mais ênfase nesta última. do Brasil Sociedade Religiosa Nichiren Shôshû do Brasil Fonte: Trabalho do autor. Como exemplo. os meios citados eram precários. Quanto ao clima religioso. democratização. Dentre estes elementos alguns podem ser destacados: práticas sincréticas. urbanização. isto remete à transnacionalização de comunidades religiosas com revolução nos meios de transporte e de comunicação. formação de pluralismo religioso. elas possuem práticas e rituais simples. A terceira razão é referente às características e orientações das religiões japonesas.39 O sucesso das NRJ no Brasil foi abordado por Ronan Alves Pereira65 mediante seis razões. Elementos religiosos em comum entre os dois países constituem facilitadores de um diálogo religioso. R. vale citar os irmãos Miyoshi e Daijiro Matsuda na Seicho-No-Ie. Deve-se apontar que a boa organização da colônia japonesa no Brasil formou uma base para difusão. busca de benefícios neste mundo. pp. A. e algo característico da religiosidade japonesa bankyôdôkon (reconhecimento de que todas as religiões têm uma origem comum). Dentro desse modelo. industrialização. nucleação da família. É indispensável admitir que as novas religiões nasceram dentro do processo de modernização do Japão. . mas atualmente as NRJ se beneficiam com o seu avanço para difundir seus ensinamentos. etc. na expansão no Brasil. orientação ética personalizada. A segunda razão é de nível nacional e compreende um caráter de modernização. A quinta razão trata do reconhecimento do papel dos indivíduos. auto-ajuda. A quarta razão remete-se aos pontos de conexão entre a realidade religiosa no Japão e no Brasil. com modernização. Existe um ambiente no Brasil que favorece a expansão destas religiões. houve a contribuição do espiritismo e de outras religiões orientais. o que as fez ter características e modos que se adaptam às sociedades modernas ou em processo. A última razão refere-se ao papel dos acontecimentos “aleatórios”. multifiliação e a grande religiosidade popular. 209-221. Religiosidades Japonesa e Brasileira: Aproximações. É válido enfatizar o papel de líderes que foram elementos vitais e cruciais na expansão de um movimento religioso. A primeira é a dos processos variados que ocorrem em nível global. Às vezes fatos que passam despercebidos para algumas pessoas constituem elementos que fazem uma 65 PEREIRA. No início da chegada das NRJ ao Brasil. e Chûjirô Ôtake para a Tenrikyo. Pode ser a arquitetura do templo. o site. Esta definição de Bastide. p. os jornais. um negro se considerasse desta religião de origem afro e. uma pessoa pode considerar-se participante em cada um desses compartimentos. como no caso dessas Novas Religiões Japonesas no Brasil. cuja compreensão reflete o caráter ambíguo e de natureza relacional da nossa cultura. Nesta situação de culturas em contato. sendo estes meios dignos de um estudo mais apurado. Importante instrumento para atingir diferentes públicos é a utilização da internet. foi usada por Tomita (2004) para caracterizar adeptos brasileiros nas NRJ. Roberto. uma vez que constituem um campo de complexidades abrangentes em que ficam inseridos. No presente trabalho entendemos uma coexistência complexa de valores. além de esses recursos se tornarem uma forma de identificação para o grupo ao qual se destina. o “acaso” atribuído a fatos que aproximaram o indivíduo dessa religião. Mulher e Morte no Brasil. no exemplo do candomblé estudado por Roger Bastide. mediante o princípio de cisão (corte ou ruptura). Deve-se acrescentar que o processo de adaptação de uma religião ao meio onde ela pretende se difundir é um fator fundamental de sucesso. revistas. 66 67 DA MATTA. Algumas das NRJ desde seu nascedouro souberam muito bem utilizar a mídia na divulgação de sua doutrina. Este princípio aplicado à religião faz com que. nesta perspectiva. . observa-se um universo simbólico que reflete um meio relacional da sociedade. A Casa & a Rua. Diante dos meios religiosos estranhos por serem de origem oriental ocorrem projeções e vivências dos devotos. Vale compreender esse contato entre culturas e verificar como tais movimentos traduzem os interesses e estratégias dos públicos envolvidos. Na verdade as razões enunciadas por Pereira não puderam contar com a crescente utilização e domínio de conhecimento da mídia.40 outra adotar aquela religião. ao mesmo tempo. católico. as cerimônias. Ficam estes inseridos em ambientes que permitem desenvolvimentos diante de um meio complexo de valores e relacionamentos67. Trata-se de uma situação em que valores adquirem unidade expressiva desta capacidade brasileira de relacionar coisas que parecem opostas. 133-134). principalmente se esta flexibilização acontece diante de um público não-descendente. Desse modo. Cidadania. etc. Espaço. gravações e outros meios midiáticos são expedientes que esses movimentos religosos utilizam para promover suas idéias. compreende as idéias e valores em compartimentos estanques que não se comunicam e. 66. como indica Da Matta (1987) e foi também admitido por Ferretti (1995) com relação aos estudos do sincretismo religioso afro-brasileiro. A explicação desse fenômeno. citada por Cuche (1999. do rádio e da televisão. 41 O Brasil ainda hoje tem no catolicismo a religião predominante. O Fascínio do Johrei: um Estudo sobre a Religião Messiânica no Brasil. p. Em meados do século XIX o catolicismo ainda exercia hegemonia quase absoluta no Brasil. exceção para às religiões africanas e indígenas. com o regime republicano. passou a ser do imperador dom Pedro I. fato evidenciado pela Constituição de 1891. é que começou a aparecer uma classe média protestante.4 As NRJ e o contexto de religiosidade brasileiro Desde seu descobrimento. J. 54-55. mesmo com a vinda de imigrantes protestantes não houve alteração no quadro religioso. devem ser esclarecedores no sentido de traçar um paralelo da crise da cristandade e do desenvolvimento de outras formas de expressão religiosa em nossa sociedade. que se incumbiam. 281-302. O Livro das Religiões. mas numa análise mais apurada vê-se que décadas antes do descobrimento o papado junto à Coroa portuguesa fazia das conquistas lusas “cruzadas” para a conversão compulsória dos novos povos. Entende-se que os eventos a seguir. sobretudo Portugal e a Espanha. a estrutura do Reino de Portugal tinha dimensão religiosa e políticoadministrativa (extraído do site http://pt.org) . Inicialmente a ação da Igreja aconteceu com os missionários jesuítas e seu objetivo de catequização. em última análise. religiosamente neutro. O rei mandava construir igrejas. Assim. da regulamentação dessas resoluções. A dependência da Igreja ao Estado se mostrou primordialmente no período colonial. com base em Gonçalves68 e no artigo de Pierucci69. nomeava os padres e os bispos. quando as instruções do Vaticano chegavam ao Brasil pela administração portuguesa. Nessa época. o padroado70 que antes era da Coroa portuguesa. 68 69 GONÇALVES. isto é. 2. que então se tornou laico..R. Em 1827. A Igreja delegava aos reis a administração da Igreja em seus domínios.wikipedia. 70 O padroado consistia em um tratado entre a Igreja Católica e os reinos. Qualquer análise sobre o desenvolvimento de um movimento religioso no País deve estar relacionada com as fases da representatividade e atuação da religião católica no território nacional. GAARDER. H. o Brasil foi oficialmente considerado um país católico. No final desse século. Somente a partir desse período e início do século XX. pp. no Império. o catolicismo deixou de ser a religião oficial do Estado brasileiro. tendo a Igreja unida ao Estado. As neopentecostais. p. chegaram as primeiras igrejas pentecostais. Elas focam o dom sobrenatural de falar línguas desconhecidas (glossolalia). surgiu a primeira igreja pentecostal: a Congregação Cristã do Brasil. sendo estas últimas as que mais crescem no País. ciência e religião ao mesmo tempo (GAARDER. na década de 1920 no Rio de Janeiro. 72 GAARDER. O Livro das Religiões. um dos grandes eventos no campo religioso brasileiro: a umbanda. no Brasil a atenção voltou-se para o lado religioso e de conduta moral. baseada na milenar doutrina hinduísta da transmigração das almas. A umbanda seguiu um meio de 71 A designação kardecismo deriva do pseudônimo Allan Kardec. o exorcismo e o milagre. 309). Em 1911. J. Vê-se em Gaarder que: O espiritismo kardecista consiste num sistema filosófico-religioso cujo eixo principal é a crença na reencarnação. 309. p. feita indivualmente por um dirigente ou médium.42 Em fins do século XIX chegou ao Brasil. Essa crença. ou mesmo “alto espiritismo” (por oposição à umbanda. proveniente da França. J. como as clássicas. 72 Ao Brasil. durante uma sessão espírita (ou sessão de “mesa branca”). uma espécie leve de exorcismo. O Livro das Religiões. Surgiu no início do século XX. em Belém do Pará foi fundada a Assembléia de Deus. Além disso. O espiritismo de Allan Kardec se revela um sistema complexo de pensamento: filosofia. nas décadas iniciais do século XX. desenvolve a teoria do espiritismo como uma filosofia científico-religiosa. diferentemente da França onde a visão científica dos fenômenos do espiritismo foi destacada. o espiritismo kardecista tendo já naquela época uma grande aceitação na classe média brasileira e com uma marca que o distinguia de outras manifestações religiosas: a terapia mediúnica através de “passes”. no Paraná e em São Paulo. . A comunicação entre o mundo dos mortais e o mundo dos mortos – usualmente chamados de “espíritos desencarnados” – é feita por meio de pessoas especialmente dotadas para o transe mediúnico. Sua obra essencial. de modo a terem resultados imediatos para a solução dos problemas. O kardecismo também é conhecido como “espiritismo de mesa branca”. As igrejas pentecostais classificam-se em clássicas e neopentecostais. os médiuns. Leon Hippolyte Denizard Rivail (1804-69). No século seguinte pôde-se constatar um expressivo crescimento do kardecismo71 no País. se apóia em dois pilares básicos: a concepção hinduísta do carma e a possibilidade concreta de comunicação com os mortos. adotado pelo prolífico teórico da doutrina espírita francesa. Em 1910. O livro dos espíritos. discriminada como “baixo espiritismo”). possuem cultos de grande envolvimento emocional com objetivos de êxtase. 43 sincretismo religioso brasileiro que combinou o catolicismo. Mas a umbanda também pode ser dita “religião brasileira” porque é a resultante de um encontro histórico único. mais o sincretismo hindu-cristão trazido pelo espiritismo kardecista de origem européia. p. a ampliação da educação. inclusive as de origem oriental que na crise do catolicismo aliada ao fenômeno da Nova Era. Eis aí a umbanda. o espiritismo e crenças indígenas e africanas. 73 GAARDER. O Livro das Religiões. o delineamento de uma sociedade competitiva. que comprovam o decréscimo de adeptos do catolicismo e um crescente número de seguidores de outras religiões. um sincretismo religioso originalmente brasileiro. Na concepção de Gonçalves e Pierrucci. apesar de o quadro religioso brasileiro apresentar uma tendência à homogeneização através de recursos do cristianismo. a crise do catolicismo abriu a oportunidade de manifestações de outras religiosidades. . Este fato é constatado através da análise dos censos de 1940 a 2000. Gaarder assevera: Nascida no Brasil. a intensificação do processo migratório. Este fato foi resultante das transformações sociais daquela época. O que se pode constatar atualmente é que o Brasil continua com um número expressivo de católicos. Nessa época a Igreja Católica manteve a estratégia conservadora e antimodernista própria de seu posicionamento conservador no século XIX. como o dos pentecostais. tais como o início da industrialização. 319. 73 A partir da década de 1930. a umbanda pode ser chamada de religião brasileira primeiro por esse fato. J. puderam se exprimir e estabelecer seu lugar no panorama religioso brasileiro. Este proceder suscitou a procura pela classe média de alternativas religiosas tendo encontrado eco em ações modernizantes expressadas no protestantismo. Assim pode-se dizer que o País é majoritariamente uma nação cristã. o aumento da classe média. alterou-se significativamente a hegemonia do catolicismo. que só se deu no Brasil: o encontro cultural de diversas crenças e tradições religiosas africanas com as formas populares de catolicismo. mas a cada ano o catolicismo perde adeptos para outro ramo do cristianismo. apareceu antes dessa época citada. tendo nesta expressão um duplo significado.75 ou de orientações religiosas ou quase religiosas. que utilizou um termo equivalente: “Nova Jerusalém”. onde a secularização progrediu mais. como Samson Mackay (1765-1843). 308-312. O Feng Shui e a Nova Era: um exemplo de destradicionalização e de invenção de tradições. Alfred Orange (18731934). p. cuja circulação iniciou-se em 1907. Foi usada por românticos ingleses. A Nova Era. Dicionário de Sociologia: Guia Prático da Linguagem Sociológica. 77 Ao procurar o sentido original do termo “Nova Era” vê-se que ele tem origem na cosmologia astrológica. H. pp. p. Sects and Alternative Spiritualities. 45. Na década de 60.44 3 Nova Era: a porta de entrada das religiões orientais A introdução das religiões japonesas no Brasil explica-se também pela criação de um contexto de valores em que se destaca a importância da formação de uma nova visão de mundo. Mônica G. Allan G. dirigido por um nietzchiano ocultista. Esse movimento implantou uma nova forma de religiosidade com manifestação marcadamente oriental que propiciou a aceitação de religiões dessa mesma origem. Ao termo Nova Era atribuem-se vários significados. p. 50. A Guide: New Religions Movements. 77 FRANÇA. De um lado há a mudança cosmológica relacionada à precessão dos equinócios no trajeto do sistema solar em relação ao zodíaco. à medida que é substituído por outras maneiras de explicar a realidade e regular a vida social. 75 GONÇALVES. O fenômeno Nova Era pode ser caracterizado como um movimento cultural contemporâneo. surgiram manifestações religiosas marcadamente orientais apresentando uma nova forma de religiosidade denominada Nova Era. ao mesmo tempo em que o direito civil e as instituições estatais a substituíram como origem de CONTROLE SOCIAL(JOHNSON. mas o que predomina é o de renovação espiritual. Nas sociedades industriais. 76 que apareceu na metade do século XX. O Fascínio do Johrei: um Estudo sobre a Religião Messiânica no Brasil. a ciência subsitituiu a religião como método principal para compreender o mundo natural. e bem mais remotamente por Swendenborg (1688-1772).R. New Age Traditions in New Religions. a Era de Aquário. como França exemplifica ao citar o jornal semanal New Age. Este fato consiste em conceber a abóbada celeste com 74 Secularização é um processo de MUDANÇA SOCIAL através do qual a influência da religião e do pensamento religioso sobre as pessoas declina. com o sentido de espiritualidade. quando os estudiosos de religião e do fenômeno de secularização74 apostavam na diminuição da influência da religião num sentido geral. F. Michael. . 76 YORK. 202). .. por sua vez. França80 e na contribuição de Magnani81 é traçado um histórico daqueles que prepararam um ambiente para a emergência de um movimento que vai atrair tendências originariamente estranhas. G. e este. J. estaria influenciando a vida do Universo e dos acontecimentos humanos78. originário do Egito helenístico. Nesta concepção. 50. p. significando os 12 signos.45 12 subdivisões. têm-se os planetas regentes Saturno e Urano. J. Aquário é ligado ao elemento Ar.G. Na dissertação de mestrado de Mônica G. alguns séculos antes do cristianismo. destacam-se personagens e fatos mais significativos para este trabalho. e o segundo voltado à mudança. Seguindo as referências citadas. Ao retroceder na história à procura de um conjunto de idéias elaboradas e próximas às da Nova Era. Além disso. O Feng Shui e a Nova Era: um exemplo de destradicionalização e de invenção de tradições.C. que vem sendo reconhecido pela bibliografia estudada como fundamental para a criação de valores e significados. que se baseia no conjunto de ensinamentos de Hermes Trismegisto. 80 Idem. . FRANÇA. estando o primeiro relacionado à permanência. transformação e progresso. O Brasil da Nova Era. 10.. M.G. 3. Este estudioso elaborou uma série de textos denominados Corpus 78 79 MAGNANI. 9-25. cit.1 Origens e influências Quando se fala de Nova Era muitos têm como um antecessor mais imediato a contracultura – movimento de contestação dos padrões então vigentes nos Estados Unidos que se iniciou nos anos 50. F. 81 MAGNANI. Cada um dos esquemas do ano zodíaco corresponde a um ciclo. 79 Neste item pretende-se ordenar a origem de um espaço de cultura através do movimento Nova Era. Sob estas influências a Era de Aquário se caracteriza por trazer o novo sem esquecer as tradições: “[. F. 38-46. e deste modo influencia as comunicações e ligações. depara-se com o hermetismo. longa duração e instituições consagradas.] um movimento que olha para o futuro sem deixar de olhar para o passado”. p. Antes dele citam-se origens mais remotas sobre a emergência de uma nova realidade. pp.C. Op. 46 Hermeticum. Nestes escritos Hermes apresentou idéias como possibilidades de relações do visível com o invisível, presença do Espírito Vital no mundo, métodos para o ser humano despertar um Eu Superior através de níveis de realidade, podendo estabelecer contato com o espírito universal e mudar a natureza. Com a tradução do Corpus Hermeticum pelo filósofo neoplatônico florentino Marsílio Ficino em 1463, e impressão em 1471, houve a inauguração do Renascimento Hermético, fundamental para o desenvolvimento de um ocultismo ocidental. Em Corpus Hermeticum, não obstante conter poucas referências a conhecimentos naturais e mágicos, foi atribuída a Trimegisto a criação de todas as ciências, inclusive a alquimia e a astrologia, e deste modo surgiu sua associação com as chamadas “ciências ocultas”. Em relação à origem do Corpus Hermeticum, o erudito suíço Isaac Casaubon provou que foi nos primeiros séculos do cristianismo. Apesar de este fato abalar o mito renascentista de Trimegisto, a obra já havia incorporado bem detalhadamente a alquimia, tornando-se um referencial para este assunto. No início do século XVII apareceram na Alemanha os manifestos atribuídos à Fraternidade Rosa Branca, que falava sobre a vinda de uma “Nova Era”. Ainda no século XVII o grande místico Jacob Boeheme (1575-1624) fundou a corrente esotérica da Teosofia Cristã. No período do iluminismo existiu no esoterismo ocidental a figura do visionário sueco Emanuel Swendenborg (1688-1772), que criou uma cosmologia baseada na correspondência, e o médico alemão Franz Anton Mesmer (1734-1815), baseando-se em uma energia vital, criou o “modelo harmonial do Universo” e foi conhecido como o inventor da hipnose. Estes personagens do esoterismo com suas cosmologias contemplam na Nova Era as idéias de “leis cósmicas”, “harmonia”, “natural” e “equilíbrio”. No século XIX, o ocultismo afirmou-se como sendo uma das raízes da Nova Era. O ocultismo é um movimento que objetiva desvendar leis ocultas do cosmo com métodos não aceitos pela ciência oficial e também rejeitados pelos dogmas da Igreja, características marcantes da Nova Era. Ainda no século XIX surgiu na França o espiritismo, influenciado diretamente por Swendenborg, tendo como figura central o médium, ser humano que intermedeia a comunicação com os mortos. Este século produziu outro fenômeno: o romantismo, em que as características principais são a de uma espiritualidade ”orientada para a vida”, reconhecimento da 47 “divindade humana” e concepção da totalidade do Universo. Deste modo, a visão holística e do “Eu Superior” da Nova Era encontra aí as suas raízes. Nesse período surgiu nos Estados Unidos o transcendentalismo, que deixou sua marca na Nova Era. Este pensamento teve no filósofo Ralph Waldo Emerson (1803-1882) e no poeta Henry Thoreau (1817-1862) os seus expoentes. Emerson acreditava que “fatos da natureza são reflexos de estados do espírito e eventos naturais conduzem a realidades transcendentes ”. Thoreau desenvolveu o conceito de desobediência civil, base da resistência passiva que influenciou movimentos pacifistas e líderes como Mahatama Ghandi. O século XIX também confirmou o aparecimento das correntes européias de orientalismo, tendo como grande evento o Congresso Mundial de Religiões de Chicago em 1893, com a presença de Swami Vivekananda (1863-1902), escritor indiano que se tornou um dos divulgadores da cultura espiritual da Índia no mundo ocidental. Ainda sobre o orientalismo, aconteceu no século XIX a fundação da Teosofia (Sociedade Teosófica) pela médium Madame Blavastsky (1831-1891), movimento ocultista britânico com base em doutrinas orientais, especialmente as indianas. É interessante ver que a partir de dissidências existentes na teosofia originaram-se outras organizações “esotéricas”, tais como: Sociedade Antroposófica (1913), Arcane School (1930) e Krishamurti Foundation. No século XX surgiu a corrente esotérica criada por George Gurdjieff (1866?1949), que ao adotar as práticas sufis incorporou as suas técnicas visando a conhecer e despertar o imutável EU, enfocando o “Eu Superior”, crença tão propalada pela Nova Era. Ainda no século XX, Carl Gustav Jung (1885-1961), fundador da psicologia analítica, criou uma ligação entre espiritualidade e ciência. Com seus estudos difundiu conceitos como arquétipos, inconsciente coletivo e mandalas. A doutrina de Jung tornou-se um meio de caracterizar a ciência voltada para o lado espiritual, na descoberta de uma unidade transcendental entre homens e o estudo com a utilização de temas e princípios abordados nas religiões orientais. Na literatura deste século destacam-se três escritores que sistematizaram a idéia “Nova Era”. Foram eles Herman Hesse, Aldous Huxley e Carlos Castañeda. Herman Hesse (1877-1962), autor de Sidharta e Viagem ao Oriente, tinha em sua obra a procura individual da espiritualidade, além de desejar mostrar a unidade Oriente-Ocidente. Aldous Huxley (1894-1963), autor de Admirável Mundo Novo e Portas da Percepção, estava 48 voltado à expansão da consciência e à noção do Potencial Humano, conjunto de capacidades latentes existentes no ser humano, mas adormecidas, que através de determinadas práticas podem ser despertas. Por fim, há Carlos Castañeda, que em seus escritos enfatizava seu aprendizado e experiências aliadas ao uso de plantas psicoativas, aprendido com um xamã de yaqui de Sonora, Juan Matus. Neste sentido, ele contribuiu para a aproximação da cultura indígena. No século XX, no campo da ciência têm-se os estudos de Fritjof Capra, cientista que procurou traçar um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental, como no livro O Tao da Física, de 1974, e sugerir uma visão holística da natureza, como no livro Teia da Vida, onde explica a idéia de “ecologia profunda” em contrapartida à “ecologia comum”. Esse século, para finalizar, produziu dois marcos importantes na consolidação da Nova Era, que são as duas famosas instituições fundadas no início dos anos 70 – Instituto Esalen e Comunidade Findhorn. O Instituto Esalen está na Califórnia, sendo o centro do Movimento do Potencial Humano que se dedica a desenvolver e aplicar técnicas para despertar as potências adormecidas do Eu Superior. A Comunidade Findhorn situa-se na Escócia, tendo se tornado um modelo de educação para as comunidades alternativas em todo o mundo. 3.2 Visões da Nova Era As novas religiões japonesas têm práticas e idéias que estão dentro de um fato presenciado há algumas décadas: (1) de tendências culturais não só restritas ao Brasil; (2) de reforço em conceitos esotéricos, xamanismos, poderes mágicos num processo de reencantamento do mundo, (3) sendo que tal visão chega a ter a colaboração de um número significativo de cientistas, os quais, com princípios não mecanicistas e de física quântica, justificam essas idéias. Este fato desperta discussões entre os estudiosos sobre as expectativas decorrentes do processo de secularização. [...] vem desenvolvendo o argumento de que o fenômeno religioso na sociedade contemporânea, pós-industrial e hipertecnológica, é a suprema realização da secularização e não uma adaptação a ela. Ao invés de crise da secularização, é o sucesso dessa secularização que vem tornando visível a consciência do “sagrado” na 49 sociedade contemporânea como a própria perplexidade humana frente à constatação de que a transformação do mundo não corresponde à transformação da vida humana.82 O encantamento do mundo está ligado diretamente a um fenômeno religioso, e Nova Era merece destaque, pois atuou e atua como facilitador da introdução e desenvolvimento das religiões orientais, e aí se inserem as Novas Religiões Japonesas, no Brasil como em outros países. O primeiro problema ao se falar em Nova Era é parecer que nele cabe todo e qualquer assunto relativo a crenças, comunidades alternativas, crendices em duendes e bruxas, música New Age, novas terapias, técnicas de meditação, medicina tradicional chinesa, sacralização da natureza e reinterpretação da espiritualidade centrada na perfeição interior. Outro desafio a ser enfrentado para os que estudam a Nova Era é vê-la de uma perspectiva religiosa, pois não se possuem referências, como o fundador ou um líder, livro doutrinário, rituais ou locais de reuniões de adeptos, mesmo porque se verá que tal movimento preza por não aceitar os modelos tradicionais de estruturas de Igrejas. Existem muitas abordagens para a Nova Era, variando desde uma nova modalidade de sincretismo, “sincretismo em movimento”, passando por práticas mágico -religiosas, crenças específicas e, por fim, propostas de auto-aperfeiçoamento partindo do pressuposto de um “Eu Superior” existente em cada ser humano. Estas considerações foram sistematizadas na definição proposta por Gonçalves: [...] um movimento que congrega crenças esotéricas de inspiração teosófica, gnóstica, rosacruciana, além de concepções próprias de religiões orientais como o Budismo, Taoísmo e Hinduísmo e que se apresenta como um movimento difuso, não centralizado, tendo como pontos principais a busca de uma nova espiritualidade, através de experiências subjetivas, freqüentemente de natureza mística; a valorização do conhecimento baseado na intuição; uma visão de mundo espiritualista e holística; a crença na evolução do espírito; a concepção de Deus na forma panteísta (Deus é 82 Na entrevista da edição 8 da revista eletrônica da Comunidade Virtual de Antropologia, extraída em 28/5/2005 do site: http://www.antropologia.com.br, a antropóloga e professora Leila Amaral, autora do livro "Carnaval da Alma: comunidade, essência e sincretismo na Nova Era", afirma que uma das respostas a esta indagação foi elaborada por Carlos Alberto Afonso, antropólogo da Universidade de Coimbra. 50 tudo) ou panenteísta (Deus está em tudo). Também é um movimento que estimula o uso de artes divinatórias, práticas terapêuticas alternativas e defende a ecologia. 83 A “orientalização” que se expressa por esse movimento é um fato que mostra um processo de substituição de uma teodicéia – caminho do homem para chegar a Deus. Max Weber84 classificou a teodicéia ocidental como transcendente – o divino é superior e separado do mundo, enquanto na oriental esse mesmo divino é visto como imanente e, deste modo, interpenetra no mundo cotidiano, inclusive está com o homem. A adoção de um novo modo de ver o divino e a relação com o homem se reflete numa nova visão do mundo e do ser humano. Nesta perspectiva, Campbell define a “orientalização”: “[...] é referir-se ao processo pelo qual a concepção de divino tradicionalmente ocidental e suas relações com a humanidade e o mundo é substituída por aquela que tem predominado por longo tempo no Oriente”. 85 Com certeza, ao analisarmos detalhadamente a realidade, não haverá uma substituição total de um novo modo de encarar o divino e de um novo modo de pensar ocidental, mas ao se atentar às diferenças existentes e às suas nuances poder-se-á compreender melhor esse processo e seus desdobramentos quanto à nova visão que se descortina ao homem ocidental. Dentro dessa perspectiva de onde emergem fragmentações e complexidades, ordena-se a nova realidade que mostra na distinção entre Oriente e Ocidente os respectivos contrastes: síntese e análise, totalidade e generalização, integração e diferenciação, dedução e indução, subjetivo e objetivo, dogmático e intelectual. Trata-se da ordenação de categorias expressas dos movimentos e elas indicam predominâncias em duas direções simbólicas. Na Nova Era distinguem-se fatos e posturas de seus simpatizantes e seguidores que a fazem ter características que lhe são próprias. Recuperando o que foi apontado em suas origens e desenvolvimento, complementa-se com algumas características deste movimento, 83 84 GONÇALVES, H.R. O Fascínio do Johrei: um Estudo sobre a Religião Messiânica no Brasil, p. 13. Apud, CAMPBELL, Colin. A orientalização do Ocidente: reflexões sobre uma nova teodicéia para um novo milênio, pp. 6-7. 85 CAMPBELL, Colin. A orientalização do Ocidente: reflexões sobre uma nova teodicéia para um novo milênio, p. 6-7. permite seu desenvolvimento num contato com o ser universal.htm. . permitindo relacionar e integrar os mundos físico e espiritual. muito próximo ao da mediunidade do espiritismo. que se torna sagrada. que atuam como facilitadores e meios para experiências pessoais e contatos além deste mundo. Sabedoria universal fora dos grupos dominantes: consideram-se sociedades iniciáticas ou esotéricas e grupos mágico-ocultistas como os detentores dos ensinamentos de uma filosofia única. Idéia da imanência: existe aí a visão de um princípio divino não separado do homem e do mundo. como a yoga e a meditação transcendental. dos valores e das propostas espirituais do grupo. que está à margem dos grupos e sistemas filosóficos dominantes. O mundo é revalorizado e também a natureza. visão compartilhada entre as religiões orientais. A idéia de lugar sagrado: o local sagrado fica subordinado ao ritual. Os indicadores para a experiência espiritual e os caminhos para deles se servir encontram-se nas religiões orientais e em seus ensinamentos com o uso de suas técnicas. Contato e desenvolvimento do Eu Superior: ao se propor a expansão da consciência parte-se da primícia de potencialidades afins de um eu pessoal que através de técnicas. como a do xintoísmo. Pretensão científica: a visão holística ligada à física moderna serve no sentido de dar a idéia do TODO.51 de acordo com artigo 86 de Erinida Gema Gheller. acrescidas daquelas abordadas pelos estudiosos anteriormente citados: Ampliação da consciência: existe a vontade de ultrapassar os limites das fronteiras do mundo daqui e atingir estados maiores de percepção para chegar a um mundo além. 86 Artigo Nova Era: Realidade e Desafios. possui uma proposta de alcance ilimitado. e entende-se aí o homem como parte dela. inicialmente abordada neste capítulo. Reencantamento do mundo pregando uma “Ecologia Profunda" : a terra é vista como um ser vivente e também divino como todos os demais seres.br/uni/poa/teo/erinid3. em todas as esferas. extraído em 28/05/2005 do site da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul: http://www. chegando ao contato com seres extraterrestres e de outros mundos paralelos. Channeling (canal): este procedimento psicológico.pucrs. sendo o espaço de realização do culto a concretização da realidade. principalmente de meditação oriental. M. self-spirituality. apresentam um discurso que caminha entre esse dois pensamentos para justificar sua doutrina. F. J. o caráter societário do modo de vida do ser humano. que combina suas origens orientais e abordagens próprias com o pensamento ocidental. a Seicho-No-Ie. a manter um vínculo com a religião “original”. culto organizado e doutrina revelada. em cada contexto histórico. (inner voice). Tal procura de integração podese expressar no modelo de triângulo apresentado por Magnani: Numa ponta está o Indivíduo. 88: O público voltado às religiões orientais está identificado. Tendo em vista. característica da Nova Era. em outra. guia interior. que faz com que a Nova Era se proponha a ter uma visão mais otimista da procura do espiritual que se exemplifica nas dicotomias existentes: pecado versus busca pelo auto-aprimoramento. O Brasil da Nova Era.52 Para encerrar. Neste panorama apresentado. A postura como a da Seicho-No-Ie de não excluir e até incentivar aquele que dela se aproxima. lenda pessoal. depositária e guardiã de cada tradição particular e dos meios que possibilitam a seus membros. o Princípio Divino. self. e em particular. 58. aqueles que se acham integrados na Nova Era podem manifestar sua religiosidade numa expressão coletiva. 87 FRANÇA. conforme cada versão). 88 MAGNANI. alcançar sua verdadeira natureza. em suas diversas denominações e graus de profundidade (“eu inferior/superior”). . a Natureza. O Feng Shui e a Nova Era: um exemplo de destradicionalização e de invenção de tradições. ou aceita facilmente os princípios da Nova Era. 43. dogmas. entre Indivíduo e Totalidade situa-se um terceiro termo. o qual possui as seguintes peculiaridades: hierarquia. p. é necessário registrar a posição de contraste com as religiões tradicionais. a Totalidade (o Absoluto. o pólo de onde emanou. do qual faz parte e para onde tende esse indivíduo – ou seja. a Comunidade. porém. o Cosmos. p. inner spirituality. vê-se que as NRJ. C. a despeito de tal movimento não se inserir como uma religião no formato canônico 87. Dentro dessas características. G. G. culpa versus conhecimento interior. abre a possibilidade de ter adeptos que transitam entre seu espaço e outros de modo a contribuir para a “formação” de sua religiosidade multifacetada. a “Primavera de Praga”. o modo de morar. que impediu qualquer participação pela sociedade. numa a atmosfera New Age (Nova Era) em músicas e com a adoção de um guru espiritual indiano. 3. Maharish Yogi.53 3. com o uso de manchas monocromáticas e ênfase na expressão emocional. têm-se as críticas aos signos do cotidiano (as sopas “Campbell”) sobre a banalização do ser humano. sendo o mais importante o “Movimento 68” contra o governo e a estrutura universitária na França. Na área musical. com seus poetas e mochileiros que se posicionaram contra as convenções e o autoritarismo estabelecidos. nas artes plásticas houve nos anos 70 um movimento que valorizou a pintura prezando a manifestação da alma. onde teve a sua maior evidência. Este paralelo das situações vividas nas décadas de 1960 e 1970 no Brasil e no mundo e a Nova Era são expressas por Marilyn Ferguson. A partir dos anos 70 houve a repressão da ditadura militar. com a música-tema Age of Aquarius (Era de Aquário). e neste panorama social criaram-se condições de surgimento dos aspectos mais individualizados e místicos da Nova Era.4 Nova Era no Brasil O Brasil dos anos 60 era uma época de grande atuação política exercida pela juventude universitária.3 Marcos da Nova Era no mundo Movimento predecessor da Nova Era. na Pop Art. a contracultura surgiu no começo da década de 1950 nos Estados Unidos. E nas gravuras de Andy Wahrol. Começou pelo movimento beatnik. Nos costumes esse movimento atingiu o comportamento sexual. a estrutura familiar. e por aqueles pertencentes às organizações de esquerda que se insurgiam contra as desigualdades sociais. Movimentos pacifistas e revolucionários acontecem em muitos países. e posteioromente espalhouse pelo mundo. a maior expressão foi a dos Beatles. esmagado pelos russos. estudiosa da Nova Era: “O ativismo social dos anos 60 e a „revolução da consciência‟ do início dos 70 . pelos sindicalistas. Seu aspecto político manifestou-se em 1963 contra a Guerra do Vietnã. de se vestir. Sua expressão teatral mais famosa foi a do musical Hair (1967). Por fim. No mesmo ano surgiu na Tchecoslováquia um movimento de autonomia da Rússia. por exemplo a Seicho-No-Ie. Duas experiências destacam-se neste fenômeno. mas existente desde a década de 1930. e a outra é Figueira. inspirada no modelo francês da revista Planéte. Uma comunidade. que depois se tornaram mais presentes quando do advento da Nova Era. Um dos acontecimentos mais importantes para a Nova Era no Brasil foi a criação de comunidades alternativas. cabe informar que já existiam há muito tempo grupos e sociedades iniciáticas no Brasil que partilhavam idéias. Na imprensa também a Nova Era fez-se representar. No final dos anos 80 e decorrer dos anos 90 a Nova Era tornou-se cosmopolita e ganhou proporções de mercado. Sociedade Teosófica Brasileira (1916). que estavam no Brasil desde as primeiras décadas. foi criada em 1972 por Ignácio de Loyola Brandão. 19. situado em Nazaré Paulista (SP). citam-se as criações de entidades ainda atuantes no Brasil: primeira agrupação de maçons (1797).54 pareciam mover-se na direção de uma síntese histórica: a transformação social como resultante da transformação pessoal – a mudança de dentro para fora. Circulo Esotérico da Comunhão do Pensamento (1909). pertencente às sociedades iniciáticas. A revista Planeta.G. Hoje Paulo Coelho vive esse movimento no campo da literatura. como o budismo e as Novas Religiões Japonesas. . A Conspiração Aquariana: Transformações Pessoais e Sociais nos Anos 80. p. p. 99. Na manifestação cultural dessa época. Como exemplo. livraria Pensamento (1907).” 89 Em toda essa mudança que se processou. funcionando desde 1988 em Carmo da Cachoeira (MG). Marilyn. O artista que mais expressou o lado místico em suas músicas foi Raul Seixas. O Brasil da Nova Era. MAGNANI. criada em 1981. como aquele movimento que “abriu espaço para uma postura identificada com a estética libertária e dionisíaca da contracultura”90. ambas criadas por José Trigueirinho Neto. e é considerada. Músicas como Aeon. é o Centro de Vivências Nazaré. Gita e Sociedade Alternativa traduzem esta postura. representado principalmente por Caetano Veloso e Gilberto Gil. ainda hoje. oficializada em 1952. não devem ser esquecidas as religiões orientais. Além disso. tem-se o Tropicalismo. J. que tinha como parceiro Paulo Coelho.C. havendo uma crescente procura pelos serviços associados a 89 90 FERGUSON. um dos principais veículos de propostas alternativas. primeira loja teosófica (1902). a inspiração que dá origem às descobertas científicas nasce das profundezas da alma. que percorre os meios descritos. Esta visão se concretiza através dos ritos de purificação e pela força de vontade e disciplina dos adeptos. Em segundo lugar é registrada a ênfase na idéia de um Eu Superior. Em um levantamento feito em 1992. Esta detém uma importante chave capaz de tornar positivos ou negativos os valores descobertos pela ciência. Em terceiro lugar destaca-se a nova visão de ciência. e aí incluem-se também as NRJ. Não é raro ver abordagens de conceitos e experimentos científicos para justificar e corroborar princípios doutrinários das NRJ. somente na cidade de São Paulo. tendo os kamis (deuses) ligados às suas manifestações. Podemos . Em primeiro lugar é sinalizado o caráter sagrado da natureza. Em todas as NRJ encontra-se a visão da perfeição inata no ser humano e a ênfase para que este desperte todas as suas potencialidades. Atingir os objetivos dentro dos princípios expostos pelas suas doutrinas está sinalizado por um compromisso e especialização do próprio indivíduo. Além disso. É realmente estranha a atitude da ciência quando finge ignorar o valor da religião. com origem na intuição. constataram-se quase mil espaços dedicados a esses serviços e atividades apresentados no livro Mystica Urbe. sendo esta religião uma das que mais influenciaram as NRJ.5 Nova Era e as Novas Religiões Japonesas O movimento Nova Era propicia no Ocidente a difusão de idéias concernentes às religiões orientais. de Taniguchi. Há também uma idéia de ciência.55 este movimento. e ao mesmo tempo propiciou o despertar do interesse por esses movimentos religiosos do Oriente. a partir do qual os autores avaliam as dinâmicas seguintes. a Nova Era marcou seu espaço cultural. As influências destacadas neste trabalho assumem um caráter de identidade comum entre os movimentos discutidos. que é o domínio da religião. Tal posição encontra eco no xintoísmo. A partir desse processo de divulgação. que reverencia a natureza. integrado às forças cósmicas. 3. de José Guilherme Magnani (1999). 91 Finalmente. e a presença de um princípio divino que emana da própria intimidade do ser. as NRJ criaram um espaço de compreensão do homem. Trata-se de entender as dinâmicas entre o bem e o mal mediante uma concepão de bondade e de perfeição inata no ser humano. Neste contexto a Seicho-No-Ie. 91 TANIGUCHI. uma das mais representativas deste grupo. que transcende os seus limites de compreensão. volume 10. surge no cenário religioso brasileiro e nele se instala. . 229. por intermédio de uma visão otimista da busca espiritual. p. As NRJ. Masaharu A Verdade. ao expressarem idéias existentes no movimento Nova Era – seu facilitador quanto à sua apresentação ao mundo ocidental – trazem uma nova religiosidade permeada de valores orientais e japoneses que se tornam elementos atrativos em sua apresentação ao novo público ocidental e não descendente de suas terras de origem. O adepto é compreendido como um indivíduo de valor e cujo dom divino emana da sua própria situação religiosa.56 afirmar que toda descoberta nascida de uma inspiração instintiva tem a contribuição religiosa. 57 CAPÍTULO II – ORIGENS. M. . aprofundar a fé em Deus e sintonizar-nos com a Verdade da perfeição do Jisso (aspecto verdadeiro). 12-13. Revista Acendedor. grande depressão econômica e movimentos militares totalitários. Mentalizando conseguiremos disciplinar a nossa mente. nº 253. traziam uma rápida industrialização e urbanização. como afirma o seu líder espiritual Masaharu Taniguchi: Podemos dizer que o “Movimento de Iluminação da Humanidade”. A religião da palavra torna-se um referencial sendo construído como definição e convicção. Revista Fonte de Luz. desencadeado pela Seicho-No-Ie. O homem também se inclui 92 93 TANIGUCHI. a partir da década de 1930. 68. Diante deste cenário. 93 A criação da Grande Natureza é um autodesdobramento da Palavra de Deus. as novas religiões surgiram e uniram elementos religiosos japoneses à cultura ocidental. Apesar dessa abertura de valores. Idem. é um movimento para abençoar a humanidade com o poder da palavra. tendo a presença de um líder carismático e uma doutrina pautada num grande sincretismo. a era Meiji foi caracterizada por uma obediência total e reverência à figura do imperador. ao entrar no capitalismo abria-se. nº. o que lhe dá um sentido específico para essa distinção inicial. pp. ou pronunciando constantemente as palavras da Verdade. aos costumes e cultura ocidentais. além da tecnologia e negócios. FUNDAMENTOS E EXPANSÃO DA SEICHONO-IE Para situar o momento do surgimento da Seicho-No-Ie é necessário lembrar que foi no segundo período do desenvolvimento e surgimento das Novas Religiões Japonesas – um tempo marcado pela opressão às novas seitas. a formação da Seicho-No-Ie tomou pulso e seguiu com as outras NRJ na utilização da mídia. iniciado em 1868. denominado de “ocidentalização do Oriente”. Por outro lado. Dentro desse cenário. A Seicho-No-Ie ordenou nesse contexto sociocultural um espaço próprio de distinção que fundamenta a espiritualidade projetada pelo uso da palavra. e o Japão. 92 A palavra possui uma força criadora que modifica a nossa mente. as transformações resultantes do processo de modernização da era Meiji. Segue por um atalho diferenciado dando ênfase ao poder da palavra. num processo. 58 nesse autodesdobramento. Nesta seita teve a oportunidade de estudar o budismo. Isso é válido também para o homem. o que foi apoiado pela avó paterna de Masaharu Taniguchi. ela desejou ficar com ele. uma esposa japonesa devia obedecer totalmente à vontade da sogra. E. Para Deus. que aloja o Espírito de Deus em seu interior. distinguiu-o dos fundadores de outras seitas novas. A Verdade. T. 44. tendo estudado tanto a sua doutrina como a do budismo 97. ele teve contato com a seita Ittoen. Em sua busca espiritual foi adepto da seita Oomoto (Oomoto-kyô) por volta da Primeira Guerra Mundial. Na Oomoto ele atuou aproximadamente por cinco anos na redação dos periódicos. Revista Fonte de Luz. Além da Oomoto. a qual foi uma de suas influências. 94 1 A vida de Masaharu Taniguchi: a revelação da palavra e a formação das bases religosas Masaharu Taniguchi nasceu em 22 de novembro de 1893 na aldeia de Karasuhara. DAVIS. Aos quatro anos. de um pequeno lavrador. volume 10. 95 Naquela época. obrigando-o a trabalhar como operário e conhecer a miséria. na região central do Japão. p. o cristianismo e a Ciência Cristã (Christian Science). O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. isso quer dizer que Deus emite a Palavra. em Kobe. nº 297. e Sua Palavra é a vibração do Seu pensamento espiritual. p. M. em Tóquio. e deste modo proporcionou condições para ele fazer um curso superior em Literatura Inglesa na universidade de Waseda. 96 TANIGUCHI. p. Sendo a Essência primária do Universo. quando sua mãe visitou a tia deste. Foi também nessa religião que ele conheceu sua esposa. M. 94 95 TANIGUCHI. Teruko Taniguchi. 96 Masaharu Taniguchi chegou a ter seus estudos interrompidos na Universidade quando. o pensamento é simultaneamente criação e ação. por um caso amoroso. 256. sem a ela se filiar. 59. R. Essa tia era proprietária de uma pequena fábrica. que. 97 MAEYAMA. e conseqüentemente ele foi adotado pela tia. O Homem-Milagre do Japão. Era o segundo filho de uma família de cinco meninos e duas meninas. Quando se diz que “Deus pensa”. apesar de não ter concluído. cidade portuária da província de Hyôgo. que Deus cria. . a família cortou sua ajuda financeira. Deus não é possuidor de um corpo. lancei a filosofia “Seimei no Jisso” na forma de minha revista particular “Seicho-No-Ie”. e então planejou fundar uma revista economizando dinheiro. mas também adquiriu várias experiências religiosas que culminaram. essas pessoas começaram a reconhecer como movimento religioso. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. Por isso. “só existe a essência divina” (Jisso). . ele ficou sem recursos e doente. Após esses fatos ele recebeu a revelação que o incitava a levantar-se e começar imediatamente a concretização de seu plano. 98” Masaharu Taniguchi recebeu outras revelações. ou seita. no recebimento de uma revelação divina que se resumia em dizer que a “matéria não existe”.“Jisso é o principio fundamental dos ensinamentos de Taniguchi que significa: „Aspecto real da existência. Porém. o princípio básico da salvação que é comum a todas as religiões – se identifica com a Verdade pregada na filosofia do “Jisso”. sem mudarem de religião. continuando a reverenciar o Padroeiro da 98 99 MAEYAMA.45. a certas pessoas que leram as publicações começaram a se manifestar inúmeros acontecimentos milagrosos. Desse modo. Sua idéia primordial era publicar uma revista particular como um movimento filosófico. ao mesmo tempo que as outras apareceram visões estranhas em que viram imagens misteriosas como a citada no Cap. Por isso. transcrito na abertura deste livro. é originariamente um termo budista. Masaharu Taniguchi esclarece: No início. Não obstante se diga movimento religioso. Formou-se um público confiante que se predispôs a seguir a fé em função de vantagens pessoais que pudesse receber através da leitura e da fé na palavra expressa da revista Seicho-No-Ie. ele iniciou este movimento religioso em 1º de março de 1930 com a publicação da revista Seicho-No-Ie. 46. ou Entidade Oculta sob vários aspectos ext ernos‟. nos seus primeiros números. Idem. a revista passou a chamar-se Shinshi (Revista de Deus) 99.59 Numa fase de sua vida. e publiquei como movimento de pensamento filosófico e não como movimento religioso. Esta publicação teve grande repercussão no Japão. “o corpo não existe”. A essência de todas as religiões – em outras palavras. I do Apocalipse. utilizando seus próprios recursos. A partir de então. Takashi Mayeama elucida:. pessoas criadas dentro das tradições religiosas as mais diversas mostram-se muito contentes. T. mas foi assaltado duas vezes. p. em fins de 1929. não é um movimento ligado a esta ou aquela religião. enquanto que a outras se revelaram maravilhosas inspirações. 100 Masaharu Taniguchi começou a organizar suas atividades com um dom próprio no trabalho religioso. . Em 1934 formou-se a filial do movimento religioso em Tóquio. Seimei no Jisso (A Verdade da Vida). 59. hipnotismo. Esta dinâmica da experiência religiosa de 100 101 TANIGUCHI. espiritismo. e destes movimentos recebeu grande influência que inseriu em sua doutrina. só após a sua ocorrência ele tomava conhecimento do produto escrito. por terem apreendido o princípio da salvação que constitui a essência e poderem aplicá-lo na vida prática. que passava a ler efetivamente. e o “New Thought Movement” americano. que seria o responsável por sua produção literária. o xintoísmo. e no ano seguinte a Seicho-NoIe obteve no Japão o registro oficial e o reconhecimento pelo governo japonês como entidade religiosa. a fama da revista no Japão havia tomado âmbito nacional.60 religião tradicional da família. Seimei no Jisso (A Verdade da Vida). da Seicho-No-Ie 101 . como marca religiosa de caráter divino (kamigakari) por Ookami (Grande Deus). Ookami. A definição religiosa fundamentada nesta obra tomou o rumo de uma revelação. Seguiu também diante do sentido de possessão que foi caracterizado por Ronan Alves Pereira. em sua formação sofreu influências da cultura e religiosidade tanto de seu país como do Ocidente. que inicialmente foi composta pelos principais artigos da revista “Seicho -No-Ie”. Posteriormente estudou o budismo. William James (1842-1910). Masaharu. de acordo com Masaharu Taniguchi. Em 1932. como as de Oscar Wilde (1854-1900). Tratase da sua maior obra.. o cristianismo e a Christian Science. como se mencionou a respeito das NRJ. psicanálise. Em outras publicações doutrinárias destacou-se esse processo de envolvimento de Masaharu Taniguchi por esse kami da Seicho-No-Ie. M. Arthur Schopenhauer (1788-1860). sendo nela incluídos vários relatos de cura de seus leitores. Esta obra tornou-se uma coleção que contém toda a doutrina da Seicho-No-Ie. p. T. MAEYAMA. para onde ele se transferiu. Destacaram-se as influências que conheceu ainda na universidade de Waseda. Foi nesse centro que se ordenou o foco central que será discutido. p. volume 1. 11-12. sendo nela abordados os mais variados campos do conhecimento e de atuação humana. Esta dinâmica acompanhou a produção literária que. a Oomoto (Oomoto-kyô). O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. das obras de Fenwicke L. 50. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. posteriormente. ” 102 E prossegue: O fundador TANIGUCHI aprendeu do budismo a sua filosofia panteísta e o idealismo monístico. conquistando um grande número de adeptos entre as pessoas pertencentes à classe média urbana. 56. 105 MAEYAMA. e que basicamente vê Deus como Princípio de tudo e. do cristianismo o evangelismo. 105 102 DINIZ.61 Masaharu Taniguchi foi assinalada em um recente estudo feito por Ediléia Mota Diniz. 103 Idem. da psicanálise freudiana então em voga no Japão. p. o mal não ter em si nenhuma base para existir. Afirma a autora: “Ora.. Sects and Alternative Spiritualities. HOLMES. a sua psicologia e a técnica de educação infantil. 104 SCOTLAND. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. na busca espiritual que culminou na revelação que Taniguchi afirmava ter recebido diretamente da divindade. . ou. 39-40. Ela tem na prece ou trabalho metafísico a chave para o tratamento dos males. a compreensão da trajetória do fundador da Seicho -No-Ie está muito atrelada ao conhecimento adquirido na universidade e. conseqüentemente. p. iniciada nos Estados Unidos por Mary Baker EDDY em fins do século XIX. 103 A abordagem do cristianismo na obra de Masaharu Taniguchi surgiu numa visão que se identificava com movimentos como o da Christian Science fundada nos Estados Unidos por Mary Baker Eddy (1821-1910) em julho de 1876. T. serviu-se ele do exemplo da Christian Science que com este mesmo tipo de movimento alcançou sucesso nos Estados Unidos. p. a cura psicológica das doenças. p. A Guide: New Religions Movements. 104 Ao encetar um movimento no sentido de “curar” as pessoas. realizar o que ele chama de Metaphysical healing (cura metafísica ou divina). Ediléia Mota. misérias e outros males. Nigel. mas na forma individual de pensamento. a ideologia de que as causas da infelicidade deste mundo residem não em Deus. na palavra de TANIGUCHI. Christian Science in New Religions. As pessoas são vistas como sendo essencialmente perfeitas – imagem e semelhança de Deus. da Christian Science.. 61. de doenças. Coleção Masaharu Taniguchi. nesse sentido. Em relação ao Ocidente. a nossa filosofia reúne os ensinamentos fundamentais do xintoísmo. É verdade que em tão longo período o budismo mudou consideravelmente e desenvolveu várias teorias novas. uma das religiões estudadas por Masaharu Taniguchi. 18. volume 10 – Comande sua Vida com o Poder da Mente. budismo. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. Xintoísmo. 107 TANIGUCHI. Entre a época que o budismo nasceu e a época em que chegou até o arquipélago japonês. As crenças populares japonesas surgem através do culto aos antepassados e a interpretação das almas dos mortos. onde o autor explica. que a pessoa atrai aquilo em que acredita. ou Grande Veículo. . p. xamanismo e filosofia idealista alemã estão inseridas nesta dinâmica. a nossa doutrina pertence a corrente New Tought quanto ao modo como reúne em torno da Verdade essencial os ensinamentos do cristianimo. ao qual Holmes pertence. transcorreram cerca de mil anos. está ligada à lei do carma apregoada principalmente pelo espiritismo. do budismo e do confucionismo em torno da Verdade essencial. podemos dizer que ela tem como fonte as citadas doutrinas. M. apregoa ainda que o meio para manifestar a perfeição divina do homem é através do pensamento positivo. em particular do livro A Lei da Mente em Ação 106. de acordo com suas convicções. 107 Masaharu Taniguchi caracteriza a Seicho-No-Ie como uma expressão budista.62 O conhecimento pelo Novo Pensamento americano aconteceu para Masaharu Taniguchi através da obra de Fenwicke Holmes (1883-1973). E. A postura educacional adotada faz com que a salvação do adepto aconteça num processo de procura de conhecimento característica do budismo citado. Sua busca pelo sagrado acontece numa perspectiva racional. Em relação às outras doutrinas orientais o próprio Masaharu Taniguchi situa a Seicho-No-Ie: No tocante às doutrinas orientais. M. que predomina no Japão. “ação -reação” ao pensamento. mas seu 106 DINIZ. 33. Esta visão. inserindo sua doutrina numa abordagem própria do budismo Mahayana. p. O entusiasmo de Masaharu Taniguchi pela obra de Holmes traduziu-se na sua participação como co-autor do livro A Ciência da Fé. O Novo Pensamento. o espiritualismo. Seimei no Jisso (A Verdade da Vida). a New Tought. 35. volume 35. como foi abordado por Rochedieu: OSHIMA. sua natureza filosófica. Trata-se de uma posição idealistapanteísta. T. na cidade de Nagazaki. adota-a. harmonia e bem.] criei um sistema filosófico de características nipônicas. chamado “Budismo Mahayana ou Grande Veículo”. Esta “Grande Vida do Universo”. 14-15. universal. A Seicho-No-Ie não repudia nada. O tipo de budismo que entrou no Japão. no Japão. a medicina. a psicologia. O pensamento japonês. suas publicações já tinham atingido um grau de maturidade de 400 livros. mas em outras ocasiões é dado um tratamento pessoal à divindade. a incorpora a seu sistema filosófico. abril de 2006. 51. 109 108 .109 Quando do falecimento de Masaharu Taniguchi em 17 de junho de 1985. 110 ANONYMUS Superintendência de Administração de Produtos e Distribuição da Seicho-No-Ie do Brasil. por volta dos séculos II e III. 111“ Em suas obras. não importa a procedência. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo.. São bem-vindos a ciência. nunca desapareceram. 2 Fundamentos da religiosidade A religiosidade Seicho-No-Ie tem seus princípios em áreas diversas que influenciaram ou foram estudadas por Masaharu Taniguchi. Essa posição não muito clara do divino é uma característica encontrada nas NRJ. Deus. MAEYAMA. ou quem quiser pode chamá-la de Vida.63 caráter super-racionalista. Relação de publicações comercializadas pela Seicho-No-Ie. tem os atributos de ser eterno. todas as religiões existentes.108 Como se comentou. a psicanálise.. sendo traduzidos em torno de 70 para o português110. Nesta vasta e diversificada obra ele estruturou e apresentou as bases e fundamentos de sua doutrina religiosa. M. cujas teorias foram elaboradas por Nagardyuna e Vaspandu. Sendo Verdade. para alguns autores a doutrina da Seicho-No-Ie está próxima daquela abordada na filosofia idealista de Hegel. p. p. busca também a liberação por meio da teoria do conhecimento. visando a mostrá-la como a essência das religiões com uma abordagem filosófica de raízes japonesas: “[. pp. 111 TANIGUCHI. Taniguchi diz que a existência verdadeira é Deus. absoluto. perfeição. H. ] a maior parte das novas religiões não sente necessidade alguma de clareza quando se trata de definir ou descrever o objeto da sua adoração. 112 113 ROCHEDIEU. em relação ao trecho citado. por outro. 26. TANIGUCHI. M. 30. o faz mostrando que esse budismo chegou ao Japão através da Christian Science. 113 A Seicho-No-Ie não é. de acordo com sua interpretação.: Livro de Mitologia Japonesa). E.. nos ensinamentos do budismo. 114 Idem. 2. a Oomoto e a Soka-Gakkai – englobam nas suas Escrituras concepções de Deus simultaneamente politeístas e monoteístas.. ressuscitou na época atual o antigo espírito nipônico registrado no Kojiki (N. sofreu influência do budismo: [.64 [. Ela abrange todas as religiões antigas. p. do xintoísmo e outras religiões. como outros filósofos alemães. no plano da piedade prática um deus pessoal. Outras – a PL Kyodan e a Seichono-Ie – parecem ensinar por um lado um panteísmo teórico e. mas sim uma nova expressão literária que transmite os ensinamentos de Buda.] a minha filosofia da Verdade da Vida. além de também introduzir as características hegelianas. o valor dado ao uso da palavra escrita na difusão de suas idéias. dinâmica esta que se pode traduzir por “mudar constantemente. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. do homem ao qual se deseja atingir com esta doutrina. 204. Algumas delas – a Tenrikyo. A dinâmica em se adaptar usando a palavra é uma preocupação constante na atuação desta religião. conseqüentemente. p. e em sua preocupação de expressão adequada ao momento da sociedade e. e faz uso de uma forma de expressão que atinge a alma do homem moderno. p. volume 35. e sistematizou “niponicamente” os ensinamentos de todas as religiões. mera religião recém surgida.. da R. Seimei no Jisso (A Verdade da Vida)..114 Entende-se ser importante destacar. de modo algum. mantendo-se a mesma”. que sofreu influência de Hegel que. . 112 . as ciências e as filosofias.1 Bases hegelianas da doutrina Masaharu Taniguchi ao situar a Seicho-No-Ie como uma expressão budista. ” 116 Esta idéia de Hegel. e se a religião pode tornar-se novamente o foco de uma vida em comum e da unidade do si-mesmo [self]. como entende Plant. Plant refere-se aos escritos do filósofo alemão em Berna e Frankfurt sobre a necessidade de uma nova visão do cristianismo. que por sua vez apresenta o ser humano não mais como intrinsecamente um pecador. A figura de Jesus Cristo. O primeiro refere-se à relação entre filosofia e religião. 23. p. 117 Idem. Deus e nada senão Deus e a explicação de Deus. e deste modo esse ser sente-se fragmentado. carente dessa unidade.. Dentro deste contexto. Idem. núcleo fundador da Seicho-No-Ie. Esta religião. um exemplo da perfeição divina. O segundo item que chama a atenção é a posição de Hegel em relação ao cristianismo.e portanto. separou o homem de seu Criador e da natureza. traduz-se em procurar uma estrutura conceitual e acessível a todos para conhecerem o Absoluto. .” 117 A concepção divina do homem se insere no modelo de perfeição.65 Pela posição de Masaharu Taniguchi compreende-se a importância da influência hegeliana em sua obra. 51. por vezes. Lembre-se que. a Seicho-No-Ie se posiciona como filosofia. 115 Destacam-se dois itens que têm um paralelo entre as idéias hegelianas e taniguchianas. Entende-se que todos os seres possuam a mesma origem divina e perfeita. Esta visão 115 116 PLANT. uma característica presente nas obras de Masaharu Taniguchi. vai de encontro à visão cristã que o vê como um ente especial apartado dos demais homens e o único Filho de Deus. como se estruturou. Raymond Hegel: sobre Religião e Filosofia. “O cristianismo é o que temos. visão constrastante com a visão defendida pelo cristianismo. então a religião cristã tem de ser transformada[. como aquele da filosofia é a verdade eterna. p. de acordo com Hegel. não incluído na obra divina. nesta perspectiva. mas não faz parte deste trabalho aprofundar a análise desta relação. entretanto de expressam-se certas idéias abordadas por Raymond Plant no estudo da filosofia de Hegel. Hegel apregoa que o objeto da filosofia e da religião é o mesmo: a verdade. na figura de Jesus Cristo. A proposta que surge na base hegeliana apontada por Plant é de que a divindade de todo ser e da humanidade se reconheça e se reconcilie com Deus. Deus: “O objeto da religião..]. Supremo. J. M. 2. Luz. Espírito que permeia o Universo.2 O caráter de unicidade e diversidade no pensamento religioso A Seicho-No-Ie tem uma visão monista de Deus: “Deus verdadeiro é um só” 118 e. TANIGUCHI.66 de Jesus existe na Seicho-No-Ie e é sempre destacada quando se refere que todos os homens são Filhos de Deus. apresenta a imanência tão característica das religiões orientais 119 e a exemplifica na sutra Kanro no Hoou (Chuva de Néctar da Verdade). 120 . essa visão monista de Deus deve ser vista dentro do pensamento mítico japonês. 37. p.G. ao mesmo tempo. recita: O Deus da Criação transcende os cinco sentidos e também o sexto sentido. Verdade. como as demais do grupo ao qual pertence. Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade. como Jesus. vindo à Seicho-No-Ie. logo. Infinito. 77. . no início do capítulo Deus: Um dia. 120 Esta religião. Vida que permeia o Universo. Amor Absoluto – isto é a Grande Vida. Deste modo. Sabedoria. o conceito xintoísta de kami (deus) está presente na doutrina Seicho-No-Ie: 118 119 TANIGUCHI. 16. M. p. Seimei no Jisso (A Verdade da Vida). p. O Brasil da Nova Era. Sagrado. MAGNANI. Lei que permeia o Universo. o Anjo. nesta perspectiva de não–contradição deste pensamento: “o uno se torna múltiplo e o múltiplo representa o uno”. tem influências xintoístas.C. volume 3. 12. e esta. Isto demonstra. Os japoneses denominaram de “Kami” a tudo que sendo invisível fazia obras misteriosas. O pensamento mítico torna-se o núcleo estabelecido como ponte de identificação entre as três religiões básicas na formação da Seicho-No-Ie. 6. o budismo e o cristianismo. p. . É o caso de Kanzeon-on-bosatsu ou Shiotschi-no-kami. M. A terceira se refere às almas humanas e de outros seres. refletem-se na explicação de Masaharu Taniguchi ao demonstrar. Esse arcanjo Miguel citado no cristianismo se refere a Deus que se manifestou através da Seicho-No-Ie. 26. Todos são corpos invisíveis e possuem determinados poderes. p. a característica das NRJ de conviver simultaneamente com características monoteístas e politeístas. Idem. próprias do pensamento mítico nipônico. O arcanjo Miguel equivale ao deus Suminoe (ou Sumiyoshi) citado na escritura xintoísta Kojiki. por sua vez. é o Espírito Absoluto do Universo que aparece provisoriamente em certos aspectos como um recurso para nos salvar. Preleções sobre a Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade . Há três classes em “Kami”: a primeira. Kanzeon Bosatsu do budismo. ou seja. 121 Esta unicidade e a multiplicidade de deuses. que o deus da Seicho-No-Ie (Seicho-No-Ie no Okami) é a divindade xintoísta Suminoe ou Sumiyoshi. 122 Na perspectiva de estabelecer pontes entre religiões. representa o arcanjo Miguel. mas permeada de valores da cultura e 121 122 TANIGUCHI. é o Espírito Absoluto do Universo. a obra de Masaharu Taniguchi pauta-se em trazer uma doutrina sincrética. É a divindade que realiza a salvação através da força sobrenatural que lhe permite tomar 33 formas diferentes. a qual constitui-se a expressão da divindade budista Kanzeon Bosatsu. ou seja. o xintoísmo.67 O que é Deus? A palavra “Kami” (Deus em japonês) originou -se da abreviação da palavra “Kakurimi” (corpo invisível). a segunda. Revista Acendedor nº. O sincretismo na visão do paralelismo surge na procura de semelhanças ao tentar estabelecer correspondências. em seu entender. como abordado no capítulo I. As leis e princípios propalados pela Seicho-No-Ie mostrariam o caminho para a concretização deste anseio do homem. desta maneira do esquecimento de sua filiação divina. Deus. A Verdade. volume 2. Lamentavelmente. Através desses significados. Estes sentidos ordenam uma base intrínseca que permite sustentabilidade aos outros. em vez de conscientizar sua natureza espiritual de filho de Deus. meio e fonte da felicidade do ser humano ao se conceber como Filho de Deus e tendo em si um Eu Perfeito.] o pecado original cometido por Adão é o primeiro encobrimento da natureza divina do homem. “descobrir” que o homem é. filho de Deus Perfeito. ressaltando.68 religiosidade japonesas. Imagem Verdadeira (Jisso) em que se concebe a divindade é herdada pelo homem. o modelo de perfeição. que consiste em considerar o homem um mero corpo carnal. antes de tudo. A visão xintoísta surge ao apregoar a necessidade de purificação e uso correto da mente para identificar-se com o Princípio Sagrado.”123 Esta perspectiva do ser humano faz com que a Seicho-No-Ie estabeleça como sua principal missão a de mostrar. 123 TANIGUCHI. Deus. M. Retomar a consciência desta perfeição. através da palavra. A essência. e a conseqüente filiação divina tornase objetivo. e sua salvação está em reconhecer este fato: [. o „pecado‟ é compreendido como a não conscientização. o encobrimento da sua própria Natureza Divina.. .3 Erro e moralidade: a inexistência do pecado Na lição de Taniguchi “A palavra „tsumi‟ significa „pecado‟ em japonês. nos dias atuais. 319. 2.. que indica „encobrir‟. p. muitas pessoas que se dizem cristãs estão cometendo o mesmo pecado cometido por Adão. Na visão do divino pela Seicho-No-Ie surge o ser humano como produto desta Vida. originou-se da palavra „tsutsumi‟. onde se estabelecem seus ensinamentos. A ilusão torna-se produto de todo e qualquer ato ou pensamento que aparte o ser humano desta concepção divina e de perfeição e. núcleo intrínseco da doutrina. 124 125 TANIGUCHI.. volume 13. porém quando é mantido oculto. pois parte do mesmo pressuposto cristão sobre a necessidade desse expediente e do arrependimento. voltando a vos prender àquele pecado. sendo que o maior destaque deste ensinamento religioso é o de considerar o homem filho de Deus e perfeito em sua essência (Jisso).] Meu ensinamento prega a inexistência do pecado. A treva não se extingue quando exposta à luz? Não desaparece o pecado daquele que não se confessa arrependido. [. apesar de apregoar a inexistência do pecado. com seu modelo de perfeição.69 Alcançamos a salvação somente quando a buscamos através da “natureza divina eterna”. não exclui. A idéia de perfeição inata do homem. A visão cristã “estática”. 94. ele continua como treva e não se extingue. o qual é visto pelo cristianismo como intrinsecamente pecador. ROCHEDIEU... como se poderia supor. p. O pecado desaparece simultaneamente à confissão. O trecho abaixo da “Revelação Divina da Confissão” demonstra que a Seicho-NoIe. esta visão. aliada à dedicação da pessoa em dissipar a ilusão que seria o mal.. não deveis torturar vossa mente. que é a extensão da mente de Deus.] [. à qual o próprio Jesus Cristo se referiu dizendo “Antes que Abraão existisse. p. E.] Porém. é substituída por uma “dinâmica”. o que difere da Seicho-No-Ie. “libertária” e “perfeita” da Seicho -No-Ie. M. A diferença entre as duas doutrinas está na concepção do homem. uma vez confessado o pecado. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. “condenatória” e “ïmperfeita” da natureza humana. a perfeição inata e divina (Jisso) do homem que estava “encoberta”. pessoalmente ou por meio de carta. 124 Objetiva-se o ser humano por este manifestar toda a perfeição e potenciais inerentes à sua origem divina. que entende que após o ato confessional e o sincero arrependimento.. eu sou”. [. tornou-se atraente para sua adesão a essa religião. O pecado é originariamente treva e se extingue quando exposto à Luz. . 102. assim como não desaparece a treva que não é exposta à luz. a confissão. e o esforço em recuperar o estado original é de pureza125. vem ao encontro da visão xintoísta de que o homem é essencialmente bom. A confissão pode ser feita discretamente a um orientador religioso. resplandece. mas é um erro pensar que é “desnecessária a confissão porque o pecado é originariamente inexistente”. A Verdade da Vida. Em depoimentos de fiéis.. 1979: 142-143]. Kwansei Gakuin University). vossa alma é abençoada e obtendes a vida eterna. 128 TSUSHIMA. Michihito The Vitalistic Conception of Salvation in Japanese New Religions:An Aspect of Modern Religious Consciousness In: Japanese Journal of Religious Studies. Esta concepção existente nas Novas Religiões Japonesas foi abordada por Tsushima 128 e é esclarecedora para o entendimento da cosmovisão espiritualista da Seicho-No-Ie. Que eficácia há em projetar a escuridão sobre a escuridão? O homem. 30 June 2002. mutuamente solidárias. A idéia que resulta disso é que "todas as coisas são harmoniosas.4 A idéia de que em tudo existe a vida de Deus e dela tudo se origina. É considerado ser. a um só tempo.126 Entende-se que a linguagem do cristianismo apoiada no erro tornou-se uma área de contágio cultural. A natureza humana é interpretada como sendo "divina. nenhuma eficácia há em expor o pecado diante do publico que irrefletidamente faz comentários maldosos. o qual. despoluída. 6/1-2 March-June 1979. 2004. e através do conceito de sincretismo relativo ao paralelismo cria-se um ambiente de convívio ao possibilitar a situação do fiel ao arrependimento. às vezes. "O cosmos é encarado como um corpo vivo ou uma força vital com fertilidade eterna". é "compreendido como uma divindade".70 Entretanto. Ela consta em artigo de Masanobu Yamada 129: De acordo com essa idéia. e em constante crescimento" [Tsushima et al. M. no momento em que confessa sinceramente. interdependentes. Sois verdadeiramente Meus filhos. Mistérios da Vida. 15-65. Uma vez que cada ser humano é "uma parte do universo. Cosmovisão espiritualista127 2. 107-109. 129 "The Vitalistic Conception of Salvation" in Brazil: Japanese New Religions and Pentecostalism. "a fonte de onde toda a vida emana e a fonte que nutre toda a vida". Explica-se a idéia da perfeição e a interligação dos seres através de sua “fonte” comum. ele naturalmente julga ter uma existência originada e nutrida pela Vida Original". Conclui-se que a presença do cristianismo marca uma tendência que se impõe pela origem como objetivo de ordenar uma moralidade fundamentada no erro. permanecei tranqüilos. Após confessar com toda a sinceridade. pura e 126 127 TANIGUCHI. O Espírito Santo comunica-se convosco. pp. Idem. nos remete à “Concepção Vitalista da Salvação”. Eu sou um convosco. Sutras Sagradas. in: Religion and Society (Special Issue – Records of the 2002 Workshops – The 10th Annual Conference. pp. . purifica todo o seu ser e manifesta a perfeição própria do filho de Deus que é. Nota-se a combinação de crenças. como abordados por Gonçalves131. tais como pais. 121. H. estabelece o mundo espiritual provido de vários espaços denominados níveis. Para complementar a idéia da estrutura do homem. "retornar ou unir-se à Vida Original" [Tsushima et al. convivendo com situações similares aos seus tipos de pensamentos ou modos de agir. 132 TANIGUCHI.1 A estrutura do homem A presença da espiritualidade torna-se marcada também ao estruturar planos do eu com uma dimensão do enfoque no indivíduo. O carnal é aquele que se conhece. sendo mais fortes com aqueles com os quais se mantenham estreitas ligações nesta ou em outras vidas aqui vividas. O Fascínio do Johrei: um Estudo sobre a Religião Messiânica no Brasil. geralmente mais “fortes” com aquelas relacionadas ao nosso meio familiar. pp. são algo que existe de modo concreto. existe o Corpo Real central. Masanobu “A Concepção Vitalista da Salvação” no Brasil: As Novas Religiões Japonesas e o Pentecostalismo. Além desses corpos efêmeros. M. tem-se o astral. cônjuges. que marcam esta definição. Por fim. Masaharu Taniguchi. Esta fonte única. Mistérios da Vida. o prana. p. 2. O etérico é o que serve de meio de enviar sensações através da energia vital existente em todo o Universo.4. 130 Esta fonte da qual todos se originam e se nutrem transforma-se no meio pelo qual todos se integram através de elos espirituais. Essas ligações permitem a mútua influência entre pessoas vivas ou falecidas. que se constituem em si mesmas essas “forças de atração”. filhos e antepassados. Na literatura132 estão registrados três corpos: carnal. Revista de Estudos da Religião. 159-160. ao expressar-se através de suas potencialidades. pp. já que ela considera a teoria reencarcionista do budismo. num expediente sincrético de convergências de idéias budistas e espíritas. dessa forma. 1979: 144-145]. Estes elos espirituais. estabeleceu três proposições: 130 YAMADA. onde se registram as emoções. R. etérico e astral. que unifica esses corpos e os controla. . 30-31. o Eu Verdadeiro. a partir da concepção budista da inexistência do eu. tornando possível. sendo algo maleável e brilhante de acordo com os sentimentos que mais normalmente se nutriem. 131 GONÇALVES.71 perfeita". onde pessoas e seres que com eles se identificam são “atraídos” a tais lugares. 51.. Esta idéia defendida por ele é abordada em outras correntes de pensamento. 134 TANIGUCHI. tais ocorrências se 133 DINIZ. que é a da inexistência do eu.72 Ainda do Budismo uma outra concepção foi adotada. força e Vida. que mesmo estando encarnado possui uma vida no plano espiritual. e por fim elevar o nosso espírito e ter domínio absoluto sobre o corpo carnal. palavra ou ato. quando existem condições propícias. a última concepção do eu está diretamente ligada com o caráter imortal do “eu fenomênico”. M. De acordo com esta religião. Taniguchi diz que elas são projeções da mente devido a pensamentos ilusórios ou distorcidos. p.2 Entendendo o fenomêno Antes de abordar o entendimento que a Seicho-No-Ie tem dos fatos que acontecem no mundo em que se vive. E. coisas e fatos concernentes ao seu tipo de pensamento. na sua perfeição. o mundo fenomênico. 133 2. sendo ambos produtos da mente.4. Masaharu Taniguchi expressa-se da seguinte maneira: [. Taniguchi propõe três diferentes idéias: a primeira explica que o eu carnal deste mundo é conseqüência de uma ação química da matéria. perfeição. como o Novo Pensamento ( New Tough) americano e religiões como o budismo. Em todas elas é dito que a mente do ser humano tem o poder de atrair pessoas. 103. podemos ver corretamente a Imagem Verdadeira de nossa própria existência. incluise aí também o corpo. p. a segunda consiste em aceitar o eu que engloba uma vida alternada entre este mundo e o mundo espiritual. é importante iniciar pela visão desta doutrina em relação à matéria. Deste modo. e justamente essa visão nos trará saúde..] se considerarmos o corpo carnal não como matéria. Por essa outra afirmação de Sakyamuni. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. . mas como Imagem Verdadeira que se reflete e se manifesta em forma perceptível aos cinco sentidos. volume 8. A Verdade da Vida. Em relação ao corpo. sem distorção. Quando nos conscientizamos de que todos os estados materiais são o reflexo dos estados mentais. nosso conceito em relação ao corpo carnal será uma “visão espiritualista”. M. 134 Ao explicar a origem das infelicidades. a “matéria não existe”. TANIGUCHI. Para que esses problemas ou “ilusões” desapareçam. miséria. o fenomênico. Admitindo-se a existência do Mundo de Deus da Imagem Verdadeira ( Jisso). Seicho-No-Ie do Brasil: agradecimento. Esta visão reforça aquela anteriormente citada de que o ambiente e até o corpo da pessoa são reflexos de pensamentos. . morte e infelicidades. o uso da metáfora sobre a lente. atraem elementos que lhes são semelhantes. ao refletir sobre eles. Em casos de doença. com sua força transcendental. A Chave da Beleza e da Saúde. haveria na mente a figura de uma lente que dependendo de seu grau de pureza – deixará manifestar os atributos da Perfeição no mundo em que se vive. Através da mente. conseqüentemente espiritual.] toda experiência humana é explicada como manifestação da mente. M. B. permitindo então que seu Jisso se manifeste. do seu Jisso. o corpo expressa uma linguagem que passa a ser o meio de entendimento e de reflexão dos atos e pensamentos criados pelo ser humano.. O oposto também é verdadeiro. 107-158. o homem delinearia sua vida. 36. Leila M. incluindo aí a Perfeição do próprio ser humano. Para explicar melhor a relação mente e fenômeno observou-se com freqüência. a Seicho-No-Ie apresenta o mundo material como símbolo daquilo que está na mente dos homens: [. p. O homem tem a identidade de seu corpo como símbolo de reflexão para aprimoramento de sua postura mental e. Na obra de Masaharu Taniguchi existem publicações136 onde se trata de fornecer ao fiel um quadro de símbolos com o objetivo de que o adepto. parte integrante do seu 135 136 ALBUQUERQUE.. facilitando a expressão do modelo de perfeição. “atrairiam” para essa pessoa situações que a fariam cada vez mais infeliz. Portanto. como participante de rituais e reuniões. o homem deveria conscientizar -se de que é filho de Deus. O mundo fenomênico é uma derivação de poderes mentais desta formação. pp. pensamentos tristes concretizariam. mude seu comportamento. perfeito. obediência e salvação. 135 Neste universo de compreensão simbólica. e estes. tratar-se-iam de mentes obscurecidas pela ilusão que não permitiriam a manifestação da verdadeira realidade do homem.73 concretizam na vida da pessoa. Deste modo. Para esta seita. por vezes. estabelece influências mútuas. pp. Doença no aparelho digestivo relaciona-se com a mente que não aceita as coisas com gratidão. Desta maneira. o que inventa a sua imaginação desordenada. Xintoísmo e Novas Religiões do Japão. E. a palavra e a mente constituem meios para manifestar a perfeição. é evidente que a doença. Problemas respiratórios do filho são expressões da desarmonia conjugal. como foi abordado por Rochedieu: Em japonês. produto direto de um espírito perturbado. de tal maneira que. Poliomielite denota a influência de espírito da família ou amizade antiga. e as doenças servem para refletir estas relações. A doença como um mal da mente. indicando que o espírito ao despertar no mundo espiritual não “vê” as pernas. Ela integrou à doutrina conceitos de psicologia e psicanálise abordados em várias obras citando. 137 137 ROCHEDIEU. como já citado neste capítulo. quase sem exceção. Esta abordagem fez com que a Seicho-No-Ie se destacasse das demais religiões deste grupo. dentro do seu núcleo fundador. não existe em si mesma. que dá especial relevo aos problemas psicológicos. aceitam esta explicação filológica da palavra “doença” e tomam a sério o adágio popular.74 núcleo fundador. fatos como doenças no ouvido da criança são reflexos do pensamento da mãe em não querer ouvir o marido. A ligação forte entre familiares. diz um provérbio japonês. explicitou melhor do que outras a sua doutrina. a Seicho-No-Ie. é visão também de outras NRJ. no entanto. estudiosos do assunto para reforçar essa visão. Neste universo simbólico. O corpo torna-se o que o espírito pensa. . do espírito da pessoa. 211-212. a palavra doença é constituída por dois elementos: um significa “doente” e o outro “espírito” ou “atitude”. Doença e fraqueza da esposa refletem o seu receio de perder o marido. Tumores cancerígenos na mama e no útero são resultados de carência afetiva. casos como o do reumatismo expressam atrito nas relações afetivas. Uma delas. a cura através da purificação do corpo e do espírito. A Seicho-No-Ie estendeu no seu modelo de perfeição. As novas religiões. A escrita. os braços e as extremidades (mãos) resultando em uma visão “raquítica” desses membros. expedientes de fundo xintoísta. “a doença vem do espírito”. PEREIRA. junto com a leitura que forma o caminho a ser trilhado pelos adeptos. a começar pela tradução de termos e mudanças nos cerimoniais que não prescidem dos valores orientais. M. 83. . Esta postura japonesa de cumprimentar com esta frase expressa uma característica marcante dessa religião: a prática do agradecimento. através da qual se concebe o modelo de perfeição a ser expresso pelo homem. a meditação e o reverenciamento aos antepassados constituem as bases. 138 Em qualquer evento da Seicho-No-Ie as pessoas que recepcionam assumem uma posição de reverência com as mãos justapostas. A. O Livro dos Jovens. do universo de especialização a partir do divino e do eu. 3. p. 3 Subjetividade e valores religiosos As práticas voltadas ao adepto no sentido do seu “religare” acontece m num contexto religioso japonês onde valores como a gratidão. Em muitas publicações. fonte divina da origem dos seres. Surge o reforço da matriz espiritual. visando a uma acomodação à cultura brasileira. p. R. Ver as bênçãos de Deus em todas as coisas e dirigir nossos pensamentos e nossos sentimentos no sentido de gratidão a Ele – isso significa “transcender as formas superficiais das coisas e fatos e captar a sua essência espiritual”. Essas atividades marcaram com nitidez a cultura originária no presente de modificação. Possessão por Espírito e Inovação Cultural. intrínsecos na concepção. Este proceder remete a uma das principais contribuições do confucionismo à religiosidade japonesa: a noção de hôtoku. palestras e nas orientações aos adeptos a gratidão é tema constante.75 Diante disto a questão da subjetividade torna-se central no sentido de permitir uma linguagem de empenho pessoal. O falar “Muito Obrigado” é um expediente para 138 139 TANIGUCHI. a necessidade de sentir gratidão 139. dizendo várias vezes “Muito obrigado”. ou seja. 41.1 Hôtoku: o desejo da gratidão É essencial criarmos o hábito de manter constantemente o espírito de gratidão. 141 Informações obtidas na representação administrativa da Regional Rio Bonito em julho de 2006. Esta importância do agradecimento fica explícita no trecho da Revelação Divina (da Grande Harmonia). eventos e no atendimento pessoal é enfatizada a necessidade de expressar o agradecimento de várias maneiras. O desejo de manifestar o sentimento de gratidão a tudo na vida pelo adepto é algo presente e que norteia as atividades da Seicho-No-Ie. e o fiel consegue intuir a orientação divina adequada. doações de revistas do movimento. Esta revelação é aceita pelos adeptos como uma das principais orações da Seicho-No-Ie: “ [. de acordo com a Seicho-No-Ie do Brasil. religando-se a este todo. mensais e voluntárias. a primeira das revelações existentes na Sutra Sagrada Kanro-No-Hoou (ver anexo X). que permite reconhecer as bênçãos divinas e sentir-se integrado a Deus.000 pessoas que contribuíam para a Missão Sagrada. 141 A gratidão fundamenta-se na crença de que um estado mental livre de confrontos se identifica com a qualidade inerente do divino.76 despertar este sentimento. que é a de não estabelecer ou reconhecer antagonismos. dadas pelos adeptos que escolhem as quantias mais convenientes às suas possibilidades financeiras.] Agradece a todas as pessoas. as médias de colaboradores para a Missão Sagrada são 200 e 300 respectivamente. Agradece a todas as coisas do céu e da 140 Informações obtidas no Departamento de Missão Sagrada da sede Central da Seicho-No-Ie em julho de 2006. constitui-se na administração das contribuições monetárias.50 até o dízimo 140. instituída em 21 de novembro de 1954. Desse modo. como participação em cerimônias.. contribuição financeira e outras práticas que visam a um estado de reconhecimento do modelo divino de perfeição. trabalhos voluntários. A Missão Sagrada. Em janeiro de 2006. qualquer situação ou ser existente expressa a sua essência perfeita (Jisso). essência da unidade perfeita do todo criado por Deus. Esta atitude é entendida como inerente e ligada ao Eu Superior da pessoa. Na Regional Rio Bonito. para a divulgação em português e japonês. e na doutrina é indicado que tal proceder propicia a outras pessoas alcançarem a salvação. Em relação à contribuição financeira vale a pena citar a Missão Sagrada – ressaltado pela organização que tal ato deve se revestir de gratidão aos ensinamentos da Seicho-No-Ie. numa expressão da harmonia. existiam em torno de 600. cultos aos antepassados. . Em suas publicações.. variando atualmente (junho de 2006) de R$ 3. O contribuinte torna-se participante e colaborador deste movimento. estarei somente dentro daquele que estiver reconciliado com todas as coisas do céu e da terra. Somente dentro desse sentimento de gratidão é que poderás ver-Me e receber a Minha salvação. como na saúde física.que para ela é de suma importância. Idem.” 142 3. mas sobretudo – e este é o objetivo principal – proporcionar efetiva e rapidamente a sintonia com o potencial interno da pessoa. o mundo perfeito criado por Deus.1. Como sou o Todo de tudo. jamais sofreu. infinita. a mente. Nas palavras de Taniguchi: Ler os livros da Seicho-No-Ie corresponde a verificar o guia turístico que mostra o Caminho e os meios pelos quais se chega aonde existe um “tesouro infinito”. pois é a Vida perfeita e invulnerável de Deus. como ponto de destaque e também de distinção entre adepto e nãoadepto. isto é. p. Praticar o Shinsokan corresponde a chegar diretamente a esse “tesouro infinito” que se 142 143 . que jamais se afoga na água e que jamais será atingido por micróbios. o mundo do Jisso. Shinsokan e outras Orações. M. . perfeita. p. que é a Vida de Deus. 143 Diante da necessidade de purificação da mente. A prática meditativa é apresentada como algo que proporciona benefícios tanto nos processos mentais. Vida eterna. imaculada e isenta do pecado. jamais adoeceu e que jamais odiou alguém. pois ele é UNO com o Deus infinito. pura. a carne.2 Meditação Shinsokan: o caminho para o despertar O SHINSOKAN é uma oração meditativa através da qual o homem transcende o mundo do fenômeno. com o aumento de concentração. Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade. que jamais pecou. indestrutível. TANIGUCHI. jamais errou. que é a Vida infinita que cobre todo o globo terrestre e todo o Universo. M. A meditação. imortal. a Seicho-No-Ie traz em sua doutrina uma técnica meditativa: o Shinsokan (Ver e pensar em Deus) . transcende a matéria. que jamais se queima no fogo. onde o Eu verdadeiro (o filho de Deus) funde-se com Deus e onde se fita com os olhos espirituais a perfeição do EU verdadeiro. 13. além da própria comunicação com Deus. e entra para um mundo de dimensão superior.77 terra. tem um propósito certo: criar um direcionamento subjetivo no meio das convicções. Parte-se do pressuposto de que o corpo. pp. p. meditar duas vezes ao dia: ao acordar e antes de dormir. 216-217.78 conheceu pela leitura do guia. 145 O adepto é orientado para. volume II. A meditação se apresenta completa quando praticada individualmente ou em grupos com duração média de 30 minutos. o aumento da fé e o desenvolvimento da intuição. reside no fato de ela entender que o conhecimento das coisas espirituais. ao identificar-se com o modelo de perfeição divino. no mínimo. Aquele que não pratica o Shinsokan não pode ainda se considerar um verdadeiro seguidor da Seicho-No-Ie. Destas bases provêm os produtos de compreensão da essência divina dos seres e do uso da mente. . 144 A meditação. de outro lado. da natureza divina e do próprio Deus está além da compreensão do intelecto. Explicações detalhadas sobre a meditação Shinsokan. desperta-se o sentimento de gratidão. desse modo. ler revistas e livros sagrados como a Seicho-No-Ie e A Verdade da Vida para adquirir o correto conhecimento da Verdade e se precaver contra pensamentos iníquos. influencia a mente com esta realidade. Por outro lado. Entende-se que o caminho de salvação propalado pela religião de Masaharu Taniguchi se fundamenta em dois pilares: a leitura de obras da doutrina e a meditação Shinsokan. 103. Permeando esse contexto. praticar assiduamente a Meditação Shinsokan para elevar o conhecimento da Verdade até transformá-lo em fé e. Idem. e. As formas religiosas de criação de espiritualidade apontam para o sentido de salvação do homem. existe o uso do poder da palavra. e desse modo entende-se que existem princípios universais para manifestar a 144 145 TANIGUCHI. A Ciência do Bem-Viver. Para entendimento do Shinsokan pode-se explicá-lo dividindo-o em 4 partes. Inicialmente tem-se a postura (ver anexo XI). M. Está mais no contato com uma realidade transcendente que se torna envolvente pelo desenvolvimento espiritual e intuitivo. com sua importância na visão da Seicho-No-Ie. constituindo com esses elementos o núcleo fundador da doutrina que expressa um modelo divino de perfeição através da cultura e valores japoneses: A única forma de se conseguir apreender integralmente a Imagem Verdadeira é: de um lado. manifestá-lo sob a forma de prática de caridade e amor. razão pela qual inicia-se pelo agradecimento inicial. “estilo simplificado”. Há duas posturas para se sentar que podem ser adotadas para a prática meditativa. enquanto nas mulheres elas se cruzam. e o direito (migui) a terra. com o objetivo de manifestar a vida divina. antepassados. a segunda parte é o agradecimento inicial. como também o fundador. estando o direito embaixo e o esquerdo em cima. definida como “estilo correto”. Com a união das mãos a energia gerada permite receber a força infinita existente no Universo. é o mundo do Jisso: É o oceano da infinita sabedoria de Deus (repetir 4 ou 5 vezes) . que indica o chamado concentrado de Deus buscando uma total sensação de união (ver tradução no anexo X). Imbuído do sentimento de gratidão. é sentado na cadeira. e consiste em ajoelhar-se sobre as plantas dos pés. a abertura entre os joelhos e maior que a da mulher e as plantas dos pés ficam totalmente sobrepostas. Em quaisquer das posições a coluna deve estar em posição ereta. com as pontas dos pés no chão e os calcanhares encostados na mesma linha da coluna. O taoísmo surge ao indicar que o lado esquero (hidari) representa o céu. podendo se estender livrementes para outras pessoas e coisas. A segunda postura. Este agradecer abrange familiares. onde o lado esquerdo é o pólo positivo e o direito o negativo.79 ordem cósmica no corpo através de uma postura pertinente. o praticante deve entoar o canto evocativo de Deus (Shoshinka). recolhendo os pés para baixo. Após o kiai recitam-se palavras indicando que o fiel está no Mundo Verdadeiro (Jisso) e identificado com os atributos da divindade existentes nesta realidade: Neste momento eu deixo o mundo dos cinco sentidos e entro no mundo do Jisso Aqui. A primeira é a sentada sobre os pés. a partir deste canto em japonês. formando os antebraços um ângulo de 60 graus. onde estou. pátria. torna-se aqui condição básica para realizar a prática e sintonizar-se com o divino. Masaharu Taniguchi. O sentimento de gratidão. Para os homens. “I” significa Vida e “YÚ” . O Shinsokan inicia-se efetivamente. Esta posição justifica-se pela visão do corpo entendido como um dínamo de força bio-magnética. A postura se completa ao fechar os olhos levemente voltados para o centro entre as sobrancelhas e assumindo um semblante tranqüilo. apoiando-se em sua ponta. as palmas das mãos justapostas em frente ao rosto próximas ao rosto. Estando na postura correta. Ao encerrar o canto é emitido o grito (kiai) com som de “IYÚ”. manifestar-se. comentado anteriormente. As cerimônias ou eventos abertos ao público restringem-se ao agradecimento inicial. Antigamente os cantos eram no idioma japonês. estou recebendo de Deus a sua infinita força vivificante (que engloba todos os atributos de Deus acima referidos). batem-se duas palmas e abrem-se os olhos. agradecendo ao final a graça recebida no Mundo Verdadeiro (Jisso) e na crença de sua concretização objetivamente. em japonês. Oração pela Paz Mundial e Canto da Grande Harmonia. como Filho de Deus. A partir da década de 1990 iniciou-se um abrasileiramento da doutrina em suas práticas. 7. Durante esse processo mentaliza-se palavras que indiquem que a força de Deus flui e vivifica o praticante. Neste mundo do Jisso. Canto Evocativo de Deus. Shinsokan e outras Orações. 146 Em seguida é feita uma respiração lenta e profunda. visualizando uma luz incidindo atravmés das mãos justapostas e. M. Ao final pode-se visualizar a coisa desejada e proferir palavras que reafirmem a condição de concretização do objetivo. eu. Encerrando.80 É o oceano do infinito amor de Deus (repetir 4 ou 5 vezes) É o oceano da infinita vida de Deus (repetir 4 ou 5 vezes) É o oceano da infinita dádiva de Deus (repetir 4 ou 5 vezes) É o oceano da infinita alegria de Deus (repetir 4 ou 5 vezes) É o oceano da infinita harmonia de Deus (repetir 4 ou 5 vezes) É o mundo da harmonia absoluta. Não obstante oo grande valor dado a esta prática meditativa. A primeira é a Oração da Paz Mundial e o Canto da Grande Harmonia ( Misumaru no Uta). não se encontrou na Regional Rio Bonito um trabalho sistematizado para o ensino desta técnica. após. Em conversas com lideranças soube-se que também não existe tal iniciativa nas demais regionais. fornecendo ao fiel uma sensação de plenitude. Para o 146 TANIGUCHI. e a meditação Shinsokan foi uma das que sofreram alterações. p. solicitação de orientação ao evento. sendo que atualmente orienta-se que sejam feitos em português. . O final da prática meditativa constitui-se de duas orações. da grande harmonia. comprime-se o ar para o baixo ventre. ocorre o ajuste da vibração mental individual através das ondas de Deus. Pelo fato de não orar em benefício próprio.81 aprendizado. p. tanto à pessoa que ora. Os adeptos dividem-se em dois grupos. mas numa ação solidária para a felicidade e manifestação da Imagem Verdadeira do próximo.3 Culto aos antepassados: o elo eterno Cultuar os antepassados é uma característica inerente que está em todas as Novas Religiões Japonesas. O primeiro é o agradecimento – o fiel é orientado a exprimir o agradecimento aos familiares 147 ANONYMUS. A mútua influência e a ligação afetiva existente pelas relações familiares estabelece um vínculo que a Seicho-No-Ie entende como um duplo compromisso do adepto. e justifica-se o culto a essas personalidades. Deus. isto é. Este conceito se espande quando deseja demonstrar que aqueles que antecederam o descendente constituem base para a integração com a origem primeira. . facilitando a “religação” do adepto à sua origem divina. Desenvolve-se um meio de expansão da espiritualidade através das gerações passadas. Seicho-No-Ie do Brasil. através deste movimento religioso. Estabelece-se. esquecendo-se de si mesmo. surgem melhorias espirituais profundas. um defronte ao outro com funções específicas. Quando se ora para a felicidade do outro. Esta meditação também tem sua versão coletiva voltada à cura e à felicidade de outra pessoa ou grupo. como às que recebem oração. 147 3. e se denomina “Meditação Shinsokan de Oração Mútua”. 34. Encontra-se a justificativa na crença dos elos espirituais e na mútua influência que daí decorre. os que farão e os que receberão a oração: Consiste em uma prática em que os participantes oram uns pelos outros. cria-se uma dimensão que ordena a substância de origem psicológica para o universo dos antepassados. além de orientações obtidas nos locais de reuniões e em alguns eventos específicos que abordem este assunto. uma área de poder no que concerne à realização de cerimônias para a purificação destes elos. o adepto utiliza publicações específicas e gravações. Esta prática acontece em reuniões e seminários com a orientação das lideranças. nesta perspectiva. A nova religião é a revelação final. possa. Nesta perspectiva. como de reconhecimento às felicidades usufruídas. Em geral. a verdade plena e completa. as religiões anteriores não são de todo repudiadas. é o da ajuda em procurar esclarecer aos familiares falecidos sobre a sua real natureza espiritual. O esclarecimento pretendido visa. p. Com freqüência. cônscio do poder concretizador de sua mente. O segundo compromisso. ser feliz e estar predisposto a auxiliar seus descendentes dentro do contexto do mundo espiritual onde ele se insere.82 falecidos. O Livro das Religiões. pois cada uma. 275. por si só. Maomé. contribuindo financeiramente em seu nome com o movimento religioso para que essa receba orações através dessa iniciativa. Costumam alegar que se trata de uma síntese de todas as grandes religiões do mundo – e transformam Moisés. conseqüência dos bons atos que eles praticaram. a Seicho-No-Ie se posiciona com a missão de ser um elemento de reintegração das demais 148 GAARDER. mas vistas como uma tradição antiga e vital que tem sua resolução ou consumação na nova religião. contém apenas uma fração da verdade. a idéia é que as velhas religiões já esgotaram seus papéis. J. a que o antepassado. limpeza de túmulo e inscrição da pessoa falecida como membro da Missão Sagrada. como o culto em locais de reuniões. e vêem a si mesmos como “a religião das religiões”. Tendências universalistas da Seicho-No-Ie Os novos movimentos religiosos afirmam que são universais e aplicáveis a todos. 4. perfeita e dotada de qualidades divinas. decorrente da gratidão reconhecida. a resposta última. Jesus. . Krishina e Buda em seus precursores. leituras de sutra perante o altar existente na residência. A relação entre adepto e antepassados estabelece-se através de participação em cerimônias coletivas. numa alusão à lei do carma que estabelece o recebimento de ações equivalentes aos próprios atos ou dos familiares. 148 O sentido de expansão percorre as Novas Religiões Japonesas. tanto por serem o vínculo com Deus e de proteção aos membros da família. ao conscientizar-se de sua perfeição divina e das demais pessoas. festividades como a do Santuário Hoozo em Ibiúna. Temas controversos como religião. e para isto propõe-se como meio a sua doutrina e as práticas definidas por seu fundador Masaharu Taniguchi. 76. o complexo de renovação do mundo. tornando-se assim uma “super-religião”.”149 A posição messiânica e não-sectária assumida pela Seicho-No-Ie transparece numa atitude de integrar fés religiosas através de sua doutrina. vol. inclusive o homem. a base para o surgimento das NRJ. também tudo que o compõe. entende-se que a legitimização possa ser nele inserida com as seguintes ponderações: ela avalia que o mundo no qual se vive. 8. entendido como fenomênico. economia e outros são abordados na retórica de Masaharu Taniguchi para legitimar sua doutrina e torná-la atraente no sentido de mostrar uma unicidade. Essas características são elementos que atraem muitos adeptos. além de fornecer credibilidade aos seus argumentos. 64. Apud. abordado no capítulo I desta dissertação. conseqüentemente. p. . baseando-se em sua obra A ordem do discurso 150 Com fundamento no conceito desenvolvido por Ronan Alves Pereira. mas faz a reinterpretação através dos livros da doutrina e. a utilização da lógica cristã para reforçar os próprios conceitos. Masaharu Taniguchi deu início à sua doutrinação pela qual é criada uma política para expressar estratégias de envolvimento e domínio como: publicações sobre os mais variados assuntos e tendo algumas voltadas a público específico como mulheres e jovens. psicologia. juntamente com a Tenrikyo. fundindo todas as fés do mundo. p. Ediléia Mota. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. ciência. A Verdade. M. reinterpretações de outras religiões na ótica da Seicho-No-Ie. DINIZ. na ausência de um núcleo ou associação. Esse é o Movimento de Iluminação da Humanidade da Seicho-No-Ie. não espelha a perfeição inata do mundo verdadeiro (Mundo do Jisso) e. A legitimização através desse expediente foi abordada por Diniz ao citar Michel Foucault. Espera-se uma aproximação deste ideal de perfeição neste mundo numa abordagem universal. entendida como a única que possa explicar a “essência” de todas as religiões. por fim.. este designado na forma idealizada de Filho de Deus. 149 150 TANIGUCHI. O não-sectarianismo já era utilizado pela antiga seita Oomoto que foi.83 religiões através de seus ensinamentos: “Um movimento religioso sem sectarismo e partidarismo. o adepto poderá freqüentar a igreja que desejar. estando nas mãos de seus militantes a grande missão de concretizar tal intento. 151 152 TANIGUCHI. no correto modus vivendi e no correto modo de educar organizamos movimentos concretos que dominam doenças e todas as formas de sofrimentos humanos. acontecem a cada dois anos com duração de um dia e em locais próximos à sede. foi 250 e 130 respectivamente. 152 Com vistas a criar viabilidade para esses eventos existe uma organização que tem base estruturada e articulada com planos de divulgação e administração.84 alçado como mediador de Deus através do recebimento de revelações provindas da divindade Ookami. A salvação. 37. imbuídos de uma missão redentora. se expressa principalmente nos seminários promovidos no decorrer do ano. Diante dessas estratégias. sob a responsabilidade de cada regional. entendida de acordo com o movimento religioso. M. A duração varia aproximadamente de dois a dez dias. O adepto. o deus da Seicho-No-Ie. ao aceitar os ensinamentos e dispor esforços no aprimoramento de suas ações e modo de pensar. diz o item 7 das “Sete Declarações Iluminadoras da Seicho -No-Ie”: “Baseados na correta filosofia de vida. Os Seminários da Luz. p. 2003 e 2005. como são chamados os locais de estadias que indicam centros de fé. .” 151 O dinamismo da Seicho-No-Ie e de seus militantes. exceção para a divulgação em japonês realizada em conjunto com outras regionais na subsede central. com um total aproximado de 600 pessoas. Estes eventos acontecem nas quatro academias de treinamento espiritual. tem nessas iniciativas a sua salvação. para fundar sobre a face da terra o Reino dos Céus de amor mútuo e cooperação. a média de participantes nos dois últimos eventos. deve ser universal. No caso da Regional Rio Bonito. Informações obtidas na representação administrativa da Regional Rio Bonito em julho de 2006. Shinsokan e outras Orações. para a divulgação em português e em japonês. todas as iniciativas observadas nas várias campanhas educativas e eventos se inserem no universo globalizador de base religiosa. Neste contexto. onde os adeptos participam de várias atividades voltadas ao conhecimento e práticas dos princípios doutrinários. em 1934 o movimento disseminou-se na região noroeste e na Alta Paulista. além da leitura dos livros e da Sutra Sagrada Kanro no Hoou. Daijiro Matsuda. As atividades dos irmãos atraíram os japoneses residentes nas regiões de Duartina e Gália. após ler o volume 1 da coleção Seimei no Jisso (A Verdade da Vida) de autoria de Masaharu Taniguchi. Em 30/5/1951 a Seicho-No-Ie brasileira foi reconhecida pela sede do Japão. que se resumia na meditação Shinsokan (Contemplação do Supremo Divino). Shigekazu Saitô e Masaru Ômae. por intermédio de um imigrante japonês residente em Taipas (município de São Paulo). o ritual mais fundamental da Seicho-No-Ie. na cidade de São Paulo. os dois irmãos. começaram a divulgar o ensinamento e a curar doenças. com o objetivo de unificação dos grupos existentes em São Paulo e Paraná. Desse modo. o médico Katsumi Tokuhisa (1910-2001). residente em Ribeirão Claro. Baseando-se nos ensinamentos de Masaharu Taniguchi. Gália e Guararapes. e além disso entraram em contato com a sede do Japão obtendo uma assinatura da revista Seicho-No-Ie. e no ano seguinte foi enviado ao Brasil um representante e um dos principais líderes do movimento. Em 1933. . Daijiro e seu irmão Miyoshi passaram a ler assiduamente esse .85 5 Desenvolvimento da Seicho-No-Ie no Brasil O primeiro contato com a Seicho-No-Ie em terras brasileiras foi proporcionado por um exemplar da revista Seicho-No-Ie que chegou ao Brasil em 1932. Muitos os procuravam pedindo reza. Após esta cura. Seicho Taniguchi. pensando em salvar de sofrimentos os seus vizinhos brasileiros. e veio ao Brasil o genro. sendo reabertas em 1946. Em 1956 realizou-se o Primeiro Congresso Nacional das Shirohato-Kai (Associação de Senhoras). com núcleo em Duartina. sucessor do fundador da Seicho-No-Ie. perto de Duartina. Ainda em 1952 estabeleceu-se oficialmente a Sociedade Religiosa Seicho-No-Ie do Brasil. seu atual presidente (julho de 2006). um lavrador japonês. foi curado de disenteria amebiana. As atividades da Seicho-No-Ie se retraíram no período da guerra. como aconteceu com Daijiro. Em 2/3/1955 inaugurou-se a Academia de Treinamento Espiritual em Ibiúna. e como líderes os irmãos Matsuda. Em todo esse período não houve nenhuma supervisão por parte da sede da Seicho-No-Ie do Japão. Em 1950 iniciou-se a primeira etapa de avanço na disseminação da doutrina com a revista Mutsumi (Harmonia). Alta Paulista. tendo como público principal os japoneses. entre 1976 e 1992. obediência e salvação. de 1950 a 1960. e em 1966 instituiu-se o Departamento de Divulgação em Português. e devido o após-guerra. recebido em 1973 a visita do fundador. 153 Na continuação da análise do processo de desenvolvimento da Seicho-No-Ie. a criação da Liga dos Novos Educadores e a organização de Seminários da Prosperidade para empresários. mencionados a seguir. antiga denominação de dendoins. já eram em torno de 70 % brasileiros. Santa Fé (Bahia). tem-se outro estudo154 em que os fatos. e Curitiba (Paraná). a Seicho-No-Ie estava bem estabelecida na sociedade brasileira. a partir de metas estabelecidas em 1960. e em 1999 os preletores. Nessas fases de desenvolvimento destacou-se a criação de novas academias de treinamento espiritual: Santa Tecla (Rio Grande do Sul). De acordo com Maeyama. Em julho de 1965 foi lançada a revista Acendedor. tendo até. B. estabeleceu associações e promoveu encontros como. na década de 1970. por isso. Além disso. L. em 16/9/1987. a partir do 153 MAEYAMA. . Masaharu Taniguchi. pp. A segunda compreendeu o intervalo de 1942 a 1949. pp. A primeira abrangeu o período de 1933 a 1941. A Seicho-No-Ie na década de 1960 no intuito de divulgação de sua doutrina para setores específicos da sociedade. denomina-se “segunda fase de avanço ”. 25-26. indicam a dinâmica na qual a organização se inseriu. As associações locais aumentaram de 155 para 2003. etapa denominada “germinação”. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. houve um aumento considerável no número de adeptos e de suas atividades. por exemplo. Em primeiro lugar. Seicho-No-Ie do Brasil: agradecimento. M. em 2/7/1982. foi a etapa denominada “fase de avanço”. iniciando os trabalhos de doutrinação de brasileiros e nisseis. em 1968 promoveram-se dez dendoins (uma categoria de pregador) brasileiros. A terceira. em 21/2/2004. Numa segunda etapa. e essa etapa foi denominada “colapso”. T. A quarta etapa iniciou-se a em 1960 e se caracteriza pela diversificação das atividades. 131-132. Num terceiro momento. 154 ALBUQUERQUE. Este progresso se manteve. houve quatro etapas no processo de desenvolvimento da Seicho-No-Ie no Brasil.86 A partir de 1960 a Seicho-No-Ie voltou-se ao proselitismo e aumentou consideravelmente o número de adeptos. Em 1963 aconteceu a vinda de Masaharu Taniguchi ao Brasil. época de organização e união. época de difusão de iniciativa individual. foi de divisão e lutas internas. Atualmente (julho de 2006) a Seicho-No-Ie no Brasil está presente em 23 Estados. a Seicho-No-Ie está representada na maioria dos países sul-americanos. sendo estas últimas aquelas que respondem organizacionalmente pelas associações ou grupos que estão se iniciando em uma região. O processo de expansão na atualidade se processa especialmente através da mídia. Masaharu Taniguchi cataliza os elementos que se expressam numa religiosidade em que a palavra se torna importante para divulgação e expressão de uma nova religiosidade que as NRJ acenam ao Japão e ao mundo. . Além da sede central. acrescentam-se os programas de rádio e de televisão. Além de publicações e locais de divulgação. como se verás no capítulo V. o caráter expansionista a mídia é um traço que se tornou evidente na Seicho-No-Ie do Brasil. e é este processo que será estudado no capítulo III.87 trabalho de divulgação no Brasil. e neste panorama. é expressivo o número de locais de divulgação na Grande São Paulo e interior do Estado (ver anexo VII). entre associações locais e regionais. A palavra torna-se nessa religião o elemento principal de ligação com o adepto ao sagrado para expressar o modelo divino (Jisso). Entre as Novas Religiões Japonesas. A Seicho-No-Ie cresce e se difunde numa época de modernização e procura de assimilação de uma cultura ocidental. como um elemento mágico e transformador da realidade daqueles que dela se aproximam. se inserem num processo de práticas educativas no anseio de compreensão da realidade que ela apregoa. Dentre essas declarações. acontece a iniciação para quem deseja conhecer a “religião da palavra”: Seicho-No-Ie. quando de sua fundação.88 CAPÍTULO III – A PALAVRA E A SUA DIREÇÃO ESPIRITUAL Neste capítulo deseja-se mostrar a visão e o uso da palavra pela Seicho-No-Ie. através desse quadro. 5 e 7. Acreditamos ser o princípio da manifestação da vida o Caminho do Evolver Infinito e acreditamos também ser imortal a vida que se aloja em cada indivíduo. e também pelo modo como seus adeptos. Desse modo. No início de qualquer atividade nesse recinto é reverenciada. Ao adentrar num local de reunião da Seicho-No-Ie. tendo como recurso um escrito emoldurado. pela palavra. através de um discurso onde religiosidade multifacetada e cultura japonesa se mesclam nesta doutrina. Este posicionamento em relação à palavra se traduz nos próprios objetivos desta religião. 3. o que se vê num altar simples e que se destaca como elemento central desse cenário é um quadro com a palavra Jisso (Imagem Verdadeira) representada em caracteres japoneses. glorificando a Vida. a outra relaciona-se à palavra na educação. que mostram a valorização. em toda a sua doutrina. abaixo transcritas. 2. tornando-se um elemento identificador do grupo ao qual eles se associam. Pesquisamos e publicamos a Lei da Criação da Vida para que a humanidade possa seguir o Caminho Verdadeiro do Evolver Infinito. seja quanto ao proselitismo. expostos. seja teoricamente dentro de seu corpo doutrinário. . desse poder da palavra tanto no que se refere ao seu corpo doutrinário quanto de elemento inserido em sua estratégia proselitista: 1. viver em fiel obediência à Lei da Vida. É expresso claramente nas publicações e atividades o valor que se dá ao uso da palavra. destacamse as de número 4. “A Grande Vida Imanente no Universo”. Serão discutidas duas direções já inseridas no capítulo anterior: uma é sobre a palavra fundadora e a representação do núcleo de poder. Declaramos transcender todo sectarismo religioso e. nas “Sete Declarações Iluminadoras da Seicho-No-Ie” de autoria de Masaharu Taniguchi. A Humanidade é Isenta de Pecado. A forma esperada do templo é substituída pela palavra-templo. A Seicho-No-Ie é um movimento religioso e educacional que surgiu para mostrar sob uma forma nova a Verdade de que o “Verbo é Deus”. Dentro desta perspectiva. pp. 37. Nós. A Seicho-No-Ie é a religião verdadeira que surgiu com uma peculiaridade sem precedentes em parte alguma do mundo. O local sagrado que renova o mundo e o santifica transfere-se para a obra escrita. o espaço do templo perde sua forma e se mostra como algo que está interiorizado através da palavra. seminários. posiciona-se como uma entidade que possui sua transcendência através do livro. em sua visão sagrada da palavra.89 4. que agora traz em si a função de comunicação com o divino. o qual se dilui nesta perspectiva. já abordado no capitulo I relativo à Nova Era. 317-318. no correto modus vivendi e no correto modo de educar organizamos movimentos concretos que dominam doenças e todas as formas de sofrimentos humanos. O primeiro. pois Deus é o Verbo que fala a Verdade. 156 Há dois pontos a comentar sobre o texto acima. conferências. as palavras de amor e os elogios constituem o poder criador da palavra que torna concreto o amor. transmissões radiofônicas. e por meio desta pode ser partilhado com outras pessoas independentemente do local físico. 6. refere-se à sacralidade do espaço religioso que se destaca pelo ritual e sua santificação. Idem. Em que consiste essa peculiaridade? Consiste na afirmação de que não são necessários majestosos templos materiais para venerar Deus. A palavra-templo cumpre o seu papel de se tornar o “lugar” 155 156 TANIGUCHI. Acreditamos que o Amor é o esteio da vida e que a oração. Baseados na correta filosofia de vida. M. e constituem Seus templos os livros que contêm palavras da Verdade. constituindo suas escrituras o seu templo verdadeiro e a leitura um ato de veneração a Deus. . Filhos de Deus que somos. 5. p. para melhorarmos o destino da humanidade por meio do Poder Criador das boas palavras divulgamos a doutrina mediante a divulgação de boas palavras através de publicações. acreditamos possuir em nosso interior a Possibilidade Infinita e poder atingir o estado de absoluta liberdade pelo uso controlado do Poder Criador da palavra. da televisão e de quaisquer outros meios culturais. para fundar sobre a face da terra o Reino dos Céus de amor mútuo e cooperação. 7. Venerar Deus é ler Suas palavras contidas nos templos chamados Livros Sagrados. Shinsokan e outras Orações. 155 A Seicho-No-Ie. Tudo isso pelo poder da PALAVRA. A doença é curada pela mudança espiritual motivada pela leitura do mensário “Seicho-No-Ie” ou “A Verdade da Vida”.] a experiência do sagrado torna possível a “fundação do Mundo”: lá onde o sagrado se manifesta no espaço. no “Caos”. “cursos” e “seminários”. p. A aura educacional que permeia a relação da religião com os fiéis produz uma representação prática de ser um estudo. O Budismo esotérico também tem o que chama “método misterioso de cantar Mantra” e “usar o poder da palavra para fazer chover e curar doenças. É também o poder da 157 ELIADE. . 59.. o que se evidencia nas entrevistas com adeptos quando estes utilizam termos como “estudar os livros”.90 onde o religioso procura a comunicação com o divino. “grupos de estudos”. o que significa que o poder da palavra desenvolverá a natureza divina do homem e unificará o homem e o salvador Amita Buda em único ser. desse modo. O espaço material que antes cumpria essa função deixa de o ser – a necessidade de sacralização está “feita” e disponível ao fiel. 1 A palavra e o sagrado Diz a Bíblia que a “Palavra é Deus“ e ”Todas as coisas foram feitas pela palavra”. de ordem ontológica.” A seita Shinshu do Budismo diz que pronunciar “Namu-Amidabutsu” fará com que se atinja o estado de Buda. os quais se revestem de um caráter de estudo e cujo melhor exemplo é a existência de livros que abordam a pedagogia de seu fundador. os inserem nesta religiosidade. A palavra-templo sacraliza a existência de quem a receba e a siga tornando-se um novo ser. Mircea Eliade sustenta: [. segundo item a ser analisado. o real se revela. Nesta nova “realidade” é possível manifestar no mundo terreno a realidade do mundo divino. o Jisso. quer dizer. dinâmicas que. abre a comunicação entre os níveis cósmicos (entre Terra e o Céu) e possibilita a passagem. um “Centro”. Esta posição se evidencia nas explanações sobre a doutrina. de um modo de ser a outro. em seus escritos e cursos.. Mircea O sagrado e o profano. produz também uma rotura de nível. diz respeito ao fato de esse movimento ser visto além de seu caráter religioso inerente. o Mundo vem à existência. 157 A atuação educadional. Mas a irrupção do sagrado não somente projeta um ponto fixo no meio da fluidez amorfa do espaço profano. Esta tônica do encaminhamento do poder divino para o interior é um rumo que tomou vulto e teve uma dimensão de expansão para o Ocidente através da Nova Era. Esta abordagem aparece também claramente em outras culturas não orientais. o meio que o liga ao divino. Marília Godoy elucida: A análise mística da origem da palavra na alma do homem e em Deus e em deuses. forma a chave do segredo da filosofia nativa. praticamente reduz-se a vida cultural ao empenho religioso. Esta mística da palavra é o que norteia os adeptos da Seicho-No-Ie. 13. Verifica-se que a mística introduz meios de realização espiritual em vários campos. A fama tão divulgada de serem os guaranis “discípulos da palavra”. ele possui as mesmas qualidades e poderes de Deus. manifestar a vontade divina. a palavra por ele usada pode transformar as condições em que ele se encontre. p. Caso se expresse de modo negativo. e ao mesmo tempo. onde ela assume o papel de purificar a mente e de ser o elo com o Criador. constitui-se a base do processo criador que se aloja nele. torna-se ainda instrumento para atuação social no sentido de. herdado de Deus.91 PALAVRA. em sua essência. A purificação no xintoísmo consiste em aplicar o poder da PALAVRA para purificar o homem de seus pecados e impurezas. sendo a expressão da própria mística espiritual. Educação da Vida. . M. O dom da palavra no homem. também estará criando um ambiente semelhante. e que “a liberdade da palavra exprime a liberdade da vida”. A PALAVRA é Deus. como a dos índios guaranis Mbya. A pessoa ao proferir palavras ou ter pensamentos de harmonia. progresso e felicidade estará trazendo para esta realidade um mundo já existente criado por Deus tanto mais perfeito quanto pura for sua mente. O triunfo da palavra na sua via mística tende para a vida social no seu exercício espiritual. ao se expressar. A palavra. “Todos os seres são vivi ficados pela palavra”. difunde-se pelo meio místico no 158 TANIGUCHI. 158 De acordo com o que se discutiu e seguindo o paradigma básico da religião – a visão do homem como um ser de origem divina – então teoricamente. Desse modo. o mundo de Deus. Reconhece-se que este é o centro principal desta doutrina. e passou a publicar através de mim a revista divina Seicho-No-Ie. 159 Diferentemente dos guaranis. O Misticismo Guarani Mbya.1 A natureza sagrada do poder divino da palavra A sacralidade da palavra surgiu na Seicho-No-Ie como algo concebido por um ser divino e recebido pelo fundador. letramento e reflexão própria. da palavra ter em si. O efeito desejado ao usar essas sílabas irá depender da forma de expressá-las. “Foi este „Deus da Seicho-No-Ie‟ quem iniciou o Movimento de Salvação da Humanidade. remete ao conceito do kotodama.92 qual a palavra inspira poderes intuitivos de revelação divina comanda a existência humana na realidade. isto é. em si o poder de transformação do nível de consciência de percepção da realidade da pessoa que a profere ou a recebe. as escrituras tornam-se sagradas por sua origem e detentoras de poderes atribuídos por essa possessão divina. Dentro deste entendimento. 159 160 GODOY. abordado em livros de Masaharu Taniguchi e utilizado em algumas cerimônias. a fim de propagar esse pensamento para iluminar a vida da humanidade. G. mas o que existe em comum é o valor dado a toda e qualquer forma de sua manifestação que possui. a vida do homem. Marília G. TANIGUCHI. Esta idéia. A Verdade da Vida. 1. volume 3. a palavra nesta religião estudada expressa e se ordena como compreensão.” 160 O uso da palavra expressa. M. . Este poder transformador da palavra vai além de uma abordagem de retórica ou persuasão. Kotodama refere-se à crença existente na cultura japonesa de que as sílabas que compõem o alfabeto japonês possuem um poder intrínseco de mudar ambiente e pessoas. que a palavra pensada. embora entre ambas haja a sede espiritual do conhecimento na alma do homem. em várias conotações. pp. um poder concretizador. além de estabelecer contato com os deuses. proferida ou simbolizada por uma pessoa tem o poder de concretizar aquilo que se propõe representar. 62. p. 58-59. Entre os fiéis é abordada a crença no poder da palavra. tais como no norito (preces de rituais de purificação xintoístas). ou seja. preenche o Universo. Idem. integrando-se a uma mentalidade 161 162 . Essa mentalidade. o princípio do kotodama aparece nesta meditação como fator principal na concretização do que se almeja. e. assim. uma prática contemplativa desenvolvida por Masaharu Taniguchi. expandindo-se em forma de ondas mentais da humanidade. 53. que seria a soma total dos pensamentos de todos os homens. Praticamo-la com espírito de humildade. TANIGUCHI. e também como o meio de ligação com o divino: A Meditação Shinsokan é uma prática espiritual tariki. Explicações detalhadas sobre a meditação Shinsokan. neste cenário. Então a força criadora do Universo entrará em ação para concretizar neste mundo fenomênico exatamente aquilo que mentalizamos. de entrega total à força de Deus. de entrega total. mostra-se como o meio principal de transformação da realidade e consciência daquele que a utiliza. são inseridos conceitos como psicanálise e psicologia. . Preleções sobre a interpretação do Evangelho segundo João à luz do ensinamento da Seicho-No-Ie. p. M. 147. é o inconsciente coletivo. A mente assume algo que possui uma extensão maior do que seu caráter individual presumido. Masaharu Taniguchi utiliza-se do conceito de inconsciente coletivo: No Universo existe uma consciência comum a todos os homens – o chamado inconsciente coletivo. concretiza-se aquilo que mentalizamos. suas vibrações chegarão até a Mente do Universo. que. Se repetirmos determinadas palavras com total desprendimento e as gravarmos no subconsciente. 162 A palavra. e para exemplificar. . 161 Este princípio do uso da palavra aplica-se tanto a mente de um indivíduo como de um grupo. compondo deste modo o ambiente no qual são efetivadas as cerimônias e reuniões e onde o adepto aprende como utilizar o poder da palavra para a resolução de seus problemas.93 Dentro deste contexto de crença no poder da escritura concedida por um deus e práticas xintoístas. Ao lado das escrituras existe um dos pontos principais dentro desta doutrina que é a meditação Shinsokan. acreditando com absoluta fé na força das palavras mentalizadas. Numa explicação mais detalhada de Taniguchi. p. 00. e ainda por cima. existe uma prática a palavra escrita serve de meio para o adepto receber orações e que se denomina “Forma Humana”. Além do uso da palavra falada. idade. percebeu-se o empenho em realizar as leituras de sutra e livros. com os respectivos valores de R$ 2. é solicitado o preenchimento de uma folha (ver anexo XI) contendo o nome. estará formada a base para a captação das vibrações pelo adepto. É desse modo que o uso da palavra e seu uso torna-se o elemento principal de identificação dentro do grupo. mantendo-se um formulário com a pessoa e outro no local de orações.00. Este expediente para recebimento de orações estende-se para automóveis e residências. que pode ser de 1. variam desde específicos como saúde ou prosperidade. Este expediente.00 e R$ 20. O princípio da eficácia desta prática baseia-se na premissa de que. No caso de crianças o formulário ficará com o responsável. Os desejos. atrair elementos e situações similares. com o uso de palavras que enfatizaem a crença na concretização de seus planos e que sempre expressem fatores positivos em relação a qualquer situação ou pessoa. tem sua base na crença de que todos estão envoltos em ondas mentais que podem ser captadas pelas pessoas e. Por outro lado. especificamente ao desejo de quem as pede. Esta dinâmica cria expedientes para os fiéis no sentido de direcionar para um determinado adepto as vibrações de orações. por sua vez. a pessoa registra a sua vibração “biopsico energética”.94 que abarca os pensamentos de outros seres participantes de um processo de influências mútuas. além do número do desejo de acordo com tabela fornecida. Existe ainda o período de validade para receber as orações. temas que envolvem as necessidades dos adeptos e indicam as concepções de um homem moderno. quando seus componentes se autodenominam praticantes desta filosofia. cidade. Deste modo. Este . ao escrever de próprio punho o seu nome nos dois formulários.50. cujo uso está muito difundido entre os adeptos. num total de 15. Na Regional Rio Bonito têm-se atualmente (julho de 2006) a média mensal de 120 solicitações de “Forma Humana”. R$ 12. Neste universo a oração tem como objetivo transmitir vibrações positivas que se traduzirão em situações benfazejas a quem as “receber”. até genéricos como solução de problemas. 3 ou 6 meses e 1 ano. como de sua própria identidade. R$7. como também a preocupação em sua rotina diária. Apesar da valorização da meditação Shinsokan. no contato com os adeptos constatase que poucos fiéis a praticam. foram traduzidas. 165 Ao serem criadas as cerimônias da Seicho-No-Ie. na qual o formulário (ver anexo XI) denominado Hitogata (Forma de Homem) possui figura e formato semelhantes aos da “Forma Humana”. após orações e explicações sobre o ato. considerando o xintoísmo uma religião(informação com base na publicação institucional Modelo de procedimentos nos rituais da Seicho-No-Ie).163 Esta prática tem similar na religião Oomoto. em suma. . prosperidade. com olhos cerrados. que no conceito da Seicho-No-Ie se traduz na lei de causa-efeito. Para toda e qualquer manifestação do aspecto divino se concretizar. p. dentro de conceitos xintoístas ou budistas. e um estado de beatitude da própria pessoa. Uma delas remete à repetição de um conjunto específico de palavras no intuito de. recitarem juntos.2 A palavra e as cerimônias As cerimônias estão marcadas por uma ênfase xintoísta165 e por algumas práticas budistas. como harmonia de ambiente. sendo utilizado em cerimônias de purificação. adotou-se o estilo xintoísta pelo fato de que no Japão. antes usadas em japonês. ANONYMUS.95 número expressa a soma de pedidos efetuados nas reuniões nos idiomas português e japonês. Harmonia e Perfeição compara-se ao recitar “Namu-Amidabutsu” como citado no início deste capítulo. pp. Nessa época o termo Jisso foi traduzido pelos dirigentes. o que seria um meio de despertar a natureza divina (Jisso). e a prática denominava-se “Jisso Enman Shôgyô”. transformar as condições e a própria pessoa em algo que se traduz. 166 . em todos os participantes. A prática Imagem Verdadeira. para a língua portuguesa como “Imagem Verdadeira”. “Imagem Verdadeira. Oomoto: Doutrina e Literatura. 28-31. A prática acontece em reuniões abertas ao público e consiste. com o poder da recitação. Práticas para o Aprimoramento Espiritual: Que são – Como executar. 164 1. Esta prática sofreu um processo particular de influências. uma purificação dos carmas. faz-se necessária. 166 163 164 Informações obtidas na representação administrativa da Regional Rio Bonito em julho de 2006. por cerca de 30 minutos as palavras. Departamento de Ofícios Religiosos da Seicho-No-Ie do Brasil. Antes da tradução a frase recitada era “Jisso Enman Kanzen”. 33. de forma geral. os adeptos. de mãos justapostas em frente ao rosto e sentados. freqüentam santuários xintoístas. No início da década de 1990 as palavras. Harmonia e Perfeição”. independentemente de serem cristão ou budistas. saúde. voltada aos antepassados. Na Seicho-No-Ie. ” 167 Existe outra prática que se destina a usar a palavra escrita e falada no processo de purificação da pessoa168. Neste processo de catarse. esta prática recitativa consiste na afirmação contínua e conscientização da infinita provisão. O participante desta atividade designada Purificação da Alma (Jyôshingyo) deve manifestar.169 este aumento traduz-se nos números de público e de registros: nome de famílias e de pessoas falecidas para quem o culto é oferecido. 34. 16-20. que a prosperidade flua livremente em sua vida. a cerimônia do Santuário Hoozo. durante a queima dos papéis. 167 168 ANONYMUS. Um dos estudos poderá ser o de constatar se a diminuição de características orientais atrairia um determinado tipo de público em detrimento de outro. Uma segunda cerimônia – voltada à recitação e executada coletivamente com o objetivo específico de manifestar a prosperidade na vida do adepto – é aquela denominada Reino de Deus de Infinita Provisão: “Voltada para manifestação da prosperidade. e inclusive às crianças abortadas. a começar da realização da festividade. pretende-se a partir da leitura da sutra. p. sobretudo em reuniões e seminários. Idem. os sentimentos agressivos e negativos que estão na sua mente ou que se lembre de ter vivenciado. 169 Informações obtidas na Superintendência de Comunicação da Seicho-No-Ie do Brasil em julho de 2006. Esta prática geralmente é feita coletivamente. Durante a cerimônia os registros espirituais preenchidos são lidos pelos oficiantes. permitindo. sacerdotes xintoístas. e queimados. no mês de abril. Seicho-No-Ie do Brasil. Para as almas constantes dos registros se presta o culto. pp.96 A ocidentalização presente e seus efeitos constituem um assunto que deve ser aprofundado. . haja vista o número expressivo de pessoas que comparecem a essa cerimônia nos locais de reuniões. ao se exteriorizar sentimentos negativos que afligem a pessoa. “Cerimônia em memória dos „anjinhos anônimos‟” tem um público que aumenta a cada ano. com cinco orações diárias pelo período de um ano. dessa forma. De acordo com informações da Seicho-No-Ie. a purificação do participante e das pessoas falecidas da família. Uma cerimônia e prática de grande aceitação pelos brasileiros é o Culto aos Antepassados. os antepassados. através da escrita. 000 3.000 3. Durante a leitura são acesos incensos com o intuito de purificação do ambiente e preparação para a participação de seres espirituais elevados.000 15. Na Regional Rio Bonito.494 Participantes 8.000 661. 170 Informações obtidas na representação administrativa da Regional Rio Bonito em julho de 2006.000 3.200 13.200 8.548. da sede central. e de transmitir conhecimentos que os libertem de quaisquer limitações.170 Tabela 3: Santuários Hoozo .594 230.193 2.000 18. cada regional dedica-se a obter e enviar os registros para culto nessa festividade. pelo nome. seguem-se os registros obtidos.000 Fonte: Superintendência de Comunicação da Seicho-No-Ie do Brasil Além.000 12.Registros obtidos e metas na Regional Rio Bonito Divulgação 2006 Meta 2005 Meta 2004 Meta Português 8.000 8. Os adeptos são orientados no sentido de lerem diariamente a sutra Chuva de Néctar da Verdade para os entes falecidos como forma de agradecimento e oração. o responsável por conduzir a cerimônia faz uma explanação sobre a importância e significado da prática. Em seguida é lida a sutra Chuva de Néctar da Verdade (Kanro-No-Hoou) (ver anexo X). Após a explicação o oficiante invoca. os antepassados da família ou pessoa falecida.575 1.000 Japonês 7. em relação às metas estabelecidas pela sede central.431 1.000 7.500 8.000 20. .023.000 6.200 7.000 Fonte: Administração da Regional Rio Bonito Antes de iniciar o culto aos antepassados.061.97 Tabela 2: Registros e participantes das Festividades do Santuário Hoozo Ano 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Registros 198.000 3. p. segunda. Atualmente (julho de 2006) o culto aos antepassados quando realizado por sacerdotes denomina-se “Cerimônia em Memória (Agradecimento ou Gratidão) aos Antepassados”. DINIZ. com algumas abordagens diferentes. Essa nova estratégia teve reflexos na dinâmica das reuniões abertas ao público que. de acordo com o setor doutrinário da Seicho-No-Ie do Brasil..] no ritual budista procede-se à „cerimônia de 49 dias‟. p. 136. Esse mecanismo de aproximação é parte de um processo sempre presente. o que não é en ao ensinamento de Masaharu Taniguchi. apesar de continuarem a ter uma duração de duas horas. 172 . 172 A partir da década de 1990 iniciou-se um processo mais intensivo de aproximação dos brasileiros não-descendentes de japoneses inseridos no panorama cultural brasileiro num proselitismo marcado de mudanças em práticas e traduções de termos em japonês. em japonês. em primeiro lugar e de assimilação. E.98 O culto aos antepassados existe tanto no xintoísmo como no budismo.. tiveram incluído um intervalo para não cansar a maioria do público não acostumado com a antiga disciplina existente. após o falecimento: “[. revistas e outras publicações da instituição. O motivo de deixar de utilizar a palavra culto. cultuando a memória do morto. Melhore seu destino cultuando os antepassados. M. No ritual xintoísta é realizada a „cerimônia do 50º dia‟” 171 sendo este o procedimento adotado. e quando feito somente pelo adepto chama-se “Oração em Gratidão aos Antepassados”. deveu-se ao fato de entenderem que esta palavra traz em si a idéia de idolatria. M. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. Esta mudança evidencia o valor da palavra relativamente à procura de pontes de identificação com a cultura onde o movimento religioso deseja se instalar. Uma diferença é a referente ao primeiro dia de culto. 20. cujos nomes e conteúdos foram traduzidos paulatinamente para o português. As mudanças também resultaram na abolição. posteriormente aparece bem no caso da Seicho-No-Ie em que o seu itinerário é o mesmo dos imigrantes japoneses de primeira. Isso se faz presente nos nomes das associações. terceira ou mais gerações. em especial em religiões importadas como a Seicho-No-Ie: Esse mecanismo de manipulação. do Canto Evocativo de Deus 171 TANIGUCHI. M. . agitá-lo na direção do local. p. Nas cerimônias coletivas havia o Rito de Purificação (Oshubatsu) de origem xintoísta. Ela foi elaborada através da idéia “Batismo através da Força da Palavra”173. O Oshubatsu consistia em efetuar a oração Amatsunorito e. Inicialmente é executado o Canto Evocativo de Deus (ver anexo X). 100. veiculação de espíritos de antepassados à tabuleta memorial do altar da família e fúnebres em geral. objeto ou pessoa a serem purificados. O processo de aproximação abordado estendeu-se às cerimônias. em seguida é feita a leitura da 173 TANIGUCHI. o Conselho Doutrinário da Seicho-No-Ie do Brasil estabeleceu a extinção deste estilo cerimonial a partir de 2006. tendo solicitado a devolução por parte das regionais de todos os trajes xintoístas para os oficiantes dos cultos. único de origem budista. As orações em japonês eram três: Canto Numeral (Kazu Uta). A cerimônia Ooharai é realizada nas regionais e na sede central da Seicho-No-Ie nos finais de junho e de dezembro. antepassados. Além disso. Imagem Verdadeira e Fenômeno.99 (Shoshinka) e do Canto da Grande Harmonia (Misumaru no Uta) constantes do Shinsokan. Esta cerimônia tornou-se central no Brasil e revestiu-se de grande misticismo. após interpelação de Masanobu Taniguchi sobre a razão de estarem sendo utilizadas cerimônias xintoístas no Brasil. Este rito era utilizado também para purificação de moradia. a Igreja Católica não aceitava batizar seus filhos. As cerimônias individuais da Seicho-No-Ie são: individual de antepassados. Ela visa a limpar as manchas provenientes de males cometidos pela pessoa. Canto da Vida Eterna e Canto de Iluminação. Consoante o preletor Eduardo Nunes. A cerimônia (não-xintoísta) de batismo só existe no Brasil e surgiu a pedidos de adeptos que. com o Bastão da Purificação (Oonusa) constituído de várias tiras de papel simbolizando quatro deuses que estão nelas. anjinhos (aborto). casamento e batismo. sendo pais solteiros. que foi abolido. desde 2004 não são mais usadas orações em japonês nas cerimônias coletivas para antepassados. quando de cerimônias abertas ao público. veículo e de estabelecimento comercial. Essas cerimônias com raízes xintoístas despertavam muita atenção no universo brasileiro do pluralismo religioso pelo seu caráter de distinção e mistério. As cerimônias coletivas existentes são: Ooharai. surgiu a cerimônia do batismo com elementos cristãos e da própria doutrina da Seicho-NoIe. Para facilitar o transporte pelas pessoas existem vários 174 TANIGUCHI. . No caso da sutra. 2 Leituras do caminho sagrado Os livros e sua leitura vão além do modo de obter conhecimento e proporcionar o despertar espiritual e a cura dos que os lêem: eles são um meio de transmitir o poder de cura.” 174 Nesse contexto da sacralidade da produção literária. A Verdade da Vida. como relacionamentos e cura de doenças. mas também a possibilidade de obterem sabedoria e poder. ou ainda de serem um meio de manifestação de algo divino: “Se os senhores transmitirem fielmente aos outros os ensinamentos transmitidos em minhas palestras e contidos em meus livros. Os estilos ”provisórios” nas cerimônias que deixaram de ter seus rituais xintoístas estarão vigentes até o final de 2006. e com a mão direita sobre a cabeça da criança declara: “ A criança está purificada do pecado original. ela funciona como talismã ou amuleto (omamori).” Obedecento ao conceito de convergência do sincretismo. A leitura da sutra também é indicada para solucionar vários problemas. e após o oficiante coloca a mão esquerda sobre qualquer conjunto de 5 volumes da coleção “A Verdade da Vida”. Como foi dito. o poder propalado da palavra pela Seicho-No-Ie vai além de leitura. As pessoas criam através da leitura não só a sua própria salvação. e conseqüentemente.. volume 25. caminho provável a ser seguido para as demais cerimônias no Brasil. M. sendo os adeptos orientados a lê-la todos os dias para as pessoas falecidas da família. quando então estarão definidas as novas práticas. Acredita-se que pelo poder de suas palavras torne-se um elo com Deus. 242. p. Ela é elemento essencial no culto aos antepassados.. sendo a mais utilizada a Kanro-no-Hoou (A Chuva de Néctar da Verdade) (ver anexo X). Em relação ao casamento existe a proposta de adoção de uma cerimônia em estilo “cristão”. há de se destacar que em praticamente todas as práticas da Seicho-No-Ie existe a leitura de sutras. de proteção. certamente se tornarão capazes de curar doentes [.100 Revelação Divina (ver anexo X).]. fala ou pensamento. Que o Espírito Santo se aloje nela e a oriente. FERRETTI. como Ferretti esclarece: “[. os „sincretismos‟ se fazem com base em elementos constitutivos preexistentes.] a presença do sincretismo não descaracteriza a tradicionalidade da religião.. as cerimônias e os livros doutrinários estabelecem a SeichoNo-Ie como um movimento religioso. Sérgio F. Estão eles citados nos objetivos desta religião. 3 A palavra e a educação Neste trabalho pôde-se refletir sobre a existência de um movimento filosófico e sobre a eminência de seu fundador. M. p. o seu núcleo fundador é preservado ao se distinguir como religião de origem japonesa. que se impôs por uma área pedagógica própria. inclusive no formato de pingente. externados nas “Declarações Iluminadoras” abordadas no início deste capítulo. 22. constituindo.101 tamanhos.” A crença na palavra. na medida em que o público não-descendente de japoneses aumentou consideravelmente.”175 A espiritualidade a ser apreendida reveste-se de um processo de aprendizado dentro de princípios. A despeito de todas essas ações engendradas. costumes e palavras no idioma japonês. dentre as quais destaca-se a oitava: “Filhos de Deus que somos. acreditamos possuir em nosso interior a Possibilidade Infinita e poder atingir o estado de absoluta liberdade pelo uso controlado do Poder Criador da palavra. de acordo com o contexto histórico”. 13. p. mas seu processo de disseminar suas idéias acontece principalmente dentro de uma perspectiva educacional permeada de cultura japonesa.. pelas informações da entidade. A educação com ênfase na palavra tornou-se o pilar da pedagogia de Masaharu Taniguchi: “A Seicho-No-Ie afirma que a verdadeira educação é trazer de dentro para fora as coisas boas por meio do poder da palavra. com cerimônias. no menor livro do mundo. Este processo de apresentar-se com traços marcadamente nipônicos arrefeceu um pouco nos últimos anos. . Repensando o Sincretismo: Estudo sobre a Casa das Minas. 176 TANIGUCHI. pois além de a tradição ser dinâmica. Educação da Vida. 176 175. Um sincretismo acentua-se cada vez mais no sentido de adaptar o movimento religioso à cultura brasileira visando a manter-se atuante em seu proselitismo. Esta é a razão por que as gestantes. nos cursos da Seicho-No-Ie. e para tanto o educador ou os pais devem sempre procurar elogiar algum fato ou algo relacionado ao educando. A Seicho-No-Ie tendo em sua doutrina claramente uma proposta educacional e pretendendo divulgá-la possui o Departamento de Educadores que existe desde 1968. a criança passa por um processo psicológico. ao entulhamento de conhecimentos. mas é preciso também. o educador deve focalizar aquilo que a criança tem maior propensão e prazer em desenvolver. visitas às escolas. sendo responsável por atividades como concursos literários. seminários específicos e outos cursos. Deste modo. Além disso. pela influência de ondas mentais.102 3. como ele mesmo diz. . são orientadas para enviar pensamentos de harmonia e de elogio à criança que está para nascer. procurando externar esse talento sem se limitar à idade e sim ao ritmo individual do aprendiz. A pedagogia não se restringe à criança para que ela tenha seu talento e perfeição reconhecidos. A ênfase no uso de palavras reconhecendo as qualidades da criança fez com que esta educação seja conhecida como Pedagogia do Elogio. a pedagogia de Taniguchi tem sua preocupação no desenvolvimento da intuição. é muito enfatizada a necessidade de reconhecer as partes positivas do educando. com o foco nas qualidades e utilizando palavras elogiosas. por sintonizar-se e conscientizar-se a sua perfeição inerente e divina. não compactuando com as iniciativas de ensino que visem. uma atenção aos pais. como pelos seus pensamentos na mente da criança. de acordo com a filosofia.1 A palavra na educação infantil A educação taniguchiana apregoa que todos os recursos relativos ao uso da palavra devam ser utilizados para facilitar a expressão das potencialidades inerentes às crianças. mas também. ou “elos espirituais”. No caso da palavra falada. há a extinção dos defeitos. responsáveis e professores no que concerne à sua própria educação. cursos sobre a pedagogia taniguchiana presencial e por correspondência. que refletirá tanto pela sua postura. emvez disso. Expressar em palavras as qualidades do educando está de acordo com o princípio propalado por Masaharu Taniguchi: “só aparece o que é reconhecido”. . recursos de lousa. Nesta perspectiva. este com subdivisões que o capacitam a ser expositor em eventos e lugares determinados. enfocando a resolução de problemas deste mundo através de meios religiosos. Uma seita manipulacionista possui um grande grau de sincretismo. Estes graus são obtidos através de cumprimento de metas como tempo de trabalho em um dos locais de reunião. L. p. Ela oferece uma técnica para. Em outras palavras. Este trabalho foi abordado por Albuquerque178. e não raro. contribuição. “177 Ao apresentar este universo educacional e religioso. todos os adeptos fizeram distinção entre religião que professam e a Seicho-No-Ie. 177 178 ALBUQUERQUE. e outros. M.2 Aprimoramento espiritual num processo educacional Aqueles que procuram conhecer esta religião japonesa encontram uma ênfase no estudo. 103. Interessante atentar ao fato de a Seicho-No-Ie não se apresentar marcadamente como religião e. muito embora se declarem católicos ou espíritas. participação comprovada de cursos e aprovação em exame. Grupos atraídos por essa abordagem só se sentem unidos pela utilização de um método em comum de salvação. definindo esta como “filosofia que ensina a gente a viver”. projetor. atingir seus objetivos. como em cursos e seminários. Em suas reuniões o palestrante expõe o tema tendo em mãos livros. e uma estrutura que procura transparecer um modelo educacional organizado. tomam como fonte de orientação de vida o método eminentemente sincrético de salvação de Taniguchi.103 3. entende-se que esta religião possui identificação nas classificações manipulacionista e taumatúrgica de Wilson Bryan apresentadas em Sociologia de las sectas religiosas relativas às seitas e ao seu caminho de salvação. Os palestrantes possuem o título de líder de iluminação ou preletor. As idéias são difundidas basicamente por textos que exprimem um caráter educacional. Em sua maioria. sim como uma filosofia. Idem. obediência e salvação. são pessoas voluntárias e provindas da classe média urbana. Seicho-No-Ie do Brasil: agradecimento. B. chegando às vezes acontecerem dinâmicas de grupo. tudo se passando como uma aula. manipulando o mundo. o caráter educacional se destaca: “Em primeiro lugar. solucionar os problemas imediatos. Para seus adeptos existem encontros como seminários e cursos com temas e públicos específicos. as graças (sombras) obtidas desaparecerão em pouco tempo. O processo educacional dos que ingressam na Seicho-No-Ie a aproxima mais de uma racionalização do sagrado. É ridículo orar pedindo apenas vantagens próprias: “quero saúde” ou “quero prosperidade nos negócios”. Devemos orar pelo aprimoramento espiritual. aproximando-se do mágico e. Enquanto não realizarmos as virtudes do Jisso. M. volume 9. 179 Nas técnicas apresentadas é possível classificar a Seicho-No-Ie também como taumatúrgica no sentido de ensinar a lidar com poderes espirituais.117. tanto a saúde como a prosperidade nos negócios. A Verdade. inclusive. pela paz espiritual. pois é nela que acontece a absorção dos conhecimentos doutrinários. que dão origem à sombra. Devemos orar primeiramente para sermos uma pessoa de virtude digna de um Filho de Deus. . mas ela procura manter suas práticas espirituais na busca de um 179 TANIGUCHI. pelo amor semelhante ao de Deus e também pela coragem e força necessárias para colocar essas virtudes em prática. São poucas as pessoas que recebem graças porque são muitas as que perseguem apenas a sombra.104 Este tipo de comportamento de encarar a religião meramente como um meio de obter coisas profanas tem um lado que pode conduzir ao desencantamento do adepto quando a técnica apresentada não produza os resultados esperados. De conformidade com a doutrina da Seicho-No-Ie tal atitude estaria fora do propósito religioso no qual se espera uma identificação com o divino em todas as atitudes e ações do fiel. pela compreensão mais profunda da Verdade. E então virão. na medida do necessário. Dentro das classificações citadas nossa atenção volta-se à estrutura “educacional” própria da classificação manipulacionista. Ao contrário de algumas seitas que possuem fortemente estas características. não é necessário demonstrar tais poderes para ascender a graus mais elevados dentro da organização. com a colaboração de adeptos professores. A leitura e os grupos de estudo são outro recurso utilizado e. De nada adianta apegarmos-nos às sombras porque a sombra não tem substância. p. na orientação e elaboração de material específico. utilizando-os. 180 A doutrina da Seicho-No-Ie expressa seu caminho ao sagrado através da palavra e o faz num contexto educacional. 180 WEBER. numa busca de facilitadores de expressão religiosa que surgem junto ao adepto. Tal posição remete ao nível de racionalização de uma religião. . Masaharu Taniguchi. p. Max Religião e racionalidade econômica. onde ele trata das religiões orientais: Para apreciar o nível de racionalização que uma religião representa podemos usar dois critérios básicos. O primeiro é o grau em que uma religião despojou-se da magia. que será estudada a seguir. que se inter-relacionam de várias maneiras. Na expressão da palavra inicia-se a inserção da Seicho-No-Ie no cenário religioso e social tendo como base fundamental a obra literária de seu fundador. 151.105 equilíbrio nesses campos. abordado por Max Weber em seu ensaio “Religião e racionalidade econômica”. o outro é o grau de coerência sistemática que imprime à relação entre Deus e o mundo e em consonância com isso à sua própria relação ética com o mundo. Dentro de sua formação com elementos japoneses e ocidentais engendra uma dinâmica de combinação e recriação. atual presidente. palestras. 181 Existem livros de lideranças japonesas e brasileiras.106 CAPÍTULO IV . É de destacar-se a produção escrita. Nos últimos anos Masanobu Taniguchi – neto mais velho de Masaharu Taniguchi e o próximo presidente na sucessão – tem manifestado sua participação em livros. distante da brasileira. a princípio. tendo atualmente (abril de 2006). Nas décadas que se seguiram. . e. e 181 Informações obtidas na Superintendência de Comunicação em janeiro de 2006. em menor número. Um espaço particular de identidade religiosa origina-se pela representação da palavra através do número expressivo de obras editadas e do uso dos meios de comunicação. 191 títulos. como não poderia deixar de ser. por onde se iniciou o processo de divulgação desse movimento religioso de origem japonesa que procura manter suas características originais nipônicas ao expressar uma religiosidade oriental através de uma cultura. Além disso. de acordo com dados da SeichoNo-Ie do Brasil. mas apesar de um número expressivo de palestrantes de ascendência não-japonesa. e com sucesso junto aos não-descendentes de japoneses. sendo 171 traduções do idioma japonês. o grande desenvolvimento dessa religião junto ao público brasileiro refletiu-se no aumento de traduções. serão considerados o seu símbolo e a sua projeção pública.O PATRIMÔNIO ESCRITO Neste capítulo serão registradas as principais obras escritas sobre a Seicho-No-Ie classificando-as numa perspectiva de entendimento quanto ao que se destinam. A maioria das obras. Deste modo é registrada a sua singular expressão no cenário religioso e no espaço histórico no contexto das NRJ no Brasil. são editados e vendidos no País em torno de 300. era de autoria de Masaharu Taniguchi. público e temas abordados.000 livros ao ano. e de um dos principais líderes do movimento. neste sentido. o médico Katsumi Tokuhisa. de seu genro Seicho Taniguchi. Ao final a palavra é analisada na sua concepção da imagem e. restringindo suas participações a poucas gravações de palestras em mídia e alguns artigos em revistas da Seicho-No-Ie. criações de líderes do movimento no Brasil. Observando a obra escrita constata-se que nas décadas de 1960 e 1970 havia poucos livros traduzidos e raras publicações de autoria de pessoas ligadas ao movimento. e os demais. não existem obras por eles publicadas. Essa época permitiu-lhe um aprofundamento no estudo do budismo. 1. a pedagogia de Masaharu Taniguchi. Em sua produção literária são tratados temas como clonagem. mas tradicional em seus conceitos. o lançamento do movimento e a sua base doutrinária. O entendimento dessas produções literárias permite conhecer a gênese e os princípios que norteiam o movimento religioso Seicho-No-Ie. a Vacuum Oil. respectivamente. meio ambiente. nanotecnologia. com filial no Japão. os marcos importantes nesta religião e que expressam. tanto comercial quanto culturalmente. a partir de seus estudos e interpretações.107 destacadamente em encontros com lideranças brasileiras. a partir da qual estabeleceu a visão cristã do movimento. a revista Seicho-No-Ie e a coleção A Verdade da Vida. Seicho-No-Ie – edição especial. na época doe lançamento da revista. reforçar os pontos básicos da doutrina da Seicho-No-Ie nos novos tempos. 1 Obras de Masaharu Taniguchi A produção em torno de 400 títulos escrita por Masaharu Taniguchi tem em duas obras. O primeiro número da revista Seicho-No-Ie182 apresentou idéias que nortearam não só as publicações posteriores como a estrutura deste movimento religioso.. onde trabalhou por oito8 anos. estava empregado como tradutor numa empresa americana do ramo petrolífero. Um fato interessante que se pode citar é que Masaharu Taniguchi. cristianismo e da Ciência Cristã(Christian Science). Nos tópicos existentes é importante verificar a abordagem de ciências e idéias ocidentais. . M. 1993. Os itens do 182 TANIGUCHI. é importante lembrar que o Japão na época estava em plena era Meiji e totalmente aberto às influências ocidentais. para. tendências próprias das NRJ.1 Revista Seicho-No-Ie: o início Para melhor contextualizar o surgimento da revista Seicho-No-Ie. mantendo-a atualizada em sua forma. além do objetivo e da estrutura para a disseminação da doutrina da Seicho-No-Ie através de grupos de estudo. mostrando os novos rumos do movimento. a lei mental que existe dentro de nós. do dr. Em sua justificativa. onde o seu poder concretizador e purificador e se uso são destacados e apresentados utilizando trechos de livros sagrados. e aquele que conhece a lei mental consegue a liberdade do seu destino. como já visto. Banpou Yuishin quer dizer que “tudo é manifestação da mente”. na realidade. método positivo para a manutenção da saúde. objetivo da revista Seicho-No-Ie e como deve ser lida. por fim. Aquele que conhece o princípio do fogo utiliza-se livremente do fogo. . transmitindo a lei da mente. A Seicho-No-Ie se propõe a salvar a humanidade das mãos tiranas do destino. 183 Masaharu Taniguchi apresenta o seu movimento religioso como uma expressão budista e também o identifica com aqueles existentes nos Estados Unidos. principalmente da Bíblia cristã. Este fato é algo que permeia as NRJ. sendo basicamente uma proposta de estudo da lei mental. o homem poderia transpor dificuldades e alcançar a verdadeira liberdade. e Cristo respondeu à indagação de Nicodemos. A “verdade” referida por Cristo é. Marden e. aos quais ele classificou como “embasados no princípio do progredir infinito” e voltados ao estudo da lei mental. New Tough e Christian Science.108 primeiro número foram: significado espiritual do surgimento da Seicho-No-Ie e sua obra. o 183 TANIGUCHI. pp. o modo de viver da Seicho-No-Ie. Por sua vez. fenômenos espirituais do dramaturgo dinamarquês. aquele que conhece o princípio da água utiliza-se livremente da água. que é o de utilizar como ponto de conexão com outras culturas não-nipônicas. e nesta perspectiva ele entendia que ao buscar conhecimento e aplicação consciente dessa lei. Seicho-No-Ie – edição especial. e se repete na Seicho-NoIe. Mas Sakyamuni proclamou “Banpou yuishin”. Nessa edição o líder do movimento estabeleceu que seu movimento não era religioso. M. a força da palavra surge com destaque no tópico referente ao objetivo da revista.7-8. “A verdade vos libertará”. A força da mente é reiteradamente utilizada nessa publicação a começar pelo artigo “O Modo de Viver da Seicho -No-Ie”. ele reforçou seu discurso através de referências a outras religiões: Os senhores poderão duvidar quanto a ser possível realmente uma obra tão grandiosa como a de consumar a felicidade da humanidade apenas estudando a lei mental e praticando-a na vida cotidiana. 187 A influência ocidental transparece nessa primeira obra de expressão de Masaharu Taniguchi.109 cristianismo e seu livro: a Bíblia.. para sair de uma situação difícil. 12. Desta maneira ele justifica suas idéias em relação à influência da mente sobre o corpo e traça um paralelo sobre a necessidade de o homem voltar ao seu estado de pureza. para demonstrar às forças de ocupação americanas no Japão que a Seicho-No-Ie não era uma organização secreta. p. Teruko. M. Essa postura de utilizar princípios científicos ligados à mente para justificar idéias é reiteradamente utilizada pela Seicho-No-Ie. são destaques. TANIGUCHI. Taniguchi expressa a sua interpretação. Após citar passagens desta escritura e de livros de outras religiões. foi enfatizado na Seicho-No-Ie tendo um papel destacado dentro do seu sincretismo doutrinário. p. 15. respeitando-o como marido. 142. É por isso que. Seicho-No-Ie: a study of a japanese religio-political association. 185 Deste modo. 184 A abordagem de textos cristãos intensificou-se após a Segunda Guerra Mundial quando. T. Masaharu Taniguchi usou a Bíblia em suas obras como elemento de reforço e confirmação de seus argumentos. 47. p. no passado remoto. numa procura de conciliação entre ciência e 184 185 TANIGUCHI. com base na Ciência Cristã. Masaharu Taniguchi resolveu traduzir e publicar a Coleção de Pensamentos Iluminadores do Mundo. bem como Stekel e Breuer. dentro de uma posição conciliatória na procura da confirmação da validade dos ensinamentos da Seicho-No-Ie: Como se vê. 186 MAEYAMA. do professor Hardman e outros professores da corrente da filosofia Ciência Mental. através do conhecimento das leis mentais para libertar-se de seus sofrimentos causados ou atraídos por ele mesmo. nº 1. 187 WIMBERLEY. os japoneses chamavam uns aos outros de mikoto (mi=belo. koto=palavra) e se respeitavam reciprocamente. que a palavra (Verbo) se corporifica (se torna carne) e habita entre nós. Reverenciando-o como mestre. considerando-se divindades. O cristianismo. Seicho-No-Ie – edição especial. Através da palavra nos tornamos puros ou maculados. Masaharu Taniguchi valeu-se de sua máxima. citada por Mayeana 186 – “o homem virtuoso adapta-se às circunstâncias”. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. felizes ou infelizes. Neste panorama cristão na sua doutrina. Tópicos relativos à psicanálise onde cita estudos de Freud e Jung. as escrituras do Oriente e do Ocidente são unânimes em pregar que na palavra há vida. entre os mais conhecidos. . Hickman Howard. A Religião tem Razões que a Razão Desconhece. 7. em qualquer circunstância ou fato. deve-se levar em consideração a influência da mente. M. p. em si. MAEYAMA. de Lucien LÉVI-BRUHL. Tais recursos de linguagem vão ao encontro do agrado das massas populares. na ênfase conferida pela Seicho-No-Ie à autoridade da argumentação científica. algo constante no discurso de Masaharu Taniguchi. B. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. as representações ilógicas e místicas baseadas em analogia satisfazem às aspirações populares da necessidade de representação do tipo “Lei da participação”. e a partir desta afirmação ele justifica a inexistência 188 189 ALBUQUERQUE. ao traçar um paralelo entre a evolução do bicho da seda e sua relação com o seu casulo. L.110 religião para. p. Em outros termos. Essa atitude conciliatória existe também em relação à ciência no sentido de mostrá-la numa posição idealizada com o propósito de. 60. como observou Mayeana: TANIGUCHI expõe os princípios fundamentais acima utilizando-se abundantemente de analogias literárias que lhe são características. convencendo por este meio os leitores. e o homem com seu corpo.”188 O expediente de utilizar conceitos científicos como reforço e justificativa dos ensinamentos estende-se ao uso de uma linguagem de recriação simbólica. uma versão idealizada da ciência como prática voltada para o Bem e da Verdade. 189 Esse recurso utilizado está dentro do pensamento de seu fundador de que. a relação entre os fatos históricos e a mitologia é ligada à relação entre uma berinjela real e a berinjela pintada por um grande artista. De acordo com Masaharu Taniguchi faz-se necessário que a ciência entenda que o fenômeno é produto da mente e por ela é moldado.& SOUZA. e “as ondas da alma”. tornar esta última um conhecimento. além da pura crença justificada numa postura racional dentro de sua perspectiva doutrinária. Outro exemplo encontrado na mesma obra é sobre a comparação da mente com o projetor de um filme. M. . Estes fatos são utilizados livremente como justificativa dos princípios de sua doutrina. Este recurso encontra-se em publicações como a sutra Kanro-No-Hoou. A relação entre a alma e o fenômeno é explicada pela analogia da relação entre os negativos do filme e as imagens. B. deste modo. revelar uma sabedoria imanente que transcende o materialismo: “Percebe-se. T. às ondas luminosas. o princípio de Chûshin Kiitsu (todos os seres convergem para o centro) ligado ao átomo e à composição molecular. que se encontra no trecho abaixo da sutra Chuva de Néctar da Verdade (Kanro-No-Hoou): [.]191 Entender que tudo que existe é produto da mente justifica que o conhecimento das leis que a regem torna-se um dos principais objetivos da Seicho-No-Ie. aparece a doença.. A Verdade. cujo conteúdo refere-se a fenômenos ligados a experiências do espiritismo. A rigor a matéria não existe. 26. tendo por base a energia que nela vibra. Idem. se nela for projetado um doente. vol. “Na verdade vemos a imagem construída na mente. ou um doente.. [.. e nele não existe lutador nem doente. M. Neste sentido. pode-se entender a inclusão do artigo referente ao dramaturgo dinamarquês Julius Magnussen: “Fenômenos Espirituais do Dramaturgo Dinamarquês”.” 190 Para explicar a mente e sua influência sobre a matéria e. Um outro tópico que se deve analisar é aquele referente à abordagem de assuntos espirituais num contexto ocidental. . juntamente com o do despertar da essência divina. a Seicho-No-Ie assume 190 191 TANIGUCHI. ela é fruto do nosso estado mental. 120. em que aparece um lutador se nela for projetado um lutador. em particular. Masaharu Taniguchi utilizou o recurso simbólico apontado por Maeyama. p. Ao abordar idéias e doutrinas difundidas no Ocidente. Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade. porém o filme cinematográfico em si é incolor e transparente. aparece a saúde.] Pensando-se em saúde na mente. 8. o corpo.. Esta circunstância se assemelha à tela cinematográfica. pensando em doença na mente. p.111 da matéria. o Jisso. no interior da Amazônia. 36 foram traduzidos para o português (ver anexo VIII). 1. restando os de número 19.2 A Verdade da Vida: a obra fundamental A coleção composta de 40 volumes denominada A Verdade da Vida (Seimei no Jisso) constitui. 20. existem correspondências que relatam experiências na aplicação das idéias pregadas por Masaharu. . tendo a coleção toda chegado a ser editada em um único exemplar. A tradução para os demais idiomas foi feita a partir da edição brasileira em português. Além disso. tendo um valor sagrado juntamente com as sutras. Hisae Sakiyama que. Interessante informar que em japonês não há o desmembramento em 40 volumes. pequenos textos e poesias. como no Brasil. É destacável o artigo sobre as idéias pedagógicas de Taniguchi: “Novo método educacional para formar gênios baseado na lei da vida (1). Esta obra teve sua primeira edição no Japão em janeiro de 1932. recurso freqüentemente utilizado e valorizado. dentro da estrutura da revista é dado destaque às notas de rodapé onde aparecem frases para reflexão. em particular a infantil. é um dos mais extensos demonstrando a importância que Taniguchi dedicava à educação. a obra fundamental da Seicho-No-Ie. em sua quase totalidade de autoria do próprio Masaharu Taniguchi. data desse mesmo ano a chegada ao Brasil da 1ª edição do livro A Verdade da Vida (Seimei No Jisso). Esta valorização da educação justificou o desenvolvimento de uma pedagogia própria. Atualmente (abril de 2006). No Brasil o volume 1 da coleção A Verdade da Vida foi lançado em 1962. Para finalizar.112 no seu corpo doutrinário idéias que serviram como facilitadoras de sua aceitação em países ocidentais onde estes movimentos tenham se estabelecido. e de acordo com essa instituição religiosa. junto com o da psicanálise. pelo seu fundador.” Este tópico. formou um grupo de estudo desse livro. 31 e 39. trazida pelo Sr. Essa página preenche expectativas dos adeptos ao caracterizar caminhos de eficácia das idéias apregoadas. dos 40 volumes. 192 192 Informações obtidas em 11/10/2006 na Superintendência de Comunicação da Seicho-No-Ie do Brasil. “[. nem árvore. mas o sagrado [. participar da realidade.. .. Essa obra. uma “revelação divina” do deus da Seicho-No-Ie. de acordo com seu autor. a árvore sagrada não são adoradas como pedra ou como árvore. educação e peças teatrais sacras.] o sagrado equivale ao poder e. M. em última análise. saturar-se de poder”. 193 194 ELIADE. Como um objeto que se consagra sagrado. a aplicabilidade de seus ensinamentos em todos os aspectos da vida. baseia-se no fato de que a leitura propicia a “captação” de ondas mentais similares às idéias que reverberam na mente do leitor. parapsicologia. O sagrado e o profano. verifica-se que alguns livros são compostos de excertos desta coleção. política. psicologia aplicada. à realidade por excelência. assume um caráter sagrado pela sua origem.194 A leitura assídua também é vista como um meio de o adepto não absorver em seu subconsciente idéias contrárias às existentes nos livros. sociologia. Idem. um entendimento da realidade. Masaharu Taniguchi faz deles pontos que reforçam as posições e idéias da Seicho-No-Ie. o livro sacralizado torna-se um meio de revelação e de obtenção de poder de algo mais além desta realidade: o divino imanente: “A pedra sagrada. portanto. no sentido de dar uma gnose que o leitor possa utilizar para a solução de seus problemas. A explicação para isto vai além da fixação em uma linha de pensamento... tais como filosofia. É. eles constam em periódicos desse movimento.]”. Em todos os seus escritos. fácil de compreender que o homem religioso deseje profundamente ser. ética. porque „revelam‟ algo que já não é nem pedra. tornando-se assim. 18. o adepto que deseja uma gnose para obter o poder de transcender as limitações mundanas.113 Esta obra aborda vários temas. religião. mostrando. o consegue pelo livro sacralizado por sua origem e conteúdo.193 Desse modo. Essa sacralização da obra faz com que reiteradamente seja divulgado que sua leitura assídua permite a “iluminação” do adepto. e do mesmo modo. Ao analisar a produção literária de Masaharu Taniguchi. um compêndio em que conhecimento e prática se combinam. mas justamente porque são hierofanias. e mais profundamente. medicina psicossomática. pp. p. tais como a perfeição divina e o poder inerente ao homem de criar sua própria realidade. 18-19. Roy Eugenes Davis. não foram achadas evidências nos encontros promovidos na Regional Rio Bonito. Apesar das publicações abordarem vários assuntos e temas.195 Essa postura suscita “fidelização” às obras da Seicho-No-Ie pelo adepto. o que se reforça pelos expedientes de estudos e cursos baseados na produção literária desse movimento. Se não se fizer assim. p. Ademais. e da criação de uma vasta produção literária. . afora o processo de 195 196 TANIGUCHI. Além da revista e da coleção abordadas. volume 9.114 reforçando os conceitos existentes na obra.. o que reforça a “fidelização” citada e o papel de consumidor do adepto. da Self-Realization Ship. o subconsciente será completamente pintado pelas sugestões vindas incessantemente de fora. do mesmo modo que se passa várias pinceladas de tinta numa pintura. tendo realizado palestras no Brasil em eventos organizados por este movimento religioso. Artigos comentando as idéias desses líderes constam também em publicações da Seicho-No-Ie. Masaharu Taniguchi efetuou traduções de obras de líderes religiosos de movimentos que tinham identificação com os da Seicho-No-Ie. ligado ao New Tough e ao líder religioso hindu Paramahansa Yogananda. A Verdade. como do citado líder religioso hindu em “Teoria de Yogananda sobre Terapia Espiritual”. é algo que envelhece.” E então envelhecerá.196 Através destes contatos. insistindo: “O homem é corpo material. pp. Outro item a destacar é que em conversas com lideranças não se encontrou nenhuma iniciativa conjunta de criação de bibliotecas nas regionais visando ao atendimento prioritariamente de um público de baixo poder aquisitivo. 39. exatamente como foi sugestionado. Desses líderes ocidentais. designado preletor honorário da Seicho-No-Ie. em geral negativas. citam-se Roy Eugenes Davis. entende-se. adoece e morre. 99-132. Idem. que fervilham na mente da humanidade: A leitura repetida das palavras da Verdade pinta diversas vezes na tela do subconsciente o pensamento “o homem é Filho de Deus e é perfeito”. de iniciativas de estudo de obras não pertencentes ao movimento. adoecerá e morrerá. na visão de seu fundador. ao assumir a atitude da leitura. M. A Verdade e a Saúde: Aplicação prática na vida cotidiana. o fiel deixa de ser passivo às sugestões. onde os ideais propagados indicam presença e participação. família e outros. Neste objetivo entende-se como pertinente apresentar. seus objetivos e utilização traduzem-se em meios que atraem um público a ser inserido em um processo educativo nos locais de reuniões (ver anexo VII). Meditação: trata das publicações que explicam um dos pilares da Seicho-No-Ie: a técnica meditativa Shinsokan. . A Verdade da Vida: apesar de esta coleção estar inclusa também na classificação acima. casamento. aborda temas pertinentes a este universo como lar. Segredo da Mente: sendo uma religião que surgiu como estudo das leis mentais. “A Essência da Seicho-No-Ie” tem seu destaque por ser considerada obra sagrada e principal deste movimento. na perspectiva da Seicho-No-Ie.115 identificação citado. 197 Introdução à Seicho-No-Ie: obras que trazem de modo simples os conceitos prioritários e básicos desta doutrina. a começar pela revista Pomba Branca. em relação à divulgação. a classificação de suas publicações. Prosperidade: livros que abordam a prosperidade numa perspectiva de um produto da mente do homem em consonância com princípios éticos e sagrados. Livros da Seicho-No-Ie. 197 ANONYMUS. como a abordagem dada por Masaharu Taniguchi a temas como economia e política. Nesta diversidade de produção existem itens que podem ter seu estudo aprofundado. Mulher: como segmento expressivo de público. as publicações voltadas à mulher. A Essência da Seicho-No-Ie: literatura com uma linguagem e aprofundamento maior dos ensinamentos. um conseqüente expansionimo das propostas teóricas dos ensinamentos envolvidos. essas páginas ressaltam o poder da mente em criar e modificar a realidade do homem. 2 Representações e ordenações das obras As publicações. 116 Vida Cotidiana: obras de caráter geral, isto é, sem um público ou assunto específico, embora existam publicações nesta classificação que são temas de uma das características básicas da NRJ: o culto aos antepassados; Orações e Sutras: livros de caráter sacro utilizados também, no caso das sutras, em cerimônias públicas; Educação dos Filhos: obras voltadas aos pais e educadores, tendo como uma das principais obras a Pedagogia da Seicho-No-Ie de autoria de Masaharu Taniguchi; Jovens: publicações voltadas a este público, ressaltando a necessidade de realizações dentro de uma perspectiva religiosa e ética baseada nos princípios da doutrina; Infanto-Juvenil: constitui-se em publicações para este público com livros de orações, e principalmente de histórias infantis abordados na visão da Seicho-No-Ie; Assinaturas: aqui constam as revistas Fonte de Luz, Pomba Branca e Mundo Ideal, além do jornal infantil Querubim, publicações em que é possível fazer assinatura anual; Outras Publicações: nesta última classificação têm-se, sobretudo, as canções (ver anexo V) utilizadas nas reuniões, amuletos de proteção (miniatura da sutra Kanro-NoHoou) e “cadernos” para “concretização de orações”. Estes “cadernos” são controle de leitura da sutra, pois se apregoa que ao ler mil sutras ininterruptamente, concretiza-se o bem almejado, algo relacionado com o poder da palavra. Ainda sobre este poder, existe uma caderneta com a finalidade de registrar um desejo, data de formulação e de concretização para que, quando realmente manifestado, a fé do adepto se fortaleça na crença dos princípios da Seicho-No-Ie. Neste número diversificado de publicações destacam-se algumas obras ou grupos que caracterizam esse movimento religioso quanto à sua expressão e estratégia de atender diferentes públicos, mas mantendo em sua base o seu núcleo fundador, modelo de perfeição que se manifesta pela palavra em bases culturais originais japonesas. 2.1 No universo das revistas As revistas da Seicho-No-Ie, desde sua fundação, constituem o elemento mais importante na divulgação deste movimento religioso, e hoje (abril de 2006), juntamente com os programas de televisão, tornam-se o eixo propagador mais forte desta religião no Brasil. 117 No mesmo ano de lançamento da revista Seicho-No-Ie, 1930, de acordo com dados da sede central do Brasil, em outubro do mesmo ano chegou às mãos do senhor Katsuzo Tanigaki, residente em Lins, o número 4 deste mensário e, desde então, ele passou a importar todas as publicações da Seicho-No-Ie. Segundo a Seicho-No-Ie, em janeiro de 2006 a soma da tiragem mensal das três revistas editadas, Fonte de Luz, Pomba Branca e Mundo Ideal estava em torno de 500.000 exemplares. Obedecendo à estrutura japonesa, a segmentação destas publicações seguiu um processo natural. Não obstante a crescente penetração da Seicho-No-Ie através de outras mídias, como o rádio e especialmente a televisão, as revistas continuam sendo um elemento muito importante na captação de novos adeptos. Sua importância é tão grande que estratégias como doações são incentivadas pela organização, e para exemplificar, vê-se na Regional Rio Bonito a seguinte tabela: 198 Tabela 4: Média mensal de revistas adquiridas para doação na Regional Rio Bonito Divulgação Cotista Exemplares (*) Português Japonês 150 200 1.750 2.600 (*) os valores referem-se à soma total das três revistas editadas: Fonte de Luz, Pomba Branca e Mundo Ideal. Segue-se a apresentação das revistas editadas: 2.1.1 Revista Fonte de Luz Esta publicação é a mais importante graças a seu histórico e ao sucesso junto aos não-descendentes de japoneses. A primeira revista em português, Seicho-No-Ie, foi lançada em julho de 1954, mas aquela que teve um grande sucesso de vendagem foi a revista Acendedor, atual Fonte de Luz. 198 Informações obtidas na representação administrativa da Regional Rio Bonito em julho de 2006. 118 O primeiro número da revista Acendedor foi lançado em 18 de julho de 1965, sendo responsável por sua edição o departamento voltado à divulgação desse movimento entre os jovens brasileiros, a Associação dos Moços da Seicho-No-Ie do Brasil. Os colaboradores da primeira edição da revista Acendedor foram: Hakuiti Higashiyama, Osvaldo Murahara, Wilma Nishi, Tomico Sassaki, Takeshi Katsumata (desenhista e idealizador da capa) e o empresário da Gráfica e Editora Daido Ltda., Yoshiichi Miyamoto. O lançamento foi por ocasião da 10ª Convenção Nacional da Associação dos Jovens. Nas décadas de 1960 e 1970, através sobre consulta de publicações da época, a estrutura básica desta revista mensal, constituía-se de quatro partes. Em primeiro lugar, a partir de um artigo ou trechos de um livro referentes a um tema específico, eram agrupados parágrafos identificados pelo dia do mês, com um título. Esta estrutura de “calendário” já existia no volume 40 da coleção A Verdade da Vida. PALAVRAS DO DIA 27 MANTENHA SEMPRE UM ESPÍRITO ALEGRE E POSITIVO Você nunca deverá ser presa de pensamentos e sentimentos negativos tais como inquietações, preocupações, suspeitas, ciúmes, etc. Deve sempre procurar manter pensamentos positivos como confiança, felicidade, alegria e despreocupação. Quanto mais forem iluminados o seu pensamento e emoções, ouvirá mais claramente a voz da orientação de Deus. A voz de Deus é ouvida muitas vezes como uma voz silenciosa que vem à mente ou alguém nos visita trazendo alguma coisa opotuna que sirva de orientação. 199 Em seguida, havia temas específicos para mulheres, jovens e educadores, tendo para estes últimos a abordagem da pedagogia taniguchiana. Exemplos: O Caminho para a Felicidade do Lar, Trechos Escolhidos para Jovens e Assim se Educam Crianças Talentosas. A terceira parte constituíam de artigos de lideranças do movimento, em sua maioria, provinham de livros ou palestras de Masaharu Taniguchi. Em menor escala existiam artigos da esposa do fundador, Teruko Taniguchi, de seu genro, Seicho Taniguchi, 199 TANIGUCHI, M. Revista Acendedor, nº 12, p. 18. 119 e de seu principal assessor, o médico Katsumi Tokuhisa, além de poucos e pequenos artigos de lideranças brasileiras. Por fim, existiam os relatos de experiências, quando adeptos, geralmente exibindo sua foto, falavam sobre como superaram algum problema através dos princípios religiosos aprendidos, num discurso enfático sobre a fé adquirida. Desde o primeiro número, além de artigos relacionados aos princípios básicos da filosofia apregoada, existiam matérias relativas aos textos cristãos. Exemplo disto é que no primeiro número iniciou-se uma série de transcrições e interpretações, com base nos ensinamentos da Seicho-No-Ie, do Evangelho segundo São João. Em relação a esta abordagem cristã, vale lembrar que os primeiros livros traduzidos da coleção A Verdade da Vida seguiram esta mesma linha, começando pela interpretação do Gênesis e do Sermão da Montanha, o que evidencia a já citada procura de pontos de conexão com a cultura brasileira e sua religiosidade predominantemente cristã. Apesar de Masaharu Taniguchi caracterizar a Seicho-No-Ie como a religião que possibilita extrair a essência das demais, ao interpretar seus ensinamentos à luz de seus princípios doutrinários encontra-se na sua produção literária, predominantemente, uma análise de textos pertencentes ao cristianismo e ao budismo. A estrutura citada de “calendário” vigorou até a década de 1980, quando foi abolido mas se mantiveram os artigos e relatos, e incluídas as orações do mês para cada dia da semana. Ainda nesse período iniciou-se a troca do nome da revista numa tentativa de uma maior aproximação com o público brasileiro. Numa estratégia de mudança gradativa, a revista conviveu com dois títulos: Acendedor e Fonte de Luz, da edição 173 até a 265, respectivamente, de maio de 1984 a janeiro de 1992. Neste período o nome atual Fonte de Luz foi se destacando e, em contrapartida, diminuindo o de Acendedor, quando em janeiro de 1992 passou-se a se designar unicamente como Fonte de Luz, titulo que vigora até hoje. Em julho de 1995 200, 30 anos após o lançamento da revista Acendedor, houve uma mudança significativa: o tamanho, antes de bolso (12,5 cm x 17,5 cm), passou a ser igual ao de uma revista comercial (18,0 cm x 25,5 cm). Além disso, no novo conteúdo vale ressaltar a inclusão da coluna “Mistério da Natureza”, um modo de relacionar natureza, ciência e 200 Revista Fonte de Luz, p. 4. 120 religiosidade. Nesta seção encontravam-se temas como a água, sua composição e sua relação com a vida no planeta e a do homem, e neste contexto inserem-se conceitos da doutrina como a origem divina da natureza e do homem, e a necessidade do agradecimento. Esta revista, lançada pela Associação de Jovens, é atualmente, de responsabilidade de outra associação da Seicho-No-Ie, a Fraternidade. Conforme informações institucionais 201, esta publicação é voltada a assuntos como prosperidade, harmonia familiar e saúde, e direcionada ao público masculino com mais de 35 anos. 2.1.2 Revista Pomba Branca Esta publicação foi a segunda a ser lançada no Brasil em português, e seguindo a segmentação de público, destina-se às mulheres, contendo matérias relacionadas ao lar, educação dos filhos, receitas e outros assuntos pertinentes ao universo entendido como feminino. A responsável por sua edição é a Associação Pomba Branca, que de acordo com as informações institucionais anteriormente citadas, é voltada às mulheres com mais de 35 anos. Apesar de ter sido lançada no Japão em 1936, e a Associação Pomba Branca no Brasil manter atividades e divulgação junto ao público feminino desde 1954, somente em julho de 1985, por ocasião dos 90 anos da esposa do fundador da Seicho-No-Ie, Teruko Taniguchi, é que foi lançada no Brasil a revista Pomba Branca. Do mesmo modo que a revista Acendedor, a Pomba Branca, na mesma data, alterou seu formato de bolso para o novo padrão de apresentação similar ao da Fonte de Luz. Em seus primeiros números, os assuntos eram restritos à mulher em relação à sua atuação no lar como esposa e mãe. Atualmente ganham destaque temas atuais, como a atuação profissional. 201 ANONYMUS, Seicho-No-Ie do Brasil. onde 202 Revista Mundo Ideal. e) Quem Ama Faz: reportagem sobre eventos relativos à Seicho-No-Ie. esta publicação é voltada ao público jovem. superaram os obstáculos em suas vidas. possui uma abordagem mais leve e uma linguagem e seções mais próximas do público jovem. identificado no intervalo de idade dos 13 aos 35 anos. tem-se uma terceira revista: Mundo Ideal. Como ilustração. g) Artigo de liderança jovem do movimento h) Câmera um: fotos e comentários de eventos da Seicho-No-Ie 2. Ainda de acordo com a Seicho-No-Ie. com destaque na mídia. . c) Qual é o Grilo?: seção de esclarecimentos ou orientações solicitadas por leitores e respondidas por liderança do movimento.121 2. lançado em 4 de julho de 1952 com seu nome em japonês. existem artigos originais de Masaharu Taniguchi e de seu genro e atual (abril de 2006) presidente. Como nas revistas anteriores.3 Revista Mundo Ideal Seguindo a ordem cronológica. segue a estrutura de um de seus números 202: a) Seicho Taniguchi: artigo sobre a relação do homem e a natureza. destino e fisionomia. com distribuição gratuita que ainda vigora. julho de 1995.1. b) Masaharu Taniguchi: artigo sobre a relação mente. A edição desta revista está sob a responsabilidade da Associação de Jovens da Seicho-No-Ie. nº 139. ao aplicar os princípios da doutrina.2 Imprensa O mais antigo informativo da Seicho-No-Ie no Brasil constitui-se do seu jornal Círculo de Harmonia (Enkwan). Seicho Taniguchi. ela também passou por transformação em seu formato na mesma data. d) Entrevista: geralmente com pessoas. cuja antiga denominação era Associação de Moços. Como em outras publicações. A mudança do nome do jornal está inclusa num movimento de maior aproximação da sociedade brasileira iniciado na década de 1990. simpatizantes ou adeptos da Seicho-No-Ie. Além disso. f) Confesso que Vivi: testemunhos de jovens que. 1 Literatura Infantil Conquanto houvesse da preocupação com a educação das crianças. Na década de 1990.3.3 Literatura Segmentada A divisão em associações para atender a públicos específicos. Esta publicação. 2. a Seicho-No-Ie passou por uma fase de reformulação quanto à sua atuação na mídia e. Contos de Sakyamuni. diferentemente das revistas. mas sim dos líderes brasileiros e reportagens sobre os eventos do movimento no Brasil. Além dessas publicações existem os livros de orações para crianças de autoria de Masaharu Taniguchi.000 exemplares. se traduz na Seicho-No-Ie em uma produção segmentada que vem reforçar pela palavra os valores traduzidos nas reuniões dos grupos para os quais se dirige. A Cartilha da Vida. distribuídos gratuitamente em todos os locais de reunião no Brasil (ver anexo VII). volume 1.122 outros termos em japonês que foram traduzidos. Ainda na década de 1970 um livro para o público infantil foi lançado. lançou-se no Brasil o livro Contos da Verdade. Este fato se refletiu nos produtos literários voltados às crianças. Em 1992 lançou-se mais um livro de contos. geralmente não traz artigos do seu fundador ou presidente atual. não editado atualmente. que se traduziu em uma pedagogia de orientação para as mães em livros e revistas não havia uma literatura de referência para este segmento. um dos grandes meios de difusão do movimento. sobre um ente angelical que procura entendimento num diálogo com a divindade da Seicho-No-Ie. Em fevereiro de 1997 editou-se o jornal infantil Querubim alusão ao termo utilizado na sutra Chuva de Néctar da Verdade (Kanro-No-Hoou). A tiragem mensal em janeiro de 2006 foi de 50. com um maior proselitismo. conseqüentemente. Na década de 1970. Esse jornal tem distribuição gratuita nas reuniões de crianças. além de relatos de experiências. refletindo no movimento brasileiro a iniciativa da matriz japonesa. também não editado atualmente. 2. extendeu-se aos livros. uma característica das NRJ. contendo algumas histórias escritas por Masaharu Taniguchi e adaptações por ele feitas de outros autores. mas é vendido nos locais de divulgação da . Esta estratégia que se iniciou e se solidificou nas revistas. A abordagem é feita dentro de uma estrutura pedagógica tradicional. Ele normalmente se questiona sobre assuntos que o levam a descobrir respostas onde são apontados princípios apregoados por Masaharu Taniguchi. Associação de Moços da Seicho-No-Ie. ao amor filial. ao não-desperdício do tempo. exceção feita a um garoto de nome Joãozinho. como escolas. A referência à Seicho-No-Ie fica por conta de orações na contracapa e fotos de eventos próprios do público infantil em seus locais de reuniões. com o objetivo de divulgação desse movimento religioso entre educadores. .3. o dinamismo. 2. ao valor do riso e das palavras positivas. a formação de um lar. Os temas abordados remetem. como a já citada revista Mundo Ideal. A atenção a este segmento é evidente desde o início do movimento. e outros comuns às atividades escolares. ao poder mental. entre outros. pode ser entendida como uma estratégia para que tal publicação possa ser utilizada em outros locais. com jogos. ao princíipio da prosperidade. na época. Após o lançamento desse jornal seguiu-se uma série de livros infantis (ver anexo IX) de autoria de Junji Miyaura. à dedicação. à conscientização de sua essência divina. Os temas nessas publicações ressaltam. preletor e liderança do movimento. a realização de sonhos.123 Seicho-No-Ie (ver anexo VII). sem transparecer ostensivamente o nome da religião. Ao final das eistórias são feitos comentários citando trechos de livros da Seicho-No-Ie. numa procura de perpetuação da vida social. por exemplo.2 Literatura jovem Uma expressão da segmentação de público existe também em publicações voltadas aos jovens. abordando temas e idéias da doutrina em histórias com personagens variados. A apresentação discreta da doutrina. nesse jornal. e além disto existem artigos voltados às comemorações cívicas e a o meio ambiente. Seu conteúdo é específico para a infância. de acordo com os ditames propalados pela doutrina. mas numa validação através de uma nova perspectiva ética e de visão do homem como um agente transformador da realidade a partir de sua nova visão de si mesmo e da realidade. brincadeiras e desenhos. ao agradecimento. dentro da perspectiva da doutrina. haja vista que a revista Acendedor foi lançada pelo departamento de jovens denominado. 19. Louvor aos Apóstolos da Missão Sagrada. no espaço de discussão das publicações. se a cor vermelha ou a azul.3. São iguais no ponto de serem elas uma cor. 1. e de tanta importância quanto o homem. com um modo de atuação particular. 2. 203 TANIGUCHI. p.124 2. .3. pois deste modo poderá tornar o lar harmonioso.4 Literatura sagrada As sutras são consideradas livros sagrados e são utilizadas em cerimônias públicas e pelos adeptos em suas práticas individuais. mas são diferentes na tonalidade. O talento da mulher completa-se em comunhão com o talento do homem. educação de filhos. vol. Existem editadas quatro sutras: Chuva de Néctar da Verdade. Palavras do Anjo e Sutra para Cura Espiritual (Sutra Sagrada Contínua Chuva de Néctar da Verdade). que lhe é própria por natureza. a diferença está na função. As cores se auxiliam e formam a beleza do todo. a literatura para a mulher volta-se especificamente a assuntos do lar. assim como não podemos definir qual a mais bela. Não quer dizer que um seja superior ao outro. casamento e vida profissional. A visão da mulher na Seicho-No-Ie é de igualdade por ser um ente espiritual criado por Deus. Deve-se considerar que ganhou vulto na fase inicial. é destacado que na sua atuação em quaisquer aspectos da vida faz-se sempre necessário não esquecer de manifestar a feminilidade. portanto. a visão da mulher sustentada nos valores tradicionais japoneses. daí a necessidade de aprimoramento de suas atitudes e modo de pensar. A Felicidade da Mulher. Deus não os teria criado homem e mulher. mas com características próprias de sua condição feminina e. Além disso.3 Literatura feminina Como visto na classificação da Seicho-No-Ie. é abordada nos livros a grande influência mental da mãe sobre os filhos e o cônjuge. 203 Nessa perspectiva. se fosse para dar-lhes dons iguais. M. em Nagasaki. 204 TANIGUCHI. como amuleto (omamori). tais como cinema. . p. A sutra mais utilizada é a Chuva de Néctar da Verdade (Kanro no Hoou).125 As sutras são obras de formato budista e constituem-se principalmente de poemas. abordada no capítulo II: O “LOUVOR AOS APÓSTOLOS DA MISSÃO SAGRADA” é lido diante da urna dos registros espirituais da Missão Sagrada instalado no Templo Matriz. Pelo seu caráter tido como sagrado. Revelações Divinas da “Vida Eterna”. Destaca-se nas palavras de abertura a Revelação Divina da Confissão que aborda a necessidade da confissão e a inexistência do pecado. Os apóstolos da Missão Sagrada (os adeptos) o lêem durante seus cultos diários a fim de enviar. Esta obra. inclusive em pingente. A sutra Louvor aos Apóstolos da Missão Sagrada é utilizada em cerimônias voltadas a líderes falecidos da Seicho-No-Ie e aos que contribuem financeiramente com o movimento religioso através da entidade definidade como Missão Sagrada. uns aos outros. Essa sutra foi a primeira obra traduzida e teve sua publicação em português. Sutras Sagradas. de acordo com o grande valor que lhe foi atribuído pelos adeptos. Elas emitem princípios da doutrina utilizando por vezes metáforas e analogias a fatos de conhecimento geral. teve em 1997 um lançamento em braile. 15. 204 A sutra As Palavras do Anjo é utilizada em cerimônias fúnebres. e é indicada a sua leitura para culto aos antepassados. natureza e ciência. M. explicarem a passagem da alma para o mundo espiritual quando do falecimento. notadamente pelo fato de suas palavras iniciais. em 28 de fevereiro de 1953. A Sutra para Cura Espiritual é indicada em eventos relativos à purificação mental do participante. e até para exorcismos. A utilização desses livros geralmente acontece nas orientações dadas aos adeptos pelos líderes nas reuniões. as benéficas vibrações da Verdade e assim contribuir mutuamente para o despertar espiritual. a sutra Chuva de Néctar da Verdade ( Kanro no Hoou) aparece em versões menores. para a própria pessoa no intuito de atingir um objetivo. para a cura do adepto ou de uma pessoa que este pretenda que se restabeleça. de Kamino Kusumoto. A meditação Shinsokan. músicas. fitas cassete com trechos de livros. é antes de tudo uma técnica meditativa e. Além deste fato. . que descreve fatos sobre o reflexo de abortos em problemas vividos pelas pessoas envolvidas neste fato.4 Temas doutrinários Dentre os temas recorrentes enfatizados nas publicações da Seicho-No-Ie. e sutras adotadas em suas práticas. músicas confessionais utilizadas em reuniões e eventos. com destaque para o folheto Shinsokan e outras Orações e o livro Explicações detalhadas sobre a meditação Shinsokan. Livros como Melhore seu Destino Cultuando os Antepassados. com participação. outros dois merecem atenção e têm seu destaque e literatura específica: culto aos antepassados e meditação Shinsokan. criando nesse processo novas formas de difusão e de expressão da religiosidade. e Pela Paz dos Anjinhos. A atuação destacada da Seicho-No-Ie na mídia e a sua ênfase na leitura dentro de seu corpo doutrinário fazem da instituição um exemplo único nas NRJ. Estes fatos reforçam sua adaptação e dinamismo no uso dos meios de comunicação. No setor de publicações ela possui outros meios de divulgação: VHS e VCD com palestras e programa de televisão. explicando como realizar o culto e se referindo às influências dos antepassados na vida dos familiares.5 Outros meios de divulgação A mídia tem em si uma dinâmica própria que os movimentos religiosos utilizam e ao qual se adaptam. ambos de autoria de Masaharu Taniguchi. como o poder da mente e da palavra. tornam-se matérias de esclarecimento e inserção dos adeptos em uma das principais características desta religião. pela sua importância.126 2. existem publicações fornecendo detalhes sobre sua prática. de Masaharu Taniguchi. CD contendo palestras de lideranças do movimento brasileiro. ela também é a única deste grupo no Brasil a ter programas radiofônicos e de televisão. palestras e orientação sobre a prática da meditação Shinsokan. como de outras NRJ. portanto. na Bienal do Livro. desde 1994. 2. Como em toda religião acontece uma influência sobre o meio onde se insira e. como Diniz205 abordou. E. título este que deve ser renovado anualmente. reuniões. além de cerimônias tipicamente xintoístas. Na preocupação de expandir suas fronteiras. dentro de seu objetivo de divulgação expresso nas “Sete Declarações Iluminadoras da Seicho-No-Ie” citadas no capítulo III. Na utilização de tais meios o movimento teve de se expor mais. 3 Expansão da palavra: a imagem pública A Seicho-No-Ie. Neste novo cenário 205 DINIZ. Até a década de 1980 apareciam as palavras em japonês e português. M. a influência da cultura japonesa já não é tão grande entre o público como nas décadas de 1960 a 1980. pp. Após a revista. por sua vez. o uso do tatami.127 Além dos meios de divulgação citados. Neste processo de adaptação. e que a faz ter uma ação próxima à de organizações do terceiro setor. e em seminários. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. mas hoje somente neste último idioma. a Seicho-No-Ie adapta-se aos novos tempos visando à sua sobrevivência e à difusão de suas idéias. ele atua sobre ela. este foi um dos objetos de comunicação que tornaram famosa esta religião. precisou intensificar o tratamento de sua imagem junto ao público com iniciativas como eventos ecumênicos e ações sociais. intensificando e justificando suas iniciativas sociais. e do banho quente japonês (ofurô). com belas ilustrações ou fotos. Constitui-se de frases extraídas dos livros da Seicho-No-Ie para cada dia do mês. merece destaque o Calendário Palavras de Luz. 117-118. ela sente a necessidade de adaptação a um público cada vez mais numeroso. a imagem da Seicho-No-Ie se faz presente e. e pelos adeptos. . está sempre atenta a novas mídias a serem utilizadas para atingir e captar um número sempre maior de adeptos. Nas ações apresentadas. quando havia um uso maior de termos japoneses em publicações. por sua vez. de que a Seicho-No-Ie do Brasil é registrada no Cartório de Títulos e Documentos de Pessoas Jurídicas como uma entidade sem fins lucrativos. e conseqüentemente. é interessante atentar ao fato. Ademais. espécie de colchão de palha. Cada vez mais há uma expansão setor de das publicações. Inicialmente ordena-se o rádio e a televisão. o emblema da Seicho-No-Ie traz em si a missão. por sua vez. No nível intermediário vem a Lua que representa o budismo.” 206 O símbolo da Seicho-No-Ie traduz a intenção de unificar e ser o centro de valorização das demais religiões. 3. Na parte mais externa existe o Sol que representa o xintoísmo.1 O Emblema da Seicho-No-Ie Figura 1: Emblema da Seicho-No-Ie O símbolo atua como identificador daquilo que se deseja expressar. os três elementos citados se dispõem numa determinada ordem. e como a imagem da Seicho-No-Ie é trabalhada junto ao grande público. lembrando que a sua principal divindade ( kami) é Amaterasu. De acordo com o fundador da Seicho-No-Ie.128 apresentam-se os maiores meios de comunicação. abrangendo diferentes posições religiosas. O sol é elemento fundamental no xintoísmo. budismo e cristianismo. pp. Encerrando estes significados foi criado o emblema da Seicho-No-Ie. às três grandes religiões: xintoísmo. M. Deste modo. “A Seicho-No-Ie ilumina e vivifica todas as religiões e completa os ensinamentos de Cristo e Buda que não haviam sido ainda suficientemente esclarecidos. ou a partir dele representar a síntese da realidade da qual se pretende que seja o interprete. . nº 37. existem três elementos que compõem o emblema da Seicho-No-Ie e que são relacionados a elementos do universo e. Revista Acendedor. a deusa deste astro. Na explicação de Masaharu Taniguchi. traduzindo o fato de esta religião desejar ser um elemento de integração das demais sob a égide de suas idéias. 52-54. o rádio e a televisão. no entender de seu fundador. de unificação das religiões e também de expressão do próprio Universo. as quais são as que mais influenciaram na formação da maioria das NRJ. A lua remete a duas simbologias: a da cidade chinesa de mesmo nome (Guéshikoku) onde o budismo prosperou 206 TANIGUCHI. identificando as leis universais onde o esquerdo (positivo. de autoria de Ariovaldo Adriano Ribeiro. iniciou-se um processo para obter sua maior transparência na sociedade brasileira.129 e se difundiu.2 Projeção pública da marca religiosa Desde 1º de agosto de 1952. com o título 50 anos de uma história de sucesso. masculino) avança. com ênfase no quesito patriotismo. destacam-se três períodos quanto ao processo de aproximação e divulgação do movimento religioso. e pela junção de elementos consegue um resultado híbrido em que representações distintas se combinam e expressam uma nova idéia através da interpretação própria da doutrina. Seguindo os dados pesquisados207. no símbolo da Seicho-No-Ie expressa um movimento com suas setas para a direita. num formato de “X” indica a intenção de Cristo de anular o corpo. Este símbolo. e também através de documento cedido por liderança deste movimento religioso. Houve dois fatos marcantes na história brasileira que 207 Os fatos constantes nos períodos abordados foram obtidos da série de reportagens relativas à comemoração dos 50 anos da Associação de Jovens da Seicho-No-Ie publicada na Revista Mundo Ideal no período de janeiro de 2005 a janeiro de 2006. Os períodos retratam um domínio crescente que indica a ordenação de um espaço de poder e ordenação de identidade.Foi quando a cultura japonesa era marcante e tomaram-se algumas iniciativas voltadas à afirmação de uma imagem de integração dos japoneses na sociedade brasileira. que na visão de Taniguchi. que apesar do seu aspecto mutável. existe uma estrela que representa o cristianismo. quando a Seicho-No-Ie foi reconhecida pelo governo brasileiro como sociedade religiosa. o mais interno. mantém-se na forma original. A estrela está ligada à simbologia do nascimento de Jesus. enquanto o direito (negativo. que segundo Taniguchi. É interessante notar que a Lua é representada por uma suástica. No último nível. intacta. . 3. além de remeter à idéia da cruz. feminino) recua. mostrando a sua inexistência e a verdadeira realidade que é a Vida de Deus. expandindo-se significativamente nos anos seguintes. e a da analogia Lua com a essência perfeita do homem. com a sua formação apresentada expressa possivelmente um dos conceitos do sincretismo que é o da mistura. Um primeiro período compreende as décadas de 1950 e 1960: a procura da integração. Esta dinâmica intensificou-se junto aos nãodescendentes de japoneses levando-se em conta o processo de difusão do final da década de 1960. e conseqüentemente a cultura japonesa.18. quando o governo apregoava. O governo brasileiro. O primeiro foi a Segunda Guerra Mundial. 208 Nesse contexto. juntamente com a 1 ª Convenção Nacional. Em 1955 foi realizado. nesta oportunidade. passou a dar ênfase na educação. nº 131. tendo nos últimos eventos um público médio de 500 pessoas e 60 participantes. principalmente na exaltação do patriotismo e formação humana. a colônia nipônica esteve com sua liberdade de expressão cultural e religiosa segregada. Seguindo esta dinâmica de difusão da cultura e do idioma japonês. São Paulo. o 1º Concurso de Oratória em Japonês. Após o lançamento da revista Acendedor em 1965. a necessidade de uma ordem no País. as iniciativas na formação da imagem da Seicho-No-Ie evidenciaram-se. . Criação em 17/11/1961 do Departamento de Assistencial Social e Filantrópica. através da qual os departamentos femininos. O segundo evento foi o golpe militar de 31 de março de 1964. apelando para sentimentos patrióticos como colaboração em seus objetivos. devido à posição do Japão. Seicho-No-Ie do Brasil. Este evento que incentivou a preservação do idioma. criou-se a Campanha de Gratidão (Arigatô Undô). E. Em 28/7/1968 realiza-se a 1ª Oração pelo Progresso do Brasil e pela Paz Mundial. em todas as regionais do Brasil. quando textos foram expostos pelos seus autores jovens. Informações obtidas em 11/10/2006 na Superintendência de Comunicação da Seicho-No-Ie do Brasil. e carente de uma participação mais efetiva na sociedade brasileira. Em 1958 surgiram os primeiros esforços no sentido de traduzir revistas e sutras sagradas. existe ainda hoje. 209 208 209 Revista Mundo Ideal. após a revolução de 31 de março de 1964. Durante este conflito. fizeram visitas às delegacias agradecendo pelos trabalhos dos policiais voltados à população: Um fato que mostra que a Seicho-No-Ie ainda se preocupa muito com a preservação dos valores nipônicos na colônia japonesa é o concurso de oratória em japonês. p. o Concurso Infanto-Juvenil de Oratória em japonês está na sua 42ª edição. a Associação dos Jovens demonstrou o amor à pátria reunindo seus membros diante do Monumento da Independência do Ipiranga e orando pelo progresso do Brasil e pela paz do mundo.130 explicam essa posição. naquele momento delicado para a nação. (ver anexo V). como Michel Sideratos. 58. exposição na mídia e encontros com autoridades. 21/6 a 20/7 de 1973: visita de Masaharu Taniguchi e esposa. Neste momento iniciou-se uma aproximação mais objetiva com o público brasileiro: aliada à imagem de integração iniciada no período anterior. 1989: 1ª Convenção Nacional de Educadores. foram marcos para desenvolver o movimento junto aos não-descendentes de japoneses. Fatos relevantes nesse período comprometido com o ideário histórico: Década de 1970: coluna no jornal Folha da Tarde. 1978: surgiram os primeiros preletores brasileiros. títulos agraciados por órgãos oficiais.131 Um segundo período abrange as décadas de 1970 e 1980. . ou sobre eventos importantes da organização. As visitas das principais lideranças do movimento no Japão. incluindo o fundador e seu genro. 1985: lançamento da revista Pomba Branca. obediência e salvação. O terceiro período iniciou-se na década de 1990: intensificação na cultura brasileira. B. A tradução de termos como Jisso (Imagem Verdadeira). estabelecendo pontes entre culturas. p. geralmente com trechos de livros e artigos de Masaharu Taniguchi. L. M. 210 ALBUQUERQUE. e na ocasião. Seicho-No-Ie do Brasil: agradecimento. Este fato expandiu-se para outros jornais. Seicho Taniguchi. 210 14-15 de fevereiro de 1970: 1º seminário em português. 16/9/1989: inauguração da Academia de Treinamento Espiritual de Santa Fé – BA. um meio de a Seicho-No-Ie aparecer ao grande público através de homenagens. e intervalos em palestras foram algumas das ações voltadas a uma maior aproximação e identificação com os brasileiros e não-descendentes de japoneses. ou a quem a cultura nipônica não fosse familiar. 02/7/1982: inauguração da Academia de Treinamento Espiritual de Santa Tecla – RS. 1977: visita do genro do fundador. houve esforços maiores para a tradução de livros e realização de seminários em língua portuguesa. Nessa época surgiram as primeiras composições de músicas de autores brasileiros em reuniões de jovens. Caracterizou-se por iniciativas que resultaram na diminuição do destaque da cultura japonesa. a nãoobrigatoriedade no início das reuniões de entoar canto em japonês constante do Shinsokan. valorização do sentimento 211 ALBUQUERQUE. nova academia de treinamento espiritual foi inaugurada. p.” 211 A Seicho-No-Ie entra. a entidade torna-se menos caracterizada pela cultura original japonesa. numa fase de aproximação e identificação maior com o público brasileiro. Em 2005. com muito maior transparência. . com participação assídua em eventos ecumênicos. M. Estado do Paraná. executa-se a limpeza de locais públicos juntamente com outras organizações religiosas ou não. mas também nos vários níveis da organização Seicho-No-Ie. agora em Curitiba. levando-se em conta a obra de Albuquerque de 1999: “Observamos a ausência de movimentos filantrópicos não só nos núcleos. foram entregues 5. B. constam de shows de artistas conhecidos e não japoneses. além das palestras. principalmente aqueles voltados aos jovens. sendo exigida cada vez mais a sua participação social. por exemplo. desse modo. para flagelados. obediência e salvação. Nessa busca. poder da mente sobre o corpo e o meio. Seus eventos.84. programas de ajuda às mães carentes desenvolvidos nos locais de reuniões. liderada pela Seicho-No-Ie. processos de purificação. Atualmente. L. e ao mesmo tempo. simpatizantes do movimento. em consonância com a programação da Semana da Paz.132 Em 21 de fevereiro de 2004. a Seicho-No-Ie organiza-se quanto à sua imagem pública. É interessante notar que iniciativas mais efetivas de participação social e filantrópica são recentes na Seicho-No-Ie.000 kits de enxoval para gestantes carentes. Programa de rádio transmitido por 115 emissoras de rádio e uma na Internet. Em suas revistas aparecem entrevistas com pessoas famosas na mídia. Iniciativas sociais e voltadas ao meio ambiente tomam vulto. Ações sociais: voluntariado em campanhas do Estado. participação em campanhas da prefeitura como. em planejamento o lançamento de uma creche. mas ao mesmo tempo pretende manter os seus princípios de modelo divino e idealizado de perfeição (Jisso). Programa de televisão transmitido por 18 emissoras (ver anexo VI). Seicho-No-Ie do Brasil: agradecimento. de acordo com informações do movimento. em construção uma casa de repouso para idosos. Alguns fatos que evidenciam as características apresentadas: Desde 2003: através da ONG – Zeladoria do Planeta Terra. No capítulo seguinte essa dinâmica transcende o seu próprio propósito. A produção escrita transforma-se em meio de divulgação.133 de gratidão e. o uso e a crença no poder da palavra. mas pelos objetivos e processos de difusão da religião não se restringe a esse meio. e também de estudo para os adeptos. por fim. . mas de valor destacado. Nesse panorama o desafio surge na procura de manter a religiosidade e os valores japoneses numa apresentação que tende a se aproximar da cultura brasileira. Importante ressaltar a diversidade de assuntos analisados sob o prisma dos fundamentos doutrinários como o meio principal de contato e inserção dos fiéis. A produção literária de Masaharu Taniguchi torna-se o esteio onde se apoia a doutrina da Seicho-No-Ie para a sua divulgação. Nesta parte do trabalho procurou-se abranger a formação de um campo de identidade que se representa pela palavra escrita. pelo contrário. expande-se e adapta como nenhuma outra NRJ na mídia. o que é abordado no quinto capítulo. conseqüentemente não atrai milhares de pessoas para seus templos como fazem os Pentecostais. é possível que a Seicho-No-Ie não se torne uma “religião de massa”. . Diz o item 6 das “Sete Declarações Iluminadoras da Seicho -No-Ie”: “Nós. 14. p. conferências. Luís Mauro Sá.37. deu-lhe uma dimensão designada “religião de comunicação em massa”. através da difusão de suas idéias numa estratégia em que os recursos midiáticos têm um papel importante nesse objetivo. da televisão e de quaisquer outros meios culturais. 214 Apesar deste destaque na utilização de recursos de comunicação em seu processo proselitista. 212 O compromisso estabelecido entre a fundação e a formação foi o da estreita dependência entre o sagrado e o poder da palavra. T. seminários. o fato de esse movimento religioso ter-se originado por uma maciça distribuição de seus periódicos. para melhorarmos o destino da humanidade por meio do Poder Criador das boas palavras divulgamos a doutrina mediante a divulgação de boas palavras através de publicações.A PALAVRA E O SEU PODER NA ATUALIDADE: NOVOS HORIZONTES As mudanças nas formas institucionais de religião levam à necessidade de uso da mídia como estratégia de garantia de existência. ao mesmo tempo que a mídia gera novas demandas de trabalho simbólico das instituições religiosas. como atestou Regina Yoshie Matsue em seu estudo onde concluiu que esta religião atinge um público restrito e bem definido: A Igreja Messiânica não é uma religião de massa e nem possui um caráter proselitista forte. sensíveis aos problemas modernos tais como: meio ambiente. as novas dinâmicas do campo religioso criam as condições de existência de um canal de circulação dos bens simbólicos religiosos. M. ” 213 Conforme Mayeama. pelo mesmo motivo que a Igreja Mundial Messiância no Brasil também não é.134 CAPÍTULO V . Shinsokan e outras Orações. Mídia e poder simbólico. panfletos e livros doutrinários através de anúncios em jornais. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. p. p. 61. TANIGUCHI. transmissões radiofônicas. 212 213 MARTINO. Assim. 214 MAEYAMA. A Igreja Messiânica é uma religião que atrai as pessoas com um certo nível de escolaridade. 217 Informações obtidas em 3/5/2006 com João Vieira da Superintendência de Comunicação da Seicho-No-Ie do Brasil.93. p. Este programa foi levado ao ar por cinco anos. B. R. 7. L. Albuquerque: Um dos tópicos dos atributos de Sociologia da Religião trata das regularidades sociológicas das opções religiosas. Dentro deste contexto será analisada a sua atuação nos mais variados meios de comunicação.135 desunião familiar. Espaço da mídia oral217. pobreza. materialismo. a Seicho-No-Ie se apresenta como uma religião universal que tem seus esforços concentrados num proselitismo dinâmico. deste modo. A Expansão Internacional das Novas Religiões Japonesas: Um Estudo sobre a Igreja Messiânica Mundial no Brasil e na Austrália. Nesse sentido. 1 O programa inicial de rádio foi lançado em princípios da década de 1980 na Rádio Gazeta através da iniciativa do preletor Osvaldo Murahara. e que buscam na doutrina messiânica uma forma de atuação na sociedade. Para atingir seu objetivo proselitista. às expectativas de soluções de problemas que lhe são pertinentes. conforme entende a professora Leila M. como a Seicho-No-Ie. . 215 O público que se identifica com estes movimentos tem um perfil comum caracterizado como daquele pertencente à classe média urbana. Seicho-No-Ie do Brasil: agradecimento. destacou-se entre as NRJ. M. num discurso próprio. ela determinou a seus integrantes o uso intensivo da mídia e. obediência e salvação. 216 Com base nessas características. e por ele mesmo realizado ao vivo. verificamos que os adeptos da SeichoNo-Ie são recrutados. B. isto é. predominantemente. que na procura de realizações no meio em que se insere vêm nas religiões. os adeptos de determinadas religiões tendem a apresentar enraizamento comum na estrutura social. Y. e com base nos dados coletados. um discurso que responde aos seus anseios. moderno e voltado a um público específico ao responder. sempre no horário das 4 às 5 horas da 215 MATSUE. violência. nas camadas urbanas. p. 216 ALBUQUERQUE. surgiram muitos programas de rádio por iniciativas de adeptos e de regionais que. São Paulo. nº 80. movimento. por não existir um controle ou orientação por parte da Seicho-No-Ie do Brasil. 218 e é necessário destacar que ele é também veiculado como programa diário (segunda a sábado) em âmbito nacional. O formato do programa consistia na exposição e comentários sobre temas e assuntos relativos à doutrina da Seicho-No-Ie e constantes nas publicações do movimento. o que motivou. 2 A palavra e a televisão Os programas de televisão abrem um espaço de grande transparência deste movimento religioso para o grande público. que ao apresentar o projeto de lançar um 219 Este programa. além de orientar este processo.136 manhã. constituindo-se de: perguntas (gravadas) e respostas. Existem 18 emissoras que transmitem o “Programa Seicho-No-Ie na TV”. nº 131. a partir de 1991. Esta medida resultou na ação de padronizar o formato e gravar os programa de rádio em suas dependências. entrevistas e divulgação de eventos. por sua vez. O atual “Programa Seicho -No-Ie na TV” surgiu em 2003 por iniciativa de um adepto bem relacionado na mídia televisiva. A primeira transmissão televisiva foi em 1990. . tenderam a uma desvirtualização dos princípios religiosos fundamentais. Revista Pomba Branca. como resultado da iniciativa do presidente da Associação Fraternidade de Goiânia. Na época. uma atuação efetiva da sede central brasileira. exposição de um tema com base na doutrina. O formato do programa hoje disponibilizado é em duas versões: de 25 e de 50 minutos. não teve longa duração. O programa “Seicho-No-Ie no Ar” é transmitido por 115 estações de rádio no Brasil e uma na Internet. Para cada programa é designado um preletor da Seicho-No-Ie que fica responsável pelas respostas e a exposição do tema definido. além de ser disponibilizado no site oficial da Seicho-No-Ie. de acordo com liderança do 218 219 Revista Mundo Ideal. A sede central atualmente repassa os programas formatados para a Regional ou pessoa que os deseje veicular em uma estação de rádio. por intermédio de um adepto que tinha bom relacionamento no meio televisivo. O programa. gravadas em estúdio: perguntas e respostas. que inicialmente se resumia na transmissão de eventos.500 ligações por mês. 4. . Destacam-se os relatos e as palestras. Mário Gabriel França Silva em 4/8/2006. este aceitou a idéia e encabeçou o projeto. Finalmente em 8/2003 o programa na Rede TV tornou-se diário. e posteriormente recebe gratuitamente uma das três revistas editadas pelo movimento. mas a partir de janeiro de 2006 deixou de sê-lo pela Rede TV. como eventos da organização. o que antes era feito por empresa contratada. momento de reflexão. sendo estas o foco primordial do programa. Levantamento feito com liderança da Sede Central. 220 O programa “Seicho-No-Ie na TV” tem sua parte principal gravada em eventos como seminários e reuniões do movimento. foi na Rede TV. No mês seguinte. Um outro meio de verificar a audiência é o contato com os telespectadores através da ligação telefônica 0800. 222 Informações obtidas em 11/10/2006 com a Superintendência de Comunicação da Seicho-No-Ie do Brasil. que inclui ainda as seguintes seções.137 programa de televisão a uma liderança do movimento. sendo que para cada uma atendida estimam-se três perdidas. com um plantão de 18 horas. O número de telespectadores é medido através do IBOPE onde um a três pontos de audiência equivalem a 200 ou 300 mil pessoas. há dois meses já possui também o formato de auditório (perguntas / respostas e palestras).000 revistas. No contato através dessa ligação. Através deste expediente do 0800 são entregues mensalmente. Este fato evidencia que a Seicho-No-Ie não tinha preestabelecido nenhum projeto ou estratégia visando ao uso da televisão em seus planos de divulgação. 3 vezes por semana. Em 20/5/2003 foi exibido o primeiro programa – semanal – foi na Rede 21. em 3/5/2006. palestra e reportagens especiais. tal oportunidade originou a sua inserção nessa mídia. em 1/6/2003 é lançado o segundo programa. No 0800 existe uma média de 5. onde as pessoas procuram maiores informações sobre a Seicho-No-Ie. Assim. reuniões e seminários do movimento religioso. O programa era exibido em ambas as emissoras. oração. 221 Atualmente o programa de televisão é transmitido por 18 emissoras (ver anexo VI) com uma audiência de 5 milhões de pessoas. em média. Fábio Dummer. a pessoa fornece informações para seu cadastramento na Seicho-No-Ie. relatos. Enio Maçaki Hara. 222 220 221 Levantamento feito com liderança da Sede Central. Há um ano a edição deste programa é efetivada na sede central pela própria Seicho-No-Ie. ou uma maneira de legitimar a origem dos ensinamentos. O teste entre ser oriental atendendo a um conjunto de adeptos ocidentais torna-se efervescente com relação à formação de uma mentalidade ligada à origem no universo mediático : “[. Pomba Branca. Pesquisas informais da entidade religiosa indicam que muitas pessoas estão entrando em contato com esta religião através deste instrumento de difusão. Esta estrutura segmentada. havia um número reduzido de público na maioria das reuniões. 160.] a presença freqüente de preletores japoneses nos programas de televisão poderia ser interpretada como uma maneira de não perder a identidade de religião japonesa.. Diniz observa em seu estudo que tal fato retrata um reforço étnico de sua origem. herdada do Japão. já tão mesclados à cultura ocidental. As reuniões atuais de domingo. como já citado. Um fato no qual a televisão foi decisiva na revitalização do movimento foi o impacto nas reuniões dominicais. . mas em todos os eventos houve um aumento de público. Em conversas com líderes do movimento. De acordo com lideranças. um número expressivo de preletores não-descendentes de japoneses.138 O que caracteriza o programa como de religião nipônica é especificamente o fato de a maioria de seus palestrantes ser de origem japonesa. Jovens e Prosperidade possuíam sua própria reunião. foi cogitado que o motivo relacionava-se à própria estrutura dos grupos de adeptos e sua atuação nos locais de difusão.. p. mas a TV foi o estímulo para que esse projeto se concretizasse. não estava surtindo o efeito desejado em relação ao público. de modo geral. sempre esteve na idéia da entidade. onde cada associação: Fraternidade. M. denominadas “Domingo da Seicho -No-Ie”. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil.” 223 Não há um trabalho da sede central da Seicho-No-Ie do Brasil para avaliar o impacto dos programas de TV em relação ao movimento religioso. Utilizando principalmente a televisão como divulgação. e assim enfraquecia o movimento com a baixa freqüência nas reuniões. surgiu a idéia de lideranças do movimento de se ter uma reunião conduzida por todos os participantes das associações. geralmente num dia fixo da semana e em um domingo do mês.. apesar de existir. com um único tema a ser trabalhado em todo o 223 DINIZ. E. o que se deu em 5/12/2004. mesmo com os programas de televisão. cujo público-alvo principal é a pessoa que deseja conhecer pela primeira vez esta religião. o site teve até o momento cinco versões significativas: 1998. 3. incluindo-se a outras religiões neste meio de comunicação. Este produto foi posteriormente incorporado pela organização. 2003. onde a média de freqüência era de 7 pessoas. O reflexo positivo desta iniciativa pode-se constatar. 224 225 Informações obtidas na representação administrativa da Regional Rio Bonito em julho de 2006. o site foi implantado no ano de 1998 por iniciativa particular de uma adepta do Rio de Janeiro. Atualmente (janeiro de 2006). 1999. no público da reunião dominical da Regional Rio Bonito. além de se estabelecerem como fato único entre as NRJ no Brasil. 225 Do mesmo modo que não houve um projeto dentro de um plano estratégico de divulgação para a criação do site. uma liderança do movimento informa que há a média de seis pessoas novas por reunião. inclusive a matriz japonesa. fortalecendo a posição de liderança da sede brasileira. além disso. iniciando-se uma nova fase para comunicar e divulgar esta religião. 2004 e 2005. e hoje após essa estratégia. as quais souberam da existência da Seicho-No-Ie e suas idéias através desse meio de divulgação. são também perante as demais associações desse movimento religioso espalhadas pelo mundo. e. divulgado antecipadamente pelos meios de omunicação da Seicho-No-Ie.139 Brasil no mesmo dia e horário. está em torno de 60 participantes. . da Superintendência de Comunicação. Informações obtidas do preletor Junji Miyaura. A religião e a rede virtual Coerente em sua proposta de divulgação expressa nas “Sete Declarações Iluminadoras da Seicho-No-Ie” abordadas no capítulo anterior. decorrencia normal de implementações e da própria dinâmica dos sites na internet. em 23/9/2005.224 A conjunção desses fatores com a mídia fortaleceu o movimento. como exemplo. tornando-se o site oficial. a instituição está atenta para utilizar qualquer mídia que assim o permita. Segundo o caráter improvisado das projeções discutidas. nenhum programa de incentivo relativo à elaboração de sites pelas Regionais. de acordo com informação em agosto de 2006. que o montou para divulgar a Seicho-No-Ie. Os programas de televisão da Seicho-No-Ie. Ela possui o seu site na internet. não existia. Desde a sua implantação. inclusive para contato com o adepto. nas academias. É composta de “Eventos externos” (exemplo: O dia da imigração japonesa). É composta de “Presidentes” (com artigos do pPresidente doutrinário da América Latina e do diretor-presidente da Seicho-No-Ie do Brasil). “Preceito Diário ” e “Relatos” (testemunhos de fé dos adeptos). “Círculo de Harmonia” e “Links”. Compõe-se de: “Explicações sobre a Seicho-No-Ie”. “SNI na TV”. que diz respeito aos meios de comunicação exceto as publicações. “SNI na Rádio”. “Oração do Dia”. nas associações. Em quarto lugar existe a Comunicação.140 Para uma melhor análise do site oficial apresentado a seguir. Inicialmente denominou-se Primeiro Contato a parte voltada àqueles que procuram conhecer melhor o movimento religioso da Seicho-No-Ie. “Mensagens de Luz”. e “Enkaw” (jornal). ele foi dividido em seis partes com suas respectivas seções. Em segundo lugar tem-se a parte da Reflexão. A seguir está a parte de Atividades. estando reservada a eventos daos descendentes de nipônicos. “Endereços” e “Fale Conosco”. e outras contendo material da Seicho-No-Ie através do site comercial Submarino: A última parte foi definida como Japonês. com textos para meditação e relatos – testemunhos de fé. “Artigos do mês” (extraídos de várias publicações). “Eventos internos” (exemplo: Concurso Nacional de Narração Juvenil). na qual acontece a relação com a colônia japonesa. Interessante destacar a existência de atividades em língua espanhola. Possui em sua composição: “Novidades por e-mail”. onde constam eventos desenvolvidos no movimento. Esta parte contém a divulgação dos eventos na sede central. A quinta parte denomina-se Comércio e é composta das seções: “Livraria” onde o usuário pode adquirir livros. . sobretudo os realizados na sede central e nas academias de treinamento espiritual. com fotos e notícias sobre atividades desenvolvidas. E dentro de você já existe coragem para tanto.. precisa abandonar todos os erros do passado." Artigos Conhecer os Desígnios de Deus Mesmo antes de conhecer a Seicho-No-Ie.. Acreditando em Deus.. Isso exige coragem. entregue-se a Ele e se atire decididamente no oceano de Deus. A Origem da Idéia de Pecado Desde que Adão cometeu o pecado original.141 Figura 2: Site ofcial da Seicho-No-Ie do Brasil Página Principal |Conheça a Seicho-No-Ie | Endereços | Fale Conosco Menu Presidentes Artigos do mês Livraria Virtual Notícias Círculo de Harmonia Galeria de Fotos Enkan Eventos Relatos Preceito Diário Oração do dia Lista de Orações Mensagem de Luz SNI na TV SNI na Rádio Em Espanhol Em outros Países Indique este Site "Para você renascer espiritualmente. pois flutuará milagrosamente e terá grande tranqüilidade. Notícias Relatos . E não tenha medo de se afundar.. a igualdade de direitos do homem e da mulher . Educação na Escola Os pontos principais que todo educador deve ter bem claro ... Sobre o verdadeiro relacionamento amoroso De modo geral... SP Santa Tecla RS Ibiúna .142 Relato . Festividade do Santuário Hoozo Veja a cobertura completa.SP Ibiúna .. Galeria de Fotos Metade da Alma Fotos do Seminário da Metade da Alma que foi realizado no dia 03 e 04/06/2006.. Festividade do Santuário Hoozo O professor Yoshio Mukai conta um pouco da história do surgimento do Santuário Hoozo do Brasil e alguns acontecimentos até a última Festividade. O dia da imigração japonesa O professor Yoshishico Iuassaca explana sobre o Dia da Imigração Japonesa e sobre a importância dos fatos decorrentes dessa data marcante.SP Seicho-No-Ie do Brasil .Fraternidade e Pomba Branca) (em Japonês) Data Academia Curitiba . Convenção de Juvenis 15º Convenção Nacional para Juvenis Realizado no dia 22 de Abril 2006 Narração Juvenil Veja as fotos do Concurso Nacional de Narração Juvenil Seminário nas academias -Junho Seminário Seminário de Treinamento Espiritual para Preletores e Lideres da Iluminação de Oferenda de 15 18 Trabalho Seminário de Treinamento Espiritual para Preletores e Lideres da Iluminação de Oferenda de 15 18 Trabalho 15 18 Seminário Geral de Treinamento Espiritual de Oferenda de Trabalho (Seminário do Perdão) Seminário de Treinamento Espiritual para Preletores e Lideres da Iluminação de Oferenda de 15 18 Trabalho 24 25 Curso para Presidentes de Associações Locais (Assoc. Relato .José Carlos Nardy Quando jovem sempre fui estudante muito dedicado. que comemorou seu jubileu neste ano.PR Ibiúna .Hosana Santini Leandro Vieira A semente Seicho-No-Ie foi plantada em minha vida há muito tempo. 17.034 maio/2006 3. DINIZ. em relação à venda das obras e publicações religiosas através do site. em 26/8/2006.554 dezembro/2005 2. E. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. 4 Poder. para sua sobrevivência e expansão.824 87.757 82.752 junho/2006 3.575 110.534 106.849 abril/2006 3.672 80. M. a resposta é praticamente nula. A tabela acima indica que o número de visitantes do site está em crescimento. A Seicho-No-Ie apresenta-se numa estrutura que lhe é particular pela ênfase no discurso e na retórica. da Superintendência de Comunicação.129 97. o site oficial da Seicho-No-Ie parece preencher um aspecto mais de informação que de formação do adepto e de divulgação para o público em geral. um movimento religioso. organização e difusão De acordo com Diniz227.905 janeiro/2006 2.723 outubro/2005 2. 226 Deste modo.731 setembro/2005 2. Apesar disso.143 Tabela 5: Visitas ao site oficial da Seicho-No-Ie do Brasil Período Visitas Média Diária Total Mensal julho/2006 3. o que retrata que os locais de reuniões são mais eficientes na produção do conhecimento pela leitura.996 83.302 99. própria de uma religião 226 Informações obtidas do preletor Junji Miyaura.442 75.500 77.001 fevereiro/2006 2.184 Fonte: Departamento de Marketing da Seicho-No-Ie do Brasil.518 novembro/2005 2. A venda acontece na internet através do site comercial Submarino.572 110.087 março/2006 3. p. 227 . há de manter sua organização e seu capital simbólico. torna-se aquele que produz e representa um capital simbólico. Por outro lado. Perfect Liberty: O Fascínio de uma religião japonesa no Brasil. Assim se formou um legado. Será apresentado o modelo atual (agosto de 2006) da organização. 229 GONÇALVES. rigoroso e hierárquico. R. na versatilidade quanto à sua utilização na mídia e no seu sincretismo dinâmico. 4. M. exibindo deste modo o seu lado tradicional e conservador. articulando-se a partir dela um sistema de dominação misto de patriarcal. E. poder e difusão desse movimento religioso. ao se situar como intermediário do divino e tradutor da mensagem dele por palavras. H. como o patriarcalismo. a começar pelo fato que deu origem a essa religião: nas palavras do deus Sumiyoshi reveladas a Masaharu Taniguchi. pp. tendo sua autoridade recebida da divindade que através dele iniciou a Seicho-No-Ie. e é neste cenário que ela constrói as bases que a mant êm: “O processo de institucionalização tomou a família Taniguchi como o modelo ideal. 230 PEREIRA. . Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. estrutura. e com base nele serão abordadas a comunicação e a difusão de sua doutrina a partir de levantamento efetuado na Superintendência de 228 DINIZ. 267-278. a ser tratado e conservado pela estrutura familiar Taniguchi e pela organização que em torno dela se situa. inicialmente inspirado na tradição imperial japonesa. ritos e escritos.. que também se encontra na Seicho-No-Ie. carismático e burocrático. R. pp. p. A palavra nesse contexto tem um papel vital na manutenção. 135-138. O Budismo Leigo da Sôka Gakkai no Brasil: da Revolução Humana à Utopia Mundial. o modelo em sua organização geralmente segue o padrão de origem japonesa: centralizador. A. como a PL229 e a Sôka Gakkai230. 228“ Diniz esclarece nessa tradição patriarcal a figura de Masaharu Taniguchi surge como central. Deste modo. reflete a cultura e valores japoneses. em que o papel feminino está subordinado à ordem androcêntrica. mantida pela dinâmica existente na difusão dos ensinamentos.1 Estrutura para divulgação Em trabalhos sobre outras NRJ. e as inúmeras obras que este escreveh e que se revestem de uma aura de sacralidade. 6.144 que se calca na palavra. Na sede central é onde acontecem vários eventos e cerimônias. O Imigrante e a Religião: Estudo de uma Seita Religiosa Japonesa em São Paulo. é assinante de uma de suas revistas. para deste modo dirimir quaisquer dúvidas desses termos quando citados: É tido pela Seicho-No-Ie como “associado” o adepto que contribui com a Missão Sagrada. ficando na subsede os escritórios das revistas e jornais. na sede e subsede. adepto e simpatizante. alojamentos para visitantes e adeptos de outros Estados. 63. 348 e 1. além de abrigar a diretoria e os principais departamentos. deste modo expressando as relações do lar (ie) japonês. na lição de Maeyama. 231 A estrutura familiar e a ênfase na hierarquia são características encontradas nas religiões japonesas como reflexos de sua cultura de origem. e além disso reflete uma estrutura familiar onde as três principais associações – Fraternidade. . A estrutura organizacional reflete a matriz japonesa com as suas sedes regionais. Nas regionais e locais de divulgação praticamente todas as pessoas são voluntárias. Antes da abordagem organizacional e da difusão. p.” 232 Para a sua administração e organização na difusão. além de depósito de livros. respectivamente. e um auditório para reuniões. estúdios de gravação de rádio e televisão. Benedict identifica: “Todo japonês primeiro adquire o hábito da hierarquia no seio da família e posteriormente o aplica nos campos mais vastos da vida econômica e do governo. na Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira. seguem abaixo os conceitos da Seicho-No-Ie no que concerne a associado. 53. da mãe e dos filhos. tendo quase sua totalidade situada em São Paulo. cabe fazer a seguinte consideração quanto aos recursos humanos atuantes neste movimento religioso. O crisântemo e a Espada. BENEDICT.266. Atualmente (agosto de 2006) a Seicho-No-Ie possui em torno de 180 funcionários no Brasil. associações locais e academias de treinamento. e a sua identificação com ele. p. a Seicho-No-Ie do Brasil possui sua sede central e subsede localizadas no bairro do Jabaquara. No intuito de melhor esclarecimento das pessoas relacionadas ao movimento. como também são os diretores na sede central. T. Ruth. participa ativamente das atividades nas Associações Locais e faz parte de uma das organizações doutrinárias. Pomba Branca e Jovens – representam respectivamente a figura do pai.145 Comunicação da Seicho-No-Ie do Brasil. Cabe ao associado obedecer aos regulamentos e normas internas e tem direito a voto ou mesmo 231 232 MAEYAMA. podendo ser à Missão Sagrada. em virtude dos poucos núcleos de divulgação existentes. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. mas que não necessariamente possui um vínculo com a Associação Local. Existem ainda os “simpatizantes” que par a a instituição são os leitores de livros e revistas editados pela Seicho-No-Ie. Canadá e Oceania. 86 anos. tem sua atuação reduzida. Visando a evitar algum transtorno por impossibilidade de o vice-presidente não assumir por qualquer empecilho. adepto ou simpatizante realizar algum tipo de pregação doutrinária. a) Supremo presidente (Japão) A matriz no Japão. a Seicho-No-Ie do Japão. M. atual presidente. no âmbito daquele país definiu pelo novo estatuto que um conselho irá escolher. Nesse sentido. 118. b) Vice-presidente (Japão) Este cargo atualmente é de Masanobu Taniguchi. E. Masanobu Taniguchi. zela pelos conceitos doutrinários divulgados nos demais países. em 2004. e o que responde pelos Estados Unidos.146 concorrer ao cargo de presidente da associação local. Diniz revela que essa transmissão hereditária sofreu alteração. Seicho Taniguchi. Os países que não se inserem nesses grupos. respondem diretamente à matriz japonesa. subordinam-se a ele os presidentes doutrinários da América Latina: presidida pelo Brasil. como é citado no 233 DINIZ. . prepara-se para assumir a liderança do movimento quando de sua morte. primogênito de Seicho Taniguchi. apresentam-se as estruturas administrativa e doutrinária da Seicho-No-Ie do Brasil. Em relação à produção da matriz japonesa é necessário atentar para o processo sucessório hereditário que nela vigora. o vice-presidente. 233 A partir dessas considerações. p. assumiu a presidência do movimento o seu genro. e deste modo o seu filho. A Seicho-No-Ie reconhece como “adepto” a pessoa que professa seus ensin amentos. que atualmente (abril de 2006). devido à idade avançada. para os próximos mandatos. na figura do supremo presidente. Importante destacar que não cabe ao associado. Após o falecimento de Masaharu Taniguchi. pois não está devidamente credenciado ao cargo de preletor ou líder de iluminação. cargo atualmente ocupado por Seicho Taniguchi. faz algum tipo de contribuição. Em relação à difusão. em japonês Enkaw e a área de tradução. . O presente estatuto. Quanto aos gabinetes. será escolhido por votação entre líderes da Seicho-No-Ie. [. É somente através dele que a Seicho-No-Ie do Brasil se reporta ao supremo presidente ou ao vice-presidente no Japão. têm-se as seguintes responsabilidades sobre a divulgação: 234 DINIZ. M. Marketing. p. E. Seminário da Luz (em japonês). Subordinados ao diretor-presidente estão: dois diretores vicepresidentes. sendo que o parágrafo 4º regulamenta especificamente que a sucessão passa a ser igualitária e não mais de privilégio masculino. GSM (Informática) e Planejamento. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. d) Diretor-presidente do Brasil O diretor-presidente do Brasil tem a responsabilidade administrativa do movimento e de fornecer o suporte necessário às atividades doutrinárias designadas pelo presidente doutrinário da América Latina.] antecipando a regulamentação do novo Código Civil japonês. o Supremo Presidente e o Vice-Supremo Presidente definem que o processo de sucessão não mais será por transmissão sanguínea.. instaurou que a escolha do sucessor de Masanobu Taniguchi ao cargo de Supremo Presidente.. estabelecendo uma nova relação de poder por conta de mudanças no Código Civil japonês de 1996: No que concerne aos privilégios do direito sucessório estão contidos no Artigo 900 do Código Civil japonês. 87. uma diretoria formada por 14 membros e 5 gabinetes: Seminário da Luz (em português).147 trecho abaixo. 234 c) Presidente doutrinário da América Latina A partir deste grau hierárquico as funções administrativas e doutrinárias se confundem. A função principal deste cargo é zelar pela orientação e atividades relativas à doutrina junto aos que nela trabalham na divulgação e em relação aos principais eventos do movimento. não sendo obrigatoriamente membros da família Taniguchi. que passou a vigorar a partir de 1996. estão sob sua responsabilidade: o jornal. Os superintendentes responsáveis são exercidos por diretores. e não sendo consideradas. pureza e meiguice que fortalecem um lar. por isso. 3) Marketing: programa Seicho-No-Ie na TV. Associação de Preletores. Destacase. e atua em conjunto com as demais associações na divulgação dos ensinamentos da Seicho-No-Ie. as características femininas de amor. aos domingos. em sua maioria. voltadas ao público em língua japonesa. Atribuições: elaboração da revista Fonte de Luz. 2) Associação Pomba Branca – esta associação está voltada ao público feminino com o objetivo de despertar. de acordo com suas publicações e pelo site oficial. e com um mesmo tema a ser abordado. em relação à divulgação. Ela tem uma ação destacada na divulgação externa do movimento religioso. Comunicação. o suporte ao site oficial. 1) Associação Fraternidade – esta associação conglomera. os quais são grandes eventos de divulgação em lingua portuguesa que acontecem a cada dois anos. Recursos Humanos e Distribuição. Associação Pomba Branca. . organização de seminários e convenções relativos a essa associação.148 1) Seminário da Luz (em português) – responsável pelo apoio às Regionais para a realização de seminários. 4) GSM (Informática) – apoio nos serviços de tecnologia da informação. homens casados. Associação da Prosperidade. site oficial. 2) Seminário da Luz (em japonês) – Mesmas atribuições acima. cursos e preparação de lideranças. Administração. exceto na Superintendência de Distribuição. atentando ao fato de que a visão administrativa e doutrinária aparecem por vezes juntas em relação às associações. 5) Planejamento: Semana da Paz e festividade do Santuário Hoozo – e) Superintendências Subordinadas à Diretoria Central existem 10 superintendências: Associação Fraternidade. Coordenação das Regionais Doutrinárias (SCRD). Seguem-se as atribuições específicas na difusão desta doutrina pelas superintendências atuantes neste sentido. das 9 às 11 horas. do “sexo frágil”. e Domingo da Seicho-NoIe – reunião de divulgação que acontece nos locais de divulgação num mesmo horário. Associação de Jovens. Subordinados a esta superintendência. Criança e Melhor Idade. com temas específicos. Cabe ao Departamento de Educadores as seguintes atribuições: elaboração do material do Curso por Correspondência sobre os principios da Seicho-No-Ie. por esta razão. profissionais liberais e autônomos. 5) Associação Prosperidade – associação formada principalmente por empresários. e que visa à divulgação da doutrina junto a esse público em atividade. 3) Associação de Jovens – esta associação é voltada para adeptos até 35 anos e dedica-se intensamente à divulgação dos ensinamentos de Masaharu Taniguchi. Feminino.149 Atribuições: elaboração da revista Pomba Branca. Atribuições: organização de seminários e convenções dessa associação e cursos e preparação de lideranças 6) Comunicação . como seminários e convenções: Juvenis. cursos e preparação de lideranças. Subordinados a esta superintendência existem os seguintes departamentos: Seminários. em japonês). Ofícios Religiosos. elaboração do jornal Querubim (infantil. Jovens Empreendedores. existem os seguintes setores: Nova Mulher. Jovens Casados. Esta associação surgiu em 22 de novembro de 1970 e é um órgão de apoio para as demais associações. Seinenkai (Jovens em japonês) 4) Associação de preletores Atribuições: elaboração do material relativo aos módulos de estudos para a formação de líderes e preletores que acontecem nas regionais. os seus associados são necessariamente vinculados a uma dessas entidades que recebem esse suporte. ações sociais e cursos e preparação de lideranças. realização de seminários e convenções específicos para este público e divulgação da pedagogia de Masaharu Taniguchi em escolas públicas e particulares. A Associação de Jovens foi fundada em 3 de setembro de 1955. Subordinada a esta superintendência existem os seguintes setores responsáveis por eventos específicos. Sala de Cultos e Educadores. elaboração do jornal Minatomodaki (infantil. Atribuições: elaboração da revista Mundo Ideal. em português). seminários e convenções específicas para este público. com a responsabilidade de organizar encontros e seminários específicos à sua atuação. diretor-presidente. Associação local consiste em um local de divulgação que responde administrativa e doutrinariamente à Regional. presidente regional. responsável de revistas e o promotor de Missão Sagrada e Forma Humana (PAMS). tem-se uma correspondente estrutura particular para cada associação – Fraternidade. A Regional Rio Bonito em sua sede possui na sua estrutura reuniões voltadas ao idioma japonês. Jovens e Prosperidade existem dentro de uma Regional ou fora dela como uma associação local. Jovens e Prosperidade – que perspassa a regional até a central. como na Prosperidade.150 Atribuições: elaboração do programa de rádio e elaboração do jornal Círculo de Harmonia (em português) Em relação ao modelo acima apresentado. Seus associados. mas a sede determina. possuindo a seguinte estrutura: a) Supervisor administrativo doutrinário regional O responsável por este cargo responde administrativamente à Superintendência da Coordenação das Regionais Doutrinárias (SCRD). havendo uma diretoria social e o limite máximo de três vice-presidentes. na seqüência ascendente: presidente doutrinário da América Latina. O Conselho Doutrinário Central (CDOC) – é composto de: presidente doutrinário da América Latina. Pomba Branca. Pomba Branca. Pomba Branca. e doutrinariamente ao Conselho Doutrinário Central (CDOC). a Regional tem autonomia administrativa e doutrinária. as . Fraternidade. e em sua composição ela difere em não possuir o responsável por revistas. devem pertencer a uma das demais associações. dois diretores vice-presidentes e o presidente nacional de cada associação: Prosperidade. Conselho Doutrinário Regional (CDOR) – composto de: supervisor e o presidente de cada associação: Prosperidade. Pomba Branca. presidente nacional da Associação. Fraternidade. Em relação à visão doutrinária. pPresidente da Associação da Regional e Diretoria da Associação Local da Regional. no mínimo. secretário. tesoureiro. Jovens e Preletores. A Diretoria da Associação Local da Regional não tem nenhum limite sobre o número de integrantes e sua representatividade. As Associações Fraternidade. a existência dos seguintes cargos: vice-presidente. Jovens e Preletores. A Diretoria da Associação Local dos Preletores não possui o PAMS e o responsável por revistas. Este destaque do Brasil dentro do movimento religioso da Seicho-No-Ie segue a tendência assumida pelos demais grupos religiosos de origem japonesa. Espanha. externas à Regional Rio Bonito Associação Local Associação Elo Prosperidade Prosperidade Embu-Guaçu Geral (única) Pedreira Pomba Branca Fonte: Administração da Regional Rio Bonito Quadro 5: Associações para divulgação em japonês. Gana e todos da América Latina. em sua sede. torna-se ponto de referência para as demais organizações deste movimento em outros países. Panamá. Nos quadros abaixo estão as associações externas e vinculadas a esta regional em português: 235 Quadro 4: Associações para divulgação em português. que encontram aqui 235 Informações obtidas na representação administrativa da Regional Rio Bonito em julho de 2006. a regional possui. Portugal. . Em relação às reuniões voltadas ao idioma português. cabe ao Brasil a responsabilidade doutrinária e organizacional do movimento nos seguintes países: México. com exceção do Peru. no Brasil está em processo de crescimento e. devido a este fato.151 Associações Pomba Branca e Fraternidade. externas à Regional Rio Bonito Associação Local Associação Brooklin Pomba Branca e Fraternidade Casa Grande Pomba Branca e Fraternidade Chácara Santo Antônio Pomba Branca Cipó Pomba Branca Cupecê Pomba Branca Itapecerica Pomba Branca Joaniza Pomba Branca e Fraternidade Morumbi Pomba Branca Palmares Pomba Branca Pedreira Pomba Branca Represa Pomba Branca Santo Amaro Pomba Branca Fonte: Administração da Regional Rio Bonito O Brasil possui um papel de destaque na organização mundial da Seicho-No-Ie. onde não existe implantado este movimento religioso. todas as associações existentes. o número de adeptos permanece estável. de acordo com lideranças. Por conseguinte. Enquanto no Japão. parte dessa rede multinacional e importante base de controle das “filiais” religiosas no exterior. onde além das atribuições doutrinárias e organizacionais. tem a função de difusão. R. sendo responsável pelo material editado em língua espanhola. nas reuniões em língua espanhola e japonesa realizadas no Brasil. um símbolo desse processo de “multinacionalização”.109. do público com seus valores envolvidos. A. tornando-se exemplo do processo de “multinacionalização” dessas entidades religiosas. e seus seminários na Academia de Treinamento Espiritual de Santa Tecla – RS. está situado na sede central no Brasil o departamento da América Latina. Fato a ser estudado e aprofundado é o estudo da difusão do ensinamento e. Isto fica claro por meio de dois fatos: a divulgação no exterior com a participação de membros brasileiros e as construções de significantes centros espirituais no Brasil. tem sido apontado como país-chave na estratégia de divulgação ultramarina desses grupos. sendo uma das nações com o maior número de grupos religiosos de origem japonesa. É.152 o local de maior números desses movimentos fora de seu país de origem. 236 Dentro do exposto. em São Paulo. como foi acentuado por Ronan Alves Pereira: O Brasil. Essa estrutura se apresenta em forma sintética na figura a seguir: 236 PEREIRA. O Brasil assume como principal centro divulgador desses movimentos. . conseqüentemente. p. O Budismo Leigo da Sôka Gakkai no Brasil: da Revolução Humana à Utopia Mundial. Ainda em relação aos adeptos voltados à língua espanhola. ao mesmo tempo. suas reuniões acontecem na sede central. 153 Figura 3: Visão Administrativa da Sede Central Supremo presidente Japão Vice-presidente Japão Presidente doutrinário EUA / Canadá / Oceania Presidente doutrinário América Latina Diretor-presidente Brasil Presidentes dos demais países Gabinetes Seminário da Luz (Português) Marketing Seminário da Luz (Japonês) GSM (Informática) Planejamento Diretoria Central (14) Diretor Vice-presidente (2) Superintendências Associação Fraternidade Associação Pomba Branca Associação Jovens Associação Preletores Associação Prosperidade Coordenação das Regionais Doutrinárias (SCRD) Comunicação Administração Recursos Humanos Distribuição Figura 4: Visão Administrativa e Doutrinária na Sede Central Superintendência Associação Pomba Branca Superintendência Associação Preletores Departamentos Criança Nova Mulher Melhor Idade Seminários Sala de Cultos Departamentos Educadores Ofícios Religiosos Superintendência Associação Jovens Departamentos Juvenis Jovens Empreendedores Seinenkai (Jovens japoneses) Feminino Jovens Casados . 154 Figura 5: Visão Administrativa e Doutrinária da Regional VISÃO DOUTRINÁRIA Conselho Doutrinário Central (CDOC) Presidente doutrinário América Latina Diretor vice-presidente (2) Presidente nacional Associação Prosperidade Presidente Nacional Associação Preletores Superintendência Coordenação das Regionais Doutrinárias (SCRD) Presidente doutrinário América Latina Diretor-presidente Presidente nacional Associação Presidente Nacional Associação Fraternidade Presidente Nacional Associação Pomba Branca Presidente Nacional Associação Jovens * Presidente regional * Supervisor Administrativo Doutrinário Regional Presidente Associação DOUTRINARIAMENTE ADMINISTRATIVATIVAMENTE * da Regional Conselho Doutrinário Regional (CDOR) Supervisor Presidente Fraternidade Presidente Pomba Branca Diretoria da Associação Local * da Regional Vice-presidente Tesoureiro Secretário Presidente Jovens Presidente Preletores Presidente Prosperidade Promotor de Missão Sagrada e Forma Humana (PAMS) Responsável por Revistas * Fraternidade. Pomba Branca. Jovens e Prosperidade . 155 Figura 6: Estrutura e Divulgação pela Sede Central Diretor presidente Brasil Jornal Enkaw (em japonês) Área de Tradução Gabinete Seminário da Luz (em japonês) Seminários da Luz (em japonês) nas Regionais Gabinete Seminário da Luz (em português) Seminários da Luz (em português) nas Regionais Gabinete Marketing Reunião Domingo da Seicho-No-Ie Programa Seicho-No-Ie na TV Site Oficial Gabinete Planejamento Semana da Paz Festividade do Santuário Hoozo Departamento Educadores Curso por correspondência sobre a Seicho-No--Ie Divulgar a Pedagogia da SeichoNo-Ie nas escolas Seminários e convenções Superintendência de Comunicação Programa de Rádio Jornal Círculo de Harmonia (em português) Superintendência Associação Fraternidade Revista Fonte de Luz Seminários e convenções Cursos e preparação de lideranças Superintendência Associação Prosperidade Seminários e convenções Cursos e preparação de lideranças Superintendência Associação Preletores Material para formação de líderes e preletores Superintendência Associação Jovens Revista Mundo Ideal Seminários e convenções Cursos e preparação de lideranças Superintendência Pomba Branca Revista Pomba Branca Ações sociais Jornal Querubim (infantil em português) Jornal Minatomodaki (infantil em japonês) Seminários e convenções Cursos e preparação de lideranças . p.156 Na organização da Seicho-No-Ie define-se uma direção entre os cargos e suas alternâncias com os seguintes critérios: Presidente doutrinário: nomeado pela Sede do Japão através do supremo presidente Diretoria Regional: escolhida pelo presidente regional Presidente da Associação local: eleito pelos associados a cada 3 anos. 238. 239 TOMITA. onde a língua japonesa serve de introdução à religião e ao universo de valores culturais do Japão como explicitado por Tomita em sua dissertação239. G. Diretor Regional: eleito a cada 3 anos pelos membros da Diretoria Regional Conselho Doutrinal Regional: possuíndo. 5 elementos. Perfect Liberty: O Fascínio de uma religião japonesa no Brasil. pelos membros da Diretoria Regional e. respectivamente. 237 238 Informações obtidas na representação administrativa da Regional Rio Bonito em julho de 2006. em seus primórdios. tem em si. Neste processo de mudança pode-se constatar uma crescente tradução e adaptação de termos japoneses e conseqüentemente. O idioma além. aproximadamente. diferenciando-a de outras NRJ: Perfect Liberty (PL) e Igreja Messiânica Mundial (IMM). O Conselho Doutrinal irá compor a Assembléia-Geral que delibera todas as ações na regional. no mínimo. validado pelo Conselho Doutrinário da Regional. tinha uma função de preservação do patrimônio étnico-cultural. como as demais NRJ. GONÇALVES. 4. A alternância de poder acima descrita reflete aquela adotada pela sede central brasileira que. 51. H. segue a mesma alternância do Japão. 150 e 200 associados. R. . após. S. tornou-se uma religião universal.2 O humano na palavra: a preparação do recurso A Seicho-No-Ie que. por sua vez. Um outro lado da moeda: Novas Religiões Japonesas como transmissoras de noções culturais japonesas no Brasil. A. nas partes em português e em japonês. a cada 3 anos. escolhidos pelos presidentes de cada associação a cada 3 anos. 237 Presidente regional: eleito. Na Regional Rio Bonito existem. a diminuição de seu uso. de servir de transmissão de valores. um fator de dominação étnica através da produção intelectual de Masaharu Taniguchi: No entanto. M. se considerarmos que Masaharu Taniguchi escreveu mais de 400 livros e de que nem a metade deles estão traduzidos para o português. Yoshihico Iuassaca e Osvaldo Murahara. Diante destas considerações justifica-se que a maioria do Conselho Doutrinário Central (CDOC) se componha de descendentes de nipônicos.] os ensinamentos passados a esses Supervisores são provenientes dos líderes de Associações da Seicho-No-Ie. E. 240 Diniz acrescenta que esta dominação étnico-intelectual justificava-se quando ela foi abordada por Albuquerque. pudemos apurar. por terem tido contato desde a juventude com a Seicho-No-Ie. Todavia. reforçando o processo de dominação étnica baseada no conhecimento intelectual. . 241 ALBUQUERQUE.241 o que não acontece atualmente ao se constatar a formação dos membros que é feita por livros traduzidos. como é o caso de Marie Murakami. p. obediência e salvação. Ou seja. ministrando estudos a preletores. 240 DINIZ. estes em maior número que na época da pesquisa citada. p. líderes de iluminação. L. a importância do conhecimento do idioma japonês no processo de ocupar postos de relevância dentro do movimento religiososo: “Se hoje posso estar à frente deste Movimento. 242 Corroborando a observação de Diniz. Seicho-No-Ie do Brasil: agradecimento. é no campo da produção simbólica e cultural que a dominação se estrutura. em nossas pesquisas. p. M. esse poderia ser considerado um fator limitador do crescimento intelectual e doutrinário de preletores que não possuem o conhecimento do idioma japonês. 242 DINIZ. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. M. vê-se nesta citação de Yoshio Mukai. que a maioria dos membros de origem nipônica que compõem a Diretoria do CDOC e alguns desses supervisores têm contato com a Seicho-No-Ie desde a juventude. quando a produção literária em português era escassa: [. presidente doutrinário da América Latina..157 no entender de Diniz. B. Op. 98. que por sua vez usam livros traduzidos para o português em suas preleções.. cit. 122. 122. E.. . diretores: Heitor Miyazaki. eventos e reuniões fazem-se necessárias na sua avaliação pela organização. Manoel Angelo Malvezzi. diretor presidente da Seicho-No-Ie do Brasil.158 divulgadores e dirigentes. Op. De um adepto que pretenda ser um membro voluntário e atuante na organização é necessária a disposição para inserir-se num processo intensivo de leitura e estudo dos livros da doutrina. 19. p. presidente doutrinário para a América Latina. 4. Sua participação e disponibilidade em auxiliar nas cerimônias. Junji Miyaura. além de rígido controle do conteúdo das palestras de Preletores e/ou Líderes da Iluminação. Estas expectativas e demais exigências feitas ao fiel que procura uma pertença a este grupo religioso é o que será abordardo no próximo item. Antonio Shotaro Ishida Oshima. as publicações da Seicho-No-Ie são o grande veículo de divulgação da doutrina e a mola propulsora do Movimento de Iluminação da Humanidade. Seichisti Saita. é um instrumento poderoso dentro da Seicho-No-Ie. Sinji Takahashi. Amor e dedicação a um ideal. Leonor Ichikawa e Ademir Camillo Teixeira. diretor vice-presidente da Seicho-No-Ie do Brasil. Edison Schwarz de Melo. p. Gurjão Boavista da Cunha. Marie Murakami. que se evidencia na sua participação em cursos. Iasusuke Murakami. que foi fruto de muita persistência da parte do meu pai. cit. atribuo isso ao meu conhecimento da língua japonesa. Informações obtidas na Superintendência de Comunicação da Seicho-No-Ie do Brasil em agosto de 2006.3 Preletor: a presença da pedagogia e do professor A palavra. Yoshio. Y. Noriyo Enomura. Pois. diretora vice-presidente da Seicho-No-Ie do Brasil. seminários e grupos de estudo. 245 243 244 MUKAI. Ênio Maçaki Hara. Olímpio Kitahara. seja de forma escrita ou falada. 245 MUKAI. 8. Yoshihico Iuassaca. Osvaldo Shiniti Murahara. segue a composição da Diretoria Central da Seicho-No-Ie do Brasil (de maio de 2005 até 28 de fevereiro de 2008): 244 Yoshio Mukai. Felisbela M. e a prática diária de culto aos seus antepassados e da meditação Shinsokan. Adicione-se ao seu perfil a postura em proferir palavras otimistas diante de qualquer situação. ” 243 Para ilustrar o que foi abordado acima. E. Seu valor inicia-se pelo caráter de revelação para a obra de Masaharu Taniguchi. A valorização da produção literária é algo muito forte na Seicho-No-Ie. ou seja. com base em Bordieu: “[. atuava como preletor nas reuniões. que passa por etapas para galgar estágios que lhe permitem uma atuação em especial na realização de palestras e práticas em locais estabelecidos pela organização. na ocasião. eles são motivados para aprimorar seu discurso e sua retórica. os livros da Seicho-No-Ie que serviram de base para a atividade. pela valorização da sua obra e de sua leitura e.. pelo número reduzido de palestrantes existentes. reconhecidos pelos seguidores como de origem sagrada”. sendo sempre lembrado que o movimento começou por esse tipo de divulgação. Na época o dendoin (divulgador). M. portarem. Este afirmação do discurso por uma simbologia sagrada foi apontada por Ediléia Mota Diniz. em sua difusão. principalmente as de autoria de Masaharu Taniguchi. como externamente. no controle da exposição de seus principais divulgadores. é necessário que use de simbolismos estereotipados. preletores e líderes de iluminação. Esses adeptos para fazer a transmissão de forma correta. e foi através da escrita que Masaharu Taniguchi teve a revelação da doutrina. Antigamente era suficiente que um adepto e divulgador fosse indicado pela associação para que fizesse um exame e se tornasse preletor.159 O valor da palavra na Seicho-No-Ie se evidencia tanto internamente. na organização. por fim. lembrando que estão de posse de uma “missão divina”. Os preletores recebem a orientação para quando proferirem palestras com temas previamente definidos. 70. são orientados desde o seu ingresso na Seicho-No-Ie em ler e estudar as publicações desta religião.] para que o ritual seja percebido como legítimo. 246 DINIZ. Carisma e poder no discurso religioso: um estudo do legado de Masaharu Taniguchi – A Seicho-No-Ie no Brasil. em seguida ao seu discurso e retórica utilizados.. As exigências que se seguem iniciaram-se na década de 1990. . p. sobretudo pela razão de a obra de Masaharu Taniguchi ser reconhecida pelos adeptos como sagrada. antes disso eram bem menores para um adepto estar autorizado a ser um preletor. Um preletor antes o termo usado na colônia japonesa era koshi (professor) – constitui-se de adepto quase sempre voluntário. citando trechos relacionados ao assunto. 246 Dentro dessas orientações aos preletores e/ou líderes de Iluminação. O expediente de utilizar as publicações da religião reforça o discurso. participar das atividades da Associação à qual está vinculado. L. O pré-requisito ao iniciar-se como preletor é que o fiel seja divulgador. quais sejam: contribuir com a Missão Sagrada. é necessário ser aprovado em exame. p. possuem grande domínio dos princípios doutrinários. deixa de ter tal denominação. 98. em seguida. 247 248 ALBUQUERQUE. interessam-se às vezes em fazer estudos comparativos com outras fontes de conhecimento. para justificação dos princípios doutrinários. história. contribuir com cota de revistas. e após. . Idem. psicologia. os líderes. cada um. e seguindo as idéias de seu fundador constantes nas publicações. p. o adepto torna-se divulgador ao ser indicado pelo presidente da Associação Local de que ele faz parte. Deste modo existem os níveis de preletores e sua respectiva área de atuação: 1º) Aspirante ou líder de Iluminação. ” 248 De acordo com levantamento na Superintendência de Comunicação da Seicho-No-Ie do Brasil. Seicho-No-Ie do Brasil: agradecimento.160 Como já abordado por Albuquerque 247. o qual só poderá ser feito através de indicação do Conselho Doutrinário da Regional. por terem participado de vários cursos e seminários especializados. este último é voltado somente a jovens e. Para ambos a atuação restringe-se à Regional. Em relação ao preletor. B. Em ambas as categorias existem exigências em comum. por solicitação ou aos 40 anos. seguem abaixo os pré-requisitos para tornar-se divulgador e. Dão testemunho de suas convicções referindo-se ao sucesso que afirmam ter diante de qualquer problema cotidiano. de cinco aulas a serem ministradas num período de seis meses. Este curso é de responsabilidade do Departamento de Preletores da Regional e possui três módulos com previsão. ciências. ser aprovado no curso feito na Regional – Módulo de Estudos da Seicho-No-Ie. pelo Conselho Doutrinário da Regional. 2º) Júnior: com atuação só na Regional. preletor. 97. Os adeptos atuantes e os preletores possuem outras características comuns que os identificam: “Os adeptos dessa categoria apresentam estereótipos característicos da Seicho-No-Ie: gestos corporais de origem japonesa (cumprimentar com as mãos justapostas) e vocabulário que expressa atitude otimista frente à vida. obediência e salvação. por exemplo. Cumprindo as exigências acima. M. Para os níveis Júnior. participar de atividades na academia e nos Seminários da Luz. por exemplo. Seicho-No-Ie do Brasil: agradecimento. 5º) Sede Internacional: outros países. Sênior e Máster. B. obediência e salvação. . a um preletor Máster é permitido. Missão Sagrada. ou aquelas que não possuíam o hábito de leitura passam.161 3º) Sênior: intercâmbio com outras Regionais no Brasil. lembrando que são aqueles sobre a responsabilidade das Regionais. estes mostraram que a religião desenvolveu ou intensificou o hábito da leitura. A atuação é acumulativa. porquanto os depoimentos (ver anexo II) evidenciam que na leitura de sutra e de livros se encontra a principal prática do adepto. por conta da procura de pertencer ao grupo. Lembra-se que a maioria dos adeptos. As informações abaixo mostram a quantidade e classificação de preletores e líderes: 249 Tabela 6: Preletores e Classificação na Regional Rio Bonito Divulgação Aspirante Junior Total Português Japonês (*): Ativos: 28 17 5 15 6 32 (*) 11 Um fato digno de estudo é o hábito de leitura desenvolvido quando da inserção do adepto nesta dinâmica educacional. L. 93. assim. após este período deve ser realizada prova pra mudança de nível. de entendimento para a solução de seus problemas e intensificação de sua religiosidade. Na Regional Rio Bonito existem dois líderes para as reuniões de idioma português e nenhum nas de idoma japonês. p. Durante conversas com adeptos. Pessoas de grau de instrução não elevado. a ler e estudar os livros definidos pelo movimento religioso. M. 4º) Máster: América Latina. como Albuquerque já assinalou. os preletores devem contribuir com cotas de revistas. o qual é incentivado pelos cursos existentes 249 250 Informações obtidas na representação administrativa da Regional Rio Bonito em julho de 2006. Além disso. é de origem das classes médias urbanas250. o tempo no cargo é de três anos. ALBUQUERQUE. ministrar uma palestra ou dirigir estudos em uma Regional. como as demais categorias. coordenadas por preletores. cada um. como proferir palestras. havendo tarefas teóricas e práticas. acompanhada do componente religioso e de aceitação pelo grupo. São Paulo. A Seicho-No-Ie. a serem cumpridas antes do exame final. Informações obtidas junto à representação administrativa da Regional Rio Bonito em julho de 2006. como divulgação de revistas. compõe o cenário que motiva o adepto a sobrepor barreiras que possam acontecer no seu processo de absorção de conhecimento através da leitura. tornando-se um elemento de fortalecimento do movimento. Toda inserção pedagógica traz em si uma valorização do indivíduo que. tratamento dado ao público. Em segundo lugar. doutrinários da Seicho-No-Ie. decorrendo daí um 251 252 TANIGUCHI. Quando você os lê. textos budistas. geralmente do fundador. M.162 nos locais de reunião. 21. que é escrito. num período de cinco horas com turmas em torno de 20 participantes. novembro de 1973. como em seus primórdios. A expressiva maioria é de trechos da Bíblia. ” 251 Os cursos ministrados nas Regionais da Seicho-No-Ie para formação de divulgadores e preletores são compostos de sete módulos sendo ministrados. geralmente aos domingos. Masaharu Taniguchi. proporcionam a aproximação entre seus membros. em especial àquelas pessoas que procuram orientação na solução de problemas. como ciência. além do estudo em si. são realizadas nos locais de reuniões e. uma vez ao mês. o anjo protetor da Seicho-no-Ie que orienta esse Movimento de Iluminação da Humanidade acompanha-o na leitura e faz com que a difícil Verdade penetre na sua alma. uma das características das NRJ. Revista Acendedor. As pessoas se sentem inseridas num campo de conhecimento e partilhamento de experiências. e interpretação de textos de outras religiões com base nosus fundamentos. os seguintes assuntos252: cerimonial da Seicho-No-Ie. Seicho-No-Ie do Brasil nº 78. Taniguchi aconselha: “Deixe de pensar que você não tem estudo suficiente para ler e entender livros tão difíceis como A Verdade da Vida. . uma missão divina que a eles foi confiada e o esforço no aprimoramento das práticas preconizadas e metas a serem alcançadas. Os participantes desses cursos são estimulados a ver em seus futuros trabalhos na organização religiosa. p. geralmente. constantes de livros de Masaharu Taniguchi. relação dos ensinamentos da Seicho-No-Ie com outras áreas. com atividades voltadas ao entendimento e discussão sobre o conteúdo existente nos livros da doutrina. incentiva a formação de grupos de estudo. psicologia e medicina. Os cursos são apostilados e seus temas abordam. Tais reuniões. . num ambiente onde as palavras adquirem um poder mágico e. faz com que este adepto insira-se num ambiente de reconhecimento onde seus anseios de realização neste mundo se concretizem numa perspectiva ética e divina. com o domínio da palavra escrita que se revela no conhecimento. juntamente com uma escala de valores que aparece em seus estudos. O público que trabalha a devoção da palavra fica comprometido de forma a valorizar-se internamente pelas qualidades da alma e se projeta como estudioso. onde seus responsáveis são pessoas ligadas ao ensino e que tratam. Um novo modo de integrar as pessoas dentro dessa perspectiva de estudo e de práticas é o “Curso da Seicho-No-Ie do Brasil por Correspondência”. como uma de suas atividades. práticas e participações na organização. O material desse curso por correspondência é feito pelo Departamento de Educadores da Seicho-No-Ie. um ambiente de compartilhamento intelectual favorece a auto-estima. num determinado período. ao mesmo tempo. Entre elas. pede-se ao aluno que faça. racional na transformação de suas realidades. O curso de correspondência serve também de integração entre os participantes. da divulgação nas escolas e com professores através de cursos. assim. de acordo com o que se apregoa em livros e reuniões. e sobretudo ordenam-se condições de uma humanidade intelectualizada. uma oração de manhã e à noite e para seu controle e incentivo é disponibilizada uma tabela para marcação dos dias em que a realizou. onde o esforço e força de vontade demonstram a seriedade do propósito empenhado. características sempre destacadas na religião. Ele constitui-se de seis módulos enviados uma vez ao mês ao aluno contendo textos a serem estudados e com questões em forma de testes a serem respondidas e devolvidas. A visão do homem de ser divino e passível de redimir suas faltas graças a essa essência perene e perfeita. Contam-se também o respeito à hierarquia e ao cumprimento entre os participantes. geralmente de 15 dias. na instrução. Além disso. ao esperar dedicação e disciplina do participante. a Seicho-No-Ie constitui-se de práticas. reverenciando o outro com as mãos justapostas. seminários e palestras. O modo de ser japonês transparece em todas as atividades acima citadas. pois existe a possibilidade de participar uma vez ao mês de reunião na regional para discutir sobre os temas abordados.163 sentimento de pertença ao grupo. 164 Ao intensificar a sua utilização da mídia, e uma conseqüente maior exposição ao público, o adepto adquire uma nova visão dos valores de origem oriental e japonesa, e por sua vez, sofre a influência do meio onde se insere e deste mesmo público. Neste processo ele se adapta e recria tanto na apresentação quanto na adequação de sua mensagem para se manter dentro de uma dinâmica que caracterize sua inserção no cenário religioso brasileiro. O adepto, ao se inserir como membro atuante, absorve os valores existentes na doutrina dentro de seu processo educacional. Com base no que foi abordado no trabalho, apresenta-se a conclusão. 165 CONCLUSÃO A diversidade religiosa no Brasil abrange vários grupos religiosos desde o catolicismo, grupos evangélicos, cultos de origem africana e religiões de origem oriental. A crescente urbanização a começar na década de 1950 e se estender nas de 1960 e 1970 propiciou o deslocamento dos descendentes de imigrantes japoneses para as cidades, trazendo consigo sua cultura e religião e esta, antes étnica, começou a se expandir entre os brasileiros. Neste universo as Novas Religiões Japonesas chegaram e se alojaram. O movimento Nova Era surgido nos Estados Unidos nos anos 60, como herdeiro da contracultura da década de 1950, teve em sua maioria simpatizantes provenientes de uma classe média com certo nível educacional e instrução escolar, que estavam à procura de elementos que oferecessem respostas que não eram conseguidas pela ciência, pelo modo individualista, pelo racionalismo e, enfim, pela vida urbana onde se inseriam. Embora não haja uma declaração explícita de sintonia entre as NRJ e os preceitos propalados pela Nova Era, a grande relação das idéias existentes na Nova Era com o movimento religioso oriental está acentuada na convicção de uma orientação e recriação de um eu. Trata-se de um eu que se projeta como superior e com transcendência, na visão otimista da procura espiritual, de uma pretensão científica e a idéia de imanência do divino. Diante dessas tendências, este estudo retratou a religião Seicho-No-Ie que, além de suas características próprias de uma NRJ, possui sua particularidade na ênfase da crença e no uso do poder da palavra, tanto doutrinariamente quanto na sua difusão. A presença de Masaharu Taniguchi se evidencia nesse movimento religioso, através da estrutura que lhe deu e das influências recebidas por ele durante sua formação, que transparecem em sua obra literária, permeada de um caráter científico e pedagógico ao lado de práticas espirituais, e que se tornaram características da dinâmica da religião. A Seicho-No-Ie, que inicialmente, como as demais NRJ, tinha uma abrangência étnica, mostrou-se eficaz posteriormente, na sua expansão entre os não-descendentes de japoneses, tendo em suas publicações, seguidas da dinâmica de suas reuniões e atendimento aos seus seguidores o seu principal fator de aproximação. O caráter sagrado e de estudo da 166 produção literária de Masaharu Taniguchi torna-se o elemento que permite, no uso da palavra com compromisso religioso, o pertencimento do adepto a esta religião. Perante os fatores intrínsecos da doutrina, o sincretismo peculiar da Seicho-No-Ie tornou-se viável na aproximação com brasileiros, os quais, em si, já estão inseridos em uma tendência sincrética no plano religioso. Alia-se a tal sincretismo a posição conciliatória de não confronto com as demais religiões, adotando um discurso religioso que acontece num sentido filosófico, tornando o ambiente peculiar e sedutor para a sua expansão e adesão, unindo subjetividades e formando coletividades. O meio de absorção – marcado por uma linguagem de letramento de formação de consciência e de uma ordenação intelectual – ao tornar absorvente o cenário dos adeptos permite que os eventos e encontros possam preencher um universo de expectativas. O meio cultural, com sua dimensão educativa, ao aproximar-se de uma racionalização do sagrado, não abandona as práticas espirituais. Analisada de um ponto de vista weberiano, a racionalização de uma religião pode ser avaliada com base em dois critérios: o primeiro relaciona-se ao grau em que essa religião se despojou do sagrado; o segundo é relativo à coerência sistemática com que ela aborda a relação de Deus e o mundo, baseando-se na sua própria relação ética com este último. O cultivo da palavra expandiu-se pela criação dos espaços religiosos, fato compreensível aos novos adeptos. Vários termos japoneses foram traduzidos, e padrões de liderança, hierárquicos, e disciplinamento da religiosidade tomaram um certo grau de liberalidade nas reuniões e práticas rituais. Diante desse processo, a estrutura e fidelidade aos padrões tradicionais japoneses na doutrina e administração compreendem um espaço de resistência e de auto-afirmação das origens étnicas japonesas. Neste sentido, são valorizados como características próprias das NRJ: divulgação por sexo, idade e interesses particularizados. Com toda a modernização mencionada é marcante o objetivo da Seicho-No-Ie de manifestar a essência divina do adepto e do mundo: a Imagem Verdadeira ( Jisso). O discurso utópico e nem sempre de caráter milenarista introduz o “mundo verdadeiro”, sempre num processo de construção enunca viabilizando totalmente essa realidade. O valor e o poder de concretizar a utopia estão com o próprio adepto, tendo este a responsabilidade, e sobretudo o 167 valor e o potencial de tornar exequível em sua vida, na sua consciência pessoal, e em conjunto no seu meio, o modelo de perfeição. Na construção do arcabouço teórico e nas suas práticas, compreende-ses a ênfase no pensamento mítico japonês. Ele ressalta o princípio da não-contradição. A visão de Deus como único também se manifesta em várias divindades. O caráter imanente do divino com sua interpenetração é intrínseco a todos os seres, inclusive o homem. O modo de pensar, presente nos escritos e estudos abordados aproximam as pessoas do pensamento conjuntivo, cuja postura relativista explica o sincretismo existente nas Novas Religiões Japonesas. Diante desta eficiente ordenação de valores é que a religião estudada permite sincretismos que se inserem na atualidade e possibilitam compreensões próprias da fragmentação pósmoderna. O processo pedagógico que deriva das obras de Masaharu Taniguchi dirige-se ao reconhecimento da palavra. Ele tem na formação de seus adeptos uma valorização do estudo e da leitura, o que situa a Seicho-No-Ie como uma religião que propicia a busca do conhecimento. Nesta pedagogia cumpre lembrar dois itens que a compõem e que fazem parte das características da Nova Era: a crença na perfeição divina e inerente ao ser humano e a valorização da intuição. A Seicho-No-Ie tem em seus livros doutrinários a principal ênfase onde as propostas se expandem para meios mais modernos de comunicação. No momento atual mostra-se uma intensa exposição na mídia, o que faz da SeichoNo-Ie um caso único das NRJ no cenário religioso brasileiro. Esta fase confirma sua característica relativa à difusão quando é denominada como uma “religião de comunicação em massa”, conforme Maeyama, a qual se reforça pelo marketing e na utilização bemsucedida dos instrumentos da mídia, com destaque atual na sua presença na televisão e no rádio. Esse caráter arrojado do movimento no Brasil em relação às demais NRJ justifica o fato de ser líder e ponto de referência perante as outras associações da Seicho-No-Ie, existentes nos demais países da América Latina e nos países de línguas portuguesa e espanhola. Sua caracaterística fortemente sincrética, e ao mesmo tempo flexível e pragmática, a torna atrativa para os adeptos que se identificam com a sua doutrina através de sua postura relacional, que é marca da religiosidade brasileira, como foi acentuado por Da Matta. A 168 aceitação e incentivo ao fiel em professar outra fé torna-se, paradoxalmente, um meio que o insere mais nesta religião, quando esta fornece um conhecimento que lhe permite relacionase diante de símbolos e crença existentes em outro movimento religioso. Deste modo é reforçado o discurso da Seicho-No-Ie e a pertença do fiel a este grupo. Surgem neste cenário usos pertinentes aos sentidos de sincretismos apontados por Ferretti, compondo assim o panorama religioso onde o adepto se insere: o paralelismo, quando da crença num Deus Universal que se manifesta de várias maneiras, e a procura de adaptação do culto aos antepassados, com uma abordagem próxima à cultura cristã brasileira. Nesta postura maleável, ela mantém-se tradicional ao reforçar seus traços étnicos e seu núcleo fundador, traduzidos por um modelo de perfeição mantido e difundido através da palavra. Religião e sociedade engendram influências mútuas que modificam seus valores e formas de expressão. A visibilidade conseguida pela Seicho-No-Ie atrai um público diverso e nem sempre tão fiel, que faz com que aumente o desafio para suas lideranças, que é o de manter-se atualizada e em sintonia com sua época respondendo aos anseios de quem a procura, e ao mesmo tempo mantendo-se sintonizada com a base da doutrina de seu fundador, Masaharu Taniguchi: o despertar do divino, através da palavra, para concretizar o modelo perfeito de vida, a imagem verdadeira, o Jisso. 1998. Rio de Janeiro: Record. O Misticismo Guarani Mbya na era do sofrimento. O Livro das Religiões. São Paulo: Schwarcz. Rio de Janeiro: Guanabara. Mircea. 2003. MAGNANI. Allan G. 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Termo budista que designa ser de sabedoria elevada que segue uma prática espiritual que com o objetivo de remover obstáculos e beneficiar todos os demais seres. era uma das três divindades que nasceram sós e pairavam sobre o mundo em seu primórdio era semelhante ao mar e. A partir do sânscrito. Bankyô-Kiitsu Pensamento japonês que indica que todas as religiões são unas.176 ANEXOS Anexo I GLOSSÁRIO Amaterasu Deusa do sol. Iniciativa na década de 1960. O evento na ocasião voltou-se aos profissionais de delegacias de polícia. Bukkyô Budismo. Ame-no-minakunushi De acordo com o Kojiki*. se ocultou. Usa-se também o termo Butsudô. É também conhecida como Kunitokotachi-no-mikoto Arigatô Undô Campanha da Gratidão. depois como as demais. significa “ser ( sattva) de sabedoria (bodhi)”. É também conhecida como Amaterasu Oomikami ou Oo-hirume-no-kami. Amatsunorito Oração xintoísta utilizado no Rito de Purificação (Oshubatsu*). Essa divindade é considerada ancestral e tutelar da família imperial. . do Departamento Feminino da Seicho-No-Ie* em agradecer profissionais que zelam pela população. Nome do jornal em língua portuguesa da Seicho-No-Ie do Brasil. Enkwan Círculo de Harmonia.177 Bushi Guerreiro. Bushidô Código ou via do samurai* (bushi*). Engishiki Coleção de regulamentações para cerimônias xintoístas compilada no ano de 927 d. Butsudan Oratório budista Dendoin Antiga denominação de divulgador da doutrina Seicho-No-Ie*.c. Fudô Myo Comunidade Budista Fudômyo. Dôkyô Taoísmo. Hidari Esquerdo (lado) Hînayâna . Fukko-Xintô Xintó* acadêmico. Inari Daimyôjin Associação Religiosa e de Assistência Social. Formulário utilizado na Oomoto* através do qual. Religião japonesa de origem budista. como uma dissidência do grupo budista Honmon Hokke. Formulário aproxima-se na forma daquele usado na Seicho-No-Ie denominado “Forma Humana”. Hôtoku Necessidade de sentir gratidão. Theravada ou “Escola Pali”. Difundiu-se principalmente no Sri-Lanka. Hitogata Forma de Homem. Tailândia. após preenchimento. do ramo de Nichiren. Ichi-jitsu Shintô Xintoísmo de Uma Realidade. Um dos movimentos sincréticos medievais surgidos no Japão. Honmon-Butsuryushu Conhecida também como Butsuryushu. possa “limpar” os pecados do adepto. Myanmar. Foi fundada pelo mestre Nissen em 1857. Uma das principais contribuições do confucionismo à religiosidade japonesa. Religião de origem japonesa que se formou no Brasil. conhecida como Pequeno Veículo ( Hînayâna).178 “Escola budista dos Anciãos ou Monges”. Ittoen Religião japonesa de origem budista fundada por Tenko Nishida em 1905. em cerimônia de purificação no Japão. Izanagi . Laos e Cambodja. Ela tem como base a vida sem nenhuma possessão e serviço ao próximo. razão que ficou conhecida como Escola do Sul. a essência divina de todos os seres. Jisso Enman Kanzen Imagem Verdadeira. Crença da Seicho-No-Ie* que indica a perfeição. Iyú Grito (kiaí*) feito ao final do canto Shoshinka* existente na prática do Shinsokan*. Prática recitativa feita em reuniões da SeichoNo-Ie* no sentido de manifestar a perfeição divina ( Jisso*) Jonchi-suiyaku Teoria que combina o Buda com os deuses japoneses. Período que. Jinja-Xintô Xintô* do Estado Jisso Imagem Verdadeira.179 Na mitologia japonesa corresponde ao deus que participa na criação do mundo como demiurgo masculino. o mundo em seu primórdio era semelhante ao mar. de acordo com o Kojiki*. Harmonia e Perfeição. Jindaishi Idade dos deuses. Izanami Na mitologia japonesa corresponde ao deus que participa na criação do mundo como demiurgo feminino. Jukyô Confucionismo . Kakurimi Designa “Corpo Invisível” e.180 Jyôshingyô Purificação da alma. Kaminoya yaoyirizu-kyo Associação Religiosa Kaminoya-Yaoyorozu-Kyô do Brasil. se ocultou. Uma das religiões que se formaram no Brasil. Principal sutra da Seicho-No-Ie*. etc. Nesta categoria incluem-se uma grande diversidade de entidades como personagens da mitologia japonesa. Kamidana Oratório xintoísta. ancestrais divinizados de ilustres famílias. depois como as demais. . Kanro no Hoou Chuva de Néctar da Verdade. Existe a crença que Kannon aparece neste mundo sob várias formas para salvar aos que a chamam. esta divindade budista é a fundadora dos ensinamentos da Seicho-No-Ie*. originou a palavra kami*. era uma das três divindades que nasceram sós e pairavam sobre o mundo em seu primórdio era semelhante a o mar e. Kamimusubi De acordo com o Kojiki*. personificações de força da natureza. Kami Indica qualquer ser com poderes excepcionais que mereçam devoção. De acordo com Masaharu Taniguchi. mas sem seguir uma filiação direta com o Japão. a partir dela. além de manifestação de outros seres elevados como Suminoe* e o arcanjo Miguel. Prática de purificação da Seicho-No-Ie*. Kanzeon Bosatsu ou Kannon ou Kannon Bobatsu ou Avalokiteshvara Divindade budista. o Bodhisattva* da Compaixão ou Deusa da Misericórdia. 181 Kazu Uta Canto Numeral. Kyôha-Xintô Xintô* das seitas. Kojiki “Crônica das Coisas Antigas” ou “Registro das Coisas Antigas”. Kotodama Crença xintoísta que atribui poder transformador sobre seres e ambiente ao modo de pronunciar as sílabas que compõem o alfabeto japonês. lendas e histórias centradas na família imperial. Termo usado para o atual preletor da Seicho-No-Ie* quando esta se restringia a sua atuação na colônia japonesa. livro clássico compilado no ano 712 contendo mitos. Canto de origem budista antigamente utilizado em cerimônias coletivas para antepassados na Seicho-No-Ie*. Kirisutokyô Cristianismo. Mahâyâna . Kôxitsu-Xintô O xintô* da Casa Imperial. Kiaí Grito através do qual se concentra a força mental. Koshi Professor. Meiji O Período Meiji (Meiji-jidai) consiste dos 45 anos de regime do imperador Meiji. Difundiu-se da Índia para o Tibet. Durante essa época.Shinkô Crenças populares. . baseada na Sutra Lótus (Sad-Dharma pundarîka) e fundada por Nichiren (1222-1282). A recitação (Nembutsu) dessa frase é indicada como um louvor de agradecimento que leva à iluminação. Coréia e Japão. Nichiren Shôshu Sociedade Religiosa Nichiren Shôshû do Brasil. de 8 de setembro de 1868 até 30 de julho de 1912. Minkan-Xintô Xintô* popular Mutsumi Harmonia. razão que ficou conhecida como Escola do Norte. O Nembutsu é a prática principal da Escola Budista Jodo Shinshu*. Nichiren-Shû Seita budista conhecida também por Hokke-shû. China.182 Escola budista do Grande Veículo (de salvação). Mongólia. Nome da revista lançada em 1950 pela Seicho-No-Ie* Namu-Amidabutsu ou Namu-Amida-Butsu Significa “Glória ao Buda Amida”. Migui Direito (lado) Minkan. o Japão começou sua modernização. Oomoto-kyô Oomoto ou Associação Universal. objeto ou pessoa a serem purificados.183 Nihongi Este clássico japonês. Rito de Purificação xintoísta. Ooharai Grande Purificação. Oshubatsu Rito de Purificação. É utilizado no Oshubatsu *. Prática espiritual xintoísta. Amor e Fraternidade no Brasil. Prática xintoísta utilizada em cerimônias coletivas. Norito Orações dirigidas às divindades nas cerimônias xintoístas. Ele é constituído de várias tiras de papel simbolizando quatro deuses que estão nelas alojados sendo agitado na direção do local. 720 Crônicas do Japão. Perfect Liberty (PL) “Perfeita Liberdade” ou “Verdadeira Liberdade”. Japão. Foi abolida da Seicho-No-Ie*. essas palavras estão nos rituais descritos no livro Engishiki*. na cidade de Tossu. juntamente com o Kojiki* constituem os livros que retratam a mitologia japonesa. Omamori Amuleto. resultante da reorganização da seita . Religião iniciada por Tokuchika Miki em 29 de setrembro de 1946. Oonusa Bastão da Purificação. Samurai Guerreiro Seicho-No-Ie Lar do Progredir Infinito ou Casa da Plenitude. Religião fundada em 1920 por Kakutaro Kubo no Japão. criada por Tokuharu Miki em 1925. Ryozo Azuma. Designa também ShingonShintô. Ryôby Shintô Termo que expressa o sincretismo entre xintoísmo e budismo. Sekai Kyuseu Kyô Igreja Messiânica Mundial do Brasil Shimabara Batalha que acabou com os últimos católicos japoneses em 1637-1638. corrente que interpreta o xintoísmo através das doutrinas da seita budista Shingon*. Religião fundada no Japão em 1930 por Masaharu Taniguchi. na região de mesmo nome onde concentrava a maioria dos cristãos no Japão. Está presente no Brasil desde 26 de fevereiro de 1957 com a chegada do missionário da PL. Seikannon-Shu Hakkoku Kannondo Templo Budista de Kannon. Shinreikyô .184 Hito-no-miti (Caminho do Homem). Shingon Seita budista esotérica fundada em 806 por Kûkai ou Kôbo Daishi (774-935). Reiyukai Amigos do Espírito. . Movimentos religiosos que surgiram no Japão a partir do século 19. a Verdade Escola da Terra Pura ou Jodo Shinshu fundada por Shiran (1173-1262) no Japão que apregoa a recitação de Namu-Amidabutsu* para atingir a iluminação. Um dos movimentos religiosos que se formam no Brasil com raízes japonesas e não seguem uma filiação direta com o Japão. . Shugo ou Shûgô-Shûkyô Cultos ou religiões sincréticas. Shûkyô Religião. Shin-Shûkyô Novas religiões japonesas.185 Clube Kotobuki. Prática de meditação da Seicho-No-Ie* Shintô ou Xintô Xintoísmo. do qual ele é o fundador. Shoshinka Canto Evocativo de Deus. Shinsokan Ver e contemplar Deus. Shinshi Revista de Deus. Significa “Caminho dos Deuses”. Este foi o segundo nome dado à revista feita por Masaharu Taniguchi e que lançou movimento religioso Seicho-No-Ie*. Canto entoado na prática do Shinsokan*. Existem os termos alternativos: Kami-no-michi ou Kannagara-no-michi. Shinshu ou Jodo Shinshu Escola Budista Jodo Shinshu. era uma das três divindades que nasceram sós e pairavam sobre o mundo em seu primórdio era semelhante ao mar e. por Masaharu Taniguchi. . É a percepção de que existe algo acima de nossa vontade. transformou-se em divindade benevolente. depois como as demais. Shinsokan* é considerada. uma prática meditativa tariki. que não possuímos controle e devemos aceitar por faz parte da vida. o irmão mais moço de Amaterasu*. se ocultou. como o Kojiki*. sendo manifestação da divindade budista Kanzeon-Bosatsu* do arcanjo Miguel. Tariki Tariki é um conceito do budismo japonês. ou seja. Takamimusubi De acordo com o Kojiki*. de entrega total a Deus.* Suminoe ou Suminoe-no-Okami ou Sumioshi Divindade xintoísta que a reconhece como sua divindade protetora. Seicho-No-Ie no Okami Deus da Seicho-No-Ie* que é a representação do deus xintoísta Suminoe. como desordeira. é o "outro poder". Susano-o-Mikoto ou Susanô no mikoto Na mitologia japonesa. que foi banida da Planície das Altinas Celestiasi (Takama no Hara) e. após ter vencido um dragão com oito cabeças ( Yamata no Orochi).186 Soka Gakai Movimento budista leigo fundado no Japão na década de 1930 por Tsunesaburô Makiguchi (1871-1944). Tama Alma. Divindade descrita nos livros míticos. após ele passar por um por um processo de purificação das impurezas relativas à morte. nome da capital do xogunato* Tokugawa. Esse período também é conhecido como Período Edo. Tokugawa Ditadura militar feudal estabelecida no Japão em 1603 por Tokugawa Ieyasu. É a mais antiga das Novas Religiões Japonesas. Tsutsumi Encobrir. fundadora da Oomoto-kyô*. É conhecida também como bakufu. Edo é a atual Tóquio. era Tokugawa*. Tsukiyomi-no-Mikoto Deusa da Lua. De acordo com o clássico Kojiki*. Ushitora no Konjin Divindade possessora de Nao Deguchi. Tsumi Pecado. Líder militar do Japão feudal. . Fundada no Japão em 26 de outubro de 1838 por Miki Nakayama (1798-1887). Xogunato ou Shogunato Denominação da administração do xógun*. ela nasceu do olho esquerdo de Izanagi*. Xógun ou Shôgun General. Xogunado.187 Tenri-kyô Ensinamento da Razão Divina. e governada pelos xoguns* da família Tokugawa até 1868. isso é uma felicidade!”.” Quanto às práticas da Seicho-No-Ie. gravou na minha mente a filosofia”.. a ser feliz. em suas próprias palavras. ela sempre leu muito sobre a vida de Jesus e também a Bíblia. Assim. O pecado é ruim.. S. “Sempre achei que na igreja católica e evangélica é uma tristeza. sua mãe é da igreja Batista e seu marido é adepto do kardecismo. Ela nasceu católica. do qual ela disse não gostar. não ter tempo. Em relação ao catolicismo. “Pensei até fazer ioga. Parece de não ter direito à felicidade. No tempo que não freqüentou achava. lembra que o primeiro contato com a Seicho-No-Ie foi aos 17 ou 18 anos.S. Você nasceu pecador. local desta nossa pesquisa. Sua reação foi muito positiva: “Nossa. algo que ela disse não sentir na religião católica. lugar de que gostou muito e foi bem muito bem recebida. mas em ambas não se sentia bem.S.M. quando encontrou em casa uma revista da religião. L. Um sentimento de coisa errada. desejando conhecer melhor essa filosofia. mas nesse período de ausência lia as publicações e cantava os hinos em sua casa. “Fiquei maravilhada!” Ela sempre achou um ambiente triste nas citadas igrejas cristãs. começou a freqüentar a Regional Santo Amaro.188 . em junho de 2005: L. – 49 anos – casada – 3 filhos – vendedora 1. pois não consegue concentração necessária. Não consigo me desligar para entrar no alfa. Na primeira vez que freqüentou disse que “.Anexo II – DEPOIMENTOS Os relatos abaixo foram feitos com adeptos que freqüentam a Regional do Rio Bonito. mas não consegue fazer o Shinsokan.M. Ela ia à igreja católica e à batista com a mãe aos domingos.” . Freqüentou a Regional há 8 anos por mais de 3 anos e voltou há 1 ano. M. Quando parei de freqüentar (as igrejas católica e evangélica) fiquei com sentimento de fazer algo errado. L. faz a leitura da Sutra Sagrada. o Acendedor (atual Fonte de Luz). “. mas foi o encontro foi bom e se dirigiram junto com o marido à sede (matriz) da SeichoNo-Ie para que ele a conhecesse. o enteado gostou.R. Ela disse ser católica.. mas não freqüenta as reuniões..189 Em relação aos costumes japoneses. ela contou que há poucos meses teve um problema com o filho mais velho de 24 anos e universitário. De acordo com ela. teve época que sua confiança em pessoas de origem nipônica era total. que começou ter comportamentos estranhos. O motivo foi por uma identificação com a postura otimista da religião: “. N. O motivo que a levou à Seicho-No-Ie foi a procura de felicidade. mas não freqüentava”. Foi orientada a ler. Foi pedir orientação na Seicho-No-Ie e foi-lhe dito que havia a influência espiritual. Quanto às práticas preconizadas pela Seicho-No-Ie..sempre procurei agir de modo positivo e lia sempre a folhinha e „batia‟ com a maneira de pensar e fazia relação com a Bíblia”. viu que eram “.. “Escutava a Rádio Mundial. Em relação aos cerimoniais japoneses.quando morava perto da sede e admirava.iguais a qualquer outra pessoa”. Queria encontrar Deus onde estivesse. e junto com o marido” “Freqüentando o aprendizado da Seicho-No-Ie tudo foi melhorando e em casa também. só se restringindo a cerimônias. a oração pela Paz Mundial. ..5 ano. mas depois de começar a freqüentar a Seicho-No-Ie deixou de ir à igreja católica. Batendo sempre na mesma tecla você grava mais. mas a conhece desde 1980.seria um encosto” – nas suas palavras.” Ela esteve apreensiva com o comportamento do enteado que viria a morar com eles.. e depois o filho não mais teve esse comportamento. mas após um acidente de trânsito e a conduta do descendente japonês.49 anos – casada – monitora escolar 2... . chegando a quebrar coisas em casa e dizendo que pararia com os estudos. sua resposta foi de aceite. estando hoje (junho de 2005) para concluir o curso de administração. a sutra. ela diz que se restringe a ler a sutra quase todos os dias e diariamente faz na perua escolar.” Por fim. “. “Esse ritual todo vai marcando na sua mente. no período de 28 dias. junto com as crianças. Freqüenta a Regional há 1.S. o budismo.” Essa senhora falou também sobre a importância dos símbolos para ela.R.” Para finalizar falou sobre a sua relação com a Bíblia e a Seicho-No-Ie. está fundamentado na Bíblia e está mais explicado. Na minha casa não tem (crucifixo). Eles falam para preencher o horário. relatou também que em 1/2/2005 fez uma cirurgia no dedo devido a um corte com vidro. mas chegará. purificação dos alimentos.” . e a estrela. o catolicismo. Lua. gostaria que falassem mais sobre o símbolo (da Seicho-No-Ie). N. Para ver a palavra e.S. Sol representa o xintoísmo.” Ela disse que ficou toda a palavra em sua mente. mas não sobre a concretização. “Lia sempre a Bíblia. “Eu sei que a recuperação será lenta. mentalizando. Nossa mente deve focalizar a parte positiva. ela sabe que tudo que está ali (nos livros da Seicho-No-Ie). Com o que aprende na Seicho-No-Ie ela seconscientiza em manter uma mente tranqüila e o corpo também. ela conta uma experiência. mas está otimista. A palavra penetrou e não mais tive dor. que ocasiona fortes dores na mão. Estou praticamente melhor. e ver a Verdade. “Em 28/12/2003 fui participar na sede central do Ooharai.” Em relação aos problemas e ao uso dos ensinamentos aprendidos. Teve uma doença chamada síndrome do torno de carpo. e foi a primeira vez que ouvi a sutra sagrada. pois acho importante. na igreja católica não falam sobre o uso da palavra. Em seu entender. No catolicismo sou contra a imagem da cruz. Como foi dito na palestra (tinha saído de uma naquele instante).190 No catolicismo sua compreensão mudou. “Falam da palavra de Deus. “Na Seicho-No-Ie. agora leio mais os livros da Seicho-No-Ie. do Cristo crucificado. 6ª. p. Tradução Seicho-No-Ie do Brasil. Shinsokan e outras Orações.Manifestar o amor em todos os atos. 4ª.Anular totalmente o "ego".39 .Fazer da vida humana uma vida divina e avançar crendo sempre na vitória infalível. 2000.Agradecer a todas as coisas do Universo.Ser atencioso para com todas as pessoas. coisas e fatos. 253 TANIGUCHI. 2ª. 29ª edição. M.Iluminar a mente.191 .Ver sempre as partes positivas das pessoas coisas e fatos e nunca suas partes negativas. 7ª. São Paulo. 3ª. praticando a Meditação Shinsokan todos os dias sem falta.Conservar sempre o sentimento natural.Anexo III – NORMAS FUNDAMENTAIS DOS PRATICANTES DA SEICHO-NO-IE253 1ª. 8ª. 5ª. Seicho-NoIe do Brasil. 29ª edição. 254 TANIGUCHI.192 . antes que pelo falar. * Bons filhos formam-se num lar alegre. * O seu filho não é seu. Tradução Seicho-No-Ie do Brasil. ele quer o amor dos pais. para despertar a potencialidade infinita que se aloja na criança.Anexo IV – PALAVRAS DE SABEDORIA PARA A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS254 * Elogiar e confiar. p. * Os pais educam pelo exemplo. 2000. * A criança cresce na direção em que for elogiada. * Criança feliz estuda voluntariamente. e a tola implanta a revolta com reclamações. * Filho revoltado ama os pais. * O filho muda quando mudam os pais. as palavras de amor e o elogio melhoram a criança. * O sorriso. libertar. confiante. * A mãe sábia educa o filho com sorrisos. Shinsokan e outras Orações. louvar e. São Paulo. M. Seicho-NoIe do Brasil. ele é filho de Deus. * Amar.42-43 . quero paz Para que tanta arma e tanto escudo Nosso tempo aqui já é tão curto Só o que vale a pena é o amor. Quero paz.Anexo V– CANÇÕES DA SEICHO-NO-IE A paz invadiu o meu coração Por Edu Casanova/ Benny Manfredini / Fábio Dummer Camargo. amor e fé . De que adianta ser mais forte Conhecer a glória e a morte Trocando a vida pela dor Mas a esperança não está perdida Mas a esperança não está perdida Deus ensina a paz e o perdão Basta perdoar.193 . quero paz Quero paz. todos verão Um novo horizonte irá se abrir Tudo ao redor se acalmará Aberta nova porta para brilhar O nosso sonho um dia vai surgir Esse mundo tem uma saída Esse mundo tem uma saída Tenho a paz em minhas mãos A paz invadiu o meu coração Sou todo perdão. Seicho no Iê Viver a paz em minha vida Viver a paz em minha vida Viver a paz está em você Sou a paz. Canta a paz. Viver a paz em minha vida Viver a paz em minha vida Farei da minha vida a própria paz Descobrindo Deus eu sou capaz De despertar a paz em cada ser Basta você abrir o coração A paz está agora em suas mãos Ela está em mim. está em você. eu sou AJSI Viver a paz está em você Sou a paz. eu sou a Seicho no Iê . eu sou AJSI Viver a paz está em você Sou a paz. eu sou a Seicho no Iê Viver a paz é estar aqui Sou a paz.. eu sou a Seicho no Iê Viver a paz é estar aqui Sou a paz..194 Aqui descobri que todos podem Na associação dos jovens Aprendi que o meu destino é. O mundo que se mostra Vem de tantas formas Perguntas sem respostas A vida se transforma Cada vez mais O belo e o feio O fraco e o forte Coragem ou receio Destino ou mera sorte A dúvida nos traz A fome e a fartura Espírito e matéria É prazer ou é tortura Buscar riqueza e ver miséria A esperança se desfaz O sonho que me leva Na pressa da cidade Busca a luz ou cedo à Treva O que é a tal verdade Já não sei o que é demais Mas levanto meu olhar Olho a minha volta Alguém vem me falar De um mundo sem revolta .195 Mundo Ideal é você quem faz Por Michel Sideratos. cante o hino de louvor Desta terra colossal. Oh! Mocidade. mocidade brasileira! Unidos. mocidade! Eia. mocidade. levantemo-nos! III . levantemo-nos! II Enalteça. mocidade! Eia. desta pátria amada. levantemo-nos. avante. levantemo-nos. mocidade brasileira! Unidos. a nobreza d´alma Deste povo generoso e a sua glória.196 Com mãos especiais E sinto nos meus passos Que tenho as respostas Associação dos jovens Que vem e abre as portas E já me sinto em paz Agora sou feliz Além do bem e o mau Porque Deus é Quem me diz Que o mundo ideal É você quem faz (4x) Oh! Mocidade Pela Associação de Jovens do Japão I Mocidade do Brasil. avante. Oh! Mocidade. levantemo-nos! Hino dos Jovens da Seicho-No-Ie Por Masaharu Taniguchi. Do reino de Deus de suma perfeição. A fim de trazer ao mundo presente A imagem fiel do belo mundo dos sonhos. Os filhos de Deus de alma juvenil Abençoados por Deus onipotente. a treva desaparece Em todo lugar por onde eles avançam Os filhos de Deus encontram só a luz Os filhos de Deus encontram somente luz. mocidade brasileira! Unidos. decididamente. Nas grandes mãos de Deus protegidos E seu coração vibrando de alegria. Levantam-se já. Os jovens encontram somente viva a luz Em todo lugar por onde eles avançam Com resolução. Tal qual luz do sol que surge radiante. levantemo-nos. À terra desceram a fim de cumprir Sublime missão de Deus recebida.197 Buscam todos paz no mundo ansiosamente Para tanto despertemos mais amor no Coração. mocidade! Eia. Os filhos de Deus de alma juvenil . Tal qual o verdor que cresce vigoroso. avante. Oh! Mocidade. agora recebendo De nosso Senhor a sua sabedoria. sustentando a pátria Marcha da Missão Por Masaharu Taniguchi. Qual vela no mar recebe vento forte Levantam-se já.198 Da Seicho-No-Ie. Esta vida que objetivo terá Esta humanidade que significa Sem conhecermos a finalidade Que valor tem a nossa vida Que valor tem a nossa vida De Deus nosso senhor esta vida recebemos Para a mais alta realização Nós nascemos com uma finalidade Que valor teremos se não a cumprirmos Que valor teremos se não a cumprirmos A caridade é o ato de nosso dever Deus é Amor que somente dá Seu ensinamento nós seguiremos Dedicando-nos à caridade Dedicando-nos à caridade Somente os que vivem para esta missão Conhecem o prazer que nós recebemos A fé fortificando levantemos Purificando a alma avante Purificando a alma avante . A força de Deus agora recebendo. Amam-se uns aos outros os filhos de Deus. Com bastante devoção quero contemplar-Vos. De corpo e alma filho de Deus sou. Em voz alta. I Oh! Pai eterno. Imensa pureza é minha vida. . porém somos dois. a alma abençoada. muito alta. III A grande Vida de Deus é minha vidam É a vontade de Deus. oh! meu Senhor.199 Viver junto com Deus Por Masaharu Taniguchi. II Sozinho eu vim e eu sozinho Parece que eu vivo. É a outra pessoa constituída por Deus. Oh! Senhor eterno. quero louvar-Vos. Um templo de carne Ele originou E em seu interior fez minha alma morar. oh! meu Deus. Estais Vós comigo. Tendo Deus o poder do verbo criador. oh! meu Deus. Sois minha mãe também. meu Pai eterno. Sempre protegido estou. Quanta harmonia no meu pensamento! IV Deus e filho de Deus juntos vivem. vontade minha. Os moradores sempre saudáveis. Agora aqui é céu. Vivo agora a eterna Vida de Deus. Chegou a primavera dentro de mim. Amor de Deus no meu olhar. Com mente luminosa vamos sorrir. A todas as pessoas alegre sorrir. III O Deus da minha alma despertando Eu vejo em todos homens o filho de Deus. Já despertei da ilusão do passado triste. . Renascendo glorioso para nova Vida. A primavera chegou aqui. Despertando. Chegou a primavera jubilosa. Canção à Primavera Por Masaharu Taniguchi. Nas palavras carinhosas o saber de Deus.200 Agora aqui é céu. dentro e fora. aqui é paraíso. Com mente alegre. felizes dançam. aqui é paraíso. II Alegre primavera luminosa. canta Deus no meu coração. I Chegou a primavera em toda a parte. Com mente radiosa vamos sorrir. puro e imenso amor. Canta Deus a primavera radiosa. Chegou a primavera cheia de amor. imensa sabedoria de Deus! Infinita. IV Oh! Amor divino. Apesar de parecer misterioso É a concretização do amor de Deus. . oh! Amor de Deus! Preenche o Universo magnífico. No mundo iluminado vamos cantar. Universo eternamente grandioso. infinita força de Deus! Misterioso o poder que controla As distâncias que separam as estrelas mil. Realiza este mundo grandioso O que une os seres todos é o amor de Deus. Alegre primavera vamos cantar. I Solene Natureza majestosa. Universo Magnificiente Por Masaharu Taniguchi.201 É aqui o paraíso. II Imensa. III Nem cientistas conseguem esclarecer O que rege a gravitação Universal. reino de Deus. Contemplando o firmamento infinito Mil estrelas na Galáxia vejo cintilar. Eu vivo agora. Que é universal – é assim que eu nasci.202 V Este Universo magnífico Não existiria sem o imenso amor de Deus. I Nasci recebendo a Vida grandiosa. aqui. IV . III Do onisciente e onipotente Deus-Pai recebi Sua sabedoria. Canto da Vida Imortal Por Masaharu Taniguchi. Eu vivo agora. VI Oh! Deus. o amor de Deus. aqui. Sua força e amor. fonte da minha vida! Sua força vivifica todo filho de Deus. Nem este belo mundo de harmonia Onde vivem como irmãos os filhos de Deus. eu vim a este mundo E venero o meu ser como santo filho de Deus. a vida de Deus. e aqui estou vivendo. A Vida de Deus indestrutível. II No meu interior trazendo a Vida Que jamais morrerá. o agora eterno vives. Aqui no paraíso meu amparo terás. II . jamais perecerei. te envolvo em Meus braços”. E tudo sendo Bem. o ser grandioso. A Vida de Deus em mim eu adorarei. Porque Eu. Na luz sempre viverás. “Busca sempre a luz! Sossega-te e segura firma a minha mão.203 Quem ousa chamar de ser destrutível O filho de Deus. eu sou Vida Imortal Provinda de Deus. I Eu ouço a voz que soa no meu interior. Quanto é sublime o amado filho de Deus! (bis) VI A Vida de Deus em ti eu venerarei. Pois tudo aqui é Bem. Ninguém nem nada vai poder te arrebatar. Sempre protegido. Quanto é sublime o amado filho de Deus! (bis) Canto para Consolidar a Fé Por Masaharu Taniguchi. o filho que nasceu Com Vida imortal emanada do Supremo? V Eterno eu sou. Porque Deus é o Único Criador De tudo no céu e na terra.” Canto para Contemplar a Imagem Verdadeira (Jisso) Por Masaharu Taniguchi. Minha proteção terás. I O Senhor é tudo em tudo Deus é perfeita Vida. . Deus é perfeita sabedoria. A única força universal Vivifica todos os seres. Tu sempre serás completamente puro. Portanto a qualquer hora e em todos os lugares. sempre te oriento. Dentro de todos os seres Vive a Vida do Criador Vive o Saber do Criados Vive o Amor de Deus. Deus é o perfeito e puro amor.204 Eu ouço a voz que soa no meu interior: “Onde quer que vás Eu sempre te protejo. nunca hei de faltar. Em todos os momentos. Criador. Nada te faltarás – o rumo não perderás Eu sou o Deus que habita dentro de ti. Porque Deus é tudo em tudo E porque todos são um só ser. II Porque Deus é a Vida universal E porque Deus é o amor imparcial E porque eu sou filho de Deus. Porque Deus é tudo em tudo E porque eu sou filho de Deus. Porque Deus é sabedoria E porque eu sou filho de Deus. Tudo é bela harmonia O mundo do Jissô é só luz. . o mundo me responde E se move quando eu me movo. Porque Deus é o amor imparcial E porque eu sou filho de Deus. Se oro. Aqui é sublime mundo de Deus. Aqui é sublime mundo de Deus. A todos os seres vivifico E todos vivificam o meu ser. filho de Deus. A todos os seres eu amo E todos os seres me amam. O meu ser é todo Jissô. A todos os seres eu conheço E todos eles me conhecem.205 O universo é preenchido De harmonia suprema. Canção da Provisão Infinita Por Masaharu Taniguchi. (bis) . O mundo do Jissô é só luz. E o reverenciou dizendo: “Tu és meu herdeiro”. filho de Deus. Mas agora despertei e a Verdade descobri (bis) As riquezas do Universo pertencem a Deus (bis) II Outrora eu estava em ilusão e não sabia que Era filho de Deus.206 O meu ser é todo Jissô. I Outrora eu só via a pobreza em minha Vida e sofria na ilusão. Tudo isso Deus criou. (bis) Eu já sou um rico e próspero filho de Deus. Tudo é bela harmonia. E todos os recursos que Ele criou (bis) Foram dádivas legadas ao filho de Deus. Mas agora despertei e junto a ele retornei (bis) E agora compreendi que sou filho de Deus (bis) III Riquezas no céu e riquezas na Terra. (bis) IV Deus Pai concedeu como herança ao seu filho Tudo o que ele tem. São os pombos brancos que juntos. E o filho de Deus. eterno homem. A pomba branca vai e semeia neste mundo A ordem real do mundo celeste. A pomba branca. (bis) A filha de Deus. tão alvas. no céu e na terra. Espalha alegria por onde quer que vá. com Amor. . A pomba branca é divina mensageira. A bela harmonia do reino de Deus. Deus é fonte de Riqueza e de infinita provisão E toda essa riqueza já pertence a mim. É anjo de paz descendo agora lá do céu. (bis) Eu já sou um rico e próspero filho de Deus. (bis) Hino da Associação Pomba Branca Por Masaharu Taniguchi.207 V Eu já sou muito rico. eterna mulher. Avante! Vamos nós mulheres. (bis) Voando com as asas qual neve. vamos juntas. Construamos nós a base para a paz. (bis) Canção em Louvor às Pombas Brancas Por Masaharu Taniguchi. (bis) A pomba branca é o símbolo nosso. Voando com as asas refletindo luz. O ninho constroem e criam seus filhos. 208 I As pombas brancas são Deusas do Amor Unidas voam cândidas Deusas do Amor Percorrendo todos os países do mundo Propagam amplamente pensamentos de Amor II As pombas brancas sublimes anjos da paz Em bandos voam sublimes anjos da paz Voando alto pelo céu imenso e azul Enviam fortes pensamentos de paz III As pombas brancas pelo céu seguem voando Por onde passam felizes pombas brancas O sentimento de amor propagará E o caminho se abrirá para a paz IV Oh! Pombas brancas como são meigas e dóceis Alvura sua exprime sua beleza Abrindo suas asas imaculadas Conduzem ao amor toda a humanidade V As pombas brancas são mensageiras do céu Só alegria trazendo para a terra Transportam a verdade a cada lar E abrem caminho para a felicidade . Mãe da Humanidade. Mulher Oh! Mulher! Sublime é ser mulher. Com seu puro amor! No céu e na terra. O meu querido filho Hino Sagrado “Louvor a Mulher” Por Masaharu Taniguchi. . ela é mãe. Mãe de todos nós. Guiado pelas mãos de Deus Hoje e também amanhã Caminha dentro da luz.209 Canção da Mãe que Educa o Filho com Amor Por Masaharu Taniguchi. Seicho-No-Ie do Brasil.210 . nº 249. 4ª e 6ª a partir das 2h da madrugada. abril de 2006. p. TV Vitoriosa / SBT – MG Uberlância Todos os sábados das 13h às 13h30 SBT (parabólica) De 2ª. .Anexo VI – EMISSORAS DE TV QUE TRANSMITEM O PROGRAMA DA SEICHO-NO-IE255 Rede TV De 2ª a 6ª feira das 1h30 às 2h TV Bandeirantes / RS Porto Alegre Todos os domingos às 9h TV Araucária / PR Guarapuava Toda 2ª e 6ª feira das 20h às 20h30 TV União / SP São João da Boa Vista Todas as terças-feiras das 20h às 20h30 Santa Cecília TV / SP Santos De 2ª. São Paulo. ano 22. 4ª e 6ª feira às 7h 255 Revista Pomba Branca. 4ª e 6ª feira à 1h15 da madrugada TV Japi – Mais TV Toda 3ª feira às 14 h com reprise na 4ª feira às 22 h TV Rede TV Sul / SC Todos os sábados das 08h30 às 09h e toda 2ª.22. .211 Canal 10 – PR Maringá De 2ª a 6ª feira das 15h30 às 16h Rede 21 Aos sábados das 8h às 9h da manhã TV Bandeirantes / GO Goiânia De 2ª a 6ª feira das 6h30 às 7h TV Tropical / PR Londrina Todos os sábados às 8h30 TV Comunitária / PR Curitiba Todas as quartas-feiras às 23h TV RBI Todo domingo das 8h às 9h TV Rauland / PA Todos os sábados das 8h às 9h Rede TV – Ronndônia Todo sábado das 8h às 9h TV Aratu – SBT / BA Salvador Todos os sábados das 8h às 8h30 TV Comunitária – SP Bauru Toda 2ª feira das 21h30 às 22h Toda 3ª feira às 9h. Domingos Rodrigues. 2B – Jardim Jaú – CEP 03730-050 – Fone/fax (11) 66413236 P/J: Pinheiros/São Paulo2: R.Anexo VII LOCAIS DE REUNIÕES DA SEICHO-NO-IE256 Sede Central: Av. 359 – Bairro Centro – CEP 06090-035 – Fone/fax (11) 36821822 P: Penha: R. São Paulo. 17-18. Almeida Abade. P:73/J:205 – CEP 05425-010.Fone/fax: P:(11) 3815-2891. Amaro Cavalheiro. Avelino Lopes. Engº Armando de Arruda Pereira.J: (11) 3812-6186 – Fone/fax (11) 3815-2218 P/J: Rio Bonito/ São Paulo 3: Av. . ano 61. 69 – CEP 08730 – Fone: (11) 4727-6499 – Fone/fax: 4724-8735 P: Osasco: R.212 . 1266 – CEP 04308-900 – Fone: (0xx11) 5014-2222 P: Divulgação em Português J: Divulgação em Japonês SÃO PAULO CAPITAL / GRANDE SÃO PAULO P/J: Aricanduva / São Paulo 6: R. Barão de Mauá.DR. p. Engº Eugênio Motta. 501 – Centro – CEP 07012-040 – Fone/fax: (11) 64613894 P: Jabaquara: R. 880 – CEP 03477000 – Fone/fax: (11) 6727-4896 – Fone: (11) 6724-6361 P: Guarulhos: R. 2669 – Ipiranga – Fone: (11) 6161-3940 – Fax: (11) 6161-6179 P: Lapa: R. Engº Guilherme Cristiano Feldner. Seicho-No-Ie do Brasil nº 435. Cipriano Barata. 3065 – CEP 04801-010 Fone/fax (11) 5661 -3675 256 Revista Fonte de Luz. 257 – CEP 05075-000 –Fone/ Fax (11) 3641-5076 P/J: Mogi das Cruzes/ Central 2: R. Senador Teotônio Vilela. 470 – CEP 16025-025 – Fone/fax P: (18) 3623-1088 .213 P: Santana: R. Cel. 24 A – S. 848 – CEP 12940-500 – Fone: (11) 4412-0823 P/J : Barretos/Araraquara 3: Av. 88 – Casa Branca – CEP 09015-400 – Fone/ Fax (11) 4972-2513 P: São Bernardo do Campo: R. Aguapés. 1150 – jd das Estações – CEP 14810-244 – Fone/Fax (16) 3339-4424 P: Araraquara 2 : R. Miguel Delia. Jorge Haddad. 595 – Parque Imperial – CEP 04302-052 – F: (11) 5584-8434 – Fone/fax (11) 275-1469 J: São Paulo 4 : R.5-35 – CEP 17015-130 – Fone: (14) 2342233-Fax (14) 226-2799 P/J: Campinas/SP-Norte 1: R. Tem. Pires Penteado. Nazaré Paulista. 178 – CEP 03137-000 – Fone/fax (11) 273-0153 INTERIOR P/J: Araçatuba/Noroeste 1: R. 4 – CEP 0821-090 – Fone (11) 6137-1892 – Fax (11) 6297-2751 J: São Paulo 1 : R. Tem. 14444-CEP 14783-072 – Fone/fax: (17) 33228494 Fone: (17)3322-9865 P/J: Bauru/Noroeste 2 : R. 1136 – CEP 04734-002 – Fone/ fax (11) 5521-7621 P/J: Santo André/ABC: R. 750 – Cep 13094-610 – Jardim Paineiras – Fone: (19) 3251-7234 – Fax: (19) 32512-6629 . Ibituruna. 160 – Vila Vivaldi – CEP 09741-140 – Fone (11) 4367-2518 P: São Miguel Paulista: R.J: (18) 3623-8172 P: Araquara: Av. 196 – Santana – CEP 02017-000 – Fone/fax: (11) 69774725/ 6959-2929 P: Santo Amaro: Av. Luiz Nogueira Martins. Alfredo Pujol. 2084 – Imirim – CEP 022464-300 – Fone: (11) 6236-6249 P: Vila Prudente: R. João Pires. Imirim. Sanarelli. 29 – Monte Alto – CEP 15910-000 – F: (16) 342-3379 P/J : Atibaia/ SP. Siqueira Alves. Monsenhor Claro. 24 A – São Miguel Paulista – CEP 08021-090 – Fone: (11) 6297-2751 J: São Paulo 5 : Av. Dr. Nove. Adolfo Pinheiro.Norte 2: R. Miguel Delia. DR. 214 P/J: Dracena/Paulista 2: R. da Constituição. 324 – Cep 17900-000 – P: (18) 5822-4224-J: (19)252-6629 – Fax: (18) 252-6629 P: Guaratinguetá: R. Alberto Torres. 150 – Centro – CEP 13870-000 – Fone/fax: (19) 3633-1507 P/J: São José do Rio Preto/ Araraquara 1: Av. Farol – CEP 57050-070 – Fone: (82) 2217873 – Fax: (82) 336-7553 AMAZONAS .. Dom Santino Coutinho. 501 – S. 34 – Tupã – CEP 17600-080 – Fone: (14) 442-4333 P/J: Presidente Prudente/ Sorocabana 1: R. Andy‟Ana – CEP 12243-750 – Fone/fax: (12) 3923-3933 P/J: Sorocabana/ SP. Benjamim Constant. Paraíba – CEP 12500-000 – F: (12) 31253034 P: Marilia : Av. Comendador Pereira Inácio.A. 1287 – CEP 15025-120 – Fone/fax: (17) 233-8877 P/J: São José dos Campos/ Central 1: Engº Prudente Meirelles de Moraes. 587 – s. Tomé de Souza. 77 – B. 17 – CEP 11075-251 – Fone (13) 3232-6687 Fax: (13) 3238-2488 P: São João da Boa Vista: R. Leonardo Roitman. 700 – Jd Emilia – CEP 18031-000 – Fone: (15) 232-6895 – Fax: (15) 232-3318 ALAGOAS P: Maceió: R. 1 – Centro – CEP 14015-010 Fone/fax: (16) 636-8704 P/J: Santos/Santos: R.Sudoeste : Av. Cainganga. Maranhão. 1336 – CEP17509-002 – Fone: (14) 43308930 – Fax: (14)424-4066 P/J: Ourinhos/ Sorocabana 2 : R. Mariana Junqueira. 98 – Registro – CEP 11900-000 – Fone: (13) 38211783 J: (13) 3822-0328 P: Ribeirão Preto: R. Euforbiáceas. Nelson Spielman.L – V.424 – CEP 19900-000 – Fone/fax: (14) 3322-1328 P: Paulista 1 : R. 121 – V. Araquara. 41 – CEP 19014-020 – Fone: (18) 222-05931 – Fax: (18) 222-5933 – J: Fone: (18) 223-1235 P: São Paulo Sul: R. Fone: (92) 232-6379/233-9403 BAHIA P: Feira de Santana: R.CEP 29070-815 – Fone: (27) 3327-6837 – Fax: (27) 3327-0992 GOIÁS P: Goiânia: R. Das Nações Unidas. Ayrão. 281. 284 – CEP 45836-000 – Fone/fax: (73) 294-3280 P: Salvador-Pituba: Av. Magalhães Neto.CEP 70237-400 – Fone (61) 224-6678/323-6435 CEARÁ P: Fortaleza: R. Número 1.1827 – CEP 44026-420 – Fone/ fax: (75) 2230828 P: Ilhéus: R. 156 – Barra de Itaipe – CEP 45650-000 – Fone/ fax: (73) 231-7989 P: Salvador – Barris: R. Prof.48 – CEP 40070-100 – Fone: (71) 3283744/328-7229 – Fax: (71) 328-7420 P: Itamaraju: Pça. General Labatut. 1020 – CEP 69025-050.215 P: Manaus: Av.Área Especial para Templos Brasília . Bertino Borges. 10 – Vila Bandeirante – CEP 74615-050 – Fone: (62) 202-4965 . 34 – Setor Coimbra – CEP 74535-520 – Fone: (62) 293-1145 – Fax: (62) 293-9296 J: Goiás: R. Waldery Uchôa. 72 – Bairro Benfica – CEP 60020-110 – Fone/Fax: (85) 226-9080 ESPÍRITO SANTO P: Vitória: R. da Linha. Barão de Cotegipe. 22 – CEP 41820-020 – Fone/fax (71)2407607 BRASÍLIA P: Distrito Federal: EQS 403/404 – Área Especial para Templo Brasília – CEP 702370400 – Fone: (61) 325-2680 – Fax: (61) 325-2681 P: Brasília: EQS 403/404. 144 – Bairro Antônio Honório . 1119 .P. 12 – Qd. José Rodrigues de Carvalho. 2500 – CEP 38408-384 – Fone: (34) 3210-9153 – Fone /fax :(34) 3214-3893 PARÁ . Monte Alegre. (31) 3461-1501/3461-5147 – Fax: (31) 3482-7400 P: Governador Valadares: R. 155 – B. A. 130 – CEP 31230-300 – Fone: (31)3411-6959/3411-7411. 2270 – CEP 79825-040 – Fone (67) 421-8083 – Fax: (67) 421-9216 MINAS GERAIS P: Belo Horizonte/ Caiçara: R.. Cascatinha – CEP 36033-260 – Fone: (32) 3236-2320 P: Montes Claros: R. Mª Coelho. 71 – CEP 78005-740– Fone (65) 3216872/321-6875 – Fax: (65) 321-6587 MATO GROSSO DO SUL P/J: Campo Grande/ Mato Grosso do Sul 1:Ant. 456 – 1º and. 391 – Paraíso – CEP 30270-220 – F.216 MARANHÃO P: Imperatriz: R Tupinambá.107 – C. São José – CEP 39400-376 – Fone: (38) 3221-4464/3221-4562 P: Uberlândia: R. D-1.CEP 65061-070 – Fone/fax: (98) 2367661 MATO GROSSO P: Alta Floresta: R. 2616 – CEP 65901-370 – Fone/Fax: (99) 524-7762 P: São Luís: Av. José Lavarine. Antonio Junqueira. Olegário Maciel. 380 – CEP 78580-000 – Fone: (65) 521-3657 P: Cuiabá: Trav.Centro – CEP: 35010060 – Fone: (33) 3221-2635 P: Juiz de Fora: R. 7 – Maranhão Novo . Nair de Castro Cunha. Joaquim da Costa Siqueira. Cel.Fax: (31) 3411-6376 P: Belo Horizonte/ Paraíso: R. 265 – B. Benjamin Constant.CEP 79002-221 – Fone: (67) 382-6743 – Fax: (67) 382-1341 P/J: Dourados/ Mato Grosso do Sul 2 : R. Flórida.217 P: Belém: Av. Erasto Gaertner. 611 – Zona 7 – CEP 87030-020 – Fone/Fax:(44) 227-3977 P/J: Paranavaí/Paraná 3: R.) (91) 235-1886(com) PARAÍBA P: João Pessoa: Av. 1574 . Mal. 1833 – C. 19 de Dezembro.P. Riachuelo. 675. Generalíssimo Deodoro. Conselheiro Furtado. 1690 – Centro/ Norte – CEP 64000-360 – Teresina – Fone/fax: (86) 221-2267 . Paranaguá. Tenente Camargo.CEP 66055-240 – Fone/fax: (91) 224-5579 P: Pará: Av. 1600 – CEP 87701-020 – Fone: (44) 423-5531 P/J: Umuarama/Paraná 6: Av.70 – CEP 86500-000 – Fone: (43) 528-1253 PERNAMBUCO P: Recife: R.P. apto. 910 – C. Dom Pedro II. 4334 – CEP 82515-000 – Fone (41) 356-1414 – Fax: (41) 356-1460 P: Francisco Beltrão: R. Castelo Branco. 419 – CEP 50050-400 – Fone/fax: (81) 3222-1402 PIAUÍ P: Teresina: R. 76 – Pres. Deodoro. Prof.1201 – Belém – CEP: 66040-100 – Fone: (91) 222-7653 (res.P. 198 – CEP 87501-220 – Fone/fax: (44) 624-0709 P/J: Wenceslau Braz / Paraná 4: R. 3889 – C. 1015 – CEP 85851-020 – Fone/fax: (45) 3025-2012 P/J: Londrina/ Paraná 1: R. Kennedy – CEP 85605090 – Fone/fax: (46) 524-1825 P: Foz do Iguaçu: R. Clodoaldo Freitas. 702 – Centro – CEP 58013-420 – Fone (83) 222-4835 – Fax: (83) 222-6803 PARANÁ P/J: Curitiba/ Paraná 5 : Av. 2018 – Vila Higienópolis – CEP 86015-30 – Fone: (43) 3322-3479 – Fax: ( 43) 3321-4971 P/J: Maringá/ Paraná 2: R. Rio Grande do Norte. 218 RIO DE JANEIRO P: Niterói: Al. São Boaventura, 193 – Bairro Fonseca – CEP 24130-000 – Fone: (21) 26270089 – Fone/fax: (21) 2625-4442 P/J: Rio de Janeiro – Catete/ Rio de Janeiro 1: R. Pedro Américo, 89 – CEP 22211-200 – Fone: (21) 2205-9697 / 2556-1046 – fax : (21) 2285-4315 P: Rio de Janeiro – Copacabana: R. Francisco de Sá, 23 – S. 507 – CEP 22080-010 – Fone: (21) 2287-4299 – Fone/Fax: (21) 2287-0447 RIO GRANDE DO NORTE P: Natal: R. Monsenhor João da Mata, 29 – Lagoa Nova – CEP 59075-020 – Fone/ fax: (84) 231-1213 RIO GRANDE DO SUL P: Caxias do Sul: R. Pedro Reimondi, 76 – Bairro São Leopoldo – CEP 95097-570 – Fone/fax: (54) 213-3955 P: Ijuí: R. Sete de Setembro, 987 – CEP 98700-000 – Fone/fax: (55) 3332-5688 P: Novo Hamburgo: Rua Tupi, 1285 – Bairro Centro – CEP 93320-050 – Fone/fax: (51) 593-7599 P: Passo Fundo: Rua Capitão Eleutério, 179 – Ed. Res. Topázio - CEP 99010-062 – Fone: (54) 311-3750 – Fone/fax: (54) 311-4560 P: Porto Alegre – Passo D’areia: R. Bezerra de Menezes, 129 – CEP 91350 – 130 – Fone: (51) 3341-3989 – Fax: (51) 3362-7039 P: Porto Alegre – Rio Branco: Av. Mariante, 1005 – CEP 90430-181 – Fone: (51) 33318112 – Fax: (51) 3332-4487 RONDÔNIA P: Cacoal: Rua Duarte de Caxias, 1862 – CEP 7875-000 – Fone/ fax: (69) 441-4948 P: Porto Velho: R. Herbert de Azevedo, 1846 – CEP 78902-210 – Fone: (069) 2233919/229-1728 219 P: Rondônia: Cx. Postal, 153 – Colônia 13 de Setembro – CEP 78900-970 – Fone: (069) 221-3837 SANTA CATARINA P: Criciúma: Av. Presidente Prudente, s/nº - São Luiz – CEP 88803-210 – Fone/fax: (48)433-7905 P: Florianópolis: R. Profª Rosinha Campos,349 – CEP 88085-160 – Fone: (48) 348-7656 – Fone/fax: (48) 248-5977 P: Joinvile: Av. José Vieira, 1228 - CEP 89204-110 – Fone/fax (47) 472-0855 – Fone: (47) 472-1389 P: Xanxerê: R.Cel. Passos Maia, 497 – C.P. 132 – CEP 89820-000 – Fone/Fax: (49) 4331444 SERGIPE P: Aracaju: Rua Siri, 1005 – CEP 49010-040 – Fone/fax: (79) 214-3011 EXTERIOR P: Argentina: Darragueyra, 2240, Capital Federal – (1425) Buenos Aires – Tel/fax: (00541) 14782-4741 – Fone/Sede: (14) 773-7931 P: Bolívia: Urbanizacion El Castilho Núcleo – F. 91 – Cochabamba – Bolívia – Fone: (005914) 427-1072 P: Canadá: 662 Victória Park Ave Toronto- On M4C5H4 – Canadá – Fone: (416) 6908686- Fax: (416) 690-3917/ 305 East 16th Ave Vancover, B.C. V5T2T7 Canadá – Fone: (604) 876-8116 P: Chile:Diagonal Paraguay, 360, Block 25, Local 3 – Santiago – Chile – Fone/fax: (00562) 6345-5392 P: Colômbia: Calle 30, Nº 15-21 –Palmira (Valle) – Colombia – Fone/fax: (05722) 728121 P: Estados Unidos: 14527 South Vermont Ave-Gardena, CA, 90247 – USA – Fone: (310) 323-8486, (323) 321-4833 – Fax: (310) 323-2404- P/ 247 EAST 53 rd Street-New York – NY 10022, U.S.A – Fone: (212) 371-5533 220 P: Havaí: 1333 Matlock Avenue – Honolulu – Havaí - 96814 – Fone: (808) 537-6965 P: Japão: 1-23-30- Jingumae – Shibuya-ku-Tokyo 150-8672 – Japan – fone: (03) 34010131 P: México: Manuel J. Othon, 94 A –Col Obrera – 06800 – México – D.F. – Fone: (00525) 740-3748 – Fax: 761-9608 P:Panamá: Apartado 55-0725 – Paitilla – Panamá – Fone/fax: (00507) 261-5991 P:Paraguai: Av. Colón, 852 – Asunción – Paraguay – Fone: (0059521) 44-72-79 – Fax: (0059521) 49-82-14 P:Peru: Av. Arenales, 1198 – Lima 11 – Lima – Peru – Fone: (00511) 4722-846 - Fax: (00511) 4716-836 P: Portugal: Edifício Copombal – Viaduto Engº Guilherme Gomes Santos, 2º andar – 3100-427 – Pombal – Portugal – Fone: (003561236) 211-629 P: Uruguai: Mercedes, 968 – apto. 202-C.C. 11.200 – Montevidéu – Fone: (005982) 9081301 – Fax: (005982) 522-6420 P: Venezuela: Residências Jardin Tiuna – Calle La Guairita, Bl.27 – URB, Chuao – Caracas- Venezuela – Fone/Fax: (002158) 212-991/7594 221 - Anexo VIII COLEÇÃO A VERDADE DA VIDA (SEIMEI NO JISSO) 257 Volume 1 – Introdução / Imagem Verdadeira (I) Volume 2 – Imagem Verdadeira (II) Volume 3 – Luz / Vida (I) Volume 4 – Vida (II) Volume 5 – Sagrado espírito (I) Volume 6 – Sagrado espírito (II) / Testemunhos Volume 7 – Vida cotidiana Volume 8 – Prática contemplativa Volume 9 – Mundo espiritual (I) Volume 10 – Mundo espiritual (II) Volume 11 – Identidade de todas as religiões (I) Volume 12 – Identidade de todas as religiões (II) Volume 13 – Ética (I) Volume 14 – Ética (II) / Educação Volume 15 – Diálogos sobre a vida (I) Volume 16 – Diálogos sobre a vida (II) Volume 17 – Vida e religião Volume 18 – Debate sobre assuntos religiosos Volume 21 – Interpretação da Sutra Sagrada (I) Volume 22 – Palavras de Sabedoria / Psicanálise Volume 23 – A eterna felicidade / Interpretação da Sutra Sagrada (II) / Debate sobre assuntos religiosos (II) Volume 24 – Referências / Perguntas e respostas Volume 25 – Educação na prática (I) Volume 26 – Educação na prática (II) Volume 27 – A eterna natureza búdica 257 Livros da Seicho-No-Ie, São Paulo, Seicho-No-Ie do Brasil, nº 5, abril de 2004, p. 6-8. 222 Volume 28 – A eterna natureza búdica (II) / Testemunhos da Verdade Volume 29 – Educação da mulher Volume 30 – Educação de crianças / Preleção sobre escrituras sagradas Volume 32 – Peças teatrais sacras Volume 33 – Divina alegria Volume 34 – Academia Volume 35 – Iluminação do povo / Recebimento de graças Volume 36 – Vida Feliz / Recebimento de Graças Volume 37 – Felicidade (I) Volume 38 – Felicidade (II) Volume 40 – Educação no lar todos de autoria de Junji Miyaura. p. Tempo é Vida 258 Livros da Seicho-No-Ie. .Anexo IX LIVROS INFANTIS Os livros voltados ao publico infantil.223 . A Faxineira 2. 258 1. A Sementinha de Caju 5. Pozinho Mágico 11. Pontinhos Luminosos 10. Nem tudo é Lixo 7. Seicho-No-Ie do Brasil. A Gotinha de Orvalho 3. . O Relógio do Vovô 8. São Paulo. nº 5. Riqueza não tem fim 12. A Princesinha e o Espelho Mágico 4. abril de 2004. 6-8. O Velho Poço de Água 9. Joãozinho e o Pé de Milho 6. Esta é a razão por que te ensinei. Chuva de néctar da verdade que a tudo conforta: REVELAÇÕES DIVINAS DO "ACENDEDOR DOS SETE CANDEEIROS" Reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra. tudo será teu amigo. agradecer a teus pais. não sou eu quem as realiza. que era necessário te reconciliares com teus irmãos antes de trazeres oferenda ao altar. os mais importantes são teus pais. Se és ferido por algo ou se és atingido por micróbios ou por espíritos baixos. As minhas obras. Mesmo que agradeças a Deus. que permeia os céus e a terra. Quando se efetivar a reconciliação com todas as coisas do céu e da terra. não estás em . CANTO EVOCATIVO DE DEUS Ó Deus-Pai. outrora. não pela minha própria força. Eu vivo. D.Anexo X SUTRA SAGRADA “CHUVA DE NÉCTAR DA VERDADE” Masaharu Taniguchi. mas a força de Deus-Pai. que dais vida a todos os seres viventes. é prova de que não estás reconciliado com todas as coisas do céu e da terra. porém.224 . Reflexiona e reconcilia-te. Quando todo o Universo se tomar teu amigo. Ph. Dentre os teus irmãos. coisa alguma do Universo poderá causar-te dano. Ó Deus. que Vos manifestastes através da Seicho-no-Ie para indicar o Caminho dos céus e da terra. abençoai-me com Vosso Espírito. se não consegues. protegei-me. mas pela Vida de Deus-Pai que permeia os céus e a terra. Como sou o Todo de tudo. Deus possa Se revelar. Se queres chamar-Me. Não penses que chamando por Deus através de um médium. Somente dentro desse sentimento de gratidão é que poderás ver-Me e receber a Minha salvação. Quando se aproxima a Luz. ao te reconciliares com todas as coisas do céu e da terra. Agradece à Pátria. A reconciliação verdadeira não é obtida nem pela tolerância nem pela condescendência mútua. Quando se aproxima a Verdade. Aquele que recebe a Luz da Verdade através destes Candeeiros aniquila os três males . (Revelação Divina da noite de 27 de setembro de 1931. Não havendo a reconciliação com todas as coisas do Universo. extinguem-se as . Por isso não sou captado pelos médiuns. doença e morte . A reconciliação verdadeira será consolidada quando houver recíproco agradecer. E chegada a hora em que a doença já não existe para ti. Cristo curou doentes que se achavam á distância com apenas estas palavras: "Seja-te feito conforme tua fé". agora. Há dois mil anos. as vibrações mentais de discórdia não te permitem captar as ondas da salvação de Deus. Me revelarei. Volve os olhos para os fatos nos quais doentes. Não sou presença que possa ser vista aqui ou acolá. mesmo à distância. se curam com a simples leitura das Escrituras Seicho-no-Ie e conhecimento da Verdade. Reconciliar-se com todas as coisas do Universo significa agradecer a todas as coisas do Universo. Agora todos os doentes podem se levantar. Agradece a todas as coisas do céu e da terra. reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra e chama por Mim. estarei somente dentro daquele que estiver reconciliado com todas as coisas do céu e da terra. mesmo que Deus queira te auxiliar. Agradece a teu marido ou a tua mulher. Agradece a teu pai e a tua mãe.225 conformidade com a vontade de Deus. Agradece a teus filhos. Mesmo que agradeça a Deus. 'a Seicho-no-Ie perante a humanidade como Sete Candeeiros que profetiza o Apocalipse.) É chegada a hora. Ser tolerante ou ser condescendente não significa estar em harmonia do fundo do coração. aquele que não agradece a todas as coisas do céu e da terra não consolida a reconciliação com todas as coisas do céu e da terra.pecado. Agradece a todas as pessoas. Porque sou Amor. Agradece a teus criados. então. Surge.que têm torturado a humanidade desde a sua expulsão do jardim do Éden citada no Gênesis. e é chegada a hora de esta Verdade ser revelada à humanidade toda. desaparecem as trevas. aí. Recebe Minha Luz sem duvidar.isto é a Grande Vida. a justiça. vindo à Seicho-no-Ie. a misericórdia. desaparecem seus frutos: pecado. ajusta-se cada um em seu respectivo lugar . recita: O Deus da Criação transcende os cinco sentidos e também o sexto sentido. Luz. por si se instala a harmonia. Verdade. Lei que permeia o Universo. Sabedoria.226 ilusões. Infinito. Sendo esta a natureza verdadeira de Deus Absoluto. doença e morte. Espírito que permeia o Universo. Supremo. realizam-se o bem. Amor Absoluto . Sagrado. o Anjo. Vida que permeia o Universo. quando Deus Se revela. (Revelação Divina de 15 de janeiro de 1931. Extintas as ilusões. Sou Aquele que acende a luz nos Sete Candeeiros.) Sutra Sagrada CHUVA DE NÉCTAR DA VERDADE DEUS Um dia. A Realidade transcende os cinco sentidos. Mesmo que vejais a imagem de um espírito pela vidência. A Mente é o Criador de tudo. não há quem lese o próximo. não há quem adoeça. nada há que não tenha sido criado por Deus. cria unicamente com a Mente. Cuidai para que não vos apegueis à ilusão. não usa cinzel. A Realidade é Verdade. A ilusão é efêmera e em breve se desfaz. não usa martelo. A matéria é apenas sombra da mente. nada há além de Deus. transcende inclusive o sexto sentido e não se projeta à percepção do homem. tudo é Espírito. Deus é o Todo de tudo. Deus cobre toda a Realidade. não conhece sofrimentos. ESPIRITO Os sentidos não captam senão projeções da mente. porque é uma forma de apego. . não há quem sofra. A Realidade. ver a sombra e considerá-la Realidade é ilusão. Quando a Mente deste Deus onipotente. a ilusão. ao criar todas as coisas. é farta de dores. deste Deus perfeito. a ilusão é falsidade. não há quem seja miserável. não usa ferramenta nem matéria-prima de espécie alguma. por isso não perece. De tudo aquilo que há. entra em vibração e se torna Palavra. Sendo Deus o Todo e o Absoluto. A Realidade é Eterna. não usa madeira. porque é livre. não usa barro. tudo é Palavra de Deus. a Mente é Deus onipotente e onipresente. desenvolve-se todo Fenômeno e todas as coisas passam a ser. tudo é Mente. nada há que seja feito de matéria.227 e não há dissensões. Deus. a Mente é a Substância que preenche o Universo. Todas as coisas são Mente de Deus. Quando todas as vidas do Universo e todos os espíritos do Universo virem esta Verdade. Nada existe além da Luz que prove a inexistência da treva. a falsidade é eternamente falsa e jamais será Realidade. espíritos que não têm coração e sofrem de doença cardíaca. Nada existe além da Essência que destrua a aparência. os deuses todos derramarão coros de Verdades. despertarem para esta Verdade e destruírem todas as ilusões mentais. Ensinai que a Essência da Vida é o próprio Deus e é Perfeição. nem há pecado a ser resgatado porque Deus é o Todo. tudo isso é ilusão. Ensinai que neste mundo não há pecado que tenha sido cometido. Enfrentai o irreal com o Real.228 não estareis vendo a Realidade. A mente que está em ilusão profunda dá forma à sua crença e manifesta uma imagem falsa. ou uma doença cardíaca. Porém. Existem várias imagens espirituais: existem espíritos doentes. porque Deus não cria o pecado. Enfrentai a mentira com a Verdade. seja qual for o aspecto manifestado. será o Reino da Luz. Mas os vários espíritos sofredores que aparecem na vidência não são a Realidade Prima. . os seres vivos todos deste mundo verão a Luz. Nada existe além do Real que destrua o irreal. Não temais o que não é Realidade. assim mesmo como e. porque não há outro Criador senão Deus. e não a Realidade Prima. espíritos que não têm estômago e sofrem de doença gástrica. a pessoa influenciada apresentará ou uma doença gástrica. são sombras de ilusões motivadas por crenças errôneas. tudo que podeis perceber através dos sentidos são projeções da mente. existem espíritos sofredores. as quais constituem a causa de todos os sofrimentos. Não considereis Real o que é irreal. Enfrentai a treva com a Luz. Enfrentai a aparência com a Essência. Se um desses espíritos influenciar alguém. desaparecerão todos os embaraços e este mundo. Nada existe além da Verdade que destrua a mentira. Ensinai a eles a Essência da Vida. A matéria não é a Substância da coisa. porém o filme cinematográfico em si é incolor e transparente. existe um ser sumamente perfeito e maravilhoso. Por mais saudável que esteja um lutador. não é Verdade. No âmago da matéria. Pensando-se em saúde na mente. Compreendei vós. em que aparece um lutador se nela for projetado um lutador. que brilhará resplandecentemente. ou a figura do doente.229 MATÉRIA Não tomeis por Realidade a matéria que percebeis através dos sentidos. A matéria é afinal o "nada" e nela não existe qualidade inerente. a própria Vida. pensando-se em doença na mente. e somente ela. e nele não existe lutador nem doente. é evidente. Porém. aparece a doença.no âmago do corpo. aparece a saúde. . Se colocardes no projetor um filme incolor e transparente que não tenha imagens resultantes da reação do sensibilizador e na tela projetardes esse filme. tanto o saudável lutador como o débil doente são sombras que aparecem pela reação do sensibilizador. agora mesmo. a Vida verdadeira não está na matéria. ele é um elemento perecível e não é verdadeiramente saudável. vosso Eu verdadeiro não está na matéria. nem aparecerá. não é Vida. O que existirá na tela será unicamente a própria Luz. nem existe sensibilidade. ou um doente. doente debilitado algum. na matéria em si não existe inteligência. que vossa Vida é coisa superior à do saudável lutador. as diversas imagens resultantes da reação do sensibilizador que cobre o filme incolor e transparente é que fazem aparecer ou a do lutador. desde que ele veja o corpo como seu Eu. A saúde verdadeira não está na matéria. desde que ele veja o corpo como Realidade. não está no corpo. não está no corpo. se nela for projetado um doente. O que atribui qualidade à matéria é a mente. não aparecerá o lutador saudável que em breve envelhece e morre. e não são a Realidade. não está no corpo. Esta circunstância se assemelha à tela cinematográfica. Aquele que conhece a Realidade. O Caminho está com Deus. REALIDADE Prossegue anunciando o Anjo: A Realidade é eterna. pelo contrário. exatamente como Deus o criou. A Realidade. Vida é sinônimo de Realidade. Deus é o Caminho. a Realidade não envelhece. agora mesmo. a qual. é o vosso Eu perfeito. Aquele que acredita ser jovem logo rejuvenescerá. por isso. porque é universal. o espaço nada mais é que uma "forma de reconhecer" criada pela própria . A Vida conhece a vida e não conhece a morte. a Realidade não morre. e é Vida eternamente saudável e imperecível. a matéria e despertai para a Essência de vossa própria Vida. está na palma das mãos da Vida. não está contida na escala da caducidade. se torna infinita. a Realidade não adoece. cerrada. aquele que vive na Realidade. não morre nem desaparece. A Vida não está contida na escala do tempo. e aquele que se crê senil logo envelhecerá. aberta. se torna um ponto e. sim. é a Realidade. é chamada Caminho. ao fato de conhecer esta Verdade se diz conhecer o Caminho.230 Este. Também o espaço não é coisa que limite a Vida. o tempo. A Realidade não tem princípio nem fim. Transcendei vós. não se extingue nem morre. a Vida também não tem princípio nem fim.. Pelo contrário. transcende a desintegração e será eternamente perfeição. Sendo a Sabedoria Luz da Iluminação espiritual. Vida sem limitação. como peixes que nadam no oceano. desconhece embaraços. passeia no Mundo da Luz. e porque está sempre na Luz. Bem sem limitação. As corporificações das idéias emitidas pela Vida e projetadas no espaço dá-se o nome de matéria. desconhece tropeços. SABEDORIA A Sabedoria é Luz de Deus. Ocorrendo a iluminação espiritual. Somente a Verdade é Realidade. A ilusão. sem vos apegar a essa "distorção". imediatamente este mundo se torna o Paraíso pleno de Luz. desconhece a escuridão. por isso. é tal qual um pesadelo. O homem. porque não conhece restrições.sendo apenas falta de conhecimento da Verdade. Aquele que conhece a Essência da Vida transcende a causalidade e alcança a liberdade harmoniosa da Vida. por isso . como anjos que passeiam no céu. Luz de infinita e universal Sabedoria. Substância de todas as coisas. O que faz parecer que a matéria possua autonomia e também força para dominar a Vida é a "distorção" ocorrida na ocasião da passagem da Vida por aquela "forma de reconhecer". está presente em todas as coisas e ilumina todas as coisas. Despertai do pesadelo. e o homem revela a sua Essência. sendo filho da Luz. A matéria é originariamente nada e não possui autonomia nem força. Deus. Deus é a onipresente Substância e também o Criador.231 Vida. é também Criador de todas as coisas. A Vida é senhor. pleno de Luz e cheio de Alegria. Vede corretamente a Essência da Vida. é Verdade que ilumina e extingue as trevas da ilusão. que é Vida plena de Luz. o espaço é súdito. é Luz infinita e onipresente que desconhece restrições. é Luz perfeita que acompanha Realidade. que é originariamente sem distorções. Deus está presente em todos os lugares. mas. a doença. Responde o Anjo. Diz-se ilusão o desconhecimento da Verdade. logo. estas se assemelham às diabólicas opressões que. não passa de pesadelo. . para o despertar espiritual dos homens. a força que oprime a nossa vida. não existe Força que não seja Bem. nas doutrinas que admitem Deus. dizendo": Supor existente o que é inexistente. nós é que nos oprimimos com a nossa própria mente. à doença. percebemos que não existe força alguma para nos oprimir. não passa de pesadelo. chama-se a isto ilusão. nisto consiste a ilusão. Diz-se pecado por se encobrir e não revelar a perfeita e harmoniosa Essência da Vida. a imperfeição. Diz-se ilusão por não se conhecer verdadeiramente a perfeita e harmoniosa Essência da Vida. força que traz infelicidade. Todas as desarmonias e imperfeições nada mais são que pesadelos. as forças maléficas. esclarecei a natureza da ilusão. Embora o prazer e a dor não estejam na matéria.232 unicamente o Bem é Força. chamam-no pecado. Vida que não seja Bem. podem nos fazer sofrer. ILUSÃO Enquanto assim recita o Anjo na Seicho-no-Ie. Força que não seja Bem. Nas doutrinas que admitem Buda. unicamente o Bem é Realidade. ao despertarmos. a força que nos faz sofrer. e também não existe Realidade que não seja Bem. não existe Vida que não seja Bem. isto é. Sendo o pesadelo aquilo que dá força ativa à infelicidade. à desarmonia. isto é. Em verdade. unicamente o Bem é Vida. em sonho. aparece um Querubim que roga: "Para o bem-estar da humanidade. não são forças que realmente existem de modo objetivo: nada mais são que dores criadas em nossa própria mente e sofridas pela nossa própria mente. a tal pensamento invertido se dá o nome de ilusão. A ilusão é irreal porque se opõe à Realidade.a isso se diz ilusão.233 julgam que eles são pertinentes à matéria. PECADO "Tem o pecado existência real?" . acreditam que a mente é dominada pela matéria.volta a indagar o Querubim. A ilusão é ausência de Luz porque é o oposto da Verdade. ora fugindo da dor . sofrem ou se angustiam segundo as mudanças materiais e não compreendem que a Essência de si próprio e de sua Vida é Perfeição e Harmonia . imaginam que ela está na matéria . a dor e a angústia que nascem da ilusão teriam também existência real. Prossegue o Anjo: O pecado não é Realidade porque é imperfeição. Ouve-se a voz do Anjo que assim responde: Tudo que verdadeiramente existe são somente Deus e o que vem de Deus. Sendo Deus a Perfeição. Porém. não considereis Realidade o que não foi criado por Deus. Não vos atemorizeis imaginando . Então pergunto: Considerais perfeição o pecado? Responde o Querubim: "Mestre. porque a ilusão é ausência da Realidade. tudo que foi criado por Deus é Perfeição também. ora perseguindo o prazer. a doença não é Realidade porque é imperfeição. Tivesse a ilusão existência real.a esse equívoco se diz ilusão. dor e angústia são apenas pesadelos que certamente se desfarão e não são a Realidade. a matéria está na mente. Na verdade. o pecado não é perfeição". a morte não é Realidade porque é imperfeição. Embora a mente seja o senhor da matéria e todas as formas e naturezas da matéria sejam criações da mente. Embora a Vida não esteja na matéria. pois conhece o Aspecto Verdadeiro da Vida. como num pesadelo. não é . Eu também. HOMEM Eu sou a Verdade. pois conhece o Aspecto Verdadeiro da Realidade. os budas todos do Universo remiram os homens e bem extinguiram seus pecados. aquele que cumpre a Minha Palavra não se afasta do Caminho. esclarecei a natureza real do homem". porque não são criações de Deus. disse "São-te perdoados os teus pecados" e bem extinguiu os pecados. Sou a Vida. aquele que bebe em Mim não adoece. sombra da ilusão. são falsidades. da doença e da morte. não morre. não é célula nervosa. veio Sakyamuni com essa mesma finalidade. sou a Luz que extingue a ilusão. faço escrever Poemas da Seicho-no-Ie e pelo Poder da Palavra revelo a natureza do pecado e faço com que o pecado volte ao seu nada original. Sou a Luz que emana da Verdade. Aquele que lê as minhas Palavras extingue todos os pecados. embora usem a máscara da Realidade. não é corpo carnal. sou o Anjo enviado pela Verdade. Sou a Redenção. através da Palavra. supera a morte e vive eternamente. nem mesmo a Cruz de Jesus Cristo conseguiria extingui-lo. torna o Querubim a indagar: "Mestre. Responde o Anjo: O homem não é matéria. Sou o Caminho. Tendo assim pregado o Anjo. No passado. não é cérebro.234 aquilo que é inexistente. Pecado. Aquele que lê as minhas Palavras extingue todas as doenças. Se o pecado existisse realmente. aquele que chama por Mim será remido e viverá no Reino de Deus. Também Jesus Cristo. Porém sois felizes. nem os budas todos do Universo conseguiriam extingui-lo. são irrealidades. pois que o pecado é irrealidade. doença e morte. Vim para arrancar essa mascara e mostrar a irrealidade do pecado. usando apenas de palavras. Jesus Cristo também veio com essa finalidade. é Imortalidade. não é soro sanguíneo. Tanto o pecado. Conscientizai a Essência da Vida. Assim como luz e fonte luminosa são um só corpo. O que adoece não é Homem Real. Conhecei bem a essência do homem: o homem é Espírito. nem existe luz sem fonte luminosa. o homem. o homem também é Amor.235 glóbulo sanguíneo. é incapaz de adoecer. O homem verdadeiro. porque é Amor. como a morte. eu vos digo: conhecei a natureza verdadeira de vós próprios. Portanto. . que é Espírito. O Homem Real é Homem-Deus. é incapaz de morrer. que é Amor. é incapaz de pecar. Não existe fonte luminosa sem luz. Porque Deus é Espírito. a Sabedoria não é peculiar à matéria. Deus e homem são um só corpo. é Vida. o Amor não é peculiar à matéria. porque é Sabedoria. que é Sabedoria. Homens da face da Terra. não é célula muscular. porque é Espírito. Porque Deus é Amor. Deus é a Fonte Luminosa do homem e o homem é Luz emanada de Deus. como a doença. O que peca não é Homem Real. Porque Deus é Sabedoria. nada tem a ver com a matéria. nada mais são que pesadelos vossos. O que morre não é Homem Real. O Espírito não é peculiar à matéria. Nem é o conjunto de tudo isso. o homem também é Espírito. o homem também é Sabedoria. porque é Vida. Conscientizai o Homem Real que é vossa Essência. é a própria imagem de Deus. é porque se destrói a ilusão inicial. Portanto. e. Não existindo a ilusão inicial. é aquele incapaz de adoecer. não existirá a ilusão seguinte. é destruída a causa fundamental do pecado. . o homem. em sonho. Não existindo ilusão alguma. é incapaz de morrer. que são produtos de ilusões. doença e morte não passam de sombras das ilusões da mente que. que é Espírito. da ciência moderna segundo a qual o homem é feito de matéria. da teologia segundo a qual o homem é feito do pó da terra. No mundo absoluto de Deus. a doença e a morte são existências verdadeiras surgiu. Quando se destrói essa ilusão inicial. neste mundo não existe um pecador sequer. é incapaz de adoecer.236 Vós próprios sois o Homem Real e nenhuma outra coisa. imagina coisas inexistentes. porque o homem é originariamente puro. O pecado é contrário à natureza verdadeira de filho de Deus. é aquele incapaz de morrer. mesmo que deseje pecar. nos dias atuais. não existindo ilusão alguma. homens da face da Terra. por isso. a doença e a morte. a doença é contrária à natureza verdadeira da Vida. procurai com fervor o vosso corpo verdadeiro. Deus é a Fonte da Luz e o Homem é a Luz emanada de Deus. Não existindo ilusão alguma. porque o homem é livre de doença. e incapaz de pecar. da doença e da morte e estes voltam ao nada original. Isso constitui a ilusão inicial que leva o homem a imaginar o pecado. mesmo que deseje adoecer. A ilusão fundamental que faz o homem ter o pesadelo de que o pecado. a morte é contrária à natureza verdadeira da Vida. em tempos remotos. Há quem diga: "Pecador! Pecador!". porque é originariamente Vida eterna. é aquele incapaz de pecar. se sois curados de doenças. quando visto pelos olhos da Verdade. Portanto. Deus e Homem são um só corpo. Deus não criou pecador algum. não o procureis na matéria nem na carne. Ao lerdes a Seicho-no-Ie e conhecerdes a Verdade. pecado. e não é máquina feita de matéria. Somente reconhecendo no interior a Vida de Saúde infinita. constrói o casulo e nele se aloja. a "natureza verdadeira". Desejando purificar o "mundo da projeção". Eu vi que o mundo da matéria é realmente efêmero. é o Homem Real. o bicho-da-seda é que. é Homem-Deus. assim como o casulo é produto do bicho-da-seda. aparecera externamente.237 Cristo disse: "O Reino de Deus está dentro de vós". expelindo o fio. Os cinco sentidos do homem não vêem senão o "mundo da projeção". O homem. isto é. por isso. O reino deste mundo não passa de simples sombra. em verdade. Em verdade. é Homem-Deus. Aquele que o procura no exterior é um perseguidor de ilusões e não consegue alcançar eternamente o Reino de Deus. O reino paradisíaco existe somente no interior. somente "dentro de vós existe o Reino de Deus. Somente reconhecendo no interior o reino paradisíaco aparecerá no exterior o reino paradisíaco como projeção desse reconhecimento. eterno. "Dentro de vós". tal dualismo é totalmente errôneo. nem é a matéria preexistente em que se alojou o espírito. Vi também que o corpo é apenas sombra da mente. antes. semelhante à sombra correntia do calidoscópio. A matéria é. produto da mente. Aquele que procura alcançar o Reino de Deus na matéria é um perseguidor de ilusões e não consegue edificar eternamente o Reino de Deus. Não é no casulo preexistente que se aloja o bicho-da-seda. é Espírito. . vi que o mundo da matéria nada mais é que sombra. vos digo: "Dentro de vós" é a "natureza verdadeira do homem". no corpo. indestrutível e imortal. Vi também que o homem é Luz emanada de Deus. Portanto. vendo a sombra. sombra do espírito. Cristo disse também: "O meu reino não é deste mundo". deveis purificar a matriz da mente e eliminar as nódoas da ilusão. não a considereis Realidade. na sua essência. a saúde perfeita como projeção desse reconhecimento. A matéria nada mais é que sombra em mutação. chegará por fim a hora em que a Vida não mais necessitará do casulo de carne. que dais vida a todos os seres viventes. como que glorificando as Verdades pregadas pelo Anjo. segundo a mudança da mente. juntamente com todos. a Vida romperá o casulo de carne e ascenderá a um mundo de muito maior liberdade. Porém. caem pétalas. em absoluto.238 Também o homem. jamais lhe ocorre a morte. porém a Vida em si não adoece. Segundo a mente. não se sabe de onde. Não façais disso a morte do homem. livremente podeis modificar vossa saúde e vosso ambiente. jamais conhece a morte. assim como o bicho-da-seda rompe o casulo e alça vôo como inseto adulto o homem também rompe o casulo de carne e ascende ao mundo espiritual. portanto. abençoai-me com Vosso Espírito. consigamos manifestar a Perfeição Interior CANTO EVOCATIVO DE DEUS Ó Deus-Pai. ouve-se ecoar no céu uma sublime música angelical. Não façais. (Fim da Sutra Sagrada. segundo a necessidade. Enquanto assim fala o Anjo. . segundo a oportunidade. manifesta no corpo e no ambiente variadas situações. que a carne não é o homem e não passa de casulo do homem. da morte do corpo a morte do homem.) Rogo que as santas bênçãos desta se estendam a todos os seres vivos. Porque o homem é Vida. Porque a essência do homem é Vida. cuja natureza real é Vida-Espírito. Sabei claramente que o casulo não é o bicho-da-seda. forma o casulo de carne tecendo os fios da mente e nele instala a si próprio e seu espírito. e que eu. somente então o Verbo se faz carne.Nesse momento. Em chegando a hora. a Vida em si não morre. que Vos manifestastes através da Seicho-no-Ie para indicar o Caminho dos céus e da terra. não pela minha própria força. mas a força de Deus-Pai. mas pela Vida de Deus-Pai que permeia os céus e a terra. protegei-me . Ó Deus.239 Eu vivo. não sou eu quem as realiza. que permeia os céus e a terra. As minhas obras. Anexo XI FOTOS Divindade da Seicho-No-Ie Masaharu Taniguchi Coleção “A Verdade da Vida” Sutra Sagrada Kanro-No-Hoou .240 . 241 Registro para o Santuário Hoozo (frente) Registro para o Santuário Hoozo (verso) Programa de TV em DVD Shinsokan (posição) . 242 Forma Humana (6 meses) Hitogata Sede Central (São Paulo-SP) Salão de Culto aos Antepassados (Sede Central) . 243 Academia Ibiúna (SP) Santuário Hoozo (em Ibiúna) Festividade do Santuário Hoozo (Ibiúna) Academia Santa Fé (BA) . 244 Academia Santa Tecla (RS) Academia Curitiba (PR) Regional Rio Bonito (São Paulo – SP) Regional Rio Bonito (São Paulo – SP) .
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