Micro Econom i A

March 17, 2018 | Author: Felipe Baléa | Category: Microeconomics, Economics, Demand, Market (Economics), Supply And Demand


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ApresentaçãoA microeconomia é uma parte da teoria econômica que estuda como os indivíduos e as empresas interagem no mercado de forma a alocar eficientemente os recursos. O conteúdo da disciplina ajuda na análise das atividades operacionais das empresas, em seu ambiente de mercado e em suas relações com fornecedores, empregados, consumidores e governo. Também é responsável por fundamentar os gerentes na tomada de decisão, no planejamento e na implementação de estratégias empresariais, assim como na estratégia de outros agentes econômicos como consumidores, clientes e órgãos reguladores. A ciência econômica parte do princípio de que os recursos são escassos na natureza e, em virtude dessa escassez, a sua alocação deve ser administrada. Grande parte das decisões empresariais, envolvendo o uso de recursos escassos, fundamenta-se na microeconomia, permitindo que gerentes, administradores e executivos analisem questões no âmbito interno e externo da organização. Este material didático tem por finalidade fornecer aos alunos uma ferramenta necessária para auxiliar a análise dos fatores econômicos que influenciam o desempenho de uma empresa. Quanto à organização didática, observa-se que, ao longo do texto, os conceitos são definidos e depois aplicados. Em alguns momentos, trabalhamos com modelos econômicos que nada mais são do que a simplificação da economia real. Essa estratégia ajudará o aluno a entender e a visualizar melhor o funcionamento dos mercados. Em relação à estrutura geral, este material didático está constituído de cinco capítulos fortemente relacionados entre si. Inicialmente, apresentamos os principais conceitos econômicos, que dão ao aluno a base sobre o pensamento e a metodologia da ciência econômica, no nosso caso, da microeconomia. Nos três capítulos seguintes, apresentamos a teoria do consumidor e sua relação com a demanda, a teoria da firma relacionada com os conceitos de oferta e o equilíbrio de mercado, mostrando aos alunos os diversos movimentos que se operam na economia. Por fim, apresentamos e discutimos as estruturas de mercado classificadas como concorrência perfeita, monopólio, oligopólio e concorrência imperfeita, salientando as articulações dos agentes decisores, tão importantes no processo de administração dos mercados modernos. Ao final de cada capítulo, o aluno encontrará uma série de exercícios propostos para se familiarizar com os conceitos aprendidos. Profa. Me Érika Osakabe EAD-10-ADM32 129 Microeconomia 130 Microeconomia Assuntos abordados 1 – Conceitos econômicos fundamentais 1.1. O sistema de mercado ou capitalista 1.2. Economia central ou planificada – economia socialista 1.3. Economia social democrata 1.4. Recursos ou fatores de produção 1.5. O diagrama do fluxo circular da renda e o funcionamento de uma economia de mercado 1.6. Fronteira de possibilidade de produção (FPP) ou curva de possibilidade de produção (CPP) 1.7. Mudança na curva de possibilidade de produção 1.8. Conceito de custo de oportunidade 1.9. Conclusão 2 – O consumidor e a demanda 2.1. Preferência do consumidor 2.2. Comparando as curvas de indiferença 2.3. Restrições orçamentárias 2.4. Escolha por parte do consumidor 2.5. A demanda 2.6. Conclusão 3 – O produtor e a oferta 3.1. Decisão das empresas quanto à produção 3.2. A Função de produção 3.3. Produção com um insumo variável (trabalho) 3.4. Produção com dois insumos variáveis 3.5. A análise da oferta 3.6. Conclusão 4 – Estruturas de mercado 4.1. Características do mercado 4.2. Estruturas de mercado 4.3. Políticas públicas nos monopólios 4.4. Oligopólio 4.5. Concorrência monopolística 4.6. Conclusão 5 – Setor público 5.1. As falhas de mercado 5.1.1. Bens públicos 5.1.2. Monopólios naturais 5.1.3. Externalidades 5.1.4. Mercados incompletos 5.1.5. Falhas de informação 5.1.6. Ocorrência de desemprego e inflação 131 EAD-10-ADM32 Microeconomia 5.2. Os objetivos da política fiscal e as funções econômicas do governo 5.3. A teoria da tributação 5.4. Conclusão 132 Microeconomia 1 – Conceitos econômicos fundamentais Conteúdo • • • • • • • • • 1.1. O sistema de mercado ou capitalista 1.2. Economia central ou planificada – Economia socialista 1.3. Economia social democrata 1.4. Recursos ou fatores de produção 1.5. O diagrama do fluxo circular da renda e o funcionamento de uma economia de mercado 1.6. Fronteira de possibilidade de produção (FPP) ou curva de possibilidade de Produção (CPP) 1.7. Mudança na curva de possibilidade de produção 1.8. Conceito de custo de oportunidade 1.9. Conclusão Objetivos • Trabalhar com o aluno os conceitos fundamentais da economia. • Fornecer um panorama geral da organização econômica. • Apresentar os modelos capitalista ou liberal, socialista ou de planificação central e um intermediário denominado de social democracia. • Discutir conceitos como a escassez e os fatores de produção, fundamentais para os alunos compreenderem a essência econômica. • Apresentar o diagrama do fluxo circular da renda que mostra visualmente como os indivíduos e as famílias interagem na economia. • Definir o conceito de custo de oportunidade com exemplos ilustrativos para maior compreensão do aluno. EAD-10-ADM32 133 Nos sistemas econômicos. O sistema de mercado ou capitalista Quando o mercado. sendo de pouca expressão na gestão econômica. A quantidade a ser produzida será determinada pela atuação dos compradores e vendedores e por fim. como e para quem produzir. Contudo. ou seja. Ao perguntarmos o que e quanto. como e para quem produzir. então que esse é o problema econômico central que a economia procura resolver. as sociedades também devem administrá-los. teremos um modelo econômico chamado de economia de mercado ou capitalista em que não há intervenção do Estado na alocação dos fatores de produção. trata-se de um modelo que simplifica muito a realidade econômica e apresenta alguns problemas tais como: a) os preços nem sempre flutuam livremente controlados somente pelo mercado. Levando em consideração essa restrição. as famílias e as empresas administram os recursos que são escassos. existe uma “mão invisível” que leva os mercados a seu equilíbrio mesmo que cada agente econômico pense em sua situação individualmente. as empresas ou o governo determinam as escolhas da sociedade. então. Da mesma forma que os indivíduos. inúmeras são as críticas a esse sistema. Apesar de adotado como modelo pelas economias de diversos países. Consideramos que algumas dessas críticas são bastantes pertinentes dado que muitas vezes observamos a presença do Estado regulando o preço dos produtos. regulando monopólios e oligopólios. 134 . A ação dos agentes econômicos. a forma como a produção acontecerá será definida pela concorrência entre os produtores.Microeconomia Introdução A palavra economia se origina do grego oikos (casa) e nomos (norma. Para quem produzir se refere ao destino da produção. buscando alocar da forma mais eficiente os seus recursos produtivos que. ou seja. como vimos. mais precisamente por Adam Smith. Neste tipo de sistema predomina o laissez-faire. Dizemos. cada um procura maximizar sua posição de uma forma egoísta. Podemos dizer. Para alguns economistas. na produção de bens e serviços. b) o mercado sozinho não consegue promover a alocação perfeita dos recursos. Partimos da premissa que o consumidor buscará maximizar seu bem-estar e o produtor procurará maximizar o seu lucro. a economia se depara com algumas restrições físicas provocadas pela escassez dos recursos produtivos ou fatores de produção. O papel do governo é apenas regulatório. como já foi estudado pelos clássicos da economia. as famílias. Podemos dizer. lei) e significa administração do lar. 1. os milhares de produtores e consumidores têm condições de resolver os problemas fundamentais da economia e as empresas estão preocupadas essencialmente em maximizar o seu lucro e enfrentar a concorrência. provendo bens à sociedade que o mercado não consegue ofertar (bens públicos) e distribuindo renda através da tributação maior sobre quem tem renda maior. c) o mercado não consegue distribuir perfeitamente a renda. consumidores de um lado e produtores do outro se dá isoladamente. a oferta e a demanda responderem às perguntas do que e quanto. de forma a distribuir esses recursos entre os vários indivíduos e grupos a fim de satisfazer às necessidades humanas. queremos saber quais produtos deverão ser produzidos e em que quantidade eles serão disponibilizados aos consumidores. quem terá renda suficiente para adquirir os bens. A questão de como produzir diz respeito a como serão produzidos os bens e serviços e com quais recursos e de que maneira ou processo técnico eles serão finalizados. as nações devem responder às seguintes questões: o que e quanto. são escassos.1. ou seja. que a economia tem por finalidade estudar como os indivíduos e as sociedades decidem utilizar os recursos produtivos escassos. que a demanda será a responsável por definir quais bens serão produzidos no mercado. então. Como essas necessidades são ilimitadas. Nessa situação não há a propriedade privada. Em uma economia de liberal. Depois de entendido como os países se organizam economicamente. devemos entender primeiramente o que são os fatores de produção. terra. Essas são as economias mistas que contemplam os dois tipos de sistema. Economia social democrata Neste modelo.3. então. Sendo assim. trabalho e capital. Nessa situação. as sociedades são obrigadas a fazer determinadas escolhas sobre o que e quanto. 1.2. há forte intervenção estatal na gestão da economia. Observando o esquema abaixo. estradas). o Estado pode intervir de diversas maneiras como. determinando o que e quanto. por exemplo. 135 . EAD-10-ADM32 1 As respostas dadas a seguir em relação ao que e quanto. É importante salientar que nesse modelo não existe propriedade privada. o Estado é o detentor dos recursos. mas existe uma forte presença do Estado suprindo as necessidades sociais da população. como e para quem produzir. todos os bens pertencem ao governo. Nesse modelo. ou seja. dadas as necessidades humanas ilimitadas e a escassez de recursos produtivos. aumentando a quantidade demandada de produtos da economia. contudo há uma preocupação maior com o bem-estar da população. saneamento básico. como e para quem produzir. Tem-se. São as chamadas economias planificadas ou socialistas nas quais o governo é o principal ator. b) faz-se um inventário dos recursos e das técnicas disponíveis para a produção e c) com base na disponibilidade. por exemplo. pertencentes à população. verificou-se a necessidade de intervenção do Estado com o objetivo de controlar as distorções alocativas do mercado. subsídios. a iniciativa privada através dos investimentos em infraestrutura básica (energia. taxa de câmbio. Como dito anteriormente. um modelo de economia que entende que o mercado resolve parte dos problemas econômicos e que a presença reguladora do Estado deve corrigir essas distorções. 1. Recursos ou fatores de produção Para respondermos à pergunta (que bens e serviços devem ser produzidos?). como e para quem produzir serão respondidas no decorrer das aulas de microeconomia. Todos os bens e meios de produção são públicos. Economia central ou planificada – Economia socialista Em alguns países. verificamos que os fatores de produção (recursos) são empregados no processo produtivo que os transforma em bens ou serviços finais. atuando sobre a formação de preços. fornecendo bens públicos como iluminação. vamos agora nos centrar nos países em que o mercado regula a economia. melhorando o padrão de qualidade de vida da sociedade. em que não há intervenção do governo esses problemas tendem a ser resolvidos pela concorrência dos mercados e pelo mecanismo de preços1. faz-se uma seleção das necessidades prioritárias de modo a fixar a quantidade dos bens a serem produzidos. dos meios de produção e define o que é necessário ser produzido para a sociedade e não há a preocupação com a geração de lucro. observa-se que o mercado regula essencialmente o funcionamento da economia.4.Microeconomia 1. saúde e comprando bens e serviços do setor privado. via impostos. Por fatores de produção entendemos serem os recursos básicos empregados na produção de bens e serviços que podem ser divididos em insumos. O planejamento nas economias socialistas segue as seguintes etapas: a) faz-se uma espécie de inventário das necessidades da população para serem atendidas. A grande depressão de 1930 nos Estados Unidos revelou que um sistema com a regulação do mercado não consegue sozinho garantir que a economia opere sempre no pleno emprego de seus recursos. complementando. trabalho. A parte interna do diagrama nos mostra o fluxo de bens e serviços entre as famílias e as empresas. 136 . Nesse caso. No mercado de bens e serviços em que as empresas vendem e as famílias compram bens e serviços e no mercado de fatores de produção em que as famílias são vendedoras e as empresas compradoras. O capital consiste no conjunto dos bens produzidos com a finalidade de produzir novos bens ou serviços como máquinas. Verificamos que os fatores de produção fluem das famílias para as empresas e os bens e serviços fluem das empresas para as famílias. locação. estamos nos referindo a quais produtos deverão ser produzidos (carros. o uso do seu trabalho. café. Como a economia é constituída de milhões de pessoas envolvidas em inúmeras atividades como compra. As empresas são responsáveis pela produção dos bens e serviços por meio da utilização dos fatores de produção (trabalho. entre outros. Neste mercado. produção. ou melhor dizendo. as famílias oferecem às empresas os insumos necessários à produção de bens e serviços. O diagrama do fluxo circular da renda nos mostra dois tipos de tomadores de decisões. queremos saber quais serão os recursos e de que maneira os processos técnicos irão interferir nesta produção.5. Quando perguntamos o que produzir. O processo de fabricação mais eficiente ou mais barato ganhará mercado e o ineficiente e mais caro ficará de fora. enquanto fator de produção. Os insumos consistem na matéria prima utilizada no processo produtivo tais como madeira. formam a renda individual relativa a cada serviço e ao conjunto de serviços. A produção destina-se a quem tem renda para pagar. nossa tarefa agora é mostrar como as famílias e as empresas se relacionam no mercado. no mercado de fatores de produção. As quantidades que serão colocadas à disposição do mercado serão determinadas pela atuação dos consumidores e dos produtores no mercado com os ajustamentos dados pelo sistema de preço. cigarros. terra e capital. As famílias vendem para as empresas. necessitamos de uma simplificação do quadro de atividades. de um lado as empresas e do outro as famílias. as empresas contratam recursos (fatores de produção) das famílias que consomem os bens e serviços produzidos pelas empresas. representa os recursos naturais como um todo.Microeconomia Fatores de produção Processo de produção Bem ou serviço A terra. O inverso também é válido. A mão de obra se refere ao tempo de trabalho empregado na produção de bens e serviços que pode ser físico ou intelectual. venda. Quando pensamos como produzir determinados bens e serviços. couro. se o preço é o instrumento de exclusão. Observamos que os agentes econômicos se interagem em dois momentos. em conjunto. precisamos de um modelo que explique como se organiza a economia e como seus participantes interagem uns com os outros. 1. computadores. entre outros. ou seja. Os dois primeiros agentes e suas funções podem ser resumidos pela seguinte frase: as famílias oferecem recursos (fatores de produção) para as empresas que produzem e vendem os bens e serviços para as famílias. entre outros). os aluguéis e os lucros que. O diagrama do fluxo circular da renda e o funcionamento de uma economia de mercado Depois de introduzido o conceito de fator de produção. As empresas usam os fatores de produção para produzirem os bens e serviços que são vendidos às famílias no mercado de bens e serviços. os juros. vestuário. Será a demanda dos consumidores no mercado que decidirá o que a economia deverá produzir. A questão de quem irá produzir será determinada pela oferta e pela demanda no mercado de fatores de produção sejam eles os salários. será a concorrência entre os produtores que definirá como serão produzidos determinados bens e serviços. aço. terra e capital) e as famílias são as proprietárias dos bens e serviços produzidos pelas empresas. as famílias compram. o salário dos trabalhadores. As setas externas representam o fluxo de reais e as setas internas correspondem ao fluxo de bens e serviços. É importante salientarmos que o diagrama do fluxo circular da renda é uma simplificação da economia. por exemplo. esse real não fica muito tempo no Frans Café. pois a empresa usará para comprar insumos no mercado de fatores de produção. são proprietárias de fatores de produção e os vendem. aluguéis e lucro Mercado de fatores de produção As famílias vendem. Sendo assim. Insumos. em torno de bens e serviços (quando as famílias são os compradores e as empresas os vendedores) e em torno de insumos (quando as empresas são os compradores e as famílias os vendedores). Quando o real passa pela caixa registradora. A empresa também poderá usar esse real para pagar salários dos trabalhadores ou aluguel da loja. O diagrama do fluxo circular da renda Receita Mercado de bens e serviços As empresas vendem. As famílias gastam reais para comprar bens e serviços oferecidos pelas empresas.Microeconomia A parte externa do diagrama mostra o fluxo de moeda. Vamos até ao Frans Café mais próximo de nossa casa e pagamos pela bebida. contratam e utilizam fatores de produção. serviços. Despesas Bens e serviços vendidos Bens e serviços comprados Empresas Produzem e vendem bens. De qualquer forma. as empresas usam parte de sua receita para pagar alguns fatores de produção como. produção Famílias Compram e consomem bens e serviços. Terra. Contudo. Um modelo mais completo deve levar em conta a participação do governo e o comércio internacional. Por sua vez. O que sobra após esse pagamento é o lucro do empresário que por sua vez são membros das famílias. trabalho. Acompanhemos o seguinte exemplo para entendermos melhor o diagrama do fluxo circular da renda. capital Salários. Renda Fluxo de bens e serviços Fluxo de moeda EAD-10-ADM32 Ilustração 1 – O diagrama do fluxo circular é uma representação esquemática e visual da organização da economia. de alugueis e de lucro flui das empresas para as famílias. 137 . esse real irá retornar para a renda de alguma família e novamente irá para a carteira de alguém. ele se torna parte da receita da empresa. As decisões são tomadas por famílias e empresas. Estas interagem no mercado. as empresas compram. Imagine que temos uma nota de um real em nossa carteira e que desejamos tomar uma xícara de café. a despesa com bens e serviços flui das famílias para as empresas e a renda em forma de salários. a quantidade de bens e serviços que se pode produzir é limitada pela disponibilidade dos recursos que são escassos. enquanto que pontos situados dentro da curva (pontos possíveis) não garantem essa eficiência porque a produção neste ponto está abaixo daquilo que pode ser produzido. trabalharemos com a seguinte suposição: mesmo sabendo que. 8 toneladas de banana e 10 toneladas de abacaxi. a economia produz milhares de bens e serviços. a economia deve considerar o que e quanto. no mundo real. suficientes. Independentemente da natureza do empreendimento. a partir dos seus recursos escassos. nenhum abacaxi será produzido. A tabela 1 exemplifica uma fronteira de possibilidade de produção. por exemplo. Observemos que este ponto está sobre a curva de possibilidade de produção. Se todos os recursos forem utilizados para produzir abacaxi. Esses são os dois pontos extremos da curva de possibilidade de produção. vamos imaginar uma economia que produz somente dois bens: banana (toneladas) e abacaxi (toneladas). pontos dentro da curva são possíveis em virtude da quantidade de recursos disponíveis. Se todos os recursos forem utilizados para produzir banana. Diz-se haver eficiência econômica quando a economia está obtendo tudo o que é possível. como e para quem produzir. Por outro lado. A fronteira ou curva de possibilidade de produção. Os pontos situados sobre a curva de possibilidade de produção garantem essa eficiência. Caso a economia desejar dividir seus recursos entre ambos os produtos. ou seja. é a fronteira máxima que a economia pode produzir. nenhuma banana será produzida. A Banana Abacaxi 0 15 B 3 14 C 6 12 D 8 10 E 9 7 F 10 0 Tabela 1 – Alternativas de produção Banana (toneladas) 10 8 6 4 2 Z E D C W B Abacaxi (toneladas) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 A Gráfico 1 – Curva de possibilidade de produção 138 . dados os fatores de produção e tecnologia disponíveis para as empresas que transformam esses insumos em bens.Microeconomia 1. poderá produzir. pois a economia não tem recursos para sustentar esse nível de atividade. também chamada curva de transformação. Pontos fora da curva de possibilidade de produção são inviáveis.6. Nesta etapa do estudo. Fronteira de possibilidade de produção (FPP) ou curva de possibilidade de produção (CPP) Como vimos anteriormente. tomamos os recursos disponíveis em um determinado período de tempo sem aumento ou redução. Mudança na curva de possibilidade de produção Até agora vimos a fronteira de possibilidade de produção sem deslocamento. a curva de possibilidade de produção se deslocará para a direita. Banana (toneladas) 10 8 6 4 2 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Gráfico 3 – Deslocamento da curva de possibilidade de produção Abacaxi (toneladas) 1.8. como mostra a gráfico 3. Banana (toneladas) 10 8 6 4 2 Z E D C W B Abacaxi (toneladas) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 A Gráfico 1 – Curva de possibilidade de produção Caso ocorra um aumento na disponibilidade de somente um dos recursos ou melhora tecnológica somente na produção de banana.7. Conceito de custo de oportunidade Sabemos que toda escolha envolve uma troca e que cada pessoa tem de abrir mão de uma determinada coisa para obter outra. Custo de oportunidade é o grau de sacrifício que se faz ao optar pela produção de um bem em termos da produção alternativa de outro.Microeconomia 1. É a alternativa escolhida e o valor mais alto entre as alternativas abandonadas. ou seja. observaremos a inclinação da curva de uma forma mais acentuada no bem banana. mostrando um aumento na quantidade produzida de ambos os bens (gráfico 2). Contudo. 139 EAD-10-ADM32 . caso haja um aumento na disponibilidade dos recursos produtivos ou caso haja um aumento da tecnologia. 140 . podemos ter as situações que se seguem. inicialmente. a economia mista ou social democrata. Aprendemos também alguns conceitos econômicos importantes tais como a escassez que a economia enfrenta e que as sociedades devem administrar. porém é possível que esse trade off mude ao longo do tempo. A fronteira de possibilidade de produção nos mostra o trade off (escolha) entre a produção de diferentes bens em um dado período. Exemplo: A Banana Abacaxi 0 15 B 3 14 C 6 12 D 8 10 E 9 7 F 10 0 Tabela 1 – Alternativas de produção Custo de oportunidade de se passar da alternativa B para C: para produzir-se mais 3 toneladas de banana = 2 toneladas de abacaxi. o trabalho e a matéria-prima são os recursos disponíveis que podem ser transformados em bens e serviços finais de acordo com a necessidade da economia. a terra. Os fatores de produção tais como o capital. tendo que decidir o que e quanto. Banana (toneladas) 10 8 6 4 2 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Gráfico 4 – Deslocamento da curva de possibilidade de produção Abacaxi (toneladas) Conclusão Este capítulo introdutório nos mostrou. Essencialmente. economia central (socialista) e intermediária a essas duas formas. a diferença entre a economia de mercado e a economia socialista está pautada na não intervenção do Estado e a propriedade privada na economia capitalista e na presença do Estado e na propriedade pública na economia socialista. Custo de oportunidade de passar da alternativa C para B: para produzir-se mais 2 toneladas de abacaxis = 3 toneladas de banana. como e para quem produzir.Microeconomia No caso do nosso exemplo. que os sistemas econômicos estão divididos em economia capitalista (mercado). 3) Quais as principais diferenças entre uma economia de mercado e uma economia planificada? 4) O que mostra a curva de possibilidade de produção (CPP)? 5) Explique o formato da curva de possibilidade de produção? Por que isso acontece? 6) O que é custo de oportunidade? Monte um exemplo próprio para explicar o conceito. o aluno encontrará nas páginas 7 e 8 o box “Deu na imprensa” 1.1 e na página 9 o box “Deu na impresa” 1. Manual de economia.S e RUBINFELD. 2001. J. Rio de Janeiro: Campus. Microeconomia: teorias e aplicações. D. Pontos dentro da curva nos mostram uma ineficiência econômica e pontos acima não podem ser alcançados. tradução da 2ª edição. M. Pearson Prentice Hall. MANKIW. G. MENDES. São Paulo.J. de Gremaud et al (2007). A. Expandindo conhecimentos Os alunos que desejarem ler textos complementares a esse assunto inicial devem recorrer ao capítulo 1 do livro Introdução à economia. utilizando o esquema apresentado na aula. PINHO.B. 2002. 2004 VASCONCELOS. S.L. M. 2002. EAD-10-ADM32 WESSELS. 5. Para a aquisição dos recursos. ed. D. 2007. 2004. São Paulo: Saraiva. O papel das empresas é o de fornecer aquilo que as famílias necessitam. Lá. Introdução à economia: princípios de micro e macroeconomia. 2006. N. ou seja. São Paulo: Prentice Hall. Economia: fundamentos e aplicações. Referências bibliográficas GREMAUD. Microeconomia. São Paulo: Saraiva. e Vasconcelos. as empresas pagam uma remuneração em dinheiro para as famílias. como e para quem produzir) originam-se da escassez de recursos produtivos? 2) Dê um exemplo de transformação de um recurso (fator de produção) em um bem final.G. Pontos em cima da curva de CPP nos dão a quantidade máxima que a economia está produzindo. bens e serviços. et al. Equipe de Professores da USP.Microeconomia O diagrama do fluxo circular da renda mostrou que existem dois agentes econômicos interagindo na economia. 141 . O custo de oportunidade de um bem é o sacrifício que devemos fazer para conseguir adquirir mais unidades de outro bem. da editora Atlas. S. W. São Paulo: Atlas. A curva de possibilidade de produção (CPP) mostrou como a sociedade escolhe a quantidade de bens e serviços que deseja produzir. Exercícios Propostos 1) Por que os problemas econômicos fundamentais (o que e quanto. as empresas que utilizam esses recursos para produzirem bens e serviços finais. PINDYCK. São Paulo: Atlas. dado os recursos produtivos. detentoras dos fatores de produção. Economia: micro e macro: 3. Sendo assim. Introdução à economia.M. as famílias compram esses produtos e em contrapartida pagam uma remuneração em dinheiro para as empresas. De um lado as famílias. e do outro. R. A. A. ed.2.T. Microeconomia 142 . gerando demanda por bens e serviços específicos.1. • Discutir sobre a demanda e seus principais determinantes.6. Restrições orçamentárias 2. Preferência do consumidor 2.2.5. EAD-10-ADM32 143 . Conclusão Objetivos • Estudar o comportamento do consumidor.Microeconomia 2 – O consumidor e a demanda Conteúdo • • • • • • 2. à luz de suas preferências. mostrando seus efeitos sobre o consumo.3. • Compreender como os consumidores alocam sua renda para a aquisição de mercadorias e serviços. Escolha por parte do consumidor 2. Comparando as curvas de indiferença 2.4. A demanda 2. 2. b) restrições orçamentárias. dividiremos a análise em três etapas: a) preferência do consumidor. A seguir segue um exemplo de cestas de mercado. Saber que os consumidores pagam mais por um novo produto não é suficiente. administrativa e econômica. de políticas públicas e também empresários de diversos setores.Microeconomia Introdução É importante nos dias de hoje analisar e entender as variáveis e os mecanismos que regem o comportamento do consumidor porque eles servem de subsídios para profissionais da área de marketing. Cesta de mercado A B C D E F Unidade de alimento 20 10 40 30 10 10 Unidades de vestuário 30 50 20 40 20 40 Tabela 1 – Cestas de mercados: alocação entre alimento e vestuário 144 . No mercado. antes que esse novo produto possa ser comercializado. Para compreendermos a importância da escolha do consumidor. uma explicação de como os consumidores alocam sua renda para a aquisição de mercadorias e serviços. A empresa fabricante de sorvete tem que elaborar uma análise das preferências dos consumidores para determinar a demanda pelos sorvetes de chocolate aromatizados.1. a empresa tem que resolver o seguinte problema: que preço cobrar? Independentemente da qualidade do novo sorvete. existem inúmeros bens e serviços disponíveis e as pessoas deverão escolher qual deles preferem. recorreremos ao seguinte exemplo: uma empresa fabricante de um sorvete bastante aceito decide introduzir no mercado uma variação do sabor de chocolate com essências de menta e laranja. além de auxiliar analistas de mercado. O consumidor deverá escolher qual combinação mais o agrada. c) escolha do consumidor. a lucratividade da empresa depende da decisão de preço tomada. procuraremos encontrar uma explicação do fato de as pessoas preferirem mais uma mercadoria à outra. isto é. Preferência do consumidor Neste ponto. A questão central é saber quanto a mais eles estão dispostos a pagar. Contudo. O exemplo citado anteriormente requer que se compreenda a teoria do consumidor. A fim de estudarmos o comportamento do consumidor. traçamos uma curva de indiferença que representa todas as combinações de cestas de mercado que geram o mesmo nível de satisfação para um consumidor. certamente a escolha do consumidor será a D porque contém 10 unidades a mais de vestuário. Observando a cesta D. Contudo. notamos que o consumidor abre mão de 10 unidades de alimento para conseguir 20 unidades a mais de vestuário. A cesta D é a preferida do consumidor em relação à A porque está acima da curva de indiferença. 2.2. A quantidade de bens que um indivíduo está disposto a abrir mão por uma quantidade adicional de outro é denominada de taxa marginal de substituição (TMS). o consumidor está disposto a trocar 10 unidades de alimento por 20 de vestuário. EAD-10-ADM32 145 . ou seja. É importante lembrar que existem infinitas cestas sobre a mesma curva de indiferença. A é preferida entre E e F porque estas estão abaixo da curva de indiferença. Comparando as curvas de indiferença Ainda utilizando o gráfico 1. Observando as cestas A e B. é possível escolher qualquer variação entre a quantidade de alimento e vestuário desde que esteja sobre a curva de indiferença.Microeconomia Vestuário (unidades por semana) 50 40 30 20 10 0 10 20 30 40 Alimento (unidades por semana) E F A C Curva de indiferença B D Gráfico 1 – Curva de indiferença mostrando a alocação do consumidor entre alimento e vestuário Relacionada às escolhas do consumidor. uma vez que proporciona maior utilidade. a TMS de alimentos em relação ao vestuário é de 10. É possível concluir que o indivíduo sempre vai preferir uma curva de indiferença superior. isto é. suponhamos que um consumidor esteja consumindo a cesta A composta por 20 unidades de alimento e 30 unidades de vestuário. Podemos dizer que as cestas B e C geram o mesmo nível de satisfação que a cesta A. composta de 30 unidades de alimento e 40 unidades de vestuário. No nosso exemplo. Retomando nosso exemplo sobre o consumo de alimento e vestuário. adotamos somente duas mercadorias (alimento e vestuário). Então. Restrições orçamentárias Até esta etapa trabalhamos a preferência do consumidor verificando como as curvas de indiferença podem ser utilizadas para descrever o modo pelo qual o consumidor avalia as inúmeras combinações de cestas de mercadorias. Utilidades maiores são preferidas às menores. A partir de agora.3.Microeconomia Vestuário I2 I1 I4 I3 400 100 Gráfico 2 – Comparação das curvas de indiferença 200 300 Alimento Ao observarmos o gráfico. A equação que nos mostra essa situação segue abaixo: PAQA + PVQV = R A tabela 2 mostra as cestas de mercado e a linha de orçamento. notamos que cada letra representa uma curva de indiferença e os números representam a utilidade referente ao consumo de uma cesta sobre a respectiva curva. vamos inserir uma restrição orçamentária (R) que limita as escolhas do consumidor. abordaremos o segundo item da teoria do consumidor: as restrições orçamentárias que os indivíduos devem enfrentar por disporem de renda limitada. Consideramos QA a quantidade adquirida de alimentos e QV a quantidade adquirida de vestuário. A quantidade de dinheiro gasta com alimentação consiste no preço do alimento multiplicado pelo preço do alimento e a quantidade de dinheiro gasta com vestuário consiste no preço do vestuário multiplicado pelo preço do vestuário. Todas as combinações de A e V para as quais o total de dinheiro gasto seja igual à renda disponível chamamos de linha do orçamento. 2. No nosso exemplo. curvas de indiferenças mais altas são as que promovem maior utilidade ao consumidor. Cesta de mercado A B C D E 146 Alimentação (A) 0 20 40 60 80 Vestuário (V) 40 30 20 10 0 Despesa total (R) 80 80 80 80 80 Tabela 2 – Cestas de mercado A e V sujeitas à restrição orçamentária R . Os preços serão definidos por PA (preço do alimento) e PV (preço do vestuário). sujeitas a uma restrição orçamentária (R). podemos dizer que o consumidor prefere a curva de indiferença I3 que proporciona maior utilidade. Contudo. o preço unitário do alimento é $1 e o do vestuário é $2 por unidade. Utilizando os dados da tabela 2. com sua renda (R). 147 EAD-10-ADM32 . Vestuário (unidades por semana) 40 A 30 20 10 B C D 20 40 60 80 PAQA + PVQV > R Linha de restrição orçamentária PAQA + PVQV = R PAQA + PVQV < R Alimentação (unidades por semana) Gráfico 3 – Cestas de mercado A e V sujeitas à restrição orçamentária R O equilíbrio do consumidor surge dos conceitos do mapa das curvas de indiferença e da restrição orçamentária. a quantidade máxima que ele poderá adquirir é 40 unidades (cesta A). apresentamos o gráfico 3 com as combinações entre alimento e vestuário sujeitas a uma linha de restrição orçamentária. Vestuário I2 I1 I3 Gráfico 4 – Curvas de indiferença e restrição orçamentária De acordo com os conceitos apreendidos sobre curva de indiferença. Caso esse consumidor decida gastar todo seu orçamento em vestuário. porém não estará maximizando sua utilidade porque. A seguir segue a representação gráfica das curvas de indiferença sujeitas a uma restrição orçamentária. a curva mais elevada que ele consegue alcançar com sua renda é I2 que tangencia a linha de restrição orçamentária. ele é capaz de alcançar uma curva de indiferença superior. C e D podem ser conseguidas a partir da combinação entre alimentação e vestuário. Observamos que é possível o consumidor consumir algumas cestas sobre a curva I1.Microeconomia Vamos considerar a seguinte situação: um consumidor tem uma renda semanal de $80. As cestas B. ele conseguirá adquirir 80 unidades. Se esse mesmo consumidor decidir gastar toda a renda em alimentação. É a renda do consumidor que determina qual a curva de indiferença acessível. Observe também que qualquer cesta de mercado situada à direita ou acima da linha do orçamento não poderá ser adquirida com a renda disponível. Vestuário (unidades por semana) 40 30 20 10 B D A 20 40 60 80 Alimentação (unidades por semana) Gráfico 5 – Cesta sobre a linha do orçamento 2.Microeconomia 2. A única opção possível é a cesta que está situada sobre a linha do orçamento (ponto A).4. o consumo das pessoas que está altamente relacionado com suas escolhas. por parte dos consumidores. entender as escolhas dos consumidores nos ajudará a compreender a demanda. Essas combinações dependerão dos preços dos vários bens disponíveis. Segunda condição – Deverá dar ao consumidor sua combinação preferida de bens e serviços Dadas as duas condições. a um determinado preço. 2.1. escolhendo a quantidade de cada bem visando a maximizar seu grau de satisfação de acordo com o orçamento limitado de que dispõem. ou seja.2. percebemos que o ponto que maximiza a satisfação do consumidor é o ponto A. No gráfico 5. dado um determinado preço.5. o problema de maximização da satisfação do consumidor passa a ser o de escolher um ponto apropriado sobre a linha do orçamento. Para isso. 148 . Portanto. Finalizada nossa discussão sobre a teoria do consumidor. pois ele ainda tem parte da renda disponível e pode maximizar sua utilidade. Primeira condição – Deverá estar sobre a linha do orçamento Observando o gráfico 5. vamos agora falar sobre a demanda. 2. consideramos a demanda como sendo a disposição de comprar determinadas mercadorias ou serviços. a cesta do mercado maximizadora obedecerá a duas condições. Tal definição aponta um determinante fundamental na análise da demanda: a variável preço. Escolha por parte do consumidor Diante de suas preferências e da limitação da renda. A demanda Por definição. os consumidores escolhem comprar as combinações de mercadoria que maximizam sua satisfação. Portanto. percebemos que qualquer cesta situada à esquerda e abaixo da linha do orçamento não proporciona satisfação máxima ao consumidor. qual será a quantidade de bens demandada? Partimos da suposição de que os consumidores fazem suas escolhas de forma racional.4. ou seja. a cesta deve estar situada sobre a curva de indiferença mais alta com a qual a linha de orçamento tenha contato.4. você pode estar menos disposto a gastar hoje. b) renda do consumidor. Contudo. Preço do produto ou serviço Antes de introduzirmos a variável de análise preço. qual será o impacto do preço na quantidade demandada? A lei da demanda nos diz que.00 0. Porém não explicamos porque o consumidor escolheu aquela cesta. Provavelmente. você pode estar disposto a gastar parte de sua poupança consumindo.1. que estes preferiam cestas que estavam em curvas de indiferenças mais altas porque estas davam quantidades maiores de produtos. ou seja. porque sabemos que preços mais altos inibem o consumo e que preços mais baixos estimulam o consumo. Perceberemos mais adiante que tal fato nos mostrará a inclinação negativa da curva de demanda. quanto maior for o preço. se você espera a queda do preço de um determinado bem ou serviço para amanhã. Agora trataremos com mais profundidade as variáveis mais importantes que afetam a quantidade demandada. c) preço dos bens relacionados. a quantidade demandada diminui e vice-versa. a preferência do consumidor também é um determinante da demanda. sempre perguntamos pelo preço dele. Por exemplo. ao procurarmos determinados bens ou serviços. notamos que. ou seja. A fim de tornar mais claros os conceitos.Microeconomia Ao realizarmos as nossas compras.50 2. que são: a) preço do produto ou serviço. quanto menor o preço. vamos tratar de um conceito importante chamado de quantidade demandada.00 2.00 1. percebemos uma relação inversa entre preço e quantidade demandada. se houver uma variação no preço. à medida que o preço aumenta. Mantendo todas as outras variáveis constantes. psicológicos e sociais que estão fora do alcance do campo da economia. ao estudar o comportamento do consumidor. d) preferências. 2. Quando temos uma renda mais alta. os economistas não se aventuram a explicar as preferências das pessoas porque estas se baseiam em fatores históricos. Outra variável importante que gera um aumento ou redução no consumo é a renda do consumidor.00 Quantidade demandada de casquinhas de sorvete 12 10 8 6 4 2 0 149 EAD-10-ADM32 Tabela 3 – Esquema de demanda de Ana . O preço dos bens substitutos ou complementares ao que estamos adquirindo também interfere na quantidade demandada de um determinado bem. Preço da casquinha de sorvete $ 0. Ao estudarmos esse conceito.50 1. menor será a quantidade demandada e. Percebemos. trabalharemos com o seguinte exemplo: casquinhas de sorvete deliciosas consumidas semanalmente por Ana.50 3. não conseguimos explicar o porquê da escolha (preferência). estamos dispostos a gastar mais. Como vimos na discussão anterior. se você espera um aumento na sua renda a partir do mês que vem. Como comentamos no início deste capítulo. o mais importante. A quantidade demandada de um bem ou serviço é a quantidade que o consumidor planeja comprar em um dado período a um determinado preço. Notamos que as expectativas em relação ao futuro também podem afetar hoje a demanda por um bem ou serviço. Outro exemplo.5. o consumidor deverá adequar o seu consumo. ao passo que um nível de renda mais baixo reduz o consumo. culturais. maior será a quantidade demandada. Ao preço de $ 1.00 ela estará disposta a consumir 12 casquinhas. temos a seguinte representação da curva de demanda de Ana: Preço da casquinha 3. Traçamos um novo esquema de demanda.00 1. Tal fato pode produzir uma nova situação: o consumo de casquinhas de sorvete semanal pode aumentar em virtude do aumento na renda de Ana. Renda do consumidor A renda do consumidor certamente influencia a sua demanda para qualquer bem ou serviço que se esteja analisando. Ana consumirá 8 unidades. Note que o preço do produtor não sofrerá modificação.00. ao preço de $ 1. Graficamente.50 2.50 1. ela recebe uma promoção acompanhada de um aumento salarial na ordem de 100%. Utilizando novamente o exemplo do consumo de casquinhas de sorvete demandadas por Ana. Ana não estará disposta a consumir casquinhas de sorvete.50 1.00 3.Microeconomia De acordo com o esquema de demanda de Ana. vamos imaginar que ela tenha uma remuneração semanal de $ 100. seu salário passa a ser de $ 200. a $ 2.00.2. Preço da casquinha de sorvete $ 0.50 Quantidade demandada de casquinhas de sorvete 16 14 12 10 8 6 4 0 Tabela 4 – Esquema de demanda de Ana com aumento de renda 150 .00 0. Quando o preço aumentar para $0.00 1.00 2.50 3.50 consumirá 2 unidades e quando o preço chegar a $ 3.00.50 consumirá 6 unidades. Portanto.00 por semana. Somente a quantidade demandada é que irá aumentar. Dada sua competência e esforço. quando o preço da casquinha de sorvete for $ 0.50 a quantidade demandada cairá para 10 unidades.50 2. a $ 2.5.00 0.00 2.50 0 2 4 6 8 10 12 Quantidade demandada de casquinha Gráfico 6 – Curva de demanda de Ana 2.00 consumirá 4 unidades. Microeconomia Preço da casquinha 3.00. Por exemplo. Por exemplo.50 1. ele pode passar a ir de moto (que ele compra em virtude do aumento do salário) e deixar de usar o transporte coletivo. a 151 EAD-10-ADM32 .50 0 2 4 6 8 10 12 Quantidade demandada de casquinha renda = $100 renda = $200 Gráfico 7 – Nova curva de demanda de Ana com aumento de renda No gráfico 7.00 semanais e a nova curva de demanda com uma renda semanal de $200. contrafilé). será que todos os bens e serviços têm seu nível de consumo (demanda) elevado por conta de aumentos na renda? A resposta para essa pergunta é não. os bifes de segunda podem ser considerados como bens inferiores. 2. Contudo.00 1.50 2. podemos ver a representação gráfica da nova demanda de Ana por casquinhas de sorvete. Bens normais e bens inferiores Ao pensarmos em aumentos do nível de renda. se levarmos o vinagre para tempero ficaremos igualmente satisfeitos. 2. se o nível de preços do limão aumentar.5. sabemos que.3.5. Preço dos bens relacionados O preço dos bens substitutos ou complementares também interfere na quantidade demandada de um determinado bem. A relação entre a renda e a demanda depende do bem que está sendo analisado. são melhores do que aquele que ele antes costumava comprar. Um consumidor acostumado a consumir bifes de segunda recebe um aumento salarial e com isso passa a consumir bifes de primeira. Por exemplo.00 0. Bens substitutos são aqueles que substituem satisfatoriamente o que nós desejaríamos adquirir. um bem normal é um bem para o qual um aumento na renda provoca um aumento na quantidade demandada. As setas demonstram o sentido do deslocamento da curva de demanda em decorrência do aumento da renda do consumidor.00 2. Outro exemplo de bens inferiores são os bifes de segunda (acém) em relação aos de primeira (alcatra. Também podemos observar duas situações no gráfico: a demanda por casquinhas de sorvete com a renda de $ 100. se um trabalhador vai de ônibus para o trabalho e em determinado momento recebe uma promoção com elevação do nível de renda. as passagens de ônibus são consideradas como bem inferior. precisamos comprar limão para temperar a salada. uma pergunta pode nos parecer crível. Utilizando a lei da demanda. Nesse caso. Já um bem inferior é aquele cuja quantidade demandada diminui quando a renda aumenta.4. Ao pensarmos em um bem inferior temos que associá-lo à ideia de que existem produtos similares ou substitutos que. mas não encontramos esse produto no supermercado. para o consumidor. Portanto. 5.5.50 3. O exemplo do arroz e do feijão nos mostra que.6. A título de exemplo. persuasivo ou recordativo. esse veículo da mídia tem um faturamento de bilhões. confirma nossa ideia do grande impacto na vida do consumidor. A divulgação de pesquisas sobre as propriedades benéficas e prejudiciais de determinados alimentos refletem sobre a demanda. por que era consumido conjuntamente com o arroz. consideraremos que um mercado é formado por duas pessoas. apresentamos um esquema de demanda individual. balas e doces em excesso na juventude pode passar a consumir alimentos mais saudáveis na idade adulta.00 0.50 2. para analisarmos o comportamento do mercado.50 1. A demanda de mercado Ao estudarmos a demanda por casquinhas de sorvete de Ana. precisamos do somatório de todas as demandas individuais por um dado bem ou serviço. assim como aumentaram o consumo dos produtos farmacêuticos. para os brasileiros. Ana e Joana. Como foi dito no início do texto. à faixa etária e a experiências que o indivíduo tenha acumulado. 2. Definindo bens complementares temos: aumentos no preço do bem A provocam uma redução na quantidade consumida do bem B. As preferências Até aqui percebemos que o comportamento dos consumidores parece ser guiado por variáveis econômicas. de certa forma.Microeconomia quantidade demandada desse bem irá se reduzir e consequentemente a demanda por vinagre irá aumentar. as preferências são fatores ligados ao nível cultural. Sabemos que nossos gostos mudam ao longo de nossa vida.5. 2. Um adolescente que consome refrigerante. Ocorre que. terá sua quantidade demandada diminuída. De qualquer forma.00 1. Já os bens complementares são aqueles consumidos conjuntamente. Ela pode ter um caráter informativo. e a soma de suas demandas individuais nos fornecerá a demanda de mercado. social.00 Tabela 5 – Esquema de demanda de mercado Ana 12 10 8 6 4 2 0 Joana 7 6 5 4 3 2 1 Mercado 19 16 13 10 7 4 1 152 . Preço da casquinha de sorvete $ 0. Aumentos no preço do arroz diminuem a quantidade demandada deste bem e o feijão. o que. educacional. A propaganda também tem se mostrado bastante eficiente para interferir no comportamento do consumidor.00 2. Informações sobre os benefícios de determinadas vitaminas como a C provocaram um aumento na demanda por produtos que contém essa vitamina. A definição de bens substitutos é a seguinte: um bem é considerado substituto quando aumentos no preço do bem A elevam a quantidade demandada do bem B. um bem não pode ser consumido sem o outro. Joana e do mercado (união da demanda de Ana e Joana).00 1.00 0.50 1.Microeconomia Esse esquema nos mostra que a demanda de mercado deriva das demandas individuais e a quantidade demandada no mercado depende dos fatores que influenciam a quantidade demandada dos compradores individuais.00 2. Sabemos que essa quantidade demandada depende não somente do preço do bem como também da renda. No nosso exemplo. das preferências assim como dos preços dos bens relacionados.00 2. Preço da casquinha 3. Ao considerarmos a demanda do mercado temos que levar em conta o número de compradores.50 2.00 0.00 1.50 0 2 4 6 8 10 12 Quantidade demandada de casquinha Gráfico 8 – Curva de demanda individual de Ana Preço da casquinha 3. Caso outros compradores passem a fazer parte desse mercado. teremos uma quantidade demandada maior.50 2.50 1. Os gráficos a seguir mostram a demanda correspondente ao consumo de Ana.50 0 1 2 3 4 5 6 7 Quantidade demandada de casquinha Gráfico 9 – Curva de demanda de Joana EAD-10-ADM32 153 . temos Ana e Joana como compradoras de casquinhas de sorvete. A demanda de mercado é a soma de todas as demandas individuais.00 1. a curva de demanda tem uma inclinação negativa. Os preços dos produtos relacionados têm impacto na demanda da seguinte maneira: para os bens substitutos. Aprendemos que as curvas de indiferença representam todas as combinações de bens e serviços que produzem o mesmo grau de satisfação e possuem inclinação negativa As linhas do orçamento representam todas as combinações de mercadorias com as quais os consumidores gastariam toda sua renda. os consumidores escolhem as melhores opções. Como nosso objetivo é analisar o funcionamento do mercado.50 2.50 1. Conclusão Neste capítulo aprendemos que a escolha do consumidor baseia-se na premissa de que as pessoas se comportam de modo racional na tentativa de maximização de sua satisfação a qual podem obter por meio da aquisição de uma combinação de bens e serviços. As preferências e as expectativas também são determinantes da demanda e mudanças nesses determinantes deslocam a curva de demanda. Ou seja. aumentos no preço do bem A produzem aumentos na quantidade do bem B e para os bens complementares. A lei da demanda nos diz que aumentos no preço reduzem a quantidade demandada e que redução nos preços tem o efeito inverso. No que se refere à demanda. aumentos no preço do bem A reduzem a quantidade demandada do bem B.Microeconomia Preço da casquinha 3. Observamos também que a renda influencia na quantidade demandada.50 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 Quantidade demandada de casquinha 19 Gráfico 10 – Curva de demanda de mercado Note que somamos as curvas de demanda individual na horizontal para obtermos a curva de demanda de mercado. As linhas orçamentárias podem se deslocar para a direita. dada uma determinada renda. significando uma redução da renda do consumidor. O consumidor pode fazer sua escolha com base na preferência e na restrição orçamentária.00 2. Como a relação entre preço e quantidade demandada é inversa.6. mostrando um aumento da renda e podem se deslocar para a esquerda.00 0. Aumentos de renda fazem com que as pessoas consumam mais dos bens normais e menos dos bens inferiores. este capítulo nos mostrou que sua curva depende do preço do produto. 154 . 2. trabalharemos com a curva de demanda de mercado. São Paulo: Atlas.T. 2) Defina quantidade demandada e lei da demanda. Microeconomia: teorias e aplicações. Rio de Janeiro: Campus. Microeconomia. Economia: micro e macro. G. A. N. EAD-10-ADM32 155 . Introdução à economia: princípios de micro e macroeconomia.G. Tradução da 2. A. S. ed. São Paulo. ed. et al.S e RUBINFELD. J.” Exercícios propostos 1) Como um consumidor típico faz suas escolhas? Justifique sua resposta. 2006. o aluno poderá realizar a leitura de um texto adicional inserido na obra de Pindyck (2006). Economia: fundamentos e aplicações. WESSELS.1. MANKIW. Complementando o estudo deste capítulo. Manual de economia. PINHO.B. PINDYCK. R. ed. S. M. A.J. M.Microeconomia Expandindo conhecimentos A fim de ampliar os conhecimentos adquiridos nessa aula. São Paulo: Saraiva. 2002. D. Introdução à economia. São Paulo: Saraiva. o aluno deverá fazer uma reflexão sobre a colocação do autor utilizando os conceitos da teoria do consumidor. Depois da leitura. 2004. 5. 3) Quais são os determinantes da demanda? Como eles interferem na quantidade demandada? 4) O que é bem normal e bem inferior? 5) O que são bens substitutos e bens complementares? Referências bibliográficas GREMAUD. 2007. W. capítulo 4. Pearson Prentice Hall. 2002. São Paulo: Prentice Hall. Outro texto complementar se encontra em Gremaud (2007) no item “Deu na imprensa 2. o aluno poderá consultar o estudo de caso do livro do Mankiw (2001). São Paulo: Atlas. 3. D.L.M. 2004. 2001. e Vasconcelos. VASCONCELOS. sobre duas maneiras de reduzir a quantidade demandada de tabaco. Equipe de Professores da USP. O título do texto é “Dinheiro compra felicidade?”. MENDES. Microeconomia 156 . Microeconomia 3 – O produtor e a oferta Conteúdo • • • • • • 3.5.1. EAD-10-ADM32 157 .4. estudar como as empresas organizam sua produção e como seus custos variam à medida que ocorrem alterações no preço dos insumos e nos níveis de produção. Produção com dois insumos variáveis 3.6. Decisão das empresas quanto à produção 3. ou seja. A análise da oferta 3. Conclusão Objetivos • Analisar o comportamento dos produtores. Produção com um insumo variável (trabalho) 3.3.2. A função de produção 3. tivemos por objetivo trabalhar com a demanda do mercado. para isso. Com isso. pois as decisões das empresas quanto à produção são análogas às decisões dos consumidores Para isso. Compreendendo esse processo denominado de teoria da firma ou da produção. carros. que uma empresa busca a maximização de seus lucros e.Microeconomia Introdução No capítulo anterior. Este capítulo. Vamos retomar o exemplo do segundo capítulo em que tínhamos o consumo de sorvete. os consumidores podem escolher uma combinação de bens para maximizar sua satisfação. existem infinitas combinações dos fatores produtivos. nós dividimos a tarefa em três etapas. Para as empresas. os produtores também podem escolher diversas combinações dos fatores produtivos para maximizar sua produção. Sabemos. máquinas de lavar roupa). Explicamos inicialmente como descrever as preferências dos consumidores e. em um segundo momento. isto é. o aluno estará apto a entender as características da oferta e do mercado. Vamos admitir que existam pessoas dispostas a fabricar esse delicioso produto e a ofertá-lo no mercado. construir novas fábricas ou ambos? Será que cada fábrica deverá produzir diferentes modelos ou cada modelo deverá ser produzido em uma fábrica separada? Quais são os custos que essa empresa deve esperar para o próximo ano? De que forma tais custos poderiam variar ao longo do tempo e como poderiam ser influenciados pelo nível de produção? 3. enfocando a teoria da produção e a oferta. as empresas se deparam 158 . Um produtor pode. Agora. limitando o seu consumo. ela deve tomar decisões de produção com base na minimização de seus custos. Entendemos que.1. dadas as preferências e as restrições orçamentárias. as empresas estão interessadas em responder questões tais como: quantos equipamentos e quanta mão de obra deverão ser empregados em novas fábricas de automóveis? Caso haja um planejamento da empresa em aumentar a produção. veremos o modo pelo qual as empresas organizam sua produção e como seus custos variam à medida que ocorrem alterações no preço dos insumos e nos níveis de produção. Nossa tarefa agora se concentra em analisar o comportamento dos produtores. utilizando os fatores de produção capital e trabalho. da mesma forma com que os consumidores escolhem determinadas cestas de bens para que essas lhes tragam máxima satisfação. enfocando o lado dos consumidores. É importante lembrarmos que. Normalmente. Ele pode optar por duas situações: empregar mão de obra intensiva (muitos trabalhadores) e pouco capital (maquinário) ou pode fazer o oposto. abordaremos inicialmente a tecnologia da produção que descreve de modo sucinto como os insumos (capital. será desenvolvido seguindo os mesmos passos. Decisão das empresas quanto à produção Para estudarmos o comportamento do consumidor no segundo capítulo. produzir 6. Por fim. por definição apresentada no primeiro capítulo. o objetivo é dar maior profundidade à análise. ela deverá contratar mais trabalhadores. isto é. consideramos o fato de uma pessoa possuir uma restrição orçamentária. vimos que. entre esses extremos. geladeiras. é de fundamental importância que ela controle os seus custos uma vez que será esse controle que permitirá que ela tenha lucros maiores. trabalho e matéria-prima) podem ser transformados em produtos finais (por exemplo.000 kg de sorvete por mês. Esse conceito não nos é desconhecido dado que trabalhamos com eles no primeiro capítulo do curso. por exemplo. utilizar muito capital (muitas máquinas) e pouco trabalho (mão de obra). a sorveteria fosse localizada em uma praia cubana em que a mão de obra local se encontrasse em abundância e que o nível salarial fosse baixo. percebemos a importância do preço dos fatores de produção que pode viabilizar ou inviabilizar a produção.3.L) Interpretando a equação. Utilizamos a título de ilustração o exemplo da sorveteria. Desse modo temos: q= f (K. No exemplo da sorveteria. Por isso é de grande importância a escolha dos insumos. os fatores de produção são tudo aquilo que a empresa utiliza no processo produtivo. o trabalho. Podemos nos perguntar: mas será que tal situação é factível? Na verdade. o objetivo é verificarmos o aumento da produção em virtude do aumento do insumo trabalho. Quando estudamos o comportamento dos consumidores percebemos que eles estavam sujeitos a um orçamento limitado.000 m2 e 400 trabalhadores ou mesmo a colheita de uma fazenda que possui maquinário e trabalhadores. Podemos expressar essa relação entre os insumos do processo produtivo e o produto final em uma função de produção. as empresas estão restritas aos custos. no nosso caso. a empresa precisará levar em conta o preço dos insumos e decidir a quantidade que será utilizada de cada um deles. Uma questão importante para as empresas está centrada na decisão do quanto produzir. EAD-10-ADM32 159 . Ambos os fatores podem variar de acordo com a necessidade da empresa. Para a produção. A função de produção indica o produto máximo (volume de produção) que uma dada empresa produz para cada combinação de insumo específica. 3. leite. Concentrar-nos-emos mais especificamente nos insumos capital (K) e trabalho (L) mesmo considerando que as empresas utilizem inúmeras matérias-primas. A ideia agora é trabalharmos com um fator de produção fixo (no caso. ou seja. Assim como os consumidores levam o preço em consideração quando vão fazer suas escolhas de consumo. Observamos que. Produção com um insumo variável (trabalho) A função de produção nos diz que a produção total está em função do capital e do trabalho. No entanto. Essa escolha dependerá das condições que se configuram para a empresa.2. do mesmo modo. Nossa empresa produtora de sorvete irá buscar produzir mais a um custo total menor. A função de produção Como vimos no capítulo introdutório. a empresa levará em consideração seu nível tecnológico e o preço dos insumos.Microeconomia com as restrições de custos. temos que a produção é uma função do capital e do trabalho. o capital) e o outro variável. os produtores poderiam preferir contratar mais trabalhadores e não comprar tantas máquinas. usariam o fator de produção trabalho de forma intensiva (devido aos baixos custos) e utilizariam menos do fator de produção capital (maquinário). essências) o trabalho (mão de obra dos trabalhadores) e o capital (maquinário) sendo utilizados. Se. poderíamos ter a produção de móveis domésticos considerando uma fábrica que tenha 1. 3. Pensando assim. temos os insumos matéria-prima (açúcar. provocando redução na produção. mas não menos importante. O produto médio (q/l) mostra a produção média de cada trabalhador. a única forma de aumentarmos a produção é contratar mais trabalhadores. apresentamos o conceito de produto marginal que mostra o aumento na quantidade produzida em virtude do aumento de um trabalhador adicional. A análise da tabela nos permite afirmar que à medida que mais trabalhadores são contratados. Um número de funcionários acima desse comprometerá a produção da sorveteria. enquanto cinco ou mais trabalhadores se atrapalhariam mutuamente. Retomando o exemplo da sorveteria. maior será a produção total. Agora. A tabela nos mostra que esse produto marginal é crescente até o terceiro trabalhador. mostrando que o aumento de mais trabalhadores não trará acréscimo na produção. ele se reduz. o recurso produtivo trabalho deve ser aumentado.Microeconomia A tabela a seguir nos fornecerá os dados necessários para nossa análise. Quantidade de trabalho 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Quantidade de capital 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 Produto total (q) 0 10 30 60 80 95 108 112 112 108 100 Produto médio (q/l) ___ 10 15 20 20 19 18 16 14 12 10 Produto marginal ∆q/∆l ____ 10 20 30 20 15 13 4 0 -4 -8 Tabela 1 – Produção de sorvete com um insumo variável Percebemos que. Isto pode ser observado até o oitavo trabalhador. Após esse ponto. Depois de feita essa análise das variáveis produto médio e produto marginal. o produto médio tende a ser decrescente o que nos mostra que quatro trabalhadores podem produzir eficientemente. o número máximo de trabalhadores que ele deverá contratar é três. Resumindo os conceitos temos: Produto médio do trabalho = produto total/insumo trabalho = q/l Produto marginal do trabalho = variação do produto total/variação do insumo trabalho = ∆q/∆l 160 . ou seja. O nono e o décimo farão com que a produção total diminua ao invés de aumentar. se o objetivo for aumentar a produção com o fator produtivo capital constante. o empresário deste empreendimento pode tomar uma importante decisão. o maquinário. A partir do quarto. Ao fazermos essa escolha. percebemos que o ponto em que a empresa estará maximizando a produção é com três trabalhadores. Caso o capital seja fixado em dez. estamos tomando uma decisão importante para a empresa porque ela determinará a quantidade a ser produzida. quando o capital é fixo. Essa variável aumenta até o quarto trabalhador. Por fim. terá uma produção de 40. A ideia da função de produção é que a empresa possa produzir com combinações diferentes de capital e trabalho. teremos aumento da produção (observar aumentos na coluna). Note que. Se o empresário da sorveteria decidir utilizar 3 unidades de trabalho e 2 unidades de capital. conseguiria produzir por ano 75.Microeconomia 3. apresentamos um mapa de isoquantas para descrever a função de produção. A tabela 2 relaciona os volumes de produção alcançáveis por meio de várias combinações de insumos. a produção irá aumentar (observar aumentos na linha). várias combinações entre trabalho e capital podem ser feitas.000 kg de sorvete.4. observamos uma produção de curto prazo na qual tínhamos o capital (K) fixo e o trabalho (L) variável. se fixarmos o trabalho em 1 unidade e deixarmos o capital variar.000 kg de sorvete. Produção com dois insumos variáveis Na análise anterior. Demonstrando graficamente os dados da tabela 2. se fixarmos o capital em 1 unidade e mantivermos o insumo trabalho variável. percebemos que o empresário pode escolher a combinação mais adequada ou desejada de produção. Continuaremos utilizando o exemplo da sorveteria e examinando a tecnologia de produção da empresa quando ela utiliza dois insumos e suas combinações. Capital do mês 5 4 3 2 1 EAD-10-ADM32 E A B C q3 = 90 D q2 = 75 q1 = 55 Trabalho por mês 0 1 2 3 4 5 Gráfico 1 – Mapa de isoquantas 161 . De acordo com esses dados. Caso o empresário desejar empregar 1 unidade de capital e 2 unidades de trabalho. Analisaremos agora uma produção com os dois insumos variáveis que ocorre a longo prazo. Com isto. Da mesma forma. Capital/ trabalho 1 2 3 4 5 1 20 40 55 65 75 2 40 60 75 85 90 3 55 75 90 100 105 4 65 85 100 110 115 5 75 90 105 115 120 Tabela 2 – Produção com dois insumos variáveis Percebemos que o insumo trabalho encontra-se relacionado na linha enquanto que o fator de produção capital na coluna. nosso negócio será menos lucrativo e produziremos menos sorvete. O mesmo raciocínio se aplica ao ponto B. 3. c) tecnologia. O ponto C apresenta a combinação de 3 unidades de capital com 3 unidades de trabalho e o ponto E representa a combinação de 5 unidades de capital com 2 unidades de trabalho produzindo 90 unidades de produto (isoquanta q3). Agora trataremos com maior profundidade as variáveis que influenciam a oferta. A relação que se estabelece entre preço e quantidade oferecida é denominada de lei da oferta. mas dessa vez seremos os produtores de sorvete semanalmente fabricado. procuraremos agora demonstrar a relevância do papel do produtor a fim de compreendermos como seu comportamento. O que irá determinar a quantidade de sorvete que nós iremos vender no mercado? 3. b) preço dos insumos. Vamos imaginar que nós administremos uma sorveteria que produz e vende sorvetes. nesse caso.1. 162 . q2 e q3 percebemos que quanto mais à direita e acima elas estiverem. Preço dos bens ou serviços Como foi dito anteriormente. Como somos vendedores de sorvete. São elas: a) preço do produto ou serviço. Se o preço do sorvete for baixo. irá ofertar mais sorvete. Ao observarmos as isoquantas q1. Do mesmo modo que fizemos no capítulo anterior com a demanda. os empresários podem auferir lucros maiores e. percebemos uma relação inversa entre preço e quantidade demandada. por objetivo maximizar seus lucros. combinação de 1 unidade de capital com 3 unidades de trabalho. maior será a produção porque.Microeconomia Cada isoquanta mostra as diversas combinações de capital e trabalho utilizados pela empresa a fim de se gerar uma determinada quantidade produzida. trabalhamos muitas horas. Quando o preço é alto. Tal fato será responsável pela inclinação positiva da curva de oferta. em que 3 unidades de capital mais 2 unidades de trabalho produzem 75 unidade de produção (isoquanta q2). o preço do sorvete é um dos determinantes da quantidade oferecida. para os economistas e também para os empresários. Ao observarmos esses dados na tabela 2. Observamos no mercado que a quantidade oferecida aumenta à medida que o preço aumenta e cai quando o preço se reduz. A primeira isoquanta q1 mostra o ponto A que é uma combinação de 3 unidades de capital com 1 unidade de trabalho e o ponto D. mais unidades de capital e trabalho serão utilizadas. A análise da oferta No início deste capítulo falamos sobre a teoria da firma que nos mostrou que as empresas convivem com seus custos e tem. seus objetivos e suas decisões acabam se tornando de interesse para os analistas de mercado. contratamos muitos funcionários e compramos máquinas. A quantidade oferecida de qualquer bem ou serviço é a quantidade que os vendedores estão dispostos ou podem vender. Trabalharemos com o exemplo do sorvete que tratamos no capítulo anterior.5. percebemos que ambos os pontos produzem uma quantidade de 55 unidades. d) expectativas.5. portanto. Estudando esse conceito. Isso acontece porque o produtor tem por objetivo gerar lucro com seu negócio e ao preço de $ 0. açúcar. percebemos que pelo preço de $ 0.00 0. participando como produtores.00 1. situação em que os alunos também entrarão. Preço dos insumos Na produção de nosso sorvete.00 0.50. duas casquinhas de sorvete são oferecidas.5. analisaremos a oferta de mercado.00 não há receita para cobrir os custos de produção. a professora Erika continua não ofertando nenhuma casquinha de sorvete pelo fato de a receita ainda não cobrir os custos de produção. a professora Érika será a primeira ofertante de sorvete.2.00 Tabela 3 – Esquema de oferta da professora Erika Quantidade ofertada de casquinha de sorvete 0 0 1 2 3 4 5 De acordo com o esquema de oferta de sorvete. temos a seguinte representação: Preço da casquinha 3.50.00. Preço da casquinha de sorvete $ 0. quatro casquinhas e a $ 3.00 2.50 0 2 4 6 8 10 12 Quantidade ofertada de casquinha Gráfico 3 – Curva de oferta da professora Erika 3.00 2. Já ao preço de $ 1. porque a oferta é individual. EAD-10-ADM32 163 . Ao preço de $ 1. máquinas para fabricar sorvete. a $ 2. o prédio onde funciona a sorveteria e o trabalho dos funcionários que misturam o sorvete e operam as máquinas.00.50 1.00.50 2. essências. Graficamente.00 1. Posteriormente.50 1.50.50 3. diversos insumos são utilizados: creme de leite. uma casquinha de sorvete é ofertada no mercado.Microeconomia Neste exemplo. Ao preço de $ 0. a $ 2. a professora Erika não está disposta a ofertar nenhuma casquinha de sorvete.00 cinco casquinhas são ofertadas no mercado.50 2. três casquinhas. 00 2. Preço da casquinha 3.Microeconomia Quando o preço de um ou mais insumos aumenta. Vamos imaginar que o preço do açúcar se reduza no mercado. o custo de produção do sorvete se reduz e isso permitirá à professora Érika aumentar a produção ou ela poderá produzir a mesma quantidade a custos mais baixos. o produtor de sorvete decide oferecer menos sorvete porque seus custos aumentaram. um deslocamento da curva de oferta para a direita.50 0 2 4 6 8 10 12 Quantidade ofertada de casquinha Gráfico 4 – Deslocamento da curva de oferta: redução no custo do açúcar 164 .00 2. Concluímos com isso que há uma relação negativa entre o preço dos insumos e a quantidade oferecida. O gráfico abaixo mostra essa situação. ou seja.00 0. mostrando que houve uma expansão.50 1. torna-se mais caro para o produtor produzir o sorvete e.50 2. Preço da casquinha 3.50 1.00 1. deslocando-se para a esquerda. Contudo.50 2. então. Observamos. A tendência é que a fábrica oferte menos produtos. O raciocínio é o seguinte: uma elevação no preço dos insumos não altera o preço do produto final. A curva de oferta mostra uma restrição. menos lucrativo.00 1. portanto.50 0 2 4 6 8 10 12 Quantidade ofertada de casquinha Gráfico 3 – Deslocamento da curva de oferta: aumento no custo do açúcar A situação inversa também é factível.00 0. Como resultado. reduções no preço dos insumos aumentam a quantidade ofertada. 50 EAD-10-ADM32 Quantidade ofertada de casquinha de sorvete da professora Erika 0 0 1 2 3 4 5 Quantidade ofertada de casquinha de sorvete do aluno de administração 0 0 0 2 4 6 8 Quantidade ofertada de casquinha de sorvete do mercado 0 0 1 4 7 10 13 3. Imagine ainda que esse mercado seja composto somente por esses dois produtores. 3. Vamos imaginar que a professora queira ampliar o seu negócio e decida convidar um aluno para a sociedade. nós estocaremos parte do sorvete que está sendo produzido e ofereceremos menos hoje. A invenção de máquinas permite que a quantidade de trabalho seja reduzida e que o tempo seja mais bem aproveitado.50 1. Temos. Preço da casquinha de sorvete $ 0. a professora Erika e o aluno de administração. A oferta de mercado Estudamos no início do capítulo a oferta de sorvete individual da professora Erika. Expectativas A quantidade de sorvete que nós iremos oferecer hoje pode depender de nossas expectativas em relação ao futuro. Se esperamos que o preço do sorvete aumente no futuro. Tecnologia O avanço tecnológico permite que os insumos e os fatores produtivos sejam aproveitados com maior eficiência.Microeconomia 3.00 0.00 1.4. Preço da casquinha 3.00 1.00 2.00 165 . Com isso.5.5.50 2.50 2.50 0 2 4 6 8 10 12 Quantidade ofertada de casquinha Gráfico 5 – Deslocamento da curva de oferta: aumento de tecnologia 3. os produtores podem ofertar mais sem aumentos no nível do preço. então.00 2.50 1. Tal fato desloca a curva de oferta para a direita.00 0.3. gerando ganhos de produtividade. o seguinte esquema de oferta.5.5. Percebam novamente que somamos as curvas de oferta individual na horizontal para obtermos a curva de oferta do mercado. qualquer que seja o preço. Os gráficos a seguir mostram a oferta correspondente à professora Erika. a situação é a mesma. mais alta será a curva de oferta.50 1. a oferta de mercado é a soma das ofertas individuais.50 2 4 6 8 10 12 Quantidade ofertada de casquinha Gráfico 6 – Curva de oferta da professora Érika Preço da casquinha 3.50 2. mostramos que a demanda de mercado é o somatório das demandas individuais. quanto maior o número de ofertantes.00 0.00 1. preço dos insumos. Devemos nos lembrar que a oferta individual é determinada pelas variáveis preço.00 1. tecnologia e expectativas. Preço da casquinha 3. o esquema da professora Erika aponta o quanto ela oferece de sorvete e o do aluno.50 1. o quanto ele oferece.00 2. Ao considerarmos a oferta de mercado.50 2 4 6 8 10 12 Quantidade ofertada de casquinha Gráfico 7 – Curva de oferta do aluno de administração 166 . Nossa tabela mostra que. Como resultado. temos a oferta de mercado.00 0. a variável número de produtores deve ser incorporada.50 2. ao aluno e ao mercado (soma da oferta da professora Erika e do aluno).Microeconomia No capítulo anterior. ou seja. Isso porque. No caso da oferta.00 2. 00 0. a quantidade oferecida também aumenta e a redução do preço provoca o efeito contrário. a tecnologia e as expectativas influenciam a oferta.6. Como a relação entre o preço e a quantidade ofertada se apresenta positiva. 2. Economia: micro e macro. No curto prazo. Outros fatores como o preço dos insumos.50 1.50 2. também aprendemos que a curva de oferta mostra que a quantidade oferecida de um bem depende do preço. a curva de oferta se desloca.Microeconomia Preço da casquinha 3. EAD-10-ADM32 Como um produtor escolhe quanto irá produzir? Com base em que. Exercícios Propostos 1.00 2. Defina quantidade ofertada e lei da oferta. Introdução à economia: princípios de micro e macroeconomia e o do Vasconcelos. Conhecemos as isoquantas que são as curvas que mostram todas as combinações de insumos que resultam em um determinado nível de produção. quando o preço de um produto aumenta. Caso algum desses determinantes se altere. Quais são os determinantes da oferta? Como eles interferem na quantidade ofertada? 167 . aprendemos que uma função de produção mostra as diferentes combinações de insumos que uma empresa pode obter. a inclinação da reta é ascendente. Neste capítulo. A lei da oferta nos diz que. 4. A oferta de mercado é a soma das ofertas individuais. 3. Expandindo conhecimentos O aluno que tiver interesse em ampliar e aprofundar o estudo sobre a teoria da firma deve procurar o livro do Pindyck citado na bibliografia. ele faz suas escolhas? Explique em que se constitui a função de produção. um ou mais fatores são fixos enquanto que no longo prazo todos os insumos podem variar. Conclusão Neste capítulo.00 1. Os alunos que desejarem ampliar seus conhecimentos sobre a oferta podem consultar o livro do autor Mankiw.50 2 4 6 8 10 12 Quantidade ofertada de casquinha Gráfico 8 – Curva de oferta do mercado 3. e RUBINFELD. S. Economia: fundamentos e aplicações. 2001. ed. 2007. ed.G.B. PINHO. D.T.L.. 2002. São Paulo: Prentice Hall. N. 2002. Rio de Janeiro: Campus. 168 . W. Introdução à economia. Equipe de Professores da USP. A.Microeconomia Referências bibliográficas GREMAUD. São Paulo: Saraiva. 2004. VASCONCELOS. G. Introdução à economia: princípios de micro e macroeconomia. Microeconomia: teorias e aplicações. PINDYCK.J. A. MANKIW. A. tradução da 2. J. São Paulo: Atlas. WESSELS. M. 5. S. São Paulo: Atlas. 2006. Microeconomia. D.S. MENDES. São Paulo: Pearson Prentice Hall.M. ed. São Paulo: Saraiva. M. et al. Economia: micro e macro: 3. R. 2004 VASCONCELOS. Manual de economia. 3 Políticas públicas nos monopólios 4. Estruturas de mercado 4. • Estudar o modelo de concorrência perfeita.4. Concorrência monopolística 4.2.Microeconomia 4 – Estruturas de mercado Conteúdo • • • • • • 4. Conclusão Objetivos • Abordar os aspectos do mercado onde a demanda e a oferta atuam em conjunto e simultaneamente com a finalidade de estabelecer o preço. Oligopólio 4. destacando-se o monopólio.6. o oligopólio e a concorrência imperfeita ou monopolística.1.5. Características do mercado 4. • Apresentar outras estruturas econômicas. • Estudar as características das estruturas de mercado. EAD-10-ADM32 169 . A formação do preço é dada pela interação da curva de oferta e de demanda. tipo de produto. 170 . Vamos falar um pouco mais sobre elas. a possibilidade de se substituir o consumo de um bem por outro semelhante. Neste capítulo.2. c) Transparência de mercado: mostra a disponibilidade de informações sobre o mercado. 4. devemos adotar algumas premissas que caracterizam esse modelo: a) O mercado é composto por um grande número de produtores e compradores de forma que o movimento isolado dos mesmos não é capaz de alterar o preço do produto. mostrando que todas as informações sobre lucros e preços são conhecidas por todos os seus participantes. tanto para os agentes que estão nele como para aqueles que estão fora dele.Microeconomia Introdução Nos capítulos anteriores. o oligopólio e a concorrência imperfeita ou monopolística. No exemplo dado no capítulo 2. c) Há transparência no mercado. aprendemos os conceitos básicos do funcionamento do mercado. da oferta e da demanda. Para que isso ocorra. ou seja. Novas empresas de posse de algumas informações podem decidir abrir novos negócios. em uma economia capitalista. Aprendemos também a importância e a interação de cada um dos agentes econômicos. Concorrência perfeita Vimos nos capítulos anteriores que. Veremos também que existe uma estrutura modelo denominada de concorrência perfeita e. As estruturas de mercado dependem fundamentalmente de quatro características: tamanho do mercado. d) Não existem barreiras ao ingresso de novas empresas no mercado. 4. o mercado deve operar livremente ao sabor das forças de mercado. estudando o lado dos consumidores (demanda) e o lado dos produtores (oferta).2. Características do mercado Podemos dizer que os mercados são analisados de acordo com as seguintes características: a) Tamanho de mercado: o mercado é determinado pelo número de compradores e de vendedores. o consumidor era indiferente a usar o limão ou o vinagre para temperar a salada. b) Tipo de produto: essa característica representa o grau de diferenciação do produto. isto é. isto é. não existe diferenciação entre os produtos ofertados pelas empresas concorrentes. b) Os produtos são homogêneos. O modelo de concorrência perfeita mostra alguns mercados específicos em que existe a concorrência com muitos compradores e vendedores que não podem isoladamente alterar o preço do produto. abordaremos os aspectos do mercado onde a demanda e a oferta atuam em conjunto e simultaneamente com a finalidade de estabelecer o preço. transparência de mercado e mobilidade ou barreira à entrada.1. d) Barreiras à entrada: tal fato diz respeito à entrada ou à saída de novos agentes econômicos no mercado. Estruturas de mercado 4.1. a partir dela. consumidores e produtores. buscaremos mostrar que existem outras estruturas em que predominam o poder de mercado tais como o monopólio. 2. Nesse caso. Para analisarmos a concorrência perfeita. O principal fator que leva ao modelo de monopólio está nas barreiras à entrada. observamos uma transparência no mercado sobre a formação de preços e geração de lucros. c) os custos de produção tornam um único produtor mais eficiente do que um grande número de produtores. como. A quantidade produzida é limitada com o objetivo de manter o preço em alta e a concorrência se dá no nível dos consumidores. Assim.2. Essas barreiras têm as seguintes origens: a) um recurso-chave é exclusivo de uma única empresa. 4. o produto é homogêneo. a longo prazo. idêntico. que existem muitos compradores e muitos vendedores de forma que a tentativa de formação de preço por parte desses agentes isoladamente não terá sucesso. no mercado do trigo. Preço Oferta Equilíbrio Demanda Quantidade Outra característica da concorrência perfeita é que. Monopólio Como foi observado no modelo de concorrência perfeita. os monopólios surgem porque uma empresa é a única vendedora de seu produto que não tem substituto próximo. No monopólio. principalmente devido ao fato da homogeneidade dos produtos. podemos dizer que o monopólio apresenta características opostas. b) o governo concede a uma única empresa o direito exclusivo de produzir um determinado bem ou serviço.Microeconomia Podemos observar que poucos são os mercados que contemplam essas características. isto é. o trigo. Em segundo lugar. devemos checar cada uma das premissas citadas acima. há a presença de somente uma empresa que produz um produto sem semelhantes próximos. ou seja. por exemplo. Observamos. não há variações para o trigo. EAD-10-ADM32 171 . a empresa é capaz de determinar sozinha o preço do produto. um monopólio se mantém como único vendedor do seu produto porque outras empresas não podem entrar na concorrência. que o preço se forma em virtude da interação da curva de oferta e de demanda como mostra o gráfico a seguir. mas apenas os chamados lucros normais que representam a remuneração implícita do empresário. ou seja. esse tipo de estrutura parte do princípio que há um equilíbrio no mercado. não existirão impedimentos. Mais comumente encontramos os mercados das commodities agrícolas. não se observam lucros extras em que as receitas superam os custos. ou os consumidores se submetem às condições impostas pelos ofertantes ou terão que optar por não consumir o produto. Caso outras empresas desejarem participar desse mercado. Em terceiro lugar. Sendo assim. Como foi dito. Enquanto o produto não cair em domínio público. ela será a única a poder distribuir ou fornecer o produto para aqueles que necessitam nas imediações. As leis das patentes e dos direitos autorais também são formas de o governo tentar promover o bem estar da população. apesar de deter 80% do mercado mundial de diamantes. 4.2. a empresa é a única que detém a tecnologia apropriada para produzir aquele determinado bem. Podemos citar o Windows da Microsoft e os diamantes da DeBERRS. alguém que deseja utilizar esse sistema operacional terá que desembolsar o valor cobrado pela Microsoft.2. Podemos pensar no seguinte exemplo: vamos imaginar o mercado de água em uma pequena cidade do interior do Brasil. Os direitos autorais também são considerados uma forma de monopólio criado pelo governo dado que o autor da obra inédita é o beneficiado pela produção intelectual. Nesse caso. Caso exista somente um poço artesiano na região. eles dificilmente surgem por esse motivos porque as economias atuais são grandes e os recursos estão nas mãos de muitos proprietários. existe somente um vendedor que dispõe de um recurso que nenhuma outra pessoa possui.2.2. ela não tem concorrentes próximos o que a torna grande o bastante para exercer influência considerável sobre o preço mundial dos diamantes. Um bom exemplo são as patentes dos remédios que podem ficar de posse do laboratório por determinado tempo. Tal iniciativa tem a função de incentivar o processo de criação intelectual e científica tão importante para o desenvolvimento de uma nação. ou seja. Sabemos que. No caso da empresa. Um outro exemplo de monopólio é o da DeBEERS. ela passa a ter posse do registro. No caso das patentes. Nesse caso. o ambiente Windows foi originalmente desenvolvido por ela que o patenteou.Microeconomia Vamos falar agora sobre cada uma dessas barreiras. localizado nas terras de uma pessoa.2. Diferentemente da concorrência perfeita. no mercado de água apresentado.1. Após esse período se expirar. 4. Existem poucos exemplos para o mercado monopolista. no caso da Microsoft. Podemos pensar nos casos de bancos de dados de livre acesso que ficam disponibilizados aos pesquisadores ou ao público na Internet. Recurso-chave A primeira forma e a mais simples para o surgimento dos monopólios está no fato de uma única empresa ser a proprietária de um recurso-chave. Apesar de a propriedade exclusiva de um recurso-chave ser causa potencial da formação de monopólios. O fornecedor de água poderá cobrar o preço que desejar para ofertar o produto e pode controlar a quantidade no sentido de ofertar a preços mais altos ou mais baixos. somente esta empresa está autorizada a vender as licenças (permissões) para sua utilização. para facilitar a concentração da informação e o livre acesso a ela. Desse modo. o governo entende que somente uma empresa deve ser a responsável por isso. maior produtora mundial de diamantes. quando as empresas lançam no mercado um produto comprovadamente novo. Monopólios criados pelo governo Existem alguns casos em que o próprio governo concede a uma só empresa o direito exclusivo de vender algum bem ou serviço. o sal pode ser comercializado livremente por outras empresas. em que existem inúmeros vendedores participando do mercado e nenhum deles tem o poder isoladamente de controlar o preço. 172 . temos um mercado monopolista no qual o recurso-chave (água) está em poder somente de uma pessoa. As empresas operam com grandes plantas industriais. ao estudar o comportamento das empresas monopolísticas.2. o governo autorizou a operação dado que o objetivo das empresas era o de ganhar espaço no mercado financeiro internacional que passariam a ocupar a 16a posição. por exemplo. o CADE (Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico) pode intervir no sentido de garantir que uma empresa não possua uma grande fatia do mercado. Esse poder é dado ao governo através de uma legislação específica chamada de antitruste com a finalidade de garantir a competição nos mercados. A fim de evitar esse prejuízo. ou seja. os consumidores perdem a possibilidade da escolha e do pagamento de um preço que seja adequado a ele.2. as empresas fornecedoras de água das cidades. Percebemos que. Nesse caso. Aumento da competição com leis antitruste Nos casos de fusões entre empresas. Vamos falar um pouco sobre cada uma dessas medidas.3. por exemplo. o governo é chamado a intervir na economia e no caso mais específico dos monopólios pode tomar quatro medidas a saber: a) aumentar a competição com leis antitruste. ou seja. d) não fazer nada. b) regulamentar o comportamento dos monopólios. É uma situação na qual é mais eficiente ter somente uma empresa operando porque a concorrência aumentaria o preço final. o que implicaria em um aumento no custo de produção e consequentemente no fornecimento do produto.3. com elevadas economias de escala e custos baixos. 4.2. Essa lei também permite que o governo desmembre as empresas caso fique comprovado que passaram a ser líderes. é mais eficiente ter no mercado somente uma empresa ofertando o serviço de água. situação diferente da observada na concorrência perfeita quando a longo prazo só existem lucros normais.4.1. Para que haja a entrada de uma empresa concorrente. Existem alguns casos em que as empresas comprovam ao governo que a fusão será uma sinergia. 4. ao diminuir o quadro administrativo para ganhar espaço no mercado. permite-se que o governo possua o monopólio do produto. Esse foi exatamente o discurso adotado pelos bancos Itaú e Unibanco no processo de fusão.2. novas redes de água e esgoto deveriam ser construídas. Em virtude das barreiras à entrada. Monopólio estatal Existem alguns setores que são considerados estratégicos para um determinado país tal como o petróleo. 173 EAD-10-ADM32 . Monopólio puro ou natural Essa situação ocorre quando o mercado exige um alto nível de investimento. em virtude dos altos custos para a implementação de uma segunda ou terceira empresa. Tal medida é tomada no sentido de garantir o bem-estar econômico do consumidor com a concorrência. tivemos no Brasil a fusão de dois grandes bancos que já eram líderes no mercado: o banco Itaú e o banco Unibanco. que o mercado não consegue garantir sempre a concorrência. c) transformar alguns monopólios privados em empresas públicas. Políticas públicas nos monopólios Percebemos. No final do ano de 2008. que ela não seja líder isolada. 4.Microeconomia 4. Com isso. Nesse caso. dificultando a entrada de novas empresas. Citamos.3. que a empresa ganhará eficiência. os lucros extras devem persistir também ao longo prazo no monopólio. Daí a sugestão de o governo não fazer nada e deixar o mercado operar livremente.3.4. Essa intervenção é feita nas empresas fornecedoras de água e energia que geralmente são monopólios do governo. 4.Microeconomia 4. mas com produtos substitutos próximos. Enquanto na concorrência perfeita existe um número grande de empresas concorrendo entre si. Propriedade pública O governo pode em alguns casos entender que é melhor e mais eficiente uma empresa privada ter o controle sobre os monopólios naturais porque uma empresa gerida pelo capital privado tem maior controle e liberdade de gestão que uma empresa estatal.3. As decisões de cada uma das firmas influenciam o equilíbrio de mercado e as empresas possuem interdependência econômica. 4. Não fazer nada Alguns economistas avaliam que. apresentamos o seguinte esquema: Número de empresas Uma empresa Poucas empresas Muitas empresas Tipos de produtos Diferenciados Idênticos Monopólio Windows Água. no monopólio existe a presença de uma só. Nesse caso. cada uma das medidas citadas anteriormente têm as suas desvantagens. uma vez que as ações de cada uma interfere no resultado das demais.2. 4. Nosso objetivo agora é apresentar uma estrutura de mercado que se encontra intermediária à concorrência perfeita e ao monopólio que é o oligopólio. por mais que o governo tente corrigir as falhas de mercado como os monopólios. Podemos dizer que o oligopólio é uma estrutura de mercado na qual se tem um pequeno número de empresas que dominam a oferta.4.3. Regulamentar o comportamento dos monopólios A regulamentação é outro modo pelo qual o governo pode intervir nos mercados monopolistas. Oligopólio Até agora nossa função ao estudar as estruturas de mercado se consistiu em apresentar as características da concorrência perfeita e do monopólio. A fim de ilustrarmos as estruturas de mercado. filmes Concorrência perfeita Trigo.3. são criadas agências reguladoras que regulamentam os preços em virtude desses monopólios não poderem praticar o preço que desejam. É o caso dos países produtores de petróleo e do transporte aéreo e da siderurgia. No caso das estatais. energia elétrica Oligopólio Petróleo Concorrência monopolística Livros. Pudemos perceber que essas estruturas são opostas entre si. leite 174 . existe uma burocracia que dificulta a agilidade no processo de tomada de decisões. Não há. uma vez que existem produtos substitutos no mercado. em que existem muitos compradores e vendedores de forma que nenhum deles é capaz de isoladamente influenciar no preço. em que algumas empresa possuem produtos homogêneos ou diferenciados. Citamos como exemplo as marcas de refrigerante em que temos produtos diferenciados. o monopólio. prestação de serviços. Expandindo conhecimentos EAD-10-ADM32 O aluno que desejar aprofundar seus estudos em concorrência poderá consultar o livro Microeconomia do autor Pindyck ou o livro Introdução à economia: princípios de micro e macro do Mankiw. Barreiras ao acesso de novas empresas Concorrência imperfeita Grande Diferenciado Controle sobre preço Não há possibilidade de manobra. Concorrência monopolística A concorrência monopolística é uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio. Barreiras ao acesso de novas empresas. 175 . essas tendem a formar carteis. controlando o preço do produto. mas estão distanciados das demais empresas. Oligopólio Pequeno Homogêneo ou diferenciado Embora dificultado pela interdependência entre as empresa. em que uma empresa detém um produto sem substitutos próximos no mercado e com isso consegue controlar o preço. os produtos são diferenciados. mas que se distingue do oligopólio pelas seguintes características: a) número relativamente grande de empresas com características de concorrência. embalagens. aprendemos que o mercado pode ser dividido em quatro estruturas fundamentais: a concorrência perfeita. Quadro 1 – Principais características das estruturas de mercado 4. e a concorrência imperfeita. o oligopólio. Características Número de empresas Produto Concorrência perfeita Muito grande Homogêneo.6.5. mas que concorrem entre si. b) a margem de manobra para a fixação do preço não é muito ampla. seja por características físicas. Conclusão Neste capítulo. contudo.Microeconomia 4. em que o produto negociado é diferenciado e existem muitos concorrentes no mercado. Pouca margem de manobra Barreiras à entrada Não há. não há diferença Monopólio Uma só empresa Não há substitutos próximos. sobretudo quando não há intervenção do governo. As empresa tem grande poder de manter preços relativamente elevados. 2004.T. S. 5.L. PINDYCK. Economia: fundamentos e aplicações. Rio de Janeiro: Campus. Manual de Economia. PINHO.S e RUBINFELD. e Vasconcelos.G. Microeconomia: teorias e aplicações. 176 . A. São Paulo: Atlas.M. Tradução da 2. M. WESSELS.J. 3. Introdução à economia. São Paulo: Prentice Hall. MENDES. Equipe de Professores da USP. J. M. 4. 2002. A criação deste monopólio pode ser definida como má política pública? Justifique sua resposta. Em que o tamanho do mercado se relaciona com o fato de uma indústria ser ou não um monopólio natural? 6. 7. S. Defina concorrência monopolística ou imperfeita e cite alguns exemplos de mercado. São Paulo. G. ed. D. São Paulo: Saraiva. ed. D. Defina monopólio natural. 2004 VASCONCELOS. et al. 2001. O que é um oligopólio? Defina as características com suas próprias palavras. São Paulo: Atlas. Introdução à economia: princípios de micro e macroeconomia. O que significa uma empresa ser competitiva? Como se dá a formação de preços em um mercado competitivo? O que é um monopólio? Dê um exemplo de monopólio criado pelo governo. Microeconomia.Microeconomia Exercícios Propostos 1. W. São Paulo: Saraiva. Referências bibliográficas GREMAUD. A. 2002. 2. 2007.B. Economia: Micro e Macro: 3. MANKIW. R. 2006. ed. A. N. 5. Pearson Prentice Hall. As falhas de mercado 5. EAD-10-ADM32 177 . Os objetivos da política fiscal e as funções econômicas do governo 5. Conclusão Objetivos • Apresentar aos alunos o papel do governo no sentido de regular a economia. A teoria da tributação 5.2.3.4. • Mostrar como o governo ajuda a corrigir as falhas de mercado.1.Microeconomia 5 – Setor público Conteúdo • • • • 5. para que isso ocorra não deve haver a existência de progresso técnico e deve predominar o funcionamento do modelo de concorrência perfeita em que há interação entre compradores e vendedores de forma que nenhum agente econômico individualmente estabeleça o preço do produto. não é necessário que haja a figura do planejador central. a teoria neoclássica enfatiza que. John Maynard Keynes publicou sua obra mais famosa – Teoria geral – que mostrou como é fundamental a participação do Estado na função de dinamizador já que ele é o maior demandante da economia. educação. Sabemos que a evolução da economia torna os mercados cada vez mais complexos. porque estas entendem que somente o mercado é capaz de prover eficientemente aquilo que a sociedade necessita. Na economia. para que se atinja uma situação Pareto eficiente. os mercados competitivos geram uma alocação de recursos ineficiente. no final do século XIX e início do XX. que a livre concorrência fará com que a economia atinja um ponto maximizador. no ano de 1890. água. implementaram uma lei contra a formação de trustes. Em virtude da globalização. sob certas condições. ou seja. Além disso. o Estado passou a ampliar ainda mais suas funções. Contudo. Esse é o conceito de concorrência perfeita que trabalhamos no capítulo anterior. Contudo. Esse aspecto é questionado pelas economias capitalistas. O período da Grande Depressão (década de 1920) mostrou ao mundo que a teoria do mercado regulando-se por si próprio não era tão verdadeira assim. Como essa situação prejudica os consumidores. Em 1936. sozinho. Nesse momento. Some-se a isso o fato da necessidade da existência de um mercado com perfeita informação. o mercado deve operar livremente. a economia em alguns momentos mostrou fortes indícios da necessidade da intervenção estatal. 178 . Vimos na introdução deste capítulo que a situação não é bem esta. As economias de orientação socialista mostraram que o fornecimento de bens públicos melhora a qualidade de vida da população. as economias mundiais presenciaram a formação de monopólios e oligopólios que passaram a limitar a oferta de produtos com a finalidade de controlar o preço do mercado. 5. Os Estados Unidos. bem como o conluio (cartel) para a formação de preços. energia elétrica. corrigir. de forma que um indivíduo não consegue melhorar sua situação sem prejudicar a situação de outra pessoa. ampliaram-se os mercados financeiros e o comércio internacional que incorporaram variáveis como a especulação e a incerteza. não deve haver a intervenção do governo. complementar e regular o sistema de mercado que.Microeconomia Introdução Aprendemos no início deste curso que. o governo passou a fazer intervenções no sentido de evitar a concentração de poucas empresas em determinados setores. como e para quem produzir. As falhas de mercado O discurso sobre a importância e participação do setor público na economia não é recente. uma vez que as forças da oferta e da demanda regulam o nível de preços a ser praticado.1. entre outros. o Estado. em uma economia capitalista. ou seja. o governo passou a prover bens e serviços necessários à população tais como saúde. A teoria do Bem Estar Social (welfare economics) diz que. ou seja. O século XX teve início com a presença do Estado com a função de conduzir os mercados para responder satisfatoriamente a questões tais como o que e quanto. declarando ilegal o monopólio da indústria e do comércio. não é capaz de desempenhar todas as funções econômicas. uma vez que países desenvolvidos como os Estados Unidos passavam por um período de recessão com graves problemas de desemprego. dizemos que esta é a definição de ótimo de Pareto. Neste capítulo procuraremos demonstrar como a existência do governo é necessária para guiar. Além disso. os mercados incompletos. que a maior parte dos mercados não opera em um sistema de livre concorrência. concluímos que os bens públicos não são rivais e são abrangentes. São os chamados caronistas ou free riders. atender a maior parcela da população mesmo que uma parte se beneficie mais do que outra. existem algumas situações de monopólio que são permitidas dada sua funcionalidade e redução do custo de produção para a empresa. no capítulo anterior.1. Caso a administração pública de uma cidade resolva asfaltar uma determinada rua. o fornecimento de energia elétrica são considerados bens públicos. as falhas de informação e a ocorrência de desemprego e de inflação. abarcando toda a população que recebe o benefício.Microeconomia Vimos. todos os moradores serão beneficiados inclusive aquele que se recusar a pagar. os bens são não rivais. Essas empresas são chamadas de monopólios naturais e têm por finalidade oferecer ao consumidor final um produto com o preço menor do que seria praticado caso existisse outra empresa concorrente. deve ajudar a evitar as externalidades. Por exemplo. ou seja. O exemplo mais comumente utilizado em economia é o lixo químico das indústrias que são despejados em rios e mares assim como a poluição do ar. Externalidades O Estado é chamado a intervir nos casos de externalidades que podem ser positivas ou negativas. Monopólios naturais Estudamos no capítulo anterior que a formação dos monopólios e oligopólios são situações que prejudicam os consumidores. Os custos de produção aumentariam e teriam que ser repassados para o consumidor final. haverá aumento na oferta de insumos importantes assim como benefício para outros setores da economia.3. existem situações em que isso é inevitável. Contudo. Entende-se por externalidade a situação em que as ações dos indivíduos interferem direta ou indiretamente em outros agentes do sistema econômico. Contudo.1. deve permitir a formação dos monopólios naturais. impedindo que ocorra uma situação de ótimo de Pareto. Nesse caso. A externalidade é dita positiva quando ela traz benefício para a sociedade. Por externalidade negativa.1. Bens públicos Bens públicos são aqueles cujo consumo/uso é indivisível. Agora nossa tarefa consiste em abordar cada uma dessas situações. Como já existe todo o cabeamento pronto para a distribuição de energia.2. Podemos citar como exemplo a seguinte situação: vamos imaginar o caso de uma empresa que fornece energia elétrica. o governo deve prover os bens chamados de públicos. se o governo decide investir em uma empresa de infraestrutura no ramo de energia elétrica. 5. Podemos dizer que o consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo não prejudica o consumo do mesmo bem por outros indivíduos. essa é a função dos bens públicos. 5. Do que foi exposto acima. A justiça. predominando a imperfeição dos mercados. uma empresa concorrente deveria fazer outro sistema de distribuição de energia. EAD-10-ADM32 179 . entendemos ser a situação em que a ação de um indivíduo prejudica a sociedade. Exatamente por eles serem imperfeitos é que existem as falhas de mercado. Em síntese. A intenção de um bem público é que ele procure evitar ao máximo a exclusão de alguns indivíduos da sociedade. a segurança. Sendo assim.1. Vimos também que o governo intercede nesses casos com a finalidade de proteger o consumidor. 5. é melhor e mais barato para o consumidor que uma empresa sozinha no mercado forneça o bem. dado que as empresas conseguem estabelecer o preço do mercado. Sendo assim. 5. 5. Por não haver uma disponibilidade voluntária das pessoas em pagar um valor justo pela quantidade do bem público e por haver outras que se beneficiariam da situação sem pagar nada. Como o sistema financeiro e/ou de mercado de capitais não fornece financiamento de longo prazo.1. à estabilidade dos preços e à obtenção de uma taxa que permita o crescimento econômico.6. O Estado geralmente age mediante a introdução de uma lei que induza maior informação e transparência para o consumidor. O fato de os benefícios gerados pelos bens públicos estarem disponíveis para todos os consumidores faz com que não haja pagamentos voluntários aos fornecedores desses bens. levando à necessidade de intervenção do governo para garantir o fornecimento dos bens públicos.2. contribuindo para que o fluxo de informações seja o mais eficiente possível. a instituição responsável por fornecer financiamento às empresas é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). a função distributiva associada a ajustes na distribuição de renda que permitem que a distribuição prevalecente seja aquela considerada justa pela sociedade e a função estabilizadora que tem como objetivo o uso da política econômica visando a um alto nível de emprego. Portanto. Assim sendo. o governo intervém na economia no sentido de conceder crédito às empresas que desejarem iniciar ou ampliar um negócio. 180 . perde-se o vínculo entre produtores e consumidores. 5. Os objetivos da política fiscal e as funções econômicas do governo Podemos dizer que a ação do governo por meio da política fiscal abrange três funções básicas: a função alocativa que diz respeito ao fornecimento de bens públicos. Momentos de altos índices de desemprego e inflação não são desejáveis pelo governo. Além disso.1.5. Isso geralmente acontece em países em desenvolvimento em que os investidores não querem correr risco com seus investimentos. Mercados incompletos Entende-se por mercado incompleto a situação em que um bem ou um serviço não é ofertado mesmo que o seu custo de produção esteja abaixo do preço que os potenciais consumidores estariam dispostos a pagar.1. há necessidade de tributar compulsoriamente a sociedade a fim de levantar recursos para o provimento de bens e serviços. Ocorrência de desemprego e inflação Como nos apontam os ensinos de macroeconomia. 5.1. dado que trazem um mal-estar social para a população.2. o governo deve intervir por meio de planos que melhorem a eficiência econômica.4.Microeconomia 5. A função alocativa Sabemos que o mercado por si só não é capaz de prover determinados bens e serviços de modo que torna-se importante a participação do Estado. a economia muitas vezes não se comporta de uma maneira eficiente e essa situação pode trazer diversas distorções para a sociedade. Falhas de informação O governo é chamado a intervir na economia quando o consumidor não tem informação suficiente para tomar suas decisões de consumo. o governo participa a fim de favorecer todos os agentes da economia. No Brasil. o governo deve determinar o tipo e a quantidade de bens públicos a serem ofertados e calcular o nível se contribuição de cada consumidor. comerciais e de renda. 5. É claro que a participação deste agente é muito mais ampla do que essa. Podemos dizer que a função estabilizadora está relacionada à intervenção do Estado na economia para alterar o comportamento dos níveis de preços e emprego. 5. isto é. cambiais. Se deixarmos o mercado operar livremente. Também existe a possibilidade de o governo taxar com alíquotas mais altas os bens considerados de luxo ou supérfluos demandados por indivíduos com rendas mais elevadas e cobrar alíquotas mais baixas de produtos de primeira necessidade. Por fim.3. Um exemplo desse tipo de política é o imposto de renda negativo utilizado em alguns países desenvolvidos que implica em uma transferência de renda para as pessoas que ganham menos do que um determinado nível mínimo de rendimentos. O conceito da equidade nos dá a ideia de que a distribuição do ônus tributário deve ser igual entre os diversos indivíduos de uma sociedade. teremos uma situação na qual a distribuição da renda dependerá da produtividade de cada indivíduo. da mão de obra e da utilização dos demais fatores de produção.2. ele tributa com uma alíquota maior as maiores rendas e transfere os benefícios para os indivíduos que têm menor renda. Por fim. a distribuição do ônus tributário deve ser equitativa. O conceito da progressividade mostra que deve-se tributar mais quem tem uma renda mais alta. Podemos dizer que existem alguns requisitos essenciais para que o sistema tributário seja definido como ideal.2. Para que isso aconteça. a cobrança de impostos deve ser conduzida no sentido de onerar mais as pessoas com maior capacidade de pagamento. sendo que a parte mais importante é a proveniente do trabalho. A função distributiva Estudamos neste curso que a renda de um indivíduo ou de uma família é proveniente do trabalho e da propriedade.O conceito da neutralidade diz que os impostos devem ser de forma que minimizem os possíveis impactos negativos da tributação sobre a eficiência econômica. monetárias. Tais intervenções são feitas por meio de políticas fiscais. A teoria da tributação A fim de que o Estado arque com as funções anteriormente descritas. falamos da participação mais atuante do governo na economia no sentido de interferir nas situações de monopólio e oligopólio. o conceito da simplicidade implica que o sistema tributário deve ser de fácil compreensão para o contribuinte e de fácil arrecadação para o governo. cada um deve pagar uma contribuição considerada justa. é importante que alguns aspectos principais sejam levados em consideração. Nesse caso. o governo precisa gerar recursos. Uma outra situação promovida pelo governo é que os recursos captados pela tributação dos indivíduos de renda mais alta podem ser utilizados para o financiamento de programas voltados para uma parcela da população de baixa renda como o de construção de moradias populares. a administração do sistema tributário deve ser eficiente a fim de garantir um fácil entendimento da parte de todos os agentes da economia e minimizar os custos de fiscalização e arrecadação. Em terceiro lugar. A função do governo é atuar no sentido de um agente redistribuidor da renda através do processo de tributação. A principal fonte de receita do setor público é a arrecadação tributária. o sistema tributário deve ser estruturado de forma a interferir o mínimo possível na alocação de recursos da economia a fim de que não cause ineficiência no sistema econômico. EAD-10-ADM32 181 . uma vez que o pleno emprego e a estabilidade dos preços não ocorrem de maneira automática. Em segundo lugar. Primeiramente.2. Sabemos que a distribuição da renda do trabalho depende da produtividade.3.Microeconomia 5. A função estabilizadora No início deste capítulo. São Paulo: Makron Books. Exercícios Propostos 1. ed. 2004. 182 . Finanças públicas. P. SACHS. Economia. G. ed. 3. Rio de Janeiro: Elsevier. A. Macroeconomia. F. et al. 2. Rio de Janeiro: Editora Campus.C. 3. 12.Microeconomia 5. Expandindo conhecimento O aluno que desejar ampliar seus conhecimentos sobre o papel do Estado na economia pode consultar o livro do Giambiagi e Além. 1988. 4. NORDHAUS. 2007. O que diz a teoria da tributação? Bibliografia BLANCHARD. F et al: organizadores Diva Benevides Pinho. 1998. O. 1995. 2. ed. Conclusão Neste capítulo estudamos a participação do governo na economia no sentido de melhorar a alocação dos recursos. 3. ALÉM.M. J. GREMAUD. Marco Antonio Sandoval de Vasconcellos. Introdução à economia. MONTORO FILHO. A. 2000. W. D.D. São Paulo: Atlas. 2001.4. Introdução à economia. Qual o papel do Estado na regulação da Economia? Quais são as falhas de mercado? Como o governo administra cada uma delas? Quais são as funções econômicas do governo? Fale sobre cada uma das funções. São Paulo: Saraiva. SAMUELSON. ed. Macroeconomia. MANKIW. São Paulo: Prentice Hall. A. GIAMBIAGI. Finanças públicas. N. Portugal: Mc Graw-Hill.
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