Livro em PDF Nutrição de Monogástrico Antonio Gilberto Bertechini, 2004.pdf

April 2, 2018 | Author: AmandaCharalo | Category: Lipid, Fat, Proteins, Cholesterol, Phospholipid


Comments



Description

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBACENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA NUTRIÇÃO DE MONOGÁSTRICOS Antonio Gilberto Bertechini UFLA - Universidade Federal de Lavras 2004 MATHEUS RAMALHO DE LIMA Mestrando em Zootecnia DR. FERNANDO GUILHERME PERAZZO COSTA Orientador AREIA – PB JULHO DE 2007 NUTRIÇÃO DE MONOGÁSTRICOS Antonio Gilberto Bertechini UFLA - Universidade Federal de Lavras 2004 Ficha Catalográfica preparada pela Seção de Classificação e Catalogação da Biblioteca Central da UFLA Bertechini, Antônio Gilberto Nutrição de Monogástricos / Antônio Gilberto Bertechini . – Lavras :Editora UFLA/FAEPE, 2004. 450p. : il. Bibliografia. 1. Animal doméstico. 2. Nutrição animal. 3. Suíno. 4. Ave. 5. Alimentação - Metabolismo. 6. Suplementação alimentar. I. Universidade Federal de Lavras. II. Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão. III. Título. CDD-636.085 -636.4085 -636.5085 TEXTO REVISADO PELO AUTOR II NUTRIÇÃO DE MONOGÁSTRICOS Este livro não tem a finalidade de esgotar todo o assunto pertinente a nutrição de aves e suínos, no entanto, apresenta vários capítulos básicos de nutrição, elucidando os processos de metabolismo dos nutrientes de maneira simples, permitindo uma abordagem geral da nutrição dos animais não ruminantes. Após a apresentação deste segmento básico, os últimos capítulos tratam da aplicação prática da nutrição de aves e suínos, com indicações de recomendações médias de nutrientes para a elaboração de programas de alimentação mais adequados às poedeiras comerciais, frangos de corte e suínos modernos. Apesar deste conteúdo conter dados importantes para a nutrição de aves e suínos, ainda faltam informações sobre o interrelacionamento de nutrientes, bem como os valores de biodisponibilidade da maioria dos nutrientes dos alimentos, para alicerçar as formulações e fornecer maior segurança aos nutricionistas no momento de definir os valores nutricionais das dietas. Por outro lado, a nutrição é uma ciência dinâmica e, com a somatória dos esforços nesta área, como vem acontecendo, permitirá sem dúvida, suporte para confecção de dietas cada vez mais equilibradas, contribuindo para redução da contaminação ambiente e resultando sempre em melhoria da produtividade dos suínos e das aves . O Autor INDICE III Verificou que a percentagem do nitrogênio absorvido. Johan Kjeldahl. Ainda neste século vários aspectos de fisiologia e bioquímica do processo digestivo foram explicadas através de muitas investigações. Introduzia vários tipos de alimento no estômago. Estes trabalhos. que teve o seu estômago perfurado por uma bala. sendo chamada "a idade de ouro da ciência". vários fisiologistas. descobriu a cura do escorbuto. 1 EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA DA NUTRIÇÃO A ciência da nutrição integra conhecimentos bioquímicos e fisiológicos relacionando o organismo animal com o suprimento alimentar de suas células. os lipídeos e os carboidratos. Antoine Laurent Lavoisier introduziu o termômetro e a balança nos estudos de nutrição e através dos seus experimentos utilizando a calorimetria animal. quando o físico Inglês Lind. verificou que parte do calor animal era originário da combustão de substâncias no organismo. naturalista Francês fez uma das primeiras observações referentes a digestão. verificando assim. Alemanha. descobriu um método rápido para se determinar o valor nitrogenado dos alimentos. A partir desta data houve grande evolução nos estudos de nutrição protéica. principalmente com o uso de fístulas. No entanto. Ainda no século XVII já se concluía que o organismo animal necessitava de vários nutrientes e que o valor dos alimentos não estava num único componente químico e sim em três compostos: as proteínas. reportou observações em seu paciente Alexis St. Estes ensaios levaram Lavoisier a concluir que a “vida era uma função química”. verificando as diferenças nas suas digestões. Martin. quando caçava e lhe era colocado uma fístula no seu estômago. Os resultados experimentais eram muito variáveis e se descobriu em 1909 por Karl Thomas. Ainda no princípio do século XX. as mudanças na composição do alimento durante esse processo. concluindo em suas experiências que a respiração e a combustão eram processos semelhantes. houve grande atenção dos pesquisadores em estudar as proteínas. que ficava retido no 4 . Outros experimentos interessantes foram desenvolvidos por Lázzaro Spallanzani (1729-1799) onde o mesmo engolia saquinhos feitos de pano contendo carne e pão e. Uma das primeiras publicações sobre digestão foi de William Beaumont (1785-1853) em 1833 onde este Francês. René Reamur (1683-1757). Em 1760. químico Dinamarquês. franceses desenvolveram grandes conhecimentos na área da nutrição. principalmente. muitas observações de caráter nutricional já estavam sendo discutidas antes do século XVII. A partir deste período. Um dos primeiros estudos de nutrição datam de 1747. extraía-os através de cordões amarrados. Verificou com este estudo que haviam mudanças na composição do alimento. sugeriram o uso de fístulas em animais para os estudos de digestão posteriormente realizados. Em 1883. O objetivo final da nutrição animal é de transformar recursos alimentares de menor valor nutricional em alimentos para o consumo humano. notou os movimentos do estômago e verificou o efeito da emoção sobre a secreção e motilidade gástrica. onde houve grandes descobertas. após algum tempo. fornecendo alimentos para aves e retirando-os do intestino após curtos períodos de tempo. Para alcançar este objetivo foi necessário o desenvolvimento dos conhecimentos envolvendo os alimentos e o organismo animal. Beaumont descreveu também o suco gástrico e identificou o HCl. de melhor valor biológico. que as proteínas tinham valores nutricionais diferentes. organismo era variável de uma fonte de proteína para outra. Já no final do século se conhecia 12 aminoácidos nas proteínas e com a descoberta de Thomas, concluia-se que havia variação na composição de aminoácidos das proteínas, e que isto, afetava o seu valor biológico. Em 1938, Willian C. Rose demonstrou que os ratos necessitavam de certos aminoácidos na dieta para máximo desempenho e a partir daí, dividiu-os em essenciais e não essenciais. Outros conhecimentos foram necessários para o desenvolvimento da nutrição como o caso das gorduras, vitaminas e minerais. Em 1814, Michel Eugene Chevreul, químico Francês, descobriu que as gorduras eram compostas de glicerol e ácidos graxos. Estudos posteriores mostraram a essencialidade dos ácidos graxos no organismo e na dieta animal. Em 1912, Casimir Funk verificou que uma substância contida no farelo de arroz curava a beriberi, usando o termo "vitamina" pela primeira vez. As primeiras observações com minerais iniciara-se por volta de 1600 onde Wilissi Aldrovandi, verificou que pintinhos alimentados com casca de ovos cresciam mais rápido e mais saudáveis em comparação aos que não recebiam este ingrediente. Em 1930 houve a descoberta de vários minerais como cálcio, fósforo, enxofre e ferro. A descoberta de novos elementos acompanhou a evolução dos equipamentos físicos e químicos a partir de 1935. No entanto, a importância dos minerais foi mais pronunciada nos anos recentes, a partir do século XIX onde o melhoramento genético acelerou a velocidade de crescimento e a produção dos animais confinados e com mudanças dos hábitos alimentares, aumentou assim as necessidades dietéticas dos minerais. Ainda merece citação a grande contribuição de várias ciências na evolução da nutrição. A física, através do raio-X, espectrofotômetros, radioisótopos, cromatógrafos; a bioquímica nos estudos de enzimologia e metabolismo dos nutrientes; a fisiologia, através do estudo do funcionamento orgânico dos órgãos e suas secreções; a microbiologia, através dos estudos de exigências nutricionais e síntese de vitaminas; a genética através do melhoramento dos animais para maior produção, entre outras. 1.1 EVOLUÇÃO DA NUTRIÇÃO DE MONOGÁSTRICOS NO BRASIL O primeiro trabalho registrado na literatura sobre nutrição animal no Brasil data de 1940, onde o eminente Professor José Fancisco Braga, da Universidade Federal de Viçosa (Revista Ceres, 3:222-230), registrou um estudo sobre o uso de soja e milho na alimentação de suínos nas fases de crescimento e terminação, concluindo que a soja poderia substituir a tancage como fonte de proteínas e que o milho apresentava-se pobre neste nutriente. Iniciou-se então uma série de estudos para adequação das dietas de aves e suínos, com base nos poucos conhecimentos de nutrição no Brasil naquele período. A utilização de dietas balanceadas eficientes no Brasil iniciou-se a partir da entrada das grandes indústrias de rações nas décadas de 60 e 70. Até então, havia o predomínio do uso de rações com altos teores de farelo de trigo, produzidas pelos moinhos de trigo. As indústrias de rações balanceadas trouxeram novos conceitos de nutrição e tiveram papel importante na evolução da nutrição animal no Brasil. Várias fases mostram a evolução na qualidade das rações no Brasil. 5 A primeira fase correspondeu ao período de predomínio de moinhos de trigo (decada de 50), onde os subprodutos desta indústria, o farelo e o farelinho de trigo, participavam em mais de 50% das rações, influindo de forma negativa na eficiência alimentar e no desempenho dos animais, além dos problemas de excesso de fibra com este tipo de dieta. A segunda fase data entre as décadas de 60 e 70, onde houve a entrada das grandes indústrias de rações no Brasil, trazendo novos conceitos de nutrição e alimentação animal. A partir deste período, o termo ração balanceada se fixava e a idéia de equilíbrio de nutrientes também foi introduzida nesta época. Pode-se considerar que esta foi uma fase de grande evolução na produção de aves e suínos, no Brasil. A terceira fase desta evolução correspondeu a expansão da produção de milho e soja proporcionando maior estabilidade às rações balanceadas. A partir deste período as rações a base de milho e farelo de soja tornaram-se cada vez mais eficientes e uniformes. O valor nutricional destes dois alimentos ficou bem conhecido o que permitiu a suplementação de suas deficiências, para assim, conseguir o desempenho máximo desejável de aves e suínos nas condições tropicais . Uma outra fase poderia ser considerada ainda, que foi o uso da programação linear no cálculo das rações de mínimo custo. O uso do computador facilitou o cálculo de rações equilibradas com bastante eficiência e rapidez. Este fato permitiu que houvesse pequenas mudanças nas fórmulas das rações, em função da matéria disponível e os seus preços. Pode-se considerar que faltam muitas informações sobre a composição e biodisponibilidade dos nutrientes nos diversos alimentos. Atualmente, existe esta preocupação, além da determinação das novas exigências nutricionais dada a evolução genética que experimenta as aves e os suínos no Brasil e no mundo. Não poderia deixar de citar ainda, a grande evolução acadêmica experimentada nas décadas de 70 e 80 que contribuiu de forma primária para que se chegasse a resultados de desempenho de aves e suínos no Brasil comparáveis a países altamente desenvolvidos nestes setores. Atualmente existe também a preocupação em minimizar os custos de produção destes animais. O desempenho somente, não significa eficiência de produção. Assim, a associação da economia e da nutrição ganha espaço e prevalece nos sistemas de produção modernos de aves e suínos. 1.2 CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS DOS ANIMAIS MONOGÁSTRICOS Os animais monogástricos, mais adequadamente chamados de não ruminantes são caracterizados por várias particularidades nutricionais, listadas a seguir :  reduzida capacidade de armazenamento de alimentos, e, como consequência, devem ter acesso contínuo a alimentação;  taxa de passagem dos alimentos no trato digestório é relativamente rápida, e, desta forma, os nutrientes devem estar prontamente disponíveis, para seu aproveitamento;  baixa capacidade de digerir materiais fibrosos devido a reduzida microflora existente no trato digestório, sendo que as dietas devem ser concentradas;  pequena capacidade de síntese gastrintestinal e, como consequência, todos os nutrientes exigidos para máximo desempenho devem estar presentes na 6 dieta;  digestão básica dos alimentos faz-se por intermédio de enzimas digestivas produzidas pelo animal;  aproveitam mais eficientemente os alimentos concentrados do que os animais ruminantes. As aves não mastigam o alimento na boca, como os suínos, no entanto, possuem um divertículo chamado de inglúvio ou papo que umidifica e amolece o alimento além de um estômago mecânico (moela) que tritura o alimento. A saliva dos suínos contém amílase salivar (ptialina) que inicia o desdobramento do amido dietético. O estômago de aves e suínos se assemelha na capacidade relativa de armazenamento de alimento e na digestão gástrica das proteínas. Neste compartimento a digestão de carboidratos é quase nula devido ao pH ácido. Alguma fermentação de carboidratos pode ocorrer pela atuação de Lactobacillus, mas representa muito pouco em termos da digestão deste nutriente. As aves diferem dos suínos após a digestão gástrica. O bolo alimentar nas aves passa por uma digestão mecânica, através do estômago muscular ou moela, antes de seguir a digestão intestinal. A moela é composta de potentes músculos que desintegram as partículas do alimento, preparando o bolo alimentar para a digestão intestinal. A digestão no intestino delgado de aves e suínos é semelhante. É, neste compartimento que ocorre a digestão final dos carboidratos, lipídeos e proteínas e também é a seção de maior absorção dos nutrientes. O intestino grosso, compreendido pelo, ceco, cólon e reto tem como função primária a excreção dos resíduos alimentares não aproveitados no intestino delgado. No entanto, é neste compartimento que ocorre uma grande absorção de água e eletrólitos e também a fermentação dos resíduos não aproveitados no intestino delgado. Esta fermentação é realizada por uma microflora complexa de microorganismos anaeróbicos que produzem vitaminas, ácidos graxos voláteis e aminoácidos. Suínos adultos têm capacidade de digerir até 30% da fibra da ração no ceco ou cólon. Já as aves adultas são capazes de digerir até 25 % da fibra da ração, principalmente no ceco. Os suínos aproveitam melhor os produtos da fermentação do ceco e cólon como os ácidos graxos voláteis, no entanto, faltam informações sobre a absorção de vitaminas, por esses animais e pelas aves, nestes compartimentos. De qualquer forma, o intestino grosso tem função básica de recuperação de água e eletrólitos em ambas espécies. 7 1. Sedoheptulose 1. fósforo ou outros elementos.1. galactoglucomananos e galactoglucanos) 8 . Carboidratos 1. 1.aqueles que contém necessariamente carbonos e hidrogênio e as vezes oxigênio.1 Solúveis (Extrativo Não Nitrogenado) 1.1 Monossacarídeos Aldoses Cetoses Trioses (C3H6O3) Gliceraldeído Dihidroxiacetona Tetroses (C4H8O4) Eritrose Eritrulose Pentoses (C5H10O5) Xilose Xilulose Ribose Ribulose Arabinose - Hexoses (C6H12O6) Glicose Frutose Galactose Sorbose Manose - Heptoses (C7H14O7) . nitrogênio.1.2 Dissacarídeos Sacarose (-d-glicose 1-5 -d-frutose) Lactose (-d-galactose 1-4 -d-glicose) Maltose (-d-glicose 1-4 -d-glicose) Celobiose (-d-glicose 1-4 -d-glicose) 1. enxofre. 2 CLASSIFICAÇÃO DOS NUTRIENTES São chamados de nutrientes ou metabólitos primários.4 Polissacarídeos Amido Glicogênio PNAs (arabinoxilanos.1.3 Trissacarídeos Rafinose (frutose-glicose-galactose) 1. galactomananos. todos os compostos presentes nos alimentos ou de forma livre que são utilizados para nutrição das células do organismo animal e podem ser classificados de acordo com o esquema a seguir: A) COMPOSTOS ORGÂNICOS . ferro. manganês.6 Aminoácidos formados por translação 3. selênio.Fibra detergente neutro (celulose + hemi-celulose + lignina) FDA .2 Aminoácidos ácidos 3.1. 4.2. etc.3 COMPOSTOS INORGÂNICOS 1 Macrominerais: cálcio. 4. ácido úrico. fósforo. Biotina. di e triacilglicerol) c) Ceras (ésteres de ácidos graxos com alcoóis de cadeia longa) 2.2 Insolúveis FDN . B12. cobalto. magnésio.2. B6.2. 2 Microminerais: cobre.4 Aminoácidos aromáticos 3. Vitaminas 4. molibdênio.1 Proteínas (Aminoácidos) 3.1 Simples a) Ácidos graxos b) Gorduras neutras (mono. D.3 Aminoácidos básicos 3.2 Vitamina C: ácido ascórbico 4.1.1. ácido pantotênico e ácido paramino-benzóico.1. lecitina e cefalinas. niacina.1. 9 . B2. cromo.1. inositol.5 Iminoácidos 3.2 Hidrossolúveis 4. potássio. cloro. iodo.2 Aminas.2 Compostos a) Fosfolipídeos  Ácidos fosfatídicos.1 Aminoácidos monoamino e monocarboxílicos alifáticos 3.1 Complexo B: B1. boro e flúor. sódio e enxofre. amidas.Fibra detergente ácido (celulose + lignina) 2 Lipídeos (Extrato Etéreo) 2. zinco.1. uréia.1 Lipossolúveis: vitaminas A. E e K 4.  Plasmalogens  Esfingomielinas b) Glicolipídeos  Mucina c) Lipoproteínas  Lipoproteínas transportadoras 3 Nitrogenados 3. colina. Enquanto o amido e o glicogênio apresentam ligações -1. poderá ser aproveitado pelo hospedeiro. quando ocorre o tratamento térmico.4 e -1. FIGURA 2. O amido é armazenado nos grãos cereais na forma hidratada (C 6H10 O5 xH2O)n e. sendo que a fração mais solúvel (amilose) é dissolvida e a amilopectina continua com a sua estrutura. 3 Água (HOH). principal carboidrato estrutural das plantas possue ligação glicosídica  1. Durante a secagem do milho em secadores. dificultando a ação da amilase. Considerando o aspecto nutricional.1 CLASSIFICAÇÃO Os carboidratos presentes nos alimentos são muitos. portanto. no entanto. na natureza. com menor digestibilidade.6. Por outro lado. 2.1 CARBOIDRATOS Os carboidratos são os nutrientes mais abundantes na natureza e representam a fonte primária de energia para os organismos vivos. glicogênio celulose7 2.1). no caso de ácidos graxos voláteis e algumas vitaminas hidrossolúveis. esta molécula se encontra polimerizada (Figura 2. amido. o principal carboidrato é a glicose. Aves e Suínos não produzem -glicosidases em seus tratros digestórios. os polímeros de glicose são de maior importância nutricional (Tabela 2.1: Estrutura dos polissacarídeos. se o processo acontecer de forma rápida com temperaturas altas. No entanto.1). as bactérias que habitam o intestino grosso desses animais. dependendo do tipo de ligação entre as moléculas de glicose. o produto desta fermentação. podem aproveitar a celulose através da celulase microbiana e. se transforma em forma amorfa. TABELA 2. vai caracterizar a solubilidade do polissacarídeo.1.1) e. devido a modificação da estrutura química. e. poderá resultar uma forma de amido resistente. não aproveitam a celulose. a celulose.1: Carboidratos presentes nos alimentos 10 .4 (Figura 2. e maltose. A viscosidade intestinal é um fator que influencia tanto na digestão como absorção de nutrientes. A celulose é o polímero de glicose mais abundante na natureza. celulose. glicogênio. porém. beterraba. glicogênio.3 . os carboidratos solúveis são mais digestíveis por suínos e aves e representam a principal fonte de energia das rações desses animais. Além da hemi-celulose. Patrick e Schaible (1980). de maneira geral. Já a hemi-celulose é um carboidrato estrutural que possui boa solubilidade. porém. Gliceraldeído Pentoses (C5H10O6) Arabinose Hidrólises e arabanos Xilose Hidrólises de xilanos Ribose Ácidos nucléicos Hexoses (C6H12O6) Glicose Hidrólise de amino. Galactose Hidrólise de sacarose Frutose DISSACARÍDEOS (C12H22012) Sacarose Acúcares Açucar de cana. podendo assim. galactosídeos. Harper et al (1982). dextrose. Tipo Nome Fonte MONOSSACARÍDEOS Trioses (C3H6O3) Dihidroxiacetona Produtos de fermentação e da glicólise. São formados basicamente de arabinoxilanos e galactosídeos e estão contidos nos grãos em concentrações diversas. alterar a viscosidade intestinal. 11 . outros carboidratos solúveis também são encontrados nos grãos cereais e são chamados de PNAs (polissacarídeos não amiláceos solúveis). pectinas. entre outras. Na Tabela 4. Nesta classificação encontram-se o amido. está apresentada a composição de alguns ingredientes de rações em PNAs. etc Maltose Amido Trealose Cogumelo Lactose Leite TRISSACARÍDEOS (C18H32O18) Suco de beterraba Rafinose Semente de algodão Gossipose POLISSACARÍDEOS – grupos compostos de cadeias longas de sacarídeos. não existe enzimas endógenos para o seu aproveitamento. Suco de frutas Manose Leite (hidrólise de lactose) e galactosídeos. Shutte (1991).glucanos 0.6 Arabinoxilanos 2.0 Trigo.9 β – glucanos 1. Carré (1992).0 Sorgo PNAs totais 5.0 β .0 Farelo de girassol PNA totais 35.5 Cevada PNA totais 16. pentoses e hexoses.8 β – glucanos 1. Huisman et al.2 β.0 Annison (1993).5 β – glucanos 7. Ingredientes Tipo de PNA % Milho PNAs totais 8. Como principais monossacarídeos cita-se as trioses.0 Arabinoxilanos 4.0 Polímeros complexos 7.3 Conteúdo de PNAs em alguns ingredientes de rações. de maneira geral. Monossacarídeos Os monossacarídeos são carboidratos simples que possuem importância nutricional para as células. não aparecem desta forma na natureza.3 Arroz Arabinoxilanos 8.0 Trigo PNA totais 11. farelo PNA totais 44. (1998) e Acamovic (2001).glucanos 0. porém. glúten PNAs totais 42.2 ) 12 .1 Milho. com arranjo estrutural da molécula que dão particularidades nas suas ligações (Figura 2. sem importância diética. Apresentam normalmente fórmulas comuns (C nH2nOn). Os monossacarídeos são importantes intermediários no metabolismo de carboidratos para as células do animal e geradores de energia para a manutenção da homeostase energética orgânica. porém.TABELA 4.0 Galactosídeos 20.6 Arabinoxilanos 3.0 Arabinoxilanos 6. pois.2 Farelo de soja PNA totais 27. é encontrada somente no leite. pois. Tem importância no processo físico da digestão. Este tamanho é variável. O seu aproveitamento em aves e suínos é limitado à fermentação microbiana do intestino grosso destas espécies. Devido essa característica de solubilização da hemi-celulose. No processo de determinação da Fibra Bruta (FB) da análise proximal. influenciando na formação e condução do bôlo alimentar. formado por um polímero de glicose em ligações -glicosídicas. Já a lactose. já que. que são a amilose (15-30%) e a amilopectina (70-85%). O principal polissacarídeo dietético é o amido presente em grandes quantidades nos grãos cereais. O amido de milho comum por exemplo. Figura 2.000 unidades de glicose. Figura 2. pela adição ou remoção de unidades de glicose. A sacarose é o mais abundante e formado por glicose e frutose. O peso molecular do glicogênio do músculo é estimado em 106 enquanto no fígado este valor é de 5 x 106.2 Estrutura química dos monossacarídeos nutricionalmente importantes. maltose e celobiose (Figura 2. composta por uma cadeia glicosídica reta e a segunda. não se sabe se ocorre hidrólise de suas cadeias polissacarídicas e o seu aproveitamento por aves e suínos se uso de enzimas exógenas. lactose. devido a sua boa solubilidade tanto em pH alcalino como ácido. A estrutura do glicogênio é semelhante à da amilopectina. são encontrados na natureza e concorrem como fonte de energia para os animais.1). Uma boa fração de hemi-celulose das plantas pode ser solubilizada durante a digestão. ocorre sua solubilização durante as digestões ácida e alcalina realizadas. não produzem celulases nos seus tratos digestórios. pesquisador Francês. Estas duas cadeias são compostas por 24 a 30 moléculas de glicose. carboidrato de reserva no animal está distribuído principalmente nos músculos e fígado e este é responsável pela manutenção da glicemia. Polissacarídeos Os polissacarídeos são polímeros complexos de monossacarídeos e representam a principal fonte de energia para os animais monogástricos.4). por exemplo. por outro lado. Estes dissacarídeos são importantes para o metabolismo da célula animal somente após a sua digestão (hidrólise). com maior número de cadeias ramificadas sendo que o polímero apresenta de 6. desenvolveu um método de fracionamento dos constituintes da parede celular de acordo com a solubilidade dos compostos em meios com pH variável (Figura 2. ramificada (Figura 2.3 Estutura química dos dissacarídeos.3). apresenta 28% em amilose e 72 % de aminopectina . é que Van Soest (1967). Constitui a base da estrutura da parede celular das plantas. como se fosse uma substância estranha ao organismo. Difere da celulose. A presença de sacarose na corrente sanguínea. A hemi-celulose está presente também junto com a celulose. formando a estrutura da parede celular. dependendo do estado metabólico do animal.000 a 30. especialmente no metabolismo do jejum. não será metabolizada. sendo composta de glicose e galactose. O seu nível orgânico é próximo de 1%. sendo a primeira. O glicogênio. ocorrendo rápida excreção da molécula intacta. possuindo dois constituintes principais. A 13 . que chamou FDN (Fibra em Detergente Neutro) e FDA (Fibra em Detergente Ácido). Um outro polímero de glicose importante é a celulose. Dissacarídeos Os dissacarídeos possuem importância dietética. São comumente chamados de açúcares e também classificados como oligossacarídeos sendo os mais comuns: sacarose. todavia. A maioria das plantas possuem a reserva energética formada de carboidratos. A lignina não pode ser considerada um polissacarídeo sendo as Figura 2. pois. Esta fração tem maior solubilidade em pH alcalino. Os lipídeos são divididos basicamente em três grupos: a) Lipídeos simples São formados por ésteres de ácidos graxos com álcool. hexana e benzeno) e comumente chamados de extrato etéreo. cerebrosídeos (glicolipídeos) e lipoproteínas (lipoproteínas transportadoras). entre outros. Além de reserva energética orgânica. 1967) . sendo oxidada totalmente em solução de permanganato de potássio . devido principalmente ao menor teor de FDA. com exceção das oleaginosas. sendo extraída a hemi-celulose. Van Soest (1967) pode fazer o fracionamento final dos constituintes da parede celular vegetal. Por outro lado. alguns compostos flavonóides. derivam dos citados e compreendem os ácidos graxos livres e condensados. as rações destes animais não apresentam mais do que 4% de fibra total. 2. clorofórmio. b) Lipídeos compostos São formados por ésteres de ácidos graxos contendo outros grupos de substâncias além do álcool e o ácido graxo. Para as aves e os suínos. é solúvel apenas em pH muito baixo (ácido) e a lignina em pH alcalino. Na verdade a lignina é formada por um polímero de unidades de fenilpropano oxigenado. 2. quando comparado ao milho comum. Exemplo desse fato é a maior digestibilidade de aminoácidos do milho de alta qualidade proteica.2 LIPÍDEOS Os lipídeos pertencem a um grupo de substâncias que são extraídas por solventes orgânicos (éter. a FDA contém celulose e lignina. Assim. Neste grupo estão as gorduras e óleos (ácidos graxos + glicerol) e ceras (ácidos graxos + álcoois de cadeia longa). estas frações não possuem importância dietética.2. os lipídeos desempenham outras funções como por exemplo estrutural (membrana das células) e hormônios.1 Triglicerídeos Do ponto de vista nutricional. vezes classificada juntamente com a fração dos carboidratos estruturais . influenciando na digestão dos aminoácidos. tocoferóis. a reserva energética básica dos animais é formada de gorduras.hemi-celulose é insolúvel em pH neutro. Entre os lipídeos compostos mais importantes estão os fosfolipídeos lecitina . já que. cefalina e esfingomielina. Utilizando desta característica.5) são os lipídeos mais importantes. Esta fração engloba várias substâncias apolares como pigmentos vegetais. Por outro lado a FDA dos alimentos concentrados parece exercer influência na estrutura da proteína. sendo que a celulose. c) Lipídeos derivados São substâncias que por hidrólise. representam a maneira mais fácil de elevar o conteúdo de energia das rações. As gorduras ou óleos são compostos basicamente de triglicerídeos sendo 14 . os triglicerídeos (Figura 2.4 – Solubilidade dos componentes da parede celular de acordo com o pH da solução (Van Soest. sendo sólidos à temperatura ambiente. O colesterol presente nas lipoproteínas. lisofosfolipídeos. da vitamina D entre outros compostos importantes. e aracdônico. Por outro lado. encontrados nas gorduras. integra a maior fração lipídica das principais lipoproteínas transportadoras (Lipoproteínas de densidade muito baixa . de baixa densidade . Por outro lado. desempenha papel fundamental na membrana das células. as lipoproteínas por serem ao mesmo tempo hidrossolúvel (estrutura externa) e lipossolúvel (estrutura interna). presente em pequenas quantidades no óleo de amendoim e gordura animal.5 Estrutura dos triglicerídeos 2. As gorduras animais normalmente possuem altas quantidades de ácidos graxos saturados. fosfatidilcolina (lecitina).2 Fosfolipídeos Os fosfolipídeos são lipídeos compostos que incluem ácido fosfatídico. portanto também no sangue. Estes ácidos são da série 3 (eicosapentaenóico-EPA e docosahexaenóico-DHA). FIGURA 2. fosfatidilinositol. fosfatidile-tanolaminas. Como ácidos. fosfatidilglicerol. Os principais ácidos polienóicos são linoleico (série 6) e linolênico (série 3). caracteriza a sua forma líquida à temperatura ambiente. gordura de peixes de regiões frias e algas também dessas regiões.2. encontrados nos óleos vegetais. monoenóicos tem-se os ácidos oleico (série 9) e palmitoleico. Apesar do grande número de fosfolipídeos. controlando a sua permeabilidade. 2. Outros ácidos graxos polinsaturados são encontrados na gema do ovo. eles aparecem em pequenas concentrações nos tecidos desempenhando funções metabólicas importantes no organismo. Além desta função. sem haver segregação no meio hidrossolúvel que é o sangue. Os ácidos graxos podem apresentar uma ou mais insaturações. Têm função básica de transportar energia (triglicerídeos) e matéria-prima para as células.3). O mais comum esterol encontrado no animal é o 15 .3 Esteróis Os compostos esteroidais possuem um núcleo comum chamado ciclopentano- peridro-fenantreno (Figura 2. As lipoproteínas desempenham papel importante no metabolismo dos lipídeos. a alta concentração de ácidos graxos insaturados nos triglicerídeos dos óleos vegetais. A lecitina por exemplo. Os triglicerídeos são substâncias insolúveis em água.HDL ). esfin-gomielina.que suas características físicas dependem das insaturações dos ácidos graxos esterificados. fornece a forma estrutural imprescindível para formar as paredes das células (membranas) além de ser precursor de vários hormônios sexuais. conseguem tranportar os lipídeos em sua fase interna. graças a sua dupla solubilidade sendo parte da molécula lipossolúvel e parte hidrossolúvel.LDL e de alta densidade . fosfatidilserina.VLDL.2. 25 (100/16) segundo o Método de Kjeldahl. que pode estar na forma livre ou esterificado com ácidos graxos. possue somente 213 mg de colesterol. São compostos de alto peso molecular formados por unidades básicas (aminoácidos) ligadas por ligação peptídica. Um ovo de 59g por exemplo. Proteínas desnaturadas. o colesterol na verdade e‟ um álcool. pode ser transformado em vitamina D3 pela ação dos raios UV.3. que é precursor da vitamina D2. Alimentos como gema de ovos. 2. são classificadas como derivadas. monoamino e monocarboxílicos alifáticos. Baseado nesta concentração. aromáticos.3. ao nível de pele no animal. Apesar de existir várias classificações para as proteínas. iminoácidos e aminoácidos formados por translação (Tabela 2. Nas plantas é encontrado o ergosterol.1 Proteínas As proteínas representam a maior fração dos compostos nitrogenados no organismo animal. sendo multiplicado por 6. foi desenvolvido o método de determinação da proteína nos alimentos. lipídeos ou glicose. chamadas de grupo prostético. 16 . fósforo.2 Aminoácidos Os aminoácidos ocorrem nas proteínas orgânicas na forma L--aminoácido. pois é biossintetisado no fígado. As proteínas simples. aminoácidos e outras substâncias. dos alimentos de origem animal.1). Apesar de apresentar algumas características físicas dos lipídeos. são solúveis em água e álcool e fornecem por hidrólise somente aminoácidos. básicos. As conjugadas.3 NITROGENADOS 2. através da avaliação do conteúdo de N total da amostra. sintetizado a partir do acetato no fígado ou exógena. nutricionalmente podem ser classificadas de acordo com sua composição. por outro lado.colesterol. Todos eles apresentam pelo menos um grupo amino na posição  e um grupo carboxíla e podem ser classificados como aminoácidos. Normalmente as proteínas dos alimentos vegetais possuem em torno de 16% de nitrogênio. fornecem por hidrólises. 2. a nível orgânico exerce papel fundamental no metabolismo de diversos compostos e hormônios. FIGURA 2. O colesterol orgânico.6 Estrutura do colesterol Do ponto de vista dietético para aves e suinos. chegando a 20% do peso dos tecidos. este composto não têm importância. gordura láctea e carnes possuem teores de colesterol variado. Estes compostos podem ser minerais como ferro. Tem origem endógena. ácidos e suas amidas. TABELA 2.1: Classificação do -aminoácidos Nome Abrevi Fórmula Estrutural Peso ação Molecular Monocarboxílico e Monoamino alifáticos Glicina GLI 75 Alamina ALA 89 Valina VAL 117 Leucina LEU 131 Isoleucina ILE 131 Serina SER 105 Treonina TRE 119 Ácido Aspático ASP 133 ÁCIDOS E SUAS AMIDAS Ácido Glutâmico GLU 147 Asparagina ASN 132 Glutamina GLN 146 BÁSICOS Lisina LIS 146 17 . necessários para a saúde normal e funções fisiológicas tais como . crescimento e reprodução.Arginina ARG 174 Histidina HIS 155 Cisteína CIS 121 Metionina MET 149 Fenilalanina FEN 165 Tirosina TIR 181 Triptofano TRI 204 IMINOÁCIDOS Prolina PRO 115 AMINOÁCIDOS FORMADOS POR TRANSLAÇÃO Cisteina CIS-S-S-CIS 240 OH-Lisina OH-LIS 162 OH-Prolina OH-PRO 131 2. lipídeos e água. essenciais para o metabolismo normal dos animais e. proteínas. Causam sintomas de deficiência específicos caso encontram-se ausentes ou em quantidades insuficientes para o 18 .4 VITAMINAS O termo vitamina significa aminas vitais geralmente descritas como compostos orgânicos presentes em pequenas concentrações nos alimentos. consequentemente. distintos dos carboidratos. mantença. exceto colina. As vitaminas lipossolúveis são armazenadas no organismo e são descritas como vitaminas do crescimento. são chamadas de vitaminas de mantença (Figura 8.metabolismo orgânico normal. participam de coenzimas e são eliminadas após as reações metabólicas e. Já as hidrossolúveis.5 MINERAIS Os minerais são considerados elementos essenciais para uma boa nutrição 19 . GLOSSÁRIO DAS VITAMINAS Vitaminas Designação Alternativa Lipossolúveis Vitamina A Retinol/al Ácido retinóico Vitamina D Ergocalciferol (D2) Colecalciferol (D3) Vitamina E Alfa-tocoferol Vitamina K Menadiona (K3) Hidrossolúveis Vitamina B1 Tiamina Aneurina Polineuramina Vitamina F Vitamina B2 Riboflavina Vitamina B6 Piridoxina Piridoxal Piridoxamina Adernina Vitamina B12 Cianocobalamina Fator extrinsico Niacina Ácido nicotínico Nicotinamida Ácido Pantotênico Vitamina B3 Biotina Vitamina H Bios 2 Folacina Coenzima R Ácido fólico Tetrahidrofolato (THF) “Colina” Gossipina Bilineurina Vidina Vitamina C Ácido ascórbico Ácido Hexurônico 2. por isso. Tradicionalmente as vitaminas estão divididas de acordo com a sua solubilidade em lipossolúveis e hidrossolúveis.1). indicam as suas necessidades orgânicas. Cl e K.000 Cobre (Cu) 527.500. proteínas. TABELA 2. participa da maioria das reações.6 ÁGUA A água pode ser considerado um dos mais críticos entre os nutrientes. controlando o equilíbrio ácido-básico orgânico. Os macroelementos Ca e P constituem a base da formação esquelética. sendo incorporada em outra molécula(a) ou formada após reações (b).400.000 Selênio (se) 100. estão distribuídos em maiores concentrações nos tecidos moles. ou outros nutrientes.2). enquanto que Na. Os microelementos participam principalmente como agentes catalíticos em todas as reações do metabolismo. Esta classificação está relacionada com as concentrações dos elementos nos tecidos (Tabela 2.409 Microminerais Ferro(Fe) 25. além de ser meio para as reações químicas do metabolismo.animal.500. que de certa forma. A privação da água para o animal é mais grave do que a falta de carboidratos.2: Concentração dos minerais essenciais no organismo animal.000 Cobalto (Co) 46. De maneira geral. O mais numeroso átomo do organismo é o H enquanto que a água representa o maior número de moléculas orgânicas.000 Iodo (I) 2. São classificados academicamente em macrominerais e microminerais ou elementos traços. Representa um constituinte essencial para a estrutura das células. 20 . Classificação Elemento Concentração 1: Macrominerais Cálcio (Ca) 75 Fósforo (P) 135 Potássio (K) 526 Sódio (Na) 625 Enxofre (S) 627 Cloro (Cl) 909 Magnésio (Mg) 2. A água não é simplesmente um meio na qual as reações podem ocorrer.000 Fonte: Georgievski (1982).000 Manganês (Mn) 4. os minerais participam de funções variadas no organismo.000 Zinco (Zn) 33.000. 2. pois. Verifica-se que as aves mantêm praticamente constante a entrada e a saída de água no corpo. a entrada de água (ingestão) somada a água metabólica devem se equilibrar a saída de água. 21 . O funcionamento normal do organismo se faz às custas de perdas ininterruptas de água que devem ser repostas constantemente através da água de bebida. principalmente. Este maior valor para as poedeiras pode estar relacionado com a maior necessidade de perda de calor orgânico. A utilização da água metabólica é aumentada com a idade das aves. a perda de água pela pele é restrita.1 DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA CORPÓREA A água está distribuída no corpo animal de forma heterogênea. Não é uma simples molécula HOH. de acordo com Leeson et al (1976). 3 METABOLISMO DA ÁGUA A água constitui um nutriente indispensável à vida animal.1 estão apresentados os dados de balanço de água de frangos de corte. Nota-se também que as aves jovens têm maior proporção de água corporal do que as adultas. fisiologicamente é essencial no metabolismo orgânico. O animal pode perder praticamente toda gordura corporal. enquanto as das poedeiras apresentam ao redor de 80% de água. O conteúdo aquoso corpóreo é relativamente constante. Em frangos de corte. de maneira a manter o equilíbrio dinâmico entre os compartimentos do organismo (Figura 3. a água representa o nutriente de mais baixo custo. Do ponto de vista econômico. esta perda de calor pode chegar a mais de 50% do total em temperaturas ambiente variando de a 26 a 35ºC. Na fase de crescimento. portanto. ocorre balanço positivo devido à deposição nos tecidos. já que. no entanto. Uma grande parte das moléculas de água estão interligadas por pontes de hidrogênio formando complexas macromoléculas. A água intracelular representa mais de 45 % do peso vivo enquanto que o conteúdo extra-celular aproximadamente 20%. A facilidade e rapidez com que ocorre a dissociação desta molécula (HOH  H+ + OH-) é que caracteriza a sua participação nas reações do metabolismo. Todas as células orgânicas necessitam de um aporte de água para exercer as suas funções. Na Tabela 3. As aves não possuem glândulas sudoríparas e gastam em torno de 575 calorias de energia na forma de calor para vaporizar 1 grama de água via respiração. As excretas de frangos de corte contém de 60 a 70% umidade. 3. A bioquímica nutricional da água é complexa e de difícil entendimento. se perder apenas 10% de água ocorrerá transtornos que levam a sua morte. metade das suas proteínas orgânicas e aproximadamente 40% do seu peso e manter-se vivo. no entanto.1). 0 12.3 8 20 67 114.8 105.2).8 Adaptado de Leeson et al (1976). Cresci Excre.8 35.4 12.1 5 22 70 72.7 17.7 6.4 23. Verificou também que nas horas que antecedem a postura. Poedeiras leves.4 3. logo após a oviposição.7 9.0 6 20 75 90.9 19.1 58. apresentam uma redução do teor de água orgânica da 2ª para a 32ª semana de vida de 13. relativa (sem) (ºC) (g) (g) % Metabo.8 2.4 80.4 17.8 4.4 10.1 4. verificou que estas aves consomem o dobro de água do que as que não estão em postura.2 7.0 6.2 3 25 70 21.4 5.3 15. sendo que este alto consumo está associado ao ovo e também ao estresse metabólico durante sua formação. TABELA 3.0 21.6 12.1 12.1 16.4 1. cessando o consumo duas horas antes e.3 20.1 7.6 4 23 70 48. FIGURA 3.6 4.2 9. as aves reduzem a ingestão de água.3 8.0 7 20 79 109.1: Distribuição dos líquidos do corpo em % do peso corporal Howard (1975) estudando o balanço de água de poedeiras comerciais durante a formação do ovo.8 9.9 100.7%. respi- Bebida Ração lica mento tas ração 1 31 70 11. a ave atinge o pico de ingestão de água.3 2 25 70 11.8 21.5 3.6 7.1: Metabolismo diário de água de frangos de corte Umidade Entrada Saída Idade Temp.3 22. O aumento da ingestão de água ocorreu 12 horas antes da oviposição.7 15. 22 . porém.3 6.3 6. O conteúdo da água do corpo dos animais decresce com o avançar da idade e aumento do teor de gordura orgânica. sem alteração na percentagem de água no plasma sanguíneo (Tabela 3. ocorrerá prejuízos no desempenho destas (Patrick e Schaible.5 65. Normalmente as aves consomem água além de suas necessidades.8 59. 1991).2 2 96.2: Interação Gordura x Água Corpórea em função da variação do nível energético de frangos de corte (Bertechini et al. o aumento de peso vivo leva também a uma redução do teor de água corporal.6 55. Poedeiras da raça Legohrn brancas.7 32 94. TABELA 3.3). Interação negativa também é observada entre os conteúdos de água e gordura corporal reflexo da variação do nível de energia metabolizável (EM) da ração em frangos de corte (Figura .0 Patrick e Schaible (1980).7 3 96.2 8 95. 23 .9 6 95..5 85. 1980). podem ser restringidas 10 a 20% do consumo de água sem afetar o desempenho. No entanto. por exemplo. FIGURA 3. e. concomitantemente.1 4 95.2: Conteúdo de água corporal no plasma de aves Leghorn branca de acordo com a idade. aumento do conteúdo lipídico da carcaça (Tabela 3.1 67. se a restrição exceder 20%.1 48.8 68.2). Idade (semanas) % Plasma % Água Corporal 1 95. Nos suínos.3 68.9 16 95. 1 60 61. SO2 entre outros. d) Fluído intraocular: importante no processo da visão. através de mecanismos especiais (reações aquosas). enzimas e outras substâncias bioquímicas. b) Fluído sinovial: lubrificando as juntas.  Termorregulação corporal: a água possui alto calor específico (=1) e com isto facilita o armazenamento de grandes quantidades de calor com um aumento limitado da sua temperatura.3: Variação nos conteúdos de água e gordura corporal de acordo com o peso vivo de suínos tipo carne.  Manutenção da pressão osmótica intra-intercelular. o que mantém constante a temperatura do corpo. TABELA 3.R. ocorre a eliminação resíduos de forma a manter a homeostase orgânica.8 18.2 27. c) Fluído auricular: transportando os sons. que acidifica os líquidos extracelulares.4 9. quais sejam: a) Fluído cebroespinhal: protege o sistema nervoso.5 20 69. A água também desempenha uma série de funções especiais no organismo.1 40 65. e) Fluído amniótico: protegendo o feto. A pressão osmótica dos líquidos orgânicos é mantida de forma mais ou menos constante através da ingestão ou eliminação de água ou eletrólitos. e.4 32. amortecendo choques.5 80 58.  Secreção de hormônios.7 A.  Facilita as reações enzimáticas que ocorrem no metabolismo intermediário.  Translocação de todos compostos químicos no organismo.  Equilíbrio ácido-básico: a homeostasis orgânica (manutenção do equilíbrio ácido-básico) está sujeita constantemente a estados de acidoses ou alcaloses.9 10. (1982) 3.2 100 54.0 23.2 PRINCIPAIS FUNÇÕES DA AGUA  Digestão: processo hidrolítico. Peso Vivo Percentagem da Carcaça Kg Água Gordura 15 70. 24 . onde a maioria delas são simples subtração e adição de água. ácido láctico. O processo oxidativo que ocorre no metabolismo orgânico resulta na produção de resíduos como CO2.9 120 50.  Excreção de todos os resíduos do metabolismo orgânico.  Absorção dos nutrientes do trato digestivo.C.7 14. 3.3 FONTES DE ÁGUA Basicamente existem três fontes de água para os animais.01 Vanádio 0. ferro e molibdênio em excesso são extremamente tóxicos.0 Mercúrio 0. selênio.6 indica alcalinidade e deverá neste caso ser pesquisado níveis de cálcio e magnésio.1 Zinco 25. Existem certas características que afetam a qualidade da água.coli Ausência Arsênico 0.5 Flúor 2. Itens Níveis Máximos Sólidos Totais 1000 ppm Ferro solúvel ou coloidal 50 ppm pH 7. 3. Os animais têm pequena tolerância a presença de nitratos solúveis na água. Valores ideais de pH da água variam de 7 a 7.0 Cobre 0.  Coloração: uma boa água de bebida deve ser incolor e ao mesmo tempo. havendo a necessidade de tratamento (cloretação). inodora e sem gosto. Na Tabela 3. níveis de pH acima de 7.  pH: o pH da água pode ser medido em sua alcalinidade ou acidez.3.4: Níveis máximos de sólidos e pH da água para consumo. devendo ser limpa e livre de contaminações. contaminação fecal ou nitratos.  Nitrogênio: a presença de N na água indica decomposição matéria orgânica.2 Cromo 1. No entanto.0 Cobalto 1.6 Nitratos 50 ppm Sulfatos 250 ppm Cloreto Sódio 500 ppm Bactérias E.0 Boletim FAO 25 . quais sejam:  Minerais traços: a presença de elementos tóxicos como flúor.  Bactérias: a presença de bactérias na água indica matéria orgânica e/ou contaminação fecal.6. tornando-a imprópria ao consumo de aves e suínos.  Dureza: a presença de excessos de sais de cálcio e magnésio tornam a água imprópria para o consumo.1 Água de Bebida É a principal fonte de água para os animais.4 estão os níveis máximos de partículas e pH da água para consumo de aves e suínos. TABELA 3. 5).502  51 CO2 + 49H2O + Energia Pesos Moleculares: tripalmitiglicerol = 805 49 H2O = 882 Água Metábólica . seria indicado a ingestão de carboidratos.0 Proteínas 42 400 10. H20 Valor H20 Metabólica/ Nutriente Metabólica/100g Calórico 100 Kcal de EM Caboidratos 60 400 15. proteínas gorduras. No entanto.2 Água Metabólica Refere-se à água formada durante o processo de oxidação dos H 2 contidos nas proteínas. % = 882 x 100 = 100%(+) 805 3) Oxidação das proteínas: Processo complexo. os carboidratos produzem maiores quantidades de água metabólica por kcal de energia metabolizável (EM) produzida. carboidratos e gorduras a nível de metabolismo orgânico.3 Água Coloidal Representa a água presa nos alimentos. em condições de privação de água. os 10 ou 12% de umidade contida normalmente nos ingredientes de rações (milho. % = 108 x 100 = 60% 180 2) Oxidação do tripalmitilglicerol: C51H97O6 + 72. farelo de soja.5 Gorduras 100 900 11. não contribuindo para as necessidades imediatas do animal. 3. Os alimentos suculentos possuem alto teor de água que contribui para o atendimento das necessidades diárias dos animais.. porém em média: 100 gramas de proteína = 42 g de H2O + Energia 3. Neste caso. 26 .5: Produção de água metabólica de carboidratos.3. TABELA 3. No entanto. As gorduras produzem maior quantidade de água metabólica que os carboidratos e proteínas (Tabela 3. etc) está na forma presa aos nutrientes.1 Demonstração da produção de água metabólica 1)Oxidação da glicose: C6H12O6 + 602 -------> 6CO2 + 6H2O + Energia Pesos moleculares: glicose = 180 6H2O = 108 Água Metábólica .3. levando a alto consumo de água. a baixa umidade relativa do ar leva a maior transpiração e maior consumo de água para reposição das perdas. A umidade relativa é que determina a zona de temperatura de conforto dos animais.4. ºC AVES 20 32 POEDEIRAS Sem produção 150 250 50% produção 180 340 90% produção 200 400 MATRIZES PESADAS 4 semanas 75 140 12 semanas 140 250 18 semanas 180 360 50% produção 200 380 80% produção 230 400 FRANGOS DE CORTE 1 semana 24 50 3 semanas 100 210 6 semanas 280 460 PERUS 1 semana 24 50 4 semanas 110 220 12 semanas 350 650 18 semanas 500 1000 Adaptado de Leeson & Summers (2001) 27 . já que. A água de bebida representa para aves uma importante maneira de consumo de calor corporal. também.6 Consumo de água por aves (ml/dia) de acordo com a temperatura ambiente. aproximadamente 50% da dissipação do calor corporal é feito através da respiração. ocorre o catabolismo das proteínas orgânicas que aumenta as exigências de água. e. TABELA 3. TEMPERATURA. Em clima quente há a necessidade de auxiliar a perda de calor destes animais através de ambientes adequados e água fresca.3. Frangos de corte e poedeiras comerciais dobram o consumo de água quando a temperatura ambiente passa de 20 para 32ºC (Tabela 3. Por outro lado. na evaporação cutânea e na respiração são pequenas. A associação de altas temperaturas e umidade relativa ambiente. As perdas de calor corporal pelos suínos é um processo dificultoso. em condições de temperaturas baixas. Por outro lado.6).1 Temperatura e Umidade Relativa Ambiente O aumento da temperatura ambiente leva a um incremento no consumo de água. No caso das aves. resulta em estresse calórico. Normalmente o aumento do calor ambiente leva a um incremento na transpiração ou respiração que eleva as necessidades de água.4 FATORES QUE AFETAM A INGESTÃO DE AGUA 3. dificultam as trocas de calor animal-ambiente. 3.053 x consumo ração) Crescimento/terminação 2 a 3 x consumo ração Gestação 6.8). 158 812 10 . 171 832 35 .7: Consumo de água por Suínos (ambiente termoneutro) Categoria Litros/Animal/Dia Leitões desmamados 0.149 + (3. decresce em relação ao peso vivo. 3. As aves excretam ácido úrico que necessita menor quantidade de água para eliminação do que a uréia nos mamíferos. 3.4.2 Função Fisiológica A necessidade de água depende da função fisiológica. porém. (1998).6) TABELA 3.4 Idade do Animal O consumo de água aumenta com a idade (Tabela 3.4. Porcas em lactação exigem mais água do que as gestantes e estas mais do que os animais em crescimento (Tabela 3. Este aumento de consumo de água está correlacionado com o aumento do consumo de ração. 228 1000 Adaptado do NRC (1994) 28 .7). Este fato é devido ao tipo de excreção de nitrogênio urinário. Idade Frangos de Poedeiras Perus Semanas Corte comerciais 1 32 29 55 2 68 43 103 3 104 57 148 4 143 71 209 5 178 86 285 6 214 100 358 7 250 107 435 8 286 114 514 9 . 129 696 12 .5 a 10 Lactação 20 Adaptado do N.3 Espécie Animal As aves exigem menor quantidade de água do que os mamíferos em percentagem do peso vivo. TABELA 3. As aves também apresentam diferenças de consumo de água em função da finalidade fisiológica (Tabela 3. 145 777 15 .C. 122 612 10 .8 Consumo de água por aves (ml/dia) de acordo com a idade.R.4. os suínos consomem quantidades constantes de água em relação ao consumo de ração diária.C (1998). os suínos consomem de 1. 1980).6 RESTRIÇÃO DE ÁGUA As aves e suínos com acesso livre ao bebedouro apresentam consumo de ração de acordo com as suas necessidades nutricionais. os leitões de 5 a 8 semanas 20 kg de água por 100 kg de peso vivo e os suínos em terminação.5 NECESSIDADE DE ÁGUA As aves de uma maneira geral consomem mais água do que as suas necessidades. Nos casos de altas temperaturas.6 que evidencia a grande diferença na ingestão de água em função do estádio de desenvolvimento e função fisiológica. De maneira geral. Os consumos de água por aves estão apresentados na Tabela 3.9. (1971). 29 . Na Tabela 3. a restrição de água por períodos curtos não afeta a produção. Os leitões e porcas em lactação possuem exigências de água mais elevadas. por exemplo. As necessidades de água pelos suínos são bastante variadas em função da idade. requer proporcionalmente menor quantidade de água devido a consumir menor quantidade de alimento por unidade de peso corporal associada a redução do conteúdo hídrico corporal. A medida que o suíno cresce. podendo chegar a zero. 7 kg de água por 100 kg de peso por dia.9 a 2. devido à manutenção do alto teor de água corporal (70-80%) e as segundas.g. por exemplo. a restrição de água. como ocorre no verão.3. que prejudica na absorção de nutrientes ( e. TABELA 3. além de aumentar a umidade das excretas. a restrição de água é um dos métodos utilizados para regular a taxa de crescimento visando reduzir a mortalidade por síndrome ascítica e a gordura abdominal na carcaça da ave. No entanto. Por outro lado. acima de 20% ocorre prejuízo no desempenho a partir de 36 horas de restrição (Patrick e Schaible. cálcio) e a qualidade da casca. pode ser utilizada com objetivos específicos. tipo e quantidade de ração ingerida e estado fisiológico. a restrição de água por 1-3 h pode reduzir os efeitos do superconsumo de água. no entanto. principalmente energia. (1971) onde mostram o grau de redução na ingestão de ração de acordo com a intensidade da restrição de água. pela alta perda água através do leite produzido.9 Efeito da restrição de água no consumo de ração por frangos de corte. Os primeiros.5 kg água por kg de ração seca. As poedeiras comerciais quando privadas de água por período longo (24 h). Segundo o N. Semanas de idade Restrição de água 0 10 20 30 40 50 % 2 100 84 84 75 73 70 4 100 98 94 90 85 80 6 100 88 82 78 73 71 Média 100 90 87 81 77 74 Dados adaptados de Kellerup et al. 3. No caso de frangos de corte. resulta em queda na postura. A restrição de 10 a 20% de água para poedeiras.R. estão adaptados dados de Kellrup et al. não afeta a produção. 6 CO2 + 12H2O C6H12O6 + CO2 + 6H2O Dióxido de Água Clorofila Carboidrato Oxigênio Água carbono 30 . melhora o aproveitamento do amido pela redução da velocidade de passagem neste compartimento e intestino delgado. Quantitativamente três polissacarídeos são de importância nutricional para monogástricos. presentes em grandes quantidades nos grãos cereais. A sua digestibilidade é superior a 95%. METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS Os carboidratos são definidos como polihidroxialdeídos ou cetonas e representam a principal fonte de energia para as rações de aves e suínos.5%) e distribuída no fígado e músculos. a restrição de água associada a programas de alimentação. São polímeros de glicose. em casos de recuperação dos níveis de glicose sanguínea ou gasto energético muscular.6. com a produção de ácidos graxos voláteis.4. CO2 e energia. composto por unidades de glicose polimerizadas através de ligações glicosídicas alfa-1. É a forma de reserva de carboidratos no organismo. O produto final da digestão dos carboidratos são açúcares simples que são metabolizados organicamente produzindo água. são utilizados no controle de peso dessas aves. ou participando da construção de outras substâncias. O amido é o principal polissacarídeo digerível das plantas. no entanto. O glicogênio foi descoberto primeiramente por Claude Bernard em 1956. geralmente classificados como homopolissacarídeos. Apesar da digestão da celulose ser limitada para suínos e aves. Serve para utilização imediata. estes animais. Enquanto dietas contendo amido puro. desde que compostos somente por glicose. que são o amido. a presença da celulose retarda este tempo para 3 horas melhorando a digestão e absorção dos açúcares solúveis. É. Em matrizes pesadas. possibilitando alguma digestão da fração fibrosa da ração. quando estudou a relação entre o glicogênio hepático e o conteúdo de glicose no sangue. A presença de celulose na moela da ave.4 e alfa-1. A celulose é um polímero de glicose com ligações do tipo β-1. Os carboidratos nutricionalmente importantes são sintetizados pelas plantas através da fotossíntese a partir da água solo e CO2 do ar segundo a reação a seguir. exerce função importante no controle da taxa de passagem do bolo alimentar nos vários compartimentos do trato digestório. Em suínos. sendo pequena (1-1. quando adultos conseguem uma taxa relativamente boa de fermentação no intestino grosso. a celulose e o glicogênio. estes ácidos produzidos no intestino grosso podem representar uma fonte de energia a mais para o animal. detecta-se resíduos da ração após 2 horas no intestino grosso das aves. A digestibilidade da celulose para aves e suínos é limitada. esta gordura formada será utilizada para a produção do ovo. começa a haver uma pequena hidrólise do amido pela ação de alfa-amilase. sendo continuada no intestino delgado.42 Soja Integral 24. Após a fase de crescimento. Fontes ENN1 AMIDO1 FDN2 FDA2 Milho1 72. 1) Glicólisis: é o processo de oxidação da glicose a piruvato e lactato. que são absorvidos.00 45.08 62. No caso das aves de postura. Nos suínos. os carboidratos representam a maior reserva (Tabela 4. ocorre a sua deposição nos adipócitos destes animais. Enquanto a forma de energia armazenada no organismo é a gordura.1: Conteúdo de carboidratos de alguns ingredientes de origem vegetal e animal (%). Alguma frutose poderá circular no sangue e mesmo no fígado pode ocorrer esta transformação.00 Farinha de Carne 1.1).3. Na maioria dos vegetais.12 7. grande parte dos carboidratos dietéticos irão integrar o metabolismo dos lipídeos através da lipogênese. (2000). também 31 . ao serem ingeridos por aves ou suínos na forma de amido ou qualquer outro açúcar solúvel. o carboidrato é em geral o principal componente. com produção de sacarídeos de menor cadeia como as dextroses e maltoses. são umedecidos pela saliva onde a água embebe as partículas que facilita a digestão . nos vegetais. a fração carboidrato é representado por açúcares solúveis (extrativo não nitrogenado) e fibra bruta (teoricamente composta por celulose. Rostagno et al. 2.40 3. os carboidratos dietéticos possuem função maior a de oxidarem para fornecer energia aos processos metabólicos (anabolismo).70 8.00 9. 4.87 1 Tabelas AEC (1987).30 11.50 14. Durante a fase de crescimento destes animais. em suínos em engorda e frangos de corte.50 13. hemicelulose e lignina) que representa os carboidratos estruturais. a nível principalmente de jejuno.87 87.80 13. 4. pela ação de sacaridases específicas.1). a exceção das sementes oleaginosas. a nível de parede intestinal ocorre a interconversão para glicose.60 Ossos Farinha de Peixe 7. Na análise proximal dos alimentos.37 Amido de Milho 87.10 Farelo de Soja 31. No entanto.79 45% Feno de Alfafa 34.00 35. com a produção final de monossacarídeos. já na boca. que representa a reserva energética animal. TABELA 4.1 DESTINOS METABÓLICOS DOS CARBOIDRATOS DA DIETA Os carboidratos. o carboidrato dietético pode seguir uma série de rotas do metabolismo (Figura 4. No estômago ocorre a paralização da digestão devido ao pH ácido.1 Rotas Metabólicas mais Importantes e seus Controles Após absorção. A maior fração de todo carboidrato absorvido por aves e suínos é metabolizado na forma de lipídeos. Apesar de haver absorção dos vários tipos de monossacarídeos. 6-P desidrogenase (importante enzima do ciclo). são ativadas sobre as condições de necessidade de energia na célula ou a redução da glicemia. 32 . sendo no final. O início da glicólisis começa com a fosforilação das hexoses através da hexoquinase muscular e/ou glicoquinase do fígado.é a formação de glicose ou mesmo glicogênio. podem participar desta biossíntese. Este ciclo ocorre principalmente para o metabolismo das células sanguíneas. a célula estaria suprida de energia. na qual é responsável pelo nível glicêmico. Os aminoácidos por exemplo. 5) Ciclo da Pentose Fosfatada: é uma rota alternativa da via glicolítica. de produzir NADPH + H+ para a biossíntese dos ácidos graxos. Esta rota ocorre somente quando o animal está em jejum ou em condições de estresse. chamada de via glicolítica ou de Embden – Meyerhof Parnas. tem função de ativação do sistema enzimático. controla a atividade destas enzimas. Existe um mecanismo tal que ativa a glicose . são gerados 36 ATP líquidos. a partir da glicose 6-P. para que ocorra a quebra do glicogênio. Durante a oxidação do acetato a CO 2 e H2O. a partir de compostos que não carboidratos. já que. Esta condição poderá ocorrer quando o animal estiver em estado de jejum prolongado ou receber excesso de proteína na dieta. mais rápida e tem a finalidade básica. 3) Glicogênese: haverá glicogênese para recuperar os pequenos depósitos de glicogênio no músculo e fígado. a utilização de NADH + H + abaixo do gliceroldeido 3-P da glicólisis. consequentemente cadeia respiratória. A diferença de atuação destas duas enzimas é que a primeira trabalha em baixas concentrações de glicose e a segunda em altas . através de suas entradas via ciclo de Krebs. via cadeia respiratória acoplada. evitando com isto. os níveis de insulina são relativamente altos (hiperinsulinênicos) em relação a outros animais . tendo a glicogênio sintetase como importante enzima no processo. Produz duas ligações de alta energia para o metabolismo orgânico. As enzimas envolvidas na utilização da glicose e/ou frutose. Esta volta metabólica evita a formação de ATP. 4) Gliconeogenese . 6) Ciclo de Krebs: este ciclo atua na rota final da oxidação dos carboidratos e produzirá a maior quantidade de ligações de alta energia (ATP). com liberação de unidades de glicose. formando os triglicerídeos. durante a lipogênese. esterificado ao glicerol. produzido no pâncreas (células α das Ilhotas de Langerhans). As células vermelhas do sangue possuem mitocôndria e. Em suínos. 2) Glicogenólisis: representa a quebra do glicogênio muscular e hepático. Esta rota representa a maneira mais rápida de fornecimento de energia para o organismo. 7) Lipogênese : biossíntese de ácidos graxos a partir de intermediários do ciclo de Krebs. O citrato e o isocitrato são intermediários da mitocôndria que conseguem passar pela parede desta organela celular e após clivagem neste compartimento. A secreção de insulina. quando há necessidade de depositar gorduras no organismo por conta da ingestão de carboidratos (glicose). em resposta à necessidade de recuperação dos níveis séricos de glicose. O hormônio glucagon. integra o processo de elongamento e dessaturação da cadeia do ácido graxo. 33 . da análise proximal. sacarose e amido dietéticos (Figura 4.4). Enquanto os carboidratos solúveis dos grãos cereais representados pelo extrativo não nitrogenado. ocorre o aproveitamento eficiente de maltose. Por outro lado. O fornecimento de rações na fase pré-inicial (fase de amamentação) tem por finalidade ativar o sistema enzimático do leitão evitando em parte. enzima que desdobra a lactose em glicose e galactose.2: Atividade das enzimas em leitões A digestibilidade dos carboidratos da dieta depende da presença de carboidrases no sistema digestório dos animais monogástricos.4 UTILIZAÇÃO DE CARBOIDRATOS POR SUÍNOS Os leitões recém nascidos são incapazes de utilizar certos carboidratos dietéticos devido a insuficiente atividade enzimática das enzimas. FIGURA 4. os insolúveis (fração fibra) apresentam digestibilidades baixas (Tabela 4. Pesquisas relatam a adaptação do trato digestório no que se refere ao desenvolvimento de atividade enzimática. apresentam alta digestibilidade (60-90%) . pesquisas recentes discordam desta prática por ativar o sistema imunológico dos leitões com a presença de proteína vegetal nesta dieta. A atividade de outras carboidrases (maltase. Por outro lado. sacarase e amilase) vão sendo desenvolvidas com a idade do leitão sendo que a partir de 21 dias. Somente a lactose é bem aproveitada no início da vida extra uterina do leitão devido a presença da lactase. os problemas de diarréia causados durante a fase pós-desmama destes animais.1: Destinos Metabólicos dos Carboidratos Dietéticos 4.2). com o avanço da idade ocorre a redução da atividade lactásica. FIGURA 4. 34 . esta pequena digestão pode atender as necessidades de manutenção destes animais. Algumas pesquisas evidenciam a necessidade de um nível entre 5 e 7% de fibra bruta na ração de fêmeas em gestação. no entanto. tem melhorado a digestibilidade desta fração. A utilização de compostos ionóforos (anticoccidianos) em dietas com altos teores de FB para suínos.5) e verificaram melhoria significativa na digestibilidade da FB (45.4: Digestibilidade da fração fibra bruta e extrativo não nitrogenado de diversos alimentos para suínos e aves. Alimento % FB % ENN Espécie Digestibilidade (%) FB ENN Milho 3. a partir de 30 kg de peso vivo. resultando em maior produção de ácidos graxos voláteis no intestino grosso que podem contribuir para o atendimento de parte das necessidades de energia para a manutenção desses animais. Os níveis de fibra bruta que poderiam ser utilizados pelos suínos dependem de uma série de fatores como:  Tipo e níveis de fibra da ração.5 x 63. Os suínos. por exemplo.5 72 suínos 30 93 aves 13 90 Trigo 2. e  Idade e/ou peso dos animais.5 UTILIZAÇÃO DA FIBRA BRUTA POR SUÍNOS E AVES Os animais monogástricos se caracterizam pela pequena capacidade de digerir alimentos fibrosos.5 69 suínos 45 79 aves 9 89 Cevada 5.  Níveis dos outros nutrientes na ração.TABELA 4. Fêmeas suínas no estágio de gestação. Rações à base de milho e farelo de soja proporcionam nível de fibra bruta em torno de 3%. (1992) estudaram a inclusão de salinomicina (37. devem receber uma alimentação mais fibrosa do que os animais em engorda.8%). possuem intestino grosso desenvolvido com boa capacidade de digestão da fibra da ração. evitando que engordem em demasia e prejudicando a reprodução destes animais.5 70 suínos 15 86 aves 11 82 Aveia 11.5 ppm) em dietas com a alta fibra para suínos em crescimento (Tabela 4.3 60 suínos 11 79 aves 7 69 Alfafa 33 35 suínos 21 66 aves 1 34 4.7%) para ração com altos conteúdos de FB (7. em certos estágios fisiológicos. Bertechini et al. 1 grama de carboidrato produz somente 4. + .8 7.72 57. hormônios de importância vital na reprodução. ceras e compostos relacionados.) com pequena ou nenhuma solubilidade em água. clorofórmio.1 FUNÇÕES DOS LIPÍDEOS Os lipídeos desempenham uma série de funções orgânicas.38 87. Compreendem as gorduras. Enquanto 1 grama de óleo vegetal produz 9 kcal de energia no metabolismo. 35 . (1992) METABOLISMO DOS LIPÍDEOS Os lipídeos formam um grupo de substâncias heterogêneas. Em condições de privação de água. favorecimento da absorção e aproveitamento de vitaminas e ácidos graxos. as gorduras produzem 2.8 2. Nível de FB na ração (%) Nitrientes 2. óleos. Encontraram aumentos do valor de energia da sacarose de 6.50 b 63.71 75. acetona.25 vezes mais calorias do que os carboidratos. os lipídeos melhoram a palatabilidade. As gorduras/óleos são importantes do ponto de vista nutricional e são encontrados de forma abundante na natureza.00 78. as gorduras queimadas no organismo liberam maiores quantidades de água metabólica do que o seu peso oxidado.60 78. 5. funções estrutural e reserva energética são básicas. melhoria na digestibilidade dos aminoácidos e dos carboidratos da dieta. Mateos e Sell (1980) estudaram os efeitos da adição de gordura sobre os valores de EM de açúcares de dietas de poedeiras. b (P<0. No caso do amido o aumento foi de 5. Participam na secreção de bile e síntese de prostaglandinas. solúveis em solventes apolares (éter.8 7. hexana. reduzem a poeira e a perda de nutrientes. São precursores de vitaminas lipossolúveis e ácido graxo essencial.8 Salinomicina . daí a consagração do termo Ação Dinâmica Específica das Gorduras (também chamado de Valor-Extra- Calórico).90 a .4%. A gordura que recobre o corpo animal tem como função proteção e o isolamento.5 Efeito da salinomicina na digestibilidade da fibra em suinos na fase de crescimento. A maior fração do carboidrato absorvido no intestino delgado de aves e suínos é metabolizado como gordura e armazenado como tal. TABELA 4. Certas funções específicas são somente exercidas por estes nutrientes. ácidos graxos essenciais e energia de baixo incremento calórico.75 a MS 87. além de ser o método prático de se elevar o conteúdo energético e melhorar a conversão da dieta. + FB 55.61 45. Como fonte de energia. entre outras. auxilia na manutenção de equipamentos. portanto.05) Bertechini et al. Esta ação seria o resultado de um conjunto de fatores como o fornecimento vita minas lipossolúveis. facilitam a peletização.0 kcal. Nas rações.5% quando elevou a adição de gordura de zero para 6%.16 PB 88. que tem um significado mais amplo.21 73.89 89. Segundo Sklan et al.1). em função do tipo de gordura ingerida. resultando em melhoria da digestibilidade da maioria dos nutrientes. Existe diferença no local básico de lipogênese entre aves e suinos. alterando esta textura. O uso de óleos na fase pré-abate. Nos suínos. Esta caracteristica dos suínos permite que se modifique rapidamente a textura da gordura depositada através da manipulação da composição da dieta. 5. ocorre a emulsificação e hidrólise dos triglicerídeos. os frangos de corte. foi verificado uma melhoria na digestibilidade dos aminoácidos com perús e frangos de corte entre 5 e 6 % com a adição de gorduras às rações. contribui no processo de absorção. no entanto. ocorre praticamente no tecido adiposo. a absorção se faz através do mesentério e suínos pelos vasos linfáticos. que são transportados na corrente sanguínea. para a síntese de gorduras modificadas. os quilomicrons. formando a partir daí. nas aves. Nas aves. Em trabalho realizado por Furman (1992). poedeiras a gema do ovo. 36 . Ao nível da mucosa intestinal ocorre reesterificação dos ácidos graxos à molécula de glicerol. envia os ácidos graxos para a formação de lipídeos de reserva (suínos o toucinho. a lipogênese se processa basicamente no fígado (98%). na gordura da carcaça. O fígado distribui os lipídeos para as células gerais (oxidação).2 DESTINOS METABÓLICOS DOS LIPÍDEOS DA DIETA Os lipídeos dietéticos (triglicerídeos. Ambas as circulações caem no fígado onde ocorre o metabolismo maior dos lipídeos. que formam micelas com ácidos e sais biliares e são absorvidas através do microvilo intestinal. principalmente) são digeridos e absorvidos basicamente no intestino delgado e podem seguir vários destinos metabólicos (Figura 5. a gordura da carcaça e abdominal). Neste segmento do trato digestório.(1996) existe catabolismo de ácidos graxos a nível de mucosa epitelial sendo que esta geração de energia. favorece a mudança rápida do perfil de ácidos graxos no triglicerídeo dos adipócitos. A presença de glicerolquinose (enzima de esterificação dos ácidos graxos ao glicerol) no tecido adiposo dos suínos. resulta em deposição proporcional à ingestão de ácidos graxos insaturados. são basicamente compostos de ácidos graxos insaturados e de qualidade líquida. desta tabela. FIGURA 5. os altos teores de ácidos graxos saturados nas gorduras de origem animal (Tabela 5.1).3 ÁCIDOS GRAXOS Os ácidos graxos são produtos da hidrólise dos triglicerídeos. Os óleos vegetais por exemplo (Tabela 5.1: Destinos metabólicos dos lipídeos da dieta 5. A composição de ácidos graxos ligados à molécula de glicerol determina a qualidade física da gordura. indica a identidade de cada fonte. De maneira geral estão presentes nas gorduras animal e vegetal em número par de carbonos devido a biossíntese a partir de unidades de dois carbonos (Tabela 5. No entanto. São classificados em saturados e insaturados. O ponto de fusão dos ácidos graxos se eleva a partir de oito carbonos na molécula enquanto os insaturados são líquidos à temperatura ambiente.3) determinam a sua característica física sólida à temperatura ambiente . sendo um ítem de avalilação da qualidade da gordura. O índice de iôdo.2). 37 . TABELA 5.2: Composição (%) aproximada dos óleos vegetais.0 3.0 59.0 24.1: Ácidos graxos encontrados nos lipídeos e seus pontos fusão.0 4.5 35.0 7.0 1.2 12.0 53.0 22. TABELA 5. - Soja 132 0. C22H32O2 Líquido DHA (-3) Conn e Stumpf (1975).0 4.5 4.5 - Algodão 110 1. Emken (1997) 38 .5 69. 9.0 20.0 8.0 10.0 2.5 5. - Maynard & Loosli (1982).5 33. SATURADOS INSATURADOS Índice Fontes 14:0 16:0 18:0 18:1 18:2 18:3 20: de Iodo 0 (w6) (w3) 4 Girassol 136 . Ácidos Graxos Fórmula Ponto de Fusão ºC Saturados: Butírico C4H8O2 Liquido Hexanoico C6H12O2 Líquido Octanoico C8H16O2 16 Decanoico C10H20O2 31 Láurico C12H24O2 44 Merístico C14H28O2 54 Palmítico C16H32O2 63 Esteárico C18H38O2 70 Aráquico C20H40O2 75 Lignocérico C24H48O2 84 Insaturados Palmitoleico C16H30O2 Líquido Oléico C18H34O2 Líquido Linoleico C18H32O2 Líquido Linolênico – (-3) C18H30O2 Líquido Araquidônico C20H32O2 Líquido Clupanodônico C20H34O2 Líquido Eicosapentaenóico – C20H30O2 Líquido EPA (-3) Docosahexaenóico.3 23.0 5.2 20.0 0.0 - Milho 128 .0 49.4 23. 5.6 .0 10.0 .5 1.5 49.0 Coco 8 76.0 - Linhaça 22.0 . - Canola 1. 3: Valores de absorbabilidade de ácidos graxos e triglicerídeos determinados com aves.3 1.5 Emken (1997. TABELA 5.4 5. Índice SATURADOS INSATURADOS Fontes de 18:2 18:3 Iodo 14:0 16:0 18:00 18:1 20:4 (w6) (w3) 0.5 1. Desta forma.2 - Sebo 40 3.8 8.9 39. TABELA 5. ocorre a síntese do ácido aracdônico a partir do linoléico.0 1.0 3. Rosa (1999) e Egg Nutrition Centre (2002) 5.5 23.0 30.3 22.0 11.5 11. com a presença da vitamina B6.1 44.0 11.2 12. Taxa de Absorção Idade das Aves acima de 8 3-4 semanas semanas Ácidos Graxos Láurico (12:0) 65 - Mirístico (14:0) 25 29 Palmítico (16:0) 2 12 Esteárico (18:0) 0 4 Oléico (18:1) 88 94 Linoléico (18:2) 91 95 Triglicerídeos Óleo de Soja 96 96 Óleo de Milho 84 95 Gordura Suína 92 93 Óleo de peixe 88 Gordura Bovina 70 76 Óleo de 87 96 Restaurante Adaptado de Leeson e Summers (2001).7 0.5 29.0 - Suínos 62 1. 39 .5 Aves 80 1.8 48.00 35. a nível hepático.4 18.6 Manteiga 1.0 0.4 21. pode-se considerar que somente o ácido linoléico (C18:2) é dieteticamente essencial.5 28.8 5.0 - Bovino Ovo gema 0. No entanto.4 28.3: Composição (%) aproximada das gorduras animais.4 ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS (AGE) Os ácidos graxos linoléico e aracdônico são considerados essenciais ao organismo animal.0 0. sugere as necessidades de AGE como 3% da ED da dieta para suinos acima de 30 Kg de peso vivo e 1. em rações a base de milho. Em rações de suínos.6%.1% (NRC.  redução na eclodibilidade dos ovos. respectivamente. nas dietas destes suinos.0%).  redução da taxa de postura.0%. Sintomas de deficiência de ácido linoléico a) Aves  crescimento retardado. há a formação de um ácido graxo com vinte carbonos e três duplas ligações (eicosatrienóico) que não exerce as funções do aracdònico (eicosatetraenóico).  elevação da mortalidade embrionária durante a incubação. aproximadamente. o ARC (1981).  redução ou falta de espermatogênese. normalmente nos carbonos 9 e 12 da cadeia. No caso dos suinos pesquisas realizadas por Enser (1984). corresponderia a um nível de 1.6. Ácido Linoleico Conjugado (ALC) O ácido linoleico contém 18 carbonos e duas duplas ligações.  pelo seco e quebradiço. porém. e.5% da ED para animais de 30 a 90 Kg. Por outro lado os ácidos linoleico que se encontram conjugados. No caso das aves de corte (exigência aproximada de 1. Por outro lado.0% de gordura com 45% de ácido linoléico. Este cereal contém aproximadamente 3. b) Suínos  perda do pêlo.  dermatite escamoso-casposa. 1994/1998). frangos de corte e suínos são respectivamente de 1. não haveria necessidade de suplementação.0 e 0. Estes valores equivalem a 1. portanto.  redução do tamanho dos ovos.1% de ácido linoleico. dificilmente haveria necessidade de suplementação do ácido linoléico. rações de poedeiras deve-se preocupar com este ácido graxo. indica que estes animais podem ser criados desde a fase inicial até o abate com somente 0. ocorre reações a nível metabólico (elongamento e dessaturação) no sentido de produzir aracdônico. Porém. O ácido graxo aracdônico é tido como fisiologicamente essencial. atendendo as necessidades nutricionais . principalmente por influir no tamanho do ovo. Em caso de deficiência dietética de linoléico.  deficiência na produção de bile.  atrofia dos testículos. 1. além de ter uma exigência dietética maior do que para frangos de corte.  fígado gorduroso. As exigências dietéticas de ácido linoléico para poedeiras. onde os ingredientes normalmente suprem a necessidade.2 e 0. apresentam duplas ligações nos carbonos 9 e 11 40 . participando pelo menos com 65% dessas rações. evidencia a deposição desses ácidos na carcaça. elevou a concentração de deposição desses ácidos no peito e coxa das aves. o enriquecimento de produtos animais de consumo. ou 10 e 12. Bertechini e Bressan (2004). têm sido objeto de pesquisas principalmente sobre seus efeitos a nível imunológico. O enriquecimento de dietas de aves com ácido linolênico não produz o mesmo efeito que o uso de EPA e DHA nas carnes de frangos e ovos (Barlow e Pike. Quando o animal está com alguma patogenia. pode contribuir para o aumento da ingestão do ALC. a concentração nas carnes de aves e suínos e ovos. que o percentual de deposição dos ácidos graxos Omega-3 é diferente para peito e coxa. 4. A idéia atual é poder tranferir esses ácidos graxos aos produtos como o ovo e a carcaça de suínos e frangos de corte através do enriquecimento das dietas desses animais. pesquisa desenvolvida por Rosa. ocorre sempre uma piora no seu desempenho e o uso do ALC. Existe a possibilidade de conversão do ácido linolênico em EPA e DHA nos animais. respectivamente). O enriquecimento de gemas e carne de frangos de corte com ácidos graxos da série ω-3 é uma realidade atual. A partir destes fatos. quando as aves são alimentadas com dietas os contendo. Estes dados indicam também que estas aves conseguem elongar e dessaturar o ácido linolênico. No caso de frangos de corte. que possuem alto consumo de peixes que contém as maiores concentrações desses ácidos graxos em seus tecidos. no conteúdo desses ácidos em relação ao normal (Tabela 5. está diretamente relacionada com a quantidade consumida Estes ácidos linoleicos conjugados. poderá no futuro auxiliar na recomposição do desempenho dos animais. já.5 ÁCIDOS GRAXOS ÔMEGA-3 (-3) Os ácidos graxos da série ômega-3 20:5 (EPA-eicosa. 14 e 21 dias de uso. O aumento do tempo de fornecimento também aumentou a deposição (3. diferentemente da situação normal. esta conversão é muito lenta.5). As galinhas poedeiras possuem boa eficiência de conversão. 14 e 21 dias). Ovos com ácidos graxos polinsaturados ω-3 já são comercializados em todo mundo e normalmente apresentam níveis de mais de 6 vezes. EPA e DHA.36 e 6.17% para 7. tendo como passo limitande a enzima delta 6- dessaturase.33. A coxa apresentou maior deposição de linolênico e menor de EPA e DHA em relação ao peito. quando foi descoberta a baixa incidência de problemas cardíacos e de artrites nos esquimós da Groelândia. Neste trabalho estudou-se a deposição dos ácidos Omega-3 no peito e coxa dos frangos alimentados em três períodos de fornecimento pré-abate (7. Os óleos vegetais e os tecidos animais possuem certas quantidades desses ácidos conjugados.pentaenóico) 3 e 22:6 (DHA-docosa-hexaenóico) 3 encontrados em óleos de peixes e 18:3 (Linolênico ) 3 em alguns óleos vegetais têm sido objeto de pesquisas a partir de 1979. O fornecimento de um óleo comercial contendo ácido linoleico.4). as maiores concentrações de EPA e DHA foram encontradas no peito das aves que receberam 41 . Por outro lado. já os humanos. já que os humanos são incapazes de sua biossíntese. Somado a este fato. as pesquisas têm evidenciado os efeitos fisiológicos atribuídos aos ácidos graxos de cadeia longa (20:5 3 e 22: 6 3) mais do que o de cadeia curta 18: 3 3. que. Verificou-se também neste trabalho. A composição dos ácidos graxos da dieta influenciou diretamente a composição desses ácidos no peito dos frangos de corte (Tabela 5. 1991). 5. 25 a 0. Campinas.75 6..50 c * médias seguidas de letras diferentes na linha.67 7.15 c 21.02 9.óleos contendo ácido linolênico.40 1.75 c 7.4 – Composição nutricional do ovo (100 g sem casca)1 Ácido Graxo Ovo normal Ovo enriquecido Proteínas.00 Ácidos graxos saturados.62 a 2.53 b 27. % 18.54 Lipídeos totais.40 0. Bertechini e Bressan (2004) 5.21 a 6.40 a C18:3 ω 3 0.50 c C20:5 ω 3 0.39 C18:3 ω 3 0.5 Relação entre os ácidos graxos da dieta e sua deposição no peito de frangos de corte com 42 dias de idade*.00 425.08 1.00 Colesterol. no entanto. g 10.46 Ácidos graxos polinsat. TABELA 5.69 a 4.00 1 Análises realizadas no ITAL. SP em 2003.10 7. a adição do EPA e do DHA. Dentre os fatores que influem nesta absorbabilidade destacam-se:  comprimento da cadeia carbônica do ácido graxo – o aumento da cadeia carbônica para os ácidos graxos saturados. % 31.  número de insaturações do ácido graxo – o aumento das insaturações 42 .75 a 0.00 6. mg 70.00 Vitamina E.91 Ácidos graxos monoisat.64 Omega-3 0.19 b Omega-6 2. % Sem óleo Linhaça Comercial Soja Extrato Etéreo 3. reduz a digestibilidade da gordura. existem diferenças na absorbabilidade dos ácidos graxos e/ou glicerídeos no intestino delgado.020 ND Composição dos AG do Peito.73 27.63 Ácidos graxos omega-3.6 DIGESTIBILIDADE DAS GORDURAS As gorduras da dieta são altamente digeríveis.62 b 1. g 12.62 a 0. com digestibilidade variando de 85 a 95%. Composição dieta.40 1. resultou em maior enriquecimento.97 b 23.05). ND-não detectado Dados adaptados de Rosa.57 c 0.08 1. diferem estatisticamente pelo teste Tukey (p < 0.38 C20:5 ω 3 ND ND 0.59 25.90 b 1. mg 425.19 b C22:6 ω 3 0.68 46.49 12. % Omega-3 1.35 0.00 418. % 49.027 ND C22:6 ω 3 ND ND 0.99 c 5.19 b 0. mg 1. sendo que. Por outro Os ácidos graxos de cadeia curta podem ser absorvidos pela mucosa gástrica antes de chegar ao intestino. Tabela 5. 1985). têm a digestibilidade das gorduras reduzida. fator que também favorece a sua absorção.  presença ou ausência da ligação éster (glicerol/ácido graxo) – a maior parte dos lipídeos são absorvidos na forma de monoglicerídeos (2- monoglicerídeo). sendo mais abundante em animais recebendo dieta rica em lipídeos. A ordem de afinidade dessa proteína seria oléico > linoleico > palmítico > esteárico. O ponto de fusão dos ácidos graxos é uma importante propriedade que afeta a digestibilidade. possui maior digestibilidade na forma de triglicerídeo (96%) quando comparado a digestibilidade dos ácidos graxos livres do próprio óleo de soja (88%). proporciona melhora na digestibilidade da gordura. reduz a absorbabilidade das gorduras. também incrementa a digestão das gorduras. Assim. com dificuldade de produção de bilis. ácidos graxos livres têm menor absorbabilidade (Tabela 5.  Afinidade da FABP (Fatty acid biding protein) – existe uma proteína citosólica (proteína ligadora dos ácidos graxos – FABP) que possui alta afinidade aos ácidos graxos. Pesquisas com aves indicam aumento significativo da absorção de ácido palmítico quando ocorre aumento da inclusão de ácido oleico à dieta. quanto maior a cadeia carbônica menor o ponto de fusão. para o citosol do enterócito. Assim. A medida que ocorre o desenvolvimento do processo digestivo. por facilitar a formação das micelas durante o processo de absorção. onde o ácido graxo é re-esterificado a triacilglicerol. não ocorre perdas de lipídeos via urina. Pesquisas realizadas com aves e suinos evidenciam a necessidade da presença de ácidos graxos insaturados para que ocorra bom aproveitamento dos ácidos graxos saturados. maior a sua absorção. Normalmente os ácidos graxos de cadeia curta e média não se ligam a essa proteína e são absorvidos pelo sistema porta sem ocorrer re-esterificação. elevando o valor de EM (Attech e Leeson.3) quando comparados a presença de 2-monoglicerídeo. O õleo de soja plor exemplo. tais como o jejuno proximal e íleo. já para os saturados ocorre o inverso. Os valores de EM das gorduras são diretamente proporcionais às suas absorbabilidades. A emulsificação dos ácidos graxos insaturados ocorre com maior facilidade do que em relação aos saturados. Esta relação para suinos é de 4:1 (Ketels e DeGroote.  Idade dos animais – animais jovens. quanto menor o ponto de fusão de um ácido graxo. já que. A afinidade dessa proteína é maior para os ácidos graxos de cadeia longa e insaturados. 43 . seja devido a presença de eimerias (coccídias) ou micotoxinas. Altas concentrações dessa proteína são encontradas nos locais de maior absorção de ácidos graxos. 1989).  Integridade da parede intestinal – a destruição ou degeneração dos sítios de absorção.  Relação ácidos graxos insaturados/saturados – existe a necessidade da presença de ácidos graxos insaturados para que haja bom aproveitamento dos saturados. Esta proteína seria responsável pelo transporte de ácidos graxos da membrana da parede intestinal. De maneira geral para os ácidos graxos insaturados. 10 e 1. Hidrolítica Este tipo de rancidez pode ocorrer no meio ambiente pela ação de microorganismos e ou fatores de rancificação. havendo perda no valor energético. A velocidade relativa de reação dos ácidos graxos com O2 depende do grau de insaturação. não afetando o valor energético das gorduras. Os ácidos graxos linolênico. No intestino delgado. esta peroxidação modifica as características físico-químicas. A entrada de O 2 na cadeia carbônica insaturada dos ácidos graxos. linoleico e oleico. Peroxidação 44 . durante a hidrolização dos triglicerídeos para absorção. reduz a capacidade de receber O 2 durante a oxidação. porém. apresentam velocidades relativas de oxidação de 25. causando uma simples hidrólise com liberação de mono e diglicerídeos e ácidos graxos. resulta em decréscimos no seu valor energético. ocorre normalmente a rancidez hidrolítica. Assim. Além de afetar o valor energético das gorduras. seguida da A e D. A ordem de prejuízo seria a vitamina E. que modifica o seu aspecto físico e suas características organolépticas.5. as gorduras que contém ácidos graxos com maiores insaturações apresentam menor estabilidade inerente a oxidação. afeta o mecanismo de absorção das vitaminas lipossolúveis além de oxidá-las. Oxidativa A rancidez oxidativa também chamada de peroxidação dos lipídeos. Existem basicamente dois tipos de rancidez (hidrolítica e oxidativa). afetando as suas características organolépticas.7 RANCIDEZ DAS GORDURAS A rancidez das gorduras são alterações na sua composição química. respectivamente. No caso das aves. d) Queda de postura rapidamente: pesquisas tem revelado redução na taxa de postura de 80% para 50% em apenas 15 dias.  Presença de íons metálicos Os íons Ca++.1 Fatores que Favorecem a Rancificação  Umidade Alta umidade possibilita as reações de oxidação. e) As aves ficam extremamente sensíveis ao estresse.6. 5. favorecem grandemente a rancificação. Causas: a) Transporte deficiente de lipídeos no sangue: o transporte orgânico dos lipídeos é feito por lipoproteínas transportadoras que na sua fração lipídica contém altas concentrações de fosfolipídeos (lecitina) e colesterol. Cu++. torna-o hemorrágico. Fe++ e Zn++ catalisam as reações da rancificação. b) Fígado hemorrágico: devido a alta infiltração de gordura no fígado. existem duas síndromes distintas que podem ocorrer com poedeiras e frangos de corte: Síndrome do Fígado Gorduroso em Poedeiras Características: a) Alta mortalidade: aves em condições normais que são acometidas por esta síndrome passam de uma mortalidade de 0. Exame pós-mortem: a) extrema infiltração de gordura no fígado e cavidade abdominal. Obs. principalmente calórico. c) Palidez do fígado: consequência de constantes hemorragias. 5. 45 . favorecendo o aparecimento de fungos e bactérias que fazem a hidrólise das gorduras e facilita também a ação de íons metálicos.5% para 2 a 3% ao mês. b) aumento de gordura de 50 a 60% na matéria seca do fígado. A umidade das gorduras deve ser no máximo 0.: As rações com altos teores de gorduras (principalmente ) devem ser protegidas com uso de antioxidantes.5%. A molécula de lecitina é sintetizada no organismo a partir do ácido fosfatídico e a colina segundo o esquema a seguir.8 PROBLEMAS NO METABOLISMO DE LIPÍDEOS Os distúrbios que podem ocorrer no metabolismo de lipídeos e que tem importância na nutrição de aves e suínos são basicamente relacionados ao transporte orgânico e na deficiência de fatores que estão estreitamente ligados a este metabolismo. sob pena de perda do valor energético e de vitaminas lipossolúveis durante o armazenamento.  Temperatura Altas temperaturas associadas a alta umidade e presença de íons metálicos. b) ocorre paralisias nas aves. com predominância de carboidratos. que faz parte da molécula de lecitina. causando os problemas comentados. Este fato é agravado quando se eleva os níveis de energia das rações de poedeiras em condições de clima frio provocando uma excessiva ingestão de energia (gordura). há uma tendência dessa ave em consumir quantidades de ração que ultrapassa um pouco as suas necessidades em energia. O colesterol é sintetizado no fígado a partir do acetil CoA do metabolismo dos carboidratos ou proveniente da dieta. Síndrome do Fígado e Rins Gordurosos Ocorre principalmente com frangos de corte até 8 semanas idade onde a maioria dos casos tem sido verificados nas criações da Europa e com idade próxima de 21 dias. devido ao regime de gaiola. Outros compostos. b) Rações com alta energia: as poedeiras gastam muito pouca energia para sua movimentação. com isto. Esta vitamina hidrossolúvel toma parte como cofator enzimático do enzima piruvato carboxilase (PC) que catalisa a reação do piruvato a oxaloacetato (Figura 5. Características: a) alta mortalidade: as aves acometidas desta síndrome podem chegar a mortalidade de até 30%. Causas: As causas principais são a deficiência de biotina e dietas com baixo nível de gordura. c) fígado e rins com muita gordura e de coloração alterada. betaína (intermediária da síntese de colina) e a própria colina. Além disso. 46 . ocorre o acúmulo de gordura neste órgão. que o fígado não consegue metabolizá-la toda. tidos como fatores lipotrópicos são também importantes na síntese das lipoproteínas transportadoras como a metionina (doando grupos CH 3 para síntese de colina).2). provocando mobilização e acúmulo no fígado e rins dos frangos de corte. duas carboxilases importantes estão envolvidas nessa síndrome. levando a necessidade de catabolizar os depósitos de lipídeos. (1976). ocorre esta reação de abastecimento. agravando a situação. preferência da acetil-CoA carboxilase pela molécula de biotina. parece que a deficiência de biotina pode represar o ciclo de Krebs no oxaloacetato. FIGURA 5. que não possuem ou contém pequenas concentrações dessa vitamina.2: Papel da biotina nas reações de carboxilação Em caso de déficit de oxaloacetato no ciclo de Krebs. O malato. Segundo Whitehead et al. sendo que dietas com baixa concentração biodisponível desta vitamina. Apesar de não haver ainda explicações claras. associado a alta necessidade desta enzima para a síntese de novo de gorduras. 47 . produto da clivagem seria convertido a piruvato. relativamente rico em biotina (85 g/kg). podendo aparecer essa síndrome. Na Europa. fornecendo acetil-CoA fora da mitocôndria para a síntese de ácidos graxos. Existe no metabolismo da ave. não haveria  oxidação e com isto toda gordura formada seria acumulada e imobilizada. leva ao comprometimento da ativação da piruvato carboxilase. a piruvado carboxilase e a acetil-CoA carboxilase. onde o cereal base das rações é o milho. O ciclo de Krebs estando paralisado. as aves consomem menos ração e desenvolvem hipoglicemia. Com este problema (imbalanço enzimático). dificilmente ocorreria esta síndrome. No Brasil. utiliza-se muita raspa integral de mandioca e outros altenativos. ocorrendo a saída do citrato da mitocôndria para evitar este represamento. O citrato por sua vez seria clivado pela enzima de clivagem do citrato. contém em sua gema de 210 a 215 mg de colesterol. Pesquisa realizada pelo autor. o colesterol pode servir como fonte de energia para os animais. somente. O colesterol está presente em todas as membranas de células e de organelas celulares. a ave consegue produzir e regular esta concentração. entre outros). As aves. e a técnica da cintilação gráfica. através de substâncias captadoras (estatinas) ou com retirada do sítio de recuperação do colesterol biliar (anastomose) a nível de íleo inferior. a forma de CO2 expirado evidencia a utilização deste nutriente no metabolismo energético. 1999). as vitaminas lipossolúveis. como os hormônios testosterona. não sendo sintetizado pelas plantas. é reverssível. Por outro lado. pode-se verificar que o fígado é o maior sítio de catabolismo do colesterol. podendo ser considerado um alcool. mas seguem o instinto da natureza.9 COLESTEROL O colesterol é um composto esteroidal. presente principalmente nos fenos de gramíneas e leguminosas secas ao sol. existe o ergosterol vegetal. realizado principalmente pela lipoproteina de baixa densidade (LDL). faz parte das lipoproteinas transportadoras. fato já observado em aves. responsável pela normalização da colesterolemia nos organismos normais. devido a necessidade de transporte da mesma. Todas as substâncias orgânicas esteroidais são provenientes do colesterol. os ácidos e sais biliares ( cólico. A ingestão de gordura saturada normalmente leva a maior síntese. não se conseguiu a longo prazo redução da colesterolemia das galinhas. As poedeiras comerciais modernas produzem óvulo. quenodioxicolico. Está presente somente no organismo animal. e. Apesar de fisiologistas considerarem que não existe colestrol ciclase hepática. os carotenos. Um ovo com peso de 59 g. que é um precurssor da vitamina D2 . Sabe-se que não é dietéticamente essencial. 5. Trabalhos evitando a circulação enterohepática do colesterol. caso o ovulo seja fertilizado. estradiol e progesterona. com características de solubilidade das ceras. assim. o cortisol e glucocorticoides. Além de suprir a biossíntese de todas as substâncias já mencionadas. jamais aparecerá nos óleos vegetais. evidencia rotas metabólicas alternativas no metabolismo do colesterol. 48 . são os animais com maior taxa de produção de colesterol hepático. sendo que a biossíntese hepática supre todas as necessidades orgânicas. Este fato sugere que a reação de biossíntese a partir do acetil Co-A. sendo também essencial para a formação de micelas de absorção de substâncias apolares como os glicerídeos. biossintetizado no fígado dos animais e com funções extremamente importantes para o funcionamento normal do organismo animal. Uma parte desta biossíntese é adicionada na gema do ovo. tem função fundamental na lubrificação das artérias e veias. indicando a sua essencial necessidade para a perpetuação da espécie. taurocólico. sendo que foi verificado a presença de 14C no CO2 expirado pela ave. pois. a vitamina D. O metabolismo do colesterol ainda é pouco estudado. Através do uso de moléculas de colesterol com 14C. deoxicólico. A biossíntese de colesterol hepático em humanos chega a 3000 mg/dia e depende do hábito alimentar. entre outras. os trabalhos indicam que a ingestão de colesterol praticamente não exerce efeito na colesterolemia (Mcnamara. Problemas com os receptores de LDL a nível de tecido também leva ao acúmulo sanguineo e este fato pode ser o responsável pela hipercolesterolemia em algumas pessoas. Em pesquisas com humanos. As tentativas de redução deste nível de colesterol não foram eficazes. sendo considerados geralmente como seguros e classificados como GRAS (Generally Reconized as Safe). os antioxidantes naturais também são substâncias derivadas de compostos fenólicos. e a propagação é rápida com a entrada de O2 molecular. O início da peroxidação é lento com a entrada de OH . durante o processo de decantação dos óleos vegetais brutos para degomagem. Agem normalmente. como ácidos graxos insaturados e algumas vitaminas lipossolúveis. Este material pode ser usado para separação da vitamina E através de colunas de cromatografia ou outros processos de separação por densidades e características químicas. neutralizando radicais livres de oxigênio.4- trimetil quinolina). e. Os antioxidantes sintéticos são estruturas que possuem o grupo fenólico (Figura 5. Os naturais também possuem estruturas fenólicas. Existe preocupação crescente de saúde pública. sendo o BHA. entre outras. o processamento de retirada de pigmentos (clareamento/desodorização) desses óleos.(forma ativa do oxigênio). uma grande parte dos tocoferóis se concentram na goma ou bôrra no fundo dos tanques. Os mais utilizados em rações animais são o BHT e o etoxiquina. principalmente quando as pesquisas não indicam segurança do seu uso. Os antioxidantes sintéticos são classificados na categoria 3 do FDA ( Federal Food and Drug Administration). O seu maior uso é associado com outros antioxidantes que possuem efeitos sinergísticos. Figura 5. 4. da necessidade de redução de produtos sintéticos. não possue boa efetividade para óleos vegetais. 5. bloqueando a reação inicial através da destruição ou complexação dos radicais livres contendo oxigênio ativo. Os sintéticos mais comuns são: BHA (butil-hidroxi-anisol). da concentração da vitamina e de outros sinergísticos.3).2-dihidro-2. retardando o início da peroxidação. usado com maior frequência em alimentos humanos. A vitamina E é considerado o mais importante antioxidante dos tecidos e a sua ação depende de vários fatores como presença de metais (bivalentes) e O2 no meio. Os óleos vegetais possuem tocoferóis. Por outro lado. A ação dos antioxidantes se dá normalmente. 49 . Apesar do apelo natural. BHQT (butil-hidroxi-quinona-terciário) e etoxiquina (6 etoxi-1. a associação com BHT. as vezes competindo com o sítio de ligação do O 2. que possuem a capacidade de evitar a oxidação de compostos que possuem insaturações na cadeia carbônica. Os antioxidantes naturais são considerados mais seguros para uso em alimentos humanos e animais.) e são derivados do ácido gálico. Normalmente. inibindo o processo catalítico da oxidação. Estruturas dos antioxidantes sintéticos O BHQT tem excelente potencial de proteção dos ácidos graxos polinsaturados e é principalmente utilizado em alimentos humanos que necessitam de maior proteção. que dão início à peroxidação.10 ANTIOXIDANTES Os antioxidantes são moléculas orgânicas de origem natural ou sintética. no entanto. O etoxiquina é um derivado fenólico aprovado para ser usado somente em rações animais. O antioxidante natural mais importante é o tocoferol (vitamina E) que apresenta vários isômeros (Tabela 5.4. BHT (butil-hidroxi- tolueno). melhora os resultados de estabilidade dos óleos.2. resulta na perda de sua atividade. 239 cal (1 cal = 4. Atividade Biológica (UI/mg) d -tocoferol 100 1.10 d δ-tocoferol 200 0. por outro lado. Estes flavonóides possuem a capacidade de quelatizar os minerais bivalentes (principalmente) que são os que mais catalizam as reações de oxidação. 1987. Os flavonóides encontrados nas plantas também possuem atividade antioxidante (Havsteen. Terminologias utilizadas para expressar a energia:  1 Caloria (cal) . Todas as formas de energia são conversíveis em calor. 1983).quantidade de calor necessário para elevar 1 g de água de 1ºC (14. na qual está disponível para o trabalho. Este grupo é grande na natureza e alguns autores (Fraga et al. Para aves e suínos que são animais de sangue quente.  1 Joule = 0. Tabela 5. considerando a realização de trabalho. 1988). 50 . a melhor expressão seria em joules.15 d θ – tocoferol 400 0.05 Valenzuela e Nieto (2000) METABOLISMO ENERGÉTICO A energia pode ser definida como a capacidade de realização de trabalho.252 Kcal O organismo animal possui uma eficiência energética de aproximadamente 40%. A segunda.  1 BTU = 0. Existem outras substâncias naturais com atividade antioxidante.  1 Megacaloria (Mcal) . a capacidade máxima de realizar trabalho. Robak e Grygievski. consideram que possuem poder antioxidante maior do que os tocoferóis.5º C). a perda de energia do metabolismo na forma de calor ( 60%) é importante na homeotermia destes animais.quantidade de calor necessário para elevar 1 kg de água de 1ºC (caloria x 1000).l α-tocoferol sintético 100 1. por isso. encontradas principalmente nas flores das plantas. máximos ganho de peso e aproveitamento do alimento.  1 Quilocaloria (Kcal) . A primeira energia utilizada no organismo é para manutenção da temperatura corporal..18 Joules).5 a 15.3 Atividade antioxidante e biológica de tocoferóis. Em nutrição.quantidade de calor necessário para elevar 1 ton de água de 1ºC (Kcal x 1000).49 d. significa máxima produção de ovos. por conveniência se expressa as transformações energéticas dos processos vitais em termos de unidades calóricas (caloria). é a energia livre. onde é possível separar 51 . onde é medida a produção de calor liberado. Esta medida é utilizada normalmente nas determinações com suínos machos. C6H12O6 + 6O2  6 CO2 + 6H2O + 686 kcal (calor) C6H12O6 + 6O2 + 38 ADP + 38 Pi  6 CO2 + 6H2O + 38 ATP + 409 kcal (calor)  38 ATP = 277 Kcal (38 x 7.1: Principal sítio de produção de energia no organismo 6.1 PARTIÇÃO BIOLÓGICA DA ENERGIA A energia contida nos alimentos pode ser dividida em quatro frações: EB (energia bruta).3 kcal/ATP) = 6 86 . produz-se 38 ATP totais sendo que a oxidação total de uma molécula de glicose gera 686 Kcal (Figura . EM (energia metabolizável) e EL (energia líquida) de acordo com a Figura 6.Na oxidação de uma molécula de glicose. A EB é determinada em bomba calorimétrica através da oxidação total da matéria orgânica na presença de alta pressão de oxigênio (25 atm).409 Eficiência Metabólica = 277 x 100 = 40% 686 FIGURA 6. A ED é obtida subtraindo a EB das fezes da EB dos alimentos. ED (energia digestível).1).2. cuja determinação é mais difícil de se realizar. caso o balanço de N é negativo. Outra forma de determinação de energia foi desenvolvida por Sibbald (1976). sendo medidas as excretas. O incremento calórico (IC) tem grande importância no equacionamento da energia dos alimentos. Emmans (1994) equacionou todo o gasto específico de energia para as atividades metabólicas de cada nutriente em aves. assim. As gorduras. absorção e metabolismo dos nutrientes.77 kcal/g (Diggs et al. é a mais utilizada. houve perdas por IC em kcal/g do produto de 0. O IC das gorduras é menor do que dos carboidratos e proteinas. respectivamente. onde são utilizadas aves adultas (galos). corresponde a diferença entre a EB da ração e a soma das EBs das fezes e urina. Estes valores para suínos são de 0. 8.os conteúdos fecal e urinário em gaiolas metabólicas especiais. 52 . Esta medida é normalmente utilizada em aves onde a determinação das energias das fezes e excreção urinária são realizadas juntas. O fator de correção para o balanço de N em suinos é de 6. Esta energia servirá para a manutenção da homeotermia corporal.91 na matéria orgânica fecal.15. esta correção é adicionada à energia da excreta. No entanto. não são consideradas as perdas endógenas (urinária e fecal). e neste caso a EMAn pode apresentar valores menores do que a EMA.72 na retenção de proteina.36. Todos os métodos de determinação apresentam problemas. se utiliza a forma aparente. a sigla mais correta é EMA. O uso de ED para suinos é mais interessante devido a maior facilidade na sua determinação e os resultados apresentam-se com médias seguidas de menores erros padrões de média quando comparados à determinação da EM. usa-se um fator de correção para o teor de N retido ou excretado e este coeficiente é de 8. com alimentação forçada.22 e 0. portanto. A EM.98 para excreção de N urinário. 3. As tabelas de composição de alimentos atuais trazem valores energéticos em EM para aves e ED e EM para suínos.. Neste caso.2. que apresenta valores com boa repetibilidade. aliada a coleta total de excretas.40. 0. devido a dificuldade nas determinações das perdas endógenas. Os valores de EM também são determinados com suínos. 1965). respectivamente. A energia neste caso é chamada de EMV (energia metabolizável verdadeira). os valores de EM são aparentes. Normalmente. Pode-se calcular também a EM corrigida para o balanço de N (EMAn ). Na Figura 6. carboidratos e proteínas apresentam coeficientes de IC de 0. Quando o balanço de N é positivo. Neste caso o alimento teste é colocado diretamente no papo da ave (25-30 g).16. Representa toda perda de energia durante os processos de digestão. Normalmente se perde aproximadamente 15% de toda energia ingerida com estas perdas.22 kcal/g de N. onde se utiliza o procedimento de substituição de parte de uma dieta referencia. onde se adiciona as gorduras.92 na retenção de lipídeos provenientes dos carboidratos e 1. O IC dos nutrientes com poedeiras difere um pouco em relação aos outros monogástricos.05 na retenção de lipídeos. Esta determinação se aproxima das condições normais de alimentação das aves.25 e 0. e porisso. (1965). Este fato resulta na redução destes gastos com as dietas de maior conteúdo calórico. De toda a EB ingerida. o fator de correção deverá ser subtraido da energia da excreta e . 0. 6. os valores de EMAn poderão ser maiores do que a EMA. sendo que a metodologia preconizada por Matterson et al. Verifica-se como o organismo distribui a energia dietética diferentemente de acordo com as necessidades orgânicas. As porcas em lactação possuem alta exigência de energia para produção de leite. que a eficiência energética difere em função da espécie e finalidade fisiológica do animal. 6.2: Partição da energia ingerida Estudos de balanço de energia são importantes para definir a utilização orgânica da ingestão calórica. 53 . FIGURA 6. atividade e a ineficiência energética para cada função fisiológica.4 e 6. Na necessidade de energia para mantença está incluida as demandas de termoregulação. Nas Figuras 6. Indica também.5 são apresentados os destinos metabólicos quantificados para poedeiras comerciais. frangos de corte e porcas em lactação. respectivamente.3. 2001) EM INGERIDA 300 Kcal de EM Incremento Calórico Incremento Calórico 21 kcal 33 kcal Calor Orgânico ENERGIA RETIDA 78 kcal 168 kcal Gordura 105 kcal Proteina 63 kcal FIGURA 6. 1990) 54 . EM INGERIDA 290 Kcal Incremento Calórico Incremento Calórico Incremento Calórico 24 Kcal 1 Kcal 70 Kcal OVOS CRESCIMENTO MANTENÇA 70 Kcal 5 Kcal 120 Kcal FIGURA 6.3 Balanço energético em poedeiras leves (adaptado de Leeson e Summers.4 Balanço energético em frangos de corte (adaptado de Macleod. ocorre redução no seu consumo para manter um relativo consumo de energia diária. garantindo com isto o consumo necessário dos diversos nutrientes presentes na dieta. o IC para produção e retenção da gordura é maior do que para deposição proteica. Os suinos até atingir o estágio adulto do trato digestório. 1998). o incremento da energia dietética também resulta em algum aumento na ingestão calórica diária.912 Kcal (29%) (71%) Figura 6. quando é proveniente de outros compostos como carboidratos ou proteinas.5 – Balanço energético em porcas em lactação (adaptado do NRC. Este fato sugere que todos os nutrientes da dieta devam ser relacionados ao seu conteúdo de energia. As poedeiras comerciais criadas em gaiolas. A medida que se aumenta o conteúdo energético da ração. PORCAS EM LACTAÇÃO 175 Kg DE PESO VIVO PERDA DE PESO = 0 NÚMERO DE LEITÕES = 10 GANHO DE PESO LEITÕES – 21 DIAS = 200g/d INGESTÃO CALÓRICA ED = 18. Algumas fases da criação e para algumas categorias o controle de consumo pelo nível energético da ração não é bem correlacionado. Apesar da gordura dietética apresentar baixo IC para sua utilização. que ocorre por volta de 30 kg de peso vivo. 6. não reduzem eficazmente a ingestão de ração quando se eleva os níveis de energia da dieta. A relação nutriente/caloria deve ser considerada nas rações de aves e suínos. Assim. podendo afetar o metabolismo hepático das aves.2 IMPORTÂNCIA DA ENERGIA NAS RAÇÕES ENERGIA CONTROLA CONSUMO As aves e os suínos consomem certas quantidades de ração para satisfazerem primariamente as suas necessidades de energia. como evidenciado no balanço energético de frangos de corte. 55 .205 Kcal Mantença Produção Leite 5293 Kcal 12. por outro lado. dietas com maiores conteúdos de energia resultam em melhoria do ganho de peso desses animais. conseguem ter certo controle da ingestão calórica. principalmente para a fase pré-inicial de criação. média EM a 22.9 ºC.1 ºC. As rações de maior nível calórico são normalmente de maior custo. estas rações permitem recuperar o ganho de peso (Tabela 6.4). aumenta a deposição de gordura na carcaça. prejudicial à qualidade de carcaça destes animais (Figura 6. 1993). em certas condições de ambiente. no entanto. porém. FIGURA 6.2 ºC e alta EM a 27.4: Desempenho e qualidade da carcaça de frango de corte submetidos a dietas com vários níveis de EM (1-49 dias) (Bertechini. efeito este.1) permitindo maiores consumos de energia e outros nutrientes. Frangos de Corte O aumento dos níveis de energia metabolizável (EM) nas rações de frangos de corte resulta em redução do consumo alimentar. Verifica-se neste caso que as aves apresentaram mesmo ganho de peso usando dieta com baixa EM a 17. onde temperaturas altas afetam significativamente o consumo de ração. 56 . melhorias no ganho de peso e na conversão alimentar. aumentando a mortalidade do plantel. sendo mais afetado pela palatabilidade da mesma. resulta normalmente em redução do consumo e melhoria da conversão alimentar (Figura 6. Poedeiras Comerciais As rações de poedeiras comerciais normalmente possuem valores calóricos mais baixos do que as rações de frangos de corte. Temperatura Em Ração (Kcal/Kg) X1 (ºC) 2800 3000 3200 17. resulta em maior consumo energético. onde o trato digestório desses animais ainda não atingiu o seu estágio adulto.1: Efeito do nível de energia e temperatura ambiente. e. O nível de consumo durante estas duas fases não tem muita influência em relação a ED da ração.5). Assim. favorecendo o consumo de calorias. tem resultado em carcaças de melhor qualidade. principalmente em condições de estresse provocado pelo calor. principalmente nas fases pré-inicial e inicial. No entanto. Da mesma maneira que nos frangos de corte.05) Bertechini et al. pesquisas revelam também a necessidade de rações de maior conteúdo energético em condições de ambiente quente As rações de poedeiras apresentam normalmente níveis energéticos variando de 2650 a 2900 kcal de EM/kg. Suínos Os níveis de energia das rações de suínos podem variar normalmente de 3150 a 3550 kcal de ED/kg. Os genótipos modernos (híbridos) de suínos tem evoluido para uma maior deposição de carne (tecido magro) com redução da espessura de toucinho. resulta em aumento da gordura corporal nos suínos. e melhores ganho de peso e conversão alimentar. Para algumas linhas.2 1035 1086 1151 1090 27. (1991). No entanto. pode afetar o seu desempenho devido ao excesso de infiltração de gordura no fígado e ovário. resultados de pesquisas nem sempre registram melhorias no ganho peso com a elevação do conteúdo calórico da dieta.1 1051 1122 1252 1142 22. O incremento dos níveis energéticos das rações nas fases inicial. A utilização de rações de alta energia para poedeiras durante períodos longos. sobre o ganho de peso de frangos de corte criados de 29 a 49 dias de idade (gramas). a restrição da ingestão de energia nas últimas semanas pré-abate. crescimento e terminação dos suínos. principalmente para aquelas com maior 57 . deficientes em metionina e/ou colina.. a elevação da energia da dieta nas rações de terminação. sendo os níveis 2700 a 2800 kcal de EM/kg os mais praticados nas rações brasileiras. o aumento do conteúdo de ED nestas rações. O aumento da densidade calórica também possibilita redução do incremento calórico das rações.9 872 951 1058 960 X1 986 1053 1154 1) Efeito Linear (P<0. TABELA 6. 3: Exigências nutricionais de frangos de corte (mistos) na fase inicial (%/Mcal de EM). Baseado nestas considerações. FIGURA 6. são citados algumas tabelas de exigências nutricionais expressas em %/Mcal de energia da dieta (Tabelas 6.320 0.320 Fósforo Disponível 0.357 58 .5) para frangos de corte. as tabelas de exigências nutricionais têm expressado as exigências de nutrientes para aves e suínos também em %.150 Sódio 0. favorecendo os cálculos das rações. g ou mg/Mcal de energia da dieta.281 0.246 0. Como exemplo. (2000) Fonte Nutriente Fases (dias) 1-21 1-14 1-21 Proteína 7. para manter um equilíbrio de consumo energético diário. 6.156 0.190 7.069 Cálcio 0.54 7.072 0.327 0.170 0.074 Ácido linoleico 0.313 0.443 0. 1987a) 6. Este fato sugere que todos os nutrientes sejam relacionados ao nível de energia da ração.313 0.045 0.265 Triptofano 0.5: Efeito do aumento do nível de energia da ração de suínos na fase de terminação (Bertechini et al.140 0.132 Metionina 0.063 0.capacidade de consumo. Leeson e Rostagno et NRC (1994) Summers (2001) al.4 e 6.3 RELAÇÃO NUTRIENTE/CALORIA As aves e os suínos possuem a habilidade de variar o consumo de rações com diferentes níveis de energia. TABELA 6.250 0.160 0.421 Metionina + cistina 0.164 Lisina 0.3.344 0.311 0.299 Treonina 0.062 0. 250 7. Leeson e Rostagno et al. fisiologicamente distintas.300 0. porém. São compostas basicamente por C.065 Cálcio 0.120 0.109 0.044 0.226 Triptofano 0.4: Exigências nutricionais de frangos de corte na fase de crescimento (%/Mcal de EM).066 0. TABELA 6.116 0.230 0.266 Lisina 0.630 5.050 0.200 0.198 Triptofano 0.157 0.130 0.266 0.625 5. 2000 2001 Fonte Nutriente Fases (dias) 43-56 43 . NRC (1994) Summers (2001) (2000) Fonte Nutriente Fases (dias) 22-42 22-42 29-42 Proteína 6.231 0. et al.49 43-49 Proteína 5. N.038 0.056 0.100 0.060 7 METABOLISMO DAS PROTEÍNAS As proteínas correspondem a um grupo complexo de substâncias quimicamente semelhantes.5: Exigências nutricionais de frangos de corte na fase final (%/Mcal de EM).250 0.281 0. S e às vezes P ou Fe.325 Treonina 0.057 Cálcio 0.213 0.373 Treonina 0.050 0.131 Sódio 0.640 Metionina 0.250 Fósforo Disponível 0.230 0.146 Metionina + cistina 0.047 0.172 0.313 0.109 0. NRC –1994 Leeson e Rostagno Summers .213 6. H.128 Metionina + cistina 0.188 0. 59 .250 0.281 0.393 0.114 Sódio 0.062 TABELA 6.050 0. O.110 0.282 Fósforo Disponível 0.230 Metionina 0.268 0.232 Lisina 0. feijão. comumente utilizado em nutrição animal refere-se a todo nitrogênio contido no alimento. que são os aminoácidos. ligados por ligação peptídica. que é analisado através do método de Kjeldahl.25 é aceito pela comunidade cíentífica que trabalha em nutrição animal.30 60 .80 Soja 5. São conhecidos 23 aminoácidos que compõem as proteínas.55. estes valores não são comumente usados. é o seu aporte de aminoácidos.5 P= 0.5 Estruturalmente as proteínas são compostas de unidades básicas. o teor deste pode variar de acordo com o tipo de proteína. baseado em que as proteínas possuem em média 16% de nitrogênio (100/16 = 6. No entanto. girassol.0 H= 6.23. mandioca. caseína 6.38 Milho. no entanto apenas 11 são considerados dieteticamente essenciais.5 . segundo a Tabela 7.5 – 7. Verifica-se que existem diferenças na percentagem de nitrogênio nas diversas fontes de proteínas.1: Fatores de conversão do nitrogênio para proteína de diversos de alimentos.5 – 1.0 . O termo proteína bruta. carne de 6. Composição % : C= 51.0 S= 0.5 . porém. Alimentos Fator Lactoalbumina 6. O valor do nitrogênio encontrado na análise é multiplicado por 6.95 Aveia. Ligação Peptídica Do ponto de vista nutricional o que distingue uma proteína de outra. (grupo amino de um aminoácido ligado ao grupo carboxílico de outro aminoácido). peixe.83 Farinha de sangue 5.25 bovinos e aves Arroz 5.0 – 1. TABELA 7. côco 5. O fator 6.25).71 Algodão. Trigo 5.3 O= 21.49 Leite.18.1. sorgo.25.5 N= 15. 7.1 FUNÇÕES DAS PROTEÍNAS  Estrutural - formação e manutenção dos tecidos orgânicos;  Formação de hormônios e enzimas;  Fonte secundária de energia;  Transporte e armazenamento das gorduras e minerais;  Agente tamponante e auxílio na manutenção da pressão osmótica;  Na reprodução, formação de espermatozóides e ovos;  Estrutura coloidal;  Transporte de oxigênio (hemoglobina). A proteína da ração começa a ser digerida no estômago pela ação do suco gástrico, no entanto, no intestino delgado encontra-se o principal sítio de digestão e absorção dos aminoácidos e peptídeos. A fração de aminoácidos absorvidos pode seguir vários destinos metabólicos. A principal utilização dos aminoácidos ocorre na síntese protéica orgânica, no entanto em caso de deficiência energética, esses aminoácidos poderão ser desaminados e o esqueleto carbônico entrar no metabolismo energético para produção de ATP (Figura 7.1). Os aminoácidos absorvidos em excesso às necessidades também serão desanimados com eliminação do nitrogênio via urina. FIGURA 7.1: Destinos metabólicos da proteína da ração 61 FIGURA 7.2: Participação dos aminoácidos no metabolismo energético (Martin et al., 1982) 7.2 CLASSIFICAÇÃO NUTRICIONAL DOS AMINOÁCIDOS PARA AVES E SUÍNOS Os aminoácidos são classificados nutricionalmente em essenciais e não essenciais (Tabela 7.2). A essencialidade de alguns aminoácidos pode variar de aves para suínos e também em função da idade destes animais. 62 TABELA 7.2: Classificação dos aminoácidos para aves e suínos Aminoácidos Essenciais Aminoácidos Leitões/Aves Suínos/Aves Pintos Não essenciais Lisina Lisina Lisina Glicinaa Metionina Metionina Metionina Serina Triptofano Triptofano Triptofano Alanina Valina Valina Valina Ácido aspártico Histidina Histidina Histidina Ácido glutâmico Fenilalanina Fenilalanina Fenilalanina Cistinab Leucina Leucina Leucina Prolina Isoleucina Isoleucina Isoleucina OH-Prolina Treonina Treonina Treonina Tirosinac Arginina - Glicina ou Asparagina Serina Glutamina Prolina a - Parcialmente sintetizado (60%) b - Pode atender até metade das exigências de metionina c - Pode atender até 30% das exigências de fenilalanina Aminoácidos essenciais Os aminoácidos essenciais são aqueles que não são sintetizados no organismo em velocidade suficiente para atender as necessidades de máximo desempenho do animal. Considerando que alguns desses aminoácidos, necessitam de muitos passos metabólicos para sua biossíntese, podem ser considerados como indispensáveis nas dietas, sendo que a sua ausência, impediria o organismo animal de realizar síntese protéica, e, consequentemente, de crescer. A lisina e a treonina estariam nesta situação. Assim, estes aminoácidos poderiam ser considerados indispensáveis. Alguns aminoácidos são essenciais apenas na fase inicial de vida dos suínos e das aves. O aminoácido arginina é essencial para leitões, onde conseguem sintetizar apenas 60% das suas necessidades, enquanto, no suíno adulto, ocorre toda síntese necessária ao atendimento das exigências. Os pintos necessitam do aminoácido glicina ou serina e prolina na fase inicial de criação, além dos outros dez. Durante esta fase, as aves recebem rações de alto nível protéico, além de trazer consigo uma reserva protéica do ovo que provoca sobrecarga hepática para a síntese de ácido úrico, que utiliza os aminoácidos citados, para eliminar o excesso de nitrogênio do metabolismo. As aves e os suínos obtêm normalmente os aminoácidos não essenciais da ração. No entanto, quando os níveis de proteína dietéticas são muito baixos, ocorrerá também gasto de aminoácidos essenciais para a síntese destes aminoácidos. Desta maneira é necessário um nível de aminoácidos não essenciais mínimo na ração, que economizaria os aminoácidos essenciais da dieta. Um exemplo típico de gasto de aminoácidos essenciais é o caso da metionina. A cisteina (não essencial) pode ser substituída totalmente pela metionina, no entanto, esta reação é irreversível (Figura 63 são essenciais na síntese protéica orgânica. FIGURA 7. lipídeos e aminoácidos. Desta maneira. O número de passos metabólicos necessários à síntese destes aminoácidos é de 1 a 3 reações com pequeno ou nenhum gasto energético orgânico (Tabela 7. se faltam na dieta.3). não afetam o desempenho do animal. 64 .3). todos os aminoácidos. a demanda de aminoácidos não essenciais para a síntese protéica orgânica é que controla a biossíntese destes. inclusive os não essenciais dieteticamente. são metabolicamente essenciais. Portanto.7. a partir de esqueletos carbônicos e nitrogênio (NH3+ ) do metabolismo de carboidratos. No entanto.3: Interrelacionamento dos aminoácidos sufurosos Aminoácidos não essenciais Estes aminoácidos podem ser sintetizados no organismo a partir de outros aminoácidos ou outros nutrientes presentes na ração de maneira que. Após absorção.3: Número de enzimas necessárias à síntese dos aminoácidos organicamente. estão apresentados na Tabela 7. Normalmente existe maior incorporação hepática do limitante. além de uma parcela significativa fornecida normalmente pela fonte de energia. evitando excessos. Dieteticamente Nº Dieteticamente Nº essencial Enzimas Não Essenciais Enzimas Lisina 8 Alalina 1 Metionina 5 Asparagina 1 Triptofano 5 Glutamina 1 Valina 1 Ácido glutâmico 1 Histidina 6 Ácido aspártico 1 Fenilalanina 1 Prolina 3 Leucina 3 Serina 3 Isoleucina 8 Glicina 1 Treonina 6 Cistina 2 Arginina 7 Total 50 14 Adaptado de Martin et al (1982) Nove aminoácidos não essenciais são formados a partir de intermediários anfibólicos e três (cisteina. Assim. Este fato afeta o nível de consumo das dietas imbalanceadas. porém. Os três aminoácidos mais limitantes para suínos e aves em rações a base de milho e de farelo de soja.4. glutamina sintetase e as transaminases são as mais importantes na biossíntese dos aminoácidos não essenciais. O fígado é o centro maior de controle da aminoacidemia. 7. As enzimas glutamato desidrogenase. Os aminoácidos limitantes referem-se àqueles que estão presentes na dieta em uma concentração menor do que a exigida para máximo crescimento. Pode estar limitante numa ração um ou mais aminoácidos ao mesmo tempo. onde verifica-se que o 65 . em uma ordem de limitação. reduzindo ainda mais o seu nível sanguíneo. existe um perfeito controle do nível de aminoácidos circulantes. TABELA 7. os aminoácidos portais chegam ao fígado que controla o nível de influxo para a circulação sistêmica. tirosina e hidroxi-lisina) a partir de aminoácidos essenciais . pode influenciar o nível do(s) aminoácido(s) que estiver(em) limitante(s) na dieta.3 SUPLEMENTAÇÃO DE AMINOÁCIDOS LIMITANTES NAS RAÇÕES Os animais monogástricos são caracterizados pela necessidade de receberem quantidades específicas de aminoácidos na dieta. O consumo de dietas imbalanceadas em aminoácidos. As principais fontes destes aminoácidos são as proteínas comumente usadas nas rações. O perfil de aminoácidos que chegam no fígado via absorção é diferente do encontrado na circulação sitêmica. o resultado biológico é que confirmaria as limitações da dieta em aminoácidos.C (1998). Teoricamente.6 4º 2 1 N. os primeiros limitantes sempre serão a metionina e a lisina. Esta metodologia é também chamada de “Escore Químico” que evidencia as limitações de aminoácidos na dieta formulada (Tabela 7.546 84.210 0. a predição do(s) aminoácido(s) limitante(s) é feita através do cálculo de rações com níveis sub-ótimos de proteína e comparadas às exigências nutricionais em relação a fornecida pela dieta.5. Aminoácidos Exigências1 Fornecido pela EQ (% suprida Essenciais (%) Dieta (%) pela Dieta) Lisina 1.023 222.5 Fenilalanina 0. Salienta-se que as aves e os suinos possuem a capacidade de regular o consumo da ração para adequar as pequenas deficiências dos aminoácidos. porém.5 1º2 Metionina + 0.650 0. Existe também variação da ordem de limitação de acordo com a idade desses animais e/ou função fisiológica.842 76.R.3 3º Valina 0.) No entanto.150 0.641 146.631 85. Esta idéia é aplicada na formulação de dietas pelo método paramétrico.7 Treonina 0. dada as necessidades metabólicas distintas entre elas. TABELA 7. TABELA 7.3 Histidina 0.821 120.0 2º Cistina Triptofano 0.120 1.4: Aminoácidos limitantes para aves e suínos*. Poedeiras por exemplo.9 Leucina 1. Aminoácidos Aves Suínos 1º Limitante Metionina Lisina 2º Limitante Lisina Metionina 3º Limitante Triptofano Treonina *Rações a base de milho e farelo de soja. Ordem de limitação A suplementação de aminoácidos limitantes deverá ser realizada na sequência da sua limitação.201 95.360 0. A Lei do Mínimo (Liebig) também é aplicada na nutrição animal. conseguem aumentar o consumo para conseguir a sua necessidade de metionina + cisteina.1 Isoleucina 0. 66 .748 94.393 109.699 110.630 0. para aves e suinos.5: Escore químico (EQ) de uma dieta contendo 16% de proteína a base de milho/farelo de soja para suínos com 15 kg de peso vivo. respectivamente.460 1.790 0.7 5º Arginina 0.680 0.primeiro limitante pode variar entre essas espécies.740 0. O aminoácido que estiver em menor concentração da sua exigência é que limitará o desempenho animal. quando a dieta apresenta até 5% a menos desses aminoácidos. a combinação milho e farelo de soja se complementam de forma adequada às necessidades destes animais.AAS. Para suínos. TABELA 7.2 (QPM) AAS Triptofano Cevada ? Lisina Lisina. Ingredientes Primeiro Segundo Milho Lisina Triptofano Milho opaco 2 (QPM) Triptofano Lisina Cevada Lisina Treonina Sorgo Lisina Treonina 1 Farelo de soja AAS Treonina Farelo de algodão Lisina Treonina Farelo de amendoim Lisina ? Farelo de girassol Lisina ? Farinha de carne e ossos Triptofano Triptofano Farinha de peixe Triptofano ? Farinha de glúten de Lisina Triptofano milho 1 Aminoácidos Sulfurosos Totais. esta combinação não suspre totalmente o nível de metionina necessário ao atendimento das necessidades. No entanto.7. Sorgo - Treonina Farelo de soja Lisina AAS Farelo de amendoim . TABELA 7.7 evidencia as limitações e excelências nos aminoácidos limitantes de ingredientes comumente utilizados nas rações de suínos e aves.6: Aminoácidos limitantes de alguns ingredientes para suínos. metionina. triptofano e treonina estão limitantes nas fontes de proteína e energia comumente utilizadas nas rações destes animais (Tabela 7. para aves. Ingredientes Excelência Limitação Milho AAS Lisina Milho opaco . A Tabela 7.6).4 MANEIRAS DE ADEQUAR OS NÍVEIS DE AMINOÁCIDOS NA DIETA Existe basicamente três formas para equilibrar os níveis dos aminoácidos nas rações de aves e suínos. os aminoácidos essenciais. Na prática. Lisina 67 . lisina. A combinação de ingredientes que se complementam em aminoácidos permite a formulação prática de dietas com níveis de proteína adequados sem excessos neste nutriente.  Combinação de ingredientes da ração Existem desequilíbrios de aminoácidos em todos os ingredientes usados nas rações de aves e suínos.7: Excelência e limitação de aminoácidos de alguns ingredientes de rações de aves e suínos. as suas formas dietéticas deverão ser L. a Monsanto introduziu sais de cálcio à metionina-hidroxi-análoga. não é de 100%. Neste caso. Metade dessa composição está na forma D. para os aminoácidos como Lisina e Treonina. Nos anos 50. tornando- as mais eficientes. podem ser utilizadas também a MHA cálcio pó (88%). transaminases específicas deverão estar presente no fígado para esta conversão. são normalmente produzidas por fermentação. L . o D-triptofano tem somente 60% da eficiência da forma L para suínos e apenas 7% para as aves (Baker et al. no entanto. e MHA . ambas na forma pó. permitiu a redução da quantidade de proteína nas rações de aves e suínos. que são a DL-metionina (98-99%). foi produzida pela Dow Chemical (na década de 40). tranformando-a em pó estável. 68 . na forma pó e a 30 e 50% na forma líquida). e suas formas análogas (MHA líquida e pó). D-aminoácido NH3 D-aminoácido  -cetoácido  L-aminoácido Oxidase transaminase As aves e os suínos aproveitam eficientemente a forma D da metionina (Tabela 7. Na natureza não existe normalmente a forma D. líquida (88%). tornou-se prático a complementação dos mesmos em dietas deficientes. somente na forma levógira.Análoga-MHA). eventuais deficiências podem ocorrer dependendo do número de ingredientes combináveis e também da qualidade do processamento das fontes protéicas. A primeira metionina comercial (Metionina-Hidroxi. haveria a necessidade de complementações através de outra maneira de equilibrar as exigências dos aminoácidos da dieta que é a adição de aminoácidos sintéticos. e. A eficiência de aproveitamento da Dl-metionina 98-99% pó. Ao mesmo tempo. os aminoácidos L-lisina e L-treonina. Quatro aminoácidos sintéticos são comumente fabricados em escala industrial atualmente.Treonina (98%) e L-Triptofano (98%). O aminoácido DL-metionina é uma mistura racêmica entre formas levógiras (50%) e dextrógiras (50%) enquanto que. Além desta fonte de metionina.8) no entanto. 1971).  Utilização dos aminoácidos sintéticos A partir da fabricação a nível industrial de aminoácidos sintéticos. Por não haver estas enzimas. que necessita ser tranformada pelo sistema hepático em MHA e depois convertida na forma orgânica que é L. Lisina - Farinha de glúten de AAS Lisina milho A partir desta tabela verifica-se que existem combinações de ingredientes que se completam. sendo que esta forma da metionina é resultado da produção sintética desse aminoácido. Farelo de girassol . principalmente. contribuindo também para redução da excreção de N no meio ambiente. a L-lisina-HCI (99% de pureza e 78% de eficiência. O organismo animal tem a capacidade de transformar a forma D de alguns aminoácidos para a forma L. Lisina Farinha de carne e ossos Vários Triptofano Farinha de peixe AAS. Os aminoácidos ocorrem na natureza numa configuração L. Para que isto ocorra. porém.14 g de proteína/kg de peso vivo (N.R.96 g de PB (Rostagno et al. acarreta problemas de metabolismo e de custo da ração. não afetando significativamente o desempenho destas rações. 69 .C.Metionina1 100 59 1 DL – Metionina 97 59 1 D-Metionina 82 59 MHA-AL2 88 0 MHA-Ca2 88 0 L .5 kg.8: Eficiência relativa e equivalente protéico dos aminoácidos sintéticos Equivalente Eficiência Relativa Aminoácidos Protéico (%) (%) L . TABELA 7. Rações com níveis protéicos elevados sobrecarregam a digestão.HCl 79 96 2 L-Triptofano 100 86 L-Treonina2 100 74 Ácido Glutânico2 100 177 1. Os frangos de corte necessitam de 66. esta necessidade é de apenas 12..6 g de PB/kg de peso vivo na primeira semana de vida.8 g de proteína/kg de peso vivo. 2000). Apesar desta maneira de elevar os níveis mínimos dos aminoácidos limitantes ser prática. sendo que de 42 a 49 dias. 1998). com peso de 65 kg exige apenas 6. Leeson e Summers (2001)  Formulação da ração com excesso de proteína A elevação do nível de proteína da dieta também elevará os níveis dos aminoácidos e desta maneira supera as necessidades dos aminoácidos limitantes. quando pesam 7. A associação de todos estes efeitos. havendo sobrecarga de fígado e rins no animal. enquanto que. Esta maneira de adequar os aminoácidos deveria ser usada em última instância a não ser que a elevação necessária do nível de proteína para atendimento da necessidade do ácido seja pequena. reduz a eficiência destas rações além do seu maior custo.Patrick e Schaible (1980). Suínos por exemplo. animais adultos. exigem 15.5 EXIGÊNCIAS DE PROTEÍNAS / AMINOÁCIDOS Existe uma série de fatores que influem nas exigências dietéticas de proteínas (aminoácidos) das aves e suínos. absorção e eliminação do nitrogênio não aproveitável. pode-se destacar :  Idade do animal As necessidades dietéticas de proteínas decrescem com o avanço da idade dos animais. 7. 2.Lisina2 100 120 2 L .Lisina . 37 0.23 0. Desta maneira. As aves e os suínos têm dificuldade de trocas de calor com o ambiente.9 estão apresentados exemplos da distribuição das necessidades de alguns aminoácidos para galinhas de postura e codornas. estas aves não consomem mais do 90 gramas.98 1. qualquer variação no nível energia da ração resulta em modificações no nível de consumo da mesma.60 0.49 0. de 67.6726 X . deve-se elevar o teor protéico da dieta em condições de consumo reduzido.14 0.96 0.27 1.69 0.  Função fisiológica As necessidades para acréscimo de proteína no tecido é maior do que para a mantença.29 0.84 0. % Dieta PB MET M+C LIS ARG TRE TRI Aves postura Mantença 5. também de postura comercial.22 Postura 21 0.56 0.82 0. em condições de verão. 70 .9 gramas de proteína diária. Por outro lado. deverão ser corrigidos de tal forma a não haver prejuízo nos seus consumos diários. Alguns aminoádos não são citados como necessários para mantença de aves como a glicina e a histidina.44 0. O aumento da taxa respiratória em ambientes quentes leva a uma redução no consumo de ração. Em condições normais de temperatura ambiente (21ºC) uma poedeira leve consegue ingerir 100 gramas de ração por dia. arginina e treonina são exigidos em altas concentrações para mantença.23 1. No entanto. Pesquisas realizadas por Bertechini et al. (1991) evidenciam uma redução no consumo de ração de frangos de corte criados até 56 dias.09 Crescimento 18 0.00 0.0. metionina.42 0. (1960)  Nível de energia da ração As aves e os suínos têm habilidade de consumir certas quantidades de ração de maneira a atender primariamente as suas de energia.  Temperatura ambiente A temperatura ambiente afeta diretamente o consumo de ração.3 0. Na Tabela 7. De maneira geral. as necessidades de mantença da lisina para aves é menor do que para os suínos.20 Codornas Crescimento 24 0. o que necessitaria de uma ração com 15.19 1 Leveille et al.65 0.17 Postura 15 0.35 . Tabela 7. 26 gramas a cada 100 kcal de aumento na EM da ração ( Consumo ração.72 0.86 0. Verifica-se diferenças no perfil das necessidades em função do tipo de aminoácido e função fisiológica. sendo feita em grande parte através da respiração. r2=0. provocado por altas temperaturas ambiente. As exigências de galinhas poedeiras por exemplo é de 15. com isto todos os outros nutrientes.55 0.9 Necessidades de aminoácidos de acordo com a função fisiológica e espécie de aves1. Considerando as necessidades de proteínas (aminoácidos) em gramas por dia.99 ).58 0.73 0. além da proteína (aminoácidos).33 0.9% de proteína.14 1. g/dia = 7074. e. No entanto.2 5. na faixa de 22. TABELA 7.9 6.4 10.549 F Diferença (%) 6. (1985).9 13. Rações milho/farelo de soja (3350 kcal e 13.necessitando assim um nível de proteína dietética de 17. Pesquisas mostram que os machos de frangos de corte e de suínos possuem um ganho de peso superior ao das fêmeas..6 21. 2.10).1 1.6 21.0 Kcal de ED/kg ganho 9326 12594 M 8778 11886 F Diferença (%) 6. Recomendações de acordo com o sexo são apresentadas no Capítulo 10.7 Conversão Alimentar 2.784 3.5% de PB).5% de PB) Bertechini et. Resende et al (1985) estudaram as exigências de aminoácidos sulfurosos em diferentes temperaturas. 71 .  Sexo A maioria da criação de suínos para abate atualmente é com sexos misturados. al.98). Frangos de corte reduzem o consumo de ração de forma linear.622 3. a medida que aumenta a temperatura ambiente (Y = 3333. Este fato sugere diferenças nas exigências nutricionais entre sexos.35.5 12.0039 nas exigências a cada 1 oC de aumento da temperatura ambiente.0 Ganho de Peso (g/d) 863 884 M 754 783 F Diferença (%) 14. Rações milho/farelo de soja (3350 kcal ED/kg e 15. Os autores verificaram aumentos de 0.9 6.4 19.78% para manter as exigências diárias da ave (Rostagno et al.9: Desempenho de suínos em crescimento e terminação de acordo com o sexo Fase Parâmetro Sexo 1 Terminação Média Crescimento 2 Consumo de Ração (g/d) 2400 3326 M 1960 2781 F Diferença (%) 22. 2000). apesar das diferenças nutricionais.923 r2 = 0.4 a 31.01 . nas mesmas condições de alimentação (Tabelas 7. já existe uma parcela considerável de frangos de corte criados com sexos separados.9 e 7.759 M 2.1 Consumo de ED (kcal/d) M 8039 11142 F 6565 9315 Diferença (%) 22.2 5.0ºC. podendo ocorrer também a nível renal (Wiggins et al. Rações milho/farelo de soja (3000 kcal e EM/kg e 18. também tem um incremento nas necessidades dietéticas desses aminoácidos para garantir a excreção normal de N através do ácido úrico. A maior parte do ácido úrico é sintetizado no fígado. Utilizam a glutamina sintetase mitocondrial para fixar o nitrogênio do catabolismo dos aminoácidos a nível de citosol. aumentando a sua necessidade dietética.78 1. Durante esta formação.8% de PB).06 3.5 14.36 Diferença (%) 2.1 11. enzima que fixa o nitrogênio livre em mamíferos. A exigência de arginina para mantença é alta e não pode ser biossintetizada como ocorre nos mamíferos (ciclo da uréia).6 12. A rota metabólica de síntese do ácido úrico é semelhante a da síntese das bases orgânicas como adenina e guanina.7. existe uma necessidade aumentada de alguns aminoácidos que são chave no processo como metionina (doadora de CH 3 ). principalmente quando se utiliza níveis muito altos de proteina nessas dietas.2 4. seria recomendada. Gasta-se aproximadamente 3.03 F 1.9 1.0 Ganho de Peso (g/d) M 924 894 595 F 852 780 531 Diferença (%) 8.82 2. EXCREÇÃO DE NITROGÊNIO  AVES As aves excretam a maior parte do nitrogênio do catabolismo das proteinas orgânicas na forma de ácido úrico. nesta fase o aminoácido glicina é essencial e limitante.1 % PB) . Bertechini et.Rações milho/farelo de soja (3000 kcal EM/kg e 20. 1982).9% de PB) 3. A utilização de dietas com baixa proteina nos 5 primeiros dias de vida dos pintinhos. As aves não possuem a carbamoil fosfato sintetase. que utiliza o agrupamento metil lábil da metionina (Figura 7. Gasta-se 1 mol de glicina para cada molécula de ácido úrico produzido.10: Desempenho de frangos de corte criados até 56 dias idade de acordo com sexo Parâmetro Sexo Fase Média 1 2 3 1-28D 29-42D 43-56D Consumo de Ração (g/d) M 1648 1848 2224 F 1550 1600 1898 Diferença (%) 6. 2.TABELA 7.9 5. O próprio ácido úrico é considerado metabolicamente como uma purina.97 3. este valor é de 2 ATP. onde o ácido úrico é produzido. pois.75 ATP/mol de N excretado na forma de ácido úrico. Assim.6 10.2 13. a necessidade energética para a sua biossíntese é maior do que a uréia. a utilização de altos níveis de proteina nas dietas. arginina e glicina.3). Apesar da molécula de ácido úrico ser relativamente pequena.3 15.. 1985) 7.7 Conversão Alimentar M 1. Dois carbonos são provenientes de transmetilação realizada pelo ácido fólico (tetrahidrofolato). sendo que no caso da uréia.5 17. Rações milho/farelo se soja (3000 kcal EM/kg e 17. 72 . al. gerando a argininosuccinato pela ação da argininosuccinato sintetase. que é extremamente tóxica. no entanto. existe a necessidade de eliminação da amônia proveniente da desaminação oxidativa. A redução no consumo se deve à esta mudança no perfil dos aminoácidos plasmáticos. e neste compartimento.4). sendo que. Figura 7. Os níveis de ácido úrico no sangue são de 5 a 10 mg/100ml. Seria mais adequado chamá-lo de ciclo da ornitina. O processo de síntese de uréia ocorre no citosol e mitocondria simultaneamente.3 –Molécula de ácido úrico e fonte dos seus elementos Os rins das aves secretam ácido úrico para a urina e também conseguem remover o ácido úrico do sangue de forma eficiente. mais especificamente. para garantir o suprimento de glicose para manutenção da glicemia normal e o segundo.8 IMBALANÇO DE AMINOÁCIDOS O consumo de dietas com conteúdo de aminoácidos desproporcionais às reais necessidades metabólicas dos animais monogástricos. havendo a necessidade de eliminação de todo o aminoácido que excede às necessidades de mantença e produção. A ornitina entra na mitocondria e é transformada em citrulina pela ação da enzima carbamoil P – sintetase. proporcionando redução drástica na sua concentração plamática. existe um mecanismo cerebral.Figura 7. Pela ação da argininosuccinase. A excreção de N ocorre normalmente a uma taxa basal de eliminação. ocorre a biossíntese de uréia ( não tóxica) para evitar problemas de intoxicações. pela ação da glutamina sintetase. quando ocorre a ingestão de excesso de proteina. na presença de carbamoil P. A molécula de citrulina é transportadada para o citosol por sistema específico de transporte. Quando alguma amônia não é incorporada na molécula de uréia. O processo de biossíntese de uréia é normalmente chamado de ciclo de uréia. sendo que uma ave adulta consegue eliminar de 4 a 5 g por dia. na região chamada de pré-piriforme cortex. assim. e. Este fato é acompanhado de um decréscimo no consumo e retardamento no crescimento do animal. se liga a uma molecula de aspartato. O grupo guanidino da arginina é liberado na forma de uréia pela ação da arginase.  SUINOS Os suinos excretam o N do metabolismo dos aminoácidos na forma de uréia. altera a concentração dos aminoácidos do plasma e tecidos com redução substancial do aminoácido que estiver limitante. leva a alterações fisiológicas com efeitos metabólicos que influenciam no comportamento alimentar desses animais. 73 . acontece a captação dessa pela glutamina. Durante este catabolismo. O primeiro refere-se ao catabolismo dos aminoácidos e peptídeos durante o processo de gluconeogênese (metabolismo do jejum). que é sensível a variação do pool de aminoácidos plasmáticos. libera o fumarato e a arginina. pode-se produzir a semelhança das aves.4 Ciclo da ornitina (uréia) 7. Assim. A ingestão da dieta imbalanceada. existe duas situações que influenciam neste processo. o ácido úrico. produzindo a ornitina que participará de novo ciclo (Figura 7. Pesquisas evidenciam que o aminoácido mais limitante é incorporado nas proteinas do fígado. Assim. dependendo da desproporcionalidade dos aminoácidos digestíveis da dieta. que estimula a degradação das proteinas endógenas. por Mitchel (1964) foi desenvolvida em ensaios de exigências de aves de postura utilizando dietas purificadas. é catabolizado sendo o esqueleto carbônico utilizado como fonte de energia e o N. sejam utilizados por completo para a biossíntese de tecidos . Estes aminoácidos participam de muitas funções metabólicas no organismo. os efeitos fisiológicos são menores e neste caso estão a lisina e a treonina. Outra. As composições das fontes proteicas normalmente utilizadas em rações de aves e suinos. está aliada também a necessidade de redução da emissão de poluentes no meio ambiente. o da lisina com a arginina e o dos aminoácidos de cadeia ramificada (leucina. por exemplo. Supõem-se que todos os aminoácidos neste caso. sendo o mais comum de acontecer. Uma delas seria de condicionar o animal a consumir através de estímulos externos. o excesso de um aminoácido afetando o consumo de outro. refere-se ao antagonismo que pode ocorrer entre os aminoácidos. eliminado de diversas formas. conseguem reter aproximadamente 35% do N ingerido da proteina. De qualquer forma. 7. Os efeitos da toxidez no consumo vai depender do aminoácido. 1998). Para os aminoácidos menos tóxicos. sendo que os níveis tóxicos não são muito mais altos do que as suas necessidades para maximizar o desempenho dos animais. que fez incrementar a idéia da proteina ideal. turnover proteico orgânico. A utilização de dietas equilibradas em todos aminoácidos. através do uso do cortisol. através da alimentação forçada. Os aminoácidos mais tóxicos possuem efeitos mais severos. O segundo tipo. que permitem o atendimento dessas necessidades. Este catabolismo é mais ou menos intenso. para poder reduzir os efeitos tóxicos da amônia. isoleucina e valina). Neste caso estão a metionina e o triptofano. poderia contribuir para aumentar significativamente esta retenção e reduzir a emissão de N de excretas no meio ambiente.que ao ser estimulada. possuem perfis de aminoácidos que não atendem aos perfis das necessidades metabólicas de manutenção. Neste caso. A proteina ideal refere-se a dietas que possuem o perfil de aminoácidos nas proporções exatas das necessidades dos animais. Existem basicamente três tipos de imbalanços. Todos os aminoácidos que são ingeridos além da proporção da sua exigência.9 RELAÇÃO IDEAL DE AMINOÁCIDOS O conceito da relação ideal de aminoácidos descrita primeiramente como proteína ideal. A necessidade de dietas mais equilibradas que permitem melhor desempenho de aves e suinos híbridos modernos. define-se conteúdos proteicos das dietas. provoca diminuição no consumo. o desempenho final dependerá do nível de limitação do(s) aminoácido(s) limitante(s). O grau do imbalanço é que define estas alterações. O terceiro caso seria referente à toxidez dos aminoácidos. Dietas com níveis excessivos do segundo aminoácido limitante estão nesta condição também. crescimento de tecidos e produtos. sendo excretado o restante nas fezes e urina (NRC. Os suínos. aumentando o níveis de aminoácidos sanguíneos e a última. 74 . O primeiro resulta da ingestão de dietas com conteúdos desequilibrados em aminoácidos. Existem dois casos específicos deste imbalanço. devido a competição por sítio de absorção. Este fato seria uma tentativa do organismo em diminuir os efeitos deletérios de uma dieta imbalanceada. As aves produzem o ácido úrico e os suinos a uréia. Existem maneiras de fazer com que o animal aumente o consumo de uma dieta imbalanceada. Esta alteração se deve principalmente a diferença que existe das necessidades dos aminoácidos para mantença e biossíntese de tecido magro. é uma forma prática de reduzir os efeitos de excessos de aminoácidos. Ocorre o inverso para os aminoácidos isoleucina. informada por diversos autores e tabelas de recomendações nutricionais ( Tabelas 7. que seriam utilizados como fonte de energia.11.10 e 7. Outro fato interessante é que existe mudança do perfil de alguns aminoácidos em função da fase de desenvolvimento dos animais. refletindo em aumento das exigências de metionina e treonina em relação à lisina. depende da qualidade da fonte proteica e da possibilidade de adequação dos desequilíbrios. sem a necessidade de ensaios de crescimento para cada aminoácido em particular. Assim. As necessidades dos aminoácidos como metionina e treonina são maiores para mantença em relação às necessidades para síntese de proteina. A lisina é considerada o aminoácido padrão de comparação e a relação aminoácidos/lisina. se torna fácil a estimativa dos outros aminoácidos. Apesar do conceito de proteina ideal ser bem aceito no meio científico. ocorre aumento das necessidades de mantença. é limitante nas dietas de aves e suinos. aumento. A combinação de ingredientes que se complementam nos seus desequilíbrios de aminoácidos.9. leucina e valina. evitando qualquer modificação metabólica que possa interferir nas determinações das suas exigências e é considerado o menos tóxico . Para alguns ocorre redução das necessidades e para outros. para frangos de corte). Outra aplicação prática deste conceito. apesar de existirem diferenças de até 20 anos de pesquisas. a medida que os animais vão crescendo. Assim. existe grande número de trabalhos avaliando sua exigência nutricional e digestibilidade. havendo a determinação das necessidades reais de lisina. tem exigência metabólica alta. do ponto de vista prático. Verifica-se que os valores são coerentes entre as recomendações. seria na estimativa das necessidades nutricionais de aminoácidos. A aplicação do conceito da proteina ideal. através do uso de aminoácidos puros. usada para estimar as necessidades de todos os outros aminoácidos da dieta. mantendo assim o conceito fundamental da proteina ideal. não ocorre transaminação.8 e 7. participa intensamente do crescimento dos tecidos. para suinos e 7.8 Padrões de aminoácidos para suinos segundo várias tabelas. AEC NRC NRC NRC NRC NRC ARC Aminoácido (1996) (1998) (1998) (1998) (1998) (1998) (1981) 25-60kg 5-10kg 10-20kg 20-50kg 50-80 kg 80-120kg LIS 100 100 100 100 100 100 100 MET+CIS 50 55 56 57 57 59 59 TER 60 60 64 64 64 68 68 TRI 15 18 18 18 18 18 18 FEN 58 59 59 58 59 57 FEN+TIR 96 94 93 92 92 93 92 VAL 70 68 68 69 67 68 67 HIS 33 30 32 32 32 32 32 ARG 40 40 40 39 36 32 75 . ainda existem algumas discrepâncias dos padrões de aminoácidos indicados em relação à lisina. A escolha da lisina como padrão se deve a alguns fatores relacionados a este aminoácido que são: fácil análise. Tabela 7. Summers Média Aminoácido (1994) (2000) (1997) Fase 1.10 Padrões de aminoácidos para frangos de corte segundo vários autores/tabelas para fase inicial. Baker Baker Rostagno Baker (1993) Aminoácido (1993) (1993) et al.21 dias LIS 100 100 100 100 100 MET+CIS 72 82 71 68 73 MET 36 45 39 40 40 ARG 105 114 102 100 105 TRE 67 73 63 58 65 TRI 16 18 16 17 17 GLI+SER 114 114 ILE 67 73 66 63 67 VAL 77 82 79 67 76 LEU 109 109 109 117 111 HIS 32 32 32 33 32 FEN + TIR 105 122 114 117 114 76 . 5-20kg 20-50kg 50-100kg (2000) 15-30kg LIS 100 100 100 100 MET+CIS 60 62 65 59 TRE 65 67 67 67 TRI 17 18 19 18 FEN+TIR 95 95 95 93 VAL 68 68 68 68 HIS 32 32 32 32 ARG 42 36 30 41 LEU 100 100 100 97 ILE 60 60 60 60 Tabela 7. Baker Rostagno Leeson e NRC(1994) et al.9 Padrões de aminoácidos para suinos segundo vários autores.LEU 96 98 97 95 95 90 ILE 55 54 55 54 55 55 Tabela 7. Na prática. da quantidade e balanço ou equilíbrio dos aminoácidos essenciais contidos na proteina.11 Padrões de aminoácidos para frangos de corte segundo vários autores/tabelas para fase crescimento. A qualidade proteica depende não somente da digestibilidade da fonte. porém. A qualidade proteica é que define a utilização dos aminoácidos no anabolismo orgânico. deve ser primeiramente de alta digestibilidade. Já a determinação da biodisponibilidade. Normalmente. são de difícil digestão. pode existir fonte proteica de alta digestibilidade e baixa biodisponibilidade. o importante é o conhecimento das digestibilidades e/ou biodisponibilidades dos aminoácidos contidos nas proteinas. é mais complexa. mas também. No entanto.g. os conceitos são diferentes. principalmente aquelas que possuem muitas ligações covalentes ou pontes de enxofre. Tabela 7. A digestibilidade protéica refere-se apenas a fração da proteina que foi ingerida e absorvida. gelatina). não aparecendo nas fezes. possuem normalmente baixas digestibilidades. O conteúdo de aminoácidos essenciais é que define a sua utilização metabólica e a biodisponibilidade. Summers Média Aminoácido (2000) (1997) (1994) Fase 21-42 dias LIS 100 100 100 100 100 MET+CIS 75 72 71 66 71 MET 36 38 39 40 38 ARG 108 110 108 100 107 TRE 70 74 61 55 65 TRI 17 18 17 15 17 GLI+SER 114 114 ILE 69 73 68 50 65 VAL 80 82 79 60 80 LEU 109 109 109 100 107 HIS 32 32 32 33 32 FEN + TIR 105 122 114 117 115 7. Para os animais monogástricos. Para que uma proteina seja de alta biodisponibilidade. Cita-se neste caso as proteínas colagenosas (e. as proteinas de algumas farinhas animais como penas e sangue (processada pelo calor). As proteinas com estruturas mais complexas. refere-se a utilização efetiva dos aminoácidos absorvidos para síntese proteica. Baker e Rostagno Leeson e Han NRC(1994) et al. Por outro lado. Os termos digestibilidade e biodisponibilidade estão inseridos em contexto semelhante. as proteinas vegetais apresentam digestibilidades inferiores às de origem animal. o conceito de biodisponibilidade é referido como 77 .10 Digestibilidade e biodisponibilidade (proteinas/aminoácidos) A digestibilidade das proteinas depende de uma série de fatores relacionados com a composição e estrutura química das mesmas. e. além da digestibilidade. O primeiro.10.valor biológico da proteina. O intestino grosso dos suinos representa uma parcela considerável do seu trato digestório e tem boa funcionalidade como câmara fermentativa. Este fato sugere que para os ensaios de digestibilidade dos aminoácidos. devido a pequena participação dos cecos no contexto da digestão proteica. Assim. podem apresentar valores maiores nas fezes em relação ao íleo. cita-se o nível de fibra e proteina da dieta e uso de enzimas. Desta maneira. influi no nível de aminoácido total da dieta. prolina e glicina. como é o caso das proteases exógenas e a fitase. O segundo. pode comprometer a determinação da digestibilidade. Outros fatores podem participar da complexidade da determinação dos aminoácidos ileais digestíveis. corrigida estas perdas. que as diferenciam dos outros animais considerados não ruminantes. se utilize níveis dietéticos compatíveis com as necessidades. e a verdadeira. subestimando a digestibilidade total desses aminoácidos. A proteina do ovo por exemplo. Normalmente a digestibilidade total dos aminoácidos é superestimada devido a fermentação no intestino grosso. devido ao aumento das perdas endógenas de aminoácidos essenciais contidos no epitélio intestinal (Parsons et al. tem valor biológico de 93. Dentre os mais importantes. que possuem conteúdos de proteina menores. No caso de suinos. As aves se caracterizam por apresentarem características do seu trato digestório. O uso de enzimas também pode contribuir na digetibilidade protéica. Para alguns aminoácidos como treonina. essas diferenças são menores.1 Digestibilidade total e ileal de aminoácidos para aves. sem as correções endógenas. Desenvolveu-se a digestibilidade ileal. A fermentação anaeróbica que ocorre neste compartimento. A medida que se eleva o conteúdo do exógeno no intestino delgado. que refere-se a percentagem do N (aminoácido) retido em relação ao que foi absorvido. Este fato indica que são mais interessantes os valores obtidos através das coletas de íleo. Esta última tem efeito indireto. As diferenças dos coeficientes de digestibilidades totais e ileais são maiores para os cereais. que pode ser aparente.. que afeta a relação entre aminoácido exógeno e endógeno. Desta maneira. por possibilitar a hidrólise dos complexos de proteinas com fitato. este percentual ficou retido (utilizado) no organismo como tal. ocorre aumento da digestibilidade intestinal dos aminoácidos a medida que se eleva o conteúdo de amioácidos na dieta até o nível da sua exigência. 7. 1983). as diferenças entre a digestibilidade ileal e a total são maiores do que nas aves. eventuais pequenos erros nas determinações. para evitar subestimar os valores.7%. isola-se o efeito do intestino grosso nas determinações normalmente realizadas para aminoácidos digestíveis totais. Já para as fontes proteicas. vai reduzindo proporcionalmente o endógeno. evoluiu-se as determinações de digestibilidade fazendo modificações anatômicas para coletas e correções endógenas visando a obtenção de valores mais próximos da realidade. pois. existe grande produção microbiana e. Na determinação da biodisponibilidade utiliza-se ensaios de crescimento e são de duração e custo maiores em relação às determinações de digestibilidades. não representam muito em relação ao conteúdo total de proteina dessas fontes. assim. o que significa que do conteúdo total de aminoácidos absorvidos. melhorando a digestibilidade dos aminoácidos em torno de 2 a 3 %. A digestão proteica se inicia a nível de proventrículo por ação do suco gástrico 78 . as diferenças nas digestibilidades ileal e total são pequenas. Já no caso das aves. A digestibilidade ileal da lisina para a maioria dos ingredientes de rações de aves é menor do que a da metionina. somente aminoácidos entram na corrente sanguínea. alterações peristálticas no momento do abate e o tempo de coleta podem influir nos resultados. No entanto. de algumas fontes proteicas e energéticas. existe um influxo de aminoácidos para o sangue portal. dependendo do ingrediente e do aminoácido considerado. Uma refere-se à velocidade de absorção dos aminoácidos. as duas técnicas apresentaram valores similares. As perdas endógenas também contribuem para o pool de aminoácidos no sistema portal. Qual o diferencial de valores que se obtém nas determinações de digestibilidae ileal (verdadeira ou aparente) e total ? Na Tabela 7. Após alimentação.Carne e Ossos Lisina 85 77 2 79 .em pH ácido onde começa a quebra da cadeia polipeptídica por ação da pepsina e do H+ presente no lúmem gástrico. Este início de digestão é importante para tornar as estruturas peptídicas em forma alifática e também segmentada para uma ação mais efetiva das proteases do suco pancreático a nível intestinal. aves cecectomizadas ainda apresentam pequena e insignificante fermentação . Outros aminoácidos também podem ser metabolizados na parede intestinal resultando em outras substâncias. Ingredientes Digestibilidade (%) Autor Farelo soja Aminoácidos Total Ileal Lisina 86 86 1 Metionina 88 88 1 Treonina 79 77 1 Arginina 91 89 1 Far. O aminoácido lisina por exemplo (básico) tem velocidade de absorção menor do que a metionina (neutro). A técnica da digestibilidade ileal com aves traz algumas implicações. pode-se usar a técnica de abate e coleta do material com uso de indicador.12 – Valores de digestibilidade ileal e total de aminoácidos de diversos ingredientes para frangos de corte. Estas perdas referem-se a enzimas. liberando assim os aminoácidos para a corrente sanguínea. talvez explicado pela velocidade de absorção destes aminoácidos. reduzindo a sua participação no perfil absorvido. O intestino delgado é o sítio principal de digestão proteica. sendo que o produto final pode ser as unidades de aminoácidos e também de oligopeptídeos que podem ser absorvidos pela parede intestinal. células epiteliais e mucos. A pergunta seria. se faz modificação cirúrgica. Verifica-se que existem diferenças maiores ou menores. Quando se usa galos adultos. Para os grãos cereais. com remoção ou isolamento dos cecos. que é diferenciada principalmente com referência as características químicas (ácidos. Quando se utilizam aves mais jovens. descamações da parede do trato digestório. Este fato é explicado por duas razões principais. neutros e básicos). Apesar da idéia de evitar qualquer fermentação que altere os valores de digestibilidade dos aminoácidos no intestino grosso. A segunda razão é devido alguns aminoácidos serem rapidamente incorporados em proteinas das células da mucosa. mas que não reflete exatamente o perfil dos aminoácidos resultantes da digestão proteica intestinal. Isto pode indicar maior dificuldade de absorção por antagonismos ou competição por sítios de absorção.12 estão alguns valores de digestibilidade de aminoácidos utilizando as duas técnicas por vários autores. Existem várias peptidases na parede do intestino que hidrolisam peptídeos com 2 ou 3 aminoácidos. Tabela 7. Neste caso. 7. O intestino 80 . porém. Existe alguma diferenciação a nível de glandula gástrica. a digestão proteica pré-ileal é semelhante para ambas espécies. Kadim et al. além.g. porém. ocorre intensa fermentação que influi diretamente na determinação da digetibilidade proteica (aminoácidos) . farelo de soja. 2. Assim. Neste compartimento dos suinos. da função básica de recuperação de água e eletrólitos. seria indicado para os demais ingredientes. A digestão proteica também é iniciada ao nivel gástrico onde ocorre às mesmas transformações dos alimentos que acontecem com as aves. o funcionamento neural e secretório é semelhante ao da aves. A capacidade gástrica no suino é um pouco maior do que na ave. (1999). a ave tem um segmento complementar que é o estomago mecânico (moela) que tem função essencial no processo digestivo.Ravindram et al. Metionina 83 88 2 Treonina 86 69 2 Arginina 81 82 2 Farinha de Peixe Lisina 85 86 1 Metionina 87 87 1 Treonina 80 81 1 Arginina 86 84 1 Milho Lisina 75 74 1 Metionina 89 88 1 Treonina 69 62 1 Arginina 85 86 1 Sorgo Lisina 89 83 2 Metionina 92 92 2 Treonina 71 62 2 Arginina 89 93 2 1.2 Digestibilidade total e ileal de aminoácidos para suinos Os suinos possuem trato digestório bem definido com segmentos bem formados e que definem o processo digestivo nestes animais. a determinação das digestibilidades utilizando aves cecectomizadas. Apesar das pequenas diferenças observadas nas digestibiidades ileal verdadeira e total para os alimentos que apresentam maiores digestibilidades (e.10. Observou uma diferença média em torno de 10% a menos nos galos cecectomizados em comparação aos com ceco normal. o intestino grosso nos suinos adultos tem significativa funcionalidade como câmara fermentativa. No entanto. (2002) Parsons (1986) determinou a digestibilidade verdadeira com galos cecectomizados e não cecectomizados de vários alimentos e encontrou valores de digestibilidades de aminoácidos superiores para os segundos. farinha de peixe e milho). aliado a grande quantidade de enzimas (proteinas). Quanto maior o conteúdo proteico da dieta. Também se pode inferir que níveis muito altos de proteina na dieta basal.13 – Valores de digestibilidade ileal aparente e total de aminoácidos de algumas fontes proteicas e energéticas para suinos1. somada a ação específica de compostos químicos da dieta como fibra. estes possíveis erros nas determinações não alteram de forma significativa os valores determinados. Ingredientes Digestibilidade (%) Protéicos Aminoácidos Total Ap. poderão aumentar o incremento calórico. Ileal Ap. à medida que se eleva o nível de aminoácidos ingeridos. A proposta de digestibilidade ileal. alterando o real aproveitamento na construção de tecidos. Carne e ossos Lisina 71 66 Metionina 60 63 Treonina 67 65 Triptofano 68 63 Energéticos Milho Lisina 72 66 Metionina 88 86 Treonina 71 69 Triptofano 65 64 Arginina 81 83 Sorgo Lisina 69 62 Metionina 83 81 81 . sem que seja corrigida esta perda endógena. taninos. e polissacarídeos complexos) . Estas perdas são provenientes de uma secreção basal e. no íleo inferior. existe a necessidade de se usar níveis mais altos de proteina na dieta. Tabela 7. Farelo soja Lisina 86 84 Metionina 77 76 Treonina 84 80 Triptofano 86 80 Far. incrementa de forma significativa a presença da proteina endógena no íleo.. pois. maior a digestibilidade ileal (Fan et al. De qualquer forma. fatores antinutricionais (anti-tripsina. A digestibilidade ileal aparente também é variável de acordo com o nível de aminoácidos da dieta. podendo haver gastado de aminoácidos como fonte de energia. Algumas pesquisas indicam que a proteina endógena chega a ser 7 vezes maior do que a ingerida. em relação à ingestão. A digestibilidade ileal aparente e a total apresentam maior diferenciação do que a observada com aves (Tabela 7. corrigida (verdadeira) ou aparente. a semelhança das aves. Devido a este fato é que os coeficientes de digestibilidade ileal aparente dos aminoácidos dos grãos cereais. o intenso desgaste do trato digestório. Este é um dos fatores que pode afetar os valores de digestibilidade ileal de aminoácidos. mais diluido ficará a perda endógena.13).delgado é o sítio principal de digestão e absorção de aminoácidos. Por outro lado. Assim.1994). já que. somente neste segmento existem sítios para tal. normalmente são inferiores aos coeficientes das fontes proteicas. tem a finalidade de conhecer melhor a absorbabilidade dos aminoácidos. dificilmente esta proteína contriburia para fornecimento de aminoácidos. Os primeiros estudos sobre as vitaminas salientaram as alterações fisiológicas mais evidentes que ocorriam quando animais eram mantidos com dietas deficientes em vitaminas. Existem vários requisitos para serem consideradas vitaminas do ponto de vista nutricional: a. A estabilidade das membranas das células depende da ação da vitamina E. a não ser pelo pequeno refluxo de material para o íleo. não havia equipamentos bioquímicos que pudessem isolar e descobrir a estrutura dessas substâncias. que são utilizadas até hoje para várias vitaminas. proteínas e lipídeos. chamando-a de vital amina. As vitaminas representam um grupo de substâncias distintas quimicamente e exigidas em pequenas quantidades na dieta e exercem basicamente quatro funções metabólicas (estabilização de membranas celulares. Como não existe sítio de absorção de aminoácidos. Treonina 72 68 Triptofano 76 75 Arginina 79 78 1.e coenzimas ). Dessa forma. o que seria insignificante. São compostos orgânicos que apresentam composições distintas e não são classificados como carboidratos. proteínas (aminoácidos). que posteriormente foi batizada como vitamina. os pesquisadores lhe atribuíam as letras do alfabeto. CO2 e CH4. doa H +. NH +. verificou que uma substância obtida do polimento de arroz (tiamina) prevenia a beriberi e a polineurites. água. Casimir Funk já em 1912. A fermentação que ocorre no intestino grosso resulta na produção principalmente de ácidos graxos voláteis (acético. A sua falta ou deficiência. gorduras. c. a vitamina D e seus metabólitos são importantes na homeostasis do cálcio e age como hormônio no metabolismo deste macromineral. normalmente provoca um sintoma específico que é 82 . 8 METABOLISMO DAS VITAMINAS A adequada nutrição animal depende de substâncias tais como minerais. com a presença de aminoácidos livres. além de proteína microbiana. como antioxidante dos ácidos graxos polinsaturados dos fosfolipídeos . carboidratos e também das vitaminas. a vitamina E. a vitamina C como redutor orgânico importante nas hidroxilações e todas as outras vitaminas hidrossolúveis. doadores/receptores de H+/e. propiônico e butírico). interfere nos valores. São exigidas em pequemas quantidades para o funcionamento normal do metabolismo orgânico. Nessa época. são cofatores enzimáticos participando de todos as reações metabólicas orgânicas. hormonal. com exceção da colina. Adaptado de Serrano (1990) Os resultados de digestibilidade total ou ileal apresentam variações significativas e indicam que a microbiota do intestino grosso desses animais. b. constituindo uma fonte de erros quando se estima a digestibilidade fecal dos aminoácidos. biotina e colina) e vitamina C. Já as hidrossolúveis.corrigido pela sua adição à dieta. B2. Os fatores que afetam a digestão e absorção dos lipídeos.1 evidencia a importância das vitaminas hidrossolúveis no metabolismo de carboidratos. ácidos fólico. As vitaminas desempenham funções importantes no organismo. A Figura 8. nicotínico e pantotênico. todas participam do metabolismo intermediário na forma de coenzimas e eliminadas rapidamente do organismo. As lipossolúveis diferem fisiologicamente das hidrossolúveis por participarem da estrutura dos compostos orgânicos e por isso são designadas de vitaminas de crescimento. gorduras e proteínas. também interferem no aproveitamento destas vitaminas. 83 . E e K) são econtradas nos alimentos em associação aos lipídeos. D. As vitaminas lipossolúveis (A. São chamadas de vitaminas de manutenção orgânica. d. B6. As vitaminas hidrossolúveis são representadas pelas vitaminas do complexo B (B1. São encontradas em sua maioria em pequenas quantidades nos ingredientes normalmente utilizados nas rações animais. exceção da colina. Estão presentes nos alimentos associadas a carboidratos e proteína. Classificação das Vitaminas Classificamente as vitaminas estão divididas de acordo com a solubilidade em lipossolúveis (solúveis em lipídeos e solventes orgânicos) e hidrossolúveis (solúveis em água). B12. que podem ser convertidos em vitamina A na mucosa intestinal e no fígado (Tabela 8. na forma de retinol. As plantas produzem pigmentos amarelos chamados de carotenóides.1 VITAMINAS LIPOSSOLÚVEIS Vitamina A A vitamina A. retinal ou ácido retinóico. A eficiência de transformação do - 84 . somente é encontrada no organismo animal e seus produtos (Tabela 8.1).2).1: Resumo da atuação das vitaminas hidrossolúveis no metabolismo 8. FIGURA 8. 000 Manteiga 35 Queijo 14 Ovos 10 Leite 1. TABELA 8. A conversão do -caroteno retinol envolve uma clivagem enzimática na posição 15 da cadeia cabônica segundo ilustração da Figura 8.1: Conteúdo de vitamina A de vários alimentos Vitamina A Fonte Ul/g Óleo de Fígado de Baleia 400. feno (20%) 150 Cenoura 120 Farinha de glúten de milho amarelo (41%) 20 Milho amarelo 2 Scott et al. As aves e os ratos convertem 1 mg de -caroteno em 1667 UI de vitamina A enquanto este para suínos é de apenas 553 UI . (1982) FIGURA 8.2.3).caroteno varia de acordo com a espécie (Tabela 8.000 Óleo de Fígado de Bacalhau 4.5 Como Pró Vitamina A (-caroteno) Alfafa desidratada (folhas) 530 Alfafa.2: Processos de conversão do -caroteno vitamina A 85 . Esta reação ocorre ao inverso sem a presença de luz. Atividade de Vitamina A Espécie (UI/mg) Aves 1667(100%) Rato 1667 (100%) Suínos 553 (33%) Bovinos 400 (24%) Ovinos 400-520 (24 – 34%) Eqüinos 333.3).520 (20-34%) Felinos Não utiliza Caninos Limitado Funções da vitamina A a) Processos da visão O pigmento retiniano chamado rodopsina ou púrpura visual (proteína conjugada) é cindido pela presença da luz em opsina e retineno. Na deficiência de A.caroteno 880  . as reações de formação da rodopsina ficam prejudicadas. que participa do sistema visual (ilustração na Figura 8.3 Eficiência de conversão do -caroteno em vitamina A em várias espécies. manifestando inicialmente a falta de adaptação ao escuro.caroteno 1667  .2 Atividade biológica de várias formas de vitamina A Formas de vitamina A UI/mg Vitamina A – alcool (retinol) 3333 Vitamina A – acetato 2907 Vitamina A – palmitato 1818 Carotenos (aves)  . 86 .Tabela 8.caroteno 700 Criptoxantina 950 Tabela 8. que progride até a cegueira noturna total. A retina o retinol na qual é convertido em retinaldeído. acúmulo de uratos nos ureteres e túbulos renais com aumento da mortalidade. enfraquecimento geral. atua diretamente na síntese de mucopolissacarídeos. A queratinização dos epitélios é o resultado da perda de sua capacidade secretora. Em animais adultos. ocorrem alterações histológicas dos órgãos reprodutivos de machos e fêmeas. De maneira geral. placenta e adrenais. incoordenação motora. cavidades e áreas de exposição externa. d) Reprodução Na reprodução.. nas gônadas. possibilita infecções provocando transtornos digestivos. O trato gastrointestinal quando queratinizado. FIGURA 8. tornando as glândulas atróficas e mesmo quando ocorrer a fecundação. a vitamina A atua na síntese de hormônios esteroidais a partir do colesterol orgânico. formação 87 . o feto poderá ser reabsorvido ou nasce defeituoso ou morto. a deficiência de vitamina A em aves provoca anorexia (devido a queratinização dos epitélios) com consequência no crescimento. Em caso de deficiência desta vitamina. Este quadro é mais evidente quando a matriz tenha sido alimentada com ração também deficiente. Deficiência de vitamina A a) Aves Pintos de um dia recebendo dieta livre de vitamina A apresentam sintomas de deficiência ao final da primeira semana de vida.3: Processo da visão (Adaptado de Scott et al. tornando-os secos e susceptíveis às infecções. c) Formação óssea Os sais de cálcio são depositados em uma matriz de mucopolissacarídeos que são sintetizados por ação da vitamina A. verifica-se a queratinização do trato digestório superior. 1982) b) Manutenção da integridade dos epitélios A vitamina A é exigida para a manutenção do epitélio que recobre todos os canais. modificam as suas moleculas transformando-os em vitamina D de acordo com esquema da Figura 8. principalmente as ligadas do aparelho respiratório dos suínos é frequente. Ambos compostos quando submetidos aos raios ultravioleta. Vitamina D Existem basicamente dois tipos de vitamina D. b) Suínos Em suínos. A redução da resistência a doenças. as formas dietéticas de D2 e D3 são eficientemente utilizadas.4. Os precursores das formas D2 e D3 são o ergosterol vegetal e o 7- dehidrocolesterol. a deficiência de vitamina A dietética resulta em diminuição dos níveis sanguíneos com elevação da pressão do fluído cérebro-espinhal. no entanto. 88 . o ergocalciferol vegetal irradiado (D2) e o colecalciferol animal (D3). as aves aproveitam com melhor eficiência a forma D3 (10 vezes melhor). respectivamente. a deficiência desta vitamina resulta em problemas reprodutivos. Nas porcas reprodutoras. Para suínos. A incoordenação motora com paralisação dos membros posteriores pode evoluir para uma ataxia total.de pústulas brancas em consequência de infecções secundárias. 5). resulta em rápida elevação da concentração sanguínea da forma ativa desta vitamina (Figura 8. para ser metabolicamente ativa.5: Transformações metabólicas da vitamina D3 (Martin et al. que ocorrem no fígado e rins (Figura 8.6). FIGURA 8. 89 .4: Conversão do ergosterol e 7-dehidrocolesterol nas vitaminas D2 e D3 respectivamente.. 1982) Vários fatores são responsáveis pela ativação da vitamina D no organismo (Figura 8. sofre transformações orgânicas. através de reações de adição de grupos OH na molécula. A vitamina D3.6). A soma dos seus efeitos. FIGURA 8. Função da vitamina D Absorção de cálcio no intestino delgado A vitamina D3 ativa (1. O processo de absorção de cálcio depende de energia e sódio.7). pode-se considerar que esta vitamina é a responsável pela elevação dos níveis de cálcio e fósforo no sangue. Pesquisas têm revelado que a vitamina D também estaria envolvida na absorção do fósforo. ativando a síntese de uma proteína responsável pela absorção de cálcio (Calbindin) do lúmen intestinal (Figura 8. para dar suporte destes elementos às funções orgânicas normais. não se conhece ainda este mecanismo.25 dihidroxicolecalciferol) atua nas células da mucosa do duodeno. porém.6: Fatores de ativação da vitamina D. FIGURA 8. 90 . No entanto. ocorre engrossamento e rigidez das juntas. FIGURA 8. a deficiência causa a osteomalácia. No entanto. aves e suínos são atualmente criados em confinamento. nos membros posteriores. a) Aves Aves na fase inicial de criação. Exames pós-mortem nas aves revelam hipertrofia da glândula paratireóide e redução das cinzas e resistência óssea devido a osteodistrofia (redução da substância mineral dos ossos). com redução da resistência óssea. Os ossos e bicos tornam- se moles e dobráveis. O aparecimento de nódulos na união costela vértebra são características de deficiência de vitamina D em poedeiras. apresentam uma redução no crescimento e raquitismo a partir da 2ª ou 3ª semana de vida. ocorre também a queda na produção de ovos. produção de ovos sem casca ou casca mole e. quando deficientes.7: Atuação da vitamina D3 na absorção cálcio Deficiência de vitamina D A vitamina D pode ser sintetizada na pele dos animais desde que expostos aos raios solares (ultra violeta). Este fato leva a necessidade de suplementação desta vitamina nas rações destes animais. reduzem o crescimento. que também provoca redução da mobilidade. Em animais adultos. 91 . com fraturas frequentes. livre de insolação. provocando paralisias. com paralisias das pernas. b) Suínos Leitões deficientes em vitamina D. Intracelular.8: Estrutura química da vitamina E A absorção da vitamina E está relacionada com a digestão das gorduras. Foi descoberta por Evans e Bishop (1922). a vitamina E pode ser encontrada principalmente em mitocôndrias e membranas dos microssomas. Vitamina E A vitamina E. a forma alfa-tocoferol é a mais importante nutricionalmente. Existem várias formas de tocoferol encontrados na fração lipídica de vegetais. também chamada de tocoferol. sendo facilitada pela bile e lipase pancreática. sofre alterações químicas e perda da atividade. podendo ser mobilizada para manutenção dos níveis sanguíneos normais.2: Atividade biológica de tocoferois encontrados em várias fontes Potência Biológica Fonte Forma Relativa Primária Alfa-tocoferol 100 Germe de trigo Beta-Tocoferol 35 Germe de trigo Gama-tocoferol 1 Milho Delta-tocoferol 1 Soja Scott et al (1982) FIGURA 8. necessário à reprodução de ratos. com atividade de vitamina E (Tabela 8. sendo designada por algum tempo como vitamina antiesterilidade e vitamina da fertilidade. TABELA 8. ambas com eficiente atividade de vitamina E. As duas principais formas de vitamina E para as rações são o alfa-tocoferol e o alfa-tocoferil-acetato (Figura 8. A vitamina E absorvida é armazenada principalmente no fígado e tecido adiposo. foi inicialmente estudada na reprodução. O conteúdo de vitamina E nas plantas é prejudicado pelo tempo de armazenamento dos alimentos. no metabolismo muscular 92 . No entanto.7). na creatina. A forma esterificada (dl-alfa-tocoferol-acetato) é hidrolizada na parede intestinal sendo absorvida e transportada por lipoproteínas tranportadoras para a circulação geral. como fator lipossolúvel de óleos vegetais. Funções da vitamina E a) Atua no metabolismo de carboidratos.2). através do aumento da sua resistência ao peróxido de hidrogênio (agente hemolítico). A lecitina é o fosfolipídeo mais importante da fração lipídica da membrana das células e que controla a permeabilidade celular. prepara e protege a gestação regula o metabolismo hormonal através da hipófise. Desta maneira. não permitindo a formação de lesões nos vasos sanguíneos e alterações na permeabilidade capilar. Dentre os ácidos graxos polinsaturados que podem compor a molécula de lecitina. fração lipídica das membranas celulares. o ácido graxo aracdônico é o mais frequente. Estes prejuízos podem 93 . A peroxidação da fração lipídica de qualquer destas membranas acarreta sérios prejuízos no metabolismo orgânico. melhorando seu aproveitamento e armazenamento orgânico. Como antioxidante celular.005 ppm de selênio O mecanismo pelo qual a vitamina E e o selênio agem a nível de metabolismo encontra-se ilustrado nas Figuras 8. A desintegração oxidativa da vitamina A no organismo animal pode ser protegida pela ação antioxidante da vitamina E. o selênio ativa a enzima glutationa peroxidase.05 10 0. e na regulação das reservas de glicogênio. A vitamina E se oxida nos tecidos com liberação H+ que complementa a insaturação dos carbonos dos ácidos graxos insaturados presentes nas membranas das células na molécula de lecitina. evitando a formação de lipoperóxidos tóxicos. verifica-se que o selênio pode servir como fator de economicidade de vitamina E no metabolismo.02 100 0. Estimula a formação de anticorpos e possui efeito antitóxico no metabolismo celular. Enquanto a vitamina E evita a peroxidação dos tecidos. Nível de Vitamina e Necessidade de Selênio Adicionada (ppm) (ppm) 0* 0. Interrelação vitamina E/selênio A vitamina E e o selênio.10. com grandes chances de ocorrer a peroxidação. são compostos importantes na manutenção da integridade das membranas celulares. b) Antioxidante biológico.3: Efeito da adição de níveis de vitamina E sobre as necessidades de selênio na dieta de frangos de corte.3). que destrói os peróxidos formados. contendo quatro duplas ligações na sua molécula. envolvida por uma camada protéica.9 e 8.01 Thompson e Scott (1969) * dieta semipurificada contendo menos de 0. a vitamina E intervém na estabilização dos ácidos graxos polinsaturados. controla o desenvolvimento e função das glândulas. Thompson e Scott (1969) verificaram que o aumento da vitamina E na dieta de frangos de corte levou a uma redução nas necessidades de selênio dietético (Tabela 8. TABELA 8. Todas as membranas celulares e de organelas do organismo são formadas pela unidade de membrana compostas por uma camada bimolecular de lipídeos. exercendo atividade de proteção à membrana eritrocítica. as vitaminas lipossolúveis devem ser adicionadas às rações. salvo algumas áreas com aporte melhor de selênio. FIGURA 8. Outro fato que reforça o aparecimento desta deficiência é a pobreza em selênio dos solos e consequentemente dos ingredientes de rações utilizadas no Brasil. já que.ser simples perda da permeabilidade celular com perda de líquidos das células com a ruptura das membranas e liberação de complexos enzimáticos como hidrolases ácidas que em reações em cadeia podem levar o animal a morte. associados à umidade e condições inadequadas de armazenamento. Nomalmente. levam a destruição desta vitamina. a presença de íons metálicos. Esta deve ser a principal preocupação no momento da formulação dos suplementos vitamínicos para aves e suínos. 94 .9: Interrelação vitamina E e selênio na proteção das membranas contra a peroxidação. Deficiência de vitamina E/selênio A deficiência de vitamina E e/ou selênio ocorre sob diversas condições que vão desde os níveis utilizados na ração até o seu uso pelo animal. a vitamina E é a mais susceptível à destruição pela oxidação. Dentre todas as vitaminas nutricionalmente importantes. Os problemas de deficiência de vitamina E se verifica com frequência no período de calor. principalmente de frangos de corte em níveis bem superiores às exigências teóricas. o que leva a concluir a ocorrência de grandes perdas durante o armazenamento destas rações. sob pena de não alcançar os resultados de desempenho esperado. o aumento de volume na região ventral com o acúmulo de exsudato subcutâneo formando um edema peitoral. com degeneração dos músculos e pequenas hemorragias nas articulações e num estágio avançado.10: Metabolismo da vitamina E nos tecidos. contrações e relaxamento rápido das pernas e finalmente prostração e morte da ave. (1982) a adição de 80 g de selênio/kg de ração. incoordenação. Na prevenção da encefalomalácia. 95 . 2 . interrompendo a formação de radicais livres. 1 . Ocorre com maior frequência em aves com idade entre três a seis semanas e se caracteriza pelo aparecimento de sintomas tais como coloração verde azulada na região peitoral da ave. na forma de selenito de sódio. Nos casos severos. curvamento do pescoço. sendo que 40 g/kg são efetivos para manter um bom desempenho das aves. Após o aparecimento dos sintomas. caracterizado por ataxia. Várias pesquisas têm relatado a importância da utilização de anti-oxidantes como etoxiquina e BHT (butil-hidroxi-tolueno) nas rações de aves. que favorece a oxidação da vitamina E. Este quadro aparece normalmente entre a 2ª e 4ª semana de idade da ave e é caracterizada histologicamente por uma degeneração das células de Purkingie do cerebelo e às vezes do cérebro. a) Aves As aves podem apresentar diversos sintomas de deficiência de vitamina E e/ou selênio dependendo da intensidade da carência e idade das aves. o cerebelo apresenta petéquias hemorrágicas e as meninges edematosas. previne completamente a diátese exsudativa e em rações com níveis adequados em vitamina E. a adição de selênio à dieta não recupera a ave. com conteúdo semelhante ao plasma sanguíneo. a vitamina E atua como antioxidante biológico.Encefalomalácia nutricional Este sintoma foi inicialmente descrito em 1931.Diátese exsudativa Este sintoma aparece devido ao marcado aumento da permeabilidade dos capilares. Segundo Scott et al. principalmente nas de alta energia com altos teores de óleos vegetais. FIGURA 8. conduzindo a formação de edemas. Níveis adequados de selênio e vitamina E previnem esta distrofia muscular. posturas anormais e decúbito prolongado ou permanente. As descrições clínicas da hepatose dietética são escassas devido a curta duração desta síndrome. As fibras musculares se degeneram apresentando-se hemorrágicas. A distrofia muscular nutricional é caracterizada pela degeneração das fibras musculares especialmente na região peitoral e ocasionalmente nos músculos das pernas. ocorre uma degeneração testicular afetando o seu desempenho reprodutivo. Observa-se em animais doentes uma forte dispnéia. 3 . podem ser observadas outras disfunções ligadas principalmente a reprodução. b) Suínos A deficiência de vitamina E e/ou selênio em suínos produz basicamente três síndromes principais: distrofia muscular. cianose nas condutas auditivas. A necropsia do fígado evidencia uma hipertrofia hepática e lóbulos com aspecto de mosaico. a deficiência prolongada de vitamina E /ou selênio reduz marcadamente a eclodibilidade. 2 . hepatose dietética e microangiopatia dietética. que afeta a musculatura deste órgão. pode-se observar degeneração que determina um andar rígido. Hemorragias no trato gastrointestinal e esteatite podem aparecer. Hemorragias de intensidade variável podem ocorrer. Nos machos. na parede abdominal e presença intensa de transudatos.Microangiopatia dietética (Cardiopatia) Aparece com maior frequência em suínos de 12 a 16 semanas recebendo ração deficiente em vitamina E e selênio. Além destas manifestações. máculas azul avermelhadas na pele e morte súbita. notando-se cianose focal (orelhas). Com a progressão desta deficiência.Problemas reprodutivos Em matrizes. as aves apresentam uma severa miopatia especialmente no músculo do peito a partir de quatro semanas de idade. apatia. O animal apresenta forte dispnéia. Animais necropsiados apresentam hemorragias no miocárdio.Hepatose dietética Esta disfunção afeta principalmente os suínos de três a quatro meses de idade. 1 . determinando alta mortalidade. devido provavelmente à degeneração muscular.Distrofia muscular nutricional O sintoma precoce da deficiência de vitamina E e selênio em suínos apresenta como uma redução no ritmo de crescimento. sonolência e inapetência. vômitos. 96 . onde as células hepáticas são substituídas por fibroblastos. 3 . Pode ocorrer também a erosão da moela. como esterilidade e reabsorção fetal. 4 . edema pulmonar.Distrofia muscular nutricional Em dietas deficientes em vitamina E e aminoácidos sulfurosos. edema no trato gastrointestinal. congestão venosa. 4: Resumo das principais deficiências nutricionais ligadas a Vitamina E e Selênio. TABELA 8. no entanto. (5)]* 5 Filoquinona .3 [Vitamina K1. TABELA 8. Falha na Reprodução . (10)] 10 Filoquinona . (20)] 100 (natural) Filoquinona . Fígado.1 [vitamina K1.Degeneração Embrionária Galinhas Sistema vascular do Sim Não embrião (ovo) .Esterilidade Galos Gônadas masculinas Sim Não 2.6 [Vitamina K1. a vitamina K exerce um papel importante na coagulação sanguínea através da regulação e manutenção da formação de protrombina. com atividades de vitamina K. Condição Animal Tecido Previnido por Afetado Vit E Se 1. (30)] 50 97 . no fígado. séries das menaquinonas (produzidas pela fibra bacteriana intestinal) e a série menadionas (formas sintéticas). Miopatias Nutricionais Distrofia muscular nutrional Frangos. cérebro e capilares. Existem três grupos de substâncias com atividade de vitamina K. As menadionas são utilizadas para suplementação das rações. Encefalomalácia nutricional Frangos Células de Purkingie Sim Não e Perus Diátese exsudativa Frangos Paredes dos capilares Sim Sim Destruição dos eritrócitos Frangos e Sangue Sim Sim Perus Perda de proteinas sangue Frangos Soro albumina Sim Sim Hepatose dietética Suínos Fígado Sim Sim Esteatite Suínos Tecido Adiposo Sim Sim 3. São as séries das filoquinonas (plantas).5:Atividade biológica relativa de várias formas da vitamina K Atividade Formas Relativa (Base Molar) Série fitoquinonas Filoquinona . ocorre a adição da cadeia carbônica isoprênica. (15)] 30 Filoquinona .4 [Vitamina K1. (25)] 80 Filoquinona . A molécula não é completa. Músculo esquelético Sim Não ou perus e parcial suínos mente VITAMINA K Também chamada de vitamina antihemorrágica.5 [Vitamina K1. sangue.2 [Vitamina K1. 2 [Vitamina K2. (35)] 70 Série Menadionas Menadiona (vitamina K3) 40-150 Menadiona-bissulfito de NaCl 50-150 (complexo) 100-160 Menadiona dimetil pirimidon bissulfito  o valor entre parênteses representa o número de carbonos das unidades isoprênicas  Leeson e Summers (2001) FIGURA 8. (15)] 40 Menaquinonas -4 [Vitamina K2. fator Stuart e fator Christimas (tromboplastina plasmática). proconvertina. (20)] 100 Menaquinonas -5 [Vitamina K2. 98 . (10)] 15 Menaquinonas -3 [Vitamina K2. Série Menaquinonas Menaquinonas . tendo a vitamina K responsável pela biossíntese de protrombina. (30)] 100 Menaquinonas -7 [Vitamina K2. Fatores intrínsecos (ligados à injúria do tecido) e Extrínsicos (presentes no plasma sanguíneo) estão envolvidos no mecanismo de formação da fibrina. (25)] 120 Menaquinonas -6 [Vitamina K2.11: Estrutura da menadiona bissulfito de sódio Funções da Vitamina K A Vitamina K atua no mecanismo complexo de coagulação sanguínea em vários passos metabólicos. 1982) Fatores anti-vitamina K Existe uma série de substâncias com estruturas semelhantes à vitamina K e que ocupam a sua posição porém.12: Mecanismo da coagulação sanguínea (Martin al. não exercendo sua função. O warfarim e o dicumarol são comumente utilizados como veneno de ratos. a sulfaquinoxalina. Dentre estas substâncias. FIGURA 8. dicumarol e a actinomicina D são compostos que impedem a coagulação sanguínea. Deficiência de vitamina K A deficiência de vitamina K leva a um retardamento na velocidade de coagulação sanguínea. 99 . provocando hemorragias que levam a morte do animal. o warfarim. Pintinhos recebendo ração deficiente nesta vitamina apresentam sintomas de deficiência com duas semanas. tem exigência de macronutriente e é acumulada do organismo. estas rações contém altos teores de carboidratos. já que. responsável pela transmissão dos impulsos nervosos. A suplementação da vitamina B1 em rações de aves e suínos torna-se imprescindível. No entanto. onde as lesões provocam hemorragias que levam a anemia e o baixo desempenho destes animais. devido a grande deposição dessa vitamina na gema. 100 . Ao contrário das vitaminas lipossolúveis. onde os distúrbios digestivos desta fase. 8. b) Suínos Os suínos também apresentam sintomas semelhantes ao das aves. Além da participação coenzimática da tiamina. participa no transporte passivo do sódio através da membrana das células ganglionares e também previne a redução da atividade da transcetolase do ciclo da pentose fosfatada. com excessão da colina. sangramento excessivo devido a lesões e cristas pálidas. que. Aves criadas no sistema de cama. Pesquisas evidenciam a participação da tiamina na biossíntese de acetil-colina. atua no funcionamento normal do tecido nervoso e músculo cardíaco. que apresentam grandes concentrações. VITAMINA B1 (TIAMINA) Atua de forma decisiva no metabolismo dos carboidratos como coenzima. envolvido na biossíntese de ácidos graxos no sistema nervoso. Sistemas enzimáticos dependente de B1: a) alfa-cetoácido descarboxilase: a mais importante é a piruvato descarboxilase TPP (tiamina pirofosfato) dependente. Os leitões deverão receber ração suplementada com vitamina K principalmente na fase pós-desmama. além de não participar de enzimas. Neste caso considera-se que uma UI é equivalente a 3 g de tiamina hidroclorica cristalina. ricas em K. As necessidades de tiamina para poedeiras comerciais é mais elevada quando comparada com frangos de corte e suinos. produzida no intestino grosso da ave. podem associar-se a hemorragias do trato digestório que levam a morte destes animais. a suplementação da vitamina K é imprescindível ao bom desempenho de poedeiras em regime de gaiola. a) Aves Os sintomas de deficiência de vitamina K em aves resumem-se em pontos hemorrágicos na pele. dificilmente terão deficiência desta vitamina. as hidrossolúveis não são armazenadas no organismo e participam como cofatores enzimáticos de todo metabolismo orgânico. A suplementação de tiamina pode ser em mg/kg da dieta ou em UI. devido ao contato com as próprias fezes. Os grãos cereais e seus subprodutos e os farelos de soja algodão e amendoim são relativamente ricos nesta vitamina e em especial o pericarpo do arroz e trigo.2 VITAMINAS HIDROSSOLÚVEIS As vitaminas hidrossolúveis compreendem as do complexo B e mais a vitamina C. a utilização de níveis excessivos deste antimetabólito. Deficiência de vitamina B2 a) Aves . 101 . Antimetabólicos como o amprolium. leva a necessidade de aumentar a suplementação da vitamina B1. a) Suínos . importante na produção de NADPH+ H+ utilizada na biossíntese de ácidos graxos. nas rações destas aves.Sintomas  crescimento retardado  problemas reprodutivos  distúrbios no trato digestivo  dermatite seca e escamosa  visão danificada (cataratas e opacidade do cristalino). Deficiência de vitamina B1 a) Aves . devido à oxigenação inadequada do sangue) na pele e nas membranas mucosas da cabeça  coração dilatado com alterações cardíacas  temperatura subnormal Vitamina B2 (Riboflavina) A riboflavina exerce papel importante nas reações de redução e oxidação do metabolismo intermediário. Faz parte de diversos sistemas enzimáticos que atuam principalmente na cadeia respiratória na forma de FAD (flavina-adenina-dinucleotídeo). Existem algumas substâncias com funções anti-tiamina que bloqueiam a ação desta vitamina.Sintomas  atraso no crescimento  cianose (cor azulada. anticoccidiano utilizado em rações de frangos de corte. No entanto.Sintomas  atraso no crescimento  anorexia  polineurites  decréscimo da taxa respiratória a) Suínos .sintomas  diarréias  retardamento no crescimento  paralisia dos dedos curvos  pique de mortalidade no meio do período de incubação. compete com a tiamina a nível de eiméria. É uma vitamina de coloração amarela (forma reduzida) que se torna incolor após oxidação. b) Transacetolase: atua no ciclo das pentoses. Vitamina B6 Existem três formas de vitamina B6 com efeitos fisiológicos semelhantes para aves e suínos. através das membranas das células. piridoxina piridoxamina. racemização e no transporte de aminoácidos. especialmente ligado a proteínas. porém. O número de pesquisas sobre as exigências de B6 é pequeno. Vitamina B12 A vitamina B12 só existe em alimentos de origem animal. colina e folacina na maioria das suas participações metabólicas. no crescimento e nos processos metabólicos. São as formas piridoxal.Sintomas  crescimento retardado  convulsões  perda rápida de peso  edema nas pálpebras  erosão de moela b) Suínos .5% da molécula de B12. existe a preocupação maior da sua suplementação nas dietas iniciais de aves e suinos. Também participa da biossíntese de 102 . Esta vitamina difere das outras no processo de absorção no intestino delgado. descarboxilação. a grande necessidade de biossíntese de aminoácidos não essenciais nessa fase de criação. A forma piridoxina é encontrada predominantemente em vegetais (verdes. Tem armazenamento principal no fígado. grãos) e as formas piridoxal e piridoxamina. porém. sendo absorvida no intestino delgado. em produtos animais. participa de diversos passos metabólicos na forma de coenzima B12. Para que ocorra a sua absorção há a necessidade da produção um fator intrínseco (IF) na mucosa gástrica. coração e pâncreas. Este micromineral representa 4. Exerce papel importante na formação normal do sangue. Esta ligação é resistente a ação das proteases. Está estreitamente relacionada com a metionina. A biodisponibilidade dessa vitamina nos ingredientes vegetais é considerada baixa ( 40-60%) e existe também destruição nas rações devido a presença de minerais. No sistema enzimático. haja vista. mais especificamente na região ileal. que se liga à vitamina B12 na relação 1:1 (mol). Esta vitamina desempenha papel importante nas reações de transaminação. dada a sua importância nas reações de transaminação. A vitamina B12 é o único composto orgânico que possui o cobalto em sua estrutura integral. Deficiência de vitamina B6 a) Aves . rins. existem quantidades apreciáveis no cérebro. responsável pelas reações de transferência de unidades de carbono (grupos metílicos) .Sintomas  convulsões  baixo ritmo de crescimento  distúrbios no trato digestivo  dermatite em volta dos olhos e focinho. o ácido nicotínico participa da molécula de dois coenzimas altamente importantes no metabolismo intermediário. o centeio e os produtos lácteos são pobres em niacina. Deficiência de vitamina B12 a) Aves . No entanto. Metabolicamente. que são o NAD (nicotinamida- adenina-dinucleotídeo) e o NADP (nicotinamida-adenina-adeninadinucleotídeo-fosfato). c) Metabolismo de proteínas  Síntese e catabolismo de aminoácidos 103 . As forragens verdes. Estes dois coenzimas são os mais importantes redutores biológicos que atuam nas seguintes reações metabólicas: a) Metabolismo dos carboidratos  Oxidação aeróbica da glicose  Ciclo de Krebs b) Metabolismo dos lipídeos  Síntese de degradação do glicerol  Síntese e oxidação de ácidos graxos  Síntese de esteróides  Oxidação de unidades de 2 carbonos via ciclo de Krebs. Além dos cereais apresentarem baixos teores de niacina. o milho. são de baixa biodisponibilidade para os animais. leveduras e fontes protéicas de origem vegetal e animal são ricas nesta vitamina. Niacina A niacina está presente em todas células vivas na forma de ácido nicotínico ou nicotinamida. O farelo de trigo por exemplo. A nicotinamida é a forma mais encontrada no organismo dos animais enquanto o ácido nicotínico prevalece nos alimentos de origem vegetal.celulas vermelhas do sangue e manutenção da integridade do sistema nervoso. apresenta níveis razoáveis de ácido nicotínico (150 ppm).Sintomas  Crescimento retardado  Pelos eriçados  Anemia  Redução no tamanho e peso da leitegada. porém.Sintomas  Crescimento retardado (redução na síntese protéica)  Redução na eficiência de utilização dos alimentos  Alta mortalidade  Redução na fertilidade dos ovos  Perose  Encurtamento do bico b) Suínos . na forma presa e indisponível.  Deformação óssea. interconversão do áciso succínico e propiônico e conversão do ácido oxalosuccínico a -cetoglutárico. no entanto o milho apresenta conteúdo importante desta vitamina (65 /kg) e com boa biodisponibilidade (85 – 90 %). com rachaduras hemorrágicas. substrato inicial para a síntese de gorduras. Os cereais normalmente são pobres nesta vitamina. ocorre na natureza na forma de D- biotina e é encontrada tanto em alimentos de origem animal como vegetal. b) síntese de malonil CoA.sintomas  Baixo ritmo de crescimento  Dermatite  Problemas digestivos BIOTINA A biotina também chamada de vitamina H. inclusive encurtamento e curvação dos ossos das pernas e das asas nos embriões.Sintomas  Engrossamento das juntas  Curvamento das pernas semelhantes à perose porém não há o deslocamento do tendão de Aquiles  Retardamento no crescimento  Língua preta (mais comum em cães)  Inflamação na boca b) Suínos . deaminação dos aminoácidos. sintese de purinas e metabolismo dos ácidos nucleicos. No metabolismo. d) Importante na síntese proteica. As principais reações de biotina são as que envolvem a fixação de CO 2 (carboxilações) e são as seguintes: a) síntese de ácido oxalacético a partir do ácido pirúvico. a biotina é um componente essencial de sistemas enzimáticos específicos envolvidos nas reações de gorduras e carboidratos principalmente. sistema repiratório e pele. aparelho reprodutor. d) Síntese de rodopsina  Conversão da forma alcoólica do retinol em aldeído (retinol) Deficiência de Niacina a) Aves . Deficiência de biotina a) Aves . c) síntese de carbamil-fosfato. conversão do ácido málico em pirúvico.  Oxidação de cadeias carbônicas via ciclo de Krebs. importante substrato no ciclo da uréia. 104 . A sua presença também é necessária para o funcionamento normal das glândulas adrenais e tireóide.Sintomas  Dermatite semelhante à produzida pela deficiência de ácido pantotênico e aparece a partir da 3ª semana. Além disso. Deficiência de ácido pantotênico a) Aves . no pescoço e no dorso. Ácido Pantotênico Também chamado de fator antidermatites em pintos ou vitamina B3.Sintomas  Dermatite nas orelhas.  Crescimento lento e baixa reprodução.  Distúrbios no aparelho digestivo.  Problemas reprodutivos. nas pálpebras e nos pés  Mortalidade geralmente tardia  Hemorragia subcutânea  Empenamento anormal nos embriões e baixo índice de eclosão dos ovos. os resíduos de destilarias e as farinhas de alfafa são ricos nesta vitamina.  Lesões dérmicas.  Exsudato de cor castanha em volta dos olhos.Sintomas  Passo-de-ganso (incoordenação muscular. Os produtos lácteos. b) Suínos .13). b) Suínos . com pouca ou sem curvatura nas articulações das pernas).  Deformação do crânio. 105 .  Anemia.  "Bico de papagaio" e membranas entre os dedos dos pés. com exceção da mandioca. é indispensável ao funcionamento normal da pele e mucosas. está contida na maioria dos alimentos. perda excessiva de pelos e fissuras nas patas.  Espasmos nas pernas traseiras. os farelos de oleaginosas. pigmentação do pêlo e a resistência do organismo contra infecções e na formação de anticorpos.  Distúrbios na glândula adrenal. proteínas e gorduras (Figura 8.Sintomas  Retardamento do crescimento  Lesões nos ângulos do bico. que participa de vários processos metabólicos envolvendo carboidratos.  Pododermites e claudicação. O ácido pantotênico é o substrato para a biossíntese da coenzima A. FIGURA 8.13: Participação da CoA no metabolismo Ácido Fólico Também chamado de fator antianemia, vitamina Bc e ácido peteroilmonoglutâmico, é encontrado em farinhas de origem animal na forma biodisponível. As farinhas de peixe (60%) e carne e ossos (50%) possuem 480 e 440 g/100g, respectivamente, com biodisponibilidade acima de 80%. Por outro lado, os vegetais como grãos cereais e farelos de oleaginosas, possuem conteúdos menores dessa vitamina e com biodisponibilidade baixa ( até 30%). Metabolicamente participa das reações de síntese das bases orgânicas (purinas e pirimidinas), síntese protéica (síntese de N-formilmetionil-t-RNA, iniciador da síntese) e síntese de serina (a partir da glicina). 106 Deficiência de ácido fólico a) Aves - Sintomas  Retardamento no crescimento  Empenamento pobre  Anemia  Perose  Alta mortalidade no final do período de incubação  Curvatura do osso tibio-tarso dos embriões  Membranas entre os dedos dos pés. b) Suínos - Sintomas  Atraso no crescimento  Anemia  Problemas reprodutivos  Problemas na lactação das porcas. Colina Também chamada de vitamina B4, é encontrada praticamente em todos os ingredientes utilizados na formulação de rações de aves e suínos, no entanto, as fontes protéicas de origem animal são mais ricas nesta vitamina. O milho e o farelo de soja possuem 1500 e 2700 mg/kg de colina com biodisponibilidade que varia de 60 a 75%. Já as farinhas de origem animal, possuem colina com biodisponibilidade acima de 90%. As farinhas de carne e ossos e de peixe contém 1950 e 3500 mg/kg de colina. Foi inicialmente isolada da bile hepática e, por isso, chamada de colina. Considerando as suas funções orgânicas, a colina não tem conotação de vitamina e talvez esta designação não esteja bem correta. Poderia ser considerada uma amina essencial. A classificação desta vitamina como do complexo B também não encontra apoio de outros nutricionistas devido ao fato de não participar no metabolismo como coenzima, servir para a síntese de lecitina e de outros fosfolipídeos que participam da estrutura das células e consequentemente dos tecidos e ser exigida em quantidades muito superiores às outras vitaminas B. A colina é biossintetizada normalmente no organismo dos animais a partir do aminoácido serina, com a presença de ácido fólico e vitamina B6. A metionina participa na biossíntese da colina pela doação de grupos metílicos. Rações deficientes em proteína e/ou metionina podem afetar as exigências de colina. Como papel bioquímico, a colina participa das sínteses de lecitina, esfingomielina e acetilcolina. A lecitina participa da absorção e transporte das gorduras no fígado e da posterior mobilização e transporte das gorduras hepáticas, participa das membranas celulares e partículas subcelulares. A esfingomielina participa no metabolismo nervoso e a acetilcolina é a substância mediadora da atividade nervosa, sendo responsável pela transmissão dos estímulos nervosos. 107 Deficiência de colina a) Aves - Sintomas  Fígado gorduroso A deficiência de colina leva a problemas de mobilização da gordura hepática pela redução das lipoproteínas transportadoras, ricas em lecitina, que contém a colina. O acúmulo de gordura hepática pode chegar a 30% sendo que em condições normais este valor não ultrapassa a 5%.  Perose Caracteriza-se por pontos hemorrágicos e uma leve inchação das articulações das patas. Com a evolução da deficiência as articulações se achatam deslocando o tendão de Aquiles de lugar. b) Suínos - Sintomas  Membros traseiros abertos nos leitões recém-nascidos  Infiltração gordurosa no fígado  Rigidez das juntas, particularmente das paletas  Baixa sobrevivência dos leitões e  Peso anormal à desmama. Vitamina C A vitamina C, também conhecida como ácido ascórbico é sintetizada pela maioria das plantas e por todos os mamíferos (exceto homem e o porquinho-da-índia). As aves também sintetizam o ácido ascórbico, salvo em condições de estresse. Metabolicamente o ácido ascórbico desempenha diversas funções bioquímicas: a) Metabolismo dos aminoácidos aromáticos b) Agente redutor do enzima Fe-alfa-cetoglutarato hidrolase (mantém o ferro na forma ferrosa) c) Liberação do ferro da molécula de transferrina (Fe+++) pela redução deste elemento para a forma Fe++ d) Transporte de elétrons. Deficiência de vitamina C a) Aves - Sintomas Em condições normais as aves conseguem sintetizar toda vitamina C necessária à manutenção de suas funções biológicas, a partir da glicose-1-fosfato. No entanto, em condições de estresse principalmente provocado pelo calor ambiente, há a necessidade suplementação, por haver um bloqueio no sistema enzimático envolvido na biossíntese desta vitamina. b) Suínos - Sintomas Os suínos de uma maneira geral sintetizam toda a vitamina de que necessitam. Somente leitões até 6 semanas de idade necessitam de suplementação na ração. A partir desta idade, consequentemente sintetizam a vitamina C eficientemente, 108 dispensando a suplementação. FONTES COMERCIAIS DE VITAMINAS A maioria das vitaminas são produzidas por processos biotecnológicos utilizando microorganismos específicos e geneticamente melhorados . TABELA 8.6: Relação das fontes comerciais utilizadas para fabricar suplementos vitamínicos e concentrações de vitaminas. Concentração de Vitamina FG(Feed Produto Grade) Produtos em Pó Rovimix A 500 500.000 Ul de vitamina A estabilizada/g Vitamina D2 40.000.000 Ul de Vitamina D2/g Vitamina D3 500.000 Ul/g de Vitamina D3/g Rovimix E 50% 500 Ul de vitamina E/g Rovimix E 25% 250 Ul de vitamina E absorvida/g Vitamina C Ácido ascórbio USP 2 Vitamina C Ascorbato de Sódio USP Vitamina K3 Menadiona Bisulfito 52 % Ácido Fólico Ácido Fólico 90% Vitamina B1 Cloreto de Tiamina 91 % Vitamina B2 Riboflavina 5 Fosfato de Sódio USP Roviflan Riboflavina 97-98% Vitamina B6 Cloridrato Piridoxina 82% Vitamina B12 Cianocobalamina 1.000 mg/kg Vitamina H D-Biotina USP Bios II 2% de D-Biotina Ácido Pantotênico D-Pantotenato de Cálcio USP Ácido Pantotênico Ácido Pantotênico 90% Ácido Nicotínico Niacina FG 96-98% Colina Cloreto de Colina 60 e 70% FG Pós Hidromissíveis 1 Rovimix A/D3 300/100 W 300.000 Ul de A e 100.000 Ul de D3/g Rovimix A 300 W 300.000 Ul de Vitamina A/g Rovimix E 20W 200 Ul de Vitamina E/g Produto Concentração de Vitamina FG Produtos em Pó Líquidos Hidromissíveis Vitamina A / D3 100/20 100.000 Ul de A e 20.000 Ul de D3/ml Vitaminas Oleosas Vitamina A palmitato 1.700.000 Ul/g Vitamina A palmitato 1.000.000 Ul/g Vitamina A acetato 1.000.000 Ul/g Vitamina E acetato 1.000 U;Ul/g 1. marca Roche-Produtos Químicos e Farmaceuticos S/A, 2.United State Pharmacopea 109 Os quelatos poderiam ser definidos como substâncias em forma anelada e que envolvem metais.. de difícil dissociação e úteis ao organismo Neste tipo são incluídos a hemoglobina.. a vitamina B12 e as enzimas citocromos (Figura 9. tem-se chamado de QUELATOS. 9.  Ativação das reações bioquímicas através da ativação de sistemas enzimáticos. 9.8 a 3.1 PRINCIPAIS FUNÇÕES DOS MINERAIS Os minerais exercem funções extremamente variadas no organismo animal e incluem:  Participação na formação do tecido conectivo. 9 METABOLISMO DOS MINERAIS Os minerais constituem parte importante do organismo animal.  Efeitos sobre a microflora simbiótica do trato gastrointestinal.  Manutenção do equilíbrio da membrana celular.2 CLASSIFICAÇÃO DOS MINERAIS Os minerais podem ser classificados segundo as suas necessidades orgânicas em macrominerais e microminerais. principalmente bivalentes. A esta associação.  Manutenção da homeostase dos fluídos orgânicos. 9. presentes nos alimentos.1).3 INTERAÇÃO DOS MINERAIS COM OUTRAS SUBSTÂNCIAS Pesquisas têm revelado que a associação dos minerais com compostos orgânicos. representando de 3 a 4% do peso vivo das aves e 2..  Efeito direto ou indireto sobre as funções das glândulas endócrinas. FIGURA 9.. com constantes de dissociação variável.2). 110 .1: Estruturas da Hemoglobina e da vitamina B12 Scott et al. Basicamente existem três tipos de quelatos envolvidos nos sistemas biológicos e importantes no aspecto nutricional:  Estruturas estáveis.2% do peso vivo dos suínos. (1982)  Estruturas semi-estáveis e úteis ao transporte e armazenamento de minerais Existem dois tipos de ligação semi-estável já comprovadamente importante na absorção de certos minerais (Figura 9. A concentração de elementos minerais essenciais no organismo animal. afeta a disponibilidade destes elementos para o organismo animal. e  Participação do processo de absorção e transporte dos nutrientes no organismo. reflete as sua exigências dietéticas.. A importância da nutrição mineral vem crescendo nos últimos anos devido a uma série de fatores que tem contribuído para . histidina (Fe) e cisteína (Zn). j) Mensageiro secundário da célula através da molécula de calmodulina.2: Quelatos que servem no transporte e armazenamento metais a) Ligação aminoácido + mineral Nesta ligação.4 METABOLISMO DOS MACROMINERAIS 9.1 Cálcio e Fósforo O cálcio e o fósforo estão estreitamente relacionados no metabolismo orgânico. Funções do cálcio a) Essencial à formação e manutenção óssea. maiores estudos foram feitos a respeito dos quelatos relacionados com os ácidos fítico e oxálico. f) Participa na coagulação do sangue. A base das rações de aves e suínos no Brasil é composta principalmente por milho e farelo de soja. i) Ativador de enzimas. Os restantes destes elementos estão distribuídos nos tecidos moles desempenhando funções específicas essenciais ao metabolismo orgânico. e) Essencial para produção e qualidade da casca dos ovos. no entanto. zinco e ferro. c) Essencial para a secreção normal de leite. b) Importante para o desenvolvimento e manutenção dos dentes. 9. g) Participa da contração dos músculos esqueléticos e cardíacos.3: Formação de quelatos contendo cálcio. 111 . d) Necessário para o eficiente desempenho dos animais. Este segundo ingredimente é rico em ácido fítico o que determina um aumento nos níveis de zinco dietéticos para não ter o desempenho afetado por deficiência deste elemento. de difícil dissociação e prejudiciais à utilização de minerais Vários tipos de quelatos que interferem na utilização de cátions tem sido relatado na literatura.3). particularmente na formação dos ossos. FIGURA 9. Constituem mais de 70% da cinza corporal sendo que 99% do cálcio e 80% do fósforo estão presentes principalmente nos ossos. não há vínculo entre os compostos e quando dissociados não há perda do valor nutricional de ambos.4. Exemplos típicos desta associação são verificados com os aminoácidos glicina (Cu). FIGURA 9. Os ácidos fítico e oxálico ligam aos elementos zinco e cálcio respectivamente. interferindo na absorção destes elementos (Figura 9. b) Ligação do ácido etilenodiaminotetracético (EDTA) com zinco  Estruturas estáveis. Estes ácidos são comumente encontrados nos ingredientes de origem vegetal. h) Essencial na transmissão de estímulos nervosos. preparando para a grande demanda de cálcio para formação da casca do ovo. A elevação dos níveis de estrogênio no sangue das frangas no início de postura é acompanhada pelo aumento do nível sérico de cálcio e redução do nível de fósforo (Tabela 9. mantendo o equliíbrio sérico. apresentam um melhor equilíbrio de sedimentação. b) Nível de vitamina D. Os animais jovens. c) Biodisponibilidade. Estudos estruturais dos ossos evidenciam que o cálcio o fósforo se apresentam na forma de hidroxiapatita [Ca10(PO4)6(OH2].4: Ação dos hormônios da paratireóide na manutenção dos níveis sanguíneos a) Estrogênio As aves de postura preparam os níveis sanguíneos de cálcio para o início da produção. 112 .4).1). Os hormônios atuam regulando o nível de cálcio e fósforo no sangue (Figura 9. d) Idade do animal (jovens são mais eficientes) e e) pH do intestino delgado (acidez favorece a absorção). Fatores que afetam a utilização do cálcio alimentar a) Adequado nível de cálcio e fósforo. Hormônios responsáveis pelo equilíbrio de cálcio sanguíneo O tecido ósseo se encontra em processo constante de reabsorção e sedimentação de cálcio e fósforo. FIGURA 9. há uma tendência de maior remoção óssea. já em adultos. 2 Balanço + 0.44 Excretado 1. Tabela 9.5 a 12 % do peso do ovo. TABELA 9. estimula a reabsorção óssea ativando os osteoclástos e ativa a absorção a nível intestinal. de 58 gramas possui 5.45 Excretado urina 0. estimulando sedimentação óssea ativa os osteoblastos e reduzindo a absorção intestinal (desativando a D 3 ativa).09 % absorvido 60.44 18 4. Logo. Um ovo tipo grande.2). para um nível aproximado de 3.70 1. c) Calcitonina A calcitonina (Ct) atua em feedback negativo ao paratormônio.12 Georgievskii (1982) As poedeiras tem um período de consumo diário de aproximadamente 17 horas.23 0.17 + 0.2 31. Assim. 1994).45 1.21 0..2 Balanço de cálcio e fósforo em poedeiras Elementos Parâmetro Cálcio(g) Fósforo(g) Consumo 3. (1979) As necessidades dietéticas de cálcio passam de 0. com a finalidade de elevar os níveis sanguíneos deste elementos.6% para o período de postura (N. portanto.99 Absorvido 2.72 4.51 25 6. Considerando um consumo de ração diária de 100 gramas. mg% (semanas) Ionizado Total Inorgânico 2 4. possuem casca mais fina e com maiores chances de perdas por quebra.1: Níveis de Cálcio e Fósforo no sangue de poedeiras leves de acordo com a idade Idade Cálcio. o 113 .66 gramas de cálcio.23 0. haveria uma necessidade dietética de 3. Exigência de cálcio para formação da casca do ovo A casca do ovo é composta basicamente de carbonato de cálcio e representa de 8.9% durante a fase de recria das frangas.R.C. cai a percentagem de casca. A medida que aumenta o peso do ovo.30 0.24 Eliminado com o ovo 2. mg% Fósforo.91 Combs et al. ovos tipo jumbo (>66 g). aumentando a eliminação de cálcio e fósforo pelos rins.6 gramas de casca (38% cálcio) com 2. o nível de 3.62 5.00 8.87 9.2 gramas de cálcio.60 27. Pesquisas têm revelado que a taxa de absorção de cálcio é de aproximadamente 60% (Tabela 9.6% de cálcio atenderia as exigências diárias. b) Paratormônio O paratormônio (PTH) atua reduzindo a secreção de cálcio e fósforo pelos rins. reduzindo os efeitos sobre o consumo de água e ração.8% de cálcio na ração. que atenderia as necessidades de formação da casca. b) Níveis de cálcio para poedeiras em relação ao consumo de ração A redução ou aumento do consumo de ração pela poedeira resulta necessariamente em alteração dos níveis de cálcio da ração (Tabela 9. tem duração de 18 horas onde o cálcio e o fósforo são removidos dos ossos e medula por processo lento de reabsorção. possibilita maior velocidade de passagem do alimento no trato gastrointestinal da ave. No entanto. as altas temperaturas ambiente levam a uma maior taxa respiratória. existe um limite de 3. reduzindo o aproveitamento. consequentemente. 1) O 1º segmento. a síntese de carbonato de cálcio da casca do ovo.4 gramas. Altas temperatur as. 114 . envolvendo a reabsorção (osteólises) e sedimentação do cálcio e fósforo orgânico (osteogenese). durante 24 horas absorveria 2. A suplementação desta vitamina (44 mg/kg) previne o aumento da temperatura corporal quando se eleva a temperatura ambiente. A reduzida quantidade de ração associada ao alto consumo de água. ocorre um estresse fisiológico nos níveis de cálcio e fósforo sanguíneo com dois segmentos distintos de 18 e 6 horas de duração. levam a ave ingerir grandes quantidades de água e reduzidas quantidades de ração.que resultaria em uma retenção de 100 mg de cálcio por hora. As poedeiras modernas estão apresentando tendência em reduzir o consumo . principalmente do cálcio. afetando a produção e a qualidade do ovo. Outros fatores de ambiente devem ser manipulados para evitar o desconforto ambiente. Ao nível metabólico. pesquisas têm revelado um decréscimo progressivo do conteúdo desta vitamina no sangue quando se elevou a temperatura ambiente de 21 à 31ºC. Por outro lado. Em condições normais de ambiente. implicando em aumento dos níveis de cálcio dietético. Considerando um ovo contendo 2. alterando o fornecimento de íon bicarbonato para a câmara calcífera. com maior perda de CO2. ingerindo níveis subnormais de nutrientes. necessário às suas exigências fisiológicas. prejudica a formação normal da casca do ovo por afetar a fisiologia da ave em vários aspectos. Ocorre também estimulo para maior absorção e menor eliminação renal do cálcio. podem causar problemas de consumo e qualidade de casca.2 g de cálcio e a taxa de absorção deste elemento de 100mg/hora.2). durante esse processo. sendo que valores superiores a este. a) Influência da temperatura ambiente na qualidade da casca do ovo O estresse calórico em poedeiras. a ave consegue sintetizar todo o ácido ascórbico nos rins. As células de destruição óssea (osteoclastos) são ativadas neste segmento por ação do PTH. c) Níveis séricos de cálcio e fósforo durante o ciclo de postura Durante a formação do ovo. Esse decréscimo seria devido a exaustão dos estoques endógenos e também da reduzida síntese nos rins da vitamina C . e. O cálcio é utilizado na formação do carbonato de cálcio da casca e o fósforo se eleva no sangue. TABELA 9. inicia-se de 2 a 3 horas antes da oviposição e continua de 3 a 4 horas após a postura. evidenciando a necessidade de reabsorção óssea e aumento da absorção intestinal. quando do uso de granulometrias maiores do calcário.0 3. Neste segmento. Neste período. para manter estes níveis altos de cálcio no sangue. o ânion PO 4 carrega H+ e auxilia na manutenção do pH sanguíneo. a formação final da casca é feita principalmente à noite.8 100 3.3 3.2: Recomendações de níveis de cálcio para poedeiras leves de acordo com o consumo de ração Consumo de Níveis de Cálcio (%) Início Postura – 40 40 sem-Final Ração/dia (g) Sem Postura 80 3. 115 .8 3. reduzindo a acidose relacionada com a formação da casca do ovo (Figura 9. 2) O 2º segmento.7 110 3. em um processo rápido.1 Os níveis normais de cálcio no sangue das poedeiras variam de 20-40 mg% e durante a formação da casca são elevados para 150-250 mg/hora durante as últimas 15 horas da calcificação da casca. ambos os minerais são reutilizados na mineralização óssea bem como na estocagem de cálcio na medula.8 90 3. Os osteoblástos são ativados durante esta fase pela ação da Ct.7 3.5 120 2. com duração de 6 horas.8 3. quando a ave não está ingerindo cálcio.5). o nível de fósforo no sangue é alto levando ao aumento da excreção de fosfato pelos rins. Por outro lado. dependendo da mobilização e de uma parte da fonte de cálcio que se encontra na moela. Durante esta eliminação. 5: Mecanismo de formação de bicarbonato carbonato de cálcio durante a formação da casca Fontes de cálcio Existem várias fontes de cálcio para rações de aves e suínos. porém. TABELA 9. as principais fontes são de origem inorgânica (Tabela 9.3: Biodisponibilidade relativa de cálcio de várias fontes para aves Fonte Biodisponibilidade. Os ingredientes vegetais possuem baixos teores deste elemento.3) que às vezes também são fontes de fósforo. sendo que os cereais são os que possuem menores quantidades. FIGURA 9. As farinhas de origem animal apresentam boas percentagens de cálcio. % Carbonato de cálcio 100 (padrão) Calcário calcítico 97 Fosfato bicálcico 77 Fosfato semi-defluorado 39 Farinha de osso calcinada 65 Fonte: Veloso et al (1992) 116 . 10 % 1. Enquanto que para frangos de corte e suínos. quando apresentar concentração de magnésio inferior a 3%.41 % 1-Diâmetro Geométrico Médio.0 mm 1. O calcário calcítico é a principal fonte de cálcio para rações de aves e suínos. em calcíticos ( menores de 5%).82 % 2.310 0. Na Tabela 9. de acordo com seu conteúdo de óxido de magnésio (MgO). O ideal para poedeiras é que o calcário não ultrapasse 12 % de solubilidade in vitro. existe uma demanda de cálcio uniforme durante todo o dia.0 mm 2.2. A medida que se eleva a granulometria reduz-se a sua solubilidade in vitro. Do ponto de vista prático.360 21. O termo calcário é empregado geologicamente para caracterizar um grupo de rochas que apresenta em sua composição teores de carbonato superiores a 50% (Moniz .0 . A presença de cálcio intestinal nesta fase é imprescindível para suportar a alta demanda metabólica . A granulomentria do calcário é o principal fator que afeta a solubilidade do cálcio (Tabela 9. Granulometria e solubilidade de fontes de cálcio A fonte de cálcio bem como sua solubilidade são os fatores que mais influenciam no aproveitamento deste elemento por aves e suinos. 117 . calcários com alta solubilidade in vivo podem auxiliar neste metabolismo da poedeira. 1983). Bertechini e Fassani (2001) Apesar da granulometria influir diretamente na solubilidade do calcário.4 estão apresentados resultados de análise de solubilidades in vitro de fontes de cálcio. 2 – Erro Padrão Geométrico . Quanto maior a solubilidade in vitro .3 .496 0.Granulometria do calcário e solubilidade in vitro Granulometria DGM1 DPG2 Solubilidade in vitro < 1. Assim.0 – 3. existe também a variação da dureza da fonte. Já para suínos e frangos de corte os calcários devem ter alta solubilidade in vitro.584 0. menor será a solubilidade in vivo para poedeiras.326 12. um calcário pode ser considerado calcítico.0 mm 0. Existe um perfeito controle de absorção de cálcio intestinal por ação hormonal já explicado anteriormente para a manutenção da calcemia adequada. Calcários mais moles apresentam solubilidades in vitro maiores com granulometrias também maiores. Verifica-se que para uma mesma granulometria. existem diferenças de solubilidade. A demanda de cálcio é variável nas 24 horas para aves e suínos. Este fato implica em conhecer a identidade da fonte para poder adequar a sua granulometria e o nível de cálcio da dieta para melhor retenção de cálcio. Tabela 9.226 15. as poedeiras possuem alta demanda principalmente no final da formação da casca do ovo. Assim.4 ). os calcários são classificados. magnesianos ( entre 5 e 12% ) e dolomíticos ( maiores de 12%). 51(0. e) No transporte de gorduras (lipoproteínas transportadoras .00(0.60 – 0.15)2a 19.90(0.22)b 23. 20% do fósforo corporal está distribuído nos tecidos moles envolvido em vários aspectos do metabolismo.26)b Calcário C 20.56(0. g) fadiga de gaiola. etc. Fósforo Além da participação no esqueleto (80% do fósforo orgânico).30 0.96(0.32)b 26.23(0.24(0.26)c 23.33)a Calcário B 16.24)b Calcário D 16.30 – 0. e g) Ligação DNA-RNA.46(0.60 0. 2. c) No metabolismo de carboidratos. b) deformações ósseas (animais jovens).56(0.35)a 26. Erro padrão da média Bertechini e Fassani (2001) Sintomas de deficiência de cálcio a) crescimento retardado.fosfolipídeos).65)d 29. UDPG e fosfocreatina).94(0.43)a 29. f) produção de ovos com casca fina (altos índices de quebra) ou sem casca. 118 .31)a 18. GTP.41)c 24. provocada por osteoporose progressiva causada pela deficiência de cálcio dietético.Ostras 20.00(0.33)b 30.18(0.61)b 21.15 0.23)c 30.15–0.01). aminoácidos e gorduras (sistemas enzimáticos).35)a 28.11(0. Funções do fósforo a) Participação no esqueleto.67(0.40(0.05(0. Médias seguidas por letras diferentes na coluna diferems-se estatisticamente pelo teste de SNK (<0. d) nascimento de leitões fracos e natimortos. b) No metabolismo energético (ATP. afetando principalmente os ossos longos. c) raquitismo nos animais jovens e osteomalácia nos adultos. Tabela 9.17)a F.62(0. f) Participação de produtos.07(0.48)c 1.42(0.4 Solubilidade in vitro de fontes de cálcio em diferentes granulomentrias1 Granulometrias (mm) Fontes 1. e) redução na produção de ovos.20)b 28.46)a 20.39(0.18 – 0.074 Calcário A 16. d) No equilíbrio ácido-básico do sangue. existiria pelo menos uma diferença a menor para as outras fontes de 20 %. evidenciaram a eficácia dessa enzima. pesquisas têm revelado o envolvimento desta vitamina e do paratormônio. Existe um limite estreito da calcemia sendo o P um dos fatores deste controle. O feno de alfafa não possui fósforo fítico. A utilização de calcário com alta solubilidade in vitro em níveis inadequados de cálcio pode afetar a biodisponibilidade da maioria dos minerais. porém. Pesquisas realizadas por Borman et al.5). o fósforo de origem vegetal possui uma disponibilidade média de 1/3 do total analisado.1% de Pd na dieta. (2001) e Vieira et al. A redução dos níveis séricos de cálcio depende da sua eliminação renal e incorporação na matriz óssea. foi suficiente para se economizar 0. FATORES QUE AFETAM O APROVEITAMENTO DO FÓSFORO a) Excesso de cálcio dietético O excesso deste elemento na dieta resulta em redução de absorção de fósforo. a fitase sintética. Os animais jovens têm maior dificuldade de aproveitar o P fítico do que os adultos (Tabela 9. A absorção de cálcio é acompanhada da absorção do P. O fósforo inorgânico e o de fontes protéicas de origem animal são considerados como tendo 100% deste mineral disponível. Os vegetais possuem certa quantidade de fitase. o excesso de P é mais prejudicial do do que o excesso de Ca. Resultados de pesquisas mostram uma média de aumento no P disponível de ingredientes vegetais da ordem de 33%. correspondendo a uma economia de aproximadamente 5.6). na assimilação do fósforo intestinal.1). existem diferenças entre as fontes (Tabela 9.4).5 kg/tonelada de fosfato bicálcico (18% de Pd). (2002) evidenciou a redução da absorção de Zn e Mn quando se elevou os níveis de Ca da dieta de frangos de corte (Figura 9. esta contribuição é pequena. enquanto que o farelo de arroz. que também pode contribuir na solubilização de parte do fósforo quelatado no fitato. devido a formação de fosfatos insolúveis no intestino delgado. Estudos de Van der Klis et al. b) Vitamina D O mecanismo pela qual a vitamina D atua na absorção de fósforo ainda não está bem entendido. 119 . Apesar de se considerar todo fósforo inorgânico como sendo biodisponível. Atualmente já existe no mercado. que pode ser utilizada com efeitos significativos na melhoria da disponibilidade do P fítico. juntamento com o P. apresenta a maior fração de ácido fítico (86%) em relação ao total. Verifica-se que se considerar o P do MAP como sendo 100 % biodisponível. no entanto. Por outro lado. (2001) com poedeiras de segundo ciclo. A disponibilidade do fósforo vegetal depende do teor de ácido fítico presente (Tabela 9. Trabalho realizado por Shouten et al. (1996) indicaram que 1 grama de fósforo do fosfato monocálcio (alta solubilidade) foi equivalente a 280 unidades de fitase/kg da dieta. sendo que o uso de 300 FTU de fitase. c) Forma de fornecimento do fósforo A biodisponibilidade do fósforo varia entre as fontes. No entanto. d) baixa fertilidade.20 0.5: Disponibilidade biológica do fósforo fítico para aves suínos Animais Fósforo Disponível (%) Pintinhos 0 .10.44 0.10 International Minerais & Chemical Corporation (1978) TABELA 9.TABELA 9.67 1.28 Milho 0.4: Conteúdo de fósforo de alguns ingredientes Ingredientes Fósforo (%) Total Fítico Não fítico Alfafa.38 0.09 Sorgo 0.30 0.6: Disponibilidade biológica de fósforo de várias fontes inorgânicas * Fonte Disponibilidade Fosfato Tricálcico 100 Fosfato Bicálcico 95 – 100 Fosfato de Rocha Defluorinado 85 – 95 Fosfato Monocálcico 113 Fosfato Monosódico 103 Fosfato monoamônio (MAP) 120 Farinha de Ossos Autoclavada 82 – 100 Farinha de Ossos Calcinada 90 – 100 *Coletâneas Sintomas de deficiência de fósforo a) deficiência severa de fósforo resulta em perda de apetite.26 0.66 0.31 0. 120 .21 0.0 TABELA 9.0 Leitões 10. fragilidade óssea e morte dentro de um período de 10 a 12 dias em aves.28 Trigo 0.23 Farelo Soja 0.0 – 20. c) crescimento retardado. b) deficiência menos severa causa raquitismo no animal jovem e ostemalácia no adulto.10 Farelo Arroz 1.0 Perus Jovens 0 Poedeiras 400 – 50.17 0. e) deformação na casca dos ovos. f) nódulos na junção costela-vértebra em aves.28 0 0. etc. 17% PB 0.0 Suínos 40. mantendo a pressão osmótica. onde possui metabolismo muito ativo. exercendo conjuntamente com íons fosfato e bicarbonato. todo o controle homeostático orgânico. a maior concentração é encontrada nos fluídos extracelulares. onde exerce efeito oposto ao cálcio. porém. etc. Representa 93% das bases do soro sanguíneo. O cloro. Potássio e Cloro Estes elementos estão amplamente distribuídos nos fluídos e tecidos moles do organismo. 9. b) formação de HCl gástrico. existindo principalmente como constituinte celular. c) apetite depravado.2 Sódio. Sintomas de deficiência de sódio e cloro a) inapetência b) redução da taxa de crescimento. Funções do potássio a) regulador do volume dos fluídos intracelulares. ocorre em quantidades nos músculos. enquanto no plasma ocorre o inverso. d) absorção e transporte dos nutrientes para as células. principalmente enzimas do mitocôndria. onde está associado de alguma maneira „as suas contrações. Funções do cloro a) contribui para a tonicidade da resistência iônica do meio extra e intracelular.4. Funções do sódio a) regulador do volume dos fluidos do corpo. o equilíbrio ácido-base. sendo 15 a 20% de todo cloro orgânico está na forma combinada (cloretos). está distribuído endo e exocelular. Os músculos contém 6 vezes mais K + do que Na+. c) exigido para a atividade normal do coração. Grande parte do cloro é armazenado na pele e tecido sub-cutâneo. e) participa de produtos. Parte do sódio encontra-se no esqueleto numa forma insolúvel. c) inibição de enzimas da mitocôndria no meio extracelular. f) componente de produtos. e) participa da estrutura dos ossos. b) ativador de sistemas enzimáticos. não participando das células do sangue. 121 . b) participa das contrações das células musculares. d) controla o potencial de ação da membrana da célula. pH e as relações osmóticas do organismo. o controle da passagem dos nutrientes para as células e no metabolismo da água. reduzindo a contratibilidade do músculo do coração favorecendo o relaxamento. mantendo pH e as relações osmóticas no interior das células. d) canibalismo em poedeiras e frangos de corte. A taxa de potássio no organismo é semelhante à do sódio. Balanço eletrolítico O balanço eletrolítico refere-se ao equilíbrio iônico dos fluidos orgânicos que regula o balanço ácido-básico para manutenção da homeostase orgânica.760% de potássio e 0. Para leitões.1985). sendo que. (2003) estudando dietas aniônicas e catiônicas para poedeiras mudadas. Mongin (1980) define como DCA (diferença catio-aniônica). Apesar da DCA das dietas influenciarem o equilíbrio ácido-básico dos fluidos do corpo.1) – ( 3000 mEq/35. Quando o animal ingere dietas com alta DCA. resultaria na DCA (1800 mEq/23 + 7600 mEq/39. e. exige maior secreção de NaHCO3 pelo pâncreas para elevar o pH intestinal. pesquisas indicam melhor desempenho com dietas contendo de 250 a 300 mEq/kg (Mongin e Sauveur. (1981) e Park et al. Para a reabsorção de potássio nos túbulos renais necessita-se de cloro. que pode ter prejudicado a produção de ovos e consequentemente a 122 . com isso. o consumo de dietas com baixa DCA pode afetar a concentração de Cl.3 mEq/kg) à tarde possibilitou melhores resultados de qualidade de casca.5) de 188. (1994). mais efetivo do que qualquer outro sal de potássio para compensar a deficiência de potássio. no entanto. o organismo exerce também certo controle nesta homeostase mesmo considerando dietas com DCA inapropriadas. a deficiência dietética de um resulta na dificiência metabólica do outro. provocando bradicardia e parada cardíaca. A relação entre esses três íons. existe uma maior secreção de H+ a nível de lúmem gástrico para manter o pH baixo. Em frangos de corte. respectivamente. Johnson e Karunajeewa. Em rações normais de aves de postura a DCA encontra-se entre 160 e 200. sendo que valores inferiores ou superiores indicam acidose ou alcalose metabólica potencial. verificou que o uso de dietas aniônicas(81 mEq/Kg) pela manhã e catiônicas (178. participam efetivamente da homeostasia orgânica. Sintomas de deficiência de potássio a) baixo nível sanguineo. tornando-o distendido.+ SO4= + H2PO4= + HPO4-). b) fraqueza muscular. causando acidose metabólica e este fato pode afetar o nível de consumo e aproveitamento dos nutrientes. o quimo ácido ao chegar no duodeno. A autora comenta do efeito negativo da alta quantidade de cloro adicionada na dieta aniônica. 1994). Ao mesmo tempo. c) redução da tonicidade do tubo digestivo.. 0. Para suinos adultos.no sangue. K+ e Cl-. São três os elementos principais desse equilíbrio que são os dois cátions. 1977. Maciel et al. Estes três elementos são mantidos de forma equilibrada no sangue sendo decisivos na regulação dos processos vitais. considera-se o cloreto de potássio. fundamenta-se na manutenção idêntica de cátions e ânions no plasma.300% de cloro. o aumento da DCA de 50 para 350 mEq/kg. d) fraqueza dos músculos cardíaco e respiratório. principalmente nas extremidades. A homeostasia do potássio e do cloro também está muito interelacionada. resultando na equação DCA = mEq (Na+ + k+) – mEq (Cl-). melhorou o consumo e a eficiência alimentar desses animais (Park et al. A DCA das dietas pode afetar o desempenho de aves e suinos. como observado por Yen et al. Exemplificando o uso dessa equação: considerando uma ração contendo 0. sódio e potássio e o ânion cloro. e) baixos níveis sanguíneos.180% de sódio. comenta que somente os elementos Na+ . a seguinte equação: DCA= mEq (Na+ + k+ + Ca++ + Mg++ ) – mEq (Cl. proteínas e ácidos nucléicos. o milho e o farelo de soja contém de 0.2 a 0.qualidade da casca. podendo afetar a fisiologia do animal como um todo.8 a 1.e do excesso de bases. De 50 a 70% de todo magnésio orgânico é encontrado no esqueleto representando 0. existe a necessidade de ativação dos osteoclastos para reabsorção óssea. 1974). tanto na sua distribuição como no seu metabolismo. dependendo dos níveis dietéticos. é pouco provável a deficiência de magnésio pois. durante a formação da casca. Em rações normais a base de milho e farelo de soja. o rebaixamento do pH é o gatilho da liberação do PTH que tem seus efeitos em toda esta ativação. Nível baixo resulta também em pH baixo enquanto que DCA alto. c) estreitamente envolvido no metabolismo de carboidratos. afetando a unidade Haugh do ovo. alterando a sua estrutura.4% deste elemento e as necessidades variam de 500 a 800 ppm que significa de 0.08% nas rações. GTP-Mg. NaHCO3 e K2CO3 são os mais utilizados para adequaçao da DCA das dietas de suinos e aves. Dietas com baixas DCA. Funções do magnésio a) envolvido em todas as reações de transferência de ligações ricas em energia (ATP-Mg.12% magnésio. Sintomas de deficiência Em aves e suínos. a biossíntese da albumina é influenciada pela condição de equilíbrio iônico sanguíneo sendo que em condições de pH mais alto pode resultar na má formação da ovomucina.4. calcificação renal e convulsões. hiperirritabilidade.0% da cinza óssea. reduzindo a altura do albúmen. não se tem observado efeitos da adição de magnésio 123 . na densidade da casca e no conteúdo deste elemento na casca. Durante a formação da clara do ovo. O soro sanguíneo de aves e suínos contém de 2 a 5 mg/100 ml. Existem situações especiais em que o pH sanguíneo influi diretamente na ativação de complexos enzimáticos para direcionamento dos objetivos fisiológicos. O restante está amplamente distribuído nos tecidos moles exercendo funções vitais no organismo. a capacidade tamponante no sangue é diminuída e esta acidemia resultante. por exemplo. A maioria dos estudos sobre o balanço eletrolítico. da concentração de HCO3. Sintomas de deficiência provocada em ratos mostraram animais com crescimento retardado. gordura. Neste caso. apresentaram redução do tamanho dos ovos. poderá afetar o nível de ingestão de nutrientes e conseqüentemente a taxa de crescimento. 9. causando acidose metabólica. Os sais CaCl. b) atua juntamente com enzimas na forma de quelatos ativando reações. indicam a influência da DCA sobre os parâmetros sanguíneos. resultam em redução do pH sanguíneo. etc). Experimentos com poedeiras recebendo dietas purificadas com níveis abaixo de 0. a dieta é considerada alcalinizante. sendo este elemento um fator de redução de H+ do sangue. Este fato pode ocorrer com o uso de excesso de P na dieta.05 a 0. Por outro lado. orelhas vermelho- brilhantes.3 Magnésio Este elemento está extremamente associado ao cálcio e ao fósforo. A DCA da dieta determina o pH e a capacidade tampão no organismo. com objetivo de aumentar a calcemia e dar suporte a formação do CaCO3 na câmara calcífera da ave e. clara e gema (Stafford Edwards. A absorção do ferro dietético é pequena. 9. A nível intestinal o enxofre aumenta a absorção e retenção das tetraciclinas. assim. entre outras. Funções do ferro a) presente na molécula de hemoglobina e mioglobina que estão relacionadas ao transporte de O2 (respiração). c) participa de produtos (1 ovo = 1-1. Os ingredientes normalmente utilizados nas rações de aves e suínos possuem níveis de enxofre compatíveis com as necessidades orgânicas.5 mg . e controlada pela ferritina presente na mucosa intestinal (principalmente duodeno). reduzindo-o para a forma ferrosa. baço (ferritina). desempenhando funções importantes nos processos vitais do organismo. O restante está distribuído nos músculos (miglobina).2 mg/litro). A maior fração do ferro orgânico está na molécula de hemoglobina. não influenciou o desempenho e a qualidade dos ovos. Por outro lado.cadeia respiratória). a excreção também é pequena podendo haver perdas pelas fezes. O íon sulfato participa de reações específicas. onde a forma inorgânica é proveniente basicamente de compostos orgânicos catabolizados.para podeiras na fase de produção. A utilização deste ferro ocorre pela ação da vitamina C. a mais indicada como suplemento alimentar. 124 . A forma ferrosa (Fe++) é a mais solúvel e portanto. peroxidases . Não foi verificado também. 9. não existe a preocupação dos nutricionistas em determinar as exigências dietéticas deste elemento. rins (transferrina). leite = 1-1. As exigências de ferro são maiores nos animais nas fases inicial e de crescimento onde a demanda para a síntese de e mioglobina é grande. tais como a formação de mucopolissacarídeo sulfatados e na síntese de taurina. 1988). fígado (ferritina e hemociderina ). Pesquisas têm revelado que a adição de enxofre inorgânico em rações normais de poedeiras. representando de 60 a 70% do total de ferro do organismo. sôro (transferrina). Após absorção. efeito do enxofre adicionado como fator de economia de aminoácidos sulfurados da ração (Alves et al.4.5 METABOLISMO DOS MICROMINERAIS 9. b) participa de enzimas e coenzimas (citocromos.1 Ferro O ferro está distribuído principalmente nos tecidos moles. No metabolismo. enzimas (citocromos e catalase). tiamina e biotina. a base de milho e farelo de soja. leite (lactoferrina).5. o enxofre participa em várias reações.4 Enxofre O enxofre está amplamente distribuído no organismo animal. suor. Na forma inorgânica aparece como componente da cartilagem (condroitina). placenta e útero (uteroferrina). urina e em condições patalógicas (hemoglobinúnia). através da bile (bilirrubina) e descamações epiteliais. e. principalmente na forma de compostos orgânicos como aminoácidos sulfurados. todo ferro é transportado (transferrina) e armazenado na forma férrica. os leitões nascem com um conteúdo médio de ferro no organismo de aproximadamente 50 mg .9 28 7. 1978. As reservas de ferro portanto se esgotam logo na primeira semana de vida do leitão havendo a necessidade de suplementação.4 36.8.9 36. concorrem pelas tetas de maior produção de leite.0 Fonte : Annenkov (1982). verifica-se que ocorre um aumento de 1.4 mg/d) dariam para atender as exigências de apenas 3 a 4 dias. 125 . sendo os primeiros a apresentar sintomas de deficiência de ferro. Os leitões de maior peso.3 41. Importância do ferro para leitões De acordo com vários trabalhos de pesquisas. não aumenta substancialmente a transferência de ferro para o feto (Brady et al.4 mg/litro e estes valores não são aumentados de forma significativa pelo aumento do ferro das dietas das porcas em lactação. Na prática.8 80. existem várias maneiras de suprir o ferro que o leitão necessita: a) injeção intramuscular de 100 mg de ferro (ferro dextrano. no local de aplicação. O conteúdo de ferro do leite é de aproximadamente 1 a 1.2 38. A alimentação das porcas durante a gestação com altos níveis ferro na dieta ou de forma parenteral.4 45.8 66.0 52.3 14 4.1 221.8 97.7 280.4 130. Esta é a maneira mais segura de garantir o suprimento de ferro aos leitões.3 40. ferroglicina.9 36.7 28. Normalmente pode-se verificar necrose do tecido ao abate.8: Conteúdo de ferro corporal de leitões Idade Peso Vivo Hb Conteúdo de Ferro Na Hb No corpo mg/kg (Dias) (kg) (g) (mg) (mg) corpo 0 1. Os leitões recém-nascidos crescem rapidamente..0 35 9. Ducsay et al. prejudicaria estes leitões. Pela Tabela 9. o que exigiria 29. 1984).3 38. a maior parte (70-80%) está na molécula de hemoglobina enquanto pequena parcela (6 a 8 mg) forma a reserva no fígado e baço. A exigência dos leitões recém-nascidos é de 7 a 16 mg de ferro diariamente ou 21 mg de ferro/kg de ganho de peso para manter adequados os níveis de hemoglobina (Braude et al.9 21 6..8). ou outras associações) no 3º e 11º dias de vida do leitão.9 275.4 x 21 mg).1 224.9 122.4 kg no peso vivo na primeira semana. Existe a prática de aplicar 200 mg de uma vez e isto implica em maior injúria no tecido e também maior estresse aos animais devido a intensa dor dessa aplicação. Deste total. o que pode economizar uma parte da reserva orgânica no primeiro dia vida do leitão.1 343. e desenvolvem mais rapidamente. chegando a dobrar de peso em uma semana. As reservas orgânicas (6-8 mg) mais o que o leite fornece (1-1.1 177. O colostro apresenta conteúdos de ferro quase o dobro do leite normal.4 mg de ferro (1.2 7 2.3 12.8 52.6 163. TABELA 9. que deve ser acompanhado de aumento na mesma proporção da quantidade de hemoglobina (Tabela 9. sendo que a não suplementação de ferro. 1962).. O uso do ferro nas rações é meio adequado de suplementação. Os ingredientes vegetais apresentam uma concentração de ferro entre 60 e 80 mg/kg e as aves adultas conseguem reter apenas 5% deste conteúdo. os leitões começam a ingerir alguma ração somente a partir de 7 dias de idade.5 mg em cada ovo produzido.9). sendo que o período mais critico é a primeira semana de vida. já que. As poedeiras podem necessitar de ferro suplementar (50 mg/kg de ração). b) utilização de pasta antianêmica nas tetas das porcas. os animais adultos mantém um aproveitamento médio de apenas 5% (Tabela 9.4 Hansard (1970a) Porcas em gestação 17. também. 9. Assim.327 mg/100 g de gema. possui quantidades significativas deste elemento que contribui com as suas exigências. Enquanto os leitões recém-nascidos conseguem assimilar até 99% do ferro da dieta. Pesquisa realizada por Bertechini et al.5. porém. na formação da 126 . c) utilização de terra vermelha (rica em ferro). Esta prática não é muito aceita nas criações tecnificadas devido a problemas da qualidade do material usado e. eliminam de 1 a 1. Idade Assimilação (%) Autor 1-5 dias 95-99 Hansard (1970) 8-9 semanas 12 Annenkov (1992) Porcas em gestação 5. Sintomas de deficiência de ferro (suínos) a) anemia hipocrômica microcítica. c) aumento dos movimentos respiratórios e d) taquicardia. b) diarréia. a prática da injeção intramuscular é recomendável para garantir as exigências de ferro até o início efetivo de consumo de ração pelos leitões que se dá a partir de 21 dias de idade. Este método é de difícil implementação e não permite garantia do consumo adequado de ferro pelos leitões. de baixa solubilidade. A ração basal continha 127 ppm de ferro analisado e o maior valor de deposição foi de 7. d) suplementação das rações com sulfato ferroso. Assimilação do ferro dietético por suínos O aproveitamento do ferro da dieta varia com a idade dos suínos. representando de 3 a 4 mg de ferro por kg de ração consumida. por apresentar ferro em sua maior parte na forma férrica. (2000) indicou aumento linear na deposição de ferro em gemas até o nível de suplementação de 80 ppm na ração das poedeiras.2 Cobre O cobre está estreitamente associado ao metabolismo do ferro.0 Hansard (1970b) Importância do ferro para aves O conteúdo normal de ferro nos ingredientes utilizados nas rações para aves. A ceruloplasmina é a principal proteína ligadora do cobre. e) participa de vários outros sistemas enzimáticos (aminoxidases. (2000). Para frangos de corte. b) Crescimento defeituoso dos ossos (a deficiência de cobre afeta a calcificação dos ossos (osteoblastos) e não influi na formação da cartilagem). etc). tirosinase. o cobre acha-se ligado a frações de albuminas. Os níveis utilizados variam de 150 a 300 ppm.6 para 286. na forma de metaloproteína. b) essencial na formação óssea. envolvida na utilização e manutenção dos níveis de ferro no plasma. e f) envolvido na síntese de queratina. O uso de maiores níveis na ração resulta também em maiores quantidade deste microelemento nas fezes sendo que o excesso de cobre absorvido. principalmente em rações de leitões na fase pós- desmama. os níveis de cobre da dieta de suinos.5 mg de cobre/kg de matéria seca do fígado. o uso de cobre como promotor de crescimento não é indicado. No sangue. Tirosina oxidade-Cu dopamina Tirosina  Dopa    melanina) hidroxilase Cu++ d) Ataxia enzoótica em suínos (dorso curvado). dopamina-hidroxilase. Sintomas de deficiência de cobre a) Anemia. Do ponto de vista ambiental. A maior parte desse cobre é excretado contaminando o meio ambiente. pesquisa realizada por Lafigliola et al. causada pela desmielinização 127 . não foi observado efeito sobre o desempenho com o uso de 200 ppm no período de 1 a 42 dias de criação dessas aves. d) está estreitamente relacionado ao metabolismo aeróbico através dos enzimas citocromo c oxidase e superóxido dismutase. Cobre como promotor de crescimento O cobre como promotor de crescimento foi usado nas rações de suínos na Europa até há pouco tempo. Funções do cobre a) participa indiretamente da síntese de hemoglobina através da ativação da ferroxidase. c) Despigmentação do pelo e peles. O fígado é o principal órgão armazenador . quando se elevou de 6 para 240 ppm. principal componente do pelo.hemoglobina e distribuído em todos os tecidos orgânicos em pequenas quantidades. A utilização desses excrementos pode comprometer a disponibilidade de molibidênio para as plantas devido ao antagonismo desses microelementos. é armazenad no fígado. c) essencial na manutenção da mielina do sistema nervoso. que funciona como uma enzima ferroxidase no metabolismo do ferro. No Brasil ainda é usado pelo seu baixo custo. Pesquisa realizada por Braude e Ryder (1973) registrou um aumento de 37. Para poedeira comerciais. na qual é composta largamente de mucopolissacarídeos. estão também envolvidas com a perose. fosfatase. a absorção deste mineral no intestino delgado é baixa. de áreas do cordão espinhal do dorso. cobre dependente. f) Ruptura da aorta. evidenciam que os pintinhos tem problemas de absorção do manganês da dieta. que provoca a saída do tendão Aquiles da sua posição normal. Aliado a este fato. tem aparecido casos de perose. prejudicando a elasticidade das paredes das artérias. O enzima amina oxidase. tiaminase. Obs. Pesquisas realizadas por Hossain. não passando de 10% de aproveitamento.é caracterizada pelo engrossamento e má formação da junta tíbio-tarsal. Alguns trabalhos relacionados com manganês. o maior conteúdo de manganês é encontrado no interior das mitocôndrias. Sintomas de deficiência de manganês a) Perose em aves . Por outro lado. etc. No entanto. (2002) para melhorar a qualidade de casca de poedeiras comerciais.5. pesquisas mostram que mesmo com a adição de todos estes elementos. glicosiltrans-ferases). Bertechini e Nobre (1993) indicam suplementação de pelo menos 80 ppm de Mn para melhor formação óssea em frangos de corte. a tíbia é o tecido com maior sensibilidade de deposição em função dos níveis ingeridos.9 ppm de Cu) reduzem a produção de ovos e a sua eclodibilidade. no músculo e ossos. na pele.: Além do manganês. e c) Essencial na reprodução e funcionamento normal do sistema nervoso central. grandes quantidades de manganês é detectado nas excretas. Funções do manganês a) Essencial para o desenvolvimento da matriz orgânica óssea. embrião com hemorragias após 72 a 96 horas de incubação. b) Ativador de várias enzimas (arginase. aumenta a incorporação da lisina na elastina presente nas artérias e veias. As rações a base de milho e farelo de soja já possuem em torno de 25 ppm.3 Manganês Ocorre no organismo principalmente no fígado. Nas células. 9.0. principalmente no final de postura. estas pesquisas indicam que as exigências nutricionais de manganês são maiores às preconizadas na tabela da NAS (National Academy of Science). Os ingredientes comumente utilizados em rações de aves e suínos são relativamente ricos em manganês. porém. A deficiência de cobre reduz o número de resíduos de lisina oxidado disponíveis para a condensação da elastina na formação da desmosina. desoxiribonuclease. enolase. a biotina a niacina. está presente em vários outros órgãos. e) Poedeiras reprodutoras severamente deficientes em cobre (0. já que. 128 . outras substâncias como a colina. o nível de 123 ppm foi indiicado por Fassani et al. Nos ossos. provocando arqueamento e rigidez óssea.7 . b) Encurtamento e má formação dos ossos das pernas. Interação zinco x cálcio e fósforo A presença de altos conteúdos de cálcio e fósforo no intestino delgado. O excesso de cálcio é mais comum. Enquanto. onde as fontes de água podem conter níveis de cálcio que comprometem a utilização do zinco. na espermatogênese. grande parte na forma de quelatos insolúveis. b) envolvido em todo processo de multiplicação celular. pele e pelos. Funções do zinco a) participa de vários sistemas enzimáticos (anidrase carbônica. 129 . para aves ou suínos. porém. que prendem o zinco. possuem conteúdos de zinco muito variáveis. interferem na absorção do zinco. 9. A progressão desta deficiência leva a severas rachaduras na pele e cascos. Os ingredientes de rações de aves e suínos normalmente utilizados no Brasil. porém. prejudicando o seu aproveitamento. Interação zinco x fonte protéica As dietas normalmente utilizadas para aves e suínos no Brasil são baseadas no binômio milho e farelo de soja. contém de 100 a 150 ppm (disponível). principalmente para suínos. excesso de ácido fítico e excesso de cálcio e/ou fósforo na dieta. componentes ricos em ácido fítico. desidrogenases. Há portanto. na formação do líquido seminal e em todos os processos reprodutivos das fêmeas. (2002) indica redução da retenção de Zn intestinal quando se elevou os níveis de cálcio nas rações de frangos de corte. formando compostos insolúveis. debilitando os animais e levando-os a morte. Sintomas de deficiência de zinco Existem basicamente três situações que possibilitam o aparecimento da deficiência: uma deficiência propriamente dita. Caracterizada por hiperqueratinização que se inicia em volta dos olhos e extremidades das patas. principalmente nas regiões calcárias. Pesquisa realizada por Shoulten et al. as maiores concentrações deste elemento são encontradas no fígado. caracterizada por várias anomalias ósseas. respectivamente. a necessidade de se elevar os níveis de zinco da dieta além das necessidades para evitar a deficiência. peptidases. Durante a incubação pode surgir a condrodistrofia nutricional embrionária.5. dificilmente seria detectado alguma deficiência. a) Paraqueratose em suínos. as exigências variam de 40 a 50 ppm. sendo que grande parte será perdido nas fezes. reduz a produção de ovos a eclodibilidade. Não fosse isso. formando quelatos insolúveis.4 Zinco O zinco está distribuído em todos os tecidos orgânicos. impedindo o aproveitamento deste elemento. O zinco participa na formação e manutenção dos túbulos seminíferos. c) Em poedeiras reprodutoras. b) Problemas reprodutivos. as fontes protéicas de origem animal como a farinha de carne. resultando em paraqueratose . já que. fosfatases). o farelo de soja e o milho possuem 50 e 5 ppm. a vitamina E tem função de evitar a oxidação dos tecidos (antioxidante “in vivo”). através da ativação do enzina glutationa peroxidase.6: Atuação do selênio na destruição peróxidos "in vivo" Níveis de selênio nos alimentos Os níveis de selênio nos grãos cultivados em solos deficientes são também deficientes. Por outro lado. recuperando as membranas das células e capilares (Figura 9. No Brasil. o selênio está associado à vitamina E. Plantas que crescem em solo alcalino absorvem menos selênio do que em solos ácidos. no entanto. FIGURA 9.6). existem fatores que afetam a absorção de selênio pela planta. os níveis de selênio nos grãos são de uma maneira geral deficientes. e) Emplumagem pobre em frangos de corte e frangas de reposição . mantendo a integridade das membranas das células. Por outro lado. Neste caso. amostras de milho analisados em algumas áreas dos Estados 130 .5. No metabolismo. c) Baixo desempenho de aves e suínos. 9. d) Encurtamento e engrossamento dos ossos longos. o tendão de Aquiles não escapa de sua posição normal como ocorre na perose. o selênio. Os músculos cardíacos possuem mais selênio do que os músculos esqueléticos. O fígado e os rins contém os maiores níveis de selênio do organismo. destrói os peróxidos formados.5 Selênio O selênio ocorre em todos os tecidos do corpo animal em concentrações que variam de acordo com as suas necessidades. Organicamente. 9).9: Níveis de selênio no milho cultivado em solos de diversos locais do Brasil1 Localidade Selênio (ppm) Belém – PA 0. apresentam níveis médios de selênio que suprem as necessidades dietéticas (Tabela 9. Exame pós-morte evidencia severas lesões no tecido necrótico formado no fígado. a sua falta na alimentação pode trazer resultados desastrosos.048 .0.0 060 Pelotas – RS 0.070 . TABELA 9.08 ppm adicionada à dieta de ratos. c) Hepatose dietética em suínos Esta deficiência ocorre com maior frequência em leitões 3 a 15 semanas de idade.017 .240 Recife – PE 0.6 Iôdo O iodo é um mineral traço com possibilidades de estar deficiente nas dietas de aves e suínos devido a pobreza deste microelemento nos ingredientes de origem vegetal. porém. a vitamina E parece ser mais efetiva em prevenir esta degeneração hepática.023 Araras – SP 0. 131 .041 Botucatu – SP 0. Caracterizada por degeneração dos músculos estriados. A adição de selênio pode corrigir este quadro. resultando em alta mortalidade. d) Problemas de reprodução Em poedeiras reprodutoras. Este é o resultado da permeabilidade anormal das paredes dos capilares.0.093 .5. b) Diátese exsudativa em aves. que é recuperada com a adição de selênio e/ou vitamina E na dieta.020 1. 9.021 Lins – SP 0. Pesquisas registraram aumento da mortalidade dos espermatozóides com o incremento de 0. Absorvido no trato digestório usando sistema de transporte semelhante ao do Cl -. É.01 a 0. sugerindo a sua importância na fertilização. caracterizada pela formação de edemas no organismo principalmente na região abdominal da ave.140 Capinópolis – MG 0. ocorre degeneração associada a diatese exsudativa. Coletâneas Sintomas de deficiência de selênio a) Distrofia muscular nutricional.do Pará (Belém) e Pernambuco (Recife). Apesar de uma taxa infinitesimal no organismo. a deficiência reduz a eclodibilidade e a produção dos ovos.0.030 Lavras – MG 0. Na aves. especialmente os músculos peitorais. Já a fonte KI. atividade da glândula e idade do animal. No entanto. brássicas. além. que possui o iodo volátil. triiodotiromina. mais de 60% de todo iodo está presente nas glândulas tireóides. que controlam todo rítmo metabólico orgânico. entre outras. o cobalto representa 4% da sua composição total. possui o iodo muito volátil e não possui estabilidade na mistura. havendo maior consumo de O2 na célula. b) Possui ação calorigênica nos animais homeotérmicos. tiroglobulina e poliptídeos contendo tiroxina. e c) No homem. esta é feita as vezes utilizando o KI. d) Atua no retardamento da maturidade sexual das aves. como linhaça. existe elevação da concentração sanguínea quando se eleva o cobalto da ração. através dos hormônios tireoidianos que atuam aumentando a atividade do mitocôndria. As fontes de iodo KIO3 e Ca(IO3)2 são indicadas para suplementação. Funções do Iodo As funções do iodo estão relacionadas à ação dos hormônios. c) A tiroxina regula a ação do hipotálamo e adenohipófise. sendo dispensável a complementação deste microelemento nas rações de aves. a glândula tireóide se hipertropia na tentativa de manter os níveis de tiroxina no sangue. como 132 . pode-se encontrar iodo distribuido na maioria dos tecidos corporais. 9.5. O excesso absorvido é rapidamente excretado via urina. b) Em leitões. formando a iodotirosina. onde existe maior concentração normal deste microelemento. Na deficiência de iodo. O iodo está contido na tireóide nas formas inorgânicas. existe a preocupação com esta deficiência. mono e diiodotirosina. O NRC (1994) recomenda a suplementação somente da vitamina B 12.Após absorção o iodo é convertido principalmente na forma orgânica na tireóide. soja. Sintomas de deficiência de iodo a) Bócio. pele grossa e pescoço intumescido. tendo o idodo estável.7 Cobalto A suplementação de cobalto nas rações dos monogástricos é controversa. que resulta na necessidade de incrementar a suplementação. Organicamente. Na molécula desta vitamina. causa preguiça mental generalisada. Assim. de estarem longe do litoral. O conteúdo de iodo na tireóide varia com a ingestão. que possuem altas temperaturas. e e) Está ligado a queda de penas em aves. a) Integrante dos hormônios da tireóide. não devendo ser utilizada como suplemento de I. Apesar da suplementação de iodo no sal de cozinha ser lei no Brasil. Este efeito ainda não está bem explicado. pode-se verificar ausência de cerdas. aumentando a respiração mitocondrial sustentando a termogênese orgânica. Apesar de não definição do uso de cobalto suplementar para as rações desses animais. edema. favorecendo esta volatilização. Vários vegetais possuem efeitos goitrogênicos. tiroxina. principalmente nas regiões centrais do Brasil. 9. De maneira geral. Apesar da inconsistência dos resultados. Já Llobet (1995) sugere de 2 a 3 ppm para melhorar o desempenho das aves.7 ppm deste microelemento. Pesquisa realizada por Kato et al. na qualidade dos ovos e na concentração hepática e gema. Oito estudos em 31.5. sobre a taxa de crescimento. Pesquisas tem evidenciado melhor absorção para as formas orgânicas (picolinato. 2) Substâncias profiláticas. As substâncias profiláticas servem para a proteção higiênica de enfermidades parasitárias tais como coccidiose e enterites. houve decréscimo da gordura na carcaça. 3) Substâncias auxiliares. As recomendações do INRA (1989) e Rostagno et al. (2000) são de 0. a suplementação de cobalto deve ser independente da de B12. as pesquisas indicam evidência favorável dos efeitos do uso de Cr no metabolismo dos suínos. Atualmente estas substâncias podem ser divididas em quatro categorias: 1) Promotores de absorção. a suplementação de B 12 resultou em melhores medidas de desempenho e qualidade do ovo. encontrou-se melhoria da eficiência alimentar e 9 de 24. o uso de 20 ppm de CrCl3 aumentou a taxa de utilização da glicose. No caso de aves. não se verificou efeitos do uso de níveis de Cr de 50 a 200 µg/kg com CrPic ou 500 a 5000 µg/kg como CrCl3. 9. concluiu-se que a suplementação de cobalto para estas aves não exerceu efeito na produção. nicotinato e cromio-levedura) em relação a forma inorgânica (CrCl3). sendo recomendável 4. sugerindo que não existe a necessidade desta suplementação.9 Boro 10 ADITIVOS NÃO NUTRIENTES Os aditivos são substâncias utilizadas nas rações com várias finalidades.8 Cromo Tem sido considerado nutriente essencial para homens e animais há aproximadamente 40 anos. Annekov e Samokhin (1982). De acordo com Turk e Kratzer (1960). Tem efeito potenciador sobre a insulina e porisso tem sido chamado de Fator de Tolerância a Glicose (FTG). (2002). aparece na forma trivalente (Cr 3) tendo efeito ativador de sistemas enzimáticos ligados principalmente ao metabolismo de proteinas e ácidos nucleicos. Por outro lado. observado por Georgievskii. Na natureza. 133 . e 4) Enzimas exógenas Os promotores de absorção são aditivos que servem para melhorar o crescimento devido principalmente ao aumento da utilização dos nutrientes das rações. A maioria dos estudos(20/31) com cromio para suínos em crescimento-terminação.2 ppm. indicando independência de efeito em relação ao cobalto suplementar. podem ser chamados também de estimulantes do crescimento ou ativadores de produção.5. com poedeiras comerciais. para pintos. 4 g/ton 9. Enramicina Frangos de corte 5-10 g/ton Leitões 5 -10 g/ton Suínos em crescimento 3-5 g/ton 5.1 PROMOTORES DE ABSORÇÃO Várias substâncias são utilizadas como melhoradores da absorção nas rações de aves e suínos.1: Promotores de absorção e da eficiência alimentar utilizados em rações de aves e suínos Droga Animal Nível de Uso A. aves de reposição e perus 5 . simbióticos e fitoterápicos. Na Tabela 10. Antibióticos 1.10 g/ton Suínos em crescimento 2. TABELA 10. Bacitracina de Zinco Frangos de corte e perus 5-50 g/ton Poedeiras e aves de reposição 50 . Virginiamicina Frangos de corte (inicial) 20 -50 g/ton Frangos de corte (final) 5 . Eritromicina Aves de reposição 6 .100 g/ton Leitões 40 . prébióticos. 10.10 g/ton 2. o maior grupo refere-se aos antibióticos. os antibióticos podem ser utilizados em maiores níveis nas rações. Tilosina Frangos de corte 4 -50 g/ton Suínos (todas as fases) 10 – 50 g/ton 11. porém. Além do efeito como promotores de absorção de nutrientes e melhoria da eficiência alimentar. existe restrição para o seu uso devido a problemas relacionados a resíduos nos produtos. Avilamicina Frangos de corte 2. Oxitetraciclina Frangos de corte.10 g/ton Leitões 5.20 g/ton 134 . outros promotores alternativos tem sido estudados como probióticos.5 . Outros compostos como nitrofuranos e os derivados arsenicais têm estes efeitos. As substâncias auxiliares não são necessárias do ponto de vista fisiológico da alimentação. Sulfato Frangos de corte 5-10 g/ton Leitões 20-30 g/ton Suinos em crescimento 5 -10 g/ton 4. Lincomicina Frangos de cortes 2 .50 g/ton Suínos em crescimento 7. agentes de aglutinação.1 estão os promotores de absorção mais utilizados em rações de aves e suínos.0 . Neste caso é preciso seguir posologia adequada para evitar seleção de microorganismos resistentes. Além destes.4 g/ton 8.120 g/ton Suínos em crescimento 10 . flavorizantes.10 g/ton Leitões 25 .20 g/ton Leitões 10 -70 g/ton Suínos em crescimento/ Terminação 10 g/ton 7. Nesta categoria estão os antioxidantes. entre outros. com a finalidade de controlar ou combater doenças. Flavomicina Suínos (todas as fases) 2 . Espiramicina Frangos de corte 5 g/ton Leitões até desmame 30 g/ton Suínos da desmama ao abate 6. no entanto.5 . emulsificantes.50 g/ton 3. Colistina.5 .10 g/ton 10. com seus respectivos níveis de uso. Olaquindox Frangos de corte 10-20 g/ton suínos na fase pré-inicial 50 . Compostos Arsenicais 1. Dimetridazole Suínos nas fases crescimento e 200 g/ton terminação 3. b) estimulam os microorganismos benéficos que sintetizam nutrientes no trato gastrointestinal. por melhores condições da microbióta intestinal favorável ao hospedeiro. o mais correto é considerar todos os efeitos conjuntos. resultando em perda de desempenho pelos animais. esta melhoria no rendimento é mais notável nas fases inicial e crescimento destes animais. Leitões 20 -40 g/ton Suínos em crescimento/ terminação 5 -20 g/ton B. c) atuam reduzindo o crescimento de bactérias competitivas com o hospedeiro. sujeito ao estabelecimento de uma microflora benéfica que pode contribuir nos processos digestivo e absortivo bem como de uma outra. resultando em parede intestinal mais delgada. inadequadas. Ácido-3-Nitro-4 Frangos de corte. assim como em condições sanitárias e de balanceamento da ração. coli. Nitrofuranos e Outros 1. inibir respostas imunes e produzir metabólicos que levam a problemas enteropatogênicos.45 g/ton hidroxifenilarsônico Suínos (todas as fases ) 22 – 68 g/ton 2. quais sejam: a) atuam eliminando ou reduzindo a atividade de germes causadores de doenças sub-clínicas. Existe uma microbiota natural no trato gastrointestinal dos animais de difícil definição e composta de mais de 400 espécies sendo que esta começa e se estabelecer logo após o nascimento.2 PROBIÓTICO (MICROORGANISMOS VIÁVEIS) O trato digestivo dos animais está exposto ao meio exterior e. devido a redução de proteção de parede absortiva.50 g/ton Suínos nas fases crescimento 10 -50 g/ton terminação Mecanismo de Ação Existem várias explicações (teorias) sobre a forma de atuação dos promotores de absorção de nutrientes. Ácido Arsanílico Frangos de corte. 10. perus 45 -90 g/ton Suínos (todas as fases) 45 – 90 g/ton Obs: Os compostos arsenicais devem ser retirados pelo menos 5 dias antes do abate C. que pode competir. Carbadox Suínos nas fases pré-inicial e inicial 50 g/ton Suínos na fase de crescimento 10 – 25 g/ton 2. 25 . Pesquisas têm mostrado a presença de E. no entanto. Verifica-se que as teorias estão interligadas. resultando em melhoria da absorção de nutrientes. e d) aumentam a capacidade de absorção dos nutrientes devido ao adelgaçamento da parede intestinal. com redução das barreiras de absorção. portanto. 135 . e. aves de reposição 22 . Na prática.200 g/ton Suínos na fase inicia. a utilização destes aditivos tem melhorado de 4 a 8% o crescimento e a eficiência alimentar de aves e suínos. maléfica. Em condições de estresse. utilizados largamente em rações de monogástricos no mundo e. em sua maioria. thermophillus e S. enzimas ou outros agentes classificados como probióticos. diacetilactus) e outros microorganismos como Bacillus subtilis. sendo este. São promotores de crescimento ou ativadores de produção. o nutriente essencial para a manutenção e multiplicação de bactérias benéficas. Streptococcus faecium. resultando aí o desequilíbrio. que na prática. estimulando a imunidade com aumento de atividade dos anticorpos (Fuller. O resultado é o espessamento da parede intestinal (defesa)..Streptococcus e Lactobacillus no trato digestório de leitões em apenas 3 horas após o nascimento. de produção de toxinas (Reddy et al. com conseqüente redução da eficiência absortiva intestinal. Bificus bifidum. possibilitando assim. Dois tipos de bactérias podem se estabelecer. S. 1993.. por exclusão competitiva. bulgaricus. Como exemplos. especialmente no Brasil. melhorando a eficiência alimentar (Bertechini e Hossain. como por exemplo. O termo probiótico. Quando o animal está nessa situação. reduzindo enteropatogênicas e. L. O resultado é um equilíbrio microbiano a favor da microflora benéfica. se estabelecem sobre outros microorganismos aí presentes. ocorre um desequilíbrio dessa microbiota intestinal sendo que as benéficas. 1995). L. a abertura das informações no mundo moderno tem levado a mudanças de critérios nas transações comerciais devido a pressão dos consumidores. um associado com o epitélio gastrintestinal (permanente). Por outro lado. define os probióticos como fonte de microorganismos viáveis que ocorre naturalmente e podem ser utilizados diretamente na ração dos animais e está também aceito na categoria GRAS (Generaly regarding as safe). Os probióticos depois de ingeridos. plantarum. Aspergillus oryzae. chegou-se a conclusão de que aproximadamente 10% da população tem evitado o consumo de carnes de suínos e de aves. toyoi. Além do efeito importante que é a redução do pH. lactius. Torulopsis. Fukushima e Nakano. possibilitando redução de pH (Ferket. 1995) aumentando a energia da dieta e a retenção de N e reduzindo o nível de colesterol no soro e fígado (Santoso et al. A maioria dos probióticos testados em aves e suínos é do tipo ácido láctico (Lactobacillus acidophilus. os Lactobacillus acidophilus produzem acidofilina. Santoso et al. principalmente antibióticos. em contraposição aos antibióticos. 1994). 1993). que descrevem como microorganismos que contribuem para o balanço microbiano do intestino. permanentes. Uma das alternativas que nos pesquisadores visualizamos para os antibióticos seriam os probióticos. e um outro. O Federal Food and Drugs Administration (FDA) dos estados Unidos da América. redução de E. B. 1995. conseqüentemente. 1990).. S. reduzem suas concentrações e permitem o desenvolvimento da microflora enteropatogênica. encontram meio adequados para multiplicação e colonizam o trato digestório e. ocorre uma redução da síntese de mucopolissacarídeos na mucosa intestinal. vem se utilizando antibióticos bem como outras substâncias quimioterápicas no sentido de promover melhorias no ganho de peso e conversão alimentar dos animais. no sentido de evitar produtos contaminados por aditivos. Pesquisa recente na Comunidade Econômica Européia. os microorganismos benéficos produzem metabólitos que atuam inibindo as bactérias enteropatogênicas. por considerá-las contaminadas por antibióticos. São utilizados combinados ou isolados e as vezes associados a leveduras. resulta em piora na conversão alimentar e no ganho de peso dos animais. de competição por nutrientes (Turnet. 1989). L. a elevação do pH intestinal e favorecendo as bactérias enteropatogênicas do tipo E. significa em favor da vida e foi utilizado primeiramente por Lilly & Stiwell (1965). entre outros. 1988). coli. livre no lume intestinal (transeunte). coli (Stewart e Chesson. Durante muito tempo. lactocidina e 136 . casei. que inibe vários microorganismos (Dahiya e Speck. Por outro lado. Streptococcus . L.2). encontrou-se benefícios. Durante as décadas de 70 e 80. durante fases específicas da criação. na década de 90. tem um perfeito uso após tratamentos com antibióticos. Os resultados atuais suportam a eficácia do uso de probióticos como ativadores de produção. poucas foram as pesquisas que não se verificou efeitos do uso dos probióticos como promotores de absorção.1). 1988). indicando uma maior especialização da indústria de biotecnologia dos microorganismos. adaptando concentrações e espécies. TABELA 10. Proteus. além da maioria que produzirem suficiente quantidade de peróxido de hidrogênio. foram realizados muitos trabalhos com a utilização de microorganismos viáveis. visando uma melhor resposta animal. de forma generalizada. Shigella.3 SUBSTÃNCIAS PROFILÁTICAS As substâncias profiláticas são usadas de maneira geral para controlar e/ou combater as doenças. mais de 50% das pesquisas. 10.125 137 .40 Nicrazin Nicarbazina 100 . devendo estudos futuros adequar as unidades formadoras de colônias (UFC) por grama do produto para uma melhor eficácia. nisina e diplococcina. Várias substâncias são utilizadas para controlar e/ou combater a eimeriose em aves e autorizadas pela FDA (Federal Food and Drug Administration. Bacillus e Vibrio. os compostos químicos e ionóforos (Tabela 10. Fox. Estes metabólicos têm demonstrado em laboratório a inibição do crescimento de Salmonellas. Dentre os aditivos mais utilizados encontram-se os antibióticos e os anticoccidianos. plantarum produzem lactonina. Completando.PRODUTOS QUÍMICOS Amprol Amprolium 125 . sendo que. Os antibióticos são utilizados em níveis de 5 a 10 vezes superior aos utilizados como promotores de absorção (Tabela .2).125 Deccox Quinolina 20 . USA).acidolina.250 Arpocox Arprinocid 60 Aureomicina Clorotetraciclina 220 Clinacox Diclazuril Coyden Clopidol 125 Cycostat Robenidina 30 . permitindo o estabelecimento de uma microbiota saudável. Pseudomonas. 1986.2: Relação de produtos anticoccidianos disponíveis aprovados para uso em avicultura Nome Denominação Química Nível de Uso Comercial 1 GRUPO I . havendo a necessidade em alguns casos da associação de substâncias para melhorar a eficácia no controle desta doença (Grupo III da Tabela . Staphylococcus. Klebsiela. Por outro lado. Anticoccidianos Utilizados em Rações de Aves As drogas atualmente utilizadas como anticoccidianos podem ser divididas em dois grandes grupos. A utilização constante destas substâncias fez com que houvesse seleção e resistência de algumas eimérias. os probióticos não podem ser considerados como alternativa aos tratamentos por antibióticos no controle de doenças.36 Cycarb Nicarbazina 100 . 3: Relação de algumas substâncias auxiliares e seus níveis de uso nas rações Nível de Substância Finalidade Uso.10 são discutidos os tipos de antioxidantes mais utilizados em rações. as vitaminas lipossolúveis e pigmentos lipofílicos. Tem algumas substâncias que controlam mais do que eliminam e vice-versa.3). na melhoria da palatabilidade.015 Butil-hidroxi-tolueno (BHT) Antioxidante 0. A argila mais utilizada é a bentonita de sódio.2 – 0. Neste contexto estão os ácidos graxos polinsaturados.010 – 0. 10. dando estabilidade aos peletes. no entanto. TABELA 10. são importantes na conservação.4 SUBSTÂNCIAS AUXILIARES As substâncias auxiliares podem ser dispensadas das rações. como fontes de pigmentos. Os antioxidantes são adicionados às rações com a finalidade de proteção das substâncias com maior chance de oxidação. é um agente dispersante utilizado principalmente em veículos de vitaminas. O propionato de cálcio e a violeta genciana são considerados antifúngicos. reduzindo enteropatogênicos. Os auxiliares de peletização tem propriedades agregantes. evitando a proliferação principalmente fúngica.5 138 . A lecitina. Durante muito tempo os anticoccidianos eram divididos em dois grupos.8%). Possui também P totalmente disponível (1.015 Propionato de cálcio Antifúngico 0.% Etoxiquina (ETQ) Antioxidante 0.5-Dinitro-O-Toluamide (DOT) 125 GRUPO II . Stenorol Halofuginona 2-3 Zoalene 3. No item 5. e no trato digestório. pesquisas recentes indicam os dois efeitos para todos os produtos do mercado e assim o termo mais adequado atualmente é anticoccidiano. entre outras (Tabela 10. Por outro lado.010 – 0. Os ácidos fumárico e cítrico têm ação acidificante a nível da ração.PRODUTOS IONÓFOROS Avatec Lasalocida Sódio 75 . Os produtos comerciais variam em concentrações do princípio ativo.125 Aviax Senduramicina 25 Coban Monensina Sódio 100-125 Coxistac Salinomicina Sódio 50 – 75 Cygro Primicina Amônio/maduramicina 5–6 Monteban Narasin 60 – 80 GRUPO III – ASSOCIAÇÕES Amprolplus Amprólio + Ethopabato 125/40 Lerbek Metilchorpindol + Metilbenzoquato 110 Pancoxin Plus Amprólio + Ethopabato + 100/5/60/5 Sulfaquinoxalina + Pirimetamina 1) Os níveis de uso referem-se às substâncias puras. no auxílio da peletização. Os coccidiostáticos e os coccidicidas. permite a melhoria do aproveitamento destes compostos. através da manipulação das formulações e das enzimas adicionadas.4 Conteúdo de carotenóides em várias fontes Fonte carotenóides ppm Algas (Spirulina sp..5 .00 Palatabilidade 0. Os primeiros relatos do uso de enzimas em rações de aves datam de 1958 quando Fry et al.0 Silicato de cálcio Fluidificante 0. permitiu que se desenvolvesse enzimas altamente especializadas e com objetivos importantes na nutrição animal para complementação das enzimas digestivas endógenas produzidas no trato digestório dos animais. (1958) 139 . A coloração amarela é típica dos carotenos. pele e gema dos ovos.008 Ácido fumárico Acidificante 0. com diminuição de eliminação de substâncias poluentes como N e P. Na tabela 10. são responsáveis pela coloração das penas.5 – 5. seca) β-caroteno 434 Criptoxantina 389 Zeaxantina 80 Pimenta vermelha Total 127-248 Espinafre Total 26-76 Alfafa.5 – 2. feno Xantofilas totais 220-330 Páprica Xantofilas totais 275 Milho amarelo Xantofilas totais 20-25 Pétalas de marigold Xantofilas totais 8000 10.0 Estearato de cálcio Fluidificante 0 5 – 2. Os ingredientes vegetais possuem normalmente fatores anti-nutricionais e/ou substâncias que não são normalmente digeridas pelas enzimas digestivas e o uso de enzimas específicas.0 (máximo) Peletização Auxiliar na Argila branca 3. Tabela 10.4 são apresentados carotenóides encontrados em vários vegetais.0 (máximo) Peletização Éster apocarotenóico Pigmentante * Cantaxantina Pigmentante * * Utilizado em rações de aves para completar os níveis de pigmentação que proporciona coloração adequada da pele do frango e da gema do ovo Os pigmentos carotenóides normalmente encontrados em vegetais.0 Ácido cítrico Acidificante 0.0 Lecitina Dispersante 0.5 – 4.0 Auxiliar na Carboximetilcelulose 0.5 ENZIMAS EXÓGENAS O desenvolvimento biotecnológico alcançado até este século. Violeta genciana Antifúngico 0.1.5 – 3.3 (máximo) Peletização Auxiliar na Lignosulfonatos 3. As pesquisas evidenciaram que nem todo o P é liberado e que a eficiência de liberação é decrescente a medida que se eleva o nível de atividade da enzima na ração.16 g de P/kg em rações de suínos. proteases. aumento da digestibilidade dos nutrientes existentes. que indisponibilizam minerais. principalmente os metais bivalentes. Pode-se concluir nesses trabalhos que a utilização de 500. que aumentam a viscosidade intestinal. respectivamente. existem vários complexos enzimáticos com efeitos sobre a digestão de arabinoxilanos. Considerando uma margem de segurança de 10%. zinco. sendo os mais comuns aqueles que podem interferir no processo digestivo normal. No caso dos fitatos. Zn++. representam mais uma ferramenta para que os nutricionistas trabalhem com maior eficiência alimentar. tem sido estudada deste 1968 quando Nelson e colaboradores testaram um resíduo de fermentação de Aspergillus ficcum em aves. houve evolução biotecnológica para a produção dessa enzima e atualmente se conhece os efeitos na liberação de P fítico para diversas espécies. 11 NUTRIÇÃO APLICADA DE AVES Os primeiros estudos sobre nutrição de aves datam da década de 40. As aves tratadas apresentavam aumento das cinzas ósseas devido ao maior aporte de P para essas aves. estes elementos também são liberados e contribuem para melhor aproveitamento dos mesmos. pectinases. 140 . implicando em redução na suplementação. Mn++ e Fe++) que podem estar quelatados na molécula do fitato. Para os PNAs.1 μmol de fitato de sódio em pH 5. poedeiras comerciais e frangos de corte.5 e temperatura de 37 C. conseguem liberar 1. A partir desta data. 1. A fitase também afeta a biodisponibilidade de outros elementos. Outras com efeitos sobre os α-galactosídeos e oligomananos. Mg++ . suplementação das enzimas endógenas e hidrólise de polissacarídeos não amiláceos solúveis. liberação de mais de 40% do P fítico com a utilização de apenas 200 FTU/kg de fitase. dificultando a ação das enzimas endógenas e absorção e os fitatos.1 % de P disponível. (1994) como sendo a quantidade de enzima que libera 1 μmol de ortofosfato inorgânico por minuto a partir de 5. São muitos os fatores tidos como antinutricionais.14 e 1. De maneira geral.descobriram que grãos umedecidos apresentavam melhoria no seu aproveitamento. Para Classen (1996) as enzimas exógenas adicionadas às rações de animais visam quatro objetivos distintos : remoção ou hidrólise de fatores antinutricionais. A enzima fitase (mio-inositol hexafosfato fosfohidrolase). estes valores correspondem a 5. onde os técnicos procuravam controlar problemas nas pequenas criações. Outras enzimas têm sido desenvolvidas com a finalidade de aumentar a digestibilidade de nutrientes como celulases. Verificou-se que em todos os casos estudados com aves e suínos.5 kg de fosfato bicálcico (18% de P) por tonelada de ração ou 0. ferro. principalmente os cátions bivalentes (Ca++ . Neste contexto pode-se citar os PNAs. bem como dos minerais citados como cálcio. galactosidases e amilases. compostos por pentosanas e B-glucanos. A unidade de fitase ( FTU) é descrita por Engelen et al. manganês entre outros. contribuindo sempre para a redução da emissão de poluentes no meio ambiente. 300 e 600 FTU/kg de fitase.19. a enzima fitase tem se mostrado muito eficaz na liberação do P da estrutura anelada do fitato. A partir da liberação do P. NRC. resultando no 1º N. ainda são utilizados. de 1951.R. são o contrário. sendo que a moderna nutrição dessas aves está voltada para a maximização do rendimento de cortes nobres como peito.1 FRANGOS DE CORTE 11. é a grande voracidade e capacidade de consumo que possuem.1. sempre procurando atualizar as informações. adaptando as quantidades ingeridas de alimento para atender primariamente as suas necessidades de energia. Esta afirmação encontra respaldo na literatura. cada vez mais exigentes quanto a qualidade do produto. pequenas variações do conteúdo energético e mesmo de outros nutrientes. Em que pese a grande evolução da nutrição desses animais. Durante as últimas décadas. Por outro lado. Com isto. 1984 e 1994). 11. coxas e sobre-coxas. Leeson e 141 . Enquanto os frangos de corte são selecionados para maior capacidade de consumo. muitas dessas informações são limitadas. Um dos fatores mais significativos de mudança na fisiologia das aves modernas refere-se a capacidade de consumo. podem ser citadas as publicadas nos Estados Unidos da América do Norte (Scott et al. ainda existe um certo descompasso entre a velocidade da melhoria genética animal e os estudos de nutrição. Nos padrões de alimentação de aves são listadas as necessidades nutricionais e composição de alimentos. No caso de frangos de corte. não possui efeitos significativos no atendimento de suas exigências. 1977. o desempenho somente faz parte do contexto da indústria do frango de corte. apesar da grande evolução genética alcançada das aves modernas aliada ao aprimoramento dos conhecimentos sobre nutrição desses animais. 1982. 1994. porém. com o mesmo peso e apenas uma melhoria de 0.02 na conversão alimentar. A Academia Nacional de Ciências Americana (National Academy of Science - USA). formaram o primeiro comitê sobre nutrição de aves no início da década de 50 onde colecionaram as primeiras informações de recomendações nutricionais e composição de alimentos. devido ao grande número de fatores envolvidos na obtenção destes dados.. Resultados de pesquisas realizadas há 40 anos. Outro fato seria de que as pesquisas de exigências realizadas sob clima temperado podem não ser adequadas para o clima tropical e vice- versa. ocorre uma redução anual de aproximadamente um dia da idade ao abate. este fato é devido a melhoria dos conhecimentos de nutrição direcionados para o crescimento destas aves. onde estudos comparativos de exigências das várias tabelas. O que acontece é a mudança das necessidades de mantença aliada a velocidade de deposição de nutrientes. por exemplo. as poedeiras comerciais leves. Exemplo típico deste fato são as necessidades de sódio. notadamente na sua taxa de crescimento e eficiência alimentar. Outro fato favorável aos frangos de corte modernos.1 Exigências Nutricionais Várias tabelas de exigências nutricionais estão disponíveis para que os nutricionistas possam adequar programas de alimentação de maneira a explorar o máximo desempenho destas aves. nos dias atuais. as pesquisas de nutrição de frangos de corte haviam se preocupado na melhoria do desempenho dessas aves. item indesejável aos consumidores. Em parte. Dentre elas. outras tabelas foram editadas por esta academia de ciências (1961.C (Nutrient Requirements Council) de aves em forma de “report”. aliado a redução da gordura na carcaça. Desta data para a atual. Não significa que as necessidades para cada incremento na produção de tecido magro depositado mude significativamente com a genética. não se verificaram variações significativas no desempenho dessas aves. 359 ARG 0.252 LEU 0.0 12.101 VAL 0.R.120 MET + CIS 0.139 0.259 0. mg 6. 1984.0 10.315 0. TABELA 11.276 5.Summers.0 B12.420 0. UI 30 20 10 K.473 0.362 GLI+SER 0. 1996) e Brasil (Rostagno al.205 HIS 0.205 FEN 0.278 0.337 ILE 0.436 0.8 1.0 1.9 B6.056 Vitaminas por kg de Ração A.. UI 2300 1800 1400 E. sendo acertado também as fases de criação através de estudos de regressão associado às modificações de capacidade de consumo das aves em cada fase de desenvolvimento fisiológico. Na Tabela 11.1: Recomendações nutricionais para frangos de corte de acordo com períodos da criação 1 Fases (dias) Nutrientes 1-21 22-42 43-49 %/ Mcal de EM da ração PB 7.391 0.E.062 0..300 0..1 estão apresentadas recomendações nutricionais médias para frangos de corte.292 0.166 0.0 3.270 0. mg 14.204 FEN + TIR 0. UI 10000 7500 4000 D3.415 0.230 PD 0.0 B1. I.260 0.0 1.117 0.130 0.390 0. A.337 Ca 0.5 1.272 0.365 0. além das indicadas nos manuais específicos das marcas comerciais das aves de corte.054 TER 0.0 142 .237 0.315 TRI 0.461 0.0 Acido Pantotênico.115 0.070 0.472 0.063 Na 0.8 1. 1975.237 0.2 1.071 0. 2001).302 0. Europa (ARC. μg 16.148 0. mg 2.C.235 0. obtidas de informações das tabelas bem como de resultados individuais de pesquisas e feedback de campo.A.5 0.224 LIS 0.N.630 MET 0.0 6.160 6.0 6. Os valores foram calculados em %/Mcal de EM da ração. mg 2.416 0.133 0. 2000).5 B2.mg 1. Ward (1993) . Verifica-se que as necessidades nutricionais de proteína. N.2 PROGRAMAS DE ALIMENTAÇÃO A evolução nas áreas de nutrição e manejo de frangos de corte. presença de metais catalisadores de oxidação. não é notado pelo nutricionista. Leesom & Summers (2001). De qualquer forma. Para evitar deficiências na prática. devido ao menor nível de uso com maior taxa absortiva. aminoácidos e minerais reduzem com avanço da idade da ave em função principalmente do aumento no nível de consumo alimentar.5 Se 0. que afetam o desempenho da ave. Quando a deficiência nutricional é exteriorizada. mg 1.5 1. D. Rostagno et al (2000) e Bertechini et al.0 Colina. os microminerais são adicionados em maiores quantidades nas dietas. já ocorreu a nível metabólico.0 60. Ácido Fólico. Normalmente. Muitos fatores estão relacionados com a perda de atividade das vitaminas nas rações como umidade. temperatura. levou a tendência de utilização de programas alimentares mais adaptados às necessidades nutricionais destas aves. μg 90.0 25. complexação com outros nutrientes e. O programa alimentar com três 143 . O maior problema relacionado com a suplementação vitamínica não está no aparecimento de sintomas específicos. com maior número de rações durante o ciclo de produção. (2002). mas sim. peletização e extrusão). aliado ao desenvolvimento do seu sistema digestivo e mudanças fisiológicas nas rotas do metabolismo. Waldroup (1993) . 11. O uso de duas rações tornou-se comum a partir da década de 50.0 Biotina. mg 35. ou outros fatores que afetam as suas absorções. principalmente devido a dificuldade natural de absorção dos mesmos. perdas durante os processos de digestão e absorção.3 0.0 20.0 Microminerais em mg/kg de Ração Mn 80 50 30 Zn 90 60 40 Cu 10 6 4 Fé 80 70 50 I 1 1 0. não especifica se é ou não recomendação prática. (1994). mg 300. processamento (moagem. resultando em grandes prejuízos.C.0 200. na maioria dos casos.3 0.0 0. este parâmetro principal. leva ao excesso de excreção e contaminação ambiente. por interações. tem-se utilizado margens de segurança que permite a garantia do bom desempenho.0 200.R. alterações nas reações responsáveis pela manutenção do crescimento e. é uma solução cientifica e ecologicamente correta para estas suplementações. muitas vezes. a redução dos níveis de suplementação com o avanço da idade já contribui para redução dessa poluição como indicado na Tabela 11.0 80. As vitaminas são nutrientes que apresentam grandes variações de recomendações entre as tabelas que. principalmente para as vitaminas consideradas de crescimento (A.1.2 Bo 40 40 20 1 Bertechini & Hossain (1993). na utilização de níveis sub-normais. O uso de microminerais na forma de quelatos.5 Niacina. E e K). Esta falta de conhecimentos específicos sobre cada micromineral. a nível animal. Por outro lado.1: Exigências dietéticas de acordo com a idade aves FIGURA 11.rações. porém.Federal Food and Drugs Administration) dos Estados Unidos. sem drogas. Apresentaram um crescimento sub-normal. Na situação C. das aves da situação B. 144 . recupera eventuais deficiências em fases anteriores da criação. tem evidenciado a adaptação nutricional da ave apresentando resultados semelhantes de desempenho final. Por outro lado. reduzem com a idade (função do consumo ração) e esta queda normalmente é linear (Figura 11. Este fato resultou na necessidade de utilização de uma ração final. como exemplo. de aminoácidos sulfurados totais. alguns dias antes do abate das aves. A utilização de maior número de rações durante o ciclo produtivo. estas aves possuem o ganho compensatório que. sobreveio quando o órgão controlador de alimentos e drogas (FDA . As exigências dietéticas dos frangos de corte. porém. com economia de nutrientes para os programas com maior número de dietas. com exceção da energia. Estudos sobre programas de alimentação com maior número de rações (Bertechini et al. atingiram o mesmo peso. 1991). a utilização de níveis super-normais de nutrientes (situação A) não influenciam o peso final X.1). FIGURA 11. passou a exigir a retirada de aditivos não nutrientes das rações.2 ilustra três situações diferentes na curva de crescimento de frangos de corte para atender um determinado X. A Figura 11. que receberam rações com pleno atendimento das suas necessidades.. C). resulta na prática em menores diferenciais entre o que está contido na ração e as necessidades das aves. as aves receberam ração com níveis sub-normais de nutrientes.2: Curvas de crescimento de frangos de corte de acordo com níveis nutricionais da dieta (A. B. não apresentou a mesma proporcionalidade dos valores nutricionais a menor. para o aproveitamento das gorduras das dietas. não verificando qualquer efeito no desempenho dessas aves no período de criação de 1 a 42 dias de idade... de acordo com as necessidades da criação quanto ao número de rações e o nível de energia das mesmas.2 são apresentadas equações para estimar as exigências nutricionais de acordo com a idade da ave. maior quantidade de gordura na carcaça. de maneira a se conseguir desempenho economicamente viável. 1986. em relação às exigências plenas. O sistema digestivo não está totalmente desenvolvido. Outros trabalhos tem evidenciado diferenças que variam de 8 a 12% (Thomas et al. Este fato sugere que quando as aves estão recebendo dietas com pequenas deficiências. 1995. Albino. quando comparado às fêmeas. porém. principalmente na fase inicial. Além disso. apresentam menores exigências de manutenção na maior parte da sua curva de crescimento. A determinação das necessidades nutricionais para frangos criados com separação de sexo tem recebido atenção especial. com a melhor qualidade de carcaça possível dessas aves. (1991). faltando nível adequado de enzimas importantes como as lípases. O uso de rações mais adaptadas à fisiologia da ave é importante nesta fase. Embora existem conhecimentos das necessidades nutricionais diferenciadas para cada sexo. Aves recebendo ração única. Na Tabela 11. dada a necessidades de produção de carcaças direcionadas para o mercado de cortes no Brasil. podem apresentar melhor eficiência alimentar. Estas por sua vez. O pintinho nasce com aproximadamente 42 g e atinge 4 vezes este peso ao final de uma semana de vida. depositam mais proteína corporal com reflexo na eficiência alimentar. O crescimento mais rápido dos machos está relacionado com a maior voracidade de consumo de ração. com otimização do uso dos nutrientes. em relação às outras situações. dependendo da fase de criação. Além deste fato. Estas diferenças fisiológicas são responsáveis pelas diferenças nas necessidades nutricionais entre sexos. ainda não são muito utilizadas. reduziu os níveis de metionina + cistina. Trabalhos realizados por Bertechini et al. para exportação. confirmaram o ganho compensatório quando utilizaram vários programas de alimentação. 145 . O rápido melhoramento genético dos frangos de corte tem influenciado nos programas de alimentação. lisina e fósforo disponível em 8% para as fêmeas em relação aos machos. apresentaram o mesmo peso final em relação às que receberam 4 rações durante ciclo produtivo. Permite adaptar programas de alimentação. que vem aumentando e. Benício (1995) por exemplo. as aves da situação C da Figura 11. Os programas de alimentação do futuro deverão priorizar dietas específicas para machos e fêmeas. A otimização nutricional também contribui para redução da emissão de poluentes. Verificou-se também nestas pesquisas que. por exemplo. conseguem melhorar a eficiência de utilização dos nutrientes limitantes e. o desempenho normal dos frangos durante uma fase. convertem a partir de 35 dias de idade. desta maneira. 1995). Silva et al. O maior crescimento nesta fase se deve a formação do trato digestório. com vistas ao atendimento adequado das necessidades nutricionais.2. 00207 X 0. já não se aplica às poedeiras leves modernas. X = idade média da ave. A restrição alimentar também tem sido usada para reduzir o crescimento inicial dos frangos de corte com a finalidade de reduzir a síndrome ascítica e os problemas ósseos.98 GLI + SER Y = 0.00199 X 0.00039 X 0. Restrição Alimentar .00183 X 099 ARG Y = 0.00353 X 0.Poedeiras Comerciais 11. excesso de gordura na carcaça e ósseos.98 FEN Y = 0.2914 – 0.4703 – 0.99 LEU Y = 0.3272 .3 FRANGAS DE REPOSIÇÃO .98 Ca Y = 0.99 MET Y= 0. é possível bom desempenho e controlar estes problemas que têm origem metabólica sem a restrição alimentar.00174 X 0.5100 – 0.0.2: Equações para estimar as exigências nutricionais de acordo com a idade média dos frangos de corte Nutriente Equações r2 PB Y= 7.0. De qualquer forma.4481 .99 LIS Y = 0.98 TER Y = 0. atualmente. 11.99 PD Y = 0.3377 – 0.3221 – 0. A melhoria do manejo inicial e o controle de ambiente no início de criação. sem diferenças significativas no peso final .00193 X 0. As práticas tradicionais de redução da taxa de crescimento e manejo orientada para retardar a maturidade sexual destas aves.1437 – 0.0. prioriza-se o rendimento de peito.5108 – 0.99 Na Y = 0.0028 X 0.00131 X 0.98 VAL Y = 0.00277 X 0. que tem aumentado nos últimos anos.Frangos de Corte A seleção genética de frangos de corte. causando sérios prejuízos.96 HIS Y = 0.00094 X 0.99 ILE Y = 0. estas aves se tornaram muito precoces e começam a apresentar problemas como a viabilidade.99 FEN + TIR Y = 0.04358 X 0.5007 – 0. Por outro lado. o que torna a ave mais predisponente aos problemas cardio- pulmonares e ósseos.0009 X 0. normalmente indicam que os primeiros apresentaram menor eficiência alimentar e maior deposição de gordura abdominal. são mais precoces e podem atingir a 146 .0747 – 0.6478 . Estudos comparando frangos alimentados à vontade e com restrição alimentar. TABELA 11.3015 – 0.1587 – 0. onde. tem contribuído para redução dos problemas metabólicos nessas aves.99 TRI Y = 0.00221 X 0.0762 – 0. que devem apresentar uniformidade de lote com peso adequado ao início de postura.2942 – 0.1805 .99 MET + CIS Y = 0. sempre esteve voltada para maior peso corporal e maior taxa de ganho de peso.00048 X 0.0.00318 X 0.3.88 *Y = % Nutriente/Mcal de EM.1 Exigências Nutricionais A produtividade de poedeiras comerciais depende primariamente da criação adequada das aves de reposição.00312 X 0. sendo que. dependendo do tipo de ave. se o lote estiver com peso adequado e boa uniformidade. pode se dispensar qualquer prática que possa interferir na maturidade sexual das frangas. a franga reduz o consumo de ração ao início do estresse metabólico da produção. os níveis protéicos da ração devem ser maiores. cuidados devem ser tomados na fase de maior velocidade de ganho de peso.20 semanas) devem apresentar peso de aproximadamente 1500 g (Tabela 11. Este fato também sugere a necessidade de se elevar os níveis dietéticos de energia e que a franga possa acumular reservas para produção. deve-se preocupar com os níveis de energia para adequação do peso da franga para se conseguir melhor uniformidade do lote. Durante a fase de criação das frangas. A teoria de retardamento da idade a maturidade sexual baseava-se principalmente na redução da mortalidade das aves alojadas e no tamanho dos ovos. independente da idade. TABELA 11.idade fisiológica e começar a postura quando atinge seu peso corporal adequado. podem reduzir a postura mais rapidamente e afetar a longevidade de produção do lote. que vai de aproximadamente 4 a 6 semanas de idade onde. Na fase final de recria. 147 . Por lado. deve-se ter maiores cuidados com o programa de luz e o programa alimentar na recria para evitar que as aves entrem um postura muito precocemente.3: Recomendações de pesos de frangas e aves em postura Peso à 18ª semana Postura (g) 1-2% 50% Pique 1250-1350 1450-1550 1500-1550 1550-1650 X 1300 1500 1525 1600 Aves muito leves durante o pico de produção.4).3). Para frangas criadas em período crescente de fotoperiodo (julho a dezembro). pois. Aves muito leves que entraram em postura precocemente resultarão em poedeiras de menor produtividade. Estes resultados revelam a importância do nível de energia da ração para adequar o peso das frangas ao final da recria. não verificando efeitos dos níveis protéicos sobre este parâmetro (Tabela 11. evidenciaram que o nível de energia da ração afetou o peso das aves à 20ª semana de idade. Na fase que antecede a postura (10 dias). Trabalhos realizados por Leeson e Summer's (1989). pode afetar o desempenho futuro do lote. sendo que no início de produção (19 . com taxa de persistência na postura menor. Normalmente as frangas devem atingir de 1250 a 1350 g de peso às 18 semanas de idade. 148 . tem efeitos negativos a nível de consumo. reduz com a elevação dos níveis dietéticos (Tabela 11.0 0.5).0 2.9 3. e nas suas necessidades nutricionais. et al (1986) A utilização de um nível intermediário de cálcio na ração pré-postura parece estar mais adequado do que o nível de postura..32 5. poderá comprometer a reserva medular de cálcio das aves que efetivamente estão em produção.9 0.4: Efeito do nível de EM e PB da dieta sobre o peso corporal de frangas de reposição (Leghornias) EM Kcal/kg Peso à PB. A ave passa por um estresse metabólico.35 1. % Peso à PB = 18% 20ª Sem.43 5.41 7.(P 0.51 7.5 0.7 2. Por outro lado.3. TABELA 11. TABELA 11.5 0. EM = 2859 20ª sem. este nível não deve ser administrado por períodos longos (além de 5% de produção de ovos) pois. A utilização de uma dieta de postura no seu início.5 3.41 3. devido ao alto nível de cálcio e também no próprio aproveitamento deste macroelemento.5 0. principalmente de cálcio.7 Fonte: Leeson. mas também fatores de manejo como estímulos de luz através do aumento gradativo do fotoperiodo. (g) (g) Kcal/kg 2650 1320C 15 1445 2750 1378BC 16 1459 2850 1422AB 17 1423 2950 1489A 18 1427 3050 1468A 19 1444 3150 1468A 20 1480 a.05) Fonte: Leeson e Summer‟s (1989) 11. Pesquisas mostram que a retenção de cálcio no início de postura. O início de postura das frangas envolve não somente modificações nutricionais nas rações.0 0. b. % Cálcio na Cálcio retido % Cálcio Ração Excretado (g) (Base MS) 0. ao 1º ovo.2 Frangas Início Postura (Pré-postura) O preparo fisiológico das frangas de reposição na fase pré-postura requer cuidados especiais na formulação da ração. . com variações hormonais.4 1.5: Efeito da % de cálcio da ração sobre a retenção deste elemento. c. Ovos Brancos 11. melhorias de manejo e conhecimentos de nutrição e controle das doenças. nutrição e genética.4. que resultaram em desenvolvimento mais rápido do aparelho reprodutor e peso corporal da ave. É. (1994) traz as recomendações em % da ração e valores por dia. níveis reforçados de metionina + cistina para poder atender a grande demanda orgânica para manutenção de altos níveis de produção por um período relativamente longo. que resultaram em aves mais precoces para o início e pique de postura. principalmente no início de produção. O principal refere-se a urolitiásis. A energia diária necessária à manutenção da máxima produção da ave normalmente é determinada por equações de predição (Tabela 11. As causas podem ser variadas e são listadas a seguir: utilização de níveis excessivos de cálcio para a poedeira em condições de imaturidade sexual. A precocidade não se refere a biologia da ave.1 Exigências Nutricionais As poedeiras comerciais têm aumentado a sua produtividade nos últimos anos.6). com redução do consumo de ração e da ingestão de sódio. O N. podem ocorrer problemas de consumo de ração (EM) havendo a necessidade de aumentar a densidade de nutrientes para não prejudicar a nutrição da ave. Dentre estes fatores. dietas com excesso de proteína pode auxiliar a formação dos cristais brancos de ácido úrico e. as poedeiras na fase de produção estão sujeitas a uma série de fatores que afetam as suas necessidades de nutrientes diários. necessário nesta fase. isto é mais raro de acontecer. outros problemas como dietas imbalanceadas e doenças infecciosas. As exigências dietéticas das poedeiras comerciais leves são comumente especificadas em quantidades de nutrientes diários. porém. Biologicamente essas poderiam iniciar a postura até mais cedo. mas sim nas práticas de manejo. conseqüentemente a sua produção. já que são selecionadas fisiologicamente para baixo consumo. deficiência de vitamina A por longo período. e. 149 . afeta o metabolismo normal dos rins. podem também influenciar no aparecimento deste problema. altas doses de bicarbonato de sódio. acompanhada da redução do consumo de água. resultando em problemas renais. coração. podem ser citados os principais como a temperatura ambiente. O exame fisiológico mostra acúmulo do complexo ácido úrico + cálcio (forma de giz). Outro fato é que procuram controlar o consumo de ração em função das suas necessidades EM. graças ao melhoramento genético. abdômen. que fornece subsídios para a formulação adequada da ração. pode causar danos na mucosa dos ureteres. que afetam o trato urinário. As poedeiras modernas têm atingido picos de postura muito altos (+ de 95%) e com persistência de mais de 30 semanas nesta fase (mais de 90% de produção). entre outros. UROLITIÁSIS Alguns problemas metabólicos podem afetar a poedeira. 11. Por outro lado. Em condições de altas temperaturas ambiente. Este fato tem exigido maiores cuidados quanto aos valores nutricionais das dietas. nos rins.C. resultado de vários fatores nutricionais que provoca excesso de ácido úrico circulante nas aves.R. o tamanho ovos e o próprio peso da ave. Normalmente.4 POEDEIRAS COMERCIAIS . que torna a urina alcalina facilitando a formação dos cálculos. restrição de água associada a dietas deficientes em sódio. não existe a necessidade de restrição alimentar para estas aves. a taxa de postura. 92 .1 2800 275 98 17.5 265 91 18. O=gramas de ovos/ave/dia (% postura/100 x peso do ovo).O N.7 Em condições tropicais. (1981) EM = 144.92. P(21 – Tº) Sakomura (1999) * P=peso corporal (em Kg).Tabela 11.63.R.0 .7).R.0 50 284 273 256 1 276 266 251 2 1.1.O + 2.4 2.. tamanho do ovo e eficiência alimentar. (173 .3 260 93 18.P + 3.7 250 96 17.4 2. Sakomura.0 Tº) + 5. Necessidade de EM em função da temperatura ambiente para poedeiras.0 . 1989) revelam as necessidades de poedeiras Leghornias como sendo menores das preconizadas para clima temperado (Tabela 11.84.C.00 . devido a redução das exigências de manutenção. o aumento do peso dos ovos e do tamanho corporal implica em maiores necessidades energéticas diárias. P0.0P(21Tº) Sakomura (1999) Poedeiras Pesadas EM = P(140 .Tº) Sakomura (1989) EM = P. utilizando duas Equações de predição (Sakomura. EM Temp.84 .2Tº ) + 5. pesquisas (Rostagno et al..2.5. TABELA 11.75 EM = 145.5.G+ 2.07. Tº=Temperatura Na Tabela 11. O Emmans (1974) EM = 143. não apresentaram efeitos sobre a taxa de postura. G=ganho de peso/ave/dia em g. Equação Autor(es) Poedeiras Leves EM = P0.1 . foram verificados efeitos sobre o ganho de peso da ave. G + 1.87.P(21 . por outro lado.7: Exemplo de Exigências de EM para poedeiras leves acordo com a temperatura ambiente.6 + 2.6: Equações de predição das exigências de EM (Kcal/ave/dia) para galinhas poedeiras .O + 2.0 – O EMMANS (1974) Poedeiras Semi pesadas 0.92. 27-32ºC (kcal/kg) EM/dia Cons/dia PB/dia EM/dia Cons/dia PB/dia 2600 265 102 16. O + 2. TABELA 11. 15-20ºC Temp. 1989 e N.G + 1. (170 . 1981) Peso Ganho Peso Tº Ambiente Fontes (kg) peso (g) Ovo 18 22 28 (g) 1.7 2700 270 100 17.0 255 94 18.0 60 300 289 272 1 150 .2.75 + 3.75. Estudos revelaram que a variação dos níveis de EM de rações de poedeiras leves.95Tº) + 5.7 estão apresentados exemplos de utilização das equações de predição das necessidades de EM/dia para várias situações. Verifica-se que a redução da temperatura ambiente do peso corporal resulta em menor necessidade de EM diária. P0.84. Por outro lado.3 2900 282 97 17.C. G + 1.75 + 3.G+ 2. 1983. 8: Recomendações diárias médias para poedeiras leves Nutrientes g/ave/dia Proteína 16. pois esta. aumentos na produção de ovos está relacionado com aumentos nos ganhos de peso da ave. devida a pequena capacidade de ingestão de ração.8 deverá ser modificada em função do nível de consumo de ração. Este fato é imperativo para adequar programas de alimentação sazonais mais adaptados às condições fisiológicas das aves. O conhecimento do nível de consumo alimentar bem como dos fatores que o influencia é fundamental para adequar um programa de alimentação eficiente. resultando em fezes aquosas causando problemas de manejo. com excessiva excreção de ácido úrico. As recomendações do N. a concentração de proteína e consumo de ração são importantes para controlar o nível de consumo de proteína. deve-se preocupar com o nível de consumo de energia. Em situações de estresse calórico. não é função fisiológica econômica da atividade.6 1. é necessário elevar o consumo de EM através do aumento da energia da ração.R. O nível protéico da ração tem também grande influência no tamanho do ovo. É. Para a excreção deste excesso de nitrogênio. As necessidades variam conforme o parâmetro utilizado no estudo. por exemplo.152 Treonina 0.678 Lisina 0.0 50 301 288 269 1 290 278 262 2 1.5 60 336 321 300 1 323 310 232 2 Obs. O Brasil apresenta regiões com condições climáticas distintas e também variações de acordo com a estação do ano. Desta maneira. e. A recomendação média de proteína apresentada na Tabela 11. com mínimo ganho de peso possível. porém. 294 284 269 2 1. Os níveis indicados não atendem a necessidade dessas aves na fase de pico de postura. Da mesma forma.789 Triptofano 0. além de aumentar o custo da ração. As exigências de proteína para tamanho de ovo.555 151 .C. que normalmente é baixo.6 1. a produção ovos. conseqüentemente.0 60 317 305 285 1 307 296 279 2 1.: Aves com 85% de postura A utilização de nível excessivo de proteína. aumentando o incremento calórico alimentar. são maiores do que para a taxa de produção (número de ovos). a ave ingere maior quantidade de água. preciso conciliar os níveis nutricionais para máxima produção. Nestas situações. Além deste fato. (1994) não traz especificações de qual critério foi utilizado nas determinações. Algumas "linhagens" de poedeiras leves apresentam maiores problemas de consumo nestas condições. afeta negativamente o metabolismo da ave. afetando o nível de produção.5 Metionina 0.8 0.8 0. 1 TABELA 11.5 50 319 305 283 1 2 1.344 Metionina + Cistina 0. estas aves possuem habilidade em estocar este nutriente. 180 Ácido Linoléico 1.169 0.313 Metionina + 0.360 0.344 0.928 0.0 Metionina 0. Bertechini et al.800 3.340 0. começa haver redução na taxa de postura (Figura 11. 152 .638 Fósforo Disponível 0.420 0.382 0. mantendo níveis altos de produção por mais de 4 meses. (1995 b) e Rostagno et al.211 0.362 0. exemplos de níveis nutricionais nas rações de poedeiras em seis situações de consumo de ração.717 Triptofano 0. Bertechini et al.380 0.152 0.171 0. as aves conseguem também adaptar a um nível de consumo alimentar para conseguir ingerir as necessidades de nutrientes.236 Fenilalamina 0.876 0.640 3. (1995 a). Por outro lado.180 0. Histidina 0. (2000). TABELA 11. Para pequenas variações.797 0. é necessário fazer os ajustes necessários sempre que houver modificações significativas no nível de consumo pela ave.5 15.164 As poedeiras comerciais tem o ciclo de produção iniciando por volta de 18 a 19 semanas de idade.776 Glicina + Serina 0.4 16.584 0.200 0.574 Fenilalanina + Tirosina 0.405 0.653 0.328 0.179 0.789 0.330 Disponível Sódio 0.160 0.505 Cálcio 3.800 3.400 0.617 0.3).678 0.3 17.% ----------------------- Proteína 19.9: Exemplo de Níveis Nutricionais nas rações de poedeiras leves de acordo com o nível de consumo alimentar Nutrientes Consumo de Ração (g) 85 90 95 100 105 110 ----------------------. atingem o pico de produção em torno de 24 a 26 semanas..189 0.360 Sódio 0.616 Cistina Lisina 0.800 3. Na Tabela 11.029 Isoleucina 0.753 0.400 1) Waldroup (1993). e a partir dessa fase..751 0.645 0.529 0.145 0.656 Leucina 1.555 0.7 15.625 Arginina 0.310 Fósforo 0.853 Cálcio 3.9 estão apresentados.713 0.529 Valina 0. pois.460 3.4 18.138 Treonina 0.830 0. não há necessidade de modificações nas formulações. O conceito antigo de ração fásica estava baseado no fato de que as aves reduzem a taxa de produção e aumentam o nível de consumo com o avanço da idade. FIGURA 11. por outro lado. consumo de ração. deve-se adequar os níveis nutricionais para o atendimento das necessidades diárias das aves. Este total de luminosidade se deve principalmente ao atendimento do nível de consumo de ração para suportar altas taxas de produção. indicando a redução dos níveis nutricionais da ração. que é prejudicada nesta fase pelo seu aumento de tamanho. permite o estímulo necessário para o desenvolvimento ovariano. Neste caso. em condições tropicais. acompanhada também do aumento do tamanho dos ovos a medida que o ciclo de postura avança. A redução dos níveis de proteína e aminoácidos resulta em diminuição dos custos da ração. Por outro lado. O avanço da idade da poedeira também influencia no nível nutricional de fósforo da dieta sem a finalidade de melhorar qualidade da casca do ovo. Quanto ao programa de luz. as poedeiras modernas necessitam pelo menos 16 horas de luz por dia. já que. Estas aves consomem mais de 80% da ração nas três primeiras e três últimas horas do período de luz em períodos de maior temperatura ambiente. deverá ser utilizado o nível nutricional econômico caso não haja compensação no preço dos ovos de maior tamanho. peso do ovo e massa de ovo de poedeiras comerciais Ao mesmo tempo. por outro lado. a maioria das aves estão em plena postura. pode afetar o tamanho dos ovos.28% na fase final de postura. sem esta preocupação. não funciona devido 153 .3: Curvas de produção.36% no pico para 0. as aves aumentam o nível de consumo de ração. Na verdade. Mesmo em condições de conforto a experiência prática mostra que estas aves conseguem consumir 50% de toda a ração diária nas 3 primeiras e 3 últimas horas de luz. estudo sobre estímulo de luz através de flaxes. no plantel que está em queda de produção. Pesquisas revelam que a redução dos níveis de fósforo das dietas de poedeiras na fase final de postura resulta em melhoria da qualidade de casca de ovo. Estes trabalhos indicam que níveis de fósforo disponível podem ser reduzidos de 0. durante a noite. Desta forma. tem-se tentado adequar os níveis de nutrientes com a finalidade de melhorar a produtividade dessas poedeiras. afetando a produtividade da poedeira.240% de metionina e 0. b) sugeriu-se a manipulação dos níveis de proteína. seria devido à maior necessidade para formar a casca como conseqüência do aumento do peso dos ovos de poedeiras velhas. Colnago et al.4. para se conseguir melhor qualidade de casca. para evitar o aumento do tamanho do ovo e. respectivamente. sendo que os padrões nutricionais estabelecidos para o melhor desempenho das aves modernas durante o primeiro ciclo de produção. energia e cálcio das dietas das poedeiras velhas. não permitindo o nível de ingestão de nutrientes para suportar a alta demanda para a formação do ovo. como relatado em várias pesquisas. fato também observado nas aves mudadas. Em trabalhos mais recentes (Rodrigues et al. reduziram mais os níveis de metionina e aminoácidos sulfurosos totais (AAST) da dieta. 154 . onde se estudou ao mesmo tempo níveis de metionina e AAST na fase inicial (4ª semana pós-muda) e final (34a semana pós-muda). conseguindo reduzir o peso dos ovos. Alves et al. seriam suficientes para manter a postura. mantiveram a qualidade da casca em ambas as fases estudadas e resultaram também em melhor qualidade interna dos ovos. as estatísticas de produção e consumo são reais. podendo chegar a valores até 12%. Com o avanço da idade.255 e 0. para a fase inicial e 0.8%. Desta forma. (1990).500% de AAST. (1995a) verificam que não existe a necessidade de se elevar o nível de cálcio dietético além de 3.586% de metionina e AAST.2 Nutrição de Poedeiras Comerciais Mudadas A muda forçada no Brasil e no mundo é uma realidade (mais de 25 milhões no Brasil e mais de 25% das poedeiras americanas). que resultaram em melhor qualidade de casca. O conteúdo de aminoácidos sulfurosos afeta normalmente o peso dos ovos. (1985) sugeriram nível de 0. e para a fase pós-pico de produção de poedeiras mudadas.315 e 0. nem sempre podem ser aplicados para galinhas no segundo ciclo.526% de metionina e AAST. que influencia na qualidade do ovo.ao limite de consumo imposto a ave. Petersen et al. Assim. Níveis de 0. Enquanto os níveis de cálcio têm aumentado. 11. as poedeiras aumentam o peso dos ovos sem aumentar a deposição de cálcio. utilizando 0. não sendo afetada a produção de ovos.. os níveis de fósforo têm reduzido nas dietas de poedeiras comerciais.546%. encontrou-se os níveis dietéticos de 0.250% de metionina na dieta. para melhor produção de ovos. O intenso melhoramento genético das poedeiras comerciais tem resultado em alta produção. No entanto. restringiu o consumo de metionina para 255 mg/dia. para a fase final. sendo que esta contém 37% de cálcio. a melhoria de qualidade de casca com níveis menores desses aminoácidos se deve a redução do peso dos ovos. As perdas de ovos por má qualidade da casca atingem mais de 6%. aminoácidos. A avicultura do Canadá é totalmente controlada não sendo permitido realizar muda forçada neste país. A idéia de se elevar a quantidade de cálcio ingerido segundo Keshavarz e Nakajima (1993). resultando em melhor qualidade de casca. Neste sentido. Rodrigues et al. acompanhando o desempenho registrado no primeiro ciclo de produção. cujos picos de postura são altos. Os ovos possuem aproximadamente 10% do seu peso em casca. Os níveis de cálcio e fósforo têm evoluído em sentidos contrários nos últimos anos. As aves mudadas apresentam certas características fisiológicas e de produção. Trabalhos realizados por Roland (1980 a. 1997). No entanto. níveis estes. Estes macroelementos estão estreitamente envolvidos na qualidade da casca dos ovos. (1983). melhorando a qualidade da casca. resultando ovos com casca cada vez mais fina. respectivamente. conseqüentemente reduzir os problemas de casca.280 e 0. Estudando níveis de PD. Níveis de vitamina C suplementar de 124 mg/kg melhoraram a produção de ovos na fase inicial de postura pós-muda. verificou-se que. contribuindo para uma melhor formação da casca.35% da fase de pico de postura para 0. prejudicando a formação da casca. Assim. reduziu linearmente a unidade Haugh (UH). Por outro lado.100 e 200 ppm (Rodrigues. Outros fatores que estão estreitamente relacionados à qualidade dos ovos dessas poedeiras são as vitaminas D e C. Por outro lado. além de influir negativamente no consumo alimentar. mas também de manejar a forma de oferecimento do cálcio. as aves não estavam em condições estressantes de temperatura ambiente. devido a variação na qualidade da albumina (aumento do pH). Trabalhos recentes indicam a necessidade de não só adequar os níveis de cálcio. Dronawt e Roland (1994) verificaram que o aumento dos níveis de PD ingeridos de 336 mg a 500 mg/dia. Oliveira et al. adequar a granulometria do calcário e sua solubilidade in vivo . por outro lado. Bertechini et al. quando havia calcário (cálcio) na moela à meia noite. Keshavarz e Nakajima (1993) indicam que níveis superiores a 2200 Ul/kg de D 3 não tem efeito na qualidade da casca. verificou que a adição de calcário pedrisco na dieta ou adicionado no comedouro à tarde. intrinsecamente envolvidos na formação da casca. principalmente na fase pós-pico de postura. melhorou significativamente a qualidade da casca dos ovos. houve redução linear na perda de ovos e aumento linear na UH quando se utilizou níveis de 0. (1994) restringiram a ingestão de PD para poedeiras comerciais de segundo ciclo observando que um programa alimentar com dois dias normais de ingestão e um restrito. Observando também melhorias significativas nos parâmetros de qualidade de casca. Rodrigues (1995) verificou que estes podem ser reduzidos de 0. leva a outros problemas como redução da retenção de manganês e zinco. O uso de vitamina C protegida 155 . havia a necessidade de maior remoção óssea (processo lento) e. particularmente quando o nível de cálcio da dieta estiver adequado. os ovos estavam calcificados após 6 horas da manhã. (1994b) indicam a necessidade de se elevar o nível de vitamina D3 suplementar para 2400 Ul/kg de ração. deve-se adequar a granulometria do calcário com a finalidade de retardar a sua passagem pelo trato digestório da ave. Outro fato fisiológico interessante neste aspecto de formação da casca é que a eficiência orgânica da ave em utilizar o cálcio proveniente do intestino delgado é maior do que o cálcio proveniente da reabsorção óssea.25% para a fase final de produção das poedeiras mudadas. Neste ensaio. verificando granulometria e horário de fornecimento adequado. conseqüentemente. 1995). uma série de trabalhos realizados no final do primeiro ciclo de produção indica a necessidade de se reduzir os níveis de PD da dieta para melhorar a qualidade externa e interna dos ovos. Neste trabalho. Resultados semelhantes também foram observados por Zapata e Gernat (1995) onde verificaram aumento na produção de ovos de 5% quando se elevou a suplementação de vitamina C até 250 ppm. os ovos estavam calcificados e prontos para a postura às 6 horas da manhã. No entanto. para melhor desempenho e qualidade da casca dos ovos e 2800 Ul/kg para melhorar a qualidade interna do ovo. Em relação a qualidade interna dos ovos. Níveis muito altos de cálcio utilizando calcário com granulometria abaixo de 1 mm. nas aves onde não havia cálcio na moela nesse horário. Estudos de Rodrigues et al. Não é interessante aumentar os níveis de cálcio da dieta para melhorar a qualidade da casca e sim. O papel do fósforo durante a formação da casca do ovo seria em parte a redução da acidose sanguínea. A utilização de granulometrias muito finas pode resultar em redução na retenção do cálcio. ao longo do processo de absorção e retenção do cálcio. (1995). tem melhorado significativamente a qualidade da casca. sugerindo a restrição alimentar para o aumento excessivo de peso corporal. apesar de esta poedeira ser mais leve. apesar desta característica genética das poedeiras semi-pesadas.6). a EM da ração ainda exerce influência no nível de consumo. 1993. Os frangos de corte 156 . estando de acordo com a expectativas de uma exigência de mantença um pouco maior para uma ave mais velha e de maior peso corporal.5 POEDEIRAS COMERCIAIS . TABELA 11. Bertechini et al.tem revelado o seu benefício na qualidade do ovo.1 Exigências Nutricionais Existem poucas informações atualizadas disponíveis na literatura quanto às exigências nutricionais de poedeiras de ovos de casca marrom. que sem dúvida é o maior problema com essas poedeiras. indica a necessidade de mais pesquisas para solucionar estes problemas com as aves de segundo ciclo de produção.100 marrons Estas aves possuem capacidade de consumir mais EM/dia do que as suas necessidades. nos trabalhos de pesquisa mais recentes. 1995) indicam um consumo médio em condições normais de temperatura ambiente.R.Ovos Marrons 11. as necessidades de EM destas aves segundo Sakomura (1989) para clima tropical é de aproximadamente 330 kcal/dia (valor obtido segundo a equação da Tabela 11.5. 1990. ou ainda utilizando dados adaptados do N.28 2. As exigências de EM destas aves está em torno de 360Kcal/ave/dia..10) na atualidade. falta a maioria das informações de necessidades de nutrientes para o segundo ciclo de produção. de aproximadamente 288 Kcal de EM/dia. taxa de postura de 87% e temperatura ambiente de 21ºC. 1994. Rodrigues. (1994) e das recomendações das próprias "Linhagens" comerciais. não trazendo informações específicas para aves mudadas. principalmente referente a níveis de proteína e aminoácidos.10: Desempenho médio de poedeiras comerciais de ovos brancos e marrons. 1995 e Oliveira. Considerando aves com peso médio de 1700 g. já que. Os nutricionistas têm extrapolado valores de exigências de galinhas Leghornias. praticamente não existem diferenças de nível de produção entre as poedeiras de ovos brancos e marrons (Tabela 11.. Por outro lado. ganho de 3 g/dia. Ao mesmo tempo. Quanto a necessidade de energia metabolizável (EM) diária. Estas poedeiras são mais pesadas e ingerem maior quantidade de ração para a sua mantença. As recomendações do NRC (1994) são para poedeiras comerciais de primeiro ciclo.20 1. 11. produzindo ovos com 60 g.C. resultado de tabulação de ingestão de energia diária de poedeiras mudadas em condições normais de temperatura de várias pesquisas (Alves et al. Por outro lado. Os resultados de pesquisas citados mostram a importância de se manipular os níveis dos nutrientes que mais afetam a qualidade do ovo no sentido de melhorar sempre este parâmetro.800 brancos Ovos 298 2. Oliveira. Conversão Peso ave (aos Poedeiras Nº de Alimentar 500 dias de de Ovos kg/kg idade) Ovos 305 2. 11).2 Matrizes de Poedeiras Leves e Semi-pesadas A nutrição das matrizes de poedeiras comerciais tem a finalidade básica de aperfeiçoar a fertilidade. Nutrientes Sintomas Comuns Vitamina B12 Mortalidade embrionária por volta de 8 a 14 dias de incubação.5. eclodibilidade a qualidade do pinto de um dia. deve-se aumentar a suplementação. Zinco Deficiências esqueléticas e emplumagem pobre no pintinho. com possibilidade de edemas e curvamentos dos dedos Tianina Mortalidade precoce e no final da incubação (19-21 dias) Cálcio e Fóforo Mortalidade embrionária nos estágios iniciais de incubação. Deformidades esqueléticas Continua.e as poedeiras comerciais leves possuem maior controle no nível ingestão de EM do que estas poedeiras. Deformidades nas pernas podem ser verificadas. principalmente das relacionadas a fertilidade e eclodibilidade (Tabela 11. Pico de mortalidade durante a 1a semana e últimos 3 dias da incubação. Manganês Mortalidade embrionária tardia (18-21 dias). 11. sendo dependente também das condições de temperatura... Qualidade da casca – eclodibilidade.falha no desenvolvimento do sistema circulatório Vitamina D3 Má formação da casca e sua porosidade Reduz a eclosão Vitamina E Mortalidade embrionária precoce (1 a 3 dias) Enciclopédia no embrião e diátese exsudativa Ácido Hemorragias subcutâneas pontotênico Biotina Redução na produção de ovos e eclodilidade. Scott et al (1982) e Leeson e Summers (1997) Pesquisas revelam por exemplo que o aumento da suplementação de vitamina E 157 .11: Sintomas de deficiências de vitaminas e minerais reprodutoras Nutrientes Sintomas Comuns Vitamina A Mortalidade embrionária (48 h) . A exigência de EM diária é satisfeita através do consumo voluntário. Apesar da falta de informações de níveis ideais para todas as vitaminas. As vitaminas representam ponto de destaque na nutrição das matrizes. TABELA 11. A adequada nutrição dessas aves é imperativo para o sucesso da atividade. das linhagens e do nível de produção aves. por estarem diretamente relacionada aos fatores citados. Embriões com asas e pernas pequenas (não desenvolvidas). melhora a transferência de imunidade a doenças para os pintinhos (Jackson e Law. 1975). é necessário adequar o consumo de ração para atender primariamente a taxa de postura. Programas de restrição alimentar devem ser aplicados nos períodos de criação e reprodução.1 Exigências Nutricionais Existem controvérsias a respeito das exigências nutricionais das matrizes pesadas.6. estas poedeiras podem consumir quantidades de EM muito além das suas necessidades para máxima produção de ovos. várias pesquisas recentes indicam que estas exigências podem ser diminuídas a valores próximos de 380 kcal/ave/dia para se conseguir máxima produção de ovos. 1983). Devido a este fato. com bons resultados de desempenho.6 MATRIZES PESADAS Estas aves possuem características fisiológicas que determinam maiores consumos de ração visando o seu aumento de peso. levando-se em conta principalmente os ligados à produtividade destas aves. Cada empresa avícola trabalha com características de desenvolvimento das aves. ainda permanece o modelo de cruzamentos alternativos de raças puras. 158 . quantitativa ou a associação das duas além de períodos de restrição ao acesso a alimentação. A restrição alimentar destas aves. 1951. com a finalidade de reduzir peso corporal e a mortalidade. melhorar a eficiência alimentar. pode ser qualitativa. Ao nutricionista neste caso cabe a interpretação e a aplicação prática destes conhecimentos. com a introdução de híbridos comerciais de alto potencial genético para deposição de carne magra e com alta eficiência. Na Tabela 1 são indicados os ganhos de carne magra de suínos classificados de acordo com o seu potencial de produção. 11. Os padrões nutricionais são elaborados pelas empresas avícolas que detém a genética e indicam as necessidades de nutrientes para cada fase de desenvolvimento e produção das aves. A vitamina C exerce papel importante em condições de estresse calórico. Por outro lado. 12 NUTRIÇÃO APLICADA DE SUÍNOS A suinocultura tem tido considerável desenvolvimento no Brasil.para matriz. 11. As finalidades principais da nutrição das matrizes pesadas são de otimizar a produção de ovos férteis de bom tamanho e de alta eclodibilidade. As exigências de EM de matrizes pesadas está em torno de 400 a 450 kcal/ave/dia. melhorando a produção e qualidade da casca do ovo (Pebles e Brake. a produção e a fertilidade dos ovos. TABELA 1 – Classificação dos suínos de acordo com seu potencial de produção de carne 1. resultando em diferenças nos planos de alimentação. Quanto às necessidades de energia. sendo que dieta das reprodutoras têm notável efeito sobre a viabilidade subseqüente dos pintos (Peeler et al. ). A vitamina B12 é exigida para a eclodibilidade dos ovos. Ao mesmo tempo. Patl e Maginnis. As formulações de rações para estes animais. para poder recompor as necessidades para melhor desempenho desses animais. como exemplo. as necessidades nutricionais dos suínos são baseadas em ensaios experimentais com dietas a base nestes ingredientes. sendo a fração gordura representando em média 7. deve ser realizado vários ajustes. g/dia Elevado > 340 Médio 275 a 340 Baixo < 275 1 Universidade de Oklahoma /PIC Os híbridos modernos são mais precoces e devem ter a sua nutrição diferenciada no sentido de se poder explorar o seu máximo desempenho.1 CARACTERÍSTICAS FISIOLÓGICAS DOS SUINOS MODERNOS No nascimento os leitões apresentam porção muscular em mais da metade do seu peso corporal. devido a linha de ação genética de cada um. inclusive nos níveis nutricionais de suplementação de vitaminas. o importante é a seleção dos ingredientes com base na sua composição nutricional. resulta em menor necessidade de ingestão de energia para o ganho de peso. Do ponto de vista das formulações. a quantidade de nutrientes necessários para este fim é minimizado quando se observa condições de ambiente favoráveis ao crescimento do animal. Assim.5% do total. maior espaço nas criações. Normalmente possuem maiores necessidades para mantença e crescimento do tecido magro (proteína) e menores necessidades para acréscimos de gordura na carcaça. Existem animais com grande capacidade de ingestão de alimentos. Por outro lado. No entanto. O maior acréscimo de carne magra. O mercado brasileiro. Os suínos híbridos de alto potencial de ganho de carne magra. qual tipo de tecido que o animal está depositando (gordura ou carne). A formulação com base nos aminoácidos digestíveis seria indicado também nestes casos. existem animais com baixa capacidade de consumo. As fórmulas baseadas em milho e farelo de soja. a sua disponibilidade de mercado e o seu preço. Animais que apresentam maior velocidade de ganho de peso. os animais de maior potencial de deposição de carne magra. Potencial Ganho de carne magra. Este conteúdo vai aumentando durante o crescimento do animal podendo chegar a metade do seu peso corporal. são as mais adequadas. vão ganhando cada vez mais. se comportando bem com dietas contendo menor nível energético. é preciso conhecer a fisiologia de crescimento dos animais para observar tanto a velocidade de crescimento como também. Do outro lado estão os consumidores. que implica na necessidade de elevar os conteúdos nutricionais da ração. Assim. possui híbridos com características nutricionais e de alimentação diferentes. crescerão mais rápido e o gasto de nutrientes para 159 . Além deste fato. 12. que exigem carcaças mais magras. a inclusão de qualquer outro substituto ou alternativo. de maneira que. devido a uma combinação de nutrientes complementares que estes dois ingredientes apresentam. para suportar uma adequada ingestão dos nutrientes necessários. requer entendimentos com referência às reais necessidades nutricionais para melhor expressão do seu potencial genético e a qualidade dos ingredientes. As necessidades de manutenção podem ser variáveis. possuem a sua fisiologia de crescimento diferenciada em relação aos animais de menor potencial. TABELA 2 .272 0.09 18.516 0.050 Exemplo de uso da tabela 2 Fase 30-60 kg POTENCIAL GENÉTICO MÉDIO ALTO Macho Fêmea Macho Fêmea ED. com grande capacidade de consumo.185 0.194 Triptofano 0.547 0. ainda persiste problemas relacionados com esta característica.% 17.170 0. considerando estes fatores. indesejável para o consumidor. O sexo do suíno também pode afetar o tipo de carcaça a se produzir.145 5. os machos inteiros não podem ser abatidos como tal por problemas de odores da carne durante cozimento. caso não se tome medidas nutricionais para resolver este problema. resultando neste caso. em melhor conversão alimentar do rebanho. 1998). Nas Tabelas 2 e 3 são apresentadas algumas recomendações para criação de machos e fêmeas separadas a partir de 30 kg de peso vivo de acordo com o potencial genético. os machos castrados consomem mais ração.283 0.225 0. afetando assim o crescimento e a idade de abate.050 0.154 0.962 1.169 Treonina 0.mantença será menor. Fase 30-60 kg POTENCIAL GENÉTICO MÉDIO ALTO NUTRIENTES Macho Fêmea Macho Fêmea Proteína 5. crescem mais rápido e apresentam pior conversão alimentar e menor percentagem de carne magra do que as fêmeas. fatores que prejudicam os criadores.225 0.Recomendações nutricionais médias para suínos de médio e alto potencial de ganho de peso sendo os aminoácidos na forma total e expresso em %/Mcal de ED da ração (Adaptado do NRC. Já as linhagens selecionadas para crescimento rápido.225 Fósforo total 0.162 0. O potencial maior de deposição de carne magra está com os machos inteiros. As diferenças sexuais de exigências nutricionais são mais pronunciadas a partir de 50 kg de peso vivo.052 0. A criação com sexos separados pode ser vantajosa.052 0.957 0.% 0. pode resultar em animais com baixa capacidade de consumo. seguidos pelas fêmeas e os machos castrados.184 0. Por outro lado.161 0.285 0.170 Sódio 0. Quanto a consumo. Quando se faz seleção somente para carne magra e não para ganho de carne magra.23 18.170 0. Apesar de todo esforço da genética para produzir animais com carcaças com mais carne magra.050 0.170 0.225 0.010 Met + Cis.630 Lisina 0.353 5.% 0.543 0.575 160 .050 0.050 0.20 19. Verifica-se que as necessidades nutricionais das fêmeas se aproxima das do macho inteiro. segundo informações adaptadas do NRC (1998). pode levar a maior deposição de toucinho.054 Cálcio 0.911 0.14 Lisina. Kcal/kg 3350 3350 3400 3400 Proteína.297 Met + Cis 0. Estas diferenças de crescimento podem chegar a 15 % na fase de terminação. aliado também a melhor resposta das fêmeas quando se eleva os níveis de energia das rações. como relata Fuller (1988).400 5.177 0. 475 0.% 0.046 0.754 0.% 0.155 A deposição de tecido muscular depende diretamente da genética e do suporte adequado de nutrientes para alcançar o potencial máximo.475 0.167 0.037 0. Na fase de terminação.170 TABELA 3.680 0.174 0.765 Fósforo total% 0.578 Sódio.395 0. neste caso.190 0.150 Triptofano 0. Treonina.676 0.456 0.475 0.% 0. os animais conseguem ingerir mais alimento que é necessário para atingir o potencial máximo de deposição de carne.190 0.140 Sódio 0. é transformada em gordura e.240 4.% 0.135 0.155 0.037 0.578 0.475 Sódio.754 0.32 14.% 0.Exigências nutricionais médias para suínos de alto potencial de ganho de peso sendo os aminoácidos na forma TOTAL expresso em %/Mcal de ED da ração (Adaptado do NRC. 161 . Os suínos gastam normalmente 4 vezes mais alimento para produzir um quilograma de gordura em comparação a carne magra.% 0.155 0.% 0.755 Met + Cis. Neste caso.200 0.650 0.570 0.238 4.190 0.42 16.046 0.61 14.026 4.650 Fósforo tot.398 0.% 0.125 0.433 0.140 0.642 0.% 13.650 0. a conversão alimentar piora sensivelmente.167 0.510 Triptofano.442 Treonina.125 0.117 0.041 Cálcio 0.046 0.140 0.140 0. 1998).375 0.190 Fósforo total 0.184 Cálcio.046 Exemplo de uso da tabela 3 Fase 60-100 kg POTENCIAL GENÉTICO MÉDIO ALTO Macho Fêmea Macho Fêmea ED.660 Triptofano.117 0.626 0.111 0.177 0. é preciso adequar os níveis de energia e nutrientes para evitar que os excessos possam prejudicar a qualidade da carcaça. Por outro lado. além dessa capacidade.130 Treonina 0.765 0.170 0.650 0.134 0. Fase 60-100 kg POTENCIAL GENÉTICO MÉDIO ALTO NUTRIENTES Macho Fêmea Macho Fêmea Proteína 4.155 0. Kcal/kg 3380 3380 3400 3400 Proteína.168 0.128 0.% 0.139 Cálcio.200 0.706 Lisina 0.620 0.% 0.00 Lisina.593 0.118 0.222 Met + Cis 0.035 0.190 0.% 0.459 0.570 0. o excesso de consumo de nutrientes. e não no período da manhã. a eficiência de utilização dos nutrientes. FIGURA 3. estabilizando por volta de 60 kg de peso vivo. FIGURA 2 . estabilizando também a partir de 60 kg de peso vivo dos animais.75). Curva de consumo de ração dos suínos criados para abate A freqüência com que os animais vão ao comedouro reduz com o avançar da idade dos animais (Figura 3). cada vez que freqüenta o comedouro. O nível de consumo de animais em grupo é bem maior do que quando está alojado individualmente (De Haer e Urias. foram realizados em ambiente com temperatura controlada e próxima da média da zona termoneutra para estes animais. Nível de consumo de ração nas 24 horas do dia EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS As exigências nutricionais dos suínos híbridos modernos. Através de sensores localizados na orelha dos animais e com comedouro especial acoplado ao computador. a propensão para deposição de gordura. porém. FIGURA 5 . havendo estabilidade de ingestão de ração a partir de 60 kg de peso vivo. animais com seleção para ganho máximo. como era de se esperar. dependem de uma série de fatores que inclui o potencial genético de crescimento de tecido magro. FIGURA 1 Modelo para avaliação do comportamento de consumo em suínos A curva de consumo de ração (Figura 2) segue as necessidades relacionadas ao peso metabólico dos animais (Peso vivo 0. que. pode-se realizar um trabalho interessante quanto ao comportamento de consumo dos animais (Figura 1).. De maneira geral. 1999). é que os animais atingem o maior consumo de ração por volta das 2 horas da tarde. Por outro lado. Existe uma diminuição das atividades de movimentação na baia com o avançar do peso vivo dos animais. Quantidades consumidas por vez ao comedouro Outro fato interessante quanto ao comportamento de consumo. Animais normalmente selecionados para menor teor de gordura na carcaça possuem também baixo nível de consumo de ração. O comportamento de consumo depende das características genéticas das linhas comerciais. porém. com problemas de deposição de gordura que 162 . Convém ressaltar também. a seleção genética para ganho de tecido magro leva em consideração dois fatores importantes. condições de ambiente. aumenta a quantidade ingerida (Figura 4). estes ensaios. Assim. outros fatores podem ser importantes para se obter ingestão adequada de nutrientes. 1993) e depende também do número de entradas no comedouro. possuem maior capacidade de consumo. levando a altos ganhos. al. Visitas ao comedouro até 120 dias de engorda FIGURA 4 . entre outros (Baker et. porém. Rostagno et al. (1981). segundo o N. pode-se estimar os valores e EM para os alimentos. poderão estar ingerindo mais gramas de proteína ou outros nutrientes. As recomendações nutricionais dos suínos podem ser encontradas em várias tabelas como A. (2000). INRA (1989). No entanto efeitos indesejáveis também podem ocorrer quando os suínos consomem pequenas quantidades ração com alto nível energético. em relação ao tamanho metabólico do animal. pois isso. O aumento do conteúdo energético da ração resulta em aumento nesta característica. (1998). a semelhança das aves.C. Os suínos adultos possuem o intestino grosso desenvolvido. Estes animais.E.1998).[0. com deposição de gordura na carcaça. ocorre prejuízo. resulta em menores necessidades de energia por quilograma de ganho de peso. propiônico e butírico. Suínos consumindo maiores quantidades de alimento em dietas com menores conteúdos de energia.. quando comparadas com animais que necessitam depositar maiores quantidades de gordura na carcaça.1 ENERGIA As necessidades de energia para suínos podem ser expressas em ED ou EM. para se obter bom desempenho nestas categorias. 3.podem ser minimizados com alteração da concentração energética da ração ou limitação do consumo diário. segundo Kass et al.R. Estes animais regulam a sua ingestão energética de acordo com as suas 163 . principalmente a região denominada cólon. As dietas de matrizes em gestação. (1980) e Kennelly et al. O nível de energia das rações de suínos exerce papel importante no seu desempenho.202 x % PB]). normalmente são de baixa ED (3250 kcal/kg) com altos de fibra (5-6%). a partir desse ponto. devido a maior deposição de tecido magro e água conjuntamente. além de esta determinação ser mais fácil do que a de EM. além das indicações das linhagens comerciais.R. Essa contribuição pode variar de 5 a 28% das exigências de mantença dos animais.C. a partir da fórmula. N. sendo apresentados valores nutricionais em %/Mcal de ED da ração. para facilitar formulações diversas quanto ao conteúdo de energia. consomem certas quantidades de ração para atender primariamente suas necessidades de energia. (1981): EM = ED x (96 . Estes animais. existe um nível máximo que deve ser observado (plateau) e. Nas Tabelas 1 e 2 estão as recomendações nutricionais médias sugeridas para suínos (N. As necessidades de energia dos suínos híbridos modernos são menores. Por outro lado. segundo Quiniou e Noblet (1977). Por outro lado. (1987). poderá limitar consumo de outros nutrientes. Existe preferência no uso de ED devido ao maior número de dados desta unidade para maior número de ingredientes. não afeta o número de leitões vivos.C. sem nenhum benefício à produção. do que sua exigência. podendo influenciar no peso ao nascimento. que podem ser absorvidos e contribuírem com parte das necessidades de energia de mantença. tipo acético. pesquisas revelam que elevar o nível de ED de dietas de matrizes em gestação. o nível de energia da ração é determinante da taxa de ganho de tecido magro. Dietas com altos teores de energia normalmente são para matrizes em lactação e leitões nas fases pós-desmama e início do crescimento.C.R. No entanto. e. podendo ser prejudicial à eficiência da dieta. onde ocorre fermentação anaeróbica. produzindo ácidos graxos voláteis (AGV). 053 0. além de evitar que a fêmea engorde muito.063 0.385 0.223 0.189 0.142 Na 0. consomem certas quantidades de ração para atender primariamente suas necessidades de energia.135 TRI 0. Por outro lado.289 0. a semelhança das aves. resulta em elevação da taxa ovulatória. levando em consideração as necessidades de acordo com a energia e faixa de peso dos animais segundo o NRC (1998).24 LIS 0.252 0.173 0. com redução do número de leitões nascidos.)1 Fases Nutrientes Pré-inicial Inicial Cresciment Terminação o Peso Vivo (kg) 5 . Níveis altos de energia em rações de matrizes logo após a concepção pode acarretar morte embrionária.166 0. A utilização de rações de menor conteúdo energético para as porcas em gestação resulta em menores custos de produção do leitão. para se obter bom desempenho nestas categorias. porém. e.49 4. Estes animais. podendo influenciar no peso ao nascimento.38 5.206 0.047 0. Dietas com altos teores de energia normalmente são indicadas para matrizes em lactação e leitões nas fases pós-desmama e início do crescimento. pois isso. Suínos consumindo maiores quantidades de alimento em dietas com menores conteúdos de energia. pesquisas revelam que elevar o nível de ED de dietas de matrizes em gestação. 164 .170 Pt 0.necessidades.97 6.056 0. As dietas de matrizes em gestação. principalmente para os genótipos com maior capacidade de consumo. No entanto. normalmente são de baixa ED com altos de fibra.R.227 0.037 Ca 0. sem nenhum benefício à produção. podendo ser prejudicial à eficiência alimentar da dieta.195 0. poderá limitar o consumo de outros nutrientes.10 10 – 30 30 – 60 60 –100 %/ Mcal de ED da Ração PB 6. Na Tabela 3 estão apresentadas as equações de exigências nutricionais de suínos híbridos modernos para máximo desempenho.070 0.052 0.256 0. não afeta o número de leitões vivos.V. De maneira geral o nível de energia das rações de suínos exerce função importante no seu desempenho.274 0. as rações com maiores teores de energia são de maior densidade nutricional e menor incremento calórico.353 0. do que sua exigência. podendo prejudicar o parto.200 MET + CIS 0. prejudicando a qualidade da carcaça. poderão estar ingerindo mais gramas de proteína ou outros nutrientes.116 TER 0. TABELA 1 Recomendações nutricionais médias para suínos (de 5 a 100kg de P. Por outro lado. sem afetar o número de leitões nascidos vivos. efeitos indesejáveis também podem ocorrer quando os suínos consomem pequenas quantidades de ração com alto nível energético. levando o animal a exceder as suas necessidades energéticas. (1998).200 0.201 0.C. alta ingestão de energia na fase pré-ovulação.038 1/ Valores adaptados do N. 0.C.99 Lisina Y = 0.047 0.001413 x 0.2 LIS 0. é preciso observar que para linhas genéticas de alto consumo de ração. Nestas fases. Nutriente Equações r2 Proteína Bruta Y = 7.035775 x 0.R.405 .99 Met + Cis Y = 0. para evitar acúmulo de gordura e piora acentuada na conversão alimentar. a restrição alimentar ou o uso de rações com menor conteúdo de energia na fase final da terminação é importante. os níveis de energia não sejam extremos como abaixo 3150 e acima de 3550 kcal de ED/kg de ração.258 0.0. através da variação do nível de consumo da ração. 1983).104 0.194 0. devido principalmente ao gasto metabólico desta deposição. lactação e reprodutores1 Categorias Nutrientes Gestação Lactação Reprodutores %/ Mcal de ED da Ração PB 3. Nas fases de crescimento e terminação. que pode variar em função do custo da energia da ração. o suíno consegue manter o nível de ingestão de energia. a elevação do nível de energia da ração causa redução do consumo e melhoria conversão alimentar.99 Treonina Y = 0.240 PT 0.305 0.99 Cálcio Y =0. resulta em maior deposição de gordura na carcaça.142 TRI 0.001542 x 0. No entanto.050 1/ valores adaptados .133 0.98 Fósforo total Y = 0.29 4.186 Na 0.99 Triptofano Y = 0. Tabela 3 Equações de exigências nutricionais para suínos da desmama ao abate 1 .98 165 .147 0. importante é a redução do custo por unidade de ganho.001372 x 0.190 0.115 TER 0.040 Ca 0.057 0. Animais em serviço deve aumentar o consumo de energia através do aumento da quantidade de ração diária. TABELA 2 Recomendações nutricionais médias para matrizes em gestação.002556 x 0. para evitar que ganhe muito peso e prejudique as coberturas. rações com altos teores de energia na fase de terminação. Os reprodutores devem receber ração com nível baixo de energia. N.25872 – 0.208476 .. quando se observa a relação nutriente/ caloria das dietas.271947 .026 0. (1998). além de prejudicar a qualidade da carcaça.000452 x 0.0. não tendo efeitos significativos sobre ganho de peso.07289 – 0. o que. Assim.2298 .6 5.201 MET + CIS 0. pode ser prejudicial para a classificação da mesma (Bertechini et al.079 0.100 .0.263 0. desde que.00086 x 0.183 0.055 0.0. Nestas fases. dependendo do perfil de ingredientes utilizados na base de cálculo e a fase de criação. enquanto que. MANEJO NUTRICIONAL NA REPRODUÇÃO As fêmeas híbridas modernas têm apresentado altas taxas de crescimento. até 23%. que são a de proporcionar quantidades de aminoácidos essenciais para manter o metabolismo orgânico e nitrogênio. 166 . X = peso vivo médio na fase (Kg) Equações adaptadas do NRC (1998). Apesar das tabelas de recomendações de exigências indicarem os níveis de proteína que podem ser praticados.76 1/ Y= % do nutriente/Mcal de ED da ração. 3. temperatura ambiente.2 PROTEÍNA E AMINOÁCIDOS As exigências protéicas de suínos variam de acordo o estágio fisiológico. da ingestão correta de energia e outros nutrientes. O nível protéico da dieta pode variar de 12%. devendo dispensar maiores cuidados na hora da formulação das rações para estes animais.000248 x 0. Este aspecto deve ser levado em conta quanto ao período ideal para se realizar a primeira cobertura. são provenientes de linhagens com maior ganho de tecido magro. O milho. os leitões na fase pós-desmama. Sódio Y = 0.058686 x . Por outro lado. A pergunta seria de quanto se poderia reduzir o nível protéico? A resposta está na suplementação dos aminoácidos limitantes em quantidades e número deles. para a biossíntese dos aminoácidos dieteticamente dispensáveis. são mais sensíveis quanto a mudanças do nível de consumo dos aminoácidos essenciais. É.100 Kg de peso vivo).30 Kg de peso vivo) e chegar a 50% de uma ração de terminação (60 . função fisiológica.0. sexo. pode contribuir com 30% da proteína de uma ração inicial (15 . é possível reduzir estes níveis através da adição dos aminoácidos limitantes. possível por exemplo reduzir o nível protéico de uma dieta em função da adição de lisina e metionina sintéticos. em comparação com as gestantes. necessitam aproximadamente 3 vezes mais desse aminoácido/ kg de peso vivo do que os suínos na de terminação. que representam a 1ª e 2ª limitação prática em rações a base de milho e farelo de soja. poderia se reduzir mais ainda caso adicione o 3º limitante que poderá ser a treonina ou o triptofano. por exemplo. em dietas pré-inicial de leitões. entre outras. indicado para porca em gestação. O nível de proteína das dietas de suínos suporta duas finalidades básicas. Os animais com maior taxa de ganho de tecido magro. As necessidades de aminoácidos são altas para porcas em lactação e leitões nas fases pré-inicial e inicial de crescimento. O bom desempenho dos suínos depende não somente de quantidades adequadas de aminoácidos essenciais bem como. resultando em matrizes precoces quanto ao peso e com baixos teores de reserva lipídica para sustentar bom desempenho reprodutivo inicial. Normalmente. exigem quase 4 vezes mais gramas de lisina. por exemplo. as fontes de energia das rações contribuem com certas quantidades de proteínas para as rações dos suínos. Porcas em lactação. 5 kg de ração por dia. deve-se reduzir a quantidade de ração da porca para reduzir a produção de leite e favorecer a secagem posterior mais rápida. podendo ocorrer valores superiores a estes.000 kcal de ED por dia. Após inseminação. onde.04 1800 5472 304 A nutrição adequada e a genética são os dois fatores responsáveis pelos altos índices de desempenho que experimenta os suínos híbridos modernos. esta quantidade deve ser reduzida para 1.80 2400 6720 280 23 2. durante a fase embrionária (0 a 21 dias). as necessidades nutricionais são pequenas e deve-se controlar o consumo de 167 .76 2500 6900 276 24 2. deve- se fornecer 3 kg de ração por dia de alta energia. com a finalidade de aumentar a taxa ovulatória. 2 dias que a precede.96 2000 5920 296 19 3.5 Kg de ração (gestação) por dia. Tabela 6 Desempenho reprodutivo e produtividade do plantel. dependendo do manejo da granja. estão apresentados dados que evidencia a produtividade de um plantel.88 2200 6336 288 21 2. reduz-se para 2 a 2. A fase de pré-gestação nas matrizes adultas se inicia após o desmame e vai até a concepção (período de serviço). para haver um consumo de pelo menos 10. No flushing. Portanto. A partir deste período. Gasto de Suínos Conversão kg de suínos Gasto total de ração por Terminados alimentar do produzidos ração do suínos por matriz/ano rebanho por ano rebanho por ano terminado 25 2. durante o período de 3 a 4 dias. O manejo nutricional indicado nesta fase inicia-se antes da desmama. que. haveria um aumento do número de leitões nascidos entre 1 e 2 por leitegada. pois. Assim. que representa a gestação propriamente dita. não afetaria a produtividade do plantel. O sucesso da criação dos suínos depende diretamente da eficiência reprodutiva do rebanho. Após desmama. ocorre uma pequena dilatação do intervalo entre partos.84 2300 6532 284 22 2. relacionados com o número de suínos produzidos por cada matriz no período de um ano. com a finalidade de secar o leite da porca.92 2100 3132 292 20 2. Apesar da desmama indicada ser de 21 dias. deve-se reduzir a ingestão calórica. durante 3 a 4 dias. 2 dias pré-desmama. o pico de produção de leite ocorre neste período. 3. inicia-se o flushing. Na tabela 6.1 NUTRIÇÃO NA PRÉ-GESTAÇÃO E GESTAÇÃO A formação de uma boa matriz depende de manejo nutricional adequado durante a fase de criação para se obter bom desenvolvimento corporal e peso ideal para a primeira inseminação. Durante a fase fetal (21 a 114 dias). Para desmama aos 28 dias.00 1900 5700 300 18 3. altos níveis de consumo de energia provocam alta mortalidade dos embriões. O manejo adequado na reprodução é importante em todos os seus segmentos. 3. Após o parto. Não adianta elevar a taxa ovulatória para aumentar o número de leitões nascidos vivos. no terço final da gestação. o excesso de ingestão calórica pode levar a acúmulo de gordura na glândula mamária e desta forma. sempre objetivando a futura produção de leite na fase de lactação. Pesquisas recentes indicam que o número de células secretoras da glândula mamária é determinada durante os últimos 50 a 60 dias pré-parto. O nível de fibra bruta da ração de gestação deve ser pelo menos 5 %. tem como objetivo. eliminar a maior parte do conteúdo do intestino grosso. Esta perda de peso é maior ou menor. favorece o anabolismo orgânico. se não se prioriza também a alimentação durante a lactação. Inicialmente ela não consegue ingerir toda a ração de que necessita. Pesquisas evidenciam maiores pesos à desmama e maior uniformidade dos leitões à desmama para matrizes que receberam rações com altos conteúdos de energia em relação às que ingeriram menores quantidades de energia diária. Este manejo quando bem orientado pode reduzir o tempo de parto e evitar transtornos que possam causar natimortos. lembrando-se da adequação deste. o manejo da alimentação deverá seguir as necessidades (capacidade) da matriz. Desta forma. lisina e rica em minerais e vitaminas. durante esta fase. A matriz necessita de ingerir ração com altos teores de energia. O consumo de energia nesta fase é muito importante para determinar o escore corporal desejado. melhorando a eficiência no aproveitamento dos nutrientes. pois. O aumento do número de leitões implica também em aumento da produção de leite para manter o peso e a uniformidade da leitegada. Porcas muito magras no final de lactação indicam ingestão insuficiente de nutrientes e principalmente energia. dependendo do aporte nutricional que a ração oferece.2 FASE DE PARTO E LACTAÇÃO A alimentação pré-parto tem a finalidade de favorecê-lo. A ração de lactação deve ser especial. favorecendo assim. reduzindo a longevidade e a produtividade da matriz. A palatabilidade da ração também pode influenciar no nível de consumo. Pode-se desmamar até 12 leitões/porca. que levariam também a problemas metabólicos após o parto. O metabolismo gravídico da matriz durante a gestação. porém. obstruindo a multiplicação das células secretoras e prejudicando a capacidade de produção de leite durante a lactação. até o limite de consumo diário. o uso de ração com altos teores de farelo de trigo (alta higroscopicidade intestinal) 2 a 3 dias que antecede o parto. sendo que deverá ser aumentada a quantidade. a expulsão dos fetos durante o parto..nutrientes em função do escore corporal de cada matriz. prejudica o intervalo entre partos. Cuidados com o escore corporal devem ser constantes. a matriz ainda remove reservas orgânicas para aumentar ao máximo a sua produção de leite. a 168 . para evitar matrizes muito gordas. com a finalidade de exercitar o trato gastrintestinal. Por outro lado. onde a movimentação da matriz bem como o acesso ao verde é limitado. A queda muito rápida de peso durante a lactação. principalmente no sistema de confinamento total. Mesmo com altas ingestões de energia. seria indicado iniciar com esta dieta antes do parto para maior adaptação alimentar. Nos casos de baixa capacidade de consumo na lactação. onde as necessidades aumentam em relação a fase anterior. a produção de leite está diretamente relacionada com a sua qualidade. A capacidade de produção de leite da matriz está correlacionada com o período de gestação. evitando sobras que possam fermentar. 133 0.120 0.046 0. altas ingestões de energia na fase pré-ovulação.128 0.341 0.15 0. Níveis altos de energia em rações de matrizes logo após a concepção pode acarretar morte embrionária.236 %/ Mcal de ED da Ração Ca 0. evitando reprodutores obesos que prejudicaria o seu desempenho reprodutivo. caso não se tome o cuidado durante a fase de amamentação.201 MET + CIS 0.079 0. as porcas em lactação não conseguiriam suficiente caloria para manter alta produção de leite. com redução do número de leitões nascidos.040 ARG 0. lactação e reprodutores1 Nutrientes Categorias Gestação Lactação Reprodutores %/ Mcal de ED da Ração PB 3.125 0.25 0.170 0.25 Fé 60 100. Nas granjas modernas onde se adquire machos já formados. A utilização de rações de menor conteúdo energético para as porcas em gestação resulta em menores custos de produção do leitão.C.258 0.335 0.147 0.121 HIS 0.186 Na 0.142 TRI 0. Não fosse a reserva energética durante o metabolismo gravídico.6 5.0 15.305 0.0 Mn 15. Por outro lado. AEC (1987). sem afetar o número de leitões nascidos vivos.0 I 0.115 TER 0.190 0.263 0.026 0. também não devem ser esquecidos quanto ao manejo alimentar.173 FEN + TIR 0.3: Recomendações nutricionais médias para matrizes em gestação.2 LIS 0. TABELA 12.194 0. resultam em elevação do número de folículos ovulados.R.0 Zn 60 100.212 ILE 0.053 Mg / kg de Ração Cu 10. Os machos reprodutores. seria importante realizar o manejo indicado pelos fornecedores. podendo prejudicar o parto.047 0.173 0.261 0.0 Se 0.0 80.042 0.134 VAL 0. chegando a 80% das necessidades totais.0 15. por outro lado.15 1) valores adaptados de Rostagno et al.0 80.055 0.183 0.25 0. (1993).15 0.103 0.0 10. A remoção destas 169 . (1998) Na fase de lactação. as exigências para produção de leite é muito alta. deve-se dispensar maiores cuidados com os níveis de energia e lisina da ração.082 LEU 0.240 PT 0.desuniformidade destruiria este índice.104 0.057 0.29 4.0 10. As necessidades energia para a mantença de porcas em lactação é semelhante das que estão em gestação. além de evitar que a fêmea engorde muito. N.140 0. sexo. etc. resulta em maior deposição de gordura na carcaça. para a biossíntese dos aminoácidos dieteticamente dispensáveis. O nível protéico da dieta pode variar de 12%. as fontes de energia das rações contribuem com certas quantidades de proteínas para as rações dos suínos. No entanto. principalmente em condições de estresses calórico. Nestas fases. Por outro lado.. através da variação do nível de consumo da ração. a elevação do nível de energia da ração causa redução do consumo e melhoria conversão alimentar. É. Porcas com peso inadequado ao parto. que pode variar em função do custo da energia da ração.reservas auxilia a produção de leite.30 Kg de peso vivo) e chegar a 50% de uma ração de terminação (60 . principalmente quando em temperaturas ambiente elevadas. como uréia. Nutricionalmente. Nas fases de crescimento e terminação. para evitar que ganhe muito peso e prejudique as coberturas. poderia se reduzir mais ainda caso adicione o 3º limitante que poderá ser a treonina ou o triptofano. Animais em serviço deve-se aumentar o consumo de energia através do aumento da quantidade de ração diária. O nível de proteína das dietas de suínos suporta duas finalidades básicas. ter a sua leitegada com baixo peso aos 21 dias de idade. Nestas fases. onde estas fêmeas não conseguem ingerir suficiente quantidade de energia para tal. 170 . engloba várias substâncias com composição química semelhante porém.100 Kg de peso vivo). dependendo do perfil de ingredientes utilizados na base de cálculo e a fase de criação. até 23%. biureto. temperatura ambiente. Os reprodutores devem receber ração com nível baixo de energia. por exemplo.1 PROTEÍNA E AMINOÁCIDOS As exigências protéicas de suínos variam de acordo o estádio fisiológico. que representam a 1º e 2º limitação prática. da ingestão correta de energia e outros nutrientes. função fisiológica. indicado para porca em gestação. 1983). o suíno consegue manter o nível de ingestão energia. que são a de proporcionar quantidades de aminoácidos essenciais para manter o metabolismo orgânico e nitrogênio. Seria o nitrogênio contido nos aminoácidos não essenciais presentes nas dietas. 12. Normalmente. não tendo efeitos significativos sobre ganho de peso. O milho. é possível reduzir estes níveis através da adição dos aminoácidos limitantes. O termo proteína. pode ser prejudicial para a classificação da mesma (Bertechini et al. os níveis de energia não sejam extremos como abaixo 3150 e acima de 3550 kcal de ED/kg de ração. entre outras. em dietas pré-inicial de leitões. pode contribuir com 30% da proteína de uma ração inicial (15 . o que caracteriza as proteínas é a sua composição em aminoácidos. Ressalva deve ser feita sobre este nitrogênio. desde que. com funções fisiológicas muito distintas. importante é a redução do custo por unidade de ganho. A pergunta seria de quanto se poderia reduzir o nível protéico? A resposta está na suplementação dos aminoácidos limitantes em quantidades e número deles. possível por exemplo reduzir o nível protéico de uma dieta em função da adição de lisina e metionina industriais. O ótimo desempenho dos suínos depende não somente de quantidades adequadas de aminoácidos essenciais bem como. o que. Apesar das tabelas de recomendações de exigências indicarem os níveis de proteína que podem ser praticados. quando se observa a relação nutriente/ caloria das dietas. rações com altos teores de energia na fase de terminação. que não pode ser o não protéico. 0 Sulfato de cobre (25%) 40. recomenda-se duplicar as recomendações das tabelas para evitar o aparecimento paraquetose nos leitões.2 MINERAIS Vários fatores influenciam na mineralização dos suínos através da dieta. A presença fitatos nos ingredientes vegetais. A adequada soma de cálcio e fósforo bem como a relação entre os dois.0 Sulfato manganoso 57. por exemplo. entre outros. Nas Tabelas 12. raspa integral de mandioca.6 estão apresentados exemplos de programas de alimentação para porcas em lactação suínos de 5 a 100 kg de peso vivo. deve ser considerado nas formulações de rações dos suínos. que é farelo de soja. As fontes protéicas vegetais. TABELA 12. Treonina Triptofano.0 Sulfato ferroso (21%) 476. necessitam aproximadamente 3 vezes mais desse aminoácido/ kg de peso vivo do que os suínos na de terminação. 12. Neste caso. Por outro lado maiores cuidados deverão ser tomados na formulação de dietas com alimentos alternativos tipo sorgo.8: Exemplo de suplemento mineral para dietas de suínos Micro.0 Ferro 100. possui grandes concentrações de fitato. que poderá ser utilizado nas diversas categorias estádio de desenvolvimento dos suínos. Nas dietas dos machos reprodutores. foram realizados com os macroelementos e em especial cálcio e fósforo. Metionina. que prejudica a utilização de outros minerais. porém. Porcas em lactação. os leitões na fase pós-desmama. principalmente a de maior uso. A Tabela 12. os microelementos representam pouco no custo das dietas. que confinou o animal e o isolou de uma das principais fontes de minerais que é o solo. Estes tem a maior importância no desenvolvimento e manutenção sistema esquelético. o principal está relacionado com o manejo das criações modernas.2 Manganês 15. principalmente quando as rações são a base de cereais e farelos de oleaginosas. deve-se adicionar quantidades extras de zinco. leva a formação de quelatos de zinco. não sendo economicamente a redução da suplementação nesta fase. respectivamente. As rações de terminação poderão conter níveis inferiores aos indicados. são pobres na proteína. do farelo de soja.7 171 . este complementa o milho com o alto nível de lisina que se apresenta deficiente no primeiro. tipo Lisina. Quanto aos microelementos. exigem quase 4 vezes mais gramas de lisina. As necessidades de aminoácidos são altas para porcas em lactação e leitões nas fases pré-inicial e inicial de crescimento. As dietas práticas apresentadas são a base de milho e farelo de soja onde esta combinação de ingredientes resulta em melhor balanço de aminoácidos essenciais.0 Óxido de zinco (72%) 138. Suplementaç Fonte Qt/kg mineral ão g/ton (g) Zinco 100.5 e 12. Os primeiros estudos de exigências de minerais. deve-se dispensar maiores cuidados com a suplementação de zinco.7 apresenta um exemplo de fórmula de suplemento microminerais.9 Cobre 10. farelo de arroz. que resultarão em deficiências dos primeiros aminoácidos limitantes. devido a sua importância produção do sêmen do suíno. além de outras funções fisiológicas importantes. em comparação com as gestantes enquanto que. Enquanto a proteína do milho complementa os aminoácidos sulfurosos que. tornando este microelemento indispensável para o animal. por outro lado. A biotina por exemplo.2 e 12. não sendo armazenadas. No entanto. os minerais estão também distribuídos amplamente nos tecidos moles como fígado. as vitaminas afetam significativamente o custo da alimentação. (26%) Iodo 0.6%) Veículo 1000. as vitaminas polares ou hidrossolúveis. de acordo com a solubilidade. Problemas de nutrição mineral. Nas dietas pré-inicial.00 q. possuem altas necessidades de cálcio e fósforo para a formação do leite. Na Tabela 12. principalmente no fígado. dependendo da função fisiológica do animal. destruição nos alimentos e no trato digestivo entre outros. Apesar disto. Porcas em lactação. O fígado e o sangue possuem composição variável de minerais. com níveis de segurança.51 Selênio 0. As vitaminas apolares ou solúveis em gorduras e solventes orgânicos. devendo ser diminuídas nas fases mais adiantadas da criação. em relação ao peso vivo do animal (Tabela 12. devido a intensiva mineralização do esqueleto além do aumento deste. Esta observação também é válida para formação do ovo por galinhas poedeiras.15 selenito de Sódio 0. Esta redução é importante para adequar a nutrição animais além da redução do custo das dietas. devendo-se aumentar a suplementação.p. Por outro lado. Mais de 80 % do total das cinzas está nos ossos.30 Iodato de Potássio (59%) 0. Ao contrário da suplementação de microelementos. apesar de necessariamente estarem presentes nas dietas.5). vários trabalhos de pesquisa indicaram recomendações. As vitaminas hidrossolúveis por serem armazenadas. nível de energia ração.33 (45. desempenham papel importante no crescimento do tecido e são armazenadas no organismo. estão presentes em concentrações variadas nos ingredientes. 172 . O conteúdo de cinza (minerais) corporal aumenta com idade do animal. sangue e músculos. a suplementação vitamínica deverá estar adequada para cada categoria e estádio fisiológico do animal. Quanto as vitaminas hidrossolúveis. está contida no milho em torno de 65 g/kg. As necessidades de vitaminas na dieta está na dependência de uma série de fatores como temperatura ambiente. com exceção da colina.4. refletem diretamente no conteúdo das cinzas ósseas. inicial e lactação. que podem ser utilizadas para o bom desempenho dos animais.: Nível de uso =0. deverão conter altos níveis de vitaminas. que são apresentadas nas Tabelas 12. Participam das reações logo em seguida eliminadas do organismo. pois. principalmente de cálcio fósforo.s. atendendo praticamente as necessidades suínos em crescimento. principalmente lipossolúveis. OBS.1% (1 Kg / tonelada de ração) 12. que são pobres nesta vitamina. são de difícil estabelecimento das suas necessidades.3 VITAMINAS As vitaminas desempenham papel importante no metabolismo orgânico e são divididas em dois grupos. todas as outras participam de reações metabólicas e são exigidas como enzimas.8 está apresentado um exemplo prático de suplementação vitamínica ração inicial de leitões. Deve-se ter a preocupação com os alimentos alternativos como sorgo e raspa integral de mandioca. 0 B6.. mg 300.040 0. mg 50.5 1.0 Ácido Pantotênico.5 2. Rações a base de milho e fardo de soja 2.0 50.00 C2.2 0.3 0. µg 20. Adicionar em caso de estresse calórico TABELA 12. Ul 2000 1600 600 E.0 1.00 1. mg 5.0 2.0 100.0 15.0 3. mg 2.0 Folacina. mg 1. 50.100 Colina. 18.4: Níveis suplementares de vitaminas sugeridas para matrizes em gestação.00 K3. mg 250.0 1.100 0. mg . - Biotina. lactação e reprodutores em UI ou mg e ração Categorias Vitamina Lactação e Gestação Reprodutores A. mg 30.80 . mg 0. mg 1.0 15. mg 4.0 mg Niacina.5 B12.0 15.0 C2. Ul 25 13 8. Adicionar em caso de estresse calórico 173 .2: Níveis suplementares de vitaminas sugeridos para suínos de 5 a 100 Kg de peso vivo em UI ou mg /kg da ração1 Fases Vitaminas Pré-inicial e Crescimento Terminação inicial A. mg 0. mg 0. mg 15. mg 2. mg 0. 12.090 0.5 B1.0 350.0 8.TABELA 12.0 10.3 B2. mg 3.0 4.020 Colina.0 50.5 2.0 mg Niacina.5 1.0 18. mg 1. Ul 6000 8000 D.5 - B12.5 B2.5 B1. Ul 1200 1500 E.0 Ácido Pantotênico.0 1. 2.0 28. Ul 9000 6000 3000 D. mg 20.0 Folacina.6 Biotina. Ul 15 20 K3.0 12.9 1.0 B6.0 20.0 150.Ração a base de milho e farelo de soja. 5% 5.12 B6. Ul 25.80 Biotina.00 E. Ul 2. g 300. g 3. Ul 9. g 0.s.0 50% 600.000 500.p.000.1% (1 Kg / tonelada de ração) 174 .000. g 0.000 Ul 4.5 Colina.000 Ul/g 18.90 B2.TABELA 12.090 2% 4.00 D3.: Nível de uso = 0.000 500 Ul/g 50.0 80% 22. g 2.00 Veículo q. g 1.20 B1.9 100% 1.00 K3.0 97.9: Exemplo de suplemento vitaminíco para dietas de suínos Fase Inicial Fonte Vitaminas Suplementação Qt / kg (g) Comercial A.50 Ácido Nicotínico 30.0 Ácido Pantotênico 18. mg 20.9 Folacina. g 5.80 100% 0.0 97% 30.000 500.0 1g / kg 20.00 B12.00 Obs. 1000.0 94% 3.0 100 2. H.G. ANNENKOV. Ed. A.73-74. no período de 1 a 21 dias.L. 1994. BERTECHINI. Effect of total sulfur amino acid (TSAA) for commercial leghorns of the second cycle in two production phases. 1-2..S. 1995 (Tese D Sc. 1995. rendimento de carcaça e avaliação econômica em frangos de corte. . L. 63(19):18-26. TABLES. England. 70p.The role of wheat non-starch polyssacaredes in broiler nutrition.B. R. Humans . LANNA. ACADEMY RESEARCH COUNCIL. 1992. 207p. Efeito de um tipo de probiótico sobre o desempenho de frangos de corte. Apinco de Ciência e Tecn. C. RODRIGUES. M. P. A. Níveis de energia para suínos nas fases crescimento e terminação. Poultry Science. Res.G.. Aust. S.B. 1987. 1991.. 1982.. (Tese M. p. A. Níveis de sódio suplementar para poedeiras comerciais na fase de pico de produção. 1995. ESAL. H.G. Revista SBZ. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBINO. 73:1441-1447. Campinas. n. BERTECHINI. RODRIGUES. 1993. 1995.. Campinas. ALVES. G.D. S. Curitiba.G. AEC. Efeito de programas de alimentação. Impr. 1994. Recomendações para nutrição animal.. 86p.. A. Commentry. OLIVEIRA. I. 475p. 1994. BERTECHINI. The Nutrient Requirements of Pigs. J. HOSSAIN. 1986. Ideal amino acid profile for chickens during the first three weeks posthatching.B.G. In: Anais. BAKER.N.G.. v. Effect of phosphorus restriction for laying hens on the second cycle upon performance and shell quality.Rhone-Poulenc. A. France. LEITÃO. 45-46. ANNISON.. Poultry Science.T. (Tese D. Butterworths. Níveis de aminoácidos sulfurosos para frangos de corte. Univ. Mineral feeding of pigs. 5ª ed. Substituição da metionina suplementar por sulfato de cálcio na ração de poedeira. Curitiba-PR. p. Viçosa.G.A. Estudo de linhagem e de níveis nutricionais sobre o desempenho.15. BERTECHINI. B.H. Utilização de salinomicina em rações com alta fibra bruta para suínos na fase de crescimento. p. B. C. In: CONF. ROSTAGNO. SILVA. Agric. UFV. A. BERTECHINI. p. 1982. 1993.. BERTECHINI. FACTA.2. In: Anais. e PACIULLI.S. 307p. Viçosa 1987...E.).M. . UFV. S. Feedstuffs.. CEREZER.I. Lavras. animals benefit from omega-3 polynsatured fatty acids.A.. D. A. Avícolas. L.H. BENÍCIO.. Conf. C. e HAN.. APINCO 1995. 188. 73 (supl 1): 93. HOSSAIN. BERTECHINI A.Sc). P. SBZ. forma física de ração e temperatura ambiente sobre o desempenho e custo por unidade de ganho de peso em frangos corte..). BARLOW. FACTA. London. 73 (supl 1): 92. p...G. S.452-461.S. 44:405-422..M. Trabalhos de pesquisa. In: Mineral Nutrition of Animals. e PIKE.F. Y. nível de energia.. Poutry science.S. Campinas. abril 2001.. 1977. Anim. p.G.G. Fisiologia de los animales domesticos. D. A. RESENDE. p. FASSANI. n. UBA. Sci. de Ciência Animal. A. Ed.. E.A. 73 (supl. Poultry Science. KATO. 176 . ROBERTS.A.. e ROSS. BERTECHINI.E. Brás. J. COMBS..A. CUNHA.F. H. A. M. A. 1991. . CLASSEN. TEIXEIRA. 1985. BERTECHINI. 1995.. Swine Feeding and Nutrition..G. 1996. G. E. P. 82(supplement).G. 1974. BAZER. brasília.S. Aguilar.16. Poultry Science. BERTECHINI. M. L. K. Evaluation a aminoacid-iron chelate hematinic for the baby pig.F. DRONAWAT.M. Anais.. Nutr..1135-1141.S. H. 962p. The metabolism of iron in piglets given labelled iron either orally or by infection. G.H. 1995. Califórnia. 1991. BERTECHINI. v. 76. In: Energy Requirements of Poultry.. A. A. e MILLER. J. E. BERTECHINI. ULLREY. FACTA..S. 1979. Níveis de lisina para poedeiras comerciais leves na fase de pico de produção. FONSECA.V. Efeitos de programas de alimentação e níveis de energia da ração nos custos por unidade de ganho de frangos de corte. R. 219- 234. 4:22-29..B. Poultry Science. p. D. 1): 134. v. .. p.1303-1308. ROSTAGNO. Ver.59 p.BERTECHINI.T. Revista SBZ.I.J.S. 2000.. BRAUDE. p. A.H. p.. The effect of temperature on the performance of laying hens.. p. G. Trabalhos de pesquisa. 2003 BRADY. 2(3):267-272. J. PARSONS. A.. p. P. R. 82(supplement).J. A. E. Espãna.. Suplementação de ferro para poedeiras comerciais de segundo ciclo de produção.3. 75.. Revista SBZ. E. Feed Mix.20. Role of uteroferrin in placental iron transport. BERTECHINI..250-256. an. EMMANS. 1978. FIALHO.. 1984. British Poultry Science Ltd. Influence of dietary phosphorus on interior quality of eggs and performance in commercial white leghorn hens.R. BUHI. e MITCHELL.I. DUKES. A. e SPADONI. 58:1250- 1256. Campinas.3. F. COLNAGO. FARIA. B. BRAGA. Cobalt and vitamin B12 in diets for commercial laying hens. APINCO 1995. e FASSANI. n.J. OLIVEIRA..427-433. e FASSANI.G. 2003. 352p.G... G.L. W.257-266. 1973..Jr.J. C. R. Academic Press. Calcium limestone grain sizes and levels of calcium for commercial layers in second production cycle. D. XAVIER.. J.A. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AVICULTURA. Curitiba.. E. Enzymes in action. 1962.. A G.G. 1985. 1994. In: CONF. In: Simpósio sobre Ingredientes na Alimentação Animal.20.C. FASSANI. USA. .75-76.G. C. v.C. ROSTAGNO.J. Brasília.E. CHAMBERLAIN.. OLIVEIRA. e COMBS. Calcium homeostasis in pullets of two lines selected for differences in eggshell stringth. v. S.G. E ROLAND.47.E. A. Sci....K. Níveis de metionina para galinhas poedeiras no segundo ciclo de produção. O.K. T.J.61- 62.. H. KU.G. J. Macro e micromirais na alimentação animal. SILVA. DUCSAY. H. Poultry Science. CEREZER. Br.J.A. 79-90.A.W. Efeitos da temperatura ambiente e forma física da ração sobre o desempenho e a carcaça de frangos de corte. S. HARPER. 64:587-604.R. MOUGHAN. Atlanta. G. Poultry Science. Vet.Z. R. 1997. J. FERKET.A.M. 1402p. S. 475p. Efeito da granulometria sobre a solubilidade in vitro de calcários calcíticos de Minas Gerais. Food Animal (Practice. Probiotics in man and animals. GERALDO. J. L. Journal of Animal Science.H.25. S.K. 1982... ALLRED. A . Aug/1988.G. Soyanotícias. A. KADIM. 736p.J. E. e BAKER. HUYGHERBAERT. P. Ewring. Procedings. 1982. P. BERTECHINI.. W. p.. 177 . HANSARD. British Journal of Nutrition.W. Avaiability of iron for the pigs. São Paulo. L. Butterworths. BRITO.A. p. Feedstufls. Manual de química fisiológica.R. 66:365-378. n. FAN. RODWELL. 1988. FULLER. 1984. 16th One-day Conference of Dutch-speaking Nutrition Researchers.T. London.F. Influence of enzyme supplementation and water treatment on the nutritional value of different grains of poultry. e GILES. 279p. SAUER. 1-8. R. Poultry nutrition 3th ed. R. V. 2002. 72:2851-2859.L. en-mar. GEORGIEVSKII. p. M.A. Califórnia. Athenen Ed.J. I. Journal of Nutrit. K. JENSEN. RAVINDRAM.J. 1990.42. HARDIN. Valor nutricio del aceite de soya em comparación com outras grasas y aceites. I. E.S. e ANDERSON. F. 37:372-376. Influence of microbial phytase on the P availability in broilers.. G.. A review. T.M. D.. FASSANI. L.A.. In: Georgia Nutrition Conference.. P. FRY. MOUGHAN. 1990. Y. 5a ed.W. Ltda. 1991. 2003. 2. Georgia University. 1989. Revista Brasil. Determination of apparent ileal amino acid digestibility in pigs: Effect of dietary amino acid level. Ileal amino acid digestibility assay for the growing meat chicken comparison of ileal and excreta amino acid digestibility in the chicken. Comparison of ME and PE determination with growing chicks. 1958. Paris. Development of ileal amino acid digestibility assay for the growing chicken – effects of time after feeding and site of sampling.. 62:255-267.. In: MINERAL NUTRITION OF ANIMALS. McMILLIAN. 1994.. FOX. 5: 31 (suplemento).F. 1947..R. D.B.C.. British Poultry Science. British Poultry Science.T e LIEN.R. Poultry Science..42-44. de Ciência Avícola.A.L. KATO. R. M.EMKEN. EWING. 38:89-95. P. Bact.. E McGENNIS. Lysine requirement of male and female broiler chicks during the period three to six weeks post hatching. SANTOS. Med). V. v. Journal appl.806-830. Atlanta.T. FULLER. V. H..P. 43:588-597. INRA. 12 april. Effect of diet gut microflora of poultry. The ooptimum dietary amino acid pattern for growing pigs. General information of minerals. Institut National de La Recherche Agronomique.C. 1980.R. J. 1970. 1997.. publisher. L'alimentacion des animaux monogastriques. 123-129. e MAYES.. 73:1739-1745. 1994. 1958.I. W. Ed. W. WANG. HAN. KADIM. HILL.. Requirements for maintenance and for tissue accretion. Probiotics: Intestinal inoculants for production animals. . G. M. NAKAJIMA. Liv. 155p. Scott´s Nutrition of the Chicken.H. MELO. J. 1997. 1994. Poultry Science.. Washington. LEESON.G. Altos. P. C. MONGIN. 47:1842-1848. J.K. Nutrient Requirements of swine. 614p. D. P. The availability of phytase phosphorus in soybean meal before and after treatment with a mold phytase. 550p. Amino acid requirements for maintenance in the adult roster.347-357.. LEESON. R. SHAPIRO.. FASSANI.H.A... SILVA. 1-9. B. Univ. World's Poult.R.D.V. Books. e RODWELL.. J. H.A. Nutrient Requirements of Poultry. BERTECHINI.144-153. British J. Acidez e calagem no Brasil. NATIONAL ACADEMY OF SCIENCES. NY. Reservas e ocorrência de rochas calcárias no Brasil.482 p. NATIONAL ACADEMY OF SCIENCES.. MAYNARD. S.C.W.619-681. Revista Brasil. e SUMMERS. 9a ed. p.C. n. MONGIN.J. v. Energy and nitrogen intake.. 1980. p. 356p.. 1-16..A. 1983.. NAGATA. e SAUVEUR. R. . TORRES. 1968. Canada. MACLEOD. de Ciência Avícola. 1990. 1964.W. 5 :26 (suplemento). Sci. Re-evaluation of calcium and phosphorus requirements of laying hens for optimum performance and eggshel quality. 9a ed. P. MITCHELL. Role of acid-base balance in the physiology of egg-shell formation. Ontário.G. São Paulo. Influencia do balanço catio-aniônico das rações e do manejo alimentar para poedeiras comerciais no segundo ciclo de produção. D. Univ. 2001. J. Poultry Science. J.J. Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. Harper's review biochemistry. Nutrição animal. v. expenditure and retention at 20 o in growing fowl given diets with a wide range of energhy and protein contents.I.G. Academic Press. NY. 64:625-637. 2003. Journal of Nutrit. PEREIRA. J. P. Lange medical publications. P. A. 16. 24:200-230.. In: RAIJ.A.KESHAVARZ. 4 th Ed. Freitas Bastos S/A.A. Books. 2nd Ed. T.105.D. 178 .. O.C. 20:401-412. Commercial Poultry Nutrition. 1960. 3rd International. Guelph. e WARE. Orlando. H. Sulfato de cobre como estimulante do crescimento de leitões após desmama. MAYES. Califórnia. H. S. SHIEH. Florida. B. Publ.A. BATAGLIA.S.. LEESON. 1972. Electrolytes in nutrition. 72(1): p. e LOOSLI. e COSTA.M. Plasma inorganic phosphorus concentration during egg- shell formation.1993. A.. Guelph. MUNIZ. N. 1986.. NELSON.A. p. Comparative Nutrition of Man and Domestic Animals. MARTIN. M. 1981. 1974.Ontario. Minerals Conference. 1968. e SUMMERS. V. Nutrit. L. Campinas. World Poultry Science Journal. A. Jan. Revista Ceres.M.A. FISHER. British Poultry Science. 1998. p.K. WODZINSKI. Canadá. Nutritional considerations of poultry during heat stress. MONIZ. S.P. T. S. M. J.42. E.. Washington. 1979 MONGIN. MACIEL.C.A..19. D. 72:8-15. LEVEILLE. L. Connecticut. v. A. J. In: anais APINCO95. 75:1104-1108..A.K.B. Santos. G. In: anais APINCO95.G.22. SAKOMURA.S. Curitiba. N. Jr. Comp. Viçosa. Univ. 18:147-154. PATRICH.. P. Intestinal uptake and metabolism of fatty acis in the chicks.. RODRIGUES. ROSTAGNO.S. Journal of Food Protection ames. REDDY.A. Poultry Science.. SKLAN. A. P. 1985. B.X. H. H. 89-90. 58:885-889. Poultry Science. RAVINDRAM. RAVINDRAM. Synthesis of monoglycerides in the intestine. H. 64:525-540. JONGBLOED. Set/96.. W. 78:699-706. D. 1988. Poultry Science.F. 1979. Níveis de cálcio e inclusão de zeolita na dieta de poedeiras no segundo ciclo de produção. 1994. OLIVEIRA. Probiotics. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DE AVES E SUÍNOS.. p.. 1994 179 .45-46. A.M.. 1995. BRYDEN. BARBARINO. 1990.361-388. A. I. n.. p.G. Influence of microbial phytase on apparent ileal amino acid digestibility of feedstuffs for broilers.B. W. BERTECHINI. D. 14(2): 246-252.P. KEMME. EIGEL. BERTECHINI. B. In: Anais APINCO94. BERTECHINI. J. H. Inc.. BARBOZA. p. HAN. J. PEIRSON.E.L. Digestion and absortion of lipids in chicks fed triglycerides or free fatty acis. Alimentação de poedeiras leves. 40:266-274. H.. Exigências de aminoácidos sulfurosos e nível de ácido úrico no soro de frangos de corte criados sob diferentes temperaturas ambiente. H. H. OLIVEIRA. VERSTEEGH..A. F. ROSTAGNO. Revista SBZ. Effects of eletrolyte balance (EB: Na + K – Cl) on the growth.E. W.5.J.S. VIEIRA.G.. Sec. Westport. BRYDEN. e FONSECA. H. V. RAVINDRAM. CABAUG.. curitiba. 1996. COUTO. Avi Publ.. D.C.S.S. P.S. Semana Avicola95.A. J. A... 1980.. Impr. Korean Journal Anim. p.H. 1995.K.A. ROSTAGNO. RODRIGUES. p. 1993.. OLIVEIRA. Ed. I. Níveis de cálcio.B. e SCHAIBLE.B.L. Nutrit... G. A comparison of ileal digesta and excreta analysis for the determination of amino acid digestibility in food ingredients for poultry. usando equações de predição das exigências energéticas. J. J. HEW. Brit. S. PARK. blood parameteres and nutrient availabilities of weaning pigs.. P... 1999. 51: 71-72. P. Viçosa. e HURWITZ.Estudos de fatores que afetam o desempenho e a qualidade do ovo de poedeiras comerciais de 2º ciclo. S. Poultry: Feeds and nutrition. Exigências nutricionais das aves determinadas no Brasil. Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos (Composição de alimentos e exigências nutricionais). Semana Avícola 95. 141 p.I.OLIVEIRA. COHEN. ROSTAGNO.A. Nutrit.. RAVINDRAM. RESENDE.W. N.. SKLAN.L. P.. V. 1996.732-744. e KIM. Improvement of phosphorus availability by microbial phytase in broilers and pins.L. 1999. 2000.L.. UFV.E..37-38. ROTH. British Poultry Science. & Feedstuffs. B.J.. 668p. Revista SBZ. forma de fornecimento do calcário sobre a qualidade do ovo de poedeiras leves no segundo ciclo de postura. SIMONS. Influence of graded levels of fat on utilization of pure carbohydrate by the laying hen. The fat sluble vitamins. S. J. v. M. e EDWARDS. Fatores nutricionais que influenciam a qualidade do ovo de poedeiras comerciais de segundo ciclo.A.J. M. KETELS. D..R. 1985. 1980. 11-12.F. e LEESON. G. The Univ.. Feedstuffs. CAB Publishing. energy. Effect of ratio of unsaturated fatty acids in the dietary lipid fraction on utilization and metabolizabel energy of added fats in young chicks. college Park. p. Poult. D.L..W. 64:1959-1971. dietary cholesterol & heart disease risk: Egg Nutrition and Biotecnology. Journal of Nutrition.H. 1980b.357. ROSA. 1980a ROLAND. e YOUNG. HILL. J. 110:1894-1903. 1982. Poultry Science.H. p.14. 562p. P. Trace elements in human and animal nutrition 4th. ALBINO. Ithaca. THOMAS. SCOTT. Louncil. Washington. Poultry Science. Sci. p. E SELL. 59(9): 2038-2040. Ed. Added fat appears to improve amino acid digestibility. Suttie eds. amino acids. D. Poultry Science.I. 545p. and calcium in aged hens on egg weigth.. SCOTT. Proceedings. J.. Eggs shell quality II. and calcium in young hens on egg weigth. dietary cholic acid and calcium levels on performance.C. p. Eggs. SILVA.137-148. ZUCKERMAN. 180 .P.J. Nutrient and toxic substances in water for lives tock and poultry. Poultry Science. 1992. energy. ROLAND. of Wisconsin Press. C. 1999 UNDERWOOD. 58 (4): 774-777.B. FARRAN. SHIRLEY. shell quality and egg production. Teor de ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 no peito e na coxa de frangos de corte alimentados com rações contendo três fontes de óleo. M. p. Apinco de Ciências e Tecn.A. J. R.. UFLA. no período de 22 a 42 dias Conf.T.T. Academic Press. 2004. Scott e Assoc. e PFANDER. Third Ed. Brit.. Res. Maryland. 68:1506-1512. A. BRESSAN. 43-44. University of Maryland. ROLAND.A.C. D. In: Maryland Nutrition conference for Fed manufactures. G. 1979.D. Nutrition of the Chichen.M.. n. E. H. Influence of age. G. J. 1974. 1973. Madison. e DEGROOTE. Magnesium metabolism in laying fowl.. ATTEH. Deluca and J. 1969.F. utilization of free fatty acids and bone mineralization in broiler. A.. amino acids.. ROSTAGNO. Mat..L. Factors influencing shell quality of aging hens. Publ. BERTECHINI. NESHEIN. 55-63. 1986. STAFFORD. New York. New York. Egg shell quality I. H. Informações pessoais. Níveis de aminoácidos sulfurosos para frangos de corte. New York.S. Lavras. M. 139p (dissertação de mestrado). 1995.L. 1995. MALETIC. W.E. MAcNAMARA. effect of dietary manipulations of protein. Avícolas.. 1986. M. Poutry Science. 59(9): 2047-2054.. 79-86.O.C.RODRIGUES.2. Effect of dietary manipulations of protein. O. E.G. R. dec. FURMAN.H. 1989.J. L. F.. MATEOS. N.H. 1977.A. p.L. Curitiba-PR. S. D.T. 74 (6): p.. ZAPATA.J.A. W. CC.. 50 : 50. 1967. J. Use of detergents in the analysis of fibrous Feeds . J. v. British Poultry Science.L.O. 1049-1052. 1995. 1981. YEN. WHITEHEAD. The effect of fours levels of ascorbic acid and two levels of calcium on egg shel quality of forced-molted white leghorn hen. H. P. C.3.C. e GERNAT. (apostila). WALDROUP. Res.W.4. Calcium chloride as a regulator of feed intaket and weigth gain in pigs.A. Poultry Science. 1995. A. Belo Horizonte. The utilization of various fats by turkeys of different ages. R. n.A. 1976. HELLWIG. Nutrição animal.. POND. e FISHER.. 93p. p.G. J.VAN SOEST.C.T. Sci. J.. P. 181 .G. VIANA. J.A. e NUNES. 1975. Apll. EV-UFMG..J. 16:481-485.F. L. Poult. MOREIRA. Methionine and total sulfur amino acid requirements influenced by stage of production.283- 292. Journal of Anim.M. 52:778-782. H. e PRIOR.
Copyright © 2023 DOKUMEN.SITE Inc.