História Da Maçonaria Para Aprendizes Período Operativo Pela GLSC

March 24, 2018 | Author: Neism | Category: Freemasonry, Ancient Rome, Masonic Lodge, Science, Kingdom Of England


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GRANDE LOJA DESANTA CATARINA R∴ ∴E∴ ∴A∴ ∴A∴ ∴ HISTÓRIA DA MAÇONARIA PARA APRENDIZ-MAÇOM PERÍODOS OPERATIVO, DE TRANSIÇÃO E ESPECULATIVO 2006 - Apresentação ................................................................ 5 - Primeira Parte – Maçonaria Operativa - Introdução Geral ....................................................... 7 - Os Mistérios Antigos .................................................. 9 - Do Antigo ao Moderno ou do Passado ao Presente ...... 10 - Os Colégios Romanos de Artífices .............................. 10 - Corporações de Construtores ..................................... 13 - A Fraternidade de Construtores ou Pedreiros Livres da Europa Continental - Na Alemanha ......................................................... 15 - Na França .............................................................. 18 - Na Itália ................................................................. 19 - Enfim... A Questão da Gênese da Instituição Maçônica. 19 - Conclusões ............................................................... 23 - Apêndice I ................................................................ 26 - Apêndice II ............................................................... 27 - Apêndice III ............................................................. 27 - Apêndice IV .............................................................. 28 - Apêndice V ............................................................... 28 - Apêndice IV – As “Old Charges” ....................….....…… 30 - Segunda Parte – Período de Transição da Maçonaria Operativa para Especulativa - Breve introdução ...................................................... 36 - A Transição .............................................................. 36 - Terceira Parte - O Alvorecer da Maçonaria Especulativa ....................... 41 - James Anderson ........................................................ 43 - Jean-Théophille Désaguilliers ………………………………….. 44 - André-Michel de Ramsay ……………………………….......... - As Constituições Maçônicas – Esclarecimento............... - A Constituição de Anderson (1723) ............................ 47 48 - As Constituições de 1762 e 1786 ............................... 52 - Bibliografia ................................................................... 53 45 ou então. mas sim em informá-los minimamente. Precisamente por essa razão é que. a Maçonaria pode ser investigada através de várias associações antecedentes. baseada em documentação muito frágil e incompleta. relacionadas a épocas comparativamente remotas. Buscando o germe da Maçonaria naqueles dias pré-históricos. na textualidade a seguir desenvolvida. permitindo que elas pudessem chegar a uma certa identidade espiritual. na sua conformação. isto porque ele não apenas se conota como também. respectivamente. remetendo a um apêndice que está localizado após o encerramento da primeira parte deste fascículo isolado. ficamos limitados aos fatos que nos pareceram como mais marcantes. aos Graus de Companheiro e Mestre. Tem. Havia. mesmo porque ela poderá estar se referindo a um detalhamento que foi havido como conveniente para constar à parte do que está sendo descrito e para não interromper a linha de raciocínio. daí porque desapareceram as preocupações com o detalhamento e interligação dos fatos. cada “apêndice” representa um “plus”. haverá de dirigir sua pesquisa para as alentadas e sérias obras históricas vertidas nas línguas inglesa e francesa. principalmente. Por isso mesmo é que o Irmão notará que a descrição se reveste de um estilo “romanceado”. e assim por diante. Sua conexão com essas associações pode ser racionalmente estabelecida através de documentos autênticos e por outras evidências que nenhum historiador poderia rejeitar. afetam também a história de qualquer povo ou nação. como indispensáveis e correlacionadas a tais fatos. a mais ou menos apurada cronologia deles. precisas e objetivas –. porém de alto interesse cultural. de um modo geral. “panorâmico”. sim. Daí. ainda que não guiados por documentos e narrativas escritas ou orais despidas de confiabilidade. da Samotrácia ou da Síria – seja dito com toda a honestidade que a Maçonaria. conquanto dessemelhadas nas formas como se estruturam. na sua feição atual. nem o Companheiro nem o Mestre. Na verdade. Para o período pré-histórico – aquele que está ligado aos mistérios do mundo pagão e aos velhos sacerdotes de Elêusis. Ao descrever a universalidade da história maçônica. quando trata de narrar a história dos povos e das civilizações. na leitura do texto. estando a história brasileira e a catarinense de nossa Instituição reservadas. aos personagens e às datas havidas. fatos e circunstâncias que. num autêntico e completo historiador da Ordem Maçônica. o rigorismo na identificação dos personagens que deles foram os causadores ou participaram direta ou indiretamente.APRESENTAÇÃO Irmão Aprendiz: As páginas que seguem estão destinadas à transmissão de conhecimento relacionado à história universal da Maçonaria. dentro da filosofia instrucional reinante em nossa Jurisdição. encontrar a remissão a uma nota de rodapé. deixamos de observar as regras metodológicas que norteiam a História como Ciência Social. um acréscimo ilustrativo. não existe a preocupação de converter o Aprendiz. não existia naqueles dias de tão distante passado. particularidades. alicerçada fortemente em tradições orais passadas de geração a geração. se o Irmão quiser mergulhar mais profunda e percucientemente nas origens institucionais da Maçonaria – que estão distantes de ser claras. somente uma ciência peculiar ligada àqueles Mistérios que iria ser aproveitada posteriormente no conhecido simbolismo maçônico. desde as origens aos nossos dias. mas também a proto-histórica. a sua era propriamente histórica – isto é. de certo modo. mas entre si semelhantes em estrutura e organização. em vez daquele que deveria ser essencialmente técnico. No seu período histórico. e a pré-histórica ou não documentada. adjetiva certo fato ou certo personagem. Por óbvio. a importância destacável de que seja lido. assim. mesmo assim ir-se-ão encontrar ideias e opiniões fósseis embalsa- . Sempre que o Irmão. é de toda conveniência que a examine. ciência aquela que também fez o papel de “sangue arterial” de outras antigas e modernas instituições. documentada –. ou certo lugar particularmente relevante para a história maçônica. também ao nosso entender. Isto porque. de molde a que se munam de uma base cultural generalizada a respeito de nossa história. PRIMEIRA PARTE MAÇONARIA OPERATIVA INTRODUÇÃO GERAL A verdadeira história da Maçonaria tem. e os de Dioniso ou dionisíacos. na Grã-Bretanha e na França. Astronomia. ensinada como lenda e sem a preocupação de ser falsa ou verdadeira a sua narrativa. menos ainda suas teologias. o qual. sem o conhecimento de suas sociedades. As Artes e as Ciências eram cultivadas no Egito e nos países adjacentes. Na verdade. que foram também os primeiros filósofos naturais. tanto entre os gregos como entre os povos bárbaros. entre os góticos. o de Osíris. mas sim uma lenda com o mesmo espírito e o mesmo propósito. os druidas ou druídicos entre os celtas. dentro dos limites desses respectivos Graus. na Trácia2. na Ásia. Mas. assim como as conchas e peixes fósseis da remota formação física da Terra. precedendo os próprios registros autênticos da História. os cabíricos. uma lenda de caráter funerário celebrando a morte e a ressurreição. DO ANTIGO AO MODERNO OU DO PASSADO AO PRESENTE Em passando deste breve esboço da condição da Fraternidade naquilo que se pode propriamente denominar como “história antiga”. as descobertas nas Artes e Ciências não devem ter sido conhecidas senão de uns poucos indivíduos. Cada um dos deuses pagãos tinha. A agricultura era o grande objetivo da vida. importante lição sobre a eternidade da vida. praticar suas cerimônias religiosas com a realização de um festival. solenizada em lamentações e terminando em alegria. Era comum. baseada em documentos substanciais e nos principais monumentos erguidos ao longo dessa história pela Fraternidade Operativa ou o que se convencionou chamar Maçonaria Operativa. Algumas das mais elevadas ideias. na ordem natural das coisas. na Palestina. Não se poderá compreender corretamente a história dos povos da antiguidade. devida que foi à habilidade manual dos homens. Geometria e Arquitetura foram as Ciências que ocuparam os primeiros lugares entre as demais. os escandinavos. Num outro nível de palavras. A Maçonaria não somente apresenta a aparência de uma ciência especulativa1 baseada numa arte operativa. Esse culto secreto era denominado “mistérios”. mas também e muito significativamente mostra-se como a expressão simbólica de uma ideia religiosa. seus monumentos arquitetônicos. o de Mitra ou mitraicos. por sua semelhança com as espécies vivas. o tributo de um culto secreto ao qual ninguém era admitido. ainda no presente se exibem aos nossos olhos. em outros fascículos isolados será devidamente informado. de Elêusis ou eleusinos. logo cresceu como uma ciência. mais tarde Companheiro e Mestre. em privacidade altamente secreta. usa-se na Maçonaria. empenha-se agora em traçar seu progresso desde aqueles tempos até os dias atuais da arquitetura moderna e do cultivo das artes e ciências. e a tradição nos conta que essa união entre os homens de ciência era um pouco mais diferente daquela que une os Maçons da atualidade. Não há exagero na afirmação de que eles mesmos formaram-se no interior de uma associação em desenvolvimento e numa época muito recuada. e os de Orpheu ou órficos. O triunfo da mente sobre a matéria foi o grande mérito dos primeiros arquitetos. aquelas que se têm como as maiores e mais significativas para o progresso humano. O primeiro dos Sobre todos esses mistérios o Irmão Aprendiz. no Egito. Todas as instituições humanas passam por grandes e numerosas variações. nem o mesmo personagem como seu herói. os diferentes aspectos sob os quais elas aparecem e os princípios pelos quais são governadas ficam na dependência do progresso da civilização e da natureza protecionista que lhes dispensam os governos. além dos hábitos.madas daqueles antigos intelectuais. Antes que a aprendizagem tivesse avançado e quando a arte de imprimir era desconhecida. mostram. . e noutras. salientam-se os seguintes: os hebreus ou hebraicos. A procura da Ciência era assunto secundário. por qual razão ou motivo surgiu essa lenda? Tiveram todos os outros povos da Antiguidade e suas instituições essa lenda? A evidência leva a responder positivamente. enquanto todas as outras nações permaneciam envolvidas pela ignorância. na Síria. Mas a Arquitetura. algumas vezes era celebrado em público. costumes e opiniões peculiares aos membros da sociedade. o de Adônis ou adonisíacos. filosofia. junto ao público. não nos mesmos detalhes. na Pérsia (hoje Irã). OS MISTÉRIOS ANTIGOS Dentre os mais importantes Mistérios Antigos. precisamente como se revelam na Maçonaria moderna e que. em tal ordem cronológica geral que permita a mais superficial e concisa possível história dos fatos. ciência e moral. a conexão gradual do passado com o presente. e as questões filosóficas constituíam-se em prerrogativa exclusiva da classe sacerdotal. na Grécia. exceto aqueles que haviam sido selecionados através de cerimônias preparatórias. não a mesma lenda. nasceram entre os símbolos místicos. como verdadeiro símbolo e alegoria que é. chamadas “iniciação”. entretanto. Arquitetos e Secretários. por meio do voto oral é que selecionavam os candidatos à admissão.. Os operários eram divididos em três classes: Seniores ou Chefes de Obras. o cristianismo havia surgido. para que assumisse a soberania de sua Ilha (a Inglaterra). A Inglaterra acabou sendo abandonada no ano 420 d. CORPORAÇÕES DE CONSTRUTORES Tão logo os colonos e os nativos das Ilhas Britânicas foram abandonados. os Oficiais ou Artífices assalariados e os Aprendizes. o grande legislador e segundo rei de Roma.C. e quando permaneciam inativas.C. Supervisores ou Administradores. que manteve por três anos a usurpação do domínio. através do Imperador CONSTÂNCIO I. e. Mas no ano 286. um sacerdote. que se cristalizou através das legiões guerreiras. Nenhum colégio podia ser constituído com menos de três membros. Nesse particular. sob o comando de JÚLIO CESAR. possuindo suas próprias leis e ideias. estabeleceu uma colônia e. naval e hidráulica. Quando as Gálias Cisalpina e Transalpina (hoje França) foram invadidas pelos exércitos romanos entre os anos 58 e 51 a. À testa desses colégios estavam os Mestres. na tentativa de manter a integridade imperial. ao mesmo tempo em que igualmente os privilégios foram grandemente ampliados.OS COLÉGIOS ROMANOS DE ARTÍFICES Esses colégios foram criados no ano 716 antes da Era Cristã. passassem a ser chamados “privilegiados” ou “pedreiros-livres” (em inglês. A cada Legião fazia-se acompanhar um colégio ou corporação de Artífices que já era organizado com a própria Legião.. NUMA POMPÍLIO3. na Ilha Britânica. Bem antecipadamente a esses fatos. as legiões levaram consigo tais colégios de artífices. como também e fundamentalmente reconstruir tudo quanto havia sido destruído pelos legionários. em cuja história a fase seguinte é o registro do crescendo da vida e das doutrinas cristãs. Os operários colegiados erguiam fortificações para as legiões em tempos de guerra e também em tempos de paz. e com ela seguia em todas as campanhas militares. avançou até os limites setentrionais do país. e assim também a Inglaterra nos anos 55 e 54 a. ainda selvagens. primeiramente os seus vizinhos celtas da antiga Escócia (“Picts”). então exercendo uma imensa influência naquelas terras. em Roma. Desde o começo do Império os romanos se destacaram pelo espírito colonizador. vindo a tornar-se. pôs fim a essa soberania independente da Inglaterra para englobá-la no próprio Império Romano. para defender-se. Uma delas. na sequência. leis que eram baseadas naquelas dos artífices de DIONISO. rei dos Visigodos. (anos 101/200). conhecido como “Conde da Costa Saxônica” e “Almirante dos Mares do Norte”. rei dos Vândalos. quando o poder de Roma. então recém-dividido pela Tetrarquia com a nomeação dos Césares sob dois Augustos. desde aquela época. construíam templos e residências domiciliares. A fim de conciliar o Colégio Romano de Artífices. Fiscais. ao fundar esses colégios tornou-os ao mesmo tempo sociedades civis e religiosas com o privilégio exclusivo de construir templos e edifícios. proclamando-se ele mesmo o seu Imperador.. Guarda-Selos.C. sendo que as leis gerais determinavam as suas relações com o Estado romano e com o corpo sacerdotal. as atuais Lojas Maçônicas se assemelham àqueles colégios. os saxões como . tais artífices permaneciam na terra conquistada não apenas para plantar as sementes da civilização romana e ensinar os princípios e regras das suas artes. elemento importante para o corpo político do Império. esse soberano restaurou os antigos privilégios. Uma expedição naval bem sucedida contra aqueles piratas deu a ele a posse daquele país. todos os colégios de artífices perderam seus antigos privilégios. religiosa. durante o qual usavam simbolicamente dos instrumentos da arte de construir. realizavam reuniões secretas. construiu No começo do século II d. começaram a dirigir-lhes a vida. e os nativos – principalmente os celtas.C. e CUNDERICO. Quando vencedores. cujos mistérios haviam se espalhado entre os principais povos do Oriente. A invasão das principais hordas bárbaras setentrionais de ALARICO. e as influências da nova fé não demoraram em se fazer sentir nos colégios. realizando um cerimonial secreto iniciatório. já se entrevendo a abertura dos caminhos que desembocariam mais tarde na queda da República Romana. os colonos romanos e os colégios de artífices que haviam permanecido com eles – foram abandonados à própria sorte a partir do ano 428. constituindo-se um fundo comum que era acumulado para a manutenção ou auxílio aos membros pobres ou que haviam sido desligados do Colégio. Em 294 CARASIUS foi assassinado por ALLECTUS ou “ALECTO”. porque vítimas das depredações dos piratas saxões e francos. e entre eles. Tesoureiros. o que levou a que ditos artífices. acolheu a súplica dos bretões. na Itália e a partir do ano 401 d.. Eram compostos de homens versados em todas as artes e habilidades necessárias para a execução da arquitetura civil. CARASIUS ou “CARAUSIO”. seu Primeiro Ministro e amigo confidente. ante a conquista iniciada pelos anglos e saxões. obrigou a que os exércitos romanos se pusessem na defensiva e em seu próprio território. o pagamento dos salários era mensal.C. Com o avanço do Império Romano também aumentou o número desses colégios e de seus membros. “freemasons”) para distingui-los daqueles outros operários que não eram assim reconhecidos. não apenas nas Ilhas Britânicas mas também sobre toda a Europa Continental. assim. catedrais e monastérios requeridos pela nova religião. foram por toda parte empregados como “pedreiros-livres volantes” ou “viajantes” (porque se deslocavam de um para outro lugar) na construção de edifícios eclesiásticos e suntuosos. A religião provocou a contestação entre o cristianismo original britânico e o poder papal. que foram controlados por regras universalmente aceitas. a Fraternidade experimentou. inclusive conservando o nome de “pedreiros-livres” 5. acompanhados pelos piedosos arquitetos. de 1723. Os artífices que haviam sido convertidos ao cristianismo e aqueles que permaneceram quando as Legiões romanas deixaram o país. é também provado pelos registros das construções que realizaram naquele período tão antigo. a Assembleia de York.até o ano 926. e ambos posteriormente sucedidos em 1607 por INIGO JONES8.C. mostrando em cada momento e em cada obra as características de uma corporação ou guilda de profissionais da Arquitetura. Estes os homens que. Como tivessem perdido seu elo com a instituição-mãe em Roma. já no terceiro quartel do século V (anos 401/500). cujos países haviam sido civilizados e convertidos à fé cristã e seus habitantes instruídos na arte de construir. a primeira conhecida e reconhecida organização da Confraria de Pedreiros ou Grande Loja. Quando se examina a expansão do cristianismo nos países bárbaros ou pagãos e a conversão de seus habitantes à nova fé. como nos outros países. Esse príncipe obteve uma carta-régia de ATHELSTANE conferindo-lhe poderes para representá-lo anualmente na confraternização em YORK. Nessa cidade foi fundada em 926 a Primeira Grande Loja da Inglaterra. associaram-se entre si. Da Inglaterra aqueles enérgicos missionários. como sucessores imediatos dos colégios legionários romanos. A convocação dessa Assembleia prova que os pedreiros-livres (“freemasons”) estiveram em atividade no reino inglês. e depois por GEORGE HASTINGS. até então pagãos. abadias e castelos. portanto. posteriormente aceito e publicado por WILLIAM PRESTON. Tão logo a autoridade papal firmou-se em toda a Europa. que a Maçonaria atual aceita como parcela de sua história autêntica. . que indicou seu irmão. a hierarquia católica romana assegurou-se dos serviços das Corporações de Construtores. dinamarqueses e saxões – que impediam seus trabalhos e ainda os forçavam a manter suas vidas de acordo com o suposto mais antigo Manuscrito então existente6 . e naqueles mesmos lugares onde estes últimos estiveram durante a ocupação do solo inglês. Suécia e Noruega – e identicamente na Irlanda – as bênçãos do cristianismo com os refinamentos de uma vida civilizada. Conde de Effingham. foram admitidos como membros da Confraria sob a designação de “aceitos”.. quando toda a Inglaterra restou dominada pelos invasores saxões. tanto nas montanhas de Gales quanto nas ilhas do mar da Irlanda. EDWIN. que incutiu nas Lojas inglesas a vocação para a espiritualidade. mas em 1567 os Maçons do sul da Ilha elegeram “SIR” THOMAS GRESHAM. Naquele Manuscrito foi encontrada uma lenda. cerca do ano 457 d. quando se reuniram em assembleia geral na cidade de YORK e foram delineadas as estruturas que governariam a arquitetura inglesa pelos seguintes 800 anos. o Velho. mas dotados de avantajada cultura e posição social. Subsequentemente. dos quais se diz que foram extraídas as Constituições da Loja Inglesa”. mas após anos de controvérsia acabaram finalmente os bispos ingleses submetidos ao Papa. desde as repetidas invasões de escoceses. para Chefe dos Pedreiros. acompanhados também pelos Artífices. Naquela época. Conde de Huntingdon. os ingleses. A partir daí ir-seão encontrar essas Corporações exercendo sua arte em todos os países. JAMES ANDERSON no seu primeiro “Livro das Constituições”. que foi presidida por EDWIN. irlandeses. sob o patrocínio do Papa e dos bispados. Após aquela Assembleia Geral. em todos os lugares se revelando pela identificação de seus desenhos e traçados. por isso. traduzidas pelas catedrais. como corpo nacional. o que veio a dar origem à atual expressão “Maçons Livres e Aceitos”. liderados por monges e padres. depois. latim e outras línguas. Foi assim que a arquitetura eclesiástica rapidamente irradiou seus efeitos para o desenvolvimento também da construção civil. Aqui muitos antigos escritos foram redigidos em grego. faleceu em 924 e foi sucedido por ATHELSTANE 7. Primeiramente. passaram para a Europa Continental. mantendo a organização nos mesmos moldes com que sempre haviam trabalhado tão proveitosamente. seu filho. seus períodos de prosperidade e decadência. o que. percebe-se prontamente a propagação da arte de construir pelas corporações de arquitetos. Por longo tempo a Assembleia de York exerceu a jurisdição maçônica sobre toda a Inglaterra. as igrejas. de fato. sem serem arquitetos ou pedreiros. seu Grão-Mestre. na Inglaterra. notável comerciante. Na Inglaterra as Fraternidades de Construtores ou Pedreiros-Livres estiveram sujeitas a muitas adversidades. É esse código de leis que teria sido adotado naquela Assembleia em 926 e que se teria tornado a base sobre a qual foram moldadas todas as subsequentes Constituições Maçônicas. onde desenvolveram profícuo trabalho para a conversão das nações escandinavas. que. Data-se. todo o conhecimento religioso e todo o arcabouço arquitetural da parte setentrional da Europa estavam concentrados nas regiões remotas da Irlanda e da Escócia. converteram-se simplesmente em “Corporações de Construtores”.piratas marítimos. como Grão-Mestre. os missionários haviam retornado à Inglaterra objetivando a conversão dos saxões conquistadores. Essa lenda veio a ser apresentada pelo Dr. fugiram para a Irlanda e Escócia. introduzindo na Alemanha. que foi sucedido por CHARLES HOWARD. e que continha as seguintes palavras: “Edward. 350 anos antes. Companheiros e Aprendizes. Nos grandes edifícios para os quais eram necessários muitos operários. sempre que um edifício importante devesse ser levantado. então chamados “cæmentarii” (do latim ‘cæmentum’ = pedra natural tirada do rochedo. através de graus. enquanto que os arquitetos-leigos. afastando-se das fraternidades eclesiásticas. procedimento que. todas elas confraternizando entre si. não apenas os princípios e regras mas também a prática da arte de construir eram guardados dentro das paredes dos mosteiros. mas também havia aqueles que eram talhadores de pedra. Isso se deveu ao fato de que todo o conhecimento estava quase exclusivamente confinado aos eclesiásticos. vindo a ser eleito como seu Grão-Mestre aquele mesmo Arquiteto. também os leigos foram empregados sob a direção dos monges. mais tarde. Muitos dos fundadores das ordens monásticas pagavam uma taxa específica aos monges para que pudessem devotar-se à arquitetura e às construções eclesiásticas. e assim. e assim. O mais importante evento no cultivo e desenvolvimento da arte maçônica no continente europeu foi aquele que aconteceu na cidade de Estrasburgo. sob o nome de “Operarii” ou “Corporação de Operários”. adquirindo muitos privilégios e franquias das autoridades locais e em favor das quais exerciam a profissão de artífice. A constante e íntima associação deles com os monges na prossecução do mesmo desígnio acabou conduzindo a este resultado: ao longo do tempo. Essa nova Fraternidade de artistas de escol logo conquistou grande estima. Essas Fraternidades tornaram-se prontamente muito populares. Essas irmandades independentes começaram. organizando a Fraternidade de Pedreiros-Livres ao modo daquela que. que executavam os trabalhos práticos da construção. Inglaterra e Itália. outros eram pintores e escultores. Na Alemanha foi o monge inglês Winfrid. revestidas de caráter simbólico e ocultadas sob o profundo simbolismo vertido nas doutrinas filosóficas. no século VIII (anos 701/800) e até meados do século XII (anos 1101/1200). ERWIN von STEINBACH. os bispos superintendiam pessoalmente o levantamento de igrejas e catedrais em suas dioceses porque. e ao tempo de CARLOS MAGNO. quando ERWIN von STEINBACH. ao passo que os primeiros se ocupavam do TRAÇADO DOS PLANOS para a construção. todo o conhecimento e prática da arquitetura. religião e arquitetura. havia sido adotada pelos pedreiros ingleses na cidade de York. organizaram as suas próprias irmandades ou confrarias. tanto nas cartas régias quanto em outros documentos que emitiam. que organizou uma classe especial de monges para a prática da construção. o conhecimento das Artes e Ciências saiu da posse exclusiva desses monges-construtores para espalhar-se pelo mundo a fora. Poucos dos leigos podiam ler e escrever. ainda não esquadriada). a ser convocadas. Os lugares onde celebravam suas Assembleias eram chamados “LOJAS” (em alemão. e não raras vezes suplantavam inteiramente os seus mestres-monges na perfeição da arte de construir. Mas agora uma nova classificação havia tomado lugar Os mais inteligentes dos operários leigos – aqueles que haviam recebido os segredos passados pelos monges – foram distinguidos como ARQUITETOS. veio a ser adotado pelas Fraternidades Inglesas. Foram criadas palavras. a partir de então. uma parte dos quais foi tomada emprestada dos pedreiros ingleses. mais tarde canonizado como “SÃO BONIFÁCIO”. gradual e quase inconscientemente. “hutten” ou “logen”). pintura e escultura estavam confiadas exclusivamente aos monges. Tal foi o começo da Irmandade de Pedreiros (Maçons) na Alemanha. inventaram-se as cerimônias de Iniciação. Os trabalhos e deveres desses monges eram fracionados sob o mesmo sistema ou organização. Finalmente. Estes últimos conheciam somente o uso da colher de pedreiro (“trolha”) e da argamassa. honrado por eles como o mediador entre o antigo e o novo concílios. e ainda por ser o primeiro mártir da religião cristã. Então. especialmente eclesiásticos que não eram Maçons Operativos. Muitos dos . até mesmo os reis punham o sinal da cruz no lugar de suas assinaturas. sinais e toques como modos de reconhecimento que deviam ser usados pelos membros da Fraternidade. Entre esses leigos utilizados nos monastérios como assistentes e operários. convocou grande número de Mestres construtores fora da Alemanha. Muitas personalidades eminentes foram nelas admitidas.A FRATERNIDADE DE CONSTRUTORES OU PEDREIROS-LIVRES DA EUROPA CONTINENTAL NA ALEMANHA: É universalmente admitido que nos recuados tempos do cristianismo somente o clero era o patrocinador das artes e ciências. diferenciados dos OPERÁRIOS ORDINÁRIOS ou PEDREIROS COMUNS. princípios e regras da arquitetura. muitos eram possuidores de uma inteligência superior. mas que a essas Lojas emprestavam seu patronato e proteção. completamente desconhecidos dos leigos. e “Magistri Operum” ou “Mestre de Obras”. e no ano 1275 estabeleceu um código de regulamentos. As Lojas foram então criadas em muitas cidades da Alemanha. segredos. Seu patrono era SÃO JOÃO BATISTA. o arquiteto da Catedral daquela cidade. os monges comunicaram-lhes a arte. Três graus de operários foram reconhecidos: Mestres. tomando seus membros o nome de PEDREIROS-LIVRES ou “Franco-Maçons”. Formou-se uma GRANDE LOJA em Estrasburgo. como a dos Colégios Romanos de Artífices. Alguns desenhavam o plano da construção. NA FRANÇA: No começo do século X (anos 901/1000). através da Fraternidade inglesa. O centro da Fraternidade francesa situava-se em COMO. Todos os documentos autênticos disponíveis. por um edito imperial de CARLOS I. como deve ter restado bem claro na exposição até aqui feita. inversamente. A QUESTÃO DA GÊNESE DA INSTITUIÇÃO MAÇÔNICA Foi e é muito discutida e controvertida essa questão de situar a origem mais real e verdadeira da Instituição. isto por causa da mais antiga e geral ocupação das duas Gálias Cisalpina e Transalpina (antigos nomes das partes meridional e setentrional do que hoje é a França) pelas Legiões romanas. como pode ser facilmente verificado através dos inúmeros edifícios levantados à época do domínio dos ostrogodos e dos lombardos. uma cidade da Lombardia. tendo cessado a necessidade de uso da Fraternidade para a construção adicional de edifícios religiosos. agora sob o nome de “Mestres Comacinos”. os pedreiros estavam comprometidos sob o patronato eclesiástico na construção de edifícios religiosos. A partir de então essas Associações foram perdidas de vista. fossem as Continentais. foi dissolvida por um edito de FRANCISCO I. e assim deixou de existir como sistema organizado. é pura perda de tempo querer vê-la nascida dos Mistérios Antigos. insistindo uns em que a Instituição Maçônica se originou dos Canteiros Ingleses. os historiadores se mostram bastante divergentes.. ENFIM. que acabou sendo empregado generalizadamente para significar a superioridade das obras que esses artífices realizavam. criando então os Estatutos da Confraria... de modo a capacitá-las a preservar o mais rígido sistema nos assuntos pertinentes à construção e que lhes facilitaria congregar operários. de cidade a cidade sob o nome de “Pedreiros-Livres Volantes”. as que lhe eram subordinadas começaram rapidamente a decair. mas um grande número dessas ligou-se com as Fraternidades francesas em Como. fossem as inglesas. NA ITÁLIA: Na Itália a Associação de Arquitetos nunca deixou inteiramente de existir. de 1462. rei da França. ou na dos Rosa-cruzes. todas as induções e deduções possíveis dos fatos e personagens inter-relacionados levam à Idade Média – em data absolutamente desconhecida – como sendo a real e verdadeira época de seu nascimento. das Corporações de Ofício da França. ou na Ordem dos Templários. embora estivessem sujeitos àquela Grande Loja. ela começou a declinar. e. outros. pelo menos até o seu ressurgimento no século XVIII (anos 1701/1800). quando um decreto da Dieta Imperial de Ratisbona dissolveu a conexão das Lojas da Alemanha com a Grande Loja de Estrasburgo porque essa cidade. Em 1731. essa questão pode ser posta nesta interrogação: A Maçonaria nasceu na Inglaterra e irradiou-se posteriormente para o Continente Europeu. do Companheiro e do Aprendiz. outros ainda. Quanto à época. Essas Fraternidades continuaram a existir sem interrupção até 1707. ou na era salomônica. Quanto ao lugar onde esse fato teria acontecido. sempre e em qualquer pormenor que devesse ser exigido. da Confraria de Talhadores de Pedra da Alemanha (“Steinmetzen”). etc. Perdida essa Grande Loja. finalmente. em 1539. mas as agremiações francesas não diferiam materialmente das germânicas. Enfim e em resumo. nela não se encontravam representados. havia passado ao domínio da França. Essas Constituições de 1459 renovaram e revisaram os antigos usos e costumes. em 1687. As “Ordenanças de Torgau”. de onde se disseminaram as Lojas por todo o reino e que passaram de região em região. quer quanto à época. todas as evidências.potentados europeus concederam a elas consideráveis poderes de jurisdição. mesmo porque entre elas exis- . similar à da Fraternidade Germânica. cuja restauração só veio a ocorrer no século XVIII (anos 1701/1800). havia sido fundada na França uma Fraternidade de Arquitetos. Protegidas por papas e príncipes. foram dissolvidas quase todas as Lojas na Alemanha. nos quais foram embutidos o Regulamento dos Oradores e Obreiros e o Regulamento dos Aprendizes. Originária dos mosteiros e dos leigos empregados pelo monastério de arquitetos. pontificavam as figuras do Mestre. a conexão entre os Pedreiros da França e os dos Colégios Romanos de Artífices foi mais íntima e direta do que com aquela dos alemães. nesse Continente teve sua origem e daí partiu para as Ilhas Britânicas? Atente-se para o fato de que em qualquer das Corporações Medievais de Construtores. atestam que os mestres haviam se reunido em Estrasburgo no ano de 1459 para o envio de suas Constituições às Lojas do Norte e do Leste da Alemanha porque. também através da Fraternidade inglesa. quer quanto ao lugar de seu berço. ou. No princípio do século XVI (anos 1501/1600). nos Canteiros Ingleses o ritual consistia na apresentação do candidato à Corporação através de um padrinho. nos Canteiros Ingleses. sabe-se que anteriormente a 1268 já existiam corporações de ofício. e “Magistri Operum” ou “Mestre de Obras”. após. E aí. Portanto. acompanhados pelos piedosos arquitetos. possuidores de determinados ‘segredos’ neste ofício. no Egito. etc. mais tarde canonizado como “SÃO BONIFÁCIO”. armas e joias que portasse. entregava a ele o avental de trabalho e transmitia a palavra de passe e o sinal (“toque”) de reconhecimento. o emprego de um certo simbolismo destinado à instrução moral e. A Maçonaria apresenta-se sob dois diferentes aspectos: Primeiro. não havia uniformidade procedimental para essa celebração. Este último fato aconteceu precisamente no ano 716 da Era Cristã. até então pagãos. portanto. O elemento ritualístico da Maçonaria é aquele que descreve a devida execução dos rituais e cerimônias da Ordem. 2. passando a orar a Deus. a existência de um ritual rigidamente seguido. reforçam ainda mais a convicção da origem inglesa da Instituição. a conclusão de que ela. realmente. no qual estava inscrito todo o acervo estatutário de todas as corporações existentes no território francês. este era conduzido ao local da solenidade e levado até o Mestre. eis que essa mesma atividade já preexistia nas Ilhas Britânicas e de lá é que partiu para aquele país continental. sob o nome de “Operarii” ou “Corporação de Operários”. o nascedouro. o berço da Instituição Maçônica. fica. e que “na Alemanha foi o monge inglês Winfrid. então. “quando os verdadeiros historiadores pesquisavam cientificamente a gênese maçônica. mas foi nas proximidades daquele ano que Étienne Boileau. a posse de um conjunto de sinais secretos destinados ao reconhecimento dos membros entre si. estendia a mão direita e jurava10 pelas Leis e Regulamentos da Corporação não só obedecê-las estritamente. uma constatação pôde ser feita: A Arte surgiu na Inglaterra. Assim. em cuja mesa se encontravam três grandes velas. o mútuo auxílio. não teria sido na França que haveria de encontrar-se o berço da Instituição Maçônica. malgrado existam outras respeitáveis e eruditas opiniões divergentes de autores e historiadores maçônicos de primeira água. CONCLUSÕES 1. Nesse momento. Ficava com o peito esquerdo desnudado e se lhe aplicava uma venda nos olhos. No dia aprazado para a recepção do neófito. Um outro Mestre de Ofício em seguida conduzia o candidato até o Mestre que estava dirigindo os trabalhos. mesmo que se admita esta data tão recuada como o início da atividade operária na arte da construção na Alemanha. Pura perda de tempo procurar nossas origens. fez editar o seu “Livro dos Ofícios”. Dando resposta à indagação antes posta. o padrinho ordenava que o seu afilhado se despisse das roupas. Suécia e Noruega – e identicamente na Irlanda – as bênçãos do cristianismo com os refinamentos de uma vida civilizada”. como uma Confraria de Operários qualificados na construção com pedras. estucadores e misturadores não poderiam ter acesso aos segredos desses ofícios 11. como também guardar absoluto silêncio sobre tudo aquilo que lhe fosse transmitido no exercício do ofício da construção. Em seguida o neófito realizava três viagens dentro do recinto. não poderá ela ser vista como a origem. Por fim. como Instituição que possui uma filosofia sobre a qual se assenta e que propõe passá-la a seus adeptos. de conseguinte. a admissão de candidatos através da obediência a um certo cerimonial. a convicção plena de que a nossa Instituição efetivamente irradiou-se da Ilha Inglesa para a Europa Continental. e este ordenava que ele se ajoelhasse. todo o conhecimento religioso e todo o arcabouço arquitetural da parte setentrional da Europa estavam concentrados nas regiões remotas da Irlanda e da Escócia. . No que concerne aos “Steinmetzen” da Alemanha. e segundo. então. ou à maneira pela qual seus serviços deverão ser conduzidos.” Em que pese aquele “denominador comum” entre as Confrarias Inglesas e as Continentais quanto à admissão de candidatos através de uma celebração solenizada. sendo-lhe então franqueada a entrada. pelo menos históricas. outorgados por Erwin von Steinbach. os missionários haviam retornado à Inglaterra objetivando a conversão dos saxões conquistadores. salientando-se nesse “vademécum” que os ajudantes dos pedreiros. quando então era guiado até à porta de acesso ao local da celebração e onde aplicava três batidas. entretanto. que se convertia em seu instrutor. como Instituição secreta distinguida por ritual peculiar. bem antecedentemente.tia uma espécie de “denominador comum” quanto à exigência de certos requisitos. Ao ver de LIONEL VIBERT9. vale a pena destacar que entre elas. onde desenvolveram um profícuo trabalho para a conversão das nações escandinavas. e interessa ou é importante apenas para seus próprios membros. Este detalhamento. os seus Estatutos e Regulamentos datam de 1275. Pertence inteiramente à mais íntima organização da Instituição. teve o seu começo na Inglaterra. Preboste dos Negócios de Paris. como. por isso. sobretudo. Mas já foi dito aqui que. identificando-se entre si por sinais. quando então eram abertos os trabalhos. após as quais era colocado na parte ocidental e de onde dava três passos na direção do Mestre dos trabalhos. passaram para a Europa Continental. que organizou uma classe especial de monges para a prática da construção. O Mestre. introduzindo na Alemanha. Mas essa regra já constava. toques e palavras. por exemplo. Da Inglaterra aqueles enérgicos missionários. a vedação absoluta de comunicação aos estranhos à Confraria dos segredos da técnica e da arte de construir. no que respeita à França. “naquela época. Grécia. somado a outros e comparado com os rituais da Maçonaria atual. impondo-se. abadias ou catedrais. E entre esses dois extremos de um distante passado e de uma atualidade. mitos e lendas? Quem os inventou? Como e por que foram eles preservados? Volvendo aos mais recuados dias da história passada. o berço da Maçonaria – quer a Operativa. O elemento filosófico da Maçonaria é da máxima importância. sucedendo-se umas às outras de tempos em tempos e se espraiando sobre diferentes países. mesmo sem evidência documental. 9. e acima deles todos. os quais. contendo dentro de si a expressão simbólica (“Lenda de Ouro”) de uma ideia religiosa (a eternidade da vida ou imortalidade da alma). mas aqueles e esta dirigidos à purificação do coração. Companheiros e Aprendizes simbólicos. sem derivação alguma. com idêntico sigilo. de uma “Lenda de Ouro” 12. Tão estreitamente ligadas são essas duas associações. encontra-se o mesmo método simbólico e legendário de instrução do mesmo propósito preservado no relicário secreto de uma Instituição moderna. E. da Pérsia e aos de outros tantos países. A organização maçônica tem sido modelada numa forma estritamente associada com os eventos e características do Templo Salomônico. Subsequentemente. com certeza. 10. despojaram-se do elemento operativo da Instituição maçônica para assumir caráter inteiramente especulativo. a título de ser este o seu lugar de nascimento. distinguiu-se de todas as outras associações pela posse que tem de certos símbolos. Pode ter sido meramente acidental sua ligação com o Templo de Salomão 13. com menos certeza mas com grande probabilidade. Tais corporações compunham-se fundamentalmente de arquitetos e operários habilidosos. milhares de anos antes de o cristianismo lançar suas luzes à humanidade. somente a um sentido alegórico 14 . e através delas. 8. 11. derivou-se a Ordem Maçônica de uma Associação de Mestres. ensinando a existência de uma vida futura através de símbolos e lendas que transmitiam a lição por uma forma toda particular e específica. como na Inglaterra. como dúvida também não há de que a Maçonaria com sua lenda. os segundos. mas comparável àquele antiqüíssimo corpo sacerdotal.. 5. então ela. se se quiser respeitar os axiomas da ciência histórica. e os melhores historiadores de hoje em dia. Cada Loja é e deverá continuar sendo símbolo do Templo de Salomão. A analogia das lendas dos Antigos Mistérios e daquelas da Maçonaria atual deve ser aparente. ou é derivado. se põe de intimidade com todos os antigos Mistérios. deverá dizer-se que o seu corpo foi extraído das Confrarias de Construtores da Idade Média. de modo que agora uma boa parte do simbolismo da Ordem repousa sobre. da Grécia. Como Irmandade composta de Mestres. como uma associação reservada sem ser necessariamente secreta. mitos. . quer a Especulativa –. à elevação do espírito e ao desenvolvimento da grande doutrina da imortalidade da alma ou eternidade da vida. ir-se-á encontrar um período intermediário ocupado por associações similares. cada Mestre em seu Trono. guiados pelos mais elevados princípios e regras de sua arte. 14. mas todas comprometidas através da mesma instrução simbólica. Não há dúvida de que todos os Mistérios tinham uma origem comum. E agora. 13. e presta-se. Companheiros e Aprendizes operativos – os primeiros. Em todos os lugares onde foram celebrados os ritos místicos das antigas religiões. quer de devoção como se fosse um deus . encontrar-se-á um sacerdócio sobre os bancos do Nilo. sempre ensinada através de uma lenda e inculcada pela representação de uma morte imaginária e a ressurreição de um acariciado ser. sempre se encontrará a mesma lição sobre a eternidade da vida. tornando-se assim os Maçons dos dias atuais – “livres e aceitos”. de onde vieram esses símbolos. e cada Maçom a personificação do operário hebreu na construção daquele edifício religioso. da irmandade monasterial de monges – devotadas principalmente à construção de edifícios religiosos. na Fran ça. fez derivá-los daquela mesma origem. como foram. na Alemanha. Estavam na posse dos mais importantes segredos profissionais e eram movidos por profundos sentimentos de devoção religiosa. pois não passa de um relato meramente arbitrário de seu(s) inventor(es). 7. 12. no princípio do século XVIII (anos 1701/1800). porém o seu espírito está ligado a uma era muitíssimo mais recuada. fossem igrejas. forneceram a mesma expressão simbólica para a mesma ideia religiosa. como deve ser sempre assim chamada. construtores dos “templos materiais”.13. Esses Mistérios não foram a origem. das Corporações de Construtores da Idade Média. dos Colégios Romanos de Artífices” (também chamados e conhecidos pelo seu nome em latim – Collegia Fabrorum). 6. na Itália. Durante esse período interveniente encontram-se aquelas corporações de construtores da Idade Média – vindas dos Colégios Romanos de Artífices. porém. E é somente essa lenda que conecta a Maçonaria Especulativa aos antigos Mistérios do Egito. As melhores e mais atuais autoridades no campo da historiografia maçônica avançam a teoria de que “a Franco-maçonaria é a sucessora.. vêem o Templo de Jerusalém e as tradições maçônicas apenas interligadas como uma parcela da grande alegoria da Maçonaria. direta ou indiretamente. quer seja ele objeto de avaliação como um herói. um representante da sabedoria daquele Rei. e somente por uma forçada ANALOGIA15 é que poderão ser assim admitidos. da “Casa do Senhor”. Mas. que a tentativa para separá-las entre si seria fatal para a continuidade da Instituição. construtores de “templos espirituais”. 4. com substancialmente os mesmos símbolos e a mesma história mítica. em Jerusalém. após milhares de anos que se passaram. portanto. Essa Fraternidade. seu sistema simbólico de instrução e a lição pela qual tal ensinamento se direciona. Réia Sílvia deu à luz dois filhos gêmeos. também grafado como “Athelstan”. escoceses e celtas da Escócia. que se narra assim: “A Ascânio ou Julo sucedeu Sílvio.G. vindo a ser vítima de incêndio em 1137. APÊNDICE II YORK é a capital de Yorkshire. encontrando os recém-nascidos. Era filho natural de EDWARD. que ali acorrera atraída por seus vagidos. APÊNDICE IV INIGO JONES foi um dos mais festejados dos arquitetos ingleses. irmão de Numitor. à sua mulher Aça Larência. n. colocam-nas em um berço flutuante que abandonam às águas do rio. Ao tempo dos romanos. para serem criados. Refluindo estas. de quem recebia instruções. o Conquistador. “o Velho”. Amúlio. a Fraternidade em geral tem aceito todas essas afirmações como partes genuínas da história autêntica”. que. na confluência dos rios Ouse e Foss. Vale a pena. Mas Amúlio. Sendo Rômulo já adulto. VARRÃO. era uma meretriz conhecida entre os pastores pelo nome de Loba. NUMA POMPÍLIO. Os encarregados da ordem real. não deixando descendentes. foi-lhe revelada a sua origem: imediatamente arma uma expedição e marcha contra Alba. pelo que foi sucedido na pessoa de seu irmão EDWIN ou EDMUND. e até o ano 510 a. Nasceu em Londres. RÔMULO e REMO. viu-se proclamado imperador. vencendo-os na Batalha de Brunemburg. 23). VI. É a cidade de York sempre celebrada por sua tradicional ligação com a Maçonaria naquele reinado inglês. a fundação de Roma ocorreu no ano 754. e neto de ELFRED. Só parcialmente foi reconstruída. construída entre os séculos XI (anos 1001/1100) e XIV (anos 1301/1400). é uma das mais refinadas espécies da arquitetura gótica em todo o mundo. Apesar disso. mas nas cercanias do ano 895 da Era Cristã. o Grande. onde os dois gêmeos são amamentados por uma loba. legou o reino a Numitor. O primeiro desses reis é que deu causa à lenda da fundação de Roma. tendo nascido em data incerta. “Durante todo o último e a maior parte do atual século. Reinou sobre quase toda a Ilha inglesa. a comparação dessa lenda com a da salvação do Moisés bíblico. arrasou-a até os alicerces. também se conta que tinha colóquios amorosos num bosque sagrado com a ninfa Egéria. aos 15 de julho de 1573 e faleceu em 21 de junho de 1652. após vencê-la. “o Grande”. O pastor Fáustulo. para privá-lo de descendência. Como afirma A. APÊNDICE III ATHELSTANE. Numitor tinha filhos e uma filha chamada Réia Sílvia. ANCO MÁRCIO. Proca. com ruas geralmente estreitas e casas antiquadas. sendo reputado um dos mais sábios entre os reis anglo-saxões. em “De lingua Latina”. com 79 anos de . o berço pousa sobre uma figueira. Começou a reinar em 925 d. no ano 937. e foi o primeiro soberano de toda a Inglaterra. atribuindo a paternidade ao deus Marte. Faleceu em 27 de outubro de 940. Quando da morte de SIGTRIC. Promoveu a educação e a civilização do povo. o seu sistema de governo foi o da realeza. nome que se tornou comum aos seus sucessores. Está construída em forma de “cruz”. exceto a Escócia e o País de Gales. exasperado. É cercada por muros. que então transbordava. segundo rei de Roma. Nenhum tópico na história da Maçonaria tem chamado tanto a atenção dos modernos escritores maçônicos ou dado motivo a tanta discussão como este relacionado à existência da Ordem no século X (anos 901/1000) naquela cidade. MACKEY. para estudos. que. condoídos da sorte das crianças. Amúlio manda matar os sobrinhos e nomeia a sobrinha como sacerdotiza de Vesta. Quanto a NUMA POMPÍLIO. antes da Era Cristã. No período em que foi dominada por escoceses e dinamarqueses ofereceu uma feroz resistência ao rei Guilherme. que a teria violado. segundo outra tradição. Foi o fundador de instituições religiosas e corporações de operários. pelo que também é conhecido como o “Vitrúvio da Inglaterra”. Contra ele formou-se uma aliança militar constituída por galeses. onde mata Amúlio e restitui o reino ao avô Numitor” (cfe.C. condenando-a assim à virgindade perpétua. foi nela que Constantino. manda encarcerar a vestal e lançar os gêmeos ao rio Tibre. SÉRVIO TÚLIO e TARQUÍNIO “O SOBERBO”. foi um possível rei anglo-saxão que reinou na Inglaterra. expulsa-o e ocupa o poder. Nesse período de quase dois séculos e meio. TULO HOSTÍLIO. O antepenúltimo destes. seu filho mais velho. Sua catedral.APÊNDICE I Tradicionalmente. à entrada da caverna Lupercal. Athelstane anexou aquele país ao seu reino inglês. condu-los para casa e os entrega.C. York era a sede do governo geral para toda a então chamada “província bretã”. Roma teve sete reis: RÔMULO. TARQUÍNIO “O PRISCO”. e é uma das mais antigas e mais interessantes cidades da Inglaterra. rei da Northumbria. notadamente quando é encarada como o lugar proeminente onde a Corporação realizou uma Assembleia em 926 para formular e adotar uma Constituição. entre os quais a famosa catedral de São Paulo. a expressão ‘Franco-Maçom’ era quase desconhecida durante toda a Idade Média”. Por fim. expressão que a Idade Média jamais havia conhecido”. entendimento este compartilhado por PIERRE DU COLOMBIER. Estabeleceram em seu Grão-Mestrado as comunicações da Fraternidade. então todo-poderosa. sustenta igual opinião. porque a condição do homem livre por nascimento era uma das qualificações requeridas para ser admitido à iniciação”. mas só conhecemos uma confraria poderosa. no sentido de isenção. em relação com a iniciação tradicional no ofício de construtor”. Esses operários teriam sido reservados para a construção dos mosteiros e das igrejas. eram assim denominados”. com exceção dos grandes castelos e de outros monumentos urbanos. observando-se também com regularidade as festas anuais da Instituição. RENÉ GUENON acrescenta: “De fato. Carlos I e Carlos II –. que se encontra na posse da Loja York n. “Velhas Instruções”. levando a que esta fosse consideravelmente aumentada em face dessa reputação. pois “essa expressão nunca implicou a ideia de um pedreiro emancipado da servidão feudal. portanto. argumenta BERNARD JONES que a palavra “franco. KNOOP e JONES se reportam aos Estatutos Ingleses de 1351. seu nome o indica. arrematando que “uma classe de pedreiros se desenvolveu. do controle ao qual estava sujeito o ‘comum dos construtores’. em termos de ofício. ou mesmo “Velhos Manuscritos”. e durante sua longa carreira superintendeu a construção de muitos e dos mais magníficos edifícios públicos e privados da Inglaterra. longe do canteiro da igreja. então. arremata com as palavras do mesmo JEAN GIMPEL: “A palavra ‘pedreiro-livre’ se refere evidentemente à qualidade da pedra e não a qualquer isenção de que se teriam beneficiado os construtores de catedrais. é o ‘rough mason’ (pedreiro rude)”. Além disso. de como . ainda o mesmo JEAN PALOU põe o fecho nessa tormentosa questão semântica com estas expressões: “Esta definição do Franco-Maçom nos parece a única justificável. JEAN GIMPEL. À qualidade do ofício corresponde a qualidade do material empregado. Estes segredos eram também. Ao talhador de pedras. a um pedreiro rude (Rough Mason)’. levando a que JEAN PALOU assim conclua: “Havia. Quando foi introduzida na França a Franco-Maçonaria especulativa. ao talhador de imagens na pe dra de grão mole corresponde o nome de ‘pedreiro-livre’ (freestone mason). a faculdade que têm de se deslocar de uma cidade para outra o prova e no lugar onde se estabelecem são isentos das obrigações e regulamentos que o ofício impõe a seus membros: são ‘horsains’. APÊNDICE V16 HENRI FELIX MARCY. ao talho e à escultura. pedreiros que trabalhavam a pedra para o Colégio Wadham. Havia algumas associações religiosas de pedreiros. uma diferenciação ao mesmo tempo social e qualificativa entre os pedreiros. esse mesmo adjetivo ligado à palavra ‘stone’ (pedra) significa ‘pedra mole’. Durante sua administração maçônica vários homens eruditos foram iniciados (“aceitos”) na Ordem. como tais. APÊNDICE VI AS “OLD CHARGES” Traduzidas como “Velhos Deveres”. esquadro ou régua. é sobejamente demonstrada pelo manuscrito maçônico inglês de 1693. que põe a qualidade de Pedreiro à de ‘Rough Mason’ ou Pedreiro Rude.idade. Foi o arquiteto sucessivamente de três reis – Jaime I. Já por volta de 1600. relacionando-se à França. que eram homens de ofício. que assim se chamavam por causa das isenções que tinham sido concedidas pelos soberanos e suas corporações e. no decurso dos séculos XIII e XIV. estrangeiros que. referindo-se à expressão “franco-maçom” como significando “pedreiro-livre”. sob o reinado de Jaime I. os quais. Foi eleito Grão-Mestre em 1607. mostrando que existe um segredo ‘técnico’ e por isso mesmo iniciático. de como se comportar à mesa quando se é convidado à casa de alguém. não havia antigamente outra distinção além da de ‘pedreiros-livres’. ao contrário da ‘roughstone’ ou ‘pedra dura’”. de uma outra ordem profissional. foram conhecidos sob o nome de ‘pedreiros de pedra mole’. O ‘pedreiro-livre’ “tinha um conhecimento mais aprofundado de seu material e uma ciência da geometria do ofício” e que “alguns estatutos arcaicos e outras fontes fazem alusão ao ‘pedreiro de pedra mole’. que não se enquadrava tecnicamente numa confraria: a comunidade dos pedreiros de Londres. sem dúvida. de Oxford. eram “regras de civilidade. explica que “os franco-maçons são homens livres. com uma jurisdição muito limitada. que o primeiro não deve revelar ao segundo: ‘Além do mais. “Antigas Obrigações”. nenhum pedreiro pode mostrar alguma forma. Está provado que esses homens trabalhavam indiferentemente nas catedrais rurais e nos castelos urbanos. quando afirma também que “Na França. Não há certeza da existência de nenhuma associação de pedreiros neste país ( a Inglaterra ). traduziu-se naturalmente a expressão ‘free mason’ por ‘francmaçon’ (pedreiro-livre). quando falam de “free mason ou mestre pedreiro de par livre”. Aquele que desbasta a pedra bruta na pedreira. que se presta facilmente como o grés. sem dúvida também (deveríamos talvez mesmo dizer antes de tudo). O mesmo BERNARD JONES volta a esclarecer que na Inglaterra e a partir do século XII havia a distinção entre ‘pedreirolivre’ e ‘mão-de-obra’. Essa organização não apareceu senão no século XIII ou no século XIV”.. Contraditando GUENON.maçom” “jamais significou ‘pedreiro-livre’”. não podem pertencer a uma corporação”. para esclarecer que “a palavra ‘free’ se traduz por ‘livre’ ou ‘franco’. 293. Mas. Temse aventado que os franco-maçons eram originariamente pedreiros-livres libertados pela Igreja. por exemplo.. arenosa. segundo uns. na maioria. Com a queda do Império Romano do Ocidente. algumas mais do que outras. É composto de 33 folhas de pergaminho e se encontra no Museu Britânico. não apenas da história da arte que abraçavam. Também está escrito no “Regius” que “a Maçonaria foi introduzida na Inglaterra no tempo do rei Athelstan. na verdade é um dos muitos manuais de comportamento social que circulavam quando as guildas dos Masons’ atingiram o seu auge. Esse príncipe foi um grande construtor de casas e de templos. Começaram a se definir os modos e modos de proceder na vida em sociedade. salientam-se apenas três: esse já citado Manuscrito Regius .. ou por inadvertência ou de propósito. e o Manuscrito Watson. são quase todas diferentes. de um modelo básico. que alguns autores datam nas cercanias de 1390. levá-los a se diferenciarem mais evolutivamente da massa popular na qual estavam inseridos. Mesmo assim. em algumas bibliotecas públicas e museus e como propriedade de particulares na América e nas Ilhas Britânicas”. serviam como advertência aos Aprendizes que eram admitidos na confraria. mais ou menos. tendo sido. dos regulamentos. Uma descrição. seja motivo de opróbrio para o ofício” 24. e 1410 e 1420. Na verdade. verificou-se que determinada versão era. dos quais é particularmente destacável o “terceiro ponto”: “Os conselhos de seu mestre devem ser guardados e não revelados. o mais antigo de todos eles é o sempre lembrado Manuscrito Regius . a Europa toda ficou à mercê das invasões bárbaras. enquanto outros. o comércio e a indústria começaram a se reestruturar no decorrer do século XI. e isto levou ao estabelecimento de comportamentos sociais mais rígidos. supostamente. e a outra. emprestavam regularidade a um grupo de pedreiros agrupados numa confraria da profissão e que em seu nome estivessem agindo. com a sua falta. (. O primeiro – o Regius – divide-se em duas partes principais (embora contenha mais outras três): uma composta de 15 “artigos” destinados aos Mestres.. à proporção que novos exemplares se faziam necessários. merecem ser destacadas as palavras do Irmão AMBRÓSIO PETERS18 expressando que. que redigiram em quinze artigos e quinze pontos os estatutos maçônicos” 25. nem o que ouve. temeroso de que os revelando se torne culpável e. o localizam entre 1388 e 1445.) E.se comportar em relação ao mestre. com relação à mulher do mestre. no entanto. a um só tempo. onde quer que vá. e a civilização europeia ocidental deixou de existir nesse período que vai de cerca do século V ao século X. pelo inegável acerto das afirmações. de 15 “pontos” endereçados aos Aprendizes. Os cidadãos abandonaram as cidades e se refugiaram no interior das florestas e em distantes terras rurais. Voluntariamente não revela a ninguém o que se passa na Loja. nem o que vê fazer. também com datação incerta. No século X. por conseguinte um devotado protetor dos pedreiros e propagador zeloso de sua arte. a civilização começou a se reerguer. mas uma compilação de duas ou mais” 21. Outros 23 chegam a 125 “sob a guarda das Lojas e outros organismos maçônicos. sendo uma espécie de ‘codificação’ destinada a melhorar o grau de civilidade dos Maçons Operativos da Idade Media. em certos casos. segundo. da filha do mestre. A esse respeito. copiadas umas das outras. deixando ver em quase todos os casos a mão do copista. A Europa Ocidental inteira voltou à barbárie. mais voltado para a informação do que para uma análise extensa e percuciente desse grande número e diversidade de conteúdo nos Velhos Manuscritos. também conhecido pelos nomes de “Poema Regius” e “Poema de Haliwell” . Não diz a ninguém. Tem-se assinalado que essas Antigas Instruções tinham duplo objetivo: primeiro. . com o arrefecimento das invasões bárbaras. pois eram lidas durante o cerimonial de ingresso para que se inteirassem. por isso mesmo. Isto levou à elaboração de muitos manuais de etiqueta durante a Idade Média”. Situam-se esses “Velhos Manuscritos” na Baixa Idade Média20 e. ou por má interpretação ou pela inclusão de algum material coligido talvez de uma tradição local ou tirado de seu próprio saber ou imaginação. “são todas elas. por evidente. Esses manuais de comportamento foram originados por um processo histórico anterior. todos os Velhos Manuscritos destacam-se por abarcar dois elementos fundamentais: o primeiro refere-se a uma descrição aparentemente lendária da origem e desenvolvimento da arte da construção. mais o Manuscrito Cook. Guarda-os com a maior honra. em Londres. e assim. muitíssimo mais decalcada na tradição oral do que em documentação autêntica. assim como os conselhos de seus companheiros. segundo outros. Após longos esforços. das obrigações morais e de bom comportamento que doravante estavam obrigados a respeitar e praticar19. das pessoas que o cercam” 17 . em alguns detalhes. a organização social. foi-lhe dado constituir um conselho composto de personagens de elevada posição e sabedoria. como também das regras. mas certeiramente localizada no século XV (anos 1401/1500). essas Velhas Instruções que foram escritas naquela época medieval representam o conjunto de textos mais antigos da Maçonaria Operativa. Mas. conformado por uma sequência instrucional traduzida em “artigos” e “pontos” destinados a Mestres e Aprendizes da arte de construir em suas recíprocas relações. são. Estabelecidas as primeiras bases da vida em nova sociedade. os conselhos da sala e os conselhos da câmara. “embora oficialmente identificado como um poema sobre conduta moral. A título meramente ilustrativo. nos séculos XIII e XIV. estereotipados e adequados à normalização dos relacionamentos entre as pessoas nas cidades que cresciam. Há autores que limitam o número de versões das “Old Charges” a 87 22. O segundo. sempre respeitadas por todos os historiadores maçons. com datação estimada entre 1400 e 1410. conservadas na Grã-Bretanha. mas também da Maçonaria enquanto vista como Confraria organizada. com as devidas reservas. E. em verdade. como se verá mais a seguir. afirmando tratar-se de uma compilação de textos reunidos ao longo de 57 anos. não uma cópia completa e mais ou menos exata de uma única versão anterior. data em que se fundiram aquelas quatro Lojas londrinas. entre o primeiro quartel dos anos 400 d. apenas com os acréscimos assim referidos: “. Também narra esse papel desempenhado por Athelstan. Nesse enfoque. impunha-se que se visse protegida por eles. embora seja posterior ao Manuscrito Régius. mesmo não negando o ingresso de Membros daquelas corporações acossadas e flageladas. o Período Intermédio ou Período de Transição da Maçonaria é aquele que se estende.. convidou-os a reunir os antigos arquivos da corporação. Foi a partir dessa época que a arte de pedreiro foi realmente fundada e confirmada na Inglaterra” 28. Por falta de documentação autêntica. mas. o “Manuscrito Watson”. Maçonicamente importante é o fato de que. obteve-lhes uma constituição real. O terceiro. é essa relação de parentesco um tema polêmico. já que . Presidiu a Assembleia Geral que se reuniu em York. não há possibilidade de que se venham a saber. Contudo. Estas. há aqui uma passagem que se põe de contradição com outras. que o do ‘Regius’ 26 . É também conhecido como “Os Mil Anos Negros da Humanidade” devido à barbárie resultante da Inquisição Religiosa. tem seu texto copiado de um original que “é realmente mais velho. nestes termos: “As Constituições acabaram por se perder no meio das dificuldades ocasionadas pelas guerras da época. na Inglaterra. é despido de relevância para a história da Maçonaria. as “Old Charges” que mais de perto interessam e tocam ao Grau de Aprendiz. Jacques de Molay. a admissão dos “aceitos” não estaria sob o pretexto de abrigá-los ou protegê-los. o “Manuscrito Cook” (tem esse nome porque o seu editor. de triste memória) aconteceram entre o princípio do século V e meados do século XV. ao morrer. Esse príncipe gostava também dos pedreiros e confirma a Constituição que Santo Albano havia outrora obtido para eles. que igualmente se encontra no Museu Britânico. como foi a dos Templários. e outras tantas. A TRANSIÇÃO É fato incontroverso que a Maçonaria Operativa. uma vez que a Instituição gozava de privilégios consideráveis no universo nobiliárquico e eclesiástico da época. de todas as Velhas Instruções. relacionada à questão de Edwin ter sido “filho” ou “irmão” de Athelstan. Portanto. Filiou-se à sua corporação. segundo os entendidos. quando se fundiram quatro Lojas Inglesas para dar nascimento à Grande Loja de Londres. O Período Medieval é historicamente definido como a Era em que os fatos sociais. fornece uma curta história do Templo do Rei Salomão. pois este. até o reinado de Athelstan. não havia deixado descendência. segundo alguns historiadores. que pertence à biblioteca da Grande Loja Provincial de West Yorkshire. na realidade.O segundo. SEGUNDA PARTE PERÍODO DE TRANSIÇÃO DA MAÇONARIA OPERATIVA PARA A ESPECULATIVA BREVE INTRODUÇÃO Costuma-se fixar como “Período Intermediário da Maçonaria” aquele lapso de tempo que se projeta do fim da Idade Média até 1717. ou seja. malgrado se sinta que a fonte descritiva possa estar no “Regius”. dos quais foi feita uma nova Constituição. abordável mais apropriadamente no Grau de Mestre. regulou seus salários e deu-lhes estatutos que ainda estão em uso na Inglaterra e em outros lugares” 27. a causa estaria no desencadeamento da perseguição religiosa sobre certas corporações. Deu prova da maior benevolência para com os pedreiros e lhes obteve de seu pai uma nova constituição que lhes dava mais liberdade do que no passado. até hoje não definido com precisão e que. diante do notório enfraquecimento que a Maçonaria Operativa vinha sendo passiva. pela primeira vez. em 1861. o Manuscrito Cook é o que. Todavia. também faz idêntica descrição. bem inversamente. portanto. as causas ou motivos pelos quais houve essa aceitação não iniciática de profanos naquele estágio da Maçonaria Operativa30. entre o termo médio do século XV e (precisamente) o dia 24 de junho de 1717. a Maçonaria Operativa teria desempenhado um papel de “abrigo protetor” dessas pessoas perseguidas. tanto no Período Operativo quanto no Especulativo.C até o segundo ou terceiro quartel dos anos 1400. Para uns. um período que durou aproximadamente entre 270 e 300 anos. políticos e religiosos (estes. Tornou-se também mestre em Geometria e deu testemunho de sua afeição aos pedreiros. em seguida reinou Athelstan. chamava-se Mathew Cook). recepcionou em seu seio pessoas que não pertenciam ao quadro de pedreiros de ofício. com certeza. Para outros. que se dispersaram após 1314 com a morte de seu Grão-Mestre. mais ou menos. às quais era dado o nome de “maçons aceitos” 29 . já em seu ocaso lá pelos idos dos anos 1400. Seu filho mais jovem se interessava pela Geometria e se deu conta de que a arte do pedreiro nada mais fazia do que aplicá-la. aprendeu a Geometria e a arte de pedreiro.. a dos Rosa-cruzes. Seu filho mais novo. Edwin. a designação de um grau efetivo iniciático. professores. a ponto de se confundirem entre si essas duas Instituições.eram pessoas de grandes posses. historiador e Rosacruz. Eu era o Decano dos Companheiros presentes (pois já faz trinta anos que fui admitido). M. reunidos num banquete solene. de uma comprovação autêntica. tornando-se “Membros Honorários” em contraposição aos Mestres de Ofício ou Pedreiros-Livres (“freemasons”). não quer dizer que esta se tivesse deixado dominar pelos ensinamentos daquela filosofia. o acabamento da iniciação nos ‘pequenos mistérios’. que. pois o próprio símbolo da Rosa Cruz 40 representa.. Fomos todos almoçar na taverna da MeiaLua em Cheapside. composto pelos “rosacrucianos”. portanto. a perfeição do estado humano. M. respeitáveis e portadores de inegável prestígio. entre elas a Alquimia. culturalmente avantajados. astrólogo. a reintegração do ser no centro desse estado e a plena expansão de suas possibilidades individuais a partir desse centro. quando. de cunho um tanto esotéricas. arqueólogos. graças a ela. É interessante notar que toda essa casta de “aceitos” na Maçonaria Operativa. pelos dois elementos de que é composto. clérigos. enfatiza a distinção entre “rosa cruz” e “rosacrucianismo” ao explicar que no princípio do século XVII (anos 1600) surgiu a lenda de “Christian Rosenkreutz” 38. em 18 de junho de 1600. cujas despesas correram por conta dos novos Maçons aceitos”. muito embora seja fato incontestável que nesse Período Intermediário ingressou nas Lojas da Maçonaria Operativa inglesa expressivo contingente de latifundiários. Inglaterra. Will Woodman. “Companheiro”. na verdade. veio a ingressar na Ordem nada menos do que “Sir” ROBERT MORAY. físico. caracteriza-se pela propagação das chamadas “ciências secretas”. não apenas no mundo sócio-político como também no religioso reinantes. o Capitão Richard Bortwick. Cavaleiro. vindo a tornar-se uma figura polêmica entre os historiadores da Maçonaria. Seja como for. em Paris e Londres. Marcy 37. M. a inclusão de um certo grau iniciático na Maçonaria e até mesmo a sua denominação – o Grau 18 “Cavaleiro Rosa Cruz” – centram-se na filosofia Rosa Cruz36. pois. como já dito. se não era adepto. emanadas daqueles que se intitulavam “rosa cruzes”. em Londres. de outras figuras proeminentes ligadas à aristocracia inglesa. tudo isto com a sua natural carga de misticismo. não deixava de revelar sua simpatia pela filosofia Rosacruz. M. e ainda porque o fato de ELIAS ASHMOLE ter sido Rosa Cruz quando ingressou na Maçonaria. à semelhança de outros eruditos da época. quando. o que vem a ser a mesma coisa. Para a corrente ligada a essa tese. Wim-Grey. Em 20 de maio de 1641. que passaram a ser conhecidos como “especulativos” 31 . M. nobres da Corte. por volta do meio-dia. marca. o Hermetismo. Esta confusão entre ‘operatismo’ e ‘corporatismo’ é muito frequente entre os historiadores maçons”.. A aceitação formal e tradicionalmente verbalizada localiza-se na Loja de Edimburgo. Jean Palou. a Astrologia. já que ele era adepto daquela filosofia. veio a ingressar na Maçonaria Operativa em transição o inglês ELIAS ASHMOLE 33. historicamente valiosa. erudito em cujo acervo cultural se contavam os títulos de arqueólogo. a começar pela ausência de prova histórica concreta nesse sentido. na cidade de Newcastle. nascida da Fraternidade dos Rosa Cruzes. o Ocultismo. aí é de perguntar-se: como poderia um “Mestre” ser aceito como “Companheiro”? É o próprio Jean Palou. surgiram proclamações na Alemanha. apoiado em René Guénon 35. foram admitidos na Fraternidade dos Maçons: Sir William Wilson. ocultistas. eruditos.. inspirado em René Guénon e H. em 10 de maio de 1682. . quem explica ao dizer: “É evidente que os Mestres do Ofício que acabam de ser iniciados na Loja de Ashmole – estamos no século XVII – traziam um título corporativo provavelmente comprado a peso de ouro e por mais perfeitos pedreiros corporados que fossem. relativamente misteriosas e suspeitas 39. esotéricos. Observa-se que vários dos nomes citados por ASHMOLE estão precedidos pela letra “M”. geomânticos. John Thompson e M. ao ser nela admitida não o era no grau de Aprendiz. qualquer dessas duas posições relativamente opiniosas revela-se carente. Isto porque (transcrevendo do René Guénon): “o termo Rosa Cruz é. enquanto uns minimizam. não tinham ainda recebido a iniciação que fazia deles verdadeiros ‘operativos’.F. o profano JOHN BOSWELL tornou-se “maçom aceito” 32. outros chegam a exacerbar a participação dele nas atividades maçônicas de então. médicos. Estavam presentes ao meu lado os Companheiros a seguir relacionados: M. recebo uma convocação para me apresentar a uma Loja que deve reunir-se no dia seguinte em Mason’s Hall. Uma outra questão extremamente polêmica ligada a ELIAS ASHMOLE é a que lhe é imputada como introdutor da corrente Rosa Cruz na Maçonaria. Consequentemente compareci à reunião e. alquímicos e astrólogos. naturalistas. que não é abreviação de nome algum.. como também de místicos. dizendo textualmente: “Por volta das 5 horas da tarde. Thomas Shorthose. isto é. 1623 e 1628. cabalistas. hermetistas. mas já no de “Fellow”. eram personagens “rosacrucianos”. respectivamente em 1614. Thomas Wise. Em seu “diário” ele próprio afirma 34 o ingresso. William Stanton. em 16 de outubro de 1646. William Hamon. Mestre da Companhia dos Maçons para o ano corrente. Cinco anos mais tarde. Já o “rosacrucianismo”. mas sim do título de “Mestre”. M. com exatidão. então já nos últimos cenários de seu ocaso. . A corrente oposta nega o interrelacionamento entre os Rosa Cruzes e a Maçonaria. a restauração do ‘estado primordial’ ou. Samuel Taylor e M. William Wise. e que. na Escócia. mantiveram as festas e comunicações tradicionalmente anuais. Espalhou-se em outros países com mais ou menos atividade através da instrumentalidade da Grande Loja da Inglaterra. a “Loja-Mãe do Mundo”. o Rei Guilherme III. várias Lojas insatisfeitas com a conduta da Grande Loja da Inglaterra. que a “Grande Loja de Toda a Inglaterra”. na Holanda. Em 1739 estabeleceram uma nova “Grande Loja dos Maçons Antigos de York”. Sir CHRISTOPHER WREN. instalaram-se a Assembleia e o Banquete Festivo. em 1733. revivendo os festejos anuais que haviam deixado de acontecer. notadamente quando a questão territorial passou dos limites. Sobrepondo-se à determinação da Grande Loja de Londres para porem em estrita execução as leis que se opunham à secessão. o Duque de Kent. tomaram a deliberação de se unir sob um novo Grão-Mestrado. um Estatuto que alterou inteiramente os objetivos da Instituição Maçônica. até o ano de 1813. ainda aqueles Maçons posteriormente vieram a se separar da jurisdição londrina para assumir a denominação de “Maçons Antigos de York”. declarando que as Lojas regulares haviam adotado novos planos bem como sancionado inovações que os levavam a adotar o nome de “Maçons Modernos”. estabelecendo um imperecível fundamento que a Sublime Instituição exibe a toda a Humanidade e. Note-se. continuou trabalhando até 1792. na Inglaterra. em 1689. Desde aquela época os Maçons de York consideravam seus interesses distintos daqueles dos Maçons subordinados à Grande Loja de Londres. As Grandes Lojas de York e de Londres conservaram entre si uma notável relação de fraternidade e intercambiaram seus reconhecimentos até 1725. dela se separaram. havia dois Grão-Mestres com títulos diferentes: um. e a subsequente veemência dos sentimentos políticos impuseram à Ordem Maçônica um golpe fatal no seu progresso. na verdade. ao passo que o outro do Sul era denominado simplesmente “Grão-Mestre da Inglaterra”. a partir daquele instante. passando a eleger entre eles mesmos um Grão-Mestre. a partir daí. o mais maravilhoso sistema de simbolismo moral e religioso. em 24 de junho de 1717 – dia em que se homenageia “São João Batista” –. . vindo a cessar em 1735 todas as relações fraternais entre essas duas Grandes Lojas. e na Itália. relacionado aos “Maçons Antigos”. Em 1715 havia quatro Lojas no Sul da Inglaterra e todas trabalhando na cidade de Londres. entretanto. converteu-se de Operativa em completamente Especulativa em seu caráter. desejosas de revigorar a prosperidade da Ordem. E foi aí que a Maçonaria. em 1738. isto é. Deixou de erguer templos materiais para devotar-se ao soerguimento de templos espirituais. em 1735. a Maçonaria do Sul da Inglaterra havia entrado em decadência. Três anos após. Foi assim que. o Grão-Mestre do Norte com o título de “Grão-Mestre de Toda a Inglaterra”. Elaborou-se. na Alemanha. Encontraram-se na “Taverna da Macieira” e aí constituíram-se formalmente numa “Grande Loja” pro tempore 41. quando então as Assembleias gerais da Grande Loja deixaram de existir. e seu irmão. coligando-os ao simbolismo religioso que eles comunicavam. Tal é a história resumida da Franco-Maçonaria na Inglaterra. Os distúrbios da revolução que acabaram colocando no trono. Mantiveram-se firmes na manutenção da Assembleia e do banquete anuais. e perseverando nas medidas que haviam adotado. especialmente na América. Na América a Franco-Maçonaria foi instalada em Boston. vindo a partir daí a entrar em declínio até aquela união em 1813. Tornaram-se aqueles Maçons os atualmente chamados “Maçons Livres” (‘freemasons’). Sob o modelo inglês vieram a surgir crescentemente as Lojas em outros países: na França. sob o Grão-Mestrado do Duque de Sussex. cresceram as dissensões. a partir de 1727. como narrada por todos os escritores maçons nos últimos dois séculos. Estado de Massachusetts.TERCEIRA PARTE O ALVORECER DA MAÇONARIA ESPECULATIVA No passar do tempo e evolução dos fatos. ao cisma que as levou à separação entre si. As duas Grandes Lojas continuaram a existir em recíproca oposição. Essas Lojas. causando recíprocos protestos. assumiram os Maçons da primeira o título de “Maçons de York”. como jamais visto. sendo naquela proposto e eleito ANTHONY SAYER como Grão-Mestre. em 1733. relacionado aos “Maçons Modernos”. quando. estendendo seus cismas a outros países. houve um momento em que. que se tornou. Manteve as ferramentas e os termos técnicos da arte de construir tais como existiram na instituição original operativa. sendo encorajados e fomentados por muitas pessoas ligadas à nobreza da Corte. Aproveitando-se da brecha entre as Grandes Lojas de York e de Londres. Logo no começo do século XVIII (anos 1700). em 1731. na seqüência. passando a não reconhecer as sessões que não tivessem sido autorizadas com a finalidade de iniciação. havia envelhecido. Logo em seguida foram reconhecidos pela Maçonaria da Escócia e da Irlanda. por muito tempo Mestre-Construtor e Grão-Mestre no reinado da rainha Ana (1702-1714). Anunciaram que os antigos “landmarks” passaram a ser exclusivamente preservados por eles. em York (localizada no Norte desse País). tornando-se doente e inativo. uniram-se finalmente sob o nome de GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA. ANDRÉ-MICHEL DE RAMSAY nasceu em 1686. eis que seu ingresso na Maçonaria também não tem data até hoje conhecida. hoje é considerado mais conveniente limitar-se a essa religião sobre a qual todos os homens estão de acordo. notadamente quando a questão territorial passou dos limites. Nasceu em 1683 na cidade de Rochelle (França). JÉAN-THÉOPHILLE DÉSAGUILLIERS ANDRÉ-MICHEL DE RAMSAY Esses três personagens conviveram na mesma época em que desabrochava o Período Especulativo da Maçonaria e para ele deram as melhores de suas contribuições. menos ainda. conheceu e manteve relações também com outro notável matemático. parecendo que desempenhou papel importante na constituição da Ordem Maçônica logo no início de seu Período Especulativo. JEAN-THÉOPHILLE DÉSAGUILLIERS. estudou em Oxford e chegou a ser professor de Filosofia Experimental naquela mesma Universidade. isto é. nem agirá contra a sua consciência. Na edição de 1738 ANDERSON dá a esse texto uma redação mais curta. Nunca se chegou a saber quando foi iniciado na Maçonaria. o mais maravilhoso sistema de simbolismo moral e religioso. embora o fosse. cresceram as dissensões. desse país ou dessa nação. vindo a falecer em 1739. de quem foi capelão. publicada sua primeira edição em 1723 e a segunda em 1738. “Antigas Obrigações”). A celebridade do Livro das Constituições em sua primeira edição advém da redação emprestada ao texto de um artigo. Deixou de erguer templos materiais para devotar-se ao soerguimento de templos espirituais. e se compreende bem o Ofício. causando recíprocos protestos. ou homens honrados e probos. em 1719. vindo a cessar em 1735 todas as relações fraternais entre essas duas Grandes Lojas. pois todos estão de acordo sobre os três grandes artigos de Noé. em SaintGermain-em-Laye. vindo a falecer em 1744. quase que completamente Especulativa em seu caráter. Foi o renovador da Maçonaria Francesa e também propagador da corrente maçô- . de vida maçônica muito oculta. em 1684. ou ainda. Também ensinou em Westminster. Todas as demais edições foram posteriores à sua morte e ocorreram em 1756. universalmente reconhecidas pelos autores maçônicos. sabendo-se apenas que esse fato ocorreu antes de 1728. Embora fosse um literato fecundo. Afirmava ele: “Um maçom é obrigado por sua condição a observar a Lei Moral. não será jamais ateu estúpido nem libertino irreligioso. dela se separaram. para preservar o cimento da Loja”. quando redigiram a Constituição de 1723. como também chegou a ser Grão-Mestre da Ordem. JAMES ANDERSON nasceu em Aberdeen. Sobrepondo-se à determinação da Grande Loja de Londres inteiramente reformulada. Desde aquela época os Maçons de York consideravam seus interesses distintos daqueles dos Maçons subordinados à Grande Loja de Londres. embora nos tempos antigos os maçons fossem obrigados em cada país a ser da religião. vindo a falecer em 1743. Foi ele quem. não será jamais ateu estúpido. iniciou na Maçonaria o Príncipe de Gales. coligando-os ao simbolismo religioso que eles comunicavam. se compreende bem a Arte. onde conheceu o matemático Isaac Newton. de ser homens de bem e leais. embora não ficasse indene às críticas. Aproveitando-se da brecha entre as Grandes Lojas de York e de Londres. assumiram os Maçons da primeira o título de “Maçons de York”. passando a não reconhecer as sessões que não tivessem sido autorizadas com a finalidade de iniciação. como jamais visto. que lhe imputava e a James Anderson a responsabilidade pela desfiguração da Maçonaria ao sair do plano “operativo” para entrar no “especulativo”. tendo sido pastor protestante. como um verdadeiro noaquita. vindo a tocar a ele a responsabilidade de organizar a Maçonaria Especulativa. Foi um dos homens mais instruídos e mais célebres daquela época e a ele se deve a propagação da Maçonaria Especulativa. Foi o autor do “Livro das Constituições” Maçônicas. quaisquer que sejam as denominações ou confissões que ajudem a distingui-los. em razão do que a Maçonaria torna-se o Centro de União e o Meio de travar uma amizade sincera entre pessoas que de outra forma permaneceriam eternamente estranhas”. notadamente de René Guenon. onde é afirmado: “Com relação a Deus e à religião. Refugiado na Inglaterra com seus pais. Manteve as ferramentas e os termos técnicos da arte de construir tais como existiram na instituição original operativa. sua vida maçônica.JAMES ANDERSON. sua vida profana não é muito bem conhecida e. Ao longo de sua vida prestou relevantes serviços na área das Ciências. Era formado pela Universidade da própria cidade onde nasceu. 1767 e 1784. estabelecendo um imperecível fundamento que a Sublime Instituição exibe a toda a Humanidade e. na Escócia. Viajando pela Holanda. a partir daí. várias Lojas insatisfeitas com a conduta da Grande Loja da Inglaterra. nem libertino irreligioso. Um maçom é obrigado por sua condição a obedecer à Lei Moral e. Para essas “Constituições” dedicou-se integralmente ao estudo das “Old Charges” (“Velhas Instruções” ou “Velhos Manuscritos”. deixando a cada um suas próprias opiniões. qualquer que ela fosse. porém com alterações e acréscimos que têm dado margem a sérias discussões entre os autores maçônicos. Hyghens. em 1738. Tornaram-se aqueles Maçons os atualmente chamados “Maçons Livres” (‘freemasons’). As Grandes Lojas de York e de Londres conservaram entre si uma notável relação de fraternidade e intercambiaram seus reconhecimentos até 1725. em Ayr (França). Três anos após. Mas. e por isso ligado à Casa dos Stuarts. nem suas eventuais jurisdições. como também daqueles que o admiravam. sem interesse secundário. mais conhecidas como “Constituições de Anderson”. as leis. Uma outra questão. sem mesmo escutar a vontade natural de dominar. de normas superiores a que ficam sujeitos todos os Maçons em todas as Lojas de uma jurisdição integrante de Potência Maçônica. não só pelo amor às belas artes. em cuja família genealógica se encontrava Godofredo de Bouillon. em 1730. onde todas as nações podem colher conhecimentos sólidos e onde os súditos de todos os reinos podem aprender a se amar mutuamente. “Constituição da Grande Loja de Santa Catarina”. está ligada aos graus maçônicos. já não mais se identifica a Potência Maçônica. Queremos reunir todos os homens de espírito esclarecido. Mencionando-se. porém. um filho. quando se fala de “Constituições” (no plural). as tradições. e ainda os próprios usos e costumes. em todas as suas Lojas e por todos os Maçons. seus passos na trajetória maçônica são quase desconhecidos. mas também e ainda pelos grandes princípios da virtude. mas sim a universalidade dos Maçons a que elas estão destinadas. o seu famoso “Discurso pronunciado por ocasião da recepção dos franco-maçons. Nossos antepassados. A menção de Ramsay aos cruzados como “antepassados” dos Maçons não corresponde à verdade histórica. qual seja. No entanto. numa só Confraria. Contudo. fez retroagir e coligar os primórdios da Ordem Maçônica àqueles Cruzados – os “Cavaleiros de São João de Jerusalém”. que. as cimentará de um certo modo pelo vínculo da virtude e da ciência”. os cruzados. isoladamente consideradas. que nossa Sociedade (a Franco-Maçonaria) foi de início estabelecida. as normas gerais e supremas. é incontestável o fato de ter sido ele o autor de um documento que é considerado importantíssimo para a história da Franco-Maçonaria. na GRANDE LOJA do Brasil (Potência). . da ciência e da religião. por exemplo. porque em todas elas estão grafadas. que. de R. apesar de ser católico confesso. todas absolutamente invioláveis e de cumprimento fidelíssimo – ressalvadas as ligeiras adequações que se fizeram necessárias e decorrentes da evolução nos vários campos do relacionamento humano. mas sim por todas as Potências. Grande Orador da Ordem”. que uns afirmam terem sido inspirados por Ramsay – e por isso cognominado “o pai espiritual dos Graus Superiores. para tornálos melhores e formar. É neste último sentido que se fala das “Constituições de 1723”. rígida e dogmaticamente.. mormente pelo fato da inexistência de comprovação autêntica a tal respeito. Ainda nesse mesmo ano foi-lhe concedido o título de “Doutor” pela Universidade de Oxford (Londres). os indivíduos de todas as nações. reis católicos ingleses. no correr dos tempos. em que. é valida para a devida reflexão e comparação com a atual filosofia maçônica a transcrição de um trecho 42 desse longo “Discurso de Ramsay”. fica sujeita à jurisdição de SANTA CATARINA (Estado Federado). nem suas Lojas. Quiçá. sem renunciar à sua pátria. quando se fala de “Constituição” (no singular). criar-se-á um povo novo. pelo Sr. Apesar dessa escassez de dados maçônicos a seu respeito. “Constituições Escocesas de 1762” e “Constituições Escocesas de 1786”. O regente da França Jacques II o fez “Cavaleiro de São Lázaro” e. É para fazer renascer e expandir essas máximas essenciais tomadas à natureza do Homem. muitas das quais não podem ser discutidas no grau de Aprendiz. embora não tenha ele próprio concebido e nem proposto grau superior aos três graus simbólicos da Maçonaria azul” 43 – ao passo que outros negam esse feito. até hoje. e a maioria das afirmações a esse respeito provém dos que o criticavam. Isto porque as Constituições não estarão traçando regras e normas superiores para serem obedecidas por esta ou aquela Potência. imaginaram um estabelecimento cujo único objetivo é a união dos espíritos e dos corações. em todas as suas jurisdições. afirma-se a existência de uma codificação de regras e normas fundamentais que. através de cada uma de suas Lojas filiadas. AS CONSTITUIÇÕES MAÇÔNICAS ESCLARECIMENTO NECESSÁRIO Em Maçonaria. como é comumente chamado e que só foi publicado em 1741: “O mundo todo não passa de uma grande república. Como dito. onde o interesse da Confraria se converte no interesse de todo o gênero humano. das mais avantajadas críticas. muito polêmica. sem prejuízo dos diversos deveres que exige a diferença de Estados. e em cada Loja os Maçons que constituem os seus Membros. peça essa que tem sido objeto. que comandou a Primeira Cruzada em 1096 e nela foi o vencedor. esta ou aquela Loja. toda espiritual. concedeu-lhe o título de “Baronete da Escócia”. esta ou aquela jurisdição. Que gratidão se deve a esses homens superiores. como homenagem e admiração aos feitos heróicos da Casa dos Bouillon. de costumes morigerados e de humor agradável. está-se referindo àquele conjunto de regras. reunidos de todas as partes da cristandade na Terra Santa quiseram reunir assim. enfaticamente o político. como foram inicialmente cognominados. uma nação. que são variáveis entre as nações – porque todas elas norteiam a Ordem Maçônica em sua abrangência mundial. umas e outras despidas de documentação suficiente para respaldá-las.nica chamada “Escocismo”. Essa referência foi devida ao fato de que ele era protegido e amigo do Príncipe de Bouillon. da qual cada nação é uma família e cada indivíduo. pelo que recebeu o título de “Defensor do Santo Sepulcro”. composto de várias nações. nem a Arte Real menosprezada. Companheiros e Aprendizes” assinala que “toda promoção entre os Maçons será baseada no seu real valor e mérito pessoal. as CONSTITUIÇÕES DE 1723 ou “Livro das Constituições” de Anderson.Mestre. nem Grande Vigilante antes de ter sido Mestre de Loja e nem Grão. os respectivos textos nas edições de 1723 e 1738. devidamente qualificado. que mostra e justifica a sua razão de ser. Vigilantes. Esses Títulos Gerais versam as matérias sobre: (a) “Deus e a Religião”. dessa antiga Loja. Escócia e Irlanda. com toda humildade. também a tradição maçônica pós-1723 sempre a teve e viu como “Constituição” e assim é referida entre os historiadores da Ordem. identifica os seus propósitos mais generalizados e assenta. Supremo e Subordinado”. ou seja. e para uso das Lojas em Londres”. as OLD CHARGES (“Velhas Instruções” ou “Antigas Obrigações”). Companheiros e Aprendizes. registrou-se que “( . finalizando por afirmar que “as pessoas admitidas como membros de uma Loja devem ser homens bons e de bons princípios. é a fonte única de todas as leis. à época. (3) ao encontro entre Irmãos sem estranhos. não mulher. nos traços biográficos de Anderson.. mas sim por seus méritos. Como tal. Anote-se. depois. na Maçonaria Simbólica. mas fora da Loja. mas de boa reputação”. CONSTITUIÇÕES DE 1786. Quanto ao “Magistrado Civil. abrindo o capítulo único “As Obrigações de um Pedreiro-Livre”. ( . no sentido apertado do termo. Seja como for. subordinadas a estas. que perturbe a paz e o bem-estar da nação. os REGIMENTOS DAS LOJAS. uma profunda e marcante diferença entre uma qualquer constituição profana e as Constituições Maçônicas: A profana é a Lei ou Norma Fundamental. ) e sendo feito um Irmão e depois Companheiro no devido tempo. ) Estes administradores e governadores. CONSTITUIÇÕES DE 1762 (no que não tiverem sido revogadas pelas de 1786). como a tradição do país dita. entretanto. a Lei Magna que dá origem a todo ordenamento jurídico de um país. não se trata de uma “Constituição”. reverência. em caráter particularizado. (c) as Lojas. nem Mestre antes de ter sido Vigilante. Relativamente à “Condução das Lojas quando em atividade”. dos quais o último se desdobra em seis subtítulos.. sob estas. usos e costumes da Maçonaria Operativa. se encontram. ou Supervisor do Trabalho do Senhor. toda a sua ideologia. e então Mestre de Loja. até chegar a Grão-Mestre de todas as Lojas de acordo com seus méritos. ) o mais hábil dos Artesãos-Companheiros deverá ser escolhido ou apontado como Mestre. pois assim serão os Lordes melhor servidos. Elas não estão no topo do ordenamento maçônico e sim sujeitas a uma hierarquia de normas que lhes antecedem em importância. refere que elas foram “extraídas dos antigos Registros e das Lojas de Além-Mar e daquelas da Inglaterra. de acordo com as antigas Obrigações e Regulamentos. trabalho esse que o pastor James Anderson realizou em face da solicitação que lhe fez. antes da textualidade normativa propriamente dita. nem o Mestre nem os Vigilantes são escolhidos pela idade.. seja onde for que se encontrem. vêm os REGULAMENTOS GERAIS. o “preâmbulo” não deixa de ser uma “introdução” onde está consignado o espírito que anima o conteúdo constitucional. por fim. os LANDMARKS. nem imorais ou escandalosos. CONSTITUIÇÕES DE 1723. quer nos Graus Simbólicos. estará acima da Constituição e nem mesmo paralela a ela. ( . nascidos livres. É composta por sete Títulos Gerais. e (6) ao respeito a Irmãos estranhos. OLD CHARGES. Tanto assim é que. (e) condução das Lojas em atividade. ESTATUTOS DO SUPREMO CONSELHO DO GRAU 33 e REGULAMENTOS GERAIS. são versadas as seguintes matérias quanto: (1) à Loja enquanto constituída. Em relação às Lojas. devem ser obedecidos em seus respectivos cargos por todos os Irmãos. estando todos sujeitos aos respectivos regimentos internos e aos Regulamentos Gerais44. em seguida e subjacentes a eles. os Irmãos não serão envergonhados. que deverá ser chamado Mestre por aqueles que trabalham sob sua supervisão. Dentro deste último Título. Grande Vigilante. Vigilantes.. (d) os Mestres. afirma que nestas se caracteriza o lugar onde os Maçons se reúnem e trabalham. (f) e comportamento. amor e alegria”. (4) à presença de estranhos não-Maçons. de idade madura e discretos. a não ser que tenha sido Companheiro antes de sua eleição. Assim não acontece com as Constituições Maçônicas. supremos e subordinados. e não se envolverão em nenhum movimento político. A respeito “Dos Mestres. mas sim de uma compilação das mais antigas tradições. Nenhum Irmão pode se tornar Vigilante antes de ter sido um Companheiro. e após ter cumprido o interstício dos anos. o Grão-Mestre GEORGES PAYNE. em primeiro lugar e acima de tudo.. através de postulados. não escravo. (5) ao lar e à vizinhança. como chamados em sentido lato. poderá ter a honra de se tornar Vigilante. consta o que se chama de “preâmbulo” (como também acontece com as constituições profanas).Nessas três Constituições Maçônicas. como complôs e conspiração. Sobre “Deus e a Religião” já foram transcritos aqui. então.. refere principalmente que os Maçons são súditos pacíficos do Poder Civil. Vale dizer. Na Maçonaria dos Graus Superiores do Rito Escocês Antigo e Aceito a ordem hierárquica decrescente é esta: LANDMARKS. as CONSTITUIÇÕES DAS POTÊNCIAS MAÇÔNICAS (Constituições singulares). (b) o “Magistrado Civil supremo e subordinado”. quer nos Graus Filosóficos. Os Artesãos devem evitar qualquer linguagem . A CONSTITUIÇÃO DE ANDERSON (1723) Em verdade. Dessa forma. Nenhuma lei ou norma. por mais especial e relevante que seja. (2) após a Loja fechada e com os Irmãos ainda presentes. deve descender de ancestrais honrados. ainda que a Maçonaria não usurpe a honra do homem antes de sua Iniciação. dessas duas importantíssimas Constituições. pois isso poderia quebrar nossa harmonia e frustrar nossos louváveis esforços. Facultou-se o regozijo “com inocente alegria. Por se referirem essas duas Constituições a matérias completamente dessemelhantes daquelas versadas na Maçonaria Simbólica.ofensiva.. ou o que quer que possa evitar uma conversa franca e livre. antes de quaisquer outras pessoas pobres nas mesmas circunstâncias”. ou impedindo-o de prosseguir quando suas obrigações assim o chamarem. ) evitar a gula ou embriaguez. Esta Obrigação tem sido estritamente prescrita e observada. nem nunca contribuirá. Por fim. 45 que as aprovou. à qual os Irmãos devem se dirigir. Com respeito a Irmãos desconhecidos. mas deve prestar a devida reverência ao seu Mestre e Vigilantes e Companheiros. nem suplantá-lo ou desviá-lo de seu trabalho. devereis respeitá-lo de acordo. nem falar inoportuna ou inconveniente. em particular. nem se comportar jocosa ou zombeteiramente enquanto a Loja estiver envolvida com o que é sério e solene. a quem vós devereis rejeitar com desprezo e escárnio. línguas... ou então dizer-lhe como poderá ser aliviado. ) não devendo dar melhor paga a qualquer Irmão ou Aprendiz sem que este o mereça.. cidadania ou política não devem ser conduzidas para dentro das portas das Lojas. mas não se ocupam dos Graus Simbólicos e sim dos Graus Superiores. nem Maçons-Livres devem trabalhar com aqueles que não o são sem necessidade urgente. terão eles a oportunidade de mergulhar larga e profundamente nesses aspectos históricos da Instituição Maçônica. nem devem ensinar a trabalhadores e Maçons não-admitidos da mesma forma como deveriam ensinar um Irmão ou Artesão”. )...... Tratam elas – notadamente a de 1786 – da autoridade do Soberano Grande Inspetor Geral. que o mais perspicaz estranho não seja capaz de descobrir ou perceber o que não deve ser revelado. Mas não sereis obrigado a fazê-lo além de vossas habilidades e somente dar preferência a um pobre Irmão. em Berlim. Mas se vós descobrirdes que este é um verdadeiro e genuíno Irmão. e devereis cuidar de não passar a este nenhuma alusão a respeito de conhecimento. a Medalha da Ordem e as Insígnias distintivas.. e evitar comportamento impróprio. que é um nobre e verdadeiro homem. e que suas famílias não sejam negligenciadas ou injuriadas.. porque . como Maçons . as segundas. particularmente não deixar a família. ou conversações paralelas sem permissão do Mestre.. deverão ser cautelosos com as palavras e o comportamento.. ( . a não ser que apele à Grande Loja. As primeiras. devereis aliviá-lo como podeis. e não dirigirem-se uns aos outros por nomes que não sejam Irmão ou Companheiro. famílias e idiomas. Quando os Irmãos se encontram sem estranhos. Se qualquer queixa vier à tona.. tratando uns aos outros de acordo com suas habilidades. na França. No lar e na vizinhança deverá agir como convém a um esposo e um homem de moral. e que vós não sejais iludidos por um ignorante embusteiro. mesmo porque. de 1762. Portanto. ( . na ascensão aos Graus Superiores. ( . quaisquer pendências ou querelas acerca de religião.. sob o marcante entusiasmo do Imperador Frederico II. e. deixa-se de passar aos Irmãos Aprendizes outras informações históricas mais detalhadas. . estabeleceu-se que “não se deverão constituir comitês particulares.. Irmãos. ou realizando ou dizendo o que quer que seja ofensivo.... ou sequer acrescente algo a esta. ) Ninguém deve mostrar inveja pela prosperidade de um Irmão. e se este necessitar de ajuda. sobre o “Comportamento”.. especialmente se tenha merecido respeito pela Fraternidade... Vigilantes ou qualquer outro Irmão que esteja falando com o Mestre. mesmo se for capaz de realizá-lo.. .. mas não na Loja. Na presença de estranhos não-Maçons. o Irmão considerado culpado deverá aceitar a sentença e determinação da Loja. e que deve honrar aquele que é merecedor. foram elaboradas em Bordeaux. ( . também somos de todas as nações. AS CONSTITUIÇÕES DE 1762 E 1786 São duas Constituições que foram elaboradas para vigorar em todo o Mundo Maçônico.. amigos ou vizinhos saberem a respeito dos interesses da Loja. da formação e composição de um Supremo Conselho e de um Apêndice onde estão estabelecidos e descritos o Estandarte.. se saudarão uns aos outros de maneira cortês. ou compelindo qualquer Irmão a comer ou beber além de sua inclinação. nem usar de linguagem imprópria na presença de quem quer que seja. e somos contra qualquer política que não contribua para o bem-estar da Loja.. etc. o Selo.. porque todos os Maçons são iguais. que é próprio e competente juiz de toda e qualquer controvérsia. e conduzirem-se cortesmente dentro ou fora da Loja ( . mas evitando todos os excessos. nem interromper o Mestre. de 1786. ) Nenhum trabalhador deve ser empregado em trabalho não próprio da Maçonaria. deverão cautelosamente examiná-los com o método que a prudência lhes apontar. . Complemento II. 31 a 35. ed. PR. 1961. Turquia e Bulgária. a linguagem. apud Frederico Guilherme Costa – “Maçonaria: Um Estudo da sua História”. 5 Vide Apêndice V. os utensílios e materiais da Maçonaria Operativa. 17 Segundo MARIUS LEPAGE. A “Loja” mencionada no juramento era “a casa de madeira ou de pedra onde os operários trabalhavam ao abrigo das intempéries e podia conter de 12 a 20 talhadores de pedra”. segundo Du Colombier. de que se ocupará o Apêndice VI. Paul NAUDON – “A Franco-Maçonaria”. . Por- tugal. à purificação do coração (“moral”) e à inculcação dos dogmas de uma filosofia religiosa (a eternidade da vida). Pensamento. Editora Pensamento. ob. ob. Kessinger Publishing. BENNETT – “Origin of Freemasonry and Knight Templar”. 12. ed. São Paulo. Ambrósio PETERS – “O Manuscrito Régio e o Livro das Constituições”. segundo KNOOP-JONES em “The Genesis of Freemasons”. guardar as Leis. 4 Vide Apêndice II. NOTAS: 1 Maçonaria Especulativa pode ser abreviadamente definida como a aplicação científica e a consagração religiosa de regras e princípios. “Grande Diccionario Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia”. ed. desde segunda-feira de manhã até sábado. cit. Editora Maçônica “A trolha” Ltda. citado por J. Eleutério Nicolau da CONCEIÇÃO – “Maçonaria – Raízes Históricas e Filosóficas”. 3 Vide Apêndice I. num lugar desconhecido por todo e qualquer homem”. 5. Lisboa. USA. 12 Somente dada a conhecer no Grau de Mestre-Maçom. São Paulo. 11 Cfe. 2 Região da Europa oriental. 4. atualmente dividida entre a Grécia. págs. 3. pelo esquadro e pelo compasso. 9 NICOLA ASLAN. Publicações Europa-América. Trolha. 16 Citações reproduzidas. “A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática”. em “Le Symbolisme”. 14 Vide “A Ciência Simbólica”. inclusive as pessoais. 6 O ‘Manuscrito Regius’. 2. nota 10. 15 Vide 5a Instrução. sob pena de que me seja arrancada a língua sob o queixo e ser enterrado sob as ondas. pág. Ed. destinados à veneração do GADU. Kila. citado por JEAN PALOU em “A FrancoMaçonaria Simbólica e Iniciática”. Madras. Londrina. por JEAN PALOU. ed.BIBLIOGRAFIA 1. 7 Vide Apêndice III. submeter-me ao juízo de todos. trabalhar sob as ordens do meu Mestre na honorável Loja.Palou. 13 Vide o Apêndice VI.cit. JEAN PALOU. 10 Os termos do juramento eram estes: “Juro por Deus e São João. Jean PALOU – “A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática”. John R. 8 Vide Apêndice IV. raciocinar. e 3. ed. 36/37. 34 Cfe. 35 Ob. cit. Informar-se minuciosamente de algo. 25 De acordo com o Supremo Conselho da França em seu Boletim n. ob. ob. 1a ed. Existem outros critérios. nas notas 34 e 35. 30 31 No sentido de “especular” [do latim ‘speculare’] Examinar com atenção. a Idade Média ou Período Medieval. Jean Palou. a expansão do anglicanismo e a conversão dos judeus e turcos ao cristianismo. 38 39 Propunham a supressão do papa. 24 J. “Coroa”. pág. 26 Cfe. “A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática”. pág. ob.18 “O Manuscrito Régio e o Livro das Constituições”. arbitrariamente.Gimpel. . dos anos 900 a 1200. mas correta e muito bem exposta por nosso Ir∴ ∴Eleutério Nicolau da Conceição em sua monografia já citada na nota 30. cits. de J. cit. em nota 34. as corretas observações de nosso Ir∴ ∴ Eleutério Nicolau da Conceição em sua monografia “Maçonaria – Raízes Históricas e Filosóficas”. em Tavernas que tinham os nomes de “Ganso Grelhado”. situada na Praça da Catedral de São Paulo e da qual foi Mestre-Construtor o seu Grão Mestre Inigo Jones (veja-se Apêndice IV). 40 Uma cruz tendo uma rosa no centro formado pelos braços ou hastes. e “Caneca de Vinho”. Vejam-se. dos anos 1300 aos fins do Século XV (anos 1401/1500). Pensamento.F. “O Templo do Rei Salomão na Tradição Maçônica”. 42 Extraído por Jean Palou de H. Marcy na ob. dos anos 400 aos 800. 37 Obs. Ed. 20 Costuma-se dividir. cit. Jean Palou. ALEX HORNE. págs. observar. 21 Cfe. 27 Idem. Alex Horne. considerar. nota 20.. cada uma. na Charles Street. vejam-se autor e obra citados na nota 30.cit. 19 Cfe. não é possível o alargamento da tese dessa corrente do pensamento maçônico. 44. “A Trolha”. 41 As quatro Lojas londrinas costumavam reunir-se. Singela. 22 Cfe. apud Jean Palou. refletir. 62. pág. aqui. 23 Alex Horne. apoiado em Henri Félix Marcy . Madras. em três estágios e com estas denominações: 1. pesquisar. 1997. 1953 (Ensaio sobre a Iniciação). ALEX HORNE. cit. ob. 33 Para traços biográficos desse personagem. nota 20. localizada na Avenida Parker e próxima à Avenida Drury. nota (9): “Aperçus sur l’initiation”. nota 10. ed. Palou. “L’Ocultisme et la Franc Maçonnerie écossaise”. transcr. em Covent Garden. Baixa Idade Média.. . 1998. citando Lionel Vibert. situada na Channel-Row. Paris. ed. Pensamento. pág.. cit. 137. 28 Ibidem. “Macieira”. nota 20. a esse respeito. cit. Meditar. 32 Cfe. averiguar minuciosamente. Jean Palou.“Essai sur l’origine de la Franc Maçonnerie et l’Histoire du Grand Orient en France” (Ensaio sobre a origem da Franco-Maçonaria e a História do Grande Oriente na França). 43 R. 29 Assim chamados porque não eram “iniciados” nos segredos da arte de talhar a pedra bruta e das construções religiosas ou palacianas. ob. nota supra. 36 Em face de tratar-se de “História da Maçonaria” para o Grau de Aprendiz. 45. 76. 75/76. em Westminster. Idade Média Intermediária. na obra citada na nota anterior. cit. indagar. ob. apud J. Alta Idade Média. págs. “O Templo do Rei Salomão na Tradição Maçônica”. 2. Le Forestier. Palou. ou Ordem Real e Militar da FrancoMaçonaria”. etc. Grão-Mestre Universal e Conservador da Muito Antiga e Venerável Sociedade dos Antigos Maçons Livres Associados... etc.. etc. constam assim: “Nós. Grande Comendador. pela Graça de Deus. Margrave de Brandenburg.44 Esses “Regulamentos Gerais” foram os compilados em 36 artigos pelo Grão-Mestre Georges Payne. como títulos do monarca. em 1720. . 45 Em cujo preâmbulo. Rei da Prússia. Soberano Grande Protetor. de Londres. Frederico. e aprovados em 24 de junho de 1721 pela Loja ‘Stationer’s Hall’.
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