Fichamento - oque é historia

April 2, 2018 | Author: necosantana | Category: Karl Marx, Greek Mythology, High Middle Ages, Europe, Western World


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Eduardo Santana Lopes Faculdade Projeção Taguatinga/DF, 14 de abril de 2010 BORGES, Vavy Pacheco. O QUE É HISTÓRIA. 2. ed.Brasiliense: São Paulo, 1993, 86p Sobre a autora: Vavy Pacheco Borges é, desde 1987, professora no Departamento de História da UNICAMP. Lecionou inicialmente no ensino particular de 1° e 2° graus; depois, por quase quinze anos, na PUC-SP, onde se interessou pelo ensino e divulgação da história. Nessa linha, publicou o livro O que é História? e em 1986 o livro Ensino da História: Revisão Urgente, resultado de projeto que coordenara no inicio dos anos 80. Publicou também sua dissertação de mestrado: Getúlio Vargas e a Oligarquia Paulistana: História de uma esperança e Muitos Desenganos (Brasiliense, 1979) e sua tese de Doutorado: Tenentismo e Revolução Brasileira (Brasiliense, 1992). O livro aborda de maneira bastante abrangente a importância da “história” para a sociedade moderna, recebemos um convite para uma viagem ao arcabouço da história mundial, mesmo com breves passagens e de certo modo superficiais, nos deparamos com uma reflexão profunda e que deve extrapolar as fronteiras acadêmicas e atingir a sociedade de um modo geral, como podemos descuidar tanto do nosso passado, preocupar-se com o futuro sem preservar algo que compõe a identidade de povos, raças, credos, etnias, tribos, etc. Olhar o ensino de história com mais zelo é garantir uma cidadania consciente.  “História é uma palavra de origem grega, que significa investigação, informação.” (p. 11)  “ [...] vemos porém que os homens, desde sempre, sentem a necessidade de explicar para si próprio sua origem e sua vida. A primeira forma de explicação que surge nas sociedades antigas é o mito [...]”(p. 11)  “ [...] Para nós, homens do século XX acostumados a um pensamento dito científico, uma explicação mítica parece pueril, irracional e ligada à superstição.” (p. 12) 14)  “Entre essas civilizações destacam-se a egípcia e a mesopotâmica.” (p. o que já mostra. mas o mito se refere a uma pseudotempo e não a um tempo real.]” (p.” (p. geralmente. pois não é datado de acordo com nenhuma realidade concreta. 18)  “Percebe-se que em geral os historiadores buscam explicações para os momentos e situações que atravessam as sociedades nas quais vivem. a vinda do filho de Deus à Terra. 14)  “Os reis representam os Deuses e são eles que tudo decidem [.. levando os homens a compreenderem o seu destino” (p.” (p. 20)  “Há uma narração temporal cronológica. 14)  “A explicação mítica não vai..” (p. que são responsáveis pela criação do mundo (cosmos) [. continuando até hoje em quase todas as manifestações cultuais [. “Nos mitos os homens são objetos passivos da ação dos Deuses.” (p.” (p.” (p. uma seqüência temporal..] o mito [. 22)  “A história continua tendo uma visão do tempo linear.] é visto com um exemplo [.. 20)  “A história é vista como mestra da vida. desaparecer. 1213)  “[.]” (p.. que os historiadores estão ligados à sua realidade mais imediata” (p. 20)  “Há uma preocupação explícita com a verdade” (p... evidentemente.. referente agora a uma realidade concreta. cujo desenvolvimento é conduzido segundo um plano da Providência Divina.] “(p. portanto. 22) . 19)  “Percebe-se. duas das mais importantes na chamada Antigüidade Oriental.]”(p...” (p. 21)  “A influência do cristianismo é tão grande em nossa civilização que toda a cronologia de nosso passado é feita em termos do seu acontecimento centra. 12)  “Os fatos mitológicos são apresentados um após o outro.. portanto. 18)  “A história como forma de explicação.. nasce unida à filosofia. em lutas entre as diferentes divindades. 12)  “As sociedades são mostradas com tendo origem. 27)  “Durante o renascimento. procura retomar a Antigüidade greco-romana. sua arte. 23)  “Os primeiros séculos da Idade Média vão ser os da formação da civilização européia ocidental.” (p.” (p. pois não prega uma cosmovisão atemporal.” (p. 26)  “O interesse pelo homem como centro do mundo vai surgir dentro e em oposição a uma sociedade medieval que está preocupada com a fé cristã” (p.” (p. 27)  “O conhecimento não parte mais de uma revelação divina. ainda influencia os filósofos e estudiosos dos séculos posteriores e possui adeptos até mesmo no nosso século. seus valores. mas de uma explicação da razão. nos séculos XII. desprezando os dez século medieval.]”(p. 26-27)  “As mudanças são lentas. que fornece os dados e os elementos para a interpretação histórica” (p. para se aprender a escolher os documentos significativos. 24)  “Os documentos leigos só vão começar a aparecer bem mais tarde.. “O cristianismo é uma religião eminentemente histórica. 28)  “Há um esforço contínuo. situa-los no tempo e no espaço. VIII. com o renascimento urbano e comercial” (p. 23)  “Os século iniciais da Idade Média são de regressão demográfica e cultural.. mas sim uma concepção que aceita um tempo linear [. que a Europa via descobri e explorar. 25)  “Aos poucos isso tudo vai sendo substituído por um melhor conhecimento do globo.” (p.” (p. a cultura européia ocidental. etc. 25)  “A história escrita nesse período não apresenta o mesmo rigor crítico de investigação que apresentava entre os gregos” (p. em direção a um abandono da antiga visão religiosa da história que. mas constantes. O racionalismo se impõe daí em diante” (p. através dessas técnicas. 29) . 26)  “Há portanto nas obras deles uma nítida vontade de agradar a quem os emprega. classificá-los quanto ao gênero e criticá-los quanto ao grau de credibilidade” (p. preparar e criticar toda essa documentação. a população vive em sua maior parte no campo e quase ninguém sabe ler. porém. 27)  “Do século XVI ao XIX vão se multiplicar as técnicas. para reunir. mas as condições materiais e as relações entre os homens..” (p. para sobreviver. a justificação racional dessa nova sociedade. o mundo em que vivem” (p. surge o iluminismo. a humanidade irá cada vez mais dominar a natureza. 29)  “ [. “No século XVIII.” (p. os problemas dinásticos.. 30)  “No século XIX. temos a efetivação da sociedade burguesa e a implantação do capitalismo industrial.” (p.” (p. na implantação de sua industrialização. 37) .” (p. [. não são as idéias que vão provocar as transformações. 30)  “O liberalismo é a explicação.] (Iluminismo vem de “luz”). essa corrente filosófica reclama o progresso através da liberdade. etc.] com a desestruturação final do sistema feudal e o avanço da ordem burguesa. precisam transformar a natureza. 34)  “Nessa nova sociedade que se impõe no século XIX aparece uma corrente filosófica. as batalhas. que se exerceu.. 33)  “O positivismo como filosofia surge ligado às transformações da sociedade européia ocidental. 32)  “É na Alemanha que surge a preocupação de transformar a história em uma ciência. Para esses filósofos.” (p.” (p.. 34)  “A história por eles escrita é uma sucessão de acontecimentos isolados. contra a forte autoridade das monarquias e da Igreja.]” (p. 34)  “No século XIX. relatando sobretudo os feitos políticos de grandes heróis. o idealismo alemão [. durante muito tempo em todos os níveis da sociedade. os tratados diplomáticos. numa evolução progressiva constante.. 35)  “O materialismo histórico mostra que os homens. corrente filosófica que procura mostrar a história como sendo o desenvolvimento linear progressivo e ininterrupto da razão humana ” (p.” (p.. 36)  “O ponto de partida do conhecimento da realidade são as relações que os homens mantêm com a natureza e com os outros homens. temos a afirmação dos nacionalismos europeus e conflitos daí recorrentes. as primeiras universidades datam do século XIII. que era considerada como padrão. também chamada “escola francesa”.” (p.” (p. a história é um processo dinâmico. a visão do materialismo histórico e a visão da “história das civilizações”.. ligada à escola dos “Anaes”. 39)  “É sobretudo na França que ocorrem as primeiras transformações dessa história. começar a olhar para as outras partes de nosso globo. mas é somente no século XIX que o conhecimento histórico passa a ter uma presença específica em seus currículo. Eles são porém. superam a finalidade de uma procura cuidadosa de explicação da realidade. 37)  “Os trabalhistas marxistas sobre a história vão proliferar na Rússia.” (p.] ela parece ter como meta final a civilização européia ocidental conforme esta se apresenta constituída no início do século. são.” (p.. 40)  “[. portanto do mundo ocidental. com seu grande desenvolvimento técnico. segundo a visão de Stalin e seu partido. 41) .] mas essas outras formas de organização social eram sempre comparadas com a forma de organização européia. 40-41)  “É preciso. para se entender a presente situação.] até o século XX. dialético. (p. As mudanças ocorrem muito vagarosamente.. 39)  “A expansão colonialista levou a Europa a entrar em contato com outros povos. 41)  “As maiores influências nos trabalhos de história. Esse dogmatismo leva a um empobrecimento do pensamento Marxista” (p. (p. 38)  “Na Europa. a chamada história positivista. com a subida de Stalin ao poder (1924).” (p... Para Marx e Engels. sem que as finalidades políticas de implantação de uma sociedade socialista. 38)  “[. o que gera a transformação constante na história. [. da metade do século em diante. dominado por uma visão dogmática. é uma história escrita sempre sob o viés nacional. da segunda década do século em diante. e até hoje temos muita influência dessa visão eurocentrista. econômico e cultural. no qual cada realidade social traz dentro de si o próprio de sua própria contradição. autoritária. orientada por preocupação essencialmente política.” (p.. . e por isso tem sua história. com idéias e imaginação. uma preocupação cada vez maior dos historiadores não só com mudanças mas também com as permanências.. Essa posição Eurocêntrica é errada: [. ligado a isso... que a história que fica escrita é sempre marcada pela visão.] a história da humanidade é diferente da natureza e a natureza também tem sua história. Uma força superior externa aos homens [. pois ela também passa por mudanças. em busca de sua própria razão de ser. 55) . foi a de fornecer à sociedade uma explicação sobre ela mesma. temporal e histórico.” (p.] dentro do campo específico da história. 53)  “A entidade “História” não existe. 45)  “A história se faz com documentos e fontes. 50)  “Percebe-se.” (p.” (p. há um certo controle. portanto. sofre mudanças. 52)  “[.. desde seu início. do registro e da documentação. a partir da segunda metade deste século XX. 44)  “Do ponto de vista das técnicas de pesquisa. não existe. 51)  “Quase sempre que a história da humanidade nos é apresentada.” (p.” (p.” (p. a história está em desenvolvimento constante. 46)  “A função da história. 53)  “A trajetória do homem na Terra é indeterminada.” (p. pelos interesses da chamada “classe dominante” (p. 49)  “A história procura especificamente ver as transformações pelas quais passaram as sociedades humanas. 54)  “O homem é um ser finito. 43)  “A dominação tem suas próprias contradições e ambigüidades” (p.]” (p. todo o universo. “Percebeu-se. não explícito mas prático. 44)  “[. 51)  “Não se deve.” (p. identificar a idéia de processo histórico com a de progresso necessário” (p. pelos desejos..] que os conduzisse como veículos.. Ele tem consciência de sua historicidade” (p.” (p.. nas suas mais diferentes partes. é a evolução da sociedade européia ocidental que é tomada como modelo de desenvolvimento. sem caráter explicativo.” (p. 69)  “[. 66)  “[. mesmo que ela não esteja devidamente documentada para as gerações que vieram depois.] alguns deles se recusam a se preocupar com a chamada macro história.” (p. 60)  “As fontes ou documentos não são um espelho fiel da realidade. ao se propor a fazer uma pesquisa. 70) .” (p. é cronologia. 69)  “Um “saber absoluto” uma “verdade absoluta” não servem aos estudiosos sérios e dignos de nome.] é sempre encaminhada pela sua situação concreta. “A ligação da história com o futuro.] percebemos uma discussão de fundo entre historiadores [.] escrever história não é estabelecer certezas... isto é.” (p. [..” (p. 61)  “Fazer-se uma listagem de fatos.] Sua primeira tarefa é situar no tempo e no espaço o objeto que ele quer estudar. é bom mais útil: não se pode falar em uma história do futuro.. 62)  “Um historiador. sobretudo depois da segunda metade dos anos 80. com as estruturas sociais. mas são sempre a representação de parte ou momentos particulares do objeto em questão. 69)  “Também recentemente.. o sentido da história é propiciar o desenvolvimento de forças transformadoras das sociedades. se começa a estudar cada vez mais as relações entre a história e a memória.. não é história. surge sempre uma tarefa primordial: periodizar.” (p.” (p. 58)  “O homem tem história desde que ele vive na Terra. mas é reduzir o campo das incertezas.” (p. por vezes no sentido de tentar impedir as permanentes mudanças.” (p.” (p.” (p. 65)  “Em história.” (p. porém.. 61)  “[. para outros. com grandes sínteses... organizar a sucessão de diferentes períodos cronológicos. é estabelecer um feixe de probabilidades.. 56)  “Para muitos o conhecimento do passado serve para manter as tradições..] É preciso que nos lembremos sempre que a pressa é a grande inimiga do trabalho intelectual” (p.. 58)  “O historiador examina sempre uma determinada realidade [. ]” (p. “O sistema capitalista é composto essencialmente de partes diferentes e relacionadas entre si. a introdução da história se dá sobretudo através da influência da Faculdade de Filosofia.” (p. Não se deve pensar que.” (p. O choque de realidade proposto pela autora é tão bem estruturado que ao mesmo tempo em que alerta. desafia. encoraja.. 75)  “É uma história feita de vilões e heróis: a metrópole (Portugal). 80)  “O marxismo. 73)  “Na universidade.” (p. motiva. 72)  “Ao contrário da América espanhola que possui universidades desde o início da colonização. necessariamente vamos seguir o modelo de desenvolvimento das outras partes do sistema [. contra a colônia (Brasil).” (p. Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. 76)  “Não se vê preocupação em descobrir as origens das contradições de nossa sociedade. . em suas diversas tendências.” (p.” (p. 78)  “Nas universidades há toda uma produção que procura rever esses mitos. Comentários: O texto é bastante rico e sem sombra de dúvidas fundamental para introduzir a realidade do ensino de história à alunos recém-chegados ao curso de Licenciatura em História. etc.” (p. fundada na década de 30. depois americano) contra a nação brasileira. 76)  “Não se fala da destruição das tribos indígenas pelos portugueses e o fato de os bandeirantes saírem para aprisioná-las é elogiado como um grande feito territorial. o Brasil só vai ter universidades a partir do século XX. influenciou nossos trabalhos de história. o imperialismo (primeiro inglês.. 78) muitas vezes de forma bastante pragmática.
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