Exercícios de Literatura

April 2, 2018 | Author: meyre_cardoso_1 | Category: Romanticism, Poetry, Baroque, Love, Arts (General)


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Certo VestibularesCaderno Testes Federais - Literatura Literatura – Módulo I Gil Vicente 1. (UFRGS 00) Em relação ao “Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente, considere as seguintes afirmações. I. Trata-se de um grande painel que satiriza a sociedade portuguesa do seu tempo. II. Representa a transição da Idade Média para o Renascimento, guardando traços dos dois períodos. III. Sugere que o diabo, ao julgar justos e pecadores, tem poderes maiores que Deus. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas I e II. (C) Apenas I e III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 2. (UFRGS 02) Assinale a alternativa incorreta sobre a obra de Gil Vicente. (A) Gil Vicente tem suas raízes na Idade Média, mas volta-se para o Renascimento, aliando o humanismo religioso à atitude critica diante dos problemas sociais. (B) Variada na forma, a obra vicentina desvenda os costumes do século XVI, satirizando a sociedade feudal sem perder o caráter moralista e resguardando o sentido de intervenção social. (C) Embora critique o clero, a nobreza e seu séquito ocioso, o teatro vicentino faz a exaltação heróica dos reis, atitude comum na Idade Média. (D) Ao mesmo tempo em que desenvolve a sátira social, a produção vicentina aponta para a necessidade de reforma da Igreja, devido aos abusos do clero. (E) Trabalhando com uma verdadeira galeria de tipos, Gil Vicente adapta o uso da linguagem coloquial ao estilo e à condição social de cada um deles. Camões Instrução: as questões de números 3 e 4 referem-se a Os Lusíadas, de Camões. 3. (UFRGS 01) Assinale a alternativa correta. No canto I, na passagem que narra o concílio dos deuses, Júpiter (A) conclama os deuses a auxiliarem os portugueses na Ásia como recompensa pelos ásperos perigos da viagem. (B) encontra acolhida a suas palavras entre os deuses maiores e menores. (C) reconhece a grandeza do povo lusitano, que enfrenta o mar desconhecido em frágeis embarcações. (D) aceita as justificativas de Baco para impedir a chegada dos navegadores portugueses à Índia. (E) mostra dúvidas quanto à possibilidade de que os feitos do povo lusitano venham a suplantar a glória dos gregos e romanos. 5. (UFRGS 03) Leia o fragmento abaixo, extraído do episódio do Velho do Restelo (canto IV de Os Lusíadas). “A voz pesada um pouco alevantando, Que nós no mar ouvimos claramente, Cum saber só de experiência feito, Tais palavras tirou do experto peito: Ó glória de mandar, ó vã cobiça Desta vaidade, a quem chamamos Fama! [...] Dura inquietação da alma e da vida, Fonte de desemparos e adultérios, Sagaz consumidora conhecida De fazendas, de reinos e de impérios! Chamam-te ilustre, chamam-te subida, Sendo dina de infames vitupérios; Chamam-te Fama e Glória soberana, Nomes com quem se o povo néscio engana.” Considere as seguintes afirmações sobre esse fragmento. I- Um velho, que ficava nas praias, apresenta-se como voz dissonante na narrativa da viagem heróica de Vasco da Gama, considerando vã a glória. II- O episódio do Velho do Restelo evidencia a concepção camoniana de que a expansão lusa é popular, e não monárquica, com todos os seus guerreiros e heróis saídos do povo. III- Depreende-se, nos dois primeiros versos, que é Vasco da Gama, e não Luís de Camões, quem narra o episódio do Velho do Restelo. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas I e III. (E) I, II e III. 6. (UFRGS 04) Assinale a alternativa incorreta em relação à obra Os Lusíadas, de Luís de Camões. (A) No Canto I, Vênus, no Concílio dos Deuses do Olimpo, adere à opinião de Júpiter e coloca-se em defesa do povo português. (B) No Canto II, Vênus sobe ao Olimpo e queixa-se a Júpiter da falta de proteção dispensada pelos deuses aos portugueses. (C) No Canto III, Gama explica ao rei Melinde que a palavra Lusitânia deriva de Luso ou Lisa, filhos ou companheiros de Baco. (D) No Canto IV, Gama dissipa a sua dúvida e supera o seu receio quando tem um sonho profético com a chegada dos portugueses à Índia. (E) No Canto V, Gama pede a Deus que faça desaparecerem as tragédias antecipadas por Adamastor. 7. (FFFCMPA 06) No Canto Terceiro de Os Lusíadas, de Luís de Camões, é celebrada a .grão fidelidade portuguesa., na figura (A) do gigante Adamastor. (B) de Afonso Henriques. (C) de Egas Moniz. (D) de Inês de Castro. (E) do marinheiro Veloso. 4. (UFRGS 01) Assinale a alternativa incorreta. No canto V de Os Lusíadas, (A) Adamastor representa os perigos enfrentados pelos navegadores lusitanos na travessia do oceano Atlântico para o oceano Índico. (B) os portugueses assistem à transformação do gigante Adamastor em penedo quando tentam ultrapassar a parte mais meridional da África. (C) apesar das ameaças do gigante, os navegantes prosseguem, esperando ardentemente que os perigos e castigos profetizados sejam afastados. (D) a nuvem negra que se desfaz, antes associada ao Cabo das Tormentas, abre novas esperanças em relação aos objetivos da viagem. (E) a voz de “tom horrendo e grosso” do gigante Adamastor, ao dar lugar a um ”medonho choro”, deixa ver aos navegantes que o perigo já foi afastado. Sistema MSA de Ensino 41 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 8. Leia os versos abaixo extraídos de “Os Lusíadas”, de Luís de Camões. “Tu, só tu, puro amor, com força crua Que os corações humanos tanto obriga, Deste causa à molesta morte sua, Como se fora pérfida inimiga. Se dizem fero Amor, que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga, É porque queres, áspero e tirano, Tuas aras banhar em sangue humano. Estavas, linda Inês, posta em sossego, De teus anos colhendo doce fruito*, Naquele engano da alma ledo e cego, Que a fortuna não deixa durar muito, Nos saudosos campos do Mondego, De teus fermosos* olhos nunca enxuito*, Aos montes ensinando e às ervinhas, O nome que no peito escrito tinhas.” Vocabulário: * fruito = fruto * fermosos = formosos * enxuito = enxuto “Os Lusíadas”, obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa. Entretanto, oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O episódio de Inês de Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como um todo, pode afirmar-se que seu núcleo central a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês. b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos. c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de Portugal. d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos montes o nome que no peito escrito tinha. e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao trono português. 9. (UFRGS 06) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, referentes ao Canto V de Os Lusíadas, de Luís de Camões. ( ) Vasco da Gama conta ao rei africano a partida da terra portuguesa, onde a tripulação deixa o coração e as mágoas. ( ) Ao descrever Adamastor, Vasco da Gama cita, entre as características do gigante, a barba esquálida, os olhos encovados e os cabelos crespos. ( ) Paulo da Gama, irmão de Vasco, narra ao rei a viagem dos lusos até Melinde. ( ) O aventureiro Fernão Veloso, ao ser atacado por etíopes, volta correndo para junto dos companheiros, cena que empresta humor ao poema épico. ( ) O poeta Luís de Camões assume a narração do poema para elogiar a tenacidade portuguesa. A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) F-F-V-F-V. (B) V-F-F-V-V. (C) F-V-F-V-F. (D) V-V-F-V-F. (E) F-F-V-F-F. Literatura Informativa 10. (UFRGS 00) Leia o texto abaixo, extraído da Carta de Pero Vaz de Caminha. “O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, bem vestido, com um colar de ouro mui grande ao pescoço, e aos pés uma alcatifa* por estrado. [...] Entraram. Mas não fizeram sinal de cortesia, nem de falar ao Capitão nem a ninguém. Porém um deles pôs o olho no colar do Capitão, e começou de acenar com a mão para a terra e depois para o colar, como que nos dizendo que ali havia ouro. [...] Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lanço-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do Capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo.” 42 * alcatifa = tapete Considere as seguintes afirmações sobre o texto. I. As palavras de Caminha evidenciam o confronto entre civilização e barbárie vivenciado pelos portugueses na chegada ao Brasil. II. A interpretação que o escrivão dá aos gestos do índio em relação ao colar do Capitão corrobora a intenção dos portugueses em explorar as possíveis jazidas de ouro na terra recém descoberta. III. No trecho selecionado, Caminha sugere uma prática que viria a se tornar corrente nas relações entre portugueses e selvícolas: o escambo (a permuta) de produtos da terra por artigos manufaturados europeus. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas I e II. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 11. Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as firmações sobre a “Carta de Achamento do Brasil”, de Pero Vaz de Caminha. ( ) Diferentemente de outros documentos do século XVI acerca da descoberta do Brasil, hoje esquecidos, a carta de Pero Vaz de Caminha continua a ser lida devido à sua importância histórica. ( ) A carta de Caminha é um texto essencialmente descritivo. ( ) A Carta, de Pero Vaz de Caminha, é o primeiro de uma série de textos no nosso primeiro século, que constituem a “Literatura de Informação” do Brasil. ( ) As constantes inversões e a sintaxe rebuscada da Carta são uma característica da literatura clássica do período, quase já uma transição do Renascimento para o Barroco. A alternativa correta, de cima para baixo, é: a) F – V – V – F b) V – V – V – F c) V – F – F – V d) V – V – F – F e) F – V – V – V Barroco 12. (UFRGS) Considere as afirmações abaixo: I – O Barroco literário, no Brasil, correspondeu a um período em que o incremento da atividade mineradora propiciou o desenvolvimento urbano e o surgimento de uma incipiente classe média formada por funcionários, comerciantes e profissionais liberais. II – Uma das feições da poesia era o chamado conceptismo – exploração de conceitos e idéias abstratas através de evoluções engenhosas do pensamento. III – A ornamentação da linguagem que caracterizou o Barroco brasileiro pode ser identificada pelo uso repetido de jogos de palavras, pela construção frasal e pela antítese. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas II e III e) I, II e III 13. (UFRGS) “Caracterizado pelo uso de uma linguagem ornamentada, com frases sinuosas e a presença constante antíteses, o período revelou um dos mais importantes poetas da língua portuguesa, no Brasil Colônia antes mesmo de se poder afirmar a existência de uma literatura brasileira”. O texto refere-se ao a) Maneirismo b) Barroco c) Arcadismo d) Renascimento e) Romantismo Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Instrução: as questões 14 e 15 referem-se aos textos abaixo. AOS VÍCIOS (Gregório de Matos Guerra) Eu sou aquele que os passados anos Cantei na minha lira maldizente Torpezas do Brasil, vícios e enganos. E bem que os descantei bastantemente, Canto segunda vez na mesma lira O mesmo assunto em plectro diferente. (...) O néscio, o ignorante, o inexperto, Que não elege o bom, nem o mau reprova, Por tudo passa deslumbrado e incerto. E quando vê talvez na doce trova Louvado o bem, e o mal vituperado, A tudo faz focinho, e nada aprova. Diz logo prudentaço e repousado: - Fulano é um satírico, é um louco, De língua má, de coração danado. Néscio, de disso entendes nada ou pouco, Como mofas com riso e algazarras Musas, que estimo ter, quando as invoco. Se souberas falar, também falaras; Também satirizaras, se souberas, E se foras poeta, poetizaras. A ignorância dos homens destas eras Sisudos faz ser uns, outros prudentes, Que a mudez canoniza bestas-feras. (...) Instrução: O texto abaixo referem-se as questões de números 17, 18 e 19. Soneto – Gregório de Matos Guerra Anjo no nome, Angélica na cara. Isso é ser flor, e anjo juntamente. Ser Angélica flor, e Anjo florente. Em quem? Se não em vós, se uniformara? Quem veria uma flor, que a não cortara De verde pé, de rama florescente? E quem um anjo vira tão luzente. Que por seu Deus não idolatrara? 14. (UFRGS) Sobre Aos Vícios, é correto afirmar que o poeta (A) jamais discorrera sobre os vícios do Brasil, o que lhe dá maior liberdade para agora abordar o tema. (B) já discorrera sobre os vícios e enganos do Brasil e retorna ao tema em novo momento de inspiração. (C) já criticara os vícios e enganos do Brasil e se dispõe a voltar ao tema devido aos apelos da amada. (D) jamais criticara os vícios e enganos do Brasil, mas se dispõe a abordar o tema por ter sido injustiçado. (E) já criticara os vícios e enganos do Brasil, mas abandonou o assunto por falta de interesse do público. 15. (UFRGS) O néscio e ignorante a que Gregório se refere (A) não tem critério para escolher entre o bom e o mau e zomba dos procedimentos e da inspiração do poeta. (B) não elege o bom e acusa o poeta de ser uma besta-fera canonizada pela ignorância dos homens da época. (C) não tem critério para escolher entre o belo e o feio, mas procura também inspiração junto às musas do poeta. (D) não elege o bom e não reprova o mau, embora alegue ser tão bom poeta e satírico quanto Gregório. (E) não elege o bom e não reprova o mau porque, sendo prudente, não pretende criticar as autoridades da Colônia. 16. (UFRGS) Leia o soneto abaixo, À Cidade da Bahia, de Gregório de Matos. Triste Bahia! Ó quão dessemelhante Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado, Rica te vi eu já, tu a mim abundante. A ti trocou-te a máquina mercante, Que em tua larga barra tem entrado, A mim foi-me trocando, e tem trocado, Tanto negócio e tanto negociante. Deste em dar tanto açúcar excelente Pelas drogas inúteis, que abelhuda Simples aceitas do sagaz Brichote. (A) Pelo forma de soneto e pelo tom satírico, o poema À Cidade da Bahia antecipada o parnasianismo na poesia brasileira. (B) Gregório optou, no seu poema, pelo tom satírico para melhor expressar sua crítica ao poder do clero. (C) A Bahia é representada através de sua tristeza e antigüidade, enquanto o estrangeiro colonizador é valorizado por suas negociatas e seu vestuário. (D) O poema não dá referências sobre os meios de produção da época, limitando-se a expressar a tristeza do poema pelo seu empobrecimento. (E) O poema constrói, através de imagens elaboradas, uma crítica à exploração econômica que sofreu a Bahia no período colonial. Se com Anjos sois de seus altares, Fôreis o meu custódio, a minha guarda, Livrara eu de diabólicos azares Mas vejo, que tão bela, e tão galharda. Posto que os Anjos nunca dão pesares. Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda 17. (UFRGS) Sobre o Soneto de Gregório de Matos é correto afirmar que a) a transforma de flor em anjo ocorre por iniciativa do anjo da guarda. b) a união entre flor e anjo será dissolvida pela intervenção do demônio. c) o anjo não protege da tentação, mas a provoca. d) o anjo afasta-se dos altares do poeta e visita os de Angélica e) o anjo combate a influência maléfica que Angélica exerce sobre o poeta. 18. (UFRGS) Sobre a obra de Gregório de Matos é correto afirmar que a) os vícios da colônia são criticados e as autoridades públicas são ridicularizadas. b) sua infância e sua família são temas recorrentes em seus poemas. c) a escravidão é denunciada como instituição perversa e desnecessária. d) o elogio da mulher amada está inserido em um quadro bucólico e pastoril. e) o ideal de racionalidade resulta na sintaxe simples e na ordem direta das frases. 19. (UFRGS) Sobre a poesia de Gregório de Matos Guerra é correto afirmar que a) privilegia os cenários bucólicos percorridos por pastores e ninfas examinados de uma perspectiva satírica e irônica. b) expõe em sintaxe simples o caráter sereno e amoroso de um pastor que corteja sua amada com promessas de vida amena e burocrática. c) expõe em sintaxe complexa e com metáforas antitéticas os dilemas do amor e do espírito no quadro da Contra-Reforma. d) privilegia o cenário urbano para denunciar as arbitrariedades da Inquisição e o racismo dos portugueses instalados na colônia. e) privilegia os cenários palacianos em que ocorrem intrigas e conspirações envolvendo nobres burocratas, monges e prostitutas. Oh! se quisera Deus, que de repente Um dia amanheceras tão sisuda Que fora de algodão o teu capote! Brichote: designação pejorativa para os estrangeiros. Assinale a alternativa correta em relação a esse soneto. Sistema MSA de Ensino 43 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 20. (FUVEST) A respeito do Padre Antônio Vieira, pode-se afirmar: a) Embora vivesse no Brasil, por sua formação lusitana não se ocupou de problemas locais. b) Procurava adequar os textos bíblicos às realidades que tratava. c) Dada sua espiritualidade, demonstrava desinteresse por assuntos mundanos. d) Em função de seu zelo para com Deus, utilizava-o para justificar todos os acontecimentos políticos e sociais. e) Mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos. 21. (UFRGS) Com relação ao Barroco brasileiro, assinale a alternativa INCORRETA. a) Os Sermões, do Padre Antônio Vieira, elaborados numa linguagem conceptiva, refletiram as preocupações do autor com problemas brasileiros da época, por exemplo a escravidão. b) Os conflitos éticos vividos pelo homem do Barroco corresponderam, na forma literária, ao uso exagerado de paradoxos e inversões sintáticas. c) A poesia Barroca foi a confirmação, no plano estético, dos preceitos renascentistas de harmonia e equilíbrio, vigentes na Europa no século XVI, que chegaram no Brasil no século XVII, adaptados, então, à realidade nacional. d) Um dos temas principais do Barroco é a efemeridade da vida, questão que foi tratada no dilema de viver o momento presente e, ao mesmo tempo, preocupar-se com a vida eterna. e) A escultura Barroca teve no Brasil o nome de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que no século XVIII elaborou uma arte de tema religioso com traços nacionais e populares, mescla representativa do Barroco. 24. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações. I – Sua obra foge dos artificialismos pastoris comuns ao Arcadismo, destacando-se nela o poema épico O Uraguai, que trata da guerra entre portugueses, espanhóis e indígenas nos Sete Povos das Missões. II – É considerado um poeta de transição por realizar uma síntese entre a herança barroca, os ideais arcádicos e as solicitações do sentimento nativista, como acontece na “Fábula do Ribeirão do Carmo” e, posteriormente, no poema épico “Vila Rica”. III – Sua produção poética demonstra sintonia com a tradição árcade da vida simples apego à vida pastoril e divinização da mulher, sobretudo nas Liras, que retratam seu amor pela noiva Maria Joaquina. As afirmações referem-se, respectivamente: a) Tomás Antônio Gonzaga, Basílio da Gama e Cláudio Manuel da Costa. b) Basílio da Gama, Manuel Botelho de Oliveira e Tomás Antônio Gonzaga c) Frei Santa Rita Durão, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga d) Cláudio Manuel da Costa, Manuel Botelho de Oliveira e Basílio da Gama e) Basílio da Gama, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga Instruções: O poema abaixo, escrito no séc. XVIII, refere-se à questão de número 25. Musas, canoras, este canto Vós me inspirastes, vós meu tenro alento Erguestes brandamente àquele assento Que tanto, ó musas, preso, adoro tanto. Arcadismo 22. (UFRGS 04) Leia as afirmações abaixo sobre o Arcadismo brasileiro. I. Os poetas árcades colocavam-se como pastores para realizar, dessa forma, o ideal de uma vida simples em contato com a natureza. II. O Arcadismo brasileiro, embora tenha reproduzido muito dos modelos europeus, apresentou características próprias, como a incorporação do elemento indígena e a sátira política. III. O tema do Carpe diem, em que o poeta expressa o desejo de aproveitar intensamente o momento presente, fugaz e passageiro, foi ignorado pelos árcades brasileiros, excessivamente racionalistas. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas III. (C) Apenas I e II. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 23. (UFRGS) Sobre o Arcadismo são feitas as afirmações abaixo. I – As obras do período oscilam entre a religiosidade, a sátira mordaz e a lírica amorosa II – Dentre os traços característicos do período, destacam-se o gosto pela clareza e simplicidade e a adoção de um lirismo amoroso que pode ser identificado como pré-romântico. III – Pela primeira vez no Brasil, formava-se um grupo de escritores mais ou menos coeso em suas intenções de preservar e incentivar a vida cultural na colônia. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas II e III e) I, II e III 44 Lágrimas tristes são, mágoas e pranto, Tudo o que entoa o músico instrumento; Mas se o favor me dais, ao mundo atento Em assunto maior farei espanto. Se em campos não pisados algum dia Entra a ninfa, o pastor, a ovelha, o touro, Efeitos são da vossa melodia; Que muito, ó musas, pois, que em fausto agouro Cresçam do pátrio rio à margem fria Imarcescível hera, o verde louro! 25. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre o poema acima. I – A atitude de invocar as musas (primeiro quarteto) indica um filiação à tradição greco-latina, dimensão fundamental do Neoclassicismo. II – A utilização de metáforas obscuras, recurso nuclear na estética neoclássica, está presente no último terceto. III – A métrica tradicional e a utilização de rimas demonstra o rigor formal dos modelos a que o poeta se submete. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas I e III e) I, II e III Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Enfim quereis a guerra, e tereis guerra”. Lhe torna o General. – “podeis partir-vos, Que tendes a viver o passo”. (...) SONETO II (Cláudio Manuel da Costa) Leia a posteridade, ó pátrio Rio, Em meus versos teu nome celebrado, Por que vejas uma hora despertado O sono vil do esquecimento frio: 29. (UFRGS) Segundo Sepé, em O Uraguai, a) os índios receberam a liberdade do céu e de seus antepassados para que se associassem ao empreendimento colonial de Portugal e Espanha. b) os índios recusam-se a lutar pelos padres cujo domínio causou as hostilidades com as coroas portuguesa e espanhola. c) os índios pretendem legar aos filhos as terras livres que receberam de seus avós, os pais as receberam do céu. d) os índios protestam contra o jugo do céu, cujos representantes na terra são os padres responsáveis pela conversão e catequese. e) pretendem lutar aguerridamente contra injustiça representada pelo Deus e pela Pátria dos adversários. Não vês nas tuas margens o sombrio, Fresco assento de um álamo copado; Não vês Ninfa cantar, pastar o gado Na tarde clara do calmoso estio. Turvo banhado as pálidas areias Nas porções do riquíssimo tesouro O vasto campo da ambição recreias. Que de seus raios o Planeta louro, Enriquecendo o influxo em tuas veias, Quanto em chamas fecunda, brota em ouro. 26. (UFRGS) Sobre o soneto de Cláudio Manuel da Costa, é correto afirmar que (A) a posteridade é celebrada para que o pátrio rio seja mantido no sono vil do esquecimento frio. (B) a posteridade, segundo o desejo expresso nos versos, celebrará o nome do pátrio rio. (C) o pátrio rio desaguará na posteridade, que lhe reservará hostilidade e esquecimento frio. (D) o pátrio rio, porque se destina ao esquecimento frio, se recusa a ser despertado. (E) o pátrio rio tem seu nome celebrado para que o sono vil não perturbe o esquecimento frio. 27. (UFRGS) Assinale alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto abaixo. _______, de Basílio da Gama, apresenta a disputa pelo território onde se encontravam as _______ e narra, entre outro episódio, uma batalha crucial em que se enfrentaram as forças luso-espanholas e a milícia indígena, entre cujos líderes encontrava-se o célebre _______ a) O Uraguai – missões jesuíticas – Sepé Tiaraju. b) Caramuru – fortificações portuguesas – Gupeva c) O Uraguai – fortificações portuguesas – Gupeva d) Caramuru – missões jesuíticas – Sepé Tiaraju e) O Uraguai – missões jesuíticas – Gupeva 28. (UFRGS) Assinale alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto abaixo. ..........., de Basílio da Gama, apresenta a disputa pelo território onde se encontravam as........... e narra, entre outro episódio, uma batalha crucial em que se enfrentaram as forças luso-espanholas e a milícia indígena, entre cujos líderes encontrava-se o célebre... a) O Uraguai – missões jesuíticas – Sepé Tiaraju. b) Caramuru – fortificações portuguesas – Gupeva c) O Uraguai – fortificações portuguesas – Gupeva d) Caramuru – missões jesuíticas – Sepé Tiaraju e) O Uraguai – missões jesuíticas – Gupeva. Instrução: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 29 e 30. 30. (UFRGS) Sobre o discurso Sepé, é correto afirmar que nele se percebe a) o espírito conciliatório de quem busca estabelecer a paz. b) A hostilidade de quem considera inevitável a guerra. c) A arrogância de quem afirma estar mais bem armado que o inimigo d) A indulgência com que serão tratados os prisioneiros de guerra. e) A simpatia voltada à causa do inimigo que defende Deus e Pátria. 31. (UFRGS 03) Leia os excertos abaixo, extraídos de “Marília de Dirceu” (Lira XXII), de Tomás Antonio Gonzaga. “Tu não habitarás palácios grandes, Nem andarás nos coches voadores; Porém terás um Vate que te preze, Que cante os teus louvores.” “Que belezas, Marília, floresceram, De quem nem sequer temos a memória! Só podem conversar um nome eterno Os versos, ou a história.” “É melhor, minha bela, ser lembrada Por quantos hão-de vir sábios humanos, Que ter urcos*, ter coches e tesouros, Que morrem com os anos.” *Embarcações portuguesas do séc. XVII. Assinale a alternativa incorreta em relação a esses excertos. (A) Os excertos são compostos em forma de quadras, que pretendem valorizar a figura da mulher amada. (B) Os versos, de um lirismo característico do autor, estabelecem uma comparação entre os bens materiais e a poesia. (C) Entre os temas sugeridos estão a passagem do tempo e a comparação entre os bens materiais e a poesia. (D) Pela referência a “tesouros”, as estrofes citadas centram-se na crítica à exploração do ouro nas Minas Gerais do século XVIII. (E) Ao prezar a sua musa e cantar os seus louvores, o poeta dá um tratamento elevado ao amor, mostrando que as riquezas são passageiras. 32. (UFRGS 05) Com base nos fragmentos abaixo, extraídos da Lira II, da obra Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações que seguem. “Pintam, Marília, os Poetas A um menino vendado, Com uma aljava de setas, Arco empunhado na mão; Ligeiras asas nos ombros, O tenro corpo despido, E de Amor ou de Cupido São os nomes, que lhe dão.” [. ..] O URAGUAI Basílio da Gama Canto II (...) prosseguia talvez; mas o interrompe Sepé, que entra no meio, e diz: -“Cacambo Fez mais do que devia; e todos sabem Que estas terras, que pisas, o céu livres Deus aos nossos avós; nós também livres As recebemos dos antepassados. Livres as hão de herdar os nosso filhos. Desconhecemos, detestamos jugo Que não seja o do céu, por mão dos padres. As flechas partiram nossas contendas Dentro de pouco tempo; e o vosso Mundo, Se nele um resto houver de humanidade, Julgará entre nós: se defendemos - tu a justiça e nós o Deus e a Pátria. – “Tu, Marília, agora vendo De Amor o lindo retrato, Contigo estarás dizendo Que é este o retrato teu. Sim, Marília, a cópia é tua, Que Cupido é Deus suposto: Se há Cupido, é só teu rosto, Que ele foi quem me venceu.” Sistema MSA de Ensino 45 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura ( ) Na primeira estrofe, o poeta descreve uma figura representativa do amor na mitologia clássica. ( ) Na primeira estrofe, a amada Marília é alertada sobre a violência que se esconde por detrás da superfície do amor. ( ) Na segunda estrofe, o poeta transfere o retrato de Cupido para o rosto vencedor de Marília. ( ) Na segunda estrofe, o poeta confessa à amada a sua rendição em relação aos poderes do amor. 35. Compare os fragmentos da obra “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga. Texto I “Vivos olhos, e faces cor-de-rosa, Com crespos fios de ouro: Meus olhos se vêem graças e loureiros.” Texto II “O seu semblante é redondo, Sobrancelhas arqueadas, Negros e finos cabelos, Carnes de neve formadas.” Texto III “Papoula, ou rosa delicada, e fina, Te cobre as faces, que são cor de neve. Os teus cabelos são uns fios d’ouro; Teu lindo corpo bálsamo vapora.” A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) V - V - F - F. (B) V - F - V - V. (C) F - F - V - V. (D) V - F - F - V. (E) F - V - F - F. Instrução: O poema abaixo refere-se as questões de número 33 e 34. LIRA II Tu não verás, Marília, cem cativos Tirares o cascalho, e a rica terra, Ou dos cercos dos rios caudalosos, Ou da minada serra Não verás separar ao hábil negro Do pesado esmeril a grossa areia, E já brilharem os granetes de ouro No fundo da bateia. Não verás derrubar os virgens matos; Queimar as capoeiras ainda novas; Servir de adubo à terra a fértil cinza; Lançar os grãos nas covas. Não verás enrolar negros pacotes Das secas folhas do cheiroso fumo; Nem espremer entre as dentadas rodas Da doce cana o sumo. Verás em cima da espaçosa mesa Altos volumes de enredados feitos: Ver-me-ás florear os grandes livros, E decidir os pleitos. A pastora Marília, conforme é apresentada nas liras de Tomás Antônio Gonzaga, carece de unidade de enfoques; ora é descrita como tendo cabelos negros, ora loiros. A oscilação que se observa nas descrições de Marília permite ao leitor concluir que: a) As descrições mostram a intenção do autor em não revelar o objeto de seu amor. b) O autor das liras está preocupado com a coerência dessas descrições, com o padrão poético realizado em cada composição, por isso a amada do poeta deixa de ser associada à figura convencional da pastora. c) O sujeito lírico, caracterizado como pastor, descreve sua amada, a pastora Marília, na atmosfera atormentada dos conflitos da paixão, fugindo às convenções bucólicas e pastoris do Arcadismo. d) Apesar de o autor invocar a pastora Marília, suas liras são destinadas a afirmar a dignidade e a valia do pastor Dirceu. e) Embora Marília corresponda a um ser real, Maria Dorotéia, ligado à vida do poeta, ele é, antes de tudo, uma idealização poética, sendo que as descrições apenas atendem à idealização da mulher, exigida pelas convenções neoclássicas. 36. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações. I – Sua obra foge dos artificialismos pastoris comuns ao Arcadismo, destacando-se nela o poema épico “O Uraguai”, que trata da guerra entre portugueses, espanhóis e indígenas nos Sete Povos das Missões. II – É considerado um poeta de transição por realizar uma síntese entre a herança barroca, os ideais arcádicos e as solicitações do sentimento nativista, como acontece na “Fábula do Ribeirão do Carmo” e, posteriormente, no poema épico “Vila Rica”. III – Sua produção poética demonstra sintonia com a tradição árcade da vida simples apego à vida pastoril e divinização da mulher, sobretudo nas Liras, que retratam seu amor pela noiva Maria Joaquina. Enquanto revolver os meus consultos, Tu me farás gostosa companhia, Lendo os fastos da sábia mestra história, E os cantos da poesia. Lerás em alta voz a imagem bela, E eu, vendo que lhe dás o justo apreço, Gostoso tornarei a ler de novo O cansado processo. (...) Nota: fastos = anais, registros. 33. (UFRGS) O autor dos versos citados é. a) Alvarenga Peixoto b) Tomás Antônio Gonzaga c) Cláudio Manuel da Costa d) Silva Alvarenga e) Basílio da Gama 34. (UFRGS) Considere as afirmativas seguintes. I – O poeta critica Marília por não enxergar as atividades produtivas que provêem a riqueza e o sustento do casal, mas elogia o senso estético da amada, capaz de discernir entre boa e má poesia. II – Em estrofes de quatro versos, todas elas com rimas entre o 2° e o 4° versos, o poeta contrasta a paisagem externa com o ambiente doméstico em que ele e Marília dividem as tarefas. III – A cena doméstica descrita pelo poeta demonstra a harmonia entre o casal que se dedica a atividades intelectuais, sendo que Marília complementa a suaviza o cotidiano do marido. As afirmações referem-se, respectivamente: a) Tomás Antônio Gonzaga, Basílio da Gama e Cláudio Manuel da Costa. b) Basílio da Gama, Manuel Botelho de Oliveira e Tomás Antônio Gonzaga c) Frei Santa Rita Durão, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga d) Cláudio Manuel da Costa, Manuel Botelho de Oliveira e Basílio da Gama e) Basílio da Gama, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas III c) Apenas I e II d) Apenas II e III e) I, II e III 46 Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Romantismo 37. (UFRGS 00) Leia as estrofes seguintes extraídas do poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias. Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. [...] Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o sabiá Instrução: Os textos abaixo referem-se à questão de nº 40. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar – sozinho, à noite – Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabiá. (Canção do Exílio) Em relação à Canção do Exílio é correto afirmar que (A) exalta a natureza brasileira em sua fauna e sua flora, destacandose pela temática regionalista. (B) se trata de um soneto clássico que celebrizou o poeta como um dos mais importantes do Romantismo brasileiro. (C) é um canto de amor à pátria e teve alguns dos seus versos incorporados à letra do Hino Nacional. (D) as estrelas e as flores, referidas na segunda estrofe, simbolizam a falta de preocupação com os problemas do período colonial. (E) os versos da última estrofe acentuam o sentimento do exílio e expressam o desejo do poeta de morrer em Portugal. 38. (UFRGS) A partir do versos de Canção do Exílio reproduzidos acima podemos afirmar corretamente que Gonçalves Dias. a) Ilustra a tradição de valorização de elementos da natureza típicos do Brasil. b) Ilustra uma importante tradição romântica de preocupação ecológica com a preservação das matas e das aves nativas. c) Encontra-se na vertente nacionalista do Romantismo brasileiro ao recordar a natureza e cultura indígena. d) Encontra-se na vertente byroniana do Romantismo brasileiro por remeter à idéia de morte por amor. e) Representa a tendência romântica de condenação da pretensa superioridade da técnica européia. CANÇÃO DO TAMOIO (Natalícia) Gonçalves Dias I Não chores, meu filho: Não chores, que a vida É luta renhida: Viver é lutar. A vida é combate. Que os fracos abate, Que os fortes, os bravos, Só pode exaltar. II Um dia vivemos! O homem que é forte Não teme a morte; Só teme fugir; No arco que entesa Tem certa uma presa, Quer seja tapuia Com dor ou tapir. (...) III Domina, se vive; Se morre, descansa Do seus na lembrança, Na voz do porvir. Não cures da vida! Sê bravo, sê forte! Não fujas da morte, Que a morte a de vir! 39. (UFRGS) Em Canção de tamoio, o pai apela para que o filho a) assuma um lugar de destaque e liderança na tribo por meio de negociações e alianças. b) seja bravo e forte, não temendo a morte gloriosa que lhe garantirá a fama póstuma. c) não tema a morte nem a fuga, mas que sua atitude seja lembrada pelos demais guerreiros da tribo. d) não chore porque a vida é um combate que derruba fracos e fortes indiferentemente. e) não se preocupe com a vida porque os meios de sobrevivência são oferecidos pela floresta. – Nada farei do que dizes: É teu filho imbele e fraco! Avitaria o triunfo Da mais guerreira das tribos Derramar seu ignóbil sangue: Nós outros, fortes Timbiras, Só de heróis fazemos pasto. (I-Juca Pirama) 40. (1994) Considere as afirmações sobre o trechos de Gonçalves Dias acima transcritos. I – O saudosismo romântico se expressa na Canção do Exílio ao fazer aflorar as qualidades da pátria, que contrastam com a terra do exílio. II – Em I-Juca Pirama, o choro do índio aponta para a sua covardia, o que o faz indigno de ser sacrificado. III – Saudades da pátria e indianismo, temáticas presentes nos fragmentos, põem em foco a discussão sobre o nacionalismo. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas I e III e) I, II e III 41. (UFRGS) Sobre a poesia de Gonçalves Dias, é correto afirmar que. a) Cantou a natureza brasileira como cenário das correias e aventura do indígena bravo e leal. b) Denunciou a iniqüidade da escravidão em poemas altissonantes e repletos de metáforas aladas. c) Elogiou os esforços do colonizador português em suas campanhas militares. d) Cantou a bondade da mãe e da irmã, esteios femininos do núcleo familiar patriarcal. e) Elogiou a dissipação e os excessos do vinho em orgias noturnas marcadas pela devassidão e crueldade. 42. (UFRGS) Instrução: A questão 69 refere-se ao texto abaixo. Poetas! amanhã ao meu cadáver Minha tripa cortai mais sonorosa!... Façam dela uma corda e cantem nela Os amores da vida esperançosa! (...) Eu morro qual nas mão da cozinheira O marreco piando na agonia... Como o cisne de outrora...que gemendo Entre os hinos de amor se enternecia. (...) Considere as seguintes afirmações em relação ao poema de Álvares de Azevedo. I – O poema revela um sentimento de inconformismo com a morte e expressa, em tom elevado, os sentimentos típicos do “mal do século”. II – Embora romântico, o poema já antecipa traços modernos, como o emprego de imagens cotidianas e a auto-ironia do poeta. III – Álvares de Azevedo satiriza a morte e a própria situação do poeta, que é comparado a um marreco. Sistema MSA de Ensino 47 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas II e III e) I, II e III 43. (UFRGS) Assinale a alternativa correta. (A) Álvares de Azevedo, classificado na segunda geração do Romantismo brasileiro, deixou uma obra composta de poemas tipicamente indianistas e nacionalistas. (B) Com Castro Alves, a poesia brasileira atingiu o seu apogeu, apesar do tom tímido que encontramos nos seus versos. (C) Os poetas do Romantismo foram responsáveis pela consolidação do sentimento nacional e contribuíram para o abrasileiramento da língua portuguesa. (D) Gonçalves Dias, autor da consagrada Canção do Exílio, compôs também Os Timbiras, Se Eu Morresse Amanhã e Meus Oito Anos. (E) O saudosismo que caracteriza o lirismo luso-brasileiro não teve representantes no período romântico. 44. (UFRGS) Considere as afirmações sobre a obra de Castro Alves. I – A poesia amorosa do autor registra personagens femininas, algumas notáveis pela pureza e intangibilidade angelicais, outras destacadas pela sensualidade e disponibilidade satânicas. II – O poeta destacou-se pela poesia de protesto contra a injustiça e a violência presentes na sociedade brasileira em geral e evidentes nas condições de vida a que estava submetida a população escrava. III – A retórica grandiloqüente rendia ao poeta autênticos poemasdiscurso para serem antes ouvidos do que lidos, quer fossem denúncias contra a sociedade, quer fossem a exaltação da mulher amada. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas III c) Apenas I e III d) Apenas II e III e) I, II e III 45. (UFRGS 05) Leia as afirmações abaixo, sobre Sousândrade. I. Trata-se de um autor maranhense do século XIX, cujo nome verdadeiro é Joaquim de Sousa Andrade, quase desconhecido dos contemporâneos românticos. II. O Guesa é um longo poema narrativo, composto sobre uma lenda quíchua que narra o sacrifício de um jovem imolado por sacerdotes. III. O poema O Guesa traz para a Literatura Brasileira temas do capitalismo mundial, entre os quais o da Bolsa de New York. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas I e II. (E) I, II e III. 46. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre José de Alencar. I – O projeto de literatura nacional elaborado pelo autor consistia em retratar o Brasil valorizando ressaltar os aspectos geográficos, culturais e sociais, que são registrados de maneira realista e crítica. II – Lucíola e Senhora são romances urbanos nos quais o autor revela sua visão sobre a sociedade carioca do século XIX, analisando principalmente as relações sociais e amorosas. III – Iracema e O Guarani são narrativas históricas em que a figura do índio é idealizada, uma vez que o autor a constrói a partis dos valores do homem branco. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas II e III e) I, II e III 48 47. (UFRGS) Com relação a “Memória de um Sargento de Milícias”, assinale a alternativa INCORRETA. a) Trata-se de uma crônica de costumes, espécie de reportagem bem-humorada, protagonizada pelo primeiro anti-herói da literatura brasileira. b) Ao longo do relato os protagonistas conseguem seus objetivos utilizando o expediente do “jeitinho”, principal recurso para enfrentar as adversidades. c) Leonardo tem o perfil do malandro que, por desamor ao trabalho, vive de artimanhas, garantidas em parte pela posição econômica do barbeiro, seu padrinho. d) Os protagonistas procuram ocultar os defeitos de caráter mediante comportamentos aristocráticos, porque são conscientes do ridículo em que podem cair os olhos da sociedade. e) As personagens do romance são identificadas mais por traços externos, como a profissão, que por traços internos, como o perfil psicológico. 48. (UFRGS 03) Leia as afirmações abaixo sobre o romance romântico. I - Utilizando uma linguagem rica em adjetivos, o romance romântico expressa elementos da paisagem, do contexto familiar e social em que as personagens são ambientadas. II - A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, enfatiza um conjunto de peripécias românticas que compõem a história de Carolina e de Augusto. III - A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, narra a história de uma escrava rebelde, que se apaixona por Leôncio, seu senhor e herói do romance. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas I e II. (E) I, II e III. 49. (UFRGS 01) Leia o texto abaixo. ........... é um tema dominante na poesia ........... de cunho romântico no Brasil: nela, a mulher é freqüentemente ........... sob o olhar apaixonado do poeta, que usa ........... como termo de comparação capaz de expressar a intensidade dos seus sentimentos. Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas desse texto. (A) O amor - nacionalista- homenageada - a religião. (B) A pátria – sentimental – martirizada – o mito (C) O amor – intimista – idealiza – a natureza (D) A infância – histórica – divinizada – a Idade Média (E) A morte – nacionalista – humilhada – a música. 50. (UFRGS) “A revolução romântica altera e subverte quase tudo o que era tido como consagrado no Classicismo. Assim, na proposta classicista, o valor básico é situado na própria obra. O artista apaga-se por trás de sua realização(...). o Romantismo não aceita esta concepção. Para ele, o peso não está mais no produto; o que lhe importa é o artista e a sua auto-expressão. A objetividade da obra como valor por si deixa de ser um elemento vital do fazer artístico. A criação (...) serve apenas de recurso, de via de comunicação para a mensagem interior do criador.” (A. Rosenfeld – J. Guinsburg) Em relação ao texto é correto afirmar: a) o Romantismo altera os padrões clássicos de Verdade e Beleza, mas o artista mantém sua posição de objetividade diante da obra. b) na concepção romântica de arte, o mais importante é a subjetividade do criador e do modo de expressá-la na obra. c) no Classicismo, o artista desaparece da obra como forma de melhor expressar o seu interior. d) por não aceitar a concepção clássica, o Romantismo acaba enfatizando a obra em si e isentando o artista de uma participação efetiva nela. e) embora Classicismo e Romantismo discordem quanto à presença do artista na obra, a concepção no valor artístico, em ambos, permanece inalterada. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 51. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações. I – Pode-se afirmar que o Romantismo brasileiro foi a realização artística que mais bem expressou o sentimento nacionalista desenvolvido com a Independência do país. II – Os romancistas românticos, preocupados com a formação de uma literatura que expressasse a cor local, criaram romances considerados regionais, mais pela temática do que pela linguagem. III – A tendência indianista do Romantismo brasileiro tinha por objetivo a desmistificação do papel do índio na história do Brasil desde a colonização. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas I e II d) Apenas I e III e) I, II e III 52. (UFRGS) Considere as afirmações abaixo sobre o Romantismo no Brasil. I – A primeira geração de poetas românticos no Brasil caracterizou-se pela ênfase no sentimento nacionalista, tematizando o índio, a natureza e o amor à pátria. II – Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela, representantes da segunda geração da poesia romântica, expressam, sobretudo, um forte intimismo. III – A poesia de Castro Alves, cronologicamente inserida na terceira geração romântica, apresenta importantes ligações com a estética barroca, pela religiosidade e o tom místico da maioria dos poemas. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas I e II d) Apenas II e III e) I, II e III 53. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações. I – Álvares de Azevedo escreveu, sob a influência de Byron, poemas repletos de tédio e satanismo, mas também incursionou pela poesia abolicionista em Os escravos. II – O entusiasmo pela pátria rendeu poemas de exaltação da natureza brasileira a Gonçalves Dias, que também se ocupou dos habitantes originais da terra brasileira, protagonistas, por exemplo, de I-Juca Pirama. III – Em Casimiro de Abreu a inquietação espiritual romântica inspira poemas da saudade da infância (por exemplo, Meus oito anos), nos quais predominam a ingenuidade e o confessionalismo sentimental. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas III c) Apenas I e II d) Apenas II e III e) I, II e III 54. (UFRGS 00) Considere as afirmações abaixo, referentes ao romance romântico no Brasil. I. A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, insere-se na linha primitivista de corrente romântica, em que as personagens vivem em contato constante com a natureza. II. Uma das fontes de inspiração do romance Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, é a novela picaresca espanhola. III. A heroína de A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, é mestiça; porém, na sua apresentação inicial, são destacadas sua tez clara “como marfim” e sua beleza “branca”. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas I e II. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. Realismo 55. (UFRGS) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do trecho abaixo. Os perfis femininos criados por Machado de Assis revelam, por exemplo, mulheres preocupadas em ascender e manter as aparências. Assim, hipócrita e dissimulada,..........., de............, assemelha-se a inescrupulosa..........., ávida pelo dinheiro de Rubião, em........... A) Conceição – Quincas Borba – Marcela – “Uns braços” B) Marcela – “A Cartomante” – Flora – Dom Casmurro C) Virgília – Memória Póstumas de Brás Cubas – Sofia – Quincas Borba D) Capitu – Memorial de Aires – Genoveva – “Missa do Galo” E) Sofia – Esaú e Jacó – Virgília – “O Alienista” 56. (UFRGS 01) Leia as afirmações abaixo. “O realismo é a anatomia do carácter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta aos nossos olhos para condenar o que há de mau na sociedade.”(Eça de Queirós) “... porque a nova poética (...) só chegará à perfeição no dia em que nos disser o número exato dos fios que compõem um lenço de cambraia ou um esfregão de cozinha.”(Machado de Assis) Assinale a alternativa incorreta em relação às afirmações de Eça de Queirós e de Machado de Assis. (A) Machado de Assis expressa uma visão irônica quanto aos propósitos do realismo assumidos por Eça de Queirós. (B) Há em Machado de Assis uma identificação com as idéias do autor português sobre o poder da arte realista. (C) Ao questionar a perfeição da “nova poética,” Machado de Assis põe em dúvida o ideal queirosiano de realizar uma anatomia do caráter. (D) Eça de Queirós deixa entrever um grande entusiasmo pelo papel a ser desempenhado pela arte realista. (E) A visão do escritor brasileiro deixa clara sua convicção quanto à impossibilidade de se representar totalmente a realidade. 57. (UFRGS) Com relação ao romance O Ateneu, assinale a alternativa INCORRETA. a) O romance, escrito em primeira pessoa, relata as experiências infanto-juvenis do narrador. b) O incêndio da escola, provocado por um aluno, representa um ato de revolta contra a opressão. c) As regras de conduta do Ateneu são freqüentemente transgredidas pelos alunos, insubmissos à ordem estabelecida. d) O relacionamento entre os alunos, longe do lar, está marcado pelo domínio do forte sobre o fraco. e) O diretor da escola caracteriza-se por uma atitude compreensiva diante das inquietações existentes dos alunos Instrução: a questão de número 58 refere-se ao texto abaixo. "Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta." Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada de decepções que nos ultrajam. 58. (UFRGS) Assinale a alternativa correta. (A) Trata-se da narrativa de uma situação de autoritarismo em que o pai se considera proprietário do destino de seu filho, Sérgio. (B) Trata-se de um dos capítulos do romance O Ateneu, valorizado pela crítica por seus aspectos realistas e regionais. (C) O texto corresponde à abertura do romance de Raul Pompéia, também chamado de "crônica de saudades". (D) A narrativa em terceira pessoa revela uma série de emoções e percepções que oscilam entre o tempo presente e acontecimentos passados. (E) O texto inaugura a narração de uma série de peripécias típicas dos internatos do século XIX, que tinham a missão de formar bons caracteres para a vida militar. Sistema MSA de Ensino 49 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Parnasianismo 59. (UFRGS 06) Com relação ao Parnasianismo, são feitas as seguintes afirmações. I - Pode ser considerado um movimento anti-romântico pelo fato de retomar muitos aspectos do racionalismo clássico. II - Apresenta características que contrastam com o esteticismo e o culto da forma. III- Definiu-se, no Brasil, com o livro Poesias, de Olavo Bilac, publicado em 1888. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas I e III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 63. (UFRGS) Sobre o Simbolismo brasileiro é correto afirmar que. a) Reelabora a fala popular carioca em curtos poemas de temática urbana repletos de elipses e trocadilhos bilíngües. b) Retoma a temática romântica com ânimo satírico e polêmico, inclusive parodiando trechos de romances do século XIX. c) Explora a mitologia greco-latina e episódios da história antiga da Europa em sonetos descritivos por chave-de-ouro. d) Explora a sujestividade dos sons da língua em poemas que reportam sensações indefinidas e sentimentos vagos. e) Reelabora a musicalidade dos vocábulos com experiência em que as palavras são fragmentadas e a frase parte-se em fragmentos. Instrução: a questão de número 64 refere-se ao texto abaixo. ACROBATA DA DOR (Cruz e Souza) Gargalha, ri, num riso de tormenta, Como um palhaço, que desengonçado, Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado, De uma ironia e de uma dor violenta. 60. (UFRGS) Leia o soneto abaixo, A um Poeta, de Olavo Bilac. Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino, escreve! No aconchego Do claustro, na paciência e no sossego, Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! Da gargalhada atroz, sanguinolenta, Agita os guizos, e convulsionado Salta gavroche, salta clown, varado Pelo estertor dessa agonia lenta... Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço; e a trama viva se construa De tal moda, que a imagem fique nua, Rica mas sóbria, como um templo grego. Pedem-se bis e um bis não se despreza! Vamos! retesa os músculos, retesa Nessas macabras piruetas d'aço... E embora caias sobre o chão, fremente, Afogado em teu sangue estuoso e quente Ri! Coração, tristíssimo palhaço. Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. E, natural, o efeito agrade, Sem lembrar os andaimes do edifício: Porque a Beleza, gêmea da Verdade, Arte pura, inimiga do artifício, É a força e a graça na simplicidade. Beneditino: religioso reconhecido por sua dedicação ao trabalho. Claustro: cela. É correto afirmar que, em A um Poeta, o autor sugere ao poeta (A) evitar que a obra demonstre o esforço que foi empregado na sua elaboração. (B) abandonar os apelos do mundo para dedicar-se a atividades manuais. (C) evitar que a obra esconda haver sido planejada como um edifício. (D) abandonar o movimento da rua para dedicar-se ao ócio, que deflagra a inspiração. (E) evitar que o esforço excessivo torne a obra sóbria a ponto de parecer um templo grego. 64. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações em relação ao poema de Cruz e Sousa. I. Trata-se de poema simbolista que não expressa nitidamente as emoções representadas, o que é incompatível com a forma do soneto. II. Os poetas do Simbolismo, incapazes de captarem as sensações e os sentimentos humanos em sua real dimensão, apelavam para imagens obscuras. III. O poema mistura em tom veemente imagens contraditórias de riso e dor, utilizando em diferentes metáforas a imagem do palhaço. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. Instrução: O texto refere-se à questão abaixo Simbolismo “Ó virgem branca, Estrela dos altares, Ó Rosa pulcra dos Rosais polares! 61. (UFRGS 03) Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas do texto abaixo, na ordem em que aparecem. O Simbolismo, contrapondo-se ao ideário..........., mergulha no universo do ...........dominado por associações estranhas, glorifica o ........... e o ..........., resgatando traços da subjetividade ......... . (A) naturalista - subconsciente - misterioso - irracional - romântica (B) naturalista - sonho - corpo - espírito - romântica (C) romântico - símbolo - cientificismo - racional - realista (D) romântico - real - corpo - cientificismo - realista (E) naturalista - subconsciente - corpo - racional - realista 62. (UFRGS) Sobre o Simbolismo é correto afirmar que a) Explora a linguagem coloquial e a sintaxe fragmentar em poemas bem-humorados. b) Resgata a tradição greco-latina e a linearidade sintática própria de uma perspectiva classicizante. c) Satiriza as pretensões românticas de fundar mitos nacionais na figura do índio forte e valoroso. d) Explora a sonoridade dos vocábulos em poemas cujas metáforas freqüentemente remetem a um clima onírico. e) Valoriza o dado local em oposição à excessiva influência européia sofrida pelo Parnasianismo. 50 Branca do alvor das âmbulas sagradas E das níveas camélias regeladas. Das brancuras da seda sem desmaios E da lua de linho em limbo e raios. 65. (UFRGS) Em relação ao texto acima, é correto afirmar que. a) Os verso livres, de métrica variada, remetem à estética modernista. b) A predominância das imagens de brancura e frieza associa esses versos a um dos grandes representantes do Simbolismo brasileiro. c) A ausência de musicalidade nos versos é um dos traços que confirma a sua adesão à tradição simbolista. d) A preferência quase obsessiva pela cor branca, presente em várias imagens do poema, é a forma de Alphonsus de Guimaraens expressar o seu drama de homem de cor. e) Ao acento místico dos versos, em nítida referência à Virgem Maria, indica que se trata da lírica religiosa barroca do século XVII. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Pré-Modernismo 66. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre Os Sertões de Euclides da Cunha. I – nas duas primeiras partes do livro, o autor descreve, respectivamente, o homem e o meio ambiente que constituíam o sertão baiano, valendo-se, para tanto, das teorias científicas desenvolvidas na época. II – ao descrever o sertanejo, o autor idealiza suas qualidades morais e físicas e conclui que seu heroísmo era resultado da fé dos ensinamentos religiosos do líder Antônio Conselheiro. III – o autor descreve, na terceira parte do livro, as várias etapas da guerra de Canudos e denuncia o massacre dos sertanejos pelas tropas do exército brasileiro revelando a miséria e subdesenvolvimento da região. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e III. e) I, II e III. 67. (UFRGS) Assinale a única alternativa INCORRETA a respeito da obra de Euclides da Cunha. a) Em Os Sertões, o autor se utiliza de uma linguagem preciosista e rebuscada, em que pontificam os termos emprestados à ciência da época, os adjetivos exagerados e os verbos cuidadosamente escolhidos. b) Os Sertões é o produto final de um longo trabalho de pesquisa bibliográfica, de uma engajada cobertura jornalística realizada in loco pelo autor e da revisão de anotações detalhadas feitas por Euclides da Cunha durante sua estada no sertão baiano. c) A utilização de personagens ficcionais lado a lado com as figuras históricas que protagonizam os acontecimentos de Os Sertões permite a Euclides da Cunha inserir suas impressões pessoais sobre o episódio além disso, estabelece nexos entre as ações isoladas. d) Nas duas primeiras partes de Os Sertões o autor se mostra adepto das doutrinas científicas da época, que não viam com bons olhos a mestiçagem e estabeleciam uma relação direta entre herança biológica e progresso material dos povos. e) Na última parte de Os Sertões, A Luta, opera-se uma transformação do ponto de vista do autor, que, graças a técnica narrativa utilizada contagia o leitor: inicialmente vistos como fanáticos os sertanejos de Canudos conquistam o respeito e a admiração. 68. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre Os Sertões, de Euclides da Cunha. I – Na prosa grandiloqüente do livro, a linguagem recebe um tratamento artístico todo especial, num trabalho semelhante ao de um escultor. II – Na primeira parte do livro, Euclides descreve as características geológicas e topográficas do sertão, particularmente da região de Canudos. III – O sertão de Canudos é descrito romanticamente por Euclides da Cunha, uma vez que ele recria um espaço idealizado, onde há uma perfeita harmonia entre o homem e a natureza. IV – O material fornecido pelo episódio de Canudos foi trabalhado por Euclides da Cunha em Os Sertões com base no cientificismo que a cultura do século XIX lhe proporcionou. Quais estão corretas? a) Apenas I e III b) Apenas II e IV c) Apenas I, II e III d) Apenas I, II e IV e) Apenas II, III e IV 69. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre Os Sertões, de Euclides da Cunha. I – Os Sertões é um marco na história da literatura brasileira, pois, pela primeira vez, o conflito entre a sociedade rural e a urbana aparece de forma realista, deixando à mostra as discrepâncias entre religiões e país. II – Ao longo do livro, Euclides da Cunha apresenta o homem do sertão segundo um ponto de vista singular: ao início descreve-o como um ser inferior, resultado da mistura de etnias, mas ao final constata suas virtudes físicas morais. III – Para relatar a guerra de canudos, Euclides da Cunha lançou mão de teorias científicas importadas da Europa, como o determinismo, o que é facilmente visível nas duas primeiras partes do livro. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas I e II e) I, II e III Instrução: a questão de número 70 refere-se ao texto abaixo. "Livro posto entre .........., Os Sertões assinalam um fim e um começo: o fim do imperialismo literário, o começo .......... aplicada aos aspectos mais importantes da sociedade brasileira (no caso, as contradições contidas na diferença de cultura entre ..........)." CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. São Paulo: Companhia editora Nacional, s. d. p. 133. 70. (UFRGS) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto acima. (A) a literatura e a sociologia naturalista - da associação onírica e simbolista - as regiões litorâneas e o interior (B) a literatura e o panfleto pró-monárquico - da análise científica - a região nordeste e o sul industrializado (C) a literatura e a sociologia naturalista - da análise científica - as regiões litorâneas e o interior (D) a literatura e o panfleto pró-monárquico - da associação onírica e simbolista - a região nordeste e o sul industrializado (E) a literatura e a sociologia naturalista - da associação onírica e simbolista - a região nordeste e o sul industrializado 71. (UFRGS 01) Leia o trecho abaixo de Os Sertões, de Euclides da Cunha. “Daquela data ao termo da campanha a tropa iria viver em permanente alarma. (...) A tática invariável do jagunço, expunha-se temerosa naquele resistir às recuadas, retribando-se* em todos os acidentes da terra protetora. Era a luta da sucuri flexuosa* com o touro pujante. Laçada a presa, distendia os anéis ; permitia-lhe a exaustão do movimento livre e a fadiga da carreira solta; depois se constringia repuxando-o, maneando-o nas roscas contráteis, para relaxá-las de novo, deixando-o mais uma vez se esgotar no escarvar*, a marradas o chão; e novamente o atrair, retrátil, arrastando-o – até ao exaurir completo... *restribar- estar firme, estar escorado. *flexuoso- sinuoso, torcido, tortuoso. *escarvar- cavar superficialmente. Assinale a alternativa incorreta em relação ao trecho. (A) O jagunço, ao aproveitar-se dos “acidentes da terra protetora”, conseguia superar-se e confrontar-se com o inimigo, trazendo-lhe novas dificuldades. (B) O “touro pujante”, apesar de sua força, na ilusão do movimento livre, acaba se exaurindo. (C) No confronto, a “sucuri flexuosa” vence, pois usa os recursos de que dispõe. (D) No trecho, a imagem da luta entre a “sucuri flexuosa” e o “touro pujante” é uma metáfora da luta entre jagunços e expedicionários. (E) A “sucuri flexuosa” e o “touro pujante” estão em constante confronto sem que haja um vencedor. 72. (UFRGS) Assinale a afirmação correta sobre Lima Barreto. a) Triste Fim de Policarpo Quaresma narra a trajetória vitoriosa do Major Quaresma em sua luta pela implantação do tupi-guarani como;íngua oficial do Brasil. b) Recordações do escrivão Isaías Caminha apresenta um painel da vida cultural do Brasil revelando a rivalidade existente entre São Paulo e Rio de Janeiro. c) Em Clara dos Anjos, o autor retrata a vida nos subúrbios do Rio de Janeiro e mostra de forma idealizante as relações entre as classe sociais. d) O conto O homem que sabia javanês narra, num tom satírico, os artifícios utilizados por um homem para tornar-se um falso professor de javanês. e) A linguagem do autor segue a tradição beletrista do início do século e é, por isso repleta de preciosismo e rigor sintático. Sistema MSA de Ensino 51 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Instrução: a questão de número 73 refere-se ao texto abaixo VERSOS ÍNTIMOS (Augustos dos Anjos) Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão - esta pantera Foi tua companheira inseparável! Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas I e II. (D) Apenas I e III. (E) I, II e III. Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija! 73. (UFRGS) Considera as seguintes afirmações em relação ao poema de Augusto dos Anjos. I – O poema traduz sarcasticamente o fim da vida e contradiz os ideais de solidariedade humana. II – Os versos demonstram que os animais são os principais responsáveis pela violência na terra. III – O poeta serviu-se da imagem do fósforo para transmitir ao leitor uma mensagem de luz e esperança. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas I e II d) Apenas I e III e) I, II e III 74. (UFRGS) É correto afirmar que Augusto do Anjos foi o poeta do. a) Pessimismo aliado à ciência que acusava a degradação humana mediante associações e comparações com processos químicos e biológicos. b) Cientificismo triunfante que, aliado à idéia de progresso, marcou boa parte da lírica contemporâneo aos primeiros anos da República. c) Pessimismo acusatório que denunciou o latifúndio e a política oligárquica, reproduzindo na poesia as preocupações e temas de Lima Barreto. d) Esteticismo que depurava a forma de seus sonetos à perfeição sem jamais fazer concessões a temas considerados prosaicos ou de mau gosto. e) Cientificismo militante disposto a abranger temas como o cálculo algébrico, a crítica literária e arquitetura para retirar o caráter subjetivo da poesia. 75. (UFRGS) Assinale a alternativa INCORRETA sobre Simões Lopes Neto. a) em Contos Gauchescos, o autor cria o narrador Blau Nunes, um vaqueano que conta histórias vivenciadas por ele próprio na campanha do Rio Grande do Sul. b) Em contos como Trezentas Onças, o narrador aponta a lealdade e a honestidade como valores fundamentais para o gaúcho. c) Cancioneiro guasca reúne canções de origem popular que se mantinham vivas na tradição oral. d) O autor recria em sua obra a linguagem falada, utilizando termos gauchescos e lançando mão de comparações e imagens típicas do linguajar popular. e) Os personagens de Contos Gauchescos são constituídos a partir de uma visão satírica e moralista dos habitantes da campanha gaúcha. Instrução: A questão de número 76 refere-se aos Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto. 76. (UFRGS 01) Sobre o Conto “Contrabandista”, são feitas as seguintes afirmações. I. Simões Lopes Neto explora uma temática original, quase ignora pela literatura regionalista subseqüente e contemporânea: a prática do contrabando como atividade clandestina e arriscada. II. O leitor toma conhecimento das circunstâncias trágicas da morte de Jango Jorge pelas palavras de um acompanhante que presenciara 52 a cena; com isso, o autor se vale de um procedimento comum às tragédias gregas. III. Jango Jorge, já antevendo as dificuldades em contrabandear o enxoval da filha e receando não regressar a tempo, partiu em direção à fronteira sete dias antes da data marcada para o casamento. 77. (UFRGS 01) Leia o texto abaixo, extraído do conto “Jogo do Osso”. “Vancê compr’ende? Do mesmo talho varou os dois corações, espetou-os no mesmo ferro, matou-os da mesma morte, fazendo os dois sangues, num de cada peito, correrem juntos num só derrame...que foi lastrando pelo chão duro, de cupim socado, lastrando...até os dois corpos baterem na parede, sempre abraçados, talvez mais abraçados, e depois, tombarem por cima do balcão, onde estava um rasgado bonito e ficou olhando fixe para aquela parelha de dançarinos morrentes farristas ainda!...” Assinale a alternativa incorreta em relação ao trecho. (A) A indagação inicial do narrador Blau Nunes evidencia o tom coloquial que marca a linguagem dos Contos Gauchescos. (B) Descreve-se aqui o assassinato de Osoro e Lalica por Chico Ruivo, no interior da “vendola do Arranhão”. (C) A violência e a brutalidade da cena são reforçadas pelo emprego de uma linguagem despojada e objetiva, típica do mundo rude em que as ações acontecem. (D) Simões Lopes Neto consegue harmonizar nesta cena, a intensidade trágica e o lirismo poético, resultando numa descrição de rara beleza plástica. (E) A imagem final dos “dançarinos morrentes farristas ainda” sintetiza metaforicamente os movimentos finais do par espetado pelo facão. Instrução: As questões 78 e 79 referem-se aos Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto. 78. (UFRGS 02) Considere as afirmações abaixo. I. O narrador do conto “Trezentas Onças”, Blau Nunes, conta um fato vivenciado por ele mesmo em seus tempos de tropeiro. II. Os acontecimentos relatados em “Contrabandista” não foram testemunhados pelo narrador, Blau Nunes, pois se trata de uma história que ele escutou quando criança. III. Na abertura do conto “No Manantial”, o narrador dirige-se a um interlocutor anônimo, usando, assim, um procedimento bastante freqüente nos Contos Gauchescos. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas I e III. (E) I, II e III. 79. (UFRGS 02) Assinale a alternativa incorreta. (A) Em “Trezentas Onças”, o protagonista retorna ao local, à beira do rio, onde esquecera a guaiaca cheia de moedas de ouro, e vê que ela se encontra no mesmo lugar em que a deixara. (B) No conto “No Manantial”, Mariano esgana o Chicão dentro do manantial, e os dois afundam juntos no lodaçal borbulhante. (C) Jango Jorge, protagonista do conto “Contrabandista”, era veterano de muitas guerras e grande conhecedor dos campos fronteiriços. (D) Maria Altina, personagem do conto “No Manantial”, é filha de Mariano e fora prometida em casamento ao furriel André. (E) Em “Jogo do Osso”, depois de ter perdido a mulher Lalica na aposta com o parceiro, Chico Ruivo é tomado pelo ciúme e pela humilhação, que o levam a assassinar a mulher e o seu novo dono. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Instrução: As questões 80 e 81 referem-se aos Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto. 80. (UFRGS 03) Leia as afirmações abaixo sobre o conto “O Negro Bonifácio”. I- As ações do conto se passam durante uma carreira de cancha reta, acontecimento tradicional e festivo na campanha gaúcha. II- Tudinha, a personagem central, era a filha mais velha de uma família de estrangeiros e estava apaixonada por um rapaz da cidade que lhe dedicara alguns versos. III- Ao final do conto, o narrador Blau Nunes manifesta sua descrença nas mulheres, pois não confia em nenhuma delas, quer sejam ricas, quer pobres. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 81. (UFRGS 03) Assinale a alternativa incorreta. (A) A reunião festiva, o jogo e o final trágico são pontos em comum dos contos “O Negro Bonifácio” e “Jogo do Osso”. (B) Em “Melancia-Coco Verde” e em “Contrabandista”, há um desfecho tradicional nas histórias, com o casamento dos pares enamorados. (C) Em “O Negro Bonifácio”, o narrador Blau Nunes expressa, em vários momentos, a sua opinião negativa em relação à personagem que dá título ao conto, qualificando-o de maleva, excomungado ou malvado. (D) Em “Melancia-Coco Verde” o casal de namorados cria uma senha para se comunicar entre si sem o conhecimento dos outros. (E) Em “O Negro Bonifácio”, o narrador refere-se aos olhos de Tudinha como “a modo de veado-virá”, à face “cor de pêssego maduro” e aos dentes “brancos como de cachorro novo”, evidenciando assim um modo de qualificar típico da linguagem regionalista do autor. 82. (UFRGS 04) Nas alternativas abaixo, títulos de contos extraídos dos Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto, aparecem associados ou a personagens ou a situações das narrativas. Assinale a alternativa em que a associação sugerida não encontra suporte no respectivo conto. (A) Negro Bonifácio: Tudinha, Nadico e Sai Fermina. (B) Jogo do Osso: Reduzo, Costinha e Sia Talapa. (C) Melancia-Coco Verde: versos com mensagem cifrada interrompem o casamento. (D) Contrabandista: o pai da noiva é assassinado. (E) Jogo do Osso: mulher é usada como objeto de aposta no jogo. Modernismo 1ª Fase 83. (UFRGS) Sobre o Modernismo literário brasileiro, são feitas as seguintes afirmações: I. o gosto pelas experiências estéticas e a ruptura com a linguagem tradicional, características do Movimento de 22, limitaram-se às obras de poesia dos anos 20. II. Juntamente com o projeto estético de renovação da linguagem, o modernismo desenvolveu um projeto ideológico, com vistas ao conhecimento e à interpretação da realidade nacional. III. A variedade de correntes e de manifestações que eclodiram no seio do Modernismo, sobretudo na sua fase inicial, pode ser comprovada em obras tanto da literatura quanto de outras artes. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas I e II. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. Romance de 30 84. (UFRGS) A respeito da obra de três romancistas sul-riograndenses são feitas as afirmativas seguintes: I – a passado heróico e guerreiro do Rio Grande do Sul não se faz presente diretamente em boa parte da obra de Érico Veríssimo, mas surge destacado e carrega de condições em O tempo e o vento. II – o Naziazeno de Os ratos buscando apenas o dinheiro suficiente para pagar o leiteiro, é a própria antítese do herói eqüestre metido em guerras e revoluções, tanto quanto personagem-título de O louco de Cati. III – na trilogia do gaúcho a pé Ciro Martins examina como a expulsão dos trabalhadores do campo pelo avanço do capitalismo confrontou-se com tradição de bravura e fidelidade cultuada pelo gaúcho tradicional. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas III. c) Apenas I e II. d) Apenas II e III. e) I, II e III. 85. (UFRGS) Assinale a afirmação correta sobre o Romance de 30. a) Predominou, entre os autores, uma preocupação de renovação estética seguindo os padrões da vanguarda literária européia. b) Na obra de José Lins do Rego, predomina a narrativa culta na recreação do modo de vida dos senhores de engenho. c) Os autores, em suas obras, tematizaram os problemas sociais com o intuito de denunciar as agruras das populações menos favorecidas. d) O caráter regionalista dos romances deste período deve-se à reprodução fiel do linguajar típico de cada região. e) A obra de Jorge Amado pode ser considerada uma exceção, no conjunto da época, porque seus romances apresentam uma grande inovação na estrutura narrativa. 86. (UFRGS) Considere as afirmações abaixo. I – Os Ratos, de Dyonélio Machado, é a narrativa, com forte análise psicológica, da trajetória angustiada de Naziazeno na busca desesperada do dinheiro para pagar suas dívidas, revelando o cotidiano mediocrizante da classe média brasileira. II – O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, é uma narrativa histórica que apresenta a formação social e política do Rio Grande do Sul, através das sucessivas gerações da família Terra Cambará. III – Através de suas narrativas, Graciliano Ramos revela a realidade do homem nordestino – o sertanejo, em conflito com a sociedade, na busca da sobrevivência – desenvolvendo uma linguagem retórica, carregada de expressões regionalistas, o que confere ao texto um caráter tradicional. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas I e II d) Apenas II e III e) I, II e III 87. (FFFCMPA 06) Considere as assertivas abaixo. I – Apesar de se constituir em um romance, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, foi estruturado de forma que os episódios da narrativa mantêm relativa autonomia em relação ao conjunto. II – A linguagem de O Arquipélago se caracteriza pelo uso de registros lingüísticos diversos, inclusive no caso do narrador Floriano, o qual, egresso da estância, mantém na cidade sua fala eivada de termos gauchescos. III – A ação de Os Ratos transcorre no meio rural do Alto-Uruguai, onde as questões agrárias absorvem a vida de Naziazeno, peão que toma consciência da opressão e compara os homens a ratos. Quais são corretas? (A) Apenas I (B) Apenas III (C) Apenas I e II (D) Apenas II e III (E) I, II e III Sistema MSA de Ensino 53 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 88. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações. I – Enquanto Graciliano Ramos revela a uma visão de mundo realista e até mesmo pessimista da realidade brasileira, José Lins do Rego, nos livros que compõem a trilogia do “ciclo da cana-de-açúcar”, reconstitui o mundo dos senhores de engenho sob um prisma nostálgico e pouco crítico quanto às estruturas econômicas e sociais. II – O Romance de 30 correspondeu a um momento de tomada do consciência do subdesenvolvimento do Brasil, revelando, literariamente, as malezas de nossa sociedade. III – Contrariamente aos modernistas de 22, os romancistas de 30 retomaram como prioridade a temática social e a estrutural linear dos textos e preferiram o uso de uma linguagem mais próxima dos padrões realistas e naturalistas. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas II e III e) I, II e III A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) F-V-F-V-F. (B) V-F-F-V-V. (C) F-V-V-V-F. (D) V-V-F-F-V. (E) F-F-V-F-V. 89. (UFRGS) Associe as obras aos respectivos autores. 1 Érico Veríssimo 2 Cyro Martins 3 Dyonélio Machado ( ) O Príncipe da Vila ( ) O Prisioneiro ( ) O Louco de Cati ( ) Incidentes em Antares ( ) Porteira Fechada 93. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre a obra de Graciliano Ramos. I – Vidas secas retrata o drama de uma família de sertanejos na luta pela sobrevivência num mundo assolado pela seca e estruturado a partir de um modelo sócio-ecônomico injusto. II – Em São Bernardo, o autor narra a trajetória de Paulo Honório desde sua ascensão econômica e social até sua absoluta decadência, revelando o momento de transformações históricas nas décadas de 20 e 30 no Brasil. III – Infância é uma autobiografia na qual o autor conta, em tom nostálgico, os anos de prosperidade de sua família abordando com carinho a figura paterna. A seqüência correta das associações, de cima para baixo, é. a) 2-1-3-1-2 b) 3-1-3-2-1 c) 2-1-2-3-1 d) 3-2-1-2-3 e) 1-3-2-1-2 90. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações. I – Na trilogia inicial do “ciclo da cana-de-açúcar”, de José Lins do Rego, o personagem-narrador, através do caráter nostálgico de suas reminiscências, manifesta o mal-estar gerado pela a decadência social; posteriormente, em Fogo Morto, o autor transcende essa visão do mundo criando expressões maduras dos conflitos humanos. II – Em São José dos Ilhéus e Capitães de Areia, Jorge Amado faz predominar as características culturais do povo baiano, com a descrição de rituais afro-brasileiros, danças e festas populares. III – Em Incidente em Antares e O Senhor Embaixador, romances de cunho político, Érico Veríssimo faz uma reflexão sobre a realidade brasileira e latino-americana, respectivamente, e revela uma visão do mundo norteada pela crítica aos regimes totalitários. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas I e II. (D) Apenas I e III. (e) I, II e III. 91. (UFRGS) Assinale a alternativa correta sobre o romance de 30. (A) Na tentativa de apontar a crise das estruturas sociais vigentes nos anos 30, o romance adotou um experimento lingüístico que o afastou do público leitor. (B) Ao fugir da verossimilhança e ao privilegiar a indagação existencial, o Romance de 30 reafirmou a sua ligação com a narrativa de cunho naturalista. (C) Os romances de José Lins do rego e de Erico Verissimo, mesmo localizados em espaços geográficos diferentes, representam estruturas socioeconômicas similares. (D) Faltou ao Romance de 30 visão crítica em relação à vida essa que caracterizara a fase revolucionária do Modernismo. (E) Os romances que compõem o ciclo seguem, de modo geral, a tradição real-naturalista européia, em que são mais freqüentes a representação da realidade e o desenvolvimento linear das ações. 54 92. (UFRGS 06) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, referentes ao Romance de 30. ( ) A década de 1930 dá lugar a uma renovação do regionalismo brasileiro, associado, sobretudo, à ficção nordestina. ( ) Os romancistas de 30 mostram-se mais preocupados com o questionamento da realidade do que com inovações formais. ( ) Um dos temas da ficção de 30 diz respeito ao ciclo do cangaço, sendo O Quinze, de Raquel de Queiroz, o melhor exemplo de romance desse ciclo. ( ) O desenvolvimento da economia rural, com a crescente modernização dos meios de produção no campo, é um dos focos principais das narrativas de 30. ( ) Alguns romances de 30 mostram as primeiras conseqüências sociais do surgimento da industrialização, apontando o deslocamento da população do campo para a cidade. Quais estão corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas I e II d) Apenas I e III e) I, II e III 94. (UFRGS) Em relação a São Bernardo, é correto afirmar que (A) esse romance é uma narrativa em que se evidencia a visão introspectiva, com ênfase no monólogo interior, sendo raras as descrições do processo histórico. (B) Paulo Honório, para chegar à posse da fazenda São Bernardo, arquiteta um plano cruel, que acaba levando à falência o seu antigo proprietário. (C) Madalena resolve abandonar Paulo Honório e retornar à sua terra natal por não suportar a crueldade do marido. (D) Paulo Honório, na luta pela posse da terra, se deixa conduzir pelos ideais de bravura e de idealismo herdados de seus antepassados. (E) Esse romance se insere na corrente estética neo-romântica do início do século, que procurava valorizar o elemento local e o exotismo. Instrução: As questões de número 95 e 96 referem-se ao romance São Bernardo, de Graciliano Ramos. 95. (UFRGS 00) Considere as afirmações abaixo. I. A narrativa de Paulo Honório, tentando reconstruir a sua vida, desenvolve-se ao longo de 36 capítulos, sendo os dois primeiros introdutórios, já que a história só inicia, de fato, no 3º capítulo. II. Na metade do romance, há uma pausa na seqüência cronológica dos acontecimentos, pois a narrativa retorna, momentaneamente, ao instante inicial em que Paulo Honório está sentado à mesa da sala de jantar escrevendo suas lembranças. III. No capítulo final de São Bernardo, Paulo Honório faz um balanço da vida, admitindo a sua falência como ser humano. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas I e III. (E) I, II e III. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 96. (UFRGS 00) Considere a afirmação abaixo. 100. (UFRGS 04) Leia o fragmento abaixo, extraído de Vidas Secas, de Graciliano Ramos. No capítulo 31 de São Bernardo, há uma cena de grande tensão dramática entre Paulo Honório e Madalena, no interior da capela da fazenda. Nela, o marido, enciumado com a descoberta da página de uma carta escrita pela mulher, exige explicações sobre o destinatário daquelas palavras. Assinale a alternativa que dá seguimento correto aos fatos referidos acima. (A) Madalena é forçada por Paulo Honório a mostrar as demais páginas da carta. (B) Madalena dirige-se à casa da fazenda e suicida-se tomando veneno. (C) Paulo Honório e Madalena decidem que é melhor se separarem para não continuarem brigando indefinidamente. (D) Madalena confessa sua traição ao marido e este, desesperado, acaba por assassiná-la no quarto do casal. (E) Atormentada com o ciúme do marido, Madalena se afoga no açude da fazenda. "Olhou a caatinga amarela, que o poente avermelhava. Se a seca chegasse, não ficaria planta verde. Arrepiou-se. Chegaria, naturalmente. Sempre tinha sido assim, desde que ele se entendera. E antes de se entender, antes de nascer, sucedera o mesmo - anos bons misturados com anos ruins. A desgraça estava em caminho, talvez andasse perto. Nem valia a pena trabalhar. Ele marchando para casa, trepando a ladeira, espalhando seixos com as alpercatas ela se avizinhando a galope, com vontade de matá-lo. Virou o rosto para fugir à curiosidade dos filhos, benzeu-se. Não queria morrer. Ainda tencionava correr o mundo, ver terras, conhecer gente importante como seu Tomás da bolandeira. Era uma sorte ruim, mas Fabiano desejava brigar com ela, sentir-se com força para brigar com ela e vencê-la. Não queria morrer. Estava escondido no mato como tatu. Duro, lerdo como tatu. Mas um dia sairia da toca, andaria com a cabeça levantada, seria homem. - Um homem, Fabiano. Coçou o queixo cabeludo, parou, reacendeu o cigarro. Não, provavelmente não seria um homem: seria aquilo mesmo a vida inteira, cabra, governado pelos brancos, quase uma rês na fazenda alheia." Instrução: As questões de números 97, 98 e 99 referem-se ao romance São Bernardo, de Graciliano Ramos. 97. (UFRGS 01) No capítulo 21 de São Bernardo, Paulo Honório, agastado com a fatura do material escolar, que considera “despesa supérflua”, assina a duplicata e sai de casa. Assinale a alternativa que dá seguimento correto à situação referida. (A) Encontra Madalena e critica seus gastos excessivos. (B) Extravasa sua irritação com Marciano, esbofeteando-o. (C) Conversa com Margarida, que lhe fala sobre os presentes que a patroa lhe dá. (D) Discute com Dona Glória, que lhe exige um aumento da pensão alimentícia. (E) Discute com seu Ribeiro sobre a forma de pagar a fatura. 98. (UFRGS 01) Assinale com V (Verdadeiro) ou com F (Falso) as afirmações abaixo sobre o romance São Bernardo, de Graciliano Ramos. ( ) O projeto de escrever um livro em conjunto, pela divisão do trabalho, não tem êxito. Paulo Honório critica os padrões quinhentistas seguidos por João Nogueira e a linguagem empolada de Azevedo Gondim, mas acaba adotando a mesma forma de escrever. ( ) Embora pretenda reproduzir fielmente os fatos de sua vida, Paulo Honório desrespeita os acontecimentos, introduzindo personagens que de fato não existiram. ( ) Paulo Honório seleciona os episódios mais significativos de sua vida, centrando-se nas circunstâncias que levam ao deslance do drama sobre o qual se interroga. ( ) Paulo Honório, em várias ocasiões, interrompe o relato para discutir as regras que presidem a sua escrita ou para confessar suas dificuldades de expressão. ( ) Através do relato, Paulo Honório tem oportunidade de reavaliar sua vida, refletindo sobre seus atos e vendo a esposa sob uma nova perspectiva. A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) F - F - V - F - V. (B) V - F - V - F - V. (C) V - F - F - V - F. (D) F - F - V - V - V. (E) V - V - F - V - V. 99. (UFRGS 02) Assinale a alternativa correta sobre o romance São Bernardo, de Graciliano Ramos. (A) O romance de Graciliano Ramos destaca-se em relação aos de seus contemporâneos, entre outras características, pelo emprego de uma linguagem seca, coloquial, e pelos registros de caráter documental. (B) Em São Bernardo, a derrocada de Paulo Honório, no nível do enredo, constitui o principal obstáculo para um desfecho favorável da narrativa, constituída por diferentes planos temporais. (C) Os conflitos do casamento de Paulo Honório e Madalena têm como causa principal o desnível cultural entre eles, responsável pelo embrutecimento do marido. Considere as seguintes afirmações sobre o fragmento acima. I. Interessa ao narrador registrar, além da tragédia natural provocada pela seca, a opressão social que recai sobre Fabiano. II. Para não demonstrar seus sentimentos diante da proximidade da desgraça, Fabiano evita o olhar dos filhos. III. Fabiano tenta compreender o mundo, mas, respondendo ao conflito interno, rebela-se contra o seu destino. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas I e II. (C) Apenas I e III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 101. (UFRGS) Ele é considerado um dos precursores da ficção social urbana do Rio Grande do Sul e sua obra compreende, entre outros, um romance escrito e premiado em 1935, que relata a trajetória de um funcionário público que luta desesperadamente pela sobrevivência econômica, pois não possui recursos sequer para as despesas básicas, como a conta do leiteiro. O autor e a obra que se refere o texto acima são, respectivamente, a) Érico Veríssimo e Noite b) Cyro Martins e Sem Rumo c) Dyonélio Machado e Os Ratos d) Érico Veríssimo e Clarissa e) Moacyr Scliar e A Guerra do Bom Fim 102. Considere as seguintes afirmações sobre Vidas Secas de Graciliano Ramos: I – O romance aborda a miséria do homem nordestino como conseqüência, entre outras coisas, das condições climáticas daquela região. II – A interação entre os seres humanos e o ambiente em que vivem é um dos aspectos principais da obra e pode ser observada na quase incomunicabilidade das personagens principais. III – A linguagem é direta e árida, refletindo a condição histórica em que vivem Fabiano e sua família. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. Sistema MSA de Ensino 55 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Poesia Moderna Instrução: O poema abaixo refere-se às questões de números 105 e 106. TEMA E VARIAÇÕES Manuel Bandeira CASO DO VESTIDO Carlos Drummond de Andrade Sonhei ter sonhado Que havia sonhado. Nossa mãe, o que é aquele Vestido, naquele prego? Eu lembrei-me De um sonho passado: O de ter sonhado Que estava sonhando. Sonhei ter sonhado... Ter sonhado o quê? Que havia sonhado Estar com você. Estar? Ter estado, Que é tempo passado. Minhas filhas, é o vestido De uma dona que passou. Passou quando, nossa mãe? Era nossa conhecida? Minhas filhas, boca presa. Vosso pai e vem chegando Um sonho presente Um dia sonhei. Chorei de repente, Pois vi, despertado, Que tinha sonhado. Nossa mãe, dizei depressa Que vestido é esse vestido. Minhas filhas, mas o corpo Ficou frio e não o veste 103. (UFRGS) É correto afirmar que, em Tema e Variações o poeta. a) Assume a tradição do poema de sintaxe fragmentária e verso livre. b) Leva a diante a proposta do poema-piada, montado a partir de uma sena urbana. c) Rompe com a tradição da lírica confessional ao escrever um poema sem métrica e sem rima. d) Utiliza a redondilha menor (verso de cinco sílabas) para desenvolver o tema sonho. e) Desenvolve o tema sonho para comentar o aspecto e as reações da mulher amada. O vestido, nesse prego, Está morto, sossegado. Nossa mãe, esse vestido Tanta renda, esse segredo! Minhas filhas, escutai Palavras de minha boca. Era uma dona de longe Vosso pai enamorou-se. Instrução: A questão de número 104 refere-se ao texto abaixo. E ficou tão transtornado, Se perdeu tanto de nós RONDÓ DOS CAVALINHOS (Manuel Bandeira) Os cavalinhos correndo, E nós, cavalões, comendo... Tua beleza, Esmeralda, Acabou me enlouquecendo. Os cavalinhos correndo, E nós, cavalões, comendo... O sol tão claro lá fora, E em milh'alma - anoitecendo. Os cavalinhos correndo, E nós, cavalões, comendo... Alfonso Reyes partindo, E tanta gente ficando... Os cavalinhos correndo, E nós, cavalões, comendo... A Itália falando grosso, A Europa se avacalhando... Os cavalinhos correndo, E nós, cavalões, comendo... O Brasil politicando, Nossa! A poesia morrendo... O sol tão claro lá fora, O sol tão claro, Esmeralda, E em minh'alma - anoitecendo! se afastou de toda vida, se fechou, se devorou, chorou no prato de carne, bebeu, brigou, me bateu, me deixou com vosso berço, foi para a dona de longe, mas a dona não ligou. Em vão o pai emplorou. Dava apólice, fazenda, Dava carro, dava ouro, Beberia seu sobejo, Lamberia seu sapato. Mas a dona nem ligou. Então vosso pai, irado, 104. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre o poema de Manuel Bandeira. I. Trata-se de um poema narrativo que, por meio de repetições, traça um verdadeiro painel do mundo ocidental contemporâneo. II. Ao mencionar os "cavalhinhos" e os "cavalões", o poema demonstra satisfação com a política brasileira e um sentimento ufanista com relação ao Brasil. III. O poema é marcado pelo contraste entre a simplicidade da forma e da linguagem e a complexidade de temas como o amor e a passagem do tempo, entre outros. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas I e III. (E) I, II e III. 56 Me pediu que lhe pedisse, A essa dona tão perversa, Que tivesse paciência E fosse dormir com ele... Nossa mãe, por que chorais? Nosso lenço vos cedemos. Minhas filhas, vosso pai Chega ao pátio. Disfarcemos. (...) 105. (UFRGS) Em Caso do vestido os episódios envolvendo a dona e o pai são narrados... Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura a) pela mãe. b) pelo filho, mediante a voz do poeta. c) Pelo pai. d) Por uma das filhas. e) Pelas duas filhas. 106. (UFRGS) Sobre as filhas curiosas, é correto afirma que. a) lembram-se da dona, embora não tenha reconhecido o vestido guardado pela mãe. b) Lembram-se do episódio embora fossem crianças de berço quando tudo ocorreu. c) Desconhecem o caso do vestido, embora se lembrem do sofrimento da mãe. d) Querem conhecer os episódios envolvendo a ruína pecuniária da família. e) Insistem para que a mãe revele os episódios envolvendo o vestido e a dona. 107. (UFRGS) Sobre Caso do vestido, é correto afirmar que. a) a denúncia do condicionamento hereditário da mulher demonstra o débito do Modernismo para com o Naturalismo. b) As metáforas envolvendo mães e filhas exploram a musicalidade da língua e sensações de indefinido. c) A crítica ao patriarcalismo inclui comentários sobre a profissão do pai e da mãe mencionados. d) A narrativa um tanto conformada e desapaixonada contrasta com a tensão do caso passional relatado. e) A denúncia da arbitrariedade do pai entra em conflito com a perspectiva idealizada e romântica das filhas. 108. (UFRGS) Sobre Carlos Drummond de Andrade, é correto afirmar que (A) é nome inquestionável na consolidação da poesia moderna no Brasil, pela síntese que logrou realizar entre várias contradições históricas do país. (B) predomina, em seus poemas, uma linguagem erudita, com termos raros, compatível com os tópicos existenciais mas inadequada para os temas do cotidiano. (C) publicou uma série de livros de poesia e de crônicas que tratam predominantemente de temas provincianos, o que localiza sua obra na vertente regionalista da literatura brasileira. (D) se dedicou à construção de uma linguagem objetiva e rigorosa, voltada para a expressão literária da paisagem tropical. (E) sua poesia se caracteriza pelo lirismo de tom irônico e melancólico, registro de um inconformismo em relação à escassez de leitores de poesia no Brasil. 109. (UFRGS) Leia as estrofes abaixo, do poema José, de Carlos Drumnond de Andrade. E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que traz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, não veio a utopia e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? [...] Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... mas você não morre, você é duro, José! [...] Em relação a esse poema, pode-se afirmar corretamente que ele (A) expõe a voz inconformada de José, que, em primeira pessoa, refere as situações problemáticas que vem enfrentando. (B) constitui uma tentativa de conscientização dirigida aos indivíduos que só buscam os prazeres da vida. (C) refere questões do cotidiano para enfatizar a importância do momento presente, quando o indivíduo enfrenta a sua condição. (D) menciona uma série de recursos de fuga e escapismo, série da qual não faz parte a morte. (E) é um protesto contra o populismo e contra o enfraquecimento das utopias no decorrer do século XX. Instrução: as questões de números 110 e 111 referem-se ao livro de poemas A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade. 110. (UFRGS 01) Leia as estrofes abaixo, extraídas do poema “O Mito”. (...) “Mas eu sei quanto me custa manter esse gelo digno, essa indiferença gaia e não gritar: Vem, Fulana! Como deixar de invadir sua casa de mil fechos e sua veste arrancando mostrá-la depois ao povo tal como é ou deve ser: branca, intata, neutra, rara, feita de pedra translúcida, de ausência e ruivos ornatos.” (...) Assinale com V (Verdadeiro) ou com F (Falso) as afirmações abaixo sobre as estrofes citadas. ( ) As estrofes, de tendência lírica, expressam os impulsos e as contradições do amor, o que constitui uma inovação na tradição da poesia em língua portuguesa. ( ) Ao designar a mulher como Fulana, Drummond afasta-se da tradição clássica, que idealiza a figura feminina; mas, ao compará-la a uma estátua, recupera uma antiga forma de culto e veneração. ( ) No verso 04, a possibilidade do grito e do chamamento a Fulana simboliza o predomínio de um olhar machista e de uma atitude protetora em relação à mulher anônima. ( ) A leitura dos versos citados permite constatar que o poema tematiza o sentimento amoroso e o desejo da posse, através de vários recursos poéticos, como a comparação entre a casa e o corpo da mulher. ( ) As aproximações entre a mulher real e a sua idealização irônica ficam expressas pela indecisão de mostrá-la ao povo vestida ou despida, o que é confirmado pelo título do poema. A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) F - V - F - V - F. (B) V - V - F - F - V. (C) F - F - V - V - F. (D) F - V - V - F - F. (E) V - F - V - F - V. Sistema MSA de Ensino 57 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 111. (UFRGS 01) Leia as estrofes abaixo, extraídas do poema “Canto ao homem do povo Charlie Chaplin”. 1 “Bem sei que o discurso, acalanto burguês, não te envaidece 2 e costumas dormir enquanto os veementes inauguram estátua, 3 e entre tantas palavras que como carros percorrem as ruas, 4 só as mais humildes, de xingamento ou beijo, te penetram, 5 Não é saudação dos devotos nem dos partidários que te ofereço, 6 eles não existem , mas a de homens comuns, numa cidade comum, 7 nem faço muita questão de matéria de meu canto ora em torno de ti 8 como um ramo de flores absurdas mandando por via postal ao inventor dos jardins. (...) 9 Falam por mim os abandonados da justiça, os simples de coração, 10 os párias, os falidos os mutilados, os deficientes, os recalcados 11 os oprimidos, os solitários, os indecisos, os líricos, os cismarentos, 12 os irresponsáveis, os pueris, os cariciosos, os loucos e os patéticos.” (...) Assinale a alternativa correta em relação ao trecho citado. (A) A primeira estrofe, tomando como exemplo Drummond e Chaplin, sublinha a vaidade dos artistas, desejos de reconhecimento e homenagens, o que os torna indiferentes à vida cotidiana dos homens comuns. (B) Na primeira estrofe, as palavras “xingamento” e “beijo” (verso 04) servem tanto para sugerir um combate à violência e à exploração sexual quanto para reforçar a intenção da obra poética de transformar a sociedade. (C) A segunda estrofe estabelece uma comparação entre a religião e a política, ao mesmo tempo em que também apresenta o canto do poeta como um insuperável “ramo de flores” (verso 08). (D) Na terceira estrofe, o poeta invoca formas de sofrimento, injustiça e marginalização, expressando uma fusão entre sua voz e diferentes vozes sociais, com as quais o mesmo se sente identificado. (E) As estrofes declaram a intenção do poeta de homenagear a figura de Chaplin, a quem o poema é dedicado, o que revela uma crítica de Drummond em relação à realidade atrasada da sociedade brasileira. Instrução: As questões 113 e 114 referem-se à obra de Carlos Drummod de Andrade. 113. (UFRGS 03) Assinale a alternativa incorreta sobre A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade. (A) Trata-se de uma poesia com predomínio de temas sociais, que manifesta consciência histórica e uma atitude de resistência face à Segunda Guerra Mundial. (B) livro assinala uma série de conquistas temáticas e formais em relação às manifestações mais radicais do Modernismo. (C) Entre os temas poetizados, além dos fatos históricos e das imagens relacionadas à guerra, estão as lembranças, a vida moderna e a própria poesia. (D) Em A Rosa do Povo, o poeta, já afastado da sua terra natal, recusa os temas relacionados à família patriarcal e à mentalidade provinciana. (E) Com A Rosa do Povo, o sentimento do mundo, já manifesto anteriormente, amplia-se, aprofundando a reflexão histórica do lirismo de Drummond. 114. (UFRGS 03) Leia o seguinte fragmento, extraído do poema “América”, de Carlos Drummond de Andrade. 1 “Uma rua começa em Itabira, 2 que vai dar no meu coração. 3 Nessa rua passam meus pais, 4 meus, tios, a preta que me 5 criou. 6 Passa também uma escola – o 7 mapa - , o mundo de todas as 8 cores. 9 Sei que há países roxos, ilhas 10 brancas, promontórios azuis. 11 A terra é mais colorida do que 12 redonda, os nomes gravam-se 13 em amarelo, em vermelho, em 14 preto, no fundo cinza da 15 infância. América, muitas vezes viajei nas tuas tintas. Sempre me perdia, não era fácil voltar. O navio estava na sala. Como rodava! Sou apenas uma rua na cidadezinha de Minas, humilde caminho a América.” 112. (UFRGS 02) Leia o seguinte fragmento do poema Procura da poesia, de Carlos Drummond de Andrade. 01. “Não faças versos sobre acontecimentos. 02. Não há criação nem morte perante a poesia. 03. Diante dela, a vida é um sol estático, 04. não aquece nem ilumina. 05. As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam. 06. Não faças poesia com o corpo, 07. esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso* à efusão lírica. 08. Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro 09. são indiferentes. 10. Nem me reveles teus sentimentos, 11. que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem. 12. O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.” * contrário Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo sobre o sentido do texto. ( ) As formas verbais do imperativo negativo (v. 01, 06 e 10) evidenciam que o poeta procura dissuadir aquele que queira fazer poesia sobre suas experiências pessoais e familiares. ( ) Trata-se de um poema sentimental que visa tornar a criação poética acessível a todos os leitores. ( ) Os versos 06 a 09 negam o corpo como área de motivação à criação poética. ( ) A poesia é algo que transcende a vida, o corpo, os pensamentos e os sentimentos. Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, referentes a esse fragmento. ( ) O fragmento estabelece uma relação entre o presente e o passado do poeta, que evoca vivências de sua infância. ( ) Nos versos 01 a 06, o mapa lembrado acentua a distância entre a vida familiar e a percepção do mundo. ( ) Os versos 04 e 06, que indicam diferentes cores, mostram o quanto a criança é incapaz de suportar a realidade cotidiana. ( ) Os versos 07 a 13 justapõem a percepção do continente americano e a identificação do poeta com a pequena cidade de Itabira, sua terra natal. ( ) Entre as lembranças da infância, a visão do mapa-múndi desperta no poeta uma viagem imaginária pela América. A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) F - F - V - F - V. (B) V - V - F - V - V. (C) V - F - V - F - F. (D) F - V - F - V - F. (E) V - F - V - F - V. A seqüência correta de preenchimentos dos parênteses, de cima para baixo, é (A) V - V - F - F. (B) F - V - F - V. (C) V - F - V - F. (D) V - F - V - V. (E) F - V - V - V. 58 Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura ( ) “Eu quero a estrela da manhã Onde está a estrela da manhã? Meus amigos meus inimigos Procurem a estrela da manhã” 115. (UFRGS 06) Leia o poema Consolo na Praia, de Carlos Drummond de Andrade. "Vamos, não chores... A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu. O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua. Perdeste o melhor amigo. Não tentaste qualquer viagem. Não possuis casa, navio, terra. Mas tens cão. Algumas palavras duras, Em voz mansa, te golpearam. Nunca, nunca cicatrizam. Mas, e o humor? A injustiça não se resolve. À sombra do mundo errado Murmuraste um protesto tímido. Mas virão outros. Tudo somado, devias precipitar-te, de vez nas águas Estás nu na areia, no vento... Dorme, meu filho." ( ) “Olho o mapa da cidade como quem examinasse a anatomia de um corpo... (é nem que fosse o meu corpo!)” 1 2 3 4 5 Manuel Bandeira Vinícius de Moraes Mário Quintana Manoel de Barros Olavo Bilac A relação numérica, de cima para baixo, que estabelece a correta associação entre os versos e seus respectivos autores, é: a) 2-1-3 b) 4-2-5 c) 2-4-5 d) 3-4-1 e) 5-1-3 Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações a respeito desse poema. ( ) É um verdadeiro "consolo", na medida em que sugere a possibilidade de reverter em felicidade os maus momentos da vida e, inclusive, de esquecê-los. ( ) Critica os tímidos e sem iniciativa, que não usam mecanismos eficientes para impedir situações agressivas. ( ) Sublinha a inexorável passagem temporal que tudo arrebata. ( ) É uma espécie de balanço da vida, em que são colocados, de um lado, o vivido e, de outro, o não-alcançado. ( ) Alude à ineficácia das atitudes de pessoas sensíveis e retraídas diante de forças mais poderosas. A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) F-F-V-V-V. (B) V-F-F-V-V. (C) F-V-F-V-F. (D) V-V-F-F-F. (E) F-F-V-F-V. 116. (UFRGS) Associe as obras aos respectivos autores. 1 Carlos Drummond de Andrade 2 Mário Quintana 3 João Cabral de melo Neto ( ) O Cão sem Plumas ( ) Sapato Florido ( ) Apontamento de História Sobrenatural ( ) Fazendeiro do Ar ( ) A Educação pela Pedra 118. (FFFCMPA 05) Assinale a alternativa que não corresponde à maneira como temas urbanos são tratados por determinados escritores brasileiros. (A) Nélson Rodrigues explora, em crônicas, contos e peças, a dinâmica da vida dos subúrbios, revelada em seus aspectos mais sórdidos e medíocres por personagens vis e imorais. (B) A cidade, na poesia de Mario Quintana, é um espaço amistoso onde o eu-lírico vivencia experiências quotidianas marcadas pela singeleza, mesmo quando melancólicas. (C) Manoel de Barros celebra a chegada da indústria ecologicamente correta, que permitiria o desenvolvimento urbano do Pantanal e propiciaria a modernização dos costumes da população. (D) A experiência da vida na cidade é um constante encantamento nas crônicas de Rubem Braga, nas quais mesmo os acontecimentos mais dramáticos aparecem revestidos de lirismo. (E) Em vários momentos da lírica de Vinícius de Moraes, a cidade é a alegre vizinhança da praia, como em Garota de Ipanema, Ela é Carioca ou Poema Enjoadinho Instrução: O texto abaixo refere-se à questão de número 119. “Os violinos choram soturnos, dentro da noite morta e triste, elegias vãs de Noturnos... E nada existe... nada existe Sombras. A câmara apagada... Sombras... Meu vulto é longe... ausente... Silêncio... Calma... Sonho... Nada... Vago, leve, indecisamente...” É por versos como esse, de nítida feição simbolista, que sua poesia tem sido freqüentemente considerada marginal em relação ao vanguardismo da segunda Geração Modernista brasileira, na qual, entretanto, inscreve-se cronologicamente. A seqüência correta das associações, de cima para baixo, é. a) 3-2-2-1-3 b) 1-3-2-3-1 c) 1-2-3-1-3 d) 2-1-3-2-1 e) 3-3-1-3-2 119. (UFRGS) O texto e a afirmação subseqüente referem-se a. a) Mário de Andrade b) Cecília Meireles c) Adélia Prado d) Ferreira Gullar e) Manuel Bandeira 117. (UFRGS) Existem poemas que, ou por seu tema, ou por sua forma, ou por ambos, tornam-se tão conhecidos que as pessoas chegam a sabê-los de cor, no todo ou em partes. A seguir estão relacionados alguns versos muito conhecidos e depois um lista de poetas. ( ) “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas pálido de espanto...” Sistema MSA de Ensino 59 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Geração de 45 Instrução: a questão de número 120 refere-se ao texto abaixo. 123. (UFRGS) O personagem Riobaldo, de Grande sertão: veredas, a) Tem péssima pontaria, e por isso prefere lutar à faca com seus inimigos, alcançando fama de degolador cruel e inclemente. b) Desnuda sua sensibilidade feminina passo a passo a partir da descoberta da atração física pelos outros jagunços. c) Indaga-se a fundo para saber se o pácto que fez com o Diabo tem valor ou não e se as guerras e os sofrimentos humanos têm origem na intervenção do Demônio. d) Ao derrotar Joca Ramiro e Medeiro Vaz, ganha a inimizade de Zé Bebelo, aliado dos dois anteriores e sócio de Ermógenes. e) Para ser reconhecido como líder pelos jagunços, é forçado a lutar com seu melhor amigo, apesar de saber que Diadorim tem uma reza que lhe dá corpo fechado. CANÇÃO EXCÊNTRICA (Cecília Meireles) Ando à procura de espaço para o desenho da vida. Em números me embaraço e perco sempre a medida. Se penso encontrar saída, em vez de abrir um compasso, protejo-me num abraço e gero uma despedida. Se volto sobre o meu passo, é já distância perdida. Meu coração, coisa de aço, começa a achar um cansaço esta procura de espaço para o desenho da vida. Já por exausta e descrita não me animo a um breve traço: - saudosa do que não faço, - do que faço, arrependida. 120. (UFRGS) Assinale a alternativa correta a respeito de Canção Excêntrica. (A) O poema trata de um desencontro amoroso, mostrando os sentimentos de tristeza e desesperança que tomam conta daqueles que vivem essa experiência. (B) O poema revela desesperança face ao permanente desajuste entre aquilo que se busca na vida e aquilo que se encontra. (C) O poema trata do conflito de um artista dividido entre a valorização social de sua obra e a busca da perfeição. (D) Trata-se de uma reflexão do poema sobre a efemeridade da vida e a dificuldade em escolher a melhor forma de usufruir o curto período da existência. (E) No poema, o eu lírico reflete sobre a sua maneira errada de agir, que em tudo contraria as boas regras da convivência amorosa. 121. (UFRGS 00) Em relação às alternativas abaixo, assinale aquela que não corresponde a uma caracterização da poesia de Cecília Meireles. (A) Culto da beleza material e valorização da transcendência. (B) Poesia universalista e de teor filosófico, em busca de um sentido da vida. (C) Musicalidade bem construída, aliada a uma plasticidade de imagens. (D) Ênfase no non-sense modernista e do poema-piada. (E) Ressonâncias da tradição clássica na construção métrica. 122. (UFRGS 02) Leia o poema abaixo, “Valsa”, de Cecília Meireles. “Fez tanto luar que eu pensei nos teus olhos antigos e nas tuas antigas palavras. O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos, que tornei a viver contigo enquanto o vento passava. Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto e modelou tua voz entre as algas. Eu moro, desde então, nas pedras frias que o céu protege e estudo apenas o ar e as águas. Coitado de quem pôs sua esperança nas praias fora do mundo... — Os ares fogem, viram-se as águas, mesmo as pedras, com o tempo, mudam.” Em relação ao poema, considere as seguintes afirmações. I. As imagens são construídas sobre três constantes cecilianas: oceano, espaço, solidão. II. Os elementos da natureza simbolizam a fugacidade da existência, cuja culminância se expressa no último verso. III. O vento reconstitui o amor do passado, as pedras frias simbolizam a solidão do presente. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 60 124. O romance Grande Sertão: Veredas, de.........., é narrado em 1ª pessoa pela personagem.......... Sua publicação marcou a literatura brasileira pela invenção de uma linguagem caracterizada por........... e expressões regionais. (1991) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto acima. a) Guimarães Rosa – Diadorim – estrangeirismos b) Murilo Rubião – Riobaldo – estrangeirismos c) Guimarães Rosa – Diadorim – arcaísmos d) Murilo Rubião – Diadorim – neologismos e) Guimarães Rosa – Riobaldo – neologismos Instrução: as questões de números 125 e 126 referem-se ao texto abaixo. OS IRMÃOS DAGOBÉ (Guimarães Rosa) Enorme desgraça. Estava-se no velório do Damastor Dagobé, o mais velho dos quatro irmãos, absolutamente facínoras. A casa não era pequena; mas nela mal cabiam os que vinham fazer quarto. Todos preferiam ficar perto do defunto, todos temiam mais ou menos os três vivos. Demos, os Dagobés, gente que não prestava. Viviam em estreita desunião, sem mulher nem lar, sem mais parentes, sob a chefia despótica do recém-finado. Este fora o grande pior, o cabeça, ferrabrás e mestre, que botara na obrigação de ruim fama os mais moços - "os meninos", segundo seu rude dizer. Agora, porém, durante que morto, em não-tais condições, deixava de oferecer perigo, possuindo - no acesso das velas, no entre algumas flores - só aquela careta sam-querer, o queixo de piranha, o nariz todo torto e seu inventário de maldades. Debaixo das vistas dos três em luto, devia-se-lhe contudo ganhar ainda acatamento, convinha. 125. (UFRGS) Sobre Damastor Dagobé, é correto afirmar que (A) liderava os irmãos nos assaltos e raptos, embora já estivesse muito velho e doente. (B) dava ordens aos irmãos mais jovens, os quais exerciam controle sobre o resto da numerosa família. (C) defendia os interesses da família mediante consultas e conselhos aos irmãos mais jovens, "os meninos". (D) chefiava a família e dava o mau exemplo, que obrigava seus irmãos mais novos a seguir. (E) organizava a vida familiar de modo a garantir que a herança de seus pais não fosse dissipada. 126. (UFRGS) Sobre o velório de Damastor Dagobé, é correto afirmar que (A) o temor das pessoas aos três irmãos fazia com que elas se afastassem deles e se aproximassem do cadáver. (B) o respeito e a admiração por Damastor levaram uma grande quantidade de pessoas à cerimônia. (C) a brutalidade de Damastor afastou os vizinhos, só estando presentes uns poucos abnegados. (D) a ferocidade dos três irmãos restantes impediu o acesso de mulheres e crianças à cerimônia. (E) a solidariedade com a dor dos três irmãos reuniu os vizinhos e o restante da família Dagobé na cerimônia. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 127. (UFRGS 99) Leia o texto abaixo, de Guimarães Rosa. SOCORRO, SUA MÃE, SUA FILHA [...] O carro lembrava um canoão no seco, navio.[...] Parecia coisa de invento de muita distância, sem piedade nenhuma, e que a gente não pudesse imaginar direto nem se acostumar de ver, e não sendo de ninguém. Para onde ia, no levar as mulheres, era para um lugar chamado Barbacena, longe. Para o pobre, os lugares são mais longe. [...] A filha - a moça - tinha pegado a cantar, levando os braços, a cantiga não vigorava carta, nem no tom nem no se-dizer das palavras - o nenhum. A moça punha os olhos no alto, que nem os santos e os espantados, vinha enfeitada de disparates, num aspecto de admiração. Assim com panos e papéis, de diversas cores, uma carapuça em cima dos espalhados cabelos, e enfunada em tantas roupas ainda de mais misturas, tiras e faixas, dependuradas virundangas: matéria de maluco. A velha só estava de preto, com um fichu preto, ela batia com a cabeça nos docementes. [...] De antes, Soroco agüentara de repassar tantas desgraças, de morar com as duas, pelejava. Daí, com os anos, elas pioravam, ele não dada mais conta, teve de chamar ajuda, que foi preciso. Tiveram que olhar em socorro dele, determinar de dar as providências de mercê. Quem pagava tudo era o Governo, que tinha mandado o carro. Por forma que, por força disso, agora iam remir com as duas, em hospícios. [...] Em relação ao texto acima, é correto afirmar que (A) Trata da história de duas mulheres, da família de Soroco, repentinamente acometidas de distúrbios mentais graves. (B) Descreve, em linguagem técnica e objetiva, a estranheza do vestuário da moça e da velha. (C) Caracteriza o canto da moça como não sendo adequado nem no tom nem no sentido das palavras. (D) Caracteriza o pedido de ajuda de Soroco e a decisão de mandar para um hospício sua mãe e sua filha como reveladores de sua falta de generosidade. (E) Narra o momento da partida para destino ignorado, não fornecendo dados sobre fatos anteriores. 128. (UFRGS 00) Sobre Guimarães Rosa, considere as afirmações abaixo. I. Situa sua obra na paisagem mineira, manifestando preocupações de ordem metafísica e valendo-se de uma linguagem inventiva, rica em neologismos, formas da oralidade e liberdades lingüísticas. II. O sertão, na obra do autor, pode ser visto como a metáfora do mundo, pois nele têm lugar reflexões que, poeticamente, transcendem a realidade regional e social. III. É um regionalista que se atém à descrição da paisagem mineira e ao falar mineiro, tendo a sua obra a mesma dimensão pitoresca daquelas realizadas pelos regionalistas anteriores. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas I e II. (C) Apenas I e III. (D) Apenas III. (E) I, II e III. 129. (UFRGS 01) Leia o trecho abaixo de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. (A) “Nonada” remete a uma situação anterior, pressuposta no início do romance, sobre a qual o narrador e o ouvinte estariam conversando. (B) As palavras do narrador indicam que o “senhor” compreendeu adequadamente o ocorrido. (C) A interpretação do interlocutor sobre os tiros está equivocada, pois aquilo que ele pensou não poderia ocorrer no sertão. (D) O aparecimento do bezerro com máscara de cachorro não causa estranhamento entre os sertanejos. (E) Para o narrador, os tiros sempre indicam que houve morte de homens. 130. (UFRGS 04) Leia os trechos abaixo, extraídos do romance Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. 1. "O que vale, são outras coisas. A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam." 2. "Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. [...] Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro; um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser - se viu - ; e com máscara de cachorro." 3. "O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: [...] Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; é onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade." 4. "Eu queria decifrar as coisas que são importantes. E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente. Queria entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder." 5. "[...] sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando; mas, quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois." Associe adequadamente as seis afirmações abaixo com os cinco fragmentos transcritos acima. ( ) Sob o forte impacto do seu amor por Diadorim, Riobaldo procura entender a diferença desse amor imposto pelo destino. ( ) O narrador busca definições exemplares do sertão, espaço que não se pode dimensionar. ( ) Trata-se das palavras iniciais do romance, que já dão sinais da existência de um interlocutor presente. ( ) Riobaldo ultrapassa a condição de homem da sua região, narrando o seu desejo de compreender os sentimentos e as forças que movem a vida humana. ( ) Trata-se de uma reflexão sobre a memória dos episódios vividos pelos seres humanos. ( ) O diabo, que Riobaldo vai enfrentar na cena do pacto, pode assumir várias formas, como as de animais. A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) 3 - 2 - 5 - 4 - 1 - 3. (B) 5 - 3 - 2 - 4 - 1 - 2. (C) 4 - 2 - 3 - 1 - 5 - 4. (D) 5 - 3 - 4 - 2 - 2 - 1. (E) 4 - 1 - 3 - 1 - 5 - 2. “- Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser- se viu -; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado e beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram – era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada paga a latir, instantaneamente – depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão.” Assinale a afirmativa correta em relação ao trecho. Sistema MSA de Ensino 61 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 131. (FFFCMPA 06) Considere o trecho a seguir, retirado de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, bem como as assertivas que são feitas a partir de associações com obras de outros escritores brasileiros. “Agora, bem: não queria tocar nisso mais . de o Tinhoso; chega. Mas tem um porém: pergunto: o senhor acredita, acha fio de verdade nessa parlanda, de com o demônio se poder tratar pacto? Não, não é não? Sei que não há. Falava das favas. Mas gosto de toda boa confirmação. Vender sua própria alma... Invencionice falsa! E, alma, o que é? Alma tem de ser coisa interna supremada, muito mais do de dentro, e é só, do que um se pensa: ah, alma absoluta! Decisão de vender alma é afoitez vadia, fantasiado de momento, não tem a obediência legal. Posso vender essas boas terras, daí de entre as Veredas-Quatro, que são dum senhor Almirante, que reside na capital federal? Posso algum!? Então, se um menino menino é, por isso não se autoriza de negociar...” I – Como ocorre com o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, o trecho apresenta o importante papel do imaginário católico na cultura brasileira, particularmente nas populações de áreas rurais. II – O ambiente rural sertanejo torna-se cenário para comentários e digressões sobre o caráter dos indivíduos, e, nesse aspecto, o trecho se aproxima de Fogo Morto, de José Lins do Rego. III – Assim como em Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto, em Grande Sertão: Veredas a instituição de um interlocutor invisível e não-identificado permite a Guimarães Rosa passar a palavra ao sertanejo Riobaldo, de forma que a linguagem regional se insere naturalmente no texto. Quais são corretas? (A) Apenas I (B) Apenas III (C) Apenas I e II (D) Apenas II e III (E) I, II e III 132. (UFRGS) Seus romances, como Perto do coração selvagem ou A paixão segundo G.H., têm em comum com a obra de Guimarães Rosa a inovação formal e o cuidado com a linguagem. A afirmativa se refere ª a) Raquel de Queirós b) Clarice Lispector c) Nélida Piñon d) Lya Luft e) Ana Miranda 133. (UFRGS) Em.......... (1964), Clarice Lispector penetra na experiência interior da personagem central do romance, considerado o mais........... de sua obra. Em textos posteriores, porém, a autora consegue conciliar essa análise introspectiva com as preocupações de ordem social, sobretudo em........... Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto acima. a) Maçã no Escuro – moderno – A Legião Estrangeira b) Perto do Coração Selvagem – imaturo – Felicidade Clandestina c) Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres – engajado – A Bela e a Fera d) A Paixão Segundo G.H. – complexo – A Hora da Estrela e) Perto do coração Selvagem – pobre – A Via-Crucis do Corpo Instrução: a questão de número 134 refere-se ao texto abaixo. A Hora da Estrela (Clarice Lispector) A moça tinha ombros curvos como os de uma cerzideira. Aprendera em pequena a cerzir. Ela se realizaria muito mais se se desse ao delicado labor de restaurar fios, quem sabe se de seda. Ou de luxo: cetim bem brilhoso, um beijo de almas. Cerzideirinha mosquito. Carregar em costas de formiga um grão de açúcar. Ela era de leve como uma idiota, só que não o era. Não sabia que era infeliz. (...) Nascera inteiramente raquítica, herança do sertão - os maus antecedentes de que falei. Com dois anos de idade lhe haviam morrido os pais de febres ruins no sertão de Alagoas, lá onde o diabo perdera as botas. (...) Macabéa era na verdade uma figura medieval enquanto Olímpico de Jesus se julgava peça-chave, dessas que abrem qualquer porta. Macabéa simplesmente não era técnica, ela era só ela. (...) Mas Macabéa de um modo geral não se preocupava com o próprio futuro: ter futuro era luxo. 62 134. (UFRGS) Sobre A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, é correto afirmar que (A) a narrativa mistura vários planos de realidade, que permitem uma visão multifacetada da personagem central. (B) Macabéa é uma nordestina retirante, e o desfecho de sua história é semelhante ao de Fabiano e de Sinhá Vitória, personagens de Graciliano Ramos. (C) a heroína do livro, como a maioria dos brasileiros em situação de privação, se revolta contra as injustiças. (D) a escritora usa uma linguagem técnica com predomínio de termos exatos, para advertir sobre problemas sanitários brasileiros. (E) a narrativa põe em destaque a disposição de Macabéa em lutar pela igualdade e pela ascensão social. 135. (UFRGS) Assinale com V (verdadeiro) ou com F (falso) as afirmações abaixo, sobre a obra de Clarice Lispector. ( ) O romance Perto do Coração Selvagem, centrado no relato da experiência interior da personagem Joana, marcou a estréia da escritora nas letras brasileiras. ( ) A denúncia de desigualdades sociais e da degradação dos valores burgueses é uma constante nos romances da autora. ( ) No romance A Paixão segundo GH, o ato de esmagar uma barata na porta do guarda-roupa deflagra, na personagem-narradora, um intenso processo de desvendamento interior. ( ) Constituída predominantemente por narrativas longas, que dão vazão ao gosto pelo memorialismo e pelo autoconhecimento, sua obra não inclui contos e crônicas. ( ) Em A Hora da Estrela, romance de 1977, o narrador, Rodrigo, acompanha a trajetória da personagem nordestina Macabéa. A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) V - F - F - V - F. (B) V - F - V - F - V. (C) F - V - F - V - F. (D) V - V - F - F - V. (E) F - V - V - F - V. 136. (UFRGS 03) Assinale a alternativa incorreta em relação à obra A hora da estrela, de 1977, de Clarice Lispector. (A) Apesar de acumular no seu corpo franzino a herança do sertão, Macabéa, como o namorado Olímpico de Jesus, também nordestino, procura, a qualquer preço, a ascensão social. (B) A personagem principal é a datilógrafa Macabéa, órfã alagoana criada por uma tia beata que morre pouco depois de chegarem ao Rio de Janeiro. (C) A busca da identidade leva Macabéa a observar-se diante do espelho, e a imagem vista e desejada é a de Marilyn Monroe. (D) Rodrigo S.M. ironiza, através de intervenções freqüentes no texto, o estilo de narrativa que ele próprio emprega. (E) Logo após receber consolo da cartomante, pois, finalmente, seria feliz, Macabéa é atropelada e, ferida de morte, vomita uma “estrela de mil pontas”. 137. (UFRGS 04) Assinale com (V) verdadeiro ou (F) falso as afirmações abaixo, referentes ao romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. ( ) Embora o título principal do romance seja A Hora da Estrela, a autora propõe uma série de títulos alternativos. ( ) Clarice evidencia preocupações incomuns em sua obra, como a reflexão sobre a linguagem e a busca do sentido secreto que se esconde por trás do aparentemente visível. ( ) Antes de iniciar o relato da história de Macabéa, o narrador faz comentários sobre as dificuldades inerentes ao ato de escrever e sobre os seus receios quanto ao destino da personagem que está criando. ( ) A narração do romance é feita por três vozes distintas: a de Rodrigo A. M., a de Macabéa e a de Olímpico. ( ) Uma das distrações de Macabéa, durante a madrugada, é ligar o radinho emprestado por uma colega de quarto e sintonizar a Rádio Relógio, que assinala com um tic-tac cada minuto. A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) V - F - V - F - V. (B) V - V - F - F - V. (C) F - V - F - V - F. (D) V - F - F - F - V. (E) F - F - V - V - F. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 138. (UFRGS) João Cabral de Melo Neto é o autor de.........., longo poema.........., numa composição em que a repetição de palavras e.......... são elementos marcantes. a) Os bens e o sangue – narrativo/descritivo sobre a cidade de Recife e o rio Capibaribe – o lirismo confessional. b) O cão sem plumas – narrativo sobre Minas e os antepassados do poeta – o lirismo confessional. c) Os bens e o sangue – narrativo/descritivo sobre a cidade de Recife e o rio Capibaribe – o ritmo de prosa. d) O cão sem plumas – narrativo/descritivo sobre a cidade de Recife e o rio Capibaribe – o ritmo de prosa. e) O cão sem plumas – narrativo sobre Minas e os antepassados do poeta – o ritmo de prosa. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas I e III. (E) I, II e III. Instrução: as duas questões seguintes referem-se tanto ao excerto seguinte quanto ao texto integral de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. (...) Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas, e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta. E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que á a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia (de fraqueza e de doença é que a morte severina ataca em qualquer idade, e até em gente não nascida). Somos muitos Severinos iguais em tudo e na sina: a de abrandar estas pedras suando-se muito em cima, a de tentar despertar terra sempre mais extinta, a de querer arrancar algum roçado de cinza. Mas, para que me conheçam melhor Vossas Senhorias e melhor possam seguir a história de minha vida, passo a ser o Severino que em vossa presença emigra. Instrução: A questão de números 139 refere-se ao excerto seguinte quanto ao texto integral de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. [...] - Essa vida por aqui é coisa familiar; mas diga-me retirante, sabe cantar excelências, defuntos encomendar? sabe tirar ladainhas, sabe mortos enterrar? - Já velei muitos defuntos, na serra é coisa vulgar; mas nunca aprendi as rezas, sei somente acompanhar. [...] - Vou explicar rapidamente, logo compreenderá: como aqui a morte é tanta, vivo de a morte ajudar. [...] - Só os roçados da morte compensam aqui cultivar, e cultivá-los é fácil: simples questão de plantar; [...] - Essa cova em que estás, com palmos medida, é a conta menor que tiraste em vida. - É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe deste latifúndio. - Não é cova grande, é cova medida, é a terra que queiras ver dividida. [...] 139. (UFRGS) Assinale a alternativa incorreta em relação a Morte e Vida Severina. (A) Morte e Vida Severina apresenta-se como um auto de natal piedoso e ingênuo, pretendendo tão-somente ampliar o círculo das canções de devoção católica. (B) O auto expõe o drama do retirante nordestino, tema também focalizado por outras narrativas brasileiras, como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. (C) Além do retirante Severino e de José, mestre carpina, também atuam como protagonistas uma mulher (rezadora titular), cantadores, ciganas, vizinhos, amigos e um recém-nascido. (D) Severino vai em busca do litoral e encontra em cada estação a morte, que se apresenta sob diferentes formas. (E) A seca, a fome, a carência e a velhice precoce antecipam a morte, cujo impacto é atenuado, inesperadamente, pelo nascimento de uma criança. 140. (UFRGS) Considere as afirmações seguintes, relativas à mesma obra de João Cabral de melo Neto. I. A onipresença da morte na região gera ocupações específicas, como o cantar e o rezar fúnebres. II. Os costumes e os rituais religiosos associados à morte desaparecem como manifestação coletiva devido à miséria. III. A justeza da cova em relação ao corpo do defunto contrasta com a amplitude das propriedades dos latifúndios. 141. (UFRGS 00) Assinale a alternativa correta. (A) Conforme o excerto, entre as causas de morte na região, destacam-se, além da fome, o crime e o envelhecimento precoce. (B) Através de repetições e acréscimos, o poeta compõe um panfleto político para impressionar as autoridades. (C) O excerto emprega, predominantemente, a terceira pessoa para não personalizar a situação dramática vivida pelos retirantes. (D) O autor descreve a sina dos retirantes cuja esperança reside na sobrevivência e na fundação de um partido político. (E) No poema de João Cabral de Melo Neto, Severino anda em direção à cidade de Recife, buscando seguir o curso do Rio Capibaribe que está em época de cheia. 142. (UFRGS00) Assinale a alternativa incorreta em relação a Morte e Vida Severina. (A) Nesse auto de natal estão representadas tanto “coisas de não” – a fome, a sede, a morte – quanto a religiosidade e os sentimentos de solidariedade humana. (B) O nascimento de uma criança, filho de José, mestre carpina, é motivo de celebração e de predições feitas por ciganas. (C) Trata-se de uma obra de caráter erudito em que até mesmo os aspectos regionais da morte são substituídos por reflexões de cunho universal. (D) A participação de muitas vozes representa a situação coletiva de privação, enfraquecimento e resistência. (E) O desejo do retirante de saltar fora da ponte e da vida contrasta com a chegada do recém-nascido, que intervém como uma mensagem de esperança. Sistema MSA de Ensino 63 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Concretismo Instrução: O trecho de plano-piloto para poesia concreta abaixo transcrito refere-se à questão 143. “renunciando à disputa do ‘absoluto’, a poesia concreta permanece no campo magnético do relativo perene. (...) a comunicação mais rápida (implícito um problema de funcionalidade e de estrutura) confere ao poema um valor positivo e guia a sua própria confecção (...) poesia concreta: uma responsabilidade integral perante a linguagem, realismo total. contra uma poesia de expressão, subjetiva e hedonística. criar problemas exatos e resolvê-los em termos de linguagem sensível. uma arte geral da palavra. o poema-produto:: objeto útil.” Augusto de Campos Décio Pignatari Haroldo de Campos 143. (UFRGS) A partir do textos assinado pelos três autores é correto afirmar que a poesia concreta. a) vincula-se à tradição simbolista de pesquisa de temas abstratos e metafísicos por meio de metáforas sugestivas e ambíguas. b) Resgata a tradição confessional e modernista ilustrada por Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, em que a coloquialidade acompanha a reflexão sobre o passado e a perplexidade ante o presente. c) Quer manter-se sempre ligada à idéia de relatividade e longe da luta pelas verdades supostamente eternas, totais. d) Recusa o hedonismo e procura criar problema a serem resolvidos por um leitor alerta para o contexto social capitalista, em que o produto do trabalho não pertence ao trabalhador. e) Propõe a elaboração de um poema que também seja um objeto útil, inserido na tradição romântica do poema com o qual o poeta procura conquistar sua amada. Tropicalismo 144. (UFRGS 00) Leia os dois fragmentos abaixo: I 1 Todo dia ela faz tudo sempre igual 2 Me acorda às seis horas da manhã 3 Me sorri um sorriso pontual 4 E me beija com a boca de hortelã (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas I e II. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 145. (UFRGS 01) Leia a canção abaixo, de Caetano Veloso: José 1 “estou no fundo do poço 2 meu grito 3 lixa o céu seco 4 o tempo espicha mas ouço 5 o eco 6 qual será o EGITO que responde 7 e se esconde no futuro 8 o poço é escuro 9 mas o EGITO resplandece 10 no meu umbigo 11 e o sinal que vejo é esse 12 de fado certo 13 enquanto espero 14 só comigo e mal comigo 15 no umbigo do deserto” Sobre os versos acima, são feitas as seguintes afirmações. I. O poeta cria uma realidade fantástica, com imagens exageradas que aludem a um lugar fictício. II. Os versos de Caetano evocam uma personagem de poema homônimo de Drummond. III. A canção apresenta traços tipicamente poéticos, como rimas internas e externas. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas I e II. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 146. (UFRGS 03) Leia o excerto abaixo, de “Geléia Geral”, de Gilberto Gil e Torquato Neto (1968), canção-manifesto do Tropicalismo. 1 “A alegria é a prova dos nove e a tristeza 2 é teu porto seguro 3 Minha terra é onde o sol é mais limpo e 4 Mangueira é onde o samba é mais puro 5 Tumbadora na selva-selvagem, 6 Pindorama, país do futuro 7 Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês 8 que foi 9 Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, 10 meu boi.” 5 Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar 6 E essas coisas que diz toda mulher 7 Diz que está me esperando pro jantar 8 E me beija com a boca de café [...] (Chico Buarque de Holanda) II 1 quando eu chego em casa nada me consola 2 você está sempre aflita Considere as seguintes afirmações sobre esse excerto. I- Os versos demonstram o espírito que dominou o movimento tropicalista no Brasil, ao criticar satiricamente o ufanismo nacionalista. II- Há uma série de alusões e colagens de textos, incluindo aí, no primeiro verso, um fragmento do manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade. III- A justaposição de aspectos da cultura nacional com sons típicos de uma cultura musical importada pode ser observada nos versos 04 e 05. 3 com lágrimas nos olhos de cortar cebola 4 você está tão bonita 5 você traz a coca-cola 6 eu tomo 7 você bota a mesa 8 eu como eu como eu como eu como eu como você 9 não tá entendendo nada do que eu digo 10 eu quero é ir-me embora 11 eu quero dar o fora [...] (Caetano Veloso) Considere as seguintes afirmações sobre os fragmentos acima. I. As duas canções apresentam, em comum, a tematização cotidiano e dos atos automatizados da existência banal. II. Nos versos selecionados, há uma preocupação com procedimentos poéticos, como rimas, repetições e paralelismos. III. O verbo “como” (v. 8) e o pronome “você” (v. 9), da canção Caetano, permitem uma dupla leitura, respectivamente quanto significado e à função sintática. do Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. os de ao Quais estão corretas? 64 Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 147. (UFRGS 05) Leia os versos abaixo, extraídos da canção Dueto, de autoria de Chico Buarque de Holanda. ELA 01 “Consta nos astros Nos signos Nos búzios Eu li num anúncio 05 Eu vi no espelho Tá lá no evangelho Garantem os orixás Serás o meu amor Serás a minha paz ELE 10 Consta nos autos Nas bulas Nos dogmas Eu fiz uma tese Eu li num tratado 15 Está computado Nos dados oficiais Serás o meu amor Serás a minha paz ELA Mas se a ciência provar o contrário ELE 20 E se o calendário nos contrariar OS DOIS Mas se o destino insistir Em nos separar Danem-se ELA Os astros ELE 25 Os autos ELA Os signos ELE Os dogmas ELA Os búzios ELE As bulas ELA 30 Anúncios ELE Tratados ELA Ciganas ELE Projetos ELA Profetas ELE 35 Sinopses ELA Espelhos ELE Conselhos OS DOIS Se dane o evangelho E todos os orixás 40 Serás o meu amor Serás, amor, a minha paz 148. (UFRGS) O texto abaixo pertence à canção “Comida”, de Arnaldo Antunes, do grupo Titãs. bebida é água. comida é pasto. Você tem sede de que ? Você tem fome de que ? A gente não quer só comer, A gente quer comer e fazer amor. A gente não quer só comer, A gente quer prazer para aliviar a dor. A gente não quer só dinheiro, A gente quer dinheiro e felicidade. A gente não quer só dinheiro, A gente quer inteiro e não pela metade. A partir da leitura do texto, considere as seguintes afirmações I – a irreverência e a, linguagem objetiva estão presentes no texto, como se pode perceber nos versos 02 e 06. II – o uso da palavra “gente” deixa explícita a idéia de que o autor fala em nome de apenas um grupo social, excluindo os demais. III – através das oposições prazer/dor, (verso 08), dinheiro/felicidade (verso 10) e metade/inteiro (verso 12), o autor reivindica uma vida que não ofereça apenas a satisfação das necessidades materiais, mas sim uma realização mais completa. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e II. d) Apenas II e III. e) I, II e III. [...]” Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esses versos. ( ) Trata-se de um diálogo entre duas vozes, uma feminina, outra masculina, sugerindo que as razões do homem buscam amparar-se em documentos. ( ) A referência a “astros” pela voz dela e a “autos” pela voz dele decorre de uma comparação entre as prioridades da mulher, que acredita nos astros, e as do homem, que sonha com automóveis. ( ) A primeira fala da voz feminina demonstra a existência, no Brasil, de uma polêmica entre o Cristianismo, através dos “evangelhos”, e as religiões africanas, através dos “orixás”. ( ) A partir dos versos em que as duas vozes falam unidas, Ela e Ele cantam a superioridade do amor sobre o destino e a inutilidade das previsões. 149. (UFRGS 06) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo sobre o movimento tropicalista. ( ) Constitui um movimento contracultural do final dos anos 60, liderado pelos músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil. ( ) A sua estética compreendia o estilhaçamento da linguagem discursiva, a miscigenação de sons, ritmos e instrumentos diferenciados, a valorização do corpo e o tom parodístico das composições. ( ) Em 1968, a apresentação da canção É Proibido Proibir, por Caetano Veloso, no Festival Internacional da Canção, foi a primeira manifestação desse movimento e teve uma recepção calorosa por parte do público e da crítica. ( ) As canções tropicalistas afinavam-se e davam continuidade à chamada "canção de protesto", da década de 60, por priorizarem o conteúdo sociopolítico. ( ) Além das obras musicais, são consideradas manifestações do Tropicalismo no Brasil a encenação da peça O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, pelo dramaturgo Celso Martinez Corrêa, e os filmes de Glauber Rocha. A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) V-V-F-F-V. (B) F-V-V-F-F. (C) V-F-V-F-V. (D) F-F-V-V-F. (E) V-F-F-V-V. A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) V - F - F - V. (B) F - V - V - F. (C) F - F - V - F. (D) V - V - F - F. (E) F - V - F - V. Sistema MSA de Ensino 65 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Literatura – Módulo II Humanismo 150. (Uniube/MG) Assinale a afirmativa correta a respeito do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente: a) O que mais se evidencia é o propósito de sátira social, de tal modo que a intenção religiosa vê-se sufocada ou pelo menos minimizada pelo gosto de sátira da própria sociedade. b) O elemento religioso oferece apenas um pretexto, um quadro exterior para a apresentação no palco de sátiras ou caricaturas profanas. c) A sátira social se liga de modo nítido ao objetivo de edificação espiritual, colocando-se a questão da salvação post mortem (após a morte), o que demonstra que a intenção religiosa é ainda aqui dominante. d) As personagens são personificações alegóricas (tipos reais caricaturizados), o que evidencia o propósito de sátira social que, nesta peça, substitui o propósito de edificação espiritual. 151. (PUC/SP) O argumento da peça A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, consiste na demonstração do refrão popular “Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube”. Identifique a alternativa que não corresponde ao provérbio, na construção da farsa. a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento. b) O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo, animal nobre, que a derruba. c) O segundo casamento exemplifica o primeiro termo, asno que a carrega. d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês. e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida conjugal. Classicismo 152. (Fuvest) Em Os Lusíadas, as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em comum a) a ausência de elementos de mitologia da Antigüidade clássica. b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória. c) a manifestação de apego a Portugal, cujo território essas personagens se recusavam a abandonar. d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador. e) o emprego de uma linguagem simples e direta, que se contrapõe à solenidade do poema épico. 153. (Fuvest) Considere as seguintes afirmações sobre a fala do velho do Restelo, em Os Lusíadas: I – No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se refletida e sintetizada a experiência das perdas que causaram, experiência esta já acumulada na época em que o poema foi escrito. II – As críticas aí dirigidas às grandes navegações e às conquistas são relativizadas pelo pouco crédito atribuído a seu emissor, já velho e com um “saber só de experiência feito”. III – A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela que Camões teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou o feito quanto o exaltou. Está correto apenas o que se afirma em a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I e III. 154. (PUC/SP) Os Lusíadas, obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa. Entretanto, oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O episódio de Inês de Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como um todo, pode afirmar-se que seu núcleo central a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês. b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos. 66 c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de Portugal. d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos montes o nome que no peito escrito tinha. e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao trono português. Literatura Informativa 155. (UFSM) Leia o texto a seguir. “Eles não usam barba, elas têm cabelos compridos e tranças. Esguios, alimentados a peixe moqueado com biju, mingau de amendoim e frutas. Falam baixo, dormem cedo e só têm uma conversa: índio. É a tribo dos brancos composta de cientistas sociais, médicos, pedagogos, enfermeiras, biólogas e engenheiros agrônomos, vindos de diversas regiões brasileiras. Boa parte da engenhosa engenharia social e cultural que mantém o Parque do Xingu funcionando em harmonia se deve ao trabalho desses especialistas. O foco agora é preparar os índios para o inevitável confronto com a civilização que um dia ocorrerá. As cidadezinhas vizinhas do parque vão transformar-se em municípios de porte médio, a urbanização baterá às portas da reserva. Os moradores do parque, cada vez mais, dependerão de produtos fabricados pelo branco. Em todos os momentos da humanidade, sempre que o choque ocorreu, o mais forte sobrepujou o mais fraco. Quase sempre de forma violenta. Neste canto do Brasil, um punhado de brancos está conseguindo driblar essa inevitabilidade. Procuram transformar o abraço sufocante em um caminhar de mãos dadas de culturas tão diferentes.” FERRAZ, Silvio. Do Xingu. In: Veja, 30 de junho de 1999. Relacione o texto com a carta de Pero Vaz de Caminha e indique se são verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas quanto à preocupação do homem branco em relação ao índio: ( ) O texto tem o mesmo objetivo da carta, pois ambos destacam, várias vezes, que o rei de Portugal deveria cuidar da salvação dos índios. ( ) O texto tem o mesmo objetivo que a carta de Caminha, na medida em que tanto a “tribo de brancos” quanto o escrivão da esquadra de Cabral mostram preocupação com os índios do Xingu. ( ) O texto não tem o mesmo objetivo da carta pois Caminha, ao destacar que o rei deveria cuidar da salvação dos índios, usa “salvação” no sentido religioso, de converter o índio à fé católica, ou seja, no sentido de salvação da alma. A seqüência correta é: a) F – F – V. b) V – V – F. c) F – V – F. d) V – F – V. e) F – V – V. 156. (Cefet/RJ) “A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estima nenhuma coisa cobrir nem mostrar suas vergonhas; e estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto. (...) Porém a terra em si é de muito bons ares, (...). E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.” O texto acima apresenta fragmentos: a) do “Diálogo sobre a conversão dos gentios”, do Pe. Manuel da Nóbrega. b) das “Cartas” dos missionários jesuítas, escritas nos dois primeiros séculos. c) da “Carta” de Pero Vaz de Caminha a El-Rey D. Manuel, referindose ao descobrimento de uma nova terra e às primeiras impressões do aborígene. d) da “Narrativa Epistolar e os Tratados da Terra e da Gente do Brasil”, do jesuíta Fernão Cardim. e) do “Diário de Navegações”, de Pero Lopes de Souza, escrivão do primeiro colonizador, o de Martim Afonso de Souza. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 157. (UFSE) Nas manifestações literárias dos dois primeiros séculos de nossa história podem estar presentes as seguintes características: I – intenção catequética e informação sobre a terra; II – relato de viagem e pregação religiosa; III – sentimento nacionalista e participação em campanha republicana. Estão corretas somente as características indicadas em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. 158. (Unifor/CE) A obra catequética de José de Anchieta, os sermões do Padre Antônio Vieira e a lírica de Tomás Antônio Gonzaga: a) representam gêneros e estilos diversos da literatura do período colonial; b) constituem o que se costuma caracterizar como literatura de informação; c) constituem obras do mesmo gênero, distribuídas em períodos diversos; d) representam os momentos mais altos do estilo barroco; e) constituem obras de gêneros diferentes, produzidas no século XVII. 159. (Unifor/CE) No período colonial, verificam-se os seguintes fenômenos de nossa vida literária: a) Constituição de um exigente público leitor e surgimento das primeiras editoras nacionais. b) Manifestação de sentimentos nacionalistas e consolidação do romance de temática urbana. c) Surgimento dos nossos primeiros grandes críticos literários e consolidação de um público de leitores. d) reflexos de princípios estéticos do Barroco e do Arcadismo europeus e manifestação de sentimentos nativistas. e) surgimento dos primeiros manifestos românticos e exploração de temas indianistas. 160. (UFSM) O Quinhentismo, enquanto manifestação literária, pode ser definido como uma época em que: I – não se pode falar, ainda, na existência de uma literatura brasileira, pois a cultura portuguesa estabelecia as formas de pensamento e expressão para os escritores na colônia; II – se pode falar na existência de uma literatura brasileira porque, ao descreverem o Brasil, os textos mostram um forte instinto de nacionalidade, na medida em que todos os escritores eram nativos da terra; III – a produção escrita se prende à descrição da terra e do índio ou a textos escritos pelos jesuítas, ou seja, uma produção informativa e doutrinária. Está(ão) correta(s): a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) Apenas III. Barroco a) considera os holandeses hereges e violentos com aqueles que não fossem seus compatriotas; b) dirige-se a Deus e prevê o esvaziamento da religião católica, caso o Brasil fosse entregue aos holandeses; c) pede a Deus que evite a invasão de ervas nos templos, a fim de preservar o patrimônio da Igreja; d) é um profeta e previu o que realmente aconteceria com a religião católica no Brasil, quase três séculos depois; e) dirige-se ao rei de Portugal, a fim de salvar o país da invasão holandesa, que já começava a destruir as igrejas da cidade. 162. (UFSM) Padre Antonio Vieira, ao afirmar que “Chorarão as pedras das ruas”, utiliza uma: a) ironia. b) antítese. c) gradação. d) onomatopéia. e) prosopopéia. 163. (FEI/SP) Não é característica da escola literária a que Padre Vieira pertence: a) emprego freqüente de palavras que designam cores, perfumes e sensações táteis. b) uso constante da metáfora e da antítese. c) união de duas idéias contrárias em um único pensamento. d) composição de cantigas de amor e cantigas de amigo. e) utilização de muitas frases interrogativas. 164. (FEI/SP) Padre Vieira é freqüentemente estudado como um autor contemporâneo a: a) Luís de Camões. b) Gregório de Matos. c) José de Alencar. d) Carlos Drummond de Andrade. e) Fernando Sabino. 165. (FEI/SP) O sermão pode ser definido como: a) composição em versos recitados nos palácios para divertir os nobres. b) texto curto, em que predomina o desenvolvimento de um único conflito. c) narrativa longa em que são apresentados diversos conflitos paralelos. d) soneto com versos decassílabos. e) discurso religioso cujo objetivo principal é a edificação moral dos ouvintes. 166. (UFSM) “As águas são muitas, infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve alcançar.” Visões otimistas sobre as potencialidades da natureza e dos indivíduos, a exemplo do que se verifica no trecho transcrito, são comuns durante o período colonial. Assinale a alternativa que identifica os textos que transmitiam esse tipo de mensagem. a) Biografias de santos. b) Sermões eucarísticos. c) Ficção regionalista. d) Literatura informativa. e) Gênero lírico. 161. (UFSM) Leia o seguinte fragmento do “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda”, do Padre Antonio Vieira, para responder às questões 128 e 129: “Enfim, Senhor, despojados os templos e derrubados os altares, acabar-se-á no Brasil a cristandade católica; acabar-se-á o culto divino, nascerá erva nas igrejas, como nos campos; não haverá quem entre nelas. Passará um dia de Natal, e não haverá memória de vosso nascimento; passará a Quaresma e a Semana Santa, e não se celebrarão os mistérios de vossa Paixão. Chorarão as pedras das ruas como diz Jeremias que chorava as de Jerusalém destruída: chorarão as ruas de Sião, porque não há quem venha à solenidade. Ver-se-ão ermas e solitárias, e que as não pisa a devoção dos fiéis, como costumava em semelhantes dias.” O texto relaciona-se à invasão holandesa no Brasil, em 1640; nele, o orador: Sistema MSA de Ensino 67 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 172. (UFR/RJ) “Não há mais a moralidade do pecado, na qual o pecador vivia um conflito interno entre ceder ou não à tentação.” O fragmento destacado reflete uma temática recorrente durante o: a) Barroco. b) Arcadismo. c) Realismo. d) Simbolismo. e) Modernismo. 167. (UFMG) Leia o poema de Gregório de Matos. “Triste Bahia! Oh quão dessemelhante Estás, e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, Rica te vi eu já, tu a mi abundante. A ti trocou-te a máquina mercante, Que em tua larga barra tem entrado, A mim foi-me trocando, e tem trocado Tanto negócio, e tanto negociante. Deste em dar tanto açúcar excelente Pelas drogas inúteis, que abelhuda Simples aceitas do sagaz Brichote. Oh se quisera Deus, que de repente Um dia amanheceras tão sisuda Que fora de algodão o teu capote!” Com base nessa leitura, é incorreto afirmar que: a) o eu poético, no poema, mantém-se distanciado do objeto criticado; b) o poema compara o presente e o passado da cidade; c) o futuro desejado revela, no poema, a presença de uma voz moralizadora; d) o poema faz referência ao contexto da época. e) O poema é um exemplo de poesia parnasiana. 168. (F.M. Itajubá/MG) Na fase quase inicial de nossa literatura, uma nova tendência, de traços bem definidos, fazendo ressaltar ..............., bem como aspirações religiosas, e que se convencionou chamar de ..............., tem como representante maior no Brasil o poeta baiano ............... . Marque a opção que preenche adequadamente o enunciado. a) Sonhos – Romantismo – Bento Teixeira. b) Figuras – Dadaísmo – Emiliano Perneta. c) Contraste – Barroco – Gregório de Matos. d) Silepses – Parnasianismo – Castro Alves. e) A métrica – Concretismo – Caetano Veloso. 169. (F.M. Triângulo Mineiro/MG) Sobre Gregório de Matos, é correto afirmar que: a) se insere no Arcadismo brasileiro, ao qual imprimiu características barrocas, por ser um poeta de transição; b) pertenceu ao Barroco brasileiro e tematizou, sobretudo, a natureza mineira; c) pertenceu ao Barroco brasileiro e sua veia crítica valeu-lhe a alcunha de “Boca do Inferno”; d) se insere no Barroco brasileiro e sua produção literária abrange, basicamente, textos em prosa; e) narra, nos seus poemas de contestação social, episódios da Inconfidência Mineira, da qual participou. 170. (UFSM) A respeito da poesia de Gregório de Matos, assinale a alternativa incorreta. a) Tematiza motivos de Minas Gerais, onde o poeta viveu. b) A lírica religiosa apresenta culpa pelo pecado cometido. c) As composições satíricas atacam governantes da colônia. d) O lirismo amoroso é marcado por sensível carga erótica. e) Apresenta uma divisão entre prazeres terrenos e salvação eterna. 173. (UFPB-PSS) “Sermão vigésimo sétimo Os senhores poucos, os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome; os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de ferros; os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores em pé apontando para o açoite, como estátuas da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas atrás como imagens vilíssimas da servidão e espetáculos da extrema miséria.” VIEIRA, Pe. Antônio. Sermão vigésimo sétimo. In: AMORA, Antônio Soares, org. Sermões, 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1981, p. 58. No texto, verificam-se os seguintes traços do barroco: I – A presença de um grande número de antíteses. II – A predominância dos aspectos denotativos da linguagem. III – A utilização do recurso da hipérbole para melhor traduzir o sofrimento dos escravos. IV – O envolvimento político do jesuíta. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e II. b) III e IV. c) II e III. d) I e IV. e) I e III. Arcadismo 174. (UFSM) Autor de Obras Poéticas, apresenta, em suas composições, motivos árcades. Assinale a alternativa que identifica esse autor, associando, corretamente, seu nome à característica presente nessa obra. a) Cláudio Manuel da Costa – desencanto e brevidade do amor. b) Basílio da Gama – preocupação com feito histórico. c) Tomás Antônio Gonzaga – celebração da natureza. d) Basílio da Gama – inspiração religiosa. e) Tomás Antônio Gonzaga – celebração da amada. 175. (UFSM) O poema épico O Uraguai, de Basílio da Gama, é uma: a) composição que narra as lutas dos índios de Sete Povos das Missões, no Uruguai, contra o exército espanhol, sediado lá para pôr em prática o Tratado de Madri; b) das obras mais importantes do Arcadismo no Brasil, por ser uma obra precursora do indianismo. c) exaltação à terra brasileira, que o poeta compara ao paraíso, o que pode ser comprovado nas descrições, principalmente do Ceará e da Bahia; d) crítica a Diogo Álvares Correia, misto de missionário e colono português, que comanda um dos maiores extermínios de índios da história; e) exaltação à índia Lindóia, que morre após Diogo Álvares decidir-se por Moema, que ajudava os espanhóis na luta contra os índios. 171. (F.I. Vidria/ES) “Ah! Peixes, quantas invejas vos tenho a essa natural irregularidade!... A vossa bruteza é melhor que o meu alvedrio. Eu falo, mas vós não ofendeis a Deus com as palavras; eu lembro-me, mas vós não ofendeis a Deus com a memória; eu discordo, mas vós não ofendeis a Deus com o entendimento; eu quero, mas vós não ofendeis a Deus com a vontade”. O fragmento é próprio do estilo: a) medieval, por sua religiosidade; b) clássico-renascentista, pelas comparações; c) barroco, pelo conceitismo e cultismos; d) árcade, pelo bucolismo; e) romântico, pelo sentimentalismo. 68 Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 176. (Cefet/RJ) “Lira I (1ª parte), de Tomás Antonio Gonzaga Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, que viva de guardar alheio gado, de tosco trato, de expressões grosseiro, dos frios gelos e dos sóis queimado. tenho próprio casal e nele assisto; dá-me vinho, legume, frutas, azeite; das brancas ovelhinhas tiro o leite, e mais as finas lãs, de que me visto. Graças, Marília bela, Graças à minha estrela.” 179. (UFPB-PSS) Leia o terceto extraído de um soneto de Cláudio Manuel da Costa. “Oh quão lembrado estou de haver subido Aquele monte, e às vezes, que baixando Deixei do pranto o vale umedecido!” “O Arcadismo, Setecentismo ou Neoclassicismo é o período que caracteriza principalmente a segunda metade do século XVIII, tingindo as artes de uma nova tonalidade burguesa.” (José de Nicola) Assinale a alternativa que não caracteriza este período literário. a) Os modelos seguidos são os clássicos greco-latinos e os renascentistas, embora a mitologia pagã não venha a construir-se como elemento estético. b) Os árcades, inspirados na frase de Horácio, fugere urbem (“fugir da cidade”), voltam-se para a natureza em busca de uma nova vida simples, bucólica, pastoril. c) O fingimento poético justifica-se pela contradição entre a realidade do progresso urbano e o mundo bucólico idealizado pelos árcades. d) O uso de pseudônimos pastoris transparece: o pobre pastor Dirceu é o Dr. Tomás Antonio Gonzaga. e) O carpe diem (“gozar o dia”) horaciano, que consiste no princípio de viver o presente, é uma postura típica também dos árcades. Com relação ao fragmento apresentado, afirma-se: I – A referência à natureza relaciona-se ao Carpe diem, que é o gozo do tempo presente. II – A natureza é descrita de forma objetiva, sem qualquer identificação com o espírito do eu-lírico. III – A ordem inversa do último verso confirma o traço neoclássico do poema. IV – O último verso apresenta uma hipérbole. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e II; b) II e III; c) III e IV; d) I, II e II; e) II, III e IV. 180. (Uniube/MG) Compare as descrições de Marília: Texto I “Vivos olhos, e faces cor-de-rosa, Com crespos fios de ouro: Meus olhos se vêem graças e loureiros.” Tomás Antônio de Gonzaga – “Marília de Dirceu”. Texto II “O seu semblante é redondo, Sobrancelhas arqueadas, Negros e finos cabelos, Carnes de neve formadas.” Tomás Antônio de Gonzaga – “Marília de Dirceu”. 177. (U. Potiguar/RN) Leia o soneto abaixo, de Cláudio Manuel da Costa. “Já rompe, Nise, a matutina aurora o negro manto, com que a noite escura, sufocando do sol a face pura, tinha escondido a chama brilhadora. Texto III “Papoula, ou rosa delicada, e fina, Te cobre as faces, que são cor de neve. Os teus cabelos são uns fios d’ouro; Teu lindo corpo bálsamo vapora.” Tomás Antônio de Gonzaga – “Marília de Dirceu”. Que alegre, que suave, que sonora, aquela fontezinha aqui murmura! E nestes campos cheios de verdura; que avultado prazer tanto melhora? Só minha alma em fatal melancolia, por te não ver, Nise adorada não sabe inda, que coisa é alegria, E a suavidade do prazer trocada, tanto mais aborrece a luz do dia, quanto a sombra da noite mais lhe agrada.” No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a oposição claro/escuro e a antítese dia/noite revelam a permanência de características da estética: a) realista. b) barroca. c) romântica. d) simbolista. e) parnasiana 178. (Unifor/CE) Considere as seguintes afirmações: I – A carta de Caminha, o teatro catequético de Anchieta e a poesia de Gregório de Matos são criações culturais exemplares do estilo barroco. II – A poesia de Tomás Antônio Gonzaga, em Marília de Dirceu, vale-se do bucolismo arcádico ao colocar, no espaço de uma natureza amena, a amada representada por uma pastora. III – Na obra de Gregório de Matos, os temas históricos e os detalhes de época são mais visíveis na poesia satírica do que na lírica. Está correto o que afirma em: a) I, somente; b) I e II, somente; c) I e III, somente; d) II e III, somente; e) I, II e III. A pastora Marília, conforme é apresentada nas liras de Tomás Antônio Gonzaga, carece de unidade de enfoques; ora é descrita como tendo cabelos negros, ora loiros. A oscilação que se observa nas descrições de Marília permite ao leitor concluir que: a) Embora Marília corresponda a um ser real, Maria Dorotéia, ligado à vida do poeta, ele é, antes de tudo, uma idealização poética. As descrições apenas atendem à idealização da mulher, exigida pelas convenções neoclássicas. b) O autor das liras está preocupado com a coerência dessas descrições, com o padrão poético realizado em cada composição, por isso a amada do poeta deixa de ser associada à figura convencional da pastora. c) O sujeito lírico, caracterizado como pastor, descreve sua amada, a pastora Marília, na atmosfera atormentada dos conflitos da paixão, fugindo às convenções bucólicas e pastoris do Arcadismo. d) Apesar de o autor invocar a pastora Marília, suas liras são destinadas a afirmar a dignidade e a valia do pastor Dirceu. As descrições mostram a intenção do autor em não revelar o objeto de seu amor. Sistema MSA de Ensino 69 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura Romantismo 181. (UFMT) Instrução: Leia atentamente o texto a seguir e julgue os itens da questão abaixo. “Portanto, ilustres e não ilustres representantes da crítica, não se constranjam. Censurem, piquem, ou calem-se como lhes aprouver. Não alcançarão jamais que eu escreva neste meu Brasil cousa que pareça vinda em conserva lá da outra banda, como a fruta que nos mandam em lata. (...) O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?” ALENCAR, José de. Benção Paterna. In: Sonhos de Ouro. São Paulo: Melhoramentos, s.d. ( ) Envolvidos pelo ideário político da independência, Alencar e outros escritores românticos empenham-se na construção da nação brasileira, através da luta pela emancipação da língua e da literatura nacionais. ( ) Na história da literatura brasileira, no percurso que vai do Romantismo ao Modernismo, a bandeira da ruptura com o princípio da imitação aos clássicos é empunhada por todas as escolas literárias. ( ) No segundo parágrafo, Alencar opõe, metonimicamente, por meio das frutas, o ambiente brasileiro ao ambiente europeu. ( ) O texto dá a entender que a língua se adapta ao meio para onde foi levada, mais precisamente aos órgãos fonadores e à alma do povo que fala. Assinale a alternativa correta: a) V – F – V – V b) F – F – V – V c) V – V – V – V d) V – F – F – V e) V – F – V – F 182. (UEGO) Assinale V, para os itens verdadeiros, e F, para os falsos. O romance Lucíola, de José de Alencar permite entrever várias características do Romantismo: ( ) Observa-se uma preocupação em não ferir o tradicionalismo e as convenções familiares da época, realçando seus preceitos e preconceitos. ( ) O amor é visto unicamente sob o aspecto da sexualidade e apresentado como uma mera satisfação de instintos animais. ( ) Uma das formas com que Alencar conciliou a impossibilidade de união entre os dois grupos distintos, o marginal e o burguês, foi trabalhar a dualidade, colocando na mesma mulher as imagens de virgem, de Maria da Glória e da cortesã, Lúcia. ( ) O romance Lucíola ambienta-se na época do autor e retrata os costumes da sociedade carioca do Segundo Reinado. ( ) Observa-se neste romance a atitude romântica de eleger a prostituta como centro da narrativa, procurando justificar suas dores e compreendendo o tipo de vida que levava. a) V – F – V – V – V b) F – F – V – V – V c) V – V – V – V – F d) V – F – F – V – V e) F – F – V – F – F 183. (Unifor/CE) Nossos primeiros escritores nacionalistas – Gonçalves Dias e José de Alencar entre eles – voltaram seus olhos sobre nossas raízes históricas-culturais, buscando nelas aspectos heróicos, dignos de alta expressão literária. É o que se pode verificar quando se lêem, dos dois autores citados, respectivamente, as obras: a) Senhora e Lira dos Vinte Anos; b) Quincas Borba e Os Escravos; c) Ressurreição e O Navio Negreiro; d) O Mulato e Canção do Exílio; e) I-Juca Pirama e O Guarani. 184. (UFSE) No período romântico brasileiro, os aspectos estéticos e os históricos ligaram-se de modo especialmente estreito e original: entre nós, o Romantismo deu expressão à consolidação da Independência, à afirmação de uma nova Nação e à busca das raízes históricas e míticas de nossa cultura – características que se encontram amplamente: a) na poesia de Gonçalves de Magalhães influenciada pela de Gonçalves Dias; b) nos romances urbanos da primeira fase de Machado de Assis; c) nos romances de costumes de Joaquim Manuel de Macedo; 70 d) na lírica confidencial de Álvares de Azevedo e de Casimiro de Abreu; e) na ficção regionalista e indianista de José de Alencar. 185. (U.F. Uberlândia/MG) Existem diferenças básicas entre a paisagem retratada pelos árcades e a paisagem retratada pelos românticos. Escolha a alternativa correta que define essas duas paisagens: a) A paisagem romântica é amena e monótona e a paisagem árcade é sempre graciosa e fulgurante. b) A paisagem árcade é bucólica e a paisagem romântica é ainda mais bucólica, devido aos exageros do eu-lírico. c) A paisagem romântica reflete os sentimentos do eu-lírico, enquanto a paisagem árcade é harmoniosa, alheia ao eu-lírico. d) A paisagem árcade é mais visual enquanto a paisagem romântica só é perceptível através da leitura. e) a paisagem árcade é opressora enquanto a romântica é mais bucólica. 186. (UFF/RJ) Assinale o fragmento que não corresponde ao indianismo romântico: a) “As leis da cavalaria no tempo em que floresceu em Europa não excediam por certo em pundonor e brios à bizarria dos selvagens brasileiros.” (José de Alencar). b) “Não há hoje a menor razão porque desconheçamos a importância da parte indígena na população do Brasil; e menos ainda para que apaixonados declamemos contra selvagens que por direito natural defendiam a sua liberdade, independência e as terras que ocupavam.” (Gonçalves de Magalhães). c) “Imaginei um poema... como nunca ouviste falar de outro: guerreiros diabólicos, mulheres feiticeiras, sapos e jacarés sem conta: enfim, um gênesis americano, uma Ilíada Brasileira, uma criação recriada.” (Gonçalves Dias). d) “É certo que a civilização brasileira não está ligada ao elemento indiano nem dele recebeu influxo algum; e isto basta para não ir buscar entre as tribos vencidas os títulos da nossa personalidade literária.” (Machado de Assis). e) “O maravilhoso, tão necessário à poesia, encontrar-se-á nos antigos costumes desses povos [indígenas], como na força incompreensível de uma natureza constantemente mutável em seus fenômenos.” (Ferdinand Denis). 187. (Fuvest) “Assim, o amor se transformava tão completamente nessas organizações*, que apresentava três sentimentos bem distintos: um era uma loucura, o outro uma paixão, o último uma religião. …………… desejava; …………… amava; …………… adorava.” (*organizações = personalidades) Neste excerto de O Guarani, de José de Alencar, o narrador caracteriza os diferentes tipos de amor que três personagens masculinas do romance sentem por Ceci. Mantida a seqüência, os trechos pontilhados serão preenchidos corretamente com os nomes de a) Álvaro / Peri / D. Diogo. b) Loredano / Álvaro / Peri. c) Loredano / Peri / D. Diogo. d) Álvaro / D. Diogo / Peri. e) Loredano / D. Diogo / Peri. 188. (UEMS) Assinale a única alternativa verdadeira sobre José de Alencar e sua obra Senhora: a) ainda que considerando romântico, através da Senhora, Alencar revela traços realistas; constrói uma personagem feminina sem tantas idealizações e já indica o caminho da crítica social; b) juntamente com Diva e Iracema, Senhora completa a série considerada de perfis femininos que o autor utiliza para a composição da crônica de costumes brasileiros; c) O enredo de Senhora baseia-se na história de uma moça pobre, Lúcia Camargo que, após ser abandonada por Fernando Seixas, recebe uma herança e vinga-se: “compra” de volta o ambicioso noivo; d) Fernando, após o casamento, vê-se desprezado e humilhado pela esposa; arrependido, trabalha e consegue juntar os mil contos do dote para devolução, mas o casamento, já comprometido, é desfeito; e) Alencar, numa tentativa de representar por completo o Brasil, escreveu romances indianistas e urbanos, porém nunca se valeu da composição regionalista e, assim, não atingiu seu intento. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 189. (Cefet/PR) Assinale a alternativa incorreta sobre o Romantismo. a) O romance indianista de José de Alencar representa contestação política ao domínio português. b) Bernardo Guimarães foi o primeiro escritor regionalista brasileiro com o romance Ermitão de Muquém. c) O aproveitamento da linguagem do sertão é um dos traços marcantes da obra do Visconde de Taunay. d) A Moreninha garante a Joaquim Manuel de Macedo o pioneirismo na prosa romântica brasileira. e) Franklin Távora é considerado o criador da Literatura do Norte, região tida por ele como a mais autenticamente brasileira. 190. (FEI/SP) O fragmento abaixo foi retirado do romance O Guarani. Leia-o com atenção e responda às questões abaixo. “O índio, antes de partir, circulou a alguma distância o lugar onde se achava Cecília, de uma corda de pequenas fogueiras feitas de louro, de canela, urataí e outras árvores aromáticas. Desta maneira tornava aquele retiro impenetrável; o rio de um lado, e do outro as chamas que afugentariam os animais daninhos, e sobretudo os répteis; o fumo odorífero que se escapava das fogueiras afastaria até mesmo os insetos. Peri não sofreria que uma vespa e uma mosca sequer ofendesse a cútis de sua senhora, e sugasse uma gota desse sangue precioso; por isso tomara todas essas precauções.” O Guarani foi publicado em 1857 e na época gerou uma grande repercussão. O autor desse romance é: a) Machado de Assis. b) Álvares de Azevedo. c) José Lins do Rego. d) José de Alencar. e) Gonçalves Dias. 191. (FEI/SP) Sobre o romance, é possível afirmar que: a) projeta um futuro trágico para o Brasil. b) aponta para um tempo em que os indígenas recuperarão o território brasileiro e expulsarão os brancos e negros. c) defende a união entre negros e índios contra os colonizadores portugueses. d) reconstitui acontecimentos históricos verídicos do período inicial da colonização do Brasil. e) pretende narrar a fundação de uma nova nação a partir da miscigenação entre brancos e indígenas. 192. (FEI/SP) A propósito do trecho transcrito, é correto afirmar que: I – A descrição do amor que Peri nutre por Ceci visa a criar uma imagem idealizada do índio brasileiro. II – O trecho descreve os conflitos entre o homem branco e o negro. III – O autor pretende demonstrar a inferioridade do indígena brasileiro frente ao colonizador europeu. a) somente I está correta. b) somente III está correta. c) I e II estão corretas. d) I e III estão corretas. e) II e III estão corretas. 193. (FEI/SP) Em O Guarani, o autor procura valorizar as origens do povo brasileiro e transformar certos personagens em heróis, com traços do caráter do “bom selvagem”: pureza, valentia e brio. Essa tendência é típica do: a) romance urbano. b) romance regionalista. c) romance indianista. d) poemas épicos. e) poemas históricos. 194. (UEMS) “Maldição baudelaire macalé luiz melodia / quanta maldição / o meu coração não quer dinheiro/ quer poesia/ baudelaire e macalé luiz melodia / rimbaud a missão / poeta e ladrão / escravo da paixão sem guia / edgar allan poe tua mão na pia / lava com sabão / tua solidão / tão infinita quanto o dia / vicentinho van gogh luiza erundina / voltem pro sertão / pra plantar feijão / tulipas para a burguesia / baudelaire macalé luiz melodia / waly salomão / itamar assumpção / o resto é perfumaria” BALEIRO, Zeca. In: Vô imbolá, 1999. Em sua música “Maldição”, Zeca Baleiro menciona Edgar Allan Poe (grande influência para muitos escritores brasileiros, especialmente para uma das gerações do Romantismo). Uma das obras em que podemos observar tal influência é Noite na taverna e seu autor foi um dos mais influenciados por Poe. Referimonos a: a) Álvares de Azevedo. b) Gonçalves Dias. c) Casimiro de Abreu. d) Castro Alves. e) Olavo Bilac. 195. (Uneb/BA) “Quando Seixas convenceu-se que não podia casar com Aurélia, revoltou-se contra si próprio. Não se perdoava a imprudência de apaixonar-se por uma moça pobre e quase órfã, imprudência a que pusera remate o pedido do casamento. O rompimento deste enlace irrefletido era para ele uma coisa irremediável, fatal; mas o seu procedimento o indignava. Aurélia percebeu imediatamente a mudança que se havia operado em seu noivo, e inquiriu do motivo. Fernando disfarçou; a moça não insistiu; e até pareceu esquecer a sua observação. Uma noite porém, em que Seixas se mostrara mais preocupado, na despedida ela disse-lhe: — A sua promessa de casamento o está afligindo, Fernando; eu lha restituo. A mim basta-me o seu amor, já lho disse uma vez; desde que mo deu, não lhe pedi nada mais.” ALENCAR, José de. Senhora: perfil de mulher. São Paulo: FTD, 1992. p. 104-6. Considerando-se o fragmento inserido no contexto da obra, é verdadeira a afirmativa: a) O personagem Seixas revela-se guiado por sentimentos nobres. b) Aurélia Camargo, na narrativa, desempenha, quanto à relação amorosa, o papel da mulher fraca, sem força de vontade. c) A obra, enquanto romântica, vê com naturalidade o casamento de conveniência. d) Os personagens são desprovidos de idealizações, enfocados como pessoas comuns. e) A obra apresenta o final feliz, típico desfecho da narrativa romântica. 196. (UFF/RJ) O sofrimento amoroso é freqüente nas obras dos poetas românticos, como se pode observar abaixo: “Se Se Morre de Amor! (Gonçalves Dias) Sentir, sem que se veja, a quem se adora, Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos, Segui-la, sem poder fitar seus olhos, Amá-la, sem ousar dizer que amamos, E, temendo roçar os seus vestidos, Arder por afogá-la em mil abraços: Isso é amor, e desse amor se morre!” A característica que situa o fragmento dentro da poética romântica é: a) evasão no espaço, transportando o eu-lírico para um lugar ideal, junto à natureza; b) forte subjetivismo, revelando uma visão pessimista da vida; c) idealização do amor, transcendendo os limites da vida física; d) realização de poemas lírico-amorosos, valorizando o idioma nacional; e) idealização da mulher, conduzindo o eu-lírico à depressão. 197. (Unifor/CE) Considere as seguintes afirmações sobre o romance Iracema, de José de Alencar: I – Ao apresentar esta obra como “lenda do Ceará”, o autor já indica a combinação que fará entre elementos históricos e fantasia. II – O autor valeu-se de uma narrativa, mas não deixou de explorar sistematicamente recursos típicos da linguagem poética. III – Aqui, diferentemente do que ocorre na obra de Gonçalves Dias, a personalidade, os costumes, os valores e a cultura do índio real estão fielmente retratados. Está correto somente o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. Sistema MSA de Ensino 71 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 198. (PUC/SP) A questão central proposta no romance Senhora, de José de Alencar, é a do casamento. Considerando a obra como um todo, indique a alternativa que não condiz com o enredo do romance. a) O casamento é apresentado como uma transação comercial e, por isso, o romance estrutura-se em quatro partes: preço, quitação, posse, resgate. b) Aurélia Camargo, preterida por Fernando Seixas, compra-o e ele contumaz caça-dote, sujeita-se ao constrangimento de uma união por interesse. c) O casamento é só de fachada e a união não se consuma, visto que resulta de acordo no qual as aparências sociais devem ser mantidas. d) A narrativa marca-se pelo choque entre o mundo do amor idealizado e o mundo da experiência degradante governado pelo dinheiro. e) O romance gira em torno de intrigas amorosas, de desigualdade econômica, mas, com final feliz, porque, nele, o amor tudo vence. 199. (Unifor/CE) “Palmares! A ti meu grito! A ti, barca de granito, Que no soçobro infinito Abriste a vela ao trovão, E provocaste a rajada, Solta a flâmula agitada aos uivos da marujada, Nas ondas da escravidão.” Está incorreta a seguinte afirmação sobre a estrofe acima: a) O tom, o tema e o sentimento predominante indicam tratar-se de versos de Álvares de Azevedo. b) O estilo e o elemento histórico remetem ao autor de Navio Negreiro e Vozes d’África. c) Essa estrofe é uma oitava, com versos de sete sílabas que cumprem um padrão de rimas. d) A expressão “barca de granito” é uma metáfora de “Palmares”, a comunidade dos escravos que resistiram ao cativeiro. e) São versos típicos de uma poesia que, romântica e exaltada, identificou-se plenamente com a causa dos abolicionistas. 200. (Cefet/RJ) “Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros do que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como o seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.” ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Scipione, 1994,. p. 10. “Após a independência, século XIX, a nova nação ‘precisava ajustarse aos padrões de modernidade da época. (...) Havia a necessidade de auto-afirmação da Pátria que se formava.’” NICOLA, José de. Literatura brasileira: das origens aos nossos dias. São Paulo: Scipione, 1998. p. 125. No texto de José de Alencar, temos uma das formas significativas do nacionalismo, sintetizado pelo: a) realismo naturalista; b) sentimentalismo realista; c) romantismo indianista; d) bucolismo neoclassicista; e) nativismo modernista. 72 202. (UFF/RJ) As questões abaixo referem-se ao seguinte texto: “O primeiro navio destacado da conserva para levar a Portugal a notícia do descobrimento do Brasil, e com instâncias ao rei de Portugal para que por amor da religião se apoderasse d’esta descoberta, cometera a violência de arrancar de suas terras, sem que a sua vontade fosse consultada, a dois índios, ato contra o qual se tinham pronunciado os capitães da frota de Pedro Álvares. Fizera-se o índice primeiro do que era a história da colônia: era a cobiça disfarçada com pretextos da religião, era o ataque aos senhores da terra, à liberdade dos índios; eram colonos degradados, condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam as florestas para darem largas às depravações do instinto bruto.” DIAS, Gonçalves. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 4º trim. 1867, p. 274. A visão de Gonçalves Dias no texto: a) reforça a posição dos brasileiros que desejam comemorar os 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil, como se esta tivesse sido um evento relevante e benéfico para os habitantes de nossa terra; b) insere-se no contexto do Romantismo, que busca ressaltar os aspectos negativos da colonização portuguesa, como elemento motivador para um distanciamento e uma diferenciação em relação a Portugal; c) recusa a idéia da violência que teria caracterizado a colonização portuguesa no Brasil, como se a esquadra de Pedro Álvares não houvesse enviado dois índios a Portugal, contra a vontade deles; d) ressalta a concordância a que os capitães da frota de Pedro Álvares teriam chegado, como se o consenso de todos estes comandantes justificasse a atitude de enviar os dois índios ao rei português; e) valoriza e confirma a iniciativa de alguns órgãos de imprensa que celebram a conquista portuguesa como fator importante para nosso posterior desenvolvimento como nação. 203. (UFF/RJ) Índice é tudo aquilo que indica ou denota uma qualidade ou característica especial. No texto, Gonçalves Dias afirma que “fizera-se o índice primeiro do que era a história da colônia” porque aquela história: a) seria produzida por pessoas moralmente condenáveis, que alegavam razões religiosas para seus atos, mas que eram movidas pela ganância; b) seria conduzida por personagens da mais alta idoneidade moral, que se dedicavam intensamente à causa da conversão do indígena brasileiro; c) seria arquitetada por colonos degradados, condenados à morte ou espíritos baixos, que buscavam no Brasil a redenção de seus pecados; d) seria derivada da cobiça disfarçada com pretextos da religião, que evitava o ataque dos colonos degradados aos senhores da terra e à liberdade dos índios; e) seria causada pelos condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam as florestas para se redimirem, convertendo os índios. 204. (Fuvest) 201. (UEMS) “O major tinha razão: o Leonardo não parecia ter nascido para emendas. Durante os primeiros tempos de serviço tudo correu às mil maravilhas; só algum mal-intencionado poderia notar em casa de Vidinha uma certa fartura desusada na despensa; mas isso não era coisa em que alguém fizesse conta.” Memórias de um sargento de milícias. Com base no texto acima, é correto afirmar: a) Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, foi o primeiro escrito no Brasil. b) Romance de Manuel Antônio de Almeida, possui pouco valor como documentário ou crônica de uma época. c) A crítica vê em seu romance um caráter regionalista. d) Escrito na época do Romantismo, Memórias de um sargento de milícias está totalmente de acordo com as características do momento. e) Não há como negar o tom realístico do qual se carrega a narrativa, evidenciado na linguagem simples e na representação de pessoas comuns. “Teu romantismo bebo, ó minha lua, A teus raios divinos me abandono, Torno-me vaporoso… e só de ver-te Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.” Álvares de Azevedo Neste excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu-lírico manifesta a a) ironia romântica. b) tendência romântica ao misticismo. c) melancolia romântica. d) aversão dos românticos à natureza. e) fuga romântica para o sonho. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 205. (UFSE) “Quando junto de ti sinto às vezes Em doce enleio desvairar-me o siso, Nos meus olhos incertos sinto lágrimas... mas da lágrima em troca eu temo um riso!” Na estrofe acima, de Álvares de Azevedo, revela-se um traço forte de sua poesia, a: a) idealização da amada, retratada como musa etérea, solene e distante; b) projeção da própria morte, a um tempo temida e desejada; c) sátira impiedosa, pela qual se rebaixa a linguagem ao plano do cômico; d) insegurança amorosa, por temor de que a realidade rechace o devaneio lírico; e) força material do cotidiano, expressa num detalhismo quase realista. 206. (U.F. Vitória/ES) Observe com atenção o fragmento abaixo de Gonçalves Dias: “I- Juca -Pirama No meio das tabas de amenos verdores, Cercadas de troncos – cobertos de flores, Alteiam-se os tetos d’altiva nação; São muitos seus filhos, nos ânimos fortes, Temíveis na guerra que em densas coortes Assombram das matas a imensa extensão. São rudos, severos, sedentos de glória, Já prélios incitam, já cantam vitória, Já meigos atendem à voz do cantor: São todos Timbiras, guerreiros valentes! Seu nome lá voa na boca das gentes, Condão de prodígios, de glória e terror! 209. (U.F. Juiz de Fora/MG) Sobre o romance Iracema, de José de Alencar, é incorreto afirmar que: a) destaca o elemento indígena como a verdadeira origem do povo brasileiro; b) o sentimento amoroso justifica as duras ações colonizadoras; c) a linguagem é um misto de narração e descrição lírica; d) é uma obra de teor nacionalista em que há uso da cor local. e) é uma prosa poética. 210. (U.F. Juiz de Fora/MG) A partir do fragmento acima, e considerando a obra como um todo, assinale a alternativa incorreta: a) O amor entre Iracema e Martim desculpa simbolicamente a colonização, na perspectiva do idealismo romântico. b) Iracema entrega-se a Martim sem resistência, consciente da sua missão de gerar a nova raça, o mestiço povo brasileiro. c) A expressão “nascido do meu sofrimento” pode ser lida como índice da origem violenta da formação social brasileira. d) Alencar justifica, a seu modo, a morte da terra virgem pela necessidade se implantar nela uma civilização. e) Misto de prosa e poesia, o autor consegue tirar várias cenas poéticas. 211. (UFSM) “Era um sonho dantesco... O tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho, Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar do açoite... Legiões de homens negros como a noite Horrendos a dançar.” Reflita sobre as tendências da poesia romântica indianista e assinale a alternativa que não confirma a visão idealizada do poeta em relação ao indígena brasileiro: a) O índio de Gonçalves Dias ganhou o tom dos valorosos cavaleiros medievais e reafirmou o sentimento nacionalista de nosso Romantismo. b) “I-Juca-Pirama” expressa o nacionalismo de seu autor, que, ao idealizar a coragem e o heroísmo do índio brasileiro, atribuiu-lhe também alguns distúrbios de personalidade. c) O poema gonçalvino enalteceu e preservou as tradições indígenas brasileiras, incorporando-as ao orgulho nacional. d) O poeta romântico transformou o silvícola em um dos símbolos da autonomia cultural e da superioridade da nação brasileira. e) A poesia romântica indianista resgatou o passado histórico do Brasil e valorizou a bravura de seus habitantes naturais. 207. (UFMG) Em relação ao poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, é incorreto afirmar que ele pertence: a) ao projeto nacionalista romântico; b) à tendência romântica para a utopia; c) à temática romântica da nostalgia; d) à vertente romântica indianista. e) à fuga simbolista. 208. (UFSM) Considere os versos de “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias. “Um dia vivemos! O homem que é forte Não teme da morte; Só teme fugir; No arco que entesa Tem certa uma presa, Quer seja tapuia, Condor ou tapir.” Vocabulário: Tapuia – identificação dada a tribos inimigas; Condor – ave semelhante à águia; Tapir – anta. Conforme os versos transcritos, a) quem erra o alvo precisa fugir da caça; b) os índios estão em guerra contra os tapuias; c) a covardia é o único sentimento a ser temido pelos fortes; d) quem não tem boa pontaria é excluído do grupo de guerreiros; e) o bom índio se conhece pela qualidade do seu arco. Assinale a alternativa que identifica, corretamente, autor, título da obra e período literário dos versos citados. a) Álvares de Azevedo – Noite na Taverna – Romantismo. b) Castro Alves – O Navio Negreiro – Romantismo. c) Aluísio Azevedo – O Mulato – Naturalismo. d) Álvares de Azevedo – Conde Lopo – Romantismo. e) Castro Alves – Vozes d’África – Romantismo. 212. (Cefet/PR) O excerto a seguir foi extraído da obra Noite na Taverna, livro de contos escrito pelo poeta ultra-romântico Álvares de Azevedo (1831-1852). “Uma noite, e após uma orgia, eu deixara dormida no leito dela a condessa Bárbara. Dei um último olhar àquela forma nua e adormecida com a febre nas faces e a lascívia nos lábios úmidos, gemendo ainda nos sonhos como na agonia voluptuosa do amor. Saí. Não sei se a noite era límpida ou negra; sei apenas que a cabeça me escaldava de embriaguez. As taças tinham ficado vazias na mesa: aos lábios daquela criatura eu bebera até a última gota o vinho do deleite... Quando dei acordo de mim estava num lugar escuro: as estrelas passavam seus raios brancos entre as vidraças de um templo. As luzes de quatro círios batiam num caixão entreaberto. Abri-o: era o de uma moça. Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez lívida e embaçada, o vidrento dos olhos mal-apertados... Era uma defunta!... e aqueles traços todos me lembravam uma idéia perdida... – era o anjo do cemitério! Cerrei as portas da igreja, que, eu ignoro por quê, eu achara abertas. Tomei o cadáver nos meus braços para fora do caixão. Pesava como chumbo...” Com relação ao fragmento acima, afirma-se: I – Acentua traços característicos da literatura romântica, como o subjetivismo, o egocentrismo e o sentimentalismo; ao contrário, despreza o nacionalismo e o indianismo, temas característicos da primeira geração romântica. II – Idealiza figuras imaginárias, mulheres incorpóreas ou virgens, personagens que confirmam o amor inatingível, idealizado na literatura ultra-romântica. Desta forma, no 1º. parágrafo, o amor platônico não é superado pelo amor físico. III – Tematiza a morte, presente em grande parte da obra do autor. Assinale a alternativa correta. a) Apenas I está correta. b) Apenas II e III estão corretas. c) I, II e III estão corretas. d) Apenas I e II estão corretas. e) Apenas I e III estão corretas. Sistema MSA de Ensino 73 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 213. (Uniube/MG) Marque (V) para as declarações que estão de acordo com o romance Senhora, de José de Alencar e (F) para as que não se aplicam adequadamente ao romance: ( ) O autor coloca no centro do romance não mais um herói, mas um ser venal inferior como é o caso de Seixas, que se casa pelo dote, em virtude da educação que recebera. ( ) Nesta obra, o equilíbrio, rompido temporariamente, acaba por restabelecer-se na medida em que o autor arranja uma solene redenção fazendo Seixas resgatar-se na segunda parte da história. ( ) Este romance testemunha que Alencar crê nas “razões do coração” e se seu moralismo se abate sobre as mazelas de um mundo antinatural (o casamento por dinheiro), sempre se salva a dignidade última dos protagonistas, e se redimem as transações vis repondo de pé herói e heroína. ( ) Embora existam personagens más em seu romance (Seixas, por exemplo), elas só o são aparentemente, pois Alencar acredita que pode operar-se nesse caráter uma transformação capaz de restituí-lo gradualmente à sua natureza generosa. A alternativa que contém a seqüência correta é: a) F – V – V – V. b) V – V – F – F. c) V – F – F – V. d) F – V – V – F. e) F – F – F – V 214. (U.F. Uberlândia/MG) Sobre Iracema, de José de Alencar, podemos dizer que: 1. as cenas de amor carnal entre Iracema e Martim são de tal forma construídas que o leitor as percebe com vivacidade, porque tudo é narrado de forma explícita. 2. em Iracema temos o nascimento lendário do Ceará, a história de amor entre Iracema e Martim e as manifestações de ódio das tribos tabajara e potiguara. 3. Moacir é o filho nascido da união de Iracema e Martim. De maneira simbólica, ele representa o homem brasileiro, fruto do negro e do branco. 4. A linguagem do romance Iracema é altamente poética, embora o texto esteja em prosa. Alencar consegue belos efeitos lingüísticos ao abusar de imagens sobre imagens, comparações sobre comparações. Assinale: a) se apenas 2 e 4 estiverem corretas; b) se apenas 2 e 3 estiverem corretas; c) se 2, 3 e 4 estiverem corretas; d) se 1, 3 e 4 estiverem corretas. e) se nenhuma estiver correta. Realismo 215. (UnB/DF) Foi Machado de Assis, por meio de suas personagens, quem afirmou o sentido do livro: “Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem…” A respeito da obra de Machado de Assis e da formação da cultura brasileira nos quase dois séculos de existência do Brasil independente, julgue os itens abaixo. ( ) Machado de Assis foi um autor extemporâneo ao Brasil ao carregar, com sua fina ironia, um permanente deboche a respeito do povo brasileiro, pois este não sabia apreciar a importância da cultura, em especial o valor do livro e da literatura. ( ) Os movimentos literários e culturais brasileiros ao longo dos dois últimos séculos, embora tenham seguido as vogas e modas européias e norte-americanas, souberam adaptar e recriar uma cultura nacional híbrida, própria e multifacetada. ( ) O Modernismo brasileiro que aflorou em 1922 desprezou a memória nacional e criticou aberta e deliberadamente a obra literária de Machado de Assis. ( ) No seu tempo, Machado de Assis foi um mestre das letras na periferia do mundo e um reformador das técnicas do romance e continua a ocupar papel relevante na cultura contemporânea do Brasil. Qual a alternativa correta? A) F – V – V – V B) V – V – V – V C) V – F – F – V D) V – V – V – V E) F – F – F – F 74 216. (UEGO) A respeito da ficção de Machado de Assis: ( ) A atenção do autor concentra-se no suceder de movimentos psicológicos. Os acontecimentos exteriores, a natureza, o cenário, são descritos apenas quando provocam reações nas personagens. ( ) Os textos machadianos revelam não apenas refinamento lingüístico, mas uma forma trabalhada, limpa e perfeita. ( ) Constata-se humor sutil e permanente, destruindo as ilusões e pieguices românticas, apresentando uma visão aguda e relativista de todos os valores da sociedade. ( ) Sua produção ficcional costuma fixar quadros regionais, repletos de descrições sobre a natureza e de suas personagens típicas. ( ) A incorporação de recursos da crônica jornalística é visível em seus textos, nos quais a simplicidade de linguagem volta-se para a denúncia de injustiças e de arbitrariedades cometidas no Brasil pósrepublicano. Qual a alternativa correta? A) V – V – V – F – F B) V – V – V – V – V C) V – F – F – V – V D) V – V – V – V – F E) F – F – F – F – V 217. (UCS) A obra apresenta muitos conflitos. O assassinato de Firmo, por exemplo, expressa: a) a degradação social experimentada por Jerônimo. b) o ciúme provocado por Zulmira em Bertoleza. c) a impiedade de João Romão. d) a prepotência do dono do cortiço. e) o desespero vivido por Piedade. 218. (UCS) A exploração sofrida pelos inquilinos do cortiço por parte do proprietário pode ser justificada: a) pelo fato de trabalharem na pedreira de João Romão e fazerem compras em sua taverna. b) pela presença mais significativa de portugueses do que de brasileiros no cortiço. c) pelos benefícios pessoais oferecidos por João Romão. d) pela falta de opção de moradias no centro da cidade. e) pela dificuldade enfrentada por imigrantes em conseguir trabalho no Brasil. 219. (U. F. Rio Grande) “O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente.” O fragmento de Dom Casmurro, de Machado de Assis, deixa entrever: a) um narrador que não interfere na vida da protagonista, Capitu. b) o tema da dúvida que permeia todo o romance. c) as dores de amor que apenas no final encontram solução. d) a jocosidade e a brincadeira do narrador ao tratar seus personagens. e) a preocupação com a identidade brasileira peculiar da prosa modernista. 220. (UEGO) A respeito de Esaú e Jacó, de Machado de Assis, é correto afirmar que: ( ) O núcleo do livro é a história de dois gêmeos, Pedro e Paulo, que já brigavam desde o ventre da mãe e que seguirão adversários na infância, na juventude e na maturidade. ( ) O título da obra aparece apenas como artifício para introduzir a história e enfatizar que a rivalidade entre Pedro e Paulo havia se iniciado no ventre da mãe, em conformidade com a narrativa bíblica. ( ) A curta vida de Flora se passou a querer conciliar os contrários dois gêmeos inimigos que seu amor confundia — porque um completava o outro e juntos fariam um homem perfeito. ( ) O romance, por possuir relatos comprometedores com o idealismo romântico, pertence à 1ª fase do autor. ( ) A narrativa é lenta, através da observação detalhista das personagens. Qual a alternativa correta? A) V – V – V – F – V B) V – V – V – V – F C) V – F – F – V – F D) V – V – V – V – F E) F – F – F – F – V Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 221. (U. F. Rio Grande) “O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.” Este fragmento extraído de Dom Casmurro, de Machado de Assis, deixa entrever: a) a recusa do narrador em lembrar-se do passado vivido com sua mãe, com a amiga vizinha e com José Dias, o agregado. b) o objetivo do narrador em escrever suas memórias. c) um tom melancólico, ainda que o romance narre as peripécias burlescas do protagonista, chamado Leonardo. d) o tema do romance que é o sentido saudosista do romantismo brasileiro. e) uma euforia incontida vivenciada pelo protagonista. 222. (PUCRS) Em um episódio de Memórias Póstumas de Brás Cubas, o protagonista pergunta ao “preto que vergalhava outro na praça” (…) se aquele (…) “era escravo dele.” A resposta afirmativa evidencia a relatividade das posições que o homem assume diante da vida. Além da visão do ser humano a partir de sua interioridade — pela análise psicológica das personagens —, as características que seguem também identificam a obra de Machado de Assis, com exceção: a) da linearidade da estrutura narrativa. b) da denúncia da hipocrisia. c) do tom irônico. d) da interferência do narrador. e) da perfeição formal. 223. (PUCRS) A subjetividade humana é retratada numa dimensão peculiar no período literário denominado Naturalismo. O amor, por exemplo, a) constitui um sentimento puro, impossível de ser atingido. b) está determinado por forças que levam ao sofrimento. c) leva o ser humano à escravidão. d) resulta do anseio de prazer ou da necessidade biológica. e) constitui o verdadeiro espelho da alma. 224. (UFGO) O Ateneu, de Raul Pompéia, reúne diversas tendências do romance do final do século XIX. A veracidade de tal afirmação pode ser comprovada com os seguintes argumentos: ( ) o romance apresenta traços do Realismo-Naturalismo, considerando-se que há um estudo do cotidiano do Segundo Império brasileiro e uma atenção ao meio social, entendido como responsável pelo condicionamento das personagens. ( ) o romance reafirma alguns procedimentos temático-formais da tradição romântica, como o triângulo amoroso vivido pelo narradorpersonagem e o final feliz, que marca a reconciliação entre o jovem estudante e o diretor do colégio. ( ) o caráter memorialista do romance reforça as teses naturalistas apresentadas ao longo do relato, pois o tratamento objetivo dado aos fatos privilegia o caráter documental, em detrimento das recordações de um adulto ressentido com seu passado. ( ) os aspectos autobiográficos presentes na narrativa, uma das características fundamentais do Realismo, dizem respeito, principalmente, à personagem dr. Cláudio, médico do colégio e pai autoritário do estudante Sérgio, um adolescente que demonstra desconhecer o ambiente hostil do internato. Qual a alternativa correta? A) V – F – F – F B) V – V – V – V C) V – F – F – V D) V – V – V – V E) F – F – F – F 225. (UFSM) Considere a afirmativa: As personagens podem ser divididas entre os vencedores, como João Romão, e os humildes que se consomem no trabalho pela própria sobrevivência. Assinale a alternativa que identifica obra, autor e período relacionados com a afirmativa anterior. a) O Ateneu – Raul Pompéia – Naturalismo. b) Cinco minutos – José de Alencar – Romantismo. c) O cortiço – Aluísio Azevedo – Naturalismo. d) Memórias sentimentais de João Miramar – Oswald de Andrade – Modernismo. e) A moreninha – Joaquim Manuel de Macedo – Romantismo. 226. (UFSE) Considere os seguintes fragmentos: I – A mocinha elevou o olhar ao céu, não para contemplar as estrelas, mas para sondar os próprios sentimentos, desgarrados e viajantes. Não logrando reconhecê-los na vastidão infinita, fechou os olhos e cuidou que ia desfalecer à vibração daquele amor. II – Num repelão, afastou de si a rapariga, para que a força lúbrica não viesse a matar o amor-próprio que lhe restara. Mas foi em vão: no minuto seguinte, o ímpeto do macho o assaltou e o empurrou contra a mulher, em cujos olhos estampava a combustão faminta do desejo. III – Na fronte calma e lisa como mármore polido, a luz do ocaso esbatia um róseo e suave reflexo, di-la-íeis misteriosa lâmpada de alabastro guardando no seio diáfano o fogo celeste da inspiração. Em relação a esses fragmentos, é correto afirmar: a) somente II ilustra o estilo da prosa naturalista. b) somente I e II ilustram a idealização dos românticos. c) I e III lembram Machado de Assis; II exemplifica a linguagem de Bernardo Guimarães. d) I e III lembram Aluísio Azevedo; II exemplifica a linguagem de Machado de Assis. e) I, II e III ilustram o mesmo estilo de prosa ficcional. 227. (PUC/PR) Identifique as temáticas abordadas em obras representativas do Realismo brasileiro: I – O cortiço, de Aluísio de Azevedo. II – Quincas Borba, de Machado de Assis. III – Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha. IV – O Ateneu, de Raul Pompéia. ( ) Romance de formação, narra as dificuldades do garoto Sérgio no internato. ( ) Narrativa em que o capitalista Rubião dilapida seu patrimônio e enlouquece depois de se ver envolvido com o casal Sofia-Palha. ( ) Narra as dificuldades de um marinheiro forte, levado pela circunstância de seu tempo e de seu meio a praticar um crime de morte. ( ) Em um dos núcleos de ação do romance, o português Jerônimo apaixona-se pela brasileira Rita Baiana. A seqüência correta é: a) IV, II, III, I. b) III, II, IV, I. c) IV, III, I, II. d) II, IV, III, I. e) III, IV, I, II. 228. (Univali/SC) Leia o texto e assinale o item que completa correta e respectivamente as lacunas: “1998 marca o 90º aniversário da morte de Machado de Assis, escritor representativo do …… brasileiro, introdutor …… em nossa Literatura. Criou personagens marcantes entre elas ……, famosa pela polêmica em torno de sua traição. Também é lembrado por ser o fundador …… .” a) Simbolismo – da sátira – Flora – da Imprensa Nacional b) Naturalismo – da degradação – Conceição – da Academia Fluminense de Letras c) Romantismo – do suspense – Marcela – da Academia dos Esquecidos d) Realismo – da ironia – Capitu – da Academia Brasileira de Letras e) 1ª fase do Modernismo – da irreverência – Virgília – do Teatro Municipal de São Paulo 229. (PUCRS) INSTRUÇÃO: Para responder à questão abaixo, analisar as afirmativas que seguem, sobre a obra de Machado de Assis. I – Reflete sem “retoques” uma sociedade impiedosa. II – Rompe com a linearidade narrativa. III – Introduz um narrador que dialoga com o leitor. Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa: a) somente I b) somente II c) I e II d) II e III e) I, II e III Sistema MSA de Ensino 75 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 230. (Unifor/CE) “O modo pelo qual agora se vê e se expressa a realidade é muito mais radical e unilateral do que o enfoque simplesmente ‘realista’. Trata-se, na verdade, de um modo de considerar o homem como produto do meio e das forças do instinto animal, numa visão fatalista e determinista, para a qual a literatura contribui dando ênfase aos detalhes, sublinhando o lado material da vida, documentando os limites humanos com o rigor de uma demonstração científica.” O trecho acima está tratando: a) da arte parnasiana. b) do regionalismo romântico. c) da primeira fase do Modernismo. d) da prosa naturalista. e) da última geração romântica. 231. (UFSE) Assinale como VERDADEIRAS as frases que fazem uma afirmação correta e como FALSAS aquelas em que isso não ocorre. ( ) O subtítulo “crônica de saudades” dado por Raul Pompéia ao seu romance O Ateneu acentua a interferência da memória e seus processos subjetivos na maneira realista de observar a vida. ( ) O conto realista identifica-se pela estrutura rigorosa de começo, meio e fim; e pelo epílogo próximo da realidade concreta e histórica. ( ) Condoreirismo é o nome dado a uma corrente da poesia romântica, de cunho social, em favor dos novos ideais políticos, de liberdade do espírito e da palavra, e os da abolição da escravatura, em que se encontram os poemas de Castro Alves e Tobias Barreto. ( ) O Ateneu — em que o narrador, já adulto, relembra sua vida no colégio interno — e Memórias Póstumas de Brás Cubas — em que o narrador, já defunto, retoma sua história de vida — são dois romances bastante semelhantes, especialmente quanto à maneira de mostrar a realidade. ( ) A época marcada pela corrente estética do Realismo/Naturalismo assinala, no Brasil, além da dinamização e consolidação da vida nacional, a aceitação da cultura em geral, e do escritor, como elemento integrante da vida social. Qual a alternativa correta? A) F – V – V – F – V B) V – V – V – V – F C) V – F – F – V – F D) V – V – V – V – F E) F – F – F – F – V 232. (UFSE) No século XIX, verificou-se uma passagem da prosa idealizante, por vezes amena e ingênua, para uma prosa que visa à caracterização objetiva tanto do mundo social quanto das personagens que nele se movem. Pode-se acompanhar essa passagem confrontando-se, na seqüência dada, os seguintes romances: a) A Moreninha e Dom Casmurro. b) O Ateneu e Triste Fim de Policarpo Quaresma. c) O Guarani e Triste Fim de Policarpo Quaresma. d) A Moreninha e Noite na Taverna. e) O Ateneu e Dom Casmurro. 233. (UFMA) Eça de Queirós, em O primo Basílio, sustenta como uma de suas teses a crítica ao movimento romântico, como na descrição de um dos personagens, o literato Ernesto Ledesma: “(...) Pequenino, linfático, os seus membros franzinos, ainda quase tenros, davam-lhe um aspecto débil de colegial; o buço, delgado, empastado em cera-mostache arrebitava-se aos cantos em pontas afiadas como agulhas; e na cara chupada, os olhos repolhudos amorteciam-se com um quebrado langoroso.” Nessa descrição, a crítica ao Romantismo evidencia-se quando do emprego de: a) atributos que elevam a condição moral de Ernesto Ledesma, como “membros quase tenros”, “buço delgado” e “aspecto de colegial”. b) adjetivos depreciativos como “linfático”, “pequenino” e “débil”, além da imagem conotativa representada pelo “buço que se arrebitava aos cantos em pontas afiadas como agulhas”. c) verbos no pretérito imperfeito, como “davam-lhe”, “arrebitava-se” e “amorteciam-se”, sugerindo a continuidade da ação que começou no passado. d) elipses verbais, com o intuito de tornar o texto mais enxuto e preciso, satisfazendo, assim, uma das características do Realismo: a objetividade. e) metáforas e comparações inusitadas, como “olhos repolhudos” e “pontas afiadas como agulhas”, na tentativa de enaltecer o caráter do personagem-escritor. 76 234. (UFPB) No romance Dom Casmurro, ao lembrar o dia da revelação do amor de Capitu, o narrador escreve: “Confissão de crianças, tu valias bem duas ou três páginas, mas quero ser poupado. Em verdade, não falamos nada; o muro falou por nós. Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se. Não marquei a hora exata daquele gesto. Devia tê-la marcado; sinto a falta de uma nota escrita naquela mesma noite, e que eu poria aqui com os erros de ortografia que trouxesse, mas não traria nenhum, tal era a diferença entre o estudante e o adolescente. Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar; tinha ‘orgias de latim’ e era virgem de mulheres.” Nesse trecho do romance verifica-se que: a) a narrativa é construída a partir dos registros escritos do narrador. b) a passagem nega o comportamento ingênuo de Bentinho. c) a frase “sinto a falta de uma nota escrita naquela mesma noite” supõe que o narrador, agora velho, não confia inteiramente naquilo que narra. d) o registro de detalhes é sinal inequívoco do desprezo do narrador pela personagem Capitu. e) a passagem aponta para o desnível intelectual existente entre Bentinho e Capitu. 235. (Uneb/BA) “Rita, essa noite, recolhera-se aflita e assustada. Deixara de ir ter com o amante e mais tarde admirava-se como fizera semelhante imprudência; como tivera coragem de pôr em prática justamente no momento mais perigoso, uma coisa que ela, até aí, não se sentira com ânimo de praticar. No íntimo respeitava o capoeira; tinha-lhe medo. Amara-o a princípio por afinidade de temperamento, pela irresistível conexão do instinto luxurioso e canalha que predominava em ambos, depois continuou a estar com ele por hábito, por uma espécie de vício que amaldiçoamos sem poder largá-lo; mas desde que Jerônimo propendeu para ela, fascinando-a com a sua tranqüila seriedade de animal bom e forte, o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho da raça superior. O cavouqueiro, pelo seu lado, cedendo às imposições mesológicas, enfarava a esposa, sua congênere, e queria a mulata, porque a mulata era o prazer, era a volúpia, era o fruto dourado e acre destes sertões americanos, onde a alma de Jerônimo aprendeu lascívias de macaco e onde seu corpo porejou o cheiro sensual dos bodes.” AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: FTD, 1993. p. 169. (Coleção Grandes Leituras). Considerando-se o fragmento transcrito no contexto de O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, pode-se afirmar: a) Jerônimo representa, para Rita, a possibilidade de ascensão social. b) Os personagens do texto são enfatizados em seus traços psicológicos. c) O relacionamento de Rita Baiana com Firmo fundamenta-se no respeito mútuo. d) Rita e Jerônimo são personagens que sofrem os efeitos do determinismo socioeconômico. e) O narrador, ao justificar a atração de Rita por Jerônimo, evidencia uma visão preconceituosa. 236. (F. Católica de Salvador/BA) Leia o texto abaixo: “Amanhecera um domingo alegre no cortiço, um bom dia de abril. Muita luz e pouco calor. As tinas estavam abandonadas; os coradouros despidos. Tabuleiros e tabuleiros de roupa engomada saíam das casinhas, carregados na maior parte pelos filhos das próprias lavadeiras. (...) Mulheres ensaboavam os filhos pequenos debaixo da bica, muito zangadas, a darem-lhes murros, a praguejar, e as crianças berravam, de olhos fechados, esperneando. (...) Os papagaios pareciam também mais alegres com o domingo e lançavam das gaiolas frases inteiras, entre gargalhadas e assobios. (...) Dentro da taverna, os martelos de vinho branco, os copos de cerveja nacional e os dois vinténs de parati ou laranjinha sucediam-se por cima do balcão, passando das mãos do Domingos e do Manuel para as mãos ávidas dos operários e dos trabalhadores, que os recebiam com estrondosas exclamações de pândega. A Isaura, que fora num pulo tomar o seu primeiro capilé, via-se tonta com os apalpões que lhe davam.” AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: Klick, 1997. p. 48-9. (Coleção Ler é Aprender) É uma característica naturalista evidenciada no texto: a) Prevalência dos meios sobre os fins. b) Denúncia das desigualdades sociais. c) Preferência por grupos sociais marginalizados. d) Ênfase na satisfação de necessidades instintivas. e) Similaridade entre o comportamento humano e o instinto animal. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 237. (PUCRS) A expressão ficcional machadiana pode ser dividida em duas fases. Na segunda delas, ……… e ……… constituem o eixo temático que conduz obras como ……… . a) ironia – pessimismo – Memórias Póstumas de Brás Cubas b) traição – idealização – Dom Casmurro c) desconfiança – traição – Helena d) pessimismo – desconfiança – Ressurreição e) idealização – ironia – Esaú e Jacó 238. (PUCRS) INSTRUÇÃO: Para responder às questões abaixo, ler o texto que segue. “E aquilo se foi constituindo numa grande lavanderia, agitada e barulhenta, com as suas cercas de varas, as suas hortaliças verdejantes e os seus jardinzinhos de três e quatro palmos, que apareciam como manchas alegres por entre a negrura das limosas tinas transbordantes e o revérbero das claras barracas de algodão cru, armadas sobre lustrosos bancos de lavar. E os gotejantes jiraus, cobertos de roupa molhada, cintilavam ao sol, que nem lagos de metal branco. E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco.” A expressão sublinhada no texto exemplifica uma característica do romance ………, que é ……… . a) realista o descritivismo exaustivo b) naturalista o determinismo do meio ambiente c) pré-modernista a crítica social desvelada d) naturalista a patologia das personagens e) realista o determinismo da hereditariedade 239. (PUCRS) INSTRUÇÃO: Para responder à questão abaixo, analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto. I – Mostra a formação de aglomerados humanos em um centro urbano. II – Retrata a vida de seres que habitam ambientes degradados. III – Compara a vida humana à vida animal. IV – Expressa uma visão saudosista em relação à vida. Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa: a) I. b) II. c) II e III. d) III e IV. e) I, II e III. 240. (PUCRS) No texto: a) o individual prevalece sobre o coletivo. b) o tempo não se apresenta em uma seqüência linear. c) a visão do mundo aparece influenciada pelo determinismo biológico. d) a análise do comportamento humano marca a condução da narrativa. e) a descrição do mundo objetivo predomina sobre os elementos narrativos. 241. (Emescam/ES) O Realismo e o Naturalismo, estilos de época contemporâneos na literatura brasileira, têm características que os aproximam e características que os distinguem. Das opções abaixo, há uma que não é verdadeira. Isso ocorre em: a) Enquanto o Realismo tende para uma visão biológica do homem, o Naturalismo tem uma acentuada tendência e preferência por temas da patologia social. b) O Naturalismo considera o homem uma máquina guiada pela ação das leis químicas e físicas e pela hereditariedade. c) Os personagens, tanto das obras realistas, quanto das obras naturalistas, são tipos concretos, vivos, frutos da observação. d) Os autores realistas e naturalistas privilegiam em suas obras a descrição, em vez da narração. e) Os autores realistas e naturalistas preferem retratar, em suas obras, a vida contemporânea, a sua época, a retratar o passado. 242. (U. F. Viçosa/MG) Leia atentamente a proposição: “O Romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos — para nos conhecermos, para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos, para condenar o que houver de mau na nossa sociedade.” QUEIRÓS, Eça de. In: PROENÇA FILHO, Domício. Estilos de época na literatura. São Paulo: Liceu, 1969. p. 207. O texto de Eça de Queirós reúne alguns princípios básicos do Realismo. Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela que não está em conformidade com as definições do romancista português: a) O Realismo foi marcado por um forte espírito crítico e assumiu uma atitude mais combativa diante dos problemas sociais contemporâneos. b) As preocupações psicológicas da prosa de ficção realista levaram o romancista a uma conscientização do próprio “eu” e manifestação de sua mais profunda interioridade. c) O autor realista retratou com fidelidade a psicologia do personagem, demonstrando um interesse maior pelas fraquezas humanas e pelos dramas existenciais. d) Em oposição à idealização romântica, o escritor realista procurou descobrir a verdade de seus personagens, dissecando-lhes o comportamento. e) O sentido de observação e análise vigente no Realismo exigiu do escritor uma postura racional e crítica diante das contradições do homem enquanto ser social. 243. (U. Uberaba/MG) “(...) A negra, imóvel cercada de escamas e tripas de peixe, com uma das mãos espalmadas no chão e com a outra segurando a faca de cozinha, olhou aterrada para eles, sem pestanejar. Os policiais, vendo que ela se não despachava, desembainharam os sabres. Bertoleza então, erguendo-se com ímpeto de anta bravia, recuou de um salto, e antes que alguém conseguisse alcançá-la, já de um só golpe certeiro e fundo rasgara o ventre de lado a lado. E depois emborcou para a frente, rugindo e esfocinhando moribunda numa lameira de sangue.” AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. O trecho exemplifica a seguinte característica da escola literária a que pertence: a) A personagem Bertoleza é uma heroína individual e, assim como outras no romance, não pode ser substituída pela coletividade. b) Os seres humanos, assim como a escrava Bertoleza, supostamente alforriada, são comparados aos animais irracionais. c) A personagem apresentada no trecho é coisificada, já que a obra trata de realismo psicológico. d) Mulatos e imigrantes portugueses testemunham as condições de vida da população do Rio, por isso a obra se torna panfletária e propagandista. 244. (U. F. Viçosa/MG) Dentre as alternativas abaixo, apenas uma não contém informações totalmente verdadeiras sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas. Assinale-a: a) O personagem Brás Cubas diz o que pensa dos outros e de si mesmo com uma sinceridade que só a maturidade póstuma lhe pôde propiciar. b) Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, as relações sociais cedem lugar à inquirição sobre a alma humana, que, por sua vez, tornou-se objeto de atenção do escritor realista. c) Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma obra típica do Realismo, na medida em que subverte as técnicas narrativas românticas e ironiza os valores burgueses. d) O defunto autor desordena a cronologia dos fatos reconstituídos em sua memória através de idas e vindas em um tempo não linear. e) A narrativa machadiana insere-se na estética realista por denunciar as mazelas sociais brasileiras e por criticar a civilização industrial emergente. 245. (UFR/RJ) O tema do ciúme foi abordado por Machado de Assis em Dom Casmurro: “Capítulo CXXXV – OTELO Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. (...) O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público. — E era inocente, vinha eu dizendo rua abaixo; — que faria o público, se ela deveras fosse culpada, tão culpada como Capitu? (...)” ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1982. No fragmento acima, observa-se uma característica recorrente nos romances machadianos, que é a: a) crítica aos excessos sentimentais do personagem. b) ausência de monólogos interiores. c) preocupação com questões político-sociais. d) abordagem de tema circunscrito à época realista. e) análise do comportamento humano. Sistema MSA de Ensino 77 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 246. (U. Uberaba/MG) Atente para a seguinte passagem do conto Conto de Escola, de Machado de Assis: “Na rua encontrei uma companhia do batalhão de fuzileiros, tambor à frente, rufando. Não podia ouvir isto quieto. Os soldados vinham batendo o pé rápido, igual, direita, esquerda, ao som do rufo; vinham, passaram por mim, e foram andando. Eu senti uma comichão nos pés, e tive ímpeto de ir atrás deles. Já lhes disse: o dia estava lindo, e depois o tambor... Olhei para um e outro lado; afinal, não sei como foi, entrei a marchar também ao som do rufo, creio que cantarolando alguma cousa: Rato na casaca... Não fui à escola, acompanhei os fuzileiros, depois enfiei pela Saúde, e acabei a manhã na praia de Gamboa. Voltei para casa com as calças enxovalhadas, sem pratinha no bolso nem ressentimento na alma. E contudo a pratinha era bonita e foram eles, Raimundo e Curvelo, que me deram o primeiro conhecimento, um da corrupção, outro da delação; mas o diabo do tambor...” Para Gostar de Ler. vol. 9. Contos, Ática. Evidencia-se, nesta passagem, um procedimento típico da expressão deste autor, identificado pela: a) fantasia. Machado não é um realista comum. Apesar de original e independente, procura seguir de modo servil as propostas do movimento literário a que pertence. Raimundo é, no conto, um personagem fascinado pelo tambor. b) ironia. Machado faz sua personagem, após aprender dentro da sala de aula, lições de corrupção de delação, reconhecer o valor do tambor e, portanto, voltar para casa com as calças enxovalhadas, sem pratinha no bolso nem ressentimento na alma. c) embriaguez da alma. Machado constrói os personagens, reunindo seus pequenos gestos, seus mínimos pensamentos, suas contradições, revelando ao leitor, por esse processo detalhado, a segurança de quem sabe o que está fazendo. d) metalinguagem. Machado escreve sobre a problemática da esperança e aborda um personagem objetivo e racional. Em vez de valorizar a ação interior, desenvolve, como todo escritor realista, uma maior preocupação com a ação exterior. 247. (UCS) INSTRUÇÃO: A questão refere-se ao texto abaixo. Leia-o e assinale a alternativa correta. “Os companheiros de classe eram cerca de vinte; uma variedade de tipos que me divertia. O Gualtério, miúdo, redondo de costas, cabelos revoltos, motilidade brusca e caretas de símio – palhaço dos outros, como dizia o professor; o Nascimento, o bicanca, alongado por um modelo geral de pelicano, nariz esbelto, curto e largo como uma foice; o Álvares, moreno, cenho carregado, cabeleira espessa e intonsa, de vate de taverna...” POMPÉIA, Raul. O Ateneu. São Paulo: Moderna, 1994. p. 32. No fragmento acima, o uso da descrição através de símiles exagerados, com traços caricaturais, remete à corrente estética: a) impressionista. b) naturalista. c) expressionista. d) realista. e) simbolista. 248. (UFRGS) Tendo em vista as estéticas literárias brasileiras, podemos afirmar que o Realismo Brasileiro: a) foi marcado por uma intensa preocupação com o aspecto histórico da nação. b) determinou o surgimento de uma nova escrita literária cuja ênfase recaiu nas relações amorosas de finais felizes. c) ao se confundir com o Naturalismo, pretendeu uma objetividade maior com vistas a retratar a realidade. d) foi o grande responsável pela afirmação de uma literatura de caráter sugestivo e ambíguo. e) veiculou uma visão idealizada da aristocracia brasileira do tempo do Império. 249. (Univali/SC) As descrições a seguir pertencem a diferentes períodos literários: I – “Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da alcova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não disparatada com o meu livro de aventuras. [...] Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo.” II – “Os grandes olhos azuis, meio cerrados, às vezes se abriam languidamente, como para se embeberem de luz, e abaixavam de novo as pálpebras rosadas. Os lábios vermelhos pareciam uma flor de gardênia dos nossos campos, orvalhada pelo sereno da noite; o hálito doce e ligeiro exalava-se, formando um sorriso.” 78 III – “Ela saltou no meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, com uma sofreguidão de gozo carnal num requebro luxurioso, que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda...” Identifique os períodos literários em que os textos lidos se enquadram e, a seguir, assinale a opção correta quanto à respectiva classificação: a) Realismo – Barroco – Modernismo. b) Naturalismo – Realismo – Simbolismo. c) Modernismo – Romantismo – Naturalismo. d) Simbolismo – Realismo – Barroco. e) Realismo – Romantismo – Naturalismo. 250. (Univali/SC) “O CORTIÇO Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas.” Aluísio Azevedo. São características do Naturalismo presentes no texto acima: a) objetividade; cientificismo; impressionismo. b) preferência por temas de patologia social; objetivismo científico; determinismo. c) descrição da realidade; ênfase no momento presente; abuso de figuras de linguagem. d) observação da realidade; linguagem simples; subjetivismo. e) aspectos patológicos da realidade; conflitos individuais; descrição detalhada do ambiente. 251. (Unifor/CE) Atente para as seguintes afirmações sobre a literatura brasileira produzida no século XIX: I – A diferença essencial entre um romance romântico e um romance realista está no fato de que apenas no segundo as ações das personagens se desenvolvem no espaço urbano. II – Os poetas românticos Álvares de Azevedo e Castro Alves distinguem-se quanto ao tom e aos temas, sobretudo se comparamos a Lira dos vinte anos com Os escravos. III – Embora tenham sido contemporâneos, Machado de Assis e Aluísio Azevedo guardam profundas diferenças entre si: uma delas está no fato de que o autor de Dom Casmurro não defendia as teses deterministas que se encontram no autor de Casa de pensão. Está correto o que se afirma em: a) II, somente. b) I e II, somente. c) I e III, somente d) II e III, somente. e) I, II e III. 252. (Unifor/CE) Considere os seguintes fragmentos: I – José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às idéias; não as havendo, servia a prolongar as frases. II – Quando lhe acontecia o que ficou contado, era costume de Aires sair cedo, a espairecer. III – O fundador da minha família foi um certo Damião Cubas, que floresceu na primeira metade do século XVIII. Elementos constantes desses fragmentos remetem a: a) romances de Machado de Assis. b) contos de Machado de Assis. c) romances de José de Alencar. d) contos de Monteiro Lobato. e) romances de Monteiro Lobato. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 253. (UFPE) Leia os textos abaixo: I “— Algum tempo hesitei se deveria abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; (…) Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.” ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. II “— és filho de uma pisadela e de um beliscão; mereces que um pontapé te acabe a casta. (…) O menino suportou tudo com coragem de mártir, apenas abriu ligeiramente a boca quando foi levantado pelas orelhas: mal caiu, ergueu-se, embarafustou pela porta fora, e em três pulos estava dentro da loja do padrinho, e atracando-se-lhe às pernas.” ALMEIDA, Manuel A. de. Memórias de um Sargento de Milícias. Após a leitura atenta dos textos I e II, assinale a alternativa correta. a) Apesar de ambos os romances intitularem-se ‘memórias’, o primeiro não é contado em 1ª pessoa e relata a vida do protagonista depois que se torna sargento de milícias; já o texto de Machado traz um “defunto autor”. b) Manuel de Almeida aproxima-se da linguagem coloquial falada no Brasil de seu tempo, enquanto Machado de Assis, não. c) O texto de Manuel de Almeida, considerado precursor do Realismo em nossas letras, e o de Machado traduzem o cientificismo dominante na época. d) No texto II, o autor descreve a forma de tratar as crianças na nobreza no Rio de Janeiro de D. João VI. e) É característica notória da obra de Machado a ironia, traço que não é apresentado no texto I. 254. (Unifor/CE) “O seu tempo era também o tempo da educação do leitor brasileiro, da qual este autor participa de forma tão decisiva com …… . Romancistas e poetas brasileiros que, como …… , viveram o apogeu …… , sentiram e expressaram mudanças muito significativas no modo de fazer cultura.” Preenchem corretamente as lacunas do período acima, na ordem dada, os seguintes elementos: a) Quincas Borba – Machado de Assis – da luta pela independência. b) Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis – do reinado de D. Pedro II. c) O Ateneu – Raul Pompéia – do reinado de D. Pedro I. d) O Cortiço – Aluísio Azevedo – da consolidação da monarquia. e) Casa de Pensão – Aluísio Azevedo – do reinado de D. Pedro I. 255. (UFSE) ( ) No romance D. Casmurro, com as frases “o fim evidente de atar as duas pontas da vida” e “recompor o que foi”, Machado de Assis mostra, muito além dos fatos em si, as intenções e ressonâncias que os envolvem e que surgem das descrições das personagens e comentários, aparentemente insignificantes, ao longo da narrativa. ( ) Senhora, apesar de ser um romance que se enquadra na época romântica, desvia-se deste ideário estético, ao mostrar o dinheiro como elemento que conspurca o amor, o qual, portanto, não se realiza. ( ) É correto afirmar-se que Amâncio, do romance Casa de pensão, foi um dos tipos mais marcantes criados por Aluísio Azevedo — uma personagem forte que sobressai no romance, no meio de uma galeria de outros tipos. ( ) Em D. Casmurro observa-se, em síntese, uma visão otimista da sociedade, na figura de José Dias, o agregado, que é o exemplo dos hábitos e padrões familiares do Rio de Janeiro nos meados do século XIX. ( ) Um cientificismo de sabor popular tangencia a narrativa de Casa de pensão, em que os episódios da infância, mesmo os aparentemente insignificantes — e mais tarde o meio — modelam o caráter das personagens e decretam a direção que eles devem tomar. Qual a alternativa correta? A) V – V – F – F – V B) V – V – V – V – F C) V – F – F – V – V D) V – V – V – V – F E) F – F – F – F – V 256. (UFRN) O romance D. Casmurro pode ser esquematizado da seguinte forma: 1ª parte: O amor adolescente entre Bentinho e Capitu 2ª parte: O casamento de Bentinho e Capitu Com base nesse esquema, é correto afirmar: a) Na primeira parte do romance, Bentinho acredita que a dissimulação de Capitu está relacionada à classe social da moça. b) Na segunda parte do romance, os diversos capítulos de curta extensão atestam o ciúme de Bentinho. c) Nas duas partes do romance, os fatos narrados provocam em Bentinho sentimentos prazerosos e amargurados. d) Nas duas partes do romance, as fantasias de Bentinho aceleram as ações, encobrindo, propositalmente, os ciúmes em relação a Capitu. 257. (UFPB) “... Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.” Na passagem acima, extraída do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, percebe-se que o narrador: a) sugere apenas que Marcela o amou por pouco tempo. b) expressa de forma metafórica o amor interesseiro de Marcela. c) apresenta uma imagem romântica do amor. d) idealiza a figura feminina ao retratar a devoção amorosa de Marcela. e) demonstra pesar e dor pelo fim do romance. 258. (Uneb/BA) “Daí em diante foi uma coleta desenfreada. Um homem não podia dar nascença ou curso à mais simples mentira do mundo, ainda daquelas que aproveitam ao inventor ou divulgador, que não fosse logo metido na Casa Verde. Tudo era loucura. Os cultores de enigmas, os fabricantes de charadas, de anagramas, os maldizentes, os curiosos da vida alheia, os que põem todo o seu cuidado na tafularia, um ao outro almotacé enfunado, ninguém escapava aos emissários do alienista. Ele respeitava as namoradas e não poupava as namoradeiras, dizendo que as primeiras cediam a um impulso natural e as segundas a um vício. Se um homem era avaro ou pródigo, ia do mesmo modo para a Casa Verde; daí a alegação de que não havia regra para a completa sanidade mental. Alguns cronistas crêem que Simão Bacamarte nem sempre procedia com lisura, e citam em abono da afirmação (que não sei se pode ser aceita) o fato de ter alcançado da câmara uma postura autorizando o uso de um anel de prata no dedo polegar da mão esquerda, a toda a pessoa que, sem outra prova documental ou tradicional, declarasse ter nas veias duas ou três onças de sangue godo. Dizem esses cronistas que o fim secreto da insinuação à câmara foi enriquecer um ourives amigo e compadre dele; mas, conquanto seja certo que o ourives viu prosperar o negócio depois da nova ordenação municipal, não o é menos que essa postura deu à Casa Verde uma multidão de inquilinos; pelo que, não se pode definir, sem temeridade, o verdadeiro fim do ilustre médico. Quanto à razão determinativa da captura e aposentação na Casa Verde de todos quantos usaram do anel, é um dos pontos mais obscuros da história de Itaguaí; a opinião mais verossímil é que eles foram recolhidos por andarem a gesticular, à toa, nas ruas, em casa, na igreja. Ninguém ignora que os doidos gesticulam muito. Em todo caso, é uma simples conjetura; de positivo, nada há.” ASSIS, Machado de. O alienista. 25. ed. São Paulo: Ática, 1995. p. 38-9. (Série Bom Livro) Tendo-se em vista o fragmento no contexto do conto, é correto afirmar: a) O narrador, através das ações de Simão Bacamarte, faz uma apologia ao conhecimento científico. b) Crispim Soares, ao aderir à rebelião dos Canjicas, mostra a firmeza de suas convicções políticas. c) O “ilustre médico”, na condição de homem das ciências, porta-se com absoluta imparcialidade e honestidade. d) Porfírio das Neves, o barbeiro, representa, na narrativa, o oportunismo político. e) O narrador, em face do narrado, mantém uma atitude de distanciamento. Sistema MSA de Ensino 79 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 259. (UFRN) Leia o capítulo Os vermes da obra D. Casmurro, de Machado de Assis: “‘Ele fere e cura!’ Quando, mais tarde, vim a saber que a lança de Aquiles também curou uma ferida que fez, tive tais ou quais veleidades de escrever uma dissertação a este propósito. Cheguei a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri-los a compará-los, catando o texto e o sentido, para achar a origem comum do oráculo pagão e do pensamento israelita. Catei os próprios vermes dos livros, para que me dissessem o que havia nos textos roídos por eles. — Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos: nós roemos. Não lhe arranquei mais nada. Os outros todos, como se houvessem passado palavra, repetiam a mesma cantilena. Talvez esse discreto silêncio sobre os textos roídos fosse ainda um modo de roer o roído.” Nesse capítulo, constata-se que: a) o narrador, diante da atitude dos vermes, aceita a idéia de que escrever é uma ação racional. b) o narrador, diante da atitude dos vermes, conclui que os livros são a única fonte de conhecimento. c) a personificação dos vermes contradiz as características do naturalismo. d) a personificação dos vermes produz um afastamento da estética realista. 260. (UFRN) No painel dos personagens secundários, o agregado José Dias destaca-se porque: a) tem comportamento peculiar que interfere nas reminiscências de Bentinho. b) é um personagem culto, típico da época em que se passa a história. c) participa do cotidiano familiar e influencia as decisões de dona Glória. d) é o personagem que acoberta os interesses ardilosos da esposa do narrador. 261. (Fuvest) “Óbito do autor Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.” ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Capítulo primeiro. Considerando-se este fragmento no contexto da obra a que pertence, é correto afirmar que, nele, a) o discurso argumentativo, de tipo racional e lógico, apresenta afirmações que ultrapassam a razão e o senso comum. b) a combinação de hesitações e autocrítica já caracteriza o tom de arrependimento com que o defunto autor relatará sua vida improdutiva. c) as hesitações e dúvidas revelam a presença de um narrador inseguro, que teme assumir a condução da narrativa e a autoridade sobre os fatos narrados. d) as preocupações com questões de método e as reflexões de ordem moral mostram um narrador alheio às meras questões literárias, tais como estilo e originalidade. e) as considerações sobre o método e sobre a lógica da narração configuram o modo característico de se iniciar o romance no Realismo. 262. (Fuvest) Comparando-se Brás Cubas e Macunaíma, é correto afirmar que, apesar de diferentes, ambos a) possuem muitos defeitos, mas conservam uma ingenuidade infantil, isenta de traços de malícia e de egoísmo. b) tiveram seu principal relacionamento amoroso com mulheres tipicamente submissas, desprovidas de iniciativa. c) não trabalham, caracterizando-se pela ausência de qualquer demanda ou busca que lhes mobilize o interesse. d) narram suas histórias diretamente ao leitor, em primeira pessoa, depois de mortos: Brás Cubas, como defunto autor; Macunaíma, utilizando-se do papagaio. e) têm a vida avaliada, na parte final dos relatos, em um pequeno balanço, ou breve avaliação de conjunto, com resultado negativo. 263. (Fatec/SP) É possível perceber certas palavras e expressões que indicam oposição entre a visão romântica do mundo e as fortes 80 marcas realistas do texto. Assinale a alternativa em que as expressões destacadas melhor indicam esse tipo de relação. a) “modesta e negra”, “negra como a noite” x “farpinhas da cabeça”, “espairecendo suas borboletices”. b) “um céu azul, que é sempre azul para todas as asas” x “um ar divino, uma estatura colossal”. c) “imensidade azul”, “alegria das flores”, “pompa das folhas verdes” x “uma toalha de rosto, dous palmos de linho cru”. d) “restituiu-me a consolação”, “as próvidas formigas” x “uni o dedo grande ao polegar, despedi um piparote”. e) “A borboleta pousou-me na testa”, “o retrato de meu pai” x “contemplar o cadáver”, “ter nascido azul”. 264. (Ceetps/SP) Texto para a abaixo: “Saí dali a saborear o beijo. Não pude dormir; estirei-me na cama, é certo, mas foi o mesmo que nada. Ouvi as horas todas da noite. Usualmente, quando eu perdia o sono, o bater da pêndula fazia-me muito mal; esse tique-taque soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo, sentado entre dous sacos, o da vida e o da morte, a tirar as moedas da vida para dá-las à morte, e a contá-las assim: — Outra de menos… — Outra de menos… — Outra de menos… — Outra de menos… O mais singular é que, se o relógio parava, eu dava-lhe corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar todos os meus instantes perdidos. Invenções há, que se transformam ou acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre.” ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Com relação ao texto, considere as afirmações abaixo: I – No texto de Machado de Assis, a intensidade do sentimento é marcada pela passagem do tempo, manifestada pelo ciclo na natureza. II – Na passagem de Machado de Assis, o realismo está centrado na ausência de sentimento e marcado pelas batidas do relógio. III – No início do texto de Machado de Assis, a expressão “ouvi todas as horas da noite” representa um prolongamento do sentimento de prazer conferido pelo beijo. IV – A partir de “usualmente”, o narrador começa a considerar seu desassossego diante da morte, durante suas noites de insônia no passado. Quanto a essas afirmações deve-se concluir que a) apenas I, III e IV estão corretas. b) apenas II, III e IV estão corretas. c) apenas I, II e IV estão corretas. d) apenas II e III estão corretas. e) apenas III e IV estão corretas. 265. (Mackenzie/SP) Texto para as questões abaixo. “A enferma era uma senhora viúva, tísica, tinha uma filha de quinze ou de dezesseis anos, que estava chorando à porta do quarto. A moça não era formosa, talvez nem tivesse graça; os cabelos caíamlhe despenteados, e as lágrimas faziam-lhe encarquilhar os olhos. Não obstante, o total falava e cativava o coração. O vigário confessou a doente, deu-lhe a comunhão e os santos óleos. O pranto da moça redobrou tanto que senti os meus olhos molhados e fugi. Vim para perto de uma janela. Pobre criatura! A dor era comunicativa em si mesma; complicada da lembrança de minha mãe, doeu-me mais, e, quando enfim pensei em Capitu, senti um ímpeto de soluçar também (…) A imagem de Capitu ia comigo, e a minha imaginação, assim como lhe atribuíra lágrimas, há pouco, assim lhe encheu a boca de riso agora; (…) As tochas acesas, tão lúgubres na ocasião, tinham-me ares de um lustre nupcial… Que era lustre nupcial? Não sei; era alguma coisa contrário à morte, e não vejo outra mais que bodas.” Considere as afirmações. I – Na descrição da filha da viúva (segundo período), o narradorpersonagem apresenta um atitude romântica. II – No fato narrado, o protagonista sobrepõe o mundo imaginário às circunstâncias objetivas da realidade circundante. III – O texto foi extraído de romance brasileiro da primeira metade do século XIX. Assinale: a) se todas estiverem corretas. b) se apenas II estiver correta. c) se apenas II e III estiverem corretas. d) se apenas I e III estiverem corretas. e) se todas estiverem incorretas. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 266. (Mackenzie/SP) Assinale a alternativa que apresenta obras do mesmo estilo de época do texto. a) Senhora – Quincas Borba – São Bernardo. b) Iracema – A moreninha – Laços de família. c) O Ateneu – O mulato – Amor de perdição. d) O primo Basílio – Vidas secas – Memórias póstumas de Brás Cubas. e) O primo Basílio – Quincas Borba – Memórias póstumas de Brás Cubas. 267. (FGV/SP) Podemos afirmar que na obra D. Casmurro, Machado de Assis a) defende a tese de que o meio determina o homem porque descreve a personagem Capitu desde o início como uma futura adúltera. b) defende a tese determinista porque o meio em que Bentinho e Capitu vivem determina a futura tragédia. c) não defende a tese determinista, apontando antagonismo entre o meio e a tragédia final. d) defende a tese determinista ao demonstrar a influência da educação religiosa na formação de Capitu. e) não defende a tese determinista de modo explícito porque não fica clara a relação entre o meio e o fim trágico dos personagens. 268. (UFGO) Esaú e Jacó é uma prova da maturidade narrativa de Machado de Assis. O confronto com outras obras de sua autoria permite detectar alguns elementos recorrentes na narrativa machadiana. São eles: ( ) confissão de fatalismo, própria da filosofia positivista, desenvolvida também em Quincas Borba. ( ) jogo montado sobre a oposição de caracteres dos dois gêmeos, Pedro e Paulo, semelhante ao jogo estabelecido entre Capitu e Bentinho, em Dom Casmurro. ( ) atemporalidade em favor de uma filosofia do autoconhecimento, resgatando a individualidade das personagens, igualmente vista em O alienista. ( ) narrativa típica de “autor morto”, que reconstrói os fatos numa perspectiva privilegiada em relação ao mundo dos vivos, à maneira de Brás Cubas, em suas Memórias póstumas. Qual a alternativa correta? A) F – F – F – F B) V – V – V – V C) V – F – F – V D) V – V – V – V E) F – V – F – F 269. (FEI/SP) O texto abaixo refere-se às questões abaixo: “Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nele seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião”. Assinale a alternativa incorreta: a) o autor justifica o tom pessimista da obra através da criação de um narrador defunto. b) o prólogo insinua, ironicamente, que muitos leitores não compreenderiam o caráter inovador do romance. c) o prólogo diz que se trata de uma “obra de finado”, porque a primeira edição do romance apareceu quando seu autor já havia falecido. d) ao declarar que se tratava de uma “obra difusa”, o autor deseja prevenir os leitores quanto à “forma livre” do romance. e) no prólogo, o autor já emprega o estilo irônico que irá perpassar todo o romance. 270. (FEI/SP) As afirmações abaixo se referem a importantes romances da literatura brasileira. Assinale a alternativa que descreve as características de Memórias Póstumas de Brás Cubras: a) “O tom cáustico do livro o afasta muito dos exemplos nacionais de idealização romântica, enquanto seu humorismo ziguezagueante e sua estrutura insólita impediram qualquer identificação com os modelos naturalistas.” (José Guilherme Melquior) b) “A leitura deste livro, que passa pelo primeiro romance naturalista brasileiro, dá uma boa visão do meio maranhense do tempo.” (Alfredo Bosi) c) “O livro é construído no encontro de lendas indígenas (…) e da vida brasileira quotidiana, de mistura de lendas e tradições populares.” (Antonio Candido) d) “O romance reflete uma visão otimista e complacente da realidade social: uma brisa de amenidade atravessa-o de ponta a ponta, como se pessoas e objetos estivessem mergulhados numa atmosfera ideal.” (Massaud Moisés) e) “O livro é a primeira grande experiência de prosa modernista na ficção brasileira, procurando romper as barreiras com a poesia.” (Antonio Candido) 271. (U. F. Uberlândia/MG) Ao final do último capítulo de Casa velha, o narrador fala para o leitor: “Compreendi que tudo estava acabado. Félix padeceu muito com esta notícia; mas nada há eterno neste mundo, e ele próprio acabou casando com Sinhazinha. Se ele e Lalau foram felizes, não sei; mas foram honestos, e basta”. ASSIS, Machado de Casa velha. Das características que se segue, assinale a que se relaciona com o texto acima. a) Visão psicológica do narrador. b) Visão romântica de Félix. c) Visão realista da vida. d) Visão positiva do homem. 272. (F. I. de Vitória/ES) Sobre a estrutura narrativa de Cinco Minutos e Memórias Póstumas de Brás Cubas, é possível afirmar: a) ambos têm como narrador o personagem principal e como narratário um personagem secundário, dentro da narrativa. b) ambos têm como narratário um personagem extradiegético, a “prima” em Cinco Minutos e “o leitor”, em Memórias Póstumas de Brás Cubas. c) em ambos, o tempo cronológico é mais importante do que o psicológico. d) em ambos, o espaço geográfico, o Rio de Janeiro, é o determinante das ações dos personagens. e) ambos têm como eixo temático central a desilusão amorosa do personagem-narrador. 273. (U. F. Uberlândia/MG) “O melhor prólogo é o que contém menos cousas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. (…) A obra em si mesmo é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus”. ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Sobre o fragmento acima, e considerando a obra como um todo, só NÃO se pode afirmar que: a) o leitor é sempre alvo de humor e ironia por parte do narrador. b) ao separar o prólogo da “obra em si mesmo”, Machado evita fazer nessa obra, uso da metalinguagem. c) no prólogo, o leitor é sutilmente avisado de que é preciso ler a obra atentamente. d) a interlocução com o leitor é um elemento fundamental na obra de Machado de Assis. 274. (UFMG) Considerando-se o narrador de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é INCORRETO afirmar que ele: a) aborda, de forma humorística, os temas trágicos da morte e da loucura. b) apresenta, por intermédio de Quincas Borba, o sistema filosófico denominado Humanitismo. c) convoca freqüentemente o leitor a envolver-se na narrativa. d) relata suas memórias, tendo como ponto de partida fatos decisivos de sua infância. Sistema MSA de Ensino 81 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 275. (U. F. Viçosa/MG) Dentre as citações extraídas da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, assinale aquela que NÃO traça um perfil psicológico do personagem: a) “Nem as bichas de ouro, que trazia na véspera, lhe pendiam agora das orelhas, duas orelhas finamente recortadas numa cabeça de ninfa. Um simples vestido branco, de cassa, sem enfeites, tendo ao colo, um vez de broche, um botão de madrepérola, e outro botão nos punhos, fechando as mangas, e nem sombra de pulseira.” b) “Quem quer que fosse, porém, o pai, letrado ou hortelão, a verdade é que Marcela não possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo […].” c) “Bem diferente era o tio cônego […]. Não era homem que visse a parte substancial da Igreja; via o lado externo, a hierarquia, as preeminências, as sobrepelizes, as circunflexões. Vinha antes da sacristia que do altar.” d) “Virgília era o travesseiro do meu espírito, um travesseiro mole, tépido, aromático, enfronhado em cambraia e bruxelas. Era ali que ele costumava repousar de todas as sensações más, simplesmente enfadonhas, ou até dolorosas.” e) “Então apareceu o Lobo Neves, um homem que não era mais esbelto que eu, nem mais elegante, nem mais lido, nem mais simpático, e todavia foi quem me arrebatou Virgília e a candidatura, dentro de poucas semanas, com um ímpeto verdadeiramente cesariano.” 276. (U. F. Uberlândia/MG) Considerando a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, é correto afirmar que: a) o narrador em terceira pessoa permite a exploração psicológica de um adultério tanto por parte da adúltera, Capitu, quanto da vítima, Bentinho. b) é uma narrativa ambígua porque mostra um retrato moral da esposa Capitu feito pelo próprio marido Bentinho, de forma a não permitir que se saiba se o adultério de fato ocorreu. c) Bentinho é semelhante a Otelo, de Shakespeare, que não tem coragem de se matar e nem tem ódio e ciúme suficientes para assassinar a esposa. d) a casa de Matacavalos refere-se à infância de Bentinho, enquanto a casa da Glória refere-se à época de convivência com Capitu, que lhe trouxe felicidades. 277. (U. Uberaba/MG) Em relação ao romance Dom Casmurro é correto afirmar que: a) O leitor, em razão da ambigüidade do narrar, permanece na incerteza do que aconteceu e do que foi deturpado pelo ciúme. b) Esta é, sem dúvida, uma narrativa ambígua, mas esta ambigüidade permanece apenas até certo ponto da narrativa, porque o próprio personagem narrador confessa que interpretou mal a realidade dos fatos. c) Como neste romance há uma clara delimitação entre o que seja imaginário e realidade, o leitor percebe de maneira clara o que é real e o que é deformado pelo ciúme. d) A intriga do romance é de tal maneira construída que o leitor vacila em aceitar a culpabilidade de Capitu. A hesitação só termina quando encontra no derradeiro capítulo a evidência cabal de que Capitu foi uma adúltera. 278. (U. F. Uberlândia/MG) Considere a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, e as afirmativas que se seguem. I – Dona Glória tentava impedir o casamento de Bentinho com Capitu, pois desejava que ele se unisse a Sancha. II – Bento Santiago não teve problemas em homenagear o amigo Escobar, por ocasião de seu enterro, pois era seu melhor amigo. III – A cena descrita no velório de Escobar (homens e mulheres chorando) é uma característica do Romantismo presente em todo o Dom Casmurro — obra que tem como tema os infelizes amores de Bentinho e Capitu. IV – “Olhos de ressaca” — referência dada a Capitu — evidencia o seu poder de envolvimento e o grande fascínio que ela exerce sobre Bentinho, tal qual as vagas do mar. V – Apesar da suspeita de adultério, o amor consegue superar a desconfiança, fazendo com que Bentinho se reconcilie com a família de Capitu. Assinale: a) Se apenas IV é correta. b) Se apenas I, II são corretas. c) Se apenas III e V são corretas. d) Se apenas V é correta. e) Se nenhuma estiver correta. 82 279. (U. F. Uberlândia/MG) Assinale a alternativa INCORRETA, considerando a leitura da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis. a) A linguagem do narrador é utilizada para recriar objetivamente o mundo social e também para refletir sobre o próprio ato de narrar. b) A visão do passado que o narrador mostra constitui-se não só em uma interpretação dos fatos como também na apresentação de provas contundentes do adultério de Capitu. c) A ambigüidade existente na obra destaca a impossibilidade que uma pessoa tem de explicar completamente outro ser humano. d) O processo de construção literária de Machado de Assis revela-se, também, por um conjunto de intertextos. 280. (Uniube/MG) Numere a 2ª coluna de acordo com a 1ª, considerando a leitura do texto Dom Casmurro. 1. “Cheguei a ter ciúmes de tudo e de todos. Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem, moço ou maduro, me enchia de terror ou desconfiança.” (Cap. CXIII) 2. “Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração?” (Cap. CXLVIII) 3. “E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganandome… A terra lhes seja leve! Vamos à História dos Subúrbios.” (Cap. CXLVIII) 4. “Eu, leitor amigo, aceito a teoria do meu velho amigo Marcolini, não só pela verossimilhança, que é muita vez toda a verdade, mas porque a minha vida se casa bem à definição. Cantei um duo terníssimo, depois um trio, depois um quatuor. Mas não adientemos; vamos à primeira parte, em que eu vim a saber que já cantava, porque a denúncia de José Dias, meu caro leitor, foi dada principalmente a mim. A mim é que ele me denunciou.” (Cap. X) 5. “É verdade que Capitu, que não sabia Escritura nem latim, decorou algumas palavras (…). Quantos às de São Pedro, disse-me no dia que estava por tudo, que eu era a única renda e o único enfeite que jamais poria em si. Ao que eu repliquei que minha esposa teria sempre as mais finas rendas deste mundo.” (Cap. CI) ( ) Estilo machadiano ( ) Visão realista da vida ( ) Caráter de Bentinho ( ) Visão romântica do amor A seqüência obtida é a) 4 – 1 – 2 – 5 b) 3 – 4 – 2 – 1 c) 5 – 1 – 4 – 2 d) 4 – 3 – 1 – 2 Parnasianismo 281. (AEU/DF) Texto para as questões abaixo: “MÚSICA BRASILEIRA – Olavo Bilac Tens, às vezes, o fogo soberano Do amor: encerras na cadência, acesa Em que requebros e encantos de impureza, Todo o feitiço do pecado humano. Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza Dos desertos, das matas e do oceano: Bárbara poracé, banzo africano, E soluços de trova portuguesa. És samba e jongo, chiba e fado, cujos Acordes são desejos e orfandades De selvagens, cativos e marujos: E em nostalgias e paixões consistes. Lasciva dor, beijo de três saudades, Flor amorosa de três raças tristes.” Julgue os itens seguintes, em relação à semântica e à estilística. ( ) O poeta personaliza a música e mantém com ela uma espécie de diálogo em que a trata por “tu”. ( ) Termos como “impureza” (l. 3), “feitiço” (l. 4), “pecado” (l. 4) e “volúpia” (l. 6) remetem a um mesmo campo semântico, no texto. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura ( ) Por “samba e jongo” (l. 11) entendemos a música portuguesa, enquanto a africana está representada por “chiba e fado” (l. 11). ( ) Relacionamos “selvagens, cativos e marujos” (l. 13) a índios, portugueses e africanos, respectivamente, nesta ordem. ( ) Os termos “nostalgias” (l. 15) e “saudades” (l. 16) são semanticamente equivalentes no texto. Qual a alternativa correta? a) V - V – F - F - V b) V - V – F - F - F c) F - V – V - F - V d) V - V – F - V – V e) V - V – V - F - V 282. (AEU/DF) Julgue os itens abaixo em relação à compreensão e à interpretação do texto. ( ) Olavo Bilac inicia o poema aludindo ao erotismo desencadeado pelos movimentos rítmicos da música na coreografia e na dança. ( ) Justifica o autor a riqueza de nossa música pelo caldeamento de ritmos oriundos de várias e variadas culturas. ( ) Contudo, sua visão de música brasileira é pobre e unilateral, porque vislumbra nela apenas a melancolia. ( ) O poeta estende à natureza esse sentimento de tristeza advinda da distância da terra natal e da saudade dos que ficaram ou morreram. Qual a alternativa correta? a) V - V – F - V b) V - V – F - F c) F - V – V - V d) V - F - V – V e) V - F - F - V 283. (AEU/DF) Julgue os itens que vêm a seguir, em relação aos estilos de época na Literatura Brasileira. ( ) O texto lido exemplifica a preocupação formal presente nos poemas parnasianos. ( ) No Parnasianismo, Olavo Bilac pontificou ao lado de eminentes vates como Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Vicente de Carvalho. ( ) Em Música Brasileira, Bilac alia profundo lirismo e nítida destreza técnica, que já apontam para o Simbolismo, movimento literário que sucederia o Parnasianismo, pela musicalidade das assonâncias e aliterações apresentadas. ( ) Contudo, foi o Parnasianismo, pelo seu ardor entusiástico e eloqüente, o estilo de época que mais fielmente expressou o intimismo e o sentimento brasileiro. Qual a alternativa correta? a) V - V – V – F b) V - V – F - F c) F - V – V - F d) V - V – F - V e) V - F – F - F 284. (UFR/RJ) (...) “– Só tomando distância, escrevendo e reescrevendo, relacionando e burilando você faria isto [um bom poema].” Essa fala revela uma concepção de texto literário compatível com a dos poetas: a) românticos. b) parnasianos. c) simbolistas. d) árcades. e) barrocos. 285. (U. Uberaba/MG) Leia com atenção os fragmentos a seguir: I “Esta, de áureos relevos trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo Deus servia.” II “A música da morte, a nebulosa, A estranha, imensa música sombria passa a tremer pela minh’alma e fria gela, fica a tremer, maravilhosa...” Assinale a alternativa em que aparecem características relacionadas, respectivamente, aos fragmentos I e II. a) Busca do vago e do diáfano / Palavras que despertam impressões sensoriais. b) Cultivo da perfeição formal / Linguagem marcada pela objetividade temática. c) Busca de um tema ligado à Grécia antiga / Registro da realidade de maneira simbólica. d) Forma requintada, linguagem sugestiva / Descrição minuciosa de um objeto. 286. Leia o poema abaixo. “Quero que a estrofe cristalina, Dobrada ao jeito De ourives, saia da oficina Sem um defeito (...)” Os versos do poema Profissão de fé, de Olavo Bilac, remetem ao: a) Simbolismo. b) Modernismo. c) Romantismo. d) Parnasianismo. e) Pré-modernismo. 287. (PUCRS) INSTRUÇÃO: Para responder à questão abaixo, ler o texto que segue. “Vila Rica O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre; Sangram, em laivos de ouro, as minas, que a ambição Na torturada entranha abriu da terra nobre: E cada cicatriz brilha como brasão. [...] Como uma procissão espectral que se move... Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu... Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.” O poema, pertencente ao autor de “Profissão de Fé”, não segue rigidamente o padrão _________ no que se refere à _______. a) romântico – idealização do mundo b) simbolista – busca do eu profundo c) parnasiano – alienação dos problemas sociais d) simbolista – inteligibilidade sintática e) parnasiano – sonoridade dos versos 288. (Univali/SC) Observe as considerações: I – Adotando uma postura anti-romântica, baseava-se no binômio objetividade temática/culto da forma. Buscava atingir a impassibilidade e a impessoalidade. II – Os poetas seguem os modelos clássicos gregos e latinos e, inspirados na frase de Horário, fugere urbem (fugir da cidade), voltam-se para a natureza em busca de uma vida simples. Tinham também por objetivo viver o presente, “gozar o dia”. As afirmativas acima exprimem, respectiva e sucessivamente, características do: a) Parnasianismo – Arcadismo. b) Arcadismo – Parnasianismo. c) Parnasianismo – Realismo. d) Modernismo – Arcadismo. e) Realismo – Parnasianismo. 289. (UCS) INSTRUÇÃO: A questão de número 25 refere-se ao texto abaixo. “Eras a glória, — a inspiração, — a pátria, O porvir de teu pai! – Ah! no entanto, Pomba, — varou-te a flecha do destino! Astro, — engoliu-te o temporal do norte! Teto, caíste! – Crença, já não vives! (...)” MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira através dos textos. 20 ed. Revista e aumentada. São Paulo: Cultrix, 1999. p. 178. O fragmento acima pertence ao poema Cântico do Calvário, de Fagundes Varela. Nele se reconhecem aspectos altissonantes, semelhantes à obra de: a) Álvares de Azevedo. b) Casimiro de Abreu. c) Castro Alves. d) Junqueira Freire. e) Gonçalves Dias. Sistema MSA de Ensino 83 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 293. (UFSM) Assinale a alternativa que indica o período literário que nega o cientificismo, o materialismo e o racionalismo, valorizando, em contrapartida, as formas vagas e espirituais. a) Barroco. b) Modernismo. c) Simbolismo. d) Romantismo. e) Arcadismo. Simbolismo 290. (Mackenzie/SP) Texto para as questões abaixo: “Ficávamos sonhando horas inteiras, Com os olhos cheios de visões piedosas: Éramos duas virginais palmeiras, Abrindo ao céu as palmas silenciosas. As nossas almas, brancas, forasteiras, No éter sublime alavam-se radiosas. Ao redor de nós dois, quantas roseiras… O áureo poente coroava-nos de rosas. Era um arpejo de harpa todo o espaço: Mirava-a longamente, traço a traço, No seu fulgor de arcanjo proibido. Surgia a lua, além, toda de cera… Ai como suave então me parecera A voz do amor que eu nunca tinha ouvido!” Alphonsus de Guimaraens. Assinale a alternativa correta. a) Os versos 3 e 4 expressam, por meio de metáforas, a desistência da busca de alturas. b) No último verso, uma vírgula depois de amor mantém o sentido inalterado. c) Na segunda estrofe, nomes e verbos representam um mundo carnal. d) No verso 8, há a sugestão do tempo da cena por meio do sujeito sintático. e) Os versos 9 e 12 apresentam sujeito anteposto ao verbo. 291. (Mackenzie/SP) O texto exemplifica o seguinte princípio estético: a) Sempre haverá uma poesia popular sem arte, e poetas populares sem apuro gramatical e métrico, versejando com o falar da gente rústica. b) … jamais se deve arriscar o emprego de qualquer locução ambígua; sigo, como de costume, na esteira de Quintiliano (…) c) Movimento de oposição à ordem estabelecida do Iluminismo, reúne um grupo de escritores para o qual o “gênio” se torna a palavra de ordem capaz de possibilitar a rejeição à disciplina e à tradição importada. d) A busca de vagas sensações, dos estados indefinidos de alma, fazendo que a poesia se aproxime da música, tem como intuito “traduzir” um mundo de essências, um mais além, ora conhecido como o Ideal, ora como o Mistério, intraduzível por si mesmo. e) Porém declaro desde já que não olhei regras nem princípios, que não consultei Horácio nem Aristóteles, mas fui insensivelmente depós o coração e os sentimentos da Natureza, que não pelos cálculos da arte e operações combinadas do espírito. 292. (U. F. Viçosa/MG) Considere as afirmativas abaixo, relativas ao Simbolismo: I – No plano temático, o Simbolismo foi marcado pelo mistério e pela inquietação mística com problemas transcendentais do homem. No plano formal, caracterizou-se pela musicalidade e certa quebra no ritmo do verso, precursora do verso livre do modernismo. II – O Simbolismo, surgido contemporaneamente ao materialismo cientificista, enquanto atitude de espírito, passou ao largo dos maiores problemas da vida nacional. Já a literatura realista-naturalista acompanhou fielmente os modos de pensar das gerações que fizeram e viveram a Primeira República. III – O Simbolismo, com Cruz e Souza e Alphonsus de Guimarães, nossos maiores poetas do período, legou-nos uma produção poética que se caracterizou pela busca da “arte pela arte”, isto é, uma preocupação com o verso artesanal, friamente moldado. Devido a essa tendência à objetividade na composição, o movimento também se denominou “decadentista”. Assinale a alternativa correta: a) I é falsa; II e II, verdadeiras. b) I e III são falsas; II, verdadeira. c) I é verdadeira; II e III, falsas. d) I, II e III são verdadeiras. e) I e II são verdadeiras; III, falsa. 84 294. (Univali/SC) “EXPLORAÇÃO ESPACIAL Com os avanços tecnológicos desvendamos a natureza dos corpos celestes, mas o mistério das noites estreladas continua. O céu nos fascina. Acreditava-se que era a morada dos deuses, e com isso surgiram lendas e mitos que povoaram o imaginário humano durante séculos. O mundo celeste era estudado somente pela astrologia, e ligado aos rituais mágicos, seu conhecimento pertencia à classe sacerdotal, sendo considerado secreto. Esta ligação com a mitologia pode ser observada através dos atuais nomes dos planetas e estrelas, oriundos das mitologias gregas e romanas.” In: Revista Sapiens, n. 1. Na Literatura, podemos observar, através dos tempos, um constante retorno às origens clássicas. Uma escola, em especial, retomou a mitologia grega como fonte de inspiração para a denominação do movimento. Assinale a alternativa que denomina o período literário, uma de suas características e um de seus autores: a) Arcadismo – adoção de pseudônimos – Olavo Bilac; b) Barroco – presença constante de antíteses – Gregório de Matos; c) Simbolismo – culto do mistério – João da Cruz e Sousa; d) Parnasianismo – perfeição da forma – Raimundo Correia; e) Naturalismo – ênfase nos aspectos mórbidos da natureza humana – Aluísio Azevedo. 295. (UCS) Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas. O Simbolismo inicia como uma reação ao ________ e suas manifestações. A nova estética nega o _________, valorizando, em contrapartida, as manifestações ____________. a) Arcadismo – racionalismo – subjetivas b) Parnasianismo – cientificismo – espirituais c) Modernismo – materialismo – religiosas d) Impressionismo – objetivismo – subjetivas e) Romantismo – subjetivismo – nacionais 296. (Univali/SC) “ANTÍFONA Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas!... Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... Incensos dos turíbulos das aras... Formas de Amor, constelarmente puras, De Virgens e de Santas vaporosas... Brilhos errantes, mádidas frescuras E dolências de lírios e de rosas...” O poema “Antífona”, do poeta Cruz e Sousa, apresenta as seguintes características do movimento simbolista: a) expressões vagas e insólitas; sinestesias; musicalidade. b) subjetivismo; evasão no tempo; ilogismo. c) arte pela arte; preocupação com a forma; rimas ricas. d) objetivismo; espiritualismo; musicalidade. e) iniciais maiúsculas; sugestão; verso livre. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 297. Leia o poema abaixo. “(...) Vozes veladas, veludosas vozes, Volúpias dos violões, vozes veladas, Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. (...)” Este quarteto retirado do poema Violões que choram..., de Cruz e Sousa, permite que se identifiquem algumas características da estética literária a que pertencem. Então, é correto afirmar que: a) o Simbolismo Brasileiro foi marcado por um intenso trabalho com a musicalidade, expressa especialmente pela assonância e pela aliteração. b) a poesia simbolista, no Brasil, deixou-se impregnar pela busca de temas ligados à identidade nacional. c) Cruz e Sousa foi poeta diretamente vinculado a preocupações cientificistas da existência humana. d) no Brasil, o simbolismo serviu de respaldo para uma poesia de extração social, em especial no que tange às classes mais humildes. e) um dos grandes argumentos da poesia simbolista de Cruz e Sousa foi o resgate de uma cultura popular de origem ibérica. 300. (UEGO) A respeito de Clarice Lispector, autora de Laços de Família, entre outras obras é correto afirmar que: ( ) Em Laços de Família, com exceção apenas de “O jantar”, todos os doze contos são narrados em 1ª pessoa do singular. ( ) Suas narrativas são centradas em momentos de vivência interior das personagens — fluxo de consciência — que geralmente não seguem ordem cronológica. ( ) Laços de Família está impregnado de intenção crítica, perceptível à medida que a contista arma seu jogo narrativo no interior do seio familiar burguês, cuja insatisfatória rede de relações subjuga o ser humano, condiciona-o e limita sua liberdade, em troca de valores ilusórios. ( ) Laços de Família é um romance composto de treze capítulos independentes que tematizam os dramas cotidianos vividos pela família. ( ) A tônica existencialista alimenta a progressão das personagens em seu drama particular, explorando a fragilidade do ser ante o compromisso inevitável da vida. Qual a alternativa correta? a) F – V – V – F – V b) V – V – V – F – V c) F – F – V – V – F d) V – F – V – F – F e) F – F – F – V – V 301. (Unifor/CE) Considerando-se as características mais marcantes de prosadores da chamada “geração de 30”, é correto afirmar que: a) os contos e romances de Clarice Lispector e Guimarães Rosa podem ilustrar a valorização dos costumes e da cultura regional. b) o romance Angústia, de Graciliano Ramos, desenvolve tema muito semelhante ao do romance Menino de Engenho, de José Lins do Rego. c) Jorge Amado e José Lins do Rego manifestaram preocupação em caracterizar aspectos culturais, sociais e econômicos de suas respectivas regiões. d) os impulsos da memória pessoal são fundamentais para a construção de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e para a elaboração de Capitães da Areia, de Jorge Amado. e) Graciliano Ramos e Jorge Amado cultivam o mesmo pessimismo em relação ao homem, sobretudo quando se comparam Gabriela, Cravo e Canela e São Bernardo. Autores Modernos 298. (UnB/DF) “Psicanálise do açúcar O açúcar cristal, ou açúcar de usina, mostra a mais instável das brancuras: quem do Recife sabe direito o quanto, e o pouco desse quanto, que ela dura. Sabe o mínimo do pouco que o cristal se estabiliza cristal sobre o açúcar, por cima do fundo antigo, de mascavo, do mascavo barrento que se incuba; e sabe que tudo pode romper o mínimo em que o cristal é capaz de censura: pois o tal fundo mascavo logo aflora quer inverno ou verão mele o açúcar.” MELO NETO, João Cabral de. Obras completas. Julgue os itens que se seguem, relativos ao poema acima. ( ) A partir do poema, pode-se associar o processamento da cana, em especial o branqueamento do açúcar, à tendência de mascaramento da natureza humana por imposições sociais. ( ) a partir do verso 5, o poeta utiliza os vocábulos “cristal” e “mascavo” para denotar, respectivamente, as etnias branca e negra que trabalham na lavoura açucareira, valorizando o segmento simbolizado pelo cristal. ( ) Contrariando a tradição modernista, mais especificamente cabralina, esse poema lírico apresenta um esquema regular e constante de sílabas e rimas. ( ) Em “o cristal é capaz de censura” (v.10), verifica-se que esse poema apresenta traços do Surrealismo, terceira fase do Modernismo literário brasileiro. Qual a alternativa correta? a) V – F – F – F b) V – V – V – F c) F – F – V – V d) V – F – V – F e) F – F – F – V 299. (UEMS) A respeito do romance São Bernardo, de Graciliano Ramos, é correto afirmar que: a) Escrito em terceira pessoa, este romance se prende à análise do mundo exterior. b) Produzido na primeira fase do Modernismo, é um dos pontos altos de nossa literatura. c) Em São Bernardo, livro de estréia de Graciliano Ramos, a nota de regionalismo encontra-se em primeiro plano. d) São Bernardo representa um mergulho do escritor na alma humana com o propósito de desvendá-la. e) A obra inaugurou a tendência regionalista na década de 20. 302. Os engenhos de cana-de-açúcar nordestinos, ou sobre a influência da economia cacaueira na vida das pessoas, ou sobre a atuação política dos velhos coronéis e dos cangaceiros, tais informações podem ser colhidas na fase de nossa literatura reconhecida como a: a) da geração de 45. b) do romance de 30. c) do regionalismo naturalista. d) do regionalismo romântico. e) da literatura dos viajantes. 303. (UFSE) Referindo-se à “geração de 30”; um crítico considera: “A prosa de ficção encaminhada para o ‘realismo bruto’ de Jorge Amado, de José Lins do Rego, de Érico Veríssimo e, em parte, de Graciliano Ramos, beneficiou-se amplamente da ‘descida’ à linguagem oral, aos brasileirismos léxicos, e sintáticos, que a prosa modernista tinha preparado.” De acordo com essa consideração, é correto afirmar que: a) Rubem Fonseca e Clarice Lispector são autores diretamente influenciados por Macunaíma e Memórias Sentimentais de João Miramar. b) os romances do “ciclo da cana-de-açúcar” e do “ciclo do cacau” devem algo de sua linguagem a conquistas do Modernismo. c) as realidades regionais do país tornaram-se temas literários somente a partir de Menino de Engenho e Gabriela, Cravo e Canela. d) as obras de Monteiro Lobato e de Lima Barreto refletem as opções estéticas trabalhadas por Mário de Andrade e Oswald de Andrade. e) os romances que tratam da vida violenta dos marginalizados nas grandes cidades constituíram a principal linha de trabalho dos prosadores modernistas de 22. Sistema MSA de Ensino 85 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 304. (Uneb/BA) “Sinhá Vitória tinha amanhecido nos seus azeites. Fora de propósito, dissera ao marido umas inconveniências a respeito da cama de varas. Fabiano, que não esperava semelhante desatino, apenas grunhira: — ‘Hum! hum!’ E amunhecara, porque realmente mulher é bicho difícil de entender, deitara-se na rede e pegara no sono. Sinhá Vitória andara para cima e para baixo, procurando em que desabafar. Como achasse tudo em ordem, queixara-se da vida. E agora vingava-se em Baleia, dando-lhe um pontapé.” RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 18. ed. São Paulo: Martins, 1967. p. 48. Inserindo-se o fragmento no contexto do romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é correto afirmar: a) Sinhá Vitória possui desejos de consumo que traduzem a ânsia de acumular posses. b) O grunhido de Fabiano é revelador da sua dificuldade para se comunicar através da linguagem verbal. c) A cadela Baleia é considerada, pela família, tão-somente como um animal de estimação. d) A narrativa prende-se, sobretudo, à discussão de problemas que se esgotam no regional. e) Fabiano e Sinhá Vitória não se adaptam ao meio rural, por isso desejam o convívio com as pessoas na cidade. 308. (UFMA) Sejam as estrofes finais do poema “Aniversário”, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa: 305. (Unifor/CE) Considere as seguintes preocupações de um romancista: I – Narrar uma história de modo a entrelaçar o destino das personagens com as específicas condições culturais, sociais e econômicas da região em que vivem. II – Nos diálogos, buscar ser fiel à linguagem oral das personagens, por mais rudes que sejam. III – Nas descrições, acentuar a importância que têm os elementos da natureza para o modo de vida das personagens. Nos casos de Fogo Morto e Menino de Engenho, constituíram preocupações de seu autor: a) II, somente. b) I e II, somente. c) I e III, somente. d) II e III somente. e) I, II e III. Ao longo desses versos, o poeta contrapõe o passado ao presente, sugerindo que: a) a nitidez do presente impede a visão do passado distante, perdido na infância. b) no tempo em que festejavam seu aniversário, as tias e os primos escondiam a festa “debaixo do alçado”. c) o coração pare no presente para que só o pensamento, único móvel para a felicidade, continue a pulsar. d) a inocência perdida no passado possa ser reavivada no presente solitário da fase adulta do poeta. e) os dias do presente sejam somados àquela infância melancólica, marcada pela sombra. 306. (Unifor/CE) “Em sua obra, um tema praticamente permanente é a crise da subjetividade. Esta crise se manifesta com tamanha gravidade que o próprio ato de narrar ameaça ser impossível. Não admira, pois, que em alguns de seus romances a velha noção de enredo já não é absoluta: às vezes importa mais a metáfora estranha, a entrega aos livres pensamentos, a crise existencial que não está apenas nas personagens, mas no próprio narrador.” O trecho acima está levantando algumas características que se encontram presentes em: a) Grande Sertão: Veredas. b) A Hora da Estrela. c) Fogo Morto. d) A Estrela Sobe. e) O Tempo e o Vento. 307. (UFSE) “Epigrama nº 10 A minha vida se resume, desconhecida e transitória, em contornar teu pensamento, sem levar dessa trajetória nem esse prêmio de perfume que as flores concedem ao vento.” No poema acima de Cecília Meireles, o tema, muito característico da autora, é: a) a transitoriedade da vida e o desejo de evasão; as estrofes são regulares, com versos livres. b) a transitoriedade e a inconseqüência da vida: as estrofes são regulares, com versos livres. c) o desejo de evasão e de utopia; os versos são redondilhas maiores, brancos. d) o desejo de evasão e de utopia; os versos são octossílabos rimados. e) a transitoriedade e a inconseqüência da vida; os versos são octossílabos rimados. 86 “(...) Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na louça, com mais copos, O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado —, As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos... Pára, meu coração! Não penses! Deixa o pensar na cabeça! Hoje já não faço anos. Duro. Somam-se-me dias. Serei velho quando o for. Mais nada. Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!... O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...” 309. (U. Uberaba/MG) Considere as seguintes afirmações sobre a literatura brasileira no século XX: I – O interesse pela paisagem nacional e pelos temas ligados ao cotidiano, o verso livre e a linguagem coloquial são procedimentos comuns à poesia dos modernistas. II – A Semana de Arte Moderna foi uma reação aos ataques de poetas parnasianos que consideravam a obra dos primeiros poetas modernistas um tanto incipiente. III – Definem a poética de João Cabral de Melo Neto: a elaboração de uma linguagem concisa, elíptica, de acentuada economia de meios e a preocupação de fazer da imagem o núcleo do poema. Está correto o que se afirma: a) apenas em I. b) apenas em I e III. c) apenas em I e II. d) Em I, II e III. 310. (U. Uberaba/MG) Leia as assertivas que se seguem e faça o que se pede. I – Lucíola, de José de Alencar, é uma narrativa em que predomina o enredo do amor, apesar de existirem preocupações de ordem social. II – Dom Casmurro, de Machado de Assis, é uma narrativa voltada para os acontecimentos exteriores, privilegiando, assim, o tempo cronológico. III – O narrador, em Vidas secas, de Graciliano Ramos, está na terceira pessoa, distante dos fatos narrados por ser aquele que somente organiza a história, apresentando-a ao leitor. IV – Na obra Libertinagem, Manuel Bandeira alcança, com desenvoltura, o ideal poético preconizado pela poesia moderna: lirismo esfusiante e libertação do verso clássico. V – Na poesia de Carlos Drummond de Andrade a preocupação social abrange o regional, o nacional e o universal. Assinale a alternativa que contém as alternativas corretas. a) I, II, III e V. b) I, III, IV e V. c) II, III, IV e V. d) I, II, III e IV. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 311. (U. F. Uberlândia/MG) Muitos autores brasileiros do Modernismo foram influenciados pelas vanguardas artísticas européias, as hoje chamadas vanguardas históricas. Leia o texto abaixo e indique a que vanguarda ele se filia. “O pastor pianista Soltaram os pianos na planície deserta Onde as sombras dos pássaros vêm beber. Eu sou o pastor pianista, Vejo ao longe com alegria meus pianos Recortarem os vultos monumentais Contra a lua. Acompanhado pelas rosas migradoras Apascento os pianos que gritam E transmitem o antigo clamor do homem.” Murilo Mendes. a) Surrealismo. b) Futurismo. c) Cubismo. d) Dadaísmo. e) Simbolismo a) Graça Aranha / Graciliano Ramos / Pré-Modernismo b) Euclides da Cunha / Monteiro Lobato / Pré-Modernismo c) Monteiro Lobato / Simões Lopes Neto / Naturalismo d) Graciliano Ramos / Euclides da Cunha / Naturalismo e) Simões Lopes Neto / Graça Aranha / Regionalismo 316. (PUCRS) A produção poética da transição do século XIX para o XX evidencia duas tendências principais: uma que rejeita formalmente o Romantismo, outra que busca a genuína expressão poética. Registra-se, ainda, na época, o caso isolado do poeta _________, cuja reduzida produção caracteriza-se pela linguagem __________ e, ao mesmo tempo, ___________. a) Alphonsus de Guimaraens / subjetiva / plástica b) Augusto dos Anjos / cientificista / corrosiva c) Eduardo Guimaraens / erudita / sugestiva d) Augusto dos Anjos / impressionista / sonora e) Alphonsus de Guimaraens / cientificista / grotesca 312. (Cefet/RJ) Assinale a opção falsa. Em Guimarães Rosa, autor pós-modernista, a) a criatividade acaba por submeter-se à tirania da gramática e dos dicionários dos outros, ainda que isso provoque mutilações irreversíveis. b) o sertão aparece como uma forma de aprendizado sobre a vida, sobre a existência, não apenas do sertanejo, mas do homem. “O sertão é o mundo.” c) a linguagem é a verdadeira matéria e, ainda que calcada em aspectos do falar sertanejo, mistura-se à pesquisa erudita, à exploração sonora, sintática e semântica do português. d) o folclórico, o pitoresco e o documental cedem lugar a sua maneira nova de repensar as dimensões da cultura. e) o sertão não se restringe aos limites geográficos brasileiros, ainda que dele extraia a sua matéria-prima. 313. (F. M. Triângulo Mineiro/MG) Leia os versos a seguir para responder à questão. “Multipliquei-me, para me sentir, Para me sentir, precisei sentir tudo, Transbordei-me, não fiz senão extravasar-me.” Nos versos acima, o poeta expressa a sua necessidade de conhecer o universo além da contingência individual. Para isso, ele recorreu aos heterônimos e desdobrou-se em personalidades. Trata-se de: a) Fernando Pessoa. b) Luís Vaz de Camões. c) Camilo Castelo Branco. d) Alexandre Herculano. e) Eça de Queirós. 314. (Cefet/RJ) “A caatinga estende-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos. — Anda, excomungado. O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde.” RAMOS, Gracialiano. Vidas secas. São Paulo: Livraria Martins, 16ª ed. p. 3. Considerando o romance Vidas secas, de Graciliano Ramos, é falso afirmar que: a) o seu regionalismo é crítico, indo além do neo-realismo, que caracterizou a segunda fase modernista. b) o “herói” é sempre um problema: não aceita o mundo, nem os outros, nem a si mesmo. c) a natureza interessa ao romancista só enquanto propõe o momento da realidade hostil. d) o autor abre ao leitor o universo mental esgarçado e pobre de um homem e sua família, tangidos pela seca e opressão dos que podem mandar: o “dono” e o “soldado amarelo”. e) o narrador, ao apresentar-se na 1ª pessoa do discurso, parece ter sumido por trás das criaturas, mas na verdade apenas deslocou o eu para a natureza e para o latifúndio. 315. (UCS) Lima Barreto, ............. e .......... apontam para uma renovação da Literatura Brasileira, que se convencionou chamar de ............ , numa época em que os estilos passadistas ainda tentavam se impor. 317. (PUCRS) Associar a “Consciência Humana” à imagem de um “morcego”, assim como fazer poesia sobre o “verme”, ou afirmar que o homem, por viver “entre as feras”, também sente necessidade “de ser fera” são algumas das imagens poéticas de ________. Apesar das críticas contundentes de que foi alvo, o poeta, muito distante da obsessão _________ pela forma, ou da sugestão das imagens __________, já revelava, a seu tempo, elementos de modernidade. a) Cruz e Sousa / simbolista / parnasianas b) Augusto dos Anjos / parnasiana / simbolistas c) Alphonsus Guimaraens / parnasiana / realistas d) Cruz e Sousa / romântica / parnasianas e) Augusto dos Anjos / simbolista / parnasianas 318. (PUCRS) INSTRUÇÃO: Para responder à questão, enumerar a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando as idéias, expressões, autores e obras ao que convencionou denominar de PréModernismo e Geração de 22. 1. Pré-Modernismo 2. Geração de 22 ( ) Oswaldo de Andrade ( ) Lima Barreto ( ) Mario de Andrade ( ) Os Sertões ( ) fragmentação da narrativa ( ) ruptura com a tradição ( ) ecletismo ( ) irreverência A seqüência correta, de cima para baixo, é a da alternativa: a) 2 – 2 – 2 – 1 – 1 – 1 – 1 – 2. b) 2 – 1 – 2 – 1 – 2 – 2 – 1 – 2. c) 2 – 1 – 2 – 2 – 1 – 2 – 2 – 2. d) 1 – 1 – 1 – 1 – 2 – 2 – 1 – 2. e) 1 – 1 – 2 – 1 – 2 – 2 – 1 – 1. 319. (UEPA) “O que é bossa nova? Bossa nova é mais solidão de uma rua de Ipanema do que a agitação comercial de Copacabana […] é mais um olhar do que um beijo; mais uma ternura que uma paixão. Bossa nova é o novo segredo da mocidade.” Vinícius de Morais. Não obstante as palavras do poeta, a Bossa Nova também representou: a) um novo modo de apresentar o samba, criticado pela imprensa e por intelectuais brasileiros, quando do seu lançamento oficial nos Estados Unidos da América do Norte, no início da década de 60, por considerá-lo alienante em relação a realidade brasileira. b) um movimento musical ligado a música pop, vinculado desde o início à televisão e a um projeto publicitário de marketing, que fabricou vários de seus ídolos, onde se destacaram João Gilberto e Tom Jobim. c) um novo estilo musical criado no Rio de Janeiro, reunindo técnicas típicas da música brasileira e o jazz norte-americano, sendo a seu modo libertário, mas criticado especialmente após 64 por compositores e militantes de esquerda de que ela deveria ser uma “música participante”. d) uma nova maneira de apresentar o samba brasileiro, de modo a enfrentar o regime militar implantado desde 1964, fazendo críticas à realidade nacional através de letras extremamente simples e que eram facilmente assimiladas pela população. e) um estilo musical surgido na década de 70, fazendo críticas às músicas de protesto em moda na época, em função do estado de ditadura em vigor no país, utilizando-se de referenciais considerados “rebeldia sem causa aparente”. Sistema MSA de Ensino 87 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 320. (Unifor/CE) Considere as seguintes afirmações sobre Graciliano Ramos e sua obra: I – Este autor é um representante da “geração de 30” não apenas por razões cronológicas: seus romances têm o traço realista e a ambientação regional que definem a ficção da segunda fase modernista. II – Caetés, sua obra-prima, é fruto do amadurecimento de quem já criara personagens como Fabiano e Paulo Honório. III – Não é à toa que João Cabral homenageou, num poema, a este grande conterrâneo seu: a literatura de ambos norteia-se pelo lirismo sentimental e pela força de uma retórica quase incontrolável. Está correto SOMENTE o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. b) valoriza o fluxo da consciência nos textos em prosa. c) dá maior destaque à poesia em detrimento da prosa. d) inclina-se para o experimentalismo da linguagem. e) apresenta uma prosa cuja temática predominante é o Brasil. 325. (UFSM) Considere a afirmativa: Poeta e prosador, destacou-se em importante período da literatura brasileira, intervindo com inquietude e gerando polêmica, como aconteceu no lançamento do Manifesto Antropófago. Assinale autor e movimento relacionados com a afirmativa. a) Mário de Andrade – Modernismo. b) Ferreira Gullar – Concretismo. c) Caetano Velloso – Tropicalismo. d) Oswald de Andrade – Modernismo. e) Chico Buarque – Tropicalismo. 326. (Ceetps/SP) Texto para a questão abaixo. 321. (UFPE) “Irmão… é uma palavra boa e amiga. Se acostumaram a chamá-la de irmã. Ela também os trata de mano, de irmão. Para os menores é como uma mãezinha. Cuida deles. Para os mais velhos é como uma irmã que brinca inocentemente com eles e com eles passa os perigos da vida aventurosa que levam. Mas nenhum sabe que para Pedro Bala, ela é a noiva. Nem mesmo o Professor sabe. E dentro do seu coração Professor também a chama de noiva.” AMADO, Jorge. Capitães de Areia. Considerando a obra e o autor do texto, assinale a alternativa incorreta. a) O autor faz parte do romance regional de 30, quando se aprofundaram as radicalizações políticas na realidade brasileira. b) Jorge Amado representa a Bahia, “descobrindo” mazelas, violências e identificando grupos marginalizados e revolucionários em Capitães da Areia. c) Dora, Pedro Bala e Professor são alguns dos personagens da narrativa, que aborda a dramática vida dos camponeses das fazendas de cacau no sul da Bahia. d) O tom da narrativa aproxima-se do naturalismo, alternando trechos de lirismo e crueza. O nível de linguagem é coloquial e popular. e) Capitães da Areia pertence à primeira fase da produção de Jorge Amado, quando era notório seu engajamento com a política de esquerda. Daí o esquematismo psicológico: o mundo dividido em heróis (o povo) e bandidos (a burguesia). “Nosso Tempo (fragmento) Este é tempo de partido, tempo de homens partidos. Em vão percorremos volumes, viajamos e nos colorimos. A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua. Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra. Visito os fatos, não te encontro. Onde te ocultas, precária síntese, penhor de meu sono, luz dormindo acesa na varanda? Miúdas certezas de empréstimo, nenhum beijo sobe ao ombro para contar-me a cidade dos homens completos. Calo-me, espero, decifro. As coisas talvez melhorem. São tão fortes as coisas! Mas eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, São roucas e duras, irritadas, enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir.” Carlos Drummond de Andrade. 322. (PUCRS) INSTRUÇÃO: Para responder à questão abaixo, ler o poema de Oswald de Andrade que segue. Assinale a alternativa correta com relação ao texto. a) No trecho “nenhum beijo/sobe ao ombro para contar-me” está contida a causa maior para a revolta do poema: solidão. b) O poema é altamente negativo, faltando-lhe o sentimento de esperança, revelando os conflitos da vida do poeta. c) O poema, por meio de frases curtas e negações, acaba por expressar o sentimento de incompletude e angústia do homem moderno, frente à existência. d) O poeta quer comunicar-se e não consegue, pois lhe faltam palavras. e) O poeta se ressente de não ter a força das coisas, tendo apenas vontade de explodir. “O Cruzeiro Primeiro farol de minha terra Tão alto que parece construído no céu Cruz imperfeita Que marcas o calor das florestas E os discursos de 22 câmaras de deputados Silêncio sobre o mar do Equador Perto de Alfa e de Beta Perdão dos analfabetos que contam casos Acaso” Um dos motivos pelos quais o poema se identifica com a proposta modernista é: a) a utilização da paródia. b) a rigorosa metrificação. c) a valorização da objetividade. d) a expressão através da musicalidade. e) o emprego do verso livre. 323. (U. F. Rio Grande) O Modernismo Brasileiro, através de seus autores mais representativos na Semana de Arte Moderna, propôs: a) o apego às normas clássicas oriundas do neoclassicismo mineiro. b) a ruptura com as vanguardas européias, tais como o futurismo e o dadaísmo. c) uma literatura que investisse na idealização da figura indígena como ancestral do brasileiro. d) a focalização do mundo numa perspectiva apenas psicanalítica. e) a literatura como espaço privilegiado para a expressão dos falares brasileiros. 327. (Fuvest) “Chega! Meus olhos brasileiros se fecham saudosos. Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’. Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? Eu tão esquecido de minha terra… Ai terra que tem palmeiras onde canta o sabiá!” ANDRADE, Carlos Drummond de. “Europa, França e Bahia”, Alguma poesia. Neste excerto, a citação e a presença de trechos … constituem um caso de …… . Os espaços pontilhados da frase acima deverão ser preenchidos, respectivamente, com o que está em: a) do famoso poema de Álvares de Azevedo / discurso indireto. b) da conhecida canção de Noel Rosa / paródia. c) do célebre poema de Gonçalves Dias / intertextualidade. d) da célebre composição de Villa-Lobos / ironia. e) do famoso poema de Mário de Andrade / metalinguagem. 324. (PUCRS) A segunda fase do Modernismo brasileiro a) rompe com os limites entre prosa e poesia. 88 Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 328. (Fatec/SP) Texto para a questão abaixo: 333. (Fuvest) “Música Uma coisa triste no fundo da sala. Me disseram que era Chopin. A mulher de braços redondos que nem coxas martelava na dentadura dura sob o lustre complacente. Eu considerei as contas que era preciso pagar, os passos que era preciso dar, as dificuldades… Enquadrei o Chopin na minha tristeza e na dentadura amarela e preta meus cuidados voaram como borboletas.” ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma Poesia. “Decerto a gente daqui jamais envelhece aos trinta nem sabe da morte em vida, vida em morte, severina” NETO, João Cabral de Melo. Morte e vida severina. As marcas modernistas mais acentuadas no poema são: a) alusão ao compositor Chopin, como forma de recuperar valores subjetivos da estética romântica. b) crítica aos procedimentos parnasianos, por meio de imagens que remetem ao corpo. c) marcas do fluxo da consciência, que tornam o texto relativamente hermético. d) uso da primeira pessoa, como forma de realçar a objetividade da poesia e da dor. e) emprego de construções da linguagem coloquial, versos livres e imagens inusitadas. 329. (FEI/SP) Manuel Bandeira é um importante poeta: a) realista. b) barroco. c) romântico. d) modernista. e) árcade. 330. (PUC/SP) Libertinagem, uma das obras mais expressivas de Manuel Bandeira, apresenta temática variada. Indique a alternativa em que não há correspondência entre o tema e o poema. a) cotidiano – “Poema tirado de uma notícia de jornal”. b) recordações da infância – “Profundamente”. c) teor metalingüístico – “Poética”. d) evasão e exílio – “Vou-me embora pra Pasárgada”. e) amor erótico – “Irene no céu”. 331. (PUC/SP) “Assim eu quereria o meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.” No poema acima, de Manuel Bandeira, a liberdade de forma se dá a) pela linguagem simples, por certo coloquialismo e pela presença de versos brancos e livres. b) pela rigorosa seleção vocabular e pela ordem das palavras que dificultam o entendimento do texto. c) pelas comparações e metáforas que traduzem sentimentos opostos e conflitantes. d) pelo desejo expresso de escrever um poema sobre a beleza das flores sem perfume. e) pelo uso da metalinguagem que introduz uma reflexão sobre o ato de escrever. Neste excerto, a personagem do “retirante” exprime uma concepção da “morte e vida severina”, idéia central da obra, que aparece em seu próprio título. Tal como foi expressa no excerto, essa concepção só não encontra correspondência em: a) “morre gente que nem vivia”. b) “meu próprio enterro eu seguia”. c) “o enterro espera na porta: o morto ainda está com vida”. d) “vêm é seguindo seu próprio enterro”. e) “essa foi morte morrida ou foi matada?”. 334. (UFF/RJ) Sobre autores de nossa literatura e aspectos de sua obra é INCORRETO afirmar: a) Mário de Andrade, escritor do Modernismo, foi um pesquisador incessante das variadas manifestações da cultura brasileira e, por seu espírito crítico, exerceu influência decisiva na renovação de nossa literatura. Estudou e escreveu também sobre folclore, música e pintura. b) Machado de Assis, importante escritor nascido no século XIX, produziu uma obra rica em gêneros literários, destacando-se principalmente no conto e no romance, com seu poder de análise da psicologia humana. Destacam-se entre seus contos: A Missa do Galo, A Cartomante, Uns Braços. c) José de Alencar foi um escritor do século XIX, cuja vasta obra inclui romances nas linhas regionalista, urbana, indianista e histórica, além de numerosos textos sobre as relações entre a língua e a literatura nacional. d) Álvares de Azevedo foi um poeta romântico que se destacou sobretudo na temática indianista. Exaltou principalmente o sentimento de honra e a valentia do índio. Escreveu alguns dos poemas mais conhecidos de nossa literatura, tais como: Lira dos Vinte Anos, Macário, Marabá, O Canto do Guerreiro. e) Guimarães Rosa, importante escritor do século XX, foi um inovador em termos de linguagem. Utilizou-se de vários processos para elaborar seu texto, tais como: criação de palavras, exploração de aspectos sonoros, adaptação estética do linguajar regionalista pleno de arcaísmos. De sua obra, que expressa uma profunda visão dos problemas humanos, podem-se citar Grande sertão: veredas, Sagarana, Primeiras Estórias. 335. (U. F. Uberlândia/MG) “Ah, o mundo é quanto nós trazemos. Existe tudo porque existo”. Fernando Pessoa. “Da minha pessoa de dentro não tenho noção de realidade. Sei que o mundo existe, mas não sei se existo”. Alberto Caeiro. Lendo comparativamente os dois fragmentos, e considerando a proposta poética pessoana, pode-se afirmar que: a) Tanto em Alberto Caeiro como em Fernando Pessoa “ele-mesmo”, o eu é sempre uma identidade “fingida”. b) Há uma espécie de neo-romantismo em Fernando Pessoa, devido ao centramento no eu. c) Observa-se uma permanência do naturalismo do século XIX, devido ao naturismo de Caeiro. d) Em ambos, observa-se uma mesma relação entre o eu e o mundo. 332. (Fatec/SP) Sobre a poesia de João Cabral de Melo Neto, é correto afirmar que ela a) se caracteriza por procedimentos subjetivos em que a vivência nordestina se destaca. b) apresenta certos aspectos de construção que põem em evidência os substantivos concretos. c) evidencia o experimentalismo constante, próprio da primeira geração modernista. d) revela um tom regionalista que jamais conseguiu superar. e) manifesta um caráter místico, próprio de outro poeta de sua geração: Jorge de Lima. Sistema MSA de Ensino 89 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 336. (U. F. Juiz de Fora/MG) Leia os seguintes fragmentos de poesia: Texto 1 “O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente” Fernando Pessoa. Texto 2 “Sou um guardador de rebanhos. O rebanho é os meus pensamentos. E o meus pensamentos são todos sensações.” Alberto Caeiro. Texto 3 “Severo aguarda o fim que pouco tarda. Que é qualquer vida? Breve sóis e sono.” Ricardo Reis. Texto 4 “Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime! Ser completo como uma máquina! Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!” Álvaro de Campos. A partir dos fragmentos acima, assinale a única alternativa INCORRETA: a) a teoria do fingimento é a base da proposta poética tanto de Fernando Pessoa ele-mesmo quanto dos seus heterônimos; b) Alberto Caeiro assume uma fingida postura de pastor de ovelhas para sentir a natureza; c) Ricardo Reis tem sempre uma postura reflexiva diante da vida e da arte; d) Álvaro de Campos, influenciado pelo futurismo, dedicou toda sua poesia ao elogio do mundo moderno. 337. (U. F. Viçosa/MG) Sobre a construção dos personagens do romance Vidas Secas, é INCORRETO afirmar que: a) o “herói” personagem é sempre um problema: retirante, não aceita o mundo, nem a si mesmo, em sua dura realidade. b) no drama dos retirantes, Graciliano interessa-se pela investigação do aspecto social, da hostilidade da terra nordestina, ignorando o aspecto psicológico de seus personagens. c) Graciliano apresenta seus personagens com uma visão fatalista, de total negação e destruição, enfim, de anulação do homem, num mundo sem amor. d) na narrativa, todos os personagens representam, realmente, “vidas secas”: mostradas em linguagem sóbria, racional, lúcida, exprimem a visão de um mundo árido e sombrio. e) o autor constrói seus personagens como figuras humanas animalizadas, vítimas de um ambiente de desencanto e indiferença, de uma terra áspera, dura e cruel. 338. (U. F. Viçosa/MG) A respeito de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, somente NÃO podemos afirmar que: a) os personagens, Fabiano, Sinhá Vitória e os filhos, são convertidos em criaturas brutalizadas, numa sugestão de que a dureza do solo nordestino aproxima a vida humana da vida animal. b) embora composta de pequenas narrativas isoladas, a obra mantém a estrutura de um romance pela presença quase constante de seus personagens e por uma sucessão temporal. c) a obra insere-se no chamado romance de 30 por uma total fidelidade aos experimentalismos lingüísticos da fase heróica do movimento modernista. d) o retirante Fabiano, incapaz de verbalizar seus próprios pensamentos, expressa-se, quase sempre, através do discurso indireto livre de um narrador onisciente. e) a narrativa denuncia o flagelo do sertão nordestino, onde o homem, fundindo-se ao seu meio, é arrastado por um destino adverso e inútil. 339. (U. Uberaba/MG) O fragmento a seguir, embora breve, permite perceber algumas características importantes do romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Com base no seu conhecimento do livro como um todo e na leitura atenta do fragmento, assinale a alternativa INCORRETA: “Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o papagaio. Coitado, morrera na areia do rio, onde haviam descansado, à beira de uma poça: a fome apertara demais os retirantes e por ali não havia sinal de comida, (…) Sinhá Vitória, queimando o assento no chão, as 90 mãos cruzadas segurando os joelhos ossudos, pensava em acontecimentos antigos que não se relacionavam: festas de casamento, vaquejadas, novenas, tudo numa confusão.” a) O fragmento permite observar que, neste romance, o plano social articula-se com o plano psicológico. b) No texto há expressões que colocam num mesmo grupo homens e animais. c) Por este fragmento percebe-se que o que aproxima homens e animais é a fome e a miséria. d) O texto registra o momento em que Sinhá Vitória, penalizada com a morte do papagaio, por quem nutria um grande afeto, entra num estado de devaneio confuso, de verdadeiro caos mental. 340. (Univali/SC) “Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive”. Manuel Bandeira. O poema acima pertence à 1ª fase do Modernismo, cujas características encontram-se: I – No tom coloquial, sem rima, e na ausência de pontuação. II – Na mulher idealizada, na ânsia de viver a vida intensamente, na fuga da realidade. III – No fluxo de consciência, na métrica imperfeita e na valorização do sentimento amoroso. Estão corretas: a) apenas I. b) apenas II. c) apenas III. d) as afirmativas I e II. e) as afirmativas II e III. 341. (Fempar) A obra de Graciliano Ramos pode ser identificada como pertencente à 2ª fase do Modernismo, pois: I – explora a tendência do romance de 30 de focalizar problemas sociais, criticando a exploração que leva às diferenças sociais. II – insere-se na perspectiva regionalista ao ambientar-se no Nordeste brasileiro e procurar desvendar a realidade de nossa sociedade. III – serve-se de valores realistas e naturalistas – neo-realismo e neonaturalismo – ao fazer também da obra um palco para a discussão de questões ideológicas. IV – realiza uma abordagem de tensão crítica em que o herói se encontra angustiado e em conflito com a sociedade e com seu íntimo, numa sondagem da criatura humana na vertente intimista. Estão corretas as afirmativas: a) I e III apenas. b) II e IV apenas. c) II, III e IV apenas. d) I, II, III e IV. e) I, III e IV apenas. 342. (PUC/PR) São características do Modernismo brasileiro nos anos 20, exceto: a) interesse em “descobrir o Brasil”, levando os escritores a realizarem viagens pelo interior do país. b) ímpeto iconoclasta, representado pela tendência à escrita de “poemas-piada”. c) ruptura com outras artes, no intuito de reivindicar total autonomia para a linguagem literária. d) as propostas de renovação da linguagem embasaram-se em teorias elaboradas pelas “vanguardas européias”. e) influência de um estilo de vida cultural europeu, resultando na formação de grupos unidos em torno da publicação de revistas e manifestos. Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 343. (UFRN) No último parágrafo de Famigerado, de Guimarães Rosa, o personagem Damázio faz a seguinte reflexão: “Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!” Considerando os indícios presentes nessa fala, assinale a opção correspondente à temática desenvolvida no conto em questão. a) O senso de justiça e a rudeza dos costumes. b) O conhecimento lingüístico e as relações de poder. c) A religiosidade na sabedoria do homem sertanejo. d) A expressão do humor na cultura popular. 344. (UFRN) “Nem mãe nem pai acharam logo a maravilha, repentina. Mas Tiantônia. Parece que foi de manhã. Nhinhinha, só sentada olhando o nada diante das pessoas: — ‘Eu queria o sapo vir aqui’. Se bem a ouviram, pensaram fosse um patranhar, o de seus disparates, de sempre. Tiantônia, por vezo, acenou-lhe com o dedo. Mas, aí, reto, aos pulinhos, o ser entrava na sala, para aos pés de Nhinhinha, — e não o sapo de papo, mas bela rã brejeira, vinda do verduroso, a rã verdíssima. Visita dessas jamais acontecera. E ela riu: — ‘Está trabalhando um feitiço…’ Os outros se pasmaram; silenciaram demais.” ROSA, Guimarães. Fragmento de “A menina de lá”. Levando em consideração o modo de o narrador contar a história, é legítimo afirmar que: a) a menina é encorajada pela família a fazer disparates. b) o pai e a mãe não se surpreendem com os atos da filha. c) Nhinhinha transforma o sapo em bela rã brejeira. d) Tiantônia reconhece os poderes de Nhinhinha. 345. (Unifor/CE) “E eu fui vendo logo que os animais dele não prestavam. O matungo, p’ra se deitar, ajoelhava que nem vaca, e a modo e coisa que era cego de um olho. Mas eu entendi que ele não era cego nenhuns-nada: era uma pelinha que tinha crescido tapando a vista — que, até, depois, seu Raymundo boticário tirou p’ra mim… O pica-pau parecia que não ia durar mais muito tempo vivo… Tinha sinal de duas sangraduras… Mau, mau!” Há suficientes elementos no trecho acima para reconhecê-lo como pertencente a: a) um poema em prosa de Murilo Mendes. b) um romance indianista de José de Alencar. c) uma narrativa de Guimarães Rosa. d) um conto típico de Dalton Trevisan. e) um ensaio de Euclides da Cunha. 346. (UFSE) “Sou remediado lavrador, isto é — de pobre não me sujo, de rico não me emporcalho. Defesa e acautelamento é que não me falecem, nesta fazenda Santa-Cruz-da-Onça, de hospitalidades; minha. Aqui é um recanto. Por moleza do calor era que eu ficava a observar. Nesse dia, nada vezes nada. De enfastiado e sem-graça, é que eu comia demais. Do almoço, empós, me remitia, em rede, em quarto.” O texto acima pertence a um conto que, pelo trabalho com a linguagem e pelo espaço da ação, pode ser identificado como um trecho de: a) Raul Pompéia, narrado em primeira pessoa, na qual o autor traça um momento de sua autobiografia. b) Guimarães Rosa, narrado em terceira pessoa, explorando um cenário que não costuma representar. c) Guimarães Rosa, narrado em primeira pessoa, focando o universo cultural que mais lhe interessou. d) Dalton Trevisan, narrado em primeira pessoa, explorando o cenário que costuma representar. e) Dalton Trevisan, narrado em terceira pessoa, focando um universo cultural que pouco explorou. 347. (UFPE) “— Severino retirante, Deixe agora que lhe diga: Eu não sei bem a resposta Da pergunta que fazia Se não vale mais saltar Fora da ponte e da vida: Nem conheço essa resposta, Se quer mesmo que lhe diga; Ainda mais quando ela é Esta que vê, severina; Mas se responder não pude à pergunta que fazia, Ela, a vida, a respondeu Com sua presença viva.” João Cabral de Melo Neto Sobre o poema de João Cabral, assinale a alternativa incorreta. a) Escrito em versos, é um auto de Natal nordestino e tem como personagem principal, Severino, um favelado recifense, que quer saltar “fora da ponte e da vida”. b) Os versos transcritos representam a voz de outro personagem (seu José, o mestre Carpina), que dá a Severino alguma esperança. c) “A vida a respondeu com sua presença viva” é alusão ao filho recém-nascido de seu José. d) A expressão severina (formada por derivação imprópria) significa aqui, anônimo, igual aos demais, e realça a linguagem despojada do texto. e) A poesia de Cabral é engajada com o seu meio, embora contida, chegando a demonstrar desprezo pela confissão sentimental. 348. (U. Salvador/BA) “Os vazios do homem não sentem ao nada do vazio qualquer: do casaco vazio, do da saca vazia (que não ficam de pé quando vazios, ou o homem com vazios); os vazios do homem sentem a um cheio de uma coisa que inchasse já inchada; ou ao que deve sentir, quando cheia, uma saca: todavia não, qualquer saca. Os vazios do homem, esse vazio cheio, não sentem ao que uma saca de tijolos, uma saca de rebites; nem têm o pulso que bate numa de sementes, de ovos.” João Cabral de Melo Neto Considerando o estilo de João Cabral de Melo Neto, marque V para as características presentes no texto e F, para as demais. ( ) Lirismo sentimental. ( ) Denúncia social em tom eloqüente. ( ) Temática universalizante. ( ) Linguagem marcada pela concisão. ( ) Exploração da polissemia do signo verbal. Qual a alternativa correta? a) F – F – V – V – V b) V – V – V – F – V c) F – F – V – V – V d) V – F – V – F – F e) F – F – F – V – F 349. (Unifor/CE) “Vejo através da janela de meu trem os domingos das cidadezinhas, com meninas e moças, e caixeiros engomados que vêm olhar os passageiros empoeirados dos vagões. (…) Devo fazer um poema em louvor dessa estrada, com todos os bemóis de minha alma lírica, porque ela, na minha inocência de menino, foi a minha primeira mestra na paisagem.” Os versos acima são parte de um poema modernista de Jorge de Lima. Em relação a esses versos, é correto afirmar: I – Há neles (sobretudo nos cinco primeiros) um registro afetivo, descritivo, em tom coloquial. II – Nos quatro últimos, o poeta se aproxima bastante do estilo da poesia parnasiana. III – À época em que foram escritos, o trem representava um elemento da modernização do cotidiano. Está correto o que se afirma em: a) III, somente. b) I e II, somente. c) I e III, somente. d) II e III, somente. e) I, II e III. Sistema MSA de Ensino 91 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 350. (U. F. Juiz de Fora/MG) Texto para as questões abaixo. “Confidência do Itabirano Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes. E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, é doce herança itabirana. De Itabira trouxe prendas diversas que ora de ofereço: esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil; este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval; este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas; este orgulho, esta cabeça baixa… Tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!” Carlos Drummond de Andrade. Assinale o verso que melhor explica o título do poema: a) “Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.” b) “Noventa por cento de ferro nas calçadas.” c) “este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;” d) “de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.” 351. (U. F. Juiz de Fora/MG) Assinale a única relação CORRETA entre o fragmento de verso e o comentário: a) “… o hábito de sofrer…” – permanência da herança romântica; b) “… que ora te ofereço…” – o poeta dirige-se a um hipotético itabirano; c) “Tive ouro, tive gado…” – referência a uma origem aristocrática rural; d) “este couro de anta…” – o poeta lamenta a destruição da natureza. 352. (UFMG) Todos os seguintes versos, de Antologia poética, contêm uma reflexão sobre o fazer literário, EXCETO a) Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra. b) As palavras não nascem amarradas, / elas saltam, se beijam, se dissolvem. c) Penetra surdamente no reino das palavras, lá estão os poemas que esperam ser escritos. d) Que é poesia, o belo? Não é poesia, / e o que não é poesia não tem fala. 353. (UFMG) Com base na leitura de Antologia poética, é INCORRETO afirmar que a poesia de Carlos Drummond de Andrade apresenta temas a) explicitamente políticos. b) freqüentemente autobiográficos. c) marcadamente existenciais. d) preponderantemente negativistas. 354. (U. F. Uberlândia/MG) “Não deixarei de mim nenhum canto radioso, uma voz matinal palpitando na bruma e que arranque a alguém seu mais secreto espinho.” A partir do fragmento do poema “Legado”, de Carlos Drummond de Andrade, só NÃO se pode afirmar que: a) há no poema a questão da metalinguagem. b) o poeta avalia modestamente sua obra. c) trata-se de uma consciência poética moderna. d) o poema pode ajudar a abrandar as dores da alma. 355. (U. F. Viçosa/MG) “No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra 92 tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra.” Carlos Drummond de Andrade No fragmento anterior observamos algumas tendências do Modernismo. Assinale a alternativa que NÃO corresponde às características modernistas evidenciadas no poema: a) a visão dinâmica da vida expressa por uma poética de tendência exclusivamente futurista. b) o jogo rítmico, refletindo o estado psicológico do movimento. c) a linguagem coloquial e a rejeição do verso perfeito dos parnasianos. d) a experimentação lingüística expressa no verso intencionalmente repetitivo. e) o tom revolucionário, expressivo da preocupação do poeta com o homem e sua problemática político-social. 356. (UFMG) Com relação aos contos “A terceira margem do rio” e “Partida do audaz navegante”, de Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa, é INCORRETO afirmar que ambos constituem narrativas que a) focalizam uma situação de separação vivida pelas personagens. b) se constroem a partir da focalização de uma situação familiar. c) se constroem a partir do ponto de vista de um narrador em primeira pessoa. d) se constroem a partir do ponto de vista infantil de um narradormenino. 357. (F. I. de Vitória/ES) Em um dos contos de Primeiras Estórias, o narrador dirige-se a um interlocutor presente, cujas falas não são registradas, e, empregando linguagem pretensiosa, põe em questão a identidade do homem e o sentido da vida; em outro, o foco-narrativo situa-se na relação entre o letrado e o iletrado, extraindo-se dessa efeitos de surpresa e humor, por causa do significado de uma palavra. Os contos são, respectivamente: a) “A terceira margem do rio” e “O espelho”. b) “O espelho” e “Famigerado”. c) “A terceira margem do rio” e “Famigerado”. d) “O espelho” e “Pirlimpsiquice”. e) “Pirlimpsiquice” e “Famigerado”. 358. (U. F. Uberlândia/MG) “… E foi assim que no grande parque do colégio lentamente comecei a aprender a ser amada, suportando o sacrifício de não merecer, apenas para suavizar a dor de quem não ama”. LISPECTOR, Clarice. “Os desastres de Sofia”. A partir do fragmento do conto, e considerando a obra como um todo, assinale a alternativa INCORRETA: a) O tema desse conto é o envolvimento amoroso violento vivido por uma adolescente e um adulto. b) Os processos de aprendizagem permanente, essencial para a vida, estão sempre presentes na obra de Clarice. c) A infância e a adolescência são temas que se destacam em Felicidade Clandestina. d) Sofia, nesse conto, detém uma sabedoria em progresso que ela trata de associar com a intuição feminina. 359. (UFR/RJ) Mário Quintana teria, para alguns historiadores de literatura brasileira, encontrado fórmulas felizes de humor, sem ter saído do clima neo-simbolista que condicionara sua formação. A respeito do poeta pode-se afirmar que a) pertenceu à mesma geração de Drummond. b) pertenceu ao primeiro momento do modernismo. c) ao lado de Cruz e Souza, representa a expressão máxima do nosso simbolismo. d) sua poesia caracteriza-se por um extremo rigor parnasiano. e) é um legítimo representante da poesia paulista. 360. (UFSM) Em obras, como Libertinagem, ……… compõe versos que, por trás da aparente ………, expressam fortes sentimentos a respeito da ……… . Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas. a) Manuel Bandeira – simplicidade – condição humana b) Mário Quintana – simplicidade – vida na cidade c) Carlos Drummond de Andrade – dificuldade – vida na cidade d) Manuel Bandeira – formalidade – vida no campo e) Mário Quintana – dificuldade – condição humana Sistema MSA de Ensino Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 361. (PUCRS) Em relação a Carlos Drummond de Andrade, é correto afirmar que: a) participou entusiasticamente das atividades culturais da chamada Geração de 22. b) buscou o nacionalismo primitivista através do aproveitamento de material folclórico. c) produziu uma poesia intimista, resignada diante dos valores burgueses. d) sua prosa, fragmentada, repleta de imagens e de figuras de estilo, aproxima-se da poesia. e) seu ecletismo temático harmoniza-se com o domínio das nuanças da palavra. 362. (PUCRS) Relacione as colunas: 1. Carlos Drummond de Andrade. 2. Manuel Bandeira. 3. João Cabral de Melo Neto. ( ) busca da simplicidade e da humildade, exemplificada pelo título “Poema do beco”. ( ) comparação entre as paisagens nordestinas, que inspiram o título Agrestes, e as espanholas, que inspiram o título Sevilha andando. ( ) memorialismo e ambientação em paisagens interioranas, como em Boitempo. a) 2, 3, 1. b) 1, 2, 1. c) 1, 3, 2. d) 2, 2, 1. e) 3, 2, 2. 363. (PUCRS) INSTRUÇÃO: Para responder à questão 100, ler o texto que segue. “Lá adiante, em plena estrada, o pasto se enramava, e uma pelúcia verde, verde e macia, se estendia no chão até perder de vista. A caatinga despontava toda em grelos verdes […] Insetos cor de folha — esperanças — saltavam sobre a grama. […] Mas a triste realidade duramente ainda recordava a seca. Passo a passo, na babugem macia, carcaças sujas maculavam a verdura. Reses famintas, esquálidas, magoavam o focinho no chão áspero, que o mato ainda tão curto mal cobria, procurando em vão apanhar nos dentes os brotos pequeninos.” Trata-se de trecho de ………, de Rachel de Queiroz — obra que se caracteriza pela ………, evidenciando a consciência crítica da autora acerca do problema da seca. É dessa forma que a obra se associa ao que se convencionou denominar de romance ………. a) Fogo Morto – irreverência – regionalista b) O Quinze – denúncia – de vanguarda c) São Bernardo – verossimilhança – nacionalista d) O Quinze – verossimilhança – de 30 e) Jubiabá – denúncia – regionalista 364. (UCS) Considere as proposições sobre Mário de Andrade. I – Em sua obra, recria, em prosa e verso, mitos do folclore nacional. II – Seus contos centram-se no homem do campo, enquanto a poesia reflete a temática urbana. III – A correspondência mantida com escritores contemporâneos tornou-se parte significativa de sua obra. Com base nas afirmações acima, é certo concluir que: a) apenas a I está correta. b) apenas a II está correta. c) apenas a III está correta. d) apenas a I e a III estão corretas. e) a I, a II e a III estão corretas. 365. (FEI/SP) Texto para as questões abaixo: “Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à camarinha escura, pareciam ratos — e a lembrança dos sofrimentos passados esmorecera (…). — Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta. Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era um homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. (…) Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando: — Você é um bicho, Fabiano. Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho capaz de vencer dificuldades”. Pode-se reconhecer nesse fragmento: a) a linguagem oral e carregada de expressões de origem indígena do romance Macunaíma, de Mário de Andrade, um dos marcos do Modernismo brasileiro. b) um retrato alegórico do sertão, realizado com as inovações lingüísticas características de Grande Sertão: Veredas, escrito por Guimarães Rosa. c) o tema da miséria nordestina retratado em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, representante da prosa regionalista da segunda geração modernista. d) o enaltecimento das riquezas naturais do Brasil, típico do Romantismo, em particular na obra O Guarani, de José de Alencar. e) a intenção de analisar e conhecer cientificamente o povo nordestino e seu ambiente, objetivo de Os Sertões, de Euclides da Cunha. 366. (PUC/SP) “O mulungu do bebedouro cobria-se de arribações. Mau sinal, provavelmente o sertão ia pegar fogo. Vinham em bandos, arranchavam-se nas árvores da beira do rio, descansavam, bebiam e, como em redor não havia comida, seguiam viagem para o Sul. O casal agoniado sonhava desgraças. O sol chupava os poços, e aquelas excomungadas levavam o resto da água, queriam matar o gado. (…) Alguns dias antes estava sossegado, preparando látegos, consertando cercas. De repente, um risco no céu, outros riscos, milhares de riscos juntos, nuvens, o medonho rumor de asas a anunciar destruição. Ele já andava meio desconfiado vendo as fontes minguarem. E olhava com desgosto a brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes. (…)” O trecho acima é de Vidas Secas, obra de Graciliano Ramos. Dele é incorreto afirmar-se que a) prenuncia nova seca e relata a luta incessante que os animais e o homem travam na constante defesa da sobrevivência. b) marca-se por fatalismo exagerado, em expressão como “o sertão ia pegar fogo”, que impede a manifestação poética da linguagem. c) atinge um estado de poesia, ao pintar com imagens visuais, em jogo forte de cores, o quadro da penúria da seca. d) explora a gradação, como recurso estilístico, para anunciar a passagem das aves a caminho do Sul. e) confirma, no deslocamento das aves, a desconfiança iminente da tragédia, indiciada pela “brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes”. 367. (Fuvest) Um escritor classificou Vidas Secas como “romance desmontável”, tendo em vista sua composição descontínua, feita de episódios relativamente independentes e seqüências parcialmente truncadas. Essas características da composição do livro a) constituem um traço de estilo típico dos romances de Graciliano Ramos e do Regionalismo nordestino. b) indicam que ele pertence à fase inicial de Graciliano Ramos, quando este ainda seguia os ditames do primeiro momento do Modernismo. c) diminuem o seu alcance expressivo, na medida em que dificultam uma visão adequada da realidade sertaneja. d) revelam, nele, a influência da prosa seca e lacônica de Euclides da Cunha, em Os sertões. e) relacionam-se à visão limitada e fragmentária que as próprias personagens têm do mundo. 368. (Fuvest) Em Vidas secas e em Morte e vida severina, os retirantes Fabiano e Severino a) são quase desprovidos de expressão verbal, o que lhes dificulta a comunicação até mesmo com os mais próximos. b) encontram na relação carinhosa com os filhos sua única fonte permanente de ternura em um meio hostil. c) surgem como flagelados, que fogem das regiões secas, mas se decepcionam quando chegam ao Recife. d) são homens rústicos e incultos, que não possuem habilidades técnicas ou ofícios que lhes permitam trabalhar. e) aparecem como oprimidos tanto pelo meio agreste quanto pelas estruturas sociais. Sistema MSA de Ensino 93 Certo Vestibulares Caderno Testes Federais - Literatura 369. (Fuvest) I – Em Vidas secas, a existência dos seres oprimidos e necessitados é apresentada como um mundo fechado, no qual os sonhos e esperanças são ilusões; já em Primeiras estórias, na vida de carências e opressões, algumas vezes abrem-se brechas que dão lugar à solidariedade, ao humor e aos sonhos realizáveis. II – Em Primeiras estórias, o homem rústico, dotado de cultura oralpopular, já se encontra ausente; em Vidas secas, ele ainda ocupa o centro da narrativa. III – Em Vidas secas, a visão de mundo das personagens infantis é parte importante da narrativa; já naqueles contos de Primeiras estórias em que elas surgem, a percepção da criança não se mostra importante ou reveladora. A oposição entre Vidas secas e Primeiras estórias está correta apenas em a) I. b) II. c) I e II. d) I e III. e) II e III. 370. (Mackenzie/SP) “O nome de Diadorim, que eu tinha falado, permaneceu em mim. Me abracei com ele. Mel se sente é todo lambente — ‘Diadorim, meu amor…’ Como era que eu podia dizer aquilo? Explico ao senhor: como se drede fosse para eu não ter vergonha maior, o pensamento dele que em mim escorreu figurava diferente, um Diadorim assim meio singular, por fantasma, apartado completo do viver comum, desmisturado de todos, de todas as outras pessoas — como quando a chuva entre-onde-os-campos.” Assinale a afirmação INCORRETA sobre a obra da qual se extraiu o fragmento acima. a) Retrata determinada região do sertão brasileiro e também tematiza questões universais. b) Apresenta a travessia do sertão como metáfora da travessia da vida. c) Atribui novos sentidos a palavras usuais. d) Reproduz com fidelidade o linguajar do sertão mineiro. e) Explora recursos comuns à poesia, tais como o ritmo, as aliterações, as metáforas. 371. (Fuvest) Um dos recursos expressivos de Guimarães Rosa consiste em deslocar palavras da classe gramatical a que elas pertencem. Destas frases de “Sorôco, sua mãe, sua filha”, a única em que isso não ocorre é: a) “… os mais detrás quase que corriam. Foi o de não sair mais da memória”. b) “… não queria dar-se em espetáculo, mas representava de outroras grandezas”. c) “… mas depois puxando pela voz ela pegou a cantar”. d) “… sem jurisprudência, de motivo nem lugar, nenhum, mas pelo antes, pelo depois”. e) “… ela batia com a cabeça, nos docementes”. Gabarito Literatura – Módulos I e II 1E 2. C 3. C 4. B 5. D 36. E 37. C 38. A 39. C 40. E 71. E 72. D 73. A 74. A 75. E 106. 107. 108. 109. 110. E D A C A 141. 142. 143. 144. 145. A C E E D 177. 178. 179. 180. 181. B D C A A 6. D 7. C 8. D 9. D 10. E 41. A 42. D 43. C 44. E 45. E 76. 77. 78. 79. 80. B C D A D 111. 112. 113. 114. 115. D D D D A 146. 147. 148. 149. E A A A 11. 12. 13. 14. 15. B D B B A 46. D 47. D 48. D 49. C 50. E 81. B 82. B 83. D 84. E 85. C 116. 117. 118. 119. 120. A E C B A 16. E 17. C 18. A 19. C 20. B 51. E 52. C 53. D 54. D 55. C 86. C 87. A 88. E 89. D 90. E 121. 122. 123. 124. 125. D E C E D 21. C 22. C 23. E 24. E 25. D 56. B 57. E 58. C 59. C 60. A 91. E 92. D 93. C 94. B 95. E 126. 127. 128. 129. 130. B C B A B 26. 27. 28. 29. 30. 61. 62. 63. 64. 65. 96. B 97. B 98. D 99. A 100. B 131. 132. 133. 134. 135. D B D C B 101. 102. 103. 104. 105. 136. 137. 138. 139. 140. A A D A D 182. 183. 184. 185. 186. 187. 188. 189. 190. 191. 192. 193. 194. 195. 196. 197. 198. 199. 200. 201. 202. 203. 204. 205. 206. 207. 208. 209. 210. 211. 212. 213. 214. 215. A E E C D B A A D E A E A D E A C D C E B A A A B B C A B E E A A A B A A C B 31. D 32. B 33. B 34. D 35. E 94 A D D C B 66. C 67. C 68. D 69. E 70. C C E D B A 150. A 151. E 152. B 153. E 154. A 155. 156. 157. 158. 159. 160. A C D B D C 161. 162. 163. 164. 165. 166. 167. 168. 169. 170. 171. 172. 173. B E D B E D A C C E C A D 174. E 175. B 176. A 216. A Sistema MSA de Ensino 217. 218. 219. 220. 221. 222. 223. 224. 225. 226. 227. 228. 229. 230. 231. 232. 233. 234. 235. 236. 237. 238. 239. 240. 241. 242. 243. 244. 245. 246. 247. 248. 249. 250. 251. 252. 253. 254. 255. 256. 257. 258. A A C A B A D A C A A D E D A A B C E C A B E E B B B E E B B C E B D A B B A C B D 259. 260. 261. 262. 263. 264. 265. 266. 267. 268. 269. 270. 271. 272. 273. 274. 275. 276. 277. 278. 279. 280. 281. D A A E C B E E A A C A C B B D D C A B B D A 282. 283. 284. 285. 286. 287. 288. 289. A A B C D C A D 290. 291. 292. 293. 294. 295. 296. 297. D D B C D B A A 298. 299. 300. 301. 302. 303. 304. 305. 306. 307. 308. 309. 310. 311. 312. 313. 314. 315. 316. 317. 318. 319. 320. 321. 322. 323. 324. 325. 326. 327. 328. 329. 330. 331. 332. 333. 334. 335. 336. 337. 338. 339. A D A C B B B E B E D B B A A A E B B B B C A C E E E D C C E D E A B E D A D C D D 340. 341. 342. 343. 344. 345. 346. 347. 348. 349. 350. 351. 352. 353. 354. 355. 356. 357. 358. 359. 360. 361. 362. 363. 364. 365. 366. 367. 368. 369. 370. 371. A D C B D C C A A C A C A D D C D B A A A E A D E C B E E A D C
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