Conhecimentos Sobre Fortaleza

June 13, 2018 | Author: Marden Matias | Category: Brazil, Portugal, Industries, Europe, Economics


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2013 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor.Guarda Municipal de Fortaleza Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Apostila Adeíldo Oliveira Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 2 APOSTILA DE HISTÓRIA DE FORTALEZA Prof. Adeildo Oliveira E-mail: [email protected] Historiador licenciado pleno e bacharelando pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Bacharelando em Direito pelo Centro Universitário Christus (UNICHRISTUS). Professor de vários cursos preparatórios para concursos em Fortaleza. Monitor da disciplina de Ciência Política e Teoria do Estado no Centro Universitário Christus, além de autor de vários artigos científicos e de opinião. OBS.: Material produzido pelos professores Adeildo Oliveira e João Paulo Cláudio. O anexo foi retirado do endereço citado. INTRODUÇÃO Fortaleza é hoje uma metrópole nacional, com aproximadamente dois milhões e meio de habitantes, é a quinta maior capital do país e a terceira em importância econômica da região nordeste. Mas Fortaleza nem sempre foi assim. Nesta apostila abordaremos a evolução política, social, cultural e econômica da capital alencarina a partir de uma perspectiva histórica que busca entender os diversos processos sociais, com suas rupturas e permanências, que levaram e levam Fortaleza a ser essa grande cidade. Para tanto, será preciso, em alguns momentos, trabalhar a história de Fortaleza a partir do prévio entendimento da história nacional e mundial. Por exemplo, não se pode compreender o início da colonização portuguesa do espaço cearense sem antes frisarmos o contexto europeu das Grandes Navegações, que trouxeram os lusos e espanhóis para a América, assunto da primeira parte desta apostila. Na chamada Belle Époque, mais uma vez a história local terá que ser trabalhada a partir de um conhecimento anterior do contexto nacional e cearense, fator essencial para o estudo da febre de “afrancesamento” que houve na capital cearense. Desejamos a todos um ótimo estudo e sucesso no concurso. CONTEXTO GERAL O processo de ocupação das terras brasílicas se deu no âmbito da expansão marítima, objetivando, em primeira instância, o lucrativo comércio das especiarias asiáticas. Portugal se encontrava, literalmente, no século dos descobrimentos (1450-1550), em que começou a construir seu Império Ultramarino, englobando e interligando pontos do Oriente (Índias) e da África ocidental e oriental num primeiro momento; já num segundo momento, acrescentando sua colônia americana, o Brasil, a esse “Mercado Atlântico”. Era época da Contra-Reforma, momento no qual a cruz de cristo suplantava, em muitos momentos, o poder temporal da espada do homem. O CEARÁ COLONIAL 1. Ocupação do Espaço Cearense Em 1534, o reino português – buscando efetivar a colonização do território brasileiro – resolveu dividir sua colônia em faixas territoriais que seriam entregues aos donatários. A Capitania do Siará Grande foi entregue à Antônio Cardozo de Barros, porém, este donatário não se preocupou em Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 3 colonizá-la, pois o Ceará não oferecia riquezas o bastante. Capitanias Hereditárias A ocupação do espaço cearense se deu de forma tardia, começando apenas no século XVII, tendo como objetivos a criação de postos militares avançados (motivos geoestratégicos) para combater e expulsar os estrangeiros, além de desenvolver atividades econômicas que viabilizassem a colonização portuguesa. A primeira expedição foi realizada em 1603, tendo a frente Pero Coelho. Saindo da Paraíba, Coelho tinha como objetivo central implementar a expulsão dos estrangeiros, especialmente franceses, que estavam catequizando e/ou comercializando com os “índios” de várias localidades da Capitania do Siará Grande, sobretudo, da Serra da Ibiapaba. O explorador luso entrou num embate acirrado, eliminando não apenas muitos franceses, mas também muitas tribos indígenas que se aliaram aos franceses. Os combates fragilizaram as tropas portuguesas, sendo necessária uma retirada estratégica. Assim, ficou acertada a construção de uma fortificação que servisse de suporte para as tropas de Coelho, bem como para navios portugueses que passassem pela capitania. Esta fortificação foi denominada Forte de São Tiago; porém, os constantes conflitos contra os autóctones, a falta de investimentos por parte da Coroa e as secas contribuíram decisivamente para a retirada de Pero Coelho, que construiu outro forte às margens do Rio Jaguaribe, o Forte de São Lourenço. Esse forte foi abandonado pouco tempo depois devido a motivos de mesma ordem do abandono da primeira fortificação. A segunda expedição colonizadora se deu com os padres Francisco Pinto e Luiz Figueiras. Nesse momento, a utilização de religiosos tinha como finalidade expandir o processo catequizador, e, desta forma, “facilitar” o controle do colonizador português sobre a Capitania do Siará Grande. Entretanto, os massacres realizados por Pero Coelho deixaram os indígenas avessos à presença do homem branco, sendo o reduto criado pelos religiosos atacado pelos índios Tacarijus (1608). Francisco Pinto foi morto, já Luiz Figueiras fugiu, criando às margens do rio Ceará o Aldeamento de São Lourenço. Os ataques feitos ao aldeamento, somados aos poucos investimentos realizados pela Coroa, acrescidos dos momentos de seca contribuíram para a retirada do religioso. Luiz Figueira, tempos depois, escreveu a “Relação do Maranhão”, o primeiro texto sobre o Ceará. O religioso morreu posteriormente (1643), vítima de antropofagia realizada pelos índios Aruãs, da Ilha de Marajó. A terceira expedição (1609) foi comandada por Martim Soares Moreno (eternizado no romance Iracema), que fora soldado de Pero Coelho na primeira tentativa colonizadora. Martim foi considerado, por muito tempo, o fundador do Ceará (“mito fundador”), porém tal intento não pode ser atribuído à uma única pessoa, pois o Ceará foi se construindo com o passar dos séculos, e de forma coletiva. Martim fez construir, às margens do rio Ceará, o Forte de São Sebastião (homenagem ao rei português que desapareceu no norte da África lutando contra os “infiéis”). Era a época da União Ibérica (1580-1640) e, cada vez mais, franceses e holandeses invadiam o território brasileiro. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 4 Forte de São Sebastião, na Barra do Ceará. Em 1613, Soares Moreno fora combater os franceses que invadiram o Maranhão. Já em 1619, a Coroa ibérica o condecorou por dez anos com o posto de capitão-mor do Ceará. No ano de 1621, Martim voltou ao Ceará, mas, a falta de recursos e o descaso da Coroa acarretaram a sua retirada no ano de 1631. Martim terminou sua vida em Portugal, numa condição social não muito boa. Após as primeiras tentativas colonizadoras dos lusos, Fortaleza continua com seu modesto desenvolvimento como sede administrativa local, posto que entre 1621 e 1656 o Ceará ficasse sob jurisdição do estado do Maranhão. Nesse ínterim, o nordeste brasileiro é invadido pelos holandeses que, devido a União Ibérica (1580- 1640), tomam a região de Salvador, na Bahia (1624-25), e após a sua expulsão, retornam e conseguem controlar a capitanias de Pernambuco, no intuito de manter o acesso aos lucros advindos com o comércio do açúcar brasileiro. Nesse contexto, a região de Fortaleza se apresenta, mais uma vez, como ponto estratégico-militar, não mais para os portugueses, mas para os invasores flamengos (holandeses) que visavam o seu domínio sobre Pernambuco e também com o intuito de explorar economicamente a região, posto que na época, existiam boatos sobre a existência de minas de prata no Ceará, além de explorar o sal e âmbar. 2. Invasões Holandesas Os primeiros holandeses vieram para o Ceará, em 1637, comandado por George Gartsman e, com apoio de indígenas locais revoltados contra os lusos devido às suas atrocidades, tomaram o forte de São Sebastião e iniciaram o primeiro período de domínio flamengo no Siará (1637-44). Neste meio tempo, enfrentando os mesmos problemas encarados pelos portugueses, solo ruim, clima árido, os holandeses procuram explorar o sal, o âmbar, desenvolver a cana- de-açúcar e procuram metais, sem sucesso. Paralelamente, as relações sociais com os indígenas locais complicavam-se, posto que os holandeses não se distinguissem muito dos portugueses no trato com os ameríndios. Oprimidos e explorados, os indígenas se revoltaram contra o domínio flamengo e os expulsaram do território em 1644. Acabava temporariamente o domínio holandês no Ceará. Em 1649, mais uma expedição holandesa se dirigiu para o Ceará em busca de rendas para a manutenção do controle sobre Pernambuco, mais uma vez, o local escolhido para sediar a administração foi o espaço, hoje, fortalezense, mais precisamente na colina Marajaitiba, atual 10ª Região Militar. Na época, os holandeses fundaram um forte militar que recebeu o nome do então governador flamengo (Shonenboch). Ali, permaneceram até 1654 enfrentando secas (1651-54), ataques de índios e falta de mantimentos. Com o fim do domínio holandês em 1654, quando os mesmos saíram do Brasil e foram concorrer com a lavoura açucareira produzindo açúcar mais barato, nas Antilhas, os portugueses retornaram ao espaço cearense e, com Álvaro de Azevedo Barreto como capitão-mor, reiniciaram a colonização renomeando o forte de Shonenboch para Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, hoje padroeira da cidade. A partir de então, a região passa a se chamar Fortaleza, ainda sem a condição de Vila, o que Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 5 quer dizer que não possuía autonomia administrativa. Em 1656 o Ceará sai da jurisdição do Maranhão e passa para o controle de Pernambuco, permanecendo nessa condição até 1799, quando consegue autonomia administrativa, principalmente, devido a prosperidade auferida com os lucros advindos do comércio do algodão que havia se expandido a partir da segunda metade do século XVIII no Ceará. 3. Administração Colonial Em fins do século XVII e início do XVIII, devido aos pedidos constantes da incipiente elite local, o Rei português D. Pedro II, com a Ordem Régia de 13 de fevereiro de 1699 autoriza a construção de uma Vila (município) no Ceará. Vale ressaltar que esses pedidos da fraca elite local, eram realizados por causa das constantes arbitrariedades cometidas pelos capitães-mores locais. Naquele momento, a condição de Vila trazia consigo uma autonomia administrativa com a fundação de uma Câmara Municipal que serviria como forma de defesa contra os desmandos dos capitães-mores. Segundo Raimundo Girão, “Eram estas Câmaras corporações escolhidas trienalmente e tocava-lhes regular as feiras e mercados, assim como o trânsito, gerar os bens do consumo (localidade) e as suas receitas, construir, reparar e conservar estradas, pontes e calçadas, arborizar e limpar as ruas e praças, levantar edifícios... e além doutras, ter livre a faculdade de representar contra as autoridades aos respectivos superiores e até ao Rei.” (Raimundo Girão. In: Pequena História do Ceará. Ed. UFC, 1984. v.1 p.106. Coleção Estudos Cearenses). Porém, junto com a Ordem Régia veio um problema, pois não se estabelecia o lugar exato onde deveria ser exigido o pelourinho que, na época, era símbolo da autonomia municipal. A partir de então se inicia uma disputa entre as autoridades civis e eclesiásticas, sediadas no forte de Nossa Senhora da Assunção e a elite dos fazendeiros locais, sediados no povoado do Iguape, hoje Aquiraz. Ambas as partes almejavam o posto de Vila, mas só uma seria beneficiada por aquela Ordem Régia. Inicialmente, a câmara foi instalada no Iguape, em janeiro de 1700, sob a alegação de que lá era mais conveniente por causa de suas “terras férteis, aráveis, abundância em água”. Contudo, devido à determinação do governador de Pernambuco, então com jurisprudência sobre o Ceará, a Vila foi transferida para o fortim de N. S. da Assunção, onde permanece entre 25 de maio de 1700 e 1702. Neste ano, devido às disputas entre autoridades e elites, a Vila é deslocada para o antigo forte de São Sebastião, na barra do rio Ceará. Em 1706, a Vila retorna para o forte, permanecendo ali até 1710. Após vários reclames os fazendeiros locais conseguiram que a Vila fosse instalada, em definitivo, no Aquiraz (1713). Mesmo com a consolidação da Vila em Aquiraz, a cidade não garantiu uma posição hegemônica que neste ano, fora atacada por indígenas que vivenciavam a chamada Guerra dos Bárbaros ou Confederação dos Cariris. Este era um movimento de resistência indígena ao avanço dos colonizadores portugueses com a pecuária, que, à medida que avançava, expulsava os indígenas de seus territórios ou os exterminava. Com este ataque, vários moradores de Aquiraz fugiram para o forte de N. S. da Assunção em busca de proteção. A partir de então a Aldeia do Siará ou Siupé, como era conhecida Fortaleza naquele momento, passou a se sobrepor a Aquiraz. Somente em 13 de abril de 1726 é que Fortaleza vai conseguir a instalação de sua Vila, sendo assim, Fortaleza continuaria sediando a administração local, enquanto que Aquiraz sediaria a ouvidoria (Justiça). Paralelamente às disputas entre as autoridades locais e os membros da elite para sediar a Vila, ocorria à expansão da pecuária pelos sertões cearenses, onde, ligadas à Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 6 atividade criatória, começavam a se originar futuras cidades que teriam importância mais expressiva que a capital durante o Período Colonial, como Sobral, Icó e Aracati. Esta última seria o principal pólo econômico da capitania durante a colônia, principalmente, por causa das charqueadas ou oficinas que beneficiavam a carne bovina para revendê-las no litoral, gerando mais lucro. Com isso, nos surge uma pergunta: por que Fortaleza sediava a administração se existiam outras localidades mais relevantes economicamente que ela? Segundo a socióloga Maria Auxiliadora Lemenhe, da Universidade Federal do Ceará, existem várias razões para tal fato. Primeiro, o fato de ser em torno do forte que se desenvolve o principal núcleo de povoação da capitania, mesmo que ainda pequeno. Isso exerceu influência sobre o local da Vila porque era uma prática comum da Metrópole portuguesa fundar Vilas onde já existiam povoados. Outra razão se deve ao fato de naquele momento, as Vilas possuírem um caráter “artificial”. Segundo Lemenhe, “tudo indica que, do ponto de vista dos interesses fiscais era indiferentemente que uma primeira Vila fosse assentada junto ao Forte ou nos sertões”. Independente de ser a sede da capitania, Fortaleza continuou até o início século XIX como um centro administrativo que não detinha um grande poder econômico se comparando com Aracati, por exemplo. Não podemos perder de vista que a administração colonial não se faz apenas pela presença de uma Vila, mas também por uma burocracia: · Capitão-mor-governador: possuía as funções militares e administrativas; · Ouvidoria: eram responsáveis pela aplicação das leis. Vilas cearenses: · Camocim Aquiraz (1713); · Granja Fortaleza (1726). 1ª planta de Fortaleza (1726), feita pelo capitão-mor Manuel Francês. · 1-Porte de Nossa Senhora de Assunção; · 2-Forca: símbolo da autoridade da Metrópole; · 3-Casa de Câmara: sede do poder político local; · 4-Pelourinho: símbolo da emancipação local. 4. Ocupação Econômica No decorrer do século XVII, em especial nas últimas décadas, a colonização lusa que até então era restrita às fortificações litorâneas, começa a adentrar nos sertões cearenses, iniciando a ocupação econômica da Capitania com a pecuária. Com a atividade criatória, o Siará passa a se servir economicamente no projeto colonial português com a função complementar de abastecimento das regiões açucareiras (PE e BA) e depois da mineração. A pecuária traz certa prosperidade para os sertões cearenses e nordestinos, tanto que Capistrano de Abreu nos informa que ali se desenvolveu uma “civilização do couro”, devido ao uso intenso e cotidiano do mesmo pelas populações sertanejas. Porém, a positiva prosperidade advinda com a atividade criatória do gado, não se refletiu, da mesma forma, no litoral em torno do forte. Basicamente, Fortaleza permanece com seu modesto desenvolvimento sem grandes transformações. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 7 4.1 Sertão a dentro A ocupação do interior cearense se deu pela pecuária, sendo a economia do gado a responsável pelo povoamento e pela inserção econômica do Ceará na economia colonial. O processo de ocupação seguiu o caminho dos rios, sendo o curso d’água do rio Jaguaribe a via de comunicação e de produção mais importante do Ceará. Vale salientar que muitas “cidades” cearenses nasceram de antigas localidades onde se produziam e/ou se comercializavam o gado. A coroa portuguesa objetivava com a ocupação do interior nordestino efetivar a ocupação e expansão de seu território , além de ampliar a arrecadação de impostos. Desta forma, as primeiras sesmarias (doações de terras) foram dadas aos pecuaristas por volta de 1683 (século XVII) na região do rio Jaguaribe. Assim, num primeiro momento, a economia do gado se desenvolveu com a venda do animal vivo, já no segundo momento a comercialização fora efetivada através do charque. A comercialização do gado vivo era feita, principalmente, na zona da mata, ou seja, na região produtora de cana-de-açúcar nordestina, em especial Pernambuco. O desenvolvimento da pecuária possuiu a seu favor os seguintes fatores: · Terras abundantes; · Presença de rios com trechos perenes; · Presença de pastos; · Sistema de Quarteação (de quatro crias dadas, uma pertenceria ao vaqueiro); · Não era necessário fazer vultuosos investimentos. Por volta de 1720 em Aracati, inicia-se um processo de beneficiamento da carne do animal, o charque. As longas caminhadas empreendidas pelos animais até o local onde eram vendidos acarretavam uma perda do peso do animal, assim seu valor diminuía, além do fato de que no translado o gado poderia ser roubado ou atacado por animais. Assim, resolveu-se abater o gado e beneficiar sua carne. O desenvolvimento do charque proporcionou o surgimento de diversos núcleos urbanos no Ceará, sem falar na ampliação das relações mercantis, inclusive proporcionando a formação de um forte mercado interno. Com o charque houve uma expansão de mercados, sendo incorporados compradores da região de Minas Gerais. Esse mercado foi perdido durante o grave período de secas que assolou o Ceará, destacando-se a seca dos três setes (1777) e também pelo surgimento de um forte núcleo concorrente, o do sul. Devemos ressaltar que Fortaleza não se apresentou como importante núcleo produtor de charque. A localidade que se destacou na produção do charque foi Aracati, sendo considerada o pólo econômico do Ceará colonial, estando economicamente acima de Fortaleza, posto que só perderia no Período Imperial por causa de razões políticas e pelo segundo surto do algodão. Foram os seguintes fatores que proporcionaram à Aracati o grande desenvolvimento do charque: · Localização Geográfica, com a presença de um bom porto às margens do rio Jaguaribe; · Ventos constantes; · Grande integração econômica decorrente da experiência criatória e comercial do gado; · Presença de regiões salinas; · Integração com a região pernambucana (muitos comerciantes pernambucanos investiram dinheiro na produção do charque). Alem de Aracati, outros núcleos foram formados pelo desenvolvimento do charque cearense: · Camocim; · Granja; · Sobral. Como já foi dito acima, a produção do charque cearense sofreu grandes danos devido às secas que se prolongaram entre Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 8 1777-1778 e 1790-1793, não atribuindo apenas ao fator climático a crise da produção, sabemos que o surgimento do sul como concorrente contribuiu para a crise cearense. Contudo, fatores externos favoreceram o surgimento de uma outra atividade lucrativa de suma importância para a economia cearense: a cotonicultura (algodão). Como fator de grande importância para a economia cearense, a 1ª Revolução Industrial, tendo o algodão como matéria-prima, leva a indústria inglesa a ser seu principal consumidor externo. Outro fator foi a Guerra de Independência das Treze Colônias Inglesas, até então principais fornecedoras de algodão. A economia aracatiense se refletiu nas modificações dos hábitos e na arquitetura daquela localidade, como na construção de casarões e sobrados, na importação de produtos de luxo que vinham da Europa, e até mesmo na construção de igrejas. Essa opulência econômica permanece estável até a segunda metade do século XVIII. 4.2 “Quebra do Exclusivismo Pastoril” O século XVIII foi um período de intensas transformações na economia cearense, como a quebra do exclusivismo pastoril. Esse processo está intimamente ligado a Revolução Industrial inglesa e ao processo de Independência das 13 Colônias britânicas, o que muito contribuiu para processo que culminará com a hegemonia de Fortaleza em relação às demais cidades. O primeiro momento importante desse processo foi à expansão da cotonicultura no Brasil (Maranhão, Pernambuco e Rio de Janeiro) e claro, no avanço cearense. Essa expansão se deu ligada ao avanço da Revolução Industrial que desenvolvia na Inglaterra e que, em seu estágio inicial, basicamente estava ligada a indústria de têxteis, onde a matéria-prima básica é o algodão. Porém, na época, o principal fornecedor do algodão para os ingleses, as suas treze colônias (EUA), entraram em processo de independência, o que, com a guerra, desorganizou a produção e reduziu a oferta do algodão no mercado internacional, gerando assim um efeito inflacionário (aumento dos preços) e um conseqüente estímulo. Neste contexto histórico, o Ceará aparece como um dos focos de expansão e, pela primeira vez, entra em definitivo no mercado internacional como fornecedor de gêneros agrícolas (algodão). Fortaleza, por ser sede da capitania e ao lado do Aracati, possuir um porto de onde eram exportados os produtos locais, começa a ganhar espaço como centro coletor e exportador do algodão local. Essa expansão se deu devido a inúmeros fatores, como o clima quente, qualidade do produto, preço baixo e proximidade do mercado europeu. Vale lembrar que a pecuária não foi deixada de lado, muito pelo contrário, ocorreu o que os historiadores chamam de binômio gado-algodão, ou seja, muitas vezes os produtores além de criarem o gado, também plantavam algodão em parte da sua propriedade. QUESTÕES PROPOSTAS 01..A respeito da história de Fortaleza é correto afirmar que: (GMF/2007) a).em 1649, Fortaleza é elevada a condição de cidade pelo explorador holandês Matias Beck, logo após ter construído o forte Schoonenborch na embocadura do rio Pajeú. b).em 1726, Fortaleza é elevada à condição de cidade pelo português Pero Coelho, logo após a expulsão holandesa. c).em 1823, Fortaleza é elevada pelo Imperador Pedro I à condição de cidade, mais precisamente com o nome de Cidade da Fortaleza da Nova Bragança. d).em 1889, Fortaleza é elevada à condição de cidade, em decorrência da Proclamação da República no Brasil. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 9 02..Sobre o Forte de Nossa Senhora da Assunção é correto afirmar que: a).foi construído por holandeses durante o século XVIII. b).estava planejado no Tratado de Tordesilhas. c).foi o único Forte construído no litoral cearense. d).foi fundado depois da expulsão dos holandeses no século XVII. 03..A primeira capital do Ceará foi: (GMF/2002) a).Sobral. b).Iguatu. c).Aquiraz. d).Camocim. 04..O Farol do Mucuripe, de estilo barroco, foi: a).construído por Matias Beck, em 1649, durante a ocupação holandesa. b).erguido pelos escravos, em 1846, em homenagem à Princesa Isabel. c).reformado em 1884 com o objetivo de incentivar o turismo no Nordeste. d).projetado pelo arquiteto francês George Mounier a pedido de D. João VI. 05..Sobre o processo de ocupação do Ceará, assinale a alternativa correta: a).desenvolveu-se entre o fim do século XVII e o início do XVIII, através da doação de sesmarias, ocupadas sobretudo com a pecuária. b).deu-se a partir do século XVIII, limitando-se ao litoral, sendo utilizadas as terras para a agricultura. c).teve como centro difusor a primeira capital da capitania, a vila de Aracati, fundada no século XVII. d).ocorreu a partir do século XVI, simultaneamente à conquista do litoral açucareiro. 06..A vila de Aracati destacou-se entre as demais vilas cearenses do período colonial por deter a hegemonia da produção de: a).charque. b).pescado. c).algodão. d).açúcar. 07..Marque a alternativa correta sobre a ocupação da capitania do “Siará Grande”, no período colonial: a).foi efetivada, imediatamente, após a conquista do Brasil pelos portugueses. b).foi motivada principalmente pela implementação de fazendas de gado localizadas nas áreas ribeirinhas do sertão. c).foi caracterizada pelo exercício de uma relação amistosa entre os colonos e os povos indígenas. d).teve como motivador econômico preponderante a exploração de minas de prata na região do Cariri. 08..Neste ano de 2003 completam-se 400 anos da ocupação portuguesa do Ceará. Sobre este processo é correto afirmar que a capitania do Ceará: a).foi colonizada por meio da implantação de dezenas de engenhos de açúcar no seu litoral. b).teve sua ocupação motivada pela descoberta de várias minas de ouro e prata na serra da Ibiapaba. c).teve a ocupação de seu território dinamizada pelo estabelecimento de fazendas de gado ao longo dos rios Jaguaribe e Acaraú. d).teve sua ocupação facilitada pela pouca resistência dos índios, que rapidamente se renderam ao domínio lusitano. 09..“O genocídio e o etnocídio perpetrados contra os povos indígenas tiveram como decorrência o quase desaparecimento da cultura indígena no território cearense.” (F. J. Pinheiro. “Mundos em confronto: povos nativos e europeus na disputa pelo território”. In: Simone de Souza. Uma nova história do Ceará. Ed. Demócrito Rocha, p.55) Sobre o processo a que se refere o texto acima, assinale a resposta correta: a).o conflito dos colonizadores com os índios deveu-se sobretudo à expropriação dos Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 10 territórios indígenas para a expansão da pecuária. b).a destruição da cultura indígena deu-se somente pela imposição da religião católica feita pelos jesuítas nos aldeamentos. c).a ação dos colonizadores limitou-se à escravização dos índios, usados como mão- de-obra nas lavouras de cana-de-açúcar. d).os índios morriam no contato com os europeus unicamente por causa das doenças que estes traziam. 10..Sobre o processo de ocupação da costa cearense durante o século XVII, pode-se afirmar corretamente que: a).os portugueses aliaram-se aos indígenas que habitavam essas terras e construíram fortes apenas para defender os centros de comércio do pau-brasil. b).a presença portuguesa no Ceará tem a ver com a ocupação de Pernambuco pelos franceses e do Maranhão pelos holandeses. c).o litoral foi intensamente disputado por índios e forças militares de várias potências européias, e várias fortificações foram construídas por portugueses e holandeses. d).a conquista do litoral cearense foi efetuada por motivos econômicos, já que o cultivo da cana-de-açúcar estava bastante desenvolvido e o açúcar necessitava ser transportado diretamente para Portugal. 11..Sobre o “binômio gado-algodão”, é correto afirmar que: a).gado deixou de existir no Ceará e o algodão passou a ser o único produto na economia local. b).o termo “binômio gado-algodão” demonstra que essas duas atividades passam a ser complementares, inclusive podendo um mesmo produtor desenvolver as duas atividades. c).o grande problema da atividade cotonicultora era o alto gasto realizado para se adquirir a mão-de-obra escrava, pois ela era de fundamental importância para a produção do algodão. d).o charque cearense se extinguiu devido a seca dos três setes (1777) e ao surgimento de um forte núcleo concorrente, o Rio Grande do Sul. 12..Em Fortaleza, um dos principais pontos de visitação de turistas é o complexo arquitetônico da rua Dr. João Moreira, no centro. Das edificações que compõem o referido complexo, a que foi construída ainda no período colonial é: a).o Passeio Público. b).a Santa Casa de Misericórdia. c).a Cadeia Pública Provincial. d).o Forte de Nossa Senhora da Assunção. 13..Em relação à participação holandesa na história de Fortaleza podemos constatar que: a).eles não participaram do processo histórico que veio a formar a cidade de Fortaleza. b).fizeram alianças com os indígenas locais para expulsar os portugueses, mas não conseguiram grandes resultados em seus objetivos, saindo de Fortaleza sem deixarem rastros de sua passagem. c).dominaram o litoral de Fortaleza entre 1637 e 1654 sem nenhum tipo de interrupções. d).tiveram uma participação decisiva na configuração da cidade, pois foi a partir do forte de Shoonenborch, fundado por Matias Beck em 1649, que a cidade cresceu. 14..Sobre as “origens” históricas de Fortaleza é correto afirmar que: a).a ocupação portuguesa se deu de forma planejada, a partir do interior, visando tomar o território que hoje compreende o Maranhão. b).a ocupação portuguesa se deu de forma planejada, a partir do litoral, visando tomar o território que hoje compreende o Maranhão e que, na época, estava sob o controle dos holandeses. c).a primeira expedição colonizadora, comandada por Pero Coelho, deixou vestígios Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 11 históricos que hoje são motivos de polêmicas a respeito da “origem” da cidade. d).a cidade de Fortaleza, assim como outras capitais do país, desde cedo já era hegemônica no estado. 15..A respeito da condição e funções políticas de Fortaleza durante o Período Colonial brasileiro podemos afirmar corretamente que: a).ficou relegada a uma função estratégico- militar para garantir a segurança do litoral. b).foi elevada à condição de primeira Vila do Ceará em 1726 em detrimento de Aquiraz. c).foi a sede política e administrativa da Capitania, mesmo não sendo o centro econômico. d).não exercia nenhuma função política e muito menos administrativa. 16..“A cotonicultura foi uma das principais atividades econômicas do Ceará e colaborou para que Fortaleza pudesse exercer papel predominante na economia local”. (Adeildo Oliveira) A respeito da relação existente entre o processo de hegemonia de Fortaleza e a Cotonicultura podemos afirmar que: a).estão ligados entre si, mas não possuíram nenhuma ligação com fatores externos ao Brasil. b).estão intrinsecamente relacionados com os EUA em apenas um momento, no século XIX, no contexto da Guerra Civil americana. c).a Cotonicultura foi o único fator responsável pela hegemonia de Fortaleza. d).a Cotonicultura foi importante para o crescimento de Fortaleza em dois momentos distintos, no século XVIII e no XIX. 17..Sobre o Ceará colonial, é correta a afirmativa: a).por apresentar atrativos econômicos, além das condições geográficas favoráveis, o Ceará foi logo colonizado com a criação da Capitania do Siará Grande, sob o comando de Antônio Cardoso de Barros. b).a obra de José de Alencar, que exalta as ações de Martim Afonso de Sousa, é Ubirajara. c).as comunidades indígenas cearenses foram vítimas do processo de colonização, em que o território para eles consç7titituía-se em valor simbólico, através do qual se definia a própria identidade. Para os colonos a terra era sobretudo um meio de produção, não importando o extermínio de milhares de nativos, para que o lucro fosse atingido. d).diferentemente de Pernambuco e Bahia, que promoveram a atividade da pecuária, o trabalho indígena não se fez presente, de forma relevante, no Ceará, haja vista que a exploração do território logo se definiu no sentido da empresa açucareira, para cujas necessidades o escravo africano era mais conveniente. 18..A Bandeira da Cidade de Fortaleza foi idealizada por Isaac Correia do Amaral. É composta de um campo branco sobreposta por uma Cruz de Santo André Azul. No Centro encontra-se um brasão municipal. De quais plantas são os galhos representados no brasão municipal? (IMPARH) a).algodão e café. b).cana-de-açúcar e fumo. c).algodão e fumo. d).cana-de-açúcar e café. 19..As tentativas iniciais dos portugueses de ocupar a capitania do Ceará, na primeira metade do século XVII, foram motivadas por: a).captura de escravos fugidos dos engenhos. b).busca de novas áreas para expansão da lavoura canavieira. c).interesse em fundar núcleos urbanos para proteger os colonos dos indígenas. d).implantação de bases de defesa contra as ações de outras potências coloniais. 20..As três vilas mais importantes do Ceará no período da Pecuária (1720-1790) eram: Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 12 a).Aracati, Sobral e Icó. b).Sobral, Icó e Fortaleza. c).Aquiraz, Fortaleza e Icó. d).Icó, Aracati e Fortaleza. 21..A cidade cearense que, durante o século XVIII, foi o principal porto exportador de charque era: a).Fortaleza. b).Aracati. c).Sobral. d).Paracuru. 22..Baseado no trecho do hino da cidade de Fortaleza, reproduzido abaixo, responda qual o contexto da criação da cidade de Fortaleza: “Junto à sombra dos muros do forte A pequena semente nasceu. Em redor, para a glória do Norte, A cidade sorrindo cresceu. No esplendor da manhã cristalina, Tens as benções dos céus que são teus E das ondas que o céu ilumina As jangadas te dizem adeus.” Letra: Gustavo Barroso / Música: Antônio Gondim. a).associado ao ciclo dos fortes no território da capitania do Ceará. b).resultado da expansão comercial marítima espanhola. c).a necessidade de ocupar e expandir a indústria açucareira. d).o resultado da ocupação das terras litorâneas associados à cultura do gado vacum. 23. Observe os documentos sobre Fortaleza. Documento I: “Em fins de 1810 e primórdios de 1811, esteve na pequena vila de Fortaleza o viajante anglo-portugues Henry Koster, cujo livro Travels in Brazil (...) transmite algumas de suas impressões sobre a sede da Capitania do Ceará (...): A Fortaleza, de onde a Vila recebe a denominação, fica sobre uma colina de areia, próxima às moradias e consiste num baluarte de areia ou terra, do lado do mar, e uma paliçada, enterrada no solo, para o lado da Vila, contém quatro peças de canhão, de vários calibres, apontadas para muitas direções. Notei que a peça de maior força estava voltada para a Vila. A que estava montada para o mar não tinha calibre suficiente para atingir um navio no ancoradouro comum. (Koster apud Girão, 2000, p.12. In: Antônio Luiz de Macedo Silva e Filho, Fortaleza, Imagens da Cidade. Fortaleza, 2004, Museu do Ceará, SECULT, p.32-33. Documento II: Planta da Vila de Fortaleza – 1726 Julgue as assertivas a seguir: I..O texto de Henry Koster (documento I) aponta disparidades em relação a planta de Fortaleza feita pelo capitão-mor Manuel Francês, pois esse mostrou em seu desenho uma Vila mais desenvolvida do que realmente era. II..Ambos os documentos demonstram que a Vila de Fortaleza já demonstrava um grande crescimento econômico oriundo da cotonicultura. III..É perceptível no documento II a preocupação do capitão-mor em demonstrar a grande religiosidade dos moradores da Vila. IV..No período retratado pelo documento II Aracati despontava como grande centro pecuarista do Ceará, condição só conquistada Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 13 por Fortaleza na segunda metade do século XIX, com a cotonicultura. Estão corretas: a).somente I, II e IV estão corretas. b).somente II, III e IV estão corretas. c).somente I, III e IV estão corretas. d).somente III e IV estão corretos. GABARITO 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 * FORTALEZA NO CONTEXTO DO PERÍODO JOANINO (1808-1821) O Brasil no início do século XIX era a principal base de sustentação econômica da Monarquia portuguesa e o Rio de Janeiro era a cidade mais populosa e rica do Império Luso. Entretanto, em fins do século XVIII e início do XIX, já se desenrolavam os processos de independência na América, devido à crise do colonialismo. Somou-se a esses fatos, as disputas pela hegemonia política e econômica européia entre Inglaterra e França, que culminaram na vinda da família real portuguesa para o Brasil, fugindo das tropas napoleônicas que haviam imposto o Bloqueio Continental aos países do velho continente, impedindo-os de comercializarem com a Inglaterra. Ao romper o bloqueio francês, por causa da grande dependência em relação aos britânicos, Portugal foi invadido pelas tropas napoleônicas. Isso ocasionou a transmigração da Corte lusitana para o Brasil em fins de 1807 e início de 1808. Ao chegar ao Brasil, D. João decreta a abertura dos portos, iniciando o processo que culminaria na emancipação política do Brasil. Ao abrir os portos às nações amigas, D. João, rompeu com o exclusivismo comercial português sobre a economia brasileira e, com isso, os brasileiros puderam comercializar diretamente com países europeus. Nesse contexto, as cidades portuárias do litoral brasileiro se beneficiariam e ganharam certa dinâmica comercial. Fortaleza, sede da administração local também foi favorecida, pois foi a partir de seu porto, que se deu o comércio direto com a Inglaterra, fato que trouxe para a cidade muitos comerciantes estrangeiros. A maior parte da produção local era exportada pelo porto de Fortaleza, este, o único local a estabelecer relações comerciais diretas com os britânicos. Mesmo com o aumento das atividades comerciais, Fortaleza ainda não era o centro econômico local, posição ocupada por Aracati. 1. Administração Local Com a emancipação de Pernambuco em 1799, o Ceará passou a possuir gestão própria. Mesmo assim, continuaram a existir ligações comerciais, culturais e políticas entre as duas capitanias. Foi no Seminário de Olinda que boa parte da elite local fora educada; era pelo porto de Recife que parte da produção local era escoada. Entre 1799 e 1821 o Ceará foi governado por nobres decadentes de Portugal. Dentre os cincos portugueses que governaram a capitania, destacaram-se Bernardo Vasconcelos e o Governador Sampaio. Bernardo Vasconcelos comandou a capitania entre 1799 e 1802, foi ele o responsável pela reforma no Porto do Mucuripe (Molhe e Trapiche), buscou romper com a pobreza local incentivando cultivos diversos como o de arroz e mandioca e construiu estradas que escoariam a produção local, a partir de Fortaleza. Ligado à política de centralização posta em prática por Portugal, instalou a Junta da Fazenda do Ceará, casas de inspeção na Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 14 capitania (Fortaleza, 1802), reforçou as forças militares locais para evitar ataques e repelir a influências das idéias revolucionárias que vinham da Europa. Após seu governo, o Ceará enfrentou uma seca em 1804, que afetou a incipiente economia local com a fome e doenças derivadas do flagelo. Em sua gestão percebe-se que a Vila de Fortaleza foi beneficiada com obras de infra-estrutura. Entre 1812 e 1820 temos a gestão do autoritário Manuel Inácio de Sampaio ou, como é mais conhecido (Governador Sampaio). Nesse período, Sampaio promoveu uma série de realizações materiais na cidade de Fortaleza. Com o aumento da arrecadação devido à cotonicultura. Sampaio trouxe para o Ceará o engenheiro Silva Paulet, que elaborou o primeiro plano urbanístico da cidade em 1818. Este plano, em traçado de xadrez, serviria para controlar possíveis revoltas. O mesmo Paulet projetou a atual 10ª Região Militar e o primeiro mercado público local, erguido ainda na gestão de Sampaio. Sampaio ainda instalou a primeira repartição dos correios local e a alfândega da capital. Percebe-se, com isso, que a gestão do Governador Sampaio, no campo das realizações materiais foi favorável ao processo de hegemonia da capital, não com esse objetivo, mas no intuito de centralizar a administração. Isso fica comprovado com a ação do governador na repressão local da “Revolução” Pernambucana de 1817. Política voltada para promover a hegemonia da capital cearense, só se deu após a independência, durante a Monarquia e, em especial, no Segundo Reinado. FORTALEZA E A “REVOLUÇÃO” PERNAMBUCANA DE 1817 A “Revolução” Pernambucana foi um movimento que objetivava a Independência do Brasil em relação à Portugal, além da Proclamação da República. Mas o que ocasionou esse movimento? O Nordeste passava por um intenso período de transformações, seja no campo das idéias, com a expansão das idéias iluministas, ou no campo econômico, com a ampliação da crise devido à diminuição das exportações de vários produtos primários, entre eles o algodão. Também podemos destacar a seca de 1816-17, que prejudicou o setor produtivo de algumas capitanias do Nordeste, aumentando a carestia de alimentos, o que fez que os preços dos produtos básicos para alimentação aumentassem sobremaneira. Os privilégios que muitos portugueses possuíam também foi fator para a revolta, na medida em que boa parte dos cargos administrativos em Pernambuco, por exemplo, era de exclusividade deles. Pode ser acrescentado à esse quadro o monopólio exercido por portugueses sobre diversos segmentos do comércio, além, é claro, dos altos impostos cobrados para manter os gastos da corte portuguesa que residia no Rio de Janeiro. O movimento se iniciou em Pernambuco no dia 6 de março de 1817, sendo deposto o governador Caetano Pinto. Entretanto, as dificuldades para que a revolta desse certo eram que as diferenças internas fossem resolvidas, como a questão sobre a mão-de- obra escrava, e que ocorresse a adesão de outras capitanias, como a do Ceará. A participação cearense era vista como muito importante pelo fato dessa capitania estar geograficamente numa localização estratégica, pois dela as idéias revolucionárias poderiam ser levadas para outras localidades como Maranhão, Piauí e Pará. Outro fator que ampliava a sua importância era a grande capacidade de fornecer alimentos e homens para as tropas, porém a participação cearense não foi tão ampla como se esperava, pois se deu de forma localizada, região do Cariri, e familiar, com os alencares (D. Bárbara de Alencar, Tristão Gonçalves e José Martiniano de Alencar). Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 15 Mas por que o Ceará não participou mais ativamente da Insurreição Pernambucana? Primeiro, devido boa parte da elite cearense era composta por portugueses, que preferiam que o Brasil não ficasse independente. Segundo, havia um temor, por parte das elites, que a revolta saísse do seu controle, pois as camadas populares poderiam por em risco os seus privilégios. E por fim, e não menos importante, no período em que a “Revolução” Pernambucana se iniciou o governador do Ceará era Inácio Sampaio, mais conhecido como Governador Sampaio, homem fiel à corte portuguesa, que não mediu esforços para reprimir qualquer foco de adesão ao movimento pernambucano. Na região do Cariri a família Alencar buscou o apoio do capitão-mor do Crato, Pereira Filgueiras, que inicialmente se mostrava neutro acerca dos acontecimentos, mas que ao perceber que essa revolta seria derrotada se alinhou ao Governador Sampaio. Aumentado ainda mais as dificuldades para o sucesso da revolta em terras cearenses podemos destacar o grande empecilho que era a família Bezerra de Menezes, encabeçada pelo tenente-coronel Leandro Monteiro, que era fiel à Coroa Lusa. Dessa forma os revoltosos cearenses foram derrotados num curto espaço de tempo. Durante alguns meses alguns líderes dos revoltosos cearenses ficaram presos, sendo futuramente seriam levados à julgamento, porém com a Revolta Liberal do Porto, de 1820, eles foram anistiados (perdoados). É de muita importância perceber que a revolta foi derrotada, mas ela possuiu causas, que não foram solucionadas, e que mais cedo ou mais tarde voltaram à tona. Dessa forma, futuramente poderia ocorrer outro movimento de rebeldia, e ocorreu, a Confederação do Equador. Obs.: Revolução é quando ocorrem transformações drásticas numa localidade, quando os interesses do povo prevalecem. Já o que ocorreu em 1817 pode ser mais caracterizado como uma Insurreição, pois as elites não tinham como objetivo central a implementação de reformas amplas para beneficiar as classes baixas, como pobres e escravos. Obs.: Foi durante o governo de Inácio Sampaio que Silva Paulet foi trazido para o Ceará, sendo de sua autoria o projeto de reforma do forte que atualmente é utilizado pela 10ª Região Militar e também a primeira planta que estabelece o formato xadrez a ser aplicado na capital cearense. Obs.: É propagada de forma falsa que a senhora D. Bárbara de Alencar focou detida numa pequena cela na Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção. Ora, é bem verdade que ela ficou detida por algum tempo aqui em Fortaleza, mas depois foi transferida para uma prisão domiciliar. FORTALEZA E A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR – 1824 Em 1822, o Brasil se tornou uma nação independente sendo seu governante D. Pedro I. Diferentemente de inúmeras outras nações sul-americanas, o Brasil não adotou a forma Republicana de governo, mas sim deu continuidade a forma Monárquica. Como se vê o “Brasil mudou sem mudar”. Em 1823 foi reunida a Assembléia Constituinte brasileira composta por 90 deputados que representavam as elites das diversas províncias, sendo José Martiniano de Alencar (pai do escritor de mesmo nome) o representante cearense. Durante as reuniões ficou perceptível a tentativa por parte dos constituintes que a futura Constituição brasileira pudesse limitar o poder do Imperador, além de manter os privilégios das classes dominantes brasileiras. Entretanto, D. Pedro I não aceitou tais medidas, fechando a Constituinte, sendo muitos deputados exilados, outros presos, e a outra parte retornando para casa, a exemplo de José Martiniano de Alencar. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 16 Outro fator agravante das relações entre muitas elites das províncias e o Imperador foi a Constituição outorgada de 1824 que estabelecia: · A divisão do poder em quarto partes: Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador, sendo esse último de exclusividade do Imperador e estando acima dos demais. · Monarquia hereditária (passando de pai para filho). · Voto censitário (só poderia votar quem possuísse uma considerável renda). · O país foi dividido em províncias, sendo o presidente (mesmo que Governador) de cada uma delas era escolhido diretamente pelo Imperador. O que ampliou mais ainda descontentamento por parte de inúmeras províncias do nordeste foi a forma autoritária com que D. Pedro I tratava os problemas dessa região. Vale lembrar que as causas da Insurreição Pernambucana de 1817 ainda perduravam, pois as idéias iluministas ganhavam cada vez mais espaço entre as classes médias, o setor açucareiro ainda passava por uma intensa crise e o descaso para com a população mais carente era facilmente observado. O estopim para a eclosão da revolta se deu quando D. Pedro I depôs o presidente de Pernambuco, Paes de Andrade. Ele, com um grande apoio de vários setores, proclamou em 2 de Julho de 1824 a Confederação do Equador, movimento de cunho separatista e republicano, que objetivou formar um novo país tendo como membros integrantes algumas províncias do Nordeste brasileiro, como Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Esse novo país adotaria provisoriamente a Constituição da Grã-Colômbia. Bandeira da Confederação do Equador Entre os líderes de grande destaque em Pernambuco podemos destacar Paes de Andrade, Cipriano Barata e Joaquim do Amor Divino, mais conhecido como Frei Caneca. O Império brasileiro fez uma forte repressão sob o comando de Francisco de Lima e Silva (pai do futuro Duque de Caxias), e utilizando inclusive serviços de experientes militares estrangeiros como o Lord Cochrane. Um dos maiores problemas internos a Confederação do Equador em Pernambuco era a discussão acerca da mão-de-obra escrava, na medida em que boa parte dos setores populares exigiam o seu fim, já muitos membros da elite queriam a sua continuidade. Assim, é perceptível que a discórdia também envolvia outros assuntos. Dessa forma, o possível perceber que os conflitos internos fragilizaram muito o movimento. Outro ponto importante para a análise era o poderio militar do Império, que era claramente superior ao dos revoltos, e assim as tropas de D. Pedro I obtiveram a vitória sendo Recife invadida em setembro de 1824. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 17 O julgamento dos lideres da Confederação do Equador foi implacável, se é que se pode chamar o que ocorreu de julgamento, pois, sem sombra de dúvida, D. Pedro I queria uma punição exemplar. Por exemplo, o frei Caneca foi condenado à força, porém sendo mudada a condenação para o fuzilamento. A notícia da dissolução da Assembléia Constituinte não foi bem recebida pelo grupo político cearense dos Liberais, que via tal atitude, no mínimo como desrespeitosa, pois desejavam uma maior autonomia para a província, fato que não era bem visto por D. Pedro I e pelo grupo dos Absolutistas, que preferiam um governo forte e centralizado nas mãos do Imperador. A vinculação histórica com Pernambuco, a crise econômica e o autoritarismo do Imperador estão entre os fatores que levaram o Ceará a aderir à Confederação do Equador. Em agosto de 1824 houve uma grande reunião em Fortaleza cujos participantes representavam as mais diversas localidades do Ceará que debateram sobre os mais diversos temas, além de elegerem Tristão Gonçalves como presidente do Grande Conselho. Enquanto as forças rebeldes eram organizadas no Ceará, as tropas do Imperador invadiam Recife, entretanto, mesmo com a derrota do movimento da Confederação do Equador em Pernambuco, a resistência cearense prosseguiu, inclusive Aracati, por alguns dias, se tornou capital da Confederação. As batalhas em terras cearense eram cada vez mais amplas, pois além das tropas imperiais que se dirigiam para essa província, também existiam os absolutistas que aqui residiam e muitos deles eram homens de posses e assim possuindo verdadeiras milícias a seu dispor. Muitas batalhas ocorreram na região do Cariri, a exemplo da comandada por Pereira Filgueiras e José Martiniano de Alencar contra os absolutistas em Jardim. Já Tristão Gonçalves se dirige com suas tropas para a região de Aracati para reconquistá-la, e obteve êxito. O seu próximo passo era se dirigir para a região do Cariri onde uniria forças com Pereira Filgueiras, porém durante o longo percurso muitas batalhas ele enfrentou, e numa delas foi derrotado. Foi na fazenda Santa Rosa, onde até bem pouco tempo atrás existia a cidade de Jaguaribara, que Tristão foi morto e como humilhação as tropas dos absolutistas ou corcundas deixaram o seu corpo ao relento, sendo enterrado dias depois. Pereira Filgueiras se entregou às tropas do governo e José Martiniano de Alencar foi preso na Bahia. Outros líderes da Confederação do Equador receberam pena capital, ou seja, foram condenados à morte, foram eles: · Padre Mororó; · João de Andrade Pessoa Anta; · Francisco Miguel Pereira Ibiapina; · Luís Inácio de Azevedo Bolão; · João de Andrade Pessoa Anta. Eles foram fuzilados no campo do paiol da pólvora, futuramente chamado de Praça dos Mártires, sendo futuramente o nome mudado para Passeio Público de Fortaleza. Hoje, podemos observar que existe uma grande árvore naquele local, um baobá, que foi plantado em homenagem aos mártires (heróis) da Confederação do Equador. Obs.: A denominação capitania é utilizada para o período Colonial (1531-1822); já província é para o Período Imperial (1822- 1889) e por fim estado para o período Republicano (1889-...). Ex: O Ceará colônia era chamado de capitania, já no período Imperial era chamado de província. Obs.: Inácio de Loiola de Albuquerque Melo, mais conhecido como Padre Mororó, foi um dos homens mais atuantes na Confederação do Equador, não na frente de batalha Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 18 convencional, mas sim no campo de batalha da intelectualidade, servindo como valioso instrumento para a Revolução, inclusive estando a frente da elaboração do jornal, o Diário do Governo do Ceará. Padre Mororó, da mesma forma que inúmeros outros religiosos formados no Seminário de Olinda, possuiu uma formação fortemente influenciada pelas idéias iluministas, sendo preparado não apenas para os assuntos religiosos, como também para assuntos do mundo. Sua vida foi retirada no local hoje conhecido como Passeio Público de Fortaleza. FORTALEZA: O PROCESSO DE HEGEMONIA No período posterior à independência, as capitais provinciais do país passaram a exercer uma importância crescente na organização do Estado Nacional brasileiro. Com as funções de coletar e exportar a produção local, ser o centro da arrecadação dos impostos e da repressão, Fortaleza caminha rumo a hegemonia política e econômica local. Em 1823, a Vila de Fortaleza foi elevada à condição política de cidade, fato que lhe conferia mais prestígio e poder. Porém, mesmo com a mudança do status político, a cidade ainda permanece com o seu fraco desenvolvimento econômico, agravado, naquele momento, pela crise da cotonicultura, secas e com a participação local na Confederação do Equador. Obs.: Lembre-se que foi a partir do advento da cotonicultura no séc. XVIII, que Fortaleza começou a se desenvolver economicamente. Obs.: Com a eclosão da Confederação do Equador, a produção local foi desorganizada e gastou-se os poucos recursos com a repressão. Fortaleza aderiu ao movimento devido à impossibilidade de resistir, porém, foi a partir da capital que se deu à repressão local do movimento. Com o fim do Primeiro Reinado e com o início da Regência, Fortaleza passou por uma série de reformas infra-estruturais que iniciaram a fase final do seu processo de hegemonia sobre as demais cidades cearenses. Esse processo se deu, principalmente, a partir da gestão “progressista” de José Martiniano de Alencar (1834-37), na qual inúmeras reformas foram realizadas para dotar a capital de condições básicas para exercer a função de coletora e exportadora dos bens locais. As principais obras atribuídas a Alencar que favoreceram a capital foram: · Construção de estradas que ligavam a capital às principais áreas produtoras locais; · Construção de pontes; · Inaugurou a iluminação pública em algumas ruas da capital; · Construção de cacimbas e chafarizes. Essas reformas ajudaram Fortaleza a se consolidar como centro político e econômico da província durante o Segundo Reinado. Hegemonia se consolida Durante o período Regencial ocorreram inúmeros levantes em várias partes do país que ocasionou enormes instabilidades políticas. Muitos desses levantes se deram devido à descentralização que ocorreu entre 1831 e 1834. Após 1837, com o avanço dos Regressistas, começa a ocorrer um processo de centralização a partir do Rio de Janeiro, que visava garantir o controle e a unidade nacional, tendo como centro irradiador do poder a então capital imperial. Em reação a esse avanço Regressista, o grupo dos Progressistas promoveu o golpe da maioridade em 1840, adiantando a posse do imperador D. Pedro II. Ao se iniciar o Segundo Reinado, com o golpe de 1840, começa a se efetivar a política centralizadora, a partir das capitais Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 19 provinciais, que visava à consolidação do Estado Nacional brasileiro. Obs.: Lembre-se que aqui, o processo se intensificou, posto que já havia começado no Primeiro Reinado. As capitais do país sofreram inúmeras transformações para poderem se adaptar as exigências centralizadoras do Império. Fortaleza, por ser a capital local, se beneficiou diretamente com essa política, pois seria o foco principal de onde se emanaria a autoridade monárquica na província. Era de Fortaleza que saíam as mais importantes decisões políticas locais. Porém, Fortaleza ainda não era o centro da economia local. Para que a política centralizadora do império pudesse se consolidar em Fortaleza, era preciso que ela se firmasse como centro coletor e exportador dos produtos locais, concentrando, assim, a arrecadação dos impostos. Nesse sentido, foram tomadas umas séries de medidas para tornar Fortaleza o centro da arrecadação local. Veja algumas medidas importantes adotadas pelo Império para favorecer a capital: · Abriu novas estradas ligando a capital ao interior onde se produziam os bens locais que eram exportados pelo Porto do Mucuripe; · Reforma no Porto do Mucuripe; · Fechamento da alfândega de Aracati, em 1851, o que deu a Fortaleza o monopólio do comércio exportador; · Construção de ferrovias para escoar a produção local (maior exemplo foi a EFB-1870, que ligaria Fortaleza às regiões produtoras de café e algodão). Apesar de a política centralizadora do império ser considerada uma das razões básicas para a hegemonia de Fortaleza, ela não foi à única a colaborar para tal hegemonia. O processo de hegemonização política e econômica em Fortaleza tem a ver, também, com a política e economia internacional e com a própria geografia da cidade. Em meados do século XIX, houve uma grande expansão da cotonicultura local, devido a Guerra Civil americana (1861-65), que desorganizou a produção algodoeira de lá e favoreceu a emergência de outros produtores de algodão como o Ceará. Também houve um avanço na pecuária e o advento de um novo produto na economia local: o café, produzido, principalmente, em regiões serranas como Maranguape e Baturité. Todo esse quadro de relativa prosperidade econômica beneficiou a capital na medida em que, era pelo Porto do Mucuripe que eram exportados esses produtos. A cidade ganhava dinâmica comercial. Além disso, ainda ficava próxima das regiões que produziam os principais produtos locais, como o algodão (Itapipoca, Caucaia, Meruoca e Uruburetama) e o café (Baturité e Maranguape). A proximidade reduzia os custos com o transporte e, conseqüentemente, favorecia Fortaleza. Vale lembrar, que o couro era outro produto que gerava certa renda e que era exportado pelo porto de Fortaleza. Com tudo isso, Fortaleza chega em meados do século XIX como principal centro político e econômico da província, com a função de tomar e repassar as decisões políticas do Império referentes ao Ceará e de coletar e exportar os produtos locais. Daí em diante, não perderia mais o posto de cidade hegemônica. FORTALEZA BELLE ÉPOQUE (1860-1930) 1. Contexto Internacional: O século XIX pode ser considerado um dos momentos fundadores do mundo Contemporâneo. Foi o século do Liberalismo, da criatividade humana, da consolidação do Capitalismo e da burguesia com seus valores como hegemônicos, da expansão das idéias filosóficas e científicas que tinham como cerne a Europa. O século XIX pode mesmo ser considerado “um século europeu”; que marcou o início do processo de mundialização da economia, que hoje conhecemos por Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 20 globalização. Os capitais e capitalistas europeus se expandiram por várias partes do mundo e, interligando-as a partir das inovações advindas com a segunda etapa da Revolução Industrial, puderam exercer a sua influência cultural, política e econômica nas diversas partes do globo. Toda essa influência européia se refletiu na produção filosófica e científica com a disseminação das idéias cientificistas (evolução das espécies de Charles Darwin), da Filosofia Positivista de Comte e das idéias racistas de Herbert Spencer, com a adaptação da teoria de Darwin para as ciências humanas (darwinismo social). Todas essas idéias tinham origem na Europa, na época, o modelo a ser seguido de “civilização e progresso”. No Brasil essas idéias e padrões culturais europeus chagavam constantemente e influenciavam as elites que queriam seguir os valores europeus, principalmente na segunda metade do século dando início ao período que ficou conhecido como Belle Époque (belos tempos). A própria expressão, de origem francesa, já mostra as dimensões da influência européia na cultura brasílica. 2. Definição do termo Belle Époque: Expressão utilizada pelos historiadores para designar o conjunto de transformações culturais, sociais, políticas, econômicas e infra-estruturais que ocorreram em Fortaleza entre as décadas de 1860 e 1920 de acordo com os padrões culturais europeus. A expressão vem em francês devido a forte influência cultural daquele país no mundo ocidental do século XIX, o que não quer dizer que a França era o único país a influenciar a sociedade local. Em termos econômicos, a influência inglesa era muito mais forte que à francesa. Obs.: A Belle Époque ocorreu em várias cidades do Brasil como Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus e Florianópolis. Ou seja, não foi um fenômeno restrito à Fortaleza. 3. Características econômicas de Fortaleza na segunda metade do século XIX: A Fortaleza da segunda metade do século XIX já estava consolidada como centro hegemônico na economia da Província cearense. Era por seu porto que saíam os principais produtos da economia cearense (algodão, café, ceras e óleos vegetais) e era nela que se desenvolviam as principais atividades comerciais locais e internacionais. A partir da Guerra Civil Americana (1861-64), que colocou mais uma vez a cotonicultura cearense em evidência no mercado internacional, tivemos um crescimento econômico acelerado que possibilitou a formação de setores médios urbanos letrados, as posteriores transformações estruturais na cidade e os contatos culturais com os diversos estrangeiros que vieram para a capital alencarina investir os seus recursos, como foi o caso dos Boris Fréres e dos Ellery. Com a recuperação da economia estadunidense a cotonicultura local entra em crise, reduzindo as rendas dos capitalistas locais e fazendo surgir as primeiras indústrias em Fortaleza, como foi o caso da Fábrica Têxtil Progresso na década de 1880. Nas últimas décadas do século, Fortaleza foi assolada por secas e por uma série de doenças que ocasionaram um certo marasmo econômico, fato que não impediu a ocorrência de transformações estruturais na urbe. 4. Reforma urbana e controle social: A série de reformas a que foi submetida Fortaleza nas últimas décadas do século XIX e início do XX esteve relacionada às idéias em voga na Europa, em especial, ao “saber médico social”. Essas reformas visavam o controle, a higienização e disciplinarização social das classes subalternas da capital. Além dessas motivações sócio-políticas, também esteve presente o ideal de aformoseamento, ou seja, buscava-se embelezar a capital Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 21 alencarina. Todas essas reformas infra- estruturais traziam implícitos os padrões de civilização e progresso que fundamentaram ideologicamente as principais deliberações políticas no Brasil e no Mundo em fins do XIX. Obs.: O saber médico social colocado em prática na Fortaleza da segunda metade do XIX era inspirado na medicina urbana francesa, que se fundamentava na idéia de manter corpos e mentes sadias para uma maior produção e a conseqüente valorização do trabalho para se alcançar o progresso e a riqueza (uma bio-política segundo Foucalt). 4.1. As Primeiras reformas: Apesar de a Belle Époque ter como momento marcante de seu início a década de 1860, foi na década anterior que começou a ser feita a primeira mudança estrutural na capital com a construção do Lazareto da Lagoa Funda em 1856, dando o pontapé inicial para as demais transformações estruturais que marcaram a capital alencarina entre as décadas de 1860 e 1920. Como as reformas foram inúmeras, destacaremos as que obtiveram maior destaque e que simbolizaram de alguma forma a Belle Époque em Fortaleza. Sendo assim, temos: Quadro do aparato urbano de Fortaleza · 1845 – Liceu do Ceará; · 1846 – Farol do Mucuripe; · 1856 - Lazareto da Lagoa Funda em 1856; · 1857 – Calçamentos; · 1861 – Santa Casa de Misericórdia; · 1865 - Biblioteca Pública; · 1867– Canalização de água Potável (Ceará Water Company); · 1867 – Biblioteca Pública; · 1867 – Canalização de água potável em 1867 e em 1927 a inauguração do sistema de abastecimento de água e esgoto; · 1870 – Década em que foi reformado o Porto do Mucuripe; · 1873 – Estrada de Ferro Fortaleza-Baturité; · 1873 – Construção da Estação Ferroviária Professor João Felipe; · 1875 – Novo Plano Urbanístico de Adolfo Herbster em 1875; · 1880 – Companhia de Bondes; · 1880 – Construção do Passeio Público; · 1880 – Passeio Público; · 1881 – Telégrafo; · 1883 – Telefone; · 1886 – Iluminação a gás carbônico; · 1886 – Linhas de Navios a vapor para Europa e Rio de Janeiro; · 1886 – Asilo São Vicente de Paulo; · 1897 – Mercado de Ferro; · 1902 – Reforma nas principais praças da capital; · 1910 – Teatro José de Alencar; · 1913 – Instituto de Proteção a Infância; · 1914 – Energia Elétrica; · 1917 – Cine Majestic; · 1922 – Cine Moderno. Das reformas citadas acima, algumas merecem destaque e comentários específicos devido aos seus significados e motivações. Seguindo as diretrizes do saber médico social tivemos as construções do Lazareto, Santa Casa e o cemitério São João Batista, em lugar afastado do núcleo central da cidade na época. Vejamos, o Lazareto foi construído com o intuito de isolar os leprosos em lugar específico para evitar o contágio das doenças mais perigosas; a santa Casa veio com a finalidade de prestar assistência imediata aos que padeciam de enfermidades menos graves; o São João Batista para evitar a propagação de doenças ocasionadas pelo contato com os cadáveres em degeneração, pois na época principal cemitério era o São Casemiro, que se localizava onde fica a atual Estação João Felipe, ou seja, bem no perímetro central ocasionado várias doenças. A idéia era achar o foco da doença e erradicá- lo. Inspirada nas reformas efetuadas em Paris pelo Barão de Haussmam na década de 1850, seguindo as diretrizes higienistas e buscando disciplinar o crescimento urbano da capital, Adolfo Herbster elaborou a sua Planta Topográfica da Cidade da Fortaleza e Subúrbios (1875) com traçado em formato de xadrez, ampliando a elaborada pioneiramente na capital cearense por Silva Paulet em 1818. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 22 A planta acrescentava três grandes logradouros à original de Paulet (atuais Duque de Caxias, Dom Manuel e Imperador), visando escoar com maior facilidade o trânsito da cidade, que crescia constantemente, e, com seu perfil ortogonal, possibilitar o controle de eventuais revoltas contra o poder instituído. Afinal, com ruas retas e convergentes é bem mais simples para o poder público cercear possíveis levantes populares, o que por sua vez não significa, obrigatoriamente, o sucesso na repressão (em 1912 os populares de Fortaleza depuseram Accioly mesmo com a nova Planta). Além dessas finalidades sócio- políticas é relevante salientar que a mesma buscava ampliar a circulação do ar pela urbe para evitar a propagação de endemias como a Tuberculose, uma das principais doenças que afligiram a Fortaleza das primeiras décadas do século XX. A construção da EFB e as reformas no Porto do Mucuripe visavam dotar a capital de infra-estrutura básica para as transações comerciais locais e internacionais. A EFB escoava para Fortaleza a maior parte dos produtos da economia cearense e o Porto exportava-os para várias partes do mundo e importava as mercadorias estrangeiras, possibilitando contatos culturais com outros povos, fato que se refletiu no comportamento da elite fortalezense com o seu afrancesamento. Com as reformas no Passeio Público, e a construção do Teatro José de Alencar, percebe-se o interesse das elites em colocar Fortaleza de acordo com os ideais de civilização e progresso com a construção de espaços conspícuos de sociabilidade, controle e diferenciação social como nos informa o historiador Antônio Luiz com os significados do Passeio Público: “Embora destinado ao lazer, o Passeio mantinha normas que disciplinavam seus freqüentadores, como a exigência de belos trajes e boas maneiras. Sua própria constituição espacial significa um permanente exercício de discriminação simbólica, pois as diferentes classes sociais ocupavam planos separados do jardim”. (Antônio Luiz Macedo e Silva Filho. Fortaleza: Imagens da cidade. Fortaleza: Museu do Ceará, SECULT, 2004, p.97). Passeio Público de Fortaleza - Passeio Público de Fortaleza – 1909 No caso do Teatro José de Alencar, historiador Sebastião da Ponte ressalta os seus significados: “(...) em 1910, surgiu na reformada Praça Marquês de Herval [hoje José de Alencar], a maior obra arquitetônica de Fortaleza até o presente e densa de significados artísticos e culturais para a Capital: o Theatro José de Alencar. De pronto considerado um dos mais belos do País, o teatro mereceu entusiástico comentários que o apontavam como fator decisivo para a constituição de uma ordem civilizatória na cidade (...)”. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 23 (Sebastião Rogério da Ponte. Fortaleza Belle Époque: reformas urbanas e controle social (1860-1930) – 3ª ed. Ed. Demócrito Rocha, 2001, p.42). A opinião dos historiadores nos mostra a dimensão dessas reformas no cotidiano e na propaganda da capital fora do Ceará. O Passeio Público, dividido em três planos, consagrava a segregação social típica de uma sociedade capitalista ou em processo de transição para o mesmo, como era o caso da Fortaleza do período. O teatro vinha consagrar a capital alencarina como cidade civilizada e marcada pelo progresso. Construído em estilo arquitetônico eclético, com frontispício em art-noveu, o teatro possuía uma clara influência européia em sua constituição física, o que por vez, refletia o afrancesamento da elite local. 5. O afrancesamento da elite fortalezense e a resistência dos populares: As décadas que marcaram a Belle Époque em Fortaleza, trouxeram transformações que extrapolaram o estrutural e alcançaram dimensões culturais, enraizando costumes e práticas tipicamente européias na sociedade local. Era a época do mercibocu, mad mouselle e wi, dentre tantas outras expressões em francês. Essa influência francesa também se deu na Filosofia, com as idéias Positivistas de Comte; na Literatura com a admiração por poetas franceses como Victor Hugo e Baudellére. A indumentária (vestimenta) também seguia a mesma linha. As roupas em estilo europeu estavam presentes no dia a dia da elite local, que se apresentava com vestimentas ditas chiques e na moda (criação da indústria capitalista do século XIX). Essa situação gerava um quadro extremamente cômico, posto que as roupas européias eram longas e com várias camadas de tecidos que se sobrepunham, ou seja, projetadas para o frio do velho continente. No calor da Terra do Sol, as elites esbanjavam toda a sua elegância e espírito esnobe para com o restante da população, posto que o afrancesamento foi muito mais uma característica da burguesia local do que um fenômeno geral na cidade. Chegamos a essa conclusão porque as classes subalternas não possuíam recursos nem para se alimentarem corretamente, quiçá para comprar roupas chiques. Porém, isso não exclui os efeitos do afrancesamento nas classes populares, só não se pode exagerar e generalizá-lo. Um bom exemplo para comprovar essa situação exposta acima é o depoimento de Bem-Bem Garapeira, um fortalezense vendedor de garapa que viajou para Paris em busca de conhecer a famosa cidade que inspirava muitos de seus conterrâneos, e que é citado no livro Fortaleza Belle Époque do historiador Sebastião da Ponte: “Bembém foi e voltou rapidamente. Lamentava apenas ter ido tarde, não podendo assistir à decapitação de Maria Antonieta... ‘Aquilo é que era cidade! Dizia entusiasmado – No hotel onde me hospedei fui obrigado a escrever meu nome. Como a língua era outra, escrevi: Bien Bien e, mais embaixo: Garapière. E completava: Olhe, lá eu só andava com um homem chamado Cicerone, que sabia português como eu. Terra adiantada aquela: todo mundo falando francês, até mesmo os carregadores chapeados, as mulheres do povo e as crianças! Bembém não se cansava de falar da França e completava declarando que lá, a única palavra que ouvira em português fora mercibocu... A conselho de um intelectual perverso mandou imprimir um cartão para distribuir com amigos e fregueses: Bien-Bien–Garapière – Fortaleza/Ceará”. (Otacílio Azevedo. Fortaleza Descalça. In: Sebastião Rogério da Ponte. op. cit. p.145) 5.1. Os tipos populares: Entre as diversas análises que existem a respeito da cultura brasileira destaca-se, dentre outras, a de Sérgio Buarque de Holanda que informa: “Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade – Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 24 daremos ao mundo o ‘homem cordial’. A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro (...)”. (Sérgio Buarque de Hollanda. Raízes do Brasil – 26ª ed. São Paulo: Cia. Das Letras, 1995, p.146.) Concordamos com o autor no que se refere às relações pessoais e a afetividade como traço característico da cultura nacional, porém, o brasileiro, quando sufocado até os seus limites, reage de formas diferenciadas. Temos exemplos de revoltas, greves, movimentos religiosos etc. Dentre as formas de resistência que se destacaram na Fortaleza no período de Belle Époque temos o humor. O riso se tornou umas das principais formas de reagir ao afrancesamento e aos males da sociedade local. É da irreverência dos diversos tipos populares que existiram em Fortaleza nessa época que vem o epíteto “Ceará Moleque”. Para designar a sátira, o hilário, o cômico que eram uma constante na capital alencarina de fins do XIX e início do XX criou-se esse epíteto que desagradava à elite local, que se pretendia civilizada e moderna. Foram vários os tipos populares que alegravam a capital cearense nesse período com suas roupas esfarrapadas, suas sátiras, esquisitices, distúrbios mentais, manias peculiares e aparência física. O historiador Sebastião da Ponte informa que: “Os ‘tipos populares’, como ficaram conhecidos, eram, em geral, pessoas pobres, desocupados ou sem trabalho fixo, de origem e domicílio incertos. Como os demais despossuídos que abundavam pelas ruas, eram depauperados e maltrapilhos”. (Sebastião Rogério da Ponte. op. cit. p.177) Entre os vários que se destacaram na cidade da época tivemos o Casaca de Urubu, que lutara em Canudos; o De Rancho, que usava uma carabina sem funcionalidade para “atirar” nas pessoas; o Pilombeta, que “odiava a palavra trabalho”, o Tostão, que fora quimoeiro e vários outros. Todos, com suas manias e esquisitices, se utilizaram do riso como uma forma de resistência para amenizar os males do dia a dia. Porém, além de pessoas, tivemos o famoso bode Yôyô, com destaque especial. Trazido por um retirante para Fortaleza no contexto da seca de 1915 o bode fez parte do cotidiano dos fortalezenses até 1931, quando faleceu e foi embalsamado pela firma que era a sua proprietária. O humor e sátira eram tão fortes nos populares de Fortaleza, que os mesmos, no início do século XX, chegaram a vaiar o sol na Praça do Ferreira (centro do “Ceará Moleque”) porque o astro já não dava o ar da graça há uma semana. 6. As contradições sociais – O feio na Belle Époque: Nem tudo foi belo e alegre na Belle Époque como pretendiam as elites burguesas locais. As secas, as doenças e o descaso das autoridades públicas para com os pobres ofuscaram a aureola dos belos tempos. Mesmo com a aplicação constante do saber médico social nas obras estruturais da capital cearense, as endemias continuavam a ocorrer constantemente. Só para citar alguns exemplos temos: entre 1862-64 ocorreu uma forte epidemia de cólera morbus; no contexto da seca de 1877-79 aproximadamente 50 mil pessoas padeceram de fome, varíola etc; em 1900, mais uma seca que espalhou o espectro da varíola; a tuberculose matou inúmeros e até mesmo a Peste Negra (Peste Bubônica) marcou presença naquele contexto lúgubre (1900 e em 1920). Para a compreensão desses momentos de aflição generalizada é preciso que se destaque a relação direta que as endemias tinham com as secas. A seca de 1877-79 foi um dos momentos mais dramáticos da história local. Ela trouxe para Fortaleza aproximadamente 100 mil retirantes que se Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 25 amontoavam pelos cantos da cidade em busca da existência. O historiador Tyrone Pontes relata a situação dos flagelados da seguinte maneira: “Os retirantes em Fortaleza alteraram a dinâmica da cidade. Nas ruas centrais, batiam de porta em porta pedindo esmolas. Nos arredores, invadiam roçados. Em toda a província os proprietários temeram os grupos de famintos. Quando reunidos em multidões, muitas vezes saquearam os depósitos de alimentos do governo. Ao longo da seca os retirantes foram experimentando meios de sobrevivência que extrapolavam os limites da ordem social”. (Tyrone Apollo Pontes Cândido. Trem da Seca: sertanejos, retirantes e operários – 1877-1880. Fortaleza: Museu do Ceará, SECULT, 2005, p.20). A partir desse breve relato percebe-se as dimensões da aflição social causada pelas secas na sociedade fortalezense. O ponto zênite dessa calamidade ocorreu em 10 de dezembro de 1878 (o dia dos mil mortos), onde 1004 pessoas padeceram. As causas das mortes eram diversas, alguns morriam de fome, outros por enfermidades como a varíola (companheira constante das secas) etc. Buscando sobreviver em meio a essa hecatombe social, muitos retirantes acabavam por se expor a situações extremamente perigosas para a sua já combalida saúde, como eram os casos dos “Quimoeiros” (carregadores de fezes em vasos chamados de Quimoas) e os “Gatos Pingados” (pessoas que transportavam os defuntos para o cemitério). Esses trabalhadores recebiam salários baixíssimos para realizarem atividades que poucos se dispunham a fazer, devido a sua periculosidade, pois a qualquer momento poderia haver o contágio da doença que afligia o falecido. Essas pessoas só realizavam esses trabalhos porque quase não havia outra saída para a existência, ou se corria o risco de morrer contagiado por alguma doença, ou se padeceria de fome. Outra forma de emprego desses flagelados da seca foi nas obras de remodelamento da cidade, em especial na Estrada de Ferro Fortaleza-Baturité. O emprego dos retirantes tinha duas razões sócio-políticas básicas para a burguesia local: primeiro porque as elites locais defendiam a disciplina dos pobres a partir do trabalho e segundo porque ela soube se aproveitar da miséria dos retirantes para angariar fundos para promover o embelezamento da cidade e, conseqüentemente, enquadrá-la nos ideais de civilização e progresso. Isso é o que chamamos de indústria da seca. Essa situação é reveladora de uma das principais características da seca que é exposta pelo historiador Frederico de Castro Neves: “(...) o ano de 1877 se tornou um marco na compreensão do problema da seca e o impacto causado pelas cenas que então se desenrolaram fixou-se profundamente na cultura. Neste momento, a irregularidade de chuvas deixa de ser ‘apenas’ uma questão climática para se tornar uma questão social, que a todos afeta e que o Estado brasileiro não poderá mais ignorar. De fato, inaugura-se neste momento a seca tal qual a entendemos hoje: miséria, fome, destruição da produção, dispersão da mão-de-obra, migrações, invasões às cidades, corrupção, saques...”. (Frederico de Castro Neves. “A seca na história do Ceará”. In: Simone de Sousa (org.). Uma Nova História do Ceará – 2ª edição. Ed. Demócrito Rocha, 2002, p.80). Portanto, o problema da seca não é climático e sim, político. Se houvessem políticas públicas eficientes voltadas para o combate das secas e de seus males, seria pouco provável que as secas atingiriam tamanhos impactos sociais. E mais, além de políticas públicas eficientes, é preciso que haja políticos competentes e honestos, pois outros graves problemas que maximizam os males da seca são os desvios e a má aplicação das verbas de combate às mesmas. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 26 O que se viu de políticas públicas no contexto das secas que atingiram o Estado e a capital no contexto da Belle Époque, foram políticas voltadas para combater a “vadiagem”, ocupando os retirantes de alguma forma e outras voltadas para o isolamento desses em locais específicos chamados de Campos de Concentração, que surgiram a partir de 1915. 7. Os anos 1920 e o início do fim dos belos tempos: A década de 1920 foi um dos momentos “fundadores” da sociedade brasileira atual. Ficou marcada, dentre outras coisas, pela crise da República Velha, pela crise mundial de 1929, pela luta das mulheres por direito de voto e melhores oportunidades de trabalho, e pelo Movimento Modernista, que propunha novos valores para a formação de uma identidade propriamente nacional. Em Fortaleza, a década de 1920 representou o início do declínio da Belle Époque (consolidado somente nos anos 1940), a cidade sofreu mais uma série de reformas urbanas, ocorreram greves operárias, surgiram os primeiros bairros elegantes (Jacarecanga), crescia o contingente populacional, o número de automóveis etc. Ganhou destaque por suas realizações na Fortaleza dos anos 1920, o prefeito Godofredo Maciel (1924-28). Em sua gestão municipal, finalmente foi inaugurado o serviço de abastecimento de água e esgotos (1927), novas avenidas foram construídas ligando o centro à praia e foi realizada uma grande reforma na Praça do Ferreira, retirando-se os antigos cafés em estilo francês para liberar o trânsito em torno da praça, o que, por sua vez, já nos dá indícios de uma minimização da influência francesa, apesar de a mesma ser ainda muito forte. Com a chegada constante dos retirantes, o núcleo central da cidade foi crescendo consideravelmente, fato que misturava a elite local com segmentos populares e fez com que essa elite buscasse espaços isolados para a sua residência. É nesse contexto que o Jacarecanga vai aparecer como uma área de residências chiques, onde as elites burguesas locais podiam se diferenciar dos demais. As mulheres também deram a sua contribuição para a dinâmica capital cearense dos anos 1920. Com comportamentos mais ousados (vestidos e cabelos mais curtos e com o uso de roupas de banho etc.), as mulheres entraram na sena política buscando isonomia com os homens. EFERVESCÊNCIA INTELECTUAL EM FORTALEZA (1870-1900) As últimas décadas do século XIX foi um dos momentos mais brilhantes da produção intelectual cearense. Tivemos o movimento abolicionista local, o surgimento de vários grêmios literários, do Instituto Histórico do Ceará, da Academia Cearense de Letras (1894) - precursora da nacional - e o destaque de muitos intelectuais como Antônio Sales, Rodolfo Teófilo, Rocha Lima, Capistrano de Abreu etc. Foi um momento em que, como já foi visto, a influência das idéias européias chegavam constantemente na capital cearense. Foram as concepções cientificistas e filosóficas da Europa que nortearam os trabalhos dos intelectuais cearenses. Dentre elas destacaram-se o Positivismo de Comte, O Evolucionismo de Darwin, a Geografia de Ratzel dentre tantos outros pensadores europeus. Fortaleza foi o centro irradiador das idéias desses intelectuais locais. Após o segundo surto algodoeiro na província cearense, surgiu uma classe média na capital que, em contato com as influências européias, começaram a realizar reflexões sobre o Brasil. É interessante percebermos que, mesmo com o desenvolvimento das atividades comerciais em Fortaleza, a capital possuía aproximadamente 30 mil habitantes e poucas instituições educacionais. De uma Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 27 forma geral, a maior parte dos fortalezenses eram iletrados. No contexto da efervescência intelectual, a capital cearense possuía algumas escolas como o Ateneu Cearense, o Liceu (desde 1845), o Colégio Imaculada da Conceição para mulheres e o Colégio Cearense para homens e mulheres. Mesmo com um quadro em parte desfavorável, a cidade viveu um dos pontos culminantes nas discussões de idéias e produção cultural. Uma das primeiras agremiações que surgiu em Fortaleza neste contexto foi a Academia Francesa (1873-75). Segundo o historiador Sânzio de Azevedo: “Essa Academia Francesa, na verdade, não era nem academia e nem francesa: segundo Dolor Barreira, foi Rocha Lima quem, já sabedor da existência da chamada Escola de Recife, onde predominavam as idéias germânicas, chamou, por gracejo, seu grupo de Academia Francesa, pelo fato de lerem Comte, Taine, Littré, Burnof, Renan, Quinet e outros luminares do pensamento francês, embora também lessem Darwin, Spencer, Stuart Mill, Kant, Schopenhauer, Ratzel, Buckle e outros autores alemães e ingleses.” (Sânzio de Azevedo. Grêmios Literários do Ceará. In: Simone de Sousa (org.). História do Ceará. Ed. Demócrito Rocha, 1989, p.181). A partir da observação dos pensadores citados pelo autor, constatamos a forte influência exercida pelas idéias européias em Fortaleza. Na Academia Francesa, segundo Sânzio, um dos grupos mais importantes da cultura local, houve a participação de intelectuais como Rocha Lima (um dos fundadores), Tomaz Popeu, Capistrano de Abreu, Xilderico de faria e outros. A partir do Jornal maçônico “Fraternidade”, alguns membros da Academia expunham suas idéias, que se chocavam com as dos católicos, representados pelo jornal “Tribuna Católica”. Esse quadro gerou uma das grandes rixas intelectuais no Ceará que perdurou até as primeiras décadas do século XX: pensamento católico versus pensamento leigo. Além de relacionada ao jornal Fraternidade, a Academia Francesa estava ligada à Escola Popular, que lecionava aulas gratuitas para operários de Fortaleza entre 1874-75. Realizando palestras, debates e conferências gratuitas, alguns intelectuais da Academia pretendiam civilizar o trabalhador local e encaixá-lo nos modelos de progresso e civilização. Na década de 1880 surgiram mais duas agremiações, o Clube Literário (1886) e o Instituto do Ceará (1887). O Clube Literário iniciou o Realismo local e contou com a participação de intelectuais como Antônio Bezerra, João Lopes e Justiniano de Serpa, dentre outros. Já o Instituto do Ceará era uma instituição de caráter científico. Foi fundado com o intuito de promover a história do Ceará. Apesar de todas essas agremiações terem sido extremamente importantes na produção cultural local, foi na década de 1890 que surgiu a mais famosa das sociedades literárias da historia local: a Padaria Espiritual (1892- 98). Fundada por Antônio Sales em 1892, a Padaria pode ser considerada precursora do Modernismo no Brasil. Além de Antônio Sales, outros intelectuais como Ulisses Bezerra, Rodolfo Teófilo, Adolfo Caminha, Temístocles Machado e vários outros pensadores se destacaram na Padaria. Essa agremiação ficou marcada pela originalidade, criatividade, sátira e espírito crítico e anticlerical de seus participantes. Pode ser dividida em duas fases que mesclaram trabalho com humor: a primeira vai de 1892 a 1894 e foi marcada pelo humor; a segunda foi de 1894 a 1898 com foco maior no trabalho intelectual. Os participantes se auto-intitulavam padeiros e possuíam no jornal O Pão o seu meio de comunicação com o público. Segue o perfil dos padeiros: “A Padaria Espiritual foi formada por um grupo de amigos, amantes das ‘Letras e Artes’, rapazes oriundos dos setores médios e Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 28 baixos da cidade e do interior. Eram funcionários da alfândega, caixeiros, escritores menores, sem filiação com as facções político-oligárquicas e buscavam ascensão pública e social [na época o trabalho intelectual dava bastante prestígio] (...) Cientes da batalha no ambiente intelectual, sobretudo reconhecendo as relações de poder na imprensa de Fortaleza, os padeiros apresentaram ao público sua leitura da realidade local, a tomarem suas experiências cotidianas como inspiração – característica de uma literatura modernista”. (Gleudson Passos Cardoso. Padaria Espiritual: biscoito fino e travoso. Museu do Ceará, SECULT, 2002, p. 34-35). Algumas Partes do Regulamento da Padaria · Fica organizada, nesta cidade de Fortaleza, capital da "Terra da Luz", antigo Siará Grande, uma sociedade de rapazes de Letras e Artes, denominada Padaria Espiritual, cujo fim é fornecer pão de espírito aos sócios em particular, e aos povos em geral; · Haverá um livro especial para registrar-se o nome comum e o nome de guerra da cada Padeiro, sua naturalidade, estado, filiação e profissão a fim de poupar-se à Posteridade o trabalho dessas indagações; · O distintivo da Padaria Espiritual será uma haste de trigo cruzada de uma pena, distintivo que será gravado na respectiva bandeira, que terá as cores nacionais; · Durante as fornadas, os Padeiros farão a leitura de produções originais e inéditas, de quaisquer peças literárias que encontrarem na imprensa nacional ou estrangeira e falarão sobre as obras que lerem; · É proibido o uso de palavras estranhas à língua vernácula, sendo, porém, permitido o emprego dos neologismos do Dr. Castro Lopes; · Aquele que durante uma sessão não disser uma pilhéria de espírito, pelo menos, fica obrigado a pagar no sábado café para todos os colegas. Quem disser uma pilhéria superiormente fina, pode ser dispensado da multa da semana seguinte; · O Padeiro que for pegue em flagrante delito de plágio, falado ou escrito, pagará café e charutos para todos os colegas; · Será julgada indigna de publicidade qualquer peça literária em que se falar de animais ou plantas estranhos à Fauna e à Flora brasileiras, como: cotovia, olmeiro, rouxinol, carvalho etc; · São considerados, desde já, inimigos naturais dos Padeiros - o Clero, os alfaiates e a polícia. Nenhum Padeiro deve perder ocasião de patentear seu desagrado a essa gente; · A Padaria Espiritual obriga-se a organizar, dentro do mais breve prazo possível, um Cancioneiro Popular, genuinamente cearense; · Logo que estejam montados todos os maquinismos, a Padaria publicará um jornal que, naturalmente, se chamará O Pão; · A Padaria desejaria muito criar aulas noturnas para a infância desvalida; mas, como não tem tempo para isso, trabalhará por tornar obrigatória a instrução pública primaria; · O Padeiro que, por infelicidade, tiver um vizinho que aprenda clarineta, pistom ou qualquer outro instrumento irritante, dará parte à Padaria que trabalhará para pôr termo a semelhante suplício; ESCRAVIDÃO E ABOLICIONISMO EM FORTALEZA (1879-1884) A escravidão marcou a formação cultural e econômica do Brasil, país que recebeu o maior número de escravos africanos na história da humanidade. No ceará, isso não poderia ser diferente. Durante muito tempo propagou-se à idéia de que “(...) ‘no Ceará não existiu negro’. Frase que traz uma carga de ironia e marca de um equívoco histórico. A idéia postulada é de que no Ceará não tem negro porque a escravidão foi pouco expressiva. Isto leva a uma lógica perversa: associar negro à escravidão”. (Eurípedes Funes. Negros no Ceará. In: Simone de Sousa (org.). Uma Nova História do Ceará – 2ª edição. Ed. Demócrito Rocha, 2002, p.103). Sabe-se muito bem que, historicamente, o escravismo foi relativamente fraco no Ceará, quando comparado com a sua importância na Lavoura açucareira em Pernambuco e com a Lavoura cafeeira no Sudeste. A escravidão existiu no Ceará, porém em menor escala, pois as principais atividades econômicas do Estado (Pecuária e Cotonicultura) utilizaram muito pouco o elemento negro, isso devido ao custo benefício e as próprias condições de produção, que dificultavam tal uso sistemático. Em mais um dos paradoxos da história, foi o Ceará que entrou para a mesma como a primeira província brasileira a abolir a escravidão oficialmente (1884), vindo deste fato a alcunha do jornalista e abolicionista José do Patrocínio: “Ceará Terra da Luz”. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 29 Alguns buscaram explicar o pioneirismo cearense na abolição no suposto espírito altruísta (bondoso) do povo cearense, o que não é bem o caso. Diversas foram às razões para a abolição precoce no Ceará. Dentre as motivações que levaram ao pioneirismo local na abolição destacam-se: a Lei Eusébio de Queiroz (1850), que proibia a entrada de escravos no Brasil e fez com que o tráfico interprovincial de escravos no sentido norte sul repusesse a mão-de-obra necessária para a expansão cafeeira que ocorria na região Sudeste; a pouca utilidade econômica dos escravos na economia cearense e a ocorrência de secas periódicas, tornando a venda dos escravos para o Sudeste mais lucrativa; a resistência negra e o movimento abolicionista, que teve como centro irradiador a cidade de Fortaleza. O abolicionismo existiu em toda a Província cearense, com o surgimento de várias sociedades libertadoras como Perseverança e Porvir (1879), a Sociedade Cearense Libertadora (1880), Centro Abolicionista (1882) e com a formação de fundos para a emancipação nos diversos municípios (espécies de poupanças para alforriar os escravos). Porém, foi em Fortaleza que suas expressões máximas se deram e as razões são bem objetivas: a maioria dessas associações emancipacionistas surgiu na capital alencarina; foi na mesma que ocorreu a famosa greve dos jangadeiros em 1881, onde os jangadeiros, comandados por José do Nascimento (Dragão do Mar), que levavam os escravos para os navios, realizaram uma paralisação; além de ocorrer a maior parte das manifestações populares e o apoio da elite letrada ao abolicionismo. Por tudo isso, Fortaleza teve lugar de destaque na abolição local, mesmo sendo em Acarape (atual Redenção) que tenha ocorrido o gesto máximo do movimento (a abolição em 1883). Porém, é importante ressaltar que mesmo atuando bastante em prol do fim da escravidão, o abolicionismo local pode ser considerado conservador, pois não propunha grandes transformações sociais além da abolição concebida. Mesmo após a abolição, os negros continuaram subalternos na economia e sociedade local. Viviam em péssimas condições de saúde, higiene, trabalho e moradia. Mesmo com a perseguição das elites desde os tempos da colonização, a cultura negra sobreviveu e se manifesta intensamente na cultura local, comprovando a presença negra na história cearense e rompendo os paradigmas discriminadores. Dois bons exemplos disso são o Maracatu e as diversas práticas religiosas afro-descendentes (Umbanda e Candomblé), que se mesclaram em partes com as religiões branca e indígena, reagindo, interagindo e transformando. QUESTÕES PROPOSTAS 01..É, a partir de 1840, que Fortaleza vai se fortalecendo como principal centro econômico do Ceará. Antes, esse papel foi ocupado por: a).Aracati. b).Aquiraz. c).Juazeiro do Norte. d).Crato. 02..O início do século XIX no Brasil foi marcado por intensa agitação política. Das alternativas abaixo assinale aquela que traz os movimentos em que houve participação cearense. a).Guerra da Independência e Cabanagem. b).Insurreição baiana e Balaiada. c).Revolta federalista e Revolta de Felipe dos Santos. d).Revolução de 1817 e Confederação do Equador. 03..Na segunda metade do século XIX o Ceará experimentou um período de largo crescimento econômico, motivado pelo aumento de sua participação no mercado internacional de: a).lagosta. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 30 b).algodão. c).açúcar. d).café. 04..Sobre a Confederação do Equador, ocorrida em 1824, assinale a alternativa correta. a).pretendia reunir sob forma federativa e republicana, além de Pernambuco, as províncias da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e possivelmente Piauí e Pará. b).conseguiu resistir militarmente por muito tempo, obrigando o governo imperial a negociar com os rebeldes e a anistiar os envolvidos. c).foi uma revolta ocorrida no Pará e limitou- se ao ataque aos estrangeiros, aos maçons e à defesa da religião católica. d).defendeu o apoio incondicional a D. Pedro I e à centralização do poder. 05..O binômio gado-algodão vai ter em Fortaleza seu grande centro, assim como a cana-de-açúcar teve o Crato e a carne-de-sol teve Aracati. José Borzacchiello da Silva. Os incomodados não se retiram; uma análise dos movimentos sociais em Fortaleza. Fortaleza: Multigraf editora, 1992. p.22. A produção do algodão, no século XIX, foi de grande importância para a economia do Ceará e para o crescimento de sua capital. a).durante o bloqueio continental imposto aos ingleses por Napoleão. b).durante a Guerra da Secessão nos EUA (1861-1865). c).logo após a transferência da família real portuguesa para o Brasil em 1808. d).com a abolição da escravatura no Ceará em 1883. 06..“Para o ano de 1823, a população do Ceará foi calculada em, aproximadamente, 200.000 habitantes, dos quais 20.000 escravos, ou seja, apenas 10% do total. Meio século depois o primeiro recenseamento geral do país, o de 1872, apontou, na província, 641.850 habitantes, sendo os escravos 25.727, o que correspondia a 4% do total.” Denise Takeya. Europa, França e Ceará: origens do capital estrangeiro no Brasil. Ed. Hucitec, 1995, p.101 Os dados referentes à utilização da mão-de- obra escrava na economia cearense do século XIX, contidos no texto, podem ser explicados pelo(a): a).extinção do tráfego negreiro, que estimulou o deslocamento de parte da mão- de-obra escrava da economia local para as províncias do Sul. b).migração de grandes proprietários de terras para outras províncias, levando consigo os seus escravos. c).desenvolvimento da cultura algodoeira, que absorvia mais trabalhadores escravos do que livres. d).ocorrência das cheias periódicas, que afetavam consideravelmente a produção agrária da província; e).declínio das charqueadas, cuja mão-de- obra predominante era constituída de escravos. 07..A abolição dos escravos no Brasil aconteceu em 1888 com a aprovação da Lei Áurea. Em relação à abolição dos escravos no Ceará, pode-se afirmar que: (GMF/2002) a).a abolição aqui só ocorreu dez anos depois, em 1898, pois os plantadores de algodão não permitiram que a lei fosse posta em prática. b).a abolição dos escravos não influenciou o estado do Ceará, pois aqui nunca houve escravatura. c).a abolição em nosso estado ocorreu alguns anos antes da proclamação da Lei Áurea, com a participação decisiva do jangadeiro Dragão do Mar. d).quando da publicação da Lei Áurea, o estado do Ceará não fazia parte do Império do Brasil já que havia proclamado sua independência, junto com Pernambuco, na vitoriosa Confederação do Equador Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 31 08..É correto afirmar que um dos intelectuais de maior atuação no movimento literário “Padaria Espiritual” foi: a).Antônio Sales. b).Graciliano Ramos. c).Rachel de Queiroz. d).Moreira Campos. 09..Sobre o “Movimento Abolicionista no Ceará” é correto afirmar que: a).era composto somente por escravos que trabalhavam em serviços domésticos. b).conseguiu abolir o preconceito contra os negros, mesmo com dificuldade. c).estava concentrado somente em Fortaleza, pois havia poucos escravos no interior do Ceará. d).contribuiu para o Ceará ser chamado de “Terra da Luz”. 10..Nas últimas décadas do século XIX, a cidade de Fortaleza passou por uma série de transformações. Sobre essas mudanças, analise as afirmações abaixo. I..Foram construídos o Lazareto da Lagoa Funda, para confinar os afetados por doenças contagiosas, e a Santa Casa de Misericórdia. II..Os bondes de tração animal foram substituídos pelos bondes elétricos e foi construído o Teatro José de Alencar. III..Foram instaladas a ferrovia para Baturité, para agilizar o transporte do algodão, e a iluminação a gás. Assinale a alternativa correta: a).somente I é verdadeira. b).somente II é verdadeira. c).somente I e III são verdadeiras. d).somente I e II são verdadeiras. 11..Um dos episódios mais marcantes da bravura do povo cearense foi: (GMF/2007) a).protagonizado pelo jangadeiro Francisco José do Nascimento, conhecido Dragão do Mar, que fechou o porto de Fortaleza ao embarque e desembarque de escravos. O Ceará se torna então o primeiro estado a abolir a escravidão no Brasil. b).protagonizado pelo Padre Cícero que expulsou os cangaceiros instalados no mercado central de Fortaleza, restaurando a ordem e a segurança pública. c).protagonizado pelo jangadeiro Manuel Jacaré que expulsou os holandeses de Fortaleza, devolvendo a soberania da cidade ao povo brasileiro. d).protagonizado pelo padre Mororó que proclamou a independência do estado do Ceará e decretou Fortaleza como a sendo capital do novo país. 12..O epíteto “Terra da Luz” foi atribuído ao Ceará por ter sido a primeira província a abolir oficialmente a escravidão. Sobre este episódio tão marcante de nossa história, é correto afirmar que: a).foi marcado por uma forte tendência republicana de seus membros, que exigiam também o fim do Império. b).foi duramente reprimido pelo governo provincial, que perseguiu e encarcerou seus principais líderes. c).teve grande êxito porque aqui a presença do negro sempre foi insignificante. d).contou com o apoio dos proprietários e do governo, que implementou um amplo programa de compra de alforrias. 13..Publicado no ano de 1890, o romance “A Fome”, primeira obra de ficção de Rodolfo Teófilo, tem como temática central: a).a expansão do cultivo do algodão no final do século XVIII. b).o sofrimento dos flagelados na seca de 1877. c).a Sedição de Juazeiro. d).o êxodo rural no Ceará durante a seca de 1915. 14..Em 1884, o escritor francês Victor Hugo mandou uma saudação aos cearenses. O episódio mais marcante da história cearense daquele ano, que justifica a saudação, foi a: Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 32 a).proclamação da República. b).abolição da escravidão. c).implantação da indústria do algodão. d).fundação do centro artístico cearense. 15..No Ceará, a segunda metade do século XIX foi um período de intensa atividade intelectual e política, multiplicando-se os jornais e os clubes literários. Assinale a opção que expressa corretamente alguns aspectos sociais dessa efervescência cultural: a).os clubes eram formados por intelectuais descendentes dos velhos senhores da pecuária e do algodão, de origem rural e posições conservadoras. b).os grêmios literários expressavam a emergência dos setores comerciais em Fortaleza, constituindo uma elite intelectual ativa e atualizada. c).as atividades intelectuais eram, em verdade, frutos tardios da expansão algodoeira do século XVIII, quando os senhores de terras se estabeleceram na capital. d).os grêmios, apesar de muitos, mantinham poucos sócios e uma rarefeita programação cultural, resultado do acanhado porte intelectual de seus membros. 16..O estilo que caracteriza o belíssimo Teatro José de Alencar, inaugurado no centro de Fortaleza, em 1910, é o: a).eclético. b).gótico. c).moderno. d).barroco. 17..A expressão “Belle Époque” foi utilizada para designar o conjunto de transformações sociais, culturais, infra-estruturais e econômicas que ocorreram em Fortaleza entre as décadas de 1860 e 1920. (Adeildo Oliveira) Sobre a Belle Époque fortalezense é possível afirmar corretamente que: a).os modelos de “civilização” e “progresso” que eram seguidos tinham como cerne inspirador a Europa. b).a Belle Époque ficou restrita, no Brasil, à cidade de Fortaleza. c).a Belle Époque trouxe para Fortaleza a americanização dos costumes. d).em termos infra-estruturais tivemos a elaboração do primeiro plano urbanístico da cidade com Adolfo Herbster e a construção do Passeio Público. 18..Sobre a participação da população de Fortaleza na deposição de Accioly em 1912 pode-se afirmar corretamente que: a).não houve tal participação na deposição de Accioly, pois o mesmo foi derrubado pelas elites dissidentes do estado e pela Associação Comercial de Fortaleza. b).a participação dos populares ficou restrita a algumas passeatas com protestos envolvendo homens, mulheres e crianças. c).os populares depuseram Accioly pelas armas no episódio conhecido por Sedição de Juazeiro, em janeiro de 1912. d).houve participação ativa dos populares com passeatas, comícios e luta armada. 19..“Nasceu em Fortaleza no ano de 1864. Em 1895, realizou o primeiro concerto brasileiro com óperas em português e inseriu instrumentos e ritmos populares na elitista música erudita. É dele a autoria do hino do Ceará.” O texto acima se refere a: a).Alberto Nepomuceno. b).Lauro Maia. c).Carlos Gomes. d).Justiniano de Serpa. 20..“Fortaleza foi à cidade que teve um papel de destaque na abolição precoce da escravatura no Ceará, mesmo não sendo a pioneira em tal fato, o que ficou a cabo de Redenção. Foi em Fortaleza que ocorreram episódios marcantes como a greve dos Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 33 jangadeiros em 1881 e a fundação de sociedades libertadoras de escravos, como a Perseverança e Porvir”. (Adeildo Oliveira) Tendo como base os seus conhecimentos sobre a história de Fortaleza responda a alternativa que não apresenta corretamente informações sobre o movimento abolicionista na cidade: a).o movimento abolicionista em Fortaleza pode ser considerado conservador. b).o movimento abolicionista em Fortaleza teve seu ápice entre 1879 e 1882-83, com a formação de várias sociedades libertadoras. c).o movimento abolicionista em Fortaleza teve no jangadeiro José do Nascimento (Dragão do Mar) o seu militante único. d).as idéias européias como o Positivismo e o Cientificismo influenciaram o abolicionismo em Fortaleza e no Ceará. 21..Diversos fatores e transformações contribuíram para a consolidação de Fortaleza como principal centro urbano do Ceará, dentre eles destacamos: I..O aumento das exportações via porto de Fortaleza. II..A emancipação do Ceará em relação a Pernambuco. III..Por seu litoral ser mais adequado do que de outras regiões, como Aracati, para o estabelecimento de um porto de grandes proporções. IV..Por ter sido a primeira capital do Ceará. V..Sediar os principais serviços da administração pública. Assinale a alternativa verdadeira. a).todos os itens estão corretos. b).estão corretos os itens I, III e V. c).as proposições III e IV são falsas. d).os itens I, II e IV são verdadeiras. 22..A Confederação do Equador, movimento político que em 1824 reuniu partidários e simpatizantes nas províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, tinha como maior objetivo: a).a formação de uma República federativa, composta pelas províncias mencionadas. b).a abdicação do imperador Pedro I e a ascensão de uma nova dinastia monárquica. c).o rompimento das relações diplomáticas e comerciais com a Inglaterra. d).a transferência da corte imperial do Rio de Janeiro para o Recife. e).a reintegração das províncias mencionadas ao reino português. 23..Analisando o local em que o Teatro José de Alencar foi construído em 1910 e suas características arquitetônicas, o estilo art- nouveau e as estruturas metálicas importadas da Escócia, podemos afirmar corretamente que o teatro: a).forma junto com o Forte de Nossa Senhora da Assunção marcos da ocupação colonial portuguesa. b).identifica o centro como área exclusiva de comércio, serviços e lazer nas primeiras décadas do século passado. c).marca a ascensão da influência norte- americana na cultura cearense, cujo auge ocorreu na Segunda Guerra Mundial. d).constitui um exemplar do processo de urbanização e modernidade ocorrido no início do século XX, calcado em parâmetros europeus. 24..“Aliás, é fácil de perceber o fascínio e a ascendência dos mestres de Gramática Latina sobre os discípulos que desabrochavam para as lides do espírito, extremamente influenciáveis. Eram os mentores de uma mocidade que se preparava para dirigir os negócios da política e da sociedade. Dela, muitos ingressavam no Seminário de Olinda, servindo aos propósitos de uma Igreja atuante também nos assuntos temporais, abrindo-se para o envolvimento político” João Alfredo de Souza Montenegro. In: Padre Mororó: a revolução impressa”, coleção outras histórias, nº 22, p.12. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 34 Sobre o Seminário Olinda é incorreto afirmar: a).apesar de possuir um ensinamento baseado nas “Luzes” pretendia não misturar assuntos de Deus com Assuntos do Mundo. b).formava uma elite intelectual baseado nos ideais de um novo tempo. c).foi criado em 1801 com o objetivo de formar membros da igreja que também fossem atuantes nos assuntos do mundo. d).de lá saíram personalidades como: Frei Caneca e Padre Mororó. 25..“Em 1824 não se tratava da contradição de interesses coloniais e metropolitanos. Persistiam aí, não obstante tratar-se de país politicamente independente, as mesmas condições de privilegiamento não só dos comerciantes reinóis e seus representantes estabelecidos no país, como também dos ingleses, cuja penetração no Brasil foi determinada pelos acordos de 1810.” Maria do Carmo R. Araújo. “A participação do Ceará na Confederação do Equador”. In: Simone de Souza (coord.) História do Ceará. Ed. Demócrito Rocha, 1994. p.146. Sobre a Confederação do Equador (1824), é correto afirmar que: a).os descontentamentos contra os estrangeiros em Recife fez com que as camadas populares liderassem o movimento, que, além de republicano, era abolicionista. b).o conflito entre comerciantes portugueses em Recife e produtores de açúcar brasileiros em Olinda tomou ares de rebelião contra a monarquia. c).a dissolução da Assembléia Constituinte pelo Imperador D. Pedro I foi interpretada como um ato de recolonização pelas elites senhoriais pernambucanas. d).a recuperação econômica da agro- manufatura do açúcar fazia com que os proprietários pernambucanos exigissem maior participação no governo imperial. 26..A grande seca de 1876-1879 teve uma magnitude planetária. Foi a primeira de três crises de subsistência que atingiram o mundo na segunda metade do século XIX. No Nordeste brasileiro ocorreu, entre 1877 e 1879, um período de seca, sobre o qual pode-se afirmar corretamente que: a).despertou, na classe dominante, solidariedade nunca antes vista, pois compartilhou alimentos e habitação com os flagelados. b).o período foi caracterizado pela concessão de empréstimos para fins sociais, vindos sobretudo da Europa, e isso minimizou o sofrimento da população nordestina atingida pela seca. c).colocou entre as prioridades do Governo a realização de obras públicas necessárias a solucionar os problemas das secas futuras. d).os efeitos agravaram-se pela demora e insuficiência dos socorros ministrados pelo Estado, que instaurou os chamados socorros indiretos, isto é, que os flagelados deveriam trabalhar para receber os socorros. 27..“O epíteto Ceará Moloque estaria ligado à compulsão popular pelo deboche e pela sátira, referência a uma incorrigível molecagem pública, presente em Fortaleza a partir do final do Século XIX. Sebastião Rogério Ponte. Fortaleza Belle Èpoque: reforma urbana e controle social, 1860-1930. Fortaleza, Ed. Demócrito Rocha, 2001. Em relação aos lugares e usos do termo Ceará Moleque, marque a alternativa verdadeira. a).o epíteto Ceará Moleque é negado pelos historiadores e memorialistas cearenses. b).a citada expressão é lembrada como algo folclórico, porém, sem nenhuma conotação popular. c).a disposição popular ao riso e ao escárnio no período em questão, era privilegio na zona rural e ocorria distante dos núcleos mais urbanizados. d).o lugar urbano onde ocorria a propensão ao riso e ao deboche situava-se na Praça do Ferreira, a sede social do Ceará Moleque, onde desfilavam modas e novidades. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 35 28..Fortaleza participou ativamente do movimento conhecido como Confederação do Equador, sendo muitos dos líderes fuzilados no hoje conhecido como Passeio Público, com exceção de: a).Carapinima. b).Azevedo Bolão. c).Tristão Gonçalves. d).Pessoa Anta. 29..A cultura algodoeira se desenvolveu como alternativa e, em princípios do século XIX, comerciantes estabelecidos em Fortaleza começaram a negociar exportação de algodão diretamente com a: a).Holanda. b).Espanha. c).França. d).Inglaterra. 30..”Ao estudar a arte no Cemitério São João Batista, busco problematizar o lugar reservado as mortos, nesta arena de lutas, posto ser o cemitério um espaço de conflito e de exclusão”. Henrique Sérgio e Araújo Batista, Assim na morte como na vida: arte e sociedade no Cemitério São João Batista 1865-1915. Museu do Ceará – SECULT, 2002, p.12. Relacione o pensamento do autor com as afirmações abaixo, e seguir, assinale a alternativa correta: I..A interpretação histórica se faz a partir de várias experiências humanas. II..Os túmulos foram construídos segundo determinados interesses e valores. III..Os cemitérios são espaços vazios de significados históricos. a).somente I é verdadeira. b).somente I e II são verdadeiras. c).somente III é verdadeira. d).somente II e III são verdadeiras. 31..No século XIX o plantio de algodão no Ceará resultou da: a).necessidade de abastecer as indústrias têxteis paulistas. b).demanda gerada pela Revolução Industrial. c).necessidade de abastecer as indústrias têxteis nordestinas. d).necessidade de aproveitar o grande contingente de escravos na agricultura. 32..Fortaleza foi e é um local onde constantemente ocorrem embates ideológicos, sendo muitos filhos dessa cidade vítimas de seus posicionamentos. Tomando por base o texto supracitado assinale o item correto: a).os monumentos, as ruas e as datas comemorativas em Fortaleza buscam preservar a memória dos verdadeiros heróis de Fortaleza, não abrindo espaço para a exaltação da memória das elites. b).um dos momentos mais importantes da história de Fortaleza se deu em meio a Confederação do Equador, movimento em que houve uma forte participação dos fortalezenses, sendo muitos dos lideres locais fuzilados no local que hoje é chamado de Passeio Público. c).a população de Fortaleza é conhecida pela sua tez pacata, e assim sendo, nunca participou de nenhum movimento de contestação da ordem vigente. d).em dois movimentos houve o destaque da participação de Fortaleza, na Confederação do Equador e a Revolução Pernambucana, sobretudo a maior mobilização só ocorreu nessa segunda rebelião. 33..Sobre a Confederação do Equador, é correto afirmar que: a).como a Balaiada e a Farroupilha, ocorreu no período regencial. b).foi uma revolta de escravos na Bahia. c).teve início em Pernambuco e proclamou a independência de várias províncias do Nordeste. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 36 d).foi uma revolta ocorrida no sul do Brasil, que acabou com a criação de um novo país: o Uruguai. 34..Dos itens abaixo não podemos considerar correto sobre as sublevações de 1817 e 1824: a).a verdade é que o período de 1817 e 1824 foi dos mais agitados da história do Nordeste, no qual o inconformismo político e social se exacerbou, opondo-se à política oficial. b).nesse período podemos presenciar quanto o nordestino foi capaz de lutar tendo como objetivo melhorar suas condições de vida. c).não tiveram nenhuma expressividade, ou seja, foram movimentos facilmente controlados pelo governo central. d).uma das causas da Confederação do Equador foi a dissolução da Assembléia Constituinte pelo Imperador D. Pedro I foi interpretada como um ato de recolonização pelas elites senhorias pernambucanas. 35..Construída em 1877, seu nome homenageia um general cearense que participou da Guerra do Paraguai. Destaque para as estátuas de leões de bronze, trazidas de Paris no começo do século. Localizada no centro, forma imponente conjunto arquitetônico com a Igreja do Rosário, o Palácio da Luz e a Antiga Assembléia Provincial. Estamos falando da: (IMPARH) a).Praça General Bezerril. b).Praça General Tibúrcio. c).Praça General Sampaio. d).Praça General Castro e Silva. 36..“A construção do Passeio iniciou-se em 1864, na gestão do então presidente de província Fausto Aguiar. Primitivamente o local teve outros nomes, como Campo da Pólvora ou Largo de Fortaleza, que lembram as inúmeras batalhas contra os invasores, até mesmo por sua localização: vizinho ao Quartel General, 10ª Região Militar, que antigamente era o Forte de N. Sra. de Assunção. (...) Foi Ainda Largo do Hospital da Caridade, por situar-se em frente à Santa Casa de Misericórdia.” Jornal O Povo, 12/07/2007, Caderno Vida & Arte. De acordo com o texto, a criação dessa área ocorreu numa época de crescimento urbano, que ficou conhecida e caracterizada como: a).Oligarquia Accyolina. b).Política dos Coronéis. c).Belle Époque. d).Confederação do Equador. 37..O tombamento e a restauração do Passeio Público, cuja construção data do final do século XIX, justifica-se: a).pela preservação da memória do Exército que ocupa essa área desde o período colonial. b).por sua história, pois constituiu um espaço de resistência de negros que ali organizaram um quilombo. c).por constituir patrimônio cultural edificado da cidade que guarda marcas da ocupação do espaço urbano. d).pelo apelo do setor imobiliário, já que essa área vem se valorizando a partir da construção de residências modernas em seu entorno. 38..A urbanização de Fortaleza teve como projetista, no século XIX, o engenheiro português: a).Joaquim Manoel. b).João Ferreira. c).Silva Paulet. d).João Viana. 39..A fábrica Progresso foi a primeira indústria têxtil de Fortaleza, situando-se na Avenida Imperador. Ela foi fundada no final do século XIX pelo empresário e político: a).Barão de Studart. b).Senador Pompeu. c).Guilherme Rocha. d).Manoel de Castro. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 37 40..“Os associados adotavam um criptônimo ou nome de guerra e eram denominados padeiros. O jornal do grupo tinha o título de O Pão. O presidente era o padeiro-mor. Os secretários receberam a alcunha de forneiros e o tesoureiro o de gaveta. Padeiros livres eram os sócios correspondentes. As sessões eram as fornadas”. Raimundo Girão. In: Pequena História do Ceará. 4ª edição, Fortaleza: UFC, 1984, p. 229). Sobre a Padaria Espiritual é incorreto afirmar: a).representou a emergência das camadas médias em que a prática da leitura se faz cada vez mais forte, sendo nas suas reuniões debatidos os mais variados temas da época seja no campo da literatura, da política ou da filosofia. b).no campo político muitos desses padeiros foram atuantes no processo da Abolição da Escravidão em Fortaleza, sem falar da oposição realizada por alguns, como Rodolfo Teófilo, contra a Oligarquia Accyolina. c).a Padaria Espiritual fez-se muito conhecida devido ao formalismo tão característico de seus integrantes, que tratavam os mais diversos temas de uma forma bastante séria, não deixando espaço para o rompimento dessa forma de ser. d).a Padaria Espiritual é comumente lembrada devido à sua importância, porém não se pode esquecer que ela não foi a primeira a ter grande significação, pois outras agremiações como a Academia Francesa também possuiu um bom espaço em meio à intelectualidade fortalezense. 41..O poema-musical “passeio público” do artista cearense Ednardo desvenda a alma e a História do Ceará na Confederação do Equador: “Hoje ao passar pelos lados Das brancas paredes, paredes do forte Escuto granidos, ganidos, ganidos, ganidos Ganidos de morte Vindos daquela janela é de Bárbara tenho certeza é Bárbara sei que é ela que de dentro da Fortaleza por seus primos e irmãos joga gemidos, gemidos no ar que sonhos tão loucos, tão loucos tão loucos, tão loucos foi Bárbara sonhar se deixe ficar por instantes à sombra deste baobá que virão fantasmas errantes dos sonhos eternos falar amigo que desces a rua não te assustes, nem passes distante procure entender, entender, entender o segredo deste peito sangrante” (“Passeio Público”, do disco “Do boi só se perde o berro”). A partir da análise do texto podemos fazer as seguintes considerações, exceto: a).ao lado das brancas paredes da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, no Campo da Pólvora, atual Praça dos Mártires, foram fuzilados líderes cearenses da Confederação do Equador, a exemplo de Padre Mororó e Pessoa Anta. b).à sombra do baobá os fantasmas errantes falam dos sonhos eternos dos confederados de proclamar uma república liberal federativa no nordeste brasileiro. c).durante muitos anos as políticas públicas sobre o Passeio Público demonstravam o desrespeito do poder instituído com a memória histórica da cidade. Mendigos, prostitutas, michês e assaltantes assustavam mais os passantes do que os fantasmas que ali tombaram, vítimas do absolutismo de D. Pedro I, entretanto hoje o centro de Fortaleza passa por um processo de revitalização que inclui o Passeio Público, que inclusive se encontra reformado. d).a exemplo da Revolta dos Padres de 1817, a participação do Ceará na Confederação do Equador foi efêmera, circunstancial, local e familiar, tendo se limitado a matriarca Bárbara de Alencar e seus filhos Tristão Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 38 Gonçalves e José Martiniano de Alencar. O Ceará foi a primeira província onde o movimento foi debelado. 42..De quando em vez, para manter a fama, os homens da Libertadora recorriam à tática mais audaciosa. Na calada da noite, invadiam propriedades alheias e de lá raptavam escravos, depois escondidos em sítios do Sopé da Serra do Maranguape. Mas nenhuma dessas presepadas se comparou àquela da manhã de 27 de Janeiro de 1881, quando os abolicionistas conseguiram reunir mais de 15.000 pessoas na beira da praia. Iam tentar impedir o embarque de escravos no vapor Espírito Santo.” Lira Neto, “O poder e a peste – a vida de Rodolfo Teófilo. Fortaleza. Ed. Fund. Demócrito Rocha, 1999 p.112. A greve dos jangadeiros favoreceu que o mote “No Porto do Ceará não se embarcam mais escravos” virasse realidade. O líder dos jangadeiros cognominado de “Dragão do Mar” foi: a).Rodolfo Teófilo. b).Luís Napoleão. c).Chico da Matilde. d).Guilherme Studart. 43..Padre Mororó foi um dos expoentes da Confederação do Equador ocorrida em 1824. Morto a tiros de arcabuz no dia 30 de Abril de 1825, numa execução no Passeio Público, em Fortaleza, após ter sido preso e acusado de três crimes: proclamação da República de Quixeramobim; secretariado o governo revolucionário de Tristão Gonçalves e redigido o “Diário do Governo”, o primeiro jornal do estado do Ceará. Quem governava o Brasil nesse período? (IMPARH) a).Dom Pedro I. b).Dom Pedro II. c).Dom João VI. d).Marechal Deodoro da Fonseca. GABARITO 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 * A OLIGARQUIA ACCIOLY E A CIDADE DE FORTALEZA (1896-1912) Nogueira Accioly 1. Definição e bases políticas da Oligarquia: A Oligarquia Accioly foi um dos grupos políticos mais violentos e intolerantes com as oposições que já existiu na História do Ceará. Segundo o historiador João Mendes de Andrade “Chama-se Oligarquia Accioly o grupo político, homogêneo, disciplinado e hábil, que dominou a política do Ceará de 1896-1912, sob o comando de Antônio pinto Nogueira Accioly, filho do Coronel José Pinto Nogueira, do Iço, e nascido naquela vila a 11 de outubro de 1840”. (João Mendes de Andrade. A Oligarquia Accioly e a Política dos Governadores. In: Simone de Sousa (org.). História do Ceará. Edições Demócrito Rocha, 1989, p.207). Apoiando-se na Política dos Governadores a nível nacional (acordo de cooperação mútua entre as elites nacionais e locais), nas relações Clientelistas (Coronelismo e Nepotismo) e no uso da violência contra as oposições, Nogueira Accioly manteve-se no controle da política local de forma direta e indireta neste período. Entre 1896-1900 tivemos a sua primeira gestão, marcada, pelo menos no início, pelo Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 39 otimismo popular devido ao fato de Accioly ter sido apoiado pelo antigo presidente do estado (Gal. Bizerril). De 1900 a 1904 o Ceará foi governado por Pedro Borges, que a partir de um acordo com Accioly promoveu uma administração seguidora das diretrizes políticas do Comendador. Retornou ao poder em 1904, permanecendo, com uma manobra política que lhe possibilitou a reeleição, até 1912 quando foi derrubado pelos populares de Fortaleza a partir de um levante popular. Nesse período, como já foi visto, Fortaleza vivia as transformações da Belle Époque. Na gestão municipal estava, de 1892 até 1912, o intendente Guilherme Rocha, o homem que mais tempo demorou na gestão municipal da capital alencarina. Neste período, além de fraudes, violência e corrupção para com os habitantes da capital, destacaram-se algumas realizações materiais: as já vistas anteriormente, como o Mercado de Ferro (1897), reformas das principais praças da cidade (1902-03), o famoso e belo Teatro José de Alencar (1910) e algumas outras como a construção Linhas telegráficas e estradas de ferro ligando Fortaleza a algumas cidades do interior, a Academia de Direito (1903), pontes sobre o Rio Pacoti e a encampação do Porto do Mucuripe. Vale ressaltar que algumas dessas obras não foram concluídas e os recursos desapareceram dos cofres públicos. 1.2. Realizações da Oligarquia Accioly na capital e as oposições: Em sua gestão, Accioly estabeleceu relações extremamente violentas e negligentes com os habitantes de Fortaleza. A partir do jornal “A República”, promovia campanha pública contra opositores e mandava capangas para agredir adversários e depredar seus jornais. Segue alguns momentos onde as relações entre Accioly e os fortalezenses atingiram momentos de tensão: · Desfavorecia o comércio local com altos impostos, fato que fez com que o oligarca angariasse a oposição da Associação Comercial de Fortaleza; · No contexto da seca de 1898-1900 o Comendador negligenciou o flagelo e ainda promoveu campanha contra os que lutavam contra a mesma, como foi o caso de Rodolfo Teófilo; · Favorecimento de particulares com a concessão de monopólios nos contratos de abastecimento de carnes da capital, gerando oposição popular devido ao descaso e preços altos; · Em 1904, ainda na gestão de Pedro Borges, houve uma greve dos catraeiros do Porto de Fortaleza, que foi reprimida violentamente com um saldo de sete populares mortos no final e a migração de João Brígido, Valdomiro Cavalcante e Agapito dos Santos para a oposição. 1.2.1. A atuação marcante de Rodolfo Teófilo na capital: Entre 1898-1900 o Ceará viveu mais um momento de tensão e desespero com a seca. Neste contexto, como já era prática comum, milhares de flagelados das secas migraram para a capital cearense e vivenciaram mais um quadro grotesco de fome, tuberculose e mais uma epidemia de varíola que assolava os menos abastados. A Oligarquia Accioly, nada fez para minimizar esse quadro calamitoso e ainda chegou a proibir a imigração de cearenses para outros estados somente para não perder votos. Neste contexto, foram as oposições de Accioly que se movimentaram para promover campanhas para o combate à seca e aos seus males. Ganhou notoriedade a campanha promovida pelo médico farmacêutico Rodolfo Teófilo. “Por esse tempo, Fortaleza era atingida pela fome, a tuberculose, companheira das famílias pobres, e ainda uma forte epidemia de varíola. O povo entregue a própria sorte fazia implacável resistência à imunização, através da vacina. A aquisição dessa era outro sério problema. Deveria ser importada, e as condições precárias de embalagem e transporte acarretavam grandes perdas de vacina”. (João Mendes de Andrade. op. cit. pág. 214) Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 40 Mesmo com os problemas citados acima, Rodolfo Teófilo resolveu realizar uma campanha sanitária filantrópica, onde ele produzia, realizava o esclarecimento e aplicava a vacina nos populares fortalezenses, isso quando eles aceitavam. Além de não cobrar pela vacinação, Teófilo ainda chegou a pagar para que pessoas se vacinassem contra a varíola. Por suas atitudes, Teófilo foi perseguido pela Oligarquia Accioly, que via em sua campanha sanitária, um simples gesto de oposição. Porém, mesmo com todos os problemas, Teófilo conseguiu resultados expressivos na saúde local. Hoje, seu nome é lembrado a partir de um bairro, uma singela homenagem. 1.3. As tensões chegam ao ápice–Revolta Popular de 1912 e a deposição de Accioly No contexto das eleições de 1912 os ânimos dos opositores na capital chegaram ao extremo. Com a ameaça de um novo sucessor de Accioly (Carneiro Vasconcelos), os populares de Fortaleza, incitados por João Brígido (a partir do jornal “O Unitário”) e Agapito do Santos (“Jornal do Ceará”), começaram a articular uma campanha opositora, com a indicação do militar Franco Rabelo, ligado à Política das Salvações. Obs.: A Política das Salvações era outro acordo oligárquico, contrário a Política dos Governadores, que dizia querer “salvar” as instituições republicanas das fraudes e corrupção reinantes. No decorrer da campanha eleitoral de 1912 os populares de Fortaleza realizaram uma série de comícios, passeatas e manifestações contrárias a Accioly e favoráveis a Rabelo em lugares estratégicos como as Praças do Ferreira e ao lado da atual décima região. No último caso, a escolha era estratégica (autodefesa), posto que Accioly normalmente reprimia com violência as manifestações contrárias a ele. Foi em uma dessas manifestações, A Passeata das Crianças em janeiro de 1912, que ocorreu o estopim para o levante popular. Ao reprimir violentamente a passeata com mais de 600 crianças, inclusive com a morte de uma delas, os populares da capital perceberam que Accioly só sairia do poder pela força. Começava aí um dos momentos mais marcantes da história dos fortalezenses: a Revolta Popular de 1912. Após vários dias de barricadas, depredações de monumentos históricos e negócios que estavam relacionados à Oligarquia, os populares conseguiram a renúncia do Comendador, que teve que se exilar no Rio de Janeiro e se comprometer a não mais concorrer à presidência do Estado. Dois meses depois, como se esperava, Franco Rabelo foi eleito para o cargo de presidente do Estado com amplo apoio dos fortalezenses. Porém, para poder iniciar a sua gestão, Rabelo teve que fazer um acordo político com Accioly para obter a aprovação da Assembléia Legislativa, composta em sua maioria por aciolistas, e tomar posse de forma legal. Tal fato não pode se concretizar, mesmo assim, Rabelo tomou posse de forma ilegal. O GOVERNO FRANCO RABELO E A CAPITAL (1912-14) 1. Realizações de Rabelo e Ildefonso Albano em Fortaleza: O governo de Franco Rabelo desde os seus primeiros momentos dependeu do apoio dos fortalezenses. Devido a este fato, foi na capital cearense que Rabelo concentrou as suas principais realizações. Durante a sua gestão na presidência do Estado, quem administrou Fortaleza foi o intendente Ildefonso Albano, considerado por muitos como sendo um dos principais administradores da capital. Neste período destacaram-se em Fortaleza as seguintes realizações: Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 41 · Iniciou-se a construção de uma vila operária para possibilitar melhores moradias para os trabalhadores; · Realizou-se a abertura da Avenida Sena Madureira, ampliando os contatos entre praia e centro; · Retomaram-se os projetos para o sistema de abastecimento de água e esgoto da capital que vinham desde fins do século XIX; · Reformou-se completamente a Praça General Tibúrcio, dotando-a de belos jardins e iluminação de qualidade; · Baixou-se impostos que pesavam sobre o comércio local desde os anos Accioly; · Criou-se o Instituto de Proteção a Infância Desamparada. Por tudo isso Franco Rabelo tinha o apoio incondicional dos fortalezenses, que acabaram sendo a sua principal base de sustentação política no governo, posto que Rabelo excluiu boa parte dos que haviam apoiado a sua candidatura (caso de João Brígio) e privilegiou os Paula Rodrigues na gestão estadual. O primeiro momento onde os fortalezenses demonstraram a sua relevância para o governo Franco Rabelo se deu em fins de 1912. Em dezembro deste ano os deputados opositores de Rabelo tentaram da um golpe e derrubar o seu governo a partir de uma votação na Assembléia estadual. Neste momento, os populares de Fortaleza se armaram e fizeram barricadas em frente a Assembléia e evitaram o golpe. Como foi visto anteriormente, Rabelo era um político ligado à “Política das Salvações” e seguindo as suas diretrizes iniciou as “salvações” no Cariri, principal reduto aciolista. Nessa região do estado, o velho oligarca tinha apoio do Padre Cícero e de vários coronéis. Estes, ao lado dos sertanejos seguidores do Padre Cícero protagonizaram a chamada Sedição de Juazeiro. 2. A Sedição de Juazeiro (1913-14) e a cidade de Fortaleza: Franco Rabelo cometeu uma série de equívocos políticos que colaboraram para a sua queda em 1914. Primeiro destacamos a sua adesão à campanha presidencial de Dantas Barreto (Bloco do Norte), contrária a de Pinheiro Machado, apoiado por Hermes da Fonseca, o que por sua vez fez com que Rabelo perdesse o apoio do Governo Federal. Segundo, como foi visto, Rabelo se isolou no poder com os Paula Rodrigues e marginalizou antigos aliados. Em terceiro destacou-se o confronto direto com o Padre Cícero, gerando, conseqüentemente, a oposição de sertanejos que estavam dispostos a morrer lutando pelo Padre. E foi exatamente isso que aconteceu. Em 1913 Accioly, Floro Bartolomeu e Pinheiro Machado articulam o golpe. “O plano seria desta forma: Floro regressaria a Juazeiro, convocaria uma sessão dissidente da Assembléia Estadual (1908-1912 com legislatura acabada). Floro seria eleito presidente ‘legal’ pela Assembléia, questionaria a constitucionalidade do governo Rabelo (o fato de ter tido 12 dos 16 votos necessários para sua confirmação pela Assembléia) e aguardariam a intervenção federal no Estado depondo Rabelo”. (Marcelo Ayres Camurça Lima. A Sedição de Juazeiro, Guerra Civil no Ceará. In: Simone de Sousa (org.). História do Ceará. Ed. Demócrito Rocha, 1989, p.292). Poucos meses depois, em dezembro de 1913 começava a Sedição de Juazeiro, um conflito essencialmente oligárquico (Rabelistas contra Aciolistas e demais opositores), mas com forte participação de populares. A participação dos populares se deu com os sertanejos lutando em nome da defesa do Padre Cícero e com os fortalezenses brigando pela manutenção de Rabelo no poder, uma questão de existência para os mesmos, posto que, se Accioly retornasse ao poder, provavelmente os cidadãos da capital sofreriam com as já conhecidas arbitrariedades do oligarca. A Sedição começa quando as tropas estaduais de Rabelo se dirigem para levar as “salvações” para Juazeiro, terra considerada santa pelos sertanejos. Chegou-se mesmo a se fazer um cerco da cidade, mas as tropas estaduais não conseguiram vencer os sertanejos e oligarcas opositores. Começou, a Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 42 partir de então, uma contra ofensiva onde os sediciosos passaram por várias cidades do interior cearense saqueando e destruindo até cercarem a capital alencarina. Em março de 1914 o Marechal Hermes da Fonseca interveio na política local depondo Rabelo e empossando como presidente interino o General Setembrino de Carvalho. QUESTÕES PROPOSTAS 01..“A notícia da mudança da forma de governo chegou ao Ceará, como em quase toda parte, inesperadamente. Na véspera do acontecimento na província inteira talvez não se contassem três republicanos. Dois dias depois da proclamação da república dava-se justamente o contrário, era difícil encontrar três monarquistas.” Rodolpho Theophilo. Secas do Ceará (2ª metade do séc. XIX). Ceará: Typ. Moderna/Ateliers Louis, 1901. p. 36. O texto indica algumas características das transformações políticas acontecidas no Ceará em função da proclamação da República. Com relação a essas transformações, pode-se afirmar corretamente que: a).com a proclamação da República, os poucos republicanos conseguem assumir todos os postos do governo, afastando definitivamente as antigas elites imperiais do poder. b).o movimento republicano cearense foi dominado, pós-proclamação, pelo grupo oligárquico liderado pelo Comendador Nogueira Accioly. c).a população cearense aderiu em massa a República revoltando-se contra os antigos líderes imperiais depondo força o Comendador Accioly. d).o movimento republicano local, liderado pelo Comendador Accioly, consegue induzir a população de Fortaleza a derrubar as autoridades imperiais. 02..No período de 1896 a 1912, o Ceará foi governado pela oligarquia comandada pelo presidente Antônio Nogueira Accioly. Sobre esse tema, analise as afirmações abaixo. I..Oligarquia é um regime político caracterizado pela concentração de poder nas mãos de uma minoria, que age sobretudo em benefício próprio e contra os interesses da maioria. II..A duradoura oligarquia de Accioly deveu-se a fraudes nas eleições, prática comum no período. III..Apesar da forte oposição e insatisfação popular em relação a Accioly, não houve nenhuma ação efetiva para depô-lo. IV..O uso constante da violência e a política econômica de Accioly foram alguns dos motivos de insatisfação da população. Assinale a alternativa correta: a).somente I e II são verdadeiras. b).somente II, III e IV são verdadeiras. c).somente III e IV são verdadeiras. d).somente I, II e IV são verdadeiras. 03..Padre Cícero, além de envolver-se na política, ingressando no Partido Republicano Conservador, participou, em 1914, de uma revolta que derrubou o governador do Ceará, Franco Rabelo. A revolta em questão é: (GMF-2002) a).Revolta de Canudos. b).Revolta do Contestado. c).Revolta da Vacina. d).Sedição de Juazeiro. 04..A rebelião liderada por Floro Bartolomeu e apoiada por Padre Cícero chama-se: a).Canudos. b).Guerra do Contestado. c).Sedição de Juazeiro. d).Cabanagem. 05..Além das funções de sacerdote, o Padre Cícero exerceu também a atividade de Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 43 político, ocupando, no ano de 1911, o cargo de: a).vereador de Juazeiro do Norte. b).prefeito de Juazeiro do Norte. c).deputado estadual. d).deputado federal. 06..Por um largo tempo de sua história recente, o Ceará teve seu universo político calcado no coronelismo, sistema que floresceu durante a Primeira República, e que tem como característica principal a prática do clientelismo, que pode ser definido como: a).rede de relações pessoais e diretas, baseada na troca de favores entre chefes políticos (coronéis) e trabalhadores (clientes). b).rede de relações públicas e privadas, estabelecida entre proprietários rurais (fazendeiros) e a Igreja. c).prática política progressista e democrática que $possibilitou uma divisão do poder entre ricos (coronéis) e pobres (trabalhadores). d).prática política em que os chefes políticos (coronéis) recebem benefícios sociais do estado, administrado pelos trabalhadores (clientes). 07..Sobre a política cearense, no alvorecer do século XX, é correto afirmar que: a).caracterizou-se pelo exercício da ampla participação popular. b).era polarizada pela disputa entre os partidos Comunista e Conservador. c).foi dominada pelo grupo oligárquico de Nogueira Accioly. d).ao contrário dos demais estados, aqui já havia o voto feminino. 08..“Fortaleza era pura agitação. As acusações, os manifestos, as passeatas os comícios e as provocações de parte a parte tornavam o ambiente explosivo. O povo estava entusiasmado com a possibilidade real de depor Accioly. De fato, esse sonho estava na iminência de concretizar-se, não pelo voto, mas pelas armas, em uma revolta popular, cujo estopim, foi a passeata das crianças.” Airton de Farias. História do Ceará: dos índios à geração Cambeba. Fortaleza: Tropical, 1997, p.130. Sobre deposição do Comendador Nogueira Accioly da Presidência do Estado do Ceará, em 1912, comentada no texto acima citado, é correto afirmar que: a).a expectativa popular foi frustrada pelos acordos políticos entre Accioly e o candidato da oposição, Franco Rabelo, garantindo uma transição pacífica. b).a queda de Accioly está ligada à “Política das Salvações” do Presidente Hermes da Fonseca e à revolta popular diante dos desmandos do oligarca. c).a revolta popular não só garantiu a deposição de Accioly como instalou um governo revolucionário de caráter socialista que durou apenas duas semanas. d).a derrota eleitoral de Accioly foi comemorada com entusiasmo pela população que, apesar de tudo, manteve a ordem na cidade. 09..“O Ceará é uma terra condenada mais pela tirania dos governos do que pela inclemência da natureza.” Rodolfo Teófilo. A seca de 1915. Ed. UFC. 1980. p.31 Esta frase, escrita em 1916, expressa uma revolta com aquilo que o autor via acontecer no governo deste período. Marque a alternativa que indica corretamente algumas características da política cearense na Primeira República: a).a crítica do conservador Rodolfo Teófilo se dirigia às iniciativas democráticas e socializantes que o governo de Franco Rabelo vinha implementando desde a queda de Accioly em 1912. b).o controle político era assegurado pelo domínio oligárquico e coronelista, em que se sobressai a presença de Nogueira Accioly como o principal oligarca do estado. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 44 c).apesar do rígido controle oligárquico sobre o governo, havia um clima de liberdade de expressão, em que os jornalistas e críticos do governo podiam manifestar-se sem medo de repressão. d).as oligarquias que se sucediam no poder tinham que enfrentar freqüentes revoltas urbanas, como a Sedição de Juazeiro, em 1914. 10..Sobre a atuação de Nogueira Accioly na história política do Ceará, é correto afirmar que: a).apoiou a eleição de Setembrino de Carvalho, em 1914. b).iniciou-se com o apoio do governo de Getúlio Vargas. c).implementou o voto feminino, idealizado por Franco Rabelo. d).recebeu forte oposição do escritor e farmacêutico Rodolfo Teófilo. 11..A centenária Faculdade de Direito do Ceará foi criada durante o Governo de: a).Nogueira Accioly. b).Pedro Borges. c).Franco Rabelo. d).D. Pedro II. 12..Em 1912 “Fortaleza se rebelou” ocorrendo uma revolta em que três deputados foram apedrejados, a praça Marquês de Herval foi destruída, as fábricas de tecidos de Accioly foram incendiadas, entre outros acontecimentos. O objetivo dessa revolta foi: a).pressionar os deputados para que trouxessem de volta para o governo o aclamado político Nogueira Accioly. b).não aceitação da vitória eleitoral de Pedro Borges. c).não permitir que a “oligarquia” de Nogueira Accioly desse continuidade à sua política corrupta. d).não aceitação da vitória eleitoral de Franco Rabelo. 13..Uns dos primeiros empreendimentos do oligarca Accioly em Fortaleza foi: a).construir o porto do Mucuripe. b).construir a estátua de Iracema. c).tentar erradicar a pobreza. d).construir linhas telegráficas, ligando Fortaleza ao Interior. 14..“O estado do Ceará encontra-se quase todo no interior do espaço que se costuma denominar de ‘polígono das secas’ – o semi- árido – e, assim, sua história é marcada pelas secas e suas conseqüências. No entanto, esta irregularidade de chuvas não seria um problema se as relações estabelecidas entre os homens estivessem de acordo com as possibilidades da natureza.” Frederico de Castro Neves. “A seca na história do Ceará”. In: Simone de Sousa (org.) Uma nova história do Ceará. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2000, p.76 Com base na reflexão acima, é correto afirmar que os problemas que ocorrem em períodos de seca: a).atingem a totalidade do território cearense. b).resultam de um fenômeno exclusivamente climático: a falta de chuva. c).resultam, também, das relações sociais estabelecidas no campo. d).atingem apenas aqueles que sobrevivem da extração de produtos naturais. e).provêm da indolência dos trabalhadores rurais do semi-árido. 15..“Nem a construção do Teatro, nem as tentativas de instalar o abastecimento de água e esgoto, ou mesmo o embelezamento da cidade promovido pela Intendência Municipal impediram o crescente descontentamento da população contra o governo de Nogueira Accioly.” Sebastião R. Ponte. Fortaleza Belle Epoque. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 1993. p.48. Com relação ao governo de Nogueira Accioly, Presidente do estado do Ceará até 1912, podemos assinalar corretamente que: Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 45 a).apesar de impopular, Accioly consegue manter-se estável no poder estadual até a descoberta de fraudes e outras irregularidades administrativas, o que provocou a intervenção do governo federal. b).durante a campanha eleitoral de 1912, passeatas de oposição duramente reprimidas pela polícia são o estopim para uma grande insurreição popular que cerca o palácio e obriga Accioly a renunciar. c).após uma intensa campanha de desgaste político, o movimento oposicionista consegue eleger pacificamente seu candidato ao governo do Estado, Franco Rabelo, empossado respeitosamente por Accioly. d).diante das manifestações populares exigindo a sua renúncia, Accioly se retira do governo para retornar mais forte do que nunca em 1914, com a Sedição de Juazeiro. GABARITO 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 * FORTALEZA DOS ANOS 1930 & 1940 – POLÍTICA, DINÂMICA URBANA E TRANSFORMAÇÕES CULTURAIS 1. Contexto nacional e internacional: Entre os últimos anos da década de 1920 e 1945 o mundo viveu grandes transformações políticas, econômicas, populacionais e culturais. Tivemos uma crise econômica de escala global, a ascensão do Nazismo e uma guerra mundial. No Brasil não foi diferente. Em 1930 a República Velha caiu com a “Revolução” de 1930 e iniciou-se a chamada Era Vargas (1930-45). Neste momento, o país se industrializava, crescia em termos populacionais e urbanos e sofria constantemente as influências externas. Nos anos trinta tivemos a forte influência Fascista no país com a Legião Cearense do Trabalho (LCT) e com a Ação Integralista Brasileira (AIB). Já nos anos quarenta, no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-45), começamos a nos “americanizar”, ou seja, a sofrer a forte influência da cultura dos EUA com os seus padrões capitalistas pautados no consumo, no rápido, no passageiro e no fetiche (atribuir a algo um valor simbólico) iniciando-se a Modernidade. A Fortaleza dessa época viveu, de uma forma ou de outra, todas essas alterações pelas quais o Brasil e o mundo passaram entre 1930 e 1945. 2. A “Revolução” de 1930 em Fortaleza: A “Revolução” de 1930 foi um golpe político articulado por Getúlio Vargas, oligarquias dissidentes e tenentes que eram contrários à hegemonia exercida por São Paulo na política nacional, ou seja, houve uma troca de pessoas no poder. O Estado pós 1930, apesar de realizar uma série de transformações na economia, com um projeto industrial, e na política, com a imposição da centralização a partir das interventorias, não chegou a alterar as estruturas sociais do país. Promoveu uma política social com a concessão de leis trabalhistas que já eram reivindicadas pelos operários desde a República Velha, mas não por bondade, e sim por interesse no apoio das classes populares. Essa situação gerou o fenômeno político do Populismo. A “Revolução” de 1930 começou em outubro daquele ano a partir de Minas Gerais e se espalhou por todo o país. Na região Norte do Brasil, o comando coube ao cearense Juarez Távora e no Ceará ao seu irmão: Fernandes Távora, tendo como centro difusor do movimento a cidade de Fortaleza. Segundo a professora Simone de Sousa: “No Ceará, o movimento Revolucionário de 30, apesar dos limites impostos pela repressão das oligarquias dominantes, é articulado por Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 46 civis e militares revolucionários do 23° BC e do Colégio Militar de Fortaleza”. (Simone de Sousa. As Interventorias no Ceará (1930-1935). In: Simone de Sousa (org). História do Ceará. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 1989, p.313). O primeiro interventor no Ceará durante a Era Vargas foi Fernandes Távora, mas depois ocuparam o cargo Carneiro de Mendonça, Felipe Moreira Lima e Menezes Pimentel. 2. A Legião Cearense do Trabalho (LCT) em Fortaleza: A Legião Cearense do Trabalho foi uma organização política de inspiração Fascista, antiliberal, anticomunista, católica e integralista que atuou no Ceará entre 1931-37 e pode mesmo ser considerada precursora do Integralismo no Brasil. Seu idealizador foi o tenente e intelectual católico Severino Sombra. Segundo Sebastião da Ponte: “A Legião, como outras organizações antiliberais e anticomunistas contemporâneas (entre elas, aquela que obteve maior expressão nacional, a Ação Integralista Brasileira), tinha os mesmos objetivos: proteger, educar, valorizar os operários e atender algumas de suas reivindicações mais imediatas, desviando-o de um comportamento político de esquerda.” (Sebastião Rogério da Ponte. A Legião Cearense do Trabalho. In: Simone de Sousa (org.). História do Ceará. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 1989, p.360). Com isso percebe-se que a LCT tinha um caráter paternalista, assistencialista e conservador. Era contrária a luta de classes, pregava a colaboração entre ricos e pobres e defendia o corporativismo como forma ideal de organização dos trabalhadores, isso, com inspiração nas corporações de ofício da Idade Média. À LCT se associaram vários sindicatos das diversas cidades cearenses, mas foi em Fortaleza que ela ficou sediada. Tinha no jornal o Ideal Legionário seu meio de comunicação com o grande público. Nos anos 1930 a LCT e os Círculos Operários Católicos exerceram uma forte influência sobre o operariado cearense organizando-os e controlando as suas reivindicações, tentando com isso evitar o avanço das idéias de esquerda (o socialismo e o anarquismo). Obs.: O movimento operário cearense existiu em várias cidades do estado, mas foi na capital que ele ganhou mais destaque, posto que a industrialização do Ceará ainda andava a passos curtos e o seu centro principal era Fortaleza. 3. Aspectos urbanos da Fortaleza dos anos 1930: Na década de 1930 mais uma vez a seca marcou a história do Estado e da capital. Sete campos de concentração foram construídos, dois deles na capital. Como já era comum em períodos de seca, milhares de retirantes saíram do interior para cidades litorâneas em busca de uma melhor existência. Fortaleza, por ser a capital, recebeu grande quantidade de flagelados da seca e começa a ultrapassar de forma significativa o Planta Urbana projetada por Adolfo Herbster em 1875. A década de 1930 ainda marcou o surgimento dos primeiros aglomerados urbanos em condições precárias que hoje são chamados de favelas. Devido ao forte crescimento populacional a cidade teve que se expandir rumo ao interior do continente para poder suportar a grande quantidade de pessoas que a habitavam. Com isso tivemos uma expansão rumo à região Oeste com os bairros pobres e para Leste, como já foi visto, com os primeiros bairros de ricos. Tibúrcio Cavalcanti (1931-1933) e Raimundo Girão (1933-35), foram prefeitos da Fortaleza dos anos trinta que já começaram a se preocupar com o controle do crescimento da capital. Ambos mandaram elaborar plantas da cidade para tentar sistematizar a expansão da capital e, conseqüentemente, melhorar o Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 47 sistema de circulação de pessoas e veículos na cidade. Algumas Inovações Urbanas na Fortaleza dos Anos 1930 · Coluna da Hora na Praça do Ferreira em 1933; · A energia elétrica existia na capital desde 1914, porém com a circulação restrita, nos anos trinta houve a introdução da luz elétrica no espaço público (1935). 4. A SECA DE 1932 E SEUS REFLEXOS NA CAPITAL A seca é um fenômeno climático existente em diversas localidades do mundo, a exemplo do Ceará. Já nas primeiras tentativas de colonização das terras cearenses esse fenômeno pode ser observado, a exemplo de Pero Coelho que conheceu os seus efeitos de perto. Entretanto, a partir da segunda metade do século XIX a seca passa a ser vista sobre outra ótica, de uma forma mais ampliada, podendo, inclusive, ser utilizada para fins lucrativos por parte da elite agrária. Durante o período chamado de Belle Époque, momento em que Fortaleza virou o centro econômico do Ceará, as migrações em sua direção se intensificaram, principalmente durante os momentos de seca, como por exemplo durante o período de seca que se estendeu de 1877 a 1879. Dessa forma esse aumento populacional preocupou a elite fortalezense que buscou retirar do centro da capital esses indesejados, os retirantes. Assim foram criados os famosos abarracamentos, que se localizavam na região ao redor do centro de Fortaleza e serviam para acomodar os retirantes. O mais famoso desses abarracamentos foi o do Alto da Pimenta, que hoje compreende a região que vai da praça da Igreja do Carmo até a praça Clóvis Beviláqua (mais conhecida como Praça da Bandeira), sendo lá alocados cerca de 21 mil retirantes. Vale salientar que não havia uma infra- estrutura adequada para esse imenso contingente populacional. Assim problemas maiores poderiam surgir, e surgiram, pois em 1878 com a queda das primeiras chuvas na capital ocorreu o alastramento de uma grande epidemia de varíola e do cólera. Inclusive o dia 10 de Dezembro de 1878 é chamado de o “Dia dos Mil Mortos”. As chuvas do ano de 1932 não saciaram adequadamente a sede das plantas, dos homens e dos animais, e assim o sertão continuou com sua tez cinza e as pessoas com sua aparência pálida. Dessa forma, mais uma vez, a solução encontrada pelos sertanejos era a saída do sertão, o famoso êxodo rural, sendo Fortaleza o local mais procurado por eles. No período da seca de 1932 existiam as estradas de Ferro de Baturité, que ligava a capital até a região do Sertão Central, e a Estrada de Ferro de Sobral, ligando esta localidade à Fortaleza. Os retirantes buscavam as estações ferroviárias, pois com a utilização do trem dinamizava a vinda os sertanejos para a capital. Dessa forma, as autoridades tentaram evitar que levas cada vez maiores de retirantes chegassem à Fortaleza, sendo visto como alternativa a construção dos “campos de concentração”, feitos nas proximidades das estações ferroviárias objetivando acomodar o máximo de pessoas, e assim diminuir o fluxo de pessoas para Fortaleza. Mas por que algumas pessoas aceitavam ficar Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 48 nesses “currais de gente”? Pelo fato de acreditarem que iriam receber passagens para se dirigiram para a capital. Em meio à miséria da população menos favorecida, a elite viu uma forma de ganhar muito dinheiro, elaborando uma forte propaganda em torno das calamidades acarretadas pela seca para que o Governo Federal enviasse mais dinheiro para amenizar os problemas oriundos da seca, chamamos essa prática de “Indústria da Seca”. É falho acreditar que os problemas dos sertanejos eram causados apenas pela seca, pois o maior problema do sertanejo era a cerca, ou seja, o latifúndio e as relações coronelísticas. Mesmo com a existência dos Campos de Concentração muitos sertanejos chegavam à Fortaleza, em contrapartida também muitas verbas advindas governo brasileiro aqui chegavam. Dessa forma, muitas obras construídas na cidade eram realizadas pela mão-de-obra dos flagelados que recebiam pequenos pagamentos que eram feitos com o dinheiro federal. Veja o paradoxo, o sertanejo trazia a pobreza e a riqueza para Fortaleza. 5. Fortaleza no contexto do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial: O Brasil viveu entre 1937 e 1945 um dos seus momentos políticos mais autoritários com a Ditadura do Estado Novo, iniciado após um golpe de Estado promovido por Getúlio Vargas. Como conseqüência da centralização imposta por Vargas, as interventorias voltaram a existir. No Ceará, a interventoria ficou a cabo de Menezes Pimentel, que controlou a política local até 1945. No campo das relações do trabalho, Vargas colocou em prática uma ampla legislação trabalhista buscando o apoio dos operários e uma forte propaganda promovendo o trabalho. Neste contexto o primeiro de maio ganhou destaque especial. A Fortaleza do contexto do Estado Novo viveu inúmeras transformações culturais, populacionais e urbanas ligadas à política nacional. Nesta época, tentou-se constantemente passar uma imagem de cidade moderna. Por volta de meados da década de 1940, a capital cearense possuía uma população estimada em aproximadamente 270 mil habitantes. Nessa mesma época começam a surgir grandes prédios e crescia constantemente o número de veículos na cidade, causando transtornos cotidianos com atropelamentos constantes de pessoas e animais. Porém, foi no âmbito cultural que ocorreram as principais transformações da cidade. Foi nos anos quarenta que os padrões culturais da Belle époque declinaram de vez e emergiu uma nova influência cultural, pautada na americanização dos costumes. Ou seja, nesses anos a cultura dos EUA começaram a entrar em massa no país como um todo. O cinema e os produtos dos EUA (Coca Cola, Mc Donalds, plásticos etc.), traziam consigo padrões culturais e valores como o consumismo, a valorização da técnica e o fetiche, que eram colocados como centrais nas relações sociais na capital alencarina. Segundo o historiador Antônio Luiz: “Durante os anos 40, em Fortaleza não faltaram experiências com o fetiche dos objetos. Ao olhar as vitrines, sorver as mercadorias pelas telas de cinema, adquirir um artefato pouco importando qual sua utilidade prática, os habitantes exprimiam fascínio por uma modernidade precária, eivada de sonho e fabulação”. (Antônio Luiz Macedo e Silva Filho. Paisagens do Consumo: Fortaleza no tempo da Segunda Grande Guerra. Fortaleza: Museu do Ceará, SECULT, 2002, p.11). Um momento importante dessa influência estadunidense se deu com a montagem de uma base militar dos EUA em Fortaleza entre os anos de 1942-43 nas localidades que hoje são os bairros do Pici e Aerolândia (antigo Alto da Balança). A instalação de bases militares dos EUA também se deu em várias cidades do Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 49 Nordeste brasileiro, como Natal e Recife, fato ligado a Política da Boa Vizinhança. Por essa política de aproximação, os EUA, no contexto da Segunda Guerra buscavam o apoio do Brasil dos demais países da América Latina na luta contra o eixo. Para os estadunidenses, bases militares no Nordeste brasileiro era questão de segurança nacional (para evitar eventuais invasões do continente pela sua parte sul, a mais próxima da África onde existiam tropas do eixo). Ao se misturarem com a sociedade local, os militares estadunidenses acabaram colaborando para a americanização dos costumes nos fortalezenses. Aos finais de semana os yankes se reuniam no clube USO (hoje Estoril) para escutarem músicas de seu país e se sociabilizarem com a sociedade local. Algumas meninas da cidade, muitas eram filhas da “boa” sociedade fortalezense, acabaram que se envolvendo amorosamente com os estadunidenses. Muitas vezes essas jovens eram pegues em situações constrangedoras que ocasionaram um grande furor na sociedade local. Sentindo-se deixados de lado pelas jovens locais, os rapazes da cidade acabaram apelidando maldosamente essas moças de “Garotas Coca Cola”, produto muito consumido pelos “americanos”. Outra transformação importante que ocorreu nas práticas sociais dos fortalezenses nos anos quarenta foi a popularização do banho de mar, até então pouco praticado pelos fortalezenses. Os cinemas e os clubes também se apresentavam como outras formas de entretenimento na cidade. No caso dos clubes, eram comuns as realizações de grandes eventos para as elites locais. Estes eram espaços restritos aos que possuíam recursos. Enquanto uma minoria freqüentava os clubes suntuosos, os problemas sociais cresciam constantemente. Fortaleza e os Soldados da Borracha Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-45) o Brasil passou por inúmeras transformações nos mais diversos setores; em destaque a área trabalhista com a CLT e a área industrial, com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e a Vale do Rio Doce. No campo ideológico era aparente as influencias que o nazifascismo exercia sobre uma parte considerável da sociedade brasileira, a exemplo de diversos ministros brasileiros. Quando eclodiu a 2ª Guerra Mundial (1939) o Brasil não se alinhou a nenhuma das partes envolvidas: o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e Aliados (França, Inglaterra e URSS). Os Estados Unidos da América também eram neutros, até dezembro de 1941, quando os japoneses bombardearam uma base norte- americana no Hawaii. Nesse momento o Brasil já se configurava como aliado dos estadunidenses, haja vista os interesses econômicos entre essas nações. Os norte-americanos puderam estabelecer bases militares em terras brasileiras, além de receberem minérios e muito látex, que se fazia muito necessário devido a sua utilização para a fabricação dos mais diversos produtos. O Governo de Getúlio, através do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), fez uma intensa campanha para arregimentar o máximo de homens para trabalharem na extração da borracha na região da Floresta Amazônica. Assim fora criado o Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia, o SEMTA. A sede do SEMTA era em Fortaleza, mais precisamente por trás do atual CEFET, que fica no bairro do Benfica. Muito era prometido para os soldados da borracha, mas pouco era cumprido. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 50 Cartaz do SEMTA Cartaz do SEMTA Quando os “soldados da borracha” chegavam à região amazônica se depararam com diversos problemas como: · Uma natureza bem diferente daquela que ele conhecia; · Animais de porte grande; · Doenças tropicais como a febre amarela; · Confronto com índios; · Péssimas condições de habitação; · Grande disparidade entre o número de homens e mulheres; · Péssimos salários, contribuindo para que muitos ficassem endividados. Soldados da Borracha no Caminhão Quando terminou a 2ª Guerra os soldados da borracha não receberam o devido reconhecimento, diferentemente dos soldados da FAB e da FEB, que foram agraciados com alguns benefícios. Não se pode esquecer que as promessas de uma vida mais digna foi um dos fatores que mais contribuiu para a ida de cerca de 60 mil homens para a Amazônia, porém hoje os remanescentes não passam de 600. QUESTÕES PROPOSTAS 01..Durante a seca de 1932, uma das obras implementadas pelo poder público foi a: a).construção da Catedral de Fortaleza. b).criação dos campos de concentração. c).fundação do Banco do Nordeste. d).construção do açude do Cedro. 02..Em 1941, quatro pescadores de Fortaleza, em uma simples jangada, enfrentaram 61 dias em mar aberto, com o objetivo de pedir ao presidente da República a extensão das leis sociais aos pescadores do Nordeste. O presidente com quem falaram era: a).Washington Luís. b).Getúlio Vargas. c).Eurico Gaspar Dutra. d).Juscelino Kubitschek. 03..O filme “For All”, lançado em 1998, trouxe aos cinemas alguns aspectos da presença de militares norte-americanos em algumas cidades nordestinas (Fortaleza e Natal), durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Assinale a alternativa que expressa corretamente algumas mudanças sociais desencadeadas pela presença de militares norte-americanos em Fortaleza: a).os militares trouxeram costumes degradados, fazendo aumentar a prostituição, a criminalidade e o vício do jogo. b).a base norte-americana em Fortaleza ficou isolada da sociedade local, contribuindo apenas para fornecer produtos importados aos setores mais ricos. c).novos costumes, novos comportamentos e novos hábitos foram adquiridos por alguns setores da cidade, diminuindo a influência francesa que ainda predominava. d).a base foi instalada com o objetivo político de lutar contra a influência nazi-fascista no Brasil, estimulando a ação de grupos de esquerda. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 51 04..A cidade de Fortaleza, assim como várias outras cidades brasileiras, tem associações de ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial. Sobre a participação do Brasil nessa guerra, é correto afirmar que: a).como o Brasil era um país democrático, apoiou, desde o início da guerra, a luta contra o nazifascismo. b).desde o início, o Brasil entrou na guerra ao lado do Eixo, formado pela Alemanha nazista, a Itália e o Japão. c).o Brasil apenas mandou tropas para assistência aos feridos, sem assumir uma posição na guerra. d).o Brasil declarou inicialmente simpatia pelo Eixo, mas acabou entrando na guerra ao lado dos Aliados, que reuniam americanos, ingleses, soviéticos e outros. 05..“No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-45) o Brasil passou por inúmeras transformações culturais, econômicas, estruturais e políticas. Fortaleza também teve destaque nesse período por ter sido uma das capitais nordestinas que sediou base militar americana, o que, por sua vez, trouxe consigo várias conseqüências.” (Adeildo Oliveira) Em relação às conseqüências mencionadas pelo autor pode-se afirmar que: a).os valores de vida americanos começaram a fazer parte do cotidiano dos fortalezenses sem causar nenhum tipo de transformação cultural. b).o American Way of Life transforma hábitos e costumes dos fortalezenses e inicia a hegemonia da influência cultural americana no país como um todo. c).dentre as conseqüências mais visíveis temos a paridade entre a cultura francesa e a americana. d).as garotas coca-cola surgem neste contexto sem causar espanto alguma aos padrões tradicionais da sociedade local. 06..Sobre a participação de Fortaleza na Segunda Guerra Mundial é correto afirmar: a).devido à sua localização estratégica serviu apenas para a instalação de uma base estadunidense no que hoje é o bairro do Pici. b).serviu para a instalação de uma base militar no Pici e um posto de decolagem no bairro do Alto da Balança, além de sediar o SEMTA e enviar soldados para o front. c).o SEMTA cuja a base inicialmente ficava em Fortaleza, mas logo sendo transferida para Recife, teve papel importante para o arregimentamento do “soldados da borracha”, homens e mulheres que “doaram” suas vidas, entre muitos outros motivos, para enviarem borracha para as tropas aliadas. d).os integrantes do Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA) possuiu um destaque tão amplo, em meio aos governantes do Brasil, que logo após o término da Guerra, Getúlio Vargas os declarou heróis nacionais, possibilitando a eles que pudessem receber no momento certo uma aposentadoria. 07..Entre as inúmeras transformações culturais que Fortaleza sofreu no contexto da Segunda Guerra mundial destacou-se: a).advento dos padrões de consumo oriundos da cultura estadunidense. b).ocorreu a americanização dos costumes no povo de Fortaleza, única cidade do Nordeste a sediar bases militares dos Estados Unidos. c).os militares americanos estiveram na capital cearense, mas não influenciaram no comportamento da população local. d).os fortalezenses negaram completamente a cultura francesa e se renderam a cultura democrática dos Estados unidos, país onde todos possuíam condições iguais de consumo. 08..A “Revolução de 1930” é considerada um dos momentos fundantes do Brasil contemporâneo. Sobre o desenrolar desse movimento político na cidade de Fortaleza pode-se afirmar que: Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 52 a).não houve nenhuma manifestação política na capital cearense. b).a “Revolução de 1930” foi realizada no Ceará a partir da atuação da família Távora, tendo ocorrido em Fortaleza as principais manifestações políticas do movimento no estado. c).Fernandes Távora foi o chefe da “Revolução” no estado, que teve na cidade de Sobral as principais manifestações políticas que derrubaram a República Velha. d).os populares de Fortaleza foram os grandes responsáveis pela “Revolução”, depondo as velhas oligarquias e assumindo o controle do governo. 09..“Apesar do rígido controle que se estabeleceu durante a seca, muitos retirantes permaneceram engrossando as fileiras da pobreza na “Cidade do Sol”. Nesse movimento, os retirantes deixaram de ser flagelados e passaram a ser favelados.” Kênia Rios. In: Campos de Concentração no Ceará: Isolamento e poder na seca de 1932. Sobre os Campos de Concentração e as suas implicações sobre Fortaleza, é correto afirmar: a).a tentativa da construção dos famosos campos de concentração objetivava inviabilizar a afluxo de sertanejos em direção à Fortaleza, obtendo um grande êxito em tal objetivo, pois aqui os grupos de famintos praticamente não trouxeram nenhuma grande transformação. b).um dos fatos mais marcantes durante a Seca de 1932 foi a utilização de tal efeito climático para pressionar as autoridades federais à enviarem mais verbas p”ara, supostamente, “solucionar” os problemas da seca, mas na verdade tais verbas serviriam, entre outros pontos, para melhorar alguns pontos da estrutura urbana de Fortaleza, como o porto. c).os poderosos de Fortaleza queriam a ampliação da rede ferroviária estadual na medida que acarretaria uma maior potencialidade para a exportação de vários produtos primários cearenses,em contrapartida, também contribuiria para facilitar a vinda de sertanejos para a capital, fato que apenas traria pontos positivos para a capital. d).a “indústria da seca” foi amplamente praticada durante a Seca de 1932, prática até então inédita no estado do Ceará, contribuiu para ampliar o poder político de várias grupos políticos cearenses. 10..Durante a Segunda Grande Guerra Mundial (1939-1945) Fortaleza esteve de “corpo e alma” inserida em tal evento pois: a).de Fortaleza saíram muitos soldados que iriam compor a FAB, A FEB e o SEMTA, porém, diferentemente de Natal, não abrigou bases militares estadunidenses. b).os “Soldados da Borracha” possuíram uma participação efetiva em meio à Segunda Grande Guerra, sendo a composição desse grupo composta principalmente por nordestinos, não podendo excluir a forte adesão de paulistas, mineiros e cariocas. c).os famosos “Soldados da Borracha” passaram por diversos problemas como as diferenças entre fauna e flora, os confrontos com os índios, a escravidão por dívida e falta assistência por parte das autoridades, fator esse que perdurou por algumas décadas. d).o SEMTA teve uma importância limitava em meio à Segunda Guerra, na medida que os seringais da Malásia e Ceilão foram reconquistados logo no início desta guerra. 11..Leia o texto abaixo: “Apesar do rígido controle que se estabeleceu durante a seca, muitos retirantes permaneceram engrossando as fileiras da pobreza na “Cidade do Sol”. Nesse movimento, os retirantes deixaram de ser flagelados e passaram a ser favelados.” Kênia Rios. In: Campos de Concentração no Ceará: Isolamento e poder na seca de 1932. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 53 Sobre os campos de concentração e as suas implicações sobre Fortaleza, é correto afirmar: a).a tentativa da construção dos famosos campos de concentração objetivava inviabilizar a afluxo de sertanejos em direção à Fortaleza, obtendo um grande êxito em tal objetivo, pois aqui os grupos de famintos praticamente não trouxeram nenhuma grande transformação. b).um dos fatos mais marcantes durante a seca de 1932 foi a utilização de tal efeito climático para pressionar as autoridades federais a enviarem mais verbas para, supostamente, “solucionar” os problemas da seca, mas na verdade tais verbas serviriam, entre outros pontos, para melhorar alguns pontos da estrutura urbana de Fortaleza, como o porto. c).os poderosos de Fortaleza queriam a ampliação da rede ferroviária estadual na medida em que acarretaria uma maior potencialidade para a exportação de vários produtos primários cearenses, em contrapartida, também contribuiria para facilitar a vinda de sertanejos para a capital. d).a “indústria da seca” foi amplamente praticada durante a seca de 1932, prática até então inédita no estado do Ceará, contribuiu para ampliar o poder político de várias grupos políticos cearenses. 12..A seca de 1932-34, deixou marcas profundas na sociedade fortalezense, uma verdadeira visão de terror, por assim dizer, na medida em que os campos de concentração foram implementados. A esse respeito, podemos afirmar que: a).eles existiram apenas em Fortaleza, já que era o destino final dos retirantes da seca. b).existiram vários, sempre associados às estações ferroviárias, mas a maioria, em Fortaleza. c).os campos de concentração de Fortaleza existiram praticamente na porção leste da cidade, ou seja, a porção mais pobre. d).a concentração urbana e a pressão econômica causada pela seca fizeram de Fortaleza um centro atrator e receptor de flagelados e de verbas federais. 13..Em meados da década de 30 é inaugurado o maior prédio de Fortaleza, o hotel Excelsior, podemos inferir que apesar de todo o flagelo da seca, Fortaleza vive uma fase de expansão. Em meio a esse processo de alegria e euforia da classe abastada da cidade ocorreu: a).o aumento do fluxo de turistas em Fortaleza. b).surgimento de grandes favelas. c).expansão urbana e comercial. d).a retomada do espírito da “Belle Époque”, o aformoseamento da cidade. 14..Durante a Segunda Grande Guerra Mundial (1939-1945) Fortaleza esteve de “corpo e alma” inserida em tal evento pois: a).de Fortaleza saíram muitos soldados que iriam compor a FAB, A FEB e o SEMTA, porém, diferentemente de Natal, não abrigou bases militares estadunidenses. b).os “soldados da borracha” possuíram uma participação efetiva em meio a Segunda Grande Guerra, sendo a composição desse grupo composta principalmente por nordestinos, não podendo excluir a forte adesão de paulistas, mineiros e cariocas. c).os famosos “soldados da borracha” passaram por diversos problemas como as dificuldades adaptativas à nova fauna e flora, os confrontos com os índios, a escravidão por dívida e a falta de assistência por parte das autoridades, fator esse que perdurou por algumas décadas. d).o SEMTA teve uma importância limitava em meio à Segunda Guerra, na medida que os seringais da Malásia e Ceilão foram reconquistados logo no início desta guerra. 15..O Estoril é tombado pelo patrimônio histórico municipal e teve seu início nos anos de 1940, como: Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 54 a).residência para turistas. b).cassino de oficiais norte-americanos. c).clube noturno. d).clube social. 16..Lei o seguinte texto: “A entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial provocou uma política de aproximação de Washington com os vizinhos da América Latina – uma iniciativa que teve na cultura sua faceta de maior destaque. Como parte desse processo, a produtora RKO contratou o cineasta Orson Welles para dirigir um documentário chamado It’s all true (É tudo verdade). Rodado em preto-e- branco, o filme teria três episódios. O primeiro, My friend Bonito (Meu amigo bonito), fora filmado no México. O segundo retratava o Carnaval carioca, enquanto o terceiro, intitulado Four men in a raft (Quatro homens numa jangada), contava a história de São Pedro.” Revista Nossa História. Junho de 2004. Sobre a saga da jangada de São Pedro, é correto afirmar: a).os quatros tripulantes da São Pedro, Jacaré (Manoel Olimpio Meira), Mestre Jerônimo (Jerônimo André de Souza), Tatá (Raimundo Corrêia Lima) e Mane Preto (Manoel Pereira da Silva) se aventuraram em alto mar objetivando com todo aquele acontecimento chamar à atenção das autoridades brasileiras acerca dos problemas enfrentados pelos trabalhadores do mar, porém não conseguiram tal objetivo, pois o presidente, Getúlio Vargas, considerava aquele feito desafiador de sua autoridade. b).a política da Boa Vizinhança de Roosevelt utilizou, entre outros recursos, o cinema para aproximar os Estados Unidos de várias nações americanas, como o México e o Brasil, entretanto o resultado não foi o esperado, por exemplo, em Fortaleza da década de 40 não se observava uma forte influencia cultural estadunidense, mas sim francesa. c).tal acontecimento mostra mais ainda a “teatralização da política”, ou seja, Getúlio Vargas utilizou esse feito dos jangadeiros da São Pedro a seu favor, pois os recebeu atenciosamente, assim tentado fortalecer a sua imagem com “pai dos pobres”, como o governante atento que não deixa de lado aos problemas do povo. d).a saga dos Jangadeiros da São Pedro contribuiu para o fortalecimento da imagem do povo cearense, servindo para solucionar os problemas dos pescadores da Colônia Z-1, que ficava na praia de Iracema. GABARITO 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DE FORTALEZA A PARTIR DOS ANOS 1950 1. Contexto Nacional: A partir dos anos cinqüenta a sociedade brasileira passou por inúmeras transformações no campo da política, cultura, economia e urbanização. Na política tivemos uma participação cada vez mais intensa do povo no processo eleitoral; com o desenvolvimento da TV, um novo hábito se enraizou na cultura do brasileiro; com a ideologia desenvolvimentista, temos um avanço considerável na industrialização do país, mesmo que cerceando a região sudeste, o que por sua vez, favoreceu o êxodo rural e as migrações regionais (principalmente do Nordeste para Sudeste), rompendo, assim, a hegemonia histórica do campo sobre a cidade, consolidando à última, como centro irradiador da economia e das decisões políticas a partir dos anos 1970. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 55 No Ceará essas transformações também se dão, mas de forma diferenciada e gradativa. Um dos momentos marcantes, desse período, para o Estado e, para o Nordeste como um todo, se deu, principalmente, em 1954, com a instalação da sede do BNB em Fortaleza e, depois, com a fundação da SUDENE em 1959. Essas duas instituições tiveram um papel crucial no desenvolvimento da região Nordeste e, conseqüentemente, beneficiaram a capital cearense com suas políticas desenvolvimentistas. 2. Urbanização em Fortaleza: Fortaleza, assim como as demais capitais do país, sofre um processo de urbanização constante e intenso após os anos cinqüenta. Várias fatores colaboraram de forma direta ou indireta para esse crescimento vertiginoso que consolidou Fortaleza como uma das grandes Metrópoles brasileiras, dentre eles destacamos: · A ideologia desenvolvimentista (criação do BNB e SUDENE); · As secas, comuns no território cearense; · A crise da agricultura tradicional cearense; · A estrutura fundiária do Estado. Com a política desenvolvimentista praticada pelo BNB e pela SUDENE, que via na industrialização o caminho para o desenvolvimento, a capital cearense começa a se beneficiar com investimentos em infra- estrutura, transportes e serviços, fato que acelerou as migrações campo-cidade e colocou a capital como centro dessas transformações, pois os principais investimentos no Ceará eram direcionados para Fortaleza, devido ao seu já consolidado papel de centro coletor e exportador da produção do Estado. São bons exemplos desses investimentos na capital, à instalação da Universidade Federal do Ceará – UFC, em 1954 e a transferência do DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas para Fortaleza em 1961. “A criação desses órgãos e o início da instalação de infra-estrutura básica e equipamentos repercutem no expressivo aumento de postos de trabalho mais selecionados, dando início à formação de uma nova classe média”. (José Borzacchiello. A Região Metropolitana de Fortaleza. In: Borzacchiello, Tércia Cavalcante, Eustógio Dantas. (orgs.). Ceará: um novo olhar geográfico, 2ª ed. Fortaleza: Ed. Demócrito Rocha, 2007, pág. 102). No que se refere às secas e a crise da agricultura cearense, tem-se uma relação direta entre estes fatores e entre eles e o crescimento urbano de Fortaleza. Com as secas constantes temos o declínio da agricultura, posto que esta depende diretamente das chuvas para se desenvolver e, conseqüentemente, com a crise da agricultura, a existência do camponês torna- se cada vez mais dura, fato que faz com que ocorram migrações para os centros urbanos em busca de melhores condições de vida. Fortaleza, por seu papel de destaque na economia do Estado torna-se lugar comum para esses migrantes. O outro fator também muito importante para a compreensão do crescimento urbano da capital cearense foi à estrutura agrária do Estado. Historicamente o Ceará foi e é marcado pela concentração fundiária. Desde os primeiros momentos da colonização portuguesa temos o poder dos latifúndios exercendo forte influência na política e nas relações pessoais. Com isso, muitos camponeses perderam suas terras para um grande proprietário ou não se rendiam à influência destes, fatos que limitavam as suas possibilidades de existência no campo e fez com que migrassem para as cidades, em especial, Fortaleza. Por tudo isso, as migrações campo-cidade foram importantíssimas para a urbanização da capital. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 56 Para se ter uma idéia do crescimento acelerado de Fortaleza nos anos cinqüenta, em 1950 a capital possuía aproximadamente 270 mil habitantes e em 1960 já pairava os 514 mil. 3. Montagem das bases da indústria local: Todos os fatores expostos acima foram de grande relevância para o crescimento de Fortaleza, porém, foi somente a partir dos anos 1960 que os investimentos e as políticas públicas começaram a se intensificar. Com a primeira gestão de Virgílio Távora (1963-66) no Governo do Estado, temos um momento decisivo nesse processo. Virgílio Távora governou o Ceará influenciado pelo desenvolvimentismo do Plano de Metas de JK e do Plano Trienal de JANGO. Em sua gestão, a partir do PLAMEG I, favoreceu a capital cearense com uma série de investimentos como: · Cria a Cia. Docas e várias rodovias para escoar a produção pela capital; · Reforma e amplia o porto do Mucuripe; · Cria a SUDEC, CODEC e BEC; · Traz para Fortaleza energia elétrica da usina de Paulo Afonso (1965), visando resolver o problema de abastecimento energético; · Cria, na região metropolitana de Fortaleza, em Maracanaú, o Distrito Industrial. Por tudo isso, Virgílio Távora é considerado como o governante que estruturou as bases da indústria local, mesmo sendo conservador em sua posição política. 4. Crescimento urbano e o início da especulação imobiliária em Fortaleza: Historicamente, o espaço que hoje é conhecido por centro comercial de Fortaleza, foi uma das áreas nobres da cidade. Ao longo dos anos 1920 esta situação começou a mudar. Com o fim da época áurea da Belle Époque fortalezense e com as constantes migrações de flagelados da seca para a capital, temos o inchaço da região central e a conseqüente fuga da elite burguesa para novos espaços onde pudessem se diferenciar e se “proteger” dos pobres e famintos que, cada vez mais, chegavam na cidade e se concentravam no centro, que se transforma em lugar propício para manifestações sociais. Com isso, o centro perde paulatinamente o glamour que tinha nos tempos áureos da Belle Époque e a cidade começa uma expansão constante rumo à sua região Leste e depois sudeste, com bairros nobres, e regiões Oeste e Sul, com bairros pobres. Em um primeiro momento, durante os anos 1920, temos a transferência das elites burguesas da cidade para a localidade do Jacarecanga, localidade mais distante do centro, que se transformou no primeiro bairro nobre de Fortaleza com várias mansões e Palacetes. Porém, ainda em fins dos anos vinte e durante a década de trinta, temos a desvalorização desta área, que vai começar a se industrializar e se popularizar. Entre os anos trinta e quarenta temos a valorização da localidade da Praia de Iracema, antiga região de casas de veraneio. Já a partir dos anos quarenta e cinqüenta, o novo foco de valorização passa a ser a Aldeota. Com isso, consagra-se uma divisão sócio-espacial na cidade, com a existência de bairros “chiques” e bairros pobres, segregação típica do mundo capitalista, que procura e cria formas de diferenciar as pessoas a partir do dinheiro. Esse processo de especulação imobiliária e segregação sócio-espacial na cidade se intensificaram à medida que a economia do Estado e da capital foi se desenvolvendo e criando condições para a expansão das relações capitalistas. Nos anos 1960, com a implantação das bases da indústria cearense e com o início da Ditadura Civil-militar no Brasil, tem-se um quadro favorável ao crescimento urbano no estado. “A repressão política que se inicia em 1964 e alcança seu ápice a partir de 1968, Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 57 estendendo-se até o início dos anos 80 associada a mediadas administrativas fazem de 1964 um ano emblemático para as cidades brasileiras”. (Borzacchiello, op. cit. pág. 102) Com a Ditadura Civil-Militar, além da repressão aos opositores com torturas, assassinatos, exílios, prisões e limites à liberdade de imprensa; temos uma série de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento econômico e que favoreceram as grandes capitais brasileiras, como foi o caso da criação do BNH – Banco Nacional de Habitação, em 1964, voltado para a construção de moradias populares nas cidades e que acabou propiciando a geração de emprego e renda. Tudo isso acabou beneficiando Fortaleza que começa a ganhar os seus primeiros conjuntos habitacionais no contexto do Regime Militar. Paralelo a construção de moradias populares, o processo de especulação imobiliária continuava a se intensificar. Nos anos sessenta foi o momento da construção da Avenida Beira Mar que somente se consolidou como área nobre de lazer nos anos setenta. “Este processo de incorporação de novas áreas à cidade foi precedido pela ação de especuladores imobiliários, que se apropriaram de terrenos localizados na periferia urbana e lotearam sítios, destinados anteriormente ao uso rural (Sítios Cocó, Alagadiço, Cambeba e Estância). Assim, áreas mais distantes foram sendo ocupadas, ao passo que enormes terrenos, alguns parcelados, em torno do centro, ficavam á espera de valorização”. (Maria Clélia Lustosa da Costa. Fortaleza: expansão urbana e organização do espaço. In: Borzacchiello, Tércia Cavalcante, Eustógio Dantas. (orgs.). Ceará: um novo olhar geográfico, 2ª ed. Fortaleza: Ed. Demócrito Rocha, 2007, pág. 80). 4.1. A Fortaleza dos anos 1970: expansão econômica, infra-estrutura e especulação: A década de setenta foi marcante na História do Brasil. Vive-se um dos momentos mais violentos da história política do país, ao mesmo tempo em que o Brasil se urbaniza e se industrializa (mesmo que de forma dependente). O tricampeonato de futebol foi extremamente associado ao “Milagre Econômico” e canalizado para a propaganda da Ditadura. Neste contexto, Fortaleza também sofre inúmeras transformações econômicas, culturais e infra-estruturais. Seguindo as diretrizes da propaganda Ufanista do Regime Civil-Militar, foi concluída a construção do estádio Plácido Aderaldo Castelo – Castelão, em estilo faraônico. Na administração de Vicente Fialho (1971-75) foram implantados projetos viários como os das Av. Castello Branco, Borges de Melo etc. Temos também a elaboração de um novo Plano Diretor Físico de Fortaleza, com propostas que visavam concentrar o comércio e as residências nos bairros da Aldeota, Fátima e Jacarecanga. Foi também nos anos setenta que Fortaleza ganhou o seu primeiro Shopping Center (o Shopping Center Um – 1974), construção típica do capitalismo. Seguindo a expansão da cidade “nobre” para a região Leste, temos em 1973 a fundação da UNIFOR – Universidade de Fortaleza; a transferência de vários órgãos da administração pública para essa região, como a sede do Governo do Estado para o Palácio da Abolição, na Aldeota e Assembléia Legislativa para o Dionísio Torres. Na gestão de Adauto Bezerra no Governo do Estado (1975-78), Fortaleza vai ter como benefícios principais à ampliação da rede de água e esgoto e a fundação da UECE – Universidade Estadual do Ceará (1977). 4.1.2 Segunda gestão de Virgílio Távora (1978-82) e seus efeitos em Fortaleza: Com o que foi visto até então, Virgílio Távora foi o responsável por estruturar as Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 58 bases da indústria cearense. Contudo, o seu projeto de industrialização do Estado, que seguia as diretrizes desenvolvimentistas, não pôde ser findo em sua primeira administração. Foi em sua segunda gestão que Virgílio pôde consolidar o seu projeto de industrialização, que acabou servindo para fortalecer as novas elites emergentes do Estado, ligadas ao CIC – Centro Industrial do Ceará: eram os chamados “jovens empresários”, que depois ascenderiam ao poder, permanecendo no mesmo por vinte anos (Geração Cambeba). No contexto de sua segunda administração e seguindo as diretrizes políticas da Ditadura, que limitavam a autonomia municipal, Távora, como era de praxe naquele período, escolheu como prefeito de Fortaleza o jovem médico Lúcio Alcântara, filho de seu vice-governador (Waldemar Alcântara). Na administração de Lúcio Alcântara na prefeitura seguindo Virgílio Távora no governo do Estado temos uma série de obras sociais e infra-estruturais na capital: · Descentralização dos espaços de lazer com a construção de vários pólos (Barra do Ceará, Lagoa do Opaia e Praia do Futuro); · Implantação do Parque Ecológico do Cocó; · Urbanização da Av. Beira Mar; · Início dos projetos de Internacionalização do aeroporto Pinto Martins, só efetivados no governo de Tasso Jereissati; · Terminou o Distrito Industrial, iniciado em sua primeira gestão; · Reagindo às transformações eleitorais que ocorriam, a esposa de Távora, Luiza Távora, realizou uma série de obras sociais nas favelas da capital; · Construção do Cambeba – Centro Administrativo do Estado do Ceará na região sudeste da cidade. Todas essas obras faziam parte de um projeto que visava transformar o Ceará no terceiro pólo industrial do Nordeste, fato hoje consolidado. Virgílio Távora (1963-66) · PLAMEG.I.(Plano de Metas do Governo). · Criação do I Distrito Industrial do Ceará. · Criação da Companhia Docas. · Criação.da.Codec.(Com panhia.de Desenvolvimento do Ceará. · Criação do BEC (Banco do Estado do Ceará) · Ampliação do fornecimento de energia. · FALTAC (Federação dos Trabalhadores Agrícolas do Ceará). Plácido Aderaldo Castelo (1966-1971) · Início da Construção do Castelão · IPEC.(Instituto.da Previdência do Estado do Ceará. · Rodoviária do Algodão (Fortaleza-Aracati). · Palácio da Abolição. · IPPS (Instituto Penal Paulo Sarasate). César Cals (1971-1975) · SEI (Serviço Estadual de Informação). · Criação da Coelce. · Conclusão do Castelão. Adauto Bezerra (1975-1978) · Interiorização do BEC. · Criação da UECE. Virgílio Távora (1979-1982) · PLAMEG II. · Açudes Pacoti- Riachão. · Conclusão do Distrito Industrial de Maracanaú · Internacionalização do Aeroporto Pinto Martins. Gonzaga Mota (1983-1986) · Gonzaguinhas. · Gonzaguetas. A FORTALEZA DOS ANOS 1980 E 1990: A METRÓPOLE REGIONAL E SEUS PROBLEMAS 5. Contexto nacional e seus reflexos locais: Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 59 A sociedade brasileira como um todo, viveu nos anos oitenta um período de transição. Em termos políticos tivemos a passagem para a Democracia com o Fim da Ditadura Civil-Militar, que se consolidou com a promulgação da Constituição de 1988 (Constituição Cidadã). Na economia temos uma década marcada pela crise com uma série de Planos Econômicos caracterizados pelo fracasso. Todas essas transformações políticas e econômicas refletiram no social com a condição de vida das classes menos favorecidas economicamente chegando a níveis extremos de desigualdade, “exclusão” e fome. Em busca de melhores condições de vida, milhares de camponeses migram para as cidades intensificando o Êxodo Rural e os problemas urbanos que refletem os males relacionados a este fenômeno social: violência, miséria, falta de moradia, saúde e educação... Fortaleza, por já se encontrar em uma condição de destaque no cenário nacional, não vai ficar incólume ao contexto geral brasileiro. Nos anos oitenta a capital teve um aumento constante dos seus problemas sociais, principalmente relacionados às migrações campo-cidade e à concentração da renda. Cresceram os números de favelas, houve intensificação da ocupação da RMF – Região Metropolitana de Fortaleza, por populares em busca de moradia etc. Conseqüentemente, tivemos um acirramento das lutas sociais, com a mobilização de uma série de associações da sociedade civil em busca de melhores condições de existência para os trabalhadores. É nesta época que cresce o número de pessoas que buscam no comércio informal melhores condições de vida (camelôs, vendedores ambulantes...). Foi relacionado a este contexto sócio- econômico e político que ocorreu em 1985 a eleição surpreendente de Maria Luiza Fontenele para a prefeitura de Fortaleza. Ligada aos movimentos sociais da capital, Maria Luiza conseguiu respaldo e foi eleita como a primeira prefeita de esquerda a gerir uma grande cidade no Brasil. Esta eleição adiou para 1988 o Ascenso ao controle da capital do emergente grupo do “Governo das Mudanças”. Em sua administração, Maria Luiza não conseguiu alcançar grandes resultados. “Maria Luiza, socióloga, deputada estadual em duas legislaturas pelo PMDB, isolou-se na prefeitura. Inabilidosamente atritou-se com várias facções do Partido dos Trabalhadores, cujas disputas atrapalhavam a Gestão Popular – acabou depois expulsa da agremiação. Maria defrontou-se igualmente com a forte oposição de certos movimentos populares, ligados ao arqui-rival PC do B. (...) Faltou experiência”. (José Airton de Farias. História da Sociedade Cearense. Fortaleza: Ed. Livro Técnico, 2004, p.461). Além dos referidos problemas, Maria Luiza ainda enfrentou oposição da imprensa local, da Câmara Municipal e um boicote das elites dirigentes dos Governos estadual e federal, fato que praticamente inviabilizou a sua gestão, posto que as principais verbas para a prefeitura vinham destas esferas da administração pública. Sem os recursos necessários, o salário do funcionalismo ficou atrasado constantemente, os serviços básicos da cidade praticamente ficaram inoperantes, lixo e buracos estavam visíveis nas ruas. Porém, mesmo com todos os problemas, na administração da mesma, houve combate ao empreguismo. 5. 1. O Cambeba na gestão da capital: Em 1988, com o apoio de Tasso Jereissati, Ciro Gomes (ainda no PMDB) é eleito prefeito de Fortaleza com uma pequena margem de votos em relação ao seu opositor (Edson Silva do PDT). Na gestão de Ciro Gomes (1988-90), com o apoio do Governo do Estado, ocorreu uma Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 60 série de investimentos em infra-estrutura na capital. Os problemas da administração de Maria Luiza foram “resolvidos” e a popularidade de Ciro e Tasso fez com que os mesmos fossem eleitos os “melhores administradores” do país. Porém, em 1990, com Tasso visando garantir a sua sucessão no Governo do Estado, indicou a candidatura de Ciro Gomes (já no PSDB) para o mesmo, deixando a prefeitura da Capital nas mãos de Juraci Magalhães do PMDB. Começava aí a hegemonia do PMDB na gestão municipal da capital, que duraria por toda a década de 1990, sob a égide de Juraci Magalhães, e se defrontaria com o “Governo das Mudanças”. Nesta década tivemos como prefeitos da capital cearense Juraci Magalhães (1990-92 / 1996-2000) e Antônio Cambraia (1993-95), candidato indicado por Juraci. 5.2. A hegemonia do PMDB na capital nos dinâmicos anos 1990: Nos anos noventa o papel de Fortaleza como centro administrativo, coletor e exportador de produtos locais e regionais e de grande Metrópole do Nordeste seria reforçado ainda mais. Com uma série de políticas públicas municipais, estaduais e federais, a capital sofreu constantes transformações em sua infra-estrutura básica e serviços, entrando em definitivo no processo de Globalização da economia e cultura, além de se consolidar no quadro nacional como uma das influentes Metrópoles brasileiras. Nas administrações de Juraci e Cambraia, bem como no Governo do Estado, tem-se o uso constante dos meios de comunicação em massa na promoção das políticas (políticos) públicas que ocasionavam grande impacto visual na população, o que, por sua vez, gerava excelentes resultados eleitorais para os “realizadores”. Temos como exemplos dessas políticas na gestão municipal de Fortaleza: · A criação do Sistema Integrado de Ônibus em 1992; · Reforma e ampliação do IJF – Instituto José Frota; · Revitalização da Praia de Iracema e remodelação da Praça do Ferreira; · Construção de novas vias e viadutos em zonas estratégicas da cidade; · Implantação de Terminais em bairros afastados do centro da cidade; · A ponte sobre o rio Ceará, o que favoreceu a ligação com o litoral oeste do Estado; · Construíram-se inúmeros conjuntos habitacionais nas regiões periféricas da cidade. Obs.: Vale ressaltar que, mesmo com essas obras de grande impacto que favoreceu sem dúvida alguma a capital, houve um aumento constante de seus índices de violência, desigualdades e discriminação social. Obs.: Também vale frisar que na última administração de Juraci Magalhães ocorreram uma série de denúncias de corrupção e favorecimento pessoal. Além dos investimentos municipais, como já foi dito, a capital também se beneficiou dos investimentos estaduais e federais em sua infra-estrutura, propaganda cultural e turismo. Fazendo parte de uma política nacional, regional e estadual de desenvolvimento econômico da região Nordeste, Fortaleza recebeu inúmeros investimentos de programas do BNB nas áreas de turismo, indústria e infra-estrutura básica, assim como várias regiões do Estado. Nas gestões estaduais de Ciro Gomes (1991-94) e Tasso (1995-98 / 1998-2002), a capital se beneficiou com: · Verbas do Projeto SANEAR; · Construção do Canal do Trabalhador em caráter emergencial, no contexto da seca de 1992, que trouxe água do rio Jaguaribe para a capital; · Internacionalização do aeroporto Pinto Martins; · Construção do Metrofor e do Porto do Pecém, que ampliou a relevância da RMF. Portanto, percebe-se que na década de 1990 Fortaleza aumenta seu potencial econômico, infra-estrutural e turístico, porém, o número de favelas, a violência, o Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 61 descaso com as periferias e suas populações menos favorecidas cresce vertiginosamente elevando a capital à condição de uma das cidades brasileiras com a maior concentração de renda e pobreza. A FORTALEZA ATUAL (PÓS-2000) Fortaleza entrou no século XXI como uma das grandes Metrópoles nacionais. Com uma série de serviços, um comércio ativo e um parque industrial considerável em Região Metropolitana (terceira maior do Nordeste), Fortaleza é hoje um centro coletor e exportador de produtos regionais. Além de vários serviços, a capital cearense ainda dispõe de belezas naturais, folclore e artesanato que favorecem o Turismo, uma de suas principais fontes de renda. Possui toda uma rede hoteleira para atender aos milhares de turistas que a visitam anualmente. Em 2004, após duas gestões de Juraci Magalhães, foi eleita de forma surpreendente Luiziane Lins para a gestão municipal da capital. Suas principais propostas de campanha eram o embelezamento, limpeza e o investimento na educação da cidade (FORTALEZA BELA). Em sua gestão, que ainda não acabou devido a sua reeleição em 2008, novos conjuntos habitacionais foram construídos, reformou-se espaços de lazer que estavam decaídos, tenta-se revitalizar alguns lugares históricos no centro da cidade, como é caso do Passeio Público e chamo e convidou-se a população para fazer arte do orçamento participativo, onde a comunidade dialoga com a prefeitura para expor e procurar saídas para os problemas da capital. Falar dos problemas de Fortaleza é algo delicado, hoje ela é uma das grandes metrópoles brasileiras em tamanho e desigualdade social. Muitos não possuem nada ou quase nada e poucos tem acesso a serviços de qualidade como saúde, higiene, educação e moradia. Em sua infra-estrutura percebemos claramente as dificuldades nos transportes e na moradia de sua população pobre, que muitas vezes perdem suas precárias casas. Os ônibus, nos horários de pico da cidade, andam sempre lotados, há uma demora e desconforto no deslocamento das pessoas. Surge, neste contexto, o transporte alternativo, que não resolve o problema. Outro problema crescente na cidade de Fortaleza é a violência. Todos os dias os vários programas policiais apresentam matérias novas sobre a criminalidade na capital. Os assassinatos, roubos, furtos e até mesmo algumas modalidades de crime que até pouco tempo atrás não existiam como o sequestro, já aparecem como reais na capital alencarina. Sem dúvida alguma Fortaleza é uma cidade bela, mais falta muito para ser uma cidade ideal para os seus habitantes, que pagam caro para terem serviços que são limitados e muitas vezes lhes são negados... QUESTÕES PROPOSTAS 01..Quem transita cotidianamente por Fortaleza encontra vários monumentos e edifícios dedicados a Castelo Branco. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o período em que Castelo Branco foi presidente da República e uma característica da política do seu governo. a).abertura democrática / eleições livres. b).ditadura militar / anti-comunismo. c).abertura democrática / desenvolvimentismo. d).ditadura militar / liberdade democrática. 02..Na primeira gestão de Virgílio Távora no Ceará (1963-66) Fortaleza se beneficiou de uma série de obras como: a).a construção do Distrito Industrial e do Aeroporto Pinto Martins com estrutura para vôos internacionais. b).a chegada de energia elétrica da Usina de Paulo Afonso e o início da construção do Estádio Castelão. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 62 c).ganhou várias rodovias que ligavam a capital ao interior e a Cia. Docas. d).ganhou, neste governo, o direito de sediar o BNB, CODEC e BEC. 03..“A repressão política que se inicia em 1964 e alcança seu ápice a partir de 1968, estendendo-se até o início dos anos 80 associada a mediadas administrativas fazem de 1964 um ano emblemático para as cidades brasileiras”. José Borzacchiello. A Região Metropolitana de Fortaleza. In: Borzacchiello, Tércia Cavalcante, Eustógio Dantas. (orgs.). Ceará: um novo olhar geográfico, 2ª edição, Fortaleza: Ed. Demócrito Rocha, 2007, p.102. Sobre o período citado pelo autor e as inúmeras transformações ocorridas na cidade de Fortaleza é correto afirmar que: a).A cidade de Fortaleza cresceu constantemente e sofreu inúmeras transformações estruturais como a construção do estádio Castelão, em estilo faraônico, a criação dos primeiros conjuntos habitacionais e shoppings. b).Fortaleza cresceu constantemente mais não se beneficiou do Regime Civil-Militar. c).Fortaleza ganhou conjuntos habitacionais, praças, o teatro José de Alencar e o Distrito Industrial. d).A maior transformação que ocorreu na cidade foi à internacionalização do Aeroporto Pinto Martins. 04..Em relação à Fortaleza dos anos 1980 é correto afirmar que: a).Ocorreu a eleição da primeira prefeita da cidade (Maria Luiza Fontenele), que entrou para a história por ter tido uma gestão marcada pelo sucesso. b).Na gestão de Maria Luiza ocorreu um boicote das classes dominantes locais, do governo estadual e federal, fato que complicou a gestão da prefeita. c).Maria Luiza realizou uma aliança política com Tasso Jereissati e acabou complicando a sua gestão na cidade. d).Ciro Gomes foi eleito para a prefeitura em 1988, mas teve que renunciar em 1990 devido a irregularidades em sua gestão. 05..Sobre a gestão de Ciro Gomes em Fortaleza (1988-90) não podemos afirmar que: a).uma das primeiras ações de Ciro foi tentar “recuperar” e “modernizar” Fortaleza. b).os níveis de popularidade de Ciro na prefeitura e de Tasso no governo do Estado alcançaram as alturas, sendo considerados os “melhores administradores” do Brasil. c).em 1990 Ciro renunciou a prefeitura de Fortaleza para concorrer ao governo do Estado e deixou a prefeitura nas mãos de Juraci Magalhães. d).mesmo sendo do PSDB, Ciro não teve o apoio de Tasso em sua gestão. 06..A Fortaleza dos anos 1990 sofreu uma série de transformações infra-estruturais que lhe garantiram um papel de destaque no cenário regional e nacional. Sobre a Fortaleza dos anos noventa é correto afirmar que: a).foi gerida por Juraci Magalhães e Antônio Cambraia que eram aliados de Tasso Jereissati. b).ganhou terminais de ônibus e grandes avenidas que diluíram os problemas de tráfego da cidade. c).nas gestões de Juraci Magalhães (1990-92 e 1996/2000) realizou-se uma série de construções de grande impacto visual (viadutos, terminais, novas avenidas...) e houve um uso intenso dos meios de comunicação a seu favor. d).nas gestões de Juraci Magalhães e Antônio Cambraia teve o início efetivo do processo de Globalização na cidade com a chegada dos primeiros produtos de multinacionais. 07..“Entre 1991/95 o Ceará foi governado por Ciro Gomes que fez parte da chamada Geração Cambeba e que teve destaque pela realização de obras de grande impacto visual Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 63 e pelo uso intenso dos meios de comunicação, com a realização de campanha nacional e internacional das riquezas naturais e materiais do Estado”. (Adeildo Oliveira) Em relação às medidas adotadas pelo governo Ciro Gomes e que beneficiaram a capital é correto afirmar que: a).construiu-se em apenas três meses o Canal do Trabalhador, que trouxe água do Rio Jaguaribe para a capital no contexto da seca de 1992. b).realizou a fundação do Instituto José Frota (IJF) e instalou o Shopping Iguatemi. c).terminou o Distrito Industrial e Internacionalizou o Aeroporto Pinto Martins. d).construiu o Porto do Pecém e incentivou a criação de terminais na cidade junto ao prefeito Juraci Magalhães, posto que haviam sido, anteriormente, prefeito e vice. 08..“Os movimentos sociais emergiram no final dos anos cinqüenta, marcados por duas secas e pelo aceleramento da corrente migratória do interior, que impulsionaram a ocupação dos novos espaços urbanos, como Pirambu, Lagamar e Verdes Mares.” Gisafran N. M. Jucá. Verso e reverso do perfil urbano de Fortaleza. São Paulo, Annabblume, 2000, p.76. A partir do texto, identifique a opção que expressa corretamente o processo de expansão urbana em Fortaleza em meados do século XX. a).as muitas oportunidades de emprego estável atraíram os camponeses, que passariam a habitar as áreas periféricas da cidade. b).os bairros periféricos foram ocupados especialmente por operários do parque industrial criado na periferia da cidade. c).as secas e a estrutura agrária do Estado foram fatores que colaboraram diretamente para a expansão da cidade. d).as correntes migratórias foram absorvidas em uma série de programas habitacionais e de criação de empregos, evitando conflitos. 09..“Tempo, espaço, memória imbricam-se no Centro. Parte expressiva de nossas referências identitárias está contida em suas ruas, casarões, edifícios, paisagens, pregões, cheiros e ruídos. [...] Sem ele a história de Fortaleza apresenta um vácuo, uma enorme lacuna temporal. Não existe uma cidade nova. O que há, na verdade, é uma cidade que migra, orientando, fortemente, novos investimentos para outras direções. Neste processo, vai consumindo paisagens, construindo e destruindo patrimônios naturais e edificados, engolindo novos espaços, criando outros. Em seu rastro, a sensação de abandono. A busca do novo, do inusitado, não implica a ausência de requalificação e refuncionalidade do Centro Histórico”. Nas trilhas da cidade. 2ª edição. Fortaleza: Museu do Ceará, 2005, p. 39-40. Partindo desse texto do geógrafo José Borzacchiello da Silva, conclui-se que: a).as migrações de contingentes do interior do estado para Fortaleza provocaram o declínio do centro urbano. b).o patrimônio cultural e os marcos de memória situados no centro têm relação apenas com o passado da cidade. c).a degradação da região central é uma conseqüência irreversível da modernização de Fortaleza nas últimas décadas. d).o centro deve ser preservado e valorizado, pois constitui um espaço de importância simbólica e socioeconômica para os habitantes de Fortaleza. 10..Em relação ao processo de industrialização do Ceará que tem como foco a cidade de Fortaleza pode-se afirmar que: a).a cidade de Fortaleza foi o núcleo primordial da industrialização cearense e teve como marco importante à instalação da fábrica Progresso em fins do século XIX. b).a industrialização em Fortaleza foi planejada desde as suas origens. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 64 c).o CIC (Centro Industrial do Ceará), fundado em 1919, foi o responsável pelo desenvolvimento de projetos que levaram a instalação do Distrito Industrial. d).com o Governo das Mudanças Fortaleza reduziu o seu potencial industrial. 11..Assinale a alternativa que apresenta o nome do arcebispo católico, nascido em Fortaleza em 1909, que ficou famoso por seu empenho contra regimes totalitários, por suas denúncias dos problemas sociais e econômicos do chamado Terceiro Mundo e por seu trabalho junto aos pobres. a).D. Paulo Evaristo Arns. b).D. Vital. c).Frei Tito. d).D. Helder Câmara. 12..A Praça dos Leões, o Passeio Público e a antiga Assembléia Legislativa, onde hoje funciona o Museu do Ceará, fazem parte da história arquitetônica de Fortaleza. (GMF/2002) Assinale a opção que corretamente informa a região da cidade onde eles estão localizados. a).no bairro da Aldeota, que representa o coração econômico da cidade de Fortaleza. b).na Praia de Iracema, onde encontramos outros pontos de importância histórica, como a Ponte Metálica. c).na região do Centro, em cujo entorno a cidade se desenvolveu. d).nos arredores da Beira-Mar, onde a cidade floresceu devido à proximidade do porto do Mucuripe. 13..O “Governo do Coronéis” , que dominou a política cearense na década de 1970 e nos primeiros anos da década de 1980, caracteriza-se: a).por ser um governo que representou a continuidade das práticas efetivadas pelas velhas oligarquias cearenses no poder. b).pelas práticas populares que marcaram a administração dos coronéis que estiveram no poder durante o regime militar. c).por ser uma administração entregue a governantes de formação militar, afirmando a força do governo central, marcada pela tecnocracia. d).pelo controle da política local por um segmento empresarial ligado à indústria e ao capital financeiro. e).pela expansão do clientelismo, mas com a introdução de uma forma de fazer política, estimulando o pluripartidarismo. 14..Sobre a organização espacial da cidade de Fortaleza, é correto afirmar que: a).apesar da existência de bairros elitizados e de áreas ocupadas preferencialmente pela população pobre, a segregação social não impõe limites espaciais muito rígidos, permitindo, assim, a presença de grupos de status diferentes dentro de um mesmo bairro. b).acompanhando o ritmo do crescimento demográfico, ocorre a implantação de uma infra-estrutura de serviços públicos que atende satisfatoriamente as necessidades de toda a população fortalezense. c).tendo fundamentalmente uma função agrícola a ocupação do espaço da cidade caracteriza-se pela presença de pequenas e médias propriedades, dedicadas à produção de subsistência. d).a nova arquitetura da cidade, onde casas e condomínios assemelham-se a prisões de segurança máxima, sugere a existência de um cotidiano de paz e harmonia social, fruto de uma sociedade igualitária, construída sob a égide da justiça social 15..O Centro Administrativo Governador Virgílio Távora, no bairro do Cambeba, foi construído, entre outros motivos, para demonstrar uma “Nova Era”. Ele foi construído durante o governo de: a).Virgílio Távora. b).Tasso Jereissati. c).Ciro Gomes. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 65 d).Adauto Bezerra. 16..O “Governo do Coronéis” , que dominou a política cearense na década de 1970 e nos primeiros anos da década de 1980, caracteriza-se: a).por ser um governo que representou a continuidade das práticas efetivadas pelas velhas oligarquias cearenses no poder. b).pelas práticas populares que marcaram a administração dos coronéis que estiveram no poder durante o regime militar. c).por ser uma administração entregue a governantes de formação militar, afirmando a força do governo central, marcada pela tecnocracia. d).pelo controle da política local por um segmento empresarial ligado à industria e ao capital financeiro. e).pela expansão do clientelismo, mas com a introdução de uma forma de fazer política, estimulando o pluripartidarismo. 17..A construção do Estádio Plácido Aderaldo Castelo, mais conhecido como Castelão, foi uma obra de grande impacto na cidade de Fortaleza, pois com ela os militares tentaram passar a imagem que eles estavam transformando positivamente a economia do Ceará. Assinale o item que aponta o governador que iniciou e o que concluiu o Castelão. a).Virgílio Távora e César Cals. b).Plácido Aderaldo Castelo e César Cals. c).Adauto Bezerra e Virgílio Távora. d).Plácido Aderaldo Castelo e Tasso Jereissati. 18..O estádio de futebol Castelão, palco de grandes duelos teve sempre um grande papel no entretenimento do povo fortalezense. O mérito de existir é entregue ao governador: a).Paulo Sarasate. b).Virgílio Távora. c).Plácido Aderaldo Castelo. d).Menezes Pimentel. 19..“Os movimentos sociais emergiram no final dos anos cinqüenta, marcados por duas secas e pelo aceleramento da corrente migratória do interior, que impulsionaram a ocupação dos novos espaços urbanos, como Pirambu, Lagamar e Verdes Mares.” Gisafran N. M. Jucá. Verso e reverso do perfil urbano de Fortaleza. São Paulo, Annabblume, 2000, p.76. A partir do texto, identifique a opção que expressa corretamente o processo de expansão urbana em Fortaleza em meados do século XX. a).as muitas oportunidades de emprego atraíram os camponeses, que passariam a habitar as áreas periféricas da cidade. b).os bairros periféricos foram ocupados especialmente por operários do parque industrial criado na periferia da cidade. c).a formação das favelas e bairros periféricos a partir dos anos 30 possibilitou a constituição de novos grupos de poder na cidade. d).as correntes migratórias foram absorvidas em uma série de programas habitacionais e de criação de empregos, evitando conflitos. 20..Sobre a organização espacial da cidade de Fortaleza, é correto afirmar que: a).apesar da existência de bairros elitizados e de áreas ocupadas preferencialmente pela população pobre, a segregação social não impõe limites espaciais muito rígidos, permitindo, assim, a presença de grupos de status diferentes dentro de um mesmo bairro. b).acompanhando o ritmo do crescimento demográfico, ocorre a implantação de uma infra-estrutura de serviços públicos que atende satisfatoriamente as necessidades de toda a população fortalezense. c).tendo fundamentalmente uma função agrícola a ocupação do espaço da cidade caracteriza-se pela presença de pequenas e médias propriedades, dedicadas à produção de subsistência. d).a nova arquitetura da cidade, onde casas e condomínios assemelham-se a prisões de segurança máxima, sugere a existência de um cotidiano de paz e harmonia social, fruto de Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 66 uma sociedade igualitária, construída sob a égide da justiça social. e).a capital cearense vivenciou nos últimos trinta anos uma inexpressiva expansão demográfica, o que lhe permitiu a manutenção de uma ocupação horizontal de seu espaço, ao invés do acelerado crescimento vertical, característico das demais metrópoles brasileiras. GABARITO 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 [email protected] BIBLIOGRAFIA · BATISTA, Henrique Sérgio e Araújo, Assim na morte como na vida: arte e sociedade no cemitério São João Batista (1865-1915). Fortaleza: Museu do Ceará, Secretaria de Cultura e Desporto, 2002; · BOZARCCHIELLO, CAVALCANTE, DANTAS. (orgs.). Ceará: um novo olhar geográfico – 2ª edição. Fortaleza: Ed. Demócrito Rocha, 2007; · BOZARCCHIELLO, José da Silva. Nas Trilhas da Cidade – 2ª edição. Fortaleza: Museu do Ceará, Secretaria da Cultura do Ceará, 2005; · CÂNDIDO, Tyrone Apollo Pontes. Trem da seca: sertanejos, retirantes e operários (1877-1880). Fortaleza: Museu do Ceará, Secretaria da Cultura do Ceará, 2005; · CARDOSO, Gleudson Passos. Padaria Espiritual: biscoito fino e travoso. Fortaleza: Museu do Ceará, Secretaria da Cultura e Desporto do Ceará, 2002; · FARIAS, José Airton de. História da Sociedade Cearense. Fortaleza: Edições ao Livro Técnico, 2004; · FOUCALT, Michel. 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Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002; · SOUZA, Simone (org.). História do Ceará. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 1989; · VIEIRA JR., Antônio Otaviano. Entre o futuro e o passado: aspectos urbanos de Fortaleza (1799-1850). Fortaleza: Museu do Ceará, 2005; [email protected] ANEXO: FORTALEZA – PERSONAGENS HISTÓRICOS In: www.fortalsampa.hpg.ig.com.br/for278_persona.htm Boticário Ferreira - Tenente-Coronel Antonio Rodrigues Ferreira Nasceu em 1801 e faleceu a 29 de abril de 1859. Natural da Cidade de Niterói. Veio para o Ceará muito jovem, como simples caixeiro. Comerciante e boticário, utilizando- se da concessão da licença de “pronto- medicato” estabeleceu-se com uma farmácia, Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 67 situada à Rua Major Facundo; devido ao seu temperamento cordial e comunicativo, sua casa de trabalho foi posteriormente transformada em um movimentado centro de reuniões políticas e sociais. Chefe do Partido Conservador, com enorme prestígio social e político em toda a província, devido a personalidade de Homem íntegro e capaz. Foi Tenente-Coronel do batalhão de reserva de Fortaleza e Cavaleiro de Cristo. Como Presidente da Câmara Municipal, e concomitantemente exercendo o posto de Intendente, prestou os mais relevantes serviços a Fortaleza. Era popularmente conhecido como Boticário Ferreira. Seus restos mortais juntamente com os de sua família repousam no cemitério São João Batista, em Fortaleza-Ceará. Adolfo Hebster - Adolfo Hebster Adolfo Hebster nasceu em 14 maio de 1826, em Pernambuco, filho de negociante Alemão João Batista Hebster e de D. Luíza Perpétua Hebster (de ascendência francesa). Engenheiro notável, tendo vindo para o Ceará por motivos muito particulares, de família, e contratado por três anos para exercer o cargo de Engenheiro da Província, incumbindo-lhe, em 1856, três anos depois que aqui chegou, o Presidente Pais Barreto, da direção geral das obras provinciais, mandando se lhe pagar os vencimentos de Tenente Engenheiro em comissão ativa. Nomeado em 1857 Arquiteto da Câmara Municipal de Fortaleza, o foi em 1866 para o cargo de fiscal da iluminação pública, tendo antes exercido as funções de membro do conselho superior da instrução. Muito devemos a Adolfo Hebster, pois este foi o seguidor de Silva Paulet no plano urbanístico de Fortaleza, o tradicional “tabuleiro” que caracteriza nossa cidade. Faleceu no dia 12 de setembro de 1893, vítima de diabetes. Agapito dos Santos - Agapito Jorge dos Santos Agapito Jorge dos Santos nasceu na cidade de Santo Antão em Pernambuco (hoje Vitória) a 24 de março de 1852, e faleceu em Fortaleza em 23 de novembro de 1916. Filho do Dr. Joaquim Jorge dos Santos, Juiz de Direito de Fortaleza, e de D. Luiza Maria Crespo dos Santos. Agapito iniciou os seus estudos no Colégio Ateneu do Ceará, e logo que abriu o Seminário Diocesano foi nele matriculado, concluindo o curso de preparatórios em 1866. Por conselho do Reitor, Padre Chevalier, foi enviado para Roma e ingressou no famoso Colégio Pio Latino Americano, fazendo neste colégio todo o curso de Humanidades e dois anos de Filosofia, sendo necessário cancelar sua temporada na Itália e retornando para o Ceará em virtude do falecimento de seu pai. Na condição de Advogado, prestou relevantes serviços na causa abolicionista, como professor lecionou Matemática na Escola Normal e Latim no Liceu do Ceará. Deputado Federal no período de 1900 a 1902. Agapito dos Santos chegou a casar 3 vezes perfazendo um total de 19 filhos. Agapito dos Santos como educador como político e jornalista combativo, possuidor de vasta cultura clássica, prestou em todos os setores das suas atividades grandes serviços ao Ceará Álvaro Weyne - Álvaro da Costa Weyne Álvaro da Costa Weyne nasceu em Fortaleza, 23 de março de 1842, filho de Leocádio da Costa Weyne e Joana Vicência Bittencourt da Costa Weyne. Voluntário do Exército, participou da Guerra contra o Paraguai e recebeu as condecorações de Cavaleiro das Ordens da Rosa, de Cristo e de São Bento de Aviz, oficial da Ordem da Rosa, Medalha da Campanha do Paraguai e Medalhas de ouro da Argentina e Uruguai. Abolicionista, orador e jornalista. Um dos fundadores do clube abolicionista militar. Serviu no Amapá, comandando o forte de Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 68 presos de Macapá. Delegado de polícia em Russas. Comandante do destacamento militar de Aracati. Chefe do serviço de assistência aos flagelados, na seca de 1888. Secretário da Escola Militar de Fortaleza. Comandante do batalhão de segurança (atual polícia militar). Escrivão de casamento e registro civil e, Parangaba. Animador do movimento teatral cearense, foi secretário do recreio familiar e fundou a Melpômene Parangabense. Morreu em 11 de janeiro de 1911. Antonio Bezerra - Antonio Bezerra Nasceu em 1841, era um abolicionista de inconfundível relevo. Historiador honesto, exato e penetrante. Foi também um estudioso profundo das ciências naturais e um poeta primoroso. Antonio Bezerra faleceu em 1921. Antonio Sales - Antonio Ferreira Sales Antônio Ferreira Sales, filho de Miguel Ferreira Sales e de Delzina de Pontes Sales, nasceu em Anacetaba - Parazinho, hoje Paracuru, em 15 de junho de 1868. Antônio Sales é considerado uma das maiores figuras literárias do estado do Ceará em todos os tempos. Aos 14 anos, ingressou no comércio e aos 17 prestava sua colaboração a alguns jornais da cidade. Espírito avançado, enérgico e tenaz, o jovem Antônio Sales tomou parte de todas as iniciativas literárias e cívicas da época. Poeta, romancista, homem de imprensa, foi um dos fundadores da Padaria Espiritual, a mais original associação de homens de espírito de que há notícia na história literária do Brasil. Antônio Sales, de quem partira a idéia de sua fundação, fora também o autor de seus estatutos, de larga repercussão em todo o país. Antônio Ferreira Sales viveu parte de sua vida entre o Ceará e o Rio de Janeiro, onde permaneceu por 20 anos. Quando retornou definitivamente a Fortaleza, em 1916, foi aureolado por um grande nome literário, é quem primeiro dirige a seção “Pingos & Pingos”. As suas charges políticas incomodavam os homens da administração e do governo. Além de poeta, cronista, teatrólogo e crítico, entre suas inúmeras publicações são as mais notáveis: Versos Diversos; Trovas do Norte; Minha Terra; Aves de Arribação (romance); Estrada de Damasco (romance); Pensando, Sorrindo e Cantando; Fábulas Brasileiras; Águas Passadas; Retratos e Lembranças, entre outros. Antonio Sales faleceu no dia 14 de novembro de 1940. Azevedo Bolão - Luiz Inácio de Azevedo Luiz Inácio de Azevedo, inflamado pela idéia republicana, aliou-se às hostes de Tristão Gonçalves, tomando parte no movimento revolucionário que ficou na história como República do Equador. Desbaratadas as forças rebeldes no Aracati, e morto Tristão Gonçalves em Santa Rosa, aí foi Azevedo feito prisioneiro, conduzido a Fortaleza e julgado com outros quatro patriotas, mártires da idéia, pela cruel comissão militar, chefiada pelo Coronel Conrado Jacó de Niemeyer. Azevedo Bolão foi fuzilado na manhã de 16 de maio de 1825. Pela sua compleição física, daí o apelido bolão, ao receber a descarga dos fuzis não morreu logo, conforme relato a seguir do Barão de Studart: “Foi um fato revoltante, horroroso, sucedeu quando da sua execução. “O Tiro de Honra” fendendo a cabeça da pobre vítima, fez saltarem os miolos e um dos militares presentes, o Alferes-ajudante Manuel da Silva Braga, conhecido por Braga Visão, chamou um cachorro e os deu a devorar. Um ato de canibalismo. Esse Braga Visão, assim chamado por causa do seu físico, muito alto e magro, de longas barbas brancas, fisionomia patibular, foi, juntamente com o Capitão Cabral e Teive, o Oficial comandante da tropa, que acompanhou ao suplício do Padre Mororó e do Cel. Pessoa Anta.” Uma curiosidade foi o fato do registro de óbito de Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 69 Bolão só foi lançado em 1835, dez anos depois do seu fuzilamento, por razões até então ignoradas. Azevedo Bolão tinha 40 anos quando foi fuzilado. Barão de Studart - Dr. Guilherme Studart Nasceu em Fortaleza em 5 de janeiro de 1856. Formado em Medicina pela Faculdade da Bahia, em 1877. O mais profundo e honesto historiógrafo cearense, cognominado o nosso Heródoto. Figura exponencial dos meios culturais e católicos no Ceará. Pertencia a um sem número de associações e sociedades nacionais e estrangeiras. As obras de Barão de Studart e os documentos que redigiu para a História do Ceará formam valioso patrimônio para a cultura do Brasil. Foi a figura máxima dos abolicionistas conservadores, não daqueles de João Cordeiro, de “Matar ou Morrer”. O Baronato que lhe outorgou a Santa Sé, com a assinatura de Leão XIII, no breve de 22 de janeiro de 1900, foi um dos prêmios de sua messe enorme de bondades. A comenda foi solicitada pelo Bispo Dom Joaquim Vieira que conhecia sobejamente os refolhos d'alma do ilustre varão homenageado. Faleceu a 25 de setembro de 1938. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico do Ceará, expoente máximo da cultura Alencarina. Barão de Aracati - José Pereira da Graça José Pereira da Graça, filho de José Pereira da Graça e D. Maria Cândida Carneiro Monteiro, nasceu em 14 de março de 1812, na vila de Aracati, da capitania do Ceará. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito de Olinda, em 1834. Em portaria de 5 de junho de 1835, do Presidente da província do Ceará, foi nomeado Juiz de Direito da comarca de Icó, cargo de que teve confirmação pelo Governo imperial, em decreto de 27 de julho de 1839. Foi depois removido, no mesmo cargo, para as comarcas de Pastos Bons, em decreto de 2 de março de 1841, Quixeramobim, em decreto de 10 de julho desse ano, e Aracati, em decreto de 20 de dezembro de 1851. Foi nomeado Desembargador da Relação do Maranhão, em decreto de 16 de janeiro de 1857, Adjunto do Tribunal do Comércio da referida província, em decreto de 3 de julho de 1863, e Presidente da mesma Relação, em decreto de 28 de outubro de 1873. Em decreto de 22 de dezembro de 1876, foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal de Justiça, preenchendo a vaga ocorrida com a aposentadoria concedida a Jerônimo Martiniano Figueira de Mello; tomou posse em 3 de fevereiro do ano seguinte. Foi aposentado por decreto de 26 de fevereiro de 1877. Militou na política, sendo eleito Deputado, pela província do Ceará, à Assembléia Provincial em diversas legislaturas e à Assembléia-Geral Legislativa na 5ª legislatura (1843-1844), substituindo, até 24 de abril de 1843, o Brigadeiro José Joaquim Coelho e na 8ª (1850-1852). Em carta imperial de 20 de julho de 1870, foi nomeado 2º Vice-Presidente da província do Maranhão, tendo nessa qualidade administrado a província por quatro vezes, em 1870, 1871, 1873 e 1875. Foi agraciado por D. Pedro II com os títulos do Conselho, em decreto de 15 de julho de 1874, e de Barão de Aracati, em decreto de 19 de março de 1877. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 70 Foi casado com D. Maria Adelaide de Alencastro, filha de José Joaquim de Alencastro e D. Maria Eduarda Carneiro Leão, havendo do consórcio grande descendência. O Barão de Aracati faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 29 de janeiro de 1889 e foi sepultado no Cemitério de São João Batista. Carapinima - Feliciano José da Silva O ideal libertário da Confederação do Equador de 1824 motivou várias famílias cearenses a adotarem sobrenomes identificados com a nação brasileira. Feliciano José da Silva ficou conhecido na história como Carapinima, assim como seus companheiros revolucionários: Anta, Mororó, Ibiapina. Nascido em Minas Gerais, onde trabalhou em órgãos públicos, radicou-se no Ceará a partir de 1820, exercendo cargo de secretário do Governante Francisco Alberto Rubim. Na época, a província vivia um clima de revolta pela atitude arbitrária de D. Pedro I, que dissolveu a assembléia constituinte no Rio de Janeiro. Carapinima, favorável aos ideais republicanos, é nomeado Secretário de Pereira Filgueiras, Comandante das armas. Com a Confederação do Equador debelada pelas tropas do Governo inicia-se então o julgamento dos envolvidos. A comissão Militar condenou os acusados a pena de enforcamento, mas depois foi mudada para fuzilamento porque ninguém queria servir de carrasco dos revolucionários. Carapinima foi o último a morrer, em 28 de maio de 1825, no passeio público, sendo considerado como o mais sofrido dos mártires de 1824. Castelo Branco - Marechal Humberto de Alencar Castello Branco Militar e Chefe de Estado (1900/1967). Nasceu e morreu em Fortaleza. Fez os estudos primários em seu Estado natal e os secundários no Colégio Militar de Porto Alegre, então criado. Terminando o curso em 1917, matriculou-se no ano seguinte na Escola Militar do Realengo, onde concluiu a 18.1.1921 o Curso de Infantaria, sendo declarado aspirante-a-oficial. Teve todas as promoções, até posto de coronel pelo princípio de merecimento. Em 1952, era promovido a general-de-brigada, em 1958, a general-de-divisão e em 1962 a general-de- exército. Concluiu sempre com as melhores notas, os seguintes cursos militares: da Escola Militar, em 1921; da de Aperfeiçoamento, em 1924; de Estado Militar, em 1931; da Escola Superior de Guerra, de Paris, em 1938 e de Fort Leavenworth, nos Estados Unidos, em 1943. Comandou a 8a. e 10a. Regiões Militares e o IV Exército, a última função que exerceu na ativa. Na II Guerra Mundial foi chefe do planejamento das operações e encarregado das ligações com o Estado-Maior Combinado. Chefiava o Estado Maior do Exército, quando os chefes militares se articularam para interrupção do movimento de 31/0/1964, que derrubou o Governo do Presidente João Goulart, jogando-o no exílio. Eleito pelo Congresso Nacional para dirigir os destinos na Nação Brasileira, no dia 11 de abril, quando solicitou imediatamente sua transferência para Reserva o que foi feito no posto de Marechal. A 15 de abril, perante o Congresso Nacional, tomava posse no cargo. Criou o Banco Central. Escreveu várias obras notadamente sua transferência de cunho histórico, como o “Alto Comando da Tríplice Aliança na Guerra do Paraguai”; “Tendências do Emprego das Forças Terrestres na Guerra Futura”; “Os Meios Militares e o Problema Moral da Nação”, “Aspectos Geopolíticos do Brasil”, “Domínios da Estratégia” e “O Dever Militar em Face do Conflito Ideológico”. Sobre atuação da força expedicionária Brasileira na Campanha da Itália escreveu judicioso trabalho, dividindo as operações em 4 períodos distintos. Recebeu em sua carreira militar, as mais altas condecorações nacionais e estrangeiras, além de medalhas premiais e de campanha. Sempre dos alunos melhor colocado em sua turma, já no Colégio Militar, demonstrou uma austeridade rara em sua Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 71 idade e grande amor ao estudo. Membro influente na Diretoria da Sociedade Literária do Colégio, seria, na Escola Militar, fundador e Presidente da Sociedade Acadêmica. Descendia o Mar. Castelo Branco de nobre estirpe lusitana, com mais de 300 de serviços à Coroa, com brasão de armas (em campo azul, um leão dourado, linguado de vermelho) registrado na Torre do Tombo. Tendo administrado o país com severidade energia, sem atender mesmo à impopularidade que certos atos seus iriam provocar, contrariando interesses de muitos, passou o governo a 15/03/1967 ao Mar. Artur da Costa e Silva, eleito pelo voto indireto do Congresso Nacional, para substituí-lo. Deixando o Governo manteve atitude de maior discrição, voltando a lecionar na Escola Superior de Guerra. Fez curta viagem à Europa, quando foi recebido pelo Presidente da Republica Francesa. Vindo visitar seu estado natal e quando estava para regressar ao Rio de Janeiro, foi o pequeno avião do Governador Cearense, em que viajava, abalroado em pleno vôo por aparelho a jato da Força Aérea Brasileira, em exercício de treinamento. O ex- presidente teve morte imediata, sendo seu corpo transportado para a capital da Guanabara. Ali, dado a sepultura, entre grande consternação do povo e das classes armadas, recebendo as honras de Chefe de Estado. Posteriormente, os restos mortais do inesquecível militar foram transladados para o imponente Mausoléu construído pelo povo do Ceará, em Fortaleza, onde, juntamente com os de sua esposa, repousam para sempre. O Marechal Humberto de Alencar Castello Branco era filho do General Cândido Borges e Da. Antonieta de Alencar Castello Branco. Faleceu no acidente do avião do Governo do Estado do Ceará ocorrido às 9h e 45min. do dia 18 de julho de 1967, nos subúrbios desta Capital. César Cals - César Cals de Oliveira Nasceu em Fortaleza, a 18 de julho do 1885. Era filho de Henrique José de Oliveira e Francisca Cals de Oliveira. Realizou seus estudos primários e secundários em Fortaleza. Matriculou--se Faculdade de Medicina da Bahia, mas terminou o curso no Rio de Janeiro, a 15 de novembro de 1910. Após estágio em vários hospitais, regressou a Fortaleza, onde instalou consultório médico, dedicando-se a várias obras filantrópicas, receitando a maioria das pessoas gratuitamente, por serem pobres, tornando- se assim um dos médicos mais humanitários de seu tempo. O Dr. César Cals de Oliveira foi Presidente do Sindicato dos Médicos de Fortaleza. À frente do Centro Médico Cearense (15 anos no posto de presidente), 'demonstrou ser pessoa ativa, metódica e progressista. Considerava esta entidade o seu mundo social e orgulhava-se da função que ocupava, afirmando ser esta a que mais tocava a sua alma. Como político, elegeu-se Deputado Estadual em 1925 pelo PSD, permanecendo no exercício do mandato até 1928. No ano seguinte, ingressou na Aliança Liberal, movimento cívico-nacional, visando levar Getúlio Vargas - João Pessoa à Presidência e Vice-Presidência da República. Foi Presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará (193511937), sendo. Prefeito de Fortaleza em duas oportunidades: de 9 de outubro de 1930 a 2 de maio de 1931 e de 21 de fevereiro de 1946 a 19 de julho do mesmo ano. Tendo-se desligado politicamente do PSD, foi apresentado candidato do Partido Trabalhista Brasileiro às eleições estaduais e federais de 19 de janeiro de 1947, à Assembléia Constituinte pela terceira Senatoria, obtendo uma expressiva votação. Desempenhou com tenacidade invulgar o mandato de Deputado Estadual. Como Presidente da Assembléia Legislativa, dirigiu aquela casa com, firmeza e entusiasmo: Participou de momentos históricos na política do Estado, como o da Promulgação da Constituição do Ceará, em 24 de setembro da 1935. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 72 Sua administração no cargo de Prefeito Municipal de Fortaleza caracterizou-se por melhoramentos urbanos apreciáveis, em toda Fortaleza, não podendo ter sido mais dinâmica face ao pouco tempo que ocupou a Prefeitura. Realizou vá-rios benefícios na cidade, tais como: arborização de ruas, pavimentações de praças e das vias de acesso a Mondubim e Antônio Bezerra e da Av. Monsenhor Tabosa (ligando a Praça Cristo Redentor ao Mucuripe), melhoramento de iluminação e aumento da rede telefônica. Casou-se com Hilza Diogo de Oliveira, de cujo consórcio teve oito filhos: George, José (falecido), Luis, César, Maria Carmélia, Maria Lúcia (falecida), Maria Antonieta e Maria de Lourdes. Faleceu no dia 10 de dezembro de 1948, em Fortaleza. Clovis Beviláqua - Clovis Beviláqua Jurista brasileiro, nasceu em Viçosa, Ceará, a 4 de outubro de 1859 e faleceu no Rio de Janeiro, a 26 de julho de 1944. Destacou-se como autor do projeto de Código civil, oficializado em 1916. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, antiga Faculdade de Direito de Olinda (1882), tendo sido influenciado pelo cientificismo da época. Professor de Legislação comparada naquela faculdade, foi encarregado, em 1899, da elaboração do projeto de Código civil. Consultor jurídico do ministério das Relações Exteriores (1906-1934), foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Entre sua vasta obra no campo de Direito, destacam-se: Filosofia positiva no Brasil (1883), Lições de legislação comparada, Juristas filósofos (1897), Projeto de Código Civil (1899), Teoria geral do Direito civil (1908), História da Faculdade de Direito do Recife (1927). Costa Barros - Pedro José da Costa Barros Natural de Aracati, o Tenente-Coronel Pedro José da Costa Barros foi o primeiro presidente da Província do Ceará, e o primeiro cearense presidente de província, Ministro e Senador. Militar de brilhante carreira, como político enfrentou sérias dificuldades, em conseqüência de sua fidelidade com o Imperador D. Pedro I. Foi deposto do Governo por Tristão Gonçalves, quando do movimento surgido em Pernambuco, que se alastrou por todo o nordeste, chamado de Confederação do Equador. Costa Barros faleceu em 20 de outubro de 1839 Desembargador Moreira - José Moreira da Rocha Governador do Estado do Ceará no período de 1924 a 1928. José Moreira da Rocha, mais conhecido como “Desembargador Moreira” (e pelos íntimos como “Moreirinha”) fez um dos piores governos da história cearense. Eleito como candidato de consenso, entregou-se de corpo e alma ao partido conservador de José Accioly e promoveu criminosa e brutal perseguição aos democratas e oposicionistas. As realizações administrativas do “Moreirinha” foram poucas: Inaugurou (parcialmente) o serviço de água e esgoto da capital e construiu uma ponte de desembarque do porto de Fortaleza (a chamada ponte metálica). Dias Macedo - Dr. Antônio Dias Macedo Nasceu em Camocim, neste Estado, a 5 de agosto de 1908, sendo filho de Manoel Dias de Macêdo e Georgina Leitão Macêdo. De compleição delicada, mereceu, pela sua fragilidade, contínuos e especiais cuidados Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 73 por parte de sua genitora. Era um temperamento tranqüilo, modesto, místico, profundamente religioso, católico praticante. Pouco afeito aos folguedos juvenis, infenso mesmo a atividades recreativas que exigissem maior movimentação próprias da idade. Espírito observador,manifestou-se logo nos primeiros anos de sua juventude grande senso de responsabilidade, o que o levou, desde o início de seu aprendizado, a dedicar- se com inexcedível devotamento aos livros. Em que pese às deficiências do meio em que vivia, no tocante às facilidades educacionais, conseguiu ele, estudioso e infatigável que era, enriquecer seu jovem espírito com uma variada gama de conhecimentos básicos, de modo a tornar-se, ainda em plena juventude, um profissional digno de confiança no setor de atividades que primeiro exerceu, credenciando-se como excelente guarda- livros. Em sua época de estudante, o currículo escolar, como é natural, sobretudo no que diz respeito ao curso médio, era absolutamente diferente do que temos hoje em vigor. Feitas as primeiras letras, na sua cidade natal, em escolas públicas e com professores particulares, ingressou, em seguida, em um colégio dirigido por sacerdotes, na cidade de Sobral, onde permaneceu pelo espaço de dois anos. Posteriormente, voltando a Camocim, prosseguiu em seus estudos, quase sem orientação de professores, já que, praticamente, inexistiam ali, tornando-se, desse modo, um autêntico autodidata. Transferindo-se para Fortaleza em 1926, contratado que havia sido pela firma J. Thomé de Sabóia & Cia., a fim de assumir a contadoria do referido estabelecimento, Antônio Macêdo deparou a oportunidade com que sonhava, há muitos anos, isto é, iniciar finalmente e com a perfeita seqüência os seus estudos secundários. Era o tempo dos cursos parcelados em que o jovem estudante, mesmo pobre e compelido a trabalhar oito horas por dia, a fim de assegurar a sua subsistência, conseguiu estudar à noite em cursos e colégios particulares, para, em seguida, em concursos anuais prestados, oficialmente, no Liceu do Ceará, tirar os seus preparatórios, credenciando-se deste modo a ingressar nas faculdades e escolas superiores. Assim fez Antônio. Ao mesmo tempo em que cursava a Escola de Comércio da Fênix Caixeiral, à noite, habilitava-se à obtenção dos seus preparatórios para, anos depois, ingressar na Faculdade de Direito do Ceará. Já formado em perito-contador, após um brilhante curso naquela escola de comércio, ao longo do qual atuou, também, como político e líder de classe, elegendo-se Diretor e posteriormente Presidente da Fênix Caixeiral, Antônio Macêdo concluiu o seu curso de bacharel em 1934, doutorando-se em direito am 1935. A esta altura, Antônio, que deixara as lides comerciais para ingressar no funcionalismo público federal, fazia alguns anos, desempenhava funções de relevo na Delegacia de Natal, nomeado que fora delegado fiscal no Rio Grande do Norte. Daí para frente, a sua ascensão não mais conheceu solução de continuidade. Foi uma carreira brilhante e exemplar. Ascendeu à Delegacia Fiscal de Salvador, de onde foi guindado à Delegacia Fiscal de São Paulo. Deste posto partiu ainda para cima: confiaram-lhe no Ministério da Fazenda, no Rio, a Direção Geral da Despesa para, em seguida, entregarem-lhe a Direção Geral da Receita e, finalmente, a Direção Geral da Fazenda Nacional. Algum tempo depois, mercê de seu conhecido valor, as autoridades fazendárias convocaram-no para exercer o cargo que veio coroar toda a sua brilhante carreira: foi nomeado Delegado do Tesouro Nacional em Nova York, cargo esse que desempenhou por alguns anos. Regressando ao Brasil, novamente assumiu a Direção da Receita Federal, posto em que se encontrava quando, atacado por insidiosa enfermidade, veio a falecer, em Fortaleza, em 1958. Antonio Macêdo não casou. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 74 Dom Manoel - Dom Manoel da Silva Gomes Dom Manoel da Silva Gomes, foi o terceiro bispo e o primeiro arcebispo do Ceará. Sua gestão, no período de 1912 a 1941 foi marcada por importantes realizações no âmbito da igreja. Ficou conhecido nacionalmente como o “Bispo das secas”; pelas peregrinações que empreendeu pelo país, recolhendo donativos para os flagelados da seca do Ceará. Enfrentou sérias críticas da sociedade da época, com a decisão de demolir a antiga Sé para iniciar a construção da atual catedral metropolitana de Fortaleza. D. Manoel nasceu em 14 de março de 1874, em Salvador, e faleceu no dia do seu aniversário, em 14 de março de 1950. Domingos Olímpio - Domingos Olímpio É um nome que se destaca no meio intelectual brasileiro. Escritor elegante e romancista de invulgar talento. Nasceu em Sobral em 1851 e morreu em 1906. Doutor José Frota - José Ribeiro da Frota José Ribeiro da Frota nasceu em Viçosa, 17 de junho de 1882, filho de José Gomes da Frota e Primílvia Avelino da Silva e Frota. Depois de fazer os preparativos no Liceu do Ceará e perder o pai, seguiu para o Rio de Janeiro, onde iniciou os estudos de Medicina, diplomando-se em 1906 pela Faculdade da Bahia, onde defendeu a tese abcesso do fígado e seu tratamento cirúrgico. Fez cursos de especialização em Paris, Viena e Berlim; retornando ao Ceará, montou seu consultório na farmácia de Turíbio Mota, em Fortaleza. Exerceu a Medicina durante mais de meio século, como clínico geral, ginecologista, obstetra e cirurgião, prestando valiosos e humanitários serviços à população pobre. Foi um dos fundadores da Casa de Saúde Eduardo Salgado, da Maternidade João Moreira e da Casa de Saúde César Cals. Foi Diretor clínico por longos anos da Santa Casa de Misericórdia, onde foi inaugurada uma herma em sua homenagem. Diretor do Departamento Estadual de Proteção à Maternidade e à Infância, Diretor da Assistência Municipal e Chefe do Departamento de Higiene da Prefeitura de Fortaleza. Médico da Superintendência de Verificação de Animais Abatidos no Matadouro Modelo. Fundador e Presidente do Centro Médico Cearense. Morreu em 1o de março de 1959. Dragão do Mar - Francisco José do Nascimento - (Chico da Matilde) Nasceu em Aracati, a 15 de abril de 1839. De família humilde, viveu a vida perigosa dos jangadeiros cearenses. A princípio, foi apenas embarcadiço para depois se tornar comandante do Cuter “Tubarão”. Foi também Prático da barra do porto de Fortaleza e finalmente Prático-Mor. Como fizesse parte do movimento abolicionista do Ceará, foi exonerado do cargo. Esse fato aumentou-lhe ainda mais o prestígio entre seus colegas de profissão. A sua esposa, Francisca Joaquina, muito contribuiu para a causa libertadora, igualando-se às cearenses libertadoras. O Chico da Matilde, como era conhecido, faleceu em Fortaleza com 75 anos, ostentando no braço o galão de 1o Tenente honorário da armada. Duque de Caxias - Luís Alves de Lima e Silva Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, era coronel quando foi escolhido pela Regência para a presidência do comando Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 75 das armas do Maranhão, em 1840, com objetivo principal de controlar a revolta conhecida como Balaiada. No início do ano seguinte, apóia a derrota dos revoltosos, recebeu o título de Barão de Caxias. Ainda em 1842, Caxias desmantelou as revoltas liberais de São Paulo e Minas Gerais no comando das tropas legalistas. E, no ano seguinte, se dirigiu para o sul com o propósito de controlar a Farroupilha. Comandante das armas e presidente da província, chegou ao Rio Grande do Sul, bloqueou a ajuda uruguaia aos rebeldes e partiu para a batalha junto a suas tropas. Três anos depois era mais uma região “pacificada”. E desta vez, Caxias conquistara também prestígio diante dos gaúchos sendo nomeado conde e, mais tarde, eleito senador pelo estado. Em 1851, Caxias foi nomeado comandante do exército brasileiro nas operações contra Oribes, do Uruguai, participando também das lutas contra Rosas, da Argentina. Em 1867, o agora Marquês de Caxias foi nomeado chefe das forças de ação da Guerra do Paraguai, iniciando as manobras para cercar Humaitá. Caxias seguiu organizando as estratégias da guerra até que, em dezembro de 1868, quando já acumulava vitórias, enviou uma intimação para que Solano López se rendesse. A capital paraguaia foi invadida e Solano López fugiu. Doente, Caxias saiu do comando no início de 1869, voltando para o Brasil. Seis anos depois ocupou o Ministério de Guerra e presidiu o gabinete da presidência que objetivava a pacificação da Questão Religiosa. Dois anos mais tarde ficou bastante doente e em 1879 já não era mais capaz de andar, morrendo no ano seguinte. Farias Brito - Raimundo Farias Brito Escritor e filósofo brasileiro. Nasceu aos 4 de julho de 1862 em São Benedito, na Ibiapaba, Estado do Ceará, e faleceu aos 16 de janeiro de 1917, no Rio de Janeiro. Estudou as primeiras letras em Sobral e Fortaleza. Matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, onde se bacharelou em 1884. De volta ao Ceará, exerceu a promotoria pública em duas comarcas e o cargo de secretário do Governo Estadual. Lecionou Grego, história e lógica no Liceu do Ceará. Em 1891 advoga no Pará. Nomeado Lente da Faculdade de direito local, rege as cadeiras de filosofia, Direito, Direito Romano e Economia Política. Simultaneamente, professou um curso de lógica no Ginásio Pais de Carvalho. Transfere-se para o Rio de Janeiro, como catedrático do Pedro II. Farias Brito dividiu as suas obras em duas séries: Primeira: “A filosofia como atividade permanente do espírito humano”, sua primeira obra filosófica, 1895; “A filosofia moderna”, 1899, e “Evolução e relatividade”, 1904; Segunda: “A base física do espírito”, 1912, e o “Mundo interior”, 1914. Floriano Peixoto - Floriano Vieira Peixoto Floriano Vieira Peixoto nasceu em uma família simples de Alagoas e só conseguiu ingressar na Escola Militar com a indicação de um parente senhor de engenho. Ocupava patentes baixas do exército até a sua participação na Guerra do Paraguai, quando passou a tenente coronel. Encarregado de serviços burocráticos desde então recebeu o posto de comandante e presidente das armas da província de Mato Grosso em 1884. Dentro da política, ingressou no Partido Liberal e durante o ministério de Ouro Preto ocupou a posição de ajudante-general do exército. Nas eleições de 1891 foi eleito vice de Deodoro da Fonseca. Mas Floriano continuava na oposição, apoiando a revolta contra a sua tentativa de instalar um regime ditatorial que culminou na renúncia do presidente e na ocupação do cargo por ele. Retirou do poder os interventores dos estados que haviam apoiado as atitudes de Deodoro. A partir daí diversas rebeliões se espalharam por todo o país exigindo o seu retorno ao poder. Entre elas a Revolta Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 76 Armada e a Revolução Federalista. Com diversas manobras políticas e militares Floriano foi acalmando as revoluções, até que com o apoio de nações estrangeiras (França, Itália e Estados Unidos) tudo definitivamente se resolveu em outubro de 1893. Graças a suas vitórias contra as rebeliões recebeu o apelido de Marechal de Ferro. Os três anos de seu governo haviam representado três anos de guerras e ditadura militar. Com força política suficiente para tentar um golpe e para indicar um candidato, Floriano Peixoto, com problemas de saúde aceitou a candidatura de Prudente de Moraes e deixou o poder em 1894. Morreu uma ano depois isolado da vida política numa fazenda em Barra Mansa. General Sampaio - General Antonio de Sampaio General Antonio de Sampaio, nascido em Tamboril (hoje General Sampaio) a 24 de maio de 1810 e ferido mortalmente a 24 de maio de 1866 na batalha de Tuiuti (Data do seu aniversário). Filho do Ferreiro Antonio Ferreira de Sampaio abandonou a localidade por motivos íntimos e assentou praça no exército. Em sua ascendente carreira Militar participou de mais de 40 combates. Alcançou na Guerra do Paraguai os bordados de Brigadeiro, possuindo as medalhas da Campanha do Uruguai e Buenos Aires, era Cavaleiro de Avis, Oficial da Ordem do Cruzeiro, Oficial e Comendador da Rosa. Esse cearense de origem humilde e heroísmo sem par, mereceu o título de Patrono da Infantaria do Exército brasileiro. Godofredo Maciel - Godofredo Maciel Nasceu em Baturité, 8 de setembro de 1883, filho de Raimundo Maciel e Emília Barbosa Maciel. Estudou no Seminário da Prainha, Colégio Cearense, Instituto de Humanidades e Liceu do Ceará. Iniciou o curso superior na Academia Livre de Direito do Ceará e bacharelou-se no Rio de Janeiro (1909). Advogado; Deputado Federal com notável atuação entre seus pares. Consultor jurídico do Ministério do Trabalho. Foi Prefeito no Acre, bem como de Fortaleza. Também exerceu funções de delegado de polícia. Diretor da Ilha das Flores. Diretor da seção de marcas do Departamento da propriedade industrial. Orador notável, jornalista e tribuno renomado. Guilherme Rocha - Coronel Guilherme César da Rocha Nasceu em Fortaleza a 16 de agosto de 1846. Foi Vice-Presidente da Província, posteriormente vice-presidente do Estado, Deputado Estadual e Intendente Municipal de Fortaleza, a partir de 1902. Promoveu uma série de grandes melhoramentos, inaugurando em 1902 o jardim da Praça do Ferreira, até então um vasto areal. Em 1903, Guilherme Rocha ajardinou as praças da Sé e do Patrocínio, iniciativa pioneira na capital cearense. Foi um dos maiores impulsionadores do urbanismo e do progresso de Fortaleza. Sua obra meritória mereceu a gratidão do Ceará. Faleceu em 1928. Henriqueta Galeno - Henriqueta Galeno Nasceu em Fortaleza, filha de Juvenal Galeno da Costa e Silva e Maria do Carmo Cabral Galeno. Fez os seus estudos no Colégio da Imaculada Conceição e no Liceu do Ceará, diplomando-se em Direito (1918). Em 1919 fundou e dirigiu o Salão - depois, Casa - Juvenal Galeno, que sob sua orientação, foi o principal centro de desenvolvimento cultural do Ceará; ali foram criados e instalados o centro de estudos Juvenal Galeno, a ala feminina e a Editora Henriqueta Galeno. Secretária do Pai, cego, enquanto viveu, lendo para ele livros, revistas e jornais diários. Professora da Escola Normal e no Liceu. Representou o Ceará no 1º Congresso Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 77 feminista, reunido no Rio de Janeiro sob a presidência de Bertha Lutz. Foi da Academia Cearense de Letras ocupando a cadeira 23, tendo seu pai como patrono. Morreu no dia 10 de Setembro de 1964. Patrona da cadeira número 1 da Academia Nacional de Letras e Artes (RJ). Ildefonso Albano - Ildefonso Albano Governador do Estado do Ceará no período de 1923 a 1924. Na condição de vice- governador de Justiniano de Serpa assumiu o cargo em decorrência da enfermidade deste, completando o quadriênio. Ex-prefeito de Fortaleza no governo de Franco Rabelo (1912- 1914), realizou uma administração apagada, dedicando-se sobremaneira à sucessão estadual. João Cordeiro - João Cordeiro da Costa O grande pólo da gravitação redentora, no Ceará. Temperamentalmente um “sacudido”, um impulsivo talvez. Não media nem contava, quando era preciso agir. A sua vida é uma linha que não se define, tantas as direções que procura. Dir-se-ia que o cérebro de João Cordeiro não raciocinava dificuldades. Vencia-as dum lance “zas-trás”. Nos empregos que ocupou, no comércio, nos cargos públicos, na política. Ora estava em alto, dominantemente decidido e decidindo, ora vinha ao baixo, mas dominando qualquer moleza. Ninguém historia as suas idas e vindas como ele próprio, nas notas de lápis que deixou, armação de biografia que só a muito custo se fará o recheio. O certo é que qualquer livro que retrate o abolicionismo e o republicanismo no Ceará terá, da primeira à última página, o nome de João Cordeiro da Costa e Floriana da Vera Cruz. Nasceu em Santana do Acaraú, no dia 31 de agosto de 1842 e morreu em Fortaleza a 12 de maio de 1931. Viveu, assim, 88 anos , o "invicto General da Campanha da Abolição". Foi Senador da República e grande amigo de Floriano Peixoto. José Bastos - José Perdigão Bastos José Perdigão Bastos (José Bastos) nasceu em Fortaleza a 20/09/1870 e em Fortaleza faleceu a 30/10/1909. Casou-se a 07/07/1894 com D. Maria da Cunha Acioli Bastos, com quem teve 8 filhos, 4 dos quais sobreviveram. Era filho de João da Costa Bastos e de D. Filomena Vieira Perdigão Bastos. José Bastos era sócio do pai dele na firma comercial, alcançando grande destaque no comércio, o que lhe valeu a presidência da sociedade Fênix Caixeiral. Atualmente é possível identificar a sua foto no salão nobre desta instituição. José de Alencar - José Martiniano de Alencar José Martiniano de Alencar, filho de José de Alencar e D. Josefina de Alencar, nasceu no dia 1o. de março de 1829, em Messejana, perto de Fortaleza, porém sua família comemorava seu aniversário em 1º de maio. Filho de político ilustre, senador do império, Alencar educou-se no Rio de Janeiro, para onde se transferiu aos nove anos, junto do pai. Em 1843 se mudou para São Paulo e ingressou na Faculdade de Direito, onde junto com Álvares de Azevedo e outros colegas publicou a revista “Ensaios Literários”. De volta ao Rio de Janeiro, em 1851, passou a exercer advocacia e jornalismo. E quatro anos depois passou a publicar folhetins no “Diário do Rio de Janeiro”, onde era redator-chefe. Entre eles se encontrava A Viuvinha. Em 1857 escreveu O Guarani seu primeiro grande sucesso. Dele se seguiram vários outros dos quais se destaca Iracema, além de suas obras para o teatro. Alguns anos mais tarde abandonou o jornalismo e chefiou a Secretaria do Ministério da Justiça. Nessa época, de 1868 a 1870, lecionou Direito Mercantil e ainda se elegeu deputado. Na política era defensor de Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 78 um governo forte e de um processo gradativo de abolição da escravatura. Desiludido com a política, José de Alencar passou a se dedicar exclusivamente à literatura e escreveu entre outros O Gaúcho, Guerra dos Mascates e Senhora. Doente, com tuberculose, viajou para a Europa numa tentativa de se curar. Sem esperanças voltou para o Brasil e faleceu no Rio de janeiro, em 1877. Jovita Feitosa - Jovita Alves Feitosa Jovita Alves Feitosa nasceu na povoação de Tauá, região dos Inhamuns, neste Estado. Depois de muito relutar para ser incluída nas fileiras do Exército Nacional, o Dr. Franklin Dória (Barão de Loreto), então Governador do Piauí, permite o seu ingresso nas forças armadas, na patente de 1º Sargento. Tendo chegado ao Rio de Janeiro em 1865, logo foi desautorizada a participar das tropas, por ordem do Ministro da Guerra. Desiludida diante de sua não participação, como combatente, na Guerra do Paraguai, resolveu ficar na Corte, para depois de 2 anos, aos 19 anos de idade, suicidar-se, após um frustrado caso amoroso com um Engenheiro de nacionalidade britânica, chamado Guilherme Noot. Justiniano de Serpa - Justiniano de Serpa Governador do Estado do Ceará de 1920 a 1923. Filho de família humilde, Justiniano de Serpa obteve uma notável ascensão social graças aos seus estudos e às relações que manteve com as classes dominantes. Jornalista, Advogado e depois Juiz de Direito, participou das campanhas abolicionista e republicana em 1880. Tomou posse no governo cearense em julho de 1920, quando o Estado ainda sofria com a seca do ano anterior. Pouco de proveitoso realizou, embora tenha prosseguido a construção de obras contra a seca, levadas a cabo com dinheiro federal. Também se preocupou com a área educacional, trazendo para reorganizá-la o renomado paulista Manuel Bergstron Lourenço Filho. Doente, no mês de junho de 1923, Justiniano de Serpa renunciou , assumindo então o Vice, Ildefonso Albano. Menos de um mês depois Justiniano de Serpa faleceria no Rio de Janeiro. Leonardo Mota - Leonardo Ferreira Mota Nasceu em Pedra Branca, a 10 de maio de 1891, sendo filho de Leonardo Ferreira da Mota e Maria Cristina da Silva Mota. Terminou os preparatórios no Liceu do Ceará (1909), depois de ter estudado em escolas primárias de Quixadá, no seminário de Fortaleza (1903) e no Colégio São José, na Serra do Estevão. Bacharel pela faculdade de Direito do Rio de Janeiro em abril de 1916. Em Fortaleza, foi redator do “Correio do Ceará” e diretor da “Gazeta oficial”. Foi Notário público, tendo vendido o cartório para, com o dinheiro, custear as suas excursões folclóricas. Pertenceu ao Instituto do Ceará e à academia cearense de letras. Faleceu em Fortaleza, no dia 2 de janeiro de 1948. Publicou: “Cantadores”; “Violeiros do Norte”; “Sertão Alegre”; “No tempo de Lampião”; “Prosa Vadia”; “A padaria espiritual”. É considerado o Príncipe dos folcloristas nacionais. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 79 Liberato Barroso - José Liberato Barroso José Liberato Barroso nasceu em Aracati, 21 de setembro de 1830, filho de Joaquim Liberato Barroso e Francisca Luduvina Barroso. Fez os estudos superiores em Recife, na Faculdade de Direito; bacharelou-se em 1852, doutorou-se em 1857 e, cinco anos depois, aprovado em concurso, passou a integrar o corpo docente. Foi Deputado Provincial e Deputado-Geral pela sua província. Ocupou cargo de Ministro do Império e presidiu a província de Pernambuco em 1882. Quando Ministro teve a delicada missão de referendar os contratos de casamento das Princesas Isabel e Leopoldina e foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Ernestina, da Casa Ducal da Saxônia. Um dos fundadores e presidente da sociedade de aclimação do Rio de Janeiro, cujos objetivos se assemelhavam aos das entidades ecológicas de nossos dias. Major Facundo - João Facundo de Castro Menezes João Facundo de Castro Menezes, nasceu em Aracati no dia 12 de julho de 1787, e faleceu no dia 08 de dezembro de 1841. Em conseqüência das séria desavenças políticas entre liberais e conservadores, foi assassinado em uma emboscada por pistoleiros contratados pela mulher do então presidente nomeado da província, José Joaquim Coelho, “conservador”, na casa onde residia na antiga rua das flores, hoje Major Facundo, em homenagem ao grande líder Liberal. Nogueira Accioly - Antonio Pinto de Nogueira Acioly Nogueira Acioly, filho do Coronel José Pinto Nogueira, do Icó, e nascido naquela vila a 11 de outubro de 1840. Desde muito cedo, mostrou habilidades para ciências jurídicas. Com 17 anos de idade, foi mandado para a Escola de Direito de Recife, onde bacharelou- se em 1864. Retornando ao Ceará, com facilidade ingressou no serviço público, graças ao prestígio político do pai. Assim, sucessivamente, foi promotor de justiça em Icó, Juiz de direito em Baturité e em Fortaleza. Casou-se com a filha do Senador Pompeu, Maria Tereza de Sousa. Logo o Dr. Acioly assumiu a gerência dos negócios do Sogro, com forte influência também na política. Durante 13 anos, Acioly “cuidou” dos negócios do Sogro; isto significou um estágio relativamente longo, preparando-o para exercer a liderança do Grupo dos Pompeus por trinta e cinco anos. Com a morte do Sogro, Senador Pompeu, Acioly assumiu a direção do partido Liberal no Ceará. Na República, o contragolpe de Floriano Peixoto permitiu que ele fosse eleito governador do Ceará. Daí começou a construir sua máquina política: nomeou parentes e pessoas de sua confiança para postos estratégicos e para o legislativo; manipulou o dinheiro público. Tinha o apoio de Pinheiro Machado e do Padre Cícero. Contra as oposições, usava o desterro, provocava mortes, empastelava jornais, massacrava manifestantes. Nogueira Acioly chefiou a política no Estado do Ceará de 1878 a 1912. Oliveira Paiva - Manuel de Oliveira Paiva Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 80 Nasceu em Fortaleza, 12 de julho de 1861, filho de João Francisco de Oliveira e Maria Isabel de Paiva Oliveira. Cursou o Seminário do Crato e a Escola Militar do Rio de Janeiro, que abandonou por motivo de doença (Tuberculose Pulmonar). Voltou ao Ceará à procura de melhores de ares, numa tentativa de cura. Abolicionista, ingressou no grupo do jornal “Libertador”, escrevendo aos sábados a crônica A SEMANA, juntamente com João Lopes e Antonio Martins.Escritor de acentuado talento, porém muito cedo arrebatado pela morte. São de sua autoria dois magníficos romances de forte cunho regionalista: “A Afilhada” e “Dona Guidinha do poço”. Foi Secretário do Governo e primeiro oficial da Secretaria de Governo do Estado do Ceará. Morreu em Fortaleza, 29 de setembro de 1892. Patrono de cadeiras na Academia cearense de letras (no 25) e academia cearense de ciências letras e artes do Rio de Janeiro (no 13). Padre Antonio Tomás - Antonio Tomás Nasceu em 14 de setembro de 1868, na cidade de Acaraú. Era filho do professor Gil Tomás Lourenço e de Francisca Laurinda da Frota. Estudou no Seminário de Fortaleza, onde concluiu seus estudos espirituais, a 6 de Dezembro de 1891. Tinha uma personalidade contrastante, de aparência humilde, caridoso e reverente para com Deus até a santidade. Seus versos revelam, contudo, o extremo da sensualidade, a paixão pela carne, a ousadia do irreverente. Há nos seus versos um amor sublime pela beleza das formas femininas, que canta de forma melodiosa que se tem podido entre os poetas brasileiros. Não publicou livro nenhum, e falando a um jornal de Fortaleza declarou que não o faria nunca. Dir-se-ia que o poeta sublime envergonhava- se da natureza impulsiva que Deus lhe dera, daquela tendência panteísta que o levava a apreciar o belo até a loucura, de divinizar pela arte, o objeto de suas atenções. Padre Antonio Tomás faleceu em Sobral a 17 de julho de 1941. Pereira Filgueiras - José Pereira Filgueiras O coronel José Pereira Filgueiras, entre 1817 e 1824, esteve intimamente ligado aos destinos do Ceará. Nascido em Salvador (BA), em data ignorada, veio criança para a então vila de Barbalha, zona cearense do Cariri; grande latifundiário, chegou a ser capitão- mor do Crato. Bravo, forte de físico, habilidoso com armas, tornou-se uma lenda para as camadas pobres que comandava. Diziam poder ele desatolar sozinho um carro de boi carregado. Outros diziam que, além de ser intocável, era capaz de voar à noite como um fantasma. Como se não bastasse, contava- se que ele havia feito um pacto com o demônio, vendendo-lhe a alma em troca desses “poderes”. Pereira Filgueiras deixou duas correntes a seu respeito: Alguns o chamavam de cruel, ignorante, sanguinário, mesquinho e malfeitor; a maioria porém o trata como verdadeiro herói, “defensor da liberdade do povo cearense”. Pinto Madeira - Joaquim Pinto Madeira Com a abdicação de D. Pedro I, ocorrida em 7 de abril de 1831, rebentou no sul do Ceará uma rebelião chefiada pelo destemido e ousado coronel da milícia Joaquim Pinto Madeira. Sob a alegativa de que a abdicação do Imperador fora forçada, Pinto Madeira (desejando repor o jovem Bragança ao trono do Brasil) organizou um aguerrido exército e auxiliado pelo popularíssimo Padre Antonio Manuel de Sousa, apelidado de "Benze cacete", apoderou-se da cidade do Crato, infligindo várias derrotas às tropas legalistas, ali aquarteladas. A situação tornou-se tão séria que o próprio Presidente da Província, José Mariano de Albuquerque, seguiu para o Crato a fim de dirigir, pessoalmente, as operações das tropas governistas do Cariri contra o temível Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 81 caudilho e seus aliados. Memoráveis batalhas foram travadas no em Buriti, Coité, Barbalha, Missão Velha e Icó. A batalha de Icó foi a maior e mais sangrenta até hoje travada em solo cearense. Pinto Madeira e o Padre Manuel, acompanhados de mais de mil e seiscentos combatentes, renderam-se ao chefe legalista. Os dois chefes da revolta foram enviados para o Rio de Janeiro, mas ficaram detidos em Recife, seguindo daí presos para o Maranhão, onde sofreram as maiores crueldades. Em 1834, no dia 28 de novembro, no governo do Padre Martiniano de Alencar, verificou-se no Crato o fuzilamento de Pinto Madeira, após haver sido julgado e condenado por um tribunal faccioso. Foram suas últimas palavras: “Valha-me o Sacramento”. Pinto Martins - Euclides Pinto Martins Euclides Pinto Martins nasceu em Camocim, 15 de abril de 1892. Iniciou-se em Natal (RN) como embarcadiço e, com apenas 17 anos, era piloto de navio e foi para os Estados Unidos fazer um curso de Engenharia Mecânica. Voltando para o Brasil, trabalhou no Departamento Nacional de Obras contra as secas. Pioneiro da aviação, empreendeu o primeiro vôo New York/Rio de Janeiro, onde pousou no dia 08/02/1923, depois de 175 dias de travessia. São desconhecidas as circunstâncias de sua morte, ocorrida em 12 de abril de 1924: crise de depressão, desengano amoroso, suicídio, crime? Não foi possível esclarecer. O seu nome foi dado ao aeroporto internacional de Fortaleza. Quintino Cunha - José Quintino da Cunha José Quintino da Cunha nasceu em Uruburetama, 24 de julho de 1875. Abandonou os estudos no Colégio Militar e seguiu para o Amazonas, onde se provisionou advogado. Poeta, orador, humorista, contista, romancista. Publicou: Os diferentes, Cabeleira, Baturité, Pelo Solimões, Campanha pró-Rabelo, o estilo na jurisprudência, vencremos, os mártires da selva, folhas de urtiga, vir para voltar, de mim para os meus e a vida no Ceará. Retornou ao Ceará, e graduou-se em Direito e militou na política (Deputado Estadual, 1913). Pertenceu ao Centro Literário e à Academia Cearense de Letras. Rodolfo Teófilo - Rodolfo Teófilo Nasceu em 1853, na Bahia. Órfão aos 12 anos de idade, com muito esforço e trabalho (fora caixeiro) concluiu os estudos em 1876, bacharelando-se em farmácia; foi uma das figuras mais destacadas da vida cultural e política do Ceará em fins do século passado. Na década de 1880, empenhou-se nas campanhas abolicionistas e republicanas. O Ceará, em 1898 e 1900, foi castigado por calamitosas secas e por mortíferos surtos de varíola. O governo simplesmente omitiu-se, ainda que o Governo Federal enviasse recursos. O Governador Nogueira Acioly, chegou ao absurdo de, temendo perder eleitores, proibir a imigração para outros estados, mas mesmo assim 30 mil cearenses deixaram sua terra. Rodolfo Teófilo, farmacêutico que, vendo a fome, as doenças e a omissão governamental dizimarem o povo, iniciou, por conta própria, a fabricação de vacinas anti- varíola. Todas as manhãs, percorria os subúrbios, vagando de casebre em casebre, convencendo e chegando mesmo a pagar as pessoas para se deixarem vacinar. O governo, porém, vendo ali não só um ato sanitário, mas político, reagiu e pôs-se a perseguir e a denegrir a imagem de Teófilo (ele foi demitido do cargo de professor do Liceu do Ceará), chegando a afirmar que muitas mortes haviam sido provocadas pelo medicamento... A Rodolfo Teófilo também devemos a invenção da saborosa cajuína, bebida deliciosa advinda do caju. Rodolfo Teófilo faleceu em 1932 Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 82 Santana Júnior - Antonio Santana Júnior Antonio Santana Júnior, nasceu em Barbalha no ano de 1893. Iniciou seus estudos de Engenharia na Bahia e formou-se na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1917. Foi um dos pioneiros na construção do Açude do Orós (1922). Foi Engenheiro da antiga R.V.C (Rede Viação Cearense), onde se aposentou por acidente com trolley-motor, quando inspecionava linhas. Foi Professor do Colégio Militar e do Liceu do Ceará. Senador Pompeu - Thomaz Pompeu de Souza Brasil Thomaz Pompeu de Souza Brasil, nasceu em Santa Quitéria-Ce. Em 06 de junho de 1818, faleceu em 02 de setembro de 1877. Exerceu no seu tempo, a mais notável influência na vida cultural e política cearense, bem como em âmbito nacional. Organizou em 1870, a companhia cearense via férrea de Baturité, que construiu a primeira estrada de ferro do Ceará, contribuindo efetivamente para o desenvolvimento da então inexpressiva província. Foi Deputado geral, Senador do império e jornalista parlamentar. Um dos fundadores e o primeiro Diretor do Liceu, hoje colégio estadual. Dr. Théberge - Henrique Théberge Henrique Théberge nasceu em Recife, 27 de junho de 1838, filho de Pedro Théberge e Maria Elisa Soulé Théberge. No Icó, onde foi residir com os pais ainda menino, fez os primeiros estudos; depois, no Rio de Janeiro, fez o curso da Escola Militar e o de Agronomia. Participou da Guerra do Paraguai, na qualidade de tenente, e recebeu medalhas militares do Brasil, Argentina e Uruguai. No retorno ao Ceará, desempenhou funções de Engenheiro de obras públicas, Bibliotecário, Engenheiro da estrada de ferro de Baturité, Gerente da Cia. Ferro-Carril e Professor do Liceu do Ceará. Na Bahia foi Engenheiro- Chefe do tráfego e locomoção da Estrada de Ferro Paulo Afonso. Um dos fundadores da Academia Cearense de Letras. Morreu em 11 de junho de 1905. Tibúrcio Cavalcanti - Manuel Tibúrcio Cavalcanti Manuel Tibúrcio Cavalcanti nasceu em Morada Nova, 24 de dezembro de 1882. Iniciou os estudos em Baturité, e prosseguiu- os em Fortaleza (Instituto de Humanidades), conquistando os preparatórios no Liceu do Ceará. Foi para o Rio de Janeiro e ingressou na Escola Preparatória e de Técnica, de Realengo; com a adesão da Escola ao movimento de Novembro de 1904, de que resultou a morte do Comandante General Silvestre Rodrigues Travassos, verificou-se o fechamento da Escola Militar da Praia Vermelha, com a expulsão dos seus alunos, entre os quais estava Tibúrcio Cavalcanti. Com a anistia (Setembro de 1905), retornou à vida militar na escola de guerra de Porto Alegre (RS). Aspirante a oficial em fevereiro de 1908, armas de Infantaria e Cavalaria, sendo mandado servir no 1º Regimento de Artilharia e Campanha. Fez o curso da Escola de Artilharia e Engenharia, que concluiu em 1912. Serviu como Engenheiro-Ajudante na Compagnie Générale dês Chémis de Fer dês E.U. du Brésil, presidida por Vitorino de Melo, e a seguir na comissão construtora das linhas telegráficas do Mato Grosso ao Amazonas, chefiada pelo Marechal Rondon, com quem estabeleceu agradável camaradagem durante os anos de convívio diário na realização da importante obra. Trabalhou, a seguir, na comissão construtora da estrada de rodagem para a fronteira do Paraguai. Comandou o 5º Batalhão de Engenharia de Curitiba e o 6º de Aquidauana (MT). Prefeito de Fortaleza, em 1931, deu nova dimensão ao desenvolvimento urbano da Capital. Secretário Estadual de Fazenda e Chefe de Polícia. Morreu em 1939 e o seu nome foi dado à estação, inaugurada em 25/07/1941, no km 665 da linha Itararé-Uruguai. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 83 Tristão Gonçalves - Tristão Gonçalves Herói incontestável da Revolução republicana de 1817; filho da Heroína Bárbara de Alencar. Ao lado de Pereira Filgueiras, dirigiu uma expedição que libertou o Piauí e o Maranhão do jugo português. Figura central da Confederação do Equador no Ceará, e por isso aclamado presidente da Província rebelada contra o despotismo de D. Pedro I; destituindo o então Presidente da Província, o tenente-coronel Costa Barros. Foi barbaramente morto no lugar denominado Santa Rosa, hoje Jaguaribara, no município de Jaguaretama, pelas tropas imperialistas do Capitão-Mor das Fronteiras, Antonio de Amorim. Em meio à batalha, o fanático José Leão avançou sorrateiramente, pela retaguarda, e atirou em Tristão, acertando-lhe uma bala que atravessou o tórax de um lado a outro. O corpo de Tristão ficou exposto por vários dias - Mutilado, em pé, encostado a uma jurema, seco e esmurrado, braços abertos, a mão direita decepada, um outro golpe na nuca - até que, de passagem por lá, Luis Rodrigues Chaves lhe deu sepultura na capela do povoado. Vicente Leite - Vicente Rosal Ferreira Leite Vicente Rosal Ferreira Leite nasceu no Crato em 23 de maio de 1900. Era Guarda do Palácio do Governo quando o Governador João Tomé de Sabóia e Silva teve oportunidade de apreciar alguns trabalhos de sua autoria; impressionado pela leveza e expressão do seu traço, proporcionou-lhe uma bolsa de estudos para a Escola Nacional de Belas Artes que cursou no período de 1920 a 1926. Era especialista em pintar paisagens, suas obras encontram-se ainda em algumas repartições públicas e museus de arte de todo o Brasil. Faleceu em 15 de outubro de 1941 Padaria Espiritual - Padaria Espiritual Entidade cearense artístico-literária, a padaria espiritual foi idealizada por Antonio Sales e outros jovens dedicados às letras e às artes. Movimentou o meio intelectual da província, com atitudes ousadas, mesmo quando escandalosas para a época. No início da década de 90 os membros reuniam-se no café Java, de Mané Coco (O café java era um dos 4 quiosques que havia na praça do Ferreira, e que seriam demolidos em 1920) e a 10 de março de 1892, esteve sediada a princípio na rua Formosa, hoje Barão do Rio Branco. Como a entidade se denominava Padaria Espiritual, os sócios tinham logicamente a denominação de “padeiros”, as sessões chamavam-se “fornadas”, já que o jornal que representava a comunicação dos sócios com o grande público denominava-se “O pão”. A primeira fase da Padaria Espiritual foi mais de propositada boemia com o fim preconcebido de chamar a atenção para a originalidade das atitudes; já a segunda, de trabalho construtivo, mereceu então a consagração da crítica nacional. A trilha da Padaria Espiritual se constituiria em marco bastante significativo para a evolução da cultura cearense. A Padaria Espiritual se extinguiu em 1898, deixando 36 exemplares d’ O PÃO. Seus principais membros foram: Antonio Sales, Adolfo Caminha, Lívio Barreto, Henrique Jorge, Rodolfo Teófilo, Antonio Bezerra, Justiniano de Serpa e João Lopes. Conhecimentos Gerais Sobre Fortaleza Prof. Adeíldo Oliveira 84 [email protected]
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