Capitalismo tardio e sociabilidade moderna In: História da vida privada no Brasil v4

March 29, 2018 | Author: Karina Camargo | Category: Capitalism, Economics, Sociology, Economic Inequality, Class & Inequality


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Capitalismo tardio e sociabilidade moderna.INTRODUÇÃO Abre o texto falando que no período de 1950 a 1979 a sensação dos brasileiros era de que faltava pouco para sermos uma nação moderna. Aponta que esse otimismo foi mudando de forma. (560) O período posterior a 1967 a visão de progresso marcou uma crença na modernização. Os anos 1980 demonstram o contrário. (560) Vai tratar as relações entre as transformações econômicas e as mutações na sociabilidade que são manifestadas na vida cotidiana e na privacidade. Para eles, o período 45-64 é decisivo no processo de industrialização; migração interna, urbanização, investimento em grandes setores. 64 é um momento de inflexão, de mudança de “modelo” econômico politico e social, mas cujos efeitos apareceram em 67-68. Os anos 1980 seriam a década perdida. (561)  Mas eles colocam que o período 64-79 não foi plenamente percebido, as mudanças davam ideia de continuidade Citação sobre a analise deles (562); que sera algo que tentará das conta aos diversos ritmos nas diferentes esferas dessa realidade em movimento. OS NOVOS PADRÕES DE CONSUMO Colocam que de 1930 a 1980, mais especificamente, de 1950 a 197poucos, tínhamos sido capazes de construir uma economia moderna, incorporando padrões de produção e de consumo próprios aos países desenvolvidos. Fabricávamos quase tudo. (562)  Cita infraestrutura (bens de produção), depois bens de consumo básicos, não duráveis e duráveis (parece uma descrição detalhada dos produtos em cada etapa do processo de substituição de importações)  Fala do alimento industrializado, alusão a modernização do campo já no período militar (564)  Depois, já vai no sentido de produtos de consumo importados, tanto em estilo e na mercadoria mesmo, como ocorreu no período e foi negativo pra balança (566). Cresce o consumo de classe media e alta, artigos de luxo, padrões americanizados (566).  Enfatiza o recorte nas possibilidades deste consumo importado. Aos poucos começou a segregar o consumo no sentido de terem coisas direcionadas para pobres e classe media, e outros de luxo mesmo (567)  Citam os avanços da higiene pessoal (parecia ser bem problemática) para os “remediados”; assim como as mudanças no mercado de cosméticos (568); no vestuário (570)  Focam um pouco nas mulheres, nos novos consumos, comportamentos e possibilidades de mudança de papel social, mas ainda bem ligada ao que o capital permitia (571)  As mudanças nesses produtos, fazendo alusão a modificação do antigo para o moderno; a substituição dos valores e comportamentos caminhava igualmente neste sentido, mas com ambiguidades. o mudanças econômicas = novas organizações da sociedade = novos comportamentos dos sujeitos = nova moral e valores (combinações) ****** é interessante notar: sempre fala em nós, na perspectiva de que as mudanças históricas, o otimismo e descrença não foram só do período, mas deles próprios – por isso furtado, crer na modernização por ser país periférico, etc. “Em suma, todas essas variações do consumo aprontavam para os movimentos da sociedade” (574) UMA SOCIEDADE EM MOVIMENTO Vai discutir esse movimento de modernização, as mudanças na sociabilidade a partir da leitura das migrações. Das mudanças nas dinâmicas rural x urbano, acesso a trabalho, etc. “ A vida da cidade atrai e fiza porque oferece melhores oportunidades e acena um futuro de progresso individual, mas também, porque é considerada uma forma superior de existência. A vida do campo, ao contrario, repele e expulsa” (574) Discutem a estrutura do campo: oligarquia de latifúndios, médios e pequenos proprietários, agricultores familiares, posseiros, assalariados temporários ou permanentes (pobres e miseráveis) (575).  Ainda assim, os assalariados permanentes, tbm pobres, estavam de algum modo integrados ao capitalismo  Segundo os autores, o que unia a todos estes era am miséria ou extrema pobreza No âmbito social: as relações estavam próximas dos padrões patriarcais (cita Antonio Candido), a centralidade da família conjugal, parentes, etc (576). Havia sinais de mudança, a entrada do amor romântico por exemplo, mas mantinha-se a mulher como mãe de muitos filhos; ou os filhos trabalhando cedo para ajudar os pais; duras condições de trabalho, pouco acesso à alimentação e saúde (577). A relação de poder do grande proprietário (579).  Vida cheia de incertezas, vida cheia de esperanças” (578)  Por isso pra mim parece que eles crerem na modernização faz sentido, seria um resolver dessas situações de miséria dentro do capitalismo, mas um capitalismo guiado pelo estado, feito de forma construída e planejada, etc Criticam fortemente a entrada nos anos 60 da modernização da agricultura, já no regime militar:  “Agora, milhões de homens, mulheres e crianças serão arrancados do campo, pelo trator, pelos implementos agrícolas sofisticados, pelos adubos e inseticidas, pela penetração do crédito” (580)  Citam o movimento da fronteira agrícola, o deslocamento de 1950 e 1980 que foi possibilitado pelo Estado apoiando em estradas e infraestrutura. Ainda assim, a violência continuava a ser um fato constante. (580) A cidadezinha dessas redonzas, a cidade maior onde se ia de vez em quando eram pequenos escapes. Nos anos 60 e 70 há a entrada da televisão; há o contato com quem foi embora: a cidade não deixa de atrai-los (580). Citam os índices de migração dos anos 50, 60 e 70, sempre crescentes (581). Nas cidades grandes e medias “a industrialização acelerada e a urbanização rápida vao criando novas oportunidades de vida, de investimento, oportunidades de trabalho “ (581) Citação sobre o capitalismo: como a concorrência é um processo objetivo que determina e escolhe quem irá se apropriar das oportunidades (581).  Como isso define quem se apropria do que, como causa uma ilusão de igualdade de condições mas que na verdade “cada um vale o que o mercado diz que vale”, as virtudes consideradas são só por esta lógica  “a situação de partida é sempre desigual, porque o próprio capitalismo, a própria concorrência, entre empresas e entre homens, recria permanentemente assimetrias entre os homens e as empresas” (581) Anos 1950: a desigualdade era extraordinária. Cita como protagonistas da industrialização acelerada: o imigrante estrangeiro, o migrante rural e o negro urbano (582).  Discute as desigualdades de oportunidades entre eles: os imigrantes constituíram famílias solidamente estabelecidas, chegando em parte a ter negócios próprios; os negros se ocuparam de trabalhos pesados (alude Florestan), a mercê da precariedade; com o migrante rural não foi diferente (584)  Novamente aponta os imigrantes estrangeiros como “vencedores” (584)  Uma particularidade com relação ao rural: o migrante rural pode ser considerado vencedor em comparação com as condições anteriores porque foram alocados em profissoes de baixa qualificação em sua maioria, ainda assim melhor do que no campo e ainda mais frente a falta de oportundiade devido à mecanização (584)  Assim como os negros, em comparação considera que melhoraram de vida. Período de 1950 – 1980: mudanças profundas, com rapidez, “uma sociedade em movimento” (585). Aqui da pra ver certo otimismo com a industrialização e busca da modernização:  “movimento, também, de um emprego para outro, de uma classse para outra, de uma fração de classe para outra, de uma camada social para outra, movimento de ascensão social, maior ou menor, para quase todos” (586) ESTRUTURA SOCIAL E MOBILIDADE Fala de uma pesquisa que foi feita entre as pessoas da cidade de SP nos anos 50, pedindo para classificar as profissões em uma hierarquia (587) Fazem a seguinte analise:  Foram identificados quatro grupos de acordo com a escala de remunerações e com a hierarquia capitalista do trabalho 1. O da base da sociedade (lixeiro, agrícola, garçom) 2. Do trabalho qualificado (carpinteiro, cozinheiro, motorista, mecânico) 3. Da classe média (dono de peq estabelecimento, professor primário, funcionário publico nível médio, empreiteiro, sitiante) 4. Topo da sociedade (diretor superintendente, fazendeiro, gerentes, advogados, medico, jornalista  Citam detalhes internos a esses grupos, na ordenação das respostas: nesta classificação não esteve presente só a questão capitalista, teve valores também (citam exemplos dessa mistura para o medico e o padre, por exemplo) (588). o Novamente um apontamento da crença dos autores nas mudanças dos valores, caminhando para o moderno ainda que com elementos mais tradicionais. o Foram usados critérios de valor mercantil (ligados aos rendimentos) e valores sociais (ligados a importância da profissão para a vida coletiva) o Na pesquisa aparece a prevalência dos julgamentos de valor social sobre os de valor mercantil, nesse momento (588); mas chama a atenção para a penetração de valores mercantis e MODIFICAÇÃO/COMBINAÇÃO (589)  Liga a isso a existência de valores utilitários da pratica religiosa e politica já anteriores a isso como contribuintes dessa penetração “A família se torna um empreendimento cooperativo para a ascensão social” (589)  Perseguem a ubida de renda e a elevação na hierarquia capitalista do trabalho dentro do mundo da concorrência  Disso decorre a desigualdade de pontos de partida (porque o pai da família é essencial neste passo); interfere na possibilidade de aproveitar oportunidades (589) Vai tratar destas famílias. Começa pelas do topo. (589)  No começo dos anos 1950, o empresariado contava com um conjunto pequeno de capitalistas de maior porte  Eram banqueiros ou ligados ao comercio de exportação e importação.  Na indústria eram alguns magnatas, grupos econômicos de setores tradicionais como alimentos, têxtil, cimento  Grandes comerciantes, telecomunicações  Já médios e pequenos empresários na indústria e nos serviços eram uma massa  O período de JK teve grandes oportunidades de investimento, inclusive abertas a empresa multinacional ou estatal, mas tbm para o empresariado nacional (em formas de financiamento, subsídios, apoio em infra-estrutura); se rpomoveu uma dinâmica em vários setores, por estas movimentações o Novamente, ressaltam que quem poderia aproveitar essas oportunidades eram aqueles que já tinham acesso ao credito ou algum capital (592)  Cita FHC sobre a passividade da burguesia brasileira; colocam o Estado e a grande empresa multinacional como centro do novo poder econômico (592) o As excessoes eram poucas A classe média (593)  “a estratégia familiar de ascencao social defrontava-se com uma situação de mudança” o Por causa das exigências da empresa privada, novas formas de direção e gestão, mais racionalizado e profissionalizado o Padrões americanos de gestão e de propaganda  No Estado também houve mudanças, no sentido da burocratização e racionalização iniciadas em 1930; 3 elementos – aparelho de regulação e intervenção econômica, uma área social com politicas publicas nacionais, novas formas nos organizsmos coercitivos e repressivos (593) o 1: abre-se um setor produtivo estatal (siderurgia, petróleo, eletricidade); Também um sistema financeiro publico; Planos de ação regionais (tipo Sudene) o 2: serviços em áreas como educação, saúde e previdência  “as famílias de classe média procuraram, assim, utilizar todas estas oportunidades de ascensão social, abertas tanto pela expansão da grande empresa privada ou estatal quanto pela ampliação da administração pública” (595) o A exigência de qualificação via ensino superior é crescente o Novamente retomam o caráter das desigualdades de oportunidades reforçando as diferenças na concorrência capitalista o Fala um pouco do ingresso aas mulheres classe media na universidade e em funcçoes especificas no mercado de trabalho (596)  “a industrialiazação acelerada e a urbanização rápida tendem, portanto, a quebrar a relativa homogeneidade da classe média” (597) o Na cúpula: técnicos, ligados a grande empresa, privada ou publica o Parte vai sair dela e ir para o empresariado o E se confgira uma baixa-classe média 1. Queda nas remunerações do funcionalismo publico 2. Massificação de algumas profissões 3. Ampliação de serviços de escritório das empresas que eram pior remunerados Os trabalhadores  Trabalhadores especializados (numa tarefa e com estudo) tinham renda próxima da baixa classe media, muito maior que o de outros trabalhadores. Tinha pretensão de trabalhar por conta própria. (598)  No caso dos migrantes rurais, eles eram incorporados na construção civil e as mulheres como domésticas (598). Outros trabalhos no setor de serviços sem carteira assinada também eram comuns (599).  Os citadinos pobres, descendentes de escravizados estavam na base. o Para estes dois últimos: era um avanço por que representava o acesso a direitos trabalhistas (que no rural não tinha); as mulheres deste grupo semrpre trabalharam fora, como domesticas ou costureiras; os filhos não havia caminho do estudo, começava-se a trabalhar cedo (599) “Olhada a sociedade em seu conjunto, há a família do trabalhador comum, do migrante rural recém-chegado e a dos citadinos pobres, de tosos os que se encontram na base do mercado de trabalho. Há a família do trabalhador especializado. Há a família de classe media, baixa ou alta. Há a família dos magnatas. (600) o “pela casa podemos reconhecer, imediatamente, de que classe social faz parte a familia” (602)  Começa a citar vários intens de consumo que são acessíveis a uma outra classe; contrapõe a fartura com a miséria “são as formas de organização capitalista que determinam a hierarquia do trabalho. Às posições objetivamente superiores e inferiores, corresponde uma estrutura de remuneraoes, as quais, por sua vez, dao acesso à posse de riqueza e à aquisição de bens e serviços de consumo (...) esta revolução permanente é, ao mesmo tempo, um processo de diferenciação e generalização do consumo” (604)  Fala do hábito de copiar os estilos de consumo do inglês e do francês, no século XIX e, nesse momento do American Way OF Life.  A propagação desses modelos tem importante relação com o cinema, entretenimento (605)  “Forma reificada de consciência, acrescentemos, peculiar à periferia, onde é possível consumir sem produzir, gozar dos resultados materiais do capitalismo sem liquidar o passado, sentir-se moderno mesmo vivendo numa sociedade atrasada” (605) TENTATIVA DE MODERNIDADE Colcoa que os valores capitalistas não encontraram obstáculos difíceis. Cita Freyre sobre o “privatismo patriarcalista” dizendo que ele se prolonga no familismo moderno.  Isto é, a casa continua sendo o centro da existência social, mas a vida em família não é governada pela tradição e sim pelo futuro, pela aspiração à ascensão individual  Isso se traduz na corrida ao consumo (605) Ao invés do valor do ócio, entra o valor do trabalho como meio de obtenção do conforto material. Ao invés da desvalorização do trabalho por causa da escravidão, um julgamento de cada ocupação de acordo com a hierarquia capitalista do trabalho. Fala que nunca tivemos uma autentica aristocracia e sim um senhoriato que vivia da produção mercantil. O espírito da aventura se torna racionalizado, calculado, típico do capitalismo do século XX (606). A brutalidade da escravidão e agora a exploração do trabalhador. Uma visão sempre patrimonialista do estado, sem valores aristocráticos ou ideia de honra estamental (606). Cita que os ideários liberais, de mercado como estruturador da sociedade e motor da história podem se impor pela sua funcionalidade para o sistema econômico (606)  Mas não da pra dizer que esse é sozinho o conjunto dos valores modernos  Tem as fontes morais, da religião e do racionalismo ilustrado  Cita idealmente quais seriam os valores modernos, como eles nasceriam de um conflito natural entre o antigo e o moderno/valores religiosos e valores capitalistas (607) e como no Brasil ISSO NÃO ACONTECEU  Haveria também os valores modernos não mercantis, ligados a instiruiçoes como democracia de massas, etc, que poderia frear o funcionamento desregulado e socialmente destrutivo do capitalismo  OU SEJA, ELES ACREDITAM NUM CAPITALISMO POSSIVEL, DESDE QUE NÃO LIVRE POR SI SÓ Começam a discutir porque no Brasil não houve essa tensão de valores e a “moderninadade” deles não surgiu: cita Freyre, sobre o catolicismo muito utilitário e ritualista, sem conteúdo (607); cita também o conservadorismo da Igreja, de como ela justificou a escravidão (608). Citando Caio Prado, fala que é neste vácuo moral, nesta sociedade onde não há nexos éticos entre os homens e sim relações de exploração econômica e de dominação que a razão instrumental pode penetrar com facilidade (608).  Os atrasos econômicos até 1930 não se deveram as resistências culturais, a tradição ou a mentalidade pré-capitalista; mas sim, pelos interesses econômicos e políticos postos no período Só que, mesmo com essa “falta de valor religioso” havia um movimento de moralização da sociedade (609)  O sentido era com valores modernos, um cuidado de e aperfeiçoamento de si (trabalho, espiritual) e uma ideia de boa sociedade (educação, participação politica, etc) o Isso veio: da reforma católica (que trouxe elementos de valorização do trabalho honesto - 610); o trabalhismo; o socialismo e comunismo; o solidarismo cristão o Ao invés de valores de direitos individuais, entrou o de direitos da pessoa humana o Mas a família católica já tinha incorporado elementos do individualismo; cita algumas mudanças na relação marido e mulher (611, 612), numero de filhos (prevenção e planejamento) (613); trabalho honesto como um valor social o Novamente retoma a questão problemática do capitalismo selvagem, dos efeitos da concorrência (614) – monopólios sociais “acima de todas as divergências de orientação, havia um valor que era comum a todos, a construção da nação e da civilização brasileira” (616)  Neste aspecto, coloca que “decidiu-se” negociar no período JK com o capital estrangeiro, mas que esse desenvolvimento se fez em nome da nação e do regime democrático o Ve-se um certo entusiasmo com a direção do estado, com o desenvolvimento dessas relações (mas que no longo prazo deram bem errado)  Resumem o ideário dos anos 50: reforma agraria, atacar a miséria rural, evitar migrações em massa para não afetar os salários urbanos, criar uma escola publica acessível a todos, subida de salários e direitos sociais, controle do poder econômico privado e dos meios de comunicação de massas (617) o Mas tinha um conflito, os dominadores e esse projeto o O que se tinha era uma disputa entre dois possíveis modelos de capitalismo para o brasil, um selvagem e um domesticado (618); 1964 foi a imposição pela força do tipo selvagem de capitalismo. CAPITALISMO DOS VENCEDORES A “revolução de 64” produziu uma sociedade deformada e plutocrática, regida pelos detentores da riqueza (618) Ao fim dos anos 1980, em compara a outros países desenvolvidos, as desigualdades relativas em termos de renda e riqueza muito maiores no Brasil (618). A dinâmica econômica e social se deu: pela concorrências desregulada entre os trabalhadores, e pela monopolização das oportunidades de vida pelos melhor situados (618).  Cita uma forma que o capitalismo, não selvagem, regularia os salários e as relações; mas de fato o que aconteceu foi que os salários foram mais comprimidos para aumento dos lucros, promovendo diferenciação das rendas e do consumo entre funcionários da nova classe media, por exemplo  Ao invés de reforma agraria, foi ampliado o monopólio no campo pela modernização selvagem dos processos produtivos (industrialização da agricultura) o como essa forma de modernização do campo via industrialização e entrada do capitalismo promoveu um aumento da pobreza, um esmagamento de outras possibilidades acesso ao consumo nunca chegou da mesma forma o uma massa pobre se dirige para as cidades nos anos 70, pressionando mais ainda a baixa dos salários  houve também a massificação de varias profissões que eram antes de qualificação média (620); cria uma nova camada de trabalhadores comuns  de positivo seria o acesso a previdência, possibilidade de educação para os mais pobres – mas qualidade do ensino era ruim (621)  alguns trabalhadores conseguiram se incorporar aos padroes de consumo moderno, mas as custas do emprego da familia toda (porque os salrios tendiam a ser baixos conforme a qualdificaçaõ que ja era prejudicada pelas oportunidades) (622) “EM resumo: na base da sociedade urbana está o trabalho subalterno, rotineiro, mecânico. Falamos dos pobres, de dois terços dos trabalhadores da indústria, tanto do rés da fábrica como do escritório, da esmagadora maioria dos trabalhadores nos serviços, dos “barnabés” do serviço público. Todos, sujeitos a uma alta rotatividade no emprego – à exceção, é claro, dos funcionários do governo” (622) Segmentação do mercado de trabalho: o mesmo trabalho subalterno tem salários e benefícios indiretos diferentes; conforme o tamanho da empresa e a fomalização ou não do emprego, eles podem diminuir. Variam também conforme o mercado de consumo. Cita diferenças. (625)  cita que os serviços no Brasil são muito muito mais baratos em comparação com países desenvolvidos  quase todos os subalternos experimentaram mobilidade mas no sentido de de mudança do campo para a cidade; da construção civil como servente para o chão de fábrica e isso tbm se refere a incorporação dos padrões de consumo e de estilo de vida modernos  ainda assim parcela dos trabalhadores comuns estava mergulhada na pobreza absoluta; fala dos excluídos da terra (626) Apontam como o periodo fez uma trasnferencia de renda por causa dos baixos salarios e consequente aumento dos lucros e acumulação dos capitalistas. Ao mesmo tempo, se aumentou o salario dos diretores, na empresa privada e pública. Vai discutir como ficou a divisão dos grupos sociais lá pelos anos 1980: 1. O verdadeiro nucleo do poder economico e político: * grandes corporações multinacionais * instituições financeiras; * comunicações (globo e abril); * empreiteiras; * capitão da indústria; * grandes empresários do comércio 2. Em redor desse núcelo estavam: * diretores financeiros, comerciais; * departamentos juridicos, rh, marketing 3. Abaixo: *gerentes variados 4. depois: *diretores e gerentes de empresas que prestam serviços a estas 5. medios e pequenos emrpresarios da industria e dos serviçoes (são muito mais ricos no brasil porque pagam salários muito baixos e consomem serviços muito baratos) (628) 6. os gerentes e diretores das medias empresas são menos valorizados que os das grandes 7. acrescenta também os da cúpula do Estado, executivos, gerentes, etc 8. os que prestam serviços diversos diretamente a esta elite ((lembrar que o criterio que ele usa tem a ver com analisar qual o mercado dessas profissões e como isso gera diferenciação entre elas mesmo num contexto de massificação) (629) São estes ( de 1 a 8) que alimentam o mercado de consumo de luxo, de bens ou serviços (630). nova camanda de clientes mas que se direcionam nõa mais por afetividade, e sim pela concorrência do mercado (para escolha de onde comprar, o que contratar, etc) 9. trabalhadores comuns, especializados ou até de qualificação superior 10. entra a classe média, do emprego publico ou privado de qualificação intermediária; tem funçoes medias em empresas ou no governo 11. funcionários de escritório qualificados, de empresa do governo; novamente a renda sobe com o trabalho da mulher em geral a classe media está integrada nos padrões do consumo moderno de massas (631). O consumo se beneficia muito dos serviços baratos (632). Neste sentido, esta nova classe media e suas ocupações da industrialização acelerada representaram ascensão social.  retoma a questão da manutenção da desigualdade de oportunidades: é a linhagem desses estratos que vai ter acesso a profissionalização, ensino superior etc (633) 12. trabalhador manual mais qualificado no setor de serviços e o operario especializado (metalurgico, petroleiro) [ fica entre a classe média e o trabalhador comum] Brasil como a sociedade mais desigual do mundo; o sinônimo de capitalismo selvagem (633). Entre 1960 e 1980 maior acumulação de renda entre os que já eram muito bem estabelecidos. a contrapartida é claro, a dimunuição da renda dos trabalhadores subalternos, a baixa classe média também teve a renda retraída (muito por causa da massificação de algumas profissoes) (634). “estamos, portanto, diante de um capitalismo plutocrático, mas extremamente dinâmico” (635)  altos índices de crescimento  concentração de renda, diferenciação e massificação Citam Furtado: “uma sociedade deformada, fraturada em três mundos”; 1- ricos, magnatas; 2 – nova classe média; 3 – pobres e miseráveis. (636) Como o Estado entrou nisso nesse período: estimulou e garantiou o crescimento via subsídios, infraestrutura; e para os pobres reservou a expulsao do campo, a compressão dos salários, calou os sindicatos (636)  o que tinha de serviço social era “pago” pelos impostos indiretos (nos produtos, muito maior proporção da renda do que das classes abastadas”  SERIA UM EXEMPLO DE ARGUMENTAÇÃO DE UM ESTADO BURGUES? porque deixou a mercê da regulação do crescimento econômico ao mesmo tempo que ajudou a classe abastada lhe transferindo renda indireta (compressão salarial) “sob a aparência de democratizar oportunidades, o que se fez, na verdade, foi dar uma nova face aos monopólios de sempre” (636)]  monopolio aqui deve ser referencia aquele monopolio social que ele falou, da desigualdade de oportunidades que é exacerbada num contexto de capitalismo selvagem; o que se fez foi continuar isso, mas vendendo a ideia de mobilidade e de mudança NOSSA VIDA MODERNA Fala num processo de secularização da cultura, antes de 64 mas que se acelerou depois desse período. “o autoritarismo plutocrático fechou o espaço publico, abastardou a educação e fincou o predomínio esmagador da cultura de massas” (637). “legou-nos, também, uma herança de miséria social, de pobreza espiritual e de despolitização da vida social. Eis da base de uma verdadeira tragédia histórica que se enraizou nas profundezas da alma de várias geração” (637) Fala em colapso do espaço público, para além da violação dos direitos individuais e políticos: porque isso implica numa sociedade que não é capaz de abrigar valores universais ou de permitir um confronto de visões distintas (eles já citaram isso antes, com relação a religião e o capitalismo) (637).  NÃO OUVE UM PROCESSO NATURAL DE MODERNIZAÇÃO NA QUESTÃO DA CULTURA E DA POLÍTICA  não houve uma situação de construção e formulação de juízos próprios de moral, estetica e politica não houve forma de dialogo entre livres e iguais (isso me lembrou um pouco Habermas) “a “revolução de 64” moldou uma forma extremamente eficaz de garantir duradouramente a dominação dos ricos e privilegiados. Forma até muito prazerosa, disfarçada de entretenimento, ou forma muito séria, revestida de informação objetiva: a indústria cultural americanizada” (637)  cita a centralidade da televisão (638), como a sua difusão contou com apoio do Estado em infra-estrutura e também dando crédito para aquisição  propaganda, entretenimento; Rede Globo  outras empresas jornalísticas se tornaram grandes organizações capitalistas (639)  como o fechamento pelo regime aliádo a enrada dessa indústria cultural facilitou a criação de um publico leitor que não é critico, não ha espaço para debater a controvérsia e isso é desestimulado  verdade da lugar à credibilidade; bem comum aos interesses privados; objetividade à opinião (dos formadores de opinião, ligados à elite) “mas não é um monopólio qualquer: difunde valores – morais, éticos e políticos – que acabam por determinar atitudes e comportamenteos dos indivíduos e da coletividade” (640) “O apelo à emoção e a mobilizao do inconsciente desalojam a argumentação racional. A americanização da publicidade brasileira tem um papel fundamental na difusão dos padrões de consumo moderno e dos novos estilos de vida” (641)  a grande maioria é de pobres, se fabrica necessidades, ideia de corrida ao consumo, insatisfação por não alcançar.  “numa sociedade marcada pelo privilégio e pela desigualade, proclama alto e bom som que o homem vale o que vale apenas pelo que consome” (641)  Reduz a complexidade da vida social a escolhas estruturadas e binárias (642)  Citam também a massificação do ensino, a religião e a família (643) “no entanto, outros valores modernos secularizados como o da autonomia do individuo, o dos direitos do cidadão, o do desenvolvimento espiritual e do acesso ao mundo da cultura, não encontrm pontos de apoio para se desenvolver. Ao contrario, colidem com os valores utilitários difundidos pelos meios de comunicação de massas” (643) “mas o certo é que estávamos começando a nos despedir, sem o saber, da verdadeira modernidade” (644). A QUE PONTO CHEGAMOS Olhando a partir de 1998, parecem ter mais esclarecidas algumas questões sobre este período do livro. Citação sobre o capitalismo plutocrático, as bases débeis (644) Cita Sergio Buarque: “procissão de milagres”, foi tudo mais uma combinação de boas circunstancias do que um direcionamento adequado (até antes de 64) e inteleigente de capitalismo  Fala das facilidades da copia, de vários elementos não so produtos como processos; aí a restruturação capitalista da crise do petróleo esbarra nisso e não continua funcionando (645).  cita uma tese que explica o porque disso, quais as deficiências do nosso capitalismo e sociabilidade (Maria da Conceição Tavares)  tudo correu bem quando o capitalismo no mundo em gral corria bem  discussão centro periferia: domesticar nos países desenvolvidos, fazer reforma social e industrializar a periferia (647)  revê a questão do JK e da entrada de multinacionais  cita a crise da dívida de 1980, como Estado salvou o setor privado nacional e quebrou a parte pública Algumas modificações dos anos 80 que deram relativa melhora (se é que pode ser chamada assim); critica o Plano Real, dependência de um capitalismo financeiro; exacerba outro tipo de dependência externa (648)  as altas taxas de desemprego atingem todos os trabalhadores, inclusive os de nível superior Cenário de globalização; Plano Real e ajustes serviram a proteção e acumulação da riqueza privada. (650)  desvaloriza a moeda dis pobres; ditadura dos mercados financeiros; austeridade  Estado endividado, debilitado  “o que há, portanto, é um prolongamento do Estado nascido da “revolução de 64”, essencialmente plutocrático, primeiro autoritário, depois liberal” (651)  Os capitalistas ampliaram o poder econômico e politico de que dispunham DIRETAS JÁ: manteve esse esquema, e ainda por cima deixou a ideia de que os problemas se deviam só á ditadura a questão é a plutocracia os agentes por traz. POLÍTICA COMO NEGÓCIO, MEIOS DE COMUNUICAÇÃO DE MASSA. Com a globalização acirrou a condição de concorrência, e consequentemente, os problemas sociais. Cita o avanço da violência ligado ao individualismo de massas (652). Fala das mudanças na família, bem nesse sentido individualista.  Problemas da vida da classe media, tem a ver com as expectativas sobre os filhos, como os pais se tornam provedores de felicidade (654)  Não parecem haver saídas coletivas  Fala que a ideia de nação esmaece (655); cidadão vira contribuinte ou consumidor (656)  Os meios de comunicação tiveram ação decisiva (brasileiro como um homem que passa a vida calculando quantidades de prazer) “chegamos enfim ao paradoxo: o tão decantado individualismo leva ao esmagamento do indivíduo como pessoa” (656) Patologia social; neopentecostalismo; mundo cão; sentimentalismo fácil; degradação do gosto musical (657) Por ultimo, fecham com Adorno: citação sobre investigar os poderes objetivos que determinam a existência individual.
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