Aspectos fonéticos nas produções orais de alunos brasileiros

March 29, 2018 | Author: REDEBOLIVARIANA | Category: Natural Language, Geography, Syllable, Learning, Epistemology


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Aspectos fonéticos nas produções orais de alunos brasileiros aprendizes de espanholMaria Sílvia Barbosa (UNESP/ UNIFRAN/ Uni-FACEF) Ucy Soto (UNESP) Em nossa prática docente percebemos, muitas vezes, que alunos brasileiros, aprendizes de espanhol como língua estrangeira, demonstram algumas dificuldades no que diz respeito à pronúncia da língua espanhola. Essa dificuldade pode ser acarretada por diversos fatores. A partir da teoria da análise contrastiva, podemos dizer que existe uma previsão dos “erros” na aprendizagem de uma segunda língua (espanhol) a partir do conhecimento da primeira língua (português). Nesse sentido podemos citar: Suponemos que el estudiante que se enfrenta a un idioma extranjero encuentra que algunos aspectos del nuevo idioma son muy fáciles, mientras que otros ofrecen gran dificultad. Aquellos rasgos que se parezcan a los de su propia lengua le resultarán fáciles y por el contrario los que sean diferentes le serán difíciles. El profesor que haya hecho una comparación de la lengua extranjera con la lengua nativa de los estudiantes tiene más probabilidad de saber qué problemas van a surgir y puede prepararse para resolverlos (LADO, 1957, p. 2-3). Assim, podemos dizer que existem os sons idênticos nas duas línguas que não criarão dificuldades na aprendizagem. Teríamos também os novos sons na língua estrangeira, sem equivalência na língua materna, em que é muito possível alcançar uma produção muito próxima. E, por último, há os sons similares nas duas línguas que são os mais passíveis de interferência e que, possivelmente, são os que provocarão mais problemas na aprendizagem. Com vistas ao ensino da língua espanhola em contexto brasileiro devemos considerar três conceitos preliminares, de acordo com Listerri (2003), para que a 3061 sabendo que nossas observações foram no nível fonético e. ou seja. Ainda é necessário que o professor tenha consciência do grau de “precisão fonética”. Já o ensino de pronúncia. nível intermediário. o grau que se deseja alcançar na produção oral dos estudantes. Pensando em todas as considerações acima. Tentaremos. O professor deverá. Para tentar observar algumas ocorrências próprias desse público. São eles: o ensino da fonética. em algum momento. Assim.conscientização e o ensino de pronúncia sejam abarcados nesse contexto. é preciso que sejam oferecidos modelos das variedades utilizando materiais autênticos. é uma das destrezas que todo aluno necessita dominar quando aprende uma língua estrangeira. Considerando. aprendizes de espanhol como língua estrangeira. ao contrário. o ensino da pronúncia e a correção fonética. dependendo da medida que se tome para a observação. enfrentar a correção da pronúncia com cautela. 3062 . assim. realizamos uma pesquisa com alunos brasileiros. muitas considerações foram feitas sobre alguns aspectos passíveis de observação nessas produções. que outros casos e ocorrências podem existir. A variedade geográfica em língua espanhola é muito importante. acústicas e perceptivas dos elementos segmentais e supra-segmentais da língua. Por isso deveria fazer parte dos conteúdos de qualquer plano curricular e o professor teria que incorporar às suas atividades em aula. ainda. E a correção fonética é necessária quando na produção oral se detectam erros que é preciso corrigir. apontar alguns deles. O ensino de fonética consiste em uma reflexão explícita sobre o sistema e deve ser considerado para a formação de um especialista para que adquira um conhecimento formal e detalhado das características articulatórias. a seguir. que no ensino de pronúncia é necessário que haja o apontamento de alguns objetivos. optamos por gravar (em áudio) as produções orais desses estudantes. Entretanto. acreditamos que a correção e consideração da pronúncia devam ser abarcadas no planejamento de cursos de espanhol como língua estrangeira. mais especificamente a entoação e o ritmo e que muito colaboram para uma produção próxima à do nativo falante. A título de conclusão.Salientamos que não usaremos a fonte contemplada pelo Alfabeto Fonético Internacional. que consideramos importantes no ensino de pronúncia da língua espanhola como língua estrangeira e que formam parte de um notável conjunto de fatores para a produção oral. no entanto. Sabemos. uma vez que a produção oral é uma importante destreza na aprendizagem de uma língua estrangeira. como os aspectos prosódicos. Dessa forma descreveremos de forma sintética cada um dos aspectos e tendências dos brasileiros: • • • • • • • Abrir “e” e pronunciar como “é” Abrir “o” e pronunciar como “ó” Prolongar as vogais tônicas Introduzir “i” depois de “p” ao final de sílaba Introduzir “i” depois de “c” ao final de sílaba Introduzir “i” depois de “g” ao final de sílaba Pronunciar “s” como “z” entre vogais São apenas alguns aspectos. Referências 3063 . esses não são fatores considerados no presente estudo. que outros preceitos devem ser considerados. 1992. C. Hacia el español: curso de lengua y cultura hispánica. C. CELADA. M. BECHARA.]: Arco/ Libros. letras e ideas.. ALMEIDA FILHO. 2002. CELDRÁN. El español coloquial: situación y uso. 278 f. M. 1995. F. T. 195-483. Unicamp.. São Paulo: Saraiva.. S. GRAMÁTICA ESPAÑOLA. Madrid: Editorial Gredos S. F. [S. A. G. O espanhol para o brasileiro: uma língua singularmente estrangeira. A. Campinas. E. 1994.. l. ALCINA. Fonética y fonología.]. 1988. (Col. 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