A Charge ‘Ano Novo’ e Análise do Discurso

March 31, 2018 | Author: Silvia Cobelo | Category: Editorial, Newspapers, Semiotics, Communication, Psychology & Cognitive Science


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CLARETIANO - Centro Universitário – Polo São PauloCurso de Graduação em Letras - Português - Licenciatura Silvia Cobelo A Charge ‘Ano Novo’ e Análise do Discurso ATIVIDADE 10˚ SEMANA Disciplina: Linguística: Pragmática, Análise do Discurso e Filosofia da Linguagem Tutora: Marília Valencise Magri São Paulo Outubro, 2016 ................ 03 A Charge ‘Ano Novo’ e Análise do Discurso ............................... 10 Referências ................. 04 Utilizando AD para examinar a peça de Duke ................................ 04 Introdução ............................ SUMÁRIO Atividade Proposta ............ 04 Algumas considerações sobre o contexto do meio e o autor ....................... 11 2 ......................................................................................................................................... 07 Conclusão ...................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... otempo. Análise do Discurso e Filosofia da Linguagem. A proposta colocada pela docente diz: A Análise do Discurso (AD) é um campo de estudos que. Acesso em: 2 dez. realizada por sujeitos sócios históricos e que utilizam da materialidade da linguagem para fazer significar. Você deve responder: o que é discurso e como a instauração desse objeto vem romper com a tradição dos estudos linguísticos feitos anteriormente ao surgimento da AD? (MAGRI. “Análise do discurso e mídia: a (re)produção de identidade” como complemento bibliográfico. 2015. tem como objeto de análise produção de efeitos de sentido. 3 . em diálogo com áreas avizinhadas do saber. Diante disso.Atividade Proposta Esta atividade faz parte da disciplina Linguística: Pragmática.jpg_gen/derivatives/main-charges-resize_620/image.br/polopoly_fs/1. Com base no referencial estudado. confeccione um breve texto no qual. você defina a concepção de discurso.com.1388445483! image/image.767332. 2016:13). Figura 1 Charge “Ano Novo”. Foi sugerido o texto de Gregolin (2009). por meio da análise da charge apresentada. analise a charge a seguir e faça o que se pede: Fonte: Disponível em: <http://www.jpg>. confirmando uma influência do dialogismo de Bakhtin. com sentidos sempre obliterados pela fala e criados entre o presente e a memória do passado. editado na França postumamente em 1916 graças às suas próprias fichas e notas guardadas por seus alunos. 4 . 1983. algo sempre único. o qual ocorreu no dia 9 de Novembro de 1989. em um mundo convulsionado pela crescente globalização. abstrato e social) e fala (concretização das regras. Ele teria levantado algumas questões com a heterogeneidade constitutiva do discurso. Segundo Maria do Rosário Gregolin (no prelo) a mudança de abordagem proposta pela dicotomia langue/parole2 de Saussure possibilita que a língua possa ser descrita e explicada como um objeto. realizada por um sujeito individual)”. como também dos estudos de Foucault e Certeau. muito antes da conferência em questão. E torna-se um objeto da Linguística ao podermos descrever seu funcionamento e funcionalidade como uma instituição social. um estudante ouvirá muito o nome do grande filólogo suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913) e sua famosa obra – uma compilação de aulas dadas em três cursos na Universidade de Genebra – Curso de Linguística Geral. quando ainda estávamos nos estertores da Guerra Fria. 1 Flávia de Freitas Berto (2014:74) traz a definição de Hjelmslev para os mesmos termos: expressão e conteúdo 2 Conforme Gregolin (no prelo:5): “língua (sistema de regras. no prelo:8-12). pois menciona a queda do muro e a fragmentação da União Soviética – que só ocorreu após o primeiro evento. 3 Aqui parece haver um erro ou má colocação da autora. Os discursos apresentam uma intertextualidade que os liga à História. Saussure é responsável pela definição do signo linguístico como significante (imagem acústica) mais o significado (imagem psíquica/conceito)1. AD). conceito também assumido pela Análise do Discurso (daqui em diante. mas criado com palavras comuns e nada originais. e transformações da esquerda3. A Charge ‘Ano Novo’ e Análise do Discurso Introdução Certamente ao cursar Letras. A pesquisadora descreve uma conferência de Michel Pêcheux oferecida em 1983. (GREGOLIN. verbais e não verbais. não apenas focada no indivíduo e seu presente. Flávia de Freitas Berto (2014:96-97) recorda que o fator das condições de produção é um dos elementos ponderados pela AD. Algumas considerações sobre o contexto do meio e o autor 5 .Izidoro Bilkstein (2009: 41-42) cita Benviste (1974) ao caracterizar o discurso por uma enunciação que supõe o enunciador e seu destinatário. dentro de um momento específico da história da humanidade. justamente por ter como objeto a produção de sentidos efetuada por cidadãos utilizando uma linguagem. convencer. A função do discurso seria portanto a de persuadir. podendo ser excelente instrumento para analisar um cartum ou charge. como a peça apresentada para análise nesta atividade. pois a Pragmática aprecia os interlocutores de forma individual. que aqui assume o título de enunciatário – aquele quem o enunciador quer convencer a colaborar ou a responder de maneira coerente com o que foi requerido. manipular veladamente o destinatário do mesmo. Cita a definição de AD de Possenti (2007:363-364) como “um ‘outro’ da Pragmática” (aspas do autor). no qual os indivíduos enunciam o que podem/devem dentro de sua função histórica. social. além de considerar os diferentes meios e gêneros textuais. ideológica . que tomam decisões de interação. ao contrário dentro do percurso discursivo. Em outro artigo Gregolin (2007) reconhece ser a AD uma ótima ferramenta para examinar eventos discursivos. ressaltando a importância social e histórica no mecanismo do discurso . 5 O Tempo. geralmente divulgado em jornais.]não existe caricatura inocente. propagando a opinião formal do meio em questão 6. que tem o aval da chefia na hierarquia de poder dos jornais. 2009 apud PILLA e QUADROS. publicado no final do ano de 2014. “sendo via de regra constituído por quadro único” (FLORES. Como a criação de charges é alimentada por outros discursos. [. privilegiando o comportamento humano e suas contradições” continua produzindo um efeito cômico por muito tempo após sua publicação. 2009:13). para rir. acreditamos que se encaixa melhor na definição de cartum. destruição. Quem diria? Um desenho mata muita gente” (Adghirni. oferecida pelo artista ao povo. é parte do imaginário de uma época. apud PILLA e QUADROS. Provocou incêndios. projetando e reproduzindo concepções sociais e ideologias circulantes. para provocar. rompimento de contratos diplomáticos e comerciais. exagerar) costuma ser uma sátira ou crítica política é um “comentário ilustrado feito com base em um fato recente que tenha se tornado notícia publicada em jornais diários e revistas semanais ou veiculada em telejornais”.. e muitas vezes como editorial gráfico. apesar da página em questão estar fora do ar. 6 Os autores citam Adghirni (2009). O humor gráfico dessas obras.br/capa . Armando Pilla e Cynthia Boos de Quadros (2009:8-10) explicam que geralmente os artistas combinam ilustração e texto como um discurso para criticar fatos e/ou personagens em momentos históricos determinados. “é uma forma de opinião explícita. Já o cartum. geralmente com temáticas versando sobre o cotidiano. geralmente notícias. que o cartum 4 foi publicado no jornal de mineiro da cidade de Contagem. 2002:14. meio que até hoje publica material do cartunista Duke. para alertar o cidadão e exprimir o sufoco da sociedade em determinados momentos [. 2009:8). Acesso 21 out. editoriais de jornais e outras mídias. como neste exemplo oferecido pela Atividade. em Paris no dia 7 de janeiro de 2015..otempo. criado em 1996. por abordar “situações atemporais. entrevistas.com. O Tempo5. 6 .] Usa-se com fins específicos. a charge (proveniente do termo em francês charger.. com versão impressa e digital. que em português tem a acepção de carregar.Sabemos pelo link fornecido. Charge é carga. 2016. muitas vezes ressaltam um mesmo evento já abordado 4 Apesar do material a ser analisado ter sido apresentado como uma charge. Disponível em: http://www. Pesada. manipulações políticas e muito mais. Podemos adicionar a recente chacina com doze mortos e vários feridos na redação da publicação satírica Charlie Hebdo. Segundo o verbete da Enciclopédia INTERCOM de Comunicação (2010:161).. br/visa/humorBios. Disponível em https://pt.com. ela vê a charge”. Vecchi. Acesso em 22 out. É uma crônica. 8 Otacílio Costa d'Assunção Barros nasceu em 1954 e trabalhou nas mais icônicas publicações de HQ. aumentando a intertextualidade. 2016. em Belo Horizonte e ilustra livros. 7 . Acessos em 21 out. o quadrinista e escritor carioca Ota 8 e pleiteou que o chargista “tem que ir a fundo numa informação. pelo menos será visto: “Mesmo que a pessoa não entenda ou não ache graça. ou em último caso.gov. “Quando a piada vira notícia . percebem as charges. só que desenhada”. editor do suplemento infantil Tempinho (jogos e diversão) e Supimpa (HQ. das classes A e D.saude. como Ebal.wikipedia. e para “compreender a relação dialógica estabelecida entre texto-autor-interlocutor. Mostra Cultural ‘Vigilância Sanitária e Cidadania’ [Disponível em: http://www. e claro. identificar os julgamentos e opiniões colocadas em jogo numa dada circunstância comunicativa” (PILLA e QUADROS. jogos e entretenimento). Os mesmos autores acima recomendam que ao analisar charges se faça uma leitura contextualizada de suas condições de produção em relação ao seu momento histórico e social. deixou claro seu posicionamento artístico ao ser entrevistado pelo O Jornal do Humor em 2011 (ver link na nota sete).wikipedia. Muito premiado (conferir detalhes em seu site pessoal). 2016.org/wiki/Duke_(cartunista)]. Wikipédia [Disponível em:https://pt. e mais adiante ele dirá que 95% dos leitores. Duke Chargista [Disponível em: http://dukechargista.ccs. por seu mentor.wordpress. tem que destrinchar uma informação. salão Internacional de humor Gráfico.por esses mesmos veículos. Contou ter sido influenciado pelo O Pasquim e da revista Chiclete com Banana. Duke organiza o BH Humor.Entrevista: para Duke. além de ter publicações diárias nos jornais mineiros O Tempo e Super Notícia. revistas e peças publicitárias.html] e principalmente de sua entrevista para O Jornal do Humor. Formado em cinema de animação pela Escola de Belas Artes da UFMG. chargista deve ir a fundo na informação” (Postado em 12 set. tradução de HQ clássicos como Luluzinha e Recruta Zero e remasterização de Asterix.org/wiki/Ota_(cartunista). que atingem 30 a 40% do público 7 As informações sobre este ilustrador foram retiradas de várias referências. 2009:12). defendendo sua criação como um verdadeiro texto a ser decifrado. como sua própria página.br/biografia/].com/2011/09/12/entrevista- para-duke-chargista-deve-ir-a-fundo-na-informacao/]. hoje responsável pela seleção. O ilustrador Duke nasceu em Belo Horizonte em 1973 como Eduardo dos Reis Evangelista7. revista Mad. 2011) [Disponível em: https://ojornaldohumor. ao contrário do que ocorre com as matérias e crônicas. ou análises sobre suas possíveis consequências O próprio Duke reconhece uma das características da AD.com. 2016. com a intenção de ironizar. criticar ou denunciar. serem suas peças opiniões sobre fatos e não reportagens. Duke acompanha os teóricos estudados ao afirmar a importância dessas peças por seu conteúdo: assuntos do dia a dia.767332. satirizar. trazendo uma visão do humor aos temas políticos ou sociais.1388445483! image/image. representa uma cena comum: um casal parece estar celebrando o Réveillon juntos em um romântico encontro jantar a dois. Neste caso observa-se a presença de um processo discursivo irônico. pois ele mesmo afirma.jpg_gen/derivatives/main-charges-resize_620/image.otempo. 9 Disponível em:http://www. Ele admite que essas ilustrações somete serão inteiramente compreendidas se a pessoa estiver ciente do contexto.leitor. Fig. Acesso em: 22 out. Utilizando AD para examinar a peça de Duke O cartum “Ano Novo”. como pode ser visto na figura abaixo.jpg.br/polopoly_fs/1. mas relembra que suas criações podem ter um efeito catalisador e estimular ao leitor a procurar a informação que lhe falta pra entender a mensagem da charge/cartum. Mas algo surpreende: eles estão se comunicando via mensagem de celular. na qual o presente e o passado histórico se unem para formar um sentido no destinatário – os leitores: “A charge traz a visão do humor da atualidade e permite que o leitor tenha sua interpretação”. 8 . 1: Charge “Ano Novo”9 Dentro da AD a essência de todo sistema de comunicação e toda linguagem é acima de tudo ideológico e a charge e o cartum são bons exemplos disso por estarem referenciados em fatos/personagens geralmente conhecidos do público. Vamos então à análise em si. denunciar problemas e acontecimentos culturais. Tanto poderia ser um casal adolescentes ‘arrumados para sair. publicados na obra Ironia em Perspectiva Polifônica. Outro fato curioso é a mesa. e gerando muita das vezes o humor. O objetivo de quem ironiza é desmascarar valores que se colocam como únicos e verdadeiros. pelo aspecto caricaturesco da figura feminina. Claro. como colocou o próprio Duke em sua entrevista. mas o da masculina poderia ser um drinque alcoólico. colocam roupas de festa. ou até pessoas bem mais velhas – afinal hoje são comuns intervenções estéticas. na qual os homens bebem vinho/cerveja/drinques enquanto as mulheres sorvem seu canudinho seu refrigerante ou suco natural. mais nada que possa oferecer mais alguma referência. descartamos um casal de idosos. Devemos destacar um detalhe: apenas pelos traços do desenho. 9 . como se fosse um bar. por possuir vários sentidos. 2008:42). pois além do casal sentado à mesa. é que ela não tenha nascido mulher e seja transexual ou esteja travestida. tem apenas dois copos sobre a mesa. que apesar de ter uma toalha de restaurante (as cadeiras também parecem de um). 1996:129-130 apud Sousa. explicando a camisa dele e o batom dela – note-se que não vemos joias ou relógios. Essa figura também pode representar jovens adultos. como um refrigerante ou suco – pois vemos um canudinho.requerendo uma cumplicidade dos interlocutores do discurso. implantes capilares e/ou cabelos tingidos. sociais e históricos (Brait. mas o intervalo possível de idades é muito grande. acessórios costumeiros em casais mais adultos. Os estudos de Beth Brait (1996). o qual supostamente estaria celebrando o Ano Novo. Ao observar a imagem do casal. momento em que as pessoas aqui no Brasil se vestem de branco e se não estiverem na praia. pode-se dizer que a natureza da ironia é a ambiguidade. confusão aumentada pela falta de mais informações. tornando a interpretação impossível de ser resolvida. mas também algo sem nada etílico. mas que foram compartilhados em parte por Ana Caroline Luiza Sousa (2008) em seu artigo sobre charges e cartuns com temas relacionados com a política: Desse modo. Outra alternativa possível. chama atenção o traje muito informal para ser considerado adequado para um festejo de final de ano. não podemos saber a idade do casal. invertendo a versão comumente vista. com um jogo que envolve o criador/enunciador e o seu leitor/enunciatário entre o dito no enunciado e a intenção do enunciador quer dizer. livro ao qual infelizmente não obtivemos acesso direto. apenas vemos suas sombras. O copo da personagem feminina parece conter vinho tinto. Disponível em: http://exame. como veremos aqui) é o fato mostrado no desenho e nos balões de texto: eles estão se desejando Feliz Ano Novo através de mensagem de texto. No dia dois de fevereiro de 2016 chegou a um bilhão de usuários. 2016).br/tecnologia/brasil-e-um-dos-paises-que-mais-usam- whatsapp-diz-pesquisa/ . que ao não permitir um contato direto com outro. poderiam ser evidências de que esse casal não é mais jovem. mas adulto com mais de quarenta anos. Acesso em 22 out. 10 . E completa que essa nova linguagem não exige pontuação e acentuação. quando o aplicativo ainda não era conhecido. muito mais expressivos que a única exclamação usada e pelo uso exclusivo de maiúsculas11. nessas mensagens se admitiria tudo. e trazer alguns estudos sobre esse meio de comunicação e sobre mensagens de texto e relações sociais. Mas o que faz essa peça ser engraçada (ou não. aponta também o abuso dos celulares. como uma nova forma de conversa que permite a todos falar e interagir com os seus de forma permanente e segundo ela. O texto mostra ser datado ao criticar a substituição da voz por “frases curtas. Aqui devemos fazer um parêntese. Essa contradição provocaria um riso irônico. aceita omissão de vogais e o uso de vários idiomas de forma intercalada. sempre que se possa entender o que se diz. impedindo a forma usual de olhares diretos. ignorando o uso do aplicativo via internet como Whatsapp.:6). menos ainda no nosso país. Exame. com 76% dos assinantes de celulares10 A peça pode ser lida de forma negativa. Laila Hallar (2010:5-6) comenta o uso massivo de mensagens de texto.abril. Redação Tecnologia (30 jun. seco e nada romântico Feliz Ano Novo ao invés de dizer isso de forma convencional.com. com uma boa pitada de tristeza alheia e claro. e de emoticons (símbolos que substituem palavras).com. 10 “Brasil é um dos países que mais usam WhatsApp. que surgiu em 2009. sem matizes nem tons” (Ibid. 2016. se consideramos o seguinte contexto: eles estão em um relacionamento desgastado e por essa razão preferem enviar uma mensagem de texto desejando um ao outro o um automático. mais notadamente por mais jovens. apenas um ano antes da confecção desse artigo. desumanizaria a comunicação. Por outro lado. por identificarmos a nós mesmos ou a entes queridos que talvez quisessem fazer isso na noite de Ano Novo. diz pesquisa”. olhando-se e talvez até brindando de mãos entrelaçadas. sendo o Brasil a segunda nação com maior uso. A falta de abreviaturas na resposta dela nas palavras você [vc] e também [tb]. muito mais no caso do Brasil. inclusive com arquivo eletrônico. Portanto o moço não acha nada demais escrever. ela responde. ao contrário. pois além de não ter uma expressão desgostosa. ou seja. Essas condições possibilitaram que essa peça fosse produzida. dentro do contexto histórico-social brasileiro do ano de 2014. e talvez não usando as costumeiras abreviações pelo uso da função de completar as palavras mais usadas.Mas claro. Ela também não parece se afetar negativamente com seu modo de comunicação. ou até sua irmã (o nariz é igual). 2016. podemos fazer várias leituras. a confecção deste artigo). mais de uma forma de decodificar o enunciado. como se estivesse gritando (explicando as maiúsculas) “FELIZ 2014!” (e sem emoticons pois pensa serem estúpidos) ao desejar à moça que está com ele – que talvez nem seja seu interesse amoroso – pois poderia ser uma amiga. podemos também fazer outra interpretação. O cartum de Duke é um discurso criado por um artista mineiro. O cartum de Duke então seria uma constatação irônica de uma grande realidade atual: o uso do celular praticamente como uma extensão do corpo humano. que são as regras de etiqueta recomendadas no uso da internet. que como vimos antes. grifos exagerados”. Acesso em 22 out. também em voz alta. Conclusão Como vemos.wikipedia.org/wiki/Netiqueta . que para os leitores daquela mídia no final de 2014 devem ter sido diferentes dos nossos. usando a contração de uso coloquial pra. Disponível em: https://pt. com suas própria convicções. suscitando determinados efeitos de sentido. possibilita uma ambiguidade que interessa na AD. pois o enunciatário poderá imaginar uma das duas explicações acima. perpetuando ainda mais o cartum (inclusive possibilitando. 11 . encontramos como a primeira regra: “evitar enviar mensagens exclusivamente em maiúsculas. não seria diferente. publicada em um jornal com boa circulação. é um dos países no qual mais se enviam mensagens de Whatsapp. algo condizente com um bom texto. como pode ser visto em sua entrevista. No caso de uma ação comunicativa. metalinguisticamente falando. sempre dependendo de sua realidade social e histórica. ou alguma outra. Referências: 11 No verbete Netiqueta. Esse casal poderia muito bem ter ao redor de 25-30 anos. com maiúsculas e seguindo a convencional resposta “PRA VOCÊ TAMBÉM!”. ser de uma geração acostumada a se comunicar com mensagem de texto (celular e mídias sociais). 11. 2014. jun.Universidade Nacional da Patagônia Austral: Rio Gallegos: Disponível em: http://publicaciones. 9.PDF. 4-7 setembro de 12 . 2016. Rodrigo de. ENCICLOPÉDIA INTERCOM de Comunicação GREGOLIN. Matrizes 8. v.br/matrizes/article/view/82936/85975. 2016. São Paulo. Proceedings of the 15th international conference on Human-computer interaction with mobile devices and services. [no prelo]. 159-178. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 5.usp. “Charges: uma leitura orientada pela Análise do Discurso de linha francesa”. Disponível em: http://www. Acesso em 21 out. CHURCH. _____. 2010. Araraquara: UNESP.11-25. p.unpa. “El uso del celular como forma de comunicación”. Laila. 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