118273-Parte 1 - Geografia Humana

March 25, 2018 | Author: Lucas Oliveira | Category: Geography, Sociology, Science, Homo Sapiens, Germany


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CAPÍTULO 1Geografia, Ciência em Construção Origem e evolução da Geografia A Geografia pode ser considerada como uma das mais antigas disciplinas acadêmicas. Surgiu na Grécia Antiga com o nome de História Natural ou Filosofia Natural. Mesmo antes de aparecerem com o nome de Geografia, muitos estudos possuíam uma conotação geográfica, sobretudo os que tentavam associar as características do meio ambiente às atividades das pessoas e das diversas sociedades. A Geografia ao longo da Antiguidade Clássica (greco-romana) Hábeis navegadores e comerciantes a nação de Homero desenvolveu e acumulou um vasto conhecimento sobre o ambiente e os fenômenos naturais, principalmente os que influenciassem a navegação, fato de suma importância para a sustentação desta civilização. Em virtude de suas habilidades e atividades deixaram para a geografia um vasto legado para a posteridade, dentre os mais importantes estão a descrição do rio Nilo e seu período de cheias anuais e diversos estudos detalhados sobre diferentes paisagens e lugares do planeta. Dentre os diversos personagens dos estudos desenvolvidos pelos gregos podemos destacar, Aristóteles cujos estudos filosóficos e observações astronômicas levaram-no a ser o primeiro a afirmar que a Terra tinha o formato esférico; Teofrasto, discípulo de Aristóteles, escreveu a história das plantas relacionando-as ao clima, e que após ter viajado pela Europa, Ásia e África em 31 a. C, escreveu no ano 17 a.C. uma obra constituída por 17 volumes, com o título de Geographicae (ou Geografia), porém os fatos mais importante é que com esse filósofo o nome Geografia aparece pela primeira e iniciam-se estudos regionais, sendo por isso conhecido como o pai da Geografia Regional. Além desses filósofos e estudiosos podemos incluir neste verdadeiro panteão geográfico Eratosthenes que em pleno último século antes de cristo realizou um preciso cálculo da circunferência da Terra com uma margem de erro de menos de 5%. Vale salientar não se acreditar, nessa época, na esfericidade do planeta, porém o seu mais importante trabalho foi um tratado sistemático sobre Geografia e principalmente, porém sem tirar o mérito dos outros Cláudio Ptolomeu (Claudius Ptolomaeus, 90168 d.C.), que já em seu primeiro trabalho intitulado Almagesti ou Grande Obra, defendia que a Terra ficava no centro do Universo. Essa teoria, denominada geocentrismo, prevaleceu durante mais de mil e quinhentos anos, até ser substituída pelo heliocentrisno de Copérnico (1473-1543), que colocava a Terra como parte de um sistema comandado pelo Sol. Posteriormente utilizando-se de dados desenvolvidos por outros pensadores como Hiparco, Strabo e Marinus de Tiro além dos seus próprios, Ptolomeu escreveu A Geografia, onde listava as latitudes e longitudes do mundo conhecido da época, com instruções das técnicas de mapeamento. Apesar das falhas, essa obra constituiu-se na principal orientação geográfica até o fim da Renascença. Com a conquista da Magna Grécia no quarto século antes de Cristo os romanos passaram a nutrirem-se do vasto e vigoroso conhecimento desenvolvidos pela cultura helenística e passaram utilizá-los e adaptá-los às suas necessidades e interesses. Um exemplo típico deste fato é o astrolábio (chamado dioptra pelos gregos), instrumento de navegação desenvolvido pelos gregos, que foi amplamente utilizado pelos romanos. Ao longo de séculos de esplendor e conquistas a sociedade romana deixou para a Geografia conhecimentos variados de lugares outrora desconhecidos. Descrições precisas sobre climas, vegetações, relevo e culturas das áreas conquistadas na Ásia, África e Europa foram realizadas por poetas, filósofos e generais ao longo de quase 400 anos de conquistas e expansão. Dessa portentosa civilização podemos destacar o primeiro esboço de reforma agrária tentada pelos irmãos Graco (Caio e Tibério), tribunos da plebe, durante o período republicano; Diversas obras de engenharia como a construção de aquedutos, pontes e termas; obras literárias com descrições geográficas precisas como a Eneida de Virgílio, a História de Roma, escrita por Tito Lívio e a obra de César sobre as suas conquistas. Por outro lado ao tomar contato com as sociedades conquistadas Roma absorveu, utilizou e recriou técnicas e conhecimentos novos como a introdução de novas variedades vegetais e técnicas de plantio. A Construção da Geografia ao Longo da Idade Média Após a queda do Império Romano o conhecimento ocidental, passa a vivenciar uma clara dualidade: De um lado os árabes tornam-se os verdadeiros herdeiros da Geografia grega, tendo traduzido muitos desses escritos para o árabe. Recuperaram e aprofundaram os estudos geográficos gregos apesar de ter havido, nesse período, algumas regressões: a partir de 900 a.C. a latitude e a longitude deixaram de constar nos mapas árabes. Motivados por suas viagens comerciais, esse povo desenvolve um excelente sistema de orientação e de mapas onde o Leste ou Oriente aparece como referencial, isto é, as terras orientais ficavam representadas na parte central e superior dos mapas e não as terras do Norte, como hoje em dia. Podemos destacar como contribuições desta sociedade o sistema de classificação climática elaborado por Al Idrisi no século e os estudos e descrições de vastas áreas da Europa, Ásia e África do sábio Ibn Battuta, que culminaria com uma categórica crítica contestatória a teoria aristotélica de que o mundo quente não era habitável. Por outro lado, enquanto os árabes preservavam o conhecimento greco-romano e até aprofundavam o conhecimento geográfico, o mundo ocidental europeu submergia na Idade Média, onde todos os conhecimentos científicos, inclusive o geográfico entraram em processo de estagnação e até em decadência, uma vez que só a concepção divina podia explicar o mundo, seus fenômenos e relações. Somente pós o século XV, com as grandes navegações européias é retomado o interesse pela descrição geográfica e o mapeamento, inclusive pode-se confirmar o formato redondo da Terra após a viagem de circunavegação de Fernão de Magalhães. Modernidade, Burguesia e o Renascimento Geográfico No início da Idade Moderna, a sociedade européia passa a resgatar a cultura greco-romana rompendo de vez com o Teocentrismo, passando a valorizar o Homem (Antropocentrismo). Várias ciências, inclusive a Geografia, passam a ser resgatadas dos antigos, porém o fato mais importante e que serviu de mola propulsora para o desenvolvimento de conhecimentos e tecnologias, foi o surgimento de uma nova classe social, a burguesia. Desenvolve-se com esta classe emergente ligada ao artesanato e ao comércio, e que valorizavam o trabalho, uma nova maneira de pensar e agir mais pragmático e empreendedora. Com seu objetivo de lucro constante e enriquecimento, a classe burguesa rompe definitivamente com o espírito contemplativo que marcara até então o pensamento e as ciências ocidentais, passando a incentivar o desenvolvimento de conhecimentos e técnicas práticas que engendrassem ampliação dos negócios. Como exemplos desta verdadeira revolução no conhecimento científico podemos destacar a utilização da bússola, trazida do Oriente pelas caravanas de comércio européias; a constatação do movimento de rotação da Terra por Galileu Galilei em oposição à crença, difundida na Idade Média, de que a Terra era estática e plana e o Sol, junto com todos os astros, giravam em torno dela; a evolução da Lei da Mecânica Celeste de Kepler, a formulação da Lei da Gravitação Universal por Isaac Newton, a construção de navios mais velozes, o aperfeiçoamento do relógio e introdução da pólvora na sociedade européia, porém utilizada como instrumento de morte e não para shows pirotécnicos como era utilizada pelos seus inventores chineses. Paulatinamente o planeta passa a ser ocupado e conquistado pela civilização ocidental européia. Das primeiras expedições conquistadoras e exploratórias as terras americanas, asiáticas e africanas passam a ser palco de expedições colonizadoras e científicas. Rapidamente naturalistas, cientistas sociais e naturais, historiadores e botânicos cobrem as vastas áreas conquistadas descrevendo paisagens novas e principalmente levantando e analisando as riquezas naturais e potencialidades desses regiões. Nesse momento prolifero em construção de novas idéias e técnicas pensadores do porte de Goethe, Kant, Montesquieu e Hegel, preocupados em relacionar os seres humanos com o ambiente, deram importantes contribuições aos estudos geográficos, surgindo assim a fundamentando o que futuramente seria denominada de Geografia Social, além de outros ramos da Geografia como a Geografia Antropológica e a Geografia Política. No final do século XVIII ainda não podemos nos reportar a existência de uma ciência Geografia, posto que esta ainda não existia como disciplina independente, não apresentava desenvolvimento autônomo, com princípios gerais norteadores próprios estando umbilicalmente ligada à história e às ciências naturais. Podemos nos reportar até então à existência de um “pensamento geográfico” permeado por valores de ciências que lhes são comuns, como a Biologia, a História, a Matemática, a História Natural e a Filosofia, portanto apresentava-se neste contexto sobre o que podemos chamar de forma matemático-descritiva, posto que se confundia com a Matemática (forma e dimensão da Terra), Cartografia (elaboração de mapas e cartas) e Astronomia (estudo dos diferentes astros, seus movimentos, etc.) ou preocupava-se apenas com a descrição das paisagens das regiões conquistadas. O século XIX é marcado pela grande produção científica, ampliação-estruturação das áreas conquistadas, pela progresso econômico-social, pela primeira crise do capitalismo industrial e surgimento do capitalismo monopolistafinanceiro e pela elaboração de postulados que tentavam justificar a existência de “raças” superiores. No centro do turbilhão do final deste primeiro milênio as ciências humanas, biológicas e sociais atingem seu ponto de maturação. A Sociologia tem seus alicerces concretizados com Augusto Comt, criador do Positivismo e a Biologia desenvolvem através de Lamarck e Charles Darwin a teoria evolucionista. Por outro lado o botânico alemão Alexandre Von Humboldt, (1769 - 1859) e o filósofo e historiador também alemão Karl Ritter lançam as bases da chamada “Geografia Moderna”. Humboldt participando de várias explorações científicas, realizando descobertas notáveis forneceu importantes contribuições à Geografia, principalmente com seus estudos sobre o meio natural deixou para a posteridade várias obras sendo a obra Kosmos, onde procurou descrever o Universo mostrando a interrelação entre todos os seus elementos a mais importante delas. Por seu turno Karl Ritter, defendia a utilização de todas as ciências para o estudo da Geografia e o princípio da relação entre a natureza e os seres humanos, fato bem claro na sua mais importante obra: 'Die Erdkunde' (Ciência da Terra, 19 volumes, 1817-1859). A partir destas duas obras e das diversas contribuições desses e de outros cientistas o pensamento geográfico rompe a barreira empírico-descritiva que o marcara até então, passando a elaboração de um arcabouço teórico onde ficava claro um método analítico e o verdadeiro papel desta nova ciência: Identificar as relações entre os fenômenos que ocorrem nas diversas paisagens da superfície do planeta, bem como a relação destes com as diferentes comunidades humanas em sua ação transformadora. Dessa forma passou-se à sistematização do conhecimento geográfico, estabelecendo-se leis gerais, bem como a explicar os diferentes fenômenos que ocorrem sobre a superfície da Terra e suas inter-relações, tornando-se a Geografia uma verdadeira ciência acadêmica, elaborada, pensada e ensinada nas universidades. Acontece que para esclarecer o momento nascedouro da denominada “Moderna Geografia” é preciso contextualizá-la ao que foram os séculos XVII e XIX. Os anos que marcaram para a história da humanidade a Idade contemporânea européia (século XIX) foi consagrado pelo desenvolvimento das tecnologias que proporcionaram a eclosão da Revolução Industrial. Neste momento a técnica ao dispor total do homem promove um crescimento tal que a quantidade de bens é centenas de vezes superior a necessidade da sociedade. As Escolas Geográficas Nesse ambiente progressista e conturbado a Geografia já instituída como ciência dá a luz as suas primeiras correntes de pensamento. Claro que neste momento quando falamos da Moderna Geografia, nos reportamos a uma nova ciência, que não surgiu de repente de forma espontânea ou por obra e graça de um grupo de pensadores e intelectuais e sim pela acumulação das influências e pensamentos advindos da antiga geografia clássica, construída ao longo de séculos e milênios por diversos filósofos e pensadores, porém que tomando o conhecimento e domínio das novas técnicas e descobertas científicas, procurou enriquecer, modificar ou sedimentar os conceitos e modos de pensar, elaborado pelos cientistas e pensadores que a precederam. Portanto as primeiras correntes do pensamento geográfico foram bastante marcadas idéias e ideais do momento histórico que se vivia e por conseguinte pelos interesses dos diferentes grupos dominantes. O Determinismo alemão A primeira corrente de elaborada pela moderna geografia é um exemplo clássico do pensamento europeu do século XIX e resume no seu bojo, reflexos da formação acadêmica do seu autor e forte influência das teorias Evolucionista Lamarckista/Darwinista e Positivista de Comt da ordem e progresso. Seu criador Frederico Ratzel possuía formação acadêmica em Zoologia e Etnografia e introduziu no pensamento geográfico postulados e axiomas que mesmo sorvendo os estudos gregos, cuja civilização escravista necessitava de uma fundamentação teórica para justificar a sua supremacia perante outros povos, considerados, por eles, inferiores, fundamentou-se nos pensamentos sociais e biológicos do pensamento científico europeu do século XIX. Na sua obra marco, Antropogeografia o autor deixa bem claro que o homem pouco podia fazer perante as condições naturais, ou seja, o Homem mesmo dominando técnicas avançadas, continuava dependente das benesses e condições climáticas e ambientais para sobreviver e desenvolver-se. Segundo o determinismo, ”o espaço natural determina as formas de sua ocupação pelo homem”. Afirmavam que o clima era capaz de estimular a força física e o desenvolvimento intelectual das pessoas. Sendo assim, os habitantes das regiões temperadas, seriam mais desenvolvidos do que os habitantes das zonas tropicais. Acima de tudo convém destacar o ambiente de formação dessa corrente geográfica: a Alemanha em seu momento de unificação sob a liderança do reino da Prússia. Entrando na Revolução industrial mais tarde do que seus vizinhos europeus a Alemanha em menos de 50 anos passou a competir diretamente com a França e principalmente com a Inglaterra. Por outro lado vivia a Alemanha a frustração de ter sido deixada de fora da partilha da Ásia e da África. Ressentimento e ufanismo eram os antagônicos sentimentos que grassavam os corações e mentes da sociedade germânica. Neste ambiente o Determinismo Geográfico passou a assumir para os geógrafos alemães o papel central na construção de um arcabouço teórico que justificasse a superioridade do povo alemão, capaz de dominar o mundo e de recuperar o tempo perdido através da guerra. O Determinismo Geográfico serviu de mola mestra aos interesses geopolíticos alemães e para formulação por geógrafos alemães como Haushofer da geografia política moderna ou Geopolítica, ou seja: o ambiente influenciando a política de uma nação ou de uma sociedade, através do conceito de “espaço vivo” ou “espaço vital”, fundamentador do belicismo gerador da Primeira Grande Guerra e que quase meio século após a sua morte, foi utilizado pelo Partido Nacional Socialista (Nazista) para justificar a expansão territorial alemã e a anexação de territórios, anterior à Segunda Guerra Mundial. O determinismo teve vários seguidores até a metade do século XX, principalmente na América do Norte. O Possibilismo francês O ambiento de nascimento da teoria possibilista transbordava uma multiplicidade de fatos, atos e pensamentos, muitos antagônicos, porém convergentes para a elaboração do núcleo central de uma teoria revanchista e dominadora. A França vivia a humilhação da retumbante derrota sofrida em 1870 para a Prússia, na Batalha de Sedan, onde de uma só enxurrada cai por terra a fracassada experiência do Segundo Império, com a prisão do próprio Napoleão III por Bismarck; Perde a rica região mineralógica da Alsácia-Lorena; é obrigada a pagar aos alemães uma pesada indenização e acima de tudo assiste a contragosto a unificação alemã cujos festejos acontecem no palácio de Versalhes. Como conseqüência interna aguçam-se os conflitos entre as classes sociais e os grupos políticos, colocando em front opostos os populares parisienses e o governo da 3ª República recém instalado em Versalhes, desembocando como culminância na Comuna de Paris. Contudo, mesmo humilhada externamente e solapada por processos convulsivos internos a França possuía o segundo maior império colonial do planeta, estando, portanto no palco das disputas imperialista-coloniais. É como conseqüência deste contexto de forte efervescência política e nacionalismo exacerbado que o Estado francês passa a dar mais importância aos estudos geográficos iniciando a construção de uma teoria geográfica própria. Dentre os grandes geógrafos da época podemos destacar Elisée Reclus e Paul Vidal de La Blache, representantes típicos das antagônicas ideologias que permeavam a atmosfera francesa: Reclus ligado a Comuna de Paris, simpatizante dos ideais socialistas de igualdade civil e da auto gestão democrática e popular. La Blache ligado diretamente ao pensamento político dominante de forte nacionalismo, expansionismo, imperialismo e dominação. O primeiro foi em virtude do seu pensamento excluído da vida acadêmica e exilado. Já La Blache desenvolveu uma série de estudos regionais, onde procurava explicar que o meio exercia influência sobre o homem, porém este tinha possibilidades de transformar e melhorar o meio de acordo com as capacidades técnicas de que dispunham, ou seja, La Blache destacava que existiam possibilidades ambientais que poderiam ser aproveitadas ou não pelas sociedades humanas. Estava definitivamente fundada a Escola Francesa ou Escola Regional e lançada a Teoria Possibilista. Se na teoria o Possibilismo parece constituir-se em uma espécie de anti-Determinismo, na prática foi apenas uma forma de Determinismo atenuado, ou uma adaptação menos radical do Determinismo (Observe que La Blache no desenvolvimento da sua Teoria Possibilista não considera a Geografia como uma ciência do homem e sim uma ciência o lugar) em virtude do momento político vivido interna e externamente pela França. Internamente com a perda da rica região da Alsácia - Lorena a França necessitava encontrar outras áreas produtoras, que suprissem as suas crescentes necessidades internas por matérias primas. Neste contexto o Possibilismo com seu método de análise regionalista, literalmente sem trocadilhos, possibilita ao governo francês um melhor conhecimento dos recursos naturais do seu território, criando dessa forma uma política otimizada de utilização destes recursos. Externamente o Possibilismo tornou-se uma forma escamoteada de justificação da dominação francesa (e posteriormente de outros impérios) sobre os povos não ocidentais. Entre o final do século XIX e início do século XX a França vivenciava um momento posterior ao processo de conquista das vastas terras na África e Ásia, era o momento da consolidação de seu império colonial , não necessitando portanto de uma teoria radical de superioridade da raça branca sobre os nativos já conquistados que terminasse por desfechar em extermínio desses, e sim de uma outra teoria cujo o intuito seria confundir os interesses dominadores e conquistadores encobrindo-o sob um manto humanitário, cujo principal objetivo seria levar a civilização aos povos incultos e inferiores, porém capazes de ser educados e absorvidos pela civilização ocidental. A Geografia Teorético-quantitativa Nos anos 50 do século XX, eclode a denominada revolução teorético-quantitativa. Embasada no positivismo lógico possuía como objetivo tornar os estudos geográficos mais “científicos”. Para tal intento utiliza como fonte de conhecimento uma visão epistemológica da ciência, principalmente as ciências naturais, com mais propriedade a física. O raciocínio hipotético-dedutivo é considerado o mais relevante para o estudo do objeto central da ciência geográfica, bem como a teoria foi consagrada como ponto culminante da intelectualidade. No fim dessa década, o computador e o satélite davam novo apoio à Ciência Geográfica. A Geografia introduz no bojo dos seus instrumentos investigativos a estatística e passa a utilizar a linguagem matemática, interagindo com outras ciências como: a Engenharia, a Economia, a Sociologia. Surgem novos estudos geográficos como, hierarquia das cidades, definição de áreas industriais e pólos de crescimento, a partir dos dados acumulados. A New Geography, como também ficou conhecida essa forma de fazer Geografia, rompe com o academicismo e passa a atuar ligada ao planejamento tanto público como privado. No entanto convém salientar que é neste momento que a Geografia passa a ser considerada uma ciência social, mesmo que os estudos da natureza e da humanidade acontecessem muito mais, como processos de adaptações. Do Arcabouço teórico desta corrente é importante destacar que pela primeira vez o espaço aparece como conceito-chave da disciplina geografia, enquanto os conceitos de paisagem e região passam a um plano secundário dentro dos estudos geográficos. Os conceitos de paisagem, lugar e território são quase que completamente deixados de lado perdendo praticamente suas significâncias. Por outro lado o conceito de região passa a ser subestimado e visto apenas como o resultado de um processo classificatório de unidades espaciais elaboradas segundo um método de agrupamento e divisão lógica segundo técnicas estatísticas. Porém as formas pelas quais esta corrente geográfica considera o espaço são muito simplistas: de um lado através da noção de planície isotrópica, e de outro como sua representação matricial. Convém aqui descrever o que vem a ser uma planície isotrópica. A planície isotrópica é apenas uma construção teórica racionalista do espaço onde admite-se como ponto de partida uma superfície uniforme tanto no que concerne ao meio natural (relevo, clima, vegetação, etc.), quanto no que diz respeito a apropriação humana ( densidades demográficas, distribuição da renda, padrões culturais e econômicos racionais que buscam minimizar os custos e maximizar os lucros). Neste esquema teórico de espaço não existem empecilhos para a circulação, que pode ser realizada sem dificuldades para todos os quadrantes. Como vemos a planície isotrópica fundamenta-se na homogeneidade, posto que é constituída de lugares iguais, porém sobre ela ocorrem ações e mecanismos econômicos que terminam por acarretar diferenciações do espaço, que em si é vista como expressão de equilíbrio espacial. Convém ainda salientar que nessa planície a variável mais importante é a distância, que por sí só determina a diferenciação espacial, que pode ser esquematizada em anéis concêntricos de uso da terra, em gradientes de preço da terra ou densidades demográficas intra-urbanas, em hierarquia de lugares centrais ou até da teoria da localização industrial. Economia e Estatística a serviço da apropriação do espaço Demografia e Estatística a serviço da apropriação do espaço Climatologia e Cartografia a serviço da apropriação do espaço O ensino, na Geografia Teorético-quantitativa, bem como na Denominada Geografia Tradicional (Determinista e Possibilista) caracterizou-se pela ênfase na memorização e descrição das paisagens naturais e humanizadas, dissociadas dos sentimentos das pessoas pelo espaço. Essa forma de fazer Geografia influenciou a produção dos livros didáticos até a metade dos anos 70, porém muitos livros, ainda hoje, apresentam alguns aspectos da Geografia Tradicional. Geografia da Percepção ou da Sensibilidade Não se trata especificamente de uma corrente ou Escola do pensamento geográfico e sim de estudos fundamentados sob a influência da Fenomenologia de Husserl e Merleau-Ponty que valorizavam a construção subjetiva da noção do espaço perceptivo. Estes estudos fundamentam-se na multidisciplinaridade, posto que, relacionam-se entre outras áreas com a psicologia de massas e a psicanálise aprofundando ou redimensionando conceitos como os de horizonte geográfico, sociabilidade, percepção do espaço, espaço esquizóide e a percepção de lugar. Geografia Crítica ou Marxista O mundo do Pós-Segunda Guerra foi marcado pelos grandes conflitos ideológicos e sociais. De um lado como regime hegemônico o capitalismo, do outro lado do front, estava o socialismo tentando ampliar sua área de influência e dominação. Permeando essa disputa ideológica encontrávamos um verdadeiro caldeirão fervilhante de fatos que engendravam insatisfações sociais, como a péssima distribuição da riqueza entre os diversos países do mundo, bem como no interior destes; as péssimas condições de vida e o atraso econômico a que estavam submetidas a maioria das populações dos países subdesenvolvidos, etc. desembocando em rebeliões, conflitos, revoluções e movimentos de libertações. É nesta situação carbonária onde a Geografia Tradicional (Determinista e/ou Possibilista) não consegue explicar a intrincada teia de relações que acarretam as transformações espaciais e a Geografia Teorético-quantitativa não quer explicar os conflitos de interesses contrários que acarretam as transformações sobre o espaço, posto que foi utilizada para enaltecer por meios de postulados estatísticos e matemáticos a ideologia capitalista que surge, a partir dos anos 60, a Geografia Marxista. Fundada pelo francês Ives Lacoste e tendo como participantes geógrafos do quilate do brasileiro Milton Santos, de Pierre George e R. Guglielmo, a Geografia Crítica ou Marxista constitui-se numa crítica contundente as outras correntes do pensamento geográfico, visto que estas apenas assumiram um papel simplesmente explicativo e justificador das ideologias dominantes, portanto estando sempre a serviço da dominação e do poder, tentava a Geografia Crítica fazer uma análise das ideologias políticas, econômicas e sociais, defendendo o engajamento do cientista, posto que não bastava apenas explicar o mundo, era preciso transformá-lo. Dessa forma a Geografia Marxista com sua postura política pragmática introduziu, conteúdos políticos aos estudos geográficos, com o objetivo de ofertar instrumentos que ao mesmo tempo servissem para compreensão da realidade social e de instrumento de intervenção para que esta fosse mais justa e igualitária. Para a Geografia Crítica, o verdadeiro foco das atenções passa a ser as relações entre a sociedade, o trabalho e a natureza, visto que é dessa relação nem sempre amistosa, posto que está contaminada pelos interesses antagônicos inerentes a cada realidade social e histórica que se produzem os diferentes espaços. Dessa forma o conhecimento de outras ciências como a história, a economia, a sociologia e a ciência política passam a ser instrumentos mais do que relevantes na explicação da construção do espaço e o método de análise passa a ser bastante questionador e transversal fazendo com que um ramo da geografia não esgote a explicação dos seus fenômenos em si mesmo, mas seja objeto de análise de outros ramos. Atualmente face as novas e complexas relações criadas pela nova revolução tecnológica onde, os espaços são transformados de forma mais acelerada, as informações caminham a velocidade da luz, vive-se a euforia/frustração da hegemonia capitalista neoliberal, bem como a ascensão de um único padrão cultural, a Geografia assume novas e diversificadas tarefas. Por um lado assume um papel reflexivo para a construção da cidadania, posto que somente uma sociedade consciente dos seus direitos e deveres pode transformar o espaço de forma organizada, relativamente equilibrada, e sem grandes desajustes sociais. Por outro lado a Geografia com o seu arsenal de conhecimentos e técnicas apresenta-se como auxiliar ímpar no processo de construção continuado do espaço, posto que, este é o papel a que a sociedade foi destinada e se assim o é que faça-o de uma forma racional, respeitando os limites da natureza, bem como as necessidades de seus pares. O Objeto de Estudo da Geografia Espaço Geográfico: Produção Natural e Social Trecho entre a antiga fábrica da Tacaruna e o Shopping Center (Olinda – PE) O espaço geográfico é uma construção histórica, compreende elementos naturais, isto é, aqueles que não foram modificados pela humanidade e elementos culturais, resultantes da transformação da natureza através do trabalho, sendo chamada também de segunda natureza. Em momentos históricos diferentes, as sociedades transformaram a natureza e organizaram o espaço utilizando as técnicas disponíveis, porém sempre motivadas pelas necessidades momentâneas. Acontece que este espaço, fruto do trabalho humano, motivado por interesses–necessidades individuais ou coletivas , portanto socialmente produzido , também apresenta feições ou características diferentes de acordo com cada sociedade. É por isso que ao observar a paisagem mundial identificaremos algumas áreas onde é quase impossível perceber a atuação humana sobre o espaço natural, ou seja, há um predomínio de aspectos naturais. Porém outras apresentam profundas modificações, onde os aspectos culturais marcam de forma indelével a paisagem. Campos de pastagens ou agriculturas, onde são utilizadas técnicas diversas como terraceamento, curvas de nível, queimadas, adubo industrial, agrotóxicos, irrigação, etc . , indicam espaços onde a primeira natureza foi quase completamente destruída. Ao lado deste poderemos observar áreas onde é praticamente impossível identificarmos aspectos naturais dado o grau de apropriação impetrado pela sociedade. Até mesmo em uma mesma sociedade encontraremos espaços geográficos diferenciados, produzidos por necessidades diferentes, porém que se interpenetram de forma a complementar a sobrevivência do conjunto desta sociedade. Tomemos como exemplo o meio rural onde o impacto das modificações humanas se fez de forma mais branda e diversos elementos naturais foram preservados em contradição ao meio urbano onde a segunda natureza reina e é impossível encontrarmos elementos naturais. O espaço rural produz as matérias primas e os alimentos que serão consumidos pela cidade (e pelo próprio campo), enquanto que o espaço urbano produz os instrumentos (máquinas , enxadas , adubos , agrotóxicos , etc.) que serão utilizados pelo campo. Atualmente podemos afirmar com toda certeza que poucos são os espaços que não sentiram a mão transformadora do homem, posto que as tecnologias disponíveis atualmente são capazes de tornar as áreas mais inóspitas utilizáveis segundo os interesses das sociedades. A Ciência Geográfica ocupa-se dessa dicotomia, desvendando os fenômenos que envolvem os elementos da natureza, junto com a forma de utilização e ocupação desses espaços pelas sociedades humanas. Tendo a Terra como o suporte físico onde coexistem bilhões de seres vivos, a Geografia, através de suas várias especializações, procura explicar a dinâmica que anima o planeta, incluindo os seres humanos que se espalham pelos vários recantos do mundo contribuindo, com modos de vida dos mais variados, para a riqueza e diversidade culturais, fruto do trabalho de gerações passadas, cujo legado é incorporado e enriquecido pelas novas gerações. A Geografia, assim, procura entender a lógica das ações humanas sobre a natureza e a influência da natureza sobre os seres humanos. O espaço apresentado como noção e categoria é o objeto central da Ciência Geográfica, posto que os seres humanos constroem a noção de espaço desde o seu nascimento, até a formalização do pensamento. De uma maneira prática e instintiva a criança ainda em tenra idade vivencia a construção de um espaço íntimo, só seu a partir dos deslocamentos, das distâncias entre si e os demais objetos. Desta maneira através da construção de esquemas mentais que no principio são mais inconscientes do que lógicos todo ser humano vai construindo sua noção acerca do espaço. Posteriormente o espaço passa a ser percebido através da contemplação e observação. Apenas com a chegada da adolescência, quando o pensamento abstrato sobrepõe-se ao pensamento concreto, o indivíduo passa a conceber o espaço estabelecendo relações espaciais através da representação. Somente quando torna-se objeto de estudo da Ciência Geográfica é que o espaço transforma-se em categoria, e como tal pode ser subdividido em:     Espaço / Lugar Espaço / Paisagem Espaço / Território Espaço / Região Categorias do Espaço Lugar A categoria lugar corresponde aqueles espaços com os quais as pessoas estão ligadas intima e afetivamente: A rua, o bairro, a cidade onde se nasceu, etc. São espaços de onde se guardam recordações, mesmo estando por muito tempo distantes. Os lugares são elos de ligação entre as pessoas e o mundo, como nos diz os Parâmetros Curriculares Nacionais, Geografia na sua p. 29: “O lugar é onde estão as referências pessoais e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e construir a paisagem e o espaço geográfico”. Bairro da Boa Vista (Recife – PE) Paisagem A paisagem apresenta uma tênue ambigüidade, posto que, ao mesmo tempo pode ser considerada concreta, por estar relacionada às categorias lugar e território com seus elementos naturais e historicamente construídos pela humanidade, mas por outro lado não pode ser imediatamente tocado, nem tão pouco abarcado de uma única vez já que representa a unidade visível do lugar e território, ou seja, compreende tudo que se avista de um determinado lugar ou território. Tundra Siberiana Por mais transcendental que possa parecer podemos vislumbrar a paisagem de um lugar sem que precisemos estar olhando para ele e até mesmo senti-lo em toda sua plenitude de sentidos vivos: odores, tensões e conflitos, cursos fluviais, formas de relevo, distribuição populacional, estrutura viária, conjunto de construções, a vida e história dos indivíduos que nele habitam, bem como os sucessos e fracassos. Portanto podemos afirmar que na paisagem estão plasmadas as marcas da história de uma sociedade, posto que registros das diferentes etapas da sua construção estão aí impressos impregnando-a de momentos que o tempo vivenciou. Região Regionalização por mistura de critérios históricos, Culturais e Geológicos Regionalização por Aspectos Naturais Regionalização por posição Espacial Regionalização por aspectos Naturais (Regionalizações dentro de Regionalizações) A região implica não apenas uma noção de conhecimento estético, em virtude da gama de relações que envolvem diversos lugares que se relacionam de forma recíproca e solidária. Nela está inclusa a concepção de território, porém em diversos momentos pode transcender esse conceito, visto que pode ultrapassar as fronteiras do Estado-Nação (País) em uma relação de união internacional em busca de novas alternativas de sobrevivência, portanto uma interação supostamente solidária entre lugares na busca de autonomia, desenvolvimento e identidade. São exemplos os diversos acordos econômicos ou políticos celebrados entre países diferentes. Território Não foi a Ciência Geográfica a primeira a definir a categoria território e sim a Biologia que já no século XIX referia-se ao território como a área onde uma espécie, animal ou vegetal desenvolve suas funções vitais, ou seja, o domínio de uma espécie sobre uma parte da superfície da Terra. Somente com a influência do positivismo de Augusto Comte, que incorporou o conceito biológico de território aos estudos da sociedade, Geografia ratzeliana determinista, passa a definir o território como uma fração do espaço geográfico que se identifica pela posse, sendo, por conseguinte área de dominação de uma comunidade, grupo ou de um Estado. SE LIGA, FERA! Exemplos Típicos(Curdos e Palestinos) de que uma Nação pode existir sem o Estado – Nação, porém o Estado -Nação não pode viver sem território, e do exercício do poder per nações mais fortes. Estes conceitos fragmentários do espaço, que envolve posse, dominação e conflitos lançaram a bases da Geopolítica, onde o território passou a representar a área de dominação de um estado nacional. Princípios da Geografia A Geografia possui alguns princípios que a norteiam. Esses princípios foram introduzidos à medida que avançava como ciência autônoma. Princípio da Extensão Teorizado por Frederich Ratzel (1844-1904), segundo o qual, os fatos e fenômenos geográficos materializam-se espacialmente, devendo ser delimitados e localizados na superfície terrestre. O grande auxílio a este princípio é dado pela Cartografia. Princípio da Analogia ou Geografia Geral Exposto por Karl Ritter (1779- 1859) e Paul Vidal de La Blache (1845-1918). Consiste em comparar as áreas estudadas com outras do mundo, estabelecendo as semelhanças e diferenças entre elas. Princípio da Causalidade Desenvolvido por Alexandre Von Humboldt (1769-1859). Os fenômenos geográficos devem ser estudados levando em consideração suas causas e efeitos. Favelização – Causa: Pobreza; Conseqüências: Urbanização desordenada de morros e encostas – Será que existem outras? Aspecto do bairro da Guabiraba (Recife) Princípio da Atividade Formulado por Jean Brunhes (1869-1930). Os fatos geográficos vivem em constantes mutações e são submetidos a agentes internos e externos. A paisagem geográfica possui o novo e o velho. Esse principio defende a temporalidade das relações que se estabelecem no espaço geográfico. A Construção do Espaço de Recife Princípio da Conexidade Formulado por Jean Brunhes. Os fatos geográficos não se apresentam isolados uns dos outros, apresentam conexões ou interligações que o explicam. Natureza e Sociedade se Complementam na alteração do Espaço Divisões da Geografia O que é mesmo Geografia? Em princípio torna-se correto afirmar que não existe uma Geografia Física e outra Geografia Humana já que a Geografia é a ciência que está encarregada de analisar, interpretar e compreender as transformações perpetuadas pelas diferentes sociedades humanas sobre o espaço. Mais do que realidade esta divisão imposta pelo tradicionalismo é mais uma tentativa prática de facilitar os estudos geográficos que, porém terminou por dificultar o verdadeiro papel central da Geografia. Contudo nos estudos geográficos deve-se levar em conta, que essa dualidade implicitamente faz parte da sua singularidade isto é, a busca da compreensão dos fatos e fenômenos que se materializam no espaço, a partir da interligação entre o natural e o social. Desta forma convencionou-se dividir a Ciência Geográfica em dois ramos diferentes: Geografia Física e Geografia Humana. Cada um desses ramos possui várias especializações com objetos e métodos próprios. Geografia ou Climatologia Geografia ou Demografia Geografia ou Astronomia Geografia, Geologia, Geomorfologia ou Hidrografia O verdadeiro papel da Geografia como Ciência não é decorar e descrever de forma estanque conhecimentos tomados de outras Ciências, posto que desta forma torna o ser humano inerte perante o mundo e a realidade que o cerca. O verdadeiro papel da Geografia enquanto Ciência e disciplina acadêmica é tornar o ser Humano consciente da lógica da construção do espaço, tornando-o interventor atuante neste processo de construção-apropriação do espaço. Geografia Física Ramo ou segmento da Ciência Geográfica que estuda as paisagens, dando ênfase aos fenômenos naturais. Neste ramo podemos encontrar várias especializações: Geoclimatologia Hidrogeografia Geomorfologia Biogeografia (Zoogeografia e Fitogeografia) Geografia Humana Ramo da Ciência Geográfica encarregada de estudar o espaço elaborado pelo Homem ou Segunda natureza. Neste ramo podemos encontrar: Geografia da População Geografia Econômica (Geografia Agrária, Geografia da Indústria, etc.) Geografia da Circulação Geografia Política Exercícios 01. Considere o texto que segue. "O homem cria espaços que são produzidos ou organizados, às vezes, muito menos para atender seus próprios interesses e muito mais para produzir e reproduzir o capital. Assim, os interesses do capital podem chocar-se com os interesses dos pequenos proprietários, dos garimpeiros, dos indígenas, dos 'sem terras' ou dos trabalhadores. Chocam-se também com a necessidade de se manter o equilíbrio da natureza." Da leitura do texto é possível afirmar que A) o predomínio dos interesses coletivos na produção do espaço garante a sobrevivência do homem na superfície terrestre. B) sendo a natureza e os seus recursos uma fonte de vida para a humanidade, o espaço deve ser criado e modificado constantemente pelo capital. C) o capital organiza espaços que apresentam garantias de progresso e melhoria dos padrões de vida da população como um todo. D) o espaço reflete a sociedade que nele vive e, principalmente, as relações que se estabelecem entre os homens. E) o meio natural ainda é determinante para a produção do espaço, isto é, em um meio ambiente pouco propício à ocupação humana não há investimento de capital. 02. (UFF) Leia o texto. A maioria das pessoas hoje tende a pensar em cultura como pertencendo a uma determinada sociedade: japoneses têm cultura japonesa, franceses têm cultura francesa, americanos têm cultura americana, e assim por diante. Mas hoje isso tem se mostrado confuso: nós pertencemos à nossa cultura nacional específica, mas muitos de nós no mundo afluente atual também selecionamos – ou pelo menos acreditamos que selecionamos – aspectos de nossas vidas no que pode ser chamado de “o supermercado cultural global”. Um resultado disso é uma profunda contradição (...). Sentimos que pertencemos à nossa cultura nacional específica e acreditamos que devemos estimá-la. Mas também consumimos no supermercado cultural global e acreditamos que podemos comprar, fazer, ser qualquer coisa do mundo que queiramos – mas não podemos ter as duas coisas. Não podemos ter ao mesmo tempo a escolha entre todas as culturas do mundo e a nossa própria individualidade cultural. Ao acreditar ser possível escolher aspectos de sua vida e da cultura do mundo todo, então onde está o seu lar? (...) Podem lar e raízes serem simplesmente mais uma escolha do consumidor? Gordon Mathews. Global culture/individual identity: searching for home in the cultural supermarket. London, Routledge, 2000, p. 9 Identifique a opção cujo argumento traduz corretamente as idéias apresentadas no texto. A) B) C) D) E) A invasão cultural estrangeira, destruindo as culturas nacionais. O consumismo indiscriminado como fator de alienação. O multiculturalismo como resultado das migrações internacionais. A perda das “raízes culturais” como decorrência lógica da urbanização. A identidade cultural problemática no contexto da globalização. 03. Os diversos seres vivos demarcam “espaços” como sendo necessários a sua sobrevivência. Igual situação sempre existiu nas sociedades humanas. Com base no exposto, tradicionalmente a Geografia conceitua “território” como: A) B) C) D) E) área propícia à agricultura que abastece a sociedade. região natural do planeta que é habitada pelo ser humano. porção do espaço, delimitada por fronteiras, onde se exerce o poder. toda porção de terras emersas do planeta, onde se desenvolvem atividades humanas. locais do planeta de onde se extrai o elemento tório, muito útil na indústria atômica. 04. Leia com atenção o texto a seguir e assinale o princípio da Geografia que está implícito em sua redação. “A área investigada situa-se integralmente na zona intertropical do hemisfério sul da Terra. Apresenta relevo plano e relativamente horizontal, que se desenvolveu numa estrutura sedimentar concordante. Enquadra-se na categoria de “relevo tabular”, daí ser chamado de tabuleiro. Esse mesmo tipo de paisagem é encontrado em outras áreas do país, com características semelhantes, mostrando, assim, que em tais tipos de estrutura geológica o relevo apresenta-se tabular. Há regiões em continentes afastados que a situação morfológica é muito parecida com essa referida. Os solos não são muito ricos, do ponto de vista da fertilidade natural, mas vêm sendo empregados para o plantio da cana-de-açúcar.” A) B) C) D) E) Princípio do Atualismo Princípio da Geografia Física Crítica Princípio da Atividade Princípio da Analogia Princípio do Ecodesenvolvimento. 05. (UFC) A teoria determinista teve forte influência da teoria evolucionista de Darwin. Escolha a alternativa que apresenta, corretamente, um princípio do determinismo geográfico fundamentado na teoria da evolução. A) As pessoas podem atuar no meio natural, gerando modificações e determinando seu desenvolvimento. B) A construção do espaço nas diferentes sociedades depende das interações entre elementos sociais, culturais, físicos e biológicos. C) As condições ambientais, em especial o clima, são capazes de influenciar o desenvolvimento intelectual e cultural das pessoas. D) Os grupos humanos devem crescer em seus próprios territórios. Não deve haver deslocamentos, uma vez que o homem é um elemento da paisagem. E) A relação entre a sociedade, o trabalho e a natureza é fundamental na apropriação dos recursos e na produção de espaços diferenciados. 06. Observe: “O espaço é a acumulação desigual dos tempos”. Milton Santos. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Hucitec, 1982. A principal idéia presente nesta frase é a de que: A) A história é a descrição dos períodos históricos e o espaço o lugar de embate entre a sociedade e a natureza. B) O meio técnico-científico-informacional faz com que o espaço torne-se cada vez mais informatizado, acumulando a tecnologia de uma forma igual. C) O espaço reflete as marcas do passado pois é um produto do contexto histórico e porque o tempo aparece materializado em determinados objetos que o compõem. D) O avanço tecnológico permite um maior acúmulo de capital tornando todos os espaços homogêneos. E) A divisão territorial do trabalho não faz com que haja cada vez mais uma acumulação da tecnologia, aumentando as disparidades regionais. 07. Considerando-se o homem como sujeito e objeto do estudo da ciência geográfica, é correto afirmar: A) O homem não pode ser qualificado como o elemento mais importante na construção o espaço geográfico. B) O homem se apropria da natureza e, ao fazer isso, ele a modifica e constrói o que em a ser considerado espaço geográfico. C) A paisagem geográfica já existe mesmo antes de o homem nascer, sendo irrelevante, portanto, considerar a sua atuação na construção do espaço geográfico. D) O principal papel do homem é construir a natureza, tornando-se, assim, o elemento ais importante na organização do espaço geográfico. E) No estudo geográfico, o homem é mais importante que a natureza, sendo desnecessário para a geografia estudar a paisagem natural. 08. Sobre o processo de formação territorial do Brasil, desde o período colonial aos dias atuais, assinale com V (verdadeira) ou F (falsa) as afirmações abaixo. 1. As capitanias hereditárias foram um empreendimento misto – público e privado – em que se associaram os interesses do Estado Português com investidores que podiam desenvolver a plantation açucareira. 2. O processo de interiorização inicial do território colonial português realizado por bandeirantes visava capturar índios. Só a posteirori descobriu-se ouro e isso possibilitou a criação de povoamentos mais a oeste, como a Vila Bela de Cuiabá. 3. As atuais fronteiras brasileiras com os países limítrofes foram definidas ainda durante o século XIX, à época do Segundo Reinado. 4. A estrutura fundiária brasileira não tem nenhuma ligação com o processo de conformação territorial do Brasil. Estão corretas: A) B) C) D) E) 1e2 1e3 2e3 2e4 3e4 09. (Unics) A que categoria geográfica se refere Milton Santos neste fragmento de texto? “Formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá.” (SANTOS, M., 2004:63). Assinale a alternativa correta: A) B) C) D) E) Paisagem Espaço geográfico Território Lugar Região 10. O que significa estudar geograficamente o mundo ou parte do mundo? A Geografia se propõe a algo mais que descrever paisagens, pois a simples descrição não nos fornece elementos suficientes para uma compreensão global daquilo que pretendemos conhecer geograficamente. As paisagens que vemos são apenas manifestações aparentes de relações estabelecidas (...) (Pereira, Santos e Carvalho - "Geografia - Ciência do Espaço") Sobre o conceito geográfico de paisagem é INCORRETO afirmar que: A) as paisagens que vemos são as manifestações físicas dos movimentos da natureza; e o elemento determinante das paisagens de hoje é a sociedade humana. B) as paisagens resultam da complexa relação dos homens entre si e desses com todos os elementos da natureza. C) o estudo da Geografia deve responder por que a paisagem que vemos é tal qual se apresenta. D) a Geografia tem na paisagem a mera aparência: a descrição da paisagem não é suficiente para o entendimento do espaço. E) paisagens, em diferentes lugares, nunca fazem parte de um mesmo espaço, mesmo que sejam integradas no mesmo processo. CAPÍTULO 2 AGROPECUÁRIA A história da agricultura e a história da humanidade se entrelaçam, pois essa atividade surgiu como fruto do esforço desenvolvido pelo homem para superar o estágio de nomadismo e tornar-se sedentário (fato inconcebível sem a atividade agropecuária). Inicialmente os meios empregados para essa superação baseavam-se em ações simples de intervenção do homem nos mecanismos da natureza, tais como: incentivo à germinação, acompanhamento durante o crescimento e proteção a certos vegetais. Após muitas tentativas, experiências e, naturalmente, muitos erros, as diferentes comunidades foram desenvolvendo técnicas que permitiam manipular, manejar e domesticar a natureza de forma que ela lhes fornecesse vegetais com regularidade e características, de acordo com suas necessidades e conveniências. Assim, concentrando as plantas da mesma espécie numa mesma área e conseqüentemente, aumentando a obtenção de alimentos para consumo, o homem possibilitou sua fixação à terra, criando os primeiros povoados agrícolas. Essa possivelmente foi a gênese das primeiras aglomerações sedentárias de onde surgiam as comunidades tribais como a eleição ou a ascensão de um chefe, além da noção de propriedade privada e uma melhor divisão do trabalho permitindo a produção de excedentes, fato que, posteriormente, acarretaria o intercâmbio entre as comunidades. Quanto ao local de surgimento da atividade agrícola, não podemos afirmar que houve um primeiro lugar de ocorrência e depois uma disseminação dessa atividade para outros locais, pois há indícios históricos que ela surgiu de forma independente em algumas áreas espalhadas pelo mundo, entre as quais destacam-se três como principais: o Oriente Médio, sobretudo o crescente fértil (área atualmente pertencentes ao Iraque), Síria, Israel e oeste do Irã; norte da China e o eixo Sul-Sudeste do México (América Central). Base de formação dos primeiros povoados primitivos, como vimos, a agricultura sempre foi a atividade de fundamental importância para a humanidade, quer como fornecedora de produtos alimentares , quer de matériaprima para a elaboração de produtos industrializados. Porém como não vivemos em uma sociedade igual, existem diferenças substanciais entre as nações, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento tecnológico. Coexistem países onde o grau de avanço tecnológico nos sistemas de transporte de pessoas e mercadorias, comunicações e informações está plenamente concretizado. Isso permite a eles partirem para uma política de especialização agrícola e industrial. Sendo essas regiões ricas e modernizadas elas passam a produzir apenas aquilo que lhes é necessário e/ou lucrativo; os que não produzem, partem para buscar em outras regiões. Ao lado desses países ricos, estão países pobres e atrasados, onde não se conseguiu alcançar um elevado nível de desenvolvimento tecnológico. Por esse motivo, vêem-se obrigados a consumir basicamente o que produzem. Além do mais, essa produção quase sempre está sujeita aos rigores impostos pela natureza, além dos interesses daqueles que concentram a terra. Para o primeiro conjunto de países, a realidade criada é a de uma intensificação do comércio em escala mundial; já para o segundo, a conseqüência principal é a fome. Mas um fato notório é que a fome surge não apenas em áreas onde as tecnologias são rudimentares, depende também de fatores políticos e estruturais, como: tamanho de estabelecimento ou propriedade rural, utilização de máquinas, tipo de mão-de-obra, relação de trabalho empregada na agricultura e o direcionamento da produção. Por isso faz-se necessário estudarmos os principais aspectos da agricultura. 1. Conceito básico – é uma atividade do setor primário de grande importância para o homem, pois produz alimentos e matérias-primas. Atualmente a agricultura está intimamente integrada com o setor secundário. Apesar de serem muitas as formas de praticar a agricultura, todos os sistemas agrícolas têm três fatores em comum: O capital – fator que define se o sistema é atrasado ou moderno, intensivo ou extensivo. O aumento da produção está condicionado a um maior ou menor investimento. A terra – define o tamanho das propriedades. Para aumentar a produção é necessário aumentar o tamanho da propriedade. O trabalho – utiliza grande ou pequena mão-de-obra. Qualificada ou desqualificada. FATORES DETERMINANTES E ENTRAVES DA PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA Desde o seu surgimento, a atividade agropecuarista é influenciada por diversos fatores de ordem natural, política e econômica. Em momentos históricos longínquos, a natureza era fator determinante para o pleno desenvolvimento desta atividade, regiões com condições climáticas boas condições de temperatura e umidade, relevo plano ou até mesmo suavemente inclinados margens e deltas de rios, áreas de solos férteis etc. eram as mais propícias para a prática agrícola para a prática agropecuarista. Mesmo na atualidade, em vastas áreas do mundo pobre, estes ainda são pressupostos básicos para este tipo de atividade. O avanço tecnológico tem promovido uma verdadeira revolução na agropecuária, elevando a produtividade daqueles que, dispondo de capital podem adquirir insumos cada vez mais eficaz para elevar a produtividade das suas propriedades agrícolas. Máquinas como tratores, semeadeiras, colhedeiras, colhedeiras, debulhadoras, caminhões, novos produtos, como fertilizantes industrializados, agrotóxicos, além de novas tecnologias, como a Engenharia Genética, que criou os OMGs (Organismos Geneticamente Modificados) ou Transgênicos, estão à disposição de quem puder pagar. Ao lado desses insumos podemos destacar o avanço dos transportes, fazendo com que a produção chegue cada vez mais rápido ao mercado, bem como os incentivo fiscais e subsídios dados por diversos governos aos seus produtores agrícolas como formas incentivadoras da prática agropecuarista em alguns países. Esta atividade, no entanto, subdesenvolvidos, veja como: ainda apresenta alguns grande entraves, principalmente nos países  Inicialmente a pouca política de incentivos para a agricultura de consumo interno, visto que historicamente sua produção subsidiada é a de exportação.  Não-realização de uma ampla reforma agrária, com base na distribuição da terra e distribuição de créditos e financiamentos.  Quebra do forte sistema de intermediação da produção voltado para o mercado interno. Do produtor ao consumidor, o produto passa por vários atravessadores, elevando assim, o preço a níveis estratosféricos.  Quebrar o sistema de trabalho escravo e semi-escravo no campo. Estas medidas organizariam o trabalho no campo, ampliariam, diversificariam e barateariam a produção para consumo interno, bem como acabariam com a violência no campo dos países pobres. PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE Entende-se por produção o quantitativo em espécie de produto agrícola que foi obtido durante um período de safra. A produtividade é calculada a partir da comparação dos resultados da produção entre uma safra e outra. Se houve um aumento da produção em relação aos subsídios e insumos agrícolas envolvidos na produção, dizemos que houve um ganho em produtividade e vice-versa. SUBSÍDIOS E INSUMOS AGRÍCOLAS Subsídios – consiste nos investimentos financeiros que o Estado dispõe para os setores mais rentáveis da agricultura. Os subsídios podem ser disponibilizados em forma de isenção de impostos ou mesmo em dinheiro. Uma agricultura subsidiada pelo governo tende a ser mais produtiva e mais competitiva. Os produtores dos países ricos contam com um alto volume de subsídios governamentais. Insumos - referem-se aos investimentos diretos que os agricultores realizam para o desenvolvimento de uma produção. Defensivos agrícolas, fertilizantes, máquinas, tratores, sistemas de irrigação e etc, são exemplos de insumos agrícolas. Condições para o Desenvolvimento Agrícola. A- Condições naturais I – Climas úmidos II – Solos férteis III – Relevos planos IV – Disponibilidade de água O grau de maior ou menor dependência em relação às condições naturais está relacionado com o nível de desenvolvimento. Porém, hoje, o avanço tecnológico nos países onde a agricultura utiliza técnicas desenvolvidas como: Israel, Austrália e Japão já não se fala mais em condições favoráveis ou desfavoráveis. Outro exemplo é o pólo fruticultor irrigado do Vale do São Francisco. B- Condições sócio-econômicas – são determinadas pelos sistemas agrícolas, ao qual podemos dividir em: Sistema Extensivo – utilizado nas áreas agrícolas subdesenvolvidas, onde o fator principal de produção é a terra, o capital e o trabalho são fatores secundários. A preocupação do agricultor é acumular terás não importando que estas sejam ou não utilizadas em sua totalidade. Mesmo em países subdesenvolvidos a terá tem um caráter de reserva de valor, tendo em vista que é um bem que não se desvaloriza facilmente. Este sistema latifundiarista e concentrador de terras está diretamente relacionado com os atuais conflitos que reivindicam uma maior democratização do acesso a terra. Lavrador arando a terra com carro de boi PROBLEMAS Como geralmente são excluídos das ações governamentais e não têm recursos, os agricultores fazem uso de sementes de baixa qualidade. Poucos investem em adubo (ou fertilizante). Além disso, não existe nenhuma preocupação com a conservação do solo. Ao longo do tempo (poucos anos), acontecerá uma diminuição na fertilidade natural e no rendimento do solo. Quando isso acontecer, a família que estiver trabalhando na terra terá dois caminhos a seguir: 1. Ver-se-á obrigada a engrossar o exército de trabalhadores temporários indo se empregar em estabelecimentos maiores para garantir sua sobrevivência. 2. Assumirá uma postura predatória em relação à natureza, pois desmatará uma área próxima, praticando a queimada como forma de limpar a área para aceleração do plantio , dando início à degradação de uma nova área que futuramente será abandonada. Por isso o nome : agricultura itinerante. Sistema Intensivo – utilizado nas áreas agrícolas desenvolvidas, onde os fatores principais de produção são o capital e o trabalho, aparecendo a terra como fator secundário. Neste sistema o agricultor tem como prioridade utilizar a terra com racionalidade, objetivando o aumento da produtividade e conseqüentemente da produção. SE LIGA, FERA! Vale ressaltar que sistema extensivo não é aquele que apenas de desenvolve em grandes propriedades, mas também o que apresenta porções de terras improdutivas, paradas para a especulação imobiliária. Assim como o sistema intensivo não deve estar associado apenas a pequenas propriedades, mas também a qualquer forma de utilização racional da terra com o fator capital e/ou trabalho predominando. Produção mecanizada de couve. Quadro comparativo Agricultura Sistema extensivo Sistema intensivo Pecuária Sistema extensivo Sistema intensivo PRINCIPAIS FORMAS DE PRODUÇÃO NO MUNDO Sistemas Agrícolas Agricultura da zona tropical ou plantation Esta forma de produção está historicamente relacionada ao chamado pacto colonial. Durante o período de conquista das terras americanas pelos pioneiros portugueses e espanhóis as terras localizadas na zona tropical do planeta eram as mais favoráveis ao cultivo dos produtos mais importantes da época, como a cana-de-açúcar, o cacau, o milho etc. As zonas temperadas onde se localizava a Europa, sede dos países metrópoles, e o em processo de nascimento, Estados Unidos e Canadá, não eram apropriadas para esses produtos, tendo em vista que não existia o desenvolvimento tecnológico atual. Podemos até afirmar que esses fatores de alguma forma afastaram a América temperada do assédio colonizador exploratório que se observou no mundo tropical. Este sistema estava baseado em: latifúndio, mão-de-obra escrava ou mal remunerada e monocultura voltada para a exportação e abastecimento do mercado externo.Como exemplo de plantation podemos destacar a agroindústria açucareira de Pernambuco no passado. Hoje a única diferença é que o estado propiciou uma modernização dando uma nova roupagem ao velho latifúndio. É o sistema típico dos países subdesenvolvidos. PROBLEMAS Vários são os problemas acarretados pela introdução desse sistema agrícola em vastas áreas do mundo, alguns são apenas reflexos desse sistema agrícola, ocorrendo até casos de problemas ambientais e político-humanos em áreas onde esse sistema só foi implantado maciçamente séculos depois.  O primeiro problema aconteceu com a devastação de vastas áreas de vegetação nativa, como a Mata Atlântica brasileira, para a sua introdução. Fato que causou um grande impacto ambiental com a extinção de várias espécies vegetal e animal.  O segundo problemas se deu a partir da tentativa de ampliar a margem de lucro do conquistador europeu, que via no comércio de carne humana, uma fonte de grande lucratividade. Esse tipo de comércio também era utilizado como uma maneira de impedir a acumulação de capital nas colônias (impedimento da comercialização do nativo da terra como escravo, fato que poderia uma pequena elite escravista formada por brasileiros), além de servir como alternativa às constantes fugas dos nativos aos maus tratos do conquistador e seu sistema de trabalho. Para superar esse “pequeno empecilho” à expansão do capitalismo mercantilista, as nações européias promoviam em grande escala a captura e seqüestro de africanos que, a partir daquele momento eram reduzidos a condição de escravos, “meras peças” que iriam tornar produtivas as área de Plantation em lugares distantes da sua terra. Esse seqüestro, além do câncer da escravidão negra, provoca juntamente com a exploração das riquezas naturais da África (que acarretou o esgotamento do solo) a estagnação histórica de vastas áreas desse continente que hoje vive num estágio de aprofundamento da barbárie econômica, política e social.  O terceiro problema foi gerado pelo fato histórico de que a produtividade desse sistema agrícola decorrer do tamanho da área plantada. Isso acarretou a concentração da posse da terra nas mãos de poucos proprietários. Essa concentração foi se aprofundando à medida que as áreas de latifúndios foram crescendo e passaram a absorver as pequenas propriedades de subsistência e médias propriedades policultoras , fazendo com que os agricultores dessas propriedades e suas famílias se transformassem em trabalhadores assalariados , semiescravos ou bóias-frias, trabalhando na Plantation que os alienou da posse de suas terras ou migrasem para os centros urbano causando vários problemas sociais.  O quarto problema está no direcionamento da produção e no seu caráter especulativo. Como ela está voltada prioritariamente à exportação, em algumas áreas, o que se planta depende do jogo de preços marcados. Isso faz com que se plante de acordo com os interesses do mercado externo (ou até o interno) e do lucro do latifundiário, não estando, portanto, ancorada em nenhum tipo de compromisso com o mercado consumidor interno, que pode simplesmente ficar abandonado. Provocará com certeza, nas áreas onde está instalada, um grave déficit alimenta e a fome endêmica, fatos que implicarão a importação de alimentos, fazendo o país gastar parte das suas divisas. Sistema de Plantation Agricultura de jardinagem O Sudeste Asiático apresenta uma forma de agricultura muito característica da região, que se desenvolve em países pobres, como Vietnã, Laos, Camboja, e em países ricos como Japão e a província chinesa de Taiwan. Nesses países o arroz é cultivado em planícies inundáveis e até em áreas montanhosas onde são construídos terraços. As principais características da jardinagem são: escassez de espaço para o plantio, utilização de numerosa mão-de-obra manual, pequena propriedade agrícola, elevada produtividade, uso de adubos e irrigação. Sem dúvida ao assistir filmes sobre conflitos como a guerra do Vietnã você já observou imagens dos arrozais asiáticos, onde camponeses trabalham nos campos de arroz das planícies inundáveis. A rizicultura (cultura do arroz) faz desse alimento o principal dessas populações, cultivado em grande escala em pequenas propriedades por unidades produtoras familiares. Os cuidados com o solo e com as lavouras resultam em alta produtividade e rentabilidade. É um sistema intensivo em trabalho, tendo em vista, que desde a preparação dos terraços alagados, plantio e colheita, exige um cuidado extremo e um número grande de pessoas envolvidas. Por este motivo recebe o nome de jardinagem, pois é tratado como se fosse um jardim. É uma agricultura bastante influenciada pelas monções de verão. PAÍSES ONDE É PRATICADA Filipinas, Tailândia, Indonésia, China, Taiwan, Japão. Um fato marcante a respeito destes dois últimos países é que a qualidade de vida das populações praticantes desse tipo de agricultura melhorou após a realização da reforma agrária. Com o incentivo do governo, um pequeno lucro é gerado após a comercialização da produção, possibilitando, assim, investimentos para a nova safra que gerará um excedente do capital, admitindo a melhora a cada ano das condições de trabalho e da qualidade de vida da família. Colheita do arroz no Vietnã. Terraços irrigados na China. Agricultura Itinerante ou de roça (Rotação de terras) Está ligada a forma mais primitiva de utilização da Terra. O cultivo é feito através da coivara (desmatamentoqueimada-plantio-abandono da terra). A queimada provoca uma redução na fertilidade do solo fazendo com que após o período médio de 3 anos o agricultor abandone a área em busca de outra para realizar o mesmo processo. Este tipo de agricultura está voltado primeiramente para a alimentação familiar, caso haja excedente, o que é pouco provável, poderá ocorrer à comercialização do produto. No sul da faixa do deserto do Sahel, na África, em domínios tropicais submetidos a longas secas, a subsistência tradicional baseia-se na rotação de terras. Depois de alguns anos de cultivo, os campos de sorgo, milhete ou cevada são deixados em pousio. Nesses campos, crescem naturalmente as acácias, plantas da qual se extrai a goma-arábica. Esse sistema, capaz de recompor a produtividade de solos marginais, encontra-se em retração, provocada pelo crescimento demográfico e a escassez de terras. Realização da coivara. (desmatamento) Rotação de Culturas Realização da coivara. (queimada) Pode se caracterizada como um sistema intensivo em mão-de-obra, baseada na divisão da terra em partes e na mudança periódica dos produtos cultivados, evitando o esgotamento dos solos. Procura-se associar produtos cujos níveis de exigência do solo sejam distintos, assim uma cultura que exige mais é substituída por outra que exige menos, diminuindo o desgaste excessivo do solo. É muito comum se observar também a rotação associada à pecuária onde durante o período entre o plantio e a colheita o gado é criado preso em estábulos e após a colheita é solto na área alimentando-se do resto da produção e fertilizando o solto através de seus excrementos. No sul do Brasil é comum a rotação anual de culturas onde o milho e a soja são cultivados no verão e o trigo a de inverno. Um exemplo comum é o do agricultor que divide sua propriedade em três porções: planta em uma delas, cria um pequeno rebanho em outra e deixa uma terceira em descanso. Feita a colheita, essa parte do solo sofre desgaste de nutrientes e por isso entra em descanso; a que continha o rebanho é adubada pelo gado e está boa para ser cultivada; a que estava em pousio possui bastante pasto e receberá o gado. Dessa forma, o proprietário utiliza a terra o ano todo, produz com lavoura e com criação e tem sempre uma parte dela sendo recuperada sem grandes despesas. Mas a prática exige grande número de trabalhadores para dar conta das diversas atividades realizadas. Rotação de Culturas Agricultura Moderna (Agrobusiness) É a agricultura típica de países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os países da Europa Ocidental. Caracteriza-se pelo uso de sementes selecionadas, pequena mão-de-obra, uso intensivo de máquinas, técnicas modernas e caráter empresarial. Podemos destacar também:    Pequenas propriedades reunidas em cooperativas formando grandes áreas monocultoras especializadas e extremamente comerciais denominadas “Cinturões Agrícolas”; Total mecanização e uso racional do solo atingindo altos índices de produtividade; O governo promove subsídios como assistência técnica em laboratórios de pesquisa e apoio financeiro. Os exemplos mais conhecidos dessa forma de agricultura são os cinturões agrícolas do sul dos EUA. Cinturão de milho (Corn belt), Cinturão de algodão (Cotton belt), Cinturão de pecuária (Ranching belt) etc. É a denominação dada às atividade agrícolas que empregam insumos e inovações tecnológicas desenvolvidas mais recentes. Utilizam maciçamente fertilizantes, pesticidas, sementes selecionadas e mecanização nas atividades agrícolas. É praticada predominantemente nos Estados Unidos, Europa, Centro-Ocidental e em alguns trechos da América do Sul como os campos de trigo da Argentina e a sojicultura Mecanização na colheita do trigo. desenvolvida no serrado brasileiro. No início, era restrita apenas aos médios e grandes produtores agrícolas; nas últimas décadas, teve algumas de suas técnicas e recursos, como utilização de inseticidas e sementes selecionadas, adotadas por parte dos pequenos proprietários e agricultores de subsistência. EMPRESAS AGRÍCOLAS - CARACTERIZAÇÃO São sistemas agrícola típicos de países desenvolvidos (temperados), como: Canadá, Estados Unidos, Austrália, União Européia, pequenos trechos da Argentina e do Brasil. São praticados em pequenas e médias propriedades onde se atingiu, através de maciços investimentos de capital, grande produtividade. Essa produtividade foi conseqüência da utilização de sementes selecionadas e melhoradas geneticamente, do uso intensivo de fertilizante, do elevado grau de mecanização em todas as etapas do processo produtivo (preparo do solo, plantio e colheita), da utilização de silos para o armazenamento da produção e, principalmente, do sistemático acompanhamento de todas as etapas de produção e comercialização por técnicos, engenheiros e administradores. Funcionam como empresas cuja produção é voltada ao abastecimento tanto do mercado interno quanto do externo, dependendo da demanda e do valor comercial. PROBLEMAS Concentração de terras nas áreas onde foram instaladas essas empresas, pois vários produtores que não conseguem acompanhar a elevação dos níveis de produtividade perdem competitividade e acabam forçados a vender suas propriedades. Elas apresentam os principais produtos agrícolas, seus maiores produtores e exportadores. Podemos notar que entre esses se destacam os cereais, como: arroz (típico de áreas quentes e úmidas), o trigo, vegetal considerado o mais nobre de todos os cereais (típico de clima temperado), além da soja. Isso deve-se aos fatores mercadológicos, visto que, tanto pode servir para o consumo humano, como para a alimentação animal (com exceção do arroz), e também deve-se à facilidade com que se armazenam : são secos, portanto pouco perecíveis e de fácil transporte. Produtos como o café e o cacau são destinados ao consumidor mundial, através de bebida e especialmente doces. Podemos acrescentar ainda, o item chá, cujos maiores produtores são: a Índia, a Sri Lanka e a China, além do milho originário da América e base alimentar da América espanhola. Existem produtos agrícolas que , apesar de não estarem inclusos nesta lista, são destinados prioritariamente à industrialização e que merecem destaque. Cinturões agrícolas nos EUA. A produção para as agroindústrias A agricultura e a pecuária modernas são desenvolvidas de modo intimamente ligado à indústria. Os produtores já plantam ou criam seus rebanhos com sua produção voltada para as agroindústrias, que compram e industrializam as mercadorias, deixando-as prontas para o mercado consumidor final. Nesse contexto, cada vez mais os agricultores vão se tornando uma peça na engrenagem de produção nos moldes capitalistas. Assim, a produção tem de obedecer a normas do mercado, normalmente regulado pelas grandes corporações alimentícias ou pelo mercado consumidor direto. Entre essas normas estão o alto grau de qualidade, a homogeneização dos produtos e a adaptação a especificações técnicas como, por exemplo, peso e tamanho mínimo, aparência etc. Essas especificações são feitas para que haja maior aproveitamento na indústria, diminuição de custos de produção, produção em escala, possibilitando preços finais mais baixos. As grandes empresas compram muito e de muitos agricultores (ou pecuaristas), que cultivam (ou criam) determinado produto em uma região e tornam-se fornecedores exclusivos delas. Para conseguir cumprir as metas estabelecidas, o produtor precisa investir pesadamente em maquinários, na qualidade das sementes (ou do seu rebanho), em cuidados que possam dar maior retorno ao capital investido. Nem sempre ele tem disponível o montante de dinheiro necessário, recorrendo, assim, a financiamentos. Muitas vezes esses investimentos são financiados pelas próprias agroindústrias que dão suporte técnico aos produtores. Estes costumam recorrer também aos bancos para financiar sua produção. MORAES, P. R. Geografia Geral e do Brasil. Ed. Harbra. p. 540 Apropriação da Terra 1. Propriedade Privada Encontrada nos países capitalistas onde a terra pertence a uma pessoa, a um grupo de pessoas ou a grupos econômicos. Nos países subdesenvolvidos, é comum a aquisição de terras como reserva de valor ou ainda podemos acrescentar que estes países muitas vezes arrendam suas terras para empresas estrangeiras que se apropriam da produção e comercialização direcionadas para a exportação e não para o consumo interno. 2. Propriedade Estatal Está bastante associada a forma utilizada na antiga URSS. Estava dividida da seguinte forma: os Kolkhozes e os Sovkhozes. Os Kolkozes eram cooperativas de camponeses e resultaram da reunião de várias propriedades particulares. Formaram, assim, grandes domínios agrícolas, o que correspondia a 50% das áreas cultivadas. A maior parte das colheitas era vendida ao Estado, e o restante era comercializado livremente no mercado da fazenda coletiva. Os Sovkhozes eram fazendas pertencentes ao Estado. Os trabalhadores recebiam pagamento do governo e prêmios de produção; também dispunham de assistência médica e escolas nas próprias fazendas. Toda produção era destinada ao Estado. Os Kolkhozes deram certo, por isso foram recriados em países como a China (Comunas Populares), em Israel (Kibutzs) e nos EUA (Colônias Agrícolas). Detalhe: Israel e EUA são capitalistas. AGRICULTURA E MEIO AMBIENTE EROSÃO, DESERTIFICAÇÃO, SALINIZAÇÃO O impacto ambiental da agropecuária manifesta-se com especial intensidade na degradação dos solos. Os solos consistem em recurso potencialmente renovável, pois o desgaste produzido pela erosão é compensado pelo intemperismo da rocha matriz, que forma continuamente solo novo. A vegetação controla o ritmo da erosão: árvores e arbustos reduzem a velocidade do vento; parte da água das chuvas é retida pelas folhas e gramíneas e evapora antes de atingir o solo; a teia formadas pelas raízes das plantas fixa as partículas do solo. A substituição extensiva da vegetação natural por culturas acelera os processos erosivos, que ultrapassam largamente o ritmo de reposição pelo intemperismo. As vertentes de morros e montanhas em áreas tropicais são extremamente vulneráveis a essa ameaça, pois as águas de enxurradas transportam livremente o horizonte superficial dos solos. O plantio em curvas de nível e o terraceamento são técnicas que limitam a degradação dos solos de vertentes. Nos ecossistemas do semi-árido, a erosão acelerada pode deflagrar processos incontroláveis de desertificação. A desertificação consiste num conjunto de mudanças ecológicas regressivas que terminam por reduzir a capacidade de sustentação e a produtividade da terra. A desertificação é deflagrada pela combinação de secas prolongadas com a retirada da vegetação e o pastoreio excessivo. Nessas condições, a erosão eólica transporta o fino material superficial, degradando o solo. Nas últimas décadas, o crescimento demográfico, o aumento da densidade dos rebanhos e a substituição do pastoreio nômade pela criação sedentária vêm degradando os solos do Sahel e provocando a expansão do deserto para essas terras da orla meridional do Saara. A degradação dos solos é causada também pela irrigação descontrolada, associada a uma insuficiente drenagem do terreno. Cerca de 35% da produção global de alimentos é realizada em lavouras irrigadas que cobrem menos de 20% das terras de culturas. A água utilizada atinge camadas profundas do solo, dissolvendo sais e trazendo-os á superfície. Com a evaporação, ocorre a salinização do horizonte superficial que pode destruir as raízes e matar a vegetação. A salinização causada por escassa drenagem de terras irrigadas atinge globalmente cerca de 400 mil quilômetros quadrados. Os riscos associados à irrigação podem ser controlados por técnicas de drenagem artificial. Através de canais, drenos ou diques, a água em excesso é retirada por gravidade ou por sucção. Atualmente, as terras moderadamente degradadas abrangem quase 9 milhões de quilômetros quadrados ou algo com ao área da China. Mais de 3 milhões de quilômetros quadrados são classificados como terras severamente degradadas, tendo perdido por completo as suas funções bióticas. Dois terços das terras desse último grupo encontram-se na África, comprometendo os esforços para o aumento da produção agrícola e a redução da pobreza. AGROPECUÁRIA NO BRASIL No ano de 2000 o setor agropecuário representava 7,8% do Produto Interno Bruto brasileiro , cifras que representam uma regressão em relação a última década quando atingia 8,3%. Os dados representam uma queda da renda do setor e não da produtividade , posto que entre 1994 e 2000 o mesmo setor apresentava crescimento médio em torno de 3,4%. Por conflitante que sejam os dados a queda apresentada no percentual de participação da agropecuária brasileira no conjunto total do PIB , devese a queda continua do preço da commodities , ou seja produtos básicos como o milho , a soja e o café no mercado internacional em virtude do aumento crescente da oferta desses produtos no mundo , além do barateamento da produção de outros países em virtude de fatores estruturais e conjunturais como , aperfeiçoamento tecnológico aplicado a agricultura nos países ricos, pagamento de salários muito baixos ao trabalhadores agrícolas nos países subdesenvolvidos , taxa de câmbio favorável a exportação , subsídios governamentais concedidos à pratica agropecuária por países ricos como os Estados Unidos e os da União Européia , etc. Em relação aos demais países do mundo o Brasil tem se destacado como um dos maiores produtores agrícolas. Este fato deve-se a fatores que atuam de forma isolada ou combinada. Um dos fatores que mais contribuem para que o Brasil gere grandes safras agrícolas é a existência de extensas áreas de terras aproveitadas para a prática agrícola. Por outro lado este já extenso espaço aproveitado, recebe constantemente a anexação de outros , principalmente em áreas de solos pouco férteis e até com limitações à prática agrícola , localizadas em regiões de novas fronteiras agrícolas no Centro-Oeste (expansão da agricultura sobre o cerrado) e na Região Norte. Estas regiões de baixas densidades demográficas são inseridas ao contexto agrícola a partir da utilização de práticas de correção da fertilidade do solo e assistem o desenvolvimento de núcleos agrícolas que crescem rapidamente. O norte do Mato Grosso , o oeste da Bahia , o sudoeste do Piauí , Tocantins , o Maranhão e mais recentemente diversas regiões nos estados do Amazonas , Roraima , Pará e Rondônia são brindadas com esses avanços. Por outro lado a grande diversidade climática propicia o cultivo de uma imensa variedade de produtos, que vão desde gêneros tropicais até variedades de clima temperado adaptadas perfeitamente ao clima subtropical brasileiro. Em outra vertente a regularidade hidrológica de grande parte dos climas brasileiros permitem a efetivação de uma prática agrícola sem grandes sobvessaltos quanto a perda de safras em virtude de longas estiagem, aliás, um dos fatores que contribuíram a expansão da agropecuária brasileira para as áreas de novas fronteiras agrícolas no Norte – Centro-Oeste foi a existência de climas sem variações constantes nestas regiões. Não todemos ignorar o grande aporte tecnológico introduzido na agricultura brasileira. Atualmente a sojicultura é quase 100% mecanizada e a agricultura de cana-de-açúcar apresenta um nível de mecanização em torno de 30%. É bastante comum encontrarmos fazendas modernas onde as colheitadeiras são monitoradas por satélite para levantar informações sobre o solo, que serão utilizadas posteriormente. Um fato doloroso, porém que acarretou uma forte mudança do pensamento do médio e grande agricultor foi o corte dos subsídios e recursos governamentais (atualmente o Banco do Brasil destina apenas 15% dos seus recursos para a agricultura, em 1981 eram 74% e o governo que destinava a vinte anos atrás 18 bilhões de dólares atualmente na agricultura , destina atualmente em torno de 7,5 bilhões apenas). Inicialmente uma grande parcela de agricultores falem ou mudam de atividade, porém os que conseguem sobreviver mudam a sua postura produtiva , buscando fontes alternativas de investimentos , novas modalidades de práticas agrícolas e tecnologia. Porém algumas mazelas também contribuem para que a atividade agropecuária brasileira atinja níveis tão elevados: Existência de uma massa camponesa historicamente expropriada da posse da terra que é utilizada como mão-de-obra de baixa remuneração ou semi-escravizada. Estrutura da terra historicamente assentada sobre o latifúndio monocultor – nem nas áreas de expansão recente esta estrutura foi quebrada. Agora como há séculos surgem propriedades gigantescas, com dimensões médias em torno de 800 hectares, porém que apresentam uma elevada produtividade, visto que investem maciçamente em técnicas de gerenciamento da produção, máquinas e novas tecnologias, começando a desbancar regiões tradicionalmente que apresentavam elevada competência agrícola. Em virtude destas mudanças estruturais e conjunturais a balança comercial agrícola brasileira (diferença entre o valor das exportações e o valor das importações de produtos agropecuários) entre janeiro a julho, apresenta um superávit acumulado de 6,365 bilhões de dólares, superior ao do mesmo período de 2000, 4,932 bilhões de dólares, indicando uma expansão das exportações em torno de 19,1% e uma retração da importação de 23,8%. Estes dados demonstram a importância da agropecuária na pauta de exportações brasileiras, posto que há décadas este setor ocupa uma posição estratégica na inserção do país na economia globalizada. Mesmo com todo ufanismo não devemos esquecer os graves problemas que afligem a agricultura brasileira todos ligados a um passado de dominação colonial que impôs à nossa economia uma orientação que visa prioritariamente satisfazer as necessidades dos principais centros de poder e os interesses dos grandes conglomerados que fazem parte do agribusiness, pouco levando em conta as necessidades internas da sociedade brasileira. Além deste fato devemos lembrar que esta relação atemporal envolvendo estruturas produtivas e sociais arcaico – contemporâneas sedimentou nos grandes empresários agropecuaristas uma postura em relação a economia rural que dificulta sobremaneira a exploração da terra de uma forma ideal do ponto de vista agriculturável e com o objetivo de diversificar a produção voltada para atender as necessidades internas: A terra é considerada um bem particular devendo ser utilizada com a única finalidade de se obter lucro sobre ela , e não como um bem que deva cumprir uma finalidade social , ou seja , gerar alimentos , empregos , ou que de alguma forma acarrete melhoria das condições de vida da população que vive e/ou sobrevive dela. Além da questão da posse , utilização da terra e destinação da produção , coloca-se a nossa frente como um ferrenho entrave à produção para atender as necessidades internas, a comercialização desta produção , que pela ineficiência e falta de organização (estradas sem infra-estrutura e conservação, inexistência de armazéns nos principais pontos de abastecimento, além de fiscalização, financiamento e incentivos governamentais aos pequenos agricultores) , terminou por facilitar o surgimento de um poderoso grupo de intermediários ou atravessadores que terminam por monopolizar a chegada desses produtos aos consumidores. A sua prática “comercial” é extremamente prejudicial ao produtor de quem compra o produto extremamente barato e também ao consumidor a quem vende o mesmo produto extremamente caro. Muitas vezes o produto ao sair das mãos do produtor passa pelas mãos de 4 , 5 ou até 6 intermediários até chegar ao consumidor. Características Gerais O Brasil, no conjunto das nações mundiais, destaca-se como um dos maiores produtores agrícolas. Isso e deve a diversos fatores, dentre os quais:     Ampla extensão de terras agricultáveis; Mão-de-obra abundante e barata; Variedade climática; Capacidade de pesquisa agropecuária. A HERANÇA COLONIAL E A MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA Até o momento da chegada dos dominadores portugueses diversos grupos ameríncolas brasileiros já praticavam a agricultura de forma regular de forma a gerar os alimentos necessários para a manutenção da sua sobrevivência. Estes povos fundamentavam sua prática agrícola na utilização de técnicas bastante rudimentares, como a coivara , que consiste na derrubada de pequenos trechos da mata nativa , sua queima em montículos de vegetação isolados e a preparação do terreno com as próprias cinzas para o plantio. A importância da agricultura para essas sociedades era tão grande , posto que permitiu sua sedentarização , liberando o nativo para dedicar parte do seu tempo (tempo livre) para outras atividades como o artesanato (em cerâmica , palha ou tecidos) , que o próprio ritmo de vida dentro da aldeia dependia da agricultura. Na estrutura tribal as roças são comunitárias, pertencem a todos da tribo e as colheitas são divididas entre todos , porém os instrumentos de trabalho como arcos , machados , flechas , etc. são salvo raríssimas exceções propriedade privadas. Por outro lado a sociedade nativa apresentava em seu seio uma divisão social do trabalho fundamentada no sexo e na idade , que na agricultura reproduzia a repartição de tarefas entre os homens e as mulheres:  Homens – Encarregavam-se da derrubada da mata e pela preparação da terra para o plantio , além da construção dos instrumentos de trabalho.  Mulheres – Encarregavam-se do plantio e da colheita. Desta forma viviam muito bem, em abastança e com uma grande disponibilidade de tempo livre dedicado a criação e prática de outras atividades paralelas como a arte , artesanato , caça , pesca , guerra , cultos religiosos , etc. A Cana-de-açúcar e o Início da Desestruturação da Agricultura Alimentar No início do século XVI ao fincarem os dentes no pescoço da rica pindorama , os portugueses desestruturaram por completo a vida em comunidade e o sistema produtivo do nativo brasileiro. Sempre em busca de bens e riquezas que justificassem os investimentos da coroa, implantaram nas terras brasileiras uma prática agrícola estranha aos costumes dos verdadeiros senhores da terra , que prendia –o a uma forma de trabalho regular durante todo o ano , sem liberdade , além de erradicar as tradicionais práticas agrícolas que produziam-lhe os gêneros necessários para sua sobrevivência. Durante os quatro séculos posteriores a conquista do espaço nativo a agricultura brasileira assentou suas bases sobre o modelo monocultura-latifúndioescravidão, criado pela cana-de-açúcar, que tão bem marcou a estrutura social e econômica da nossa sociedade. Sociedade econômica voltada para a exportação e atendimento dos interesses dos mercados externos, o latifúndio monocultor condenou as populações que viveram à sua sombra ao sofrimento da fome endêmica, já que o latifundiário baseava seus lucros na área plantada. Historicamente a pequena elite latifundiária passou a ampliar cada vez mais a área destinada à monocultura como forma de elevar seus lucros , este fato terminou por dotar a plantation de um status de cultura reinante , que não aceita a convivência com nenhuma outra prática agrícola ou atividade econômica. Por outro lado a ampliação da área destinada à cultura de exportação acarretou uma marginalização da agricultura para produção de alimentos que passa vertiginosamente a ocupar um plano secundário. O suprimento alimentar para aqueles que viviam e subviviam como escravos e trabalhadores livres era praticado em pequenas áreas dentro da própria plantation. Em pequenas áreas não utilizadas para plantar o gênero exportado era permitido cultivar-se a mandioca, base da cultura alimentar do escravo e que até hoje compõe a base principal da alimentação da população de vastas áreas do Brasil. Nos quintais e jardim das casas grandes produziam os poucos alimentos frescos consumidos pelo senhor e sua família. Para os pequenos povoados, vilas e cidades das cercanias a alimentação era garantida por uma parca produção que inicialmente restringia-se apenas as pequenas e péssimas (pois apresentavam baixa fertilidade) faixas de terras limítrofes entre duas grandes áreas de monocultura , onde se plantavam pequenas roças de mandioca , alguns legumes e poucas frutas , posteriormente também as áreas de frentes pioneiras ou recém conquistadas passaram a produzir a carne charqueada e outros poucos víveres. De forma daninha os lucros do açúcar impediram o desenvolvimento de qualquer outra atividade produtiva. Mesmo o gado foi empurrado já no século XVII das zonas de monocultura na Zona-da-Mata e litoral, para as distantes áreas agrestinas e sertanejas para que não prejudicasse a monocultura canavieira. O desenvolvimento da pecuária no agreste e sertão levou para essas regiões não só a civilização , mas também o florescimento de uma agricultura em pequenas roças onde eram produzidos gêneros como milho , feijão , fava , mandioca , etc. que configuravam a base alimentar dos trabalhadores das fazendas de gado. O início do século XVIII marcou um grave período para a agricultura brasileira. Problemas conjunturais, como a concorrência com produtos tropicais produzidos por outras regiões mundiais e o surgimento das jazidas auríferas , o que acarretou a centralização de todos esforços da coroa para a região das minas , provocou a estagnação e danos diversos a economia agrícola brasileira. TIPOS DE AGRICULTURA PRATICADOS NO BRASIL a) Culturas destinadas à exportação – ocupam as melhores terras e concentram a maior parte das propriedades; além disso, sempre recebem ajuda governamental; b) Culturas de subsistência ou voltadas ao mercado interno – ocupam as piores e menores extensões de terra e sempre foram pouco assistidas pelas instituições governamentais. A agricultura brasileira, de maneira geral, sobretudo as lavouras de exportação, sempre basearam sua produção e lucratividade na ampliação contínua da área plantada e na exploração da mão-de-obra (muito barata). Conceitos como eficiência e produtividade são pouco utilizados ainda. A agricultura brasileira, de maneira geral, sobretudo as lavouras de exportação, sempre basearam sua produção na lucratividade na ampliação contínua da área plantada e na exploração da mão-de-obra (muito barata). Conceitos como eficiência e produtividade são pouco utilizados ainda hoje. O trabalhador rural não tem acesso à posse da terra, que sempre esteve concentrada nas mãos dos latifundiários. Desse contexto podemos destacar alguns problemas: a) Êxodo Rural ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ b) Tensões sociais no campo. ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________ A QUEDA DO SETOR AGROPECUÁRIO NO CONJUNTO DA ECONOMIA E A REVOLUÇÃO VERDE Nas décadas seguintes a 1930 com o aumento populacional e os constantes avanços industriais promovidos pela política desenvolvimentista de Juscelino Kubistcchek (1956 - 1961) e pelos ventos do “milagre brasileiro” do regime militar entre 1968 e 1973, consagraram de forma definitiva o Brasil como um país de economia industrial, composto por uma sociedade de maioria urbana fazendo com que o setor agrícola passasse a ter uma importância cada vez menor no conjunto total da economia nacional, e começasse a apresentar problemas crescentes para atender as demandas cada vez maiores em relação as necessidades alimentares e de matérias primas. Um dos maiores entraves era (e continua sendo) a excessiva concentração da terra nas mãos de poucos proprietários que em sua maioria produziam gêneros agrícolas para a exportação. (na década de 1950, o setor agropecuário correspondia a 25% , na década de 1990 esse setor era responsável por 8,3% do PIB , atualmente sua participação restringe-se a 7,8%). Neste momento é importante analisar duas faces específicas da “recriação” da agricultura brasileira: Primeiro a entrada do capitalismo no campo brasileiro ou chamada Revolução Verde projeto desenvolvido na década de 1950 pelos países capitalistas desenvolvidos para intensificar o processo de industrialização da agricultura nos países subdesenvolvidos como forma de ampliar a acumulação de capitais do sistema capitalista através das suas empresas. Instituições como o Banco Mundial, a Fundação Rockefeller e a Fundação Ford desenvolveram e divulgaram várias medidas técnicas para a agricultura. Segundo esses senhores o projeto tinha como objetivo resolver em um período curto de tempo a fome no mundo pobre , porém a conta que não foi apresentada no início iria ser grande , pois o dito projeto previa a utilização de instrumentos como máquinas e tratores, fertilizantes e pesticidas ou seja esta “revolução” implicaria no consumo e utilização de técnicas e produtos desenvolvidos por grandes empresas transnacionais especificamente estadunidenses. Utilizando o poder persuasivo da propaganda, em pouco tempo o campo brasileiro começou a ser tomado pela “Revolução Verde” , foram introduzidas no Brasil sementes híbridas de cereais produzidas em laboratórios , as denominadas VAR (variedades de alto rendimento) , que foram desenvolvidas com êxito em centros de pesquisas agrícolas do México , porém que para apresentarem desempenho ótimo precisavam de todo um aparata de sustentação tecnológico como fertilizantes , máquinas, tratores e defensivos agrícolas. O estágio inicial estava conquistado pelas transnacionais, pois como não existiam esses implementos agrícolas no Brasil e nos países pobres os agricultores passaram a importá-los. O segundo e decisivo passo viria logo após. Com a justificativa de redução de custo desses implementos os governos do mundo pobre (o Brasil incluído, logicamente) facilitam através de incentivos fiscais a instalação de diversas empresas transnacionais como as:  Setores de máquinas e equipamentos agropecuários: Massey Fergunson e Caterpillar (canadense) ; Valmet (finlandesa) e Ford (estadunidense) .  Setor de adubo e fertilizantes: Ultrafértil (estadunidense) , CBA (alemã) e Quimbrasil (argentina).  Setor de Sementes e matrizes avícolas: Agroceres (estadunidense).  Setor de Agrotóxicos: Bayer e Hoechst (alemães) , Ciba Geygy (suíça) e Du Pont (estadunidense). Obs. É patente a elevação desses implementos que passam a ser adquiridos e utilizados por agricultores brasileiros. Como por exemplo:     N.º de tratores em 1920 = 1.706 - N.º de tratores em 1980 = 665.280. Quantidade de fertilizantes na década de 1970 = 275.000 toneladas Quantidade de fertilizantes na década de 1980 = 905.000 toneladas Quantidade de fertilizantes na década de 1990 = 11.400.000 toneladas Obs. Além desses implementos devemos salientar a utilização maciça de agrotóxicos como, herbicidas , pesticidas, etc. na agricultura brasileira , que em virtude do seu uso acentuado e inadequado passaram a provocar graves problemas ambientais contaminando o solo , os lençóis subterrâneos , fontes , rios , etc. bem como matando áreas de vegetações nativas vizinhas aos plantios que os utilizam , além de provocar diversas doenças e morte por intoxicação nas pessoas que trabalham diretamente com eles. Porém a outra face da “Revolução Verde” era sombria. A pretendida erradicação da fome não aconteceu , porém cicatrizes profundas foram deixadas não só no campo , mas em toda a economia brasileira: 1) 1ª Induzidos pela propaganda que mostrava os milagres de produtividade conseguidos com as novas tecnologias diversos agricultores brasileiros adquiriram-na endividando-se sobremaneira com empresas e bancos, acarretando também elevação dos custos de produção. 2) 2ª Aumento da concentração da terra, da riqueza no campo e do poder, pois os proprietários que já eram ricos, por já possuir posse tinham acesso ao crédito fácil para compra o conjunto de novas tecnologias. Por outro lado os pequenos e os pobres proprietários despossuidos de bens e capital continuaram empregando técnicas tradicionais de cultivo do solo e sementes comuns. Resultado ampliação do fosso entre esses dois grupos na medida que o rico proprietário pode elevar a sua produtividade, fato que não foi acompanhado pelo proprietário pobre, que por não dispor das novas tecnologias não pode acompanhar o grande proprietário (até mesmo vários proprietários que tiveram acesso à créditos para adquirir essas novas tecnologias terminaram empobrecendo , visto que não puderam honrar seus compromissos com os comerciantes ou estabelecimentos creditícios). Como resultado vendiam as terras. 3) 3ª Integração entre os setores agropecuarista e industrial. Na medida em que o primeiro passa a fornecer matéria-prima para o segundo, que por sua vez passa a fornecer bens de consumo, como roupas, eletrodomésticos, bebidas, cigarros, etc. Além dos bens de produção como máquinas e implementos que vão ser utilizados no campo. 4) 4ª Especialização da produção capitalista no campo, na medida que começam a sumir da paisagem as fazendas policultoras, que mantinham uma diversificação da produção (milho, arroz, feijão, café, carne, leite e laticínios) para surgir em seu lugar três novos tipos de unidades produtoras no campo: A) Fazendas especializadas na produção de um único produto, laranja, abacaxi, café, soja, cana-de-açúcar, gado, etc. Com interesse de atender uma demanda específica. B) Agroindústrias, encarregadas de transformar diversos produtos agropecuários em produtos industrializados. C) Indústrias para a agricultura são produtoras de bens de produção especificamente para atender as “necessidades” da agricultura como por exemplos tratores, caminhões, ceifadeiras, adubo, defensivos agrícolas e fertilizantes. Obs. Essas duas últimas, podiam estar instaladas no campo ou na cidade, e as agroindústrias podiam ter campos plantados ou receber o produto que irá ser beneficiado de uma fazenda especializada. 5) Neste momento surgem na paisagem brasileira os complexos Agroindustriais onde a agropecuária e sua produção encontra-se encurralada de um lado pelas Agroindústrias que lhe compra a produção para transformar em bens industrializados (indústrias de laticínios, torrefação de café, óleos vegetais, cigarros, etc.) e do outro 6) pelas industrias fornecedoras de máquinas e implementos agrícolas. Este fato por um lado provoca uma elevação da produção, porém torna cada vez mais a agropecuária refém da atividade industrial. A produção de alimentos para aqueles que vivem e trabalham na agricultura (trabalhadores e proprietários) praticamente deixa de existir, passando a ser comprada em armazéns. 7) Massificação do trabalho assalariado no campo. 8) Desemprego no campo e êxodo rural, provocado pela entrada maciça de máquinas e equipamentos que passaram a substituir o trabalho do homem. 9) Entrada avassaladora de diversas empresas transnacionais no campo formando Agroindústrias (movimento semelhante aconteceu anteriormente com as indústrias de implementos agrícolas) como por exemplo a Fleischmann Royal , Coca Cola , Pepsi (estadunidenses) ; Britsh American Tobacco (anglo-estadunidense detentoras da Souza Cruz e Phillip Morris) ; Yakult (japonesa) e a francesa Danone. Este processo por um lado desenvolveu a formação de uma teia ligando todos os pontos do processo produtivo agropecuário , reproduzindo a denominada cadeia produtiva , que cada vez é mais dinamizada pelos complexos agroindustriais , começando nas fábricas de insumos , tratores , arados mecânicos, fertilizantes , defensivos agrícolas , etc. terminando nas grandes cadeias de distribuição e escoamento da produção, monopolizando todo processo produtivo. Por outro aprofundou a nossa dependência face aos países ricos , ampliou a dominação das empresas transnacionais sobre a economia brasileira , além de provocar uma ampliação da economia de mercado sobre os países pobres e dentro destes a ampliação desta economia para o campo , pois antes era restrita apenas as cidades ou a zona urbana. AGRICULTURA REGIONAL NO BRASIL Atualmente a produção da agricultura e pecuária brasileira, apresenta-se como a mais dinâmica do mundo, principalmente no Mato Grosso. Segundo analistas nacionais e estrangeiros o Brasil caminha a passos largos para daqui a algumas décadas desbancar os Estados Unidos do posto de maior produtor agrícola do planeta. Segundo o Ministro da agricultura, Marcos Vinícius Pratine de Moraes, a agropecuária brasileira cresceu em produtividade 70% nos últimos dez anos, em virtude da conjugação de diversos fatores:        Revolução tecnológica aplicada a agropecuária. Renovação da gestão do agronegócio. Profissionalização do setor. Política agressiva do Estado brasileiro para abrir mercados ao produto brasileiro. Câmbio corrigido. Terras e mão-de-obra barata. Avançadas pesquisas desenvolvidas pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias) em sementes e cultivos. Entre 1997 e 2001 a produção brasileira de soja exportada saltou de 11% para 26% do total de vendas mundiais e atualmente existem apenas 3 milhões de hectares plantados com soja em Mato Grosso (o que mostra a eficiência produtiva do setor ) , porém existem outros 40 milhões de hectares no cerrados já prontos para o plantio. Esta verdadeira alavancada da agropecuária brasileira tem provocado muitas dores de cabeça ao Big Brother norte americano, posto que hoje enquanto a agropecuária brasileira para exportação avança a dos Estados Unidos patina principalmente na falta de competitividade dos seus produtos, hoje mais caro do que os brasileiros. Para reverter o quadro os Estados Unidos estão jogando no esgoto da história os postulados liberais e contrariando a “política de orientação para o mercado” , recomendada pelo Acordo Agrícola da Organização Mundial de Comércio (OMC) , criando uma nova política agrícola que prevê fortes subsídios(em torno de 17,2 bilhões de dólares anuais) aos produtores agrícolas , além de dificultarem a entrada de produtos brasileiros como , o suco de laranja , laticínios e açúcar no mercado estadunidense , bem como vem dificultando as exportações brasileiras de algodão e soja para diversos países. Há de tudo na guerra para deter a produção de grãos do Brasil. No fim de janeiro, Ken Goudy , diretor da Focus on Sabatical , entidade que agrega agricultores norte-americanos e canadenses , esteve na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) , em Brasília , e , com uma estranha proposta , visitou produtores do Mato Grosso. A entidade está disposta a pagar aos produtores de soja brasileiros mais de US$ 100 por hectare para que deixem de plantar. A proposta foi recusada. Revista Primeira Leitura Edição Nº2 Abril 2002. Pg. 45 Porém o Brasil agropecuário não é uniforme em sua produtividade e nas práticas produtivas. Dele pode-se destacar 3 áreas distintas: O CENTRO SUL Chamado de coração agropecuário do país, pois em algumas áreas dessa região, a agricultura atingiu o mais alto grau de modernização e eficiência. Apresenta no conjunto uma grande produtividade por hectare, pois utilizam em grande parte das áreas produtoras técnicas modernas como em todas as fases do processo produtivo: máquinas, fertilizantes, pesticidas, sementes melhoradas, pesquisas. Além da especialização por produção. Nesta região podemos destacar os seguintes espaços agropecuários: A AGROPECUÁRIA PAULISTA Apresenta no seu conjunto uma elevada agregação de capital ao processo produtivo:  Na região da Bacia do Paraná, localizada no oeste do estado está concentrada a agropecuária mais moderna do estado, apresentando elevado grau de mecanização, utilização de técnicas modernas e ligada diretamente às indústrias de beneficiamento.  A região localizada na Bacia do Paraná apresenta uma face dual, onde a policultura comercial convive lado a lado com um complexo zoneamento agroindustrial, onde despontam cidades com produções especializadas. Em cidades como Campinas, Rio Claro, Ribeirão Preto, Jaboticabal, Rio Claro e Piracicaba espalham-se campos cultivados com cana-de-açúcar; Já cidades como São José do Rio Preto, Bebedouro, Matão, Ribeirão Preto, Araraquara e Taquaritinga são os laranjais que reinam na paisagem agropecuária. Plantios diferentes, porém relações de trabalho semelhantes. Nestas regiões predomina o trabalho temporário efetuado por bóias frias, onde a sazonalidade da colheita estabelece fluxos de camponeses sem terras vindos principalmente da Região do Vale do Jequitinhonha e do Paraná. O Contraste entre a riqueza da agroindústria e a pobreza do camponês marca claramente a dura face das paisagens dessas regiões.  O Vale do Paraíba, localizado estrategicamente entre os grandes mercados consumidores paulista e cariocas, desenvolveu a principal bacia leiteira da região.  Nas regiões do extremo oeste paulista, desenvolveu-se a pecuária moderna de corte, onde técnicas de zootecnia como, inseminação artificial, selecionamento de espécies, etc. é aplicada para melhoria constante do rebanho. Estão presentes neste circuito cidades como Andradina, Fernandópolis, Araçatuba e Barretos, onde se instalaram os principais frigoríficos industriais de São Paulo.  Em contraste com a riqueza agropecuária do Estado o Vale do Ribeira no sudeste do estado, não conseguiu modernizar-se e segue com sua produção agropecuária fundamentada em práticas tradicionais realizadas por camponeses, o que provoca o entrave da sua produção. CENTRO-OESTE A região Centro-Oeste começou a ser conquistada em meados da década de 1970 com o avanço da sojicultura. Até este momento o cerrado era praticamente ignorado para culturas em grandes extensões em virtude principalmente da acidez do seu solo. Em 1970 a cultura de soja concentrava-se nos estados do sul do país, principalmente no Paraná e adotava técnicas importadas dos Estados Unidos. Porém no início da década de 1980 aproveitando uma grande oportunidade de negócios, criada pelo veto por 16 anos do então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter a venda de produtos agrícolas estadunidenses a União Soviética como represália a invasão do Afeganistão, o Brasil incentiva a “invasão” da soja no cerrado do Centro-Oeste. Para que este incentivo resulta-se no boom do cultivo de soja nesta região foi muito importante a colaboração da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) que de forma eficiente passou a desenvolver e disponibilizar para os agricultores sementes e cultivares de soja adaptadas ao clima tropical , bem como corretivos agrícolas a base de calcário e fosfato , para melhorar a capacidade agrícola do solo do pobre do cerrado , que apresenta alto percentual de alumínio e pouca matéria orgânica. O sucesso da sojicultura no cerrado foi apenas uma questão de tempo. Estas novas tecnologias, aliadas ao baixo custo da terra e a facilidade de acesso à linhas de crédito, promoveu uma verdadeira avalanche de empresários rurais de diversas partes do país , principalmente do Centro-Sul. Rapidamente o cerrado foi dominado e o avanço da sojicultura criou uma nova fronteira agrícola , onde multiplicaram-se empresas rurais que adotam modernas técnicas de gerenciamento e utilizam um enorme cabedal de tecnológico e insumos , gerando altos índices de produtividade. O imenso eldorado verde, como é denominado mundialmente, ainda está longe de se esgotar. Dos seus 204 milhões de hectares, apenas 61 milhões estão ocupados atualmente com pastagens cultivadas, plantações de frutas, lavouras de grãos e reservas florestais. Em números concretos, apenas um terço do cerrado é responsável atualmente é responsável por uma grande fatia da produção de grãos do país:     Soja, 52% da produção nacional. Milho, 26 % da produção nacional. Arroz, 34% da produção nacional. Café, 21% da produção nacional. É por esse motivo que a região do cerrado perfaz atualmente 8% de todo o PIB nacional. Neste imenso e aparentemente inesgotável manancial criou-se uma forte e integrada cadeia de produção entre a agricultura , pecuária e indústria , que promoveu uma elevação acentuada das exportações brasileira de carnes bovina , suína , frangos e ovos , posto que em virtude da fartura de produção do milho e da soja , houve uma acentuada redução dos custos de alimentação dos rebanhos instalados nessa região e logicamente dotando-os de maior competitividade no mercado internacional. Os problemas do Centro-Oeste Porém nesta região ainda existem problemas a serem solucionados, o primeiro deles é o avanço das transnacionais do setor de biotecnologia sobre a região. O primeiro passo foi dado em 2000, quando a Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária do Mato Grosso, nascidas de um acordo entre empresas agrícolas do referido estado e a Embrapa rompeu a parceria e associou-se a empresas transnacionais do setor biotecnológico, passando a ser uma empresa privada. Com ela foram conhecimentos de mais de 20 anos, como as 20 novas variedades de espécies de soja adaptadas as condições ambientais do estado, novas técnicas de correção do solo , variedades de adubo e técnica de combate a pragas endêmicas na região. O outro grave problema é o escoamento da produção, que ainda é feito basicamente através das diversas rodovias que cortam a região Centro-Oeste ligando-a aos d portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) e da Estrada de Ferro Carajás, que escoa parte da produção para o porto de Itaqui, no Maranhão. Porém os projetos de infra-estrutura para o escoamento da produção já começam a sair do papel , hidrovia do rio Araguaia e do rio Madeira já são fatos concretos , as estradas que ligam a região ao Pacífico e aos portos do Norte do país já estão em fase bastante adiantada e a linha ferroviária do Norte (Ferronorte) , que atualmente transporta apenas farelo e soja do Mato Grosso para o porto de Santos e retorna transportando combustível e fertilizantes passa atualmente por uma ampla reestruturação ampliando o seu poder de transporte (em 2000 esta ferrovia transportava 2,6 milhões de toneladas entre soja e farelo , em 2001 4 milhões e atualmente transporta 5,5 milhões de toneladas). Nesta Região de empreendedores é preciso competência para solucionar os problemas que vão surgindo. Para definitivamente acabar com o problema do escoamento da produção da soja que produz para o mercado externo , de forma independente o Grupo Bom Futuro , criado por um dos ramos da família Maggi formada por imigrantes italianos radicados no Paraná no final da década de 1970 , articula a formação de uma trading e a compra do porto de Santarém , no Pará , de onde embarcam navios cheios de soja para o exterior. Outro ramo da mesma família, liderada por Blairo Maggi investiu US$ 20 milhões num projeto de navegação do rio Madeira e na compra do porto de Itacoatiara (AM). Esta renovada hidrovia atualmente pode ser navegada por balsas com capacidade para transportar 3,2 mil toneladas de grãos através de 900 quilômetros onde utiliza é utilizado atualmente um avançado sistema de navegação com informações de satélite e sonares até chegar aos grandes portos de desembarque onde é repassada por um moderníssimo sistema de aspersão importado da Finlândia , que retira 1,73 mil toneladas de grãos por hora das barcaças jogando-os do navio. Atualmente a viagem das barcaças pelo rio Madeira da área de produção até os portos de embarque dura apenas 48 horas. Essas inovações garantem o título de celeiro do Brasil , eldorado verde e mostra que o futuro registrará ampliadas safras e elevação constante da produtividade desta região O ESPAÇO AGROPECUÁRIO DA REGIÃO SUL Região caracterizada pela policultura , introduzida na época da colonização européia , apresenta hoje um quadro bastante complexo e diversificado onde atuam diversas empresas de transformação e beneficiamento de produtos agropecuários. Nesta região passado e presente coexistem lado a lado, fato que implica uma espacialização da atividade agropecuária regional.  Norte do Paraná região que serviu como área de expansão da cafeicultura paulista na primeira metade do século XX ,     assiste atualmente o avanço do milho e da soja por áreas de antigas matas tropicais derrubadas para o plantio do café. Esta troca de produção acarretou modificações drásticas sobre a sua organização agrária , visto que com o milho e a soja vieram a mecanização e a ampliação da capacidade produtiva dos grandes proprietários , que passaram a comprar as pequenas propriedades sem poder de competição criando uma horda de desempregados que migram constantemente para as cidades ou para as áreas de fronteiras agrícolas da Amazônia. (atualmente esta região é um grande foco de expulsão de população). Nos Pampas – Campanha Gaúcha a tradicional pecuária extensiva agoniza declinantemente em virtude da competição desleal com a forte agropecuária argentina. Até mesmo o arroz introduzido nesta região perde competitividade com o arroz importado do Mercosul e da Ásia , pois seus custos de produção são bastante elevados em virtude dos altos valores pagos pelo arrendamento da terra. Na Serra Gaúcha desenvolve-se a cultura da uva, ligada diretamente a indústria vinícola concentrada principalmente nas cidades de Garibaldi , Caxias do Sul e Bento Gonçalves. Na região de coxilhas que se estende pelos três estados do sul encontraremos uma verdadeira associação entre a agropecuária e a indústria. Campos plantados com soja e milho no Paraná e Rio Grande do Sul alimentam as indústrias de óleo e farelo para ração; Trigais no Rio Grande do Sul e Paraná despejam sua produção nas indústrias de fabricação de bolos e pães e as culturas de fumo do Rio Grande do Sul alimentam a produção de cigarros de empresas como a Souza Cruz. A produção alimentar em pequenas propriedades policultoras espalha-se por diversas áreas dessa região , porém todas praticamente dominadas pelo sistema de preços elevados em virtude da compra de implementos , pesticidas , adubo , etc. , bastante caros , o que tem provocado constantes endividamentos. Minas Gerais Estado agropecuarista por natureza abriga o segundo maior rebanho bovino do Brasil aproximadamente 21 milhões de cabeças de gado , superado apenas pelo Mato Grosso , porém apresenta a maior produção de leite brasileira , 6 bilhões de litros por ano. Atualmente é responsável por 10% da produção nacional de ovos e possui atualmente um plantel de 78,5 milhões de frangos. Possuindo uma agricultura tradicional em seu conjunto , apresenta atualmente a maior produção brasileira de café atingindo metade da produção nacional e a Segunda maior safra de feijão , perdendo apenas para o Paraná. Sua agropecuária abrange atualmente 70% de seu território , porém a maior concentração da sua produção está localizada na região do Triângulo Mineiro. O NORDESTE Aparece sem grandes transformações tecnológicas, usase na maior parte das lavouras de plantation como a de canade-açúcar e cacau as mesmas técnicas seculares. Teve sua produção aumentada pela ampliação da área plantada. Hoje podemos verificar, em determinados trechos da zona da mata, a troca de monocultura tradicional como a cana, por outras culturas como: seringueira, banana, coco, eucalipto e floricultura. Na região do agreste encontraremos uma agricultura de policultura que se junto com a pecuária leiteira tem sua produção voltada para atender as demandas dos grandes centros do litoral como, Recife , Salvador e Fortaleza , além de outras cidades do litoral , do agreste e até do sertão. Já na região do sertão encontraremos a agricultura tradicional de roça, principalmente feijão, milho e mandioca destinada prioritariamente ao próprio consumo do agricultor e sua família , além da pecuária extensiva. Porém algumas áreas da caatinga são conquistadas pela introdução de irrigação e novas tecnologias e estão produzindo frutas para exportação. O exemplo mais claro é o pólo de fruticultura irrigado na Região do Médio São Francisco entre Petrolina, Juazeiro e Lagoa Grande, que atualmente produz melancia, melão manga e uva para exportação. A REGIÃO NORTE Áreas que serviriam como válvulas de escape para as tensões sociais provocadas pela concentração fundiária. São as chamadas fronteira agrícolas. Absorve os trabalhadores rurais expropriados de suas terras, bem como os excedentes populacionais do campo. Formas de Exploração da terra e Sistemas Agrícolas brasileiros. Na nossa sociedade agrária convivem basicamente dois modos de exploração agrícola da terra: 1) Exploração direta. Ocorre quando o proprietário encarrega-se diretamente da exploração da terra. Pode para 2) tal intento utilizar mão-de-obra familiar , típico de pequenas propriedades ou utilizar grandes quantidades de mão-de-obra assalariada , sob sua administração direta ou de um administrador ou capataz. Este é o tipo de predominante de uso do solo no Brasil. Exploração Indireta. Esse tipo de tipo de exploração não é realizada pelo proprietário e sim por terceiros. Podendo assumir as seguintes relações:  Parceria. Neste tipo de relação o proprietário estabelece com agricultores uma relação de empréstimo da terra e recebe em troca como pagamento parte da produção , que é acertado com antecedência , podendo ser a metade (meação ou meia) , a Terça parte da produção (sistema de terça) ou até a Quinta parte da produção (sistema de Quinta).  Arrendamento. Nesta relação a terra é alugada para outra pessoa ou grupo. Podendo o pagamento do aluguel ser em produção , prestação de serviços ou como normalmente é realizado em dinheiro. (as duas primeiras formas de remuneração são pouco utilizadas , e recorridas quando quem aluga não pode pagar em espécie).  O cupação. Acontece quando a terra é explorada sem nenhum pagamento , posto que quem a ocupa e explora o faz , sem o consentimento do dono , que pode ser um proprietário particular ou o próprio Estado. CONCENTRAÇÃO FUNDIÁRIA E VIOLÊNCIA NO CAMPO O último informa da FAO (organização da ONU responsável pela agricultura e alimentação mundial) sobre a situação da propriedade da terra em vários países indicou que o Brasil é o segundo país do mundo em concentração de terras. Seu Índice de Gini alcançou 0,86%, ficando atrás apenas o Paraguai, que apresentou um índice de 0,94. (Stédile, J. P., Questão Agrária no Brasil) CAPITANIAS HEREDITÁRIAS A primeira forma de se distribuir as terras brasileiras foi o sistema de capitanias hereditárias e opção pelo trinômio monocultura-latifúndio-escravidão, que caracterizou a economia e a sociedade brasileira por vários séculos. LEI DE TERRAS - 1850 Definiu a forma como seria constituída a propriedade privada da terra no Brasil, determinando que somente poderia ser considerado como proprietário da terra aquele que a legalizasse em cartórios, pagando certa quantia em dinheiro à coroa. O latifúndio, como estrutura básica para distribuição de terras no Brasil é consolidada, visto que apenas aqueles que tinham recebido as sesmarias e lucrado com elas regularizaram suas posses e transformaram-nas em propriedades privadas A CONSTITUINTE DE 1946 Proposta de Projeto de Lei do Senador Luís Carlos Prestes, do Partido Comunista, para execução de uma reforma agrária que distribuísse a terra a quem nela quisesse trabalhar, pois a terra concentrada como estava nas mão de uma minoria, impedia o progresso econômico do meio rural e a distribuição de renda e justiça social. Mesmo que não tenha sido efetivamente implantada uma reforma agrária nessa constituição, os debates levaram, pela primeira vez, à inclusão em uma Constituição Brasileira, o preceito de que o governo poderia desapropriar terras, se isso fosse de interesse social. O ESTATUTO DA TERRA As tensões no campo eram latentes e inicialmente algumas medidas foram adotadas com o intuito de apaziguá-las:  Perspectivas dos camponeses de servirem como mão-de-obra (barata) nas indústrias localizadas nas cidades.  Criação das fronteiras agrícolas, áreas longínquas no Norte/Centro Oeste do país, e construção de grandes rodovias que cortavam as áreas de florestas do Brasil, como: a Transamazônica; Belém/Brasília, no sentido de absorver a mão-de-obra excluída no campo. Editado em novembro de 1964, trata-se de um conjunto de leis que representava um avanço em ralação às que já existiam e com apenas um interesse: abafar os focos de tensão popular. Na prática, de reforma agrária nada foi feito.Criou o INDA (Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário) em substituição à Supra na missão pela reforma agrária e que posteriormente foi transformado no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), desenvolvendo projetos nas regiões desabitadas e oferecendo lotes de terras aos imigrantes, expulsos do campo e da cidade, especialmente em Rondônia, no Pará e no Mato Grosso. São as chamadas fronteiras agrícolas. Módulo Rural, que era assim definida: “área explorável que em determinada porção do país, direta e pessoalmente explorado por um conjunto familiar equivalente a quatro pessoas adultas, correspondente a 1 000 jornadas anuais, lhe absorva toda força de trabalho em face do nível tecnológico adotado naquela posição geográfica e, conforme o tipo de exploração considerada, proporciona um rendimento capaz de assegurar-lhe a subsistência e o progresso social econômico”. TIPOS DE PROPRIEDADES CRIADAS PELO ESTATUTO Como vimos, o Módulo Rural tem dimensões variáveis dependendo de certos fatores como: 1) Localização da propriedade – se for próxima as grandes cidades, bem atendidas por vias de transportes, proporcionando rendimentos maiores que um imóvel mal localizado, terá, portanto, uma área menor que este. 2) Fertilidade do solo e clima da região – quanto mais propícias às condições naturais, menor a área do módulo. 3) Tipo de Produto cultivado – em lugares onde se cultive produtos de subsistência com técnicas rudimentares, o módulo rural deve ser maior que em uma região onde se produza produtos comerciais com utilização de tecnologia moderna. CATEGORIAS DE IMÓVEIS RURAIS A) Minifúndio: “Todo imóvel com área explorável superior ao módulo fixado para a respectiva região e tipos de exploração nela ocorrentes”. B) Latifúndio por dimensão: “Todo imóvel com área superior a seiscentas vezes o módulo rural médio fixado para a respectiva região e tipos de exploração nelas ocorrentes”. C) Latifúndio por exploração: “Todo imóvel cuja dimensão não exceda aquela admitida como máxima para empresa rural (600 vezes o módulo rural), tendo área igual ou superior à dimensão do módulo da região, mas que seja mantida inexplorada em relação às possibilidades físicas, econômicas e sociais do meio, com fins especulativos ou que seja deficiente ou inadequadamente explorada, de modo a vedar-lhe a classificação como empresa rural” D) Empresa rural: “Propriedade com área de um a seiscentos módulos, adequadamente explorada em relação às possibilidades da região”. A CONSTITUINTE DE 1988 Com o término dos regimes militares, em meados dos anos 80, ressurgem nos meios sociais os debates sobre a reforma agrária e os movimentos sociais dos camponeses. Agora com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), cobrando urgência nas reformas e conseguindo mobilizar a sociedade em prol dos ideais dos Sem Terra. RELAÇÕES DE TRABALHO QUE EXISTEM NO CAMPO:  Trabalho familiar – predomina em pequenas e médias propriedades e é a própria família do agricultor que trabalha na terra.  Trabalho Temporário – chamados de bóias-frias, são trabalhadores diaristas, temporários e sem vínculo empregatícios. Trabalham apenas em determinadas épocas do ano, vivem deslocando-se de fazenda em fazenda (em cima de caminhões) onde haja safra para colher. 30% a 40% da mão-de-obra agrícola atual está reduzida a essa condição.  Trabalho Assalariado – Possuem registros em carteira, recebem, no mínimo 1 salário por mês. Trabalham em agroindústrias e fazendas e têm todos os direitos trabalhistas assegurados.  Parceria e Arrendamento – relação em que um agricultor “aluga” a terra de alguém para cultivar ou criar animais. Se o aluguel da terra for pago em dinheiro, é chamado de arrendamento. Se for pago com parte da produção, combinada entre as partes, é chamada de parceria.  Escravidão por dívida – aliciamento de mão-de-obra por promessas enganosas. Ao entrar na fazenda, o trabalhador descobre que está endividado, como seu salário nunca é suficiente para saldá-la, fica sobre a vigilância de jagunços (capangas fortemente armados). Massacre em Eldorado dos Carajás – PA - 1996 EXERCÍCIOS! 1. Examine atentamente as alternativas a seguir. 1. As formas de agricultura primitiva baseiam-se no emprego de sistemas de culturas extensivas e, em geral, têm por objetivo a subsistência. 2. A agricultura moderna se destaca pela acentuada especialização comercial e da produção e pela utilização de recursos técnicos que o desenvolvimento industrial proporcionou. 3. Os sistemas de produção agrícola e de criação variam, na superfície do planeta, desde o mais extensivo até o mais intensivo. 4. Dentre os vários fatores físico-geográficos que concorrem para facilitar ou dificultar a expansão das áreas cultivadas nos países, podemos destacar: o solo, as condições climáticas e os aspectos topográficos. 5. Um dos pontos chamados de “estrangulamento do desenvolvimento da agricultura” é a comercialização. Estão corretas: a) 1, 2 e 4 apenas. b) 1, 3 e 4 apenas. c) 1, 2, 3, 4 e 5. d) 2, 3 e 5 apenas. e) 2 e 4 apenas. 2. Apesar do intenso crescimento industrial, a agricultura ainda é importante para a economia chinesa. Indique a alternativa que caracteriza o tipo de clima da China Meridional e o principal produto agrícola ali cultivado. a) Equatorial; arroz. b) Temperado; café. c) Tropical monçônico; arroz. d) Subtropical; arroz. e) Semi-árido; chá. 3. A partir do século XIX, intensificou-se nos países tropicais, um sistema agrícola tem se destacado por utilizar importantes efetivos de mão-de-obra, basear-se em monoculturas, depender da demanda externa, sofrer oscilações de preço e gerar um regime de grandes propriedades. Tal sistema agrícola é denominado: a) agricultura itinerante. b) sistema de “plantation”. c) lavoura de roça. d) agricultura de subsistência. e) Sistema de “jardinagem”. 4. A derrubada da floresta e as sucessivas queimadas entre duas culturas de ciclo rápido, utilizadas pelo caboclo brasileiro, se denomina: a) Plantation. d) Pousio. b) Sovkhozes. e) Roçado. c) Coivara. 5. Há aproximadamente trezentos anos, em torno de 90% dos trabalhadores cultivavam as terras para alimentar uma população muito menor que a atual, enquanto, hoje, a proporção de pessoas que trabalham na terra nos países desenvolvidos diminuiu para cerca de 10% e, em alguns casos, para bem menos que isso. Com referência a esse assunto, julgue os itens que se seguem. (0-0) Baixo percentual de mão-de-obra empregada na agricultura é um fato exclusivo dos países desenvolvidos e industrializados. (1-1) Em função do intenso desenvolvimento industrial e tecnológico e da capacitação dos trabalhadores, os países desenvolvidos desconhecem, hoje, o problema do desemprego, seja no campo ou na cidade. (2-2) Os países subdesenvolvidos mantêm as características de baixo nível de qualidade de vida da população por não haverem ainda se tornado países industrializados. (3-3) Entre os países desenvolvidos, a mecanização do campo, vem reduzindo a população nele empregada, o que acarretou um aumento na produtividade das terras cultivadas, mas, no entanto, desencadeou uma série de impactos ambientais. 6. “O aumento significativo da produção de alimentos é o resultado da modernização do campo e da introdução de novas técnicas agrícolas, principalmente no mundo desenvolvido onde é maior o nível de capitalização e onde são utilizadas as mais avançadas tecnologias. No entanto esta revolução vem provocando uma série de impactos ambientais em ecossistemas agrícolas.” Adaptado de SENE, Eustáquio / MOREIRA C., João. Espaço Geográfico e Globalização. São Paulo, Ed. Scipione, 1998. Dentre as explicações para esses impactos ambientais, temos: 1. o plantio de uma única espécie, em grandes extensões de terra, causa desequilíbrios nas cadeias alimentares préexistentes, favorecendo a proliferação de pragas; 2. os cortes feitos nas encostas das montanhas, para a formação de degraus, onde são feitos cultivos, provocam um revolvimento dos solos, o que facilita o transporte dos nutrientes pelas águas das chuvas; 3. a maciça utilização de agrotóxicos provoca a proliferação de linhagens resistentes, forçando o uso de pesticidas cada vez mais potentes, o que causa danos tanto aos trabalhadores que os manuseiam quanto aos consumidores de alimentos contaminados; 4. a utilização indiscriminada de agrotóxicos acelera a contaminação do solo e seu empobrecimento, ao impedir a proliferação de microorganismos fundamentais para sua fertilidade. Estão corretas as afirmativas: a) 1 e 2; b) 1 e 3; c) 1, 2 e 3; d) 1, 3 e 4; e) 1, 2, 3 e 4. 7. Em relação à agricultura dos Estados Unidos, é incorreto afirmar: a) Caracteriza-se pela presença de cinturões agrícolas ou belts. b) Apresenta um elevado grau de mecanização. c) Detém o maior índice de produtividade do planeta. d) Caracteriza-se pela agroindústria. e) Caracteriza-se por absorver um grande contingente de mão-de-obra. 8. Leia com atenção as características das empresas agrícolas para assinalar a alternativa correta: I. Produtividade média para baixa, em decorrência de gastos com a seleção de sementes. II. Elevado índice de mecanização no preparo do solo, médio índice no plantio e muito baixo na colheita. III. Tendência à concentração de terras pela venda de propriedades dos agricultores que não conseguem acompanhar os altos índices de produtividade. IV. Sistema predominante nos EUA, Canadá, Austrália, porções da Argentina e do Brasil, especialmente nas monoculturas de soja e laranja. V. Sistema predominante em várias regiões do Brasil, Colômbia, América Central, Gana, Costa do Marfim, Índia e Malásia. São características das empresas agrícolas SOMENTE a) I e II. b) II e III. c) III e IV. d) IV e V. e) V e I. 9. A agricultura é uma das mais antigas atividades do homem e foi a partir da Revolução Industrial que ela passou a se transformar profundamente. Sobre estas transformações pode-se afirmar que: (0-0) Atualmente não há mais restrições naturais à produção agrícola pois todas as regiões do globo, independente da latitude ou do clima, podem produzir alimentos e oferecer viabilidade econômica. (1-1) A revolução técnico-científica repercute na atividade agrícola aumentando a produtividade. (2-2) A economia rural, antes auto-suficiente, hoje se organiza e se especializa para atender às necessidades da cidade. (3-3) Com os avanços científicos obtidos pela agricultura é muito provável que já na primeira década do século XXI, o problema da fome no mundo estará solucionado. (4-4) As novas variedades de produtos agrícolas criados graças à biotecnologia são produzidas por importantes transnacionais que controlam a produção e distribuição das sementes. 10. Em relação às atividades agrárias, é incorreto afirmar: a) A cultura irrigada do arroz é largamente disseminada nos deltas dos rios Hwang Ho, Yang-Tsé-Kiang e MeKong. b) Entre as formas de exploração agrícola capitalista, salienta-se a comuna popular da China. c) A plantation corresponde ao sistema agrícola que surgiu como um empreendimento capitalista em que o colonizador se apossou de grandes porções de terras na Colônia, e procurou cultivar, em larga escala, produtos tropicais para abastecer regiões de clima temperado. d) A rotação de terras era uma técnica extensiva aplicada sobretudo no sistema feudal, onde um dos lotes ficava em pousio. e) No Nordeste brasileiro predominou o uso do regime de grandes propriedades, fato preponderante para o sistema de concentração fundiária em vários municípios da zona rural. 11. O Sistema Agrícola de “Plantation” apresenta, dentre outras, as seguintes características: I - II (0-0) É baseado na policultura; (1-1) Depende da demanda externa predominantemente; (2–2) Provoca o regime de grandes propriedades; (3-3) Utiliza importantes volumes de mão-de-obra; (4-4) É encontrado dominando nos países da Europa Ocidental. 12.) “Poucos produtos marcaram tanto a história do Brasil quanto o café. Influenciou a política na República Velha e desde o século XIX marca presença na economia. O auge do café como protagonista da história foi na crise de 29.” Jornal A Folha de São Paulo,3.5.98 Sobre o assunto abordado no texto, podemos dizer que: (O–O) a crescente importância econômica fez dos produtores de café de São Paulo, Rio de janeiro e Minas Gerais o centro da elite dirigente do Império e República. (1-1) a rápida expansão da cafeicultura no Estado de São Paulo é explicada pelo clima frio que domina na área. (2–2) com a crise de 29, ocorrida na Bolsa de Nova Iorque, fazendeiros e comerciantes de café foram muito beneficiados pelo considerável aumento das importações do produto pelos Estados Unidos. (3–3) a cafeicultura acolheu, na região Sudeste, levas de imigrantes e financiou a industrialização do país. (4–4) a escassez da mão-de-obra provocada pela interrupção definitiva do tráfico de escravos criou, de uma certa maneira, um problema à expansão da cafeicultura. 13. A agricultura brasileira tem grande importância social e econômica. Entre os fatores que a caracterizam, é INCORRETO afirmar: a) A atividade agrícola fornecedora de alimentos gera as maiores receitas financeiras, seguida de fontes de matériaprima e produtos de exportação. b) As atividades agrárias sofrem influência de fatores naturais, como características tropicais, que favorecem a produção de cultivos de destaque no mercado mundial. c) A economia agroexportadora contribuiu, durante um extenso período, para estabelecer uma organização social que relacionou a propriedade da terra à concentração do poder político e econômico, favorecendo os conflitos existentes. d) A atividade agrícola apresenta forte dualidade entre uma agricultura comercial, mecanizada e de exportação, e lavouras arcaicas de subsistência, com trabalho familiar. 14. A região Centro-Oeste, com destaque para o Estado de Goiás, passou por profundas transformações em sua dinâmica socioeconômica a partir de 1970, principalmente no que se refere à introdução da agricultura moderna, tendo a soja como principal produto agrícola cultivado na região. Porém, no início do século XXI, em função de fatores de ordem interna e externa, vem se intensificando o plantio da cana-de-açúcar, voltado principalmente para a produção de açúcar, álcool e outros derivados. Sobre esse assunto, é INCORRETO afirmar: a) A cana-de-açúcar apresenta uma estreita ligação com o setor agroindustrial, principalmente com as usinas de álcool e açúcar, contribuindo para o crescimento de instalações ligadas ao setor no Estado de Goiás. b) O cultivo da soja, bem como o da cana-de-açúcar, vem contribuindo significativamente para a melhoria das condições de alimentação da população brasileira, sobretudo da parcela mais carente, tendo em vista o elevado valor protéico que apresentam e a destinação de maior parte da produção ao mercado interno. c) Em Goiás, a expansão sucroalcooleira contribui para que haja uma supervalorização do preço da terra e um aumento considerável nos preços de locação e venda de equipamentos agrícolas. d) O incremento na produção de cana-de-açúcar vem ganhando destaque em virtude da elevação dos preços das "commodities" de açúcar e álcool no mercado internacional, combinado com a crescente produção de automóveis bicombustíveis. 15. (M. Mélo) Desde a construção de Brasília por Juscelino Kubitschek a região do cerrado brasileiro vem passando por um processo contínuo de transformação. Esse ecossistema é um dos mais degradados do país em compensação a agricultura brasileira entrou numa fase de desenvolvimento jamais visto antes atingindo altos índices de produção, se destacando no mercado mundial com novos produtos. Várias áreas do Centro-Oeste e sul da Amazônia passaram a entrar no cenário agrícola do país. Esse momento ficou conhecido como: a) b) c) d) e) A Marcha para o Oeste; As Ligas Camponesas; A Expansão das Fronteiras Agrícolas; A conquista do Brasil oriental; A corrida da Agricultura. 16. As extensas áreas de agricultura mecanizada nos Estados Unidos da América do Norte associam-se a: a) terrenos planos da Bacia do Mississipi-Missouri, com clima temperado continental e solos de boa fertilidade. b) planaltos da Bacia do Colorado com climas semi-áridos e solos de baixa fertilidade. c) Vale do Rio São Lourenço, com clima temperado oceânico e solos férteis. d) contrafortes orientais das Montanhas Rochosas, com clima temperado continental e solos pouco férteis. e) terrenos alagados da Península da Flórida, com climas subtropicais úmidos e solos aluviais arenosos. 17. O diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) declarou, em entrevista à "Folha de São Paulo" de 19/12/93, que passam fome em todo o mundo 786 milhões de pessoas. Tal situação, entretanto, está acompanhada de um grande paradoxo, que consiste no fato de que a) são centenas de milhões de famintos que se concentram principalmente na África e na América Latina. b) a fome é provocada pela pobreza, desigualdade social e ignorância. c) a fome penaliza especialmente as crianças, as mulheres e os idosos dos países mais pobres. d) existem centenas de milhões de famintos num mundo onde há comida para todos. e) a fome leva à morte não só por destruição, mas também por expor a doenças infecciosas as pessoas debilitadas, principalmente as crianças. 18. Analise as características a seguir. I - Tem sua produção voltada quase que exclusivamente à rizicultura inundada. II - Baseia-se no trabalho intensivo de grandes contingente de mão-de-obra, que visam à subsistência. III - Utiliza técnicas tradicionais, cuja produtividade consegue, muitas vezes, superar as de outras regiões, onde há o emprego de mecanização e outros expedientes ditos modernos. IV - Demonstra a possibilidade de realização de uma agricultura milenar, compatível com as condições ambientais, sem gerar, portanto, desequilíbrios, como a erosão dos solos. Pode-se concluir que essas características se referem à agricultura que se realiza na região: a) da Floresta Equatorial Africana. b) do Sudeste Asiático. c) do Meio-Oeste dos E.U.A. d) do Litoral Mediterrâneo Europeu. e) da Planície Central Australiana. 19. Em todo o mundo, o uso de pesticidas na agricultura aumentou rapidamente depois de 1950. Eles foram introduzidos para ajudar no aumento da produção de alimentos, mas criaram outros problemas bastante sérios. Assinale a alternativa que indica problemas gerados pelo uso indiscriminado desses produtos químicos. a) Alteração no processo de seleção natural, redução das áreas aráveis, aumento da poluição atmosférica. b) Contaminação de alimentos, poluição das águas, envenenamentos de homens e animais. c) Diminuição de predadores naturais, redução da camada de ozônio, aumento das terras irrigadas. d) Eliminação total das pestes, diminuição dos casos de envenenamentos em animais, aumento das terras de uso não agrícola. e) Aumento do número de insetos, redução da área de plantio, elevação da temperatura do ar. 20. "ESTE PAÍS está entre os maiores produtores e exportadores mundiais de trigo, embora apresente menos de 5% de seu território utilizado para a agricultura devido a uma série de dificuldades ambientais. A cerealicultura praticada é muito eficiente, com intensa mecanização e pequena mão-de-obra." O texto refere-se a) aos Estados Unidos. b) ao Canadá. c) à China. d) à Rússia. e) à Ucrânia. 21. Examine a tabela adiante. DISTRIBUIÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS AGRÍCOLAS NO BRASIL, DE ACORDO COM O TAMANHO EM 1985 No que se refere à distribuição da terra rural no Brasil, os dados da tabela permitem afirmar que a) a distribuição da terra rural é eqüitativa. b) mais de 70% da terra rural corresponde aos estabelecimentos com mais de 100 hectares. c) são os estabelecimentos de 10 a menos de 100 hectares que correspondem à maior parte da terra rural. d) são os estabelecimentos com menos de 10 hectares que correspondem à maior parte da terra rural. e) são os estabelecimentos com mais de 100 hectares que correspondem à menor parte da terra rural. 22. "A soja ocupou os espaços remanescentes da economia e do território regional e avançou sobre áreas de pecuária extensiva com base no arrendamento de terras e sobre a agricultura colonial, deslocando produtos destinados ao auto-abastecimento regional e pressionando a saída de trabalhadores, de produtores sem terra e de pequenos proprietários. A ocupação de áreas que haviam ficado à margem do complexo agroindustrial da soja permitiu reter, na região, a pequena produção desarticulada com a expansão de cultivos modernos ou desalojada com a construção de barragens para a produção de energia hidrelétrica. Por outro lado, a expansão do sistema de integração de pequenos produtores à indústria viabilizou, através do desenvolvimento de atividades compatíveis com reduzidas extensões de terra - avicultura e suinocultura confinadas e cultivo do tabaco para a produção de fumo -, a permanência de pequenos produtores cujos estabelecimentos não apresentavam escala adequada à implantação da lavoura mecanizada de grãos". Este texto refere-se à agricultura a) da Região Sul. b) da Região Centro-Oeste. c) do Estado de São Paulo. d) da Região Nordeste. e) do Estado de Mato Grosso. 23. O complexo agroindustrial se configura no Brasil a partir da segunda metade deste século. Sobre este processo, pode-se afirmar: a) deu-se de forma desordenada, devido ao choque de interesses entre o governo e os produtores agrícolas, apesar de beneficiar toda a sociedade brasileira. b) traduziu-se na passagem da agricultura tradicional para a agricultura moderna dirigida para mercados específicos, o que significou, entre outras coisas, incorporação de tecnologia sofisticada para o processo de produção agropecuário. c) em 1980, 75% dos estabelecimentos rurais brasileiros estavam entre os caracterizados como de agricultura moderna. d) em 1980, 25% da produção agropecuária brasileira eram oriundos de 75% dos estabelecimentos rurais, caracterizados como de agricultura moderna. e) a passagem da agricultura tradicional para a agricultura moderna se constituiu num processo dinâmico que incorporou novas tecnologias, porém sem qualquer articulação com o desenvolvimento urbano. 24. Indique a alternativa incorreta relacionada à questão agrária no Brasil: a) A maior parte das terras agrícolas encontra-se em mãos de grandes proprietários. b) Os grandes latifundiários mantêm a maior parte de suas terras sob índices de produtividade extremamente baixos. c) A grande propriedade impede a multiplicação dos pequenos produtores e, portanto, a própria produção agropecuária do país. d) O latifúndio absorve um mínimo de mão-de-obra. e) Não há terras improdutivas no Brasil, já que os grandes latifúndios têm altíssimos índices de aproveitamento do solo. 25. Assinale a alternativa que apresenta uma característica da agricultura brasileira que provoca êxodo rural. a) Com a modernização da agricultura, tem diminuído o número de volantes, principalmente nas áreas canavieiras. b) A modernização da agricultura tem ampliado o número de empregos rurais. c) Os parceiros, arrendatários e pequenos produtores são os mais beneficiados pelo capital empregado na aquisição de máquinas, adubos e corretivos. d) A maioria da população rural não é proprietária da terra em que trabalha. e) A modernização da agricultura brasileira tem provocado a melhor distribuição da terra agrícola. 26. "O período de 1974 a 1983 representa o alastramento da violência por quase todo o território brasileiro." (...) "o Pará, Maranhão e Extremo Norte de Goiás - atual Tocantins - vão representar a área mais sangrenta do país". A violência mencionada no texto intensifica-se a partir dos anos 70, provavelmente devido: a) à luta travada pelos posseiros de Trombas e Formoso para a organização das Ligas Camponesas contra as injustiças sociais no campo. b) à intervenção da SUDENE numa tentativa governamental de assentar excedentes demográficos do Nordeste nesta área. c) ao perigo representado pelo grande contingente de nordestinos que vieram especialmente para o trabalho da extração do látex nas seringueiras. d) à luta pela posse da terra nas áreas de maior concentração dos projetos agropecuários incentivados basicamente pela SUDAM. e) à revolta de indígenas e peões contra os posseiros que se apoderam ilicitamente de suas terras através de títulos falsos ou grilados. 27. Com referência à situação brasileira, analise: 1. A maioria da população rural não é proprietária da terra em que trabalha. 2. Predominam no país as grandes propriedades, muitas delas improdutivas. 3. Os parceiros, arrendatários e pequenos proprietários não conseguem alta produtividade porque não têm capital para investir em adubos, sementes e máquinas. 4. A modernização da agricultura com crescente utilização de tratores, colhedeiras e outros equipamentos, tem diminuído as oportunidades de emprego para os trabalhadores sem terra. 5. O êxodo rural tem provocado um grande crescimento populacional urbano, diminuindo a qualidade de vida das populações urbanas. Assinale a alternativa que contém todas as afirmações corretas. a) 1 e 5 b) 1, 3 e 4 c) 1 e 4 d) 1, 2, 3, 4 e 5 e) 1, 2 e 3 28. No Brasil, a expansão industrial gerou grandes complexos agroindustriais, sobre os quais afirma-se que: I. O capital necessário para estes empreendimentos foi fornecido pelo Estado (através de empréstimos especiais), pelo grande capital industrial e pelo grande capital agrário. II. Pequenos e médios proprietários vendem sua produção para grandes empresas, antes da colheita, as quais supervisionam a aplicação dos investimentos e a qualidade dos produtos. Essas empresas não precisam, portanto, investir em terras para obterem suas matérias-primas. III. Entre os maiores complexos agroindustriais está o da cana, com extensas áreas agrícolas, gerando melhores condições de trabalho no campo, o que contribui para conduzir a concentração da renda no meio rural. Assinale a alternativa correta. a) Apenas a afirmativa I é verdadeira. b) Apenas a afirmativa II é verdadeira. c) Apenas a afirmativa III é verdadeira. d) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. e) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras. 29. Observando as proposições a seguir, podemos afirmar: (0-0) O fator tempo possui importância considerável na formação do solo. Em determinadas condições, as reações químicas que originam o solo podem ser favorecidas, como no caso das temperaturas mais baixas. (1-1) No sertão do Nordeste brasileiro os solos, geralmente, são muito espessos e a ocorrência de chuvas torrenciais torna-os pouco sujeitos à erosão. (2-2) Na Zona da Mata nordestina ocorrem solos escuros denominados "massapê", de grande plasticidade em virtude do alto teor de argila. (3-3) O solo é um complexo vivo elaborado na superfície de contato da crosta terrestre, com seus invólucros atmosfera, hidrosfera - e formado de organismos vegetais e animais que lhes dão a matéria orgânica. (4-4) Quando a água das chuvas tende a concentrar-se, formam-se pequenos sulcos e ravinas que, evoluindo, podem fazer desaparecer a camada de importância agrícola do solo. 30. Sobre a estrutura agrária do Brasil: (0-0) Na relação de trabalho do tipo parceria, o proprietário da terra cede a terra a terceiros mediante o pagamento de uma quantia previamente estabelecida. (1-1) A estrutura fundiária brasileira dificulta ou impede uma maior produção ou melhor desempenho da agricultura. (2-2) A subutilização de terras no meio rural afeta não só o abastecimento urbano-industrial, como a oferta de empregos. (3-3) O INCRA classifica os estabelecimentos agrícolas em: minifúndios, latifúndios por exploração, latifúndios por dimensão e empresas rurais. (4-4) O regime de doações ou Lei das Sesmarias foi o primeiro sistema utilizado no Brasil para regular a posse de terra. 01. UEPB – 20000. “Para exportar mais, pesquisadores criam melancia sem caroço, manga sem fios e abacaxi em gomos” (Revista Veja: Jun/99). Assinale a alternativa que NÃO corresponde à análise correta do texto. A) A agricultura está, cada vez mais, subordinada ao mercado urbano/industrial que determina o que deve ser produzido e vende ao campo todos os insumos agrícolas necessários à produção. B) A única saída econômica para os países pobres resolverem o problema do subdesenvolvimento é investir na agricultura de exportação, visto que não dispõem de tecnologia nem de capital suficiente para investir em outros setores. C) A penetração do capitalismo no campo difundiu as inovações biogenéticas voltadas para a criação de espécies animais e vegetais resistentes e produtivas, com vistas ao aumento do lucro. D) O problema da fome no mundo não reside ao fato da produção de alimentos não haver acompanhado o crescimento da população, como previa Malthus, mas ao fato da agricultura capitalista está voltada para o lucro. E) Mesmo em países ou regiões subdesenvolvidas, a agricultura de exportação apresenta alto índice de modernização, com produtos de elevado padrão de qualidade, porém restritos aos produtores rurais ou empresas agrícolas altamente capitalizadas. 02. UEPB – 2001. "Severino é agricultor, tem seis filhos e mora numa cidade do interior paulista. Planta: feijão, milho, pimentão e cebola. Revolta-se quando ao vender um saco de 20 kg de pimentão por R$3,00 ficou sabendo que em São Paulo um quilo de pimentão custa em média os R$3,00 que recebeu." Identifique a alternativa que expressa a realidade do texto: A) B) C) D) E) A figura do atravessador que reduz as possibilidades de ganho da agricultor. A reduzida distribuição de terras entre os agricultores para garantir sua sobrevivência. A fraca produtividade resultante do baixo índice de mecanização agrícola. A fraca produtividade da mão-de-obra devido a baixa especialização. A falta de incentivos fiscais para financiamento das lavouras de subsistência. 03. UFPB/PSS1 – 2006. Leia o texto abaixo, retirado do site oficial do Ministério da Ciência e Tecnologia <http://agenciact.mct.gov.br>. “A Mandala é um sistema de agricultura familiar sustentável destinado a pequenos agricultores e desenvolvido pela Agência Mandala DHSA, com sede na Paraíba. É composta por um tanque com dois metros de profundidade por seis de diâmetro e capacidade para até 30 mil litros de água, que serve para irrigação. Ao redor, são cultivados alimentos como feijão, arroz, mandioca, batata, hortaliças e frutas. Além disso, o poço central serve para a criação de peixes e aves, e as fezes dos animais são utilizadas como fertilizante orgânico para adubar a terra.” O texto apresenta uma prática reconhecida como tentativa de desenvolvimento sustentável. Com base em conhecimentos teóricos sobre o tema, o desenvolvimento sustentável é definido como: A) Desenvolvimento econômico que prioriza a produção, sem considerar os aspectos sociais. B) Desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades. C) Desenvolvimento que defende o uso imediato de todos os recursos do planeta, porém dentro de uma perspectiva conservacionista. D) Desenvolvimento econômico que prioriza a produção e, em última análise, é o único fator que melhora a qualidade de vida das populações. E) Desenvolvimento que defende um modelo em que a preservação da natureza é a prioridade absoluta, submetendo os aspectos econômicos e sociais às leis naturais. 04. UESPI – 2002. Sobre a modernização da agricultura brasileira não é correto: A) B) C) D) E) Ocorre de maneira diferenciada. As novas áreas agrícolas estão voltadas para o mercado interno. Houve uma desvalorização das agriculturas alimentares básicas, como o arroz, feijão e a mandioca. Há perda de produtividade espacial para certos produtos, como por exemplo, o café. O desenvolvimento dos transportes, condições de estocagem e de comercialização justificam seu caráter extensivo. 05. UEPB – 1999. Leia com atenção o trecho dos versos de Vital Farias na sua canção intitulada: Saga da Amazônia. .Mas o dragão continua a floresta devorar e quem habita essa mata pra onde vai se mudar??? Corre ÍNDIO, SERINGUEIRO, PREGUIÇA, TAMANDUÁ TARTARUGA, pé-ligeiro, corre-corre tribos dos KAMARUÁ No lugar que havia mata, hoje é perseguição grileiro mata posseiro só pra lhe roubar o chão castanheiro, seringueiro já viraram até peão afora os que já morreram como ave-de-arribação Zé de Nana tá de prova, naquele lugar tem cova gente enterrada no chão Pois mataram ÍNDIO que matou grileiro que matou posseiro disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro ROUBOU SEU LUGAR. Analise as proposições que correspondem aos atuais problemas Amazônicos, os quais são abordados nesta composição. Escreva V ou F conforme sejam verdadeiras ou falsas, respectivamente. ( ) O processo de ocupação da Amazônia foi acelerado nos anos 70 com incentivos fiscais do governo para atrair o grande capital; o que intensificou a derrubada da floresta para plantar capim e criar gado. ( ) Os conflitos pela terra gerados pela apropriação especulativa de grupos do Centro-Sul em detrimento do uso da terra para a sobrevivência das comunidades nativas. ( ) As mudanças nas relações sociais de produção com a eliminação das antigas relações produtivas e a introdução de relações assalariadas, típica do capitalismo, com destaque para o trabalho temporário (os peões). ( ) A atuação dos grileiros (principal personagem envolvida nos conflitos de terra da Amazônia) que se apoderam de forma fraudulenta das terras indígenas e de posseiros através de títulos de propriedade falsos. Assinale a alternativa que apresenta a seqüência correta. A) VVFV. B) FFFV. C) VVVV D) VFFV E) FVVV 06. UFPB/PSS2 – 2006. Os fragmentos, abaixo, tratam da violência, característica marcante na história dos conflitos agrários no Brasil. Na Paraíba, “no dia dois de abril de 1962, João Pedro Teixeira é assassinado com tiros de fuzil por Alexandre e Chiquinho, pistoleiros integrantes da polícia militar. O soldado Chiquinho denunciou Agnaldo Veloso Borges como mandante do crime. O mesmo que, 21 anos depois, mandaria matar Margarida Maria Alves”. (PEREIRA, Antonio Alberto. Além das Cercas... Um olhar educativo sobre a reforma agrária. João Pessoa: Idéia, 2005, p. 70-71). “O assassinato da freira Dorothy Stang, no Pará, lembra outro crime, cujo personagem só ficou conhecido no Brasil depois de morto: Chico Mendes – assassinado em 1988 pelo mesmo tipo de gente que matou a irmã Dorothy. No país, ninguém sabia quem era aquele seringueiro, apesar de, há muito, ser alvo de fazendeiros, grileiros, madeireiros (...) Somente depois de a morte dele ter ganhado repercussão mundial, os jornais do Brasil começaram a mandar repórteres para o Acre”. (BORTOLOTTI, Plínio. O Brasil de baixo e o Brasildebaixo. Disponível em: <http://www.noolhar.com/ opovo/colunas/ombudsman/ 449423.html>. Acesso em: 15 ago. 2005). Sobre o tema abordado, é correto afirmar: A) A violência decorre da ousadia das lideranças dos sem-terra contra o governo, tentando derrubá-lo. B) Os conflitos acontecem, nos períodos de transição governamental, devido à indefinição das políticas de reforma agrária. C) A violência é uma conseqüência direta da não-realização da reforma agrária ampla e integral pelos sucessivos governos federais e estaduais. D) Os conflitos entre os sem-terra e os grandes proprietários rurais caracterizam disputas por terra e poder, desde a promulgação do Estatuto da Terra em 1964. E) A violência decorrente dos conflitos agrários é uma característica marcante da reação dos fazendeiros às ações dos trabalhadores sem terra, somente nas regiões Norte e Nordeste. 07. UFCE – 2003.1. A partir de 1970, surgiram novas culturas no espaço agrário brasileiro, como, por exemplo, a soja. Sobre esse produto, assinale a alternativa correta. A) B) C) D) E) Cultura produzida por grandes empresas rurais e destinada, principalmente, ao mercado externo. Cultura produzida em pequenas propriedades e, principalmente, para o mercado interno. Cultura de subsistência, produzida, principalmente, na região Centro-Oeste do país. Cultura produzida em escala comercial e dominante na Zona da Mata nordestina. Cultura produzida em escala familiar utilizando muita mão-de-obra. 08. UFPI – 20000. Sobre a estrutura fundiária e as relações de trabalho no campo brasileiro, assinale a alternativa correta. A) A estrutura fundiária apresenta acentuada concentração da propriedade decorrente das formas de apropriação das terras, desde o período colonial. B) A partir de 1850, com a Lei de Terras, todos os trabalhadores rurais passaram a ter acesso à terra. C) A modernização do campo proporcionou a extinção dos contratos de parceria em todas as regiões brasileiras. D) Nas áreas de fronteiras agrícolas, todos os trabalhadores rurais possuem títulos de propriedade da terra. E) Os bóias-frias são assalariados que trabalham nas propriedades de forma permanente e com vínculo empregatício. 09. UFPI – 2001. Com relação à questão agrária no Brasil, discute-se que um dos grandes problemas está na sua estrutura fundiária. A esse respeito, marque a alternativa correta. A) Conceito de módulo rural se refere ao tamanho adequado da propriedade familiar, sendo estas dimensões iguais em todas as regiões brasileiras. B) Os latifúndios correspondem aos imóveis rurais explorados economicamente, de forma eficiente e adequada, e predominam na região Centro-Sul do país. C) As empresas rurais exploradas de forma econômica e racional correspondem à maioria dos imóveis rurais do país. D) A concentração fundiária vem diminuindo, nos últimos anos, através do crescimento das pequenas propriedades familiares, em todas as regiões brasileiras. E) A estrutura fundiária se caracteriza pela presença de minifúndios, cujo tamanho é insuficiente para a manutenção das famílias, e das grandes propriedades, por vezes improdutivas – os latifúndios. 10. UFPE – 2006.1. Considerando os diferentes sistemas agrícolas, é incorreto afirmar que: A) Os sistemas agrícolas, em todo o Brasil, têm permanecido resistentes às mudanças tecnológicas e aos estímulos do mercado mundial. B) O sistema de “Plantation” pressupõe uma acentuada concentração da propriedade fundiária nas mãos de poucas pessoas ou empresas. C) O sistema agrícola é o conjunto de relações sociais, conhecimentos, tradições e técnicas empregadas pelos grupos humanos em sua relação com a terra. D) Nas áreas rurais, nas quais a agricultura está claramente voltada para os mercados consumidores interno e externos, os sistemas agrícolas diferem muito, em função do nível de desenvolvimento alcançado pelo país. E) No Brasil, a roça itinerante pode ser considerada como sistema agrícola tradicional, adotado por agricultores que não dispõem de muitos recursos técnicos. “Metade da Humanidade não come; e a outra metade não dorme, com medo da que não come.” (Josué de Castro)
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